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NOTA: Na sequência do meu post sobre o jogo de ontem, ao aperceber-me das diferenças que separavam a minha análise da do Tiago, ( amigo de muitas conversas sobre a paixão que temos em comum, o Sporting), lancei-lhe o repto de realizar o seu comentário em forma de post. A sua visão, face ao que se passou ontem, é menos pessimista que a minha e por isso, e porque o Sporting também precisa muito de esperança, me parece ser útil lê-la e, se assim calhar, comentá-la.
Aqui fica: (a negrito estão excertos do que aqui foi ontem escrito por mim)
"Triste, muito triste o que se passou esta noite em Alvalade. De equívoco
em equívoco Sá Pinto conduziu a equipa para um labirinto de onde não
conseguiu sair. O Sporting tem alternado o mau com o sofrível nos jogos
oficiais e isso deve-se sobretudo ao demérito próprio do que ao mérito
do adversário."
Nao me parece que a responsabilidade seja toda do Sá Pinto,
pelo contrário. A ideia de jogo na primeira parecia clara. Faltou a meu
ver a execuçao dos últimos passes e mais movimento. Na segunda parte, o
cúmulo de erros da primeira, a pressao acrescida pelo resultado e pelas
expectativas dos adeptos e a falta de referências no meio levaram a
mudar a ideia para a busca incessante do Ricky através dos cruzamentos
(ponto fraco do Oblak). O Ricky tinha que marcar porque, afinal, está em
jejum e sob grande ansiedade, pois, e sem um conjunto experiente a
construir para ir basculando jogo, este ficou nas alas e num jogo
directo cada vez mais ineficiente. A meu ver, mais por dificuldade em
gerir as opçoes a partir do intervalo e sobretudo por falta de controlo
dos jogadores do que dae falta de uma ideia, de capacidade do treinador
ou do jogador.
Peças mal colocadas e estáticas, completamente entregues aos defesas do
Rio Ave, que devem ter tido uma das noites mais fáceis, pese todo o
trabalho realizado.
Ostensivamente mal colocada, a meu
ver apenas uma: a do Adrien a 10. De resto sao opçoes que, dentro das
disponíveis (e havia baixas importantes, nao esqueçamos, baixas cujas
qualidades sao algumas das que faltaram ontem), podiam ter dado bom
resultado, se o futebol fosse infalível. Digo isto sabendo que nao passa
de uma impressao: nao sou treinador, tenho um conhecimento limitado
tanto do treino como de táctica e nao estou com os jogadores todos os
dias nem com o resto da equipa técnica.
Adrien não é um 10 e, ao po-lo a jogar nessa posição, perde ele e a
equipa Para poder fazer uso da sua melhor virtude o jogador não pode ter
tão pouca bola nos pés e tão longe do resto da equipa.
Nada a dizer, também me parece um equívoco. Por outro lado,
saíu ao intervalo. Nao condiz muito com a ideia do Sá Pinto ter levado a
equipa para o abismo.
Elias é um desperdicio de talento, meio perdido entre a defesa e o ataque, e quase nunca bem num sitio ou noutro.
O Elias parece-me o melhor jogador de todo o plantel do
Sporting. É tao bom que, tal como estao as coisas (em gestaçao, nao só
com uma equipa a formar-se como com jogadores a formar-se), joga onde
convém mais aos restantes dois jogadores do meio campo do que à sua
capacidade. A parte positiva é que por isso mesmo o Elias nao é um
problema.
Embora o problema não seja de cariz individual Carrillo não tomou uma
única boa decisão em todo o jogo, permancendo em campo até ao fim.
Nao concordo. Há vários lances de associaçao com colegas
(dois deles por exemplo a descobrir o Cédric, o primeiro dos quais deu
numa situaçao de golo - sim, houve situaçoes de golo) e várias situaçoes
em que me parece que decidiu bem. Na maior parte provavelmente nao.
Grande jogador, o Carrillo.
Wolfswinkel está num momento de forma atroz e é chegada a hora de ser
protegido. Quem faria o seu lugar? Pois, um dos maiores equívocos na
preparação da época.
Nao vi o jogo com o Horsens, vi os falhanços em resumo mas
nao me parece que esteja num momento de forma atroz. Ontem foi o
elemento que mais se movimentou e procurou, por um lado, abrir espaços
aos extremos e ao Adrien, e por outro estar em zona e situaçao de
finalizaçao. Nao esteve bem, claro, mas daí a atrocidade acho que há uma
distância importante, se calhar esbatida pela reacçao a quente.
Outra coisa importante é o raciocínio, bem intencionado (nao questiono
isso): má forma -> necessita protecção -> deve sair e alguém deve ocupar o lugar dele. Nao necessariamente. Há várias formas de proteger o jogador,
desde vários quadrantes. Adaptar a táctica e funçoes de jogadores,
trabalho específico com ele, atençao especial dos adeptos, etc. Uma
série de factores que nao passam necessariamente por tirá-lo da equipa,
coisa contra a qual tenho dois argumentos: pode ser assimilad (mais por
toda a gente do que por ele próprio até, coisa que ainda é mais nefasta)
como uma falta de confiança, e, segundo e mais importante, é o melhor
avançado da equipa.
Se era para grande parte do nosso jogo passar por centrar bolas sem conta para a molhada não era melhor ter um pinheiro?
Resta dizer que com as substituições realizadas na segunda parte Sá
Pinto partiu o que restava da equipa em duas com André Martins recuado e
os outros todos lá na frente, completamente desligados.
Acho
que o principal efeito nefasto das substituiçoes foi perder um
referente de ligaçao no meio, o Elias, e a excessiva inexperiência
(juventude, falta de hábito no próprio estádio, capacidade de resoluçao
de problemas e erros no jogo da equipa sob pressao) dos jogadores que
entraram. A soluçao fácil e a que ilusoriamente mais parecia aproximar a
equipa de um dos seus objectivos - que o Ricky marcasse - passou por
cima do André Martins e Labyad a construir à frente do Gelson.
Dito isto, reafirmo a impressao que, comparando com jogos num
passado recente, em que o Sporting, perdendo ou empatando, defraudou
expectativas gerais e gerou esta onda de comoçao generalizada (nalguns
casos até bizarra, pelo menos para mim, como ao ler títulos como "Rio
Ave histórico" ou adeptos a pedir eleiçoes antecipadas), houve mais
ideias, mais ataques, mais remates, mais posse de bola, mais tentativa
de jogadas. Também houve um treinador no final que pareceu reconhecer os
erros cometidos e revelou a intençao de os corrigir e valentia a
defender a atitude tanto dos adeptos como o trabalho dos seus jogadores.
Recupero dois parágrafos essenciais que traduzem o meu estado de espírito:
Sá Pinto tem agora o que não teve o ano passado: tempo para construir
uma equipa. E, pelo que se vê em campo, escolheu fazer uma revolução de
ideias em relação aos anos anteriores. Algumas delas são evidentes -
privilégio à posse de bola, segurança defensiva - outras nem tanto -como
produzir caudal ofensivo que garanta golos - pelo menos enquanto os
golos não aparecerem, embora o jogo de ontem, neste aspecto não tenha
nada a ver com o de Guimarães. O Sporting ontem atacou muito mais do que
é preciso para ganhar um jogo: fez 10(!) remates à baliza e teve 14(!)
cantos a favor, estatísticas da UEFA.E criou dessa forma também
oportunidades suficientes para golear.
Estou satisfeito? Não. E durante o jogo, muito menos! Mas essa
insatisfação veio muito mais do resultado negativo que esteve prestes a
acontecer, pelo embaraço, do que pelo jogo em si. E, tal como disse, foi
esse condicionamento psicológico, ante a derrota, que terá não só
condicionado os adeptos, mas também a equipa, na forma algo precipitada e
ansiosa como tentou resolver o jogo.
Sao do
post do divã e ganham tanta ou mais actualidade depois deste jogo. Bom, no
fundo até é redundante falar de actualidade, já que o post nem sequer
tem uma semana. De resto, nem vou entrar no debate sobre se o Sá Pinto é
ou nao capaz, deve ou nao continuar: seria como mandar gasolina para
uma fogueira que eu nem sequer percebo como é que está acesa. Se bem que
tudo isto faz-me pensar na minha condiçao de adepto do Sporting, no que
implica para mim apoiar o meu clube e no que o clube pode ganhar com
este ou aquele tipo de de apoio que lhe possa dar. De momento, já decidi
ter ainda mais calma quando me meter a ler outros adeptos, pelo menos
em noites como ontem.
Saudações Leoninas