segunda-feira, 26 de maio de 2014

Gonçalo e João Pedro: 2 nomes importantes no Sporting 2014/15 de que não vai ouvir falar

Gonçalo Pedro e João Pedro são os nomes dos adjuntos que compõem a equipa técnica  de Marco Silva e de quem o treinador não abdica de levar na sua curta viagem da Amoreira para Alvalade. O jornal Record publica hoje um artigo onde fala do trajecto e das funções de cada um deles. É esse artigo que é aqui dado a conhecer, na certeza de que estamos a falar de homens muito importantes para o sucesso do Sporting 2014/15, mas de quem vamos ouvir falar poucas vezes.

Marco não abdicou de ambos (Gonçalo e João Pedro) no maior salto da carreira até ao momento. Apesar de terem começado a trabalhar em conjunto há apenas um ano, no Estoril, os três não eram propriamente estranhos. Pelo contrário. Marco já conhecia João Pedro do tempo de jogador, e colaboravam no Estoril desde a época anterior, e tinha as melhores referências de Gonçalo Pedro, recrutado para o projeto dos canarinhos em 2013/14, após passagem bem-sucedida pela Arábia Saudita.

O braço-direito
Com João Pedro, o conhecimento remonta pelo menos a 1998/99, época em que se cruzaram no plantel do Trofense. O agora adjunto era avançado e Marco Silva defesa. Este saiu para o Campomaiorense em 1999/00 mas voltariam a encontrar-se na Trofa em 2000/01.

O convívio desses tempos foi suficiente para alimentar uma relação de amizade e confiança profissional que levou a que, em 2012, quando estava prestes a subir à equipa B do Sp. Braga, na sequência do bom trabalho nos escalões de formação, João fosse convidado para juntar-se ao amigo no Estoril. A oportunidade de se incorporar numa equipa de 1.ª Liga fez toda a diferença, para o técnico que até aí desenhara o seu percurso no Minho. E rapidamente ascendeu à condição de braço-direito de Marco Silva.

Quem trabalhou mais de perto com João Pedro destaca-lhe a competência, a capacidade de criar uma base de trabalho e a clarividência perante situações de maior stress. Na prática, funciona como um “excelente complemento” numa equipa técnica, participativo na metodologia de treino, na partilha de ideias ou na análise aos adversários. O passado de futebolista enriquece o currículo e a experiência.

O faz-tudo
A ligação profissional de Marco Silva e Gonçalo Pedro é bem mais recente mas o adjunto especializado na condição física é, deste trio, o único que já trabalhou no… Sporting, mais concretamente na formação [ver nesta página].

Antes do Sporting, Gonçalo Pedro já passara pela formação do Benfica. Depois de sair da Academia, começou por baixo, no SL Cartaxo. Mas daqui foi para o Portimonense (pela mão de Luís Martins), fez uma incursão pelo futebol jovem do Sp. Braga e, daqui, projetou-se em 2010 para a Arábia Saudita (de novo com Luís Martins na “jogada”), até ao regresso a Portugal, há um ano, e para o Estoril de Marco Silva.

Neste trajeto ganhou fama de faz-tudo, surpreendendo os mais próximos pelo interesse, conhecimento e competências reveladas, nomeadamente no domínio e uso de tecnologias, no scouting, na observação de jogos ou no trabalho de ginásio. “Um treinador com capacidade, grande profissional, trabalhador e com vontade permanente de aprender”, assim é descrito.

Apesar de nunca ter trabalhado nos seniores do Sporting, Gonçalo Pedro volta a uma casa que já conhece e onde, inclusive, reencontrará alguns jogadores com quem já trabalhou.

Em 2003/04, Gonçalo foi técnico-adjunto estagiário da equipa de juniores, liderada então por João Couto e Luís Martins e que contava nas suas fileiras com futebolistas como Nani, João Moutinho, Miguel Veloso, Silvestre Varela, Saleiro ou Yannick. Em 2004/05 permaneceu em Alcochete e desempenhou funções nos sub-17, de novo com João Couto como líder da equipa técnica. Ali encontrou nomes ilustres num grupo que haveria de sagrar-se campeão: Rui Patrício a Adrien, que agora irá reencontrar. O adjunto responsável pela preparação física voltaria a cruzar-se com a mesma dupla, Patrício e Adrien, nos juniores em 2006.

Passagem pelos quadros do Sp. Braga

Aconteceu em momentos e em circunstâncias distintas mas Marco Silva, João Pedro e Gonçalo Pedro, além do Estoril, têm mais um clube em comum nas respetivas carreiras. Trata-se do Sp. Braga, onde todos já passaram em diferentes ocasiões. Marco esteve duas épocas na equipa B dos minhotos no tempo de jogador (2001/02 e 2002/03). João foi formado no emblema minhoto, jogou na primeira equipa e foi técnico adjunto dos juniores. Gonçalo orientou os sub-17 e os sub-15 dos bracarenses.

Colegas de curso no UEFA Pro – IV Nível

O tempo voa e há apenas um ano Marco Silva e Gonçalo Pedro eram companheiros de curso no UEFA Pro – IV Nível realizado em Quiaios (e que contou com a participação de outros jovens treinadores da Liga, como Sérgio Conceição ou Nuno Espírito Santo). Um facto curioso nessa conjuntura é que, nessa altura, e para não deixar de orientar os treinos no Estoril Praia, em plena pré-época, Marco era sujeito a autênticas maratonas automobilísticas, entre os 400 e os 500 quilómetros diários!

CURIOSIDADES

- Gonçalo Pedro é o único que já emigrou, tendo trabalhado nas seleções da Arábia Saudita (A e olímpica) ao tempo de José Peseiro, assim como no Al-Ahli Jeddah

- No Al-Ahli foi campeão na categoria sub-23 em 2011/12. Exerceu funções como adjunto, coordenador do gabinete de análise de jogos e jogadores e responsável pela observação dos adversários da equipa principal

- Com conhecimento de causa da cultura árabe, o responsável pela preparação física encontrará em Alvalade dois jogadores que poderão beneficiar desse facto: Shikabala e Slimani

- João Pedro, nascido em Luanda (como William Carvalho), fez carreira de futebolista. Foi avançado e realizou 47 jogos na 1.ª Divisão, ao serviço de Sp. Braga, Desp. Chaves e Rio Ave

- Além destes clubes representou ainda Arsenal Braga, Vila Real, Trofense (onde jogou com Marco Silva) e Caçadores das Taipas (onde acabou a carreira)

- Ambos têm experiência profissional na formação de jovens talentos, uma mais-valia que pode agora ser potenciada no Sporting, reconhecido pelo trabalho nesta área.

sábado, 24 de maio de 2014

Liga dos Campeões tem Lisboa e Sporting gravados para sempre

A equipa do Sporting no jogo do Jamor
Joga-se hoje a final da Liga dos Campeões e quis a sorte juntar duas equipas da mesma cidade na capital do país vizinho. Feliz coincidência, que deixará marcas na nossa capital, ela já com nome gravado na tão prestigiada competição e da qual o nome do Sporting também fará parte para sempre. Isto porque o primeiro jogo da competição foi realizado no Jamor, a 4 de Setembro de 1955 e teve como contendores nada mais nada menos que o Sporting Clube de Portugal e o Partizan de Belgrado. O primeiro golo  seria também marcado por um jogador do Sporting, de seu nome Martins.

A arbitragem esteve a cargo do francês Harzic. O Sporting era treinado por Alejandro Scopelli e o Sporting alinhou com: Carlos Gomes; Caldeira e Galaz; Armando Barros, Passos e Juca; Hugo, Travassos, João Martins, Vasques e Quim.

Assinale-se que a presença do Sporting se deveu ao enorme prestigio de que o nosso clube gozava em Portugal e no mundo, que começava a acordar para as competições internacionais entre clubes. O Sporting não era o campeão em titulo - o campeonato 1954-55 havia sido ganho pelo Benfica - mas a sua participação deveu-se a um convite expresso da UEFA para o efeito, o que, como é de calcular, não deixou de constituir polémica na altura. O jogo terminaria com um empate a três golos. A partida não correria de feição para o Sporting, mas poderia ter tido outro desfecho, que as palavras de Travassos sintetizaram à época: "Sem merecermos empatar, poderíamos ter ganho.". 

O jogo da segunda volta seria marcado por uma infindável viagem, com escalas em Barcelona, Roma e Atenas. A capital grega encantaria a comitiva, que teve direito a  demorado passeio turístico. Este seria o tom da chegada a Belgrado, com o Partizan a colocar à disposição da equipa do Sporting um autocarro Austin, um veiculo luxuoso que o clube recebera de uma famosa digressão a Inglaterra.

A equipa já não vivia o fastigio que gozara anos antes e que a levaram a vencer oito campeonatos em nove, conquistando o primeiro tetra da história do futebol português. O jogo da segunda mão haveria de se saldar por uns decepcionantes 5-2. Este tem sido, aliás, o tom geral das participações do clube nesta competição, onde nunca conseguiu uma presença de acordo com os seus pergaminhos. Ora por falta de qualidade das participações, ora por falta de sorte. 

Algumas notas de curiosidade:
A superioridade do Partizan de Belgrado deveu-se em muito ao seu famoso avançado Milutinovic. Não fora a enorme exibição de Carlos Gomes e os três golos do avançado jugoslavo poderiam ter sido bem mais. Milos Milutinovic é ainda hoje considerado um dos melhores jogadores jugoslavos da história. Os dirigentes do Sporting ainda fizeram abordagens para a sua aquisição, mas o facto de pertencer a um país de Leste conotado com a então União Soviética e os três mil contos, uma fortuna para a época, que os dirigentes do Partizan exigiam para se sentar a conversar, apagaram o interesse.

A competição, hoje conhecida por Liga dos Campeões, esteve para receber o nome de Taça Seeldrayeers, em honra de Rodolf William Seeldrayeers, alemão que havia sucedido o mítico Jules Rimet na presidência da FIFA, mas que havia de morrer um mês depois do jogo do Jamor. 

O Jamor voltaria a acolher um jogo da Liga dos Campeões, em 1967. Mais precisamente a final desse ano, vencida pelo Celtic, o primeiro clube britânico a inscrever o seu nome na prestigiada competição.

Nota Final
Habitualmente esta história começa no prestigiante convite para primeira participação na competição e termina no golo de João Martins, ficando na penumbra o desfecho da eliminatória. Ao contrário do que é a a liturgia normalmente usada pelas organizações ou pessoas quando se referem ao passado, não encontro razões para não lembrar a totalidade dos factos. Porque eles falam-nos, ao fim e ao cabo, da vida, isto é, das grandes vitórias e dos fracassos, do Sporting Clube de Portugal. Clube ao qual me une um amor incondicional, que não é regido pelos humores das vitórias e dos insucessos e de cuja história me orgulho em volume muito maior do que meu peito pode abarcar.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Um Marco novo para um novo marco no Sporting

A apresentação (algumas notas)
Não é de hoje ou de ontem, já o digo há anos, que as apresentações de jogadores ou treinadores deviam decorrer em momentos diferentes para adeptos e profissionais da comunicação social. As razões e presenças de uns e outros são substancialmente diferentes e creio que todos ficariam a ganhar. Os adeptos poderiam ter melhor acesso ao apresentado, os profissionais teriam melhores condições para fazer o seu trabalho. 

 O que é dito acima não significa que a cerimónia tenha decorrido mal ou com problemas. Antes pelo contrário. A duração foi correcta, sem se alongar em demasia. Marco Silva esteve bem, bem como Bruno de Carvalho, ao deixar os focos incidirem sobre o homem do momento. O ano passado, pela ocasião da apresentação de Leonardo Jardim, tinha criticado o excesso de protagonismo Bruno de Carvalho, particularmente quando interrompeu Jardim e este insistiu em falar. Desta feita deu os holofotes ao homem do momento, evolução que me apraz registar. Não percebi a necessidade da referência ao inimigo interno "O Sporting tem um projecto, um rumo muito bem definido. Acho que algumas pessoas estão desatentas, algumas dentro do clube" pela momento e pela ambiguidade da declaração. Para quem foi o remoque?

A duração do contrato
Algo surpreendente, a duração de quatro anos, por se tratar de um contrato longo e sobretudo por ultrapassar a vigência do actual mandato. Se tal pode ser facilmente aceite no caso dos jogadores, mais difícil é quando se trata de um treinador, pela sua importância numa organização. Como sempre, serão os resultados a determinar o juizo sobre o acerto da decisão. Serão também eles e não a duração do contrato a pautar a estabilidade da relação de Marco Silva com o Sporting. A sua extensão protege o clube caso Marco Silva venha a despertar a cobiça de terceiros.

A estratégia por trás da aquisição de Marco Silva
O facto de o Sporting ir buscar o melhor treinador da Liga disponível é importante para a auto-estima dos adeptos e pode ter uma importância estratégica superior à mera ocupação do lugar deixado vago por Jardim. Pode tratar-se, o tempo o dirá, da inversão dos papéis quando o Sporting (ao tempo Bettencourt) podia ter contratado Jorge Jesus e preferiu a renovação com um Paulo Bento esgotado. Erro que viria a agravar com o abrir mão do compromisso firmado com AVB para ir buscar... Paulo Sérgio. São dois momentos em que o Sporting não só ficou pior servido como viu os seus rivais saírem reforçados. Marco Silva é, indiscutivelmente a melhor escolha neste momento.

O entusiasmo em volta de Marco Silva
Excelente, como quase sempre, a resposta dada pelos adeptos, sempre dispostos a abrir o peito e deitar para trás das costas o mau agoiro. Muitas criticas se podem fazer relativamente à postura no auditório, mas a generalidade delas é injusta. Não fazia sentido receber o novo treinador em ambiente de depressão, os adeptos quiseram dizer a Marco Silva que pode contar com eles.

Euforia sim, irracionalidade não
É muito árdua a tarefa de Marco Silva, como seria obviamente a de Leonardo Jardim. Mudou o nome, mudará até a forma de jogar, mas as dificuldades manter-se-ão. O próximo ano será muito difícil, muito mais difícil até. Quem vê facilidades na chegada de Lopetegui ao Dragão é bem capaz de ter uma surpresa... desagradável. Na continuidade ou não de Jorge Jesus, mais do que a continuidade deste ou daquele jogador, estará, ou não, a manutenção da vantagem de quem acaba de ser campeão.

O Sporting continua, a meu ver, a correr por fora. A euforia em volta de Marco Silva é natural porque o Sporting, para a maioria dos seus adeptos, é paixão. Sentimento que, para fazer sentido, tem que ser temperado com doses de racionalidade. Essa é a racionalidade que nos obriga a reconhecer as nossas dificuldades e a vantagem dos rivais pela superioridade dos meios à disposição. Reconhecê-la não me custa  nem me desmobiliza, antes reforça a importância de cada vitória, cada conquista.

O que vale Marco Silva
O trabalho feito pelo treinador é absolutamente notável. As melhores classificações de sempre do Estoril sob o seu comando. A subida na classificação depois de perder os melhores titulares e se ver privado, em Janeiro, de jogador ancora do seu modelo, Luís Leal. Um trabalho possível não apenas pelo seu valor como técnico, mas também pelo trabalho da SAD estorilista. Marco Silva estará também dependente dos meios que a SAD do clube lhe proporcionar, da sorte e, inevitavelmente, da relação de forças com os principais rivais. 

A surpresa dos números
Uma nota de mera curiosidade mas que poderá ser um dado com algum interesse na avaliação do trabalho de Marco Silva. Se houvesse um campeonato apenas a 4, isto é, apenas com o registo dos jogos entre os quatro primeiros, o Estoril seria o segundo classificado com 8 pontos, numa classificação assim alinhada:
SLBenfica: 13 pontos;
Estoril: 8 pontos;
FCPorto: 7 pontos;
Sporting: 5 pontos;
Este são dados importantes que permitem avaliar o bom trabalho de Marco Silva. E obriga-nos à inevitável reflexão, muitas vezes aqui feita, sobre o real valor do Sporting e a importância dos resultados alcançados. É muito difícil pensar que as dificuldades sentidas com os mais fortes foram meramente casuais. Uma reflexão obrigatória para perceber o real ponto de partida para a próxima época.

O que mudará com Marco Silva
Abordagem em algumas pinceladas, há um campeonato inteiro para registar as alterações. Mudará o estilo de jogo. O Sporting procurará ter mais posse, defenderá mais subido, defenderá mais cedo, logo a seguir à perda de bola e com mais gente. Provavelmente aumentará a presença no último terço do campo, bem como a procura por espaços mais ao centro, perdendo as alas a preponderância que tinham com Jardim. Aumentará, por consequência, a exposição ao risco no momento imediato à perda de bola. Poderão mudar  alguns dos protagonistas, mudarão pelo menos muito do que lhes foi pedido durante este ano.

Um Marco novo para um novo marco no Sporting
Boa sorte Marco Silva! Que a união que agora se inicia seja uma união de factos e de histórias gloriosas para contar!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

«O Sporting tem de dominar os jogos, comandar em posse, procurar o golo sistematicamente»

«O Sporting tem de dominar os jogos, comandar em posse, procurar o golo sistematicamente. Ser uma equipa equilibrada mas ambiciosa, a querer vencer todos os jogos»

As palavras não contam muito quando não têm sustentação em resultados, mas contam alguma coisa. Neste sentido a apresentação de Marco Silva não poderia ter sido melhor: discurso claro, ambicioso e muito bem preparado para as diversas perguntas que a comunicação social lhe haveria de colocar. O nervosismo foi o quanto baste, isto é, compreensível pela importância do momento e pela dimensão de um cenário a que não estará habituado, sem comprometer.

Voltarei mais tarde à apresentação do nosso novo treinador, de forma mais especifica, uma vez que a sua contratação é um momento definidor da época. Escolhi a frase que titula o post bem como as duas que estão em destaque no seu inicio porque me parecem essenciais. 

Os treinadores podem dizer coisas muito bonitas, as que os adeptos dos clubes gostam de ouvir. Essa é a sua tarefa mais fácil, basta conhecer um pouco da história do clube, algo que até o empresário pode ensinar em cinco minutos de breefing a um treinador que acabe de chegar dos antípodas.

O importante porém são as suas ideias e a forma como as operacionaliza, de forma a resultar num modelo de jogo que sirva os objectivos do clube. Por isso é importante que o treinador tenha em conta o plantel à disposição e, não menos importante, perceber o clube a que acaba de chegar, os seus objectivos, a sua personalidade social, o sentir e forma de estar dos seus adeptos. 

Por tudo isto considero as duas frases que destaco muito importantes. Porque identifico nelas a base de um Sporting à altura das expectativas dos seus adeptos e de acordo com as características que favorecem  a base que constitui o actual plantel, bem como os jogadores que aí poderão chegar via formação, considerada estratégica nos propósitos dos corpos sociais.

É apenas um começo, mas é indiscutivelmente um bom começo.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Como interpretar a conferência de imprensa de despedida de Jardim?

Não é de forma nenhuma inédito vermos treinadores terem direito a despedida em prime-time, sem cumprir o contrato. No Sporting não me lembro. Também não me parece haver memória de, à saída do treinador, equivaler a entrada de uma verba significativa. Contudo, o facto de isso nunca ter acontecido não significava que três milhões de euros me parecesse um bom negócio.

O negócio é a ocasião, não deixando de inegável que o Sporting nunca teve um treinador valorizado aos olhos do mercado e com uma cláusula tão elevada. Não aproveitar devidamente as condições favoráveis seria obviamente um mau negócio. O encontro a meio da ponte, com cedências mútuas, uma vez que o treinador contrariado também não nos interessava, acaba por representar um bom desfecho. As verbas conhecidas (3 milhões+3milhões em objectivos) parece-me um bom negócio. Verbas às parte, parece-me também um bom negócio encerrar desta forma uma ligação que, até há poucos dias, foi marcada pela felicidade.

Porém, o que certamente preocupa mais agora a generalidade dos Sportinguistas não é o passado - Jardim- mas sim o futuro, o novo treinador. Seria, será, essa a conferência que todos estariam à espera. 

Como interpretar então a conferência de imprensa? 

Aconteceu para permitir que Leonardo Jardim sair pela mesma porta que entrou?

Terá o Sporting já assegurado o seu sucessor de Jardim, pelo que não tem pressa em apresentá-lo publicamente? 

Ou ainda não há apresentação porque não há acordo final com Marco Silva ou outro treinador qualquer?

Como é óbvio, com ou sem apresentação, todos esperam que seja a segunda a hipótese certa.

Questões centrais na contratação de Paulo Oliveira

Paulo Oliveira foi já confirmado ontem como nova contratação do Sporting.

Quem é então Paulo Oliveira?

Nome: Paulo André Rodrigues de Oliveira
Naturalidade: Famalicão
Data de nascimento:  8 de Janeiro de 1992
Altura: 1,87
Peso: 80 kg
Posição no terreno: Defesa central.
Clubes que representou: Famalicão, Penafiel (empréstimo), Vitória (clube que representa desde os 13 anos)
Titulos: Internacional sub-21 e vencedor da Taça de Portugal época 2012/13.

Apreciação pessoal
Paulo Oliveira é um nome interessante por se tratar de um jovem promissor e internacional sub-21. Este ano não acompanhei o seu trajecto, mas imagino que não tenha sido um ano fácil porque, como qualquer outro jogador, dificilmente consegue emergir acima da impressão geral da equipa de que faz parte, especialmente quando o ano não foi bom, como foi este para o Vitória. Mas a impressão que me ficou aquando da sua chegada à titularidade ao Vitória, quando o acompanhei mais de perto, é a melhor

Não seria a minha primeira escolha dentro do lote de centrais acessíveis de que faz parte. Um jogador como Marcelo (Rio Ave), por exemplo, por deter características que não existem entre os actuais titulares (capacidade de sair a jogar, lançar o jogo, boa leitura de jogo) parecia-me mais natural.

Características que existem em Dier, mas que, vai-se lá saber porquê, não estão ainda ao serviço da equipa. Atendendo a que tem apenas contrato até 2016, situação em tudo semelhante à de Ilori o ano passado, com os resultados que se conhecem, tornam pouco provável a sua utilização sem renovação de contrato. Antes de se diabolizar a posição que o miúdo inglês venha a tomar no futuro, convém perguntar se o Sporting valorizou devidamente e criou condições para frutificar a vontade expressa do jogador em vingar de leão ao peito.

Sem colocar em causa o valor actual e o que possa vir a ter no futuro Paulo Oliveira, a quem desejo as maiores felicidades, pergunto se este era o perfil de central que o plantel tinha em aberto para uma época de Liga dos Campeões. Não era essa a minha ideia quando há dias escrevi este post

E sendo este o perfil - pode ser que Paulo Oliveira esteja a ser encarado como terceiro ou quarto central - será que Nuno Reis não o preenche, o que tornaria desnecessário o gasto envolvido na presente aquisição?

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Regresso à Bulgária: quem é Slavchev?

Embora ainda sem confirmação oficial, parece já estar encontrado o primeiro reforço para a época 2014/15. Simeon Slavchev, médio, de 20 anos.

Socorrendo-me das informações de quem sabe, Rui Malheiro, aqui fica o perfil do jogador:

"Quem é Simeon Nenchev Slavchev

Naturalidade: Sófia, Bulgária,

Idade: 20 anos (25 de setembro de 1993); 1,85 m /75 kg

POSIÇÃO: Médio defensivo/centro

CLUBE: Litex Lovech

SALÁRIO ESTIMADO: Acessível


Melhor jogador jovem do ano na Bulgária, Slavchev, presença regular nas seleções inferiores desde os Sub-17, somou 14 golos em 35 jogos no campeonato búlgaro, ajudando o Litex Lovech a terminar a liga em 3.º lugar, com os mesmos 72 pontos do 2.º classificado, CSKA Sófia. Uma boa época que lhe rendeu a estreia na selecção principal.

Médio-centro ou médio defensivo, destaca-se pela enorme disponibilidade física e bons argumentos no corpo a corpo, ainda que possa gerir melhor o esforço. Eficaz a nível defensivo em ações de desarme e de antecipação tanto pelo chão como pelo ar, é agressivo, pressionante e algo faltoso.

Revela predicados na construção, fruto dos seus argumentos no passe e na leitura do jogo, como também na condução de iniciativas ofensivas em transição ou ataque organizado.

Perigoso a dar sequência aérea a bolas paradas laterais, patenteia astúcia a desmarcar-se na prossecução de lances de bola corrida, aparecendo com facilidade em posições de finalização dentro ou fora da área, onde procura explorar o seu forte remate de pé direito. Justifica o salto para um patamar mais elevado e tem, apesar da necessidade de se adaptar a um ritmo competitivo mais intenso, condições para vingar.

Um jogador que, segundo alguns rumores em sites especializados em transferências, já estava sinalizado por diversos clubes europeus. A confirmar-se trata-se de um regresso a uma casa, a Bulgária, onde o Sporting comprou muita felicidade

Taça de Portugal: a tragédia que está por acontecer

Desenganem-se os que, ao ler o título do post, supõem tratar-se de uma provocação ao clube vencedor da Taça de Portugal, que andou bem perto de revisitar o final traumático do ano passado. O Rio Ave esteve bem perto de conseguir algo mais do que ser apenas um digno vencido. Tivesse sido tão eficaz como o adversário e provavelmente estaríamos a falar agora de um vencedor inédito da segunda competição mais importante do nosso calendário futebolístico. Acabou por prevalecer a lei do mais rico e a repetição da "tragédia" não chegou a ocorrer mas fica o registo de uma equipa digna, que representou de igual forma a cidade e as gentes vilacondenses.

Mas a tragédia de que fala o título não tem aspas e não se compara à que foi abordada no parágrafo anterior. Falo da tragédia que poderia ter ocorrido à entrada do estádio Nacional e de que o MaisFutebol deu conta. 

A ocorrência de uma situação como a descrita só colhe de surpresa quem acompanha de muito longe o futebol ou até por quem já se deslocou ao Jamor para a festa anual que a Taça de Portugal representa, mas só por incompetência ou irresponsabilidade pode surpreender que tem a cargo a segurança dos adeptos, como são as forças de segurança. O que se passou ontem, e vem descrito na referida noticia, assemelha-se em tudo aos mesmos episódios vividos por mim e amigos com que me desloquei há dois anos ao Jamor. Só por uma conjunção favorável de factores completamente aleatórios não se registaram ferimentos graves e até perda vidas na confusão que se instalou à porta da entrada para a superior destinada aos adeptos do Sporting.

Dessa conjunção de favorável de factores não se contam a da acção das forças de segurança, policia e empresa de segurança contratada pela FPF. Antes pelo contrário. A sua acção conjunta pautou-se pelo total alheamento pela sorte dos envolvidos e só a percepção da necessidade de evitar males maiores por parte dos adeptos terá mudado o destino dos acontecimentos. Infelizmente, mais uma vez, as forças de segurança sacodem as culpas do seu capote para cima dos adeptos, ficando por saber se o ocorrido há dois anos foi mencionado em relatório ou simplesmente ignorado. Este enfiar a cabeça na areia é uma irresponsabilidade que tende a cobrar um preço elevado em circunstâncias menos favoráveis. Uma final entre os grandes infelizmente pode não ter os mesmos resultados.

Só quem nunca teve a sorte de viver uma final no Jamor, especialmente os que não vivem em Lisboa, não percebe o quanto do melhor futebol ainda se pode viver nas matas do Jamor. Perdê-lo equivale a encerrar em definitivo das portas do romantismo no futebol português, registando o triunfo do futebol tecnocrático. Quando tal acontecer a Taça de Portugal, que será provavelmente um fenómeno único, tornar-se-á igual a qualquer uma das outras competições, mas sem as peculiaridades que tornam querida entre os adeptos de futebol.

Noticias como esta são um maná para quem acha que a final do Jamor não faz sentido. E que o faz apenas por não conseguir mais do que olhar para o umbigo dos seus próprios interesses. Porém a discussão sobre as condições do Jamor é necessária, uma vez que não há força da tradição que justifique a perda de vidas ou a sua simples ameaça. 

Essa discussão tem de começar pela constatação de que há ainda muito que pode ser feito pela segurança dos adeptos. Por exemplo, para evitar os ajuntamentos caóticos junto às entradas - falo em particular das entradas para os topos, onde a maioria dos adeptos acorre - bastaria que a revista ocorresse bem antes, formando-se corredores de grades que obrigassem à formação de filas, anulando a possibilidade da formação de aglomerados de largas centenas ou até milhares de adeptos com a consequente instalação do caos. Culpar os adeptos, como faz a PSP, recomendando-lhes que não cheguem atrasados é mera desresponsabilização. Para o perceber basta constatar que se o mesmo número e adeptos acorressem mais cedo o problema tinha... ocorrido mais cedo também.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A saída de Jardim: a substituição, cláusula de rescisão, relação com BdC



A relação com Bruno de Carvalho e a cláusula de rescisão
Serão provavelmente as maiores interrogação a ocorrer neste momento na cabeça dos Sportinguistas: 

Como será neste momento a relação entre BdC e Jardim ?
Este aspecto, que em grande parte da época pareceu crucial no desempenho da equipa, parece agora ter-se derretido com a gradual subida da temperatura. A primeira parte do vídeo acima, um excerto da entrevista do presidente à TVI em finais de Março confirma esse bom relacionamento. É muito pouco provável que esse bom relacionamento, a ter existido, ainda se mantenha. Muito dificilmente Bruno de Carvalho gostará de ter sido surpreendido com a saída do treinador, precisamente quando já tinha deixado entender que pretendia que renovasse. Que importância pode vir a ter no desfecho da transferência é a outra pergunta que fica.

Havia ou não uma cláusula de rescisão no contrato de Jardim e de que valor?
Sem termos acesso ao contrato propriamente dito o único documento válido que atesta a existência de uma cláusula de rescisão é a palavra do presidente dada na entrevista à TVI no passado mês de Março (minuto 2:20s do vídeo). Quinze milhões de euros, sem mencionar qualquer especificidade, contrariamente ao que já vi afirmar, sem qualquer sustentação. Este valor não aparece por acaso na pergunta feita pela entrevistadora da TVI, uma vez que várias vezes já a tinha visto circular. Ora os valores que se falam para a transferência para o Mónaco variam entre três e cinco milhões. Se se confirmar ficará por explicar o porquê do desconto. Matérias que seguramente serão abordadas aquando da comunicação pública do negócio.

O último Jardim na terra
A saída do treinador é vista pela generalidade da opinião pública, Sportinguista e não só, como um revés e até como uma derrota para Bruno de Carvalho. Não sou capaz de ser tão drástico como a segunda das classificações.  Será provavelmente uma contrariedade importante, sem dúvida. Mas que tem um reverso que não deve ser descurado: é um profissional que vê reconhecido o seu valor e uma transferência com grande mediatismo que porá foco positivo no clube, além de uma importante verba para os cofres do clube. Atendendo à posição do clube na cadeia alimentar do futebol europeu - da generalidade dos clubes portugueses, entenda-se -  o negócio está longe de representar uma má referência.

Do ponto de vista pessoal eram muitas as minhas dúvidas sobre a adequação perfeita de Jardim ao Sporting, excepto num ponto terrivelmente importante: os resultados. Este factor não é importante, no futebol de alta competição é quase tudo. E, não deixando de lhe estar grato pelo que conseguiu esta temporada, cada vez eram maiores as minhas dúvidas sobre a capacidade de representar uma melhoria imprescindível de qualidade ao nosso futebol, sobre algumas das suas escolhas e do melhor aproveitamento das características dos nossos jogadores. E depois, um clube como o Sporting, não pode olhar para Leonardo ou para ninguém como o último Jardim na terra.

A substituição de Jardim: há nome ideal?
O que sucedeu este ano ao FCP está também na mente de muitos Sportinguistas. Ora esta é uma matéria em que nos podemos ter tornado já catedráticos, tantos são os erros repetidos nas escolha de um treinador. A escolha é fundamental para o sucesso e aí o mais importante são os critérios que a definirão.

O nome mais falado tem sido Marco Silva. As dúvidas sobre a sua idade não fazem sentido, Jardim tem apenas mais dois anos que ele. O seu passado é muito breve e condicionado sempre à mesma envolvente, o Estoril, o que adensa as dúvidas sobre o que conseguirá fazer num contexto tão mais complexo e exigente como o do Sporting. As recentes declarações de Paulo Fonseca - uma confissão expressa da sua impreparação para dar o passo que deu - sobre a gestão de egos numa equipa grande, é apenas um aviso de quão diferentes são os mundos de um Estoril ou Paços de Ferreira e os grandes.

Não há um nome ideal mas, dos treinadores disponíveis, (Vítor Pereira não parece estar) Marco Silva parece ser o mais interessante. Até pelo perfil de jogo da sua equipa, talvez mais adequado às características do que encontrará no actual plantel ou na Academia. E, a menos que lhos impinjam, dificilmente veremos chegar jogadores como Welder, Cissé e outros.

A oportunidade
Pronto, cá vai o lugar-comum. A chegada de um novo treinador, Marco Silva ou não, representa uma oportunidade. A de ajustar o discurso à realidade e à que me parece também ser a estratégia adequada. O Sporting até pode assumir a sua candidatura ao título mas vinculando maior responsabilidade a quem está dotado de mais e melhores meios para o conseguir. E é assim mesmo que vejo a chegada de Marco Silva: a oportunidade de crescer de forma sustentada, mesmo que isso não signifique o sucesso imediato. Que, todavia, não tem qualquer deliberação agoirenta que o impeça. O impacto da chegada de um treinador com boas ideias num clube não tem que passar necessariamente por muitos anos de maturação de um projecto.

Critérios
É muito interessante procurar perceber as escolhas de Bruno de Carvalho. A sua primeira opção foi Van Basten, nas primeiras eleições a que concorreu. Mas, quando estava já investido do poder de decidir, optou por Leonardo Jardim. Uma decisão feliz que tenho muitas dúvidas ser do mesmo teor caso voltasse à casa de partida com o holandês. Se agora se confirmar Marco Silva seguramente que não é o perfil de jogo em comum a linha condutora das suas escolhas.

Nota importante: No momento da colocação deste post não ficaram inscritos o parágrafo "oportunidade" nem o vídeo que o ilustra. As minhas desculpas a quem já o leu.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

15 de Maio, um dia Glorioso!

Há 5 anos, por ocasião do 45º aniversário da conquista da Taça das Taças tive oportunidade de entrevistar João Morais, o autor do golo que equivaleu à conquista do troféu e que ficaria imortalizado como o Cantinho do Morais. Um momento agridoce, porque João Morais dava já os primeiros sinais da doença que o havia de consumir, mas simultaneamente inesquecível pela sua grandeza de alma e simplicidade contagiantes. Não tinha que ser assim, mas o Destino, seja lá o que isso for, foi feliz em juntar a personalidade de João e um dos momentos mais altos da história do Sporting.

Hoje celebram-se os 50 anos dessa conquista e, embora a entrevista seja sobejamente conhecida dos leitores habituais do blogue, parece-me a ocasião certa para a reeditar na íntegra. E, apesar da entrevista ser algo básica e reveladora da minha falta de experiência, julgo que é uma peça cuja partilha e divulgação vale a pena, pela importância do testemunho directo e do momento.

Este foi um dos momentos mais gratificantes deste espaço, daqueles que dá sentido a todo o trabalho e ao tempo perdido.  Infelizmente, aquando da mudança ocorrida na plataforma Blogger, as perguntas dos leitores e respectivas respostas de João Morais perderam-se.


Passados todos estes anos que importância para si o seu feito? Ainda o vive com intensidade?
Claro que tem. Não podia deixar de ter. Para mim é como se fosse hoje, como se não tivessem passado 45 anos.

E sente que os Sportinguistas se lembram desta data, ainda o acarinham e lembram-se de si?Sem dúvida. Sempre que sou solicitado para acorrer aos núcleos as pessoas à minha volta acarinham-me.

Marcou o golo numa final que até esteve para não jogar, não é verdade?
É. Veja as coincidências: jogávamos em Alvalade, contra o Vitória de Setúbal, onde jogava o Carlos Cardoso, hoje o treinador, e o Hilário lesionou-se. Eu não estava convocado e na bancada disse logo à Alice (esposa): vais ver que me vão chamar. E assim foi: depois do jogo, pela instalação sonora, mandaram-me dirigir ao Dep. de Futebol.

Mas o caminho para a final foi invulgarmente trabalhoso, pelo que rezam as crónicas…
Se foi. Jogámos 3 jogos com o Atalanta, só nos livramos deles no jogo de desempate em Barcelona, no estádio do Espanhol. E jogamos outros 3 com o Lyon, que na altura tinha uma grande equipa também. E acabamos por só ganhar na finalíssima.

Foi uma campanha a todos os títulos memorável que deixou muita coisa para lembrar. Por exemplo, a maior goleada de sempre nas competições da UEFA.
É sim senhor e não deve ser muito fácil fazer melhor. Ganhamos 16-1 aqui em Lisboa e na 2ª mão em Coimbra (acordo com o Apoel). Foi pena termos levantado o pé senão não sei onde teríamos chegado. Mas é difícil motivarmo-nos quando tudo está decidido.

Não sei se gosto mais desse resultado se o que vos permitiu virar o resultado de 4-1 com que foram derrotados com o Manchester United. Como foi isso possível?
Olhe, com muita vontade e com muita união. Nós éramos um grupo muito unido.

Mas a equipa acreditava que podia virar o resultado ou foi fruto do acaso, mais um daqueles em que futebol é fértil?
Sempre acreditamos que podíamos virar o resultado. Quando chegamos a Lisboa a 1ª coisa que fizemos foi pedir ao Sr. Mário Cunha, director do Dep. Futebol, para afastar o Lúcio, um defesa brasileiro, porque sabíamos que ele não se tinha portado como devia em Inglaterra. E pedimos para ficar em estágio durante os 15 dias que faltavam para o jogo da 2ª mão.

A sério?
É verdade, sim senhor! Só saímos de lá para jogar, treinar e para recolher mudas de roupa interior, sempre acompanhados por um director. Éramos um grupo muito unido e queríamos muito dar a volta aquele resultado.

E conseguiram…
Pois conseguimos. Marcamos cedo e fomos para cima deles. Ao quarto-de-hora já ganhávamos por 2-0. Foi uma grande noite, sim senhor. Osvaldo Silva fez um hat-trick. E foi assim que conseguimos chegar à meia-final.

A tal meia-final com o Lyon, que também teve que ir a desempate?Pois foi. Ganhámos por 1-0, num golo de Osvaldo Silva e ficamos apurados para a final.

Final que decorreu no célebre Heysel Park, que, mais uma vez, não parecia nada bem encaminhada…
É verdade. Quando demos conta já estávamos a perder por 2-0, o que numa final pode querer dizer que estamos arrumados. Mas nós acreditamos sempre e acabamos por empatar o jogo, já quase no fim, a 3-3. No final queríamos bater no Figueiredo no balneário. Numa jogada ele finta o guarda-redes e com a baliza aberta virou as costas porque pensou que o árbitro tinha apitado fora-de-jogo. Afinal tinha sido alguém da assistência.

E foi assim que chegaram a Antuérpia a finalíssima?Exactamente.

O que lhe deu para marcar aquele canto daquela forma? Foi por acaso?
Não foi nada por acaso. O Gilberto Cardoso era o nosso treinador do inicio de época, que saiu para dar lugar ao Anselmo Fernandes. Com o Gilberto Cardoso treinava muitas vezes aquele lance. E quando fui marcar o Manuel Marques (massagista, grande figura Sportinguista) disse-me para marcar dessa forma. Eu agarrei na bola, fiz a minha reza e disse-lhe: anda lá minha menina, vais entrar ali naquela baliza. Quando a bola me bateu na bota, naquele sitio que eu sabia, senti logo que ia entrar. E entrou mesmo!

Foi um golo muito cedo, aos 20m de jogo. Ainda sofreram muito até ao fim do jogo?Não mais do que é normal numa final. Ganhamos muito justamente.

Foi um momento inesquecível, obviamente.
Não imagina o que foi a nossa chegada a Lisboa. Fomos do Aeroporto ao estádio Nacional, onde se jogava um jogo particular entre Portugal e a Inglaterra. Fomos recebidos em delírio e recebemos os parabéns dos jogadores do Benfica e de Bobby Charlton, que eliminamos por 5-0 no jogo com o Manchester.

Do seu tempo de jogador qual o que mais admirou?
É difícil de dizer. Joguei com muitos jogadores de grande qualidade, quer como colegas ou adversários. Mas lembro-me que quando joguei com o Travassos na asa esquerda, quando o Albano saiu, até marcava golos sem saber como a bola me vinha parar aos pés.

Havia benfiquistas no seu plantel?
Não sei se havia benfiquistas no meu plantel. O Mascarenhas tinha vindo da Luz, é verdade. Mas na altura tinha-se muito respeito à camisola, hoje tem-se respeito a um punhado de notas.

Destacaria alguém que lhe tenha sido mais difícil de ultrapassar ou travar?
Olhe, quando jogava a extremo esquerdo o mais difícil de passar era o Festas, do Porto, meu colega de selecção e meu suplente. Acabou por jogar no meu lugar, contra a Inglaterra, naquele jogo fatídico, o que deu muita polémica cá em Portugal. Quando eu jogava a defesa direito o mais difícil foi sem dúvida o António Simões, do Benfica.

Pensava que me ia dizer o Pelé…
O Pelé não entrava na minha área de marcação. Mas era um jogador terrível. Parecia que conseguia colar a bola ao corpo.

No Mundial de 66 houve faíscas entre si e Pelé.
Nada de muito especial. Ele tinha caído sobre a direita e sabia que não podia deixá-lo dominar a bola. Ela vinha em direcção à cabeça dele e eu, vendo que estava fora da área, fiz o que pude, o que deve um defesa fazer para defender os interesses da equipa… O homem teve que sair, mas antes disse-me que me ia acertar. E quando entrou deu-me mesmo. Caí no chão cheio de dores. Quando o Manuel Marques chegou perguntei-lhe se tinha os dentes todos. O Manuel Marques, naquele jeito dele, disse-me: tens os dentes todos, não sejas maricas e levanta-te lá. Mais tarde, numa entrevista à BBC ele foi o próprio Pelé a reconhecer que foi um lance normal de futebol.

Ganharam esse jogo por 3-1, contra o Brasil de Pele e Garrincha. Como foi isso possível?Olhe, nós entravamos sempre para ganhar e até poderíamos ter sido campeões do Mundo naquele ano. Foi pena termos tido que recuperar daqueles 1-3 contra a Coreia, que nos deixou estourados. Fomos jogar a meia-final cansados, o hotel era longe e ficava numa zona que não permitiu o repouso. Ainda por cima os Ingleses regaram o campo, quando eles eram de porte atlético maior que o nosso e arbitragem foi habilidosa, como é normal nestas coisas com a equipa organizadora.

O que acha da equipa do Sporting de hoje?
Olhe, acho que o Paulo Bento está a fazer um trabalho razoável, embora mexa em demasia na equipa. Uma equipa joga com os mesmos sempre a não ser em casos de lesões ou de má forma. Não passa pela cabeça de ninguém mexer na equipa para jogar com o Bayern. O resultado viu-se. E o Sporting precisa de um defesa central com pé esquerdo. Eu, se fosse no meu tempo, fazia do Polga gato sapato. Metia-lhe a bola a passar pelo pé esquerdo e ia por ali fora. Eu estudava os adversários e sabia como jogavam. Se jogava do lado direito e apanhava pela frente o defesa com pé esquerdo fugia-lhe para dentro, para o pé direito. Era muito rápido. Sabia que uma vez o Prof. Moniz Pereira, (grande sportinguista, que chorava pelo Sporting e não gostava de profssionais) perguntou-me se não queria correr os 100m?

Dos jogadores que jogam hoje qual o que mais admira?O Veloso, o Moutinho e o Liedson, claro. É daqueles que dá sempre o litro.

Foram precisos mais de 30 anos para o Sporting voltar a uma final europeia. Porquê?
Olhe para lá chegar é sempre preciso sorte. Mas é preciso também saber e muito. É preciso que os treinadores percebam do seu ofício. Eu tive grandes treinadores e os melhores deles eram também sportinguistas como o Prof. Reis Pinto ou o Prof. Moniz Pereira. E que os jogadores sejam bons, como eram no meu tempo, mas também que sejam mesmo uma equipa e tenham vontade de ganhar, sem medos. Quando eliminamos o Manchester se entrássemos a pensar nos nomes tínhamos ficado pelo caminho. E eles até foram campeões europeus e a base da equipa campeã mundial de 66. E que não esquecessem os antigos jogadores para ensinar os mais novos.

Como vê o momento eleitoral no Sporting? Não acha que os Sportinguistas andam muito divididos e os muitos candidatos são o espelho disso?
Não dou muita importância a isso. Fazem falta vitórias. No meu tempo já era assim. Começando a ganhar estas coisas não se fazem sentir.

Quem lhe parece que vai ganhar, pelo menos dos que se sabe já que vão concorrer?
Olhe eu acho que o se o Dr. Soares Franco concorresse ganhava. Assim é difícil de dizer. Olhe o Dr. Ribeiro Telles é também um grande Sportinguista e daria um grande presidente. Na candidatura daquele senhor da Judiciária tem lá também uma pessoa que estimo muito, a Drª Isabel Trigo Mira. Conhece os núcleos todos e tem muito amor pelo clube. Corri o País todo com ela e chegou-me a levar a New Jersey. Uma grande Sportinguista.

Estes são apenas os excertos que considerei mais importantes da longa conversa que tive com João Morais. Uma viagem fantástica de Sportinguismo desde o ano em que nasci até aos dias de hoje. Sinto-me um privilegiado e decidi dividir convosco esta distinção no momento em que celebramos a nossa maior vitória internacional ao nível do futebol. O tempo não precisa de voltar para trás para vivermos outra vez momentos como este. Precisamos sim de saber olhar em frente, porfiar, acreditar e saber ousar. Como o Morais, quando, em boa hora, decidiu saltar de um cantinho para a glória. Logo, ao fim da tarde, ele estará aqui para ler os vossos comentários e, caso assim o entendam, trocar impressões.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Infelizmente a convocatória de Paulo Bento veio dar razão a muitos Sportinguistas

A pré-selecção de jogadores nacionais com possibilidades de representar Portugal no Campeonato do Mundo do Brasil já é conhecida. 

Lista de pré-convocados:

Guarda-redes: Anthony Lopes (Lyon), Beto (Sevilha), Eduardo (SC Braga) e Rui Patrício (Sporting).

Defesas: André Almeida (Benfica), Antunes (Málaga), Bruno Alves (Fenerbahçe), Fábio Coentrão (Real Madrid), João Pereira (Valência), Neto (Zenit), Pepe (Real Madrid), Ricardo Costa (Valência) e Rolando (Inter).

Médios: André Gomes (Benfica), João Mário (Vitória FC), João Moutinho (Mónaco), Miguel Veloso (D. Kiev), Raul Meireles (Fenerbahçe), Rúben Amorim (Benfica) e William Carvalho (Sporting).

Avançados: Cristiano Ronaldo (Real Madrid), Éder (SC Braga), Hélder Postiga (Lazio), Hugo Almeida (Besiktas), Ivan Cavaleiro (Benfica), Nani (Manchester United), Rafa (SC Braga), Ricardo Quaresma (FC Porto), Varela (FC Porto) e Vieirinha (Wolfsburgo).

Ajuste irónico da história
As primeiras reacções não se fizeram esperar. Nota nas nossas hostes para a indignação pelas ausências de Cédric e Adrien e, com menor expressão, por Carlos Mané. Provavelmente muitos dos que agora se indignam passaram os últimos anos a proclamar aos quatro ventos a "falta de qualidade" dos dois primeiros para representar o Sporting. Os mesmos provavelmente que hoje pedem ao "manco" do Carriço que ganhe a Taça Uefa ao SLB, ou destratam o André Martins. Afinal a convocatória de Paulo Bento é apenas um ajuste directo e irónico com os que assim procederam. 

Seguramente que nenhum dos referidos jogadores era então tão mau como advogavam, nem hoje tão bons, ao ponto de deterem o estatuto de incontestáveis na selecção nacional. Pelo menos para já, o futuro é bem capaz de se inclinar para lhes abrir as portas, basta olhar para a qualidade e idade dos que hoje os precedem nas escolhas.

Na cabeça de Paulo Bento
Não me surpreende a ausência de Cédric e Adrien embora a sua presença fosse mais do que justa. Terá pesado na cabeça de Paulo Bento a falta de contacto internacional de ambos os jogadores esta época, com a balança a pender para André Almeida e André Gomes, a somar à possibilidade de maior leque de funções a desempenhar.  No contexto de uma competição curta e intensa como um campeonato do Mundo é um dado a não menosprezar. Veremos qual deles aguenta até aos 23 finais. André Almeida por exemplo é bem capaz de estar atrás de João Pereira e Ricardo Costa na lista de laterais direitos, não me surpreendendo até que este último esteja na cabeça de Paulo Bento para ser titular frente à Alemanha, se atendermos às especificidades desse jogo. 

Também não me surpreende a ausência de Carlos Mané por troca com Cavaleiro ou Rafa. Qualquer um dos dois está alguns patamares acima, quer no plano técnico quer no físico, do nosso jovem extremo, que ainda tem muito que provar. É também muito provável que nenhum dos dois conste da lista final, o mesmo destino que seria provável com Mané.

O caso de Adrien é bem diferente. Se a minha avaliação do critério de Paulo Bento for correcta, a presença de João Mário é muito difícil de explicar, mais parecendo uma provocação. Paulo Bento ainda tem alguma coisa guardada do tempo que passou em Alvalade?

Não está em causa o valor do jogador, longe disso. Porém, no presente perde em quase toda a linha para Adrien. Tem apenas meia época jogada, o que em si mesmo não é determinante. E, embora supere Adrien na forma mais cerebral de decidir, é muito menos intenso e agressivo e perde também na polivalência: Adrien poderia desempenhar com ganho sobre ele qualquer posição no meio-campo.

Sem dúvida que contra todos contou a época em decrescendo da equipa e a última imagem é sempre a mais poderosa. Fosse o inverso e a realidade poderia hoje ser bem distinta. 

A honestidade de Paulo Bento
Teorias da conspiração não faltam. Desde "agente de Jorge Mendes", que por sinal também o agencia, até submissão aos interesses da Nike, patrocinador da selecção. Qualquer uma delas plausível, embora menos plausível quando estamos a falar de Paulo Bento. Não queimarei as minhas mãos por ninguém, mas se há defeito que me parece mais difícil em Paulo Bento é a da falta de independência ou honestidade.  A teoria do empresário é fraca face à realidade: quais dos melhores jogadores não são agenciados por ele? Já para a teoria da Nike fazer sentido teria que aferir quantos jogadores equipavam com aquela marca para não fazer acusações sem qualquer sustentação.

Portugal sempre!
Não será a desilusão provocada pela ausência de Cédric e Adrien que me afastará da selecção. Do ponto de vista estritamente Sportinguista ela até é favorável. É pouco provável que, a estarem presentes, jogassem, estendendo-se porém no tempo a sua indisponibilidade para começarem a época, logo a próxima... Pena pelos jogadores obviamente, porque sei o quão importante seria para eles e como o prémio era inteiramente merecido. Mas, sendo um português orgulhoso da sua nacionalidade, orgulhoso do seu País e da sua História, quando o hino nacional tocar estarei com o nó na garganta e a desejar que, acabe como acabar, a vitória seja nossa.

Ronaldo e mais vinte e dois
Para finalizar, uma análise breve à qualidade dos seleccionados.Como diria o jingle publicitário, há uma linha muito nítida a separar Ronaldo dos restantes. E onde ela se nota mais evidente é precisamente no seu sector, onde a mediania impera. Isso será ainda mais notório se Ronaldo chegar ao Mundial debilitado, como parece estar agora neste momento da época. Isto não é dizer que devamos jogar ao jeito de "Ronaldo e mais dez". Quanto melhores forem as soluções protagonizadas pelo conjunto melhores e maiores serão as possibilidades da selecção.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

As condições que Jardim acha que não tem, Marco Silva e porque não Vitor Pereira?

Não me surpreendeu a conferência de imprensa de Leonardo Jardim que antecedeu o jogo com o Estoril, nem me surpreenderá de todo o interesse do Mónaco e próprio interesse do treinador em ir para o clube do principado.

Sobre as condições que Leonardo Jardim acha que não tem ao ponto de falar em "alteração ao projecto inicial" elas parecem-me evidentes. Nesse sentido o jogo de ontem é um bom exemplo e veio reforçar uma ideia que há muito aqui insisto: as nossas dificuldades aumentam exponencialmente com as melhores equipas. 

O Sporting não tem os mesmos meios que os seus principais adversários e, ao declarar-se candidato ao título, abre mão de uma das suas mais importantes armas no decorrer do campeonato que ontem acabou: a menor pressão face aos seus concorrentes directos. 

Não surpreende por isso que Jardim possa querer o Mónaco, onde pelo menos o dinheiro para assumir candidaturas ao título não faltará. E é bom lembrar que, se a saída de Jardim se confirmar, a quarta vez consecutiva em que não cumpre o contrato, depois de Beira-Mar, Braga e Olympiacos.

O que pode representar a hipotética saída de Jardim?

Pelo menos a interrupção de um projecto desenhado por ele ou com a sua anuência. O ter que começar de novo. 

Recuso-me no entanto a encarar a saída com fatalismo. Sem deixar de lhe estar grato pelo trabalho realizado, não deixo de assinalar, como já aqui disse algumas vezes, que o crescimento da equipa era ainda possível e não estava esgotado. Isto é, esse crescimento parou do lado dele, dependia sobretudo do treinador. Ele próprio a precisar de crescer, porque o que fez ontem a Carrillo é inqualificável. O que ganhou em não esperar cinco minutos pelo fim da primeira parte que não apenas arranjar um bode expiatório?

Fala-se agora em Marco Silva. É um tiro no escuro, se levarmos em conta que o seu trabalho se limita ao Estoril. E o que é necessário para se ter sucesso no Estoril é muito menos complexo do que em Alvalade. E o modelo que lhes trouxe felicidade dificilmente produzirá resultados semelhantes entre nós.

E já agora porque não Vítor Pereira? Seria um treinador à medida das nossas necessidades? E o que temos para lhe oferecer  seria suficientemente atractivo? 

Assisti com muito interesse à entrevista que deu na passada sexta-feira à TVI24 e não deixo de assinalar que ela não seria possível há 2 anos e talvez nem há um. A saída para o extremo oriente deu-lhe uma segurança na pose e no discurso que não lhe via antes. Ou seria apenas a leveza e liberdade de não estar pressionado pelos resultados? O técnico, esse será exactamente o mesmo que já demonstrou qualidade anteriormente.

Bom, para já ainda temos treinador e certamente que ainda voltaremos a falar disto e muito nos próximos dias.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Contratações cirúrgicas II - Quem pode sair, que posições reforçar, que perigos?


Avaliação Prospectiva
Com a análise retrospectiva feita neste post, pretendia-se o enquadramento certo para perspectivar agora as alterações a realizar no plantel. Essas têm de ter em conta o acréscimo de jogos e sobretudo a necessidade de elevar a resposta competitiva da equipa. Esse necessidade decorre da constatação inevitável que o que foi feito este ano, tendo surpreendido e ficado acima do que se estimou inicialmente, está aquém dos objectivos anunciados para a nova temporada.

Que jogadores do actual plantel devemos contar para o próximo ano?

Que jogadores podem ser vendidos, significando mais valias?

Que posições reforçar?

Quais as principais fragilidades na ida ao mercado e principais perigos?

Estas são as perguntas que a seguir se tentarão responder.

Para a presente análise serão seguidos os seguintes critérios: 2 jogadores por posição, seguindo o modelo de Leonardo Jardim: 1 Guarda-redes, 2 laterais, 4 centrais, 4 médios, 2 avançados, para um plantel entre os vinte e quatro e vinte e seis jogadores. Quando falo em modelo não me refiro ao habitualmente apontado 4x3x3, mas sim um 4x4x2. A definição nem é minha, mas concordo inteiramente com ela. Martins não joga a 10 porque para isso teria que fazer outro tipo de movimentação mais abrangente, que não se podia ficar entre a meia-direita e a linha de fundo, é um segundo avançado.

Cenário ideal
Num cenário ideal o Sporting manteria todos os seus melhores do actual plantel, aproveitaria a valorização conseguida por uma boa época para colocar no mercado os restantes, seja em vendas directas ou trocas com outros clubes, tentando desonerar futuras aquisições. Simultaneamente reforçaria o plantel, visando introduzir maior concorrência interna e suprir falhas. Mas os cenários ideais existem apenas num mundo ideal, que está muito longe do real.

Convenhamos também que não é possível prever num post, ou até em vários, todos os cenários que possam ocorrer na preparação de uma época: Ainda por cima num ano de Mundial de Futebol, em que alguns jogadores do Sporting serão chamados a participar. Daí que tenha definido dois cenários que, não sendo os ideais, seriam pelo menos razoáveis.

Cenário I : Venda de um jogador importante com elevado retorno financeiro
A venda de um jogador com elevado retorno financeiro é um sacrifício por vezes necessário para recapitalização da SAD e liquidez para reinvestir. Ocorrem-me 2 jogadores dentro desses parâmetros: Rui Patrício e William Carvalho. Não equaciono a venda de Montero por me parecer de mais difícil substituição que qualquer um dos 2 atrás anunciados e cujos valores de uma possível venda não se devem comparar. Desta forma o Sporting perdia um anel, mesmo que muito precioso, mas mantinha as restantes jóias e nem precisava de cortar os dedos.

Dispensaria Wélder, Magrão, e negociaria Hélton, Capel, Wilson Eduardo. Eventualmente Rojo e Slimani, se valorizados pelo Mundial. O mesmo faria com Maurício por uma boa proposta. A sua prestação acima das expectativas não iludem as limitações mais do que evidentes. 

Incorporaria do lote da equipa B Esgaio para médio-ala, porque não o vejo como defesa lateral. Faria regressar Rinaudo, Reis, Viola e Tobias Figueiredo, este melhor e mais fiável que Rúben Semedo.

Imagino que algumas destas opções sejam muito questionáveis e até polémicas, em particular as dispensas. O meu ponto nesta análise é que o Sporting precisa de um incremento de qualidade e jogadores que até possam ter sido importantes este ano, como Maurício ou até mesmo Slimani, dificilmente o poderão ser no contexto do próximo ano.

Não sei quanto possa vir a evoluir no próximo ano o argelino mas a relação dele com a bola nos pés é péssima e o nosso jogo decresce de qualidade quando cede à tentação de procurar o seu jogo de cabeça, que, ainda por cima, nem é assim tão eficaz. A diferença da prestação da equipa e do número de oportunidades criadas e de golos concretizados da primeira volta não se explica apenas por isso, mas também. Reconheço contudo que o modelo de jogo de Jardim impõem um jogador com as suas características que até no mercado nacional pode ser encontrado e com ganho.

Capel é demasiado caro para o produto final das suas correrias e ainda por cima regrediu, facto que imputo mais ao actual modelo que ao jogador. O próprio William não é ainda tão bom como o julgam e pode vir a ser, nem o agora esquecido Rinaudo é tão mau ou dispensável como o parecem ver agora.

Teria assim que adquirir 1 guarda-redes para o lugar de Patrício, ou um médio 6 caso William partisse, um lateral-esquerdo para concorrer com Jefferson, 1 central, um segundo avançado, ou 2 pontas-de-lança conforme o descrito abaixo.

Guarda-redes: Boeck, Patrício ou 1 aquisição (em caso de saída de Patrício)

Laterais-direitos: Cédric e Piris

Laterais-esquerdos: Jefferson e 1 aquisição 

Centrais: Dier, Reis e Tobias, 1 aquisição. Rúben Semedo de prevenção na B, onde estaria Tobias sempre que não fosse convocado. Nesta idade precisa sobretudo de jogar.

Médio (posição 6) William/aquisição e Rinaudo e João Mário

Médio (posição 8) Adrien e André Martins

Médio-ala (posição 7 e 11) Carrillo, Mané, Esgaio mais 1 ou 2 aquisições

Segundo avançado: Montero e Viola

Ponta-de-lança (posição 9): 2 aquisições (que podia ser apenas 1 se Slimani permanecesse ou se se considerasse Montero para 9, ficando nesse caso em aberto a aquisição de um segundo avançado. 

Algumas dúvidas sobre o papel a conceder a Iuri Medeiros, Chaby e Chikabala. Os dois primeiros porque o esquema deste ano de Jardim dificilmente os favorece. Isso é tanto assim que Jardim "se esqueceu" de ambos durante a época e ainda foi buscar Chikabala. Integrá-los num projecto credível numa equipa da I Liga seria preferível a mais um ano de estagnação na equipa B. E o egípcio terá que mostrar ao que veio.

Uma ressalva: ao contrário do que pensam grande parte dos Sportinguistas parece-me muito difícil que a venda de Patrício ocorra por valores superiores a sete/dez milhões de euros. As razões estão fundamentadas neste post e neste post escritos há muito tempo, mas cuja conjuntura não me parece ter sido alterada.

Cenário 2
O Sporting não vendia nem Patrício ou William mas abria mão de dois ou três jogadores com valor de mercado abaixo destes, mas com valorização, como Adrien, Cédric, Jefferson, num exemplo aleatório. Não me surpreenderia muito a partida de Dier, embora a achasse absolutamente lamentável, a ocorrer. Mas com o contrato a expirar em 2016 e sem jogar pode muito ser o próximo Ilori. Manteria o critério acima descrito para dispensas, incorporações e vendas. Este cenário parece-me o menos interessante por implicar a saída de um número considerável de jogadores titulares, desarticulando a base da equipa.


Dificuldades e fragilidades que o Sporting enfrentará

Orçamentos e liquidez
Não é um caso singular entre os clubes, embora tenha as especificidades que lhe são próprias. Mas no fundo as regras são semelhantes, há necessidade de realizar mais-valias para poder enfrentar os custos. Associada à menor capacidade de obter receitas, face aos concorrentes directos, é constitui um forte empurrão para mercados emergentes e no mercado nacional dificilmente consegue competir com eles.

Relações com o mercado
Voltarei a este tema, porque me parece merecer atenção particular. Fica apenas uma pequena nota dando conta das minhas dúvidas relativamente ao posicionamento do clube face aos diversos actores, os - empresários, os fundos, etc. Sem colocar em causa a necessidade de outra regulamentação fica a minha dúvida relativamente à estratégia de isolamento face ao que são as regras  e meios que estão disponíveis para os demais. 

Exposição ao mercado africano
Os mercados emergentes - africano, asiático e periferia europeia - são consideravelmente menos onerosos que os "mercados de primeira". A importância de um scouting refinado é crucial, bem peneirados, conseguem-se excelentes negócios dos quais Montero é um exemplo de excelência. Porém, as probabilidades de risco aumentam exponencialmente. A inadaptação de uma "importação directa" face às diferenças sócio-culturais entre a origem e o destino é mais fácil de apontar, mas outras há.

O caso concreto do Sporting há um risco acrescido e que aumenta sempre que vejo apontados novos reforços como Anderson Esiti, do Leixões, que dizem estar já contratado, Nuno Rocha, Marítimo, Gazhal, do Nacional. A ser verdade isso aumentaria o contingente de africanos, numa época em que o periodo decisivo de campeonato ocorrerá em simultâneo com o CAN 2015, cujas eliminatórias começaram no final do mês passado. Aqueles jogadores juntar-se-iam a Héldon, Schikabala, eventualmente Dramé, apontado como fazendo parte do próximo plantel, e Slimani. Quantos jogadores poderiam estar ausentes entre meados de Janeiro e Fevereiro?

A vertigem da experiência
Um dos principais problemas apontados ao plantel do Sporting é a sua juventude e inexperiência, em particular para os compromissos internacionais. Ambas são um facto e podem ser um problema, mas não tem necessariamente um carácter inevitável, como se de uma sina se tratasse. Mais importante que a experiência é o talento, a inteligência, o conhecimento do jogo e respectivas funções a desempenhar e o compromisso com o colectivo.

Vantagens
O Sporting detém hoje um poder negocial de que não dispôs há 1 ano atrás: uma casa arrumada, um clube novamente respeitado, um treinador prestigiado e  os palcos e respectiva  banda sonora da Liga dos Campeões assegurados pelo menos por pelo menos três jogos. Assim o saiba fazer reverter a seu favor.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

O que nos interessa saber da contratação de Lopetegui

O FCP anunciou ontem a contratação de Julen Lopetegui para o lugar de técnico principal. Uma escolha que surpreendeu a generalidade da critica e até dos adeptos, azuis-e-brancos ou não.

Como adversário do FCP o que retenho desta contratação:

O timing da comunicação poderá ser considerado como uma tentativa - bem sucedida, parece-me - de colocar os adeptos a pensar no futuro, assim tirando o foco do annus horribilis e dando-lhes mais do que pensar do que escrever nas paredes das casas de alguns correlegionários. Assinale-se porém que não se trata de uma decisão de cariz populista. Seria mais fácil a Pinto da Costa, neste momento, apresentar um nome seguro na praça, com curriculum.

O que de mais importante retenho é que parece estarmos na presença de uma decisão pensada e amadurecida. Por trás do perfil do treinador há uma ideia de jogo, que se baseia num modelo que dá importância à posse e circulação de bola, que cola bem com o estilo de jogo do clube da Invicta, por oposição a outros critérios, como o futebol da força e da altura. A decisão de um novo técnico, este ou outro qualquer, envolveria sempre um risco elevado, esta decisão tem um cariz estratégico que é importante reter.

Mais importante do que o curriculum ou a experiência, porque nos falam do passado e de uma realidade muito diversa da que o treinador basco irá encontrar no FCP, será a idealização de um modelo que sirva as necessidades da sua equipa no contexto muito especifico do campeonato português e que seja adaptável, compreendido e interpretável pelos jogadores à sua disposição.

O nome, este ou outro qualquer, não nos diz nada sobre o sucesso da decisão que, inevitavelmente se terá que traduzir em resultados, e está dependente de uma imensidão de factores, que não dependem apenas do treinador, mas também da qualidade do plantel que lhe será colocado à disposição. 

Mas parece-me pelo menos sensato não menosprezar o FCP e a respectiva candidatura ao próximo campeonato. Não sé porque seria incorrer no mesmo erro que o FCP cometeu com o Sporting este ano. Depois do que sucedeu esta época, a vontade e a importância de voltar a ganhar é agora mais premente. Ao Sporting certamente que interessava mais um FCP sobranceiro e acomodado da época passada que pensava que para chegar a campeão qualquer treinador pegaria de estaca.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Finalmente as contratações cirúrgicas I - Avaliação retrospectiva

Introdução:
Finalmente as contratações cirúrgicas. Finalmente porque o post sobre o tema já foi prometido diversas vezes e porque, estando escrito e reescrito já várias vezes, corre o risco de ir parar ao caixote do lixo sem ver a luz do dia. A demora não foi intencional, mas talvez o post se torne mais oportuno, uma vez que falta apenas um jogo para se encerrar a época e as últimas exibições deixam muitas interrogações sobre o quão profunda têm de ser as cirurgias entretanto anunciadas.

Uma vez que o post se tornou demasiado extenso, vi-me obrigado a dividi-lo em 2. O presente é uma avaliação retrospectiva. Fica o próximo para breve avaliação por sectores ao plantel que termina a época, complementada com a análise prospectiva do que pode ser a sua reconstituição face aos novos desafios para a época 2014/15.

Enquadramento
O que são contratações cirúrgicas? A expressão é curiosa uma vez que uma cirurgia tanto pode ser uma delicada microcirurgia vascular intracraniana como uma amputação a envolver o indispensável mas prosaico serrote. O que umas e outras e as demais cirurgias têm em comum é que todas exigem conhecimento muito especifico, que requer formação especializada e regular ao longo do exercício da função. Julgo que deve ser o paralelismo que se pretende fazer com o uso da expressão. Diagnosticar as falhas e supri-las usando de conhecimento e experiência acumulados. 

Ao dar conta pública de que o Sporting iria fazer "mexidas cirúrgicas" Bruno de Carvalho reclama para si e a equipa que o acompanha nas decisões essa aptidão e o que a generalidade da opinião pública percepciona é que haverá poucas mudanças no actual plantel. Isto é, no balanço das entradas e saídas, os movimentos serão reduzidos e os estritamente necessários.

A pergunta, inevitável, surge: o Sporting detém, no seu seio, esse conhecimento para o reclamar? Dos 3 elementos do núcleo duro (Bruno de Carvalho, Inácio e Virgílio) apenas Inácio possui experiência, Bruno de Carvalho e Virgílio não. A experiência é porém, para mim pelo menos, um factor hiper-valorizado. Mais importante, naqueles lugares, são a percepção do que é o jogo, quais são as necessidades para implementar um modelo que sirva as ambições do clube, e os processos que levam às de tomadas de decisão e estas propriamente ditas.

Análise Retrospectiva
São os resultados o principal factor de avaliação de que a generalidade da opinião pública se serve para apreciar o trabalho quer dos treinadores, quer dos dirigentes. E é em função dos resultados alcançados que agora se avalia o trabalho feito pela SAD (Bruno de Carvalho, Inácio e Virgílio) porque são eles os responsáveis pelas decisões de contratar e vender. E, uma vez que os resultados excederam as expectativas, a avaliação generalizada é muito positiva, quer no interior do clube, quer mesmo pela generalidade da critica e mesmo dos adversários.

A decisão estruturante da época foi a chamada de Jardim. Isto não é dizer que só esta decisão nos conduziria aos resultados alcançados, ou mesmo que estes não podiam ser melhores, porque isso seria mera especulação sem qualquer sustentabilidade. É reconhecer o papel fundamental do técnico e, por via disso, quem foi responsável pela decisão. Uma decisão feliz e corajosa, se atendermos, pelo menos eu assim o entendia, que Jesualdo tinha qualidades importantes para aquele momento em que o Sporting se encontrava.

Quanto a incorporações de novos jogadores, atente-se ao quadro das contratações realizadas na preparação da época que ainda decorre:

Maurício, Jefferson, Piris, Shikabala, Magrão, Héldon, Slimani, Welder, Vitor, Montero, Cissé. 

Numa avaliação rápida do que foram as respectivas participações individuais na época do clube facilmente se constata que a percentagem de acerto é de 50%: Maurício, Jefferson, Piris, Slimani e Montero do lado bom, Cissé Shikabala, Magrão, Héldon e Wélder do lado dos falhanços. Shikabala, Magrão (diz-se que vai ficar) e Héldon têm ainda a possibilidade de, no próximo ano, desfazer a impressão negativa. A fazer a ponte, numa posição neutra, fica Vítor, que demonstrou potencial mas teve poucas oportunidades. Cissé e Welder têm que, passe o exagero, renascer para se apresentarem a um nível incomparável superior e assim poderem ser olhados como opção.

A ordem de chegada dos jogadores é importante. Maurício, Welder, Jefferson e Montero foram os primeiros a chegar. Piris, Vitor e Slimani chegam depois. Isto porque certamente por se percebeu que Welder, Cissé e mesmo Magrão não estavam à altura do que deles era esperado. Provavelmente também porque às saídas de Bruma e Ilori correspondeu uma maior disponibilidade financeira e porque entretanto se foram registando saídas que aliviaram a folha salarial.

Ainda no âmbito desta retrospectiva assinale-se o sucesso na decisões de reintegração de William de Carvalho, indiscutivelmente a revelação da época a nível nacional, bem como de Wilson Eduardo.

Mais importante do que a contabilização de más decisões serve esta constatação para atestar como é falível e contingente a actividade de contratar jogadores. O sucesso depende de imensas variáveis e nem todas passíveis de serem controladas por quem decide. Serve também para que se perceba que a promessa de contratações cirúrgicas per si não assegura o seu acerto.


Do lado das dispensas saliência para o elevado número de situações resolvidas. Neste capitulo porém, não deixo passar uma certa retórica, que me pareceu estratégica, de desvalorizar e até diabolizar os jogadores cuja situação acabou por se tornar problemática, como Jeffren, Elias e Labyad. Essa estratégia rendeu pelo menos dividendos internos. Mas, a menos que me demonstrem o contrário, não me pareceu uma decisão feliz. Mal comparado é o mesmo que um comerciante desvalorizar os seus próprios produtos e, pior, retirá-los de exposição e ainda assim querer receber pelo menos o valor gasto. Não discuto as respectivas decisões de prescindir dos serviços de Jeffren, Elias e Labyad, mas sim o método.

Não deixo também de dizer também que o marroquino contratado ao PSV, pese a necessidade de complementar a sua formação e colmatar as lacunas evidentes, podia muito bem ter sido o 10 que Martins nunca será. Capacidade física, técnica, potencial, disponibilidade competitiva e intensidade tinha-os, faltou-lhe o que acima foi dito sobre a sua formação, mais a possibilidade de crescer num ambiente favorável, o que não sucedeu no tempo que esteve por cá.

Falta, para terminar este capitulo, a aposta na formação, isto apenas no que diz respeito à equipa principal. Este é um capítulo que me sugere reacções ambivalentes. É indiscutível para quem olha no plantel que são os jogadores da casa que constituem a coluna vertebral do plantel e que a extraordinária época de William e o aparecimento de Carlos Mané perspectivam continuidade. A minha dúvida é se, num ano como o que agora está prestes a terminar, apostas em Maurício e sobretudo em Magrão, não podiam ter sido feitas em Dier e João Mário, respectivamente. Ou saber o que veio fazer Héldon que Mané ou Eduardo não fizessem. Dier é o mais difícil de todos de sustentar pela época realizada por Mauricio. Magrão é mais fácil e torna-se ainda mais evidente em cada aparição. O mesmo se pode dizer relativamente a Cissé versus Betinho. As oportunidades concedidas ao guineense no inicio de época e depois na B são no mínimo questionáveis.

Vêm aí novos adjectivos para a língua portuguesa?



Não foi um golo qualquer. Foi um golo marcado da forma como se vê na imagem e que trouxe o Real Madrid de volta ao mundo dos vivos na Liga Espanhola, salvando-o de um funeral em sua própria casa. E foi o quinquagésimo da época, uma marca verdadeiramente assombrosa. Quem gastou os elogios com o  sprint de Bale vai ter que inventar novos adjectivos para língua portuguesa para classificar este golo de Ronaldo.

sábado, 3 de maio de 2014

Foi com o Nacional mas não foi bom

Alguma expectativa para observar o jogo que marcava o nosso regresso à Madeira. É verdade que o facto de ambas as equipas não terem nada a perder tanto poderia significar um jogo displicente de um ou ambos contendores, como um espectáculo agradável de seguir. Nem uma coisa nem outra foi o que acabou de se verificar. O jogo acabaria por ser um espectáculo de futebol pouco interessante no que à qualidade de jogo diz respeito, embora não se possa negar que foi um jogo competitivo.

Num plantel tão curto como o nosso é natural que ausências em simultâneo de Adrien e Rojo criassem dúvidas sobre a reposta que a equipa daria perante um dos adversários que mais dificuldades costuma impor aos três grandes. Desta vez não seria muito diferente. Como é habitual em equipa de Manuel Machado, o Nacional foi muito eficaz em partir o jogo e sobretudo a equipa do Sporting. Colocando extremos muito abertos e encostados acima conseguiu colocar os laterais quase sempre mais preocupados com as tarefas defensivas e desse modo sem poderem apoiar o meio-campo e os extremos em particular. 

Do ponto de vista defensivo demos sempre muito espaço ao adversário. Slimani não conta para o processo defensivo, Magrão não o faz com a intensidade necessária e Carrillo é muito intermitente. Assim o Nacional contou quase sempre com superioridade numérica. Quando tal não aconteceu o Sporting foi sempre demasiado sofrível na criação de jogo de ataque ou na finalização. Não ter marcado qualquer golo e ter empatado a um golo diz quase tudo. As férias estão aí e a cada jogo que passa mais elas parecem ser desejadas e necessárias.




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