quinta-feira, 16 de setembro de 2010

E esta,hein?

Paulo Sérgio foi indiscutivelmente o grande vencedor do jogo em França. Assumindo corajosamente o risco, o treinador começou a ganhar o jogo baralhando os franceses com uma equipa alternativa, onde pontificavam apenas Carriço e André Santos dos habituais titulares. Com isso conseguiu fazer repousar grande parte dos titulares para o jogo de domingo e, quem sabe, deixar Jesus tão baralhado como os franceses sobre a equipa para o derby. É tão justo o destaque como seria certa a sua crucificação se as coisas corressem mal. Por certo ninguém se lembraria que ao técnico restavam poucas alternativas e que não lhe competia a ele procurar melhor enquadramento do derby, face aos compromissos europeus.

Não foi um grande recital mas foi um jogo que valeu pela consciência colectiva das 11 individualidades. Mesmo na segunda parte, em que o Lille procurou mais a nossa baliza, e até depois de sofrer o golo, a equipa não se desarticulou. Isto apesar de, no reverso da medalha, não ter sabido usufruir do adiantamento dos franceses. E confesso que não gostei daquele final “à la Paços”.

Numa equipa formada por jogadores que estamos pouco habituados a ver jogar juntos, faz sentida uma análise individual.

Do lado dos mal-amados saliência para um Polga irrepreensível. A sua saída da equipa, depois de Paços de Ferreira foi injusta e nada deve em valor a NAC, o central da moda.Postiga fez muito menos do que é habitual mas, paradoxalmente, fez um golo. Tiago foi infeliz num lance infeliz que veremos muitas repetido com a jabulani, foi decisivo mais do que uma vez. Saleiro esforçou-se pela equipa mas não teve oportunidades. Nada a apontar a Abel.

Do lado das novidades confirmei a impressão sobre Salomão, que me parece ainda a precisar de… jogar muito mais. Zapater foi demasiado discreto, falhando muitos passes. Torsiglieiri teve uma entrada a fazer lembrar Grimi, mas foi importante no golo e acabou ficar em bom plano.

Do lado dos consagrados exibições imperiais de Carriço.ENORME, ENORME. André Santos andou lá perto. Vukcevic marcou e pouco mais.

Uma palavra para a arbitragem: Mr. Atinkson fez o que pôde pelos franceses.

Já falamos francês, falta "só" tocar piano

Paulo Sérgio deu ontem o seu próprio show na conferência de imprensa que habitualmente antecipa os jogos. Não só por se expressar em francês, mas sobretudo por voltar ao discurso do inicio da época:

"Não vou entrar por essa via lamechas e arranjar desculpas, A nossa expectativa é de confiança, confiamos no grupo que temos, confiamos em toda a gente. Temos respeito pelo adversário, o Lille tem grande equipa, mas queremos entrar com o pé direito.”

Mas não será fácil. Bem antes pelo contrário e, com ou sem ausências, o Lille será logo um bom teste às reais capacidades da equipa. Este é o primeiro adversário mais próximo do nosso valor, podendo até, neste momento, e em termos colectivos, suplantar-nos. Como é tradicional nas equipas francesas, encontraremos uma equipa bem organizada e com valores individuais muito interessantes e em ascensão na cotação internacional, podendo surpreender os menos avisados.

O Sporting, como muito bem assinala Paulo Sérgio não se pode desculpar com as ausências e ver na dificuldade a oportunidade para ultrapassar alguns dos seus problemas. Com Liedson em Lisboa abre-se a perspectiva de, em 4x4x2 losango jogar com a dupla Postiga – Saleiro, tão subestimada pelos Sportinguistas, mas que para mim seria dupla natural, nesta altura. E talvez seja essa a postura táctica mais indicada face às soluções que o plantel pode oferecer. Tenho dúvidas que esta seja a altura de atirar Salomão às feras, ao contrário da maioria. O jogo natural para o fazer teria sido contra a Naval, face aos acontecimentos. Um 4x3x3 com a defesa habitual, com André Santos à sua frente, Valdés na esquerda, Zapater do lado oposto e uma frente formada por Matias, Djaló sem posições fixas e Saleiro parece-me tentadora mas quiçá pouco consistente na hora de defender.

Logo veremos se sabemos tocar piano, depois de falar francês. Talvez não seja preciso um recital como o de Keith Jarret em Colónia, mas vai ser preciso mais do que arranhar uns acordes. 

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A história de um fracasso bem sucedido

O momento que se vive nas selecções, com o envolvimento do seleccionador, é apenas a ponta do iceberg de uma titânica e sub-reptícia luta de bastidores pelo controlo dos seus centros de decisões e de aplicação da lei e da disciplina. E, à medida que se vão sabendo pormenores e ouvindo os intervenientes, mais claro fica que esta é também uma luta de cariz político-partidário. Se dúvidas houvesse bastaria ouvir as declarações de ontem do insuspeito Lourenço Pinto. O actual presidente da AF Porto, (e ex-presidente do Conselho de arbitragem, com um histórico de ligação e favores prestados ao FCP e seu presidente…) no seu habitual discurso pretensioso e de sacristia, traz para o futebol um discurso marcadamente partidário, cuja audição recomendo aqui.

O futebol nada tem ganho com a presença dos comissários políticos e com a extensão da luta partidária ao seu seio. Mas a visibilidade que proporciona atrai os agentes políticos como as estrumeiras atraem as moscas. Talvez por isso quando se olha para o futebol se vejam mais ou menos as mesmas trapalhadas atávicas de que enferma o País. Desenganemo-nos: esta gentinha não quer resolver os problemas das selecções nacionais, não quer estudar soluções para os quadros competitivos anquilosados que atrofiam os jovens futebolistas, ou analisar a sustentabilidade dos clubes mais pequenos, cujo fosso para os maiores aumenta exponencialmente a cada dia que passa. Muito menos pugnar por uma arbitragem isenta. Esta gente quer é continuar a rapar o tacho.

Nada há a esperar de bom para o futebol português que resulte desta enxovia onde os seus interesses se encontram. E, convenhamos, os seus sucessos nunca resultaram de nenhuma acção concertada de clubes, federação ou do Estado. Antes sim de coincidência de factores que, de forma cíclica, o retira da mediania ordinária em que, de forma genérica Portugal se encerrou após o fim do período de ouro das descobertas, talvez o primeiro e último desígnio nacional. A sua história não deixa por isso de ser a história de um fracasso muito bem sucedido.

E o que pensam os clubes disto, afinal os principais interessados e por isso também os principais prejudicados pelo estado de coisas?

Bem, o FCP quer continuar a dominar os bastidores, de forma a continuar a contar com a rede que lhe tem permitido por a salvo, sempre que necessário, dos imprevistos da competição e não é por isso difícil de intuir no discurso do presidente da AFPorto que este, mesmo que a vaca tussa, prefere  a ilegalidade da FPF e consequente perda de utilidade pública, do que perder influência com a adequação à lei de bases.

O SLB zanga-se com o inefável Laurentino a dias porque este não lhe permitiu contratar para o futuro (muito futuro creio) tribunal desportivo o seu melhor ponta-de-lança dos últimos anos, de seu nome Ricardo Costa, cujos golos decisivos lhe permitiram alavancar um campeonato. O SLB só acha sérios e credíveis os campeonatos que consegue ganhar, não respeita os adversários, como se prova pelo apelo que faz aos seus adeptos.

Não sei onde se situa o Sporting no meio de tudo isto. Os Sportinguistas contudo podem-se orgulhar de não verem o seu nome envolvido na viscosa realidade do submundo do futebol português.  Há quem diga que isso é fraco consolo, como se a honra e o carácter não fossem motivo de orgulho para gente de bem.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Comunicar é preciso

Há uma notória diferença na comunicação institucional do clube, tendo em conta o passado recente. A opção pelo marketing viral, com os vídeos de Acosta, Prates e de Francheschi são bons exemplos. As iniciativas levadas recentemente a cabo na Loja Verde, com a presença de jogadores do actual plantel em sessões de autógrafos, põem também ser elencadas como boas práticas. Com a deslocação da principal actividade da equipa para Alcochete criou-se um hiato que urgia restaurar para reforço dos laços de empatia entre jogadores e adeptos. Convenhamos que é mais difícil assobiar os que conhecemos do que jogadores cuja distância ao nosso mundo transforma em seres irreais, quase etéreos.

Mas comunicar no Sporting, seja no site, seja no jornal do clube, não se pode resumir ao marketing e propaganda. E tem de observar critérios como o timming. Julgo interpretar correctamente o sentir de grande parte dos Sportinguistas, que aguardam com alguma ansiedade e até apreensão, uma tomada de posição firme, inequívoca, oficial, pública e notória do clube perante a recente agitação que “varre o País” e as possíveis consequências no desenrolar do resto do campeonato.

E se muito há a fazer no que diz respeito ao exterior, não tenho dúvidas que a comunicação para dentro do clube, sobretudo ao nível da indispensável prestação da informação, tem ainda muitos passos a dar no sentido da oportunidade e da transparência. As virtudes de uma boa comunicação, como factor de coesão dos Sportinguistas, têm sido ignoradas de forma por vezes quase sistemática. Os órgãos oficiais do clube não se podem limitar, ou não se deviam limitar, a servir de câmara de ressonância dos órgãos sociais, pelo amesquinhar da força abrangente e plural que é o Sporting Clube de Portugal. Se me custa que os órgãos de comunicação do clube sejam sujeitos à lógica vigente de “preservação da espécie” dos eleitos, desprestigiando as funções para que foram investidos, mais ainda me custa que esta atitude seja caucionada ou simplesmente ignorada por inúmeros consócios. O Sporting pelo qual me apaixonei é um clube de referência, não apenas pelos inúmeros títulos que amealhou, mas essencialmente pelo exemplo e pelos princípios que representa. São inúmeros os exemplos que poderia citar. Fico-me por dois dos mais recentes, para ilustrar o que digo.

Admito que pode ter resultado de alguma limitação pessoal, mas confesso a minha dificuldade em encontrar no site do clube o relatório de contas que foi agora aprovado, pelo que tive que recorrer ao site da CMVM para me poder inteirar do mesmo. Não posso afirmar que o relatório não foi publicado, mas a verdade é que nem recorrendo às funções de busca o consegui encontrar. Porque não lhe foi dado o devido destaque? Não foi na busca de maior transparência que o clube enveredou por uma lógica empresarial para gestão da modalidade mais representativa do clube? De que nos serviu desvirtuar um modelo que fez do Sporting Clube de Portugal uma das referências desportivas mundiais, se até para recolher informação tão elementar temos que visitar sites de instituições que nada nos dizem? Se foi para passar despercebido quanto se gastou com Caicedo o objectivo quase foi conseguido. Esta dificuldade em prestar contas é quanto a mim, e de forma surpreendentemente negativa, uma das marcas da era da “gestão de topo” no Sporting.

Já não tive tanta dificuldade em tomar conhecimento do desmentido feito ao seu accionista e associado João Mineiro, através de comunicado expressamente elaborado para o efeito, no site, mas entretanto retirado. É um direito que assiste ao Sporting se, como entende, as declarações daquele não estão conformes com a verdade. E é até seu dever, tendo em conta a importância da matéria em causa. Mas, e ainda sem conhecer a posição do visado, interrogo-me porque foi o Sporting tão lesto a desmentir um sócio e accionista, sobre uma questão técnica e de alcance reduzido e não teve a mesma celeridade e igual procedimento para esclarecer os sócios e accionistas sobre a notícia do CM, que alegava procedimentos menos transparentes na remuneração de JEB. A velha e estafada desculpa que o Sporting não pode desmentir todas as notícias que referem o clube é, neste caso, desmentida pelos próprios factos. “Este” Sporting parece apenas interessado em desmentir o que lhe dá jeito.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O drama, o horror, a tragédia e o murro na mesa

O nosso rival e adversário do próximo domingo definitivamente perdeu a cabeça. Disparando em todas as direcções, o comunicado distribuído revela acima de tudo a total falta de discernimento causada pela triste e dura realidade. Claro que se, no próximo domingo, Vitor Pereira lhes desencantar um Lucílio Baptista "à la Taça da Liga" tanta indignação dos agora guardiões da verdade desportiva depressa significará o regresso à megalomania patológica. Um "case study" do transtorno bipolar, vulgarmente designados por depressão maníaca.

Espero que a direcção do Sporting tenha aprendido alguma coisa o ano passado com o "caso Duarte Gomes" no Dragão e com todos os outros: não adianta depois chorar sobre o leite derramado. Até porque não podemos e não devemos competir com a choradeira que "varre o País".

Paulo Sérgio: réu e vítima


Com 5 pontos perdidos em 4 jornadas, jogando com clubes sem grandes pretensões, os Sportinguistas interrogam-se já sobre as razões que estão na base deste momento de insucesso, que, estranhamente, é visto no site do clube como de êxito. Há quem ache que tudo se resolveria com o tal pinheiro, há quem entenda já, até nos que decidiram dar o benefício da dúvida, que não restam dúvidas que o treinador podia e devia fazer melhor.

Desde o princípio que a “solução Paulo Sérgio” nunca me agradou, pelo que os resultados não me surpreendem, apenas me entristecem. A hipótese do pinheiro parece-me uma visão redutora dos problemas, a menos que estivéssemos a falar de um goleador nato. Nesse prisma, não se percebe então os que tanto o reclamam agora, também entenderam útil gastar-se no farelo o que devia ser para comprar farinha. Isto é, valeu a pena desbaratar tantos recursos para não resolver um problema essencial e ficarmos mais ou menos na mesma?

Numa semana marcada pela discussão financeira, esquecemo-nos que os principais erros do Sporting têm acontecido na gestão desportiva, errando os diagnósticos e, consequentemente, as soluções. A cúpula dirigente decidiu encetar uma revolução sem ter dinheiro para a levar a cabo, ficando, mais uma vez a meio de coisa nenhuma. O Sporting acumula erros e prejuízos com a elegância e circunspecção de um elefante, em pleno lago do Campo Grande, a saltar de nenúfar em nenúfar.

Paulo Sérgio é tão réu como vítima e por isso talvez tenha mudado de discurso do início de época para o momento actual. De facto, não é nenhum drama perder mais do que um ponto por jornada, se compararmos esse facto com a vida dos mineiros chilenos a 700m de profundidade ou com os moçambicanos que, nas ruas de Maputo reclamam por justiça social e uma côdea de pão. Do ponto de vista dos Sportinguistas, que vivem o clube com paixão e não enfrentam situações tão dramáticas ou equivalentes, não sei se não é mesmo um drama ver o primeiro classificado a tantos pontos de distância e a jogar bem.

Sempre achei que o Sporting precisa definitivamente de abandonar o período experimentalista que abraçou, com entrega da responsabilidade técnica a treinadores sem curriculum – Peseiro ou Paulo Bento – ou sem um percurso auspicioso como o actual técnico. (Por acaso até poderíamos ter sido felizes nos dois primeiros exemplos e até pode ser que o sejamos agora. Mas só mesmo por uma série de acasos.) O argumento do dinheiro para justificar a impossibilidade de contratar um outro tipo de treinador é falacioso, se atendermos ao que o Sporting deixou ficar na conta corrente do Vitória de Guimarães, cerca de 600 mil euros! E não creio que a preferência por portugueses, pelo menos por estes portugueses, em detrimento de estrangeiros, tenha a ver com o melhor conhecimento do futebol português. A história prova que esse não é um factor determinante.

Creio que os dirigentes do Sporting preferem ter Paulos Sérgios ou Bentos, deslumbrados pela oportunidade de ouro que lhes caiu do céu, a exigir no início de época um x número de jogadores. Para, quando ela começar e, sem as necessidades satisfeitas, declararem, complacentes, que foi o que se pôde arranjar. Isto, a alguém, nacional ou estrangeiro, capaz de levar as suas exigências às últimas consequências, inclusive bater com a porta. Ou obriga-los a reconhecer, perante os Sportinguistas, que não somos assim tão candidatos porque a parte que lhes cumpria ficou por fazer.

Dir-me-ão que Paulo Sérgio foi, como lhe competia, solidário com que lhe deu a mão. Mas a solidariedade devia ser recíproca e JEB e Costinha deveriam assumir publicamente que o treinador não teve o que queria, e, em consequência, fica desobrigado a grandes exigências. Da mesma forma que um cozinheiro não pode prometer fazer o melhor cozido à portuguesa, num concurso de restaurantes, se não há dinheiro para chispe e tronchudas.

Quando se tornou público que Paulo Sérgio seria o nosso treinador esta época, apressei-me a vaticinar que seria na formação da equipa que Paulo Sérgio começaria a demonstrar ao que vinha. Ao aceitar tudo o se que lhe pôs à frente, o treinador fragilizou a sua posição. Alguém imagina Mourinho a aceitar, como Pelligrini aceitou, o que Valdano e Florentino lhe despejaram no balneário? Ou porque Jesus rapidamente remeteu Rui Costa ao seu gabinete? Ou quem é o director desportivo do FCP?

Se Paulo Sérgio estivesse atento, perceberia que foi por estas razões que o seu homónimo Bento acabou por perecer em Alvalade. O discurso auto-indulgente tem apenas servido para perpetuar o establishment e, na hora de assumir responsabilidades, estão lá os Bentos e os Carvalhais ou os adeptos menos resignados para carregar as culpas.

domingo, 12 de setembro de 2010

Será?


«Fomos incompetentes na finalização» - Paulo Sérgio

Pode ser apenas impressão minha mas acho que tem sido assim toda a época em termos de jogos oficiais.

Uma vez mais desperdiçaram-se diversas oportunidades de golo e noutros casos, o momento da decisão não foi o melhor com o portador da bola a dar mais um toque antes de rematar.

Há umas épocas atrás, dependíamos bastante da inspiração de Liedson para conseguir caudal ofensivo. Agora até o conseguimos "criar" mas não existe concretização.

A Paulo Sérgio até pode faltar um pinheiro mas a alguns jogadores também falta pontaria. Com treino vai lá?

EM FRENTE SPORTING!

sábado, 11 de setembro de 2010

Corridinho devagar e devagarinho



O Sporting iniciou o jogo apenas com uma alteração, com o regresso natural de João Pereira e o regresso directo de Abel à bancada. Cedo ficaram evidentes as dificuldades a enfrentar: o Olhanense cedia-nos meio campo, concentrando todos os esforços defensivos nos últimos 50 metros. Sempre que conseguia recuperar a bola tentava desferir o contra-ataque, sem no entanto conseguir criar grande perigo. Esse viria no habitual lance bola parada – como se vê, é um problema colectivo, não do Polga ou Patrício… – conseguindo um golo num lance previamente anulado, cuja falta não descortinei.

O Sporting pareceu entrar decidido a resolver rapidamente a questão mas, com o passar dos minutos, foi-se acomodando. Uma bola na barra foi o lance de maior perigo, numa primeira parte que acabou de forma decepcionante, tal a incapacidade revelada para criar lances de golo. Com as laterais bem fechadas o jogo foi afunilado a meio, onde apenas Matias parecia ter a mobilidade e criatividade necessárias. Penetrações entre linhas, colocação de bolas no espaço, a solicitar diagonais dos avançados foram soluções nunca ensaiadas. Os 69% de posse de bola a nosso favor, no fim dos 45m são enganadores, por terem sido amplamente consentidos pelo adversário e muito mal geridos por nós.

Com o desperdício dos primeiros 20 minutos da 2ª parte o Sporting acabou por permitir que o jogo ficasse quase sentenciado,uma vez que o avançar do relógio retirava o discernimento necessário. Desperdiçar uma oportunidade mais evidente que um penalty, por Saleiro, no que foi imitado de seguida por Maniche, foi a confirmação de um resultado comprometedor.

Há poucos destaques individuais a merecer nota positiva. No topo, indiscutivelmente André Santos, uma exibição soberba. Boa nota para Patrício, Carriço, e, aqui e ali, João Pereira e Maniche. Matias quase chegava lá mas acabou por se perder. Mediocridade geral para as exibições restantes, com Valdês, Vukcevic, Yanick e Liedson a destacarem-se pela negativa.

Com 5 pontos desperdiçados com 2 equipas pequenas, em 4 jornadas, e sem aproveitar as perdas de pontos dos adversários directos, o Sporting faz perigar, em pouco tempo, a sua candidatura.

Sporting - Olhanense 4ª Jornada

SPORTING – Rui Patrício; João Pereira, Daniel Carriço, Nuno André Coelho e Evaldo; André Santos; Maniche, Matías Fernandez e Valdés; Yannick e Liedson.

Suplentes: Tiago, Torsiglieri, Zapater, Vukcevic, Salomão, Saleiro e Postiga.

--------------------

OLHANENSE – Moretto; João Gonçalves, Maurício, Jardel e Carlos Fernandes; Delson e Vinícius; Jorge Gonçalves, Nuno Piloto e Paulo Sérgio; Yontcha.

Suplentes: Ricardo Batista, Mexer, Ismaily, Adilson, Lulinha, Toy e Djalmir.

Árbitros : André Gralha, Valter Oliveira, Bruno Silva

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Que choradeira

Desde a passada quarta-feira que se assiste em Portugal a uma choradeira de levantar as pedras da calçada. Só espero que a factura de tanto lenço gasto não nos apareça na contabilidade no próximo fim-de-semana. Afinal quando se perde todos choram. 
P.S: Quanto custou o João Ribeiro ao Guimarães?

Ter olhão pela frente e jogar à boavista

Prosseguiu ontem o tal passo em frente que, segundo o que nos prometido, permitirá maior desafogo financeiro para “investir” na equipa de futebol. No dia em que se sabe que “investimentos” como o de Caicedo nos custaram 403 mil euros em 6 meses, que o passivo cresceu mais uma vez, que Rita Figueira, cuja ligação à SAD não é clara – permanece como administradora ou como avençada? – recebeu uns módicos 127 mil euros, e que o presidente recebe 219 mil euros, independentemente dos resultados, com que capital de confiança podemos encarar um futuro próximo com mais dinheiro para gastar? Sim ,porque me recuso a acreditar no que diz hoje o Correio da Manhã a propósito dos honorários de JEB. E, para os que acham que formar não vale a pena repare-se que Quaresma, na sua vida de cigano do futebol, nos rendeu quase tanto como o que gastamos com Caicedo… Os Sportinguistas parecem como os seus congéneres boavisteiros, fechando os olhos a todos os pequenos e grandes avisos. As consequências não serão piores ou idênticas porque o Sporting Clube de Portugal é, de longe, uma instituição mais sólida, mas aquelas não deixarão de se fazer sentir, como aliás está já à vista de todos.

Felizmente que vem aí o futebol e a equipa de todos nós, Sportinguistas, volta aos relvados. Este é um fim-de-semana de grande importância, uma vez que FCP e Braga perderão pontos, falta saber se os dois ou apenas um deles. Se jogasse no totoloto poria uma dupla “X2”. A equipa de Domingos é hoje uma das mais difíceis de bater, não tem problemas em jogar com 11 jogadores atrás da linha da bola e, a jogar fora, sentir-se-à como peixe na água. A falta de Mateus poderá baralhar a equação. Isto desde que Domingos não dê largas à sua imaginação, como costuma fazer sempre que joga na sua casa de sempre, mesmo desde os tempos da Académica. O SLB joga em Guimarães mas, perante os do Afonso Henriques, não creio que lá deixe ficar armas, leia-se pontos, que precise para o resto da guerra, leia-se campeonato. A equipa de Manuel Machado ainda está muito tenrinha para contrariar Jesus, embora Guimarães seja um berço de crença e garra, factores de superação á falta de argumentos técnicos e tácticos.

Por tudo isto e por jogar em casa, contra uma equipa pequena, que o Sporting não poderá enjeitar a possibilidade de se aproximar dos que o precedem. E como tónico anímico para o jogo seguinte. Não vi ainda um jogo completo do Olhanense, apenas resumos, pelo que desconheço a sua valia. Mas, dos resumos que vi, espero uma equipa fechada atrás e, em lances rápidos, explorar o contra-golpe. Aí poderemos, estou certo, rever Paulo Sérgio, não o actual treinador, mas o jogador das nossas escolas, hoje mais maduro, com 26 anos. Na jornada anterior, na recepção ao Leiria, os lances de perigo algarvios saíram, na quase totalidade, dos seus pés. Oportunidade também para rever Ricardo Baptista no lugar do costume. Por último, mas talvez mais importante, por ainda manter uma ligação a nós, João Gonçalves que, até agora, é totalista. Assim as lesões o deixem prosseguir a sua afirmação.

Como em todos os jogos deste cariz, marcar cedo é ir pelo caminho mais fácil e deixar correr o cronómetro é complicar a tarefa, até porque, como se viu no último jogo em casa e em Paços de Ferreira, o nosso futebol dá-se mal com equipas fechadas e em Alvalade paciência e confiança são bens escassos. Não acredito que tenhamos as facilidades concedidas pela Naval.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Mais um passo em frente

Há 15 anos compramos – pagando a bom preço -a ideia de que o Sporting Clube de Portugal precisava de dar um passo em frente no seu modelo de gestão, diferenciando o clube da vulgar mercearia, assumindo a partir daí as virtudes das empresas de referência cotadas em bolsa: eficiência, transparência, responsabilidade e inovação. É inútil lembrar, porque julgo que está na memória colectiva, o trajecto até hoje realizado e os resultados alcançados. Cada um fará o balanço que quiser e puder. Conhecidos ontem os resultados que se anunciam para a SAD e olhando para os proventos desportivos é caso para perguntar em que empresa de referência os accionistas permitiriam estes resultados sem exigir responsabilidades?

Na minha óptica o Sporting, nesta viagem atribulada, perdeu muito da sua matriz e, descaracterizando-se, perdeu parte da sua alma. Talvez por isso os Sportinguistas assistam impávidos, mesmo que de forma pouco serena, ao fechar do anel constritor que trucida o modelo associativo. Na AG da SAD de hoje fecha-se um processo que nunca foi transparente, cujas verdadeiras consequências são desconhecidas de todos, provavelmente até dos promotores da ideia. E, convém não esquecer, que decisões como a passagem da Academia e emissão de VMOC´S, senão de legalidade duvidosa, assentam pelo menos numa ética contestável, que, no mínimo, configura um profundo desrespeito pelos sócios.Quando os sócios fecham os olhos a golpadas e cooptações não podemos deixar de concluir que o Sporting de hoje é um Sporting diferente. Mas não mais aquele “diferente” que afirmávamos com orgulho e nos distinguia dos demais.

Dito tudo é hoje perfeitamente actual lembrar o que o nosso estimado JL nos ofereceu por altura da Reflexão Leonina, lembrando a A.G. de 13 de Outubro de 2009, onde todo este processo arrancou:

"Sportinguistas,

É com coração pesado que escrevo este post, numa altura em que se sabe já o desfecho da AG de 13 de Outubro de 2009, dia que, de tão mau agoiro ameaça ser, bem podia ter sido Sexta-Feira.

Começo por agradecer aos Caríssimos editores do blogue o simpático convite para vir deixar neste salutar espaço de debate Sportinguista a minha visão do que foi, podia ter sido e, creio, será o SCP.

É importante que se tenha em consideração que a Assembleia Geral de dia 13 de Outubro (“AG”) foi das mais importantes de sempre da história do Clube.

Nela decidiu-se o direito a usar o nome Sporting Clube de Portugal deve ser do Sporting Clube de Portugal ou não.

Nela decidiu-se se a SAD deve ser, de uma vez por todas, um veículo societário ao serviço dum Clube centenário ou se o Clube centenário deve suportar até gota de sangue não lhe restar os caprichos comerciais duma sua empresa.

Numa escala maior, decidiu-se o a prioridade de sobrevivência das instituições: Se for preciso sacrificar uma para salvar a outra, qual sobrevive?

A este respeito, cumpre salientar que é inaudito na história da prática comercial Portuguesa uma entidade detentora assumir a posssibilidade de se descapitalizar até ao osso e fazer perigar a sua existência para sustentar uma sua participada.

Dirão os mais objectivos que apenas se decidiu a passagem de um activo do Clube para a SAD.

Na minha modesta opinião, esta AG pintou um retrato preocupante daquilo que é a nossa realidade hoje, senão vejamos:

Decidiu-se muito mais. Decidiu-se o futuro. Mais concretamente, decidiu-se não ter futuro.

E tudo em nome do Plano de Reestruturação Financeira (“Plano”).

Antes de entrarmos na discussão do Plano, urge fazer duas notas:

a) Para não tornar o post ainda mais insuportavelmente longo do que é, por Plano deve-se entender a parte do Plano que foi aprovada na AG, i.e., a passagem da Sporting Comércio e Serviços para a SAD; e

b) De “numerologia” já estaremos todos saturados, e essa acaba por ser irrelevante, até porque do prisma financeiro, o Plano equivale a, na prática, urinar para um fogo florestal na esperança de assim o apagar.

Dito isto, venho hoje discutir as condições “climatéricas” por detrás da AG e em que medida estas revelam a convicção e conhecimento dos Sócios quanto à aprovação do mesmo.

O Plano enfermou desde nascença de vários males que sempre deveriam ter minado a sua credibilidade e deveriam ter ditado um “Não”, nem que fosse em nome dum “Sim” posterior, senão vejamos:


1. O Plano enquanto Monólito

O Plano foi, desde que surgiu nas bocas da nação Sportinguista com aura sebastiânica, uma inevitabilidade.

“É o único Plano”; “Não há vida para além do Plano”; “Se não aprovarem o Plano, seremos devorados pela besta negra da Banca”.

Estas e outras aleivosias assumiram, ao melhor estilo de Goebbels, o carácter de mentira que, tantas vezes repetida, se tornou verdade.

É preciso ter presente que o Plano nasce duma recusa assumida pelo anterior Presidente em renegociar com a Banca ou em procurar outra instituição bancária com que negociar a compra da dívida em condições mais vantajosas.

Assim, o Plano passa de monólito, de única tábua de salvação da SAD e do Clube num capricho do “menino” Soares Franco, que não quer afrontar os amigos, até porque, conforme afirmou a respeito de outros diferendos: “não tenho feitio para discutir”.

Dirão os mais críticos: “mas ninguém apareceu com outra solução!” O problema é que isso não corresponde à verdade.

Da renegociação com os bancos com que o SCP trabalha até à procura de outros bancos para trabalhar, passando pela titularização da dívida, várias outras opções surgiram.

Mas todas esbarraram em argumentos como “Pois, mas este Plano está pronto e se não agimos depressa, os Bancos levam tudo” ou “Pois, mas o Plano é melhor”.

Aos defensores mais empedernidos do Plano, pergunto sem sofisma: Quando é que o Plano foi debatido com abertura a alternativas a ele próprio?

A este respeito, cumpre salientar que se assistiram a melhoras. Do despeitado Franco que, confrontado com o chumbo do Plano, vociferou: “E eu é que tenho que mudar o Plano?!” passámos ao cândido Bettencourt que sempre afirma: “Há outras soluções, mas esta é a que está disponível a curto prazo”.

Se o Presidente admite que o Plano não é a via única, porquê tomá-lo como tal? E se o tomamos como tal por ser o único disponível AGORA, porque não se contemplaram outros desde início?

Aprovado que está o Plano, a pergunta cai para o academicismo.


2. O Plano enquanto “Cheque em Branco”

É importante manter presente que a SAD é uma sociedade comercial cotada em Bolsa, e que, como tal deve, ou devia, ser pautada por valores de rigor, transparência, responsabilidade e responsabilização dos seus orgãos dirigentes.

O Plano é a mais recente paragem na “via dolorosa” que tem sido a passagem de património do Clube para a SAD. Muito património foi passado, a pretexto da sustentabilidade da SAD e do Sporting Europeu, que ganha 3 campeonatos em cada 5, conforme vaticinou o pai de todo o “monstro”, José Roquette.

Sucede porém que, em 2009, a SAD apresenta um passivo gargantuesco sem contrapartidas ou resultados desportivos que o justifiquem. O património, esse, esfumou-se, perdido entre resmas de papel, e o seu produto anda ausente em parte incerta, com a única certeza a ser que não serviu para engrandecer o Clube conforme foi prometido.

Assim, chegados a 2009, temos que encarar o facto de que o buraco financeiro foi feito por pessoas. De melhor ou pior fé, mais ou menos competentes (na generalidade menos), mas pessoas.

Temos ainda que encarar que as mesmas pessoas que cavaram este buraco são as que nos pediram o sangue do Clube novamente na AG.

Pergunto eu: não se devia exigir uma sindicância da actuação destas pessoas ANTES de lhes dar mais património?

Não se trata de caçar bruxas, não se trata de apontar dedos. Trata-se de “corporate governance”, de garantir aos Sócios que o risco de má gestão futura deste activo é mínimo, por não ter existido má gestão passada dos outros.

A este respeito, Bettencourt é lapidar. Não se audita nada. O passado não interessa, e se erros houve, são para varrer para debaixo do tapete e não mais pensar neles.

É uma questão de fé, de confiança, dirão alguns. Face aos resultados da SAD e olhando para o património de que esta já dispôs, pergunto eu: como se pode ter confiança?

Mais, se não há motivos para desconfiar, não seria uma auditoria um poderoso instrumento pacificador, um lavacro purificador de onde JEB e a DIrecção sairiam ultra-legitimados sob a bandeira da transparência?

Aprovado que está o Plano, a pergunta cai para o academicismo.

3. O Plano Que nos foi Apresentado

O Plano foi vendido aos Sócios antes da AG como a última hipótese de sonhar com competitividade, estabilidade, e, a julgar pelo miserabilismo do Presidente, dignidade.

O Plano foi, sem papas na língua, apresentado sem valores. A generalidade dos Sócios ignora por que valores foi a SCS passada para a SAD, ignorando consequentemente QUANTO saiu da esfera patrimonial do Clube com esta passagem.

Esta não é a maneira de apresentar um Plano desta magnitude. Ocultando valores, apelando à necessidade basista de correr atrás dos outros, prometendo aumentos de investimento no futebol, depois subsequentemente mitigados ou desmentidos no dia da AG, i.e., já formadas as convicções, arvorando o caos como desfecho inevitável caso o Plano não seja investido na condição de salvador da pátria.

Um Plano destes apresenta-se com verdade, com números, com implicações práticas e concretas nas manifestações do SCP que os Sócios vivem, sentem e com que vibram.

Não tenho dúvidas que se Bettencourt tivesse, atempadamente, avisado do impacto apenas marginal do Plano no e.g., futebol, outro galo facilmente cantaria. Acho que ninguém tem. Um Plano que prometa craques é popular e passa. Um que não…não.

Assim, o Plano foi apresentado aos Sócios, que entraram para a AG para sobre ele decidirem, como um Finisterra medieval: dentro dele, a salvação. Para além dele, o abismo.

Convenhamos que não são pressupostos que encorajem o debate, e que, pelo contrário, predispõem à aprovação.

4. A Assembleia Geral do Plano

Se até aqui usei de alguma contenção, é aqui que ela se esgota. Porque, franqueadas as portas da AG, a lógica ficou à porta e só resta espaço para a pressão de parte a parte, o insulto, e um dos maiores exercícios de futilidade que alguma vez vi, ao ponto de me perguntar até que ponto o modelo de AG do SCP tem alguma semelhança com o associativismo.

Os Sócios estão divididos em guerra fractricida. De um lado, os situacionistas, que arvoram os 90% que elegeram Bettencourt como uma panaceia para todos os males que, na sua convicção, tudo desculpa, tudo perdoa, tudo permite. Para os situacionistas, a minoria deve acabar. Por ser minoria, é uma “quantité negligéable” que se deve subsumir ao juízo maioritário.

Os situacionistas assumem hoje a posição: “como vocês são menos, não vos temos que ouvir”.

Do outro, os oposicionistas, fartos de tudo. Fartos da incompetência, da falta de controle sobre a gestão da SAD, de terem que vir a AGs passar património porque a SAD só perde e não ganha, fartos do mau futebol, de ficarem em segundo, e, acima de tudo, fartos de estarem fartos de tanta coisa.

E este é um status quo que temo ser insanável. Ache Bettencourt e os 90% o que acharem, esta Direcção não é consensual. Sendo legítima, não é representativa. Tem 90% dos votos, o que representa sensivelmente 8.000 pessoas. O SCP é bem mais e que une 8.000 pessoas não pode pretender ter unido todos os Sportinguistas.

Não discuto que só votou quem votou e é esse o universo a ter em conta. Mas, se são só 10.000 os que votam, são bem mais os que se revoltam.

E foi neste clima que se iniciaram os trabalhos da AG: guerra surda.

Não pretendo fazer um relato exaustivo da AG, por isso, deixo apenas os pontos que, para mim, merecem nota. Quem esperar imparcialidade no registo, deverá passar à frente.

Num contexto em que se desconhecem os contornos fácticos do Plano, acho inenarrável o Presidente ter perdido tempos infindáveis a listar o seu currículo. Quem foi votar não sabe dos méritos do Plano, mas sabe dos do Presidente. O motivo é lapidar: “Não se preocupem se o Plano é bom. Eu sou bom, é o que vos interessa”. Não é bem assim, Sr. Presidente.

Acho inacreditável ouvir justificações de voto como “com isto temos mais dinheiro para o futebol” ou “se eles acham que é preciso…”

No geral, a AG do Plano mostrou ser pouco em torno do Plano e mais em torno dos seus fautores.

Por tudo isto, pela falta de informação, discussão, tolerância e conhecimento das matérias, a AG do Plano merece entrar para os livros como um exemplo claro de como NÃO fazer uma AG, da AG que não se deseja nem para decidir a cor das paredes das casas de banho do Estádio.

Para decidir, é preciso conhecer. E, digo-o sem reservas, quem decidiu não conheceu. E não conheceu porque não lhe foi dado a conhecer, o que não serve de desculpa, porque nestas coisas, ensinam os pais às crianças: se não se sabe de onde veio e por onde andou, não se mexe. Sejam cães, doces ou Planos.

Friso: a questão é menos se o Plano é bom ou mau. A questão é que ninguém sabe o que é o Plano. E, na dúvida, seguiu-se a irresponsabilidade de o aprovar.

5. E Depois do Plano?

Agora que o Plano está aprovado, é o momento de para ele olhar desapaixonadamente:

O Plano representa, em traços largos, a assunção pela SAD de que anda nua.

Assim, apanhada nua na rua, a SAD vai ao já vazio estendal do Clube buscar roupa com que tapar as partes pudendas e poder caminhar novamente pela rua sem despautério.

O problema é que a SAD tem uma tendência relapsa para perder a roupa que tem no corpo, tendência essa que tem sido suportada pelo estendal do Clube.

Atenta a nudez despudorada da SAD, é de temer que brevemente esta desfile nua pela rua, desta feita de braço dado com o Clube, levado também ele à nudez.

Assim, é de prever que a SAD depois de vestir a SCS, queira vestir a Academia. E depois de vestir a Academia, queira vestir Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis (“VMOCs”). E depois de vestir VMOCs, queira vestir o Estádio.

Durante este percurso, nem uma vez a SAD foi instada a arranjar a sua própria roupa. E o Clube, que passou 103 anos a fazer enxoval, acaba também ele nu.

Porque um dia, a roupa acaba-se.

Bettencourt já avisou que o Plano “é fundamental, mas não suficiente”. Trocado por miúdos, quer isto dizer que a SAD quererá mais património, mais roupa, mais tudo.

A juntar a isto, a Direcção já faz saber, numa sandice situada algures entre a má-fé e o desconhecimento, que a passagem da Academia para a SAD e a emissão de VMOC foram já aprovadas, pese embora não terem reunido a necessária maioria estatutária e legal de aprovação. Aparentemente, a Direcção decidiu levar a sério a tese dos “omnipotentes 90%” sufragada pelos seus arrogantes acólitos.

Tudo somado, a vida depois do Plano afigura-se sombria para o SCP, que corre o sério risco de deixar de existir como o conhecemos e como um dia o sonhou o seu fundador.

Depois do Plano, teremos mais “um cheirinho” de dinheiro para investir no futebol, mas apenas na próxima época, pelo que esta deverá ser já para esquecer, o que aliás a realidade indicia de forma clara e dolorosa.

No meio de tudo isto, umas últimas perguntas académicas:

E o Sporting Clube de Portugal, que ganhou com o Plano?

Que ganhou com anos de gestão incerta de património?

Como é possível termos saído de casa para passear a SAD pela trela e voltarmos a casa pela trela da SAD?

É que por mais que me digam que é tudo igual, eu sou é do Sporting Clube de Portugal. E esse, depois da AG, ficou mais pobre, mais vazio, mais pequeno, mais dependente. E em nome ninguém sabe bem de quem ou de quê.


6. Conclusões e Nota Pessoal

4 meses volvidos sobre a eleição do pseudo-pacificador Bettencourt, o Sporting está pior. Mais pobre, mais dividido, mais desconfiado de si e dos seus, com o Estádio despido como sinal funesto da nudez generalizada e atroz que metaforizo em cima, a equipa de futebol um espelho do desalento da massa adepta, o treinador um espelho do autismo da Direcção, a Direcção um espelho de nós próprios: fria, desapaixonada, pouco exigente, acomodada, e esquecida do que um dia fomos e pouco empenhada em que o possamos voltar a ser.

Bettencourt chegou sob a égide na mudança na continuidade, seja isso o que for. Nada mudou. As pessoas as mesmas. A incompetência e o laxismo, os mesmos. Os resultados práticos são piores.

Prometeu plantel fechado a tempo horas. Não cumpriu.

Prometeu reforços para entusiasmar. Não cumpriu.

Prometeu emagrecer a estrutura directiva. Criou mais dois orgãos em 4 meses.

Prometeu ser o Presidente de todos os Sportinguistas. Mas se discordarem dele e não tiverem as quotas em dia, contem com a farpa na imprensa. Mesmo que isso seja ilegal.

Prometeu o fim do discurso do coitadinho. Não cumpriu.

Cumpriu uma: traz mais Sócios, geralmente à Segunda-Feira. Mas quando um desses Sócios assina um mês depois pelo arqui-inimigo de Carnide, dá que pensar até que ponto é que a única promessa cumprida por Bettencourt não passa duma operação cosmética.

Como ponto final, Bettencourt não é a fonte de todos os males. Já lá andava há anos e já sabíamos ao que íamos.

A fonte de todos os males somos nós. Por darmos sem pedirmos nada em troca. Por darmos tempo quando o futuro é hoje. Por darmos dinheiro sem perguntarmos o que se faz com ele. Por aceitarmos que um grupo de amigos governe há anos um Clube que é nosso.

Eu tenho culpa no Sporting que temos hoje. Assumo-a. Não dei por ele que chegue, não dei alternativas, não remei com força suficiente contra esta voragem, vi mais tarde embustes que devia ter visto mais cedo.

E agora, é tarde. A AG foi a AG para acabar com todas as AG’s. Entrando-se num rumo de inexorabilidade de transmissão do património do Clube para a SAD, quebra-se a possibilidade dos Sócios intervirem activamente na política do Clube, que é determinada necessariamente pelo dinheiro. Essa subiu ao éter da AG de accionistas da SAD. Os Sócios tornaram-se, depois da AG, um bocadinho mais dispensáveis na vida do Clube e o Clube é um bocadinho menos composto pela universalidade dos seus associados, conforme rezam os estatutos.

Vamos ver onde vai acabar. Só o amor me impede ver que vai acabar mal. E depressa.

Um abraço a todos, com o desejo sincero de que não se perca o que nos une: o Sporting Clube de Portugal.

JL

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Estamos a emergir ou imergir?

O suicídio do seleccionador

Todos sabemos que no futebol a menor distância entre dois pontos não é uma linha recta, podendo muitas vezes ser até uma cornucópia. Mas, independentemente do prisma que se olha para os problemas que apoquentam a Selecção Nacional, há uma que questão nem os mais acérrimos defensores de Queirós não podem ignorar: ao fim de dois anos de presença aos comandos, com ou sem piloto automático, o avião não  só não descolou, como jaz nos hangares com problemas da fuselagem aos motores.

Quem viu jogar as selecções nacionais, sub-21 incluídos, viu precisamente os mesmos problemas: ausência de um modelo de jogo, anarquia, um imenso buraco negro onde se afunda qualquer talento. E, ao contrário do que dizem, ninguém assassinou o seleccionador. Foi ele que se iniciou o seu próprio suicídio, da estalada no aeroporto, no apuramento anémico, falta de serenidade – foi a primeira vez que vi um seleccionador a atirar um casaco ao chão – na convocatória, no estágio, na competição dentro e fora do campo. O que é facto é que este seleccionador morreu, e, se ninguém o enterrar, vai continuar a cheirar mal.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

SAD

O Sporting deu  a conhecer a sua posição oficial sobre o agendamento do derby, através de um esclarecimento publicado no site. O comunicado é tardio e não é esclarecedor: com quem foram feitos os contactos telefónicos? Porque não negociou directamente com o SLB o adiamento? Há no entanto uma conclusão a retirar deste episódio e que me parece não poder ser esquecido pela direcção: sejam adversários, sejam operadores de televisão, só negoceiam connosco quando não nos conseguem impor os seus interesses, e, em regra, encontram do outro lado da mesa “uns gajos porreiros”.

Também no site do clube foi publicada uma entrevista a Paulo Sérgio, cujos pontos principais se seguem, merecendo destaque as afirmações proferidas sobre Stojkovic:

‘Queremos ver as pessoas felizes’
«Sucesso passará por disfarçar as nossas limitações»
«O segredo do sucesso para esta temporada terá que passar por termos noção das nossas capacidades, mas também a humildade para reconhecer as nossas limitações», comenta o técnico leonino, em entrevista ao site do clube, prosseguindo: «O sucesso passará por disfarçar as nossas limitações, potenciando o que são qualidades. Temos de ser um grupo humilde, de muito trabalho e entrega. Queremos fazer a diferença pelo colectivo, pela força do grupo e coesão».

«Pedro Mendes e Izmailov serão grandes reforços»
«Serão, de facto, dois grandes reforços. O Sporting ficará uma equipa ainda mais forte, com dois jogadores de reconhecido talento e capacidade», defende o treinador, em declarações ao site do clube.

«As lesões não estão, ainda, completamente debeladas. O Pedro encontra-se mais próximo, o Marat está agora, depois de um tempo longo de paragem, a recuperar a massa muscular para depois submeter o joelho a carga e ver a reacção. Esperamos que o joelho responda de forma positiva. Sinto vontade da parte dele em ajudar»

«Stojkovic pode ser o guarda-redes do Sporting num futuro próximo»
«Não o conhecia, sabia de algumas histórias mas o que está para trás não me diz nada. Demo-nos lindamente durante o mês em que trabalhámos juntos. Não tenho nada a apontar-lhe. Apercebi-me das suas qualidades. É de uma escola diferente. Tecnicamente, não cumpre com os requisitos que a boa escola manda, mas é eficaz, é muito grande, ocupa muito a baliza»

2 visões sobre a reestruturação financeira

O "ANorte" contribui hoje com a análise de dois dos seus editores para a reflexão sobre a reestruturação financeira que irá ser objecto de votação em sede de A.G. da SAD na próxima quinta-feira, dia 9. Para este debate julgo ser também oportuno lembrar as importantes contribuições do nosso estimado JL, que, por altura da Reflexão Leonina, levada a cabo pelo "ANorte", nos ofereceu duas peças de leitura indispensável: A Academia e as VMOC`S e o Plano dos Planos

Por Hugo Malcato:
Existem uma série de factores que fazem com que eu fique de pé atrás em relação ao actual Plano de Reestruturação Financeira e o principal desses factores será a minha total desconfiança com as pessoas que o querem levar em frente e sobretudo o  modo como se tenta faze-lo.

Uma vez mais, temos vindo a ser prendados com a mensagem "Ou isto ou a desgraça" a que o anterior presidente nos habituou. É tal a vontade de aplicar este mesmo plano que pouco ou nenhum tempo se tem despendido para prestar esclarecimentos quanto ao mesmo. Quem esteve presente nas recentes AG's sobre o tema sabe perfeitamente o ambiente que se viveu e a forma como foram tratados aqueles que fizeram questões e pior ainda, a forma como a maioria dessas perguntas ficou sem resposta.

Creio que a maioria dos Sportinguistas está resignada quanto ao Plano, uma vez que o argumento de "poder investir mais no futebol" torna-se realmente apelativo. Contudo, pouco se refere que o valor recebido pelas emissões de títulos financeiros servirão exclusivamente para abater a dívida e não será dinheiro fresco nos nossos cofres. A possibilidade de investir mais no futebol resume-se à folga em termos de gestão de fluxos de tesouraria e redução nos juros, embora, não exista uma indicação clara e tácita de quais os montantes que se vão "poupar" e libertar para o futebol. Em minha opinião, dizer que o SCP vai passar de 12M para 9M em juros é deveras vago.

Mas o que me preocupa não será tanto as questões financeiras, uma vez que reconheço que um "balão de oxigénio" financeiro será benéfico para a gestão do Sporting - isto sem ter em conta quem possa estar a dirigir e a sua estratégia. Preocupante é a "ilusão" de controlo do capital da SAD, que não é sinónimo de controlo "garantido" da sociedade. Face à dispersão do capital e limitações estatutárias, o SCP arrisca-se a utilizar apenas 26% dos votos, existindo dispersos no mercado outros 49%. Aqui surge o argumento que o SCP tem as acções de Tipo A - um género de "Golden Share" nas sociedades desportivas - mas que conferem poderes apenas em matérias específicas. Assim, nada impede a união entre 3 accionistas, cada um com 10% do novo capital da SAD leonina, e ditarem a gestão operacional do clube. Ou seja, o SCP pode vetar a venda de imobilizados ou alteração de estatutos, mas pode perder o poder de decisão sobre quem será o treinador ou os jogadores a contratar.

Esta é a interpretação que eu e muitos outros sportinguistas fazemos e que já por diversas vezes questionámos, sem nunca ter uma resposta. O processo nunca foi transparente e os esclarecimentos foram sempre vagos. Face ao exposto, a dúvida subsiste e as assinaturas de cruz já há muito que são desaconselhadas.

Por LMGM:
Financial Sporting
Falar das finanças do Sporting não é uma tarefa fácil, principalmente para alguém como eu que não tem conhecimento particular ou profundo, quer contabilístico, quer económico. Mesmo assim e correndo o risco de dizer algumas asneiras técnicas que, estou certo, rapidamente serão detectadas e corrigidas na caixa de comentários, vou tentar neste post dar a minha interpretação da reestruturação financeira que se prepara para ser feita na Sporting SAD.

As primeiras questões que me surgem quando confrontado com este assunto são:

- Porquê outra reestruturação financeira?
- É realmente necessária esta operação?

Ambas as perguntas entroncam numa mesma resposta, o sucessivo acumular de prejuízos ano após ano colocaram a contabilidade do Sporting ao abrigo do artigo 35.º do Código das Sociedades Comerciais (CSC) que diz, de modo abreviado, que se uma sociedade apresentar capitais próprios iguais ou inferiores a metade do seu capital social tem de adoptar medidas para ultrapassar essa situação.

Perante a actual condição contabilística a resposta à segunda questão é simples. Esta operação é não só necessária como urgente, e urgente porque caso a Sporting SAD não inverta esta situação, os seus credores podem pedir a insolvência da sociedade.

Diz também o artigo 35 º do CSC que a assembleia-geral a ser convocada pela direcção, deve ter pelo menos os seguintes pontos para serem deliberados pelos sócios:

a) A dissolução da sociedade.
b) A redução do capital social para montante não inferior ao capital próprio da sociedade, com respeito, se for o caso, do disposto no nº1 do artigo 96 º.
c) A realização pelos sócios de entradas para reforço da cobertura do capital.

A operação de reestruturação financeira inicia-se com o ponto b), suponho que não passou pela cabeça de ninguém o ponto a), e que o bolso da Controlinveste só serve para comprar e não para cumprir o ponto c).

Trata-se de uma operação de “cosmética” contabilística, a Sporting SAD reduz o seu capital social para metade, por outras palavras elimina os sucessivos prejuízos através do seu capital social (abate divida) e simultaneamente faz um novo aumento de capital ficando assim em situação legal e com os seus prejuízos “pagos”.

Mas a operação não termina aqui, a Sporting SAD precisa também de se recapitalizar, de ter dinheiro fresco, é aqui que entram as VMOC. Se o dinheiro relativo ao aumento de capital pode e deve ser considerado “cativo”, as VMOC são de uma forma simplista um empréstimo. A Sporting SAD vende 55 milhões de VMOC’s ao valor unitário de 1 euro e promete que no prazo de 5 anos estes valores serão obrigatoriamente convertidos em acções da SAD. Esta operação pode ou não resultar na perda da posição maioritária do Sporting na SAD. Para mim isso não constitui um problema, à priori, ficando uma melhor análise dependente de saber qual a composição final percentual dos diferentes accionistas, mas não acredito que existam posições maioritárias sem a presença das acções detidas pelo Sporting Clube de Portugal.

Há ainda mais questões a colocar, por exemplo, e há alternativas a esta operação? Haverá várias, todas com prós e contras que cada pessoa que as defenda saberá apresentar conforme a sua visão. Isso não retira méritos a esta operação que é aquela em que esta direcção acredita, que apresentou aos sócios como sua solução e que foi ratificada em eleições para ser executada. Por esta razão considero-a a solução legítima a ser implementada.

Para finalizar o busílis de toda esta reestruturação, a pergunta final e decisiva:

Ficam os problemas financeiros do Sporting resolvidos por esta reestruturação?

A resposta é um rotundo não. Esta operação permite ganhar tempo, permite se quisermos uma lufada de ar fresco, uma normalização, mas não resolve os problemas principais. E esses são, o sucessivo acumular de prejuízos no final de cada exercício, o decréscimo de possibilidades de receita (sem comprometer futuros), a falta de sucesso no futebol, quer desportivamente, quer como investimento.

Sem resolver estes pontos a situação do Sporting (transversal a todo o futebol europeu) continuará a necessitar de sucessivas máscaras e cosméticas para se manter solvente. O Sporting tem na sua estrutura uma vantagem competitiva enorme (a sua formação). Ela sozinha pode significar o equilíbrio das contas, quer como complemento de plantel, quer como geradora de receitas (verdadeiramente) extraordinárias, mas os pontos decisivos, aquilo que vai fazer a diferença entre o sucesso e o insucesso serão:

1-    A capacidade de vencer campeonatos regularmente.
2-    A capacidade de gerir com sucesso o binómio compras/vendas de direitos desportivos. 

Se rapidamente não se inverter a tendência actual, é irrelevante ter 30% de nada ou 80% de coisa nenhuma.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O exemplo Kléber

Acompanhei com interesse redobrado a saga estival de Kléber, jovem e promissor jogador do Marítimo. Julgo que a história é conhecida de todos: o FCPorto aliciou o jogador maritimista, tentando que este mudasse da Pérola do Atlântico para a Invicta Cidade, sem ter sequer a cortesia de avisar a direcção congénere dos insulares. Assim mandaria a ética e boa convivência e assim era imposto pela lei que abrange os jogadores sob contrato. 

(A história recente do clube do Porto está pejada de episódios semelhantes ou até ainda piores, como por exemplo a negociação e aquisição de jogadores com clubes com os quais se defrontaria em breve. Beto, quando foi comprado ao Leixões, foi o último dos casos que me lembro, bem como dos 4 golos que encaixou quando defrontou o seu novo patrão.) 

Repare-se que todo este caso terá nascido, não pela necessidade premente do jogador em causa, mas porque o Marítimo não se esquece que tem direito a verbas relativas à transferência de Pepe, pela formação do jogador e o Porto não lhe perdoa a falta de… amenésia.

Não é normal ver clubes ditos mais pequenos baterem o pé ao FCPorto, porque todos sabem o que isso pode significar em pontos perdidos de forma pouco ortodoxa durante o campeonato. E quando são clubes que lutam denodadamente para não descer isso pode até significar uma pesada pedra ao pescoço na hora de se debater abaixo da linha de água. A intransigência dos leões da Madeira acabou por ser compensada, e Kleber, com a maior cara de pau, admitiu hoje que estava “de regresso a casa.” A este apressado regresso não deve ser alheio a vontade manifestada por Carlos Pereira de enviar uma queixa à Liga, que poderia implicar a perda de 3 pontos por parte dos azuis.

Dando de barato a versão oficial que susteve a saída de Moutinho, não a questão da maçã podre, mas a de que o jogador se recusou a treinar e exigiu sair para o clube de Pinto da Costa, era uma posição como a tomada por Carlos Pereira e seus pares aquela que me satisfaria como sócio e adepto leonino. No futuro, quando algum jogador tivesse no seu horizonte outros destinos que não Alvalade, o que é absolutamente legítimo diga-se, saberia com o que poderia contar. No futuro, quando Pinto da Costa quisesse aliciar algum jogador do Sporting, saberia que, para o ver treinar no Olival, “bastar-lhe-ia” depositar o valor da respectiva cláusula de rescisão. Assim, no futuro, todos sabem como levar-nos pela certa. 

Neste caso o Sporting perdeu muito mais do que o valor do jogador, que pode oscilar consoante os olhos e os interesses de quem o avalia. Ficou a ideia, aos meus olhos pelo menos, que o Sporting se viu obrigado a ajoelhar perante interesses antagónicos aos seus, baixando os braços perante a sua própria incúria e uma teia bem urdida. Sei o quanto incomoda, mas é assim que eu vejo tudo isto. E custa-me que tenhamos que ver, por exemplos alheios e de clubes mais pequenos (com o devido respeito ao Marítimo), que não é nenhuma inevitabilidade subtermo-nos aos interesses de Pinto da Costa.

NOTA: O "ANORTE" VAI CONTRIBUIR PARA A DISCUSSÃO SOBRE A RE-ESTRUTURAÇÃO FINANCEIRA LANÇANDO AQUI  HOJE O DEBATE COM DOIS ARTIGOS DE OPINIÃO DE DOIS DOS SEUS EDITORES. NO SENTIDO DO DEBATE SE FAZER NA CAIXA DE COMENTÁRIOS, CADA AUTOR ELABOROU O SEU ARTIGO SEM CONHECIMENTO PRÉVIO DO ARTIGO ELABORADO PELO SEU COLEGA.

Porque ganham uns e outros não II

A equipa de futsal do Sporting arrecadou este fim-de-semana mais um troféu, a Supertaça, que lhe permite cimentar a liderança a nível nacional da modalidade. O Sporting conseguiu até hoje 9 campeonatos nacionais, 2 Taças de Portugal e 4 Supertaças. Este ano foi um ano de importância primordial para a modalidade no nosso clube, uma vez que conseguiu superar com mérito e distinção um período de menor fulgor competitivo, ao qual, entre as mais variadas razões, estarão a menor capacidade de investimento em relação aos rivais de sempre.

Há dias dei aqui à discussão as razões do sucesso do Braga, que parecia ter surpreendido muita gente, nos quais só parcialmente me incluí. Contudo, concluí na altura o que continuo a pensar que é necessário ao Sporting para voltar a ser o que foi no futebol nacional: não precisamos de imitar ninguém para voltar a vencer, basta para isso que se volte para os princípios que estão na sua génese, na nossa história e no nosso lema. Mas enquanto não formos capazes de o fazer, pelo menos que siga os bons exemplos. E temos bons exemplos dentro de casa, como se pode ver pelo futsal ou até pela ambição revelada na conquista pioneira da Taça Challenge pela equipa de andebol.

Não ignoro as enormes diferenças que separam o futsal do futebol de 11. A atenção mediática, os jogos de interesse, o dinheiro envolvido, a ausência do tentacular FCP, etc, etc. Mas, quando se olha para o percurso do futsal no Sporting vejo estabilidade na secção, trabalho militante mas discreto, e a opção pelos melhores treinadores da modalidade. É notória também uma empatia natural entre equipa e adeptos, a que não deve ser alheia a presença de jogadores de enorme qualidade e carisma como João Benedito. Quando se ganha tantas vezes, numa luta muitas vezes desigual, não é seguramente por acaso. O mesmo se pode dizer quando nos afastamos vezes sem conta do sucesso.

domingo, 5 de setembro de 2010

Há Timo e ... Timo


No mesmo dia que o nosso jornal desportivo de "eleição" - notem por favor a ironia - relata que Hildebrand já começa a sofrer golos pelo Sporting, "A Bola" revela que este preferiu vir para o Sporting em vez de ganhar "fortunas" no Rubin Kazan da Rússia.

Poderão certamente ser palavras de mera circunstância, mas merecem ser realçadas dada a carga negativa a que temos vindo a ser sujeitos nas mais variadas ocasiões. Curiosamente, Hildebrand terá estado em negociações com o Braga mas não chegou a acordo - só que com o nosso clube houve acordo. Haverá o mesmo "sururu" mas de modo inverso em relação a, por exemplo, contratação de Talles, jogador que ao que dizem, "não ficou" no Braga?

Quanto a Hildebrand, só espero que venha acrescentar qualidade e competitividade ao plantel. Pelos testemunhos que li quanto à sua qualidade, parece que finalmente Rui Patrício terá um atleta de eleição a concorrer com ele pelo posto na nossa baliza. E se tivermos em conta que o Rui se tem apresentado em bom nível e muitas vezes é crucificado por erros que não são dele, parece que vamos ter faísca na luta pelo lugar.

EM FRENTE SPORTING!


PS: Parabéns a toda a Secção do Futsal leonino pela vitória em mais uma Supertaça da modalidade. Nada melhor que começar a época com uma vitória.

PS2: "Obrigado" RTP pela prestação de mais um "excelente" e neutro serviço público.

sábado, 4 de setembro de 2010

Esta semana leonina


Tal como nos temos vindo a habituar, a semana no Sporting foi marcada por diversos altos e baixos que, consoante as perspectivas dos sportinguistas, acabam sempre por regular (ou desregular) as paixões e pontos de equilíbrio.

O futebol entrou numa senda de vitórias e basicamente é isso que pretendemos, embora não a todo o custo. Assim, por mais alegrias que uma vitória possa dar, nada torna ilegítima a dúvida quanto ao futuro. Quero com isto dizer que não se deve achar que se alcançou um patamar estável.

Os media continuaram esta semana a realizar as suas manobras. Provavelmente, muitos acharão que não deve ser dado destaque a estes acontecimentos mas na era que vivemos, considero que os "média" são praticamente tudo. Assim, estes têm o poder de transformar um copo de água numa tempestade e o inverso. No estado em que se encontra a opinião leonina, qualquer fagulha conseguirá incendiar as hostes.

A propósito de opinião, o recente "caso" do comentário de Paulo Pereira Cristóvão merece umas quantas palavras da minha parte, nomeadamente no que diz respeito a opiniões, críticas, pontos de vista, entre outros. Em primeiro lugar, há que distinguir o que é forma ou conteúdo e qual o objectivo. Que fique claro que acho que PPC deveria ter evitado uma mensagem naquele tom e daquela forma, mas foi a sua opção. Passemos ao objectivo:

- Desde Junho de 2009 que PPC, seus companheiros e outros sportinguistas têm sido sucessivamente marcados e repisados com o argumento "90-10". Logo nessa altura referi que o facto "poucos" se reverem nas posições de uns não implicava que a opinião da "maioria" seria a única forma possível e correcta.

Após o episódio no Facebook, assistiram-se a N reacções contra PPC que nesta altura não é , nem nunca foi, mais do que qualquer um de nós: um sportinguista. Elevou-se a indignação contra um sportinguista que exprimiu a sua opinião - já o disse que deveria ter feito de outra forma. Mas heis que surge em larga medida a incoerência: Muitos dos que não hesitaram a condenar os actos de PPC são os mesmos que nunca foram capazes de proferir uma palavra contra o comportamento de outros Sportinguistas da suposta "linhagem" cujas declarações nos mais variados espaços (entrevistas, debates, conferências de imprensa, etc.) deveriam envergonhar cada um de nós.

Existe um desdém por parte de muita gente em relação a gente crítica, blogs, fóruns, etc. Como se costuma dizer "Quem não deve, não teme" e a união é algo que se conquista e não que se impõe. Limitar a resposta a um simples "A crítica não faz sentido" em vez de fundamentar o porquê de não fazer sentido não passa de um acto de alimentação da suspeita já existente.

Existem "Cegos" e existem os que não querem ver. Este espaço tem sido atacado por diversos comentários generalizados que remetem sempre para o mesmo ponto de vista, ou seja, o clássico "Está na hora de reunir" ou "Comecem mas é a apoiar". Gostaria de apelar para que em vez de se perderem em trivialidades, perdessem um pouco de tempo a pensar e analisar a preocupação legítima de um companheiro leonino e prestarem talvez um pouco de auxílio. Se têm plena consciência e tranquilidade face ao que se tem passado, apresentem os factos e argumentos que sustentam esse estado de alma em vez de partir para uma "caça às bruxas" que já há muito tempo é patrocinada por algumas pessoas.

A crítica e o debate são fundamentais para a sustentação de ideias e estratégias. Se para uns não deve basear-se no simples facto de "não aceitar" ou "serve para malhar" porque vem dali, para outros está na altura de entender para onde é que a "crítica" deve ser verdadeiramente apontada.

É que em vez de andarmos a falar daquilo que nos preocupa, andamos a arranjar razões para simplesmente não gostar de alguém só porque não tem a mesma ideia que nós ou porque não concorda com o que nós defendemos.

Relembro ainda que a nossa lealdade não é com pessoas ou objectivos pessoais mas com uma instituição: Sporting Clube de Portugal.

EM FRENTE SPORTING!

PS: Hoje as vitórias podem começar com a equipa de Futsal a disputar no Entroncamento, a Supertaça frente ao Belenenses. Muita força para João Benedito & C.a.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

As histórias dos números

Um dos assuntos que agita a actualidade desportiva e não só na vizinha Espanha são as acusações de corrupção e gestão danosa feitas a Laporta, na sequência da auditoria levada a cabo pelo novo presidente Sandro Rosel. Laporta já reduziu as acusações a uma teoria da conspiração dos média de Madrid, mas não se eximirá a justificações mais minuciosas. 

Estamos a falar do presidente que contribuiu para um período de êxitos sem paralelo na já grande história do clube catalão, que, mesmo assim, não deixará de ver escrutinado o seu período de governação. Como seria se fosse no Sporting, onde nem se pode saber, em sede de A.G. ,o valor do passivo consolidado, quanto mais saber como, quando e quem contribuiu para o seu crescimento? Alguém tem medo das histórias que os números contarão?

Sem comentários

in Record:
O Sporting vai visitar o Estádio da Luz, para disputar o encontro relativo à 5.ª jornada da Liga portuguesa, menos de 72 horas após o confronto, em França com o Lille, que marca a estreia dos leões na fase de grupos da Liga Europa. Além disso, a equipa comandada por Paulo Sérgio terá menos 48 horas de recuperação que o eterno rival, que defronta terça-feira, no seu reduto, o Hapoel Telavive, em partida da Liga dos Campeões.
Ainda assim, a SAD sportinguista optou por não solicitar à congénere encarnada o adiamento do encontro, por entender, apurou Record, que o intervalo entre os jogos respeita as 72 horas previstas pelos regulamentos. A questão só está a gerar alguma polémica entre os adeptos leoninos, porque, em maio último, quando os leões visitaram a Luz pela última vez, a SAD sportinguista aceitou adiar o confronto em 48 horas, para que a equipa de Jorge Jesus tivesse mais tempo de recuperação relativamente ao jogo europeu com o Liverpool.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Não é (Hilde)brand(o) ser Patrício

"Ser goleiro é a pior profissão do mundo. Onde ele pisa, nem relva cresce!"
A forma como o Sporting conduziu o processo de recrutamento de Hildebrand merece análise e discussão, até porque ela é a imagem da forma como se trabalha hoje em Alvalade.

Do ponto de vista da comunicação, e ao contrário do que sucedeu com os outros clubes, o Sporting tornou públicas as suas necessidades no que a aquisições diz respeito. As conversas que se deveriam reduzir ao gabinete entre o treinador, director desportivo, director financeiro e ou presidente foram produzidas em frente aos jornalistas, alimentando ilusões e fomentando as frustrações. Espero que se tenha aprendido e que, daqui a 3 meses, não vejamos a reedição da novela. Foi assim com o guarda-redes, mas pelo menos acabou por chegar.

Dá também que pensar porque demorou tanto tempo a recrutar um guarda-redes que estava desempregado, tendo em conta o tempo que Paulo Sérgio já se havia pronunciado sobre a sua necessidade. As consequências imediatas da demora estão há vista pelo menos para Golas, que em vez de evoluir num patamar mais elevado teve que descer às profundezas da anónima 2ª divisão.

E nem vale a pena perguntar porque tem o Sporting um guarda-redes internacional nos seus quadros e o dispensa para ir buscar outro. Isto sem saber se a folha de encargos com os salários de Stojkovic não é dividida entre Lisboa e Belgrado. Gente rica é outra coisa. E não vale a pena porque sempre que faço a pergunta porque não é o sérvio uma opção válida a resposta é invariavelmente a mesma: porque não! Como os Sportinguistas aceitam isto anos a fio é quase um "case study".

Esquecendo isso, vale a pena então perguntar: o Sporting precisava de um guarda-redes? Partindo do principio que Golas e Tiago não ofereciam concorrência Patrício, sim. Porque como uma vez aqui afirmei, o Sporting não tem lugares para oferecer, mas sim para serem conquistados. Mas, se é aceitável que num lote de 3 guarda-redes haja um elemento mais novo, uma espécie de carta fora do baralho, ter 2 é planear deficientemente. (Devo dizer que acho esta apreciação bastante injusta para com Tiago, muito comum a jogadores da casa. Tiago foi campeão nacional e sempre que é chamado à titularidade cumpre). Concluindo: Quanto a mim o Sporting contratou um guarda-redes quando menos precisava dele. Patrício foi literalmente lançado às feras por Paulo Bento, numa altura que não estava preparado para o peso das luvas de um guarda-redes do Sporting. Foram várias as situações em que, para sua própria protecção, deveria ter sido retirado e mesmo assim permaneceu titular. E quer PB quer CC deram-lhe um estatuto de intocável que ninguém merece ou precisa para crescer. Fazer rodar os outros guarda-redes seria também um acto de justiça para o trabalho realizado. Patrício teve que aguentar as suas culpas e as más decisões dos técnicos ao som de vaias e assobios e a forma como se saiu delas revela pelo menos a grandeza do seu carácter. Quantos de nós resistiriam, em iguais circunstâncias, sem um manguito pelo menos?

O que pode representar para Patrício a aquisição de Hildebrand, então, que, diga-se, parece ser muito melhor opção do que Nilson.? Depende dele, depende dos adeptos e do treinador. Se ele mantiver as prestações desta época responde de luva branca a todas as criticas, e não dará qualquer hipótese a PS de o retirar da equipa. A menos que a condenação do tribunal de Alvalade lhe tenha atribuído pena de morte ao som do assobio, ou que o treinador resolva justificar a sua exigência.

Quanto valerá hoje o guarda-redes alemão é outra incógnita. O seu trajecto recente é nitidamente descendente, muito longe que está das exibições e record de Estugarda. E, na sua passagem por Valência o seu comportamento profissional também deixou sombras. Parece-me no entanto indiscutível que o Sporting contratou um guarda-redes de uma das melhores escolas do Mundo, numa idade que lhe permite retomar o caminho interrompido, não precisando de pagar frango à espanhola ao preço do caviar.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Como a Sagres ajudou o Benfica a ser campeão

1. O multipresente CEO da Sociedade Central de Cervejas (SCC) tem-se desdobrado em declarações públicas, verberando o afastamento que, no ano de 2009, o Sporting Clube de Portugal (SCP) tomou a iniciativa de promover e protestando a sua disponibilidade para reatar as antigas relações comerciais.

2. Relativamente a esta matéria, importará esclarecer um par de coisas, sobre as quais tem recaído conveniente mistificação; a primeira é que o SCP, em Abril de 2009, não rejeitou a SCC como "sponsor", por mero capricho, outrossim porque entendeu - por unanimidade do Conselho Directivo de então - ter sido desconsiderado enquanto parceiro e instituição.

3. Os factos são simples de relatar: em Novembro de 2008, a SCC dava conta ao SCP da sua dificuldade em encaixar dentro do seu orçamento de 2009, o aumento no montante do patrocínio (andebol, futsal e estádio) negociado com o clube. Em 31 de Dezembro desse ano, com pública pompa e circunstância, a mesma SCC que alegadamente não tinha dinheiro para pagar ao SCP, celebrou um acordo com o rival Sport Lisboa e Benfica (SLB) por um prazo dilatado e cobrindo acrescidamente o patrocínio das costas da camisola da equipa de futebol profissional, entretanto desertado pelo BES, ou seja e por outras palavras, um contrato mais abrangente e logo mais substancial.

4. Fique claro que a SCC nunca manifestou posteriormente ao SCP disponibilidade para celebrar um contrato de idêntica natureza e extensão ao celebrado com o SLB, nomeadamente o patrocínio das costas das camisolas, o que provocou a compreensível ruptura da parceria existente.

5. Tudo isto poderia ser levado à conta das tormentosas vicissitudes da mundivivência do futebol português, não fora o facto de os reflexos desta situação se terem projectado significativamente da vertente económica para a vertente desportiva.

6. Aqui também os factos são claros; ao abrir-se a porta para um contrato de sponsorização a longo prazo, fica propiciada a alavancagem financeira sobre as receitas futuras do mesmo, permitindo, se for o caso, encaixe antecipado das mesmas e obviamente os argumentos desportivos daí decorrentes.

7. Não interessa para o caso se e quando essa alavancagem foi feita, mas uma coisa é certa: por via da actuação de um agente na área da sponsorização, as condições de concorrência entre o SCP e o SLB que até então vigoravam, foram abruptamente alteradas, em desfavor daquele.

8. Dir-se-á, perante o exposto, caberia ao SCP "fazer pela vida" e procurar um sponsor que substituísse a SCC, que ostensivamente o tinha preterido; isso é verdade e foi feito, mas, nos tempos que correm, não só é difícil encontrar quem queira investir no futebol, como e sobretudo, com essa amplitude temporal.

9. Tanto quanto sei o contencioso entre a SCC e o SCP está hoje ultrapassado e com certeza o SCP tê-lo-á feito pelas melhores razões.

10. Outra coisa é porém o juízo que deve ser feito pelos sportinguistas, de como a Sagres ajudou o SLB a ser campeão na época 2009/2010.

Carlos Barbosa da Cruz é ex-dirigente do Sporting

Teorema de Tales

Descansem. Não vos falar daquele que é considerado o pai da filosofia ocidental, nem do teorema que demonstra a igualdade dos triângulos em determinadas circunstâncias. Vou-vos falar do teorema de Tales, na versão a verde e branco, que parece radicar num antigo ditado popular: com Tales e bolos se enganam os tolos. Na politica desportiva, como na genericamente na politica, o que parece é e, no caso da contratação de Tales, é mesmo isso que parece. E, aparentemente, nem houve o cuidado – ou pudor? – de fugir à inevitável associação de estarmos perante um favor prestado por Jorge Mendes. Pergunto: neste, como noutros casos, vale a pena diabolizar a figura do empresário ou pedir responsabilidades a quem deve cuidar dos nossos interesses? Se ele faz grandes negócios com todos os outros e para todos os outros, porque não os faz connosco também?

De Tales o que se pode dizer é que pertence à chamada turma do “foguete molhado”, isto é das decepções da geração de 90. Falamos de jogadores internacionais brasileiros sub-17 e sub-20 a que se augurava grande futuro, mas que ainda não confirmaram o valor que se pressagiava. Com Tales, que jogou com Kardec e Walter, p.ex., estavam na turma do foguete molhado, Lulinha, agora no Olhanense, e o ressuscitado Alex Teixeira que, em Janeiro passado, rendeu ao Vasco a bonita soma de 6 milhões de euros. Grande parte dos problemas de afirmação de Tales tem residido na sua morfologia. Ainda em idade júnior foi sujeito a um programa de fortalecimento muscular para obviar aos problemas que já enfrentava na categoria. Com a subida ao último escalão do futebol profissional esse óbice ganhou maior relevo. E, como agravante, à maior massa muscular correspondeu à perda da capacidade de explosão, a sua melhor característica, juntamente com a capacidade técnica.

Esperemos por ver se o juízo que agora faço está ou não errado. Mas estou em crer que Paulo Sérgio, como qualquer treinador, não porá a cabeça no cepo por uma contratação que não pediu. E se ele queria um pinheiro e um extremo porque chegou um 10? Pormenores que terão que ser levados em atenção quando se fizer a avaliação do trabalho realizado pelo treinador. É que se tudo isto nos penaliza, imaginemos o que representa para quem depende dos resultados...

Pouco ou nada nesta contratação faz sentido, mais ainda sendo o Sporting um clube formador. Com tanto tempo que houve para elaborar e burilar os dossiers é absolutamente lamentável a forma como este dossier foi conduzido para a opinião pública e em particular junto dos adeptos do clube. Se foi para lhes deitar a areia para os olhos só revela desrespeito. Resta-nos esperar que Domingos se tenha enganado á cerca do valor de Tales, quando o observou e rejeitou no inicio de época. E que se tenha também enganado no valor de Hugo Viana e no que lhe vão pagar nos próximos três anos. Olhando ao histórico, em quem confiavam?

Anexo a comunicação ontem enviada pela AAS ao Record (clique para ampliar):

Sporting Clube de Portugal

Sporting Clube de Portugal

Prémios

Sporting 160 - Podcast

Os mais lidos no último mês

Blog Roll

Leitores em linha


Seguidores

Número de visitas

Free HTML Counters

Ultimos comentários

Blog Archive

Temas

"a gaiola da luz" (1) 10A (1) 111 anos (1) 113 anos (1) 1ª volta Liga Zon/Sagres 10/11 (3) 2010-2011 (1) 2016 (1) 8 (4) AAS (7) ABC (3) Abrantes Mendes (3) Academia (17) Académica-SCP (1) Acuña (1) adeptos (98) Adrien (19) AdT (1) adversários (85) AFLisboa (2) AG (23) AG destitutiva (3) AG15/12 (2) AG2906 (2) Alan Ruiz (2) Alcochete 2018 (4) Alexander Ellis (1) alma leonina (60) ambição (10) andebol (38) André Geraldes (3) André Marques (2) André Martins (6) André Pinto (1) André Santos (5) anestesia (3) angulo (5) aniversário "A Norte" (3) Aniversário SCP (5) antevisão (41) APAF (13) aplausos ao ruben porquê? (2) Aquilani (1) aquisições (85) aquisições 2013/14 (16) aquisições 2014/15 (18) aquisições 2015/16 (17) aquisições 2016/17 (10) aquisições 2017/18 (6) arbitragem (95) Associação de Basquetebol (7) ataque (1) Atitude (9) Atletico Madrid (1) Atlético Madrid (1) atletismo (7) auditoria (5) auditoria2019 (1) autismo (1) AVB és um palhaço (1) aventureiro (1) Bacelar Gouveia (2) Balakov (1) balanço (5) Baldé (4) balneário (3) banca (2) Barcos (3) Bas Dost (8) basquetebol (2) Bastidores (72) Batota (20) Battaglia (1) Beira-Mar (2) Belenenses (4) Benfica (1) BES (1) bilhetes (2) binários (1) blogosfera (1) Boal (1) Boateng (1) Boeck (2) Bojinov (7) Bolsa (2) Borússia Dortmund (1) Boulahrouz (2) Brasil (1) Braz da Silva (8) Brondby (4) Bruma (18) Brunismo (1) Bruno Carvalho (109) Bruno César (3) Bruno de Carvalho (14) Bruno Fernandes (6) Bruno Martins (20) Bryan Ruiz (5) Bubakar (1) BwinCup (1) cadeiras verdes (1) Cadete (1) Caicedo (5) calendário (2) Câmara Municipal de Lisboa (3) Campbell (2) Campeões (2) campeonato nacional (21) campeonatos europeus atletismo (3) Cândido de Oliveira (1) Caneira (2) Cape Town Cup (3) Capel (4) carlos barbosa (4) Carlos Barbosa da Cruz (2) Carlos Carvalhal (5) Carlos Freitas (7) Carlos Padrão (1) Carlos Severino (4) Carlos Vieira (1) Carriço (6) Carrillo (10) Carrilo (3) carvalhal (30) Caso Cardinal (1) Casos (6) castigo máximo (1) CD Liga (3) Cedric (7) Cervi (3) CFDIndependente (1) Champions League 2014/15 (9) Champions League 2015/16 (5) Chapecoense (1) CHEGA (1) Ciani (1) Ciclismo (3) CL 14/15 (2) Claques (10) clássicos (8) Coates (4) Coentrão (1) Coerência (1) colónia (1) comissões (2) competência (2) comunicação (69) Comunicação Social (22) Consciência (1) Conselho Leonino (2) contratações (6) COP (1) Coreia do Norte (1) Corradi (1) corrupção no futebol português (2) Cosme Damião (1) Costa do Marfim (3) Costinha (45) Couceiro (13) crápulas (1) credores (1) crise 2012/13 (21) Crise 2014/15 (2) crise 2018 (38) Cristiano Ronaldo (1) cronica (3) crónica (15) cultura (4) curva Sporting (1) Damas (3) Daniel Sampaio (3) debate (5) defesa dos interesses do SCP (7) Del Horno (1) delegações (1) depressão (1) Derby (44) Derby 2016/17 (1) Derby 2018/19 (2) derlei (1) Desespero (1) Despedida (2) despertar (3) dia do leão (1) Dias da Cunha (1) Dias Ferreira (6) Diogo Salomão (4) director desportivo (18) director geral (5) direitos televisivos (4) Dirigentes (29) disciplina (6) dispensas (22) dispensas 2015/16 (1) dispensas 2016/17 (2) dispensas 2017/18 (1) djaló (10) Domingos (29) Doumbia (3) Doyen (4) Duarte Gomes (2) e-toupeira (1) Ecletismo (66) Eduardo Barroso (6) Eduardo Sá Ferreira (2) eleições (20) eleições2011 (56) eleições2013 (26) eleições2017 (9) eleições2018 (6) Elias (5) eliminação (1) empresários (11) empréstimo obrigacionista (5) entrevistas (65) Épico (1) época 09/10 (51) época 10/11 (28) época 11/12 (8) época 12/13 (11) época 13/14 (4) época 14/15 (8) época 15/16 (5) época 16/17 (7) época 17/18 (1) época 18/19 (2) EquipaB (18) equipamentos (12) Eric Dier (8) Esperança (4) estabilidade (1) Estádio José de Alvalade (4) Estado da Nação (1) estatutos (8) Estórias do futebol português (4) estratégia desportiva (104) Estrutura (1) etoupeira (1) Euro2012 (6) Euro2016 (1) Europeu2012 (1) eusébio (2) Evaldo (3) Ewerton (4) exigência (2) expectativas (1) expulsão de GL (1) factos (1) Fafe (1) Fair-play (1) farto de Paulo Bento (5) fcp (12) FCPorto (10) Feirense (1) Fernando Fernandes (1) FIFA (2) Figuras (1) filiais (1) final (1) final four (1) finalização (1) Finanças (28) fiorentina (1) Football Leaks (2) Formação (93) FPF (14) Francis Obikwelu (1) Francisco Geraldes (2) Frio (1) fundação aragão pinto (3) Fundação Sporting (1) fundos (14) futebol (9) futebol feminino (4) futebol formação (2) futebol internacional (1) Futre (1) Futre és um palhaço (4) futsal (28) futsal 10/11 (1) futuro (10) gabriel almeida (1) Gala Honoris Sporting (3) galeria de imortais (30) Gamebox (3) Gauld (5) Gelson (4) Gent (1) geração academia (1) Gestão despotiva (2) gestores de topo (10) Gilberto Borges (4) GL (2) glória (5) glorias (4) Godinho Lopes (27) Gomes Pereira (1) Governo Sombra (1) Gralha (1) Gratidão (1) Grimi (4) Grupo (1) Guerra Civil (2) guimarães (1) Guy Roux (1) Hacking (1) Heerenveen (3) Hildebrand (1) História (18) Holdimo (1) homenagem (5) Hóquei em Patins (10) Hugo Malcato (113) Hugo Viana (1) Humor (1) i (1) Identidade (11) Idolos (3) idzabela (4) II aniversário (1) Ilori (4) imagem (1) imprensa (12) Inácio (6) incompetência (7) Insua (2) internacionais (2) inverno (2) investidores (3) Iordanov (6) Irene Palma (1) Iuri Medeiros (1) Izmailov (26) Jaime Marta Soares (6) Jamor (3) Janeiro (1) Jardel (2) jaula (3) JEB (44) JEB demite-se (5) JEB és uma vergonha (5) JEB rua (1) JEBardadas (3) JEBardice (2) Jefferson (3) Jeffren (5) Jesualdo Ferreira (14) JJ (1) JL (3) Joana Ramos (1) João Benedito (2) João Mário (6) João Morais (5) João Pereira (6) João Pina (3) João Rocha (3) Joaquim Agostinho (2) joelneto (2) Jogo de Apresentação (1) Jordão (1) Jorge Jesus (47) Jorge Mendes (3) jornada 5 (1) José Alvalade (1) José Cardinal (2) José Couceiro (1) José Eduardo Bettencourt (33) José Travassos (1) Jovane (1) JPDB (1) Jubas (1) Judas (1) judo (6) Juniores (7) JVL (105) Keizer (12) kickboxing (1) Kwidzyn (1) Labyad (7) Lazio (1) LC (1) Leão de Alvalade (496) Leão Transmontano (62) Leonardo Jardim (11) Liderança (1) Liedson (28) Liga 14/15 (35) Liga de Clubes (14) liga dos campeões (12) Liga dos Campeões 2016/17 (11) Liga dos Campeões 2017/18 (8) Liga dos Campeões Futsal 2018/19 (2) Liga Europa (33) Liga Europa 11/12 (33) Liga Europa 12/13 (9) Liga Europa 13/14 (1) Liga Europa 14/15 (1) Liga Europa 15/16 (11) Liga Europa 17/18 (1) Liga Europa 18/19 (5) Liga Europa 19/20 (2) Liga Europa10/11 (16) Liga NOS 15/16 (30) Liga NOS 16/17 (22) Liga NOS 17/18 (20) Liga NOS 18/19 (15) Liga NOS 19/20 (4) Liga Sagres (30) Liga Zon/Sagres 10/11 (37) Liga Zon/Sagres 11/12 (38) Liga Zon/Sagres 12/13 (28) Liga Zon/Sagres 13/14 (24) Lille (1) LMGM (68) losango (1) Lourenço (1) low cost (1) Luis Aguiar (2) Luis Duque (9) Luís Martins (1) Luiz Phellype (2) Madeira SAD (4) Malcolm Allison (1) Mandela (2) Mané (3) Maniche (4) Manifesto (3) Manolo Vidal (2) Manuel Fernandes (7) Marca (1) Marcelo Boeck (1) Marco Silva (27) Maritimo (2) Marítimo (3) Markovic (1) Matheus Oliveira (1) Matheus Pereira (3) Mati (1) matías fernandez (8) Matias Perez (1) Mauricio (3) Meli (1) Memória (10) mentiras (1) mercado (43) Meszaros (1) Miguel Cal (1) Miguel Lopes (1) Miguel Maia (1) miséria de dirigentes (2) mística (3) Modalidades (30) modelo (3) modlidades (2) Moniz Pereira (7) Montero (8) Moutinho (3) Mundial2010 (9) Mundial2014 (3) Mundo Sporting (1) Nacional (1) Naide Gomes (2) Naldo (3) naming (2) Nani (6) Natal (4) Naval (3) Navegadores (3) negócios lesa-SCP (2) NextGen Series (3) Noite Europeia (1) nonsense (23) Nordsjaelland (1) NOS (2) Notas de Imprensa (1) notáveis (1) nucleos (1) Núcleos (9) Nuno André Coelho (2) Nuno Dias (5) Nuno Saraiva (4) Nuno Valente (1) o (1) O FIM (1) O Roquetismo (8) Oceano (1) Octávio (1) Olhanense (1) Olivedesportos (1) Onyewu (7) onze ideal (1) opinião (6) oportunistas (1) orçamento (4) orçamento clube 15/16 (1) orçamento clube 19/20 (1) organização (1) orgulho leonino (17) Oriol Rosell (3) paineleiros (15) Paiva dos Santos (2) paixão (3) papagaios (8) pára-quedista (1) parceria (2) pascoa 2010 (1) pasquins (7) Patrícia Morais (1) património (2) patrocínios (6) Paulinho (1) paulo bento (19) Paulo Faria (1) Paulo Oliveira (3) Paulo Sérgio (43) paulocristovão (1) Pavilhão (12) pedrada (1) Pedro Baltazar (8) Pedro Barbosa (5) Pedro Madeira Rodrigues (4) Pedro Mendes (4) Pedro Silva (2) Pereirinha (6) Peseiro (6) Peyroteo (3) Piccini (1) Pini Zahavi (2) Pinto Souto (1) plantel (31) plantel 17/18 (3) play-off (2) play-off Liga dos Campeões 17/18 (5) PMAG (4) Podence (1) Polga (5) Pongolle (5) Pontos de vista (15) por amor à camisola (3) Portimonense (1) post conjunto (5) Postiga (7) PPC (7) Pranjic (2) pré-época (2) pré-época 10/11 (7) pré-época 11/12 (43) pré-época 12/13 (16) pré-época 13/14 (16) pré-época 14/15 (22) pré-época 15/16 (20) pré-época 16/17 (12) pré-época 17/18 (9) pré-época 18/19 (1) pré-época 19/20 (7) prémio (1) prémios stromp (1) presidência (2) presidente (5) Projecto BdC (1) projecto Roquette (2) promessas (3) prospecção (2) Providência Cautelar. Impugnação (1) PS (1) Quo vadis Sporting? (1) Rabiu Ibrahim (2) Rafael Leão (1) râguebi (1) raiva (1) RD Slovan (1) reacção (1) redes sociais (1) Reestruturação financeira (18) reflexãoleonina (21) reforços (15) regras (4) regulamentos (1) Relatório e Contas (12) relva (10) relvado sintético (4) remunerações (1) Renato Neto (3) Renato Sanches (1) rescisões (3) respeito (7) resultados (1) revisão estatutária (7) Ribas (2) Ribeiro Telles (4) Ricardo Peres (1) Ricciardi (3) ridiculo (1) ridículo (2) Rinaudo (8) Rio Ave (2) Rita Figueira (1) rivais (6) Rodriguez (2) Rojo (4) Ronaldo (12) rtp (1) Ruben Ribeiro (1) Rúbio (4) Rui Patricio (18) Rui Patrício (4) Sá Pinto (31) SAD (27) Salema (1) Sarr (4) Schelotto (2) Schmeichel (2) scouting (1) SCP (64) Segurança (1) Selecção Nacional (38) seleccionador nacional (5) Semedo (1) SerSporting (1) sessões de esclarecimento (1) Shikabala (2) Silas (2) Silly Season2017/18 (2) Símbolos Leoninos (3) Sinama Pongolle (1) Sistema (4) site do SCP (3) SJPF (1) Slavchev (1) slb (22) Slimani (11) slolb (1) Soares Franco (1) sócios (19) Sócrates (1) Solar do Norte (14) Sondagens (1) sorteio (3) Sousa Cintra (4) Sp. Braga (2) Sp. Horta (1) Spalvis (2) Sporting (2) Sporting Clube de Paris (1) Sporting160 (3) Sportinguismo (2) sportinguistas notáveis (2) SportTv (1) Stijn Schaars (4) Stojkovic (3) Summit (1) Sunil Chhetri (1) Supertaça (4) Supertaça 19/20 (1) sustentabilidade financeira (45) Taça CERS (1) Taça Challenge (5) taça da liga (11) Taça da Liga 10/11 (7) Taça da Liga 11/12 (3) Taça da Liga 13/14 (3) Taça da Liga 14/15 (2) Taça da Liga 15/16 (4) Taça da Liga 16/17 (1) Taça da Liga 17/18 (3) Taça da Liga 18/19 (1) Taça das Taças (1) Taça de Honra (1) Taça de Liga 13/14 (3) Taça de Portugal (12) Taça de Portugal 10/11 (3) Taça de Portugal 10/11 Futsal (1) Taça de Portugal 11/12 (12) Taça de Portugal 13/14 (3) Taça de Portugal 14/15 (8) Taça de Portugal 15/16 (4) Taça de Portugal 16/17 (4) Taça de Portugal 17/18 (6) Taça de Portugal 18/19 (3) táctica (1) Tales (2) Tanaka (1) Ténis de Mesa (2) Teo Gutierrez (5) Tertúlia Leonina (3) Tiago (3) Tiago Fernandes (1) Tio Patinhas (3) Tonel (2) Torneio Guadiana 13/14 (1) Torneio New York Challenge (4) Torsiglieri (4) Tottenham (1) trabalho (1) transferências (5) transmissões (1) treinador (94) treino (5) treinos em Alvalade (1) triplete (1) troféu 5 violinos (5) TV Sporting (5) Twente (2) Tziu (1) uefa futsal cup (4) Uvini (1) Valdés. (3) Valores (14) VAR (1) Varandas (15) Veloso (5) vendas (8) vendas 2013/14 (2) vendas 2014/15 (1) vendas 2016/17 (5) vendas 2017/18 (1) Ventspils (2) Vercauteren (5) Vergonha (7) video-arbitro (7) Vietto (2) Villas Boas (8) Viola (1) Virgílio (100) Virgílio1 (1) Vitor Golas (1) Vitor Pereira (6) Vitória (1) VMOC (7) voleibol (2) Vox Pop (2) VSC (3) Vukcevic (10) WAG´s (1) William Carvalho (13) Wilson Eduardo (2) Wolfswinkel (12) Wrestling (1) Xandão (4) Xistra (3) Zapater (2) Zeegelaar (2) Zezinho (1)