Nota importante:a conferência de imprensa de Bruno de Carvalho não só não altera o teor do post como reforça o essencial do que nele é dito. Aliás é difícil perceber o que se pretendeu com a sua realização porque, ao invés de as especulações terminarem, ganham agora mais combustível.
O psicodrama Marco Silva
Na altura do ex-futuro divórcio de Bruno de Carvalho com Marco Silva já aqui havia deixado que o caso, como não tinha ficado encerrado, voltaria à actualidade. Enganei-me. Na verdade nunca deixou de marcar a actualidade, transformando-se numa espécie de folhetim, parecendo que o seu desfecho ficará marcado pela saída do treinador. Seja qual for o seu final o importante agora é que, para alivio de todos termine. Depois, se há coisa que estamos habituados é a mudar de treinador. Pena é os resultados, que esses quase não mudam.
A culpa é dos jornais
Será um alivio para todos, menos para os órgãos de comunicação social, que terão que arranjar nova novela. Uma das acusações mais ouvidas é a de que tudo isto é apenas especulação jornalística. (Embora mais recente, também nos estamos a especializar em projectar inimigos na própria sombra.) E até pode ser. Mas não deixa de ser verdade também que o silêncio de Bruno de Carvalho sobre a matéria, (a ausência de defesa do que devia ser considerado um dos mais importantes activos da SAD perante ataques sibilinos ou descarados), constituem repasto de difícil recusa para quem vive de vender noticias. É um favor que lhes temos estado a fazer, ajudando assim a justificar porque não perguntam para onde vai Jesus e o que fez Lopetegui a quarenta milhões de euros em reforços.
A anormalidade da situação
O que o bom senso e o interesse comum aconselharia é uma avaliação conjunta (SAD+treinador) permanente dos resultados, das exibições, percebendo os erros que urgia corrigir, o que de bem feito devia ser conservado e potenciado. Essa seria a forma de, daqui a poucos meses, podermos estar um pouco mais à frente do que há um ano atrás. Isto sem falar na concentração necessária para o jogo mais importante da época estar a ser abalada pelo ruído permanente. Pelos vistos o senso comum não é assim tão comum.
A estabilidade como valor
Uma das razões mais apontadas para a continuidade de Marco Silva é a da estabilidade. Quem a advoga acredita que, feita a exegese anteriormente referida, a possibilidade de evolução para um patamar competitivo superior era possível. Essa era aliás a ideia subjacente à contratação por quatro anos do treinador, e foi essa a percepção que deixou em muita gente, vincada pela aposta num técnico jovem, promissor, mas de experiência limitada.
A soberania de quem manda
Quem é eleito é mandatado para tomar decisões, mesmo que algumas delas sejam de difícil compreensão, tendo depois de viver com as consequências que resultam da avaliação que os eleitores delas farão. Bruno de Carvalho pode entender que Marco Silva não é suficientemente dotado para a função, pelo que a estabilidade que seria aportada pela sua continuidade, ao invés de nos conferir maior segurança e aptidão, enfranquecer-nos-ia. Aliás é essa a sua obrigação se assim fosse. Se, como me parece, essa incompatibilidade é de ordem pessoal, o caso acaba por terminar da mesma forma, uma vez que não se pode substituir o presidente pelo treinador. Isso porém não o eximirá da avaliação que se fará da sua actuação e das respectivas consequências.
O caminho fica ainda mais estreito
Até agora Bruno de Carvalho tem contado com uma elevada dose de tolerância e compreensão por parte da generalidade dos Sportinguistas na avaliação do seu trabalho. Esse estado de graça sofreu o primeiro mas visível abalo em Dezembro. O risco contido na insistência na mudança de treinador é porém muito elevado. Quem vier terá que fazer melhor, para que as perdas e danos associados se justifiquem, sob pena de ver a sua autoridade e competência colocadas em causa.
É possível fazer melhor?
É sempre possível fazer melhor. Da avaliação do que foi conseguido é notório que tanto a SAD como o treinador poderiam ter feito melhor. Isso tem sido aqui dito nas análises aos respectivos desempenhos. O que seguramente qualquer raciocínio equilibrado não vaticinará é que a culpa é apenas de um dos lados.
Que treinador então seria o ideal para o Sporting?
A resposta é fácil: um que ganhe. Como lá chegar é que é mais difícil. Um treinador renomado e com títulos é sempre a primeira tentação a apontar. Para lá do reconhecimento das nossas limitações financeiras o impedirem, e o imprescindível assentimento que a aleatoriedade do futebol continuará a ter, há que reconhecer também que dificilmente um treinador desse perfil aceitaria trabalhar no Sporting com as mesmas limitações que trabalharam Jardim e Marco Silva. E, talvez ainda mais importante, com as imposições feitas na constituição do plantel, sem que a sua palavra pudesse ser ouvida. Muito menos admitiriam que, depois disso, isto é, depois de lhe depositarem no treino jogadores que não pediu nem conhece, lhe venham chamar à atenção para resultados e exibições.
Daí a chegar ao nome de Santo António é um passo. Parece-me o treinador ideal para este momento do Sporting. Depois, ele está para chegar no próximo mês e é padroeiro de Lisboa. É um santo milagreiro, capaz por isso de multiplicar os nossos recursos de forma que seja mais fácil competir com os rivais mais gastadores.
Mas Santo António é sobretudo conhecido por ser um santo casamenteiro. Quem sabe ele não facilita uma união mais perene e harmoniosa entre o presidente e futuro (se vier, ou Marco Silva, se ficar) treinador. É que em dois anos um noivo já foi para o Mónaco e outro parece que já está a fazer as malas.