Sporting, um clube de Carlos Barbosas
A conclusão é inevitável e surge na sequência da chusma de reacções que desaguaram em tudo o que é comunicação social: o Sporting é um clube de Carlos Barbosas.
Carlos Barbosa pôs um pé no Sporting (antes ainda pensou por os 2) sem tirar o outro do ACP e julgava que podia das 9h ao meio-dia ser presidente de um clube e das 14h às 18h00 ser vice-presidente de outro.
Ainda não se tinha sentado na cadeira de vice e nem sabia o que era o Sporting e já nos vendia ao desbarato os sonhos que não fazia a mínima ideia de como cumprir. Saiu sem que da sua presença se pudesse até agora extrair qualquer vantagem que não seja para o próprio, pelo menos em tempo de antena.
Poder-se-á pensar que quem ocupa a cadeira de presidente do maior clube do País em número de associados não precisa de tempo de antena. Mas não será bem assim.
Se assim fosse - se o ACP fosse tão visível como é o Sporting - talvez os sócios de ambos os clubes já se teriam interrogado se faria muito sentido entregar tamanhas responsabilidades a alguém que, na vigência da mais profunda crise que há memória na democracia portuguesa, advoga a construção de uma linha de "eléctrico rápido do Marquês até ao Rossio ou ao Terreiro do Paço" para resolver "o problema do trânsito e da poluição" porque "quem polui são os transportes públicos, não são os privados". Talvez Carlos Barbosa ande demasiado de carro, com ou sem motorista, não sei, e ainda não se tenha dado conta que o tal eléctrico que preconiza já existe desde a década de 50 do século passado e se chama Metropolitano de Lisboa.
Para o Sporting infelizmente existem demasiados Carlos Barbosas. Quando lhes é concedida a honra de associarem o seu nome ao de muitos ilustres dirigentes que, estribados na força de um associativismo ímpar, ajudaram a fazer o que é hoje o nosso grande Clube, entram à leão mas saem sem deixar outra marca que não seja as que fazem crescer os orçamentos e quase sempre do lado da despesa. Uma vez fora estão sempre prontos a dar opinião, cujo acerto e profundidade em tudo se assemelha à pobreza da obra realizada, confundindo-se quase sempre com acertos de contas, sem qualquer proveito para o clube.
Vivo o Sporting há já muitos anos e não me lembro de, em momentos de particular necessidade, haver quem se ofereça para mais do que estes diagnósticos proferidos de forma ligeira, com um microfone pela frente. O contributo mais comum é juntar mais barulho ao ruído de fundo, que é em tudo semelhante aos préstimos que se podem esperar do histerismo na hora do naufrágio. Já perguntar "como, onde e quando posso eu ajudar para inverter a actual situação?" não me lembro de ver. E este comportamento não é exclusivo apenas dos notáveis, há sempre Carlos Barbosas desconhecidos perto de si...
É fácil pedir eleições ante os maus resultados. Quem as pede oferece-nos exactamente o quê? Mais difícil é perceber que um novo acto eleitoral não garante o que o Sporting mais precisa neste momento: que a sua equipa jogue com qualidade suficiente para alcançar os pontos que precisa.
Talvez durante a próxima semana dê, de forma mais fundamentada, a minha opinião (que em tudo se assemelha à que expressou o meu amigo Virgílio nos comentários ao post anterior) sobre a questão. Mas estou seguro de que, no actual momento, mais do que uma mudança imediata de presidente e direcção o Sporting precisa de boas decisões do seu treinador e de todo o empenho dos seus profissionais. Sem isso estou seguro que a actual crise não só não será debelada como se pronunciará, sendo bem provável que em pouco tempo se esteja a falar de novo em eleições.















