Como o vídeo pode matar o futebol ou como arruinar uma ideia imprescindível
Nota: Não tem nada a ver com desporto (nem com o tema do post) mas tem a ver com a vida e sem vida não há desporto. A imagem que ilustra o post (da autoria de Pedro Brás, dos BV de Tondela) é a minha singela homenagem aqueles que dão melhor da sua vida para que a nossa seja melhor. Não há palavras suficientes para exprimir a minha gratidão.
O tema do post é o vídeo-árbitro (VAR) com cuja introdução estou completamente de acordo, entendendo até que peca já por tardia. Mas, após os primeiros exemplos práticos, ressalta a necessidade de uma melhor articulação entre todos os intervenientes e de medidas complementares, para que a implementação da medida tenha o sucesso necessário e não possa ser aproveitada por aqueles que vivem na sombra da mentira e na manipulação de verdade desportiva.
Celeridade: A actuação do VAR deve ser o mais célere possível, de forma a evitar que o jogo prossiga e este tenha desenvolvimentos com potencial para alterar o resultado do jogo. O exemplo do nosso golo anulado ontem (que foi bem anulado) mas cujo tempo decorrido entre o fora-de-de-jogo e a obtenção do golo acabou por ser elevado para que se percebesse o motivo da anulação.
Transparência: A necessidade de transparência na utilização do VAR é determinante para o seu sucesso. Para isso é necessário que os intervenientes directos percebam o que está a acontecer. Ora, como as imagens permitiram observar, é muito duvidoso que os jogadores tivessem ficado completamente inteirados da justiça da decisão. Se tal aconteceu com os jogadores e treinadores, o que terá sucedido com os espectadores e jornalistas e todos os presentes, elementos indispensáveis ao sucesso do futebol?
Medidas complementares: À medida que vai decorrendo a sua utilização, mais casos surgirão que obrigarão à tomada de medidas complementares que potenciem o seu sucesso, para que os "velhos do restelo" e parasitas que vivem dos "enganos" não matem o VAR à nascença. Temo que o imobilismo e o interesse em continuar a dominar e ter uma palavra activa nas decisões dos jogos nos bastidores, (mas que só deveria acontecer nos relvados) por parte de quem deveria regular (FIFA, UEFA, etc.) contribua para a instalação de um sentimento de aversão a uma medida que potencia a verdade desportiva.
Dentro dessas medidas o tempo de jogo é fundamental. A discussão à volta de uma regulamentação diferente da actual sobre o tempo de jogo já decorre há muito. As interrupções que o VAR imporá vêm diminuir ainda mais o tempo útil do jogo, associando-se a outras, como lesões e sobretudo ao anti-jogo. Mais tarde ou mais cedo as tradicionais duas metades com 45 minutos de jogo terão que dar lugar ao tempo útil, quer no interesse do espectáculo, quer mesmo na importância que este terá para a própria verdade desportiva e interesse do espectáculo. Eventualmente 30 minutos de jogo útil em cada parte parece-me ser um bom ponto de partida para essa discussão.


























