terça-feira, 25 de outubro de 2011

Rescaldo de uma vitória retumbante

Quem leu o meu artigo, ontem, onde fazia o lançamento do jogo e teve a sorte de o ver acabará por descobrir uma das razões pelas quais eu nunca acertei no euromilhões. De facto falhei na minha previsão de inclusão do Onyewu – supus que Carriço voltasse ao banco – acontecendo o mesmo relativamente a Matias, mas ao contrário, porque o chileno acabou por jogar de inicio. Mas o que o futebol tem de aleatório e até caótico no relvado, tornando-o imprevisível, não o deveria ser no momento de montar a equipa e o jogo de ontem até aos 58m acabou por me conceder alguma razão, embora não explique a exibição descolorida até então.

O problema Matias
Sempre me pareceu tempo perdido recorrer a adaptações que não resultem de força maior. Foi o caso ontem do chileno. No final do jogo fiquei com a impressão que perdeu ele, porque joga limitado, sem poder expressar o seu futebol em plenitude, e perdeu a equipa ao ter uma unidade constrangida. Assim, ao invés de termos El Crá, teremos em Matias um problema, o que é uma pena. 

O Sporting tem para aquela posição 3 jogadores que asseguram qualidade e que nos põe a salvo de lesões e oscilações de forma. Carrillo, Pereirinha e Jeffren. Neste momento, por esta ordem, mas que pode ser revertida ou invertida. Sobre Carrillo falarei mais adiante. Jeffren, antes de começar a época, tinha-o na lista das 3 melhores aquisições do Sporting, a par de Capel e Schaars, e não vejo razões para o retirar de lá, para já, o balanço far-se-á no final da época.

O(s) problema(s)  Rinaudo
O argentino tem 3 questões para resolver, nem todas dependentes dele, e que o transformam numa das fragilidades da equipa. Começo pela questão disciplinar. Já deu para perceber os Capelas deste mundo o têm debaixo de olho, como se viu pelo amarelo ridículo de ontem. 

Mas se Rinaudo pouco poderá fazer face aos homens de negro, sem abdicar do estilo que lhe é próprio mas que não é desleal para os adversários, pode melhorar e muito no capitulo técnico, sobretudo no que diz respeito à qualidade do passe. Talvez isso passasse mais despercebido numa equipa pequena como a do Gimnásia de La Plata, que passava grande parte do tempo a tentar recuperar a bola. Mas numa equipa grande como a do Sporting, em que a tarefa de construir é tão importante, essa fragilidade fica demasiado exposta, em particular quando os jogos teimam em não correr bem, como foi o caso de ontem. E se os problemas se vão resolvendo naturalmente com adversários menos exigentes como o de ontem, com oponentes mais fortes dificilmente ficaremos a salvo de amarguras. Um problema que ele poderá solucionar com tempo até porque é um bom jogador, indiscutivelmente. 

E aí já estamos a falar do terceiro problema, que é a falta de alternativa especifica no plantel, embora haja “quem faça o lugar”, o que não é a mesma coisa, como vimos no caso do Matias. Seria uma prioridade para mim na reabertura do mercado, procurando um elemento de características semelhantes às de Fernando ou Xavi Garcia dos rivais, melhorando com isso o apoio à defesa no jogo aéreo.

O que é o cansaço e o ritmo de jogo?
A dada altura do jogo,  face à participação abaixo do esperado de Elias, Rinaudo e Ínsua, perguntava-me se o problema não podia ser o cansaço – os jogadores fartaram-se de viajar mas pouco jogaram nas últimas 3 semanas – se podiam então ser a falta de ritmo. Uma questão interessante a que não consigo responder, até porque me escapam dados essenciais para uma avaliação correcta, e que estão apenas ao alcance de quem acompanha o plantel de perto. Mas, no final do jogo, não evitei concluir que os 3 estiveram uns bons furos abaixo do que estavam antes da paragem do campeonato e que não me pareceu apenas resultantes das circunstâncias do próprio jogo.

Perda de tempo?
Domingos preferiu, a dada altura do jogo, meter toda a tracção à frente, talvez para conceder um justo prémio a Rúbio e Bojinov pela aplicação paciente e também para permitir a consagração de Capel, ontem o melhor nos piores momento. Prescindiu assim de treinar em competição alternativas ao 4x3x3, perdendo assim uma oportunidade de fazer crescer a equipa, pelo menos assim o interpretei a dada altura. E Domingos, ao reconhecer que ainda podemos ser mais fortes reconhece margem de crescimento e necessidade de trabalho, que a vitória não ofusca, o que é um bom sinal que vem do treinador.

Mas o futebol não se esgota no treino e na táctica e o Sporting de hoje é um bom exemplo disso. A importância de factores abstractos e aleatórios  como a confiança colectiva não podem nem devem ser desprezados e os nossos adversários terão isso em conta, mais ainda depois de ontem. Nesse sentido o jogo de ontem foi precioso. Quantas vezes, no passado recente, com o crescer do adversário, como aconteceu ontem a partir dos 30m de jogo, a nossa equipa deslizava e soçobrava?

Sporting recorre ao melhor doping
Uma equipa crente nas suas possibilidades é uma equipa temível porque recorre ao melhor dos doping´s que ainda por cima é legal: a confiança. Nesse estado não há fatalismos, nem dificuldades que atemorizem. A imagem perfeita desse estado é mais óbvia em Capel, que agora até marca de cabeça e a dobrar. 

Mas é Carrillo é o melhor espelho dessa realidade, mas cuja força não parece esgotar-se apenas no momento colectivo da equipa. Ela parece advir de algo que lhe é inato e é evidente quando parte directo ao adversário e, onde muitos vêm uma parede ele parece ver uma mera referência no caminho da baliza. Tem a autoconfiança dos grandes craques, tem técnica e velocidade e pode tornar-se num caso sério mas ainda não o é. Está  entre o que pode vir a ser - um craque – e o que hoje é – uma promessa – o  que devemos exigir dele no imediato.

O Sporting acabou por ganhar de forma retumbante, mas nem sempre foi retumbante, há que reconhecê-lo. Sendo uma vitória de justiça incontestável, é também anormal, dentro da anormalidade que é verem-se 6 golos em cerca de 30 minutos. Mas é um importante subsídio para as maiores dificuldades que se avizinham, fazendo do Sporting uma equipa com que se tem de contar e do clube um nome incontornável nas primeiras dos jornais.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Auto da Alma

Hoje em Alvalade o Sporting debateu-se entre o mal e o bem e saiu vencedor. Numa primeira parte revisitamos algo do velho e hesitante Sporting. Na segunda metade, e depois de um começo titubeante, arrancou para uma goleada à moda antiga, trazendo de volta as memórias das grandes vitórias e do velho e vibrante Alvalade. 

Apesar de o jogo merecer várias considerações, em particular algumas das opções de Domingos, um resultado como o de hoje merece acima de tudo a celebração da vitória. Há muita qualidade individual, muita gente a chamar à atenção e a pedir oportunidades e a  alma desta equipa já deve começar a suscitar muitas preocupações. Mas não em Alvalade...


Ficha do jogo:

Jogo no Estádio José de Alvalade, em Lisboa.

Sporting - Gil Vicente, 6-1.

Ao intervalo: 1-0.

Marcadores:

1-0, Daniel Carriço, 7 minutos.

2-0, Wolfswinkel, 58.

3-0, Capel, 62.

4-0, Capel, 65.

4-1, Roberto, 75.

5-1, Bojinov, 79.

6-1, Bojinov, 90+2.

Equipas:

- Sporting: Rui Patrício, João Pereira, Daniel Carriço, Polga, Insua, Elias, Rinaudo (Diego Rúbio, 70), Schaars, Matias Fernandez (Carrilo, 63), Capel (Bojinov, 74) e Wolfswinkel.

(Suplentes: Marcelo, Onyewu, Evaldo, Bojinov, Carrilo, André Santos e Diego Rúbio)

- Gil Vicente: Adriano, Éder, Halisson, Sandro, Júnior Caiçara, Richard, Pedro Moreira (Guilherme, 29), Luís Manuel, Sidnei, Luís Carlos (Yero, 82) e Laionel (Roberto, 53).

(Suplentes: Jorge Batista, Daniel, Yero, Paulo Lima, Mauro, Roberto e Guilherme)

Árbitro: João Capela (Lisboa).

Acção disciplinar: cartão amarelo a Pedro Moreira (25), Rinaudo (36), Luís Carlos (37) e Halisson (58).

Assistência: 30.103 espectadores.

Manter os sorrisos em Alvalade

O que esperar do jogo de logo, na recepção ao Gil Vicente? Tudo menos facilidades. O histórico diz que, nos 14 jogos que o adversário disputou para o campeonato em Alvalade apenas conseguiu pontuar 2 vezes (1 empate e uma vitória “estranha” por 0-3). Mas isso é apenas o passado e esse não sobe ao relvado logo à noite. A equipa de Paulo Alves seguramente que chegará a Alvalade com a mesma disposição com recebeu o SLB e se deslocou ao estádio do FCP, nas primeiras 2 jornadas desta liga, e se revelou uma equipa organizada e incapaz de se conformar sem lutar põe um resultado melhor.

Respeito q.b. pelo adversário e o resto por conta da equipa. Muito se tem falado da compatibilidade de Matias e Elias, por força da preponderância do chileno nas últimas vitórias do Sporting (Famalicão e Vaslui) e pela consistência exibicional do internacional brasileiro e da sua multi-funcionalidade. Se Domingos mantiver o 4x3x3, o que deve acontecer, não creio que os dois venham a coexistir na mesma equipa, uma vez que Matias perde para Pereirinha e Carrillo como interior direito. Se a marcha do marcador impuser um resultado desfavorável é então provável que Domingos retire um médio de características mais defensivas (Schaars) e coloque Matias nas costas de Wolfswinkel. É muito improvável que o faça logo de inicio. Onyewu e Ínsua devem regressar à titularidade. Apesar da hora e dia impróprios espera-se que em Alvalade se avistem leões em número muito próximo ou até superior a 30 mil.

P.S.- Apesar da chuva não se esperam nem Regos de caudal favorável ou que sejam necessário um Machado, Cosme, para cortar a direito para a vitória.

Convocados:
Rui Patrício; João Pereira, Oniewu, Polga e Insua; Elias, Rinaudo e Schaars; Carrillo, Van Wolfswinkel e Capel,Marcelo Boeck, Carriço, Evaldo, Matias, Bruno Pereirinha, André Santos, Bojinov e Rubio.
 

sábado, 22 de outubro de 2011

Luis é Duque, Vice-rei ou...?

A equipa do Sporting vive um momento feliz e essa felicidade contagia os adeptos. Quando assim é as matérias que não tenham a ver com performance futebolística tendem a cair no desinteresse, o que não é o mesmo que dizer que sejam desprovidas de importância. É o caso das eleições para a FPF, onde se vai jogar muita da "sorte" (deveria reforçar as aspas?...) do futebol português e com ela a do Sporting em particular. O interesse residual que esta matéria possa suscitar nas actuais circunstâncias do clube é ainda por cima esmagado pelo jogo de estratégia subterrâneo e cujos reais contornos nos escapam, como adeptos que somos do futebol que se joga apenas nos relvados e que se treina durante a semana.

O futebol é uma caixinha de surpresas como soe dizer-se, mas no caso das eleições da FPF e para o Sporting em particular tudo se tem conjugado para que o cliché seja ultrapassado e quase sempre em tom nefasto para os interesses do clube. Sem peso suficiente para fazer vingar um candidatura verdadeiramente regeneradora para o futebol nacional, o Sporting viu-se encostado à parede pelo súbito apetite de um ex-presidente seu pela cadeira de Gilberto Madaíl. A fractura que já se julgava exposta acabou por não acontecer por Filipe Soares Franco cedo ter percebido que não iria longe, o que talvez possa ter sido um julgamento algo precipitado em função do apoio dos clubes da Liga a Fernando Gomes. Apoio esse que é mais fátuo do que propriamente um facto, como adiante se verá.

O que quase ninguém esperaria era que nascesse no interior dos corpos sociais do Sporting e ainda por cima no braço direito do presidente do clube um enxerto apócrifo e ainda por cima colado à APAF de Luís Guilherme e ao discurso padreca do abjecto presidente da AFPorto. É assim que eu vejo o "apoio pessoal" de Luís Duque a Carlos Marta, que é a confirmação de uma conduta reiteradamente dissonante do homem forte do futebol leonino. Começou por ser assim quando se ameaçou demitir, continuou ao demarcar-se das criticas mais do que justas do presidente Godinho Lopes à arbitragem e assim permanece agora ao aparecer de mão dada com inimigos declarados e como tal identificados há muito pela generalidade dos adeptos sportinguistas, que se revêem mais nas posições de Godinho Lopes e agora assumidas por Dias da Cunha.

São difíceis  de entender as posições de Luís Duque e elas constituem um óbvio incómodo para a nação leonina. E tanto pior quando elas vêm de alguém identificado como o "ponto de Arquimedes" do nosso futebol. Luís Duque é, sem margem para dúvidas, a ponte que nos coloca no continente do futebol nacional, em particular das suas catacumbas, sem o qual o Sporting volta a ser uma ilha frequentemente ignorada nos respectivos mapas de interesses.  

O Sporting precisa de estabilidade para o que resta da época e para os anos vindouros para que o seu PREC (processo de reconstrução em curso) possa ter continuidade e apresente os resultados que todos almejamos e merecemos. Melhor do que ninguém Luís Duque saberá o que está a fazer, mas sem que a as suas acções sejam entendidas pelo grosso dos adeptos, estas investem contra o próprio clube e são o adubo para a desestabilização interna e  externa, como em breve se verá nas crónicas dos "opinion makers" que nem dele precisam para nos torpedear.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Signed, sealed & delivered - Sporting apurado!

Um Sporting terrivelmente eficaz - 3 jogos, 3 vitórias, 6 golos marcados e apenas 1 sofrido - apurou-se hoje para a fase eliminatória da Liga Europa prolongando assim o estado de graça e distribuindo a felicidade pelos adeptos, que bem precisavam e mereciam.

Mais do que as apreciações técnico-tácticas que se possam (e devam) fazer sobre o jogo gostava de destacar o paulatino exorcismo de alguns fantasmas que nos assolavam:

- É possível ter consistência defensiva com a defesa de "outros tempos". Pode-se dizer que o adversário não era suficientemente exigente para um teste a sério. Contraponho lembrando que este mesmo adversário empatou em Roma, ante a Lázio que segue nos lugares da frente em Itália e que anteriormente não era preciso adversários de grande gabarito para apanhar grandes sustos e por vezes desgostos em Alvalade. Como hoje se pode ver o Sporting procura defender muito antes da bola chegar aos seus sectores recuados e essa é uma tarefa de todos, tornando a vida mais fácil aos 5 jogadores mais recuados.

- Paulatinamente a equipa sente-se em casa em Alvalade, como sempre devia ter sido. A ligação dos adeptos com a equipa é evidente e os jogadores são os principais beneficiados. Ao que percebi até Pereirinha foi aplaudido quando deu o lugar a Carrillo. Este é o ambiente propicio para o aparecimento de novos jogadores como André Martins, que entram sem a pressão de ter que resolver os jogos.

- Matias foi um dos melhores, talvez o homem do jogo ao dar e marcar os golos, todos de nota artística elevada. Sem deslumbrar a tempo inteiro, deixou espalhado no relvado muito do perfume do seu futebol e pareceu estar à altura de poder cumprir aquilo que promete há muito.

- Wolfswinkel não marcou e o Sporting ganhou. Obviamente que gostaria que tivesse marcado para poder continuar  a sua senda goleadora. Por outro lado é sempre bom quando uma equipa não depende de um homem só.

- Capel é um caso série de popularidade e empatia com os adeptose que está muito para lá da relação estrita do que produz em campo.. Já o havia referido aqui que isso é algo que o espanhol sabe cultivar e que lhe rende dividendos. O que também deve acontecer com o Sporting, assim o perceba quem cuida do marketing.

- Se pudesse transformava esta série de vitórias numa "never ending story". Com os horizontes dos sportinguistas carregados agruras e incertezas, tal como de uma grande parte dos portugueses, as alegrias a verde e branco ganham ainda maior relevância. Hoje tive pena que o jogo acabasse tão cedo...

Ficha do jogo:

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O regresso de Gladstone a Alvalade

É ingrata a missão a levar a cabo pelo Sporting no próximo jogo da Liga Europa, com o Vaslui. Pelo estatuto de cada um dos clubes envolvidos “resta” ao Sporting ganhar o jogo já que empatar ou perder não deixaria de amarrotar o prestigio do clube. Isto em teoria porque, como bem sabemos, nos dias de hoje nem os grandes tubarões do vasto oceano futebolístico mundial estão a salvo de surpresas desagradáveis.

Face ao que muito que se desconhece do adversário de amanhã, mas pelo que já conseguiu na competição – o empate em Roma permite especular que seja uma equipa bem organizada defensivamente - e aliviado de qualquer pressão, como é normal em qualquer outsider, prevejo um jogo bastante disputado e de pouca diferença no marcador. A merecer a quem puder a deslocação ao estádio.

Este jogo será marcado por alguns regressos. Desde logo o regresso de Gladstone e da dupla Polga/Carriço face às limitações de Onyewu e Rodriguez. O brasileiro que joga agora no Vaslui não deixou saudades. Polga e Carriço fizeram a travessia do deserto depreciando o seu valor, de forma irreversível para alguns sectores das bancadas de Alvalade. À conta disso Tiago Ilori viu-se impossibilitado de dar o seu contributo à equipa de Sá Pinto, na NextGen series, que lhe seria mais vantajoso do que ficar a ver o jogo no banco. A aventura sul-americana de Rodriguez apresenta agora a sua factura.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Soltas: Respeito


Passámos anos e anos a defender o nosso clube e a lutar contra aquilo a que Dias da Cunha apelidou de "sistema" e com esta garra ficámos famosos como sendo os adeptos mais fiéis de Portugal. Assim, foi natural o descontentamento da massa adepta quanto a resignação e celebração por atingir "segundos lugares" e qualificações para a Liga dos Campeões.

Ser do Sporting é mais do que comemorar resultados e metas, passa por uma forma de estar e de encarar as situações com abnegação e vontade de lutar por mais e melhor, algo que há largos anos parece ter desaparecido.

Enquanto se falava do 4-4-2, do médio coxo ou dos remates ao poste, N situações atropelaram os valores do Sporting e a imagem foi denegrida e o nosso orgulho foi ferido. Agora, além de metermos respeito (e talvez medo) no relvado, parece que finalmente metemos respeito (uma vez mais) no dia-a-dia:

José Cardinal
O auxiliar de arbitragem circense viu finalmente conhecidas as suas artes de palhaço tendo sido classificado com uma das piores notas dos últimos anos.

João Ferreira e Paulo Baptista
Depois de se terem recusado a arbitrar o jogo do Sporting - agora já dizem que não - parece que lhes foi instaurado um processo disciplinar pelo que se aguardam as cenas dos próximos episódios.

Selecção Nacional
O seleccionador nacional conhece bem o relvado do nosso estádio mas também deve conhecer o estilo de jogo das suas equipas. Face ao que tem sido apresentado ao longo dos anos, parece que as desculpas e pretextos continuam a imperar.


EM FRENTE SPORTING!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Apontamentos do jogo da Taça de Portugal

O Sporting realizou uma exibição fraquinha em Famalicão, tal como aqui escrevi a propósito. Jogo esse que foi marcado por um número infindável na preparação antes e durante o jogo e cujas consequências estão ainda por apurar relativamente ao futuro próximo, isto é, para o jogo de quinta-feira com o Vaslui e na recepção ao Gil Vicente. Não deslumbrando o Sporting vai cumprindo as obrigações.

Muitas têm sido as lesões, nem todas de natureza muscular, mas estas já em número suficiente para se analisar se existe uma relação de causa e efeito ou se trata de episódios sem ligação entre eles. Não me recordo do registo das ocorrências dos dois anos passados por Domingos em Braga, elemento que seria fundamental para poder falar com alguma segurança num assunto tão sensível como este.

Ainda relativamente ao jogo de Famalicão há alguns apontamentos adicionais:

Boa prestação de Marcelo Boeck. Atitude correcta, mantendo a concentração desde o apito inicial do árbitro, acabando por ter intervenções decisivas. É isso que se pede a um suplente que tem ambições de ser mais do que apenas isso.

João Pereira vive um momento pouco produtivo, apesar de nunca deixar de se empenhar no jogo. Pouco discernimento, em particular no último toque, deitando por água a baixo todo o esforço que lhe dá fazer tanta piscina pelo corredor direito.

Foi uma solução de recurso mas pode muito bem vir a ser a futura etapa na carreira de Evaldo. Falo da sua adaptação a central, função que me parece poder vir a desempenhar com mais acerto do que a de lateral, particularmente quando chamado a atacar.

Continuamos todos à espera de um grande jogo de Matias, coisa que acontecerá mais facilmente em jogos de maior acerto colectivo e quando o chileno tiver mais jogo nas pernas.

Capel deve ser dos jogadores que mais participa no jogo, tendo já contribuído com um golo importante e diversas assistências. Essa participação nem sempre reverte em favor da equipa ou com influência no resultado final. A despeito disso é indiscutível que é um jogador que caiu no goto dos adeptos e que sabe também cultivar essa relação.

Por último Wolfswinkel. A dúvida maior agora prende-se em saber por quanto tempo poderá o ponta-de-lança manter os actuais níveis de eficácia. Seria excelente para o Sporting mas apenas para limite temporal da presente época porque não seria possível mantê-lo, o que não deixaria de significar uma perda. O holandês vive um momento fantástico, em que tudo o que toca dá golo, esta é altura também de, como adeptos desfrutarmos.

P.S- O que se diria hoje do Sporting e do seu departamento de futebol se tivéssemos apenas inscrito nas competições europeias um ponta-de-lança, apesar de dispormos de mais um elemento no plantel.

sábado, 15 de outubro de 2011

Taça com pouco brilho

Confesso a minha decepção pelas opções iniciais de Domingos. Decepção por não ver satisfeita a minha curiosidade em relação a Árias e eventualmente Rúbio e por não conseguir perceber o que ganhou com a colocação de Ínsua à frente de Evaldo. Parece-me isso sim que perdeu 45m com o Sporting a jogar amputado de um dos braços, mais precisamente o esquerdo.

Perante um adversário bem organizado defensivamente a produção ofensiva do Sporting resumiu-se às arrancadas de Capel do lado direito, apesar do maior perigo ter acontecido num remate à barra de André Santos e uma cabeçada de Wolfswinkel, defendida pelo guarda-redes. Matias nunca conseguiu ser o elo de ligação com a frente, conseguindo participar no jogo apenas em zonas muito recuadas do terreno, sem grande relevância, portanto.

A entrada de Pereirinha na segunda parte pretendeu devolver o tal braço direito amputado, o que só resultou depois de um penalty convertido por Wolfswinkel. Até aí o jogo continuou a passar por Capel, já postado do lado esquerdo, e quase sempre arredada das zonas centrais, muito longe do ponta-de-lança e da baliza famalicense.

Apesar da vantagem então conseguida e depressa ampliada novamente pelo holandês, após centro de código postal de Pereirinha, o jogo prosseguiu sem grande qualidade, mesmo após o Famalicão ter perdido 2 jogadores por expulsão. A equipa espraiou-se no relvado controlando o jogo sem se preocupar com a ampliação do resultado.

Uma palavra de simpatia para o adversário, que em tempos já ombreou connosco na mesma divisão, e que jogou sempre com grande galhardia.

Ficha de jogo
Famalicão, 0
Sporting, 2

Jogo no Estádio Municipal 22 de Junho, em Famalicão.
Assistência Cerca de 7.000 espectadores.

Famalicão Rui Forte, Luís Miguel, Hugo Matos, Pedro Silva, Talocha, Palheiras (João Dias, 81’), Jorginho, Flávio Igor, Gomis, André Claro (Jorge Miguel, 86’), Diop (Nelson, 67’).

Sporting Marcelo Boeck, João Pereira, Onyewu (Pereirinha, 46’), Carriço (Rodriguez, 46’), Evaldo, André Santos, Schaars, Insua, Matías Fernandez, Diego Capel (Rubio, 75’), Wolfswinkel.

Árbitro Artur Soares Dias, do Porto.
Amarelos Talocha (29’ e 83’), Diego Capel (44’), Jorginho (53’ e 64’), Palheiras (61’), Marcelo (73’), Hugo Matos (74’) e Alberto Rodríguez (81’).
Vermelhos Jorginho (64’) e Talocha (83’).

Golos 0-1, por Wolfswinkel (g.p.), aos 62’; 0-2, por Wolfswinkel, aos 67’.

A saga Djaló

O Correio da Manhã dá hoje conta do interesse do FCPorto no ex-jogador do Sporting Yanick Djaló. A noticia em si não pode ser considerada uma grande surpresa se tivermos em conta que ela tem origem no pressuposto de o jogador é um agente livre, isto é, não tendo nenhum contrato que o vincule a nenhum clube pode, a qualquer momento, assinar por qualquer clube. Há no entanto que ter em conta também a fonte da noticia, o Correio da Manhã que, tendo em conta as vezes que a realidade o desmente, oferece aos seus leitores uma confiança de nível próximo do zero.

Não me surpreenderia o interesse do FCPorto no jogador, tendo em conta o valor deste e o plantel dos azuis e brancos. Já no SLBenfica o cenário seria muito diferente, mas não seria de todo improvável. Djaló saiu desgastado (e provavelmente agastado...) do Sporting mas, para quem conseguir fazer uma análise despida de preconceitos, deixou uma imagem de um jogador que pode fazer mais do que fez até aqui. "Basta" para isso que consiga interromper a irregularidade das suas exibições, tornando-se mais vezes no Yanick que jogou contra o Everton e FCPorto com Carvalhal, ou com o Paulo Bento nos 5-3 contra o SLB do que em muitos dos outros jogos. Isso depende em grande parte dele e de um projecto estável e vencedor que, saliente-se, nunca encontrou em Alvalade.

Voltando ao inicio, não me parece contudo líquido que Djaló possa vir a ser a breve trecho jogador livre. Vejamos:

O jogador assinou um contrato de trabalho com o Nice, que, salvo algum clausulado especifico e inédito no género, ou especificidades da lei francesa não relacionavam a sua validade com a inscrição na Federação Francesa de Futebol.

A responsabilidade dessa inscrição é do clube francês, a menos que o atraso verificado possa ser imputado ao Sporting, o que não me parece ser o caso. 

Por outro lado o clube francês comprometeu-se com o Sporting a pagar uma determinada verba pela aquisição do jogador pelo que o Sporting tem, naturalmente, que exigir o que ambas as partes assinaram de livre vontade. Não vejo como o Sporting possa ficar de "mãos a abanar".

Não me parece que o jogador tenha já nenhum vinculo laboral com o Sporting, o que coincide com a posição oficial do clube. Posso até entender essa posição como a necessária para o Sporting fazer valer os seus direitos na transferência com o Nice. Mas não partilho da atitude mais comum vista na generalidade da blogosfera em relação ao jogador, como é óbvio. 

Djaló tem, com as suas qualidades e defeitos, 10 anos de ligação ao Sporting. Não há muitos profissionais no universo Sporting com a sua idade que possam exibir igual estatuto. A forma como tratamos os que são ou os que já foram nossos diz muito daquilo que somos e perpassa de forma transversal a todos os que servem o clube.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Sportinguistas: quantos somos? Quantos queremos ser?

No passado fim-de-semana o presidente do Sporting, Godinho Lopes, anunciou como objectivo a expansão do número de sócios para 200 mil, clarificando que, neste momento, esse número ultrapassa os 93 mil, de um universo estimado de mais de 3 milhões de Sportinguistas.

Este é um tema que merece provavelmente uma reflexão mais profunda do que a que agora vou levar a efeito. Deixo apenas alguns pontos para discussão.

1- É indiscutível que esta direcção virou a agulha relativamente à rota seguida em anos anteriores no que ao relacionamento com os sócios e adeptos diz respeito, numa tentativa de inverter uma degradação mais do que evidente e que era agravada pelos maus resultados desportivos nas modalidades mais representativas. Essa conjunção de factores negativos asfixiava o clube, definhando-o.

2- É correcto que se estabeleçam objectivos concretos e ambiciosos mas sem os desligar da realidade. O número "200 mil" parece-me realista (explico mais abaixo) mas também me parece, para que a adesão às campanhas resulte, ser necessário estabelecer etapas também concretas. Não me parece prudente, mais ainda na actual conjuntura, falarmos em 200 mil sem termos chegado aos 100 mil e sem passarmos os 150 mil. 

3- Num universo estimado de mais de 3 milhões de adeptos parece-me realista mas também muito ambicioso estabelecer como possível "capturar" pelo menos 10% do seu total como sócios do clube. Mas isso significa também fazer o que nunca foi feito por nenhum clube em Portugal, inclusive o SLB, que é tido como maioritário nas preferências dos portugueses.

4- Mas o exemplo do ACP, de quem o nosso vice para a área, Carlos Barbosa, é presidente, leva a crer que a meta dos 200 mil é perfeitamente possível. O ACP conseguiu, mercê de uma campanha de parcerias que revertem em benefícios e vantagens dos associados aos mais diversos níveis, atingir os 250 mil associados. A ligação dos associados ao ACP é desprovida da emoção que liga os adeptos do Sporting ao seu clube pelo que é mais do que razoável esperar que a conjunção da relação vantagens/amor ao clube poder potenciar uma adesão pelo menos idêntica em número.

5- Têm a palavra os muitos adeptos que ainda não são associados. Quem deseja um clube grande, com peso institucional e implantação social não pode ficar indiferente às campanhas que se seguirão.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Ver a selecção a pensar no Sporting

A selecção teve ontem uma prestação abaixo do esperado e do que lhe é exigido, julgo que esse é um ponto onde todas as análises feitas confluirão. Como em nenhum momento consigo despir a minha pele de leão não deixei de ver ontem, mais uma vez, a selecção enquanto pensava no meu Sporting. Deixo algumas dessas considerações avulsas para reflexão.

1- Com um colectivo fraco e mal orientado não há individualidades que se destaquem. O jogo de ontem fez-me lembrar um Sporting recente em que todos os jogadores produziam muito menos do que estava ao seu alcance, desvalorizando-se. O talento individual pode minimizar os estragos, como aconteceu com o golão de Ronaldo, mas pode pouco quando o adversário está melhor organizado. Ao invés, quando o colectivo falha ressaltam de forma mais óbvia as fragilidades dos menos habilitados. Rolando ontem quase me dava saudades do Gladstone…

2- É no mínimo estranho que para adversários tão díspares como a Islândia e a Dinamarca Paulo Bento usasse a mesma equipa e a mesma estratégia. E também foi estranho que, com o jogo a correr tão mal tivesse esperado 65 minutos para tentar mudar alguma coisa, e nada tivesse conseguido com isso. A fazer lembrar os seus piores dias em Alvalade…

3- Não deixo de me interrogar que relação poderá haver entre a menor produção da selecção e o “caso Carvalho”. Este tipo de acontecimentos dificilmente não deixam feridas abertas ou pelo menos cicatrizes. Casos com jogadores acontecem em todos os plantéis. O que este tem de excepcional é por ter acontecido com um jogador até aí considerado modelo. Mas acontece sobretudo porque os dirigentes da FPF pura e simplesmente não existiram. A turbulência dificilmente produz bons resultados, como bem sabemos no Sporting.

4- Olhando para as prestações dos nossos jogadores Patrício foi o único que esteve ao seu nível e João Pereira afundou-se com os restantes, revelando no primeiro golo as mesmas deficiências defensivas que aqui e acolá vai exibindo no Sporting.

5- Enquanto a selecção se perdia no reino da Dinamarca na capital madrilena Coentrão e Pepe já treinavam desde o fim-de-semana, reabilitando-se de forma convenientemente rápida para os interesses do Real Madrid. Em sentido contrário Rodriguez fazia 2 jogos em 4 dias, depois de ter estado um par de semanas sem treinar e sem poder contribuir para a equipa do clube que lhe paga o ordenado. Ambas as situações deveriam merecer análise detalhada quer por parte de Paulo Bento quer de Domingos.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

E se prendessem o Hulk?

O facto mais relevante da noticia de que o Ministério Público deduziu acusações contra Hulk & Cia só pode ser o imenso tempo que mediou entre os factos ocorridos e a acusação propriamente dita. Isto porque as agressões foram dadas como provadas no processo que decorreu na justiça desportiva, ficando apenas a dúvida quanto ao estatuto dos agredidos, se deveriam ser considerados agentes desportivos ou público. Já é tempo de os jogadores e demais intervenientes no fenómeno desportivo se habituem à ideia que fora dos relvados são cidadãos como os demais e estão por isso sujeitos às mesmas leis que o comum dos mortais. Se o caso fosse em Inglaterra, por exemplo, há muito que estaria resolvido.

Como é evidente ninguém irá prender Hulk, Sapunaru ou outros envolvidos.  (i) Porque, não tendo antecedentes criminais e em caso de condenação, o máximo que os espera será uma multa ou pena suspensa ou (ii) em Portugal é pouco comum que cidadãos com este estatuto cumpram pena efectiva. Por outro lado penas exemplares para casos como este só me lembro da aplicada ao Sá Pinto.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A candidatura de Fernando Gomes e o Sporting

Soube-se este fim-de-semana que o Sporting decidiu dar o seu apoio à candidatura de Fernando Gomes à presidência da FPF. Sobre esse assunto partilho aqui algumas considerações.

Fica evidentemente que caiu por terra o entendimento entre SLB e o Sporting para apresentação de uma candidatura conjunta. Essa acaba por ser uma inevitabilidade face às movimentações na Liga e nas associações. Os clubes de Lisboa não tiveram força suficiente para criar um movimento com garantias mínimas de vencer. E não deixa de ser sintomático que a A.F. Lisboa, que devia seguir a tendência de voto dos clubes seus associados e ainda ande entretida em jogos florais.

É bom ter presente que a unanimidade do apoio dos clubes da Liga a Fernando Gomes pode ser apenas relativo à direcção da federação, faltando saber os que o suportarão nos outros órgãos como a AG, os órgãos disciplinares e a tão apetecida arbitragem. Será muito interessante verificar a aritmética dos resultados eleitorais para perceber quem andou a jogar em vários tabuleiros.

Filipe Soares retirou-se amargurado do processo eleitoral não escondendo o seu desagrado pela falta de apoio do Sporting ao demitir-se do cargo que ocupava na comissão de vencimentos da SAD. Quanto a mim recolheu os frutos da árvore que semeou ao tomar a decisão de se candidatar sem cuidar de saber qual era a estratégia do clube de que reivindicou apoio.

No meio de todo este labirinto de interesses o que pode ganhar o Sporting com este processo eleitoral? Mais do que ganhar o Sporting nada tem a perder porque isso já perdeu há muito tempo por se alhear ou ser incapaz de articular qualquer estratégia que aproximasse dos centros de decisão do futebol português. Por isso tudo o que vier agora será considerado ganho. 

Para já aparentemente não ganha nada porque dos nomes já anunciados pela candidatura de Fernando Gomes nenhum deles está ligado ao Sporting. O que em si não é mau nem bom, basta lembrar o que foi a presidência de Silva Resende na FPF, sportinguista reconhecido que não se opôs ao crescimento tentacular do submundo que hoje manobra o futebol português. Ou o que tem sido a gestão da arbitragem por parte de Vítor Pereira, ao que sabe sócio cinquentenário do Sporting mas cuja permanência no cargo deixa mais tranquilo Filipe Vieira do que Godinho Lopes

Poderia o Sporting manter-se à margem dos restantes clubes da Liga, ao género do “orgulhosamente só”? Evidentemente que sim, que essa poderia ser uma estratégia a seguir não vejo contudo o que poderia ganhar com isso que não possa ganhar apoiando Fernando Gomes. Isto porque, e fazendo fé nas palavras de Godinho Lopes, o que o Sporting quer "é que haja verdade desportiva, isenção no futebol, qualidade no espectáculo e tudo isso está espelhado naquilo que Fernando Gomes apresentou". Se Fernando Gomes e a sua equipa não conseguirem impor os objectivos a que se propuseram o Sporting não tem nem os pés nem braços atados e muito menos fica sem a língua…

Para o fim mas não menos importante, o Sporting deve temer Fernando Gomes, pelas suas origens? Daquilo que sei, por testemunhos indirectos, as motivações de Fernando Gomes são as melhores e a sua mudança para a FPF é uma consequência óbvia do esvaziamento de poderes da Liga, face à nova lei de bases. Sem poder não se fazem mudanças e o que Fernando Gomes se propôs fazer na Liga ficaria pelo caminho se permanecesse no cargo. Pior do que Fernando Gomes seria, para o futebol português a continuidade de Gilberto Madaíl e da sua gestão digna de Pôncio Pilatos, que perante os problemas se limitava a lavar as mãos. Mas a eleição de Fernando Gomes, que parece cada vez mais certa, não será a elixir para os vícios do futebol português  e que têm sido uma pesada âncora para um clube como o nosso, afogado em problemas internos, e por isso normalmente exangue para se opor aos males que saltam do lado de fora dos muros. Mais do que temer a eleição de Fernando Gomes o Sporting deve desconfiar sempre. Porque, como é óbvio, o trajecto por ele efectuado para chegar onde chegou nunca teria sido iniciado sem a prévia bênção papal. Falta saber quais as verdadeiras motivações, se por genuína vontade para reformar o futebol português, compreendendo que o actual estado é prejudicial a todos os seus agentes e interessados, se apenas para manter o status quo.

domingo, 9 de outubro de 2011

De volta






Chove lá fora e não me apetece sair para ir passear numa cidade que me agrada cada vez mais. A cada visita, há algo que me encanta, algo que me passou despercebido na primeira visita e que descubro numa segunda ou algo que já conheço e que me apetece revisitar. Sendo assim e de maneira a aproveitar estas duas pausas - a do campeonato e a dos passeios - achei por bem falar sobre algo que me apaixona desde que me conheço: o SCP.

E o que tenho para dizer é que concordo cada vez mais com o slogan adoptado para esta época: O SCP está de volta. Acredito que estejamos mesmo!

Numa época onde a revolução foi enorme, tendo como objectivo encurtar as distâncias para os maiores rivais, será demasiado pedir o título já. Realisticamente será esse o nosso pensamento mas secretamente, desejamos conquistar o Campeonato já este ano. Como sempre aliás.
Porque ao SCP nunca chegará fazer apenas bons campeonatos; época em que não sejamos campeões será sempre uma época que nos deixará um amargo de boca. O SCP existe para ganhar e não para se satisfazer com 2s lugares!!

Duas épocas horríveis: nunca esquecer para que nunca mais as repitamos!

É impossível passar ao lado de algo que me parece uma das várias faltas de respeito para com o SCP: a eventual perda do estatuto de "grande" do futebol Português.
Aqui abro um parêntesis para falar directamente acerca dos nossos rivais, apenas e só para enquadrar a questão. Não irei perder muito tempo com eles pois o que me interessa é o Sporting Clube de Portugal e não qualquer outro Clube.

Voltando então à perda de d estatuto de "grande" do futebol Português: Nunca tal foi equacionado para qualquer um deles. Antes das últimas duas miseráveis e desgastantes épocas, o slb esteve 4 anos seguidos sem passar do 3º lugar; o fcp no virar do século, esteve 3 anos seguidos sem se sagrar campeão e nada foi dito.
No entanto com o SCP, tudo é colocado em causa. É preciso que a nossa Direcção reaja de forma veemente e nunca deixe que a miserável CS que existe no nosso País, tenha sucesso quando atenta contra o nosso bom nome, estatuto, dignidade e História.
É ridículo, e isto aplica-se a qualquer um dos três "grandes", que nas próximas décadas algum deles perca o estatuto de "grande".
Porque esse estatuto foi alcançado devido aos títulos conquistados e feitos alcançados ao longo dos anos e não serão 2 épocas, por muito más que sejam, que o alterarão. Seriam precisas muito mais épocas e gerações, para que tal aconteça.

Porque a História não se apaga e a nossa é riquíssima, a todos os níveis e não apenas no futebol.

Plantel

Parece-me inegável que houve um aumento notório de qualidade no plantel da equipa profissional de futebol, o grande motor do Clube. Temos neste momento mais opções no plantel e saudáveis dores de cabeça para a equipa técnica. Finalmente temos banco, algo que nos tem faltado.

As boas indicações deixadas na pré-época não tiveram sequência no jogo de apresentação, jogo esse que foi um verdadeiro balde de água fria. Era compreensível o clima de optimismo e expectativa em relação aos novos jogadores e entre alguns Sportinguistas, havia inclusivamente sinais de alguma euforia.
Eis que chega o jogo de apresentação que tratou de colocar um travão na euforia e deixar alguns de nós de pé atrás. Em abono da verdade, convém referir que não jogámos contra uma equipa qualquer. O Valência fez um excelente jogo, é uma equipa que já se conhece muito melhor que a nossa e conta com bons jogadores como Soldado ou Piatti.
Só que como tantas vezes acontece no futebol Português, não se valorizou nem se reconheceu a qualidade da equipa espanhola e sua superioridade nesse jogo, focando-se apenas os pontos negativos do SCP. Mas o SCP não joga sozinho...mais, se havia altura para perder desta forma, esta era a altura.

Em relação ao jogo de apresentação, se por um lado houve jogadores que me deixaram preocupado com a possibilidade de serem um flop, houve outros que me agradaram apesar do pouco que foi possível observar, como casos do Rinaudo, Schaars, Carrillo e Wolfswinkel.

Com Rinaudo passámos finalmente a jogar com um trinco e não com alguém que pode fazer o lugar, algo que já não tínhamos há algum tempo. É fácil perceber porque é que Rinaudo já conquistou tantos de nós: além da sua qualidade, é um jogador que deixa tudo em campo.
Aproveito este aspecto para dizer que uma das coisas que mais me tem agradado nos jogos do SCP este ano, é a atitude demonstrada pela equipa.
Vejo uma equipa onde todos querem vencer, deixando tudo em campo e nunca baixando os braços, além de uma grande diferença: quando sofremos golo e/ou ficamos reduzidos a 10, não abanamos, não baixamos os braços; arreganhamos os dentes e partimos para a luta. Até ao momento, tem sido assim e espero que o consigamos fazer durante todo o campeonato.

Schaars tem um pé esquerdo fantástico, uma qualidade de passe e visão de jogo excelente. Além disso é um bom marcador de bolas paradas e está a revelar uma veia goleadora que aposto que até o próprio estará algo surpreendido.

Carrillo é fantasia. Fiquei com a sensação que teria uma qualidade técnica acima da média e apesar de ter sido remetido ao banco no início do campeonato, tem sido agradável constatar que pode vir a ser um caso sério nesta equipa, aproveitando a ausência de Jeffrén para marcar pontos na luta pelo lugar.
Tem ainda que crescer mas que diferença é jogar com a) extremos e b) extremos que saibam o que fazer à bola e que a saibam dominar e controlar em progressão e endossar a colegas com conta, peso e medida.

Apesar de não ter sido a 1ª opção de Domingos, algo estranho tendo em conta o investimento feito e o aproveitamento ridículo que Postiga teve em todas as épocas que passou no SCP, Wolfswinkel tem sido letal nos últimos jogos e verdadeiro homem-golo. Obrigado por teres saído, Postiga!
Não sou nenhum adivinho nem olheiro profissional mas do pouco que conhecia, parecia-me que o que poderíamos esperar dele seria eficácia e não grandes floreados. Mas também ninguém esperava grandes dribles do Jardel, não era?
Aposto que neste momento, com maiores ou menores dificuldades em dizer o seu nome, todos nós temos vibrado com os golos do Van Basten de Alvalade ;)


Capel e Elias são jogadores de grande qualidade que fizeram a diferença mal chegaram. O Futre espanhol estreeou-se a marcar em Guimarães e é neste momento o rei das assistências em Alvalade. Elias é um jogador de elevada qualidade técnica e só tenho pena que não o possamos utilizar na Liga Europa. Por outro lado, abre espaço à rotatividade no plantel.

O que me parece comum a todos eles é que desta vez, o SCP privilegiou a qualidade ao invés da bagatela. Investiu-se tendo em conta o médio prazo e de maneira a obtermos resultados desportivos e por conseguinte, financeiros com a possível venda dos passes. Algo tão elogiado noutros lados.
O mesmo aconteceu no que à equipa técnica diz respeito. É óbvio que qualquer escolha seria sempre uma melhoria em relação à anterior - o forcado não deixa saudades nenhumas - mas Domingos tem mostrado trabalho e pode ser, não o é já?, um dos nossos melhores reforços. Não teria sido a minha escolha mas estou contente com o seu desempenho e postura, até ao momento.

Portugueses

Outro aspecto que tem sido abordado insistentemente esta época, é o número de Portugueses com que o SCP alinha. O que para mim é uma falsa questão por dois motivos:

O primeiro prende-se com a qualidade dos jogadores. O principal, é que o SCP alinhe com 11 jogadores que possuam qualidade para envergar a nossa camisola.
Há uns tempos, um amigo de um amigo dizia que tinha saudades do tempo em que o SCP alinhava com uma maioria de jogadores Portugueses. Saudades?! Ainda o ano passado o fazíamos e eu não tenho saudades nenhumas dessa época ou da anterior. A qualidade não tem nacionalidade e não me parece, nem quero, que o SCP adopte uma postura semelhante à do Athletic Bilbao .
Se alinhamos com 11 portugueses, OK. Se são 10 portugueses + o melhor jogador chinês da actualidade, OK. Se forem 11 espanhóis, tudo bem!

O que eu quero, e o que acho que deveria ser o objectivo do SCP, é ter jogadores que quando chamados à equipa principal do SCP, tenham a qualidade exigida a um Clube com a nossa dimensão e que nos permitam, no fim da época, celebrar a conquista do título nacional.

Porque a falta de qualidade não tem nacionalidade, chamem-se eles Grimi, Koke ou Djaló.

O segundo motivo, é que não vejo por parte da CS - que se encontra muito preocupada com o SCP este ano - a mesma postura sobre este assunto, no que aos nossos rivais diz respeito.
Porquê? Onde é que está escrito que o SCP tem que alinhar com uma maioria de jogadores Portugueses e/ou fornecer 75, 80% dos jogadores convocados pelos Seleccionadores Nacionais? Tem por acaso o SCP, a responsabilidade exclusiva de formar jogadores para a Selecção Nacional? É que da última vez que vi, o nosso lema não era "Esforço, Dedicação, Devoção e Formar para a Selecção Nacional".
É um orgulho ter jogadores chamados à Selecção Nacional mas também gosto de ter jogadores chamados a Selecções como à da Holanda, Argentina ou Brasil.

Mas esta é uma problemática que não só não cabe apenas ao SCP resolver, uma vez que é uma questão que diz respeito a todos os Clubes, como não é o objectivo do post.

Balanço

Sendo assim, e para concluir que já vai longo, digo que o balanço é francamente positivo. Temos equipas, no campo e no banco, temos qualidade não só para formar o 11 como opções válidas no banco, temos jogadores que mostram vontade em ajudar o SCP e que consideram que o SCP foi um passo em frente na sua carreira e não o vêem como trampolim para outros vôos e estamos num bom momento de forma.
Apesra do calendário nos ser favorável, iniciámos o campeonato aos tropeções, por culpa própria mas também com "ajuda" externa - a nós não nos oferecem penalties em lances dúbios - sendo que o jogo em Paços marcou o início da reviravolta.
Encetámos uma recuperação notável e estamos apenas a 3 pontos da liderança, com vitórias importantes contra a Lazio e Guimarães, jogos onde acabámos reduzidos a 10.

Podemos não ser campeões mas ao contrário de épocas recentes, temos uma equipa que nos permite sonhar e que nos pode deixar orgulhosos. Deixei de ver o jogo quase como uma obrigação para voltar a apreciá-lo e a ansiar pelo próximo.



É... O SCP ESTÁ DE VOLTA!!!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Um caso: para onde quer ir Aguiar o Luís?

Desde o inicio que a relação de Luís Aguiar com o Sporting tem sido pautada por uma estranha turbulência. Após as bonitas palavras de ocasião, por altura da apresentação aos sócios tornou-se evidente o mau estado físico do atleta, facto mais que sabido no Uruguai, de onde provinha. Até aí nada de muito relevante, tendo em conta que uma pubalgia se cura em duas semanas, cirurgia incluída. O Sporting poderia ver na sua aquisição alguma importância, tendo em conta o trajecto paralelo, e por sinal o mais profícuo, que o atleta fez com Domingos. 

Mas após a operação, e quando estava obrigado ao silêncio, quanto mais não fosse por o Sporting o ter recebido e certamente melhorado as suas condições salariais nas circunstâncias em que se encontrava, o jogador uruguaio "faz" uma capa sensacionalista no Record, pondo em causa o departamento médico do Sporting e até Eduardo Barroso que, além de ser o cirurgião que o operou, é também presidente da AG do clube. Atitude essa em que agora reincide deixando na imprensa uruguaia a ideia que a medicina desportiva em Portugal e o departamento médico do  Sporting em particular se pratica ao nível da anedota que já nem se usa na mais reles tasca. É o que se depreende quando Aguiar diz que o operaram ao lado errado da pubalgia.

Eduardo Barroso já esclareceu o assunto pelo que, da parte que me toca, o que eu percebo desta embrulhada é que a cirurgia que Luís Aguiar precisa ainda não se pratica em Portugal nem em nenhum outro lugar do mundo: o povo, na sua sabedoria e simplicidade, diria que o uruguaio precisa é que lhe apertassem uns parafusos, o que, em medicina sabemos que ainda não é completamente possível.

Todos percebemos que Luís Aguiar não quer jogar no Sporting. Este caso revela essa disposição de forma inequívoca, deixando-o com pouco espaço entre os adeptos para fazer a viagem de regresso. Se as suas razões se firmam na saúde da esposa grávida ou porque constata que tem pouco espaço para a titularidade não sei. O que me parece é que é totalmente absurdo que se equacione a rescisão de contrato com o jogador, acabando, dessa forma, de premiar a sua má conduta.

Se já acho que é um precedente perigoso, salvo circunstâncias excepcionais, que assim deverão ser tratadas, que se atenda a todas as pretensões quando se invoca a saúde de familiares para a ausência temporária ou afastamento definitivo de jogadores, este desfecho seria abrir a porta a quem, pelas mais variadas razões, não quer cumprir o contrato que assinou, presume-se, de boa fé.

Por isso parece-me que se alguém tem uma bota para descalçar é o Luís, se ele quer ir Aguiar para outro lado que passe o cheque, ou arranje alguém que o faça por ele, indemnize o Sporting e vá à sua vidinha. E já agora que não se esqueçam, caso assim venha a suceder, de por uma cláusula penal que acautele o seu regresso a Portugal.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A propósito do Dia Multidesportivo.

Comemora hoje o Sporting Clube de Portugal, o grande SPORTING, o Dia Multidesportivo, no Multidesportivo Sporting, junto ao Estádio José Alvalade.
Boa iniciativa. Todas as iniciativas que sirvam para trazer os sócios e adeptos à sua casa serão sempre atitudes positivas. O Sporting precisa urgentemente de mostrar uma imagem ganhadora, uma imagem de juventude com futuro, uma imagem de entusiasmo que congregue os adeptos à volta do Clube e que atraia muitos outros para se juntarem a nós.

A equipa de futebol tem, com os seus últimos desempenhos, “agitado as massas”, e é um prazer ver a onda de entusiasmo que está a gerar, com assistências (então a norte…) que praticamente só nos lembramos nos anos em que fomos campeões. Os escalões de formação também vão cumprindo a sua missão, porém não têm a visibilidade, melhor, não lhe dão a visibilidade (vide, por exemplo a NextGen Series) que faça crescer o orgulho leonino e atrair mais adeptos ao Clube.

No respeitante às modalidades, futsal e andebol vão fazendo pela vida, tal como hóquei e ténis de mesa, embora estas com outro nível de notoriedade na comunicação social. Não querendo ser injusto, e posso estar a esquecer algumas, as restantes modalidades praticadas no Clube não têm qualquer relevo, muitas nem sequer qualquer notícia, na CS generalista, o que independente do valor dos seus atletas, que não se discute, não traz grande visibilidade ao Sporting, excepção talvez ao judo e, episodicamente, à natação.

Claro que não esqueci o atletismo. Antes pelo contrário, guardo para ele um espaço próprio. Quantos que hoje são Sportinguistas, não o são graças às vitórias de Carlos Lopes? As figuras de topo, os grandes olímpicos e vencedores internacionais, tornam-se ídolos de miúdos ainda sem as suas preferências clubisticas bem definidas, passando a ser do clube do seu ídolo.

E o que vemos nós no atletismo? No Clube do ecletismo e das grandes referências olímpicas (o Sporting) vão-se deixando sair, directa ou indirectamente, um a um, os grandes nomes e os possíveis futuros grandes ídolos para o grande rival.

Subliminarmente, vai-se dando a justificação: não há dinheiro! Eu pergunto: depois de perdermos o último CN de ar livre, teremos esperança de ganhar algum nos próximos 10?, 20? anos. Resposta de qualquer pessoa que acompanhe minimamente o atletismo: Não! Então faça-se prospecção, formação e acolha-se no Clube quem quer praticar atletismo, acabe-se com a equipa colectivamente, o atletismo é fundamentalmente um desporto individual, e aposte-se apenas nos 1ºs planos, e em quem tem possibilidades de vir a ser um nome grande, e deixemos os açambarcadores correrem sozinhos.

Compreendendo a dificuldade que é “ressuscitar” o ciclismo para trazer novos Agostinhos, não só por estar totalmente entregue a marcas comerciais, mas também pela sua exposição negativa no tocante a substâncias dopantes, não consigo compreender a ausência do Sporting em modalidades tão badaladas como o voleibol e o basquetebol, ou em grande expansão como o râguebi, uma modalidade que é das mais valiosas a nível de formação do carácter do indivíduo.

Claro que, inicialmente, todas estas modalidades teriam de ser sem custos acrescidos para o Clube, mas tudo o que seja trazer juventude para o Sporting é cada vez mais importante. Com tantos núcleos espalhados pelo país, não há gente capaz de agarrar uma destas modalidades e, começando por baixo, trazer de novo as camisolas verde brancas até à ribalta?

Depois deste arrazoado que mais não pretende que o Sporting, com os recursos que dispõe, grandes e ricos em valores humanos e parcos materialmente, continue a crescer e a engrandecer-se e ao desporto português, resta-me perguntar:

Para quando o Dia do Pavilhão?

Imagens retiradas do Tesouro Verde

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A primeira de Domingos



Muito mudou no futebol do Sporting desde Maio passado, aliás, muito mudou no Sporting Clube de Portugal, dirigentes, técnicos, atletas até os adeptos sendo as mesmas pessoas sentem-se renovados. Nesta imensa limpeza de balneário há sempre injustiças a serem feitas e todos os que entram têm sempre um período de graça para desfrutar.

De tudo o que ia acontecendo fui fazendo figas para que a opção do técnico não fosse outra do que Domingos, espero que definitivamente essa tónica esteja presente na mente de quem dirige os destinos do Sporting. A base de uma equipa não é a defesa, o meio campo, nem o ataque mas uma boa equipa técnica. Assim foi feito.

Os últimos jogos têm sido em crescendo mas existiram diferenças que mesmo quando os resultados ainda não apareciam eram notórias. O maior destaque o aproveitamento dos lances de bola parada, desde os lançamentos laterais até aos pontapés de baliza. Explorar a ausência de situação de fora de jogo nos lançamentos laterais, livres batidos de forma diversa mas estudada, aproveitamento dos cantos como situação de finalização. Quando o tempo fugia para dar algo mais de estrutural à equipa foram estas armas que Domingos utilizou.

Os dois últimos jogos foram excepcionais, no primeiro contra a Lazio ofereço todo o mérito da vitória aos jogadores. Não há treinador ou equipa técnica que ensine a Van Wolfswinkel a finalizar lances com aquele instinto, que dê aquela alma a Rinaudo ou dome o feitio de João Pereira. Aquilo que faz parte da sua função é ler as características dos seus jogadores, por outras palavras conhecer os seus super poderes e potenciar essas características em prol da equipa. No fim do jogo Domingos definiu mais uma vez bem aquilo que já aprendeu sobre o seu grupo de trabalho, esta equipa tem coração.

O jogo de Guimarães foi diferente, não foi o talento individual, a coragem ou o coração que venceu aquele jogo, foi o treino. Tudo correu mal em relação ao que tinha sido preparado durante a semana e foi preciso recorrer ao trabalho de sapa. Durante a segunda parte parecia que estávamos perante um treino táctico, o Sporting como à muito não via controlou na verdadeira acepção da palavra o jogo.

A equipa movia-se coesa como um bom aluno a responder consecutivamente a um teste de escolha múltipla. Subir a defesa até ao meio campo nos pontapés de baliza, provocando a recepção da bola longe da nossa área, rapidez de reacção à perda de bola, recuo de linhas, pressão sobre o portador da bola, equilíbrio rápido nas variações de flanco do adversário, manter a bola longe da área. Correr, reagir, descansar. O resultado foi a completa ausência de situações de finalização do adversário, mesmo com Nuno Assis a mostrar todo o seu talento o Sporting já tinha tudo o que podia surpreender estudado.

Parabéns Domingos, parabéns à tua equipa, esta última vitória foi vossa.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Há sempre um MAS nas vitórias do Sporting

Foto MaisFutebol
Viveu-se ontem em Guimarães uma jornada fantástica na senda da recolocação do Sporting no patamar que merece. Ninguém duvida que nada está ganho mas ninguém duvida também que o Sporting do passado recente teria soçobrado perante as dificuldades dos últimos jogos. Basta ter presente, por exemplo, o sucedido o ano passado frente ao Glasgow Rangers, e a forma como a equipa foi desacreditando em si própria até ao golo fatal para perceber que este é um Sporting diferente.

Mas um Sporting assim parece deixar muita gente incomodada. Não se sabe muito bem quem, porque no futebol português nada nem ninguém é o que parece. Não se sabe quem são os mandantes mas sabe-se quem são os executores. E para se chegar aos primeiros há que começar por estes. Falo obviamente do árbitros que, desde a primeira jornada e passando por um BOIcote absurdo, tudo tem feito para nos subjugar a uma "sorte" que rejeitamos. É impossível pensar de outra forma quando se acumulam erros atrás de erros, em todos os jogos, sempre contra nós, e que nos retiraram pontos suficientes para podermos estar na liderança do campeonato.

O Sporting não pode ficar impassível, quedo e mudo. Essa é a estratégia conveniente a quem tem algo a temer, o que não é nosso caso. E isso é fácil de perceber quando vemos quem se levanta para defender os árbitros, chamando-lhes heróis, ou que se calam convenientemente porque a água corre abundante para o seu moinho.

Se o Sporting oferece o seu silêncio em troca de uma qualquer estratégia subjacente à disputa de cadeiras que o processo eleitoral federativo representa parece-me que faz mal. E digo parece-me porque obviamente há muita coisa que me escapa para poder ser conclusivo. Pessoalmente pouco espero de Fernando Gomes e muito menos de Vitor Pereira e sus muchachos.  Todos têm um passado comprometido com os anos da fruta e das meias de leite, foram coniventes ou participantes activos processo que transformou o futebol português num local muito mal frequentado e onde a suspeição corroí. Não serão estes, com toda a certeza, que regenerarão o futebol português da mesma forma que nenhum tumor se extingue por si só.

Ontem correu bem em Guimarães porque os nossos atletas foram, mais uma vez, inexcedíveis e porque o adversário vive um processo de transição na orientação técnica que ainda não lhes permite usar de todo o seu potencial, e porque não houve nenhum lance fortuito, daqueles em que o futebol muitas vezes é fértil. Mas quantas vezes conseguiremos ganhar assim? E se fosse num jogo entre os nossos rivais? E, já agora, se o lance de Rinaudo fosse com um jogador desses dois clubes alguém acha que seria sancionado da mesma forma? 

Mas o que não nos mata torna-nos mais fortes. Se os "arranjinhos" dos jogos com o Olhanense, Marítimo (os mais óbvios) nos mataram os 3 pontos, ontem o melhor que foi conseguido com a expulsão de Rinaudo foi uma enorme manifestação de Paixão Leonina. Há muitos anos que não se via tanto leão (e leoas) em Guimarães e há muito tempo que não se via disto que o vídeo relata, sem precisar de comentários (peço desculpa pela qualidade da peça mas o momento não dava para muito mais). Não duvido que é por isto que têm medo deste Sporting:

domingo, 2 de outubro de 2011

WE TRUST... EVEN MORE!

Capel: aponta na direcção da vitória.
VITÓRIA DE GUIMARÃES, 0 - SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, 1


Começo a crónica por agradecer ao árbitro belga que expulsou o Ínsua no jogo de quinta-feira passada durante o encontro contra a Lazio para a segunda jornada da fase de grupos da Liga Europa. Sem esse treino de quarenta e poucos minutos seria difícil vencer hoje tanta ‘paixão’ adversária, durante quase o dobro do tempo (setenta e tal minutos) com menos cinco… É verdade, mais uma vez o SCP bateu-se contra duas equipas: o Vitória de Guimarães que em casa, teve muita vontade mas pouca qualidade para nos levar de vencida, assim um pouco à semelhança da outra equipa em compita, a APAF, com a diferença de que a qualidade desta última é infinitamente mais baixa que a dos esforçados vimaranenses, enquanto que a vontade de nos dobrar dura já desde Agosto e ameaça prolongar-se para lá de Maio de 2012. Nada a que não estejamos já calejados. Contemos com ela e preparemo-nos para vencer, contra tudo e contra todos.

Esta equipa do Sporting enche-nos de orgulho. Está dentro de campo para ganhar. Entra com a fixação em alcançar o golo depressa e o jogo de hoje é já o quarto onde consegue abrir o activo muito cedo. Desta vez Schars recupera uma bola a Freire, combina com Capel que veloz foge a todos, isola-se e marca com o seu melhor pé: o canhoto-maravilha! Hoje, mais uma vez os ‘leões’ foram bravos, corajosos, solidários e coesos. O SCP venceu e conquistou os três pontos com inteira justiça. Até aos 22 minutos, lance em que o moço de fretes resolveu mostrar ao que ia, o SCP não foi superior ao Vitória vimaranense, foi muito superior. Mesmo depois do lance da expulsão de Rinaudo, o SCP manteve-se como a equipa mais perigosa e ameaçou aumentar a diferença várias vezes. A situação inverteu-se nos últimos 10 minutos da primeira parte, onde a equipa da cidade-berço, intimidou a baliza de Rui Patrício, nomeadamente por Edgar, que num cabeceamento muito perigoso falhou o alvo por pouco. Seria esta a única situação eminente de golo criada pelos vimaranenses.

Na segunda parte, acentuou-se o domínio do Vitória, o SCP baixou o seu bloco, numa estratégia defensiva que Domingos trouxe do intervalo e que foi acentuando com o decorrer dos minutos. O Vitória insistiu muito, Nuno Assis mostrou que ainda pode ser muito influente, mas jogava desacompanhado. Na frente foram raros os momentos de inspiração e a defesa leonina mostrava-se mais uma vez intransponível e emPOLGAnte. Os ‘haters’ do Anderson vão ter que esperar… Para já a experiência, a serenidade, a omnipresença de Polga naquela defesa faz muita falta. O Vitória rematou de longe e mal e a estratégia de Domingos resultou numa segunda parte que só não foi mais descansada porque nunca sabemos o que o apaixonado escarlate podia sacar da cartola. Teve um lance para o fazer, numa simulação de Toscano dentro da área em lance disputado com João Pereira, mas a falta de vergonha não chegou a tanto…

O Sporting passa um teste duríssimo com distinção. Atacou e defendeu sempre com muito denodo e nunca os dez 'Leões' em campo viraram a cara à luta. No espaço de 3 dias jogaram em inferioridade numérica durante mais de 110 minutos e venceram! E convenceram! Temos Sporting e a APAF vai ter que levar connosco até ao fim.

Ficha de jogo
Estádio D. Afonso Henriques, em Guimarães.
Árbitro: bruno 'moço de fretes' paixão.

V. GUIMARÃES: Nilson; Alex, Freire (Barrientos, 35 m), João Paulo e Bruno Teles; Renan (Toscano, 71 m), El Adoua e Nuno Assis; Faouzi (Soudani, 45 m), Edgar e Maranhão.

Treinador: Rui Vitória.

Suplentes não utilizados: Douglas, NDiaye, Leonel Olímpio e Targino.
Acção disciplinar: cartão amarelo para Bruno Teles (39 m), Barrientos (41 m), Alex (42 m), Soudani (47 m), Nuno Assis (81 m) e João Paulo (82 m).

SPORTING: Rui Patrício; João Pereira, Onyewu, Anderson Polga e Insúa; Elias, Rinaudo e Schaars; Carrillo (André Santos, 45 m), Van Wolfswinkel (Daniel Carriço, 80 m) e Diego Capel (Evaldo, 57 m).

Treinador: Domingos Paciência.

Suplentes não utilizados: Marcelo, Matias Fernandez, Bojinov e Rubio.
Acção disciplinar: cartão amarelo para Evaldo (68 m), Schaars (74 m), Elias (81 m). Cartão vermelho para Rinaudo (22 m).

Golo: Capel (7 m)

WE TRUST...



Acreditar na vitória. Contra tudo e contra todos, até contra a 'desavergonhada' paixão do... bruno paixão.

É impressão minha ou hoje o tempo corre em super slow motion?...


"Better not stop,  better not stop, Sporting,
Better not stop,  better not stop, Sporting,
Better not stop,  better not stop, Sporting,
Better not stop,  better not stop, Sporting..."


PELO SPORTING, SEMPRE!

sábado, 1 de outubro de 2011

Contra a euforia marcar, marcar!

Domingos pronunciou-se ontem de forma curiosa sobre o momento do Sporting. Dizia ontem o nosso treinador:

"Ter um Sporting na crista da onda cria euforia e se há coisa que não queremos é euforia." Como sabemos a euforia em si mesma, (que é, grosso modo, uma sensação de bem-estar e de grande alegria) não é negativa, bem antes pelo contrário. E estando o Sporting numa espiral ascendente de resultados e exibições não é de crer que esse sentimento possa ser contido.

Não me parece que o que Domingos quer seja exactamente o fim da euforia nem dos bons resultados. O que certamente Domingos quer chamar à atenção é que, não sendo possível ganhar sempre, os adeptos percebam que, quando tal acontecer o mundo não acaba. Domingos conhece já o estado inverso à euforia, que é a depressão, e o seu potencial destruidor ou pelo menos desagregador no seio dos Sportinguistas e será por isso que deixa o alerta. Já no seio do grupo que lidera ser-lhe-à mais fácil controlar os ânimos e esperamos todos que o consiga.

Até porque o jogo de Guimarães será tudo menos fácil. Apesar do saldo positivo nos 66 jogos para o campeonato disputados até hoje (dados ZeroZero) a memória que retemos desses jogos são os resultados pela diferença mínima.
V. Guimarães em casaJogosPortugalV. GuimarãesEmpatesPortugalSporting
Total6613 (20%)19 (29%)34 (52%)


Será provavelmente um resultado desse género que ocorrerá amanhã e provavelmente um jogo de elevado nível emotivo até ao apito final. A vitória é o único resultado que nos interessa e que nos levaria ao intervalo que se avizinha no campeonato numa mais sólida para abordar os jogos mais dificeis que se avizinham até final do ano.

P.S.- Vale a pena expreitar o excelente trabalho que o não menos excelente profissional de fotografia Vasco Casquilho, grande Sportinguista, realizou em Alvalade por estes dias. Parabéns Vasco e obrigado.























































































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