segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Assim é impossível ganhar!

Liiiiiindo!
Quem tem Xandão pode perder um jogo em qualquer ocasião

Com adversários que marcam na primeira oportunidade de golo é sempre mais dificil de ganhar, especialmente quando se vivem momentos de angústia.

Com perdas de oportunidade consecutivas 

Com Sá Pinto a abdicar de tudo o que estava a fazer bem para se lançar na pior das vertigens: pensar que um jogo se pode ganhar porque se joga com muitos avançados, esquecendo-se que, sem ter quem lhes faça chegar a bola, só com muita sorte se chega ao golo. E essa, diga-se também não que nada connosco.

Uma louvor para os jogadores, não jogaram sempre bem mas deram tudo o que o fisico permitia.

Hã, que é isto? Perguntarão os meus caros. 

Pois era isto o que tinha escrito na minha cabeça a partir das substituições feitas na segunda parte. Sá Pinto arriscou e ganhou, poucas vezes o conseguirá desta forma. Mas ele mais do que ninguém merecia e esta vitória permite-nos entrar num novo capitulo neste campeonato.

E agora vou ali vomitar o jantar e chorar as lágrimas que consegui travar desde o golo de Wolfswinkel. Com aquele grito imortal: eu te amooooo meu Sporting!

Equipas: 

Sporting:
Rui Patrício
Cédric, Xandão (Carrillo), Rojo, Insúa
Pranjic (Labyad), Rinaudo, Izmailov, Capel
Viola (Jeffrén), Wolfswinkel


Gil Vicente:
Adriano
Luciano Amaral, Cláudio, Halisson, Daniel (Éder)
Luís Manuel, André Cunha, Tiero
Luís Carlos (Djalma), Pedro Pereira (Leonardo), Brito

Marcadores: Luís Carlos (6'), Capel (75'), Van Wolfswinkel (84')

2 Desabafos. E manhosos há muitos!

Foto retirada do perfil FB da Cortina Verde
Desabafou o Tiago, aqui na caixa de comentários:

É curioso que a experiência de Sá Pinto nao era um problema no dia a seguir à vitória sobre o City ou sobre o Athletic. Também é curioso que quando perguntado sobre a experiencia de Mourinho, AVB ou Guardiola, a única justificaçao dada seja sobre a experiencia de Mourinho ou AVB. Podíamos também falar de Frank de Boer, por exemplo.

Mas o pano de fundo é o julgamento pelos resultados e este ciclo, em que o tempo para implementar ideias e vê-las dar resultados é sempre inferior ao que um grupo crescente e incentivado por vários quadrantes, desde paineleiros sportinguistas a três diários desportivos, a tentar lidar diariamente contra a sua óbvia inutilidade, está disposto a dar.

Vítimas e artífices de uma cultura futebolística de merda em que os paradigmas de êxito sao Pinto da Costa e Mourinho, andamos aqui num loop de sebastianismo em que todos sabemos o que o clube precisa e isso  nunca é mais tempo a quem está mas sim ao salvador que virá.

E já chega de tratar quem defende esta equipa técnica e estas ideias assim como mais tempo para elas como acrítico, conformista ou, pior, comprometidos com a direcçao ou com interesses ocultos. Nao basta ter gente desde esses tais quadrantes a fazerem de todos parvos e alguns ainda temos que aturar algo entre o paternalismo e a calúnia de outros consócios ou adeptos?

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Quem também desabafou ontem foi Sá Pinto. Recomendo em particular estes sete minutos

O que vi deixa-me sentimentos mistos: 

1- O treinador revela humildade, reconhecendo a existência de problemas, o que é sempre a primeira condição para os resolver e evoluir. Isso deve ser relevado, tendo em conta o que vem sido dito e escrito sobre o seu discurso. 

2- Por outro pareceu-me angustiado e abatido, estados de espirito que retiram a indispensável clarividência e serenidade.

O ataque de vários quadrantes não custarão tanto a Sá Pinto como os que lhe foram dirigidos de dentro. Por isso estranho que muitos que “esquartejaram” já o treinador agora se indignem tanto com o vergonhoso artigo de Querido Manha. Manhosos há muitos e nem todos estão fora do Sporting

Muito se tem falado sobre a ausência de protecção de Sá Pinto por parte da estrutura. Julgo que o ontem foi dito pelo treinador revela haver identificação de estratégias. Mas não me parece a mais adequada, já deveria de havia de ter havido uma tomada de posição relativamente a pelo menos mais uma das aberrações jornalísticas com o que o referido jornalista brindou  Sá Pinto. Percebo o descontrolo emocional que é capaz de o ter motivado: mais 530 milhões de deficit é muito dinheiro, mesmo a dividir por 6 milhões.

Sá Pinto tem razão quando fala em ataques pessoais e em ataques ao Sporting. Há com certeza muitos de nós que têm todo o direito de não acreditar no que Sá Pinto propõe, a mim parece-me ainda demasiado cedo para ilações definitivas. O tempo, se o houver, verá quem tem razão. Mas, quer dentro que fora do Sporting, há muita gente que já percebeu que a queda de Sá Pinto constituiria um indiscutível revés para o clube, mas um excelente instrumento para muitas estratégias.

sábado, 22 de setembro de 2012

O Sporting já está a perder o jogo com o Gil Vicente

O pretenso encostar às cordas de Sá Pinto, o proliferar de declarações of the record, oficiais, para-oficiais, - do PMAG, a quem parece não chegar todo o tempo de antena, até esse modelo de sportinguista, o Fernando Mendes, faltando apenas ouvir o Emplastro... - e todo o ruído que se instalou à volta da equipa será, na próxima segunda-feira o melhor jogador do Gil Vicente e um peso nas botas dos nossos jogadores. 

Infelizmente aprende-se pouco com os erros do passado, incluindo obviamente nesse julgamento o comportamento do adeptos, que não se podem furtar à responsabilização pelos seus actos. Este era o momento de cerrar fileiras, os dentes e a boca e não de dizer a primeira coisa que vem à cabeça.

Desde o inicio do campeonato que tenho manifestado as minhas dúvidas sobre a forma como Sá Pinto vem construindo o seu modelo de jogo, pelo que me sinto completamente à vontade para afirmar que, pesados todos os prós e contras, o Sporting perderá mais com o seu despedimento imediato do que com a sua manutenção. E lamento profundamente que hoje não haja a mesma paciência para com Sá Pinto, um de nós, como a que houve no passado para com outros, mesmo após pesadas derrotas e humilhações, coisa que não aconteceu com Sá Pinto. 

Neste momento prefiro reter as palavras de João Mário: 

"O Sá Pinto, até ao momento, foi o melhor treinador que já tive. Como homem é tal e qual aquilo que demonstra, gosta de ganhar. A sua maior qualidade é a maneira como nos transmite os valores do clube. Como treinador é a forma como nos consegue motivar e mudar a nossa mentalidade". 

A importância de Sá Pinto está muito acima dos resultados (maus) obtidos até agora. Um clube sem valor e sem identidade é um clube qualquer e infelizmente, nos últimos tempos, o Sporting tem optado quase sempre em mais uma fuga para frente, sem se concentrar em perceber porque  falha tanto, mesmo quando se parece que se trabalha bem. Nesse sentido a imolação de Sá Pinto é apenas o aumentar do rol de vitimas e não um progresso para um momento melhor.

PS- Esta é uma "é o "lose-lose situation" para a direcção que se sentirá refém do que sucedeu o ano passado com Domingos, quando recebeu o voto de confiança para ser despedido no dia seguinte. Se não diz nada abstêm-se quando devia dar a cara na defesa do treinaodr, se diz está a dar o tal "voto de confiança" que significa o despedimento a curto prazo.

PPS- Nenhum clube pode estar refém de um treinador e  nenhum destes profissionais está isento do escrutinio dos resultados imediatos. Apenas não me parece que este seja o momento para se fazer a contabilidade e muito menos de nos distanciarmos do treinador, isolando-o. 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Sporting 0- Basileia 0: Lei de Murphy

Julgo que é mais ou menos assim: "Se alguma coisa pode dar errado, ela dará." E o jogo hoje com o Basileia não ando muito longe disto. O Sporting precisava de ganhar para, dessa forma, poder estabilizar e progredir no seu jogo mas acabou por dispor apenas de 45 minutos para o fazer. Com a expulsão de Xandão, (erro infantil, falta de concentração e de jeito) logo no inicio da segunda parte ficamos demasiado limitados para disputar os 3 pontos em jogo.

Não foi uma primeira parte deslumbrante mas, na primeira meia hora, foi possível ver alguma evolução relativamente aos jogos anteriores, muito por mérito de Pranjic (à espera de o ver mais à frente, é uma grande aquisição) e do regressado Izmailov que, do lado esquerdo, foram criando alguns lances de perigo. Pena foi que Capel e Carrillo não estivessem tão disponíveis para o jogo. Com a única oportunidade de golo dos suíços a equipa foi perdendo fulgor, até chegar o intervalo.

Sobre a 2ª parte ficou quase tudo dito. Os suíços têm um equipamento à Barcelona (na verdade, é capaz de ser o inverso, dado que, Juan Ganper, fundador do colosso catalão, foi atleta do clube suíço e julga-se estar aí a origem do equipamento do Barcelona) mas não são nenhum papão. Mas sabem pelo menos o suficiente para, a jogar com mais um, ir dividindo o jogo. Mas a festa que fizeram no final e, sobretudo, o não arriscarem um milímetro em vantagem numérica, de forma que Patrício esteve quase sempre como espectador, diz bem o respeito que têm por nós.

O momento é sem dúvida delicado,não apenas pela produção da equipa, mas sobretudo pela descrença, pessimismo e muita falta de juízo que se vai instalando. Felizmente, e pelo menos hoje, não pareceu afectar a equipa. A reacção à desvantagem na 2ª parte é pelo menos um sinal de carácter do grupo de trabalho. Foi aí que se conseguiu ver a equipa fazer o que tornou Sá Pinto conhecido: não desistir de nenhum lance. Com um pouco de sorte poderíamos ter marcado. 

Eu também não desisto. Há neste plantel talento para fazer muito melhor e continuo a confiar em Sá Pinto.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O Sporting tem os direitos limitados? E quando deixou de ser grande?

Bastaria um sopro para os rios de tinta que correm desde domingo à noite sobre o empate do Sporting na madeira terem sido poupados. Agradeceríamos todos os Sportinguistas em particular e os portugueses em geral, atendendo ao estado depauperado da economia. 

E que sopro faria tamanha diferença? O do Carlos Xistra no apito, validando o golo nascido a remate de Capel. Se dúvidas houvesse basta ver a fotografia do lance no Record e lembrar que o guarda-redes maritimista antes de parar a bola em cima da linha ainda faz um movimento final, tirando-a por isso dentro da baliza.
Alguma dúvida?
O lance é de difícil juízo e passível de erro? Sem dúvida mas isso não invalida um golo. 

O árbitro estava mal colocado e o respectivo assistente tinha a linha tapada? Mas isso também não tira a bola dentro da baliza. 

Mas a história não fica toda contada neste lance uma vez que o golo do Marítimo, que dá o empate, surge de uma falta inexistente. Este sim, foi um lance que o árbitro podia e devia ter ajuizado melhor e se não o fez foi pelo menos incompetência. Vindo do artista Xistra, que há precisamente um ano nos deu mão e mais tudo o resto que não lhe pedimos diz muito. 
Só estranho é que porque não jogamos bem haja quem entenda que não temos o direito de reclamar. 

Por acaso quem não joga bem tem os seus direitos diminuídos? 

Quantos campeões são feitos e desfeitos nas primeiras jornadas por lances como o que descrevi acima? 

Exemplos não faltam. O mais lamentável em tudo isto é que o PMAG, representante de todos os Sportinguistas, venha hoje na sua crónica dar o flanco - ou abrir as pernas? - considerando que não temos razões de queixa da arbitragem.  Se houvesse um campeonato da ingenuidade éramos decacampeões de 10 em 10 anos!

Por falar em PMAG já devem ter reparado, quem vê a TVI, que anda por lá um fulaninho ( que é representante do Braga)  que não sossega a passarinha enquanto não achincalha o nome do Sporting via Eduardo Barroso. Para quem dúvidas basta olhar o tom no mínimo provocatório com que, ufano, anunciava no seu perfil de Facebook, a sua participação no programa de segunda-feira passada:
O "anúncio" de Jorge Sequeira
Deixo de lado mais uma vez as considerações sobre a participação de um PMAG ( o Sporting nisso é original, os 2 últimos em funções cumularam a nobre função de representar os adeptos Sportinguistas com a de vulgares paineleiros )  em programas da estirpe do da TVI ou SIC. Volto ao paineleiro representante do Braga, cuja argumentação se baseia quase sempre na repetição da ideia de que o Sporting já não é um grande. 

Percebo a estratégia, em tudo semelhante à de Pinto da Costa quando chegou ao Porto. O primeiro grande adversário foi o Sporting para hoje ser quem é. É por isso que o Braga, cujo mérito no seu crescimento é indiscutível, mas que está longe de poder ser considerado um grande - e títulos? - não pode ser negligenciado. Porque vale o que sabemos que vale e mais ainda por, por esse valor, poder ser instrumental na estratégia dos que sabem que quanto menos comerem do bolo maiores são as fatias disponíveis...

Enquanto assistia à participação do triste fulano - por acaso, uma vez que cheguei a ela num zapping - que, de forma vil, não se escusava a usar dados falsos para estribar as suas intervenções, tendo sido desmentido em directo e obrigado a pedir desculpa de forma patética, dei comigo a constatar que ele usava mais menos os mesmos argumentos e dúvidas que durante o dia tinha visto Sportinguistas proferir por causa do empate na Madeira. Senão vejamos:

 " Já não somos um grande", "Qualquer merda vem jogar sem medo a Alvalade", "Com esta mentalidade vamos longe vamos...lutar para não descer" "Ser-se Sportinguista neste momento, é ser-se burro".

Quando as dúvidas começam em casa é difícil fazer valer os argumentos fora dela. Para esses lembro que o Sporting é um grande clube com mais de cem anos de história, com grandes campeões e grandes conquistas que não serão apagadas nunca por momentos menos bons. 

As instituições, tais como as pessoas, têm momentos grandes e pequenos e é a forma como os vivem que os distinguem dos outros. As piores derrotas acontecem dentro de nós, quando nos sobram as dúvidas e nos falta a convicção.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Mudar ou não mudar (treinador, direcção) é sempre a mesma questão

Estamos apenas nas 3 primeiras jornadas do campeonato e perdemos já 7 dos 9 pontos em disputa. Os Sportinguistas - TODOS, convém lembrar - estão cansados, desiludidos, amargurados. Anos a fio sem ganhar parecem ter esgotado a paciência e a resiliência de muitos, por isso não falte quem vire as costas, porque se perdeu o poder de encaixe. Há os que, não o fazendo, protestam e apontam todo o tipo de soluções, o que é sempre a tarefa mais fácil, dado que nenhuma dessas propostas é testada pela realidade. E depois há os outros, muitos outros e muitas outras reacções.

Dentro das reacções mais comuns é apontar-se o treinador como principal culpado, logo seguido por quem o escolheu: a direcção. Ou ambos, como também se ouve. E  a solução apontada mais comummente é o baralhar e dar de novo: novas eleições, ou novo treinador, ou até as duas. Aceito qualquer uma das soluções ou até ambas, desde que me garantam que a mudança trará os resultados que TODOS queremos. Alguém o pode fazer?

Não me parece que esta seja a hora de colocar em causa o lugar de Sá Pinto mas os que o decidirem fazer conseguem garantir que outro, no seu lugar garantirá os resultados que não surgem?

E se os que entendem que devemos mudar de direcção agora o que dirão se para o ano  enfrentarmos mais ou menos os mesmos problemas? Mudamos novamente tudo outra vez?

Sei que é impossível ter esta discussão de forma saudável sem voltarmos aos velhos chavões, do "isto não é o Sporting" até chegarmos ao inevitável "roquetismo". Ainda ontem Abílio Fernandes declarava que ""as últimas duas décadas foram uma tragédia no Sporting". Mas e os outros vinte antes, dos quais ele foi dirigente em alguns deles? Quantas vezes se ganhava? Que estádio tínhamos? Que pavilhão?

Se é verdade que o projecto Roquete esteve longe de chegar à terra que fora prometida, é bom não esquecer que uma das razões para a mudança então verificada, adoptada a nosso reboque pelos nossos rivais, foi o esgotamento de um modelo de gestão, já completamente anacrónico e obsoleto da forma de gerir um clube que movimentava milhões. Uma verdade não pode excluir a outra.

Não há receitas mágicas, menos ainda quando os resultados têm que ser alcançados através da forma mais aleatória possível como é um jogo de futebol. Mas o que também se constata é que não é por falta de mudanças que o Sporting não ganha. Pinto da Costa desde que chegou a dirigente do seu clube já conheceu dez presidentes e um número infindável de treinadores leoninos. Luis Filipe Vieira, que chegou muito depois, já se cruzou com quatro.

O momento é delicado, não tanto porque o atraso seja irrecuperável, mas sobretudo pela antecipação do que pode vir a acontecer, se os resultados e exibições actuais se mantiverem. Talvez o mais aconselhável nestas alturas, em que se navega em águas agitadas, seja não fazer balançar ainda mais o barco. Sem prejuízo de, em altura mais aconselhável, se fazerem as devidas contabilidades.

Esse sim é um caminho, o do recato e da reflexão, poucas vezes seguido nestes momentos e como nunca foi testada, talvez merecesse agora uma oportunidade. Pior do que está não será com certeza.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Como olhar o resultado, a exibição e o futuro

É muito difícil escrever a seguir a um resultado como o de ontem, na Madeira. Antes de o começar a fazer perguntava-me a mim mesmo, num exercício que procuro fazer sempre que escrevo, "e se tivéssemos trazido os 3 pontos, como podia ter acontecido, escreveria a mesma coisa?". Provavelmente não, embora pela forma como decorreu o jogo, subsistiriam razões para o fazer.

Como olhar para o resultado
Quando se deixa fugir uma vitória a 3 minutos do fim, seja qual for a prestação da equipa durante os 87 minutos anteriores, é inevitável o sentimento de frustração. Olhando para o jogo em abstracto, e levando em linha de conta o histórico recente com o Marítimo de Pedro Martins (perdemos 6 pontos o ano passado!), e as dificuldades que poderá também fazer sentir aos nosso rivais, o empate seria tudo menos um resultado inesperado, por mais difícil que seja "engoli-lo". Mas é impossível não olhar este jogo carregado pelo passivo acumulado de maus resultados no campeonato, onde continuamos sem vencer, acrescido do facto de perdermos 2 pontos ao bater do gongo.

Como olhar para a exibição
De duas formas distintas, pois foram assim as 2 partes do jogo. O Marítimo não foi surpreendente, mas foi eficaz na forma como condicionou a construção do jogo na primeira parte. Com uma clara linha de 4 em frente aos nossos defensores e Elias mais Gélson que, para este momento do jogo, não conta muito. Com isso isolou Adrien e Izmailov, e só não fez o mesmo com Carrilo porque o peruano é o jogador em melhor forma e com confiança para arriscar no um para um. Mas, no computo geral, pouco soube o colectivo aproveitar. 

A segunda parte foi melhor porque Sá Pinto fez Adrien descer para se encontrar ao meio com Elias, unindo um pouco mais as pontas soltas do primeiro tempo. Infelizmente não foi tão feliz nas substituições, onde deu uma no cravo - André Martins - e outra na ferradura - Capel. Não tanto por este ter falhado infantilmente um golo feito, mas por não ter trazido a segurança de posse de bola que necessitávamos e por ser muito mais inconsequente nas suas acções do que Carrilo. A entrada de Carriço era necessária, no momento, face à colocação dos 2 avançados encostados aos centrais  por Pedro Martins. Carriço acabaria por poder ter desfeito o empate, na última oportunidade de golo do jogo.

Como olhar o futuro próximo
Há dias perguntava aqui se, após o fecho do mercado e a paragem do campeonato, estaríamos mais fortes ou menos fracos? Talvez nem uma coisa nem outra. É óbvio que tem havido uma grande infelicidade em alguns resultados (ontem e com o Rio Ave), mas também me parecem que os problemas detectados desde o inicio da época permanecem por resolver. 

Decorrido todo este tempo, e agora que entramos num período em que, com jogos de 3 em três dias, praticamente não se treina, é de esperar mudanças substanciais? É muito pouco provável que tal venha a acontecer, a menos que, uma série de vitórias venha dar alento e permitir gerar um acréscimo de confiança capaz de superar os problemas. Mas aqui já estamos no campo do wishful thinking. Para ganhar um campeonato é preciso muito mais do que isso.

As maiores dificuldades continuarão a ser sentidas nos jogos nacionais. Creio que, com maior ou menor dificuldade, "isto" vai chegar para esta fase da Liga Europa.

O que está a correr mal?
Não são apenas os resultados, são também as exibições. Ontem, no computo geral, com um adversário mais difícil que os anteriores, a equipa pareceu ter subido um pouco de nível, mas continuam a subsistir os problemas na construção do jogo e na manobra ofensiva. Deixo de fora, para uma segunda observação, as transições defensivas do jogo de ontem, tendo em conta que o Marítimo é especialista a causar dificuldades neste tipo de acções. Mas são evidentes alguns problemas cruciais: 

1- A falta de dinâmica na movimentação dos jogadores, com poucos apoios para progredir. Na primeira parte não conseguimos praticamente uma única jogada com principio, meio e fim.

2- Uma estranha propensão para centrar, e por vezes rematar, de qualquer forma e de qualquer lugar. O voluntarismo pode servir o Marítimo, mas não serve ao Sporting.

3- A tendência da equipa ficar partida em 5 de um lado, (defesas e dois médios) e 4 do outro.

As atenções estão concentradas em Sá Pinto. O mesmo treinador que, o ano passado, em circunstâncias difíceis, percebeu muito bem o que poderia e onde deveria mexer. Mas que este ano ainda está longe de demonstrar a mesma clarividência perante um desafio maior mas também com mais e melhores condições: mais tempo, ajustamentos do plantel segundo as suas ideias. Nada está perdido mas o cenário é cada vez menos prometedor. Se dúvidas houvesse basta olhar para o plantel de ponta a ponta e, à excepção de Carrillo, todos estão a milhas do melhor do seu potencial.

domingo, 16 de setembro de 2012

Encalhados na Madeira

Julgo que ninguém achava que seria fácil ganhar na Madeira. Mas se a primeira parte confirmou as mais que expectáveis dificuldades, a segunda parte demonstrou que a vitória era perfeitamente possível. Mas o que conta para a história é que no final, acabamos por empatar um jogo. Podemos dizer que a falta que dá origem ao golo, a 4 minutos do fim, não existiu, mas também é verdade que podíamos ter sentenciado a partida por mais do que uma vez. E o futebol costume punir exemplarmente quem hesita na hora da verdade. Foi , mais uma vez, o que aconteceu hoje.

Ficha de Jogo:

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

E porque os adeptos são imprescindíveis a sua opinião conta

Inquérito europeu de opinião: problemas actuais do futebol

A Associação de Adeptos Sportinguistas (AAS) é parte integrante do projecto internacional “Improving Football Governance through Supporter Involvement and Community Ownership” (Melhorar a governação do futebol através do envolvimento dos adeptos e da propriedade associativa dos clubes) que é financiado pela Comissão Europeia e que é coordenado pela organização britânica Supporters Direct (http://www.supporters-direct.org/).

O projecto envolve a participação de 9 parceiros internacionais em vários países, e destina-se a estabelecer e expandir uma rede europeia de adeptos que pretendem envolver-se nos processos de decisão dos seus clubes, reforçando a dimensão associativa dos mesmos. Nestes tempos de clubes como PSG e Manchester City, mas também de Glasgow Rangers e tantos outros, a Comissão Europeia entende ser esta uma boa forma de desenvolver os laços entre o fenómeno do futebol e a sociedade, o que acabará por se reflectir positivamente na organização e na governação deste nosso desporto. A AAS é a única organização portuguesa que participa neste consórcio europeu, em relação ao qual se pode encontrar mais informações nestes links: página da AAS http://www.aasporting.org/improving-football-governance/ e página da Comissão Europeia http://ec.europa.eu/sport/preparatory_actions/documents/annexe-i-034.pdf. 

Uma parte importante deste projecto é, precisamente, perceber qual é a realidade actual no que diz respeito a estes temas. Para isso, está a ser feito um inquérito europeu pretendendo captar as percepções dos adeptos acerca da sua participação no dia-a-dia dos seus clubes e acerca de problemas transversais ao futebol nacional e europeu. O inquérito pode ser encontrado aqui http://www.aasporting.org/inquerito-online/, e solicitava a todos que o preenchessem e o divulgassem, dando a vossa opinião acerca dos problemas do futebol europeu em geral e do português, em particular. Quanto mais participarmos e nos envolvermos nos nossos clubes, mais difícil será ignorarem que o futebol é, foi, e será, um desporto para os seus adeptos.

Post de autoria de Bruno Martins

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Estamos mais fortes ou apenas menos fracos?

Um post breve procurando reflectir sobre o valor da equipa do Sporting sob 2 perspectivas:

1) No curtíssimo prazo, tendo em conta a longa paragem do campeonato e 2) sobre o nosso valor relativo, tendo em conta a importância das mexidas no plantel dos nossos competidores directos.

1) Já me perguntei vezes sem conta que importância terá para a evolução das prestações da equipa a paragem prolongada do campeonato, tendo em conta que 2 semanas de treino permitirão aprofundar estratégias e rotinas colectivas, cuja necessidade tinha ficado expressa nas exibições registadas desde o inicio de época. Por outro lado, a vitória na Liga Europa, não sendo propriamente retumbante, permitia o regresso de alguma serenidade que, pelo que se tinha visto no jogo com o Rio Ave, era também necessária, não apenas no relvado mas também no banco.

É difícil, neste tema, ser categórico. O treino, especialmente se foi usado para fazer algumas rectificações, ou até alguma reflexão da equipa técnica sobre estratégias, metodologia e operacionalização adoptadas, é fundamental. Mas o mesmo se pode dizer da competição e, na maior parte das vezes, as vitórias fazem mais por uma equipa que algumas dias de treino não conseguem, especialmente quando se trabalha bem, mas os resultados não surgem. Mas quase duas semanas sem competir - não me apercebi de um jogo treino sequer - não me parece ser vantajoso para o ritmo da equipa.

2) Não vejo como seja possível afirmar que as saídas registadas nos nossos concorrentes directos não venham a ter reflexos nas suas prestações no futuro. Hulk, Witsel, Javi e Lima - é preciso não deixar de fora o Braga, que nos últimos 3 anos ficou há nossa frente 2 vezes - eram não apenas dos melhores, mas também não deixaram descendência nos planteis a que pertenciam. Isto quer dizer que, para colmatar a sua ausência, os respectivos treinadores serão obrigados a corrigir as suas ausências com jogadores de nível individual neste momento inferior e/ou a fazer ajustamentos na sua estratégia de jogo. 

Qualquer uma das soluções a adoptar aproxima-nos dos que estavam à nossa frente, (SLB, FCP) e distanciam-nos dos que estavam atrás (SCB). Para que isso tenha alguma expressão na tabela classificativa é também importante que nos apresentemos nos próximos compromissos mais fortes do que estivemos desde que se iniciou a época. Nesse sentido o jogo na Madeira terá uma importância crucial.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Só nos saem Duques

A condenação de Luís Duque (e Rui Meireles) por crime de fraude fiscal, acto cometido enquanto dirigentes do Sporting, é grave e indiscutivelmente uma má noticia. E é grave porque, por mais que se discutam os fundamentos e até a justiça da decisão tomada, e mesmo que esta venha a ser contrariada por uma instância de apelo, o que prevalecerá nos próximos tempos na opinião pública, interna e externa ao clube, será a condenação em si mesma. Não faltará quem dela se aproveite para a usar contra o Sporting.

Como sócio e adepto do Sporting acompanhei desde o inicio este caso, que sempre me pareceu muito estranho. 

1-Desde logo o facto de ter partido de uma denúncia anónima o que indicia, mais do que um objectivo claro de desejo altruísta de justiça, o objectivo de atingir os viriam a ser constituídos arguidos no processo: José Veiga, João Pinto e o Sporting. Ou um em particular ou todos por atacado é o que falta saber. 

2-Estranhei também o envolvimento do nome do Sporting tendo em conta que não foi o clube que fugiu ao pagamento de impostos, como inicialmente se tentou fazer crer.  A menos que o Sporting tivesse decidir, em conluio com o jogador e empresário, facilitar a fuga ao fisco. Para daí retirar que outras vantagens que não apenas meter-se em sarilhos? 

3- Ou que o Sporting estivesse ligado à empresa sobre a qual recaíam as suspeitas, com desconhecimento do empresário. Este negou enquanto pôde, sendo desmentido pelas provas produzidas em tribunal pelo Sporting e, por isso, obrigado a confessar o que já era bem claro para todos. 

4- Do lado de Luís Duque agradou-me o facto de não se ter querido furtar ao julgamento, ao jeito de quem não deve não teme, mantendo desde o inicio a sua posição sobre o assunto: como dirigente do Sporting nunca cometeu nenhuma ilegalidade. Sobra, relativamente ao actual vice-presidente da SAD e a "velha" questão: deve-se demitir ou permanecer no cargo? Essa é uma questão que em primeira instância deve ser respondida pela consciência do próprio. A mim parece-me que ela deveria ter sido colocada à priori: deveria Luís Duque ter aceite o cargo antes do cabal esclarecimento de todo o caso? Neste momento os danos causados ao Sporting pela decisão tomada, dificilmente poderão ser maiores.

Como contribuinte com as contas com o fisco em dia, algumas delas prestadas de forma antecipada, tenho a a autoridade que a muitos falta para falarem sobre o tema. Tendo havido crime, que me parece mais do que óbvio, só me posso congratular com a condenação de quem o exerce. Pena é que faltem nesta contabilidade muitos outros nomes. Refiro-me concretamente a clubes e agentes que gravitam na sua órbita já que para o que diz respeito à sociedade portuguesa em geral este não é o local apropriado para falar sobre o tema.

Há momentos assim na vida das instituições. Não bastava a noticia de ontem que deu origem ao presente post como ainda nos vemos agora envolvidos na retenção de verbas por parte da UEFA por pretensa violação das normas de fair-play financeiro. Sobre este caso é no mínimo estranho que no site do clube não apareça, ao momento em que escrevo o presente artigo, uma noticia sobre o assunto que permita tranquilizar os adeptos, ou pelo menos esclarecê-los, quando já existem "reacções" em órgãos de comunicação social.

Este será um caso de resolução mais rápida (até ao final do mês) enquanto o anterior se arrastará por alguns anos pelas instâncias de apelo. Depois de algumas boas noticias, como por exemplo a deste link parece que só nos saem duques.

sábado, 8 de setembro de 2012

Relatório & Contas: 45,947 milhões de preocupações

Perante o impacto do anúncio de novas medidas de austeridade que irão onerar grande parte das famílias portuguesas (que já se encontravam sobrecarregadas com medidas anteriores) parece quase ridículo vir falar das preocupações causadas por um relatório e contas de uma SAD de um clube. Acontece que para alguns milhões de contribuintes que agora vêem a sua vida mais complicada existe um cordão umbilical ligado a esse clube e, para alguns milhares desse universo de milhões, o Sporting faz parte da sua vida diária. Para esses em particular, o contacto com a realidade dos números expressos no relatório de contas anual significa um significativo agravamento das preocupações. Neste caso, e transpondo para a moeda actual a célebre frase de que "um escudo é um escudo", estes 45,947 milhões de euros prejuízo equivalem a igual número de preocupações, que vêm a acrescer a um passivo que também é motivo de preocupação.

Os números não deveriam constituir particular surpresa se atendermos ao número de jogadores adquiridos no período em causa e o respectivo aumento de despesas com pessoal, que passou de números inferiores a 30 milhões/ano para mais de 42 milhões actuais. Qualquer Sportinguista responsável não deixará de se interrogar se esta estratégia expansionista será a correcta, quando o clima económico aconselha a prudência e retracção. A magnitude dos números ofuscam pontos positivos do exercício que, noutras circunstâncias, mereceriam outro destaque.

Manifestar surpresa, como me parece ser a reacção generalizada, me parece fazer pouco sentido: senão estes números exactos mas pelo menos a tendência estavam já pré-anunciados de há um ano a esta parte(ver entrevista de 26/05/12 aqui): A SAD comprou com dinheiro que não tinha e praticamente não vendeu, pelo que não deveria haver lugar a qualquer surpresa. Pese a diferença quantitativa, isto não é mais nem menos do que acontece na economia doméstica com que todos temos que lidar no dia a dia.

É difícil dissociar estes números de duas outras variáveis que também merecem consideração: os resultados desportivos e os resultados da concorrência. Do ponto de vista desportivo o dinheiro gasto e os resultados alcançados produzem uma sensação de desperdício: não é preciso gastar tanto dinheiro para ficar em 4º lugar, o que, grosso modo, representa um retrocesso em relação ao ano anterior. Por comparação, o Braga precisou de gastar muito menos para nos superar na classificação. Ainda sobre a concorrência, é inevitável que muitas das análises sejam feitas sobre o recente sucesso alcançado nas transferências de Hulk, Witsel e Javi Garcia, que nos parecem uma miragem. É ainda face a estes resultados que se verifica o intenso escrutínio sobre o vencimento dos administradores da SAD.

Outro item a suscitar polémica são as percentagens dos passes dos jogadores detidas pela SAD e as entretanto alienadas. Ao contrário da opinião geral, não diabolizo essa alienação. Julgo que se olha apenas para o lado negativo da questão, não se levando em linha de conta o facto de os fundos servirem também como parceiros no esforço do investimento e do próprio risco inerente à compra de passes de jogadores, sempre tão contingente. Ao abrir o plantel ao investimento de terceiros o Sporting não antecipa apenas receitas, está também a partilhar o risco de alguns desses jogadores não se valorizar como o esperado, facto tão comum no futebol e cujos exemplos são vários. Se há alguma coisa a lamentar é que o Sporting tenha chegado a esta realidade muito tempo depois dos seus principais competidores.

Como sair deste ciclo vicioso? 

Para a solução não contam os que apenas gritam e esperneiam, são estes os que mais atrapalham numa situação de emergência. 

A resposta parece-me óbvia: tem sido o futebol a tirar tem de ser o futebol a dar. E por isso é necessário melhorar as prestações desportivas a dois níveis: desde logo a produção da sua equipa de futebol.  O Sporting pode até não conseguir títulos, mas a sua equipa mais representativa tem de estar a um nível muito mais elevado e mais consentâneo com os pergaminhos do clube e da tradição do clube. Subindo esse nível o Sporting promove os seus activos mais importantes que são os jogadores, estando assim mais perto de realizar as tão necessárias mais-valias para a sustentabilidade do negócio da sua SAD. Dessa forma estará também mais próximo de alcançar os resultados desportivos que tanto necessita para satisfazer a sua enorme falange de sócios e adeptos, factor essencial para manter e alargar a sua base social de apoio. Sem isso é impossível sair do actual estado e, se tal acontecer, a actual estratégia constituirá um factor agravante da nossa condição actual.

Falamos pois de dois factores essenciais e complementares- desempenho desportivo e realização de mais-valias com passes de jogadores - para o indispensável "potenciar a marca e aumento de receitas". Esta deverá ser a preocupação primordial dos actuais corpos sociais, porque nos últimos anos temos assistido ao movimento inverso, com a marca Sporting a sofrer uma considerável depreciação aos olhos do mercado e da sua falange de apoio. Essa é a única obrigação destes ou de qualquer outros corpos sociais, uma vez que, em alta competição, não há ninguém que possa garantir a conquista de títulos. E, conseguindo, estaremos sempre mais perto de ganhar.

Olhando para o que é hoje o plantel do Sporting e comparando com o de anos anteriores não tenho dúvidas que estamos muitos níveis acima do registado em anos anteriores. Não sendo por si só garante de melhores resultados é pelo menos um factor de esperança na inversão da actual conjuntura que, não há que escamotear, é potencialmente perigosa aos mais diversos níveis.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

"Vamos conseguir grandes coisas para o Sporting!"

Kalid Boulharouz deu ontem uma extensa entrevista ao jornal "ABola". Ao contrário de outras entrevistas recentes ocorridas em diversos órgãos de comunicação social, esta tem alguma substância, deixando entrever o carácter do jogador e a motivação que o trouxe até Alvalade. 

Estando a gozar um curto período de férias não tenho ao meu dispor as ferramentas necessárias para proporcionar a peça na íntegra pelo que deixo ficar uma resenha do que me parece ser o mais importante da conversa do nosso defesa central com o referido jornal.

O jogador confessa-se completamente ambientado à Academia de Alcochete (parece que estou cá há 6 meses ou mais) e quer aprender a falar português porque "adora a língua" e porque isso seria "um sinal de respeito pelos portugueses".

Não pensa finalizar já a sua carreira, quer jogar para além dos 2 anos e mais 1 de opção do contrato que o liga ao Sporting, mas se tal sucedesse "seria uma honra para mim dizer adeus ao futebol neste clube".

Pesou na sua decisão de vir para o Sporting "a vontade de ganhar títulos neste clube". Quero fazer parte da história deste clube, de um futuro brilhante e ganhar títulos."

Embora o grupo pense apenas jogo a jogo, sempre com o objectivo de ganhar o próximo, acreditam na capacidade de chegar aos títulos. "Acreditamos nas ideias do treinador, confiamos nele sem qualquer reserva. Gostamos da maneira como ele vê o futebol. A atmosfera do grupo é excelente, nunca tinha visto isto na minha carreira. A maneira como trabalhamos, como falamos uns com os outros é impressionante".

Boulharouz acredita que os resultados vão aparecer, assim que os novos jogadores se adaptem também porque confia no trabalho executado até agora e porque "todos percebem o quer o treinador". Os resultados vão aparecer e "vamos conseguir grandes coisas para o Sporting!"

"No Sporting defende-se como uma equipa e ataca-se como uma equipa". Está muito contente com o desempenho dos restantes colegas da defesa apesar da juventude de todos eles. (Cédric 21 anos, Rojo 22, Ínsua 23, Patrício 24). Preocupa-se em falar com eles nos treinos e nos jogos, no que é acompanhado pelo Rojo.

Mourinho (seu treinador no Chelsea) é dos melhores treinadores do Mundo. Preocupa-se com os jogadores e trata-os como se fossem da sua familia e isso tem reflexos em campo. É um grande motivador. A maneira como analisa os adversários e prepara os jogos é impressionante.

A forma como Sá Pinto trabalha, a forma como fala, a forma como está comprometido com o trabalho, fazem lembrar Mourinho. O papel do treinador foi decisivo na toma de decisão de vir para o Sporting, quando este lhe telefonou, além de ter ouvido muitas histórias positivas sobre o clube.

Mais do que o facto de ter cá jogadores da mesma nacionalidade (Schaars, Wolfswinkel) o que pesou mais foi "o clube a sua filosofia e o Sporting é um clube muito grande. Estou muito contente por cá estar." Boulharouz declara-se completamente rendido aos adeptos que "são completamente loucos por futebol", que o cumprimentam nas ruas . "Ser jogador do Sporting deixa-me orgulhoso". Declara-se igualmente impressionado pelo trabalho executado na Academia com os jovens e com as condições que dão aos profissionais.

Defesa-central é a sua posição favorita embora jogue onde o treinador lhe pedir, mas tem consciência que nunca impressionará por aí além fora do centro da defesa.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Adrien renova até 2017

Adrien prolongou a sua ligação ao Sporting até 2017 e a sua cláusula de rescisão passou a ser de 40 milhões de euros. 

"Sempre quis ficar no Sporting. Pertenço a esta instituição há 12 anos, estou e sou feliz aqui, e ao contrário do que se escreveu, não era agora, que estou na equipa principal, que tinha vontade de sair. Continuo com muita vontade e alegria por vestir esta camisola".

Pode ser certificado aqui.

Conselho de (in)Justiça pré anuncia o castigo de Luisão

Foi hoje revelado o castigo aplicado a Jorge Jesus, na sequência das suas declarações sobre o trabalho de um dos árbitros assistentes no último clássico SLB - FCP, que terminaria com a vitória dos azuis e brancos, resultado de um golo claramente irregular de Maicon. Seria precisamente esse golo que motivaria as declarações do treinador encarnado, afirmando então que que o árbitro assistente Ricardo Santos não assinalou o fora-de-jogo de Maicon no golo da vitória dos dragões "porque não quis".O castigo, agora revelado, é de 15 dias.

Acontece que, como dizia alguém, o diabo está sempre nos pormenores. E há 2 que saltam de imediato aos olhos dos adeptos de futebpl, grande parte dos quais já nem se lembrava dos factos que dão origem ao castigo. E tal não é de estranhar, uma vez que o jogo decorreu nos idos de março, mais precisamente no já longínquo segundo dia do mês. Mas, o mais notável é que, transcorrido tanto tempo, o anúncio do castigo ocorre precisamente agora, que o campeonato está parado, fazendo com que a pena pura e simplesmente não tenha qualquer efeito prático. Um notável coincidência.

Como é óbvio não há outra explicação plausível para esta tomada de decisão que não seja a submissão do órgão jurisdicional aos interesses do SLB. Mas, assim de cócoras, além de se descredibilizar o Conselho de Disciplina tão recentemente empossado revela o respeito, neste caso a falta dele, que nutre pelos adeptos do futebol. Não se admirem pois se o castigo de Luisão, a ocorrer, calhe no defeso do próximo ano ou em outra ocasião igualmente conveniente.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

"Wolfswinkel vendido por 10 milhões"

A venda de Wolfswinkel não é uma noticia mas uma ficção que serve de ponto de partida para uma análise sobre o furacão que, vindo de leste, abalou ontem o futebol português.

Os elogios a Pinto da Costa
Mais importante do que eu penso sobre o presidente do FCP será com certeza o que dele pensam os seus adeptos. Mas, olhando para todos os contornos do negócio de Hulk, dificilmente me parece que se justifiquem tantos elogios. Vejamos:

1- Fica claro que PdC não vendeu porque quis, mas porque a isso foi obrigado pelo falhanço do negócio Moutinho, jogador cuja saída seria igualmente importante, mas não tão crucial como perder aquele que era o melhor jogador do campeonato. E foi obrigado por razões de ordem económico-financeira, quando os média se habituaram a fazer-nos crer que essas apenas afligem o Sporting. Num clube que ao longo dos anos tem realizado significativas mais-valias deveria ser caso para perguntar para onde tem ido tanto dinheiro, mas disso se ocuparão os sócios e adeptos portistas, já que à comunicação social o assunto não tem merecido interesse, certamente porque não lhes sobra tempo do tanto esmiuçar as finanças do Sporting.

2- Pinto da Costa perdeu o timing exacto para fazer o negócio, que se teria realizado por mais 10 milhões, como o próprio confirmou 3 dias antes:
E com isso perdeu também a oportunidade para reparar o rombo deixado com a partida de Hulk, indo ao mercado. Muito longe da sagacidade e poder de antecipação que se lhe atribuiu.

3- É bom lembrar que o Hulk que ontem foi vendido pela inegável soma astronómica de 40 milhões, ( e não 60 milhões, como se fez crer. E já agora como se chama o fundo que "arquivou" os 20 milhões remanescentes? Também é o mesmo de Moutinho?...) não é o "tal desconhecido que foi descoberto no Japão por 5 milhões". O FCP despendeu cerca de 23 milhões para ficar com 85% do seu passe o que significa uma mais valia de 17 milhões. Valor importante mas longe de um valor percentual assim tão notável.

E se fosse no Sporting?
Com o mal dos outros podemos nós bem, dirão e com razão. Mas a abordagem à transferência de Hulk serve precisamente para fazer o paralelismo com a realidade Sportinguista, daí o titulo do post. 

Como reagiriam os Sportinguistas à venda de Wolfswinkel por menos de 50% do valor da sua cláusula de rescisão? 

Diriam também que estas são meras referências sem qualquer colagem com o valor de mercado? 

Os que dizem que o jogador vale pouco não achariam um grande negócio?

E o que aconteceria se o presidente do clube tivesse recusado uma transferência, para 3 dias depois a ter que aceitar, por menos dinheiro, e ficando, ainda por cima, sem possibilidades de colmatar a saída do jogador?

Porque o Sporting não vende assim?
As razões que justificam a ausência de grandes negócios por parte do Sporting têm origem na sua história recente e no que foi a implosão do seu departamento de futebol ao tempo da demissão de Paulo Bento. Apesar de não deixar de encontrar motivos de critica à gestão feita por Ribeiro Telles à época, ( e que, quanto a mim, estiveram na origem dos dois maus anos finais da passagem do actual seleccionador nacional), sempre era melhor ter uma estratégia do que nenhuma. O que se seguiu com Pedro Barbosa (Angulo, Caicedo, p.ex.) ou com a dupla maravilha JEB/Costinha levará muitos anos a reparar. 

Não temos jogadores como Witsel e Hulk, ou sequer como Cardozo, Sálvio e por isso não fazemos vendas deste teor. Mas já demos alguns passos em frente e Patricio, Rojo, Insua, Labyad, Adrien, Jeffren, Carrillo, Rinaudo, Wolfswinkel, Elias, Capel, André Martins, Cedric, são jogadores com qualidade suficiente para nos permitir ter esperança em bons resultados desportivos, o mais importante, e também em mais-valias. Nesse sentido a gestão actual da SAD significa um importante upgrade ao que foram os anos anteriores e, sendo por isso legitimo esperar mais e melhor. Assim haja paciência e confiança. E um bocado de mais amor-próprio também não faria mal...

Isto não invalida um reparo aos valores conseguidos nas vendas de João Pereira e sobretudo Matias. O Sporting deu ao mercado uma pálida imagem da sua capacidade negocial. Também deste lado é necessário fazer melhor.

O dinheiro vai matar o futebol
Não termino sem me referir à transferência de Witsel, pelos vistos contra a vontade de LFV, mas que não deixa de ser, esse sim, um grande negócio. Pelo valor que o jogador custou há um ano (7 milhões), e até pelos valores invulgares agora pagos por um jogador que joga na posição do belga.

Já todos perceberam, menos a UEFA, claro está, que o desfasamento actual das datas de abertura e fecho do mercado é pernicioso para o futebol, e que se vem juntar ao poder ditatorial dos mais endinheirados. 

Ainda não aconteceu, mas num futuro que pode não ser assim tão longínquo, o dono do PSG ou do City pode ligar para o seu amigo do  Zenith para, já depois do mercado fechar, delapidar os seus mais fortes concorrentes, adquirindo os seus melhores jogadores. É um cenário hipotético mas, com sabemos, a ficção, nos meios onde se movimentam os dinheiros já andam à frente da realidade há algum tempo. Para reflectir.

sábado, 1 de setembro de 2012

O mercado fechou a dúvida ficou

À medida que correram os dias para o fecho do mercado foi-se percebendo que o Sporting não iria contratar ninguém para o lugar que a generalidade dos comentadores e adeptos identificam como de maior fragilidade no nosso plantel: o de ponta-de-lança. Fica-se sem saber se tratou de um acto voluntário ou ditado por falta de recursos, como é moda dizer-se sempre que a conversa envolve o Sporting. Ou até um misto de ambos: dos jogadores que poderíamos adquirir nenhum acrescentaria o valor desejado. Se esta última foi a razão principal só podemos ficar agradecidos, negócios como o de Pongolle demorarão muitos anos a esquecer e a pagar.

Não me parece de todo correcto dizer-se que Luís Duque, Carlos Freitas e Sá Pinto se esqueceram da importância do lugar 9 no sucesso da equipa uma vez que o Sporting gastou 4 milhões de euros na aquisição de Viola. A questão é que poucos são os que conhecem o seu valor, adensado pelo facto de existirem muitas dúvidas se o argentino faz essa posição. Por outro lado, ao prescindir da aquisição de mais um elemento para a posição os responsáveis deixam espaço para a afirmação de Rúbio e do próprio Viola, o que constitui desde logo uma mensagem de confiança para ambos. 

Se se trata de uma decisão voluntária parece-me senão um erro estratégico (o futuro se encarregará de confirmar ou desmentir) pelo menos elevar de forma pouco prudente o factor risco. Se se trata de uma decisão ditada pelas circunstâncias talvez as decisões de aquisições e dispensas devessem ter sido melhor ponderadas.

Ao contrário de muitos confio nas qualidades de Wolfswinkel, a falta de golos é mais provável vir a verificar-se por questões relacionadas com a produção colectiva que dele próprio. Mas diz o bom senso que entre tudo o que pode acontecer durante uma época, o holandês não jogará sempre ao seu melhor nível. 

Deveria o Sporting confiar apenas na qualidade e juventude de Viola e Rúbio para fazer o que Ricky não poder? 

Sinceramente não me parece, nem vejo, em equipas com as aspirações do Sporting, quem o faça. E, ao contrário do que possa parecer à primeira vista, duvido muito que ao atribuir-lhes tais responsabilidades, o Sporting lhes esteja a fazer o favor das suas vidas. 

A menos que tudo corra pelo melhor, o mais natural é que sobre eles recaia, (Wolfswinkel incluído, como o próprio já percebeu, ao comemorar de forma contida os golos que anteriormente fazia de forma esfuziante e partilhada com a bancada) o mesmo anátema que têm que carregar ainda Pereirinha e Carriço por falta de vitórias cuja ausência radica mais en falhas colectivas (do clube como instituição, até) do que individuais. A muito custo e por mérito muito pessoal só Patricio conseguiu permanecer e superar tendo outros procurar fora (Moutinho, Nani) o que não lhes era oferecido em casa.

Goste-se ou não é esta a actual realidade do Sporting, e das intrincadas relações internas entre a equipa, os responsáveis directivos, técnicos, e as diversas sensibilidades da bancada. Cenário este que é agravado por um inicio de época pouco convincente. A dúvida é a pior aquisição deste inicio de época.

Notas adicionais sobre os últimos movimentos no plantel:

Bojinov e Onyewu não contavam para Sá Pinto e por isso sairam. Sem certeza de que o búlgaro não pudesse ser útil pelo que foi dito acima. E com pena por ver um jogador carismático como o americano partir, embora reconhecendo que se trata, do ponto de vista técnico, de um jogador muito limitado. Quem viu o passe de Boulharouz para Wolfswinkel na quinta-feira, percebe que aquilo não era possível em Onyewu...

Pongolle foi um alivio e, ao contrário do que muito se disse, está longe de ser um caso singular, até ao nível dos clubes portugueses. O problema não foi despachá-lo, foi ter ido buscá-lo. Quando se fizer a história completa desses dias e se se souber os jogadores que foram recusados por ele e por outros... Enfim...

Thuram foi dispensado para a Turquia. Mesmo considerando as suas origens é, como noutros casos semelhantes no passado (Adrien, Pereirinha) uma decisão dificil de entender. Quem fará a avaliação da sua actuação durante a época?

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