O alarme no pavilhão e o castigo da UEFA
Pavilhão
Castigo UEFA
Sem sentido nenhum é a possibilidade de existirem penalizações pecuniárias sobre os clubes que a própria UEFA reconhece estarem em dificuldade financeira. Será esse o caso do Sporting caso falhe num futuro próximo as condições que foram agora impostas, isto é, que "o Sporting não consiga um resultado positivo no actual exercício de 4,9 milhões de euros, necessário para atingir o limite de défice de 30 milhões de euros do conjunto das 3 últimas épocas."
Foi com surpresa que fomos confrontados com a noticia da ruptura de contrato entre a empresa construtora a quem foi adjudicada a obra, a Somague, e o Sporting. Os motivos aduzidos pelo clube - aumento injustificado dos custos - parecem-me pertinentes. Falta ainda ouvir o que tem a dizer sobre isto a construtora, uma vez que o próprio clube admitiu no comunicado que havia trabalhos não previstos inicialmente, tais como ar-condicionado, acréscimo de balneários, acessibilidades para pessoas com dificuldades motoras, tabelas electromecânicas de basquetebol e alteração aos campos de futebol.
O diferendo esteve, ao que percebi, nos valores propostos pela empresa para a realização daqueles trabalhos, tendo o Sporting, depois de consultada a FICOPE, empresa responsável pela gestão do projecto, não concordado com as condições propostas. A referida empresa entendeu que as verbas pedidas eram exageradas (618.900+IVA), tendo sido decidido entregar a obra à empresa Ferreira Build Power, a segunda classificada no concurso. Esta aceitou a realização das obras consideradas adicionais por cerca de metade do preço (297 mil+IVA).
Algumas considerações:
- Truques de acréscimo de preços por obras não orçamentadas em empreitadas são muito comuns. Aliás, a desorçamentação dos custos totais nos lançamentos de obras são o truque mais utilizado para justificar quer social quer politicamente grande parte das obras que se realizam neste país, porque quase ninguém se dá ao trabalho de saber qual o seu custo final. Não parece que seja este o caso.- Até que se saiba mais sobre este caso, e se o agora sucedido foi tentativa abusiva de adulterar o que havia sido negociado previamente, a razão está do lado do clube.- Há no entanto uma implicação directa imediata que é o facto daquele que tinha sido considerado o melhor projecto e com as condições mais favoráveis ter sido substituído pelo que tinha ficado em segundo lugar, por isso aparentemente não tão bom nem tão favorável.- No custo final da obra não haverá diferença significativa no seu custo final uma vez que a obra adjudicada à Somague tinha o custo de 7,2 milhões inicialmente previstos e que ficaria no final, acrescentando os valores pedidos pela empresa para os trabalhos adicionais, em cerca de 7,8 milhões. Ora a Ferreira Build Power apresentou uma proposta de 7,5 milhões o que, acrescidos dos 297 mil euros pretendidos para execução do campo de futebol de 7, muros de suporte e tabelas de basquetebol, aquele valor é praticamente igualado.- Fica então a pergunta: vale a pena ficar com o projecto e obra do pavilhão que não tinha sido considerados nem o melhor nem mais favorável por uma diferença de verbas tão pequena, atendendo a que estamos a falar de uma obra de uma geração, ou até talvez mais?
- Qual foi o critério primordial para adjudicação: a qualidade do projecto, o preço ou a conjunção de ambos? Vale a pena lembrar os erros cometidos aquando da construção do estádio e o seu resultado?- Não menos importante parece ser de salientar que, à altura do lançamento da primeira pedra, não havia contrato assinado nem projecto aprovado, e que a obra continua sem orçamento aprovado para a sua realização. Contudo a data prevista para o inicio das obras é o próximo mês.
Nota: Já depois de publicado o presente post tomei conhecimento do
comunicado da Somague sobre a matéria em apreço, cujo conteúdo,
sucintamente, remete para o clube as responsabilidades das alterações ao
acordado para o clube dizendo que "pretendeu o Sporting considerar abrangido no preço da proposta trabalhos nela não constante e surpreender a Somague com a decisão do termo das negociações após todo o trabalho efectuado" (n.d.r elaboração dos projectos de arquitectura,
escavação, contenção e estrutura de betão armado). Está assim aberto mais um novo contencioso.
Castigo UEFA
Face aos
resultados financeiros de todos conhecidos (43 milhões de passivo em
2012/13) impendia sobre o clube a possibilidade de um castigo da UEFA a
propósito da célebre lei do fair-play financeiro. Esta lei é necessária, atendendo ao objectivo principal de fazer com que os clubes gastem de acordo com as suas receitas.
Porém
ela contém alguns anacronismos que protegem os clubes mais ricos e que
diferem do modelo associativo, como são a maioria. Um clube com um dono
rico gasta mais do que tem, pelo menos enquanto este injecta capital,
mas a UEFA não parece estar preocupada com o que acontecerá no futuro,
caso um desses donos se canse de brincar aos clubes.
Sem sentido nenhum é a possibilidade de existirem penalizações pecuniárias sobre os clubes que a própria UEFA reconhece estarem em dificuldade financeira. Será esse o caso do Sporting caso falhe num futuro próximo as condições que foram agora impostas, isto é, que "o Sporting não consiga um resultado positivo no actual exercício de 4,9 milhões de euros, necessário para atingir o limite de défice de 30 milhões de euros do conjunto das 3 últimas épocas."
Há
ainda um aspecto nesta matéria que me parece merecer reflexão. Os
resultados acima invocados e a possibilidade de um castigo pela UEFA
ainda hoje condicionam a forma como se pensa ser a melhor estratégia
para o clube que renovações de jogadores importantes como Carrillo trazem novamente à ordem do dia.
Ora
o Sporting para melhorar a sua competitividade tem tido, entre outros, dois problemas
facilmente identificáveis e que, sem a sua resolução, o impedirão de,
realisticamente, almejar mais do que tem conseguido:
- O Sporting tem revelado enorme dificuldade em diversificar as fontes
de financiamento e de obtenção de receitas que o
aproximem mais, mesmo que não da totalidade, das dos seus rivais.
- O modelo até agora seguido de contratar muitos jogadores baratos, oriundos de campeonatos tidos como emergentes, não tem sido muito eficaz em aportar valor ao plantel, sem o qual se torna difícil de competir ao nível dos rivais.


























