terça-feira, 20 de agosto de 2013

Disciplina & dispensas

As noticias sobre processos disciplinares e hipotéticas dispensas não são boas, mas têm pelo menos um efeito positivo: contribuem para que se volte a por os pés no chão. Há muita matéria ainda a carecer de solução.

Disciplina
Segundo o Record informou hoje na sua página de capa decorrem vários tipos de processos de natureza disciplinar com alguns jogadores do Sporting. Uns de natureza "mais leve", como seriam os processos a Fabrice Fokobo, Danijel Pranjic e Luka Stojanovic,  por causa de saídas nocturnas. Ora isso explica, pelo menos para já, parte da razão pelas quais o primeiro e último não têm calçado. O croata estará à procura de clube. Labyad, Turan e Elias respondem a processos cujo objectivo é obter um pedido de indemnização por declarações prestadas à comunicação social. Relativamente a Onyewu e Bojinov a intenção visa mesmo o despedimento, provavelmente procurando obter a justa causa. O americano por causa de uma cirurgia realizada sem autorização e  o búlgaro por causa de atitudes impróprias com quem representa a entidade patronal. 

Sem conhecer os fundamentos destas decisões e sem discutir se as razões invocadas se baseiam em factos ocorridos ou não não posso deixar de fazer um reparo: não era preferível que estes processos decorressem os seus trâmites sem disso dar conhecimento público? Inicialmente não dei importância à noticia do Record, mas o site Mais Futebol veio confirmá-la com base em fonte do próprio clube. Que ganhamos com isso?

Uma nota mais relativamente a esta matéria, até porque alguns destes nomes vêm no primeiro rascunho de dispensas conhecido de que falarei abaixo: estes procedimentos disciplinares não podem ser a porta dos fundos encontrada pelo clube para não honrar os compromissos que assumiu com alguns destes jogadores, sem perder legitimidade na sua exigência de que Bruma, e outros que venham a intentar expedientes semelhantes, cumpra os seus compromissos com o clube. 

Dispensas
Ainda é conhecida a lista definitiva, o que só ocorrerá provavelmente com o encerramento do mercado, no dia 2 de Setembro. Mas o site ZeroZero informa que André Santos, Evaldo, Diogo Salomão, Bruma, Labyad, Jeffrén, Boulahrouz, Diego Rubio, Nii Plange, Onyewu, Jeffrén Suárez, Pranjic, Victor Golas, Stojanovic, Bojinov e Owusu. Bruma, Bojinov, Boulahrouz, Pranjic e Onyewu, embora por razões diferentes percebo a decisão. 

Evaldo é um ódio de estimação das bancadas pelo que não fico surpreso.

Também não me surpreendo por Diogo Salomão, em quem nunca vi categoria para a sorte que teve em chegar ao Sporting.

Lamento o tratamento dado a André Santos que, por ter os anos que tem de casa, merece mais do que ter um pé dentro e outro fora quando uma ou outra coisa parece ser conveniente. 

Confesso não conhecer o suficiente de Plange e Owusu para emitir um parecer. 

Não me surpreende Stojanovic, com as opções que temos para aquela posição. 

Lamento Jeffren, porque lhe reconheço qualidade, que não tem sido acompanhada pela sorte. 

Não me parece que depois do investimento feito em tempo e dinheiro em Golas esta seja a melhor altura escolhida para o deixar cair.

Rúbio fez de facto muito pouco, mas quem, como ele, não fez muito menos do que se esperava nos últimos anos?

Labyad é um erro depois do investimento feito. É como comprar um carro dispendioso para o ter na garagem, mas continuando a assegurar todas as despesas de manutenção.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Até agora os melhores e muito dificeis de bater

O resultado de ontem assim o dita: o Sporting fez o melhor resultado da primeira jornada e isso já não nos podem roubar. Há por isso razões para entusiasmo, não se pode pedir aos adeptos que não o sintam porque isso é negar a natureza da sua ligação ao clube, que é essencialmente pautada pelas emoções, pela paixão desmedida. Queriam o quê, que estivéssemos hoje todos tristes, como se tivéssemos entrado pela Madeira dentro?

Mas o título não se deve à vitória de ontem porque contém 2 afirmações que não posso comprovar: por não ter visto a totalidade dos restantes jogos não sei fomos a melhor equipa até agora. E é ainda cedo para sabermos se somos difíceis de bater. Há ainda alguns pormenores a deixar algumas dúvidas na nossa organização defensiva que o Arouca só muito ao de leve conseguiu expor. Mas a resposta positiva ao infortúnio de sofrer primeiro e partir daí para uma boa exibição dá boas razões para acreditar.

Acreditar é dizer presente e a razão deste post é precisamente os outros artistas deste jogo que, para o serem, nem precisam de subir ao relvado. Não têm empresários, não são detidos e passados de mão em mão como mercadoria porque só são dali, daquelas bancadas ou onde o Sporting jogar e estão sempre lá, faça chuva ou faça sol. O seu sucesso não se mede pela fotos nas primeiras páginas dos jornais ou pelas cilindradas dos seus bólides. As medalhas ao peito são os inúmeros triunfos testemunhados na primeira pessoa, lado a lado com os imensos sacrifícios, desgostos e atribulações ganhos à custa da abdicação de uma outra vida. Gente que acredita sempre, mesmo até quando já é impossível e ao invés de receber paga para estar lá. Falo, como é óbvio, dos adeptos.

Agora que as claques se juntaram na Curva Sul a voz dos adeptos no estádio é mais nítida, mais forte, por oposição à cacafonia que durava já há demasiado tempo. Alvalade é assim mais, muito mais, a casa do Sporting e isso é o que os adversários podem voltar a recear. O tal 12º jogador que, não jogando, é decisivo a empurrar a equipa para frente.

Em matéria de apoio e dedicação, neste inicio de época, os Sportinguistas, tal como no passado, voltaram a liderar e a pôr a fasquia mais alta para os demais. E o mais notável, digno de registo e orgulho é fazê-lo apesar dos oráculos da desgraça. Sabemos que não vamos ganhar sempre, que eventualmente não ganharemos já o suficiente para honrar o passado glorioso. Mas não deixamos as nossas camisolas sozinhas e tal é afirmar que acreditamos, que não desistimos de fazer um Sporting maior.


domingo, 18 de agosto de 2013

Matador Montero corta rabo e orelhas a vitela arouquesa

Primeiros vinte minutos decepcionantes, Jardim a "merecer" o castigo, ao preferir Magrão a André Martins. O brasileiro a fazer uma exibição a fazer lembrar os tempos "gloriosos" de Angulo. Ainda antes do intervalo o técnico corrige, com evidentes ganhos colectivos.

Defesa tenrinha a sofrer um golo inadmissível, episódios que se repetiram pelo jogo fora, especialmente nos cantos. Não sei que qualidades possui Rojo - desaprendeu o que parecia ter adquirido com Jesualdo, indiscutivelmente o seu melhor período no clube - que leva a que os 5 treinadores que conheceu em Alvalade lhe dêem a titularidade. Qualidades que depois não aparecem em campo. É difícil de avaliar Maurício com tanta instabilidade à sua volta. Golo importante do brasileiro, a desbloquear o que parecia poder ficar complicado.

William Carvalho não entrou bem, mas acabou por se libertar para partir para um bom jogo, apesar da tentativa de condicionamento ainda tentada pelo treinador do Arouca. Bom jogo de Adrien, a jogar o que sabe, e que não é pouco. 

Boas intervenções de Wilson, que inicialmente se parecia afundar com o resto da equipa. Carrillo é uma pena jogar tão amarrado à linha, acrescido do facto de não apoiar Cédric como deve e quando é necessário. É também uma pena que desapareça tantas vezes do jogo.

Capel esteve igual a si próprio, ao fazer uma assistência acabado de entrar e ao perder ingloriamente uma jogada de individual vistosa. Antes de ir aos finalmente, muito bem Patricio, que esteve lá quando é preciso. Se fosse um ponta-de-lança quantos golos valia por jogo?

Freddy "Krueger" Montero, um pesadelo em Alvalade Street. Creio que falhou apenas uma vez, e de forma clamorosa, em todas as oportunidades que lhe proporcionaram. E pelo meio foi fazendo demonstrações de classe em cada toque de bola. Apenas um temor, depois do que lhe vi fazer hoje: vai haver caça ao homem nos jogos que se seguem?

Jardim tem ainda muito trabalho pela frente que o resultado conseguido não desmente. O Arouca está demasiado tenrinho, não é ainda desta divisão e se lá continuar o "afilhado" Emanuel, nem com o Rui Costa lá chega. 

E assim termina a crónica da entrada em grande do Sporting na Liga 2013-14. 

sábado, 17 de agosto de 2013

Sobre as entrevistas de Bruma

Bruma afinal não deu apenas uma entrevista mas sim duas e logo aos jornais de maior tiragem. Entrevistas que não me despertam grande curiosidade porque é minha convicção que, mais do que as suas próprias palavras, Bruma diz o que lhe mandaram dizer. "Jogo no clube que o meu agente me arranjar" é suficientemente elucidativo de quem detém o poder de decisão.  É essa a minha convicção também em relação à peça fundamental deste puzzle: não foi por Bruma que este processo teve os desenvolvimentos que hoje é do conhecimento de todos. 

Voltando às entrevistas propriamente ditas fica claro o seu objectivo: a poucos dias da decisão da CAP Bruma prepara os episódios que se podem seguir. Não sabemos se o faz já conhecedor da decisão, o que não seria de estranhar. Mas escolhe o pior momento - na véspera do inicio do campeonato - e que, somado ao teor das suas declarações - "fico orgulhoso do interesse do Benfica, não descarto nenhum clube" -representa um corte com ligação mais importante que detinha com o clube, a do afecto dos adeptos. Para nós, mesmo para os que reconhecem o direito de qualquer profissional a escolher a sua entidade patronal, não é indiferente constatar que o clube onde se formou está agora em pé de igualdade nas suas escolhas com os rivais que Bruma se habituou a defrontar e muitas vezes a ganhar. Bruma não chegou ontem e não é um Fariña, ou um Pizzi qualquer.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

A permanência de Patricio, a equipa B e o preço dos bilhetes


A permanência de Patricio
Muito se tem especulado sobre a possível partida de Patrício. Dificilmente ela acontecerá para o Mónaco, que era tido como o potencial "cliente" do nosso jogador. O clube do principado acaba de acordar o empréstimo de Sérgio Romero, internacional argentino, com a Sampdória e por empréstimo, com opção de compra por 5 milhões no final da temporada. 

Para quem, como o Mónaco, andava a distribuir dinheiro pela Europa em aquisições milionárias, este movimento conservador no mercado de transferências pode ser visto de vários ângulos.

Do ponto de vista do Mónaco, prossegue a indefinição sobre a questão da fiscalidade sobre os jogadores, havendo um movimento de opinião cada vez mais numeroso que preconiza que "para campeonato igual, condições iguais". O mesmo é dizer que a tributação especial dos jogadores do clube monegásco é tida, e quanto a mim bem, como um factor desequilibrador de concorrência entre clubes. Se tal se concretizar, isso significaria que clube ou jogadores teriam que arcar com os valores a pagar à fazenda francesa, o mesmo é falar de cortes de mais de 50% no valor dos ordenados ou de um fortuna colossal a sair do bolso de Dmitry Rybolovlev. De tal forma que já correm rumores de que Jorge Mendes já terá posto o nome de Falcão sobre as secretárias de alguns directores desportivos/treinadores/presidentes de alguns clubes capazes suportar os valores da transferência e assegurar ao jogador idênticos rendimentos.

Do nosso ponto de vista é a constatação que o mercado é muito concorrencial, sendo relativamente fácil encontrar soluções satisfatórias sem despender os valores que achamos que Patrício vale. A contratação de Romero é mais um ponto para esta inevitável reflexão. 

Duas coisas saltam à vista com este negócio: 

1- Dificilmente nos darão o valor afectivo de que Patrício desfruta hoje junto dos adeptos.

2- Com este negócio e com os problemas que se registam no Mónaco, o mais provável é que Patricio fique esta época em Alvalade. 

Fica mas não joga o primeiro jogo da época. Esta nota é editada já depois de redigido o post, e por isso sem tempo de verificar se não há antecedentes que tivessem resultado de forma diferente para jogadores de outras cores. Não seria surpreendente se houvesse.

EquipaB
Joga hoje a equipa B em Alvalade. Vi parte do jogo inaugural com o Atlético e mais do que a derrota deixou-me apreensivo a forma pouco consistente como a equipa se bateu. Foi-me muito difícil perceber as ideias de Abel, e é por aí que tudo começa. A rever.

Infelizmente parece que este ano não haverá transmissões dos jogos em casa. Não sei quanto estas custaram  no ano passado mas sei como elas foram importantes no fortalecimento dos laços dos adeptos com o clube. Mesmo sabendo do esforço de contenção orçamental, este é um caso que merece ponderação, porque nem todo o dinheiro que sai é gasto, há também muito investimento em cada transmissão realizada.

O preço dos bilhetes
Não são baratos os preços dos bilhetes para a primeira jornada da Liga. E não o são normalmente em qualquer estádio do País, se tivermos em conta o momento muito particular da nossa economia. Se a comparação for o que compramos - espectáculo, condições e verdade desportiva - quando vamos ao estádio com o que, por exemplo, compram os adeptos alemães, então aí já estamos ao nível da exorbitância. 

Este é um ano excepcional, em que nos vão ser pedidos grandes sacrifícios. As receitas diminuíram em cascata - transmissões televisivas, publicidade - por via da ausência das competições europeias. Para que o ajustamento necessário não tenha efeitos ainda mais drástico na nossa competitividade é necessário um equilíbrio difícil entre o que o clube precisa e o que está ao nosso alcance dar. É nessa perspectiva que olho a tabela de preços acima mencionada. Ficamos sempre na dúvida se à descida de preços corresponderia a respectiva procura. Em teoria sim. Honestamente, quando penso nisso, chego sempre a uma conclusão: ainda bem que não me cabe a mim decidir.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Este tu não vais querer perder, este tu não podes perder

Desconheço o grau de dificuldade que envolveu as negociações entre a SAD do Sporting e a Olivesdesportos no sentido de antecipar o jogo inaugural da época 2013/14 para domingo quando aquele já havia sido previamente marcado para segunda-feira à noite. Mas não é preciso ser particularmente perspicaz para reconhecer que nos dois lados da mesa se sentavam interesses opostos. Um jogo segunda-feira à noite, dia morto para este segmento de televisão, a das transmissões de jogos, com um grande do futebol português, proporciona muito mais share, logo mais receitas, do que um jogo a meio da tarde de um domingo de verão. Para o Sporting e sobretudo para os Sportinguistas não é bem assim. Para muitos segunda-feira é um dia proibido para ir a Alvalade. Domingo, sendo um dia livre, permite pelo menos a escolha entre ir ficar. 

Como sempre que o Sporting joga é importante que a equipa sinta o respaldo dos adeptos e sinta que não está sozinha no duro caminho que está pela frente. Agora que as tardes de futebol estão de regresso a Alvalade essa importância é acrescida, é altura de dizer presente. 

Para quem vive a norte do País, em particular na zona do Grande Porto, a tarefa está facilitada pois mais uma vez o Solar do Norte está a organizar uma excursão que permite a ida ao jogo de forma cómoda e mais barata. Para quem nunca viajou com o Solar do Norte convém frisar que estes eventos são pautados por salutar convívio, e usado por muitos para se fazer acompanhar pelos seus familiares e amigos mais próximos.
  • Hora de partida: 10:00
  • Viagem: 17.50 €
  • Viagem +bilhete: 27.50 €
Mais informações, condições e reservas: http://www.solardonorte.org/bilhetes

 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O desfecho do caso Bruma

Começo pelo fim:  já depois de redigido o essencial deste post Cátio Baldé declarou hoje à Antena1 a vontade de chegar a entendimento com o Sporting. Aparentemente são boas noticias mas as aparências iludem. 

Essa vontade só será real se a decisão da CAP, a conhecer nos próximos dias, for favorável ao Sporting. Esta boa vontade não é mais do que o entreabrir de uma porta caso a decisão seja oposta ao pedido efectuado. Se houvesse qualquer negociação esta não faria sentido com o normal decurso do processo.

Não sendo a decisão favorável ao clube, o jogador não voltará a vestir a camisola do Sporting, sendo o seu destino mais do que um rumor já bem nutrido: o outro lado da segunda circular. A ser verdade, será o quarto jogador a ser desviado de Alvalade, sendo que este, pela sua especificidade, e a confirmar-se, assumirá contornos de uma óbvia declaração de guerra que apenas era até agora tácita e táctica.

Dificilmente o desfecho do caso Bruma nos será favorável. Desde logo pela impossibilidade de fazer regredir toda a água que entretanto acabou por correr debaixo das pontes, voltando a colocar o caudal favorável à aproximação entre ambas as margens do rio que separa jogador e clube. Essa aproximação só existirá por conveniência de uma e apenas uma das partes, conveniência que agora excederá a que é normalmente obtida pela satisfação das partes quando celebram um contrato de livre vontade. A parte em causa é o jogador e seus representantes, caso percam a acção na CAP. Isto porque, caso a decisão seja outra, não só encontrarão muitos clubes a oferecer mais do que o Sporting lhe(s) pode pagar, mas também porque olhariam com temor um regresso.

Era preciso que, se Bruma ficasse, tudo corresse mesmo muito bem e as bancadas esquecessem todos os episódios desta triste novela estival. Mas a dura época que nos espera tende a constituir-se num pródigo dealer de flashback´s, em  cada passe mal conseguido ou golo falhado, do que foi a relação do jogador e seus representantes com o clube, logo com os adeptos na bancada. E ninguém sabe o que poderá suceder ao jogador, que ainda teria que negociar com Bruno de Carvalho a renegociação do contrato. Se Labyad foi para a B porque "não se esforça" e "ganha muito"...

É preciso revisitar a história recente para perceber o que concorreu para este desfecho. 

Em Fevereiro deste ano Cátio Baldé dava conta de uma possibilidade de entendimento a curto prazo, ainda na direcção de Godinho Lopes, num processo que se arrastava há algum tempo. Este queria fechar este processo ainda antes das eleições, coisa que hoje sabemos não logrou conseguir.

Quando Bruno de Carvalho chega à presidência deixou bem claro, numa das suas primeiras entrevistas, que algo iria ser diferente na relação com os empresários de futebol. No post que redigi a propósito dessa mesma entrevista já na altura me pareceu esta nova postura uma estratégia de risco, embora estivesse longe de imaginar que a relação com Bruma se iria agudizar ao ponto de se encontrar no plano que hoje é conhecido de todos.

Bruma não é só um dos jogadores mais promissores da sua idade, é também conhecido por se assumir como Sportinguista. Terá sido o conhecimento dessa condição que terá levado Bruno de Carvalho a esticar a corda sem perceber que poderia ser ela a única coisa que lhe ficaria na mão. 

Terá sido o facto de querer como jogador e como Sportinguista continuar de leão ao peito que o terá levado a ceder na exigência de deixar cair a representação de Zahavi. Depois de ter estado incontactável, Bruma dá uma entrevista dando conta de que o final feliz estaria próximo. Então dizia que "o Sporting é o clube do meu coração. O Sporting é o clube que eu amo. Um dia, quem sabe, talvez possa ir para outro clube. Mas o Sporting nunca ficará prejudicado com isso. Se eu sair, será o Sporting a resolver a minha situação e a fazer tudo." A recusa em receber os seus representantes, sem a sua presença, uns dias depois, deitaria tudo a perder. Pelo menos para já.

Creio que Bruno de Carvalho nunca esperou este súbito desenlace, ao que não terá sido alheio a entrada do advogado de Cátio Baldé, Bebiano Gomes. Ao deixar que o assunto lhe saísse da sua área de intervenção directa, Bruno de Carvalho (o Sporting) praticamente perdeu grande parte das hipóteses de ver o jogador de volta. Não só porque o contrato do jogador abre algum campo a algumas dúvidas - e não deixa de ser curioso que em Fevereiro o empresário afirme, na supra aludida entrevista, que o jogador tem mais um ano de ligação ao clube - mas sobretudo porque permite a intervenção de terceiros. 

Ora todos sabemos do nulo poder que o Sporting dispõe nas entidades que regulam o futebol português. Por isso sempre que permitimos que uma decisão saia do relvado de Alvalade ou dos seus gabinetes estamos a abrir a porta de interesses de concorrentes directos contra os nossos. Isto tanto é válido para a Comissão de Arbitragem como para o Conselho de Disciplina ou de Justiça, enxameados por verbos de encher e amanuenses de outras cores que não as nossas.

Os terceiros são, no caso Bruma, nem mais nem menos que a já tão famigerada Comissão Arbitral Paritária. Comissão que é constituída por 3 elementos nomeados pela Liga e outros 3 nomeados pelo Sindicato dos jogadores. Do Sindicato dos Jogadores sabemos mais ou menos o que esperar, é uma entidade criada com o intuito de defender os interesses dos jogadores. Da Liga sabemos que é agora mais vermelha do que nunca, a que não será alheio o facto de o seu presidente ser genro desse enorme benfiquista de ares marítimos, Carlos Pereira.

Por tudo isto creio que a maior parte de Bruma já não nos pertence. Isto é dizer que dificilmente espero uma decisão favorável. E, tal como reconheço acima, uma decisão favorável ao Sporting não significa sequer o desfecho deste caso. 

Claro que perder um jogador que nos poderia ser muito útil no relvado no imediato e no curto/médio prazo na tesouraria me belisca o orgulho. Mas nos passos desta história aqui descrita encontro a semelhança com outros percorridos por caminhos que nos levaram a perder jogadores importantes demasiado cedo e com pouco proveito. Processos a que hoje se deve muito da desconfiança em torno do investimento na formação. 

Olhar apenas para o exterior - jogadores, empresários, comissionistas, etc - à procura de razões que expliquem estes falhanços acaba por ser uma fuga em frente, um estado de negação de uma realidade cada vez mais evidente: o Sporting tem de ser um melhor gestor da sua actividade fundamental: a competição desportiva em todas as suas vertentes. Se, como tudo indica, o desfecho deste caso nos for desfavorável, foi em Alvalade que começamos a perdê-lo.

P.S.: Como complemento deste post recomendo a leitura destes seguintes artigos:

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Fiore regressa roxa a Itália: algumas notas sobre o Troféu 5 Violinos

O troféu
A criação do Troféu 5 Violinos foi uma medida simples mas feliz e começou logo na criação do logótipo. Homenagear Jesus Correia, Vasques, Albano, Peyroteo e José Travassos não é apenas um acto de justiça é também homenagear o espírito leonino, a identidade Sportinguista. Essa que, tal como a muitos de nós, me seduziu e foi responsável pela minha escolha clubistica. 

Os 5 Violinos remetem-nos para o tempo em que o Sporting dominava o futebol português. Desses tempos não foi escolhido apenas um nome, que, pelas suas qualidades expressas em números impressionantes, podia ser Peyroteo. Escolhemos um conjunto de jogadores, os actores principais do jogo, que mais do que um solo, se notabilizaram pela música afinada para os olhos de quem teve a sorte de os ver actuar ao vivo. Esse espírito colectivo em que o resultado da soma das partes é muito superior à soma do seu valor individual isolado. O que se assistiu ontem em Alvalade, quando as claques colocaram acima das suas diferenças o que de mais importante todos temos em comum, insere-se no mesmo espírito. É um exemplo notável e que deve ser o mote para a campanha que se inicia a sério no próximo domingo.

A casa
Ainda antes de passar às notas relativas ao jogo não posso deixar de mencionar a assistência ontem registada em Alvalade, que terá rondado cerca de 18 mil espectadores. O que me remete para o post anterior, motivo de diversos insultos e reparos que me foram dirigidos por diversos meios. Não posso fazer nada pelos ileterados. Quem não sabe interpretar o que lê devia abster-se de fazer comentários. Mas a ignorância tem essa estranha virtude de não só conferir segurança como vir acompanhada de presunção. Já em relação à gentinha mal formada procuro não perder um segundo mais do que o esforço por não os confundir com o Sporting.

Não sei por isso qual foi a parte de "a melhor forma de elogiar e aplaudir a medida e o esforço feito pela direcção é dizer presente." que ficou por entender. A verdade é que o risco de, à medida feliz e há muito reclamada, não corresponder o número de Sportinguistas devido é grande por uma conjunção de circunstâncias: as férias, o calor a convidar à praia e a sempre incontornável crise que certamente condiciona as escolhas de muitos Sportinguistas. É por isso muito importante, até para conferir autoridade a quem terá a cargo negociações futuras, que todos quantos pudermos estejamos presentes. E para ganharmos o direito de pedir medidas idênticas quando o verão se for.

O jogo
Foi um jogo feliz. Pelo resultado e pelo decurso dos acontecimentos. Marcar relativamente cedo, ainda por cima com um golo monumental de Montero, era o que poderíamos pedir, se estivéssemos a falar de discos pedidos. Enfrentarmos a Fiorentina em vantagem é muito mais confortável do que ter que jogar à procura dela, dá confiança. Fiorentina que tem dos melhores plantéis dos últimos anos, o que só valoriza a nossa vitória e os números conseguidos.

Jogo que nos trouxe a confirmação de que Leonardo Jardim se parece inclinar mais para um 4x4x2 com Montero na frente com Wilson Eduardo, se atendermos a que repete o esquema do 11 inicial com o Braga, fugindo ao que era habitual nas equipas dele. A verdade é que as escolhas para as alas estão muito condicionadas: Capel dificilmente faz aquilo que ele pede habitualmente aos extremos, os tais movimentos de aproximação ao centro a partir das linhas. Os rumores do mercado, à procura de Pizzi e Gama, significam que Jardim procura fora algo que entende não ter disponível em Alvalade e talvez expliquem a opção. E, ao contrário do que se diz, Bruma faz falta, ou alguém que fizesse o que ele fazia.

Alguns destaques individuais
Não fiquei surpreendido com Rúben Semedo. Vi-o actuar ao lado de Tobias Figueiredo e no seu escalão é dos melhores. Ontem, já num patamar mais elevado, demonstrou, se preciso fosse que, quem tem jogadores como ele, Dier, Reis, Tobias, Ilori e se tem que sofrer golos idênticos ao do último jogo com o Braga mais vale apostar neles do que gastar dinheiro com quem lhes tape a progressão.

É ainda cedo para etiquetar em definitivo Magrão, sobretudo porque vem de um período longo de inactividade, cujo inicio foi no passado mês de Fevereiro. A falta de ritmo é notória e continua a ter pouco acerto com a baliza, mesmo em circunstâncias favoráveis. Não é um extremo mas sim um interior. O mesmo para André Martins, que se sente muito condicionado pela proximidade da linha. Assim está mais  longe de Montero, não podendo por isso oferecer-lhe jogo como sabe. E Montero precisa de jogo e bola, sobretudo se estes puderam acontecer antes da área, onde é sufocado pelos centrais. Ontem fez um golão, revelador de espontaneidade e faro pela baliza que não é casual, como se pode ver abaixo:

Importância e significado
Não gosto de falar em "ses" quando se perde, não vejo motivos para o fazer quando ganhamos. Cada jogo tem a sua própria história e acima das circunstâncias de cada 90 minutos está o valor de cada equipa. Como é óbvio ninguém imagina quem em 10 jogos em que defrontemos a Fiorentina ganhemos muitas vezes 3-0. Porém, também não deixa de ser verdade que o Sporting ganhou a um clube que acabou o último campeonato italiano em quarto lugar e tem um plantel com um lote muito respeitável de jogadores. Tal não pode ser desvalorizado.

Não há, nem a feijões, vitórias dispensáveis. Esta assume particular importância neste momento, por ser a seguir a duas derrotas no Guadiana e a uma semana do inicio do campeonato. É importante porque reforça a confiança da equipa e a esperança dos adeptos. Mesmo sabendo que o Arouca não vale tanto como a Fiorentina mas pode vir a Alvalade causar-nos mais aflições que os italianos.

sábado, 10 de agosto de 2013

Quem quer ir ao futebol ao domingo à tarde?

O jogo inaugural da época, em que apadrinhamos a estreia do Arouca, e que esteve marcado inicialmente para a próxima segunda-feira, foi agora antecipado para domingo, às 15:45h. Se atendermos que em Agosto, em que muita gente se ausenta de férias e estas são horas a que normalmente se passeia na praia há um risco elevado do estádio de Alvalade não registar uma assistência que justifique a repetição do horário. Este era há muito tempo reclamado por muitos de nós. A melhor forma de elogiar e aplaudir a medida e o esforço feito pela direcção é dizer presente.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Ganhar



... ou andar lá perto. Tive uma vez uma troca de argumentos, no blog Jogo Directo, onde defendia que o objectivo do jogo de futebol era meter a bola dentro da baliza do adversário, o sub-objectivo era impedir o adversário de o fazer na nossa baliza. Fui mais ou menos trucidado por outros comentadores que me disseram, por A+B, que o objectivo do jogo é ganhar. Ponto final.
Confesso que ainda não mudei a minha opinião, mas como ainda não sou completamente estúpido, e os comentadores em questão tinham um muito maior conhecimento do que o meu de simples adepto, comecei a guardar um pouco da minha visão do jogo para esse objectivo maior. Ganhar.
Chego assim ao jogo de ontem, um fantástico treino frente a uma equipa que representa rigorosamente as dificuldades que vamos enfrentar no nosso campeonato. Infelizmente, a conclusão a que cheguei foi, nunca estivemos sequer perto de ganhar o jogo. Fizemos uma exibição vistosa, melhoramos em todos os aspectos possíveis de imaginar, estivemos como eu defendia perto de colocar a bola na baliza do adversário, mas... não conseguimos. Perdemos.
Aquilo que vi a equipa produzir ontem deixa-me a certeza que vamos ter uma época muito melhor do que no ano passado, até dos últimos anos, mas para o objectivo que tracei, os 70 pontos ou 70x7, ainda falta muito. Por incrível que pareça, ontem nunca dominámos o jogo, mesmo com o futebol vistoso da primeira parte, com pressão, recuperações altas, cantos, etc., nunca quebramos o adversário, ele com mais ou menos jeito levou sempre a melhor naquele que era o seu objectivo. Ganhar.
Fiquei com esta certeza após termos sofrido o golo, um golo fortuito, que não foi conseguido como corolário logico de um domínio territorial, foi só um golo e após esse momento o nosso adversário quebrou-nos e dominou com ainda mais segurança os 30 minutos que faltavam para jogar.
Com aquela equipa, com aquele futebol, com aquela atitude competitiva, vamos atingir sem grandes dificuldades os 60/64 pontos, é curto, tem de ser 70, temos de romper a barreira psicológica que nos faz aceitar uma vitória moral e não sentir a náusea desse resultado e matar o adversário. Já vi, já senti isto a acontecer numa equipa, Inácio era nosso treinador quando isso aconteceu num grupo de jogadores nossos. Não admitir perder, quebrar o adversário. Ganhar. Simples...

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

"Estou em aprendizagem e ainda tenho muito que evoluir"

Esperança


Quem me dera que esta frase cheia de humildade e - muito importante- inundada de sabedoria, tivesse sido proferida por outro Carvalho, que não o William...

Mais uma vez o exemplo vem da Academia. Aí reside, creio, a nossa ultima esperança. Ao nosso líder apenas peço: não faça como os seus antecessores, não a desaproveite. Não desperdice nem o talento nem, como se nota nesta frase / entrevista,  o exemplo de sabedoria e humildade. Serão esses os predicados necessários para, no futuro, o Sporting ter o futuro que todos desejamos.

Sr. Presidente, respire fundo e, se lhe for possível, descanse

"Estou muito orgulhoso da equipa do Sporting Clube de Portugal. Confesso, para quem ainda não reparou, que detesto perder, mas foi uma entrega magnífica de todos com uma atitude que nos orgulha. Tudo isto perante uma equipa não viril mas sim violenta e uma equipa de arbitragem inexperiente que foi totalmente condicionada pela atitude da equipa adversária e o seu anti jogo, inadmissível para equipas de alta competição. Temos muito a corrigir mas uma coisa já se vê: uma equipa coesa e sempre com vontade de vencer! Assim podemos todos nos sentir honrados com quem veste a nossa camisola! Tudo o resto virá com o tempo e o trabalho! Prefiro mil vezes ver trabalho para um futuro de sucesso do nosso grande Clube do que assistir a pessoas que fazem da vida falar dos outros sempre tentando parecer mais inteligentes do que são. Venham as críticas, venham os textos opinativos de quem nada ainda fez de jeito na vida a não ser falar dos outros, e que fique para aqueles que amam o que fazem e que se entregam de alma e coração às suas missões o sucesso futuro e que esse sucesso seja o de todos nós, ou seja, do Sporting Clube de Portugal! Obrigado a todos pelo carinho e apoio que nos dão diariamente!"

Depois de ler o que Bruno de Carvalho escreveu na sua página do Facebook (e não do Sporting, realce-se) a reacção que me suscita é deixar um conselho que, no essencial é mais um desabafo. Conselho, desabafo que é o título deste escrito.

Começo por dizer que não gosto do estilo. É uma questão estética, o seu cariz individual talvez seja o menos importante agora. Não que o estilo de comunicação não seja importante para quem representa o universo Sporting, como é o caso do presidente, mas mais importante é ainda o resultado. E esse temo que, na melhor das hipóteses seja nulo, contendo em si sérias possibilidades de ser negativo.

Nulo porque não se percebe a quem se destina, dúvida que se acentua pelo meio escolhido, a sua página pessoal. Negativo se os destinatários forem os Sportinguistas, ou apenas alguns de nós, o que é inevitável não questionar. Porquê isto e porquê agora? Se um jogo de preparação é detonador de uma reacção tão destemperada como será quando for a sério e a doer? 

Bruno de Carvalho parece-se não reconhecer aos demais adeptos o direito do exercício de "cidadania Sportinguista" que reclamou para si  durante os últimos anos e de usou de forma prolífica. Mas pior do que isso é a forma preventiva e assaz azeda usada para contestar quem o venha a fazer expressa na triste  frase (to say the least...) "venham as críticas, venham os textos opinativos de quem nada ainda fez de jeito na vida a não ser falar dos outros". 

Só consigo compreender algo tão infeliz partindo do principio que o presidente percebeu que, na sequência do sucedido no jogo, não esteve à altura do cargo e do que representa, esperando por isso criticas à sua actuação. Dessas terá que fazer a inevitável destrinça entre as que são bem intencionadas ou mera malevolência. Não deixa de ser infeliz, mas seria mais aceitável. Doutra forma assemelha-se a um exercício narcisista, revelador de falta de humildade, de alguém que se parece achar acima de qualquer critica.

Um presidente que acaba de sair de uma AG com um resultado próximo da unanimidade e aclamação não devia estar preocupado com um qualquer inimigo interno. O resultado revela que tem uma sólida base de sustentação que consolidou os resultados das eleições e que quem não se revê na sua liderança e projectos optou por não se manter afastado, sem constituir qualquer oposição. Se o tiro é para dentro é a  repetição de um tique que representa o  pior que se viu nos piores momentos de alguns dos seus antecessores sempre que se viam apertados pelo decurso dos acontecimentos. O pior é que não há qualquer razão objectiva para Bruno de Carvalho se sentir apertado, o que torna a sua comunicação ainda mais despropositada.

É verdade que poucos presidentes terão recebido em mãos um Sporting com tantos nós para desatar. Mas não é menos verdade que poucos (ou nenhum...) terão contado com um sentimento tão realista por parte dos associados que pouco mais o obrigue do que a "fazer o possível", seja lá o que isso for. Neste cenário, mais do que qualquer inimigo externo ou interno, só Bruno de Carvalho, com erros que venha a cometer, poderá malbaratar o melhor do seu património: o seu estado de graça.

Por isso talvez antes de passar estas reacções epidérmicas "ao papel" não fosse pior respirar fundo. Repetir a acção, se necessário. E, se possível, descansar mais dos que as anunciadas 4 horas. Um presidente que não dorme, não descansa. Não descansando perde a força e o discernimento. Mas também não sonha. E Sporting precisa e merece que se sonhe grande. O que nunca será se for apenas dos que concordam entre si e todos eles com tudo o que o presidente diz e faz.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Chegou o pinheiro para Jardim: aí está Slimani, Super Slim para os amigos

Segundo a Antena1, assim de fininho, chegou Slimani Islam. Tem 25 anos, 1,87. Argelino, até agora jogador do Belouizdad e regularmente titular da selecção do seu país. Atendendo ao seu perfil físico estará destinado a colmatar uma vaga no esquema de Jardim, que carecia de um avançado que servisse de referência ao seu 4x3x3.  No último campeonato apontou 6 golos nos 30 jogos realizados e 10 golos nos últimos 14 jogos pela sua selecção.

A propósito deste jogador dizia Rui Malheiro na sua coluna sobre prospecção no jornal "O Jogo" no passado mês de Junho:

"Goleador da selecção argelina, onde tem vindo a fazer dupla com o vimaranense Soudani, apontou ao longo do último ano 9 golos em 13 jogos, o que despertou o interesse de clubes europeus.  Avançado centro poderoso do ponto de vista físico, patenteia astúcia a movimentar-se no limite do fora-de-jogo, ao tirar partido da sua mobilidade. Pouco virtuoso tecnicamente, é oportuno e agressivo dentro da área, define por norma com o pé direito ou através do jogo aéreo"


Ir a banhos ao Algarve e apanhar água fria

Rasgadinho(Foto A bola)
Um jogo de futebol feio ditou a primeira derrota da era Leonardo Jardim. Mas, por mais desagradável que possa ter sido à vista, o jogo de ontem acabou por ser um treino para um tipo de jogo que poderemos vir a encontrar em algumas equipas do campeonato. Não serão muitas, mas não seria improvável que  encontrássemos no Marítimo de Pedro Martins, o Nacional de Manuel Machado (apesar do jogo anterior não ter dado essa indicação), ou até os Vitórias (de Setúbal e de Guimarães) a mesma vontade de procurar dividir o jogo através de lançamentos directos para a referência atacante, evitando o pressing na saída de jogo e no meio-campo.

Não se pode dizer que Jardim não estivesse de sobreaviso. A equipa jogou uns metros mais abaixo do que havia feito em jogos anteriores, como que dizendo que sabia ao que vinha. Mas raras vezes conseguiu adaptar-se ou reagir às dificuldades impostas pelo adversário embora,  das raras ocasiões que pôs a bola no chão - sobretudo Carrilo e Adrien - facilmente conseguia transpor a horda de jogadores adversários para quem o presunto ia até ao pescoço. Ao deixar-se envolver em picardias com o adversário, ao invés de usar a inteligência e frieza para o contrariar, o Sporting ofereceu em bandeja a vantagem que o adversário procurava. Um erro primário que serve de aviso para quando estiverem em jogo mais do simples torneios de verão.

Assim, do ponto de vista da construção de jogo ofensivo, não houve qualquer progresso digno de registo. A forma como chegamos ao golo foi tão aleatória que não serve de referência. A sorte do jogo acabaria por ser decidida por via de erros defensivos, nem todos por culpa exclusiva da extrema defesa. Aliás, se o futebol é um jogo colectivo, os erros devem ser assacados à equipa, sendo que os defesas e guarda-redes são "apenas" os últimos a falhar. No primeiro golo não consegui perceber bem, mesmo após as repetições, o posicionamento defensivo e respectivas movimentações individuais, mas fica a sensação de uma enorme ingenuidade como grande parte dos jogadores se deixa atrair até a lateral, deixando o centro do terreno apenas a cargo de William e Evaldo.  O primeiro ficou batido e o segundo estava a pensar na morte da bezerra. Situação que se se repetiria no lance do terceiro golo, de forma mais ou menos semelhante. No segundo o West Ham em 3 toques, sem qualquer oposição defensiva, tira a bola da sua zona defensiva para chegar ao golo.

Dado o cariz do jogo não me parece muito importante fazer distinções individuais. Não há dúvida que ainda há muito trabalho para Jardim, seria sempre assim nesta altura da época, o jogo de ontem encarregou-se de o deixar à evidência, em particular para quem andasse distraído. Mas se nem a feijões é bom perder, estes são os jogos em custa menos e de onde se podem retirar alguns ensinamentos para o futuro. A próxima jornada do torneio, em jogo com o Braga, é bem capaz de ser uma ferramenta mais útil na observação das qualidades e defeitos da equipa e até do plantel.

Uma nota final para Bruno de Carvalho e Inácio. Como o segundo bem saberá aquele é o lugar por excelência do treinador tal como o a ponte de um navio é do comandante. O "ruído" permanente à sua volta, a presença de pé ao seu lado, como ontem foi visto várias vezes em diversos momentos é de todo desaconselhável, mesmo em jogos a feijões. Raspanetes a jogadores - a ser verdade o que o reporter da RTP referiu relativamente a Bruno de Carvalho e William Carvalho - equivale à desautorização e menorização do treinador. Falta do mais elementar bom-senso e de saber estar no seu lugar. Irreal! Duvido que Leonardo Jardim (ou qualquer outro treinador) faça de conta de conta que não viu muitas mais vezes.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Labyad de craque a malandro, um sinal dos tempos

Será?
Correm rumores que a ausência de Labyad se deve ao veto de Bruno de Carvalho e não a uma opção técnica de Leonardo Jardim. E esse veto teria a ver com o facto do jogador "ganhar muito e não se esforçar nos treinos", versão ventilada pelas pitonisas de serviço.

Até prova do contrário recuso-me a acreditar nesta versão. 

1 -  Porque não acredito que se um jogador corresse pouco nos treinos ou em campo teríamos que esperar que fosse o presidente a mandá-lo descansar. Isso seria admitir que o treinador  seria incompetente, o que não parece ser o caso. Fica por perceber porque razão quem dá vento a estes rumores não o constate e o quanto isso fragiliza o treinador, acabado de chegar e cujo trabalho tem merecido apreciação positiva.

2- Por me recusar a ver o treinador como incompetente, não acredito que ele aceitasse este tipo de intromissão numa área que é apenas sua.

3- Porque me recuso a acreditar que se de facto o jogador tem um salário incomportável para o clube este seja o método que (i) valorize o jogador aos olhos do mercado, por forma a despertar o interesse de um clube que nos livre do pesado encargo e, por último, mas não menos importante (ii) que o método honre um clube como o Sporting Clube de Portugal.

Do regozijo dos Sportinguistas por termos contratado um dos jovens jogadores mais promissores do Mundo e, em simultâneo, o termos resgatado aos rivais FCP e SLB já só resta o odioso de ser olhado como um empecilho. Um sintomático sinal dos tempos que correm.

Há dois meses esta situação já não era difícil prever, pelos comentários que se iam gerando, que mais tarde ou mais cedo o "problema" passaria a ser o jogador, por isso escrevi este post:

Aí está Zakaria, El Diablo

domingo, 4 de agosto de 2013

A "Aposta na Formação"

O Tiago voltou a escrever e eu voltei a "roubar-lhe" estas linhas que são um documento importante de reflexão, em particular neste momento.

Começou na campanha eleitoral, prosseguiu pelo final da época e agora, em pleno defeso, volta a ganhar força em plena vaga de ampliaçoes de contratos e vitórias em amigáveis: a aposta na formação. A narrativa pode resumir-se facilmente: o clube gastou rios de dinheiro em jogadores teoricamente bons que afinal são realmente maus e negligenciou, nestes últimos dois anos, o principal activo do clube e que mais reconhecimento e êxito, tanto desportivo como financeiro (pelo retorno potencial que representa em vendas futuras e pela poupança que implica): o futebol formativo. Como tal, há que voltar a centrar a política desportiva do clube aqui e construir uma primeira equipa à volta dos jogadores formados no clube e essa deve ser a prioridade a curto prazo.

O contexto favorece que, no culminar de uma sequência de desnorte e de desgostos, surjam entre sportinguistas alguns argumentos que parecem cantis de racionalidade no meio do deserto emocional, tal é a força com que nos agarramos e bebemos deles.  O problema é que alguns deles parecem precisamente uma miragem provocada pela sede de qualidade e resultados. O chavao da “aposta na formação”  é um dos que se apoderou do discurso de muitos sócios e adeptos desde que as ideias trazidas pela última direcção do clube e do futebol não só começavam a falhar como a dar resultados bem piores do que as piores expectativas.

O recurso a este argumento parece até uma demonstração de bom senso e “bom sportinguismo” (outra narrativa interessante, esta do Sporting como categoria moral corrompida por alguns) irrefutável. Parece, digo, porque não é. Serve este comentário para avançar ideias com o objectivo de reflectir sobre uma ideia algo mitificada. Conto que seja útil, já que todo o tempo dedicado a repetir ou destacar argumentos vazios é tempo que seria utilmente empregado a coisas mais consistentes.

Formação em si, porque sim

No final de 2012, um dos vários turbilhoes de Mourinho em Madrid envolveu a perspectiva sobre a formação do clube, o papel do Real Madrid Castilla e as diferenças com Alberto Toril, o seu treinador.  Num futebol altamente polarizado como é o da Liga Espanhol e sendo o rival do Madrid sobejamente elogiado pelo seu futebol formativo, ninguém estranhou que o treinador  Tito Vilanova fosse rapidamente instado a opinar sobre o caso. E numa conferência de imprensa em vésperas de um jogo contra o Celta, aconteceu algo que de fora pode ter parecido excepcional: Tito deu indirectamente razao a Mourinho (ou ao argumento que se lhe quis publicamente imputar, se preferirmos).  Ainda na sombra do sonho dos 11 jogadores da formação a triunfar na equipa principal, Tito disse as palavras mágicas “isso da formação é bonito de dizer mas se não ganhássemos, não serviria para nada; pomo-los a jogar porque acreditamos que é com eles que podemos ganhar, senão não o faríamos”.  

Este argumento é chave e, centrando-nos puramente nele e não nos contextos e realidades respectivas, é altamente diferencial daquele que continuamente se utiliza no Sporting. Há a cultura de vitória e de excelência e depois a vocação formativa, e a segunda serve a primeira. A história das últimas décadas do Sporting mostra que o discurso da aposta na formação se fez em momentos de menor capacidade financeira e parece mostrar, por outro lado,  que nos momentos de êxito (infelizmente demasiados esporádicos), tanto a estrutura do clube como os adeptos estavam mais concentrados nos resultados e na qualidade do jogo do que propriamente em saber se esses resultados e essa qualidade se devia a uma “aposta” na formação. Outra coisa que se depreende facilmente é que os grandes valores a emergirem da formação, e por emergir refiro-me a destacar-se claramente como dos melhores jogadores do campeonato e/ou a dar o salto para paragens mais competitivas, fizeram-no justamente em momentos de grande competitividade, em plantéis com uma base experiente ou em contextos de títulos. Penso em nomes como Figo, Quaresma ou Cristiano Ronaldo, até Simao.

No presente, é comum ver a justificação da aposta em jogadores formados no clube e com menos de 2 ou 3 anos de sénior numa pretensa melhor relação custo/qualidade dos jogadores contratados nas últimas épocas. Esta relação custo/qualidade é baseada nos resultados da equipa: a posição no campeonato, as vitórias e derrotas, os golos marcados e sofridos. O exercício é simples e simplista: gastou-se dinheiro em jogadores com ordenados mais altos que os dos jogadores da formação e não só se falharam todos os objectivos como se ficou na pior classificação de sempre, e com o correspondente rombo orçamental. Como o potencial não é mesurável de forma fiável e a vocação formadora induz sempre ao entusiasmo em relação aos primeiros sinais de qualidade, é fácil pensar que o jogador da formação tem uma melhor relação custo/qualidade que o da ida ao mercado.

É neste ponto que convém recordar as palavras do Tito Vilanova e tentar perceber se a lógica é “se é para perder, melhor perder com os nossos que são mais baratos” ou se a lógica é “visto tudo o que podemos fazer para melhorar a equipa, chegámos à conclusao que os melhores, os jogadores excepcionais, estao cá dentro”. E convém perceber com que jogadores é que o Sporting ganhou os últimos títulos e contra que jogadores rivais o Sporting tem (porque tem!) que lutar para ganhar os que lhe esperam. Atribuir mais importância a um jogador, privilegiá-lo e dar-lhe prioridade por ser formado na casa, magnificar o seu clubismo, é desrespeitar o seu potencial real e o seu talento. Numa equipa ganhadora e com talento, o clubismo torna-se irrelevante face à qualidade e capacidade competitiva e quando um jogador tem que ser realçado por ter sido formado no clube ou por sentimentalismos, subjaz ao seu tratamento um descrença na sua real capacidade. Esta descrença fica exposta quando, por motivos extra desportivos, os jogadores são afastados da equipa, como foi o caso de Pedro Mendes após assinar com o Parma ou como se insinua que pode ser o caso de Ilori ou Nuno Reis: com os poucos dados que temos para avaliar, o que está claro é que a crença na qualidade e no talento não se sobrepuseram a factores negociais ou contratuais.

O que é apostar?

A resposta parece fácil mas não é. Parece fácil porque nos habituaram a pensar que apostar significa dar minutos de primeira equipa. Mas em realidade é confuso, caso contrário esse, o de ter minutos na primeira equipa, não seria o argumento para explicar o complicado impasse da renovação de Bruma. Certo, o problema talvez não seja os minutos na primeira equipa mas o facto de não se ter renovado antes com Bruma. Porém, Bruma tem contrato, foi renovado em 2011 e, no momento em que foi lançado na primeira equipa, faltava época e meia para este terminar. Além que na altura em que foi lançado, foram decisivos o incentivo à “aposta na formação” (isto de dar jogos a titular) e a confiança que ao fazê-lo, Bruma se sentiria mais motivado a renovar. Enfim, o argumento parecia claro mas complica-se.

No Sporting actual é ainda mais confuso perceber exactamente o que significa apesar de, mediaticamente a ideia ser apresentada e usada como se fosse cristalina. Por um lado reafirma-se a intenção de aumentar os minutos e a titularidade de atletas formados no clube, por outro reduz-se significativamente os quadros de treino e prospecção do futebol formativo. Por um lado amplia-se contratos (já de si longos) com vários jogadores, por outro anuncia-se um orçamento radicalmente reduzido, defendendo uma poupança justamente baseada no baixo custo dos jogadores da formação. O talento e a formação deste custam dinheiro. Uma academia, uma infraestructura física e humana que permita potenciar o talento de atletas desde so primeiros escaloes até aos seniores, custa muito dinheiro. Até optimizar os recursos para poupar dinheiro, custa dinheiro. Se apostar na formação significa poupar dinheiro e se prolongar os vínculos dos jogadores da formação significa ampliar o prazo dessa poupança, o clube arrisca-se ou a colher tempestades em caso de êxito a médio prazo (pelo possível desfasamento entre o valor que o Sporting atribuiu aos jogadores e o valor que o mercado lhes atribui em função desse mesmo êxito) ou o prolongar de uma baixa competitividade, fruto da degradação das condiçoes para um bom trabalho no futebol formativo.

Está visto que é complicado de perceber o que significa a expressao mas aparentemente permite a um jogador de 23 anos com uma época positiva mas não extraordinária na Académica, a renovar o seu contrato até aos 27 anos e a obter a confiança que será a aposta que nunca antes chegou a ser, nem ao ponto sequer de ter lugar no plantel principal. Complicado de perceber se quisermos ir além do que nos habituámos a pensar, voltando ao princípio.

Voltar a apostar na formação. “Voltar”?

Se considerarmos que apostar é entao alinhar com jogadores da formação na equipa principal, a este discurso subjaz também a ideia que se trata de recuperar uma rota temporariamente abandonada à qual há que voltar. Mas será realmente assim? Descontemos o facto da vocação formativa ter estado presente tanto nos discursos como nos actos e programas de todos os responsáveis que passaram pelo clube (e em boa parte dos casos com um funcionamento prático felizmente autónomo de instabilidades institucionais), e centremo-nos nalguns dados.

O último período de aposta na formação foi talvez o período de Paulo Bento. Treinador de invulgar longevidade no clube, hoje em dia é visto como o último grande defensor da formação desde o banco, um testemunho até há pouco tempo aparentemente passado a Jesualdo. Até 2009, o Sporting teve às maos de Paulo Bento na primeira equipa uma fornada de jogadores formados no clube. E depois? E depois... também. Na época 2008/09, entre os jogadores que tiveram minutos no campeonato contavam-se 10 formados no clube. É verdade que entre eles havia jogadores amplamente utilizados como Rui Patrício ou Moutinho mas falamos também do veterano Tiago, dos intermitentes Djaló e Adrien e também dos 4 singelos minutos de Renato Neto. Já na época 2011-2012, dos 10 jogadores formados no clube com minutos no campeonato passávamos a uma preocupante descida para... 9. O conjunto total de minutos entre os jogadores da formação diminuía mas um deles era totalista.

Na época de 2012-2013, o total é de 15 jogadores mas 1 nao chegou a ser utilizado, 2 deles saíram no mercado de Janeiro e 6 desses 15 não chegam sequer aos 90 minutos. Ou seja, algures entre os 9 e os 10 nestas três épocas analisadas. É certo que entre os titulares ou jogadores mais utilizados passámos de 4 ou 5 formados no clube para 2 ou 3 com a mesma origem. É suficiente para apontar esta variação como boa parte da origem dos problemas ou justifica radicalizar este pretenso regresso à formação como panaceia para o futebol sénior do clube? Isto partindo do princípio que apostar na formação é, claro, fazer alinhar o máximo de jogadores possíveis na equipa principal, o máximo de tempo. Por outro lado, se os resultados dos últimos anos permitem inferir que algo não está a ser feito da melhor maneira (formulemos a coisa desta forma eufemística) e se ao longo desses mesmos últimos anos não houve uma variação tao significativa no número de atletas da formação que chegaram ao plantel principal, justifica basear, primeiro, um paradigma de gestao desportiva nessa ideia e, segundo, definir essa ideia em função desse volume de tempo de jogo? Dito de outra maneira, se nem antes quando esse caminho da formação era seguido, o Sporting tinha o êxito que não se obteve por se ter abandonado esse mesmo caminho, pretende-se voltar exactamente a quê?

Esta noção de regresso expoe um clube num limbo. Não é novo que há vários anos que cada época é o ano zero de um novo projecto. Até a época passada, que ameaçava ser uma excepção, acabou por ser considerada o recomeço do projecto do ano anterior. A aposta na formação, há exactamente um ano, eram Sá Pinto, símbolo do clube e escalador meteórico no prestígio do clube pela boa percepção do trabalho nos juniores e na segunda metade da época, ainda que agridoce. Eram a renovação de Patrício, Adrien e André Martins, curiosamente hoje (ainda) titulares no onze de Leonardo Jardim. E, de novo, o limbo, entre o regresso a umas origens – a “aposta” pretensamente abandonada, o sportinguismo puro (a tal questao da categoria moral), pré-corrupção roquetista – e o futuro, o potencial dos jovens, os contratos até 2018, a nova era de clube diferente que agora começa e que nos trará a todos muitas alegrias. A alguns já nos bastava que conseguisse fazer-nos disfrutar do presente e sacudir o cinismo diante dos desgostos, ao menos os da pré-época, esta que começou em Março, quando acabou mentalmente a temporada 2012-2013. Quando a bola voltar a rolar a sério, não tudo mas algo importante, o foco da nossa atenção, será diferente.

sábado, 3 de agosto de 2013

Um regresso que se saúda

Filipe Vieira de Sá pode não dizer muito aos leitores, mas se falarmos no Jogo Directo já quase todos saberão identificar. Está de regresso às publicações, um regresso que saúdo e que vem completar um espaço que tinha ficado por preencher com a sua ausência. Deixo excertos de cada um dos 3 parágrafos "roubados" do seu primeiro post, cujo teor integral pode e deve ser lido no Jogo Directo. O interesse é reforçado porque corresponde à análise do pretérito jogo com o Nacional.

Estruturalmente, o ponto que mais destaque me merece é o papel dos médios. Jardim distingue as relações entre os centro campistas em função de ter, ou não, a bola. Isto é, o 4-3-3 que se vê com bola, com um médio mais posicional, transforma-se num 4-4-2 quando a equipa aborda a organização contrária, definindo três linhas bem evidentes, com um dos médios (até aqui André Martins) a juntar-se ao avançado, e distribuindo simetricamente o papel dos dois médios que se posicionam na segunda linha defensiva. Num defeso que parece destinado a debates sobre "pivots" e "duplos-pivots", podemos perguntar se, afinal, o Sporting joga com "mono pivot" ou com um "duplo pivot"? ou se o seu sistema será 4-3-3, 4-2-3-1 ou 4-4-2?

(...)esta opção de Jardim em relação ao papel dos médios parece-me ter implicações importantes em relação à dinâmica da equipa. Particularmente, o posicionamento dos dois médios mais adiantados, quando em posse de bola, tem uma tendência previsível para conservar alguma assimetria, com o lado direito a ter um médio com maior propensão ofensiva do que o seu homologo do lado contrário.(...)a consequência principal de tudo isto tem a ver com as implicações na dinâmica ofensiva da própria equipa, sendo provável que a assimetria seja uma das características deste novo Sporting.

A equipa não fez dois jogos brilhantes - provavelmente não poderia mesmo fazer nesta fase - mas soube sempre adaptar-se às diversas circunstâncias que lhe foram surgindo. Em particular, foi sempre uma equipa bem organizada e solidária, conseguindo manter quase sempre uma boa presença numérica na zona da bola, o que facilitou a tarefa dos seus defensores. Paralelamente, foi também uma equipa pragmática com bola, cometendo muito poucos erros em fase de construção, o que é decisivo para precaver situações mais complicadas em termos de transição defensiva. Por tudo isto, parece-me que o ponto decisivo para a definição do patamar que este Sporting pode, ou não, atingir reside no binómio especificidade-qualidade.(...)em Alvalade Jardim ainda tem um longo caminho a percorrer, mas sou da opinião de que é pela via da especificidade que o Sporting poderá alavancar a sua qualidade e, consequentemente, a eficácia dos seus processos.

No plano individual, o tempo de análise não me permite conclusões muito sólidas. Ficam, ainda assim, as minhas notas sobre dois jogadores em destaque neste inicio de temporada, reforçando de novo que o tempo para grandes ilações é ainda escasso: William Carvalho e Maurício. Quanto ao primeiro, é de facto uma boa revelação, mas não posso ainda partilhar de algum entusiasmo excessivo. Surpreendente sobretudo a sua eficácia e sobriedade em posse, mas há um enorme exagero em relação à sua capacidade interventiva na fase defensiva.

Quanto a Maurício, o tempo é ainda curto para conclusões e beneficiou do bom comportamento colectivo, mas revelou-se um jogador bastante assertivo nestes primeiros dois jogos. Com bola, não será provavelmente um primor técnico mas manteve sempre um bom critério, o que é o fundamental para a sua posição. Sem bola, revelou-se um jogador bastante dominador na sua zona de intervenção, ganhando a esmagadora maioria dos duelos, seja em organização, seja em transição.




sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Nacional - Sporting: o que é nosso é bom

O Sporting prosseguiu ontem a sua preparação, jogando com o Nacional em casa emprestada a este. Há males que vêm por bem e os tais problemas logísticos que impediram a viagem à Côte d'Azur, empurraram-nos para um adversário que, quanto a mim, é mais adequado ao propósito em vista: preparar a equipa para o campeonato. As especificidades do nosso, em particular para as obrigações de um grande que este ano não tem competições europeias, tornam mais fácil encontrar aqui as dificuldades dos jogos da Liga do que noutro lugar qualquer.

O velho problema
O jogo de ontem acentuou a impressão deixada no anterior. Leonardo Jardim ainda tem que trabalhar muito e dar muito trabalho aos jogadores. Nada de anormal se atendermos ao tempo que Jardim tem no clube e do momento da época. Mas é evidente que o problema não solucionado pelos que o antecederam permanece para já. Uma equipa como o Sporting deve passar mais de 65% do tempo do campeonato (percentagem intuitiva, não baseada em dados rigorosos) a organizar o seu jogo a partir do seu guarda-redes ou defesas centrais, com o adversário atrás da linha da bola. 

A eficácia do ataque organizado é por isso fundamental e a sem ela torna-se difícil fazer chegar a bola a zonas do campo onde é mais fácil finalizar e onde, por norma, estão os elementos mais vocacionados para o fazer, os avançados. Ora a bola ainda demora muito a chegar lá à frente sobretudo a partir do jogo interior. Demorar muito tempo popde não ser propriamente um problema, chegar poucas vezes e em condições  de difícil sucesso já é. A tarefa (e a observação das suas qualidades) dos avançados é muito difícil, especialmente para a unidade de referência, o ponta-de-lança. Como dizia no post sobre o jogo com a Real Sociedade, este é o telhado da casa e por isso, e pelas dificuldades inerentes ao próprio processo, o que demora mais a consolidar. Aguardemos.

De facto o Nacional foi um bom adversário para testar a qualidade do nosso jogo face às necessidades da Liga. Sofreu um golo muito cedo e nem esse facto o levou a desmontar a tenda lá atrás. Algo que será comum a quase todas as equipas com quem nos cruzaremos no campeonato. Já mais para o fim tentou esticar o seu jogo até à nossa baliza, abrindo espaço para as transições ofensivas de que tanto Jardim gosta. Aí conseguimos aparecer mais vezes e com mais perigo, construindo mais ocasiões para dilatar a vantagem.

Segundo jogo, segundo zero
Eliminemos a época passada da comparação, pela sua anormalidade, mas talvez estejamos a construir uma equipa que nos fará regressar aos bons tempos de Paulo Bento no número de golos sofridos. Não terá sido por acaso que ontem efectuamos o segundo jogo registando o segundo nulo nas nossas balizas. Esta é também uma das marcas de Jardim nas suas equipas, a eficácia defensiva, a par de igual qualidade ofensiva. É neste equilíbrio que se definirá a nossa sorte.

Algumas notas individuais

Eric Dier: parece um veterano. Grande parte da sua qualidade como jogador advém-lhe da sua estrutura mental que lhe proporciona uma aptidão invulgar para ler o jogo e a ele estar permanentemente ligado, concentrado. São essas qualidades que o levam a poder fazer vários lugares. Uma delicia ver este miúdo jogar, uma delicia para qualquer treinador.

Evaldo: Não é um artista mas não é tão mau como pintam. É um bom segunda linha para qualquer eventualidade. Defende bem e isso pode levar Jardim a pensar duas vezes, até porque parece ser um bom profissional.

William Carvalho: mais um leãozinho tirado da enorme cartola que é a Academia. Pode tornar-se num caso sério. Gosto do tenho visto e gostei particularmente que se assumisse como Sportinguista em recente conferência de imprensa. O seu ex- treinador na Bélgica teceu recentemente os melhores elogios relativamente às suas qualidades humanas e profissionais e acabou defini-lo como algo parecido com "um maluquinho pelo Sporting". Segundo ele passava a vida a falar sobre o clube e sempre à procura de tudo o que relacionava com o clube.

Rinaudo: é o mesmo jogador de sempre mas a fasquia está-lhe agora muito alta com a aparição de William Carvalho. Como tem uma enorme alma ainda podemos contar com ele. E se olhar para o que o miúdo faz de certo que se tornará ainda melhor.

Adrien Silva:Para o jogador com o seu potencial é indiferente triunfar no Sporting porque o conseguirá fazer noutro lado qualquer, se não houve anormalidade no seu percurso. Já para o Sporting não é indiferente. É importante, como sinal para a Academia, ser possível resgatá-lo ao destino que teve Pereirinha, Carriço e Pedro Mendes, só para falar nos mais recentes. Tal como eles, Adrien não é o próximo Ronaldo. Não está a ser melhor do que nunca, está apenas a ter uma época normal, sem casos o que o torna numa peça importante, tal como qualquer um dos citados poderia ainda ser.

Chaby:Como diria o Koba, tem nome de artista e isso vai ajudá-lo muito. Precisa de crescer, não tanto em altura mas em músculo, mas tem talento e para esse há sempre espaço se lhe dermos o tempo.

Carrillo: dizia a brincar ontem que precisava de ter um pouco da maturidade de Dier para ser o craque que anuncia ainda de forma demasiado intermitente. Mas isto é como pedir a bon-vivant que tenha juízo e se case, é matar um pouco daquilo que é. Mas precisa de saber jogar mais simples, evitar o último adorno, dosear o esforço fisico. É com o decorrer do tempo que isso fica mais evidente, porque lhe vai faltando as forças e discernimento para serpentear como uma "culebra" que de facto é, mas que não sabe como soltar todo o veneno que tem dentro dele.

Montero: Já mostrou quem tem pés e isso no futebol até é mesmo importante. Começou como deve qualquer goleador, marcando golos. Algumas dúvidas se poderá ser um "9". Só se explica a aparente falta de trabalho muscular num jogador da sua posição por ter andado por ligas menores e talvez isso explique também porque fez grande parte da carreira como segundo avançado. Aquelas "reviengas" na grande área apelaram à imagem de Matias Fernandez, não foi?

Nota final
O Sporting tem nos seus plantéis da equipa A e B um lote de jogadores de grande qualidade, por sinal os mais promissores de todos serão os formados na casa. Se, como organização colectiva, soubermos fazer a transição que agora é necessária, evitando os erros quase sempre repetidos nos últimos anos, não devemos ter receio do futuro. Devemos isso a estes miúdos talentosos mas devemos sobretudo ao grande clube que somos.

Jogaram:
Rui Patrício; Cédric, Eric Dier, Maurício e Evaldo; William Carvalho, Adrien Silva e André Martins; Filipe Chaby, Montero e Carrillo.

Jogaram ainda: Marcos Rojo, Jefferson, Rinaudo, Wilson Eduardo, Marcelo Boeck, Capel, Welder, Ponde e Labyad.

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