A jaula do derby
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| A rede de Camp Nou |
Os adeptos do Sporting que acompanhem a equipa ao derby para apoiar a sua equipa ver-se-ão confrontados com uma novidade. Espera-os uma subida ao último andar do estádio do SLB onde serão confinados num espaço limitado por placares de acrílico laterais e uma rede frontal. O assunto não é propriamente novidade e vem sendo comentado há já algum tempo como "a jaula".
Para quem desde os 9 anos de idade se desloca para os diversos estádios deste País, onde adeptos dos diversos clubes compartilhavam as mesmas bancadas, à excepção das bancadas reservadas aos sócios, e já repugnava a excessiva conflitualidade que se vive nas bancadas, esta decisão representa uma escalada que inevitavelmente será objecto de medidas de retaliação idênticas por parte dos clubes rivais. Quem perde são os adeptos, obviamente. Pelo menos os adeptos comuns como eu. O argumento que tal já se faz em estádios pela Europa fora (Nou Camp ou no estádio do Villareal, onde as condições são animalescas) não devia colher. Isso equivaleria a validar que as nossas claques se podiam comportar como as gregas ou sérvias, por exemplo.
Mas sendo objectivo e tendo em conta a realidade e não o mundo desejável compreendo a decisão. Do ponto de vista do clube que recebe e que quer potenciar o factor casa esta é a primeira medida para anular ou tornar menos óbvio para a equipa visitante o apoio dos seus. Por isso, e como é óbvio, espero igual medida da parte do Sporting, embora na actual configuração tal se afigure de difícil execução e de investimento considerável. Se nos espera uma jaula na segunda volta ofereçamos-lhe uma gaiola, naturalmente.
A única bancada onde tal poderia ocorrer seria na B Norte, uma vez que a equivalente a sul está ocupada com a venda de Gamebox´s low-cost. O problema é que, em qualquer das duas as claques adversárias ficariam acantonadas por cima de uma das claques o que, convenhamos, fura os protocolos de segurança e coloca uma das claques em posição pouco vantajosa, mesmo considerando a colocação de redes e acrílicos. A hipótese de oferecer algum espaço central é obviamente absurda.
Sei de algum tempo que esta é uma matéria que há algum tempo preocupa a direcção, em particular o vice para a área, Paulo Pereira Cristóvão que, diga-se, tem estado a desempenhar as suas funções com particular acerto. Veja-se que hoje que ninguém fala da relva e a simples mudança do amarelo para o verde nas escadarias do estádio deu ar muito mais sportinguista ao estádio. Pena é que a actual conjuntura possa inviabilizar algumas das ideias que tinha para a reorganização do estádio, visando uma utilização dos espaços mais racional e rentável para o clube.
Mas voltando atrás e ao que espera os adeptos do clube há pouco a fazer, o que não quer dizer que não haja nada e que o que se possa fazer não seja importante.
Em primeiro lugar competirá à direcção do Sporting, a quem cabe a defesa dos seus, acautelar se as obras efectuadas pelo SLB foram vistoriadas e licenciadas por quem de direito e se observam as normas de segurança e de bem estar a quem vai pagar um bilhete para assistir a um espectáculo. Como parte interessada julgo que se deveria ter feito representar na vistoria hoje efectuada na Luz.
Em segundo e para aqueles que se deslocaram no apoio à equipa a consciência que, estando mais longe, vão ter que gritar mais alto. Tudo o resto é folclore. É pelo menos assim que encaro os apelos velados ou óbvios a desacatos ou comportamentos menos próprios. Nós somos o Sporting e respondemos no relvado.





















