A praxe que vitimou o Sporting e o comunicado que vai longe de mais
A actualidade nacional tem andado marcada nos últimos dias pela polémica das praxes e pela tragédia do Meco. O post de hoje vai fazer um paralelismo com essa realidade aplicada ao futebol nacional e em particular as factos que conduziram ao afastamento do Sporting da Taça da Liga.
Mais uma vez praxados
Enquanto o Sporting andava entretido com os seus próprios problemas e com a divulgação do seu guião para a reforma do futebol português, os dux's veteranorum do futebol português arquitectavam mais uma das muitas praxes em que o futebol português tem sido pródigo e o Sporting uma vitima predilecta. De costas para a onda que se ia formando, os responsáveis pelo departamento de futebol do Sporting não repararam que em breve iriam ficar em desvantagem e numa situação delicada que levaria a sua equipa principal a ver afogadas as pretensões de continuar na competição.
Ao longo dos anos praxes como estas visam não só demonstrar quem realmente detém o poder mas também enfraquecer o Sporting. Um clube grande como o nosso tem nas vitórias o seu oxigénio, quem nos praxa sabe que sem esse precioso recurso, e tendo que correr em apneia, a nossa força diminui. Por isso elas surgem sempre que o clube se reergue e demonstra o seu pundonor e inconformismo com o destino que lhe querem impor.
Uma onda com duração de de 94 minutos de altura
Como já foi assinalado aqui na caixa de comentários e noutros locais, a desvantagem dos famigerados quatro minutos de atraso de que o FCPorto deliberadamente beneficiou foram apenas os derradeiros e uma margem de segurança bastante ténue, que o decurso dos acontecimentos acabou por ampliar. Na verdade, a vantagem decisiva já a havia conseguido ao beneficiar da vantagem de jogar noventa minutos da 2ª jornada da competição sabedor do resultado que o Sporting alcançara precisamente perante o Maritimo. Por sinal nessa vantagem de um golo há que incluir um golo de legalidade duvidosa, mas isso é apenas um "pormaior".
Porque foi essa a ordem dos jogos e não a inversa?
Alguém acha que foi casual que, numa competição em que o factor primordial de desempate era o número de golos marcados, o FCPorto joga a precisamente a segunda jornada sabendo quantos golos precisava para ficar em vantagem na jornada final?
Quem foi responsável ou responsáveis pela marcação dos jogos com essa ordem?
Porque é que no Sporting ninguém se apercebeu da desvantagem, que se revelaria fatal, em que acabava de ser colocado, lavrando desde logo o seu protesto?
Alguém se esqueceu de fazer os trabalhos de casa. Tal permitir-nos-ia agora uma posição mais confortável, cortando pela base os argumentos de que a nossa reacção é mero mau perder.
Comunicado que vai longe de mais
Concordo com a quase totalidade do comunicado ontem emitido pelo clube. O Sporting deve fazer tudo o que está ao seu alcance para lutar pelo que entende o que é seu de direito e no sentido de desmascarar quem entende que todos os meios são legítimos para atingir os seus fins. Mas não posso concordar com a vontade nele expressa de, em caso de decisão que não favoreça as suas pretensões, o clube, para o ano, não se apresente na sua máxima força na Taça da Liga ou em qualquer outra competição.
Legitimidade
As razões da minha oposição estribam-se desde logo na questão da legitimidade. Do ponto de vista institucional e do respeito pelos estatutos do clube - que nem sequer fui consultar - não me surpreende que a direcção da SAD ou do clube esteja mandatada para tomar uma decisão como a de apresentar uma equipa menor. Já a de não se inscrever na prova tenho sérias dúvidas. Mas para lá do que é a estrita legalidade, não me parece curial a tomada de uma decisão deste teor e importância sem auscultar a opinião dos associados.
Coerência
Igualmente não me parece que o Sporting dê de si mesmo uma imagem de coerência quando ainda há dias criticava o Marítimo por se apresentar com segundas escolhas e coloque a si mesmo a hipótese de imitar este comportamento.
E depois porque não faz o mesmo nas outras competições, em que não foi prejudicado apenas uma vez mas várias?
Porque não preconiza o mesmo para a Taça de Portugal, de onde foi afastado como sabemos no jogo da Luz?
Porque não se propõe fazer o mesmo na Liga Zon/Sagres onde colecciona os lances mais ridículos da arbitragem e que, a não terem existido, o colocariam neste momento na posição de líder?
O que é afinal o espírito leonino?
Como dizia umas linhas acima um clube grande como o Sporting alimenta-se de vitórias. Na situação em que o Sporting se encontra, isto é, sem vencer uma competição há 4 épocas, não me parece que possa escolher qual é quer ganhar, antes sim querer ganhar todas e qualquer uma.
Abandonar a Taça da Liga é concorrer para diminuir as suas próprias hipóteses, ao fim e ao cabo uma auto-mutilação.
Abandonar a Taça da Liga é concorrer para diminuir as suas próprias hipóteses, ao fim e ao cabo uma auto-mutilação.
Não é isso o que procura precisamente quem se nos atravessa ao caminho? Uma decisão como estas está longe de ser pacifica e uma fonte de controvérsia interna que necessariamente enfraquecerá o clube. Infelizmente o comunicado já divulgado coloca o Sporting numa posição de não retorno e tal, por si só, já concorre para nos fragilizar e deixar muita gente a rir-se de satisfação.
O Sporting em que me revejo é um Sporting que, contra tudo e todos se for preciso, não desiste mesmo sabendo da desigualdade de meios, da iniquidade implacável que caracteriza os seus inimigos, luta sempre para ganhar.
E há vitória mais saborosa do que gritar "VENCEMOS" na cara dos que nos vão espalhando óleo pelo caminho?

























