Não gosto de desculpas como justificação para as derrotas. O resultado de um jogo de futebol é o produto de uma série de acertos e falhas de todos os intervenientes - treinadores, jogadores, árbitros - algumas vezes acompanhadas de momentos geniais, todos eles concorrendo para o desfecho final. Não podemos isolar umas ou outros para explicar um resultado conforme nos dá mais jeito sem com isso incorrer no mesmo método dos vulgares batoteiros. Ou passar os dias a falar de arbitragem quando se perde para, perante um final favorável, invocar aquilo e coisa nenhuma para contornar o óbvio.
Não fomos eliminados da Taça de Portugal por causa do árbitro. Estamos fora da competição por responsabilidade própria, por responsabilidade do adversário e, de forma insofismável, por consequência dos erros da equipa de arbitragem, em particular de Duarte Gomes. Porém, apesar do protagonismo que reivindicou, prefiro deixá-lo para o final da crónica.
O que não gostei
1-Obviamente o resultado. Deixa o sabor oposto ao experimentado nos épicos 5-3, com os quais encontramos muitas semelhanças, em particular no caos táctico. Tal como então a partir de determinada altura, o papel do treinador deixou de ser relevante.
2- Dos nossos erros que, mais do que provocados pelo adversário, foram por nós concedidos e que contribuíram para dois dos quatro golos.
3- Das actuações de Rojo e Jefferson e da titularidade de Piris. Começando pelo fim creio que Cédric não merecia agora saltar da titularidade para a bancada, a menos que esteja lesionado. Gosto de ambos, julgo que Cédric vinha em crescendo de forma e actuações e Piris não fez melhor do que ele, embora tenha estado bem. Rojo fez-se expulsar de forma patética deitando por terra qualquer hipótese de mais uma reacção, a par dos habituais erros de posicionamento. Pouco ajudado por Jefferson, que deu demasiado espaço a defender e foi muito discreto a subir, demonstrando que a lesão tirou-lhe fulgor.
4- Das nossas dificuldades em grande parte do primeiro tempo em ter a bola, à semelhança do que havia sucedido no Dragão. Ou Jardim demora a encontrar o processo ideal ou os jogadores não estão a fazer o que ele lhes pede.
5- A reincidência em não conseguir controlar o jogo quando conseguimos alcançar, através da recuperação do resultado, um patamar para estabilizar o nosso jogo. Inadmissível sofrer dois golos quando acabávamos de empatar e a faltar apenas sete minutos para o intervalo.
6- A forma desconcentrada como se abordou o lance que redundaria no golo decisivo, em particular Patrício. Não me refiro à forma como sofre o golo mas ao que levou a ele. Quando a bola é lançada ele está completamente alheado do lance.
O que gostei
1- Das coisas que mais me custa ouvir durante um jogo da nossa equipa é acusações de falta de empenho dos jogadores. Se eles não quisessem não recuperavam resultados em campos adversos ou em casa, mesmo que depois nem sempre os mantenham. A explicação é obviamente de ordem técnico-táctica e há que reconhecer o mérito do adversário para que a nossa recuperação na segunda parte seja também vista como mérito dos jogadores e treinador.
2- Esta equipa tem sido um exemplo e merecido o entusiasmo e carinho que os adeptos lhe têm devotado. A forma como tem dado as mãos, respondendo colectivamente aos erros individuais extremamente penalizadores, tem sido notável. É preciso salientar que o adversário está agora no seu melhor momento da época.
3- Montero é um grande jogador e isso vê-se quando marca e até quando fica em branco.
4- Slimani tem cumprindo o que dele se espera, marcando golos importantes.
5- Do "show de bola" dos nossos adeptos. Grande presença, muitas vezes calando ou fazendo-se ouvir por cima dos da casa.
O árbitro
Da escolha à reincidência em mais um relvado inclinado proporcionado por este árbitro haveria muito a dizer. Sobre este "senhor" direi que não é sequer a sua qualidade de benfiquista que me preocupa. Creio até que essa sua declaração é estratégica, meramente oportunista para desviar as atenções. Não creio que isso faça dele um elemento particularmente querido entre os seus consócios, um pouco à semelhança de Pedro Proença. Acontece-lhes o mesmo que às prostitutas de luxo ou da rua: quem as procura serve-se delas mas não as respeita.
Se considerarmos os clubes como pátrias desportivas encontramos no nosso futebol vários personagens que a si mesmo impõem a condição de apátridas, encostando-se a quem pode influenciar a sua carreira, em particular a ascensão e manutenção a uma condição que proporcione notoriedade e, sobretudo, mais dinheiro. Como sempre é o vulgar "follow the money". Encontramos gente assim em muitos dos colegas de Duarte Gomes no quadro de árbitros a profissionalizar. Vamos profissionalizar a incompetência e a prostituição.
No que a nós nos diz respeito não faltam exemplos passados de actuações deste senhor que se tornaria fastidioso enunciar. De ontem ficam apenas 2 exemplos para clarificar o seu condicionamento quando tem que nos arbitrar:
- Em caso de dúvida decidiu sempre contra nós
- Nos casos substanciais e em larga medida até nas pequenas decisões errou sempre em favor do SLB.
Os lances que nos prejudicam são factuais. Mas o lance que o define como incapaz para a função é a forma deliberada como ignora o derrube de Luisão a Montero passado diante dos olhos. Não marcou porque não quis.