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| (Foto ESTELA SILVA/LUSA) |
Não se pense pelo título que vou incorrer no mesmo erro que cometi após o jogo com a Juventus quando pensei que o bom futebol estava de regresso a Alvalade. Como ainda ontem se viu, isso só acontece a espaços e no restante tempo depressa regressamos ao passado do qual queremos fugir a sete pés. Os sinais são contraditórios porque se parece haver razões para ter esperança numa subida sustentada percebe-se que caminhamos numa linha muito ténue que mal nos separa do sucesso e do fracasso. Foi assim ontem como já havia sido em Paços de Ferreira. A diferença para os jogos iniciais da Liga é que agora conseguimos os resultados mercê da subida da eficácia em frente à baliza adversária.
Eficácia essa que está longe de se verificar quando chamados a defender. Há quem julgue, como muitas vezes ouvi ontem na bancadas, que o problema está na qualidade individual dos nossos centrais, eu continuo a pensar que o problema está na forma como a equipa defende. Um problema colectivo, que vem sendo sucessivamente muito bem explicado pelo PB, no Lateral Esquerdo,
hoje e
aqui e
aqui. De uma forma sintética, e para lá das referidas explicações e das comparações que se possam fazer, é óbvio que os centrais do Sporting estão muito mais expostos que os seus congéneres nos rivais e por isso, naturalmente, errarão mais. Provavelmente Luisão, Garay, Rolando e Otamendi também sentiriam muitos problemas em travar o jogo ontem em Vila do Conde se jogassem de verde e branco. Já Maicon e Jardel têm demonstrado que, mesmo protegidos, falham em demasia.
Mas então porquê que o Sporting está de volta, perguntarão?
O Sporting está de volta ao campeonato, mercê do único resultado que ontem lhe era conveniente. Cumprindo a obrigação de ganhar em casa, a próxima jornada encurtará mais as distâncias para os que seguem à sua frente. Mas os últimos jogos, apesar terem sido 3 vitórias, deixaram um relance daquilo que será provavelmente toda a presente época. Para nós do céu pouco mais há a esperar do que chuva, todo o resto vai ter que ser arduamente conquistado, esgravatado, subido a pulso.
Está de volta uma legião de adeptos que se havia afastado, apesar de as coisas nem estarem a correr muito bem. Sinal de que há esperança em dias melhores. Esse é um aspecto fundamental e indispensável para um futuro melhor. Ontem, apesar da hora e do dia, o estádio dos Arcos teve um número de adeptos Sportinguistas que há muitos anos não se via. Falta transformar o relvado de Alvalade num local indesejado e temido para os adversários, ao contrário do que vem sucedendo (5 pontos perdidos em 7). A responsabilidade não é apenas da equipa e não foi por acaso que Domingos disse o que disse ontem.
O Sporting está de volta aos golos de canto, e logo 2 no mesmo jogo. Um pormenor digno de registo, uma espécie de regresso a uma normalidade tão ansiada, tendo em conta a importância que devem ter numa equipa com as nossas pretensões os lances deste género.
Tendo estado em Vila do Conde deixo as restantes impressões pessoais que parecem pertinentes:
Dificilmente o Sporting ganhará muitos jogos com Capel e Carrillo defrontando equipas mais fortes (Braga, Guimarães e os rivais, por exemplo), pelo menos actuando como o fizeram ontem. Ambos participam muito pouco, e muitas vezes mal, nas tarefas defensivas o que contribui para uma inferioridade numérica crónica, sobrecarregando os restantes elementos, dificultando-lhes as tarefas. Carrillo é até um jogador interessante mas que tem ainda um longo caminho a percorrer. Capel, apesar de ter participado de forma decisiva no jogo, pareceu-me acusar algum desgaste. Vai revelando aqui e ali que já percebeu que baixar a cabeça e correr com a bola é capaz de não ser a melhor opção.
Não me espanta o jogo inseguro de Patrício. Parece-me ser ainda cedo para proclamar um mau momento, tendo em conta que não falhou nos jogos anteriores. Mas depois de ter visto o que sucedeu em Paços de Ferreira (foi insultado toda a 2ª parte por vários adeptos pendurados na vedação, encostados a ele e no fim saiu directo para o balneário. Ontem, no final do jogo não passou do meio campo) não me espanta a insegurança, parecendo estar a atingir o seu limite. Isto não explica o 1º golo que resulta de um erro de posicionamento e o deixa mal na fotografia.
Teria preferido Polga a Oneyewu - continuo a pensar que os defesas devem ser avaliados primeiro pelo que defendem - mas a verdade é que o americano acabaria por fazer o que o brasileiro poucas vezes fez: marcar um golo decisivo. De condenado a salvador foi uma viagem curta e agora já poucos se lembrarão de dizer que é um jogador lento. Estou certo que continuará a revelar dificuldades em travar jogadores que lhe apareçam lançados mas isso nada tem a ver com a sua velocidade ou falta dela. Esse é sempre será o problema de todos os centrais. Esse tipo de problemas evitam-se antes e no meio-campo, depois são muito difíceis de solucionar.
Não acho que Pereirinha, outra na linha de tiro, tenha feito um mau jogo embora tenho entrado mal, ficando ligado ao 2º golo. A questão parece-me estar ligado ao momento escolhido por Domingos para entrar. A substituição fazia já sentido ao intervalo mas o treinador optou pela entrada após o golo e num momento que o Rio Ave criava problemas precisamente sobre o lado direito, revelando Pereirinha dificuldades em entrar no ritmo de jogo. Nitidamente afectado após o golo (ficou de cabeça baixa e ombros caídos) foi conseguindo recompor-se paulatinamente.
Não seria nunca muito fácil para Pereirinha ou outro integrar-se ao lado de João Pereira que vem revelando enormes dificuldades quer a defender quer a atacar, embora não se lhe possa atacar o empenhamento. É um dos que só pode melhorar.
Rinaudo tem sido fundamental nos últimos jogos no que diz respeito à recuperação da bola e quando e se conseguir o mesmo a pô-la a jogar será jogador para ficar pouco tempo no Sporting.
Pode-se avaliar um avançado recorrendo aos mais variados parâmetros mas quando ele marca em todos os jogos em que participa e ainda por cima golos decisivos who cares, não é Van Wolfswinkel?
Houve um árbitro na primeira parte e outro na segunda, embora o nome fosse exactamente o mesmo. A dada altura cheguei a temer o pior mas no final fiquei na dúvida se teria havido algo de intencional ou apenas falta de categoria.