sexta-feira, 9 de setembro de 2016

De que vão à procura os 3 Grandes do futebol português?


Quando este post conhecer a luz faltará muito pouco para se reiniciar a Liga 16/17. Atendendo a que as primeiras jornadas foram jogadas ainda antes do composição definitiva dos plantéis, sou dos que acha que estará agora a começar um novo campeonato, pelo menos até o mercado poder ser novamente reaberto. Este é um post breve sobre o que vão os três grandes à procura neste campeonato, qual é o seu lugar de partida e um vaticínio sobre as suas possibilidades.

SLB: lutar pelo inédito e manutenção da hegemonia
Dos três grandes é o clube que mais títulos recolheu mas é o único que nunca conseguiu alcançar um tetra. Tendo celebrado recentemente o tri a ambição para o alcançar é mais que natural. Como campeão em titulo tem que ser tido como o principal candidato. Reparte com o FCP o número de títulos conquistados na década em curso, mas o facto de aos seus três títulos corresponderem os últimos três anos reforçam a sua candidatura.

É clara a sua aposta na manutenção da composição vencedora, com a manutenção da equipa técnica e da quase generalidade dos titulares. Regista como perdas relevantes Nico Gaitan e Renato Sanchez mas largamente compensadas em número: Carrillo, Cervi, Zivkovic, Danilo e Rafa serão os de quem mais se esperará. Se colectivamente o seu jogo continua a deixar algumas dúvidas, estes jogadores vão-se juntar a Jonas, Pizzi e Mitroglu reforçando a capacidade individual de arranjar soluções.

Pontos fortes: Muita qualidade individual à disposição do treinador. Muito poder de fogo, que tem sido capaz de conseguir golos em praticamente todos os jogos, permitindo quase sempre a vantagem inicial.

Pontos fracos: Jogo interior pouco trabalhado, o que só não tem trazido problemas uma vezes porque não tem encontrado oposição suficiente ou porque o tal poder fogo mitiga a falha.

Sporting, à procura do fim do travessia
É já longa travessia sem títulos, para já a segunda maior da história. Para encontrar a porta deste labirinto o Sporting sobe consecutivamente a parada na hora de apostar as fichas no campeonato. Do seu ponto de partida continua a estar muito próximo do rival, mantendo-se a perspectiva de uma luta ombro a ombro, à semelhança do que se verificou no campeonato passado.

A aposta na manutenção da equipa técnica revela que a confiança não foi abalada por um ano muito aquém do esperado no binómio títulos / esforço feito. Essa confiança advirá certamente do número de pontos alcançados e da qualidade do futebol jogado na Liga anterior, onde foi líder isolado um número muito apreciável de jornadas. 

Um numeroso rol de reforços, com vários nomes consagrados -  Bas Dost, Douglas, Elias - e outros promissores - Joel Campbell, André, Castaignos - parece ter pelo menos pensado nas soluções quer para as saídas de Slimani e João Mário, quer para a falta de soluções criativas e de banco. Somando a isto a ideia colectiva melhor trabalhada e operacionalizada pelo trabalho do treinador o mínimo que se pode dizer é que hoje é ainda mais candidato que era há um ano.

Pontos fortes: Continuidade do treinador e da generalidade da equipa anterior, apesar da importância de Slimani e João Mário.

Pontos fracos: A necessidade de reconstruir toda a frente de ataque sob um calendário apertado, sem pausas.

FCP, à procura do alma e do coração
Quem diria ainda há poucos anos que estaria a entrar na quarta época sem celebrar nenhum título? Quem pensava que a ausência de títulos não faz vacilar as convicções até dos mais experimentados tem aqui a prova do contrário. Basta olhar para o critério tão díspar na escolha dos treinadores dos últimos anos para perceber que o norte era encontrado com mais facilidade. Menosprezar o FCP pode ser um erro, mas parece ser dos três o que parte atrás.

A escolha de Nuno Espírito Santo revela, até pela coincidência do  nome, que cada vez mais se acredita em milagres, ao invés de um processo claro e bem definido. Isso é tudo que as equipas treinadas pelo seu actual treinador nunca revelaram. A aposta de cariz emocional num treinador com "escola Porto" é repetida na escolha do ponta-de-lança da casa, sem dúvida um jovem com um largo futuro à sua frente, mas que está a ser chamado a tamanha responsabilidade demasiado cedo. Um perfil bem diferente de todos os que, com muito sucesso desportivo e financeiro, o antecederam. Pedir aos vinte anos de André Silva o mesmo nível de eficácia, qualidade determinante para se ser campeão em Portugal, parece-me confiar demasiado na sorte.

O apelo às forças nortenhas feito há dias por Pinto da Costa não é apenas serôdio e em contraciclo com a modernidade da cidade Invicta, é também o pressentimento - ou assentimento? - de que a centralidade no futebol nacional está hoje completamente deslocada para a capital. Por culpas próprias e porque na vida tudo tem um principio e um fim.

Pontos fortes: Apesar de se notarem alguns desequilíbrios é inegável que continua a dispor de jogadores de grande qualidade nos diversos sectores, sendo que é a linha intermediária onde isso é mais evidente.

Pontos fracos: Para lá das dúvidas sobre o que poderá o treinador aportar à equipa, e do facto de ser o que tem menos tempo para consolidar ideias, fica a ideia de que o eixo da defesa e a reduzida escolha ao centro do ataque, que já vem do ano passado, podem vir a ser os principais problemas.

Relatório & Contas: quando "aqueles" 80 milhões tinham evitado o prejuízo


A SAD reportou à CMVM o relatório e contas do exercício de 2015/2016, fechado com um prejuízo de 31.905 milhões de euros. Não tendo havido tempo para uma leitura fina ficam as impressões gerais:

A mensagem do presidente do Conselho de Administração é aquilo que se pode chamar de um verdadeiro slalom serpenteante de "ses"  
- "se tivéssemos ido à Liga dos Campeões" / "se tivéssemos feito mais dois pontos" / se não tivéssemos que fazer a provisão do Rojo
e de subterfúgios 
- indo buscar atrás (negócio Rojo) e à frente (negócio Slimani e João Mário) afastando-se o foco que é o exercício em causa, onde se registam os prejuízos 
e algumas observações descontextualizadas 
-  como a referência aos resultados da selecção nacional
 e contraditórias
- dando como concluída a reestruturação e especialmente a recuperação financeiras quando ambas estão por concluir e logo num exercício marcado por um prejuízo significativo.
Só faltou referir que caso a tão famosa proposta de 80 milhões tivesse sido aceite o sinal do exercício teria sido inverso e os resultados desportivos os mesmos.

Ironia à parte, este exercício é acima de tudo um poderoso aviso. O tempo dos prejuízos voltou mais depressa do que se poderia imaginar. Não faltam matérias a merecer explicação convincente como, por exemplo
a razão para os 16,914 milhões de prejuízo sem o "efeito Rojo", 
o preço da operação de aquisição do Alan Ruiz (vale assim tanto?...) 
ou a subida vertical dos custos gerais e em particular dos custos com pessoal.
Quando se espera que no próximo exercício os gastos continuem a aumentar, o que deve ser explicado aos Sportinguistas é se este trajecto é sustentável e como, de preferência com números do próximo orçamento demonstrativos das receitas esperadas para sustentar o acréscimo das despesas.

Nota importante: Já depois da publicação do post ficamos a saber que o Sporting, numa iniciativa inédita e que se louva, entregou na CMVM um quadro detalhado onde se incluem informações detalhadas sobre as compras e empréstimos de jogadores efectuadas desde Janeiro.

Parece-me no entanto continuar por esclarecer qual a situação contratual de Bruno Paulista. O jogador originalmente tinha chegado por empréstimo do Recreativo de Caala (!), tendo ficado de ser adquirido em Janeiro. A aquisição chegou mesmo a ser anunciada [LINK] [LINK], não tendo sido objecto de qualquer comunicado a negar a transacção, para aparecer agora no rol das aquisições depois de Junho (com os meus agradecimentos ao @OArtistaDoDia) :

P.S. - a propósito deste mesmo tema recomendo a leitura deste post [LINK]

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Estará o "modelo Jesus" a acabar com o "modelo Sporting"?

O debate sobre as consequências das alterações produzidas pela chegada de Jorge Jesus ao Sporting está na ordem do dia mas quase sempre fomentado não pelas melhores razões. Como pano de fundo tem estado o ressabiamento provocado pelo final de uma relação mal resolvida entre o treinador e  o seu antigo clube. Jesus não parece esquecer e muito menos perdoar a forma como foi afastado. Do outro lado a surpresa pela decisão tomada pelo treinador continua ainda por digerir: pelos vistos não contaram que, ao invés de se deitar na cama que já lhe tinham feito, ele iria escolher o seu próprio caminho. O facto de ter "atravessado a estrada" é que funciona como agravo.

Como já todos "percebemos" Jorge Jesus apresta-se a fazer em fanicos a formação do Sporting tal como quase aconteceu com a formação no Seixal. Como "é claro" para todos, foi JJ que atou e enfiou num contentor uma série de jovens e promissores jogadores, à revelia dos dirigentes. Todos os bons jogadores contratados e valorizados nas cinco épocas foram obra da "estrutura", apesar da presença de Jesus. A força e a mestria dessa organização quase conseguiu evitar a perda de alguns campeonatos praticamente ganhos, bem como duas Ligas Europa, perdidos por demérito óbvio do treinador.

Enquanto eles se resolvem, olhemos para dentro de casa. A chegada de Jesus é vista pela generalidade dos adeptos como algo de importante, por muitos até decisivo para o crescimento competitivo da nossa equipa principal. O Sporting está há demasiado tempo afastado do titulo nacional e JJ parece ser o treinador indicado para conseguir por fim a esse hiato. Mesmo concordando com a ideia, tal não anula a necessidade de reflectir sobre as algumas opções tomadas,  por poder estar em causa um modelo no qual a generalidade dos Sportinguistas se revêm - a formação - e por ser cada vez mais consensual ser esse o modelo mais equilibrado para garantir a sustentabilidade da sua principal actividade, o futebol. 

Não adianta negar as evidências: o plantel do Sporting é hoje formado por menos jogadores da formação que no passado recente, numa alteração que já vinha do ano passado e que agora se consolida. Essa certeza parece recolher ainda mais significado quando se constata que não entrou para o actual plantel nenhum jogador da formação, todos os que dele fazem parte já dele constavam no ano passado. Acresce ainda diminuição do contingente oriundo da formação, com a saída de João Mário e André Martins.

Mas quer isso dizer que o Sporting deixou de apostar na formação como factor determinante para a formação do seu plantel? Tal não se pode concluir, se se considerar que oito desses jogadores (Patrício, Beto, Esgaio, Semedo, William, Adrien, Matheus e Gélson) são oriundos das nossas escolas, cinco deles são potenciais titulares e três deles o suporte identitário da equipa. E se é certo que um numeroso lote dos jogadores dispensados são produto "made in Alcochete" - Carlos Mané, Podence, Wallyson, Iuri Medeiros, Tobias Figueiredo, Carlos Mané, Geraldes, Filipe Chaby, Palhinha, Wallyson - todos eles mantêm ligação ao clube, embora Mané e Wallyson estejam já fora do nosso controlo, por termos prescindido do direito de opção em favor dos clubes onde agora militam.

Importa então perceber se as entradas de Joel Campbell, Bas Dost, Luc Castaignos, Douglas, Elias, Petrovic, Meli, André, Alan Ruiz, e Markovic põem em causa o modelo que vigorava anteriormente, ou significa pelo menos um mudança relevante. Afirmar, como ouvi e li, que o Sporting como clube formador estava extinto é manifestamente excessivo. A aposta na formação não só se mantém no imediato como continua a ser possível no curto médio / prazo. A questão aqui não é pois a  exequibilidade, mas está agora na vontade. O mais importante a perceber é qual é ideia de Jorge Jesus relativamente à aposta nos jogadores oriundos da Academia e até onde está disposta a SAD - leia-se Bruno de Carvalho  - a ir ou a deixar-se levar.

Aqui há que procurar analisar o passado de Jorge Jesus com justiça. O que ele fez até hoje em matéria de aposta na formação tem um valor relativo. Nenhum dos clubes por onde passou anteriormente possuía a identidade e qualidade que o Sporting hoje lhe oferece. Como treinador inteligente que é, ele não pode - ou não deve - ignorar esses valores. E cabe à direcção defendê-los e dizer ao treinador onde ficam as balizas e a linha de fundo.

Depois há que procurar perceber se a nossa tão famigerada "aposta na formação" tem sido um modelo executado com equilíbrio e aí a resposta óbvia parece-me negativa o que pode sair reforçado pelos resultados. Não porque a formação tenha falhado, mas sobretudo porque a capacidade/competência na hora de recrutar poucas nos tem valido. Paradoxalmente, têm sido os fiascos no recrutamento que têm "obrigado" aos jogadores da Academia a assumirem maiores responsabilidades, mais cedo, proporcionando-lhes assim a afirmação.

O que estamos agora a fazer com a aquisição de jogadores mais experientes e de valor confirmado parece-me mais adequado às ambições naturais do clube e que em nada obsta à aposta na formação. Como tentativas semelhantes já foram ensaiadas anteriormente sem sucesso, importa perceber se o que agora se está a fazer é o mais adequado, onde estão as nossas vulnerabilidades e onde os procedimentos são não apenas adequados mas também necessários. É isso que faremos num post a dedicado, com exemplos concretos.

Para finalizar, não gostaria que no futuro o Sporting se servisse de Jorge Jesus como álibi para justificar falhas que são exclusivas de quem tem que dirigir, como faz agora o nosso rival. Porque, se é certo que há futuro imediato para a nossa formação continuar a ser relevante na equipa principal, não é menos certo há indícios preocupantes - na equipa B principalmente, mas não só - sobre as consequências das muitas decisões tomadas num passado recente, onde o talento parece ter perdido importância para o peso, a altura e o resultado imediato e onde não se vê quem possa seguir no futuro o caminho trilhado por Adrien, João Mário, William, ou até mesmo Gélson ou Semedo.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

13 anos foi muito pouco

João Rocha tornou-se presidente do Sporting num dia sete de Setembro, completam-se hoje 43 anos. Foi o Sporting por causa do Sporting dele que me tornei Sportinguista pelo que aqui fica a minha homenagem, reeditando um post publicado em 10 de Junho de 2012:

João Rocha chegou ao Sporting num momento de profunda crise directiva, sem que ninguém quisesse assumir a presidência. O presidente Valadão Chagas havia sido eleito no dia  29 de Março de 1973 mas abandonaria o cargo no dia seguinte (!) à tomada de posse, 4 de Abril, em direcção ao governo de Marcelo Caetano, deixando na gestão interina o seu Vice-Presidente Manuel Nazareth. Este havia deixado bem claro que não tinha vontade nem ambição para o cargo. A crise estender-se-ia até Setembro desse ano, mais propriamente até  dia 7, quando João Rocha chega à presidência do clube.

Quando tomou posse João Rocha, que era até um sócio relativamente recente, de imediato revelou a ambição que o trazia: "Julgo que se deu uma nova tomada de consciência, um certo empolgar da alma colectiva. Fascina-me a ideia de erguer uma grande obra, apoiada por milhares ou milhões de pessoas e que possa representar uma viragem nos nossos clubes desportivos".  Palavras essas que seriam materializadas por inteiro nos 13 anos em que presidiu ao clube.

Foram nesses anos que o Sporting saiu da letargia em que se encontrava para dos pouco mais de 40 mil sócios chegar aos 130 mil. O período de João Rocha ficou assinalado por mais de 1200 títulos nacionais, 52 Taças de Portugal, 8 Taças dos Campeões Europeus de Corta-Mato, uma Taça dos Campeões Europeus, duas Taças das Taças, uma Taça CERS em Hóquei em Patins. O Sporting chegou a movimentar cerca de 15000 atletas em 22 modalidades! O nome do Sporting chegou a todo mundo quando Carlos Lopes ganhou a primeira medalha de ouro nuns Jogos Olímpicos. Entre 1981 e 1985 realizaram-se quatro(!) Congressos Leoninos, em Lisboa, no Rio de Janeiro, em Toronto e na Madeira e nos Açores! Pode-se dizer com propriedade que o Sporting viveu uma verdadeira refundação.

Uma marca da passagem de João Rocha pelo Sporting foi sempre a sua quase omnipresença junto das diversas equipas e atletas, fossem quais fossem as circunstâncias. Manuel Fernandes, o grande capitão, testemunhou-o, depois de lhe oferecer a sua camisola, quando em 1982 acabava de conquistar a dobradinha, vencendo a Taça de Portugal no Jamor: "O presidente merece. Tem-nos acompanhado nos bons e nos maus momentos, Quando perdemos vai às cabines e moraliza-nos: Chega inclusive a fazer-nos vento com a toalha...".

Foi no futebol que João Rocha conheceu mais dificuldades. Nos 13 anos de mandato ganhou apenas três Campeonatos Nacionais, três Taças de Portugal e uma Supertaça. A isso não será alheio o aparecimento de Pinto da Costa. Sustentado numa estratégia de quem percebeu que o futebol português suporta a muito custo a existência de mais de 2 grandes clubes, o ainda presidente do FCP elegeu como primeiro alvo o Sporting, contra quem foi travando as suas primeiras grandes batalhas. Ficou célebre a sua frase após mais uma acesa disputa com João Rocha: "enquanto eu for presidente o Sporting não voltará a ser campeão!". Hoje sabemos (como e porquê) que apenas por 2 vezes a sua vontade não foi cumprida.

Não se pense que apesar do indiscutível sucesso que João Rocha não conheceu oposição à sua passagem. Nesse âmbito foi estrepitosa e nem sempre de bom tom a disputa das eleições de 1982 com Marcelino de Brito. Como ficou célebre a crise provocada em 1980, em que desafiou uma oposição que moía mas não dava a cara, como se provou ao ter que concorrer sem adversários. Eram também muitas as suas queixas relativamente às dificuldades causadas pela falta de compreensão da tutela na resolução da sustentabilidade financeira dos clubes. Por isso dizia já há muito "É preciso redefinir o clube e encontrar uma filosofia que permita ao Sporting seguir em frente sem o perigo de fechar a porta."

O problema da sustentabilidade financeira era algo que já preocupava João Rocha desde a sua tomada de posse. Antecipando em muitas décadas as SAD´s, criou a Sociedade de Construções e Planeamento que em 9 de Março de 1974 emitiu 2.500.000 acções de valor nominal de 100 escudos. Esta, tal como todas as outras cotadas em bolsa, haviam de se esfumar passado pouco mais de um mês com o advento da revolução dos Cravos, em Abril de 1974.

Foi já cansado e doente que em 1986 João Rocha abandonaria a presidência do Sporting, abrindo um período em que, de forma paulatina e por vezes acelerada se foi desbaratando muito do que foi construído. Hoje, passados estes anos, ocorre-me que a saída de João Rocha nunca foi querida e muito menos preparada.

Não sei se João Rocha foi o melhor presidente de sempre do Sporting porque, nos seus recentemente celebrados 106 anos de vida, há muito da sua história que não foi vivida e testemunhada. Por isso não gostaria de cometer o habitual erro de paralaxe de quem observa a história separada por diferentes ângulos de observação. Mas João Rocha é hoje considerado, e com toda a justiça, um dos maiores presidentes da história do Sporting e ao seu tempo de presidência corresponde um dos períodos mais pujantes da nossa história.

É só novidades!

Markovic, Lazar de quem? 
Agora que um já foi e o outro já está do lado certo da Segunda Circular já o posso confessar abertamente: Nico Gaitan e Lazar Markovic foram os jogadores não nacionais que mais me encantaram nos últimos tempos. Ao sérvio infelizmente só tive oportunidade de ver um ano, antes da sua saída precipitada para Liverpool.

Confesso que, depois de ter visto Brendan Rodgers - chega de insultar Mourinho, considerando o irlandês seu discípulo -  a colocá-lo a defesa-direito preferi perder-lhe voluntariamente o rasto. Ao que parece o sérvio também terá passado ao lado do sucesso  no ano passado, com Vítor Pereira também na Turquia, saldando-se por uns magros 1.196 minutos de utilização em 24 aparições nas três competições em que o clube turco esteve envolvido. Lesões musculares recorrentes obstaram a maior participação.

Markovic, conseguindo resolver os seus problemas físicos, trará algo que muita falta nos fez no ano passado: velocidade de execução, capacidade de demolir linhas defensivas com acelerações vertiginosas com a bola controlada, abertura de espaços nas muralhas defensivas, complementada por uma definição letal na hora de assistir. No seu melhor, o sérvio trará o perfume do improviso do futebol de rua, que as linhas de montagem das academias têm forçado à extinção pela obsessão do controlo permanente de todos os momentos do jogo. 

Markovic pode ser a sorte de um treinador que o perceba e o azar dos restantes que tenham que o defrontar. Nesse lote obviamente se incluem os defesas que encontrará pela frente. Markovic pode ser um extremo, em qualquer dos lados, bem como jogar atrás do avançado de referência. Com ele e Campbell as transições para o ataque podem ter combinações tão improváveis e imprevisíveis como um mix de Goran Bregovic com ritmos calientes caribeños.

 O que nasce torto tarde ou nunca indireita
Tenho-me abstido de comentar a sequência de acontecimentos relativos aos processos movidos a ex-presidentes do processo. Tenho-me ficado pela vaga consideração de que se trata de um erro, parecendo-me que grande parte do que foi feito foi mal feito e tem tudo para correr mal, sobretudo ao clube. Do ponto de vista legal parece-me até uma aberração, com sucessivos atropelos de direitos e uma colecção de más práticas. 

É minha vontade ficar por aqui para já porque falar antes do tempo e contra a corrente tem custos e é especialmente desgastante. Mas não posso deixar de manifestar a minha incredulidade pela manchete do Jornal I, que julgo não demorar muito a ser desmentida. A ser verdade a convocação das claques para um pretenso "julgamento dos presidentes" estamos cada vez mais perto de nos parecermos com uma qualquer república das bananas e alvo de chacota. Isto é dar ideias a Nicholas Maduro!

Não se pense que a informação anterior é desdenhar das nossas claques, de quem sou admirador. Nem sequer vou discutir a legitimidade da preferência daqueles sobre outros sócios. Mas, a ser verdade, sugiro que se convoque o Conselho Leonino e o Conselho Fiscal para substituir as claques nas bancadas enquanto os elementos daquela se inteirem dos processos e assim se possa celebrar a disfuncionalidade como inovação. Espero que esta noticia seja apenas mais um expediente do referido jornal e vender mais uns clicks que, ao que parece, bem precisos são.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

"Somos candidatos a ganhar tudo em Portugal e queremos chegar aos oitavos da Champions"


Ficamos hoje a conhecer a segunda parte da entrevista de Jorge Jesus ao Record. Nela o nosso treinador é fiel à imagem que criou de si mesmo. O seu discurso permanece controverso, egocêntrico ou, se preferirem, com muito apreço pelo seu valor. 

Continuo a ver em Jorge Jesus o melhor treinador nacional. O seu modelo de jogo foi aprimorado com o tempo, hoje a vertigem pelo golo que lhe conhecemos da primeira época no SLB é temperada por uma organização defensiva que, quando todos correspondem, se assemelha a uma teia de aranha que primeiro atrai e depois sufoca o adversário: reduz o campo, reduz o espaço, as linhas de passe até obrigar o adversário a errar. Tudo isto sem perder a noção da componente lúdica que é o futebol de ataque, por oposição ao excessivo calculismo, que o futebol ganha-se com golos e que a melhor forma de os obter é desmontar o adversário pelo centro. Por isso continuo a pensar que a melhor medida do actual mandato de Bruno de Carvalho foi a sua contratação.

É hoje bem claro que o Sporting tem em Jesus não apenas um treinador mas sim um "manager". A palavra mais próxima em português que me ocorre é "gestor". Ou, se preferirem voltar ao inglês, um autêntico CEO. Jesus estende a sua importância para lá do campo e do balneário e assume responsabilidades também no recrutamento e na planificação. E se o Sporting precisava de um gestor especializado na área técnica!

Não havia ninguém na SAD que lhe pudesse igualar em conhecimento e quem se aproximava em experiência (Inácio) além de não ser compatível, não era propriamente conhecido pela excelência do seu curriculum ou propostas de modelo de jogo. Com justiça há que afirmar que o Sporting já havia conseguido a normalização dos seus resultados, mas ainda sem conseguir uma real demonstração de poder ser considerado um candidato real. Foi isso que JJ conseguiu logo na sua primeira época.
Parece-me evidente esta quase de carta branca que Bruno de Carvalho lhe entregou faz todo o sentido e que a presença de Jorge Jesus na cadeira de CEO deve ser aproveitada ao máximo pelo clube da mesma forma que o amor eterno: vai ser bom enquanto durar. Vejo apenas dois "pequenos problemas": 
  (i) o fim da relação para não ser traumático deve ser preparado, de preferência quanto antes pois, tal como JJ afirma na entrevista, é impossível prever o fim da actual relação. 

(ii) A relação com JJ será longe de ser fácil e os interesses dele nem sempre coincidirão com os do clube, pelo que não faltarão matérias que exigem negociação, cedências e recusas, tendo como objectivo a defesa dos interesses do clube.
Ninguém tem dúvidas mister. O que foi conseguido o ano passado foi realmente muito bom, tendo em conta a qualidade do plantel ao seu dispor. Se conseguíssemos os mesmo pontos este ano, tal como JJ afirma, quase garantidamente seríamos campeões. Como também é dito por JJ, na prática o seu trabalho foi feito com uma base de treze / catorze jogadores. Este ano essa base é alargada. Fica a dúvida se alargada na justa medida, tendo em conta o elevado número de jogadores disponíveis. Além dos custos inerentes, a gestão das expectativas de todos não será muito fácil. Se os jogadores querem é jogar, as competições que os motivam são as do campeonato nacional e competições europeias. Manter todos comprometidos com os objectivos colectivos, para lá dos pessoais será o grande desafio.
A definição dos objectivos da época surgem bem quantificados e parecem-me lógicos e obrigatórios. Sem arrogâncias, mas sem medos, o Sporting deve assumir de forma responsável e natural a sua candidatura ao titulo, bem como revelar ambição por algo mais do que passear na fase de grupos da Liga dos Campeões para de seguida ser empurrado para a Liga Europa.
O Sporting tem forçosamente que lutar não apenas um mas dois adversários na procura do titulo. Creio que essa luta seja a partir de uma determinada altura apenas a dois, desejando que o Sporting seja parte integrante. Vai ser uma luta dura e muitas vezes desleal, sobretudo a que se disputa nos gabinetes onde se tomam decisões. Espero que o Sporting se lembre dos erros do passado e tenha aprendido com eles. São os nossos próprios erros os que, estando nas nossas mãos prevenir e evitar, mais danos directos nos podem causar. A referência ao caso Luisão parece-me completamente descabida e fora do contexto. Isto sem querer dizer que ela não deva ser explorada, como qualquer outra fraqueza dos adversários.
A referência aos casos de arbitragem é feita de forma inteligente e com uma imagem genial que desmonta muita da argumentação habitualmente invocada por quem comenta a arbitragem, seja na televisão, seja nas redes sociais. Aliás, a minha convicção é que o tema arbitragem é geralmente invocado pelos que perdem pontos - já vimos o SLB e o FCP num autêntico vale de lágrimas este anos e estamos só na terceira jornada... - mas também dos que não gostam e não percebem nada de futebol, nem de como o jogo é jogado. Como JJ muito bem diz, os árbitros são muito teóricos, parecendo-me que o mesmo se aplica a todo o tipo de comentadores. O comentário está a tornar o futebol cada vez mais feio e irrespirável, sendo normalmente uma manifestação de ignorância, quando não de boçalidade.
Não é preciso alargar os comentários sobre esta frase. Fica apenas para memória futura e com o desejo óbvio que a profecia se cumpra.

domingo, 4 de setembro de 2016

Entrevista de Jorge Jesus: o que realmente importa

Da extensa entrevista de Jorge Jesus ao Record, da qual vimos ainda só a primeira parte, deixo abaixo algumas das matérias que me parecem ter mais relevância, seguida de comenrários meus. No final ainda algumas considerações avulsas, mas não menos importantes.

"Ao fim de um mês quis vir-me embora. Olhei para o que tinha e pensei: mas o que é isto?"

Esta revelação, apesar do seu carácter bombástico, não deverá surpreender ninguém. Quer a nível de plantel quer a nível da estrutura, o que Jesus encontrou em Alvalade é muito diferente do que hoje existe. E a nível da estrutura da SAD haverá ainda muito por fazer, porque não é com um estalar de dedos que se resolvem problemas que se foram instalando ao longo de anos.

Para que se perceba a diferença olhe-se para as aquisições feitas após o segundo lugar de Jardim, para atacar a Liga dos Campeões (Rosel, Paulo Oliveira, Tanaka, Sarr, Rábia, Jonathan, Slavchev, Geraldes, Héldon, Sacko, Nani, Ewerton) e a que (ainda com prudência pela incógnita do apuramento para Liga dos Campeões há um ano) e a que foi efectuada este ano. Sem dúvida que a chegada de Jorge Jesus representa um momento de viragem no futebol do Sporting.O acréscimo de qualidade é uma evidência consensual e os títulos, que paradoxalmente não chegaram no ano passado, são muito mais do que uma quimera.

"Hoje fala-se muito do plantel que o Sporting conseguiu construir. O inicio de tudo tem a ver com a valorização dos jogadores que já cá estavam. O inicio de tudo tem a ver com as transferências que o Sporting conseguiu fazer."

Sem dúvida que foram as transferências realizadas que permitiram alavancar  a ida ao mercado sobretudo por jogadores como Bas Dost, porque os outros são emprestados ou situam-se na linha de preços onde habitualmente o Sporting se movimenta. Talvez se possa considerar Alan Ruiz acima dos valores normais, mas estes já estava adquirido desde o final da época passada, muito antes das vendas estratosféricas deste final de Agosto. 

Jesus reclama para si os louros da valorização dos jogadores agora vendidos. Essa responsabilidade deve no entanto ser dividida pelo título europeu, que trouxe o foco sobre os nossos jogadores, e uma indiscutível habilidade negocial de Bruno de Carvalho, que soube perceber e aproveitar muito bem o momento do mercado, vendendo jogadores por um preço que talvez só ele julgasse possível. Aliás, são diversas as vezes que JJ recorre ao elogio para qualificar a acção de BdC no mercado.

Mas convenhamos que é relativamente fácil valorizar jogadores como João Mário e Islam Slimani. Falta agora a Jesus conseguir fazer o mesmo ao jogadores que adquiriu. Alan Ruiz, Petrovic - de quem o técnico diz ser capaz de nos surpreender - Paulista, Meli, André, Castaignos e especialmente Bas Dost, o jogador mais caro de sempre.

"Esta equipa tem uma cultura muito própria de identidade de Sporting, pois a grande maioria são jogadores formados na casa. Isso transporta-se para os que chegam."

"O Rui Patrício, Adrien e William já têm muito das minhas ideias. Se fossem transferidos não perderia  só o valor desportivo deles mas também o papel que desempenha"

Estas afirmações de Jorge Jesus são antes de mais um acto de justiça para os visados e não menos para a formação do clube, quando ainda se ouve muitas vezes a frase estafada que "é preciso formar jogadores mas também homens".

"Eu em dez meses contribuiu com quatro jogadores (da formação) neste plantel." 

"Paulista faz parte de um grupo de jogadores nos quais acredito muito para o futuro do Sporting. Podence, Iuri, Tobias, Geraldes, Palhinha"

A primeira nota vai para o esquecimento de Wallyson neste lote o que, por si só, explica quase tudo sobre a forma como a carreira do jogador foi gerida estes últimos dois anos. Segunda nota para o aviso a Iuri, a quem diz que só talento não chega. Neste lote Jesus inclui ainda Matheus, a quem nega estagnação e identifica como necessário trabalhar mais tempo sob sua orientação. Esgaio merece também referência especial, de quem o treinador estima poder ser o próximo lateral-direito titular.

Do meu ponto  de vista se é verdade que o número de jogadores incorporados nos últimos dois anos é bom e que desses metade (Gélson e Semedo) têm sido titulares e inclusive dos melhores, nenhum deles tem ainda consolidado o seu estatuto. A chegada de novos jogadores para as posições que ocupam e a gestão do tempo de jogo que lhes for concedido será determinante para a sua afirmação. Jesus não vê como negativa essa concorrência, no que tendo a concordar com ele. Tal como ele afirma também os jogadores não aprendem só com o que o treinador lhes ensina mas também com o que vêm os outros fazer nos jogos e nos treinos. E, obviamente que quanto maior for a concorrência e a exigência maior são as possibilidade de, com a devida entrega, haver evolução. 

"Era bom que me enganasse mas o Sporting perdeu dois pontas-de-lança mas os que chegaram não vão marcar tantos golos como a dupla anterior (Teo e Slimani).

É possível que Jesus tenha razão. Creio que num momento inicial, isto é nos compromissos de curto prazo, o Sporting exibirá muitas dificuldades pois tem uma frente de ataque completamente nova. Talvez possa jogar um pouco com a identidade linguística e cultural, com Castaignos e Dost, contando aí também com Ruiz, que jogou muitos anos na Holanda. Correndo bem, no médio prazo é natural que o modelo de JJ crie oportunidades suficientes para que a eficácia que a qualidade de Dost permite se torne notada. Com um perfil diferente de Slimani, as possibilidades de vermos mais apoios e triangulações ao centro, com jogadores como Campbell e Markovic serem chamados a finalizar são grandes. Creio mesmo que este ano, no computo geral, poderemos ter uma equipa mais goleadora que a anterior, mas com mais jogadores a finalizar.

Dispensei jogadores que não tinham valor para os objectivos e grandiosidade do Sporting.

Sei o nível que os jogadores devem ter para a exigência de um clube com esta dimensão.

Este é o melhor plantel do que aquele que encontrei, porque nessa altura era a camisola que estava a valorizar muitos dos que cá estavam e não o contrário.

Bas Dost? Ser o mais caro não lhe garante o lugar.

Trazer Markovic foi uma grande jogada.

Rafa não nos interessava.

Podence vai ser a surpresa

Nunca ameacei sair se Adrien fosse vendido.

A contratação de Elias não teve a ver com o processo de venda de Adrien.

Nunca pensei tirar a braçadeira (Adrien). Não são por estes motivos que um jogador meu deixa de ser capitão.

Se qualquer jogador, seja de que equipa for, tem contrato e diz que quer sair... Comigo não funciona assim

Presidente puxou ao máximo pelo preço do João Mário.

Sporting pode ter perdido qualidade no ataque posicional mas ganhou no contra-ataque



sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Adrien e a braçadeira

A continuidade de Adrien como capitão de equipa poderia estar posta em causa pelos recentes episódios neste fecho de mercado mas felizmente que nada mudará a este respeito. Embora considere que Adrien errou e foi infeliz ao trazer para os jornais algo que deveria ter resolvido de forma recatada, retirar-lhe a braçadeira equivaleria a uma punição que só se justificaria caso o jogador adoptasse uma posição de confrontação com o clube. 

A tomada de posição pública de ontem, onde o jogador reafirma o seu compromisso com o clube encerra da melhor forma o caso. Do erro cometido já Adrien foi suficientemente penalizado ao ser-lhe vedada a possibilidade de assumir um novo projecto onde beneficiaria de condições - financeiras e desportivas - que infelizmente o Sporting não lhe pode proporcionar. Acredito até que em condições de igualdade o jogador preferiria sempre continuar no clube em que cresceu, mas não é esse o caso. 

Desta forma o Sporting, tendo em conta as circunstâncias acima descritas, revela também bom senso e equilíbrio na decisão, preservando assim o bom ambiente no balneário, onde o foco, depois desde período diabólico transferências, deve voltar a estar nos jogos difíceis que aí vêm.

Nota: este é post número 3.000 deste blogue. 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Este já está ganho!

O Sporting foi o grande triunfador do campeonato das transferências que ontem encerrou. Foi o clube que mais dinheiro ganhou, que menos gastou e que - mais importante de tudo - melhor se reforçou. As duas primeiras afirmações são factualmente confirmáveis, a segunda, apesar da subjectividade inerente, está muito perto de recolher a unanimidade não apenas entre os Sportinguistas, mas estender-se à generalidade dos comentadores e adeptos rivais.

De que me lembre este é também um dos melhores, senão o mesmo o melhor, trabalhos realizados por uma direcção no reforço do plantel. Que rivalize com este a esse nível talvez só a época em que trocamos Horvath, MPenza e Spehar com Jardel, juntando o ponta-de-lança brasileiro a um lote de internacionais portugueses (Dimas, Rui Jorge, Beto, Vidigal, Pedro Barbosa, Paulo Bento, João Pinto, Quaresma, Sá Pinto) e estrangeiros (André Cruz, Prates, Niculae) com o resultado que se conhece: fomos campeões. 

No actual período há ainda a acrescentar um volume de vendas absolutamente extraordinário (76,7 milhões de euros) tendo conseguido o reforço da equipa com cerca de um terço desse valor, embora se deva assinalar que constituiu compromissos para o futuro que não surgem ainda contabilizados, como é o caso de Meli. Ainda assim foi aqui também o clube triunfador, como se pode ver no quadro acima.

Este trabalho de excelência é naturalmente visto com entusiasmo pelos adeptos, mas este não deve ser substituído pela euforia e muito menos pela arrogância. Os seus efeitos são semelhantes à da embriaguez: toldam os raciocínios. O Sporting ficou mais forte, sem dúvida mas não ganhou nada ainda que não seja um campeonato que não conta para quase nada. E o campeonato que vai recomeçar será difícil, contará com adversários igualmente fortes e não nos será colocado no colo. Contraímos, isso sim, enormes responsabilidades desportivas e económico-financeiras.

As responsabilidades desportivas são as de sempre: a nível interno o Sporting está obrigado sempre a ganhar. Na minha perspectiva, depois de se ter reforçado com a qualidade com que o fez, e resolvendo pelo menos de forma aparente algumas das suas fragilidades tornou-se no principal candidato. Assumir isso não significa o menosprezo das demais candidaturas.

A nível externo, não existindo a obrigação de ganhar títulos, o elevado nível de investimento e massa salarial obriga a olhar para a Liga dos Campeões com maior ambição que a tida no ano passado. A falta de sorte no sorteio empurra-nos para fora da competição em termos teóricos, mas continuamos incumbidos de tentar. Nesse trajecto, se as exibições forem vistosas granjeamos prestigio e promovemos jogadores, o que nos permitirá permanecer no carrocel, que agora entramos, dos clubes que fazem grandes negócios. Pelo meio é importante realizar receita não só com a bilhética mas também a que resulta da conquista de pontos pois, com o plantel que temos, a continuidade na Liga Europa deve ser vista como objectivo.

Do ponto de vista financeiro são enormes os desafios e as responsabilidades. A massa salarial do actual plantel deve ter ficado perigosamente num nível muito aproximado - se não o excede - do das receitas ordinárias. Até Janeiro jogar-se-á, de forma umbilicalmente ligada com os resultados desportivos, muito do destino dos resultados económicos da época. A sustentabilidade financeira estará agora sob maior pressão seguramente, pelo que a gestão tem de ser ainda mais criteriosa. 

Como mais uma vez se comprova "o petróleo de Alvalade" são as mais valias realizadas com a venda de jogadores. E aqui há sinais mistos que convém estar atento: 

- Acréscimo considerável de jogadores de jogadores de "idade avançada", que dificilmente poderão render, mas cujos honorários estão no topo da folha de pagamentos. 

- Acréscimo considerável do número de jogadores sob contrato.

- O risco de descaracterização do que é a imagem de marca do clube e da qual os seus adeptos tanto se orgulham, que são os jogadores da casa, por sinal as que mais procura continuam a ter.

Ainda no âmbito económico fica a menção a uma boa noticia dada como se fosse de cariz negativo: a obrigação do Sporting em reembolsar os credores em determinado valor percentual das receitas obtidas com a venda de jogadores. Ora é aqui precisamente que o Sporting pode dar um grande impulso e até mudar a relação de forças relativas entre os grandes do futebol português. Se uma parte substancial dos proveitos agora obtidos forem encaminhados para o abate da dívida o Sporting está a reduzir automaticamente o serviço da divida, podendo assim libertar mais dinheiro para investir, invertendo o circulo vicioso dos últimos anos - desde sempre, no que é igualado pelos seus rivais - e transformando-o num ciclo potencialmente virtuoso.

Ao contrário de todo o spin e  aparências, os nossos rivais também estão estrangulados pelos compromissos com os bancos e demais credores. Se o Sporting conseguir ser o primeiro a fazer esta inversão, mantendo-se competitivo, pode estar a lançar as bases de uma nova hegemonia no futebol português. Uma ambição que requer estratégia para lá da gestão do dia corrente actualmente praticada e que obriga também a um reforma estrutural do clube. Um tema interessante, mas que não cabe hoje aqui.

Creio que este será o cunho distintivo da actual época: um clube saído de uma das suas mais profundas crises à procura da recuperação do seu prestigio, que finalmente inscreve o seu nome no campeonato indispensável campeonato dos proveitos económicos significativos. Os resultados conseguidos terão efeitos determinantes e que se repercutirão tanto no imediato, como no médio / médio, longo prazo. Precisamos de sorte, mas também de muito rigor. Não faltam exemplos na nossa história de grandes e auspiciosos passos que, pelas mais variadas razões, redundaram em amargos dissabores.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Honra àquele cujo nome nunca aparecerá numa transferência

No tempo das transferências milionárias, das quebras de juras de amor eterno, dos ídolos decepcionantes, dos mercenários e traficantes, fica a minha homenagem a um homem invulgar, pelo amor a um clube, a uma cidade e e fidelidade incondicional aos adeptos que sempre o idolatraram. Fuck the modern football!

Roma rappresenta la mia famiglia, i miei amici, la gente che amo. Roma è il mare, le montagne, i monumenti. 

Roma, ovviamente, è anche i romani.

Roma è il giallo e il rosso.

Roma, per me, è il mondo.

Questo Club e questa città sono stati la mia vita.

Sempre.

Para ler tudo aqui [link]

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Adrien, Jorge Mendes e outras teorias da conspiração. Elias (sim, leu bem) de regresso


Dificilmente a novela Adrien conhecerá o seu final quando expirar o tempo de transferências para os principais campeonatos europeus. A declaração do jogador ao jornal "O Jogo", seguidas das do seu pai e representante, deixarão marcas no relacionamento entre o jogador, dirigentes e adeptos. Neste processo, essa é talvez a única falha a imputar ao jogador, mas é uma incorreção de gravidade elevada, atendendo à sua condição de capitão. 

Mas é também um erro estratégico por trazer para a área pública uma matéria que deve ser tratada na esfera privada. Dessa forma o jogador deixou a SAD encostada à parede, mas avaliou mal o lado para o qual a espada ficava virada. É que, tendo ele renovado o contrato recentemente até 2020, tornando-se num dos jogadores mais bem pagos do futebol português, se continuar a rota de colisão, ele será o mais atingido pelas consequências. Pelo menos as imediatas.

Não sei qual a veracidade das alegações de Adrien e dos seus representantes relativamente a um acordo de cavalheiros estabelecido com o presidente que permitiria a sua saída por um valor a rondar os vinte e cinco milhões de euros. A este propósito só posso dizer que é igualmente mau prometer algo que não se tenciona cumprir até às últimas consequências como um rasgar um contrato que se assinou de livre vontade. 

Quanto à vontade de Adrien em abandonar o clube, lamento. Mas antes de o condenar tento perceber o que faria no seu lugar, mas não consigo desligar totalmente o meu kit de adepto. E aqui a questão é estritamente profissional, onde a emoção do adepto comum não entra. E, nessa conformidade, quem é que pode assegurar que se manteria inabalável perante a possibilidade de duplicar ou triplicar os seus rendimentos, ainda por cima com a idade de reforma a desenhar-se  no horizonte? Esta pergunta não tem como destinatários aqueles que se apressam a responder, deixando vir a cima os instintos mais primários e justicialistas.

A pergunta que se impõe nesta altura deste raciocínio é o que deveria o clube fazer? Ceder às pretensões do atleta, invocando o valor da cláusula como referência para um acordo? Ou pura e simplesmente não considerar a possibilidade de efectivação de qualquer negócio, em qualquer circunstância?

Infelizmente o clube não está em posição de negociar sem em simultâneo ter assegurada a substituição do jogador com a preponderância do nosso capitão, fragilidade que resulta de uma evidente falha de planeamento. Não apenas por não ter previsto como natural o aliciamento de um dos seus valores mais fulgentes depois da época realizada, mas por não ter aproveitado o defeso para prever a possibilidade de uma lesão ou abaixamento de forma. E se o jogador se lesiona gravemente no próximo jogo da selecção? 

Desportivamente é claro que a saída de Adrien significaria um golpe profundo na estratégia delineada para a actual época. Não se trataria da saída de apenas um jogador mas de dois, porque se associa à segunda no mesmo sector (João Mário). É aqui que a teoria conspiração ganha forma, com a "Jorge Mendes conection". O nome do empresário apareceu associado ao leilão do jogador no Mónaco, por ocasião do sorteio da Liga dos Campeões. 

O empresário perdeu os jogadores que tinha no clube, por indicação clara da direcção do clube. À possibilidade de ajuste de contas acresce a ligação ao nosso rival de estimação como "encarregado de negócios". Que momento seria o ideal para desferir um golpe profundo nas nossas aspirações que este, quando o tempo de reacção é tão limitado para substituir jogadores com a relevância de Adrien (e porque não de outros...) ?

Não sabemos como tudo isto vai terminar, mas é bem evidente que, qualquer que seja o desfecho, o amplo sorriso esboçado após a justa vitória no clássico depressa amareleceu com a entrevista de Adrien. A questão agora é saber como conter os danos. Vender o jogador, procurar rapidamente a sua substituição ou esperar que o tempo e os foco nos compromissos atenuem a acrimónia do jogador? É uma resposta que fico feliz não ter obrigação de dar. A possibilidade de, qualquer que ela seja, revelar um cenário desfavorável ao clube é grande.

Vender o jogador significa o encaixe de um valor significativo, provavelmente mais um excelente negócio, com um valor financeiro inflacionado relativamente ao valor técnico do atleta. Porém o risco de deixar um buraco aberto para fechar no meio campo no imediato, comprometendo a resposta da equipa é grande. Isto mesmo acertando no valor do substituto, porque as rotinas não descem dos céus como a chuva de inverno.

O risco de ficar com o jogador e este responder mal - hipótese que só coloco de forma académica - ou este se incompatibilizar com dirigentes e/ou treinador, acabando o clube por não realizar dinheiro, perdendo na mesma um activo técnico e económico elevado também pode suceder. A hipótese de incompatibilidade com os adeptos só coloco na eventualidade de a equipa se afastar dos bons resultados que todos estamos à espera. Esperança ainda mais justificada com este começo vitorioso conseguindo num ambiente de indefinição e incerteza sobre a constituição final do plantel, pelo menos até ao final do ano.

Entretanto parece que Elias está de volta. Ok, feche lá a boca de espanto.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O primeiro campeonato está ganho, falta todo o resto (onde se fala de Adrien, obviamente)

Quando foi conhecido o resultado do sorteio do campeonato, ressaltou de imediato à vista que o Sporting teria pela frente um primeiro campeonato para vencer. O campeonato das três primeiras jornadas, que culminava no clássico que ontem venceu de forma categórica. Desta forma o Sporting tornou-se no primeiro líder isolado do campeonato, cumprindo as suas obrigações: ganhar os seus jogos, aproveitando o deslize do campeão em título e obrigando o FCP a dobrar-se sob o peso da derrota no clássico.

O campeonato que se iniciará com a disputa da quarta jornada poderá ser outro completamente diferente. Isto porque os plantéis que jogaram este "primeiro campeonato" podem sofrer alterações estruturais que afectem a sua resposta competitiva, e isso pode suceder em qualquer dos sentidos. Isto é, não é certo que as alterações que se venham a verificar resultem na melhora dos plantéis e na sua competitividade. E aqui obviamente que é o Sporting o que mais pode vir a perder, por força do apetite que os seus melhores jogadores despertaram no mercado.

Falaremos mais adiante sobre Bas Dost e Castagnos e, porque lhe estão umbilicalmente ligados, de Slimani, obviamente. Mas é de onde menos se falou toda a janela de transferências que surge aquilo que mais temia: o interesse em Adrien. Confesso que já estranhava que não houvesse interesse declarado no nosso capitão, depois de um ano em grande nível, rematado por um Europeu onde a sua participação foi determinante.

Sobre as declarações produzidas, embora se possa considerar que elas eram desnecessárias, e que pretendem constituir alguma pressão na decisão, deve ser assinalado o tom elevado e respeitoso para como clube, presidente, treinador e adeptos. À altura do lugar de capitão, cuja braçadeira não me parece ter ficado manchada.

Sobre a intenção de Adrien, devo também dizer que o compreendo. Pela idade e pelos valores envolvidos - que podem representar um resto de vida confortável do ponto de vista financeiro para ele e respectiva familia - é perfeitamente natural e humanamente compreensível que Adrien se sinta compelido a aceitar a mudança. 

E depois há outra questão - a da equidade - que se desenhou imediatamente com a saída de João Mário e que certamente também precipitou a vontade de Slimani, de Adrien e outros que vamos ouvir falar até ao final de quarta-feira: "se a ele é permitido melhorar a sua vida porque não a mim?".

Aos responsáveis do Sporting caberá defender os interesses do clube. Aos jogadores compreender e se possível aceitar essas decisões. O clube não pode deixar a sua equipa ser amputada da sua espinha dorsal e, mesmo com dinheiro em caixa, sem tempo para suprir as ausências. É com essa pressão que jogam os clubes mais ricos como o Leicester, oferecendo tudo aos jogadores, desestabilizando-os, tentando por outro lado, pagar o menos possível aos clubes. 

A tudo isto assiste impávida e serena a UEFA, que ainda se apresta, com a alterações que pretende introduzir na Liga dos Campeões, a tornar cada vez mais fundo e intransponível o fosso entre os muito ricos e todos os demais.

sábado, 27 de agosto de 2016

O que eu não gosto no "Negócio João Mário"

O que eu não gosto no negócio do João Mário:

- A escolha do clube. Tenho o João Mário como um jogador inteligente e a escolha (que julgo ter sido dele) surpreende-me. Quer o clube, quer a Liga. Começando pela última, a Liga Italiana já viveu melhores dias no que diz respeito à qualidade do jogo praticado e isso é claro no reconhecimento interno e externo. O mesmo se pode aplicar ao clube, o Inter, cujo treinador também me oferece muitas dúvidas (pelo menos o que me foi dado observar no jogo da última jornada). 

Isto porque os jogadores formados por nós levam o nosso nome com eles e o seu sucesso tem sido dos factores que maior reconhecimento tem granjeado ao clube, sobretudo à falta de sucesso desportivo. São muitas vezes escolhas precipitadas ou mesmo erradas que obstam ao sucesso dos jogadores mais dotados, como é o caso de João Mário. Esperemos obviamente que tal não venha a suceder e que João Mário encontre no clube que escolheu o espaço necessário para a sua afirmação.

Já para o clube o negócio efectuado com o Inter é de enorme relevância. O valor conseguido era absolutamente irrecusável e é um feito enorme e importante não apenas no que isso significará para as finanças do clube - a percepção é óbvia - mas também no que representa para a nossa competitividade: o Sporting consegue ver o seu nome no mesmo patamar que o dos seus rivais no que a receitas de vendas de jogadores diz respeito, algo semelhante ao que já tinha sucedido com a negociação dos direitos televisivos. Mais do que irrepreensível este negócio merece os nossos melhores elogios. 

Obviamente que custa sempre perder os melhores, sobretudo quando eles são da casa, como era o caso de João Mário. Ainda por cima um grande jogador e um menino que se fez um homem deste calibre: (retirado do Facebook de João Mário)

Por onde começar.. 14 anos maravilhosos que não vou esquecer aconteça o que acontecer! Neste momento só me vem à cabeça a palavra agradecimento. Agradecimento ao Sporting por tudo o que fez por mim. Comecei como qualquer criança que chega à academia e sonha em chegar à equipa principal, passando por vários anos numa formação única. Desde o primeiro dia soube que tinha feito a escolha certa e agradecer a todas as pessoas sem excepção que fizeram parte desta história. Desde toda a direcção, todos os treinadores que tive, todas as pessoas que trabalhei durante anos na academia, o meu MUITO OBRIGADO! Ficarão todos no meu coração, assim como todos os sportinguistas pelo carinho que sempre me deram e toda a admiração. A partir de hoje sou mais um adepto a torcer pelo @sportingclubedeportugal e começa já amanhã! Obrigado ao @inter por esta oportunidade e por todo o carinho que tiveram comigo durante esta jornada. Ansioso por começar.

Mas são receitas como as hoje conseguidas que tornam possíveis quer a sustentabilidade económica quer a manutenção e crescimento das ambições. Não menos importante é o que esta venda representa para um clube formador e para os jogadores que nessa condição militam nos nosso quadros: não é preciso sair do Sporting para se poder aceder posteriormente às grandes ligas europeias, uma ambição legitima de qualquer profissional.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Sorteio da Liga dos Campeões: há que cair no Real

Ai e tal, que azar, calhou-nos um grupo tão dificil! Quem diz isto depois de ter a possibilidade de ver jogar o Real Madrid de Cristiano Ronaldo e o entusiasmante Ballspiel-Verein Borussia 1909 e. V. Dortmund de Thomas Tuchel (e de Weindenfeler, Subotic, Rafael Guerreiro (sim, pois...), Gotze, Reus e Aubemeyang) não merece mais do que ficar condenado a assistir aos sorteios da Taça da Liga e respectivos jogos em estado vazio, em noites de inverno sem fim. Vamos cair no Real Madrid, no Signal Iduna Park (e sem menosprezar o Légia!) cheios de moral e sem receios, fazer tudo o que pudermos para reclamar o lugar que nos pertence: entre os grandes da Europa.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Da contratação de André a Douglas: "o risco é a minha profissão"

Se tudo correr dentro da normalidade (o que é isso em futebol?...) André e Douglas serão anunciados em breve como jogadores do Sporting para as próximas épocas. Douglas é já um sonho antigo, há muito falado como possível aquisição, desde que se cruzou connosco, e impressionou, jogava ainda no Twente, da Holanda. André já "toda a gente conhece" desde que o seu nome saltou para as primeiras dos jornais e os "torcedores" do Corinthians invadiram a página do clube "recomendando a sua aquisição.

André: aprender com os erros e mudar de nome*
Com a implacabilidade que as caracteriza, as redes sociais já julgaram André de forma sumária e inapelável. Já todos o conhecem como se tivessem partilhado a carteira na escola, o espaço no recreio, a cama e a mesa. Também me associei às brincadeiras que resultaram de um incidente em que o jogador foi apanhado a dormir num sofá de discoteca. O que provavelmente foi um episódio sem repetição, tornou-se num filme sobre a sua vida. E o facto de ter a folha manchada por actos de indisciplina adensaram uma fama pouco recomendável, muito porque os golos se começaram a tornar mais incertos.

Agora que o jogador pertence aos nossos quadros é a hora de virar as páginas já escritas até a uma folha em branco. Até porque o percurso dele não se resume apenas  ao falhanço do último episódio vivido no "Timão". O seu aparecimento fulgurante no Santos rendeu-lhe a chamada à selecção brasileira ainda muito jovem. A má gestão da carreira, com uma saída demasiado precoce para a Ucrânia (Dínamo de Kiev) atirou-o para um percurso cheio de zig-zags e altos e baixos.

Sem dúvida que o Sporting está a arriscar muito ao adquirir André, com a agravante de se tratar de uma aquisição cara (e apenas 50% do passe), e transitar imediatamente para o topo da folha salarial. O que certamente Jorge Jesus (o verdadeiro mentor da aquisição) vai à procura no jogador é do potencial revelado quando ele tinha por companhia Neymar, Ganso e Robinho. Se o jogador mantiver intactas as suas qualidades e com o volume (e com a indispensável qualidade, obviamente) de jogo atacante que a nossa equipa consegue habitualmente criar o André pode muito bem perder o apelido "Balada" para, correndo bem, adquirir um novo: "André Bolada(s)". Assim ele tenha aprendido com os erros.

Douglas: trocar um "certinho" por habitualmente mais "certo"
Devo confessar que, nesta altura, o centro da defesa seria o último sector a merecer o direito a nova aquisição. Já as laterais, especialmente a esquerda, deveriam estar no topo das prioridades. Há aqui também algum risco ao ir buscar Douglas e deixar sair Naldo (e eventualmente também Ewerton ou Paulo Oliveira) um género de central "arroz com feijão": certinho,confiável, não inventa. O que Jesus certamente procura nesta troca é um jogador mais capaz não só a defender, mas que assuma também um papel preponderante no inicio da construção de jogo. 

*O caso de André merece também uma atenção por parte dos adeptos. Se contasse apenas a opinião geral e do momento, por exemplo o Acosta nunca teria feito a segunda época em Alvalade. E o "coxo"do Elias, depois de ter saído do Sporting, nunca mais voltaria a jogar na selecção.


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Relativamente ao poder dos nossos adversários, estamos avisados

Começo desde já por saudar, sem ironia, o apuramento do FCP para a Liga dos Campeões. Somos declaradamente rivais mas no percurso europeu une-nos um interesse comum: além do prestigio do futebol português, quanto mais pontuarmos mais possibilidades temos de nos vermos incluídos no pote dos milhões. E como nunca sabemos em que lugar podemos ficar no final do campeonato.

Por coincidência seremos nós, o Sporting, a testar o novo FCP de Nuno Espírito Santo, cujas primeiras indicações deixam antever uma equipa mais competitiva do que tem conseguido ser nos últimos anos. Pelo menos ao nível da moral é de esperar um adversário mais forte do que aquele que defrontamos no ano passado. Antevejo um embate difícil, até porque os primeiros jogos deram indicação de não estarmos ainda na plenitude das nossas qualidades.

Já o nosso rival do outro lado da estrada, continuará seguramente forte dentro de campo, pelo menos assim que regresse Jonas. Para já fora dele, continua na liderança: a pressão feita após o jogo já rendeu dividendos. Ao despejar na jarra o nome de Manuel Oliveira - o mesmo se aplica ao árbitro do jogo FCP - Estoril... - o árbitro do empate ante o Setúbal, o Conselho de Arbitragem "emite um comunicado" bem claro: não há tolerância para os erros dos árbitros nos jogos com o SLB se este não ganhar. 

Nota: Como alguém lembrava hoje, o jogo Roma - FCP registou mais cartões vermelhos para os da casa do que em toda a época passada para o actual campeão nacional.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Ver desde Paços a necessidade de contratar Campbell

O Sporting cumpriu os mínimos olímpicos na viagem a Paços de Ferreira: arrecadou a totalidade dos pontos em disputa, como lhe convinha e, apesar da falta de melhores adereços técnicos, deixou ficar a imagem de uma equipa totalmente focada na tarefa que tinha a desempenhar. Os campeonatos são como a construção dos mais lustrosos edifícios: não há nada de muito glorioso na abertura dos caboucos - como certamente não há em ganhar em Paços - mas sem eles ou com uma má execução é todo o edifício que fica em causa ( o titulo). 

A primeira nota sobre o jogo fica para a consolidação do processo defensivo. É certo que Marítimo e Paços não têm o poder de fogo dos adversários com quem terçamos argumentos na pré-época, mas falar-se em consolidação nesta matéria não me parece excessivo: Rui Patrício foi quase um espectador, não sendo obrigado a nenhuma defesa de grau de dificuldade elevado.

É natural, quando se fala em processo defensivo, que os holofotes se centrem no quarteto que o compõe. Aí ressalta do acerto geral a exibição imperial de Coates, sem um único erro ou mera hesitação. Porém avaliar uma equipa de forma sectorial, como se estivéssemos a falar de recipientes estanques, seria profundamente errado. Defender bem começa no exacto momento em que se perde a bola e na forma como a equipa se encontra organizada para responder. E, se é verdade que ainda há varias coisas a apurar, quer na forma e no momento em que se perde a bola quer como se responde, a reacção à perda foi uma dos momentos em que notou maior progressos. Aí é impossível ignorar o contributo da presença e particularmente o desempenho de Adrien nessa apreciação. Um capitão, um exemplo, um farol.

Onde se nota ainda atrasos é no processo ofensivo. Obviamente que a ausência de João Mário pode ser considerada como um factor de um certo retrocesso, a que deve ser acrescido da maior competência do adversário de sábado. Não foi por isso por acaso que, no final do jogo, Jorge Jesus avançou com a ideia de ainda serem necessários mais dois ou três reforços para a linha da frente. Um deles estava nesse momento a ser contratado: Joel Campbel.

Esta é uma contratação algo surpreendente, tendo em conta o valor do jogador, o seu potencial ainda (por cumprir, é certo) e a sua origem num campeonato onde habitualmente não se vai às compras mas sim vender. Um processo semelhante ao de Coates, que já gera dividendos e que deveria fazer pensar sempre na hora de reforçar a equipa, que não é o mesmo que apenas adquirir. Há ainda uma outra vantagem a enunciar: a idade. Por exemplo, comparando com Teo, que não foi nada barato. Comparando com o colombiano, Campbell não é só um "jovem lobo" à procura de afirmação, como é um jogador com mercado alargado. Ao contrário de Teo que, além de da idade, trazia consigo uma fama pouco recomendável para quem tem que assinar os cheques.

Detecto apenas dois inconvenientes nesta chegada: não haver opção de compra (se há, não foi anunciada), a que acresce o facto de sempre que haja um jogo da selecção da Costa Rica termos dois jogadores (Ruiz e Campbel) de quem muito se espera forçados a viajar longas horas. Pode entrar aqui também alguma desconfiança sobre o valor do jogador, pelo facto de não ter ainda triunfado. Se o tivesse feito não o poderíamos ter contratado. 

Por outro lado assacar apenas ao próprio a responsabilidade do fracasso parece-me excessivo por ignorar as circunstâncias em que ocorre: a impossibilidade de ser inscrito aquando da sua chegada ao Arsenal obrigou-o a sucessivos empréstimos numa idade ainda muito jovem e, quando finalmente o foi, encontrou sempre muito trânsito na concorrência: Ramsey, Chamberlain, Welbeck, Wilshere e Walcot. 

Pois se há alguma coisa que sabemos desde o ano passado e que se acentua cada vez que vemos jogar o Sporting  é que temos uma equipa muito bem trabalhada mas sem grande capacidade de improviso e explosão no último terço. Foi um pouco isso que se sentiu em Paços de Ferreira - com a dupla Ruiz muito sem jogar mal mas sem nada de relevante a assinalar - e é aqui que Campbel entraria como água em terra seca. Campbel é um criativo que tanto poderá jogar nas alas como atrás do ponta-de-lança. Sem lhe poder exigir tackles ou perseguições "caninas" a defender, é um jogador que apresenta uma clara evolução nesta matéria. 

É forte, consegue mudar de ritmo com facilidade, alguma imprevisibilidade, boa visão de jogo capacidade de passe, bem como remate colocado e potente. Talvez precise de controlar um pouco da impetuosidade que o faz muitas vezes repetir más decisões. Ou de confiar mais no seu talento, na hora de escolher entre correr desenfreadamente paralelo à linha ou recorrer aos apoios para progredir por zonas mais interiores. Estou em crer que a sua contratação é uma boa decisão e que estamos na presença de um dos nomes mais cantados na bancada na próxima época.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Saraivadas: o que são e para que servem?


As mensagens do novo director de comunicação começaram por ser apelidadas por “saraivadas” pelos adeptos nas redes sociais, para agora serem perfilhadas pelo próprio. A escolha do nome não é inocente, uma grande maioria das informações publicadas dirigem-se quase sempre para alguém ou instituição exterior ao clube, sendo notório um tom agressivo ou pelo hostil. Entre os alvos preferenciais têm estado os jornais e jornalistas, os empresários e particularmente o nosso eterno rival, o SLB. Ao fim e ao cabo, nada de muito substancial muda assim na comunicação do clube, muda-se apenas o protagonista. Sendo bom que o presidente do clube se resguarde, mantêm-se os potenciais danos na imagem institucional.

No que diz respeito aos órgão de comunicação e jornalistas mantém-se alguma esquizofrenia. Por um lado queixamo-nos de tratamento desigual, por outro lado hostilizamos os jornalistas e as suas entidades empregadoras. É óbvio que as diferenças de tratamento existem, há porém que considerar que os lóbis e interesses instalados não se esfumam como os anticiclones. Era altura de avaliar se esta estratégia está a produzir os resultados pretendidos, isto depois de termos visto já uma multitude de protagonistas e “responsáveis” nomeados pela actual gestão. Pois, o que parece, pelo menos à primeira vista, é que o tratamento dado não mudou, pode-se até pensar que em alguns casos até piorou.  

No que ao peso institucional diz respeito, é claro que o Sporting está há muitos anos atrás dos seus rivais. O mesmo se poderia dizer por exemplo no marketing e outros dossiers. É daí que resultam as diferenças de tratamento nos órgãos de comunicação social, o que creio ter sido agravado nos últimos tempos pela constante gritaria, insultos e rasgar de vestes de uma grande parte dos adeptos que ganharam voz com as redes sociais. Na sua sabedoria, o povo costuma dizer que não se apanham moscas com vinagre e enquanto for este o tom do discurso institucional manter-se-á ou até se agravará o dos adeptos. O risco da imagem do "clube simpático", mas pouco respeitado e ineficiente, ser substituído pela ideia de um grupo de "chatos" e muitas vezes mal educados é grande, se não sucedeu já.

Ninguém está à espera que Nuno Saraiva consiga no pouco tempo que tem na sua "cadeira de sonho" aquilo que há muito foi negligenciado pelo clube. Mas não é com bicadas ao rival, hostilização de órgãos de comunicação social e jornalistas, (seus colegas de profissão) que justificará a presença do seu nome na folha de salários mensal. O que o clube precisa - e é para isso que se contrata um director de comunicação - é que ele consiga abrir canais onde seja possível passar a ideia que o clube pretende transmitir de si mesmo e que o tirem do isolamento em que caiu, o que certamente agrada sobremaneira aos rivais.

Enquanto esses objectivos não são alcançados, porque não se refugia no "back to basics", isto é, breefings diários ou outra periocidade que se justifique, dando conta do que de relevante aconteceu no âmbito da SAD, atalhando assim as parangonas e os rumores? Até porque grande parte das suas mensagens são sobretudo dirigidas para dentro, para os adeptos, procurando a afirmação de uma imagem de autoridade, o que é praticamente indiferente no exterior, onde mais do que a retórica contam os factos.

No mesmo plano está a relação com os empresários. Faz sentido recriminar publicamente alguém com quem num par de horas mais adiante se tem que se sentar obrigatoriamente a negociar? Os negócios ficaram mais fáceis com esta linha de actuação? Se ficaram, e pelo que se vai vendo, a imagem que resulta é precisamente a oposta.

Por último, a armadilha bem montada na qual caímos que nem patinhos, que é esta atracção permanente pelo que dizem e fazem os nossos rivais, o SLB. Não faz qualquer sentido um director de comunicação rebaixar-se ao nível das marionetas que LFV colocou nas televisões. Muito menos faz dar relevo e publicitar um individuo que nem se sabe muito bem quem é. Aliás, o próprio Saraiva reconhece, na sua comunicação recente, o fraco valor dos programas de televisão onde os "megafones de LFV" pontuam, caindo depois na contradição de os desmentir. 

Desta forma, enquanto os rivais reservam a comunicação institucional para o que realmente interessa, que é a promoção da respectiva marca, onde nos levam muitos anos de vantagem, vemos o nosso director de comunicação admitir que tem que andar como uma barata tonta - "a comunicação do Benfica tem vários directores e aqui vejo-me numa luta desigual, pois tenho de responder a todos eles" - caindo no erro crasso de reconhecer como homólogos figuras secundárias. O natural era promover figuras iguais em programas semelhantes, se tal parecesse realmente importante. 

Este ajoelhar ao nível rasteiro dos paineleiros tem seguramente custos para a imagem do clube. Pior ainda, obriga o clube a andar a reboque da agenda benfiquista, numa atitude permanentemente reactiva, negligenciando assim a afirmação da sua própria agenda de matérias e interesses. Esta é a tal armadilha de que acima falava. Claro que é muito mais fácil ficar à frente da televisão ou atento ao próximo post no Facebook à espera que uma qualquer das referidas abéculas se pronuncie. Muito mais difícil é ter ideias e afirmá-las. Desta forma por mais que "saraive", o melhor que consegue é que tudo fique na mesma como a lesma, transformando a sua cadeira de sonho num mero assento temporário e irrelevante.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Mas depois como era de costume, obedeci ... algumas ideias soltas estruturadas numa construção que faz sentido.

Algumas ideias sobre o futebol português ao longo da ditadura, na sequência duma coisa que já não me lembro o que é: o regime ditatorial não ajudou clubes de futebol a ganhar ou perder, e se ajudou não é uma influência demonstrada por resultados. No pós 25 de Abril, em Portugal, o Benfica continuou a ganhar e durante o «Estado Novo» o futebol português viu diferentes clubes ocupar em diferentes décadas o 1º lugar no pódio de futebol: ao nível de Sporting anos 40 e 50, Fernando Peyroteo, Cândido de Oliveira, Szabo, Violinos, onde na planta dos campeonatos o clube exerceu um domínio avassalador. Ainda no «Estado Novo», anos 30, uma década de equilíbrio com Sporting, Belenenses, SLB e FCP em bom plano e sobre a época hegemónica do SLB, 1960's, diz-me o bom-senso que foi alicerçada numa equipa onde pontificaram Eusébio, Coluna, Simões e demais.

Não estou familiarizado com o tema futebol/ditadura, mas se tivesse de avançar algumas ideias sem grande desenvolvimento, fá-lo-ia do seguinte modo:

Plano 1
. são prováveis intervenções pontuais do «regime» na actividade
.. Eusébio foi uma mas deverão ter existido outras.
. o «regime» ter-se-á aproveitado do futebol para (própria) promoção, ou dele terá retirado proveitos ao nível de como se relacionou intelectual e emocionalmente com o seu povo, sendo por isso que parte importante da massa adepta do Benfica é hoje constituída por pessoas muito idosas educadas por capas de jornais, revistas, clichés escutados na TV, conversas de esquina, cartazes e falsas ideias de que a pujança do seu país e império, Portugal, estava de alguma forma dependente do Eusébio e do Benfica. Estou a brincar.

Plano 2
. fora da esfera «regime», enquanto sistema planeado de prossecução de uma política, concebo de forma natural que agentes munidos de poder tê-lo-ão utilizado para interferir com a actividade (futebol), não significando tal que tivesse existido uma política do «regime» para o futebol, em modos de um declarado ou oculto beneficio aos clubes A, B ou C.

Exemplos:
1) a decisão de não deixar Eusébio sair para Itália resultou (imagino) de um processo de «regime» - deliberação 300% política, planeada, pensada.
2) o actor / intérprete / director / agente que pelo poder advindo da sua posição influenciasse os assuntos A ou B, não seria (imagino) instruído pelo «regime» para fazê-lo. Fá-lo-ia, provavelmente, por própria iniciativa.

Estes 2 planos são totalmente diferentes e têm de ser separados.

Plano 3, e mais importante
. fora da esfera «regime» e fora da esfera «agentes do regime», clubes, o que eram, foram, são, natureza, pessoas que no passado e hoje fizeram / são deles parte, vocação, filosofia e conduta: os clubes distinguem-se a este nível quando a vocação e actividade principal dum clube como o Sporting foi sempre desportiva. Nos anos 10, 20, 30, 40, 50, 60 e 70 e 80 o Sporting foi sempre o clube português que mais desporto deu a Portugal. A sua orientação e preocupação dessa órbita nunca se desviaram.

Para o SLB, como exemplo, já não é assim: é um clube mais superficial, sem relevante vocação desportiva olhada a forma como se deveria integrar no tecido social a que pertence e a tender de igual modo para a dependência de imagem e status, e uma organização com natural propensão para o exercício do mal, algo que o Sporting nos dias de hoje tenta estranhamente (com sucesso) imitar.

Não andará muito longe deste o retrato (na minha opinião) preciso da realidade.

Por último, importaria perceber que embora Héctor Yazalde tivesse a 19 de Maio de 1974 pontapeado a ditadura primeiro para canto e mais tarde para as bancadas, os ditadores proliferam. Da mais pequena à maior área das nossas vidas a ditadura prolifera. Daí, não se deixem enganar porque o fiel e único «povo» que interessa tanto aos Sporting como Portugal é aquele em sintonia com o clube de José Alvalade, que não é necessariamente o clube que vamos tendo há 30 ou mais anos, um «povo» que não se hierarquiza por classes, não se diferencia pelo poder económico, não se divide por rural ou litoral, não tem cor nem nacionalidade, mas um «povo» que se senta em todas as mesas, percorre todos os lugares, desempenha todas as profissões, fala todas as línguas, diferenciando-se pela honestidade do seu espírito, pela espécie dos seus ossos, pelos atributos do seu coração e pela delicadeza dos seus sentimentos.

É este o meu Sporting, um que levo comigo para qualquer lugar.
O resto são assuntos pequenos que requerem atenção.

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