O que ficou de mais importante ficou da passagem de Jorge Jesus pela "gaiola das loucas".
Foi particularmente decepcionante o modelo escolhido pela SIC Noticias para entrevistar Jorge Jesus. Aquele formato não tem como finalidade informar os seus espectadores mas, eventualmente, proporcionar audiências. Só assim se percebe a presença estriónica de um Rodolfo, que continua tão caceteiro no discurso como o tinha sido dentro das quatros linhas. A presença dos restantes comentadores residentes mais as suas perguntas excessivamente discursivas - Manuel Fernandes que me perdoe - foram tão necessárias como uma orquestra num funeral. O que o público, em particular o Sportinguista, queria saber era o que pensa JJ e, isso, infelizmente foi-lhe poucas vezes permitido pelas constantes interrupções do raciocínio. Por vezes o programa, com a total colaboração do pivot, assemelhava-se mais a uma gaiola de loucas. Ficam ainda assim algumas afirmações importantes, a merecer destaque:
- "A prioridade é a Liga e o Play-off da Champions". É um pouco "lapalissiano" mas é um facto indesmentível que estas são as competições prioritárias. O título é o que é. A presença na CL é crucial para a afirmação do nome do Sporting bem como para o equilibrio financeiro que permita ao clube financiar a sua actividade.
- "Existe sintonia total com Bruno de Carvalho". Como é evidente outra coisa não seria de esperar quando o "casal" ainda se encontra em lua-de-mel. Este será contudo o ponto que concitará mais atenções, pois os anteriores treinadores viveram exactamente o mesmo estado de graça que, como se sabe, não foi duradouro. O êxito de JJ, de BdC e de todo o clube passa pela manutenção deste estado.
- "É um dossiê (aquisições) da responsabilidade do presidente. A minha palavra é determinante." Não se esperaria outra coisa. Não assistiremos, como nos anos transactos, à chegada de jogadores que o treinador não conhece, não quer, ou não reconhece categoria ou características para executar o seu modelo de jogo. Muitas das tensões perniciosas entre administração e treinador deixarão de ter lugar. Alguma expectativa para perceber o que, quando e o quê tem a administração da SAD a oferecer a JJ neste capítulo.
- "Se entender (BdC) que vai para o banco vai, ele é que decide". A questão de ir ou não ir para o banco foi desmistificada, pessoalmente nunca acreditei como uma imposição de JJ. Se tivesse sido e tivesse sido aceite BdC estaria a alienar toda e qualquer autoridade de que foi investido pelos sócios.
- "Importante é termos títulos, qualidade. Em três dias já consegui perceber que há qualidade." Ninguém discordará. A questão, que permanece do ano anterior, é se esta existe em quantidade suficiente para nos permitir lutar até ao fim pelo objectivo principal, o título de campeão nacional.
- "Por aquilo que conheço por fora, é normal que procuremos no máximo cinco e no mínimo três jogadores." A questão anterior está directamente relacionada com esta, uma vez que é crucial que os reforços o sejam efectivamente.
- "É um jogador com características para jogar mais. Não tenho dúvidas de que comigo vai jogar mais". Corresponde inteiramente ao que penso, parecendo-me que o seu endeusamento entre os adeptos tem sido um obstáculo ao seu crescimento. O mesmo se aplicará, por razões diversas, a vários outros jogadores.
- "Há dois jovens que de certeza vão fazer parte do plantel principal." Quem serão os eleitos, de entre os nomes de Chaby, Medeiros, Wallyson, Gauld, Rúbio, Matheus?
- "Capitão será o que eu vir que tem mais qualidade para isso". Por norma premeia-se a antiguidade, estou inteiramente de acordo que a braçadeira deve estar entregue a quem é capaz de liderar.
- "Ideia de jogo será a mesma ( que no SLB). O que define é o modelo treino, a ideia de
jogo e o modelo de jogador. Isso é que vai ser tudo meu, ideias minhas". Não será portanto o treinador a adaptar o seu modelo de jogo aos jogadores disponíveis mas o contrário. Poderão jogar os mesmos jogadores, colmatando as vagas de Cédric e Nani, mas com funções e articulação colectiva completamente diferente do que vimos até agora. Este será com certeza um dos desafios mais importantes de JJ e para o qual todas as atenções estarão viradas.
- Para lá de outras questões mais importantes ou acessórias não deixa de ser importante destacar que, na sequência do que já tinha deixado entrever no dia da apresentação, JJ sabe "quem é o Sporting". A Jorge Jesus não precisamos de lhe ensinar o essencial






