Sporting 2 - Mónaco 1: Leão confortável com Jardim do Mónaco
O Sporting regressou a casa, após o estágio na Suiça. E aquilo que se havia por lá tinha deixado algumas dúvidas e muitos receios, particularmente do resultado pela opção de construir uma defesa nova em torno da permanência de Coates. Nesse sentido pode-se dizer que o jogo permitiu pelo menos perceber que há razões para reduzir os níveis de pessimismo, devendo ser levado em linha de conta o poder de fogo do Mónaco. E mesmo o facto de termos voltado a sofrer um golo não pode ser excessivamente valorizado, atendendo que ele resultou de um oferta individual. Quem sabe Tobias quis, em nosso nome, presentear Leonardo Jardim, agradecendo-lhe o tempo que esteve connosco...
O onze inicial serviu para revelar algumas das ideias principais de Jorge Jesus para um Sporting sem Adrien e William, do que resultou um sentimento misto. À luz do que se pode ver neste momento a saída de Adrien estaria razoavelmente coberta pela chegada de Bruno Fernandes. Embora de características e estilos diferentes entre eles, não parece que a equipa oscilaria muito. Já em relação a William o caso muda de figura, e parece que o próprio fez questão de nos demonstrar isso ontem, especialmente. Que entrada e que contraste com tudo o que tínhamos visto até ali por Battaglia, sendo quase certo que estaríamos a dizer o mesmo se a opção tivesse recaído em Petrovic.
Neste momento não tenho dúvidas em reafirmar algo que tinha dito aqui há dias: o Sporting, com as opções que tem neste momento à disposição, ficará mais fraco caso se confirmem as saídas destes dois jogadores. Perante a saída de Adrien, Bruno Fernandes tem já uma candidatura sólida. E com o necessário substituto à altura (para que as ausências tenham cobertura), mas cujo nome não vou pronunciar, não vá JJ ler isto aqui por acaso...
O caso de William será contudo o que mais condicionará o nosso jogo, ou obrigará JJ a procurar outras soluções que devolvam à equipa a qualidade de soluções (sobretudo a construir, ligar sectores e quebrar linhas à sua frente) que ele oferece. Battaglia até poderá oferecer melhor sentido posicional a defender mas não mais do que isso. É claramente um jogador de transporte, não de descobrir linhas de passe. Algumas delas até parece que só William conhecer...
De salientar o bom jogo de Acuña que, pelo pouco tempo que tem, nem deve ainda saber os nomes de todos os colegas. Mas de bola parece perceber ele, confirmando algumas das sensações que havia deixado ainda na Argentina: bom pé esquerdo e sentido de equipa que será determinante para uma boa integração e adaptação europeias. Aquele pé esquerdo parece capaz de meter muitas (a)cuñas na renovação do titulo de melhor marcador de Dost. Grande sociedade em perspectiva.
Falando de integração dou dois passos atrás, voltando ao sector recuado, merecendo duas notas de tom diferente: O francês Mathieu deu mostras de maior integração e entendimento com Coates e Coentrão mas ainda longe do que espera de um jogador com a sua experiência, curriculum e origem. Já Piccini apenas acentua a cada jogo que passa as mais variadas interrogações sobre as razões da sua contratação. Jesus ganhou fama de conseguir fazer grandes e surpreendentes adaptações. Esta, a acontecer, será das mais surpreendentes, conseguir adaptar um lateral direito mediocre a... lateral direito razoável.
Uma surpresa negativa foi Doumbia, que se espera tenha resultado de um mau momento de forma, como JJ justificou no final do jogo. Contei pelo menos seis (!) fora-de-jogo no pouco tempo que esteve em campo. Se já eram muitas as minhas dúvidas sobre as características deste jogador face ao nosso campeonato e sobre a possibilidade de interacção com Bas Dost, junta-se agora uma outra: para que queremos um jogador experiente, quase veterano, a comportar-se como de um jovem inexperiente se tratasse perante a armadilha do fora-de-jogo?
Nota alta para os regressos em grande nível, dado o pouco tempo de trabalho, de Patrício (falta só o jogo com os pés..) e Gélson. Ao que parece até com novo repertório de fintas e reviengas, tendo a presença na selecção reforçado a confiança ao ponto de pisar terrenos que habitualmente evita, como quem anuncia que falta pouco para ser tudo dele.
Vem aí agora o Guimarães, jogo que considero de maior importância do que este para avaliação do verdadeiro estado da arte da nossa máquina no que ao mais importante desafio temos pela frente: o campeonato nacional.




























