terça-feira, 6 de agosto de 2013

Ir a banhos ao Algarve e apanhar água fria

Rasgadinho(Foto A bola)
Um jogo de futebol feio ditou a primeira derrota da era Leonardo Jardim. Mas, por mais desagradável que possa ter sido à vista, o jogo de ontem acabou por ser um treino para um tipo de jogo que poderemos vir a encontrar em algumas equipas do campeonato. Não serão muitas, mas não seria improvável que  encontrássemos no Marítimo de Pedro Martins, o Nacional de Manuel Machado (apesar do jogo anterior não ter dado essa indicação), ou até os Vitórias (de Setúbal e de Guimarães) a mesma vontade de procurar dividir o jogo através de lançamentos directos para a referência atacante, evitando o pressing na saída de jogo e no meio-campo.

Não se pode dizer que Jardim não estivesse de sobreaviso. A equipa jogou uns metros mais abaixo do que havia feito em jogos anteriores, como que dizendo que sabia ao que vinha. Mas raras vezes conseguiu adaptar-se ou reagir às dificuldades impostas pelo adversário embora,  das raras ocasiões que pôs a bola no chão - sobretudo Carrilo e Adrien - facilmente conseguia transpor a horda de jogadores adversários para quem o presunto ia até ao pescoço. Ao deixar-se envolver em picardias com o adversário, ao invés de usar a inteligência e frieza para o contrariar, o Sporting ofereceu em bandeja a vantagem que o adversário procurava. Um erro primário que serve de aviso para quando estiverem em jogo mais do simples torneios de verão.

Assim, do ponto de vista da construção de jogo ofensivo, não houve qualquer progresso digno de registo. A forma como chegamos ao golo foi tão aleatória que não serve de referência. A sorte do jogo acabaria por ser decidida por via de erros defensivos, nem todos por culpa exclusiva da extrema defesa. Aliás, se o futebol é um jogo colectivo, os erros devem ser assacados à equipa, sendo que os defesas e guarda-redes são "apenas" os últimos a falhar. No primeiro golo não consegui perceber bem, mesmo após as repetições, o posicionamento defensivo e respectivas movimentações individuais, mas fica a sensação de uma enorme ingenuidade como grande parte dos jogadores se deixa atrair até a lateral, deixando o centro do terreno apenas a cargo de William e Evaldo.  O primeiro ficou batido e o segundo estava a pensar na morte da bezerra. Situação que se se repetiria no lance do terceiro golo, de forma mais ou menos semelhante. No segundo o West Ham em 3 toques, sem qualquer oposição defensiva, tira a bola da sua zona defensiva para chegar ao golo.

Dado o cariz do jogo não me parece muito importante fazer distinções individuais. Não há dúvida que ainda há muito trabalho para Jardim, seria sempre assim nesta altura da época, o jogo de ontem encarregou-se de o deixar à evidência, em particular para quem andasse distraído. Mas se nem a feijões é bom perder, estes são os jogos em custa menos e de onde se podem retirar alguns ensinamentos para o futuro. A próxima jornada do torneio, em jogo com o Braga, é bem capaz de ser uma ferramenta mais útil na observação das qualidades e defeitos da equipa e até do plantel.

Uma nota final para Bruno de Carvalho e Inácio. Como o segundo bem saberá aquele é o lugar por excelência do treinador tal como o a ponte de um navio é do comandante. O "ruído" permanente à sua volta, a presença de pé ao seu lado, como ontem foi visto várias vezes em diversos momentos é de todo desaconselhável, mesmo em jogos a feijões. Raspanetes a jogadores - a ser verdade o que o reporter da RTP referiu relativamente a Bruno de Carvalho e William Carvalho - equivale à desautorização e menorização do treinador. Falta do mais elementar bom-senso e de saber estar no seu lugar. Irreal! Duvido que Leonardo Jardim (ou qualquer outro treinador) faça de conta de conta que não viu muitas mais vezes.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Labyad de craque a malandro, um sinal dos tempos

Será?
Correm rumores que a ausência de Labyad se deve ao veto de Bruno de Carvalho e não a uma opção técnica de Leonardo Jardim. E esse veto teria a ver com o facto do jogador "ganhar muito e não se esforçar nos treinos", versão ventilada pelas pitonisas de serviço.

Até prova do contrário recuso-me a acreditar nesta versão. 

1 -  Porque não acredito que se um jogador corresse pouco nos treinos ou em campo teríamos que esperar que fosse o presidente a mandá-lo descansar. Isso seria admitir que o treinador  seria incompetente, o que não parece ser o caso. Fica por perceber porque razão quem dá vento a estes rumores não o constate e o quanto isso fragiliza o treinador, acabado de chegar e cujo trabalho tem merecido apreciação positiva.

2- Por me recusar a ver o treinador como incompetente, não acredito que ele aceitasse este tipo de intromissão numa área que é apenas sua.

3- Porque me recuso a acreditar que se de facto o jogador tem um salário incomportável para o clube este seja o método que (i) valorize o jogador aos olhos do mercado, por forma a despertar o interesse de um clube que nos livre do pesado encargo e, por último, mas não menos importante (ii) que o método honre um clube como o Sporting Clube de Portugal.

Do regozijo dos Sportinguistas por termos contratado um dos jovens jogadores mais promissores do Mundo e, em simultâneo, o termos resgatado aos rivais FCP e SLB já só resta o odioso de ser olhado como um empecilho. Um sintomático sinal dos tempos que correm.

Há dois meses esta situação já não era difícil prever, pelos comentários que se iam gerando, que mais tarde ou mais cedo o "problema" passaria a ser o jogador, por isso escrevi este post:

Aí está Zakaria, El Diablo

domingo, 4 de agosto de 2013

A "Aposta na Formação"

O Tiago voltou a escrever e eu voltei a "roubar-lhe" estas linhas que são um documento importante de reflexão, em particular neste momento.

Começou na campanha eleitoral, prosseguiu pelo final da época e agora, em pleno defeso, volta a ganhar força em plena vaga de ampliaçoes de contratos e vitórias em amigáveis: a aposta na formação. A narrativa pode resumir-se facilmente: o clube gastou rios de dinheiro em jogadores teoricamente bons que afinal são realmente maus e negligenciou, nestes últimos dois anos, o principal activo do clube e que mais reconhecimento e êxito, tanto desportivo como financeiro (pelo retorno potencial que representa em vendas futuras e pela poupança que implica): o futebol formativo. Como tal, há que voltar a centrar a política desportiva do clube aqui e construir uma primeira equipa à volta dos jogadores formados no clube e essa deve ser a prioridade a curto prazo.

O contexto favorece que, no culminar de uma sequência de desnorte e de desgostos, surjam entre sportinguistas alguns argumentos que parecem cantis de racionalidade no meio do deserto emocional, tal é a força com que nos agarramos e bebemos deles.  O problema é que alguns deles parecem precisamente uma miragem provocada pela sede de qualidade e resultados. O chavao da “aposta na formação”  é um dos que se apoderou do discurso de muitos sócios e adeptos desde que as ideias trazidas pela última direcção do clube e do futebol não só começavam a falhar como a dar resultados bem piores do que as piores expectativas.

O recurso a este argumento parece até uma demonstração de bom senso e “bom sportinguismo” (outra narrativa interessante, esta do Sporting como categoria moral corrompida por alguns) irrefutável. Parece, digo, porque não é. Serve este comentário para avançar ideias com o objectivo de reflectir sobre uma ideia algo mitificada. Conto que seja útil, já que todo o tempo dedicado a repetir ou destacar argumentos vazios é tempo que seria utilmente empregado a coisas mais consistentes.

Formação em si, porque sim

No final de 2012, um dos vários turbilhoes de Mourinho em Madrid envolveu a perspectiva sobre a formação do clube, o papel do Real Madrid Castilla e as diferenças com Alberto Toril, o seu treinador.  Num futebol altamente polarizado como é o da Liga Espanhol e sendo o rival do Madrid sobejamente elogiado pelo seu futebol formativo, ninguém estranhou que o treinador  Tito Vilanova fosse rapidamente instado a opinar sobre o caso. E numa conferência de imprensa em vésperas de um jogo contra o Celta, aconteceu algo que de fora pode ter parecido excepcional: Tito deu indirectamente razao a Mourinho (ou ao argumento que se lhe quis publicamente imputar, se preferirmos).  Ainda na sombra do sonho dos 11 jogadores da formação a triunfar na equipa principal, Tito disse as palavras mágicas “isso da formação é bonito de dizer mas se não ganhássemos, não serviria para nada; pomo-los a jogar porque acreditamos que é com eles que podemos ganhar, senão não o faríamos”.  

Este argumento é chave e, centrando-nos puramente nele e não nos contextos e realidades respectivas, é altamente diferencial daquele que continuamente se utiliza no Sporting. Há a cultura de vitória e de excelência e depois a vocação formativa, e a segunda serve a primeira. A história das últimas décadas do Sporting mostra que o discurso da aposta na formação se fez em momentos de menor capacidade financeira e parece mostrar, por outro lado,  que nos momentos de êxito (infelizmente demasiados esporádicos), tanto a estrutura do clube como os adeptos estavam mais concentrados nos resultados e na qualidade do jogo do que propriamente em saber se esses resultados e essa qualidade se devia a uma “aposta” na formação. Outra coisa que se depreende facilmente é que os grandes valores a emergirem da formação, e por emergir refiro-me a destacar-se claramente como dos melhores jogadores do campeonato e/ou a dar o salto para paragens mais competitivas, fizeram-no justamente em momentos de grande competitividade, em plantéis com uma base experiente ou em contextos de títulos. Penso em nomes como Figo, Quaresma ou Cristiano Ronaldo, até Simao.

No presente, é comum ver a justificação da aposta em jogadores formados no clube e com menos de 2 ou 3 anos de sénior numa pretensa melhor relação custo/qualidade dos jogadores contratados nas últimas épocas. Esta relação custo/qualidade é baseada nos resultados da equipa: a posição no campeonato, as vitórias e derrotas, os golos marcados e sofridos. O exercício é simples e simplista: gastou-se dinheiro em jogadores com ordenados mais altos que os dos jogadores da formação e não só se falharam todos os objectivos como se ficou na pior classificação de sempre, e com o correspondente rombo orçamental. Como o potencial não é mesurável de forma fiável e a vocação formadora induz sempre ao entusiasmo em relação aos primeiros sinais de qualidade, é fácil pensar que o jogador da formação tem uma melhor relação custo/qualidade que o da ida ao mercado.

É neste ponto que convém recordar as palavras do Tito Vilanova e tentar perceber se a lógica é “se é para perder, melhor perder com os nossos que são mais baratos” ou se a lógica é “visto tudo o que podemos fazer para melhorar a equipa, chegámos à conclusao que os melhores, os jogadores excepcionais, estao cá dentro”. E convém perceber com que jogadores é que o Sporting ganhou os últimos títulos e contra que jogadores rivais o Sporting tem (porque tem!) que lutar para ganhar os que lhe esperam. Atribuir mais importância a um jogador, privilegiá-lo e dar-lhe prioridade por ser formado na casa, magnificar o seu clubismo, é desrespeitar o seu potencial real e o seu talento. Numa equipa ganhadora e com talento, o clubismo torna-se irrelevante face à qualidade e capacidade competitiva e quando um jogador tem que ser realçado por ter sido formado no clube ou por sentimentalismos, subjaz ao seu tratamento um descrença na sua real capacidade. Esta descrença fica exposta quando, por motivos extra desportivos, os jogadores são afastados da equipa, como foi o caso de Pedro Mendes após assinar com o Parma ou como se insinua que pode ser o caso de Ilori ou Nuno Reis: com os poucos dados que temos para avaliar, o que está claro é que a crença na qualidade e no talento não se sobrepuseram a factores negociais ou contratuais.

O que é apostar?

A resposta parece fácil mas não é. Parece fácil porque nos habituaram a pensar que apostar significa dar minutos de primeira equipa. Mas em realidade é confuso, caso contrário esse, o de ter minutos na primeira equipa, não seria o argumento para explicar o complicado impasse da renovação de Bruma. Certo, o problema talvez não seja os minutos na primeira equipa mas o facto de não se ter renovado antes com Bruma. Porém, Bruma tem contrato, foi renovado em 2011 e, no momento em que foi lançado na primeira equipa, faltava época e meia para este terminar. Além que na altura em que foi lançado, foram decisivos o incentivo à “aposta na formação” (isto de dar jogos a titular) e a confiança que ao fazê-lo, Bruma se sentiria mais motivado a renovar. Enfim, o argumento parecia claro mas complica-se.

No Sporting actual é ainda mais confuso perceber exactamente o que significa apesar de, mediaticamente a ideia ser apresentada e usada como se fosse cristalina. Por um lado reafirma-se a intenção de aumentar os minutos e a titularidade de atletas formados no clube, por outro reduz-se significativamente os quadros de treino e prospecção do futebol formativo. Por um lado amplia-se contratos (já de si longos) com vários jogadores, por outro anuncia-se um orçamento radicalmente reduzido, defendendo uma poupança justamente baseada no baixo custo dos jogadores da formação. O talento e a formação deste custam dinheiro. Uma academia, uma infraestructura física e humana que permita potenciar o talento de atletas desde so primeiros escaloes até aos seniores, custa muito dinheiro. Até optimizar os recursos para poupar dinheiro, custa dinheiro. Se apostar na formação significa poupar dinheiro e se prolongar os vínculos dos jogadores da formação significa ampliar o prazo dessa poupança, o clube arrisca-se ou a colher tempestades em caso de êxito a médio prazo (pelo possível desfasamento entre o valor que o Sporting atribuiu aos jogadores e o valor que o mercado lhes atribui em função desse mesmo êxito) ou o prolongar de uma baixa competitividade, fruto da degradação das condiçoes para um bom trabalho no futebol formativo.

Está visto que é complicado de perceber o que significa a expressao mas aparentemente permite a um jogador de 23 anos com uma época positiva mas não extraordinária na Académica, a renovar o seu contrato até aos 27 anos e a obter a confiança que será a aposta que nunca antes chegou a ser, nem ao ponto sequer de ter lugar no plantel principal. Complicado de perceber se quisermos ir além do que nos habituámos a pensar, voltando ao princípio.

Voltar a apostar na formação. “Voltar”?

Se considerarmos que apostar é entao alinhar com jogadores da formação na equipa principal, a este discurso subjaz também a ideia que se trata de recuperar uma rota temporariamente abandonada à qual há que voltar. Mas será realmente assim? Descontemos o facto da vocação formativa ter estado presente tanto nos discursos como nos actos e programas de todos os responsáveis que passaram pelo clube (e em boa parte dos casos com um funcionamento prático felizmente autónomo de instabilidades institucionais), e centremo-nos nalguns dados.

O último período de aposta na formação foi talvez o período de Paulo Bento. Treinador de invulgar longevidade no clube, hoje em dia é visto como o último grande defensor da formação desde o banco, um testemunho até há pouco tempo aparentemente passado a Jesualdo. Até 2009, o Sporting teve às maos de Paulo Bento na primeira equipa uma fornada de jogadores formados no clube. E depois? E depois... também. Na época 2008/09, entre os jogadores que tiveram minutos no campeonato contavam-se 10 formados no clube. É verdade que entre eles havia jogadores amplamente utilizados como Rui Patrício ou Moutinho mas falamos também do veterano Tiago, dos intermitentes Djaló e Adrien e também dos 4 singelos minutos de Renato Neto. Já na época 2011-2012, dos 10 jogadores formados no clube com minutos no campeonato passávamos a uma preocupante descida para... 9. O conjunto total de minutos entre os jogadores da formação diminuía mas um deles era totalista.

Na época de 2012-2013, o total é de 15 jogadores mas 1 nao chegou a ser utilizado, 2 deles saíram no mercado de Janeiro e 6 desses 15 não chegam sequer aos 90 minutos. Ou seja, algures entre os 9 e os 10 nestas três épocas analisadas. É certo que entre os titulares ou jogadores mais utilizados passámos de 4 ou 5 formados no clube para 2 ou 3 com a mesma origem. É suficiente para apontar esta variação como boa parte da origem dos problemas ou justifica radicalizar este pretenso regresso à formação como panaceia para o futebol sénior do clube? Isto partindo do princípio que apostar na formação é, claro, fazer alinhar o máximo de jogadores possíveis na equipa principal, o máximo de tempo. Por outro lado, se os resultados dos últimos anos permitem inferir que algo não está a ser feito da melhor maneira (formulemos a coisa desta forma eufemística) e se ao longo desses mesmos últimos anos não houve uma variação tao significativa no número de atletas da formação que chegaram ao plantel principal, justifica basear, primeiro, um paradigma de gestao desportiva nessa ideia e, segundo, definir essa ideia em função desse volume de tempo de jogo? Dito de outra maneira, se nem antes quando esse caminho da formação era seguido, o Sporting tinha o êxito que não se obteve por se ter abandonado esse mesmo caminho, pretende-se voltar exactamente a quê?

Esta noção de regresso expoe um clube num limbo. Não é novo que há vários anos que cada época é o ano zero de um novo projecto. Até a época passada, que ameaçava ser uma excepção, acabou por ser considerada o recomeço do projecto do ano anterior. A aposta na formação, há exactamente um ano, eram Sá Pinto, símbolo do clube e escalador meteórico no prestígio do clube pela boa percepção do trabalho nos juniores e na segunda metade da época, ainda que agridoce. Eram a renovação de Patrício, Adrien e André Martins, curiosamente hoje (ainda) titulares no onze de Leonardo Jardim. E, de novo, o limbo, entre o regresso a umas origens – a “aposta” pretensamente abandonada, o sportinguismo puro (a tal questao da categoria moral), pré-corrupção roquetista – e o futuro, o potencial dos jovens, os contratos até 2018, a nova era de clube diferente que agora começa e que nos trará a todos muitas alegrias. A alguns já nos bastava que conseguisse fazer-nos disfrutar do presente e sacudir o cinismo diante dos desgostos, ao menos os da pré-época, esta que começou em Março, quando acabou mentalmente a temporada 2012-2013. Quando a bola voltar a rolar a sério, não tudo mas algo importante, o foco da nossa atenção, será diferente.

sábado, 3 de agosto de 2013

Um regresso que se saúda

Filipe Vieira de Sá pode não dizer muito aos leitores, mas se falarmos no Jogo Directo já quase todos saberão identificar. Está de regresso às publicações, um regresso que saúdo e que vem completar um espaço que tinha ficado por preencher com a sua ausência. Deixo excertos de cada um dos 3 parágrafos "roubados" do seu primeiro post, cujo teor integral pode e deve ser lido no Jogo Directo. O interesse é reforçado porque corresponde à análise do pretérito jogo com o Nacional.

Estruturalmente, o ponto que mais destaque me merece é o papel dos médios. Jardim distingue as relações entre os centro campistas em função de ter, ou não, a bola. Isto é, o 4-3-3 que se vê com bola, com um médio mais posicional, transforma-se num 4-4-2 quando a equipa aborda a organização contrária, definindo três linhas bem evidentes, com um dos médios (até aqui André Martins) a juntar-se ao avançado, e distribuindo simetricamente o papel dos dois médios que se posicionam na segunda linha defensiva. Num defeso que parece destinado a debates sobre "pivots" e "duplos-pivots", podemos perguntar se, afinal, o Sporting joga com "mono pivot" ou com um "duplo pivot"? ou se o seu sistema será 4-3-3, 4-2-3-1 ou 4-4-2?

(...)esta opção de Jardim em relação ao papel dos médios parece-me ter implicações importantes em relação à dinâmica da equipa. Particularmente, o posicionamento dos dois médios mais adiantados, quando em posse de bola, tem uma tendência previsível para conservar alguma assimetria, com o lado direito a ter um médio com maior propensão ofensiva do que o seu homologo do lado contrário.(...)a consequência principal de tudo isto tem a ver com as implicações na dinâmica ofensiva da própria equipa, sendo provável que a assimetria seja uma das características deste novo Sporting.

A equipa não fez dois jogos brilhantes - provavelmente não poderia mesmo fazer nesta fase - mas soube sempre adaptar-se às diversas circunstâncias que lhe foram surgindo. Em particular, foi sempre uma equipa bem organizada e solidária, conseguindo manter quase sempre uma boa presença numérica na zona da bola, o que facilitou a tarefa dos seus defensores. Paralelamente, foi também uma equipa pragmática com bola, cometendo muito poucos erros em fase de construção, o que é decisivo para precaver situações mais complicadas em termos de transição defensiva. Por tudo isto, parece-me que o ponto decisivo para a definição do patamar que este Sporting pode, ou não, atingir reside no binómio especificidade-qualidade.(...)em Alvalade Jardim ainda tem um longo caminho a percorrer, mas sou da opinião de que é pela via da especificidade que o Sporting poderá alavancar a sua qualidade e, consequentemente, a eficácia dos seus processos.

No plano individual, o tempo de análise não me permite conclusões muito sólidas. Ficam, ainda assim, as minhas notas sobre dois jogadores em destaque neste inicio de temporada, reforçando de novo que o tempo para grandes ilações é ainda escasso: William Carvalho e Maurício. Quanto ao primeiro, é de facto uma boa revelação, mas não posso ainda partilhar de algum entusiasmo excessivo. Surpreendente sobretudo a sua eficácia e sobriedade em posse, mas há um enorme exagero em relação à sua capacidade interventiva na fase defensiva.

Quanto a Maurício, o tempo é ainda curto para conclusões e beneficiou do bom comportamento colectivo, mas revelou-se um jogador bastante assertivo nestes primeiros dois jogos. Com bola, não será provavelmente um primor técnico mas manteve sempre um bom critério, o que é o fundamental para a sua posição. Sem bola, revelou-se um jogador bastante dominador na sua zona de intervenção, ganhando a esmagadora maioria dos duelos, seja em organização, seja em transição.




sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Nacional - Sporting: o que é nosso é bom

O Sporting prosseguiu ontem a sua preparação, jogando com o Nacional em casa emprestada a este. Há males que vêm por bem e os tais problemas logísticos que impediram a viagem à Côte d'Azur, empurraram-nos para um adversário que, quanto a mim, é mais adequado ao propósito em vista: preparar a equipa para o campeonato. As especificidades do nosso, em particular para as obrigações de um grande que este ano não tem competições europeias, tornam mais fácil encontrar aqui as dificuldades dos jogos da Liga do que noutro lugar qualquer.

O velho problema
O jogo de ontem acentuou a impressão deixada no anterior. Leonardo Jardim ainda tem que trabalhar muito e dar muito trabalho aos jogadores. Nada de anormal se atendermos ao tempo que Jardim tem no clube e do momento da época. Mas é evidente que o problema não solucionado pelos que o antecederam permanece para já. Uma equipa como o Sporting deve passar mais de 65% do tempo do campeonato (percentagem intuitiva, não baseada em dados rigorosos) a organizar o seu jogo a partir do seu guarda-redes ou defesas centrais, com o adversário atrás da linha da bola. 

A eficácia do ataque organizado é por isso fundamental e a sem ela torna-se difícil fazer chegar a bola a zonas do campo onde é mais fácil finalizar e onde, por norma, estão os elementos mais vocacionados para o fazer, os avançados. Ora a bola ainda demora muito a chegar lá à frente sobretudo a partir do jogo interior. Demorar muito tempo popde não ser propriamente um problema, chegar poucas vezes e em condições  de difícil sucesso já é. A tarefa (e a observação das suas qualidades) dos avançados é muito difícil, especialmente para a unidade de referência, o ponta-de-lança. Como dizia no post sobre o jogo com a Real Sociedade, este é o telhado da casa e por isso, e pelas dificuldades inerentes ao próprio processo, o que demora mais a consolidar. Aguardemos.

De facto o Nacional foi um bom adversário para testar a qualidade do nosso jogo face às necessidades da Liga. Sofreu um golo muito cedo e nem esse facto o levou a desmontar a tenda lá atrás. Algo que será comum a quase todas as equipas com quem nos cruzaremos no campeonato. Já mais para o fim tentou esticar o seu jogo até à nossa baliza, abrindo espaço para as transições ofensivas de que tanto Jardim gosta. Aí conseguimos aparecer mais vezes e com mais perigo, construindo mais ocasiões para dilatar a vantagem.

Segundo jogo, segundo zero
Eliminemos a época passada da comparação, pela sua anormalidade, mas talvez estejamos a construir uma equipa que nos fará regressar aos bons tempos de Paulo Bento no número de golos sofridos. Não terá sido por acaso que ontem efectuamos o segundo jogo registando o segundo nulo nas nossas balizas. Esta é também uma das marcas de Jardim nas suas equipas, a eficácia defensiva, a par de igual qualidade ofensiva. É neste equilíbrio que se definirá a nossa sorte.

Algumas notas individuais

Eric Dier: parece um veterano. Grande parte da sua qualidade como jogador advém-lhe da sua estrutura mental que lhe proporciona uma aptidão invulgar para ler o jogo e a ele estar permanentemente ligado, concentrado. São essas qualidades que o levam a poder fazer vários lugares. Uma delicia ver este miúdo jogar, uma delicia para qualquer treinador.

Evaldo: Não é um artista mas não é tão mau como pintam. É um bom segunda linha para qualquer eventualidade. Defende bem e isso pode levar Jardim a pensar duas vezes, até porque parece ser um bom profissional.

William Carvalho: mais um leãozinho tirado da enorme cartola que é a Academia. Pode tornar-se num caso sério. Gosto do tenho visto e gostei particularmente que se assumisse como Sportinguista em recente conferência de imprensa. O seu ex- treinador na Bélgica teceu recentemente os melhores elogios relativamente às suas qualidades humanas e profissionais e acabou defini-lo como algo parecido com "um maluquinho pelo Sporting". Segundo ele passava a vida a falar sobre o clube e sempre à procura de tudo o que relacionava com o clube.

Rinaudo: é o mesmo jogador de sempre mas a fasquia está-lhe agora muito alta com a aparição de William Carvalho. Como tem uma enorme alma ainda podemos contar com ele. E se olhar para o que o miúdo faz de certo que se tornará ainda melhor.

Adrien Silva:Para o jogador com o seu potencial é indiferente triunfar no Sporting porque o conseguirá fazer noutro lado qualquer, se não houve anormalidade no seu percurso. Já para o Sporting não é indiferente. É importante, como sinal para a Academia, ser possível resgatá-lo ao destino que teve Pereirinha, Carriço e Pedro Mendes, só para falar nos mais recentes. Tal como eles, Adrien não é o próximo Ronaldo. Não está a ser melhor do que nunca, está apenas a ter uma época normal, sem casos o que o torna numa peça importante, tal como qualquer um dos citados poderia ainda ser.

Chaby:Como diria o Koba, tem nome de artista e isso vai ajudá-lo muito. Precisa de crescer, não tanto em altura mas em músculo, mas tem talento e para esse há sempre espaço se lhe dermos o tempo.

Carrillo: dizia a brincar ontem que precisava de ter um pouco da maturidade de Dier para ser o craque que anuncia ainda de forma demasiado intermitente. Mas isto é como pedir a bon-vivant que tenha juízo e se case, é matar um pouco daquilo que é. Mas precisa de saber jogar mais simples, evitar o último adorno, dosear o esforço fisico. É com o decorrer do tempo que isso fica mais evidente, porque lhe vai faltando as forças e discernimento para serpentear como uma "culebra" que de facto é, mas que não sabe como soltar todo o veneno que tem dentro dele.

Montero: Já mostrou quem tem pés e isso no futebol até é mesmo importante. Começou como deve qualquer goleador, marcando golos. Algumas dúvidas se poderá ser um "9". Só se explica a aparente falta de trabalho muscular num jogador da sua posição por ter andado por ligas menores e talvez isso explique também porque fez grande parte da carreira como segundo avançado. Aquelas "reviengas" na grande área apelaram à imagem de Matias Fernandez, não foi?

Nota final
O Sporting tem nos seus plantéis da equipa A e B um lote de jogadores de grande qualidade, por sinal os mais promissores de todos serão os formados na casa. Se, como organização colectiva, soubermos fazer a transição que agora é necessária, evitando os erros quase sempre repetidos nos últimos anos, não devemos ter receio do futuro. Devemos isso a estes miúdos talentosos mas devemos sobretudo ao grande clube que somos.

Jogaram:
Rui Patrício; Cédric, Eric Dier, Maurício e Evaldo; William Carvalho, Adrien Silva e André Martins; Filipe Chaby, Montero e Carrillo.

Jogaram ainda: Marcos Rojo, Jefferson, Rinaudo, Wilson Eduardo, Marcelo Boeck, Capel, Welder, Ponde e Labyad.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Breve balancete da pré-época

A mais ou menos um mês do final da janela de transferências um balanço rápido sobre o que tem sido o defeso. 

Programação da época
Demasiado acidentada. Até agora 2 jogos anulados sem explicação satisfatória para o sucedido. As razões logísticas para o adiamento do jogo em Nice não foram suficientes para que a Roma lá se apresentasse à última hora, como aqui foi bem observado.

Abordagem do mercado: Ficará sempre indelevelmente marcada pela inabilidade com o que o dossier Bruma foi abordado, mesmo que este venha a ser remediado, embora haja efeitos perniciosos que não poderão já ser anulados. E também pela truculenta relação com os empresários e com os clubes (negócios Thuram, Viola). Demasiadas frentes em aberto, demasiada exposição com efeitos práticos nulos ou até negativos. Um livro antecipadamente aberto em relação aos jogadores pretendidos, com desfechos negativos perniciosos para a imagem do clube.

Vendas / Dispensas: O dossier mais difícil de resolver tendo em conta o elevado lote de jogadores, com elevados salários e valor de mercado em baixa e que por isso só deverá conhecer o desfecho nos últimos segundos. Não será porém surpreendente que um ou outro jogador acabe por continuar ligado ao clube, por comodismo proporcionado por um ordenado chorudo ou por falta de pretendentes ou ambos. Pela dificuldade envolvida requer paciência e nervos de aço.Valores muito baixos no negócio com o PSV por Schaars / Árias. Critério muito duvidoso nas dispensas de Farley Rosa, Luiz Cortês e Ricardo Tavares na formação.

Aquisições: Cissé, Welder, Mauricio, Magrão não acrescentaram nada ao que não tivéssemos já no plantel ou não pudéssemos remediar. Apesar do valor de Montero ser ainda uma incógnita, dificilmente não significará uma melhoria, face ao que Jardim tinha à disposição. São muitas as dúvidas de estas serem as tais aquisições cirúrgicas ou se andamos a gastar no farelo e poupar na farinha. Experiências anteriores com jogadores à procura da redenção ou do relançamento das suas carreiras (Angulo, Paredes, Pranjic, Bojinov, etc.) também ajudam pouco a ver algumas destas aquisições com confiança, especialmente o caso de Magrão, o mais caro de todos. Face aos jogadores já em carteira e ao momento financeiro 2 a 3 aquisições seriam suficientes, o que constituiria uma mensagem coerente com a "aposta nos jogadores da casa".  Para lá deste número, a haver mais, seriam em função de saídas, como pode acontecer com Patrício ou outro eventual bom negócio.

Melhor contratação: Leonardo Jardim. Pelo que se pôde ver no jogo de apresentação, os princípios são bons. Com a assimilação dos conceitos e consolidação de processos é expectável  mais consistência e evolução positiva.  Dúvidas legitimas sobre o que seremos capazes de fazer no último terço do terreno. Tal estará também dependente do material humano à disposição do treinador, o que até agora me parece insuficiente. Mas como é também o telhado, é por aí que a construção de uma equipa acaba. Aguardemos. O que todos esperamos dele é consiga o fundamental em qualquer equipa de futebol: que o todo seja superior à soma de todas as partes. Isso conseguido e as insuficiências e limitações individuais acabam por passar despercebidas.

A renovação de João Mário e William Carvalho, de entre as efectuadas com jogadores da casa até ao momento, são excelentes noticias pelo que já valem e pelo que valerão no futuro.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Pmagpagaio, show de araras e aves raras

Ainda bem cedo chamei aqui à atenção para o erro que constituía atribuir a figuras menores na hierarquia do clube a tarefa de assegurar, mesmo que pontualmente, a comunicação institucional. Pelas razões mais óbvias e, sobretudo, por contradizer o  que Bruno de Carvalho prometera relativamente à matéria nos momentos que se seguiram à vitória nas eleições.

Hoje já é consensual que as intervenções do PMAG ajudam pouco ou nada o clube. Na maior parte das vezes representam um enorme distanciamento entre o que é dito e o prestigio do clube, bem como do que são e do que pensam os sócios e adeptos. A comunicação do Sporting não se pode assemelhar a um show de araras.

Há pouco dias era a equivalência do presidente a um "virus que nos empurra". Agora é o o aviso aos adversários para que se cuidem porque ... "seremos campeões na recuperação administrativa e financeira". O Sporting é um clube desportivo, não uma organização comercial ou administrativa, embora seja consensual entre nós que há muito a fazer nessa área. Os nossos adversários são os que encontramos no relvado, são esses os jogos que queremos ganhar, em especial aos nossos rivais. Tirar daí o foco, como se o Sporting pudesse fazer o intervalo na sua grandeza e entretanto ser  o primeiro num campeonato de mangas de alpaca é um erro estratégico imperdoável.

As declarações seriam completadas com a ideia messiânica  de que "tudo o que Bruno de Carvalho faça será a bem do Sporting e dos jogadores" tendo já antes avisado de que os problemas do Sporting "ou são resolvidos por Bruno de Carvalho ou mais ninguém o fará". Quem diz isto é o representante de todos os sócios de um clube cujo carácter associativo é um exemplo e a raiz da sua grandeza. Faltam-me as palavras e a vontade para qualificar estas declarações.

Aves raras
Não precisei de ler o desmentido da direcção do Sporting sobre as declarações de Elias e quem leu a minha brincadeira no post de ontem tê-lo-á percebido. Há uma diferença entre ser inteligente ou esperto mas para perceber que o que disse Elias não batia muito certo não era preciso mais do que ter 2 sinapses por dia. Infelizmente houve muito Sportinguista, qual ave rara, a fazer eco das palavras do jogador brasileiro sem cuidar de perceber o que elas representavam para a imagem do clube e sobretudo da sua conformidade com a verdade. E porque o fizeram? Para comemorar mais uma derrota da direcção anterior, como tal não fosse uma derrota para o clube e, por isso, para todos nós.

Esteve bem a direcção ao desmentir o jogador, defendo os interesses do clube, como lhe compete. Esteve bem melhor que alguns dos seus apoiantes mais extremistas - que, apesar do desmentido, não se retrataram - que não percebem que enquanto comemorarmos vitórias de uns contra os outros apresentar-nos-emos sempre mais fracos para lutar com os adversários e inimigos, que também os temos. 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Jefferson Montero: 2 em 1, o 2º maior accionista da SAD, os 1700 anos do FCP e outras notas

Jefferson Montero, 2 em 1
Um dos problemas que se arrastam há algumas épocas e que Wolfswinkel não resolveu inteiramente é o lugar de ponta-de-lança. Este ano já compramos 2 elementos para aquele lugar mas a incógnita sobre a sua real valia mantém-se para já. Vai daí e lembrei-me de sugerir que em vez de termos ido buscar o Jefferson ao Estoril (como pesam mais as nossas camisolas, deve ter pensado o defesa-esquerdo e todos nós, após o primeiro jogo em Alvalade...) e o Montero aos USA, às tantas íamos buscar só um como este de seu nome... Jefferson Montero. Seria um verdadeiro 2 em 1:


Elias, o grande 
Elias veio finalmente esclarecer os motivos que o levaram a sair do Sporting em direcção à terra Natal. Segundo o próprio o Sporting devia-lhe 8 meses de salários. Fazendo as contas o jogador brasileiro esteve no Sporting cerca de 18 meses. Isso quer dizer que, a ser verdade, recebeu apenas os primeiros 10 meses. O que me levou a pensar:

- Isto pode ser verdade, o que diz muito do que foram os resultados que a equipa ia coleccionando, jogo após jogo.

- Ou será que Elias recolhia o ordenado na sala da direcção e não por transferência bancária? Isso fazia com que tivesse que subir as escadas (os elevadores nem sempre estão disponíveis e a distância aos balneários é razoável) e se o fizesse com o mesmo empenho e rapidez que exibia em campo isso explicaria alguns dos meses em atraso.

- Com 8 meses de salário em atraso o Elias já tinha metido mais dinheiro no Sporting do que os 3 candidatos às últimas eleições, o que faz dele um benemérito. Se atendermos ao que custou o passe e que podia ter saído para onde quisesse com passe na mão, a quantia faz-lhe valer metade do novo accionista, a Holdimo. 

FCP celebrará em breve 1700 anos, mais coisa menos coisa
O FCP comemora os 120 anos da sua fundação. Por isso ontem jogaram de branco porque, como há 120 anos não existiam, não havia melhor cor para representar a efeméride. Branco mais em branco não há. 

Mas, neste momento, estou em condições de avançar com a informação de que no próximo ano o clube da Invicta poderá comemorar 1.700 anos, mais coisa menos coisa. Depois de Rui Guedes, o famoso apresentador do Topo Gigio, ter descoberto que uns maduros que jogavam à bola em 1893, para destilar os vapores das provas de vinho do Porto, já eram o FCP, surgem agora novos indícios que apontam a datas anteriores. Mais propriamente aos anos 300 D.C em que S. Jorge mata um dragão, episódio celebrizado pela Igreja Católica e outros. 

Ora parece que aquele não era o último dragão e que terá deixado descendência. Não querendo estragar desde já a surpresa, é muito provável que seja a própria Daenerys Targaryen a contar a história. Só não aconteceu ontem porque a menina, cheia de predicados e complementos directos, estava ocupada nas gravações da quarta temporada da Guerra dos Tronos:


Pré-época
Decorrem com normalidade os jogos de preparação para a época 2013-14. Enquanto as atenções se concentram nas equipas de futebol não devemos deixar de olhar para o que fazem também os árbitros. Por exemplo, Hugo Dias e os seus auxiliares, ensaiaram ontem no Dragão dois dos lances mais comuns naquele relvado: deixar marcar um golo aos da casa em fora-de-jogo e não expulsar um jogador, também da casa, mesmo depois da segunda tentativa consumada de agressão. Lances como estes são fundamentais nas arrancadas para os títulos, especialmente no inicio de cada época, pelo que estes treinos se revestem de particular importância.

Roberto só há um
Muitos ter-se-ão interrogado sobre quantos Robertos o SLB teria nos seus quadros quando se soube agora que o clube sediado em frente ao Colombo vendeu um guarda-redes ao Atlético de Madrid com esse nome. Precisamente com o mesmo nome de outro que já havia vendido ao Saragoça. Estamos em condições de esclarecer que Roberto só há um. É o nome que qualquer guarda-redes recebe assim que  assina contrato com o SLB, e que na gíria vermelha tem o mesmo significado que "rapaz que cuida do aviário". Em tudo semelhante à designação de "Almeida" adoptada para designar os varredores de ruas. Artur é, como se tem visto, um bom Roberto.

Boas relações com o SLB são boas para o futebol
Lembram-se das declarações do nosso PMAG, a propósito da normalização das relações com o SLB? Dizia ele que eram boas para o futebol português. Ora O SLB já tratou de esclarecer o equívoco do nosso PMAG, ao tirar Pizzi (e Silvio também) da rota de Alvalade e enviá-lo para Barcelona. Boas relações com o SLB estão para nós como os ventos e os casamentos vindos de Espanha. São boas para o futebol, mas para o espanhol.

domingo, 28 de julho de 2013

Jogo de apresentação: promessas, promessas, promessas

Deixarei para depois as muitas dúvidas que ficaram a pairar no ar após a ausência de alguns jogadores na apresentação do plantel. Nem todas as situações serão idênticas, nem todas significarão os mesmos desfechos pelo que o melhor será aguardar pela respectiva definição para me pronunciar.

No cumprimento de obrigações pessoais não me foi possível ver o jogo na totalidade e o que vi não foi uma observação cuidada, o que deverei fazer hoje, uma vez que o gravei para esse efeito. Assim deixarei a impressão genérica do que vi.

Nas referidas circunstâncias e tratando-se de um jogo de preparação - o terceiro, se não estou em erro - não se podem tirar conclusões definitivas nem em termos individuais nem em termos colectivos. Mas as primeiras impressões deixadas são positivas e em alguns momentos superou as minhas expectativas. Desde logo o número de jogadores da casa a puxar dos galões e a fazer uma demonstração de qualidade e vontade. 

Uma equipa subida no terreno, pressionando de forma agressiva, muitas vezes solidária, tentando recuperar a bola o mais cedo possível. Com um quarteto defensivo novo não se poderia pedir muito mais entrosamento, notando-se a necessidade de corrigir alguns posicionamentos, em particular nas laterais. Primeiras impressões positivas para Maurício. Muito bem William Carvalho, que deve ter deixado Rinaudo a pensar. A mim deixou-me a pensar o que tinha na cabeça quem tomou a decisão de ir buscar Gélson Fernandes com um jogador destes nos quadros. Boa nota também para Adrien, e que nada tem a ver com o golão que marcou. Falta ainda muito no ataque, desde a ligação colectiva quer em qualidade à disposição de Jardim. Vamos ver o que vale Montero. Para o que Cissé mostrou pergunto-me se quem o foi buscar alguma vez viu jogar o Betinho. Ou até o Rúbio.

A impressão positiva deixada pelo que vi, a boa prestação dos jogadores da casa são boas  promessas deixadas neste inicio de época. A esperança é um capital indispensável para os adeptos e neste momento da época ela é perfeitamente possível. Esperança em ter uma equipa competitiva e que lute por um lugar no pódio, objectivo difícil mas que me parece ser importante assumir.

sábado, 27 de julho de 2013

A noticia por trás das renovações e ainda Orlando Sá

As renovações de William Carvalho e Wilson Eduardo, estendendo os seus vínculos até 2018 tem uma importância maior do que a possibilidade de virem a fazer parte do plantel da próxima época. Possibilidade, porque é uma incógnita ainda perceber quem dos quase 30 jogadores sairá para ficarem os tais 20 jogadores avançados no inicio de época. Uma afirmação demasiado peremptória para as nossas circunstâncias e para o que é o futebol.

Wilson Eduardo, pelas suas características, terá muita dificuldade em impor o seu futebol no Sporting, mas seria um jogador extremamente útil a equipas como Guimarães, Marítimo ou até mesmo o Braga. Um daqueles jogadores que daria nas vistas a jogar contra nós e capaz de nos causar amargos de boca. Mas pode ser um jogador útil neste momento de transição que se espera para algo melhor e, com 23 anos, está longe de ter a progressão limitada.

William Carvalho é um jogador com talento para fazer mais do que apenas o lugar de trinco, vulgo 6. Os últimos anos da etapa formativa, carregado de lesões, impediram-no de dar nas vistas e evoluir. Apesar da qualidade, ficam algumas dúvidas se estará apto para lutar com a imensa concorrência do meio-campo. Se Jardim não contar com ele  (a chegada de Magrão é um atestado de desconfiança para quem estava) fica a dúvida se seria melhor descê-lo à equipa B - onde tapará a progressão a outros que também precisam de jogar - ou emprestá-lo a uma equipa que lhe dê minutos de primeira Liga.

Mas a boa noticia por detrás do acordo com os jogadores é o facto de este apontar para a normalização de relações com Pini Zahavi. Com o número de jogadores que representa no Sporting, o preço de uma vitória na guerra com o empresário seria sempre demasiado alto. O caso Bruma é bem o exemplo da disparidade de forças e dos danos infligidos quer ao clube quer mesmo ao jogador. Para um clube formador, que tem contra si até as disposições regulamentares que orientam os vínculos dos atletas, os conflitos com os seus representantes - empresários e tutores - é um curto-circuito de todo indesejável. Isto dito sem prejuízo de que o Sporting deve ser implacável na defesa dos seus direitos.

Orlando Sá 
Um pequeno ponto para esclarecer a minha posição relativamente a Orlando Sá, uma vez que ontem deixei um comentário ligeiro sobre a matéria. A observação feita - "E quando se fala já em Orlando Sá fica a pergunta no ar: quem vão ser os tais vinte jogadores do plantel principal?" - está relacionada com a quantidade e não tanto com a qualidade. Tenho algumas dúvidas relativamente ao jogador, mas não tenho nenhuma dúvida que estará muito melhor preparado para o lugar do que Cissé.  

Ao contrário do jogador acabado de chegar da Académica, é um jogador livre, com escola e com trajecto ascensional até ser limitado por uma ruptura de ligamentos. Se essa tivesse sido a opção inicial não estranharia. Cissé ganha-lhe apenas no exotismo de uma aposta que deve ser olhada para o médio-prazo, assim o jogador tenha a possibilidade completar o talento que dizem ter com os rudimentos da articulação indispensável num jogo que é colectivo.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Orçamento Magrão

Welder e Gerson Magrão são dados como certos no plantel 2012/13 do Sporting. Duas aquisições que lançam uma série de interrogações sobre a politica de contratações e dispensas adoptada nestes últimos movimentos no mercado.

O dinheiro, a sua falta ou o seu excesso, nunca substitui a inteligência, o conhecimento do meio e uma boa prospecção. Num clube que produz jogadores em quantidade e qualidade  e e que vive um momento de dificuldade financeira, essas são qualidades que devem estar ainda mais apuradas. O orçamento não pode funcionar como uma desculpa para se comprar por comprar. E quando se fala já em Orlando Sá fica a pergunta no ar: quem vão ser os tais vinte jogadores do plantel principal?

Magrão, o substituto "perfeito" de Schaars
Magrão chega do Figueirense, de onde foi dispensado por causa do rendimento abaixo do esperado, do vencimento alto e das lesões graves reincidentes. A sua expulsão num jogo com o Chapacoense atirou-o para fora das opções do treinador, deixando de contar para ele desde Fevereiro. As diferenças de opinião relativamente ao lugar a ocupar na equipa - lateral esquerdo ou médio - agravaram o problema. 

Aquando da venda de Schaars ao PSV os motivos invocados eram precisamente os mesmos,  salário elevado, rendimento irregular por causa de repetidas lesões, se bem que a a de mais demorada recuperação foi uma fractura. Se a ideia era buscar alguém que o substituísse emulando os mesmos problemas dificilmente se poderia encontrar melhor. Com a vantagem para o holandês, de conduta irrepreensível nos 2 anos de leão ao peito. 

Welder
Ao contrário do seu compatriota, que até tem algum estatuto adquirido pelas passagens por Flamengo, Dinamo de Kiev, Welder é  um desconhecido. E dificilmente pode aspirar a mais quem tem passado os últimos tempos no banco e sobretudo na bancada. Árias passou 2 anos cá quase na mesma mas tinha outro percurso como internacional do seu país. Dispensá-lo pelo preço de saldo para ir buscar um outro ainda mais desconhecido é um risco que dificilmente se compreende.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Montero: nem lobo, nem falcão

Montero foi ontem apresentado com pompa e circunstância em Alvalade. Sobre ele escrevi aqui há dias isto e mantenho:


Um jogador com um perfil interessante, à procura da afirmação de uma carreira que prometia muito quando apareceu no Atletico da Huila como melhor marcador do Torneio Apertura e confirmado no regresso ao Deportivo de Cali. Apesar da aparência frágil e não ser especialmente alto, não se intimida, é rápido e tem um razoável jogo de cabeça, a que associa um drible curto e bom remate. É também um bom executante de bolas paradas e assiste com frequência os companheiros melhor posicionados. Não é um 9 puro e isso levanta uma questão: irá, caso se confirme a sua chegada, ser adaptado por Jardim? A sua velocidade encaixa-se na perfeição no perfil usual das equipas do treinador madeirense, que privilegia as transições rápidas, mas fica a dúvida se poderá ser a referência no ataque. O facto de vir de uma liga menor tem pouca importância, não faltam por aí jogadores que nos dariam muito jeito.

Desde o Bueno que não faço análises pelo que vejo no Youtube. Como o trajecto de Montero passou sempre ao lado das principais ligas, não há outra fonte para avaliar a qualidade do nosso novo ponta-de-lança, o que é o mesmo que dizer que este é ainda uma grande incógnita. Que precisa do usual tempo de adaptação, a que certamente ajudará muito que a família se junte a ele. Não apenas os progenitores, como acontecia nos Estados Unidos, mas especialmente a mulher - americana - de quem espera o primeiro filho, neste caso filha.

Enquanto aguardamos pelos primeiros toques na bola  o pior que se pode fazer é colar a imagem do recém-chegado à de outro qualquer jogador. Fredy Monteiro é bem diferente de Wolfswinkel - que já não está cá -  e mesmo de Falcão, com que divide apenas a nacionalidade. A comparação já feita é absurda tendo a conta a diferença de estatutos e, tal como outras feitas no passado, tendem a prejudicar mais do que a ajudar quem procura a sua própria afirmação. E não sabemos onde estaria hoje Montero se, além de voar sobre os centrais, fosse capaz de roubar dois anos à velhice.

Para terminar o vínculo ao Sporting. O empréstimo tem vantagens óbvias sobre uma opção definitiva quer do ponto de vista técnico como económico. A discrepância entre o anunciado formalmente pelos clubes e pelo presidente era desnecessária.


------- // --------

P.S.- Tenho más noticias para "os amigos da onça" que, na ausência de posts no passado fim-de-semana, aqui deixaram comentários apenas compreensíveis por alguém que partilhe igual baixo nível. De forma aprioristica e sonsa, sem cuidar de saber os motivos que levaram a que tal acontecesse - quando podiam vir congratular-se com as vitórias que, tal como as derrotas, são de todos os Sportinguistas - apressaram-se a produzir acusações sem qualquer sentido. Como se as vitórias não fossem minhas também ou até conseguidas apesar de mim e contra mim. Ou que estas me deixassem triste a ponto de nem lhes fazer referência.

Isto sim não é normal, revela um sportinguismo infectado, a escorrer pus na caixa de comentários Esta celeridade em condenar anula por completo a legitimidade de qualquer critica. É uma mera tentativa de ajuste de contas apenas porque não gostam da minha opinião. Azar, continuarei aqui a escrever quando, onde, como e sobre o que eu quiser.

Fica aqui o registo porque não sou santo e muito menos Cristo, capaz de dar a outra face. Quem sabe se Ele não tivesse sido tão compreensivo e benevolente há 2000 anos não teria erradicado várias série de gerações de crápulas.

PPS- Ainda não li a recente entrevista de Bruno de Carvalho. Assim que o faça e se achar que merece post aqui  darei conta disso. No entanto congratulo-me pelo meio escolhido, o site do Clube. Ao contrário dos outros meios, ali só não lê quem não quer.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Dinâmica, classe e calma

 
Muita calma... Foram um belo presente os últimos resultados do Sporting, na antecâmara do jogo de apresentação aos sócios este renovar de ilusões e confiança é refrescante para todos nós que nunca viramos a cara a dizer presente nos momentos difíceis. As feridas profundas e rasgadas nas últimas épocas leoninas estão longe de estar saradas mas não conheço melhor antidoto para qualquer problema que um golo do Sporting.
 
O elemento comum aos jogos da passada semana para mim foi a superação, cá como lá longe, nas américas, muitos esperavam resultados negativos, mas quem vestiu a nossa camisola soube despir-se de preconceitos e fazer aquilo que sabem melhor, jogar à bola.
Acompanhei no ano passado vários jogos da equipa B, como antes tinha também visto alguns das camadas jovens, impressiona a dinâmica das nossas equipas, parecem 11 Andrés Martins a jogar em conjunto e o jogo flui naturalmente, há ingenuidade, há deslumbramento, mas a qualidade das dinâmicas é impressionante. Do mesmo modo é perfeitamente incompreensível o deserto de futebol que tem caracterizado a equipa de futebol principal, que mais se tem assemelhado a um buraco negro que suga todas as boas características individuais dos seus elementos. Da América sopram ventos que anunciam boas novidades para conferir in loco no sábado.
A classe com que o nosso grupo de “miúdos” limpou os dois jogos que por cá realizou também ajudou colocar no seu lugar as Brumas que pelos gabinetes e tribunais vagueiam. O Sporting precisa tanto de pavões indispensáveis como um tuaregue de um aquecedor ao meio-dia no meio do deserto. O excelente Bruma, só o será na realidade no relvado, acompanhado de outros não menos excelentes leões que devem estar satisfeitíssimos pela oportunidade que Baldé lhes proporcionou para brilharem já este ano quando tudo levava a crer que a oportunidade tinha sido agarrada pelo seu companheiro. Seja qual for o desfecho deste caso, julgo que será de bom tom que Bruma desça no patamar de prioridades para a equipa principal para trás de quem, mesmo com inferior qualidade, disse presente quando foi necessário.
Agora é manter a calma, uma pré-época é isso mesmo, “pré”, a antecipação daquilo que poderá ser uma época, na realidade não vencemos, empatámos, mas com golos! Marcados (que saudades) e sofridos (trabalha Jardim! Trabalha Abel!). Falta ainda muito até 1 de Setembro, data que defini como a primeira barreira ciclópica que a actual direcção teria de transpor. Ainda vamos ter muitas ilusões e desilusões, temos de manter o sangue frio e a calma quando as más noticias vierem, para já a lesão de Rojo, que vai apresentar mais um desafio técnico ao treinador, promove um B? Aposta em Maurício? Ou é Dier que volta onde, para mim, nunca devia ter saído? Muita água vai ainda correr e realmente importante é o dia 18 de Agosto onde os erros valem pontos que serão irrecuperáveis.
 

Apresentação em cheio

Caro(a) Sportinguista,

Vimos informar que o Solar do Norte está a organizar excursão para o jogo com a Real Sociedad do próximo dia 27 de Julho às 19:45.

:: Preços ::

Viagem: 17.50 €
Viagem+Bilhete: 27.50 €

Faça já a sua reserva em: http://www.solardonorte.org/bilhetes


Com estas condições só não vai quem não quer e quem não pode. Seria bom ver Alvalade cheio na apresentação da equipa aos seus adeptos e associados. 


quinta-feira, 18 de julho de 2013

Então meninos? Os Sportinguistas merecem melhor!

Foto de @NadiaMatosCTV
V
Como o resultado deixa antever não deve ter sido grande coisa a exibição do Sporting no primeiro jogo da digressão ao Canadá. O adversário era demasiado modesto para nos obrigar a recuperar de um resultado negativo com aparente dificuldade. 

Esperemos que o Peñarol provoque outra motivação aos jogadores de forma a premiar a fantástica adesão dos adeptos leoninos sediados do lado de lá do Atlântico. Fontes no local estimam a presença de cerca de 2000 adeptos, o que é uma inequívoca demonstração da grandeza do nosso clube.

SPORTING: Marcelo Boeck (Rui Patrício, 46m); Rúben Semedo (Cedric, 16m), Maurício, Marcos Rojo (Zezinho, 86m) e Jefferson (King, 78m); Rinaudo (André Santos, 66m), Adrien Silva (Filipe Chaby, 61m) e Labyad (Wilson Eduardo, 46m); Capel (William Carvalho, 66m), Nii Plange (Cissé, 46m; Christian Ponde, 85m) e Carrillo (André Martins, 38m). 

GOLOS: Champman (40m), Filipe Chaby (76m) e Wilson Eduardo (78m).

Foto de @NadiaMatosCTV




terça-feira, 16 de julho de 2013

Nem gastar no farelo nem poupar na Fariña

Parece que a Luis Fariña lhe vai acontecer o mesmo que aconteceu ao Dr. Bebiano. Ia apanhar um autocarro para o Lumiar e, quando deu conta, desembarcava lá para os lados de Carnide. Há males que vêm por bem e o aparente desvio de Luís Farinã para uns poucos quilómetros mais acima inscreve-se perfeitamente nessa asserção popular. 

Senão vejamos:

O jogador está longe de merecer o estatuto de titular indiscutível no imediato, que me parecem, salvo raras excepções, deverem ser todos os jogadores que o Sporting decida fazer o esforço de contratar por razões óbvias. O Sporting tem, neste momento - ao contrário de outros sectores - um leque de jogadores para o seu meio-campo  quer em número quer em qualidade, que obriga a quem chegue possuir um nível muito acima do razoável. Seria mais do que provável que Fariña ainda tivesse que sofrer um período de adaptação que o Sporting actual não lhe pode conceder. Ao contrário do que deveria ser, esta contratação seria, por isso, tudo menos "cirúrgica", constituindo assim um sinal contraditório para politica de aposta nos recursos da casa. 

Claro que o que agora é dito não anula o que o jogador, à semelhança de outros compatriotas, possa vir a evoluir nas mãos de Jesus. Esta é uma análise em função do momento e das circunstâncias desportivas e económicas do Sporting.

domingo, 14 de julho de 2013

PSV leva Schaars e brinde? Um grande reforço já em Alvalade e mais 3 apontamentos

Schaars: Pena de ver sair alguém que, desde a primeira hora, me pareceu um bom jogador, um bom profissional e, aparentemente, perfil de líder. Mas é um daqueles sacrifícios anunciados que sabemos ter de fazer. A idade do jogador, o vencimento e as muitas opções para o meio-campo, bem como o longo período lesionado, fazem da sua saída das que menos se sentirá dentro do leque de jogadores potencialmente titulares em que Schaars se inseria.

Árias - Não sou dos que tinha visto grande potencial no jogador. Aliás viu-se tão pouco e o pouco que se viu não permitiu tirar conclusões. O facto de ter passado pela mão de tantos treinadores sem merecer uma aposta declarada também diz alguma coisa. Sem grande pena de o ver o partir fica apenas a dúvida de quanto valeu a sua transacção. Dúvida que ainda não foi esclarecida nem pelo PSV nem pelo Sporting. Seria importante que o Sporting o fizesse para não parecer que o clube holandês levou o Schaars e ainda teve direito a brinde.

Renovação de Esgaio e João Mário- Uma excelente noticia e que equivalerá a libertar João Mário da B para a equipa principal para que finalmente se possa assumir como um dos jogadores mais dotados da sua geração. Já Esgaio ainda não me convenceu totalmente, provável infelicidade minha, por não ter ainda visto todas as qualidades que se lhe apontam. Tem pelo menos as suficientes para ter merecido outra aposta do seleccionador no pretérito campeonato do Mundo.

Primeiro jogo - Sem ter visto o jogo e até levando em linha de conta o adversário e o facto de ser o primeiro da época, fica apenas o registo de quem jogou e de quem marcou:

Rui Patrício; Cédric, Fokobo, Rojo e Jefferson; William Carvalho, Adrien e André Martins; Wilson Eduardo, Viola e Diogo Salomão. 


Jogaram ainda: Capel, Betinho, Marcelo Boeck, Rúben Semedo, Maurício, Seejou King, Rinaudo, André Santos, Labyad, Carrillo, Zezinho, Cissé e Nii Plange.

Golos de André Santos, Capel, Labyad e Cissé.


Os meus amigos que vêem primeiro do que eu: Depois da rescisão do contrato de Bruma com Zahavi e assim que começaram a surgir os primeiros problemas com Bebebiano e Baldé, dizia-me um amigo que ainda iria ser o empresário israelita a desbloquear o imbróglio. Na altura pareceu-me um retorno impossível que, ao que parece, a realidade acaba de desmentir. Talvez seja mesmo a única saída que evite que o Sporting perca tudo neste processo rocambolesco. Se tal for conseguido, e no pé em que as coisas estão, serei o último a reclamar, apesar de me agradar pouco a posição em que se colocou o presidente do clube.

Adenda: Já depois de colocado o post tomei conhecimento dos 24 jogadores eleitos para a digressão ao Canadá:


Rui Patrício, Marcelo Boeck, Maurício, Jefferson, Marcos Rojo, William Carvalho, Ruben Semedo, Cédric Soares, Eric Dier, Seejou King, Diego Capel, André Carrillo, Labyad, Rinaudo, Adrien Silva, Diogo Salomão, André Santos, André Martins, Filipe Chaby, Zezinho, Nii Plange, Cristian Ponde, Wilson Eduardo e Cissé.

Surpresa para a chamada de Cristian Ponde, Nii Plange e Chaby. No sentido contrário as ausências de Viola, Betinho e, claro, João Mário.

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