Isto sim é que é o descalabro. Não novo resultado negativo no jogo desta noite. Independentemente desse resultado, é este numero que não me vai sair da cabeça antes, durante e muito depois do jogo terminar.
"Agora, o treinador é óptimo, e provou que era óptimo treinando equipas de expressão diferente, as pessoas que estão na estrutura do futebol têm experiência, sabem o que querem, trabalham bem, precisam um bocadinho mais de tempo, eu acho"
"O Sporting precisa de manter a calma, tem que se equilibrar, tem de confiar nas pessoas, tem que perceber que o caminho não era o caminho do passado, tem que dar tempo"
Olhando com realismo para as movimentações à volta do processo eleitoral da federação facilmente se conclui que poucas alterações de fundo resultarão para o futebol português e que o Sporting poucas expectativas deverá colocar no processo. Mas se o Sporting pouco poderá ganhar pode muito bem ter muito a perder. Com a presença de Soares Franco nas eleições há muito Sportinguista que, de forma primária, não entenderá o apoio a Fernando Seara. E, enquanto FCP e SLB disputam entre si os lugares da federação os sportinguistas estarão a digladiar-se nas suas próprias trincheiras. E assim somos quem mais perde, e de forma dupla, em todo o processo.
FSF diz que ninguém falou com ele e que ele não falou com ninguém. Fala em associações. FSF não é parvo, não nos faça a nós de parvos. Se não soubesse da real possibilidade de ser eleito não se candidataria. A sua actuação prova o pouco peso do Sporting nesta refrega. Antes de saber o que pensava o clube a que pertence e qual seria a estratégia ou até mesmo contra ela, tratou de se respaldar no poder de Pinto da Costa e dos seus satélites para assegurar o êxito da sua ambição pessoal.
Encostado à parede por anos de incúria e alheamento, cujo alto preço continua a ser pago em “suaves” prestações por jornada, resta ao Sporting (i) assobiar para o ar, como vinha fazendo, (ii) fazer de conta que vai à luta, escolhendo quixotescamente um candidato que sabe que não ganhará, ou (iii) aliar-se. Aqui a escolha não é fácil, subsistem razões para desconfiar da benignidade das intenções de Vieira, sendo óbvio que Pinto da Costa quer apenas um testa de ferro que lhe permita dizer, se algo lhe for apontado, o “presidente até é Sportinguista”. Usou agora uma estratégia diversa da usada para as eleições para a Liga: não apoiou Fernando Gomes para presidente porque sabia 2 coisas: se o fizesse tornava a sua eleição mais difícil, o que não lhe convinha, porque Fernando Gomes nunca o contrariará nem aos interesses que representa. Basta ver o que (não) fez no caso recente com os árbitros para o confirmar.
Não sei qual vai ser a escolha de Godinho Lopes e Luís Duque. Mas, porque ainda tenho memória sei pelo menos a quem o Sporting não se deve aliar. Como diria José Régio, num poema que o próprio Pinto da Costa recitou aquando da sua eleição para a presidência da Liga
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
(…)
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!
P.S.- Já depois de editado o post tive oportunidade de ouvir as declarações elogiosas de Carlos Coutada, presidente da AFBraga, aliada de sempre da AFPorto/ Pinto da Costa e que "estranhamente" coincidem com as proferidas por PdC na recente entrevista ao seu canal. Se tinha poucas dúvidas onde FSF se foi apoiar perdi-as.
É no mínimo com muita perplexidade que leio a noticia que dá conta da vontade de Filipe Soares Franco de se candidatar à presidência da F.P.F. e que, diz-se, conta já com o apoio de um belo ramalhete constituído pelo Porto, Braga, Rio Ave, Gil Vicente e Nacional! Porém, e fazendo fé no relato, o ex-presidente do Sporting não terá ainda falado com o actual líder leonino, Godinho Lopes. Este, juntamente com Luís Duque, esteve ontem reunido com LFV num restaurante de um hotel da capital alegadamente para combinar a estratégia que leve Fernando Seara à presidência da FPF.
Vai ser necessário esperar ainda algum tempo para perceber as motivações e as consequências das diversas alianças em curso. Mas, sendo indiscutível que o Sporting não pode continuar arredado dos centros de decisão do futebol português, para bem do clube e da indústria, antevejo desde já enormes dificuldades na defesa desses interesses.
Por um lado o Sporting precisa de um interlocutor confiável que busque um parceiro e não apenas uma muleta. O passado diz-nos que LFV e o SLB não têm procurado mais do que fazer o mesmo que o FCP, agindo de forma tosca e incompetente. Se o Sporting pretende fazer um acordo de cavalheiros deve assegurar se está realmente na presença de cavalheiros.
Do outro lado estão os poderes óbvios e ocultos do futebol português que há muito vampirizam a indústria, distorcendo a verdade da competição. É uma máquina oleada que age pela calada e jogando em vários tabuleiros, de forma a garantir a manutenção da perniciosa hegemonia que fere de suspeição o futebol português, com as consequências que estão à vista de todos.
Por tudo isto não consigo perceber porque razão Filipe Soares Franco se possa dispor a andar de braço dado com tão más companhias, ele que as conhece tão bem do tempo em que foi dirigente do Sporting. A minha perplexidade é ainda maior quando constato que há sempre alguém que se assume como Sportinguista disponível para credibilizar estratégias de organizações e indivíduos cujo historial os coloca na lista de inimigos do Sporting. Veja-se os casos de António Garrido, os irmãos Oliveira, Vítor Pereira e tantos outros.
"Os detractores, que se devem orgulhar todos os dias em dizer mal, até do Clube de que julgam gostar, que se vejam ao espelho e sintam a vergonha do que dizem e escrevem!"
A frase é de Godinho Lopes e está inserta na última newsletter pretensamente enviada aos sócios. Pretensamente porque nem todos a recebemos, como é o meu caso e de alguns outros.
Antes de ir propriamente ao extracto que causa tanta celeuma não hesito em concluir que as criticas aqui ontem feitas à politica de comunicação do Sporting, motivadas por este vídeo e os que o antecederam, fazem sentido e esta newsletter vem-no confirmar. Para lá do conteúdo, que analisarei a seguir, fica evidente que há ainda ferramentas fundamentais da comunicação do clube que ou não são usadas ou são mal manuseadas. E aqui há aspectos distintos que convém analisar.
Julgo que o envio da newsletter é ainda responsabilidade da Sportinvest, empresa responsável do grupo Controlinvest dos manos Oliveira. Esta empresa era e julgo que ainda é também responsável pelo contacto com os sócios através da linha Sporting.
Quem já teve a infelicidade de contar com este serviço para resolver algum problema sabe que é em regra tempo e dinheiro perdido. Depois de há 2 anos ter tentado em vão assegurar a reserva de um bilhete que me permitisse viajar tranquilamente com garantia de lugar para assistir a um derby não mais ousei ligar o 707 20 44 44. Convém esclarecer que os bilhetes eram-me oferecidos pelo clube, por ocasião do meu aniversário, mas implicavam o seu levantamento presencial. Vivendo eu a mais 300km de Lisboa e pretendendo viajar com o meu filho quis apenas garantir que não faria a viagem em vão o que acabou por se revelar de todo impossível face à intransigência dos meus vários interlocutores. Acabei por comprar os 2 bilhetes e fazer a viagem tranquilo.
Não sei quanto custa ao Sporting o outsorcing mas sei que nem todos conseguem distinguir como eu, nem a isso estão obrigados, o que é o dos manos Oliveira e do clube. O que tenho a certeza é que teria menos danos para o clube ter Sportinguistas a lidar directamente com Sportinguistas e não seria difícil organizar um serviço com melhor resposta. Não faltarão Sportinguistas capazes e a precisar de trabalho nesta altura do campeonato… Por isso, e depois de tudo dito, não me surpreende que as newsletter´s não cheguem ao seu destino.
O conteúdo da newsletter em causa é muito mais do que a frase em destaque mas vai acabar por ser ela a canibalizar todas as atenções, o que é lamentável. E é sobretudo revelador que Godinho Lopes ou não tem conselheiros ou é mal aconselhado. Reafirmo a minha impressão de que em Alvalade se tem estado a trabalhar bem, o que não é o mesmo que dizer que não há razões para criticas. Mas tenho consciência que o clube recebido nas mãos da actual gestão pouco mais teria de clube grande do que a herança histórica e não será em poucos meses que a situação será revertida.
Neste momento o foco está nos maus resultados do futebol e a generalidade das análises são feitas sobre esse prisma. Infelizmente no futebol não há fórmulas mágicas e pode-se fazer tudo bem feito até à hora do apito inicial – o que nem é o caso - e os resultados teimarem em não surgir. Esta não é a altura para abrir mais uma frente interna, antes deveria ser o momento de falar sobre o trabalho realizado e na confiança depositada nos frutos que terão que surgir. O discurso deveria continuar a ser agregador e não fraccionante. Os efeitos nefastos não tardarão em surgir, vamos ver como corre a reunião da próxima quinta-feira, no auditório Artur Agostinho.
Nada do que digo acima deve evitar uma profunda reflexão de todos os que, nomeadamente nas redes sociais, escrevem sobre o Sporting. Atrever-me-ia a dizer que 99% é lixo, resultado de muita frustração que está muito para lá dos maus resultados. A excessiva truculência entre adeptos, a falta de educação, e até os pontapés na gramática aproximam-nos em tudo do pior que conhecemos e criticamos nos adversários.
Como alguém disse antes de mim a má moeda afasta a boa moeda. O Sporting não pode ficar capturado pelo desespero e pela frustração ou dos que só falam quando as coisas correm mal. Até por isso, ao voltar a atenção para os que nada mais querem do que lamentar-se, a mensagem de Godinho Lopes é um erro.
Desde a última disputa eleitoral que se tenta colar a Godinho Lopes a imagem de alguém com pouca apetência para liderar. Imagem essa que resultaria da prestação nos debates, onde o agora presidente tinha a posição mais difícil. Exposto pela herança genética da costela roquettista, de que não se conseguiu livrar, foi sempre o alvo preferencial dos restantes concorrentes. Ainda durante esse período foram-lhe prognosticadas grandes dificuldades em gerir a plêiade de egos e personalidades dos elementos constituintes da sua lista, pela seu inegável peso e visibilidade. O episódio Luís Duque parecia ser a confirmação de todos estes problemas. A verdade porém é que Godinho Lopes foi capaz de gerar o consenso de forma a que todos os elementos se reunissem e parece, até prova em contrário, também capaz de os gerir.
Em mais do que uma ocasião e sempre em circunstâncias diferentes pude observar pessoalmente e de forma muito próxima a postura de Godinho Lopes e confesso que nunca deixou transparecer essa fraqueza, bem antes pelo contrário. O que me ficou foi uma enorme vontade de mudar a face do Sporting, associada a uma também grande capacidade de trabalho. Por outro lado não me pareceu revelar receios nos confrontos de opiniões, sem abdicar da sua postura habitualmente cordata, o que nem sempre é muito bem entendido. Não me enganarei muito se disser que os portugueses em geral confunde tiques de autoritarismo com liderança. A par disso, e porque também tive oportunidade de o testemunhar presencialmente, parece-me que em Alvalade se trabalha em equipa, com muito empenho e muitas vezes contra o tempo e contra a estagnação ou até ao retrocesso a que o clube estava sujeito. Testemunhos de pessoas em quem confio corroboraram as minhas impressões.
Mas, como em quase toda a actividade pública, as aparências contam. Por alguma razão o chavão “o que parece é” se aplica. É por isso incompreensível que Godinho Lopes, na qualidade de presidente do Sporting se continue a dirigir aos associados de forma pouco cuidada. Refiro-me aos vídeos colocados na página oficial do clube, em que o último acabou por ser pior que os anteriores. Acredito que, a nível pessoal, Godinho Lopes não tenha grandes preocupações a esse nível. Mas, como presidente do Sporting, há matérias que saltam da esfera das escolhas pessoais para passarem a ser obrigações. Mais ainda quando se conhece, a expensas próprias, o gelo fino em que se caminha.
Parece-me difícil de conceber que sendo já generalizada a opinião pouco favorável sobre a forma como a ferramenta de comunicação vem sendo usada e que quem tem a obrigação profissional de prevenir para não ser obrigado a remediar pareça estar distraído ou ausente. O argumento que estamos em família não me parece que possa ser invocado, especialmente quando há consciência de quão retalhado está o tecido leonino. Por mais assertiva que seja a actuação e por melhor que seja o trabalho realizado corre-se o risco de a mensagem se perder no imenso “ruído” que a acompanha, (imagem de pouca qualidade, discurso de improviso, para lá da ausência de outros cuidados…) especialmente em fase de maus resultados. Se Godinho Lopes não quer ser tido como cordeiro que não lhe vista a pele.
P.S. - Os agradecimentos a todos quantos se deram ao trabalho de celebrar connosco o terceiro aniversário!
Foi no passado 28 de Agosto. Completamos 3 anos de actividade ininterrupta. Ninguém reparou, nem nós, talvez porque estejamos mais preocupados com o Sporting do que connosco. Mas sempre são 3 anos, por isso aqui ficam assinalados.
Cedric e Nuno Reis foram peças importantes na recente campanha que levou a selecção sub-20 à inesperada medalha de prata no Mundial. Cedric já conhecia de ver jogar o ano passado em Braga, onde realizou uma exibição seguríssima, apesar das dificuldades que Domingos lhe tentou criar. Lembro-me perfeitamente de ter comentado alto que estava ali um bom jogador e de me terem logo respondido que ainda estava verde, atacava pouco. Deixei cair a argumentação. Porque não haveria de estar verde com a idade que tinha? E como poderia ele atacar se tinha as linhas bem cortadas por dois jogadores adversários à sua frente? E, ao contrário do que parece ser hoje muito popular, para mim a primeira missão do defesa lateral deve ser defender bem, sabendo depois explorar o que o jogo der. O efeito de um lateral menos ofensivo é mais facilmente superado pelo colectivo que um lateral que defende mal. Adiante.
Nunca vi Nuno Reis jogar ao vivo, que é a única forma para perceber a totalidade das movimentações de um jogador e logo a sua percepção do jogo, mas as suas exibições no recente Mundial catapultaram-no para a ribalta. Mais do que o seu companheiro do lado direito e cuja atenção dediquei no parágrafo anterior, é nele que se concentram as atenções de muitos Sportinguistas como não podia deixar de ser porque está em causa a qualidade dos nossos centrais. Para quem está atento há mais anos à progressão dos atletas da formação certamente que se lembrarão que o que se projecta hoje para Nuno Reis é muito semelhante, talvez até menos, do que se dizia antes de Carriço. O trajecto deste em todos escalões augurava-lhe o melhor e levaram muitos dos que hoje o arrasam a tecer loas às suas capacidades técnicas e de liderança (Carriço foi capitão em todos os escalões e também nas selecções).
Diz-se que Carriço estagnou, não evoluiu. O mesmo se diz de Djaló. E responsabilizam-se os jogadores por isso e pelos maus resultados. Poucos se questionam do que foram as condições que a generalidade dos atletas teve no Sporting para poderem ser melhores e evoluírem. O que foi o Sporting dos últimos anos com vários treinadores por época e resultados miseráveis. Poucos são capazes de fazer o paralelismo com as suas próprias vidas e descortinar como poderiam ser se fosse com eles. Quase todos os jogadores vindos de fora ou da casa se afundaram como afinal se afundou o Sporting, por muito que isso doa reconhecer.
Infelizmente a grande maioria dos adeptos relaciona-se com o clube ao sabor dos resultados, de forma pavloviana. Este ano, no dia da apresentação cantou-se em Alvalade “somos campeões”. Quando o jogo acabou e num ambiente que se prolongou com os maus resultados, está agora tudo mal, talvez pior ainda do que nunca.
No que aos jogadores da formação diz respeito, que é o foco deste post, os que virão, como Nuno Reis, serão sempre melhores do que os estão. São agora mimados e engordados para, assim que forem lançados, depressa serem cozidos no caldeirão emocional onde os outros já foram cozinhados, num processo em todo semelhante à história de Hansel e Gretel. A bruxa má são todos os histéricos, obviamente, que antes já haviam tentado comer Figo, Nani, Moutinho, Ronaldo, Quaresma e todos os outros. Não por acaso e de forma mais ou menos traumática para nós, e fazendo jus à história colectada pelos Irmãos Grimi, quase todos eles se viram obrigados a deitar a bruxa má ao caldeirão para continuarem com as suas vidas. Não é por acaso que a formação do Sporting produz os melhores jogadores e quase todos eles vêem o seu valor reconhecido excepto em Alvalade, onde continuam malquistos.
Compare-se o caso de Jeffren ou Capel com o de Yanick. Os espanhóis tiveram direito a despedida e palavras elogiosas na hora da saída que, tal como Yanick, também não foi feita em ascensão. O nosso ex-jogador esteve no Sporting 14 anos dos seus 25 de vida e à sua despedida nem foguetes devem ter faltado. É apenas mais um numa longa lista.
Há algo de profundamente errado em tudo isto, não posso deixar de o constatar. Quem achar que isto não é sentido com particular apreensão nos que pensam em projectar-se no Sporting e que o clube é que mais perde com tudo isto é capaz de andar muito distraído.
De Talles a Elias vai uma distância quase cósmica mas em ambos episódios fica a mesma sensação de desnorte e de falta de estratégia. Ou, a existir, não se vislumbra a sua linha condutora ou coerência. Falo em Elias por ter sido, tal como Talles na época transacta, a última aquisição do Sporting. Mas, na verdade, o que acabou por marcar o fecho do mercado foi a alienação dos passes de Postiga e Djaló (ainda por confirmar), sem qualquer jogador a entrar, fosse para os seus lugares que ficaram em aberto ou para qualquer outro. Quando o dia terminou o Sporting estava mais fraco. E duplamente enfraquecido porque além de ter perdido dois jogadores com utilidade, quem tem a obrigação de dirigir acabou dirigido, desautorizando e alienando autoridade. É sobre isso que escreverei hoje.
Do ponto de vista técnico e ao contrário do gáudio a roçar o patego de muitos dos adeptos o que a realidade confirma é que o Sporting perdeu dois titulares que não substituiu. Logo está mais fraco em número e em alternativas. O efeito positivo da contratação de Elias dilui-se de forma óbvia.
Do ponto de vista politico, ao sucumbir aos apelos dos que contestavam os jogadores quem tomou a decisão expôs Domingos Paciência, que já havia defendido publicamente os jogadores, demonstrando de forma inequívoca que contava com eles. Ainda pior, não lhe dá alternativas, deixando ficar nos seus lugares um vazio por preencher. Mas, aos demonstrar permeabilidade à contestação, a SAD demonstra fraqueza e pouca confiança quer na sua estratégia quer no técnico que escolheu. Esta demonstração de debilidade passa dos gabinetes para as bancadas, desce aos balneários e passeia nas redacções dos média. Domingos será o próximo alvo na mira dos atiradores furtivos. Em futebol raramente isto não representa uma factura dispendiosa ou impossível de pagar. Não se fazem campeões com este tipo de concessões.
A hipótese, tantas vezes aventada, de Domingos colocar jogadores com que não contava, em estratégia concertada com a SAD, para promover os jogadores com o objectivo de os vender é tão absurda que nem merece qualquer comentário. Além de ser razão mais do que suficiente para por toda a gente que estivesse pretensamente envolvida no olho da rua, a milhas do Sporting.
No fundo o que a direcção da SAD do Sporting fez foi alimentar um monstro insaciável que se levanta sempre que os resultados não surgem e que, quando não houver mais nada para comer, comerá a direcção ou até as próprias pernas e braços, deixando apenas um rasto de destruição. Depois das cabeças de Postiga e Djaló servidas num prato e possivelmente a de Domingos, a turba procurará saciar a sede nos gabinetes de Alvalade. É a mesma lógica cobarde do marido que alivia as frustrações em acessos de fúria espancando a mulher e os filhos, justificando o acto hediondo com a paixão o outro bem maior. Num ano em que talvez mais do que nenhum outro nos era pedido a todos coragem ante a adversidade exterior continuamos preferir disparar dentro das nossas próprias trincheiras. Continua a haver mais preocupação na procura de alvos internos para expiar as frustrações e o desencanto do que vontade de construir. Isso também se paga caro como veremos adiante. Este podia e devia ser o ano zero, poderá ser apenas mais um ano menos qualquer coisa.
É evidente a minha desilusão com os adeptos do meu clube e o meu receio pelo futuro de curto e médio prazo. É também evidente o cansaço e a erosão provocados pelas derrotas e uma certa tendência no discurso e na acção para a "vitória ou nada", quando entre esses dois estádios há passos que são necessários e que não podem deixar de ser dados. Não o digo pretendo uma superioridade moral que nunca reivindiquei. Julgo apenas tratar-se da mais óbvia noção de senso comum. Noção essa que está completamente ausente em todo este processo Postiga/Djaló, com os mesmos que diziam que os jogadores não valiam um chavo pretendem agora que Postiga foi oferecido, já se lembrando que se trata de um ponta-de-lança da selecção que ocupa o 8º lugar do ranking mundial…
Apesar de todos os pesares acredito que gradualmente o Sporting irá melhorar, quer nas exibições quer nos resultados. Não porque Postiga e Djaló saíram, como de forma irracional alguns pretendem, mas porque há no plantel jogadores capazes de fazer muito melhor. E, talvez exceptuando Garay, tem muito melhor do que as promessas a que a actual gestão foi associada e, de forma conveniente, se deixou associar em período eleitoral, mas cujo preço paga agora, com em quase tudo na vida. Precisamos de tempo para que a boa forma e o entrosamento chegue, precisamos que com ou sem ela não nos cortem as pernas. Mas sobretudo e mais do que nunca Alvalade e os Sportinguistas têm de deixar de ser o principio das nossas fraquezas.
Para os que tiveram o que tanto andaram a pedir só lhes resta agora uma atitude: apareçam e fiquem até ao fim este era o Sporting que queriam, ou quase.
Estão em vias de se resolver os problemas do Sporting, a avaliar pela onda de entusiasmo provocado pelo anúncio da saída de Djaló e possivelmente de Postiga. O futuro encarregar-se-à de demonstrar que a questão - os maus resultados - não é assim tão simples de resolver, embora seja meu entendimento que, com a recuperação física de Jeffren e Bojinov, a subida de forma Capel acabassem por remeter ambos os jogadores para segundas escolhas, Djaló em primeiro lugar. Continuo a pensar que, com bons resultados e subida da qualidade de jogo colectivo, o Sporting teria nos dois jogadores boas opções para alguns jogos com determinadas características. A sua saída acaba por ser benéfica, sobretudo para os jogadores, que têm direito a procurar melhores condições de trabalho.
A ditadura imposta pelas bancadas é porém um péssimo sinal. Quando se fizer a avaliação do que foi esta época o papel dos adeptos no inêxito deste arranque não pode deixar de ser considerado. Alvalade tem sido por estes dias um paraíso para os adversários e um inferno para os nossos, não há como escamotear essa realidade, e assim é muito difícil sequer pensar em ganhar.
A esquizofrenia instalada faz com que a entrada de Elias aproxime os discursos de alguns adeptos e adversários do Sporting. Não deixa de ser curioso ver benfiquistas, portistas, e Sportinguistas exibirem as mesmas preocupações seja com o preço, seja com a qualidade do jogador, a origem do dinheiro, comparações absurdas com Pongolle, etc e tal, esquecendo que o jogador até podia estar a jogar no SLB (aí seria um golpe de mestre, substituindo Ramires por um jogador de valia semelhante, realizando ainda por cima mais-valias) e sobretudo que é um craque e que as equipas precisam é de jogadores assim para que o seu jogo suba de qualidade. Enquanto isso ninguém no FCP ou no SLB se preocupa com as aquisições dispendiosas de Danilo, Defour e Witsel porque são craques. Ai Sporting!...
Indo para a dimensão prática do negócio Elias ele significa desde já que à sua entrada terá que corresponder uma saída, que poderá ser de Pereirinha, Turam ou Martins. A hipótese de Turam rodar num clube estrangeiro parece estar em cima da mesa. Na minha opinião, e com o objectivo de procurar uma real integração deste jovem promissor, fazia mais sentido que rodasse em Portugal. Onde? No Beira-Mar por exemplo, que agora ficou sem André Marques.
Nos mentideros continuam-se a falar em novas entradas com o nome de Amauri à cabeça. Se ele mantiver intactas as qualidades e a ambição seria uma enorme contratação. Desde o jogo com a Juventus, e depois de saber a estranha disposição de Conte de o encostar, que, na minha condição de treinador de bancada, imaginava a sua contratação, não fora a costela de adepto realista pensar o quanto seria difícil de lhe pagar a cada fim do mês. Mas depois de ver chegar Elias qualquer sonho parece ser possível. Até ao fecho do mercado este é outra vez o paraíso dos adeptos.
O Sporting acabou por adquirir o jogador mais caro de sempre, desembolsando quase 9 milhões de euros pela totalidade do seu passe. Porém, ao contrário do que era habitual quando o clube desembolsou verbas significativas (lembro-me do caso de Tello e mais recentemente de Pongolle) o Sporting contrata um jogador que é um valor seguro e num bom momento da sua carreira. A atestá-lo está a sua presença na lista de convocados da selecção brasileira, que joga este fim-de-semana em Londres.
Desde a saída de Moutinho que o Sporting penava no seu meio-campo por um camisola 8 de categoria e muitas das dificuldades na organização do seu jogo também têm passado por aí. Elias foi um jogador que esteve nas cogitações do nosso rival SLB quando este teve necessidade de substituir Ramires quando este foi para o Chelsea. A alcunha de guerreiro diz muito da forma como Elias está em campo, revelando total disponibilidade física e mental para o jogo. Para lá disso o brasileiro é um jogador com boa meia-distância e capaz de dar uma grande verticalidade ao jogo interior quer executando passes a solicitar os avançados, coisa que tanta falta nos tem feito, como se encarrega ele mesmo de criar desequilíbrios com as suas rápidas incursões nos espaços entre os defesas centrais e laterais, sempre mais preocupados com as movimentações dos avançados.
O video que coloco a seguir é um exemplo dessa característica de Elias. Naturalmente que quem coloca estes vídeos se preocupa muito mais com os golos esquecendo tudo o resto. Por isso a jogada do primeiro golo só exibe o final de uma jogada tipica de Elias, pelo que o melhor exemplo sucede a partir do minuto 2:46 em que o jogador organiza o ataque, com um passe a solicitar Ronaldo, que havia descido a dar apoio para criar a linha de passe, acabando Elias por finalizar na zona central, surpreendendo os defesas contrários. Ah, e o momento anterior tem o seu quê de hilariante com o médio a marcar sem querer, coisa que, convenhamos também nos daria muito jeito...
Elias é uma grande aposta do Sporting, é o jogador mais dispendioso mas não será necessariamente caro. Basta para tal que consolide o seu valor, que o faça crescer aos olhos do mercado tarefa que não é apenas da sua incunbência. Tem a palavra Domingos e, já agora todos nós.
Deixei um comentário a meio num post anterior do LdA para fazer este upgrade. Ainda estou em transe com o resultado do jogo de domingo, por razões pessoais, não pude acompanhar todas as incidências do jogo, só vi com atenção a primeira meia hora e aquilo que vi foi suficiente para durante o restante tempo do jogo que acompanhei pelo canto do olho ir mantendo a confiança que mal ou bem iríamos ganhar. Caí na real a poucos minutos do fim com o terceiro golo do Marítimo.
Não será propriamente uma surpresa sofrer golos de canto ou bola parada, mas é uma imensa surpresa sofrer golos do Marítimo a poucos minutos do final de um jogo. Contra o Marítimo ou seja contra quem for, para se vencer um jogo e mais ainda, para se vencerem jogos regularmente tenho de conseguir manter o controlo do jogo sempre. As equipas que o conseguem fazer não só estão mais perto da vitória como são muito difíceis de vencer.
Se o Sporting tivesse já essas características no seu jogo não iria permitir lances de perigo junto da sua área no final dos jogos, mesmo que lhe fosse impossível vencer a bola estaria sempre em posse incapaz de nos prejudicar.
A pergunta do momento é de quem é a culpa!?!?
A culpa, esta culpa, tem muito pai e muita mãe. Os problemas que afectam o Sporting de alguns anos a esta parte são colectivos e não individuais. Contudo todas as soluções que se têm aplicado são individuais e não colectivas, as soluções individuais implementadas desmoronam sempre perante o problema maior que teima em ser deixado vivo e a florescer.
Não faltam candidatos a apresentar soluções mágicas para resolver de vez os problemas do Sporting, as últimas eleições são bem exemplo disso, mas gente disposta a ajudar quando os problemas surgem já são sempre muito menos. Não há organização com maior número de incompetentes por metro quadrado do que o Sporting mas basta a essas horríveis criaturas afastarem-se e integrarem outras estruturas para brilharem no seu contexto profissional.
Quem perdeu não foi o Schaars, o Carriço, o Domingos ou o Carlos Freitas, foi o Sporting e perdeu não só por questões técnico/tácticas mas por todo um histórico de evolução que tornou o nosso futebol uma estrutura pouco competitiva. Transformar esta mentalidade vai ser o trabalho difícil que Duque, Freitas e Domingos têm pela frente, não somente comprar um ponta-de-lança-que-marque-golos.
A resma de defesas laterais que o Sporting já comprou, ao longo dos tempos, é apenas um sintoma, um sintoma que se explica simplesmente. Se hoje se demitir toda a estrutura do futebol e amanhã, eu, for empossado dessa responsabilidade, só com 24 horas para fazer compras, se calhar também vou tentar comprar mais três ou quatro caramelos para ver se assim resolvo um problema que nem sequer conheço.
Na última década quantos presidentes teve o Sporting? Quantos directores tiveram cada presidente? Quantos treinadores? E por fim quantos jogadores? Eram todos maus? Eram todos tão maus para produzir os piores resultados de sempre? São os actuais maus?
Temos de implementar em Alvalade uma época de estabilidade, porque só com ela há responsabilidade e só assim é possível oferecer aos profissionais condições de confiança para surgirem as suas qualidades, por oposição seremos apenas uma máquina trituradores e pessoas, sem distinção alguma entre os competentes e os incompetentes.
Julgo que não restam dúvidas sobre a revolução que está em marcha em Alvalade, imagino o que seja chegar de férias no dia um de Setembro e encontrar 17 companheiros novos no trabalho, mais novos líderes e formas de liderança e ter isso a render num mercado onde a cada semana posso ser líder de mercado ou micro-empresa.
Há tempo? Não, não há tempo, este grupo terá de ser um árbitro para Pinto da Costa, heróis, para aguentarem a crítica e o insulto individual que os seus erros colectivos vão criar. Se sobreviverem a esta provação pode ser que estejam criadas as condições para uma nova era de sucesso no Sporting, se não será apenas mais um capítulo das trevas.
Por alguma coisa dizia por alturas das eleições que o melhor Presidente seria aquele conseguisse ter condições e vontade para fazer vários mandatos consecutivos. Venha de lá o próximo jogo e depressa que qualidade não falta no Sporting e sem resultados será impossível evoluir e atacar o exterior do Sporting.
O Sporting decidiu recompensar os sócios do inegável apoio que estes têm prestado à equipa e que tem tido equivalência quase nula em termos de resultados. Esta foi uma sugestão aqui deixada ontem e por isso muito nos apraz registar que ela tenha sido acolhida pelos corpos sociais. Não por nós, mas porque os sócios de um clube são o seu activo mais precioso e inalienável. E também porque os miúdos merecem jogar num estádio composto de acordo com a importância do momento (a NextGen Séries é o lançamento de uma espécie de Champions League para a formação) e de acordo com o valor estratégico que representam para o clube.
Assim todos os sócios que tenham disponibilidade e quotas em dia têm amanhã um bom motivo para acorrer a Alvalade e apoiar um grupo de miúdos que tão bem nos representou à cerca de um mês em Liverpool.
Estranhei a ausência de André Marques no alinhamento do jogo do Beira-Mar. Tinha-o visto em Aveiro, num jogo de má memória para nós, mas que foi uma boa exibição deste nosso jogador emprestado, pleno de acerto e confiança. Várias vezes me perguntei, no decorrer do jogo, o que teria levado a investir os 3 milhões no Evaldo que André Marques não pudesse fazer igual e mais barato.
A resposta à minha perplexidade chegou com toda a violência: André Marques fez mais uma ruptura de ligamentos, continuando o seu calvário de lesões. A imagem é bem elucidativa do desespero do lateral-esquerdo, certamente já à espera do pior. Com 24 anos e com qualidades para fazer bem a posição apenas as lesões se têm oposto à sua afirmação definitiva. Com o contrato a terminar no final da presente época, André Marques merece não ser deixado à sua sorte, é afinal um dos nossos. À atenção do departamento de futebol. Boa recuperação e que o azar te deixe em paz.
Chamou-me à atenção a forma como o Arsenal resolveu aplacar o sofrimento dos adeptos depois da copiosa derrota em Old Trafford que, por muito tempo, será lembrado pelos gunners como o palco de um dos seus maiores pesadelos.
Tendo em conta o sucedido a direcção do clube de Londres decidiu indemnizar os adeptos presentes em Manchester, comprometendo-se a custear as despesas de uma próxima deslocação.
Um prémio mais do que merecido porque uma das imagens mais fortes de todo o encontro e que, como adepto, me comoveram foi o facto de grande parte dos apoiantes do Arsenal terem permanecido até ao final do jogo ( o que pode resultar de uma obrigação por razões de segurança) altura em que exibiram orgulhosos as suas cores. Eles sabem que a história de um grande clube se escreve de glórias e fracassos e estes não apagam um passado glorioso, são as cicatrizes que ficam das refregas. Uma boa lição para mim, que há 2 épocas, e por muito menos, abandonei o Dragão sob o peso da irritação que me provocava mais do que a derrota, o desmazelo que a ela conduziu.
Com apenas 3 jogos disputados os adeptos Sportinguistas vivem dias de angústia pelo futuro imediato do Sporting no presente campeonato. Sofrimento esse que é agravado pelo contraste entre a expectativa criada de este poder ser um ano melhor e uma realidade que a desmente, de forma atroz, como se tivéssemos aprisionados, qual prisão perpétua, a um estado de incapacidade permanente. Sei que já estamos em cima da hora mas julgo que seria uma medida a considerar abrir as portas de Alvalade no próximo jogo da NextGen Series a todos os adeptos e sócios ou pelo menos a estes últimos. O jogo é na próxima quarta-feira e seria um rebuçado para adoçar as amarguras leoninas. Desse modo premiar-se-ia igualmente os nossos jovens jogadores, que tão bem se portaram em Liverpool, levando mais longe e mais alto o nome do Sporting ao permitir-lhes jogar num estádio com uma moldura humana mais de acordo com os jogos grandes.
Não foi assim como tinha previsto (leia-se desejado) foi mais assim:
(Para quem não gostar do género tem aqui uma versão ligeira).
De tal forma que pouca ou nenhuma vontade ficou para escrever mas acabo por o fazer porque, apesar da desilusão e do desespero (ou até por isso mesmo), é necessário não perder a perspectiva. Neste momento são tão inúteis como desadequados à realidade e aos interesses do Sporting os que encolhem os ombros como se nada se passasse como os que, mais uma vez, espumam sedentos de sangue. Desconheço a verdadeira dimensão dos últimos mas são pelo menos os mais notórios e turbulentos.
É conhecida de todos aquela sensação de que os jogadores quando chegam ao Sporting parecem perder valor. Trata-se, na maior parte dos casos, de um erro de paralaxe, que o caso de Evaldo é um bom exemplo. Nem era tão bom como parecia, beneficiou duma boa época da sua equipa, nem é tão mau como agora dizem que é. O mesmo se parece passar agora com Domingos. De besta a bestial foi um ápice, embora a bestialidade que se lhe atribui não chega aos calcanhares de comentários como este e que podem ser lidos em qualquer caixa de blogues do Sporting, neste em particular, no post anterior: “O Domingos é um tripeiro ferrenho e um pau mandado pelo PdC para vir acabar com o nosso clube. Se não forem tomadas medidas sérias, coerentes e responsáveis o quanto antes, este ano descemos de divisão.” Com amigos destes o Sporting nem precisa dos árbitros nem de outros inimigos.
No entanto não ilibo o treinador do momento que o Sporting vive. Porque acredito no seu valor confesso que Domingos me tem deixado perplexo. Mas também sei perceber que, para lá dos erros que tem cometido, e que tentarei identificar mais adiante, é evidente que, com erros como os de ontem a defender bolas paradas – não devemos ter acertado uma, quase todos os lances do género resultaram em perigo na nossa área – e com arbitragens a errar sempre contra nós é difícil ganhar um jogo e sobretudo ganhar confiança, logo estabilidade. Sem que isso funcione como desculpa o Sporting não pode ignorar os erros constantes contra nós em TODOS os jogos até agora disputados e quase todos eles em momentos cruciais do jogo. Se é verdade que, com uma equipa que defende tão mal como vimos ontem, é difícil ganhar também é verdade que, com arbitragens inclinar o campo constantemente também não é fácil.
Mas quem vê o Sporting jogar não vê no seu jogo as qualidades que se distinguiam nas equipas de Domingos, as do Braga em particular. Uma das diferenças que mais me pareceram óbvias ontem foi o aparente desconhecimento do adversário e a leitura de jogo a partir do banco. Tenho dúvidas da eficácia deste 4x3x3 em geral e para ontem em particular. Sem entrar na histeria demente que se apossou da maioria dos Sportinguistas, não me parece que Postiga seja o homem para jogar sozinho na frente, mas não tenho dúvidas que não há elemento ideal para jogar àquela distância do jogador mais próximo.
Continuo a pensar que o problema maior continua a residir no meio-campo. Ontem, com uma unidade a menos nesse sector (o Marítimo jogou com 4) a equipa jogou sempre partida, revelando muita dificuldade em ligar o seu jogo, sintoma que vem de trás, tornando-se por isso preocupante que Domingos não consiga mudar a tendência. É também preocupante, desesperante até, que, ao invés dos progressos sejam notórios os retrocessos. Preocupação que se agrava ao verificar que, quando quis mexer na equipa, mexeu sempre fora desse sector, não resolvendo com isso nada. Pior, a saída de Capel, Postiga e Djaló apenas acentuou a fractura exposta, mesmo que os que clamam pelo linchamento dos dois portugueses se esforcem por não reparar. Mas eu não sou santo, nem padre nem Vieira e por isso não me vou pôr a dar sermões aos peixinhos. Concluo apenas que, tal como disse sempre, e ontem ficou mais evidente, o Sporting não tem um problema com Djaló ou com Postiga, senão não teria problemas sequer.
Não me surpreende que o Sporting se vire agora para Elias, que, do que conheço do jogador, é uma excelente aquisição. Revela também que Domingos e a estrutura para o futebol continuam atentos e diagnosticar bem os problemas, como se viu aliás com a aquisição de Ínsua, esperando que tenham acertado também agora na prescrição. Sem Matias, Aguiar, com Izmailov a não arrancar, (fez 2 golos no campeonato mas as suas actuações têm sido sofríveis), Schaars, Capel e Rinaudo idem, aspas, e Jeffren coxo continuaremos com muitas dificuldades. Elias poderá dar uma ajuda preciosa, mas que se tornará inútil se os problemas que são colectivos persistirem.
A paragem do campeonato, que era vista por mim como benéfica, no actual quadro ganhou contornos de fundamental. Além do tempo extra para análise de processos, de estratégias e de cura para lesões cria-se espaço para esvaziar alguma da muita pressão que a desilusão que depressa se instalou e se transformou na amargura auto-fágica que nos caracteriza e que constitui um dos nossos problemas endémicos. Doença essa que se contagia à equipa e que também me parece estar a desestabilizar Domingos.
P.S. - Para os que insistem que Domingos deveria jogar com mais novos jogadores quem podia ter jogado ontem no lugar de Patricio, João Pereira, Polga (ou Carriço) Evaldo, Izmailov, Yanick ( a lesão de Jeffren confirma-o)?
P.P.S. - Se o problema do Sporting é a altura da defesa porque é que Baba, da altura de Carriço e Polga marcou o terceiro golo? E porque é que o SCBraga de Domingos, com uma defesa sensivelmente com uma média de altura semelhante, consentia poucos golos?
Os nossos erros, quer dos jogadores - 3 golos oferecidos, dois de bola parada e uma oferta de João Pereira - e do treinador - Domingos leu sempre muito mal o jogo - os da equipa da arbitragem (golo limpo anulado, um golo do adversário marcado com o ombro, penalty por marcar, expulsão perdoada) a que se juntou a tradicional falta de sorte, com a lesão de Jeffren no momento imediato ao lance do empate. E está tudo dito, e que já é muito mais do que me apetece dizer.
Equipas: Sporting: Rui Patrício, João Pereira, Anderson Polga, Daniel Carriço, Evaldo, André Santos, Schaars, Izmailov, Yannick (Bojinov, 54), Hélder Postiga (Van Wolfswinkel, 64) e Diego Capel (Jeffrén, 54).
(Suplentes: Marcelo Boeck, Onyewu, Bojinov, Van Wolfswinkel, Jeffrén, Carrillo e Rinaudo).
Marítimo: Peçanha, Briguel, Róbson, Roberge, Rúben Ferreira, Roberto Sousa, Rafael Miranda, Olberdam (Marquinho, 83), Sami (Adilson, 89), Danilo Dias e Heldon (Baba, 65).
(Suplentes: Ricardo, Marquinho, Baba, Ibrahim, Luis Olim, Adilson e João Guilherme).
Árbitro: Pedro Proença (Lisboa).
Acção disciplinar: cartão amarelo para Schaars (28), Olberdam (45), Izmailov (50), Anderson Polga (55), Roberto Sousa (71), Bojinov (77) e André Santos (79).
Logo vai ser assim, suor, empatia, comunhão, acerto.
"Then I guess I'll just begin again
You say can we still be friends"
Lista de convocados:
Guarda-redes: Rui Patrício e Marcelo;
Defesas: Daniel Carriço, Polga, Onyewu, Evaldo e João Pereira;
Médios: Schaars, Izmailov, Capel, Jeffren, Carrillo, Rinaudo, André Santos e André Martins;
Avançados: Bojinov, Wolfswinkel, Yannick, Postiga e Rubio
Com o fim da absurda greve dos árbitros terminou mais uma batalha do Sporting contra o sub-mundo do futebol português, com uma vitória em toda a linha do nosso clube. A guerra essa está longe de se poder considerar ganha e seguirá com certeza nos tempos mais próximos e cujos efeitos serão visíveis nos relvados e em todos os locais onde os interesses do Sporting estejam em causa.
Foi com uma saída pelas portas dos fundos e com o rabo entre as pernas que Luís Guilherme deu por encerrado o boicote. Tendo começado a falar grosso, exigindo desculpas públicas quando deveria ser a classe que representa a retratar-se, acabou por retirar-se mudo para os bastidores, meio onde se movimenta com maior à vontade, menor exposição e resultados mais profícuos.
Mas não são só os árbitros e os seus representantes que saem chamuscados de um incêndio sem qualquer justificação, a não ser para os Neros que pululam pelo futebol português. Em todo este processo nunca se ouviu a voz de um clube que se solidarizasse, o presidente da Liga preferiu a actuação discreta evitando a condenação pública mais que obrigatória por quem tem obrigação de proteger a indústria, e até a imprensa especializada, que vive do fenómeno, preferiu a desinformação ao rigor. O texto de Luís Sobral, do MaisFutebol, será um exemplo que fica para o futuro do quão rasteiro e primário se pode produzir a troco não se sabe muito bem de quê. E atente-se na capa do Record dos dias que antecederam os dias do jogo com o Beira-Mar e o silêncio sobre o assunto que vê na sua primeira página de hoje. Só "ABola" faz hoje referência ao facto no canto superior direito da sua capa.
Valha a verdade que para ter a certeza da justeza da luta encetada contra afronta de João Ferreira, e sobretudo dos motivos obscuros que a fomentaram não precisávamos do apoio de terceiros. Nem o Sporting pode ficar à espera que tal aconteça. O que era contudo inesperado é que o Sporting recebesse a preciosa ajuda de Pinto da Costa e do seu lacaio madeirense Rui Alves. Ao declararem-se a favor dos árbitros mais não fazem do que confirmar que o Sporting está do lado justo da questão.
Tenho todo o respeito pelas instituições desportivas que são os nossos rivais e por muitos dos seus adeptos, com quem tenho relações de amizade que muito me orgulham. Mas sem bem quem é quem no futebol português e por isso muito me agrada que o mesmo que o ano passado se referia a nós como "os seus amiguinhos" hoje se declare sem perceber qual é a nossa estratégia. Pinto da Costa não gosta de futebol gosta apenas de si em primeiro lugar e depois do clube que preside. Por tudo aquilo que já fez ao futebol português e em particular ao Sporting, só podemos estar em lados opostos. Assim ao afirmar, com evidente agaste, que "“até há um mês, os responsáveis do Sporting diziam que não falavam de arbitragem. Agora só eles é que falam. Não compreendo a estratégia.” Pinto da Costa presta-nos um pequeno mas significativo favor.
Ah, e depois da choradeira de ontem aqueles que continuamente desrespeitam o Sporting a última coisa que nos podem chamar é calimeros... Para esses lembro o que dizia um célebre arquitecto, aguentem...
Finalmente o Insua parece vir resolver uma lacuna que dura desde que o Rui Jorge saiu do plantel do SCP. Mesmo contabilizando o Rodrigo Tello que, como se sabe, foi adaptado ao lugar. A verdade é que se deixou fugir o chileno e, desde então, só apanhamos com cromos caros na lateral canhota. Oxalá o 15.º reforço de 2011/12 consiga impor-se na titularidade. Seria bom sinal.
Lázio, Zurique e um ignoto Vaslui foram-nos atirados ao caminho pelo sorteio da UEFA. Uma equipa difícil e duas acessíveis é a minha interpretação pessoal do que nos coube em sorte. Faltando ainda conhecer o ordenamento dos jogos, não espero outra coisa que não seja o apuramento do Sporting para os 16 avos de final da competição.O calendário também não é propriamente desfavorável:
Assim, deslocamo-nos à Suiça entre a quinta e a sexta jornada ( Rio Ave fora, Setúbal casa) recebemos a Lázio antes da deslocação a Guimarães, na sétima jornada, evita-se uma deslocação tardia à Roménia, que ocorrerá entre a nona e a décima jornada (Feirense fora, Leiria em casa), tendo já jogado em casa com os romenos antes de receber o Gil Vicente na oitava jornada. A recepção ao Zurich far-se-à depois do derby dos derbys da décima-primeira jornada. O último jogo de apuramento, em casa dos italianos ocorrerá depois da recepção ao Nacional.
Ainda na Europa os leitores mais atentos ainda se lembrarão do que aqui escrevi quando dando conta que o a apresentação do novo treinador do FCP poderia significar uma clarificação para o futebol português. Era obviamente uma brincadeira mas, a avaliar pelo que se vê no AS, talvez não seja tanto assim. Cliquem na imagem para ampliar:
Vitimas da nossa performance desportiva que esperamos ver melhorar já neste domingo mas, agora com maior clarividência perante todos, vítimas de um vil e cobarde ataque por parte de um determinado sector da arbitragem que entende ter mais força que o Sporting Clube de Portugal!
Há mais de dez anos que vêm brincando e “gozando” com o clube e com os sportinguistas, coadjuvados com a tradicional postura institucional expressa no "somos diferentes".
Esqueceram-se, porém, dos quatro milhões de adeptos do Sporting Clube de Portugal...da força e do contributo deste clube centenário no desenvolvimento desportivo do país. Da importância deste clube na vida desportiva de cada português. Na luta que todos os sportinguistas se revêem e acreditam na prossecução da verdade desportiva, da isenção, da competência e responsabilização.
Equivocaram-se quando não contemplaram a realidade dos quatro milhões de adeptos do Sporting Clube de Portugal serem igualmente consumidores de diversos produtos e serviços no seu quotidiano.Produtos e serviços, que alguns patrocinadores da Liga oferecem...
É importante a clareza de solidariedade entre todos os sportinguistas este momento crucial. A capacidade de reacção e pró-actividade de cada sportinguista colocada ao serviço do clube, de forma aglutinadora e sentida.
Nesta luta pela verdade que colocará de cócoras, não o Sporting Clube de Portugal, mas todos aqueles que têm, e tiveram, a veleidade de nos afrontar.
O tempo do leão adormecido...JÁ ERA!
O tempo do conformismo em Alvalade...JÁ ERA!
O tempo de respeitar quem não nos respeita, em Alvalade...JÁ ERA!
O tempo da vida facilitada em Alvalade para árbitros e adversários...JÁ ERA!
O tempo das cadeiras vazias em Alvalade...Já ERA!
Este Domingo tem uma cadeira à sua espera em Alvalade! Solidarize-se apoiando a equipa e corra para ocupar o seu lugar no Estádio!
Se perder muito tempo...Já ERA!
Sporting SEMPRE!
Antes da análise breve ao jogo permitam-me uma nota pessoal. Voltei a ver um jogo do Sporting com o nervosismo de outros tempos e ao contrário dos últimos anos, em que me sentava no sofá meio resignado com o que o jogo desse. E esse nervosismo deve-se ao facto de acreditar nesta equipa e por perceber que as incidências dos jogos anteriores iriam condicionar a actuação nesta partida.
Dificilmente encontraremos uma partida que fique tão bem condensada no que sucedeu nos primeiros dez minutos de jogo. Domínio sufocante da parte do Sporting, pontuado por deficiente capacidade de concretização mas que começa com um descuido que tornaria a tarefa obrigatória de passar a eliminatória num suplicio. Foi assim que seria disputado praticamente todo o jogo, acabando o resultado por ser injusto face ao volume e à qualidade de jogo produzido.
Não posso terminar sem mencionar os grandes derrotados da noite, os profissionais do assobio que estiveram em Alvalade. Infelizmente todas as famílias têm os seus elementos menos dotados intelectualmente e o Sporting não é excepção. Se se entende que Dajló é mau acham que assobiando ele joga melhor? E logo hoje que foi dos avançados mais produtivos? O mesmo serve para os que assobiaram Patrício nas reposições de bola. Só quem tem uma visão redutora do futebol pensa que o pontapé de baliza é apenas para mandar a bola para frente.
Apesar de a produção ter melhorado muito não se pense que os dias de cão ficaram para trás. Quem vos diz isto é alguém que acredita no valor desta equipa. Domingo há mais.
Em frente Sporting!
Ficha do jogo:
Jogo no Estádio José Alvalade, em Lisboa.
Sporting – Nordsjaelland, 2-1.
Ao intervalo: 0-0.
Marcadores:
1-0, André Santos, 77 minutos.
2-0, Evaldo, 82.
2-1, Andreas Laudrup, 90+3.
Equipas:
- Sporting: Rui Patrício, João Pereira, Anderson Polga, Daniel Carriço, Evaldo, André Santos, Schaars (Rinaudo, 70), Izmailov (Carrillo, 85), Yannick (Bojinov, 62), Hélder Postiga e Diego Capel.
(Suplentes: Marcelo Boeck, Onyewu, Bojinov, Van Wolfswinkel, Carrillo, Rinaudo e Diego Rubio).
Uma das características que torna o futebol numa das modalidades desportivas mais apreciadas pelo mundo inteiro é a sua imprevisibilidade. Estatisticamente as melhores equipas ganham mais vezes às piores mas, de quando em vez, as surpresas acontecem.
Logo, quando o Sporting disputar com o Nordsjaelland o acesso à fase de grupos da Liga Europa,apenas não será surpresa a normal a qualificação do nosso clube. Mas mesmo esta, que estou confiante que irá ocorrer, poderá ser recheada de acontecimentos inesperados. Desde a qualificação fácil, pontuada com vários golos, até à decisão nos últimos momentos da eliminatória. Por isso é bom que, quem for a Alvalade se prepare para qualquer eventualidade. Inclusive a de uma boa exibição do Sporting. Hoje são precisos corações fortes e quem não puder ajudar pelo menos que não atrapalhe.
P.S.- As recentes afirmações de Rui Alves podem permitem perceber melhor que tipo de forças se alinham para a disputa do lugar mais apetecido do futebol português. E tendo ele o que disse só confirma, se preciso fosse, que o Sporting está do lado bom da questão.
Não deu em nada a reunião patrocinada pela Liga e que juntou à mesma mesa o presidente da APAF, Luís Guilherme e o presidente do Sporting, Luís Godinho Lopes. E dificilmente poderia dar algum resultado, a não ser que o Sporting se submetesse a uma exigência sem sentido de quem o chantageou, como seria a apresentação de um pedido de desculpas.
Sabíamos que o futebol português em muitas matérias e em alguns episódios rivaliza com o que há de melhor na ficção mas este caso passou todas as marcas. Os árbitros tomaram uma decisão injusta, precipitada e ilegal e agora, para corrigirem o acto, exigem a quem prejudicaram uma reparação pública. Tendo em conta o que a classe representa para a história do Sporting das últimas 4 décadas isto seria mais ou menos o mesmo que uma organização mafiosa exigisse um pedido de desculpas a uma sociedade que se declarasse farta de ser continuamente flagelada. Com a agravante de nem sequer darem indicações de contrição ou de intenção de interromper a actividade.
Este comportamento da classe seria sempre altamente censurável, fosse praticado por quem fosse, mas é agravado pela peculiaridade das funções em que os árbitros são investidos. São-lhes conferidos poderes excepcionais que exigem igualmente comportamentos exemplares, distantes do vulgar adepto ou dirigente do futebol. Ao invés, no futebol português, confundem-se os polícias e os juízes com os ladrões.
Não foi por acaso que o único que tenha falado até agora após a reunião tenha sido o representante dos árbitros. E também não é surpreendente que, tendo falado, tenha piado mais fininho do que anteriormente, mantendo, no entanto, o tom surreal do seu discurso. Exige Luís Guilherme que “que o Sporting reconheça que não há premeditação nem má fé por parte dos árbitros”. Ora o que tresanda deste caso precisamente, com todos os seus contornos, é que os árbitros premeditaram e concertaram uma actuação de má fé, pensando que sairiam impunes porque o clube era o Sporting.
Pouco interessa agora saber se tudo isto se insere numa luta pelo poder que em breve irá ser distribuído por força das eleições federativas, que ocorrerão em breve. Quem quer ver as águas do futebol português despoluídas tem neste caso surreal uma soberana oportunidade para o conseguir. E para tal nem precisa de construir uma dispendiosa depuradora. À força de tanta impunidade são os excrementos que dão à tona da água, desmascarando-se. Como se preciso fosse… (vide casos Guímaro, Calheiros, Apito Dourado, e o presente...)
Falta apenas em tudo isto perceber como é que o Sporting quer jogar os trunfos que sempre teve e os que agora lhe saíram do baralho. Não é a hora de subtilezas. É altura de jogar todas as cartas. Não falta no acervo de sócios e adeptos do Sporting nomes com peso social e institucional capazes de dar visibilidade a esta luta que é justa e que devia ser de todas as pessoas de bem, que não apenas dos Sportinguistas. A nós, que o somos, só nos acrescem as responsabilidades.
Prosseguiu ontem, com a reunião marcada de urgência pela APAF em Leiria, a mais recente novela do futebol português em que o Sporting se viu envolvido, sem direito a opção ou sequer um simples casting. Para os que estão menos atentos aos episódios anteriores recomendo a leitura dos posts anteriores sobre o assunto: "O caso João Ferreira ou quando as máscaras caem" e a "Hora de soltar o Leão! Ou porque o Sporting está mais forte".
As noticias mais recentes indicam que não há unanimidade no seio da arbitragem, o que permite entrever um raio de bom senso no seio de uma classe que, ao longo das últimas 4 décadas, se tem portado como simples marionetas nas mãos de quem detém o poder, arruinando por muitos anos a sua própria credibilidade. Que ninguém tenha dúvidas: terá que passar pelo menos uma geração de gente com carácter e impoluta para que o comum dos adeptos aceite sem suspeição os erros inevitáveis dos homens do apito e das bandeirinhas. E como essa renovação ainda não começou a era da suspeição está para lavar e durar e branquear…
Continuando com o que nos dizem hoje os média, a Liga procurará intermediar uma solução para o impasse em que João Ferreira e a sua associação de classe nos mergulharam. A associação de clubes parte, no entanto, fragilizada na sua posição de mediadora deste conflito que, convém lembrar uma vez, é unilateral. Para essa fragilidade concorre a divulgação pública da comunicação feita pelo presidente Fernando Gomes a recomendar maior contenção verbal aos clubes, num nítido tomar partido pela causa dos árbitros e contra aqueles que devia defender. Passaram apenas 2 jornadas e as decisões tomadas em campo, revelando critérios à medida de uns e contra outros, inquinam já a verdade desportiva. Perante o acto injustificado de João Ferreira o mínimo exigível era a condenação pública e não um comunicado pífio. A falta de solidariedade dos restantes clubes – ninguém tomou posição pública, revelando solidariedade, certamente com medo de represálias, mesmo sabendo – diz bem da luta difícil que o Sporting tem que empreender.
Como sócio do Sporting revejo-me num Sporting disponível para se sentar à mesa visando esclarecer a sua posição mas intransigente porque nada tem a negociar. O Sporting tem o direito de achar, pelo histórico, que os árbitros são incompetentes e se os árbitros não gostam que arbitrem melhor, ao invés de se portarem como virgens ofendidas. E quem salta de cama em cama, encostando-se a quem lhes pode favorecer, como têm feito os árbitros ao longo dos anos, não pode vir agora reivindicar tal estatuto. Essa convicção de incompetência é até insuficiente face ao que representa o sentir de uma enorme maioria dos adeptos, seja de que clube for. Essa censura pública é que deveria afligir os árbitros e que funciona como uma nódoa gordurosa e feia nas camisolas que vestem.
Dito isto espero não só que o Sporting não recue um milímetro, mesmo que tenha que venha a sofrer retaliações, como se prepare para uma luta que será sem quartel mas tem que ser feita, e só peca por tardia. Chega de desrespeito por uma das instituições desportivas incontornáveis neste País. E nem a nossa menor produção futebolística nos deve tolher porque aquela não pode ser dissociada do que aconteceu logo na primeira jornada e o que vem acontecendo nos campos onde jogam os nossos adversários, onde a vergonha continua. Nesse sentido só posso ter como ingénuas o contentamento geral pela arbitragem de Fernando Martins em Aveiro. Não só o processo que conduziu à sua selecção é mais do que dúbio, assim como também, e perdoando algumas minudências, as decisões tomadas durante o jogo não revelaram os mesmos critérios que beneficiaram alguns concorrentes. Basta ver o lance do Hulk, nas Antas e o de Wolfswinkel em Aveiro.
Custa-me ter que me referir assim a um sócio cinquentenário mas Vitor Pereira, peça incontornável em todo este processo, tem-se portado como uma marioneta. Na sua condição de Sportinguista que, ao que julgo saber, foi proposto pelo seu progenitor, o que lhe pedíamos era isenção. Tão só. Ao invés, o que lhe temos visto é o papel de homem de mão de interesses que não só colidem como são hostis aos do nosso clube. A sua posição face ao sucedido é um contraste gritante como o que fez num passado recente. O apoio público a João Ferreira é não só contra o bom senso como contra o direito, com muito bem lembra Manuel Meirim. Sei bem que o Sporting surge aqui como peão de brega na disputa pelo poder que as próximas eleições representam no futebol português. Fechar os olhos à humilhação a que nos querem sujeitar é renunciar ao compromisso mínimo que qualquer adepto, mesmo que muito distante, não pode prescindir. Como presidente do Conselho de Arbitragem demitiu-se já ao descartar o problema para a Federação.
Não termino sem tocar dois pontos sensíveis.
Saúdo o regresso de Dias da Cunha à luta, ele que bem sabe do que estamos a falar, parafraseando Octávio. Mas achei infeliz a referência a Nolito, porque para além de não concordar com o essencial, não esqueço que, com mesmo critério que o espanhol beneficiou, Postiga já teria um golo e, sobretudo, não estaríamos nem na mesma posição na tabela classificativa e sobretudo tão pressionados.
Por outro lado lamento os timings de Bruno de Carvalho, assim como também as suas declarações. Não que não ache pertinente a análise ao fundo recentemente criado e que não lhe reconheça o direito a pronunciar-se sobre o clube, como sócio que é. Mas lamento que pouco ou nada tenha a dizer sobre a questão candente da arbitragem, quando o seu clube está sobre um ataque inédito e cerrado, ficando-se por um anémico "Não me parece caso para tanto alarido, para boicotes ou para reuniões sobre o assunto, (…)". Um erro de perspectiva pensar que se pode ficar pelo acento tónico na gestão de Godinho Lopes, retirando dividendos do mau momento desportivo e esquecer-se de sair a terreiro contra quem ataca o Sporting. Na devida altura alguém se encarregará de lhe lembrar...
Em anexo segue o comunicado da A.A.S., que pode ler, clicando em cima das imagens: