Antes de depois do Clássico: o discurso do Presidente, os Casuals e outras violências
Algumas notas sobre alguns eventos à volta do clássico no Dragão e que me parecem merecer referência. As minhas desculpas pela extensão do post. O vídeo e a foto que o ilustram são da página Alma Verde.
O discurso e exposição mediática do presidente
Tal como aqui já havia referido anteriormente entendo que o Sporting não se deve encolher por uma qualquer razão sempre que o clube seja visado por terceiros, seja eles quem forem. Se é o presidente que deve estar à cabeça, se a resposta deve ser dada através de comunicados já merece outro cuidado. Mais cuidado ainda deve merecer o conteúdo das respostas, que não pode nunca dar a impressão de ser descuidado, falar por falar.
Por outro lado parece-me tão desajustado ficar calado como dizer tudo e mais alguma coisa a propósito de tudo e de coisa nenhuma. Critério, objectividade, e as sempre distintivas marcas de inteligência e classe, porque a isso estamos obrigados quando falamos pelo Sporting, são imprescindíveis.
Por outro lado parece-me tão desajustado ficar calado como dizer tudo e mais alguma coisa a propósito de tudo e de coisa nenhuma. Critério, objectividade, e as sempre distintivas marcas de inteligência e classe, porque a isso estamos obrigados quando falamos pelo Sporting, são imprescindíveis.
Dito isto não parece que as últimas intervenções do presidente tenham sido pautadas pela objectividade, oportunidade e acerto. As respostas que verdadeiramente contam dão-se em campo. Um discurso que depois não cole com a exibição e particularmente com o resultado expõe-nos.
De tal forma é assim que até o Josué se achou no direito de nos dar lições no final do jogo. Quem é o Josué? Não fora o futebol e não passaria de um sério candidato a indigente a engrossar o número de dependentes de RSI, e que me perdoem quem a vida cortou todos os outros caminhos.
De tal forma é assim que até o Josué se achou no direito de nos dar lições no final do jogo. Quem é o Josué? Não fora o futebol e não passaria de um sério candidato a indigente a engrossar o número de dependentes de RSI, e que me perdoem quem a vida cortou todos os outros caminhos.
Também não gostei que tivesse centrado o seu discurso de sábado num ponto de vista meramente pessoal, quando o que estava em causa era o Sporting, um jogo da sua equipa mais representativa e os adeptos que a acompanhariam. Confesso que não gosto desta tendência de sujeição do "nós", isto é o Sporting Clube de Portugal ao "eu" Bruno de Carvalho.
Nunca é demais lembrar que na curva norte do antigo estádio das Antas um
adepto do Sporting foi esfaqueado, com a conivência das forças que
deviam ser da autoridade. Veja-se o que sucedeu desta feita com as faixas e bandeiras da Juve, algo que nunca se viu em mais nenhum estádio, creio. Quando há violência os adeptos são sempre a infantaria, a carne para canhão.
E não foram rigorosas no que diz respeito à casa onde haveria de ser recebido e ao tratamento que lá se dispensa aos presidentes e demais dirigentes dos clubes visitantes: Jorge de Brito já não está entre nós, mas ainda há dirigentes do SLB (não sei se do Sporting também) com "saídas à general", camuflados em ambulâncias e já bem "quentinhos", que o testemunham.
Mas se já não havia sido feliz nas respostas a Pinto da Costa ainda o menos o foi quando respondeu a Rui Moreira. Não creio que o devesse fazer por 2 razões essenciais, descontando logo à partida o teor que foi esparso, para ser simpático:
- O presidente do Sporting não responde a comentadores de jornais, ou corre o risco de baixar o seu cargo ao mesmo nível. Outra coisa seria se Rui Moreira tivesse falado como presidente de câmara eleito, o que não foi o caso.
- O presidente do Sporting deve evitar temas fracturantes e procurar um discurso agregador. Descair o comentário em temas de cariz politico-partidário - como foi o caso da resposta a Rui Moreira- religião e outros, é um erro de palmatória, porque obviamente divide. Deve ter sido assim que se sentiram os apoiantes do actual presidente da C.M. do Porto e que acumulam essa característica com a sua qualidade de Sportinguistas.
Rui Moreira acusou-o de "populista"?
Mas que credibilidade merece essa acusação vinda de alguém que há 30 anos tem um presidente como Pinto da Costa? Ele que no inúmero rol de títulos tem o de uma teia organizada de corrupção? Quando Rui Moreira se debruçar sobre isso talvez se coloque em posição de criticar o presidente do Sporting e então merecer a sua atenção.
Mas que credibilidade merece essa acusação vinda de alguém que há 30 anos tem um presidente como Pinto da Costa? Ele que no inúmero rol de títulos tem o de uma teia organizada de corrupção? Quando Rui Moreira se debruçar sobre isso talvez se coloque em posição de criticar o presidente do Sporting e então merecer a sua atenção.
Quanto à acusação propriamente dita (populista) estou à vontade para falar sobre o assunto. A minha ligação ao Sporting não depende da pessoa que ocupa a cadeira da presidência. Não vou aos jogos apenas quando a equipa triunfa, vou sempre que a minha vida me permite. Por isso já estive em bancadas repletas como em outras que os dedos que nos são concedidos em todos os membros dariam para contar os adeptos.
O futebol é "um negócio" de emoções (talvez sem aspas...) e assim um presidente tem que o perceber e agir em consonância. É preferível um presidente populista a um presidente distante, mas sempre dentro dos limites que o bom-senso impõe.
O futebol é "um negócio" de emoções (talvez sem aspas...) e assim um presidente tem que o perceber e agir em consonância. É preferível um presidente populista a um presidente distante, mas sempre dentro dos limites que o bom-senso impõe.
Para rematar o tema concluiria que um presidente que tem sido elogiado - interna e externamente - pelo que faz não devia fragilizar-se e expor-se pelo que diz, especialmente num pais em que muita gente diz muita coisa mas faz muito pouco. Porque o que é importante não é "o que" ou "quem" ele é, mas "o que" e "quem" representa. Sei que a minha apreciação está longe de ser consensual, mas considero-a premente, especialmente neste momento, que é também de aprendizagem e ajustamento.
Os Casuals
Reprovo à partida qualquer mensagem ou acto que incite à violência, por ser essa a minha natureza. Se esse é o caso fica já aqui a minha posição. No que ao futebol diz respeito, cresci a ir sozinho ao futebol, a ser levado pela mão por desconhecidos e regressar a casa feliz da vida por poder ter assistido a uma partida de futebol.
Mas não vou tão longe ao ponto de afirmar que "isto não é o Sporting" quando hoje se conhecem(?) as consequências da sua acção. Seria negar a realidade - sabemos no que isso dá... - e negar-lhes uma condição - a de Sportinguistas - que mesmo que corresponda a um sentimento mal orientado, é factual.
Porém, sem conhecer o ponto de vista dos envolvidos, que me parece a forma mais adequada de formar uma opinião. Acrescento a propósito do tema algo que escrevi no mural do FB de um amigo:
"Também podíamos falar de outros Casuals como os árbitros auxiliares extra. Como é o caso do Paulinho
Santos, André e outros que se sentam estrategicamente num banco ao lado
do banco de suplentes insultando os jogadores adversários e pressionam os verdadeiros (?) auxiliares a
levantar a bandeirinha sempre
que necessário e de forma conveniente. Ao ponto de sermos levados a
pensar que têm um tique ou são todos descendentes de guardas de passagem
de nível da CP.
Bem, no que diz respeito às manobras do FCP tínhamos tanto que falar que o Zukemberg tinha que fazer um novo FB apenas a elas dedicadas. Mas isso tem algum interesse mediático/jornalistico comparado com os casuals, apesar das décadas já assim passadas?"
Bem, no que diz respeito às manobras do FCP tínhamos tanto que falar que o Zukemberg tinha que fazer um novo FB apenas a elas dedicadas. Mas isso tem algum interesse mediático/jornalistico comparado com os casuals, apesar das décadas já assim passadas?"
Os Stewarts
A gravidade da actuação desta gentalha é ainda mais extrema que a dos Casuals. Ao contrário destes, eles existem para zelar pela segurança. Provocar as claques, roubar adereços (bandeiras, faixas) que depois foram vistos numa claque rival é muito mais do que irresponsabilidade, é comportamento incendiário. Quando tal aconteceu estava ainda poucos elementos das claques. O que teria sucedido se fosse uns minutos mais tarde, já com todos no estádio?
O comunicado e a recepção
Não fiquei surpreendido com o que foi descrito no comunicado do Sporting. O que lá vem é apenas uma versão soft-core do que ali se passa sempre que acontece algum jogo importante. O presidente não havia dito que uma recepção hostil era sinal que incomodávamos? Então é sinal que estamos a fazer algo bem feito e, mais do que nos queixarmos, é saber responder em conformidade, em devido tempo.
Diga-se a propósito que, para quem passou os últimos anos a puxar o lustro a uma conversa bafienta e a querer arrogar-se o direito de representar uma zona do País, esta forma de receber é justamente a oposta à que representam as nobres tradições populares ou aristocratas da região. É o mesmo sintoma de abastardamento de quem, pelo comportamento reiterado, acha que para ganhar até pode vender ou comprar a verdade. Ou o que mais preciso for.




















