Demasiados preliminares para resolver com 2 rapidinhas
Quando começava a escrever este post perguntava-me que diferença se deveria assinalar entre o jogo com o Maribor e o jogo com o Setúbal, tendo em conta que as dificuldades com os sadinos foram aparentemente maiores, pelo menos para inaugurar o marcador, mas os eslovenos são melhor equipa.
Se a questão aqui abordada no post anterior, de grande dificuldade de lidar com as equipas nacionais, pela conjunção de factores, poderia fazer algum sentido antes deste jogo - melhor conhecimento dos adversários e por não terem problemas em jogar de autocarro estacionado - Marco Silva encarregou-se de baralhar a discussão. Baralhar a discussão e baralhar o adversário, que se viu forçado a fazer uma substituição ainda na primeira parte para se conseguir equilibrar, tamanha foi a avalanche a que foi sujeito. Tal resultou da inclusão de Montero no lugar agora ocupado por João Mário e que outrora fora de André Martins.
As movimentações e inteligência do colombiano foram decisivas na criação de oportunidades de golo em catadupa, as suficientes para ter fechado os primeiros 20 minutos com golos suficientes para assegurar uma vitória tranquila mas que, por ineficácia, manteve o nulo inicial até ao intervalo. Após a entrada de Erickson nos sadinos para a posição 6, com notória intenção de reduzir os espaços a Montero, e pelo nosso natural travão ao fulgor inicial, o jogo decresceu de qualidade.
Algumas notas soltas que resultam da observação do jogo:
1- A importância de ter um jogador da qualidade e inteligência de Montero, especialmente em jogos de menor participação de Nani, cuja preponderância no nosso jogo Domingos soube reduzir. Talvez também por algum cansaço acumulado do nosso 17, foi talvez o seu jogo menos importante desde o seu regresso.
2- Realce para a participação de Carlos Mané, que só perdeu por não conseguir uma melhor definição dos lances. E essa é a diferença entre os bons jogadores e os outros. De nada adiantam os grandes slalons se depois a bola não segue jogável para um jogador bem posicionado. Se estiver atento às palavras de Marco Silva - "é preciso trabalhar ainda mais. Melhorar todos os dias." - com o potencial e idade que tem, tem tudo para se tornar num caso sério.
3- Muita da ineficácia registada no nosso melhor período se deveu a Slimani. Uma actuação paradoxal, se atendermos que foi ele a marcar 2 dos 3 golos na segunda parte. A verdade é que acabou por apontar golos mais difíceis de executar do que oportunidades tidas e que falharia.
4- A impaciência crescente em torno de William. Do exagero do ano passado, apesar de serem evidentes as suas insuficiências, para o exagero deste ano, em torno das suas participações. É óbvio que não começou bem a época mas esse período já está para trás. Marco Silva pede-lhe agora funções um pouco mais alargadas na construção do jogo, o que é incontornável face à inépcia nesta matéria por parte dos centrais. Pede-lhe também que exerça a sua influência em terrenos mais adiantados e creio que, face à novidade, se tem saído muito bem. Mas William não é responsável pela nossa falta de acutilância no espaço central, tal parece-me antes um problema do modelo de jogo. Quanto ao jogo de sábado foi determinante para anemia atacante do Setúbal, que mais não pareceu querer que levar um pontinho, mesmo sem marcar golos.
5- Parece-me precipitado concluir que este 4x2x3x1 é a melhor solução. Os adversários não são todos iguais pelo que os sistemas também não o devem ser. O que foi agora bom com o Setúbal, e poderá ser com outros dos adversários mais fracos da actual Liga, não será necessariamente tão acertado com outros mais fortes. Marco silva reconheceu isso mesmo no final do jogo. Não menos importante também terá que ser considerado o factor surpresa que, de ora em diante, terá o seu efeito reduzido.
6- Em 11 jogos é a 4ª vez que o Sporting não sofre golos. E apenas num, com o Vitória, em Guimarães, não marcou, curiosamente a única derrota até ao momento.
7- O jogo foi marcado por diversas falhas por parte da equipa de arbitragem, falhas essas que se estenderam a outros campos. Podemos queixar-nos de foras-de-jogo mal assinalados, mesmo que embora difíceis de ajuizar. Domingos Paciência queixou-se com razão de dois momentos: o que resulta do lance do primeiro golo, uma distracção a não repetir por William. E a da falada agressão de Maurício. Se atendermos às consequências desses lances, e que o resultado em ambos os casos ainda estava a zero a queixa faz sentido. Mas olhando ao que se passou noutros campos - Guimarães e Porto, por exemplo - as queixas devem-se limitar aos sadinos, é bom que os restantes tenham algum pudor.
Em jeito de conclusão, e reportando-me ao titulo do post, diria que, ao contrário de outros jogos, não foi
por falta de um sistema adequado às exigências colocadas pelo adversário
que o Sporting não criou oportunidades de golo suficientes.
Provavelmente foram demasiados os preliminares para o conseguir, para
depois em dois lances quase consecutivos marcar os dois golos que fariam
o resultado. Uma semi-goleada que a produção de jogo merecia muito mais.











