sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

A razão nas palavras de Jorge Jesus

Deram brado, e provavelmente vão continuar a dar, as palavras de Jorge Jesus sobre a saída de Matic e a possibilidade de esta ser colmatada pela formação. Como é evidente Jesus tem razão: Matic era provavelmente o melhor na sua posição, talvez seguido de perto por Fernando, do FCP. Deste duo aproxima-se a passos largos, muito largos diga-se, William Carvalho que, contudo, tem que manter o nível já exibido para os igualar. Quem sabe até os supere, mas falta-lhe para já esse contraste que a continuidade confere.

O ranking que sugiro para os jogadores em causa pode até nem ser consensual, mas que o trio mencionado contempla os melhores daquela posição da nossa liga já o será. Não é por isso crível que o SLB, ou qualquer outro clube, conseguisse colocar no seu onze um jogador para, no imediato, fazer esquecer Matic, recorrendo à formação. 

Isso é tão verdade que nem o próprio o conseguiria fazer se as suas performances fossem idênticas às que exibia quando chegou do Chelsea, em 2011. O que Matic que agora faz a viagem de regresso ao clube londrino é um jogador mais evoluído sobre qualquer ponto de vista a que nos proponhamos analisar. Ao fim e ao cabo também o sérvio teve que (re)nascer várias vezes para chegar ao que é hoje, conferindo razão às afirmações de JJ.

Se tudo isto é verdade, não é menos verdade que alguém que ocupe um cargo como o de Jesus não se pode pronunciar como ele o fez. Este não teve que esperar muito para ser confrontado com o seu próprio deslize. Aí estiveram muito bem os miúdos do clube encarnado quando afirmaram que, se preciso fosse, nasceriam mais nove vezes para igualar as dez que JJ entendia serem necessárias. Quem está a lutar para subir o longo e incerto calvário que é a afirmação de um futebolista profissional no seu clube de formação e muitas vezes de coração a última coisa que precisa é que lhe lembrem precisamente isso: que todo o esforço pode não valer de nada e ser obrigado a bater com a cara no peito de qualquer Matic de ocasião.

Como é óbvio o que passa do outro lado da segunda circular não me interessaria tanto se não pudesse ser aplicado algum paralelismo do lado de cá. É sabido que a aposta da formação no nosso clube é uma bandeira. Umas vezes apontada como estratégia, muitas outras como um mal necessário, à falta de recursos idênticos aos dos nossos rivais e muito raramente sendo usada como deveria ser. 

Talvez não seja demais lembrar que, nos anos recentes, o que tem posto o nome do Sporting nas boas noticias no que ao futebol diz respeito é o futebol da formação. Não só pelos títulos conquistados, pelo foco recebido pelas participações na Next-Gen series, pelo número de jogadores que, com essa origem, fazem parte da selecção e um outro sem número de razões. Seria por isso um profundo erro e um desperdício de recursos não aproveitar o que algo que manifestamente fazemos bem.

Pensar que os jogadores que destacam entre os seus iguais de 19 anos vão conseguir no imediato o mesmo protagonismo entre jogadores já muito mais evoluídos e experimentados, tem sido um dos erros mais comuns de apreciação do valor dos jogadores recém-formados, especialmente entre os adeptos e talvez não menos entre os responsáveis. Não raras vezes as explicações para o que é diagnosticado como falhanço é a tradicional acusação de falta de esforço e aplicação, quando não é mais do que um esgrimir de argumentos em plano de desigualdade.

Perceber estas diferenças é fundamental para que, como tantas vezes tem sucedido, não seja a formação a pagar a factura das frustrações do futebol sénior. E dizer isto é assumir que fazer saltar jogadores da formação directamente para a titularidade, salvo raríssimas excepções, é partir um passo atrás dos nossos rivais, que seguem modelos diferentes, mais dispendiosos, mais directos para o êxito. 

Isto é válido pelo menos enquanto não consigamos constituir um grupo em que talento e aptidão se conjuguem no ponto ideal e onde o jogadores acabados de formar não tenham que ser os "salvadores da pátria".

P.S:- JJ diz também hoje na entrevista ao Record que o clube que representa é o que melhor trabalha a prospecção. Isto pode ser considerado de várias formas face aos resultados e à formo como cada um os interpreta. Eu prefiro olhar para eles como um aviso e um desafio.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A sorte que nos calhou para Arouca


Do meu post do passado 4 de Novembro:

Jogava-se ontem o Académico de Viseu - FCPortoB quando, na sequência de uma tentativa de evitar que uma bola saísse do terreno do jogo, um jogador da equipa da casa fica ferido, como a imagem documenta.

As imagens e os sons falam por si. Num qualquer "Burkina Faso futebolistico" uma ocorrência destas até podia passar em branco. No país que se orgulha proclamar aos quatro ventos o amor pelo futebol alguém com as funções de árbitro e que revele tão pouco respeito por um dos intervenientes do espectáculo não devia passar incólume entre os pingos da chuva. Fosse este lance um apenas um momento mau e teria desculpa. Ora o que este senhor nos habituou ao longo do tempo foi a concertos do apito que mais não são do que declarações de incompetência. Não há nada como jantar com as pessoas certas...

Foi o que nos calhou em sorte para o jogo em Arouca. Isto não querendo insultar a sorte que, provavelmente, não tem nada a ver com o caso.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Mané fez um arco para concorrer em beleza com o da Rua Augusta

Momento feliz para o futebol quando ele é presenteado com lances como o que ontem foi protagonizado por Carlos Mané. E nós, através dele, felizes ficamos. Parece haver ali um instante em que a sombra de Pedro Barbosa lhe indica o movimento e lhe ampara o pé para que a bota e a bola se encontrem no sitio certo, de forma a que a última viaje feliz, até se anichar nas redes. Se as bolas falassem aposto que esta teria dito, lânguida, ao Carlos Mané: por favor, pega em mim e faz-me isso outra vez, anda lá!

Passado o momento do delírio e da hipérbole, e antes de dizer mais qualquer coisa sobre o jogo, duas letras sobre o artista do dia, Carlos Mané e, por simpatia, a formação. O magnifico golo que marcou tanto o pode ajudar como ser dos seus piores inimigos. Era bom, como tantas vezes acontece na vida de um jovem jogador que faz "umas coisas bonitas", que este não se sinta obrigado a repeti-las a cada lance de cada jogo, condicionando-lhe a evolução como um espartilho. 

Um dos aspectos mais interessantes do jogo deste miúdo é a forma espontânea e atrevida como encara os lances e os adversários quando parte para cima deles. Perder essa naturalidade é perder uma das suas melhores armas. É  bom que ele o perceba e, não menos importante, que os adeptos não lhe exijam mais do que é natural exigir a um miúdo que dá os primeiros passos.

Este é também um momento importante, que certamente vai voltar a virar o foco para a formação, e que surgirá de atacado com a recente consagração de Cristiano Ronaldo. É bom que se perceba o quão perniciosas são as comparações e como estas podem ser castradoras para os jogadores. O melhor que podemos fazer é confrontar Carlos Mané com o seu talento e as imperfeições a limar. Até porque os Cristianos Ronaldos e até mesmo os Quaresmas, Sabrosas e Nanis, não aparecem cada vez que se muda uma pedra de lugar em Alcochete.

Depois o talento. Aqueles 10% que vêm depois dos 90% de entrega e suor mas que fazem a diferença. Toda a diferença. Mas sem ele o futebol é tão monótono como ver chegar e partir os comboios. O êxito da formação do Sporting sempre residiu na capacidade apurada de ver o talento antes dos outros ou onde ninguém via coisa nenhuma. E, há que dizê-lo também, na capacidade de fazer entender o jogo aos menos dotados. Por isso o sucesso da formação do Sporting não extingue no sucesso dos melhores do mundo, mas estende-se de forma transversal a todas as divisões e campeonatos onde jogadores com o selo Sporting são procurados. Era bom que assim continuasse porque não foi por aí que o futebol do Sporting claudicou. Bem antes pelo contrário.

Ficam duas linhas sobre o jogo. Cumpriu-se a obrigação de ganhar com o conforto do número de golos marcados, que podem assumir importância decisiva em caso de necessidade de desempate. Fica o registo de um jogo partido e aberto - apesar de não termos sofrido golos, consentimos muito mais oportunidades neste jogo que numa série de muitos que o antecederam - a que não será alheia uma descontracção que os jogadores não sentem quando se trata de um jogo da Liga. Vantagem para os adeptos, que estão cansados  autocarros e jogos calculistas. Foi também o regresso à eficácia dos jogos mais felizes, que se espera tenha regressado para ficar.

Breve menção individual para dizer que Mané talvez tenha sido muito importante para desbloquear o jogo mas o melhor em campo foi com certeza Boeck, que reapareceu em grande.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Ronaldo e o tempo dos mesquinhos e dos emplastros

A consagração de Ronaldo como melhor jogador do Mundo é acima de tudo um feito pessoal. O seu trajecto meteórico imparável é conseguido à custa de muito querer, de uma dedicação exemplar à profissão que sempre quis ter, uma lição de vontade. Para ser quem é hoje Ronaldo teve que ser ainda mais implacável que o destino que contrariou.

Desde 2007 que Ronaldo se tornou um nome incontornável na eleição dos melhores do mundo, estando quase sempre entre os 2 melhores. Consegui-lo partilhando palcos com jogadores notáveis como Ibrahimovic, Iniesta, Xavi, Rooney, Torres, Ribery, ou mesmo Nistelrooy e Thierry Henry, com quem se cruzou já no ocaso, é ainda mais notável. O facto de ter secundado em várias ocasiões um jogador do outro mundo como Messi em nada o menoriza. Só existência de ambos na mesma geração é que se tem oposto à a um domínio único e imperial de um nome só. Só Ronaldo tem ofuscado Messi bem como o seu contrário.

É também uma consagração nacional. Um país pequeno em área e números como o nosso coleccionar 4 troféus de melhor jogador do mundo é absolutamente notável e torna estranho que tal não tenha sido já objecto de análise e estudo. Significa também a consagração muito particular para um clube notável como é o Sporting Clube de Portugal. Notável não apenas porque tem o seu nome ligado a 3 desses quatro troféus. Mas também notável por tudo o que já deu ao desporto, nas suas mais variadas vertentes e cujo palmarés testemunha de forma irrefutável.

É muito provável que jogadores como Ronaldo, Figo, e tantos outros, fossem sempre muito bons com ou sem o Sporting no seu caminho. Mas, entrando no imenso campo das probabilidades, não se pode por de lado a possibilidade de o destino deles ter sido igual ao de tantos outros que com eles partilharam percursos mas que nunca se conseguiram livrar do triste fado

Não é por acaso que o Sporting tem formado o maior número de jogadores das diversas selecções nacionais. Isso corresponde ao resultado de uma estratégia e indiscutível bom resultado, mesmo que dele o clube não tenha retirado tantos proveitos como poderia e deveria.

Por isso dizer que o Ronaldo nunca seria o que é hoje se não tivesse saído tão cedo para o Manchester United parece-me correcto e até muito aceitável. Mas também o é afirmar que Ronaldo não teria chamado à atenção do mundo futebolístico se não tivesse beneficiado do trabalho realizado pelo clube que o formou e lhe deu o palco imprescindível para essa visibilidade. 

Negá-lo é tão mesquinho como negar a categoria de Messi para promover Ronaldo. Devia ser precisamente o contrário: afirmar a categoria de Messi é o melhor elogio que se pode fazer a Ronaldo, ele não ganha a um qualquer mas a um dos melhores de sempre, que Ronaldo também é.

Para completar o título faltam apenas os emplastros. Aqueles que de forma parasita se esforçam para, à boleia de Ronaldo, aparecer sob as luzes da ribalta que sobre ele incidem.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O resultado do clássico e respectivas implicações no que falta do campeonato

Dos três resultados possíveis a vitória do Benfica era o que eu menos desejava, o empate seria o mais favorável por razões óbvias e a hipótese de vitória do FCPorto o mal menor. É verdade que esta, a acontecer, poderia ter um efeito moralizador. Porém, e porque o jogo dos azuis deixou a confirmação de inúmeros problemas para resolver, esse efeito não teria a força que se poderia verificar em anos anteriores.O nosso empate no Estoril acabaria por ser demasiado penalizador, uma vez que não era imerecido ter dobrado o campeonato no primeiro lugar. O melhor ataque e melhor defesa são factos acessórios mas importantes para lembrar qual foi a equipa mais regular e consistente até ao momento.

Pode o facto de Benfica, acabado de se sagrar campeão de inverno, sair por cima da concorrência?

Não tenho dons adivinhatórios e fazer estimativas em futebol deve ser das actividades mais condenadas ao fracasso. Daí que responder a esta pergunta tenha pouco interesse, a vantagem alcançada é por hora escassa, não assumindo por isso qualquer carácter definitivo. Acresce ainda o facto de, neste momento, o mercado estar ainda em aberto durante cerca de 15 dias, podendo os plantéis sofrer ainda alterações substanciais e com elas a respectiva competitividade.

É preciso coragem tanto para mudar como para manter
Disse-o a um amigo benfiquista ainda durante o verão, ainda sofriam os nossos rivais as dores excruciantes de três derrotas no final de três competições: manter Jesus era uma aposta de risco mas a melhor que o SLB podia fazer. O SLB perdeu consecutivamente mas, à excepção da derrota final no Jamor, perdeu sempre por pequenos detalhes. Pelo menos o campeonato esteve ali à mão de semear. 

O titulo de campeão de inverno não tem qualquer significado, mas representa um pequeno prémio para a coragem de LFV em não mudar. E recorde-se que aguentou Cardoso também e ainda reforçou significativamente a equipa. Não parece por isso fazer agora qualquer sentido que abra agora mão da medula que representam Matic, Garay e Rodrigo na espinha dorsal. (Sim, incluo o hispano-brasileiro porque ele representa o futuro que Lima e Cardozo não podem dar). A vantagem de ter o melhor plantel da Liga pode deixar o ser. Só a pressão da tesouraria o justificaria e esta parece ser grande. Mas, mesmo mesmo que se venham a registar algumas saídas, continuo a pensar no SLB como o principal candidato. Isto desde que Jesus continue ligado ao chão e não sucumba, como anteriormente, à tentação de caminhar triunfalmente sobre as águas, sem ainda nada ter ganho.

Santos da casa fazem milagres
A imagem de Vítor Pereira no Dragão e o processo  que levou à sua saída demonstram duas realidades: (i) o resultado do seu trabalho e sobretudo as condições em que foi obtido nunca foram devidamente valorizados. (ii) O tão incensado departamento de futebol azul-e-branco já trabalhou bem melhor do que agora. 

Perder jogadores cruciais como Falcão, Hulk, ou até Guarin, não obstou a que a equipa continuasse a ganhar mas os méritos das conquistas só indirectamente chegaram ao treinador. A ideia de que naquele clube qualquer treinador ganha, menorizando por isso o seu papel,  foi ganhando raízes de há anos para cá e ganhou foros de certeza com Vítor Pereira. Talvez por isso ele se tenha fartado e batido com a porta. E talvez também por isso se deve ter pensado que o treinador mais à mão servisse para o papel. Não é bem assim.

Com isto não quero dizer que a principal razão das actuais aflições portistas se concentrem nas aptidões, ou falta delas, de Paulo Fonseca. Como é evidente ele não se pode furtar ao escrutínio das suas opções. Mas é também claro que a estratégia seguida para o reforço da equipa sofreu variações de filosofia e que tantos elogios mereceu anteriormente. A preferência de jogadores em fim de carreira - Lucho, Liedson, Izmailov e agora Quaresma - com jogadores de cartel e preço elevado - Alex Sandro, Danilo - tem igualado ou até suplantado o recurso a jogadores promissores para valorizar e vender caro posteriormente. Este ano alguns jogadores de características e/ou valor aquém das necessidades para as saídas e lacunas a preencher, cuja aquisição não foi da responsabilidade do treinador, só com muita dificuldade não expõem outros actores que não apenas o treinador. A falta de resultados em linha com os anos anteriores é muito provável vir a agitar as águas para os lados do Olival.

Outsiders as usual 
Pesadas, de forma superficial, as vantagens e fragilidades dos nossos adversários, onde ficamos nós? No mesmo lugar de outsiders. Sendo indiscutível o  nosso bom campeonato até ao momento, também o é o facto de, este ano, os adversários terem perdido mais pontos do que nos anos anteriores. (SLB tem menos três pontos e o FCP menos 6). É também cada vez mais consensual que o plantel sofre de muitas limitações de qualidade e quantidade sobretudo no último terço e que isso não vai mudar significativamente nesta janela de mercado.

É uma afirmação um pouco "lapalissiana", mas é verdade que as nossas ambições vão depender tanto de conseguirmos manter o nível até agora registado como do que os adversários venham a fazer. Se a média de pontos se mantiver em linha com o obtido haverá campeonato até ao fim, tendo nós direito a papel de protagonistas até ao final.

Os próximos jogos serão importantes na (re)definição dos nossos objectivos/pretensões. A equipa vive um momento de algum stress por falta de concretização. (Isto porque o golo limpo de Slimani não pode entrar nas contas). E esse stress justifica-se muito mais com a incapacidade de criar oportunidades do que pelos golos falhados, o que pode ser um sinal de alguma saturação competitiva e melhor conhecimento por parte dos adversários. Quanto mais tempo durar mais difícil se torna de gerir, criando um nível de dificuldade extra aos jogadores. É por isso de vital importância que a equipa não descole dos lugares da frente até dia 9 de Fevereiro, data do derby. Se o conseguirmos voltaremos a falar então, assim que o resultado seja conhecido.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Sporting empatado pelo excesso de trânsito na linha

Um jogo disputado com intensidade máxima mas com poucos pormenores técnicos foi o que resultou da deslocação do Sporting ao campo do Estoril. E começo por aqui, o campo. Chamar estádio a um campo com bancadas à volta é muito comum entre nós. Talvez por essa imerecida promoção os dirigentes do clube local se permitam a graça de cobrar a exorbitância de 20.00€ a cada adepto do Sporting que lhes concedeu a honra da sua presença. A Liga e a FPF fecham os olhos, como se a sorte dos adeptos lhes seja indiferente e certamente é. Mas não devia ser, sobretudo quando depois os seus dirigentes vêm exibir o seu ar consternado perante as estatísticas que demonstram o abandono daqueles em favor de outras actividades que concorrem hoje com o "beautifull game".

Poder-se-á atribuir ao prefácio do post uma pretensa indisposição causada pelo resultado que deixou a nossa liderança à mercê do resultado de mais logo do clássico. Nada mais errado, por duas razões fundamentais: era já minha intenção abordar o tema, depois de conhecida a tabela de preços para o jogo. E este não me provocou nenhuma azia, insónia ou preocupação apesar de, obviamente, preferir a vitória à divisão de pontos. Esta, no entanto, parece-me justa, face ao produzido pelos dois contendores. 

Seria injusto para o Estoril, uma equipa que, apesar das contrariedades que antecederam o encontro e as que este lhe infligiu, soube sempre contrariar-nos, mesmo quando controlamos o encontro. Porém o nosso controlo ocorreu sempre entre o consentido por eles e superioridade que fomos impondo quase sempre muito mais em esforço do que por acção inteligente. 

Aqui encontro a razão para o nosso empate: se a entrega dos nossos jogadores foi sempre inatacável, faltou quem aportasse ao jogo mais clarividência, inteligência e frieza à nossa posse de bola. O Sporting deixou-se contagiar pela entrega com que os adversários iam impondo na abordagem de cada lance. O espaço útil de jogo estava bastante reduzido pelas linhas subidas de ambas as equipas e a construção do nosso jogo sempre muito condicionada desde muito cedo.

Se Jardim leu muito bem o que sucedeu em campo, o que se depreende do acerto habitual das suas análises ao jogo, deve-se dizer que o tempo e a forma em que decidiu mexer no jogo não ajudaram em nada as nossas pretensões. Isto porque demorou muito tempo a mexer e, mesmo considerando as poucas opções de que dispõem, quando decidiu não forneceu nenhuma solução alternativa que pudesse mudar o curso do jogo. 

Martins exibia pouco acerto perante o pouco espaço e tempo para executar. É certo que Carrilo e Eduardo não estavam a fazer grande coisa, mas meter Capel onde não há espaço é obrigá-lo a centrar quase sempre demasiado atrás para conseguir criar perigo. Slimani criou algum desconforto aos estorilistas mas não teve um único lance em que fosse bem servido para, de cabeça, poder criar oportunidades. Jardim repete o erro ao chamar Mané para o outro extremo, quando não havia espaço para jogar.

Com Montero perdido da equipa, lá bem no fundo da boca do inferno, conseguimos apenas um único remate digno desse nome. Wilson Eduardo voltou a repetir o que sabe fazer de melhor: fechar os olhos e rematar com força. Muito pouco. A permanência do colombiano já com a entrada de Slimani, também não resultou. Talvez se recomendasse, com as alas completamente vedadas, maior jogo interior, mas isso não parece estar nas ideias mais próximas de Jardim.

Pelo acima exposto, aceito a divisão de pontos. Sem angústias ou insónias porque o Sporting pode prosseguir o seu caminho com as suas ambições intactas, mesmo no que diz respeito ao melhor lugar do torneio. Essas tive-as aquando do golo limpo anulado a Slimani com o Nacional e que significaria hoje a permanência no comando da Liga. 

A propósito de arbitragem não se pode dizer muito mal da arbitragem de Pedro Proença a não ser que foi uma arbitragem à sua imagem. Inteligente, a permitir jogo duro que intimidava os nossos jogadores e quando tal não acontecia era ele próprio que se encarregava de o fazer. Os amarelos a Cédric e a Montero são o melhor exemplo. Proença foi fiel a si próprio: foi o Proença de trazer por casa, muito diferente do Proença internacional e "melhor do mundo". Nunca o seria se fosse sempre o primeiro.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Rinaudo entre o que é o que podia ter sido e a desilusão da equipa B

Está confirmada a partida de Rinaudo para o Catânia. Juntamente com o anúncio da sua saída por empréstimo é tornado público a renovação do seu vinculo por mais um ano e valores percentuais do seu passe e hipotética alienação futuro pelo clube siciliano.

Sair do primeiro classificado da Liga Portuguesa para o fundo da tabela de Itália não é propriamente um progresso na carreira embora também não se possa comparar a um exílio ou reforma antecipada, dourada ou não. É porém sintomática do ofuscamento do argentino pela projecção da cada vez maior sombra de William Carvalho, que já vai no hat-trick no que a melhor jogador do mês diz respeito. 

Observando o seu trajecto de leão ao peito - e quando decorria a terceira época - é incontornável constatar que esteve longe de alcançar o nível que prometeu, não se conseguindo furtar à mesma estagnação/decepção de grande parte dos seus colegas. Sendo um jogador com grande cartel junto dos adeptos, nos quais me incluo, continuo a pensar que tal acontece muito mais pela sua forma de jogar do que pela sua eficácia e até importância que detém no nosso jogo. Parece-me inegável que, para seu e nosso bem, que Rinaudo não foi o que podia ter sido.

Falta agora saber que estratégia adoptará para suprir a  vaga de Rinaudo. Procurando uma solução na equipa B ou indo ao mercado. 

Como soluções internas ocorre-me Fokobo que não me parece ser hoje nem nunca "o tal". Para Palhinha parece ser ainda cedo demais. A propósito de soluções internas devo confessar a minha desilusão com o percurso da equipa B. Interessa-me pouco a sua posição na tabela classificativa, desde que não caia na divisão secundária. Preocupa-me mais que prepare os jogadores para a sua futura integração no plantel principal. O que se tem observado é retrocesso e estagnação gerais, mesmo de jogadores talentosos, não se vislumbrando quem possa no imediato constituir uma opção de que Leonardo Jardim se possa socorrer.

Como soluções de mercado já aqui falei anteriormente em André Leão, peça fulcral no sucesso da época anterior do Paços Ferreira e cujo preço e possibilidade de integração imediata constituem um negócio possível mas também prudente. Ou será que o lugar está já reservado para Rui Sampaio, que Leonardo Jardim tão bem conhece, e que recentemente rescindiu com o Cagliari, sendo por isso um jogador livre?

E enquanto assistimos à arrumação da casa não posso deixar de fazer minhas as palavras de um amigo aqui deste espaço, (o @imago_route): só no Welder e no Magrão é que ninguém pega.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Labyad e João Mário: saídas airosas

Labyad no Vitess e João Mário no Vitória de Setúbal. Saídas airosas para dois jogadores que, por razões que desconheço, estavam a ver o seu valor depreciado.

Labyad vai para a liga holandesa que conhece bem e para o segundo classificado Vitess. Oxalá, para seu e nosso proveito, aí possa voltar às boas exibições, justificando o facto de ter constado na lista dos 50 jovens jogadores mais promissores do mundo.

João Mário vai reencontrar Couceiro, que também o conhece bem, e onde se espera que confirme a categoria que muitos lhe imputam mas ainda está por provar.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Eusebio e o dia em que todos fomos mais iguais. O Panteão e outras coisas mais.

O último adeus a Eusébio foi um manancial de imagens poderosas. Elegi a que ilustra o post de hoje porque acabou por ser a que inspirou o post de hoje.

Eusébio jaz no relvado, no meio de um palco onde conheceu tantos triunfos e a imagem testemunha aquele que é provavelmente o último deles: o da vitória sobre a morte. A morte física é inevitável e a condição última que nos torna a todos iguais. Mas essa é iludida por uns quantos, os que superam o esquecimento que nos mata de vez.

Foi essa vitória de ontem de Eusébio. E foi-lhe concedida por aqueles a quem deve tudo e a quem tudo deu: não apenas os adeptos do seu clube, mas dos adeptos do grande jogo e do povo em geral. A abrangência e espontaneidade da homenagem vinda de todos os clubes e nacionalidades são a sua derradeira mas suprema condecoração e goleou por números expressivos a pobreza e desinspiração dos discursos oficiais.

Um adeus português
Espontaneidade, dramatismo, excesso, generosidade, aproveitamento parasita e caos foram mosaicos do painel que se construiu em torno do seu cortejo fúnebre. À catarse colectiva associada não será estranho também a mingua de referencias colectivas. E nem sequer faltou o destrambelho das declarações inadequadas ao momento de Mário Soares. Ou da preocupação com as contas da segunda figura do estado. Apresentar a factura antes de saber sequer se o serviço vai ser prestado, com muitos zeros a inflacionar, seria sempre inadmissível e inqualificável, no momento escolhido pior ainda. São estas as nossas Coreias que, de forma atávica, nos "oferecem" 3-0´s para dar a volta. Importa sempre lembrar a lição de Eusébio e restantes Magriços: só perde quem desiste.

Todos diferentes mas de sentir tão igual 
Obviamente que a fatia maior de dor é dos nossos congéneres rivais. Muitos nunca viram Eusébio jogar, apenas ouviram contar. A angústia não se esgota por isso apenas na graça que não lhes foi concedida, no sentimento de perda do ídolo maior. Hoje centra-se talvez mais na dúvida de algum dia lhes serem possíveis glórias semelhantes. Sentimentos que, não nos preocupando, partilhamos já nos piores momentos de incerteza e dor. Com um imenso oceano de rivalidade a dividir, ontem foi um dia em que fomos um pouco mais iguais.

Panteão, sim ou não?
Não digo que Eusébio não o mereça. Para perceber melhor a sua importância é preciso ter em conta o que era Portugal nos anos 60 e o que significou socialmente "um preto" deixar ser apenas isso para ser uma das figuras mais consensuais. E repôs Portugal no mapa no estrangeiro hostil a um Portugal enclausurado. Mas é também importante lembrar nesta altura  e sempre que Portugal é o país errado para se ser um Português Excepcional, como foram alguns que, antes e depois de Eusébio, o foram. Porém as más decisões não são razão para que se tomem outras igualmente más. 

Recordo que Portugal existe uma dispersão de monumentos onde se perpetuam as memórias de Portugueses Excepcionais e que vão de Coimbra a Lisboa (Panteão e Jerónimos), passando pela Batalha, etc, etc. A hipótese de ficar sepultado nas imediações do complexo da Luz é um anseio que pode ser dos adeptos benfiquistas mas que de alguma forma reduz o espectro das homenagens. Mas sendo Eusébio um herói das pessoas do povo, do futebol, parece-me bem mais adequado que um desterro honrado do Panteão.

Um clube grande é isto
A presença dos corpos sociais ao mais alto nível honraram a nossa história e creio que representaram a interpretação correcta do sentir da maioria dos Sportinguistas. Não significam em nenhum momento qualquer menorização para nós, mas o oposto. Houve quem fizesse referência a entrevistas passadas de Eusébio e outras tomadas de posição públicas que, em devido tempo, aqui fiz referência, em que Eusébio não terá tratado bem o meu clube. Mais do que Eusébio a falar foi uma certa de lógica de rivalidade musculada e que torna justificável "a rega às escuras" quando não se ganha. Forma de encarar o significado de uma derrota que nem sequer é consensual entre benfiquistas. Prefiro ficar com os testemunhos de Bessone Bastos e Manuel Fernandes  e tantos outros Sportinguistas que privaram com Eusébio e conheceram bem.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Deusébio

As paixões não se explicam. Por isso não vou perder tempo, nem fazer perder a quem me ler, a explicar as razões da minha paixão pelo Sporting, quando os deuses conjugaram todos os seus esforços para que gostasse de qualquer outro dos seus rivais. 

Do Benfica especialmente, porque cresci ao lado de uma tia que ainda hoje nutre um amor desmedido pelo nosso rival de sempre. Foi ela que me ofereceu um equipamento completo, quando no final dos anos 60, não havia o marketing de hoje, e era quase necessário fazer-los de encomenda. Porque ela não descansou enquanto não "me fez" ver um jogo do seu clube de coração, ante o Sp. Braga, no então ainda chamado estádio 28 de Maio, hoje o semi-abandonado 1º de Maio. Porque cresci num período áureo do clube encarnado e quando quase não existia FC Porto para lá das imediações do Estádio das Antas e igreja com o mesmo nome. Por isso toda a gente era do SLB ou do Sporting. Alguns, muitos para os números de hoje, da Académica e do Belenenses. Era assim a norte de Alvalade, para onde vim viver os anos em que se ganha consciência e identidade clubistica.

Foi assim que me habituei a ouvir a Bola Branca, os relatos do Artur Agostinho, e as noites de conquistas e desilusões dos nossos rivais, sem que as sucessivas bicadas da águia me ferissem de paixão. A televisão era então quase experimental face ao que hoje conhecemos e os meninos, malandros ou bem comportados, deitavam-se muito cedo. Por isso as imagens que hoje guardo nasceram adubadas pelo registo sonoro e pelo poder inigualável da imaginação. Assim, mal comparado, num processo muito semelhante ao fascinante mundo da leitura e que nenhum filme, apesar de todas os progressos tecnológicos, ainda conseguiu igualar. Nesse mundo havia um herói que, pela força das memórias que me deixou, conseguiu chegar vivo aos dias de hoje, sem que o poder tantas vezes implacável do tempo o eliminasse: Eusébio.

Não me peçam para cair na armadilha de entrar na discussão do melhor de sempre. É tão injusta, como equiparar um Dino Ferrari dos anos 60 e pretendê-lo melhor que o último modelo da mesma marca. Ou que este, produzido com tecnologia então desconhecida, se possa comparar com o que então se fazia. O mesmo se passa com os jogadores de então e hoje: o mundo mudou tanto que as comparações são impossíveis.

Eusébio foi, de muito longe, o melhor do seu tempo. E só não foi maior porque nasceu quando o futebol e o seu país eram demasiado pequenos para o seu talento. Mas terá lugar cativo na galeria dos imortais do futebol. Não do futebol dos interesses e do futebol-negócio. No do futebol de paixão, que nascia ingénuo nos pontapés na rua às bolas de trapos e assim chegava aos relvados. Foi sempre assim que o vi, um talento puro e ingénuo, que nasceu para ser grande nos relvados e assim cumpriu o seu destino. Retirá-lo desse contexto é como olhar para um peixe fora de água: ele é apenas esforço para não sucumbir.

Sem o querer isolar ou com isso menorizar o seu papel na história do SLB, foi assim que conquistou a imortalidade. Eusébio é um deus do futebol e será sempre assim que me lembrarei dele: a serpentear entre os defesas, fintando o destino que condena os meninos pobres a serem sempre pobres. E dos seus pontapés fulminantes nas barreiras/fronteiras de  um país tantas vezes pequeno para o seu talento. Ou  a chorar de desgosto e impotência agarrado ao fado da camisola da selecção nacional. 

É essa a forma que me parece adequada para fazer a justiça que o seu talento merece.

PS- Muitos estranharão que, sendo eu Sportinguista, renda hoje homenagem a Eusébio. Mas foi isso que o Sporting, a sua historia, me ensinou: a respeitar os adversários, reconhecendo-lhes as suas virtudes e qualidades. Essa é a forma de encarar as derrotas com menos dor e as tornar as nossas vitórias mais saborosas. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Do regresso de Elias à partida de Rinaudo e arrumação da casa

Elias - Nunca acreditei na anunciada venda por 4 milhões, mesmo que apenas por metade do passe. Isto não quer dizer que o negócio não se possa vir a realizar. Mas é sabido que os clubes brasileiros gostam de vender caro mas, na hora de comprar, são, como se diz por lá, mão-de-vaca. O interesse do Flamengo parece ser real, pois Elias voltou na Gávea a patamares próximos ao que de bom fazia no Corinthians. Por isso o clube brasileiro, que sabe que o Sporting não está interessado no regresso de Elias, joga com o tempo e já ofereceu um ordenado chorudo ao jogador para o manter interessado.

O Sporting pode também jogar com o tempo, uma vez que o jogador é importante para a estratégia do clube brasileiro e nem por isso para nós. Não está em causa, pelo menos para mim, a qualidade do jogador e por isso a importância que poderia ter no reforço do plantel. Mas sendo claro que o jogador prefere continuar no Brasil e o facto de ter um contrato muito acima dos valores actualmente praticados, tornam muito remota a hipótese de continuidade. Não havendo acordo espero obviamente que não se repita a aberração já praticada com Labyad e Jeffren. Seria muito difícil de explicar aos sócios e adeptos que o clube tivesse os 3 jogadores mais caros do plantel na bancada sem poderem jogar.

Rinaudo - Jogador querido por todos pela sua forma de estar em campo e fora dele. Com o seu estatuto dificilmente aceita estar muito tempo sem jogar. Tendo sérias possibilidades de ser seleccionado para o Mundial se o estivesse a fazer, ainda mais pressionado fica para procurar um lugar onde possa ser mais feliz. Compreendo a sua insatisfação e percebo que queira sair, mas espero que o Sporting acautele a sua possível vaga no mercado, uma vez que não dispõe de ninguém à altura para fazer a posição 6, em caso de castigo ou lesão prolongada de William. Como o Paços de Ferreira parece estar vendedor, tentar André Leão num negócio pouco oneroso e interessante como foi conseguido com Vítor, parece-me um exemplo de uma boa solução.

Labyad e Jeffren - Pouco mais tenho a acrescentar ao que foi dito acima. Quando ainda há poucos dias, na comunicação efectuada aos sócios, (abordarei em post posterior, porque me parece importante o que foi então dito) o presidente dizia estar em causa a reestruturação financeira, por estarem por vender 2.000 gamebox's, mais difícil é de compreender que jogadores tão caros estejam a receber sem poderem contribuir. Aquele número de gamebox's, pelo valor mais caro (198.00€), equivale a 396.000 euros. Ora esse montante foi já despendido desde o inicio da época com qualquer um deles para andarem a passear entre casa e Alcochete.

João Mário - O seu eclipse é estranho, atendendo à qualidade já evidenciada e ao que se tem visto na equipa B, onde praticamente não passa do banco. A sua possível saída para um clube grego - alô Pereirinha, alô Adrien - assemelhar-se-ia mais a um exílio sem expectativas não fosse encontrar lá Sá Pinto, que o conhece muito bem e quem soube retirar o melhor dele nos júniores ou equipa B.

P.S.- Já depois da redacção do post recebi um press-release da AAS, sobre a temática dos preços praticados nos estádios portugueses, em particular o preço absurdo que o Estoril vai cobrar pelas entradas dos adeptos Sportinguistas. Como o comunicado lembra, os valores agora pedidos são superiores aos pedidos aquando da visita de FCP e SLB. Estranho, não estivéssemos a falar do futebol português...


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

De todos os perigos de 2013 a 2014 de todas as oportunidades

O ano de 2013 terá sido um dos piores que vivi na história do Sporting, talvez só comparado com o sucedido em 1989 e que levou à queda de Jorge Gonçalves. E digo talvez porque o passar dos anos atenuam as memórias. Existe uma diferença significativa que não pode deixar de ser referenciada: em 1989, mesmo sem dinheiro para pagar a água dos banhos a equipa de futebol não registou a descida aos infernos que se viveu o ano passado. A proximidade na classificação dos lugares de despromoção e o risco de implosão e desagregação do clube nunca pareceram tão próximos. As duas crises em simultâneo, institucional e desportiva, constituíram uma tempestade perfeita cujos resultados finais poderiam ter sido bem mais nefastos.

Nem a boa vontade costumeira da época permite imaginar que os problemas resultantes do ano que findou, ficam resolvidos com um simples colocar de um novo calendário. Mas os bons resultados da equipa principal de futebol têm pelo menos contribuído para um maior esperança e uma visão mais optimista na hora de analisar esses mesmos problemas. Esse estado de espírito é o primeiro mas decisivo passo para criar as oportunidades necessárias para recolocar o Sporting no lugar que merece. 

É esse o meu desejo para 2014: que o Sporting saiba prosseguir o seu caminho, honrando o espírito dos seus fundadores e do legado constituído pelas diversas gerações que a ele se dedicaram e que o tornaram numa instituição de referência nacional e internacional. Se o desporto é uma escola de virtudes o Sporting Clube de Portugal é uma das suas cátedras maiores.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Sporting não desliga na Taça da Liga

Sporting à Sporting
Vi todos os jogos dos últimos anos (já perdi a conta de quantos) com o FCP e tenho a memória ainda intacta e não me lembro de o Sporting jogar tão olhos nos olhos como o fez hoje. Não é uma injustiça para com Paulo Bento, com quem até o Sporting alcançou bons resultados com o FCP. É antes sim uma homenagem ao trabalho que Leonardo Jardim vem fazendo esta época. 

Confirmação, se preciso fosse
Ficou confirmado que este Sporting é sério e para levar a sério, como anteriormente aqui afirmei. Jardim demonstrou ter percebido o que se passou no primeiro embate deste ano com o FCP. Desta feita Sandro e Danilo não gozaram de tanta liberdade para criarem desequilíbrios com os seus movimentos, muitos deles para não apenas pela lateral mas também para interior. A par disso Carlos Eduardo foi completamente abafado por um Adrien imperial. 

Qualidade
É um facto que o Sporting vale sobretudo pelos seus processos colectivos. É por aí que tem conseguido e merecido o destaque que lhe tem sido dedicado. Mas há também muita qualidade em todos os sectores como o demonstraram hoje por exemplo Cédric, Jefferson, Adrien, Carrillo e William. Talvez nas alas falte um pouquinho de nada para ter Montero e Slimani terem ainda mais protagonismo.

Duas notas sobre aspectos laterais o jogo

Sobre a proibição das claques do FCP levarem tarjas e demais adereços acho lamentável que o Sporting tenha que tomar esta medida, mas ela é recíproca à vergonha que foi o comportamento dos stewarts no estádio do Dragão. 

Sobre a forma como o Sporting se referiu ao FCP, isto é, como visitante só posso dizer que quem o fez desconhece o que é o Grande Sporting Clube de Portugal. O Sporting não é grande apenas pela história ou pelo palmarés. É-o pelo que representa e isso passa também pelo respeito pelos adversários, independentemente das relações do momento. Isto não é o Sporting, é o outro lado da Segunda Circular.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Uma descida aos esgotos do futebol português


O Jornal Sporting publica um artigo muito interessante sobre a composição do Conselho de Arbitragem. Fazendo uma espécie de "who's who", são abordadas as preferências clubisticas e as respectivas ligações e dependências pessoais. 

A sua composição é a prova que, na formação das listas para a FPF, o Sporting não fez os trabalhos de casa. Ficou com os ossos para os dois rivais se refastelarem com o filet-mignon.

Vítor Pereira - Presidente do Conselho, instrutor FIFA, observador da UEFA. Adepto do Sporting.

Domingos Gomes - Vogal, provém da AF. Braga. Ligações ao FCP, tendo como amigo chegado Reinaldo Telles. 

António Rodrigues da Silva - Responsável pelas nomeações, estando conotado com fortes ligações ao FCP.

Luís Guilherme - Responsável pelo pelouro Administrativo e Financeiro. Como árbitro passou despercebido - o que não é necessariamente bom... - tenho ganho notoriedade como dirigente da APAF. Actualmente é presidente da CAJAP, Confederação de Juízes e Árbitros de Futebol - o que esta gente arranja para aparecer e se encostar... - e é, como bem sabemos, um grande amigo do Sporting e já de longa data. 

Relacionado com Adelino Caldeira e apoiante de Paulo Costa, seu colega de comissão e de outras andanças. Foi ele, Paulo Costa, o autor da primeira greve em 1998/99 e, coincidências das coincidências, logo contra o Sporting. Foi ele também o mentor da greve de há dois anos de João Pode Ser Ferreira e Paulo Baptista.

Lucílio Baptista - Vogal responsável pelo pelouro da formação. Um caso paradigmático de que Roma paga aos traidores. A sua passagem pela arbitragem é um compêndio de como cavalgar a toda a sela e fugir entre os pingos da chuva, agradando aqui e ali aos dois lados da margem do sistema. As suas actuações insidiosas proporcionaram-lhe, com inteiro mérito, uma competição oficial, a Taça Lucílio.

Estes são os 5 elementos que compõem a secção profissional, responsável pela nomeação de juízes, árbitros assistente e quartos árbitros para as competições nacionais e internacionais a pedido dos respectivos organismos. tem ainda obrigação de participar ocorrências que possam consubstanciar infracções disciplinares.

O artigo é muito mais detalhado - uma boa razão para assinar o jornal do clube - e aborda também o papel dos observadores, decisivo na classificação dos árbitros, composto por eminências pardas, grande parte das quais não passariam num vulgar teste psicotécnico. Conheço pessoalmente um par deles e bastam 5 minutos a falar de futebol para perceber o seu condicionamento e fidelidade canina ao seu clube, que pede meças aos mais fervoroso adepto. 

Quem julga que o sistema morreu tem aqui um par de ideias para reflectir. O descaramento é tal que, na actual composição deste C.A. está pelo menos um elemento, Carlos Manuel Carvalho, que até constou no rol de acusados do Apito Dourado. É dono do conhecido Lima 5, conhecido por o Novo Canal Caveira. Juntamente com o restaurante Antunes, do irmão de Reinaldo Telles, onde foram gravadas muitas escutas do caso Guímaro, faz parte do roteiro obrigatório a quem quiser conhecer os primórdios dos esgotos do futebol português. É seguro que hoje muitos dos intervenientes se movimentam em ambiente mais requitados...


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Duas perguntas rápidas sobre as imagens que nos chegam

Uma pequena interrupção na ressaca natalícia para deixar uma pergunta que me parece não ter visto ainda feita por ninguém.

Voltemos ao golo anulado a Slimani. 

Tentei ver o que diziam alguns dos habituais programas dos diversos canais mas rapidamente dei o meu tempo como perdido e, para que o prejuízo não fosse maior, arranjei rapidamente melhor forma de o empregar. No entanto, não sem grande surpresa, ainda vi o suficiente para constatar que a discussão do lance se continuou a fazer com recurso exclusivo às imagens televisivas passadas em directo
e não usando as da câmara colocada por trás da baliza e que foi objecto de referência aqui em post e que são mais esclarecedoras. 

E de certeza que a SportTV tem outras imagens do lance, gravadas por outras câmaras distribuídas pelo estádio. É que usando as segundas imagens muitos dos argumentos usados a favor do juízo(?) do árbitro não poderiam ser usados sem insultar de forma ainda mais veemente a inteligência dos espectadores.

A pergunta que fica é a quem interessa a dúvida e o não esclarecimento do público em geral? 

E já agora uma segunda: 

porque razão a SportTv não usa as várias imagens que tem à sua disposição?

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Os meus votos de Natal para todos, sem excepção

Pois, desejo primeiro que você ame e que amando, também seja amado,
E que se não o for, seja breve em esquecer e esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja só, mas que se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos e que, mesmo maus e inconsequentes, sejam corajosos e fiéis,
E que em pelo menos um deles você possa confiar, que confiando, não duvide de sua confiança.

E porque a vida é assim, desejo ainda que você tenha inimigos, nem muitos, nem poucos,

mas na medida exacta para que, algumas vezes, você se interpele a respeito de suas próprias certezas.

E que entre eles haja pelo menos um que seja justo, para que você não se sinta demasiadamente seguro.

Desejo, depois, que você seja útil, mas não insubstituivelmente útil, mas razoavelmente útil.
E que nos maus momentos, quando não restar mais nada, essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante, não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
mas com os que erram muito e irremediavelmente, e que essa tolerância, não se transformem em aplauso nem em permissividade,
Para que assim fazendo um bom uso dela, você dê também um exemplo para os outros.

Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais e que, sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E
 que, sendo velho, não se dedique a desesperar.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
E é preciso deixar que eles escorram dentro de nós.

Desejo, por sinal, que você seja triste, mas não o ano todo, nem em um mês e muito menos numa semana,
Mas apenas por um dia. Mas que nesse dia de tristeza, você descubra que o riso diário é bom,
o riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra, com o máximo de urgência, acima e a despeito de tudo,
Talvez agora mesmo, mas se for impossível, amanhã de manhã, que existem oprimidos, injustiçados e infelizes,
E que estão à sua volta, porque seu pai aceitou conviver com eles.
E que eles continuarão à volta de seus filhos, se você achar a convivência inevitável.
Desejo ainda que você afague um gato, que alimento um cão e ouça pelo menos um joão-de-barro erguer triunfante o seu canto matinal;
Porque assim você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente, por mais ridícula que seja, e acompanhe o seu crescimento dia-a-dia, para que você saiba de quantas muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, porque é preciso ser prático.
E que, pelo menos uma vez por ano, você ponha uma porção dele na sua frente e diga:
"Isso é meu". Só para que fique bem claro quem é dono de quem.

Desejo ainda que você seja frugal, não inteiramente frugal,
não obcecadamente frugal, mas apenas usualmente frugal.
Mas que esse frugalismo não impeça você de abusar quando o abuso se impõe.

Desejo também que nenhum de seus afectos morra, por ele e por você,
Mas que, se morrer, você possa chorar sem se culpar e sofrer sem se lamentar.

Desejo, por fim, que sendo mulher, você tenha um bom homem,

E que sendo homem, tenha uma boa mulher.
E que se amem hoje, amanhã, depois, no dia seguinte, mais uma vez,
E novamente, de agora até o próximo ano acabar,
E que quando estiverem exaustos e sorridentes, ainda tenham amor para recomeçar. 
E se isso só acontecer, não tenho mais nada para desejar.

Autoria de Sergio Jockymann (jornalista e escritor brasileiro)

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Como é agora evidente houve falta no lance do golo

Não precisava de ver o lance registado pela câmara atrás da baliza e que a imagem documenta, para perceber que não tinha havido falta. Além da impressão que o lance me havia deixado logo no imediato, pela distância a que estava Slimani de Miguel Rodrigues, bastou-me olhar para a reacção de mesmo Miguel Rodrigues quando cai no chão sem protestar. O mesmo sucede com o os seus colegas directamente envolvidos no lance, em particular o guarda-redes e, em particular nas suas costas o lateral-direito, com vista privilegiada para o lance e que não esboçam qualquer reacção.

Fica pois evidente, até pela posição também privilegiada do próprio árbitro, que houve falta. Mas foi "apenas" falta de vontade deliberada do sr Mota em validar um golo limpo. Devo dizer que não fiquei surpreendido. Com o decorrer do jogo era cada vez mais evidente perceber ao que vinha o Sr. Mota.

Todos compreendem a difícil missão que é arbitrar um jogo mas todos percebem também a diferença entre um erro deliberado e um erro de avaliação. Essa diferença pode até ser difícil de estabelecer num lance em particular, mas torna-se evidente quando se avalia o critério do árbitro. Toda a arbitragem deste fulano, em particular na primeira parte, foi retirada de um compêndio do que melhor se fazia nos anos 80, quando um árbitro tinha intenção declarada de controlar um jogo. Foras-de-jogo assinalados para cortar lances de perigo, faltas e lances permitidos a uns e negados a outros, etc, etc. 

Fica também por explicar o porquê da nomeação de um árbitro destes, sem categoria, para um jogo desta importância, ainda por cima de pois de uma paragem por lesão. Uma nomeação a fazer lembrar também o melhor dos anos 80...

sábado, 21 de dezembro de 2013

Empate estava encomendado e foi entregue de Mota

O sistema meteu novamente as garras de fora. O Sporting já estava a causar muito incómodo e como não estava ser possível travá-lo dentro das leis do jogo envia-se de Mota o Manuel para empatar o Sporting. O lance de golo anulado devia ficar num museu do sistema, ao lado do golo com o mão do Rony e de outros tantos lances do mesmo cariz. Manuel Mota não se ficaria só por aí. Foras-de-jogo "preventivos" e total via aberta à dureza na disputa das bolas por parte do Nacional, que por vezes nem falta marcou.

Isto não invalida dizer duas coisas sobre o jogo de hoje, porque o espírito do final do jogo também não dá para mais:

Bem o Nacional, a fazer o que lhe competia, como equipa pequena que é, tentando jogar no erro e com o relógio. Não é agradável de se ver mas é assim o futebol português.

Mal Leonardo Jardim nas substituições. Meter Slimani matou o nosso meio-campo, onde Adrien ficou sozinho com a missão de construir. Com mais de vinte metros entre ele e os avançados era uma missão condenada a fracassar. Preferiu tirar Carrillo e manter Capel ao contrário do que a produção de cada um deles vinha aconselhando. E quando Mané entrou não vinha fazer nada porque a bola não chegava pelo chão. Montero, numa forma tenebrosa, preferiu a profundidade, encostando-se a Slimani, quando se lhe pedia que aparecesse entre linhas, oferecendo uma referência para quem tivesse a bola atrás dele. Ficou o chuveirinho feio que apesar de tudo teria chegado se não fosse o Mota.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Sporting enfrenta o cúmulo da pressão

É um bocado parvo dar muito importância ao que escreve o Correio da Manhã. Por várias razões mas por uma essencial: quando a bola começar a rolar no relvado contam muito pouco parvoíces como a que hoje servem de capa ao jornal (?). Mas sempre contam alguma coisa - provavelmente contam mais para aumentar a ansiedade do público do que da equipa - e pelo menos assim o espera quem faz um boneco destes. Mas, mesmo sabendo isso, fica o post como protesto à última invenção do diário da Cofina: o cúmulo da pressão. SLB e FCP pressionam o Sporting mesmo antes de jogarem e por isso antes de fazerem qualquer ponto. E eles não primeiro pressionados a fazer pontos que reduzam a distância para o líder, para dessa forma o pressionarem?

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Leaked: os novos equipamentos do Sporting

A melhor forma de guardar um segredo é não o contar a ninguém. A partir do momento que o partilhas, o segredo deixa de o ser. Foi mais ou menos isso que aconteceu com a noticia da futura marca de equipamentos do clube que, ao que tudo indica, será a Macron. O Sporting já terá negociado com a marca, o que envolve imediatamente vários intervenientes e o circulo abriu-se em definitivo quando foi celebrado a parceria com o Real Cartagena, da Colômbia. 

O que se me oferece dizer sobre isto?

A importância da marca
A Macron não é uma das Big3 do mercado. Este é dominado pela Adidas, Nike e Puma. Pode parecer uma questão de somenos mas os interesses que circulam nos subterrâneos do futebol também passam por aqui. Uma marca está disposta a qualquer coisa para ver uma equipa sua vencer uma grande competição  - campeonatos continentais de selecções, campeonatos do mundo, Liga dos Campeões, ou até menos uma de menor importância, como a UEFA, etc - estando para isso disposta a preço que lhe parecer correcto. Isto pode parecer um pouco feio de dizer e escrever, a mim parecer-me-ia demasiado ingénuo não o considerar com esta crueza. 

Acontece que o mercado nacional é muito pouco atractivo e não é de crer que estes interesses se façam sentir com tanta acuidade como nas competições supra-mencionadas. Neste momento muito particular da sua história parece-me mais correcto que o Sporting se preocupe em fazer o negócio pelo melhor preço, desde que não tenha ao lado do seu emblema o de uma empresa de vão de escada e Macron não o é. 

O valor do contrato
Fala-se em valores que podem ir até ao triplo do valor auferido com o contrato que se extingue no final da época. A ser verdade seria um negócio do século. Duvido. 

Provavelmente esses valores devem incluir prémios por objectivos. Isto é: o contrato terá sido celebrado e contempla a hipótese de para o ano a marca estar a vestir o campeão nacional em título e para isso pagar X. Se for o segundo classificado é X menos Y e por aí fora. Independentemente de poder ser assim ou de outra forma a minha preocupação não está tanto no contrato que venha a fazer no imediato. Importante é que o Sporting se reabilite de acordo com o seu estatuto. Dessa forma a nossa capacidade negocial também aumentará e com ela os valores dos novos contratos.

A estética e a importância da camisola
Neste ponto tenho que remeter os leitores - sobretudo os que não seguem habitualmente este blogue - para o que disse anteriormente. Esta é uma questão amplamente debatida - alarga-se também às cores dos patrocinadores - e quanto mim muitas vezes de forma muito inconsequente, até irrealista e certamente com contornos políticos, ao sabor do momento. Mas como este fenómeno é 101% emoção...



Já anteriormente me tinha pronunciado especificamente sobre a publicidade nas camisolas que, de certa forma, se aplica na avaliação estética e o valor emocional que a camisola representa. No post escrito a propósito - e se o nosso patrocinador for a McDonalds - e em particular sobre o azul da TMN e a reacção que provocava em alguns adeptos dizia que "o  tema desgosta-me por se tratar da importação de uma ideia que nasceu benfiquista e que tem subjacente o ódio ao FCP, um sentimento totalmente descabido na actividade desportiva e revelador de despeito e inveja, comum em gente com complexos de inferioridade, sentimentos que julgo não caberem no Sporting. Pessoalmente não me revejo neles.


Não sinto necessidade de alterar o que então escrevi. Relembro os mais distraídos e os que em regra lêem em diagonal: se pudesse escolher havia todos os anos a mesma camisola dentro de um perfil tradicional, sem outras cores que não a nossa. 

Mas, enquanto o Sporting precisar de patrocinadores, quem tem a espinhosa missão de os angariar pode contar com a minha compreensão. É preciso dar alguma coisa em troca para poder também receber. E para isso não é preciso vender a alma, isto é, ao fim e ao cabo, suportar aberrações que curto-circuitem a ligação afectiva ao símbolo que a nossa camisola representa para todos nós.

Há que perceber também o essencial: há que descontar a subjectividade que vem de arrasto com questões desta natureza e é a subjectividade que provoca o ruído e nos afasta do consenso que são as nossas cores e símbolos. Cabe a quem que decidir não se afastar deles.

Nota final (provocação): Julgo que ninguém imagina um equipamento alternativo cor-de-rosa, o que provocaria a mesma estupefacção que os adepto do Nápoles devem ter sentido com o equipamento alternativo que Macron lhes ofereceu este ano. Mas (atendendo às cores)  e se fosse o nosso?

PS. Este post foi redigido no dia de ontem, quando começaram a surgir os primeiros rumores. É possível que entretanto possam ter ocorrido alguns desenvolvimentos mas que não devem alterar o que aqui fica escrito.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Bruno de Carvalho e a arbitragem e comunicação social

Bruno de Carvalho não perdeu tempo e (creio que ainda no aeroporto) não deixou passar em claro a polémica que ficou do fim-de-semana. Julgo que as declarações são já conhecidas de todos, deixo-as no entanto para quem eventualmente venha a ler o presente post e não se tenha apercebido delas:

"A única coisa que falta e vou bater nesta tecla as vezes que for preciso é a honestidade na apreciação das coisas. É triste sair de Portugal e ver que as pessoas no jogo do Sporting esqueceram-se do lance de Montero, que era penálti e motivava a expulsão. É uma situação complicada, mesmo assim não disse nada, porque são daquelas situações complicadas. Aliás, é uma situação complicada perceber que podemos empurrar um jogador e fazer lhe falta depois da linha, que para as pessoas não é perfeitamente nada", atirou.

"Num jogo em que o Sporting dominou por completo, quase toda a comunicação social quis fazer crer que foi o lance do penálti que veio dar alento à equipa do Sporting. Não vejo fazer a mesma coisa no jogo com o Benfica, onde o primeiro golo é em fora de jogo claríssimo e no jogo com o FC Porto, onde o 2-1 é similar a um lance de Montero, que toda gente se queixava. Não vejo essa honestidade utilizada pelos jornalistas e enquanto não existir honestidade as pessoas vão ser enganadas, porque os outros são ótimos, são maravilhosos e fazem pequenas referências à arbitragem, mas no Sporting é sempre com sorte. É pena não utilizarem a época natalícia para serem honestos", completou Bruno de Carvalho."

Duas notas avulsas sobre estas declarações:

Sobre a pertinência e oportunidade:  Não surpreenderá ninguém que as declarações do presidente incomodem muita gente. Pode-se discutir o estilo - uns gostarão mais, outros menos - mas parece-me indiscutível que a discussão gerada à volta dos erros de arbitragem verificados em TODOS os jogos dos 3 grandes foi parcial. Não só por se assumir como irrefutável que não houve penalidade sobre Cédric, o que até é muito discutível, mas também por se querer deixar a ideia que o Sporting foi amplamente beneficiado, resultando daí o prejuízo dos outros 2 competidores. 

Como é evidente trata-se de uma falácia assente em 3 pressupostos:

 - O Sporting foi empurrado para a vitória por um penalty "oferecido, e foi esse lance que lhe permitiu ficar por cima do jogo.

- O lance sobre o Montero, que daria penalty e expulsão, não é contabilizado.

- Não se passou nada nos jogos do SLB e FCP.

No passado recente, depois da presidência de Dias da Cunha, a reacção a este tipo de pressões mais ou menos dissimulada era feita de forma anárquica. Exceptuando  o tempo de Paulo Bento, era deixada ao cargo dos adeptos que, como se sabe, não têm o peso de um representante oficial da instituição. Acresce que, em regra, os representantes do Sporting nos principais centros de pressão - os programas erradamente chamados de "desportivos", que prefiro apodar de "paineleiros" e os tribunais de ex-árbitros - o Sporting está muito mal representado e/ou sem defesa à altura.

No que aos órgão de descisão diz respeito nem vale a pena falar, o Sporting não tem poder nem força e esses não lhe serão nunca entregues embrulhados neste ou noutra quadra festiva, porque não existem natais neste futebol de bastidores. Ao não deixar passar em claro Bruno de Carvalho dá conta a quem interessar que esse tempo acabou. Ficam por saber os resultados práticos dessa actuação mas não ficam muitas alternativas senão ser incómodo.

Sobre a representatividade dos interlocutores: Ninguém melhor que o presidente para dar a cara de forma oficial pela instituição pois, no universo Sportinguista, quer a nível interno quer para o exterior, não existe ninguém com maior peso mediático para o fazer. 

Porque esta é também uma guerra mediática. À conta de muitos silêncios e sapos deglutidos a maior ou menor custo, e sob o pretexto da nossa menor competitividade, que "roubar" - com e sem aspas - o Sporting deixou de representar um perigo, ao contrário do que sucedia e continua a suceder com os outros 2 rivais. Requer alguma articulação com o treinador para que não haja dissonâncias entre as afirmações de um e de outro. Não só por causa da imagem mas sobretudo para que tal não possa ser aproveitado para descredibilizar o discurso também de um ou outro.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Sporting levanta voo com asas da formação

Foto feliz do Público


A formação do Sporting é tema de artigos e conversas frequentes embora nem sempre com inteira justiça, nem sempre pautados pelo devido realismo. Infelizmente esses erros na abordagem desta matéria que nos é tão cara começam dentro da nossa própria casa. Erros que não se ficam nos juízos desajustados aos valores dos jogadores, que tanto pecam por defeito como por excesso. Outro, mais frequente e injusto, é o imputar culpas por exibições ou até épocas desastrosas cujas verdadeiras razões fazem dos jogadores mais vitimas do que propriamente réus.

O exemplo de William Carvalho é paradigmático. É óbvio que o seu êxito actual seria muito difícil em épocas anteriores e mesmo impossível no ano passado. E isso em nada deveria beliscar o seu valor, porque as condições de sucesso lhe estariam negadas à partida pela faltas de organização e enquadramento do próprio clube. Mas William Carvalho, que pode vir a ser um grande, enorme jogador, ainda não o é. Da mesma forma André Martins, Cédric Soares ou Adrien não são tão maus como muitas vezes foram pintados.

A imagem que serve de ilustração ao post e feliz. Não apenas pelo instantâneo mas, para este post em particular, por apanhar dois jogadores, cujo valor foi tantas vezes posto em causa, num momento de felicidade. Ao contrário do que tantas vezes temos assistido com alguns jogadores que os antecederam, a felicidade é vivida de camisola verde e branca vestida. 

Ver uma equipa com base oriunda de Alcochete triunfar de forma inequívoca é o circulo por fechar na nossa formação. Ver jogadores formados por nós vencer com outras cores tem funcionado como factor destrutivo para o amor próprio e orgulho leonino, acabando por afectar a avaliação que nós próprios fazemos da nossa formação em geral e de muitos jogadores em particular.  

Essa tem sido outra das pequenas vitórias desta época. Pequena mas extremamente deliciosa de saborear.

P.S.- O Sporting está hoje a enviar um e-mail de parabéns aos sócios, ou pelo menos a alguns sócios, felicitando-os pelo seu aniversário. Para mim não é grave que o Sporting se tenha esquecido do meu aniversário, apesar de, na altura, ter repardo. Grave seria se eu me tivesse esquecido do aniversário do Sporting. Mas não é uma campanha feliz, uma vez que vem lembrar que o clube se esqueceu de o fazer na devida altura. E ainda por cima a mensagem pode ser equívoca para muita gente, uma vez que é mencionado que  "pode usar 30 dias após aniversário", referindo-se às facilidades concedidas pela campanha. Quem sabe não seria melhor aguardar 15 dias e começar o novo ano com o pé direito. A rever.

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