4 diagnósticos sobre o Sporting
Estão no topo da actualidade as declarações de:
Boulharouz ("Sá Pinto não tinha mão firme")
e Schaars ("Com Sá Pinto era tudo pouco intenso").
Se as juntarmos às de
Godinho Lopes, na entrevista dada ao canal "ABola" ("Percebi quais são os problemas do Sporting. São problemas de organização, de disciplina, de métodos e de respeito")
com as de
Onyewu no passado dia 22 ("The problem (in Lisbon) was that everything was a mess,")
verificamos que os 4 diagnósticos confluem para um ponto comum, e são particularmente críticos com a organização do departamento de futebol e com os métodos de trabalho.
O que foi dito pelos dois holandeses vem confirmar alguns rumores que circulavam, e que davam conta de um relacionamento mais tenso com Schaars desde o inicio de época. Mas o que disse agora Boulharouz é uma contradição patética, se atendermos a que, há 2 meses, o mesmo jogador comparava os métodos de Sá Pinto com os de Mourinho. Ora Mourinho não é conhecido por não ter mão firme com os jogadores...
Independentemente das razões que lhes possam assistir, parece-me que não seria pior guardarem para a análise interna o que não foi dito na altura própria, que era afinal quando as suas declarações poderiam produzir alguma diferença.
Das declarações de Godinho Lopes e de Onyewu há um traço comum e que vai de encontro a uma ideia há muito arreigada relativamente à desorganização do departamento de futebol do clube e, como bem sabemos, os campeonatos ganham-se e perdem-se também nestes pormenores.
Assim não é apenas Sá Pinto, Luis Duque ou Carlos Freitas, que já não estão, que ficam em causa. A SAD tem um secretário técnico, Vidigal, e outros elementos cuja actuação não deixa de estar também questionada.
E agora que há ecos de um trabalho fisico mais intenso (Shaars queixava-se também de deficiente preparação física) não posso deixar de me recordar do impacto que teve a chegada de Mourinho ao Inter.
Os italianos são conhecidos pelas grandes cargas físicas no início do campeonato e por isso ficaram espantados com os treinos de Mourinho, tidos como leves. O resultado é conhecido de todos: O Inter teve a melhor época da sua já longa história, ganhando tudo o que havia para ganhar, com uma equipa cheia de jogadores veteranos.
Se quanto há obrigatoriedade da observância das mais elementares normas do respeito e da disciplina todos estaremos de acordo, já quanto à preparação física, sobram-me muitas dúvidas.
Há uma corrente entre os adeptos que fica sempre muito satisfeita quando ouve dizer que os jogadores "apanham grandes tareias" nos treinos. O que pode estar aqui em causa são escolas e metodologias de treino diferentes e, pelo que temos visto, os treinadores portugueses estão longe de estar desactualizados.
Vale a pena por isso recordar o que pensa Mourinho sobre o treino físico antes de fazermos juízos de valor apressados, condenando uns e incensando outros.
"A forma não é física. A forma é muito mais que isso. O físico é o menos importante na globalidade da forma desportiva."
"Não sei onde começa o físico e acaba o psicológico ou o táctico. Para mim, o futebol é globalidade, e o jogador também e assim não consigo fazer a divisão."
"Eu não trabalho o físico. E quando dissem que o Porto está muito bem preparado fisicamente, refuto isso totalmente. O Porto utiliza uma metodologia que rompe com todos os conceitos tradicionais do treinamento analítico."
"Não creio, no futebol de hoje, em equipas que estão bem fisicamente e outras mal. [...] Há equipas adaptadas, ou não, à forma de jogar de seu treinador. O que nós buscamos é que a equipa consiga adaptar-se ao tipo de esforço que nossa forma de jogar exige."
"Hoje, na minha metodologia, não há espaço para o preparador físico tradicional.
Tenho sérias dúvidas que a introdução de forma drástica e repentina de uma carga física intensa nos treinos venha a dar bons resultados, especialmente nesta altura do ano (campos mais pesados) e da época (jogos de 3 em 3 dias). Veremos como se porta a equipa nos próximos jogos e registaremos também a ocorrências de lesões musculares.

















