quarta-feira, 28 de março de 2018

Afinal, neste bate-boca, quem sai a fazer figura de labrego?

Comunicado do Sp. Braga relativamente ao pagamento da tranche em divida por Rodrigo Battaglia:

"SC Braga, SAD recebeu na tarde desta terça-feira uma transferência da Sporting Clube de Portugal, SAD no valor de 707.132,22€. Tal quantia só pode ser reveladora de uma de duas coisas: um equívoco ou uma trafulhice.

Conhecendo, porém, a postura do Sporting em todo este processo, a conclusão a registar é que o seu responsável máximo ordenou mais uma manobra de diversão, denunciadora da chico-espertice de quem a pratica.

Importa esclarecer, pois, que o valor a transferir para a SC Braga, SAD seria de 828.083,76€, compreendendo já a dedução do crédito detido pela LACO e cedido à Sporting SAD, a compensar na prestação (1 milhão de euros) que vencia a 15 de Fevereiro de 2018.

Verifica-se que o Sporting se arrogou a descontar a quantia de 120.951,44€, o que inclui até a antecipação de saldos não vencidos do mecanismo de solidariedade relativos às transferências dos jogadores Pedro Santos (3.084€ + IVA a pagar por esta sociedade a 1 de maio) e Rui Fonte (66.642€ + IVA a pagar por esta sociedade a 20 de julho), registando-se a curiosidade de esta parcela ser já posterior à terceira tranche relativa à transferência de Battaglia (1 milhão de euros), que o Sporting terá de liquidar a 20 de junho.

Por mais irónico e rebuscado que seja, um embuste nunca passará de um embuste: antecipar a cobrança de um valor que só vence após uma parcela a que a Sporting, SAD está obrigada é ilustrativo da má-fé com que uma das partes está em todo este processo, envergonha a instituição e envergonha os seus competentes profissionais, que se limitaram a executar a contabilidade criativa do seu Presidente.

Expondo os factos para conhecimento público, a SC Braga, SAD dá seguimento à denúncia que já encaminhou para as instâncias próprias. Hoje mesmo reportámos o caso à Federação Portuguesa de Futebol, evidenciando as práticas cometidas, reveladoras do caráter de quem é incapaz de respeitar os seus compromissos.

A SC Braga, SAD retira de tais comportamentos as devidas ilações e repudia-os de forma veemente, por entender que são indignos do respeito institucional que deve nortear o relacionamento entre todas as coletividades desportivas.

A Administração da SC Braga, SAD."

Na resposta Bruno de Carvalho escreveu no Facebook:

"És um labrego, trolha e aldrabão!
Já não te consigo aturar! Vai mandar no G15 e aproveita e vai...
Idiota, aldrabão... Adoras ser o Presidente do benfica b...
Agora faz mais um comunicado...", escreveu Bruno de Carvalho."

Afinal, neste bate-boca, quem sai a fazer figura de labrego?

Entretanto joga-se este sábado em Braga o Braga-Sporting e desde anteontem, quando tudo isto começou, as noticias relativas à operação "e-toupeira" ou desapareceram ou passaram para segundo plano...

terça-feira, 27 de março de 2018

Dividas & Dividas, Lda.

Esta semana são já várias as noticias que dão conta de pretensas dividas do Sporting. Primeiro ao Braga, por causa da transferência de Battaglia, mais propriamente da segunda tranche. Depois ao Racing de Avellaneda, respeitante à segunda prestação do passe de Acuña. Depois, vozes a sair do esgoto habitual davam conta de ordenados em atraso no futebol feminino, o que já foi hoje desmentido pela Rita Fontemanha.

Devo dizer que nada destas noticias me impressionam ou preocupam particularmente. Qualquer comum mortal, mesmo sem grandes responsabilidades, sabe das dificuldades que as empresas atravessam pontualmente e que estão relacionados com os fluxos de caixa. Muitas vezes basta uma falha a montante para se precipitarem outras que vão comprometer pagamentos aprazados com credores. 

Mesmo atrasos pontuais com atletas, mesmo que indesejáveis, não representarão grandes problemas, desde que devidamente explicados. Preocupante, isso sim, seriam as falhas nos ordenados dos funcionários gerais, cujo vencimento é muitas vezes insuficiente para cobrir o número de dias do mês com contas para pagar. Ou se as falhas se acumulassem, não respeitando os prazos e saltando de exercício em exercício financeiro. Tendo o Sporting realizado um grande esforço na pausa de inverno, não surpreenderia de todo que possa haver agora dificuldades.

O que eu não gosto é que o Sporting ande a dar mais uma vez protagonismo ao Salvador. Ele sabe que não é a trocar títulos de jornais com os clubes do seu tamanho que se torna maior, como ele ambiciona. 

E o contrário também é verdade. Não é por descer ao patamar do Salvador que o Sporting honra a sua imagem de grande. Muito menos quando ainda por cima parece que a razão nem nos assistia (a divida terá sido hoje saldada [LINK]) e ainda dá azo ao Salvador de pensar que nos pode dar lições [LINK]. E depois disto ainda nos admiramos de não ter quorum para as nossas propostas na LIGA...

segunda-feira, 26 de março de 2018

Patrocinador: o aviso está dado

Neste passado fim-de-semana, Miguel Almeida, o presidente executivo do principal patrocinador da LIGA, e que também é o nosso, deu uma entrevista ao jornal Expresso.  A parte em que se referiu ao produto que patrocina é diminuta porém a mensagem é bem clara. Há desapontamento e desilusão e a possibilidade de se perderem as importantes verbas que oferece é uma realidade que tem que começar a ser trabalhada. Falta saber a quem mais interessaria o patrocínio, sabendo-se como se sabe que empresas com dimensão económica e prestígio para o fazer escasseiam na nossa economia. O aviso está feito e os destinatários são os clubes,, os respectivos dirigentes bem como os seus congéneres dos organismos que deveriam ordenar e regular o futebol.


(Expresso)A guerra de conteúdos começou em dezembro de 2015 com os acordos de transmissão dos jogos de futebol. Pagaram demasiado aos clubes?

Os contratos têm tipicamente 10 anos, alguns já começaram, outros só começam na próxima época, é arriscado estar a fazer balanços. Neste momento, em Portugal e internacionalmente, ao contrário do que pensam alguns agentes de futebol, não existe procura para suportar estes custos.

(Expresso)Pagaram, então, demasiado…

Não há procura hoje, mas acredito que a atractividade do produto vai aumentar, criando mais público interno e externo.

(Expresso)Os contratos podem ser renegociados?

São contratos a 10 anos e uma renegociação está fora de questão.

(Expresso)Querem continuar a patrocinar a Liga de Futebol?

Renovámos no ano passado o acordo com a Liga até à época 2020/2021 e vamos levá-lo até ao fim.
Se me perguntam se estamos satisfeitos com o estado do produto que temos estado a promover, não estamos. Acredito que ninguém com interesses no futebol, sejam económicos sejam desportivos, possa dizer que está satisfeito com o estado actual das coisas.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Bruno de Carvalho, 5 anos de um líder a quem falta um título

O JN produz hoje uma peça alusiva aos cinco anos de mandato de Bruno de Carvalho, com o titulo de capa que titula o post. Esta é a sua reprodução:

Foi há cinco anos que decorreu o acto eleitoral que viria a ser ganho por Bruno de Carvalho, o 42 º presidente da história do Sporting. Para trás ficaram José Couceiro, o segundo mais votado, e Carlos Severino.

De lá para cá tudo mudou no Sporting. Clube e SAD passaram a ter uma exigência como há muito não se via em Alvalade. E a renegociação da dívida com o Novo Banco e Millenium BCP deu um novo fôlego à sociedade verde e branca. Depois de um período em que o cinto apertou muito, actualmente vive-se em Alvalade um momento de bonança fruto do contrato com a NOS (515 milhõesde euros a serem pagos até 2028) e da gestão rigorosa com a venda de jogadores como Slimani, João Mário ou Adrien Silva.

Entretanto, o leão investiu para ganhar já. Jorge Jesus é dos treinadores mais bem pagos do mundo (oito milhões de salário anual) e contratações têm sido feitas para o imediato - só Bas Dost custou 12 milhões. Já foi conquistada uma Taça de Portugal (ainda com Marco Silva), uma Taça da Liga e uma Supertaça. O campeonato escapa. 

quarta-feira, 21 de março de 2018

Bruno de Carvalho: 5 anos, 50 frases

Na próxima sexta-feira completam-se 5 anos de presidência de Bruno de Carvalho. O DN fez uma selecção de 50 frases compiladas desse período:

"Hoje renova-se e retoma-se o Sporting Clube de Portugal." Cerimónia de posse, 27-03-2013

"Em 15 dias de trabalho, temos feito um trabalho faraónico." 10-04-2013

"O Sporting não é dado a fruta, não conhece muito de frutas, mas há uma coisa de que temos a certeza absoluta: não somos bananas." 25-05-2013

"Quando cheguei [ao Sporting], havia duas coisas de raiz: uma negociação do PER [Plano Especial de Revitalização] e um conjunto de papéis, folhinhas Excel bonitas equilibradas, mas de nada." Expresso, 29-06-2013

"Espero que o Sporting seja recebido no ambiente mais hostil possível no Dragão." SportTV, 16-09-2013

"Se há coisa de que as pessoas podem ter medo é de continuar a brincar com o Sporting. Isso não admito a ninguém. Quem quiser correr este caminho connosco, conte comigo. Agora, não contem comigo para me transformar numa verdadeira besta do futebol nacional." 15-11-2013

"Para resolver os problemas de Portugal basta tirar o vermelho da bandeira nacional." 24-11-2013

"Não sentimos pressão, não há nenhuma pressão de modo nenhum. É, sim, cansativo para o presidente, dirigentes, treinador e jogadores estar sempre a ouvir a perguntar se somos candidatos ao título ou não." 10-12-2013

"[Pinto da Costa] anda irritado pelo facto de ter de olhar para cima [na classificação da I Liga de futebol]." 18-01-2014

"Vamos ver se realmente nos deixam, pelo menos, atingir o segundo lugar, já que não nos deixam atingir o primeiro." 10-03-2014

"Tenho pena de que [Einstein] não tenha conhecido Pinto da Costa e a comitiva que o acompanha. Porque em vez de falar em universo e estupidez, falaria de uma frase célebre de um treinador português: um vintém é um vintém e um labrego é um labrego." Rádio Renascença, 19-03-2014

"Não acredito na justiça desportiva (...). O FC Porto utilizou durante largos anos práticas pouco recomendáveis." TVI24, 27-03-2014

"Entre algo fisiológico como o ânus, ou sai vento malcheiroso ou trampa. E é disto que o futebol português está cheio por dentro e por fora: trampa." 04-06-2014

"Foi uma vergonha haver uma decisão [do Conselho de Disciplina da federação de ilibar o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, num dos processos do caso 'Apito Final'] sobre quem quer tornar-se um santo. Há um presidente de um clube que pode ser canonizado, porque o seu cadastro deve estar mais limpo do que o Tide." 25-09-2014

"Chegou a altura de agir e acabar com o monstro em que se transformaram os fundos de jogadores de futebol." BBC World Football Show, 03-10-2014

"Eu sou assim, os outros são hipócritas. Os outros são rufias, às vezes não se enxergam e a idade não lhes dá vergonha. Ter de aturar este tipo de rufias que tive de aturar há pouco tempo, com as suas atitudes... Estou a referir-me ao comportamento do presidente do FC Porto em Alvalade." Sporting TV, 03-10-2014

"[A receção no Estádio do Dragão] Não vai ser diferente porque foi mau desde a primeira vez. Se calhar, a justiça e o desporto estão à espera que alguém morra para finalmente agirem. Espero que não seja o meu caso." 08-10-2014

"Uma das grandes vantagens do Sporting é que se chama Sporting Clube de Portugal (...). Nós representamos Portugal, os outros representam províncias ou bairros." 09-10-2014

"Vivemos numa década do 'limpinho, limpinho', em que a verdade não é aquilo que toda gente procura, em que muitos tentam chegar onde não podem. O Sporting não compactua com o 'limpinho, limpinho'." 01-11-2014

"Luís Filipe Vieira sofre de egocentrismo agudo e quando for grande quer ser o futuro papa do futebol português." Facebook, 14-02-2015

"Em termos de gestão, o Sporting, em dois anos, conquistou a Liga dos Campeões e foi campeão nacional." Diário de Notícias, 27-03-2015

"Jorge Jesus [no Sporting]? Estou focado nos dois jogos que nos faltam para o fim da época, em Marco Silva e no nosso plantel. Mas também lhe digo que o Cristiano Ronaldo e o Messi seriam bem-vindos no Sporting, de caretas." 21-05-2015

"Ao trabalhar com Marco Silva, vi-me involuntariamente envolvido num conjunto de episódios em que este demonstrou, no nosso entendimento, falta de respeito para com o clube e para com a estrutura que com ele trabalhava." Comunicado, 05-06-2015

"Anuncio formalmente a contratação de Jorge Jesus como treinador principal do nosso clube. E começo revelando a única garantia que o nosso novo treinador me exigiu: vir treinar o clube do seu coração." 05-06-2015

"Para fazerem mal ao Sporting, primeiro vão ter de me matar." A Bola, 29-06-2015

"Caro Mr. Burns [João Gabriel, então diretor de comunicação do Benfica], se é guerra que quer, é guerra que terá. Vá chamando o seu exército de falsas 'virgens ofendidas' e 'dinossauros esquecidos'." Facebook, 18-08-2015

"Não caiam no mito urbano dos seis milhões de adeptos do Benfica. Eles são 4,5 milhões, nós 3,5 milhões e temos quase tantos sócios como eles." 27-09-2015

"Disseram-nos que esta é uma prenda que oferecem aos quatro árbitros, aos dois delegados e a um observador por jogo. Portanto são 28 jantares por jogo. Portanto, só em jantares dá cerca de 140 mil euros por temporada, não falando das camisolas e das caixas. Isto deve tudo rondar um quarto de milhão." Mostrando no programa Prolongamento uma caixa de oferta do Benfica a árbitros,  TVI24, 05-10-2015

"O Benfica está com um problema teológico, é que deve muito ao Espírito Santo e quer sacá-lo a Jesus." TSF, 16-10-2015

"Só não lhe dei [a Luís Ferreira, árbitro do jogo Sporting--Tondela, disputado em 14 de janeiro] um chuto no rabo porque, olhando para a figura dele, tive medo de que ele gostasse." 16-01-2016

"Onde estava o Sporting se eu não estivesse cá? Resposta: Falido, após alimentar muitos 'chulos' que gravitam à volta do futebol." Facebook, 03-02-2016

"Parabéns Vítor Pereira pelo campeonato 2015/16." Facebook, 16-05-2016

"O maior filho da mãe que eu conheço no mundo, se for útil ao Sporting, eu aturo-o cem anos, 24 horas por dia. Cem anos." E, revista do Expresso, 25-06-2016

"A Europa, que em tempos conheceu os Magriços, sabe agora quem são os Aurélios, que contam com 10 campeões 'made in' Sporting." Jornal de Notícias, 12-07-2016

"Acho que havia de haver alguma honestidade intelectual que muitas vezes não há, para se perceber que, até hoje, pelo menos enquanto estou no Sporting, não houve nenhum conflito que tenha sido iniciado pelo Sporting." 13-01-2017

"O Sporting tem robustez e solidez financeira e não anda, como há quatro anos, de mão estendida à espera de esmola. Os nossos rivais rezam todos os dias para que o outro candidato ganhe." 18-02-2017

"Vou citar o meu tio-avô, Pinheiro de Azevedo, que foi primeiro-ministro de Portugal: 'Bardamerda' para todos os que não são do Sporting." No discurso de reeleição como presidente do Sporting,  05-03-2017

"Vou dar um exemplo chato. Quando se começou a falar de pedofilia em Portugal, toda a gente sabia que já existia, que havia filmes, que havia o Parque Eduardo VII. Eu frequentei uma escola perto desse parque e toda a gente sabia o que se passava ali. É como a cartilha." 13-04-2017

"Tenho de lamentar que uma grande instituição como o Benfica esteja refém das suas claques ilegais e que o seu presidente não tenha a coragem de alterar esta situação. O convite [ao presidente do Benfica para assistir ao jogo na tribuna do estádio de Alvalade] tinha um intuito, eu se o tivesse recebido, (...) aceitaria a bem do futebol. Quando nós damos desculpas por formas e não por conteúdos, está tudo dito." Sporting TV, 22-04-2017

"O que posso garantir é que, enquanto presidente, para mim chega. Tudo tem de ser diferente na próxima época. O Sporting é vencer, não é dar desculpas." Após a derrota em casa com o Belenenses (3-1) Sporting TV, 07-05-2017

"Hoje, é o dia da concretização de um sonho de mais de 3,5 milhões de sportinguistas. Este é o melhor, maior e mais bonito pavilhão de clube de Portugal. Disse que iríamos ter pavilhão 'Doyen a quem doer' e aqui está." Na inauguração do Pavilhão João Rocha, 21-06-2017

"É muito fácil roubar dinheiro a um clube. Nem é preciso uma conta bancária." Bloomberg, 03-07-2017

"Estou cansado daquela conversa dos sportinguistas sobre se devo ter elevação ou não devo ter elevação. Para elevação temos o Bas Dost, que tem quase dois metros." 10-11-2017

"O Jorge [Jesus], se não gostasse de obstáculos não escolhia ser treinador e eu não me tinha candidatado. Havia tijolo, faltava o cimento. Juntos, dá uma parede de betão." Sporting TV, 14-12-2017

"Bem sabemos que há clubes que estão 10 anos à nossa frente e isso tem ficado evidente, pois enquanto ainda trabalhávamos com faxes, eles já tinham montado um esquema de e-mails, ainda nós usávamos as famosas senhas Euroticket de refeição, e eles já usavam vouchers ao portador sem limite para o consumo." Sporting TV, 14-12-2017

"Então, mas as pessoas... Foram as eleições mais votadas da história do clube, aprovaram o que estava no programa, que era acabar com o Conselho Leonino, ponto. Qual é a celeuma? Leram o programa ou não leram o programa? Era por eu ser bonito? Votaram em mim por ser bonito? É do programa, meus amigos. Está lá." Durante uma Assembleia Geral do clube, 03-02-2018

"Não tenho 'timings'. Não durmo com um olho aberto, estão os três fechados. Mas às quatro, cinco e seis da manhã estou a trabalhar." 05-02-2018

"Neste momento, estão quase a matar-me, e a culpa, sinceramente, está a ser dos sportinguistas." 12-02-2018

segunda-feira, 19 de março de 2018

Sporting 2 - Rio Ave 0: Apesar dos receios, não houve inundações

Depois de uma eliminatória de difícil resolução, com uma longa viagem e que até teve direito a prolongamento, havia alguma expectativa em tom algo receoso, da resposta que o Sporting daria neste jogo disputado com tão pouco tempo de descanso. Esse receio justificava-se ainda mais porque o Rio Ave de Miguel Cardoso é uma equipa com personalidade e que normalmente sabe o quer e como o conseguir. E também, há que o reconhecer, se o Sporting jogasse de forma tão despersonalizada e incaracterística como o havia feito com os checos o Plzen, arriscava-se a sofrer.

Foi precisamente pela postura com que o Sporting encarou o jogo que o começou a ganhar. Com confiança de quem sabe ser melhor e tem melhores argumentos. À equipa subida dos vilacondenses, em pressão alta e saída a jogar de pé para pé, desde o guarda-redes,  o Sporting respondeu com uma boa ocupação dos espaços fechando as todas as portas, pelo que o Rio Ave batia na barragem que começava em William e Battaglia e morria. Na resposta o Sporting abria a sua sua frente de ataque com os laterais bem projectados na frente e bem largos, juntando-se à rapidez do solista Gélson e controlo de bola de Rúben Ribeiro dirigidos superiormente pela batuta de Bruno Fernandes. 

Apesar de tudo isso, isto é, do domínio do jogo e das diversas oportunidades criadas, foi preciso quase meia hora de jogo para desfazer o nulo inicial. Mas valeu a pena esperar, porque todo o enredo criado antes foi coroado com uma jogada de elevada beleza plástica, desde o rápido lançamento lateral, passando pelo toque de Bas Dost e culminando com a frieza de Gélson a iludir tutti quanti e bola a entrar finalmente. Ela que pareceu ter um iman que a atraía aos ferros da baliza do guarda-redes Cássio.

A segunda parte parecia querer trazer um Rio Ave mais afoito mas em poucos minutos tudo voltou ao normal anterior: o Sporting a dominar, os vilacondenses a jogarem bem mas muito curtos - um problema não resolvido desde o inicio da época e que limitou as aspirações da equipa -   e as bolas a constinuarem a ser fatalmente atraídas pelos postes. Até que Gélson - que neste jogo melhorou o seu perfil de decisão a assistir e a finalizar - decidiu por a bola numa bandeja e oferecer um golo fácil a Bas Dost. Era depois chegada a hora de relaxar nas cadeiras e assistir à tão desejada estreia de Wendell, ainda a tempo de ser útil nas competições domésticas.

sexta-feira, 16 de março de 2018

O fim anunciado de um projecto de sucesso: a equipa B do Sporting

Não se pode dizer que não tenha havido pré-aviso, uma vez que desde rumores até algumas declarações a indiciar a decisão, mas não deixa de ser surpreendente a decisão já anunciada oficialmente - André Geraldes assumiu-o recentemente - que o Sporting iria acabar com a sua equipa B para se inscrever num campeonato de sub-23, a iniciar já na próxima época.

Uma decisão surpreendente se tivermos em conta a importância que teve até agora para o clube a criação daquela estrutura e dos resultados obtidos. Num breve relance pelos nomes que passaram pelos diversos plantéis que constituíram a equipa B encontramos uma pléiade de nomes que vão desde promessas a desilusões mas que, feitas as contas do deve e haver, se revelou altamente compensatório, quer em resultados desportivos, quer em proveitos financeiros.
Vitor Golas, Edilino Ié, Santiago Arias, Cédric Soares, Tiago Ilori, Rúben Semedo, Pedro Mendes, Mauro Riquicho, Mica Pinto, Tobias Figueiredo, André Martins, Filipe Chaby, Eric Dier, Ricardo Esgaio, Podence, Bruma, Iuri Medeiros, Carlos Mané, Francisco Geraldes, Farley Rosa, Nii Plange, Diego Rubio, Valentin Viola, Cristian Ponde, Nuno Reis, Wallyson Malmann, Palhinha, João Mário, Ousmane Dramé, Ryan Gauld, André Geraldes, Gelson Martins, Hadi Sacko, Matheus Pereira, Rafael Leão.
A criação de uma equipa B era um passo considerado fundamental num clube que "aposta na formação". Este novo escalão afigurava-se fundamental como tempo de estágio que não interrompesse abruptamente o crescimento dos jogadores logo após o final do período de formação e os lançasse às feras logo após os júniores. Um pouco como acontece quando um aluno termina a sua formação superior e só poucos estão efectivamente preparados para entrar no mercado de trabalho. Por essa razão entendemos que a equipa B devia ser ainda considerado como um escalão de formação. Como o terá obrigatoriamente que ser a equipa sub-23.

A decisão é ainda mais surpreendente se tivermos em linha de conta que ela foi anunciada ainda sem se saber qual o modelo competitivo da futura liga sub-23 e, pior, sem ser ainda claro o que pretenderiam fazer os principais clubes como os rivais FC Porto, SL Benfica - principalmente - mas também SC Braga, Vitórias de Setúbal e Guimarães e pouco mais. 

E pouco mais porquê?

Por uma razão muito simples: a da competitividade. Basta olhar para o que é a miséria competitiva nos escalões de formação, onde raramente um clube fora dos chamados "3 grandes" consegue interromper a hegemonia em títulos, em número de jogadores seleccionáveis ou apetecíveis para o mercado. A criação de um campeonato sub-23 tem tudo para significar o prolongamento da redoma em que vivem os jogadores nos seus clubes até ao choque frontal com a difícil realidade. Era esse estágio que a equipa B lhes oferecia e que agora se esfuma: competição  com jogadores de todas as idades, índices físicos e níveis de experiência.

Não é também por acaso que vários clubes primodivisionários não conseguem aguentar as suas equipas B na II Liga. A competição é fisicamente dura e obriga a um nível de planeamento aturado. A subida pura e simples de escalão júnior para sénior dos seus jogadores não é suficiente para dotar os plantéis de níveis mínimos que lhes permitam a manutenção. É necessário antecipar os ciclos e perceber quando é necessário recompor os plantéis, o que nem sempre é exequível financeiramente. Pelo que têm sido as últimas duas épocas é também um pouco isto que parece estar a faltar ao Sporting e que vem como produto do insucesso no recrutamento de elementos sem qualquer valor para se poderem considerar alternativas ao que o Sporting era já capaz de produzir. Tão nefasto como as megalomanias que haviam dado origem às aquisições pouco criteriosas de Gael Etock ou Diego Rúbio:

Ousmane Dramé, Everton Tiziu, Samba, Lewis Enoh, Matías Pérez, Hugo Sousa, Diogo Sousa, Mama Baldé, Tiago Palancha, Paulo Lima, Al Hassan Lamin, André Serra Jorge Silva, Hadi Sacko  Aya Diouf, Paulo Borges, Zhang Lingfeng, David Tavares, Rúben Varela, Luís Elói, Gil Santos,  Bernardo Moura, Rafa Benevides, Olávio Gomes, Diogo Barbosa, José Correia, Abou Touré, Abdoulaye Dialló, Ever Peralta, Bruno Pais, Khadime Ndiaye, Bruno Wilson, Jorge Santos, Sérgio Santos, Muhamed Djamanca, Luis Caicedo, Murilo de Souza, João Coelho, Gabriel Pajé, Francisco Sousa, Zé Pedro Oliveira, Sérgio Félix, Tomás Rukas, Betinho, Neymar Canhembe.

A evolução e consequente afirmação de um jogador não é um processo mecânico nem linear, depende sempre do universo muito exclusivo e particular que é um individuo e as suas circunstâncias. A existência de um novo patamar até aos sub-23 prolonga a permanência numa redoma que oferecerá aos jogadores a possibilidade de continuar a evoluir em condições técnicas e beneficiar de infraestruturas altamente vantajosas que não serão facilmente igualáveis noutras paragens. Por isso este modelo irá beneficiar em primeiro lugar os menos aptos num determinado momento, retirando daí também proveitos o próprio clube. Mas poderá prolongar os problemas de inserção e adptação aos que estão em estádios mais avançados e a precisar de desafios mais exigentes. É certo que alguns, os predestinados, continuarão a conseguir furar o bloqueio, havendo ou não equipa B ou sub-23, sempre assim foi e assim continuará a ser. A uns e a outros que venham a ser integrados neste novo projecto tenderá a protelar a entrada na realidade para a qual querem estar preparados o mais depressa possível.

E - a questão é obrigatória - será que as duas equipas poderiam coexistir? 

Este é um cenário que parece estar a ser equacionado por alguns clubes, entre os quais o FC Porto e SL Benfica. É aquele que mais sentido faz para quem quer apostar efectivamente na formação. Mas, por exclusão de partes, e porque a existência de ambas se pode tornar muito onerosa, é a equipa B e o contexto onde está inserida actualmente aquela que parece oferecer o melhor cenário aos propósitos que a sua criação pretende significar. Na questão do custos ficam por avaliar valores intangíveis como o que se ganha e perde cada vez que um jogador dos nossos quadros se perder, se atrasar ou voar para outras paragens.

Nesta análise não podia obviamente também faltar a questão politica. A criação do campeonato sub-23 parece ser a resposta à pressão que alguns clubes da II Liga relativamente às verbas a distribuir, parecendo, aos clubes que agora se parecem retirar, que aqueles estão a com mais apetite do que a comida que conseguem reunir. Veremos o que o futuro dirá, até porque na maior parte dos casos os resultados / consequências não são imediatos. Esses pareciam ser já bem visíveis após quase uma década de equipas B, não só ao nível da sustentabilidade dos clubes, pelo que os jogadores oriundos da equipa B representaram em rendimento desportivo e económico-financeiro. Mas mas também nos melhores recursos das selecções mais jovens do futebol sénior. Neste momento, e deste ponto de observação, este salto da B para um plano C é claramente um salto no escuro. Veremos onde é que os pés vão encontrar o chão.

quinta-feira, 15 de março de 2018

V. Plzen 2 - Sporting 1: Adormecer antes de chegar aos quartos

Depois da vantagem alcançada em Alvalade só uma desastre de proporções bíblicas nos impediria de chegar aos quartos de final da Liga Europa e finalmente entrar verdadeiramente na competição. Talvez tenha sido a palavra quartos que tenha causado a sonolência com que a equipa encarou grande parte do jogo. E foi preciso passar do sonho até ter o pesadelo a um passo da concretização para tocar a despertar.

Em Plezen, e durante muito tempo, andaram a pairar os fantasmas de Salzburgo, Sekenderbeu e outros momentos embaraçosos para as nossas cores. Que tenha ao menos servido de lição para o futuro, especialmente para o que falta do campeonato e do que vier pela frente  na Liga Europa porque afinal o que interessava está alcançado. Veremos é que marcas este jogo deixará para o difícil jogo com o Rio Ave, uma das equipas mais competentes da nossa Liga.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Do enorme Peyroteo ao surpreendente rugido de Bas Dost


É o maior goleador nacional com 331golos registados em 197 jogos o que dá uma média de 1,6 golos por jogo. Um número único também entre os campeonatos de referência em todo o mundo.

Maior goleador do Sporting com 529 golos em 327 jogos

Detém o invulgar número de 9 golos marcados num só jogo (Leça, 1941/42)

Melhor média de golos marcados pela selecção, num tempo em que os jogos entre equipas nacionais eram escassos: 14 golos em 20 jogos, o que dá a média de 0,7 golos por jogo. 

É também o jogador com mais golos marcados ao SLB: 64 golos em 55 jogos, média de 1,2 golos por jogo. 

O mesmo relativamente ao F.C.P: 33 golos em 32 jogos, uma média  de 1,02 golos por jogo.

Hoje é pois um bom dia para falar de goleadores. E o Sporting tem a sorte de ter nos seus quadros Bas Dost, um goleador na senda de outros nomes grandes, como Yazalde, Jordão, Manuel Fernandes. Mas talvez seja Jardel o jogador com quem mais se assemelha, pelo invulgar sentido de oportunidade e de construir grande parte do seu pecúlio nos eximios golpes de cabeça.

E se neste momento podemos ainda acalentar esperanças de chegar ao tão desejado titulo muito a ele lhe devemos. No jogo em Chaves necessitou apenas de três remates para fazer dois golos. Dessa forma reforçou a incrível média de 2,2 remates que necessita para fazer um golo. Para que se perceba o que este número representa, Jonas, o lider actual dos goleadores, precisa de quase o dobro dos remates para chegar ao golo (4). Desta forma Bas Dost ofereceu nesta Liga 6 vitórias ao Sporting, igualando assim os números do ano passado. Dos 53 jogos que disputou até agora pelo clube, os seus 56 golos foram decisivos em 12 deles. (números redondos, TSF).

A fabulosa fotografia que ilustra o não menos fabuloso Bas Dost é da autoria de Leonel De Castro, fotógrafo do JN

terça-feira, 13 de março de 2018

Chaves 1 - Sporting 2: Duas fatias de presunto com 6 épocas de cura

Se nunca experimentou umas fatias de presunto com seis anos de cura recomendo vivamente. Há até uma marca espanhola que os faz com mais anos e são considerados os melhores do mundo. Pronto, se quiserem, os Ronaldos dos presuntos. A comparação não é assim tão desajustada porque há muito presunto nascido e criado em Portugal que faz grandes figuras do outro lado da fronteira. 

A referência gastronómica ao jogo de Chaves também não é assim tão despropositada, também. A região a que a cidade dá o nome é conhecida pelas suas iguarias, entre as quais se destacam o presunto. E o jogo com os da casa acabou por se resolver em grande parte pelo facto do presunto do Nuno André Coelho estar pelo menos em linha (dizem-me...) com a perna mais adiantada do pai de nós todos, que por estes dias tem sido um senhor holandês de seu nome Bas Dost. 

Um triunfo que levou seis épocas a curar, não podia por isso ser mais saboroso. A verdade é que até Dost entrar andávamos cheios de cerimónias a olhar para a iguaria, mas sem dar mostras de grande decisão na hora de estrear a peça. Muita indecisão para quem havia feito tantos quilómetros e dessa forma se arriscava a fazer a viagem de regresso de mãos a abanar. 

Alegorias sobre iguarias à parte, a verdade é que não foi nada fácil, como se previa, esta deslocação a Chaves. Muito por culpa das ausências registadas na equipa inicial - sobretudo Bruno Fernandes, Bas Dost e também Acuña - e da falta de rotinas de Battaglia, Misic e de genica de Montero. O argentino até cumpre a defender, mas um lateral de equipa grande tem de dar largura e profundidade para dar sequência ao jogo de ataque. Deve-se dizer com toda a justiça que foi determinante para o desfecho final, ao opor-se a um golo flaviense e a oferecer o segundo golo a Dost.

Poucas vezes conseguimos incomodar verdadeiramente a equipa flaviense, que se sentia muito confortável à espera no seu último reduto. Misic estreava-se sem grande rotina e William não foi bem sucedido a fazer de Bruno Fernandes. Porque não William a "6", que até tem rotinas, e Wendel a 8? Montero, naquela toada de "não estou para me chatear se não me põem a bola direitinha no pé" que o caracteriza, passou completamente ao lado do jogo. Bryan Ruiz quase "idem, idem, aspas, aspas". Menos mal o "proscrito" Rúben Ribeiro, cuja assistência decisiva, a juntar à do jogo de estreia, já vai justificando a chamada. Gélson esteve irreconhecível.

Nota positiva também para o jovem Lumor, de quem JJ acha que "não é tão bom como os mais ou menos que podíamos ir buscar lá fora" mas que deu boa conta do recado. Surpreendeu-me particularmente a defender, momento do jogo tido como menos bom do seu repertório. Falta ver mais para saber se tem o melhor músculo que deve dotar um jogador - a inteligência - mas para já safou-se. Para um jogador com as suas origens - equipas pequenas - e condições - vinte e um anos de idade - não comprometer é muito bom.

Seria contudo injusto não referir neste arrazoado de ideias soltas sobre a deslocação a Chaves  Rui Patrício. Não tivesse ele impedido que William, avançado do Chaves, nos presenteasse com um chouriço, talvez não chegássemos a trazer o presunto para casa. 

Nota para a arbitragem. Ao que parece o golo de Dost é legal, mas não me pareceu mesmo depois de visionada a repetição. Porém asseguram-me que há imagens que o demonstram, o que me deixa sossegado. Na altura, vendo que o VAR não intervinha pensei que era pelo facto de o famigerado ter a conta ainda em saldo negativo connosco. Também não me pareceu penalty de Coates, que continua a apostar muito na sorte e menos na segurança das suas intervenções. E julgo ter havido penalty sobre o William mas como estamos na Quaresma, tempo de meditação e penitência, não vejo programas de arbitragem, paineleiros e afins, cumprindo assim os desígnios de nosso senhor, o presidente. (É para ter piada, mesmo sabendo que isso me é proibido por alguns católicos mais ortodoxos.)

Bonito bonito foram mesmos os três pontos a coincidir com o último apito. O que interessava estava alcançado e é isso que conta para o campeonato. Infelizmente tanto como aquela derrota estúpida no Estoril, ou agora estávamos a fazer outras contas...

segunda-feira, 12 de março de 2018

O veredicto do Tio Patinhas de Alvalade sobre as contas do semestre

Saudações leoninas deste vosso amigo “Tio Patinhas” de Alvalade

Como decerto repararam, no passado dia 28 de fevereiro, foram publicadas as contas semestrais da Sporting SAD, que dizem respeito ao período compreendido entre 1 de julho e 31 de dezembro de 2017. Já passaram uns dias, é certo, mas a minha atividade profissional neste início de março não me deixou tempo para as analisar com a calma necessária para poder escrever antes.

No próprio resumo feito pela SAD, verificamos que o volume de negócios atingiu os 82 Milhões de Euros e que o Resultado Líquido do Exercício foi de 10 Milhões de Euros. Ao nível do Balanço, é realçada a diminuição do Passivo Global em 40 Milhões de Euros e uma redução do passivo bancário e obrigacionista em 23 Milhões de Euros.

Ao analisar o Volume de Negócios, verificamos que na generalidade, as receitas exceptuando as transações com jogadores continuam a subir. A participação na Liga dos Campeões rendeu mais 5 Milhões de Euros que o ano passado (prémio de qualificação na pré-eliminatória e mais 4 pontos alcançados na Fase de Grupos) e as receitas com Gameboxes e Bilheteira (aumento de 25% face ao ano anterior).

As vendas na Loja Verde aumentaram cerca de meio milhão de Euros enquanto que as vendas de Material Sporting ao Retalho / Distribuição caíram 225 mil Euros. Exceptuando as receitas operacionais, a outra grande fonte de proveitos tem sido as transacções de jogadores. Mesmo no final da janela de transferências, Adrien foi vendido para o Leicester por 20 Milhões de Euros, abdicando o jogador da sua parte da transferência, conforme o acordo que tinha sido estabelecido com o Sporting, aquando das suas renovações de contrato. Assim, o montante da alienação dos direitos desportivos e económicos de Adrien representa a fatia de leão dos 28,7 Milhões de Euros atingidos.

Por seu lado, os custos operacionais aumentaram cerca de 4 Milhões de Euros, face a igual período do exercício transacto, montante explicado essencialmente por mais um aumento dos Custos com Pessoal, que totalizaram 37 Milhões de Euros no semestre. Verificamos assim que os custos operacionais foram de 54 Milhões de Euros, excedendo 800 mil Euros, os ganhos operacionais (excluem-se os rendimentos relativos à transação de jogadores). E neste parâmetro, salta-me à vista a minha maior preocupação com as contas deste Semestre. Se por um lado, o Resultado Líquido do Exercício é de 10 Milhões de Euros, verificamos que o operacional sem transações é deficitário neste semestre. E no Volume de Negócios, temos uma verba de quase 20 Milhões de Euros relativas à participação na Liga dos Campeões que não existirá no segundo semestre.

Embora o Sporting esteja bem encaminhado para chegar aos Quartos de Final da Liga Europa, os prémios pagos por esta andam bem longe da Liga milionária (e o fosso, vai aumentar ainda mais). Ora sabendo do princípio da especialização dos exercícios, verificamos que as receitas de bilheteira (incluindo Gameboxes) e direitos televisivos deverão ser similares no segundo semestre, pelo que estimo que seja necessário vender jogadores para que o Resultado Líquido do Exercício seja positivo no final do ano. Pelo histórico, prevejo que o Volume de Negócios sem transações com jogadores fique num valor entre os 85 e os 90 Milhões de Euros enquanto que os custos operacionais ficarão muito perto dos 100 Milhões de Euros.

Apesar de no Relatório de Contas referir que o atual Conselho de Administração apostar numa fixação de limites de gastos em função das receitas estimadas, eu gostaria que os Custos de Pessoal não disparassem ano após ano, sem o devido retorno desportivo (pelo menos, no que ao Campeonato) diz respeito. Felizmente que nos últimos anos, a espiral de transferências tem aumentado e o Sporting tem beneficiado bem com isso, tendo algumas transferências atingidos valores muito bons face ao que seria expectável há uns anos atrás. Por se tratar do Relatório Semestral e não do anual (onde os valores são discriminados), ficamos sem perceber o aumento para mais do dobro dos Encargos com os Órgãos Sociais.

No que ao refere ao Balanço, verificamos que ocorreu uma diminuição do passivo bancário de 16,7 Milhões de Euros e que finalmente, a Doyen desapareceu das contas, com a anulação de provisões e o recebimento das receitas retidas pela UEFA. Adicionalmente a estes factos, verificamos que a reestruturação financeira empreendida no primeiro mandato de Bruno de Carvalho permitiu uma melhoria significativa dos resultados financeiros, fruto da redução dos encargos com juros e afins. O investimento no plantel também permitiu o crescimento do seu valor no Ativo, representando um valor de cerca de 66 Milhões de Euros. O montante de depósitos restritos atinge pela primeira vez os 5 Milhões de Euros, o que é igualmente bastante positivo. E a título pessoal, espero que o nosso scouting funcione ainda melhor para não empatarmos alguns milhões de Euros em jogadores que não rendem o esperado (como Alan Ruiz), consumindo recursos financeiros que seriam importantes para o nosso futuro.

O “famoso” factoring baixou da fasquia dos 25 Milhões de Euros, totalizando cerca de 22,5 Milhões de Euros, o que é de realçar, apesar de como ter dito no passado, não me preocupar muito (é apenas um instrumento financeiro, como outro qualquer).

Em resumo, um primeiro semestre positivo para a SAD do Sporting, mas com alguns pormenores que exigem alguma cautela na condução dos destinos do nosso Clube, nomeadamente o constante crescimento dos Custos com Pessoal. Nos últimos 3 anos, o Sporting tem crescido, ano após ano, as suas receitas operacionais independentes das transações com jogadores, sendo um mérito indesmentível da atual Direção. Mas perante o cenário de perda de um Clube na próxima edição da Liga dos Campeões (e o fosso cada vez maior entre as duas maiores competições da UEFA), os custos com pessoal serão quase incomportáveis senão alcançarmos pelo menos o segundo lugar no Campeonato.

Aguardemos então pelas contas do terceiro trimestre, que não tarda, estão aí. 

Despeço-me desejando que ganhemos todos os jogos do Campeonato até ao final, que façamos o churrasco no Jamor e que o nosso Clube brilhe na Liga Europa, chegando até ao magnífico estádio do Lyon, onde pude ver ao vivo, Portugal empatar com a Hungria no Euro 2016.

O vosso “Tio Patinhas” de Alvalade

sexta-feira, 9 de março de 2018

Jorge Jesus, sim ou não?

O chocar de frente com a triste realidade de que mais uma vez o sonho do título vai ficar adiado trouxe de novo à actualidade o assunto da continuidade de Jorge Jesus. A realizar a sua terceira época consecutiva, o treinador ainda não cumpriu um dos desígnios primordiais que levaram à sua contratação: obter o titulo de campeão nacional, pondo assim fim a mais um longo jejum. Ninguém negará por certo que o objectivo final fosse mesmo o lançamento das bases para uma nova hegemonia no futebol nacional.

Nesta matéria é importante estabelecer desde logo uma importante premissa: seja ele quem for - e mesmo que se chame Jesus - um clube como o Sporting não se pode sentir refém do seu treinador. Seja pelos termos do contrato, seja pelos valores envolvidos, a razão da continuidade não pode nunca ser os números elevados que uma possível rescisão.

A única razão aceitável para tal tem que estar na assumpção da descrença do seu trabalho. Manter um treinador em cujo trabalho se deixou de confiar é o pior dos erros que se podem cometer na condução de um clube de futebol. E os custos desse erro tendem mesmo a ter implicações muito mais sérias e duradouras que uma choruda indemnização.

PONTOS A FAVOR...E CONTRA

Uma outra importante premissa é que as avaliações feitas em momentos de desilusão tendem a ser arrastadas para visões pessimistas, valorizando-se acima de tudo os lados mais negativos e esquecendo-se ou desvalorizando-se os progressos registados, mesmo que estes não tenham sido acompanhados de títulos.  Aqui a pergunta que se impõe é: o Sporting com Jorge Jesus ficou mais forte competitivamente, aproximando-se dos seus rivais? Parece que, mesmo contando com o total fracasso que a época 16/17 representou, que a resposta é afirmativa.

Mas há sempre um "mas". E aqui é importante registar a vertiginosa subida dos custos do plantel. Quem não gosta de Jorge Jesus tem aqui um argumento poderoso. A subida da competitividade leonina estaria explicada naturalmente pela melhor qualidade individual registada no plantel.

A explicação parece redutora, quanto mais não seja por esse estranho facto de aquela que deverá ser a melhor época até agora registada - e apenas na Liga, uma vez que a época não acabou - foi a época mais barata das três. Parece também que a aproximação dos custos era indispensável, pois a qualidade dos ovos está directamente relacionada com qualidade que se obtém nas omeletas. 

Onde parece haver argumento mais válido contra a "filosofia jorgejesuíta" é relativamente à forma como ele olha para uma daquelas que tem sido uma das mais-valias do clube, funcionando como uma das mais vistosas bandeiras e factor de sustentabilidade do clube: a formação. Ainda que considerando a versão mais pessimista - "o Sporting não teria ganho na mesma" - é claro que poderia ter gasto menos com mais ou menos resultados.

Há uma geração de valor muito razoável de jogadores que parece ter passado ao lado do radar do treinador, mas cujas escolhas alternativas pouco ou nada acrescentaram a não ser ao lado dos custos. Jogadores como por exemplo Iuri Medeiros, Palhinha, Francisco Geraldes, Matheus Pereira viram-se preteridos por jogadores sem qualquer valor acrescentado e, pelo menos até ver, têm a sua carreira num limbo.

A resposta dada por eles é directamente proporcional à aposta do treinador: pouco mais que zero. Muito diferente da insistência igualmente inútil em Petrovic, Markovic, Campbell e mais recentemente em Alan Ruiz, por exemplo. As excessivas rotação de jogadores e instabilidade dos plantéis sem que os objectivos procurados sejam facilmente percebidos são outros argumentos de peso contra o técnico.

Há no entanto que considerar que a balança pende ainda para Jorge Jesus. Gélson não é ainda um produto acabado mas é já um valor seguro, Podence viu a sua afirmação bem encaminhada interrompida por uma lesão. Rúben Semedo foi hiper-valorizado, como agora se percebe melhor. E aqui, nos valores das negociações dos passes, é indiscutível que a associação Sporting/Jorge Jesus tem sido proveitosa para o clube. Mérito dividido pela sageza negocial da SAD, mas também pela valorização de jogadores directamente ligada ao trabalho de Jorge Jesus.

É que, mesmo sem chegar aos títulos, a respectiva proposta de jogo é atractiva e desperta as atenções, como se tem visto nos elogios de adversários e imprensa sobretudo após os confrontos internacionais.
Mas não é apenas a percepção de Jorge Jesus relativamente ao potencial da formação que merece ser aprimorada. Até porque o lançamento de Rafael Leão demonstra que o técnico está atento, mesmo que Leão pareça o “último dos moicanos” a merecer a atenção nos próximos tempos… A cooperação SAD / Jorge Jesus parece, também, merecer uma clarificação e aprofundamento.

Depois da carta branca dada o ano passado ao técnico, com os desastrosos resultados que se conhecem, parece haver vontade em ter uma palavra a dizer também nas aquisições por parte da SAD (leia-se Bruno de Carvalho). Uma vontade legitima, uma vez que a responsabilidade ser-lhe-à mais tarde ou mais cedo pedida pelos associados. Mas que não terá bons resultados se não houver trabalho cooperativo entre as partes. A SAD não tem que satisfazer todos os caprichos do treinador mas tem que perceber que, no limite, a sua vontade esbarrará na palavra final do treinador.

REFORÇOS DE "OURO", EQUÍVOCOS DE LATÃO E MUITAS PONTAS SOLTAS

O que sucedeu esta época, particularmente no mercado de inverno, onde as assombrosas afirmações de Jorge Jesus sobre Lumor e a chegada directamente do Brasil para o exílio de Wendell parecem indicar que não era bem aquilo que o treinador esperava como reforços, é irrepetível.

Idem sobre Montero, nome que se repete em sentido contrário ao sucedido na primeira época e cujo erro de avaliação na troca com Barcos pode ser muito bem contabilizado como um factor que acabou por contribuir para a perda de fulgor na procura do titulo. Desencontros e erros de planeamento que deixam muitas pontas soltas, cujo preço acaba por ser pago inapelavelmente por todos os envolvidos.

Não parece contudo que a ligação entre o treinador e clube se tenha esgotado. Mais importante do que procurar atribuir culpas isoladamente a um dos lados, é determinante que se aprenda com os erros e que se reconheça a necessidade de aproximar o planeamento da perfeição. E a programação e planeamento do plantel esteve esta época longe de o ser.

Equívocos na construção do plantel são agora mais fáceis de perceber. O Sporting pode até ter o melhor plantel de sempre - seguramente é o mais caro... - mas ganhará na comparação com os seus rivais? Não nos parece. Nem na qualidade nem, sobretudo na quantidade de jogadores que representam não apenas número mas também oferecem soluções.

A saída de Adrien está ainda por colmatar e não será Battaglia a fazê-lo. É notória uma enorme diferença de valor entre alguns titulares e respectivos suplentes que, ao invés de multiplicarem as soluções fazem crescer os problemas. Veja-se o caso do lateral esquerdo, especialmente quando ainda estava Jonathan e factura que deixou. Mas onde a diferença é ainda mais notória é na frente de ataque. Como foi possível imaginar que o Sporting poderia fazer jus à ambição de leão com apenas Bas Dost como actor principal e Doumbia a figurante? E depois o que dizer de contratações que claramente se afiguravam equívocas como Matheus Oliveira?

ENTRE O RAZOÁVEL, O SONHO E O IMPOSSÍVEL

Não há como dizer de outra forma: face às expectativas e ao vultuoso investimento feito pelo clube e após um ano de estreia fulgurante a passagem de Jorge Jesus pelo Sporting tem-se saldado por um pouco mais, pouco menos que razoável. Perdeu-se a constância do primeiro ano mas mantém-se uma apatia em momentos que depois acabam por ser os momentos chave da época. Por exemplo os estranhos casos com o Tondela de épocas anteriores, o sucedido este ano com a paragem dos relógios no Estoril e os finais de jogos com o Real Madrid e Juventus, só para citar alguns dos exemplos mais paradigmáticos. Uma questão que dificilmente pode ser atribuída ao trabalho do treinador, pelo menos no que diz respeito à sua proposta de jogo, mas que pode remeter para o apronto físico ou mesmo para a gestão de esforço do plantel.

O que já não me parece razoável é medir a manutenção do treinador por metas irrealistas, como a obrigatoriedade de conquista este ano da Liga Europa. O Sporting tem que interromper o ciclo do sonho e passar com urgência para a concretização de metas alcançáveis. Juntar-lhe impossíveis só ajuda a criar equívocos. Isto não é o mesmo que dizer que não deve ter a ambição de chegar à final em Lyon, onde se disputará o derradeiro jogo da Liga Europa, mas não se deve distrair das suas obrigações internas para assumir as responsabilidades que em primeiro lugar cabem ao anfitrião Olympic e seu conterrâneo homónimo de Marselha. Isto se quisermos fazer de conta que não nos apercebemos da presença do Atlético de Madrid, Borússia de Dortmund e Arsenal.

O campeonato mudou, o fosso entre grandes e os outros aprofundou-se. As falhas de pormenor que antes podiam ser corrigidas são agora factores importantes de penalização porque do outro lado têm estado adversários implacáveis. Num primeiro ano muito bom o Sporting viu-se ultrapassado, apesar dos 86 pontos conquistados e este ano registar-se-á algo de muito semelhante. Pode até ocorrer que o terceiro classificado obtenha uma pontuação que lhe daria um campeonato em épocas anteriores. E mesmo sem ganhar o Sporting está mais próximo. A vez de Jorge Jesus e do Sporting há-de chegar, assim saibam ambos porfiar e esperar.

segunda-feira, 5 de março de 2018

FC Porto 2 - Sporting 1: A estrelinha não foi convocada

Foi um um grande clássico pela emoção e e incerteza do resultado aquele que o FC Porto e o Sporting proporcionaram aos seus adeptos. A nós Sportinguistas em particular o resultado final significa praticamente o encerrar da caminhada para o titulo de campeão. Mas não do campeonato ou das nossas responsabilidades e ambições na competição. Subsistem ainda objectivos importantes para alcançar que determinarão o futuro próximo do clube, pelo que não há tempo para baixar a guarda ou para lamentações. Muito menos para balanços, é hora isso sim, de apelar a todas as forças e concentração para o que resta da temporada.

Por certo que todos concordarão que, face à trajectória de ambas as equipas, não seria surpresa para ninguém que no final do jogo o anfitrião se nos superiorizasse. De facto foi isso que aconteceu no resultado final mas não no jogo jogado. Esse foi equilibrado e, da mesma forma que os três pontos caíram para os da casa, poderiam estar agora a ser por nós agora contabilizados ou terem sido repartidos. Quem presenciou o jogo viu dois candidatos ao título que se equivaliam na força e na valia. Venceu o FC Porto, que foi quem falhou menos quer na hora de defender quer pela eficácia.

Para a eficácia dos da casa contou muito a prestação do seu melhor defesa, Soares Dias, na senda de uma tradição familiar que já vem do século passado. Não gosto de falar de arbitragens e muito menos de usar como desculpa. Mas a participação do árbitro na construção do resultado final é um facto. O lance sobre Doumbia é um penalty clássico ( e respectiva expulsão..) que poderia figurar num qualquer compêndio de arbitragem mas entra directamente para um qualquer ranking de erros grotescos demonstrativos de que pelo menos o comprometimento psicológico de grande parte da classe arbitral continua a de sempre. 

Infelizmente é mais um lance que cairá no esquecimento quando se fizerem as contas do campeonato. Mas alguém duvida que se fosse em Alvalade e contra o FCP não sobraria ao árbitro a coragem que agora faltou? Isto também é falta de estrelinha, uma falha estrutural da nossa Liga e que, em condições iguais e em momentos decisivos beneficia quase sempre os rivais.

Dizer isto não significa assumir que o resultado seria outro. Faltaria ainda concretizar o penalty e contrariar a inevitável reacção do adversário. Mas poderia ter deixado o Sporting numa situação de vantagem no marcador, que seria também uma vantagem estratégica que a equipa nunca beneficiou. O rápido restabelecimento da vantagem dos da casa - numa série de falhas defensivas inadmissíveis num jogo desta importância e num candidato ao título... - não permitiu que o Sporting dispusesse dos 45 minutos finais para colocar ainda maiores desafios do que os conseguiu. E quando o fez foi mais em desespero de causa, o que normalmente compromete a eficácia. 

Faltou também nesses momentos um pouco mais de sorte que, valha a verdade, teve em vários momentos na sua baliza. Mas quem é tão passivo a defender não se pode queixar muito da sorte. Foi essa passividade na abordagem aos lances, primeiro por Coentrão e depois por Mathieu, que deixaram o elo mais fraco da defesa exposto: Ristovski. Quando acontece o primeiro golo ele já estava anunciado antecipadamente. O FC Porto apostava nos cruzamentos ao segundo poste onde não por acaso Marcano e Filipe apareciam para explorar a superioridade dos centímetros sobre o lateral macedónio.

Destaques individuais para o enorme jogo, (mais um...) de Bruno Fernandes, bem acompanhado quase sempre por William e Bryan Ruiz. E claro, a estreia promissora de Rafael Leão. Tem ainda muita broa para comer, é daqueles jogadores que parece ter um pacto com os deuses e que o fez aparecer destacado na sua primeira presença num clássico e com apenas um toque na bola.

O desfecho deste jogo deixa-nos arredados da luta pelo titulo obviamente. Mas deixa também muitas interrogações inevitáveis, como por exemplo:

- A da passividade que nos custou este jogo e que já foi responsável pela forma como abordamos os jogos que nos custaram o titulo: Moreirense, Setúbal e Estoril.

- a constituição do plantel e recomposição do mesmo enquanto o mercado esteve disponível e que contriubuiu para a excessiva dependência e falta de alternativa a Bas Dost, entre outros.

- A preferência por jogadores por exemplo como Doumbia, Petrovic (um erro repetido) que não trouxeram nada de novo a não ser empate de recursos e afastamento de jogadores jovens de oportunidades de afirmação mais céleres e mais proveitosas para o clube.

Mas em coerência, tenho que terminar como comecei: agora é hora de ir à luta com o que ainda há para ganhar. E não é pouco. 

quinta-feira, 1 de março de 2018

A ineficácia do boicote aos média

Foi divulgado por estes dias um texto execrável - estou a ser magnanimamente generoso na apreciação - de Octávio Ribeiro no Record. Tresanda a preconceito de toda a ordem e feitio (social, racial, etc). A ampla e generosa divulgação do referido texto por parte dos adeptos Sportinguistas nas redes sociais, demonstrando a sua natural indignação, prova que: 

- O pedido de boicote de BdC não está a ser seguido, os jornais, nas suas diferentes plataformas, continuam a ser lidos total ou parcialmente. 

- A estratégia é por isso claramente ineficaz. Eu por exemplo, não teria acesso aquele pedaço indecente de prosa se não fosse essa divulgação. E se tivesse lido não teria teria promovido a divulgação, mesmo comentando o assunto. Isso sim seria colaborar com a sem vergonhice e com um tipo de jornalismo (?) canalha, o que não farei. Só a simples menção já cumpre um dos objectivos base de quem promove este tipo de actuação: o clickbait, a divulgação do nome e por vezes até mesmo o de patrocinadores que nos são alheios.

- Tentar boicotar os média na era das redes sociais que debitam "noticias" é como parar um tsunami com a palma da mão.

- Não é fácil mas é cada vez mais claro que é preciso uma abordagem diferente em relação aos média em geral. Que quase nunca se deveria ficar pela reacção directa e sanguínea, como quase sempre tem sido. Algumas recomendarão a ignorância, quando os autores ou os temas não merecem um segundo do nosso tempo. Ou o sarcasmo e humor, pelas mesmas razões. O caso do Octávio, sim, merece uma manifestação vigorosa de repúdio que, felizmente, já a vi de quadrantes diversos que não apenas de Sportinguistas. É uma questão de gosto pela higiene e urbanidade.

- O Sporting tem que encontrar uma forma diferente de se relacionar com os média e de tornar essa relação proveitosa em seu favor, o que manifestamente não está a acontecer. Nunca foi boa, muito por culpa da inacção e mau fazer, mas parece mesmo que até piorou. Eles precisam de nós, nós precisamos deles até porque, como se vai provando, isto não vai lá com boicotes.

- O Sporting160, podcast onde participo, abordou no episódio desta semana precisamente a questão da comunicação. Pode ser ouvido [AQUI]. Dificilmente poderíamos ter contado com melhor convidado que o Luis Paixão Martins, nome incontornável da comunicação e relações públicas. É um verdadeiro compêndio de boas práticas e criticas construtivas que merece toda a nossa atenção.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Sporting 1 - Moreirense 0: Quantas vezes poderemos ganhar assim?

Quem suspeitaria que o jogo com o Moreirense poderia ser rodeado de tantas peripécias e polémica como acabou por ser? Creio, no entanto, que no final a principal pergunta que teria ficado na cabeça de muitos Sportinguistas seria a que titula o post. Creio mesmo que quando fazemos o golo já em quase todos nós crescia a sensação de termos entregue, com o último classificado (!) a possibilidade real de lutar até ao fim pelo título.

Não sou adepto de condescendência mas sim de exigência permanente. Uma equipa com a diferença que a separa do Moreirense (em classe e orçamento) não pode arranjar desculpas para não jogar melhor. Mas também de realismo. E quando se soube dos impedimentos de jogadores, por razões diversas, como os de ambos os laterais direitos, de William, de Coentrão, Mathieu e Dost, era fácil de prever que íamos sentir muitas dificuldades. Porque o jogo não é um somatório de individualidades e nomes, é um processo colectivo que requer treino, aperfeiçoamento e identificação de todos os elementos entre si, o que dificilmente acontece quando ainda por cima os jogadores mais influentes estão ausentes.

Ora Petrovic não é William e grande parte dos nossos problemas começaram por aí, na organização do nosso jogo ofensivo. Petit tentou surpreender subindo a sua equipa, condicionando a saída a três. E o Sporting ainda que com posse de bola, não a tinha com a qualidade necessária. Na frente Montero era um "estrangeiro" sem ninguém com quem tabelar ou triangular. Doumbia era apenas repelões no ataque organizado e sem velocidade para criar perigo que as solicitações longas lhe pediam. Bruno Fernandes era pouco e ainda por cima estava estranhamente perdulário. E mais uma vez se provou que Bryan Ruiz faz quase tudo bem feito - o facto de o fazer devagar não me preocupa... - excepto golos mesmo que seja em frente ao guarda-redes. Ou a dois metros da baliza... (esta imagem vai-me assombrar o resto dos meus dias).

Muitos golos cantados falhados, o susto do costume, que só não foi pior porque o VAR não ficou encadeado e não dependia do quarto árbitro. Se dependesse teríamos ficado por terra no golo anulado a Bilel, como ficamos de joelhos após a expulsão de Petrovic. Não que ele fizesse muita falta, talvez a deslocação do ar quando corre seja importante, sei lá, mas é também uma questão psicológica que acaba por condicionar a equipa. 

O melhor estaria para vir. O golo de Gélson é de uma precisão absolutamente notável, só ele conseguia rematar contra o pé do defensor adversário e enganar o jogador. E, como justa homenagem a Rúben Semedo, nada como a estupidez de tirar a camisola e fazer-se expulsar do pouco que faltava do jogo e, o pior e incrível(!), dos noventa minutos do jogo no Dragão. Não é tão mau como andar aos tiros mas... E depois como é que o Gelson vai ao fim do mundo com um amigo se nem é suficientemente esperto para chegar ao fim do jogo?

Mas - e agora já é a sério -  não é razão para triturar o jogador, que tantas vezes tem carregado a equipa às costas. Eu pelo menos não o farei. Nestas coisas das ligações afectivas sou inteiramente pelas emoções!

Mas ainda melhor foi a conferência de imprensa de Jorge Jesus. Polémico como quase só ele sabe ser mas para mim com toda a razão no que diz respeito aos assobios. Não é que os jogadores tenham ouvidos de virgens e não possam ser assobiados. Por mim até que assobiem quando jogam mal, mesmo quando ganhamos. Mas num jogo que estava a correr mal, com o árbitro a ajudar, com as ausências que se sabe assobiar era um favor que se estava a fazer ao adversário. Experimentem estar a trabalhar num dia mau com alguém a importunar-vos os ouvidos e a deitar abaixo...

"Como fiquei? Nem ele deve estar satisfeito. Quis oferecer o golo ao Rúben Semedo e agora vai ver o jogo ao Dragão com o Rúben Semedo. Vão ver os dois. Compreendo um pouco a emoção, um golo a acabar, tem um amigo que está a sofrer com problemas, quis oferecer-lhe o golo, dizer que está com ele, como está a equipa toda do Sporting. Custa-me crer como um miúdo (Rúben Semedo), que trabalhou com uma disciplina impecável, socialmente bem comportado entra numa situação dessas, mas estamos cá para saber o que vai acontecer".

Mas voltemos ao mais importante: quantas podemos ganhar jogando como vimos fazendo nos últimos jogos? Ninguém sabe. Para já o mais importante era chegar vivos ao próximo jogo.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Rúben Semedo saiu do bairro mas o bairro não saiu dele

Não começou nada bem a aventura espanhola de Rúben Semedo. Começou com um arranque de época tristonho, contabilizando apenas dois jogos completos, alternados com idas ao banco, que optimisticamente poderia ser atribuído a uma fase de adaptação às novas condições que encontrava em Villareal. Uma lesão tendinosa haveria de o afastar dois meses da competição, entre Outubro e Dezembro. No regresso, ante o Barcelona, uma recidiva deixaria praticamente hipotecada toda a presente época, uma vez que se esperavam pelo menos três meses de recuperação, após intervenção cirúrgica. 

Entretanto começam-se a avolumar as noticias de um comportamento nada consentâneo com as exigências impostas aos atletas de alta-competição. O  número de convocações policiais começaram a rivalizar com as chamadas à equipa principal, num claro indicio de que algo não estava a correr bem. Aliás, havendo cada vez maiores suspeitas sobre o que faria o jogador nos seus tempos livres, é quase inteiramente legitimo especular sobre a verdadeira causa das lesões e a dificuldade em recuperar. Isso, e muitas coisas mais.

Já iremos ao jogador. Mas perante a sequência de factos é não só legitimo como obrigatório perguntar qual foi papel do Villareal neste triste folhetim, sabendo-se que mesmo para um clube espanhol catorze milhões de euros não são nenhuma pechincha. Sabe-se pelo menos que o clube tentou convencer o jogador a mudar-se para uma área residencial menos afastada do centro, certamente com mais possibilidades de o poder ter mais facilmente debaixo de escrutínio. Em vão, infelizmente.

E o que dizer do agente e advogado do jogador, sempre tão solícitos na hora de cobrar as famosas e não menos chorudas comissões? A sua responsabilidade é ainda maior por serem conhecedores das características e das condições pessoais do jogador. A separação recente da mãe da filha em troca da companhia de "amigos" não lhes deveria ter feito soar as campainhas de alarme para agora não serem obrigados a fazer o triste papel de coitadinhos, os últimos a saber? 

E o Sporting terá responsabilidades como clube formador? Sinceramente, não me parece e não me parece que esteja a ser condescendente. É uma velha questão mas não creio que a principal actividade de um clube seja moldar caracteres e o facto é que o Sporting ajudou Rúben Semedo dotar-se de muito mais do que as ferramentas básicas para se tornar um profissional apetecível ao ponto de um clube pagar uma por ele uma pequena fortuna.

Mas, independentemente daquelas que tenham sido as responsabilidades por imprevidência ou omissão de clube e agentes, era sobretudo Rúben Semedo quem poderia ter evitado todo o percurso que o acabaria de deixar à mercê das câmaras fotográficas, algemado, à porta de uma esquadra de policia como um vulgar criminoso de que é agora acusado. Bem diferente da atenção mediática de microfones e flashes dos amanhãs radiosos que lhe projectavam.

Não faltará quem associe os factos agora ocorridos na vida de Rúben Semedo com as suas origens num dos muitos "bairros de risco" da Amadora, ou na atribulada vivência de um jovem oriundo de uma família desestruturada, com historial de problemas com a justiça do progenitor. Claro que, juntando a isso a cor da pele, tornava Rúben Semedo em mais um potencial jovem problemático, daqueles que, como o titulo indica, nunca saem totalmente do bairro mas arrastam-no consigo o resto das suas vidas.

É indiscutível que o meio de origem e as circunstâncias pessoais condicionam fortemente o trajecto de qualquer um individuo. Mas não é menos verdade que há também muitos e bons exemplos de quem consegue reescrever a letra e música do seu próprio fado. Era isso que, ao fim e ao cabo, Rúben Semedo estava a fazer, mesmo que com os naturais percalços, desde que saiu do bairro onde nasceu até chegar a Villareal, onde passou a gozar de um rendimento mensal que 99,9% dos seus antigos vizinhos apenas conseguirá usufruir nos sonhos mais optimistas. 

Esse caminho terá sido tudo menos fácil e resultou seguramente de muitos sacrifícios, desenganos e desilusões, só superados por grande vontade e aplicação. Terá de ser precisamente esse agora o grande trunfo de Rúben Semedo: não o clube, não os empresários, mas ele próprio. É certo que o futebol não é muito pródigo em reabilitações, é talvez mais conhecido pela facilidade com que tritura e facilmente repõe os seus actores. 

Desde que a sentença judicial que resultará como consequência das suas acções não lhe impunha um afastamento prolongado ele terá todas as condições para se reabilitar. Todas menos uma: a vontade de afirmar o seu enorme potencial. Foi dela que se esqueceu ou se desviou e precisará de reencontrar rapidamente. Oxalá ainda vá a tempo de sair do bairro que construiu que construiu para si e onde se deixou cercar.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Uma boa cerveja Checa para esquecer a Astenia

Foi um Sporting muito asténico que se deixou resvalar até ao empate com os cazaques do Astana. Agora que a neura já se perdeu entre lençóis é hora de olhar em frente e perceber que os danos são de menor importância e que há uma boa oportunidade para continuar a fazer história na competição. Ainda por cima na terra da boa cerveja, o que faz deste sorteio quase uma receita médica para levantar a moral e acabar com astenia. Venha daí o Plzen!

P.S.- O Senhor de costas na foto deu mais um passo para uma grande época, um grande Mundial e, infelizmente (porque os grandes jogadores fazem-nos muita falta) para uma transferência astronómica.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Legal versus ilegal ou a justiça poética

Tanta indignação que provocou um golo ilegal para, ao virar da página, acontecer isto que a foto documenta. Estavam quase tantos jogadores em fora-de-jogo e marcar um golo ILEGAL como os minutos de desconto dados para um golo LEGAL. E o video-árbitro? Estaria a consertar a bancada? Imbestigue-se!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Tondela 1 - Sporting 2: Alcançar apesar de mal porfiar

Com duas falhas individuais onde menos se esperava (Coates pouco intenso no golo do Tondela e a paragem cerebral do cerebral Mathieu) o Sporting quase viu perigar a conquista dos importantes três pontos. O facto de o ter conseguido já muito fora de horas significa apenas que, apesar das contrariedades, ainda assim a equipa tentou, mesmo sem muita arte, tudo o que podia e enquanto podia. 

A natural azia dos tondelenses é compreensível, se fosse comigo sentiria o mesmo. Mas há que reconhecer o mais importante, o nosso golo não é ilegal, pelo que toda a polémica que se seguirá perderá muita força. Ou devia perder... É bom lembrar que éramos nós que jogávamos em inferioridade numérica e vínhamos de uma longa e desgastante viagem, pelo que o prolongar do tempo de jogo funcionou a nosso favor porque arriscamos o que o Tondela, em superioridade numérica, preferiu não fazer. O que também é compreensível, ao contrário de nós, o empate servia-lhes. O incompreensível é que tenha deixado de arriscar precisamente quando ficou em vantagem.

Quanto ao jogo ele teve diversas partes. A inicial, com o Tondela a superiorizar-se com mérito - a forma rápida como saía para o ataque, alargando primeiro a frente de ataque e dando-lhe depois profundidade  - também por falhas nossa organização defensiva, muito por descuido com as movimentações, especialmente de Miguel Cardoso e não menos por falta de intensidade na abordagem dos lances.

Até que se ouviu um "alto e para o baile" onde Acuña, Bruno Fernandes e especialmente Gélson, começaram a obrigar o Tondela a maiores cuidados defensivos, retirando-lhe o fulgor e o perigo que os tinham levado até ao golo de vantagem. E foi assim, com um míssil teleguiado de Acuña, que a bola chegou ao implacável Dost. Parece simples, fica por saber porque não acontece mais vezes...

Mudamos de campo e voltamos a mudar de forma de olhar para o jogo. Até já parecia ganho, que o Tondela se sentia a perder, como se o golo de Dost valesse por dois. Ou que o jogo era a feijões, se não foi isso que Mathieu percebeu assim pareceu. 

A saída do central francês minou a organização da equipa e passamos a jogar de uma forma que só com muita felicidade chegaríamos ao golo. Foi quando tudo já parecia inapelavelmente resolvido que lá chegou o golo tardio e a remissão de Coates. Não façam muitas destas, pelo nosso coração e sobretudo porque o final nem sempre será este.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

E agora, depois da AG, podemos concentrarmo-nos no que realmente importa?

Finalmente a AG passou à história, é tempo por isso de nos voltarmos a concentrar no que é realmente importante: as diversas competições onde as muitas equipas que representam o clube estão envolvidas. Os resultados de ontem ajudaram a esclarecer e desmitificar algumas ideias:

- A votação esmagadora recolhida pelos órgãos sociais ontem confirma que não há facção ou facções com massa critica para exercer contravapor. 

- Aquela que é a maior AG de sempre vem juntar-se às eleições mais participadas de sempre. Há ou não há militância?

-  Estes são os órgão sociais com o apoio mais claro por parte dos associados e maior suporte dos órgãos institucionais.

Entretanto o que estava inicialmente em causa - as alterações estatutárias e o regulamento disciplinar - passaram em segundo plano. Só o tempo poderá confirmar o que isso realmente representará de novo na vida do clube.

Como nota final a minha discordância relativamente à "fatwa" declarada à generalidade dos órgãos de comunicação social, com as consequências a serem sentidas logo no imediato, à saída do pavilhão. Estava habituado a ver este tipo de actos no outro lado da estrada. Acredito que a generalidade dos Sportinguistas têm competências suficientes para separar a boa da má moeda na comunicação social.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O Sporting160 e eu


Estou cansado. Há meses, (muitos, demasiados já) que tudo o que pode correr mal tem corrido mal e por vezes bem pior do que julgava ser possível suportar. A "sorte" é que só vive mesmo um dia de cada vez, algo que se aprende com o tempo e nos protege da ansiedade e relativiza o medo dos desfechos que sabemos inevitáveis e dolorosos. O que não consigo resolver ou o que não se auto-soluciona hoje tem no dia seguinte uma nova oportunidade. 

Do lado bom das coisas estão os muitos poucos mas muito bons amigos que me restam e aqueles que amo incondicionalmente e de quem nunca me permitirei desistir. No meio de todos, está o Sporting que, para ficar de bem com a minha consciência, evito atribuir-lhe uma posição hierárquica definida, porque sei que são muitas as ocasiões em que lhe dou toda a prioridade, muito além até do que racionalmente me deveria permitir.

Muitos dos que ainda vão lendo este blogue há muito que já me julgaram e etiquetaram definitivamente como oposicionista, "croquette", talvez até agora já seja "sportingado". Como há alguns anos antes despejavam o "terrorista". Não sou nem nunca serei oposicionista ao Sporting posso, isso sim, manifestar opinião discordante relativamente às matérias que assim entender.

O "A Norte de Alvalade" faz este ano 10 anos de actividade e posso-me orgulhar de até mesmo nos piores momentos não ter ultrapassado os limites da decência que devem nortear a relação entre adeptos e nessa qualidade com os seus eleitos, mesmo que a tal tenham chegado sem o meu voto. As piores e por vezes mais violentas criticas abstenho-me de as publicar, partilho-as de forma privada, não por receio de represálias, mas porque tenho consciência do poder destruidor que por vezes podem alcançar, sobrevoando apenas o criticado mas aterrando com estrondo no Sporting, particularmente nos momentos mais críticos. 

Exerço o direito à minha opinião sem receios, porque não estou vinculado a pessoas, grupos ou movimentos, nem tenho "rabos de palha" que me possam chamuscar. Quanto ao "croquette" sou fã incondicional, mas apenas como iguaria culinária. Quanto ao que o apodo representa para o Sporting, desafio qualquer um que, no devido tempo, tenha alertado para os erros desportivos e de gestão da "res publica" Sportinguista (nomeadamente o património intangível que são os sócios e o imobiliário) como aqui foi feito nestes 10 anos. Muitos o fizeram melhor que eu, mas não estive calado como seguramente muitos dos que me tentam agredir estiveram. Não preciso de dar cabo da coluna, em violentos flick-flacks, para agora aparecer bonito na fotografia deste "novo Sporting".

Quanto ao "sportingado" assumo-o sem dificuldade. Se isso quer dizer um Sportinguista zangado com o continuo desperdício das melhores energias de um clube cheio de gente boa, capaz e desinteressada, que apenas aguarda que o convoquem para dar o que for necessário e estiver ao seu alcance. Cansado com o desperdiçar continuo das melhores oportunidades para revitalizar o clube e devolvê-lo ao caminho projectado e já anteriormente trilhado pelos que nos antecederam.

É por o Sporting me ser muito importante que estou a roubar tempo ao descanso para escrever e  dizer isto não é fazer uma queixa. O primeiro parágrafo também não é para apelar ao sentimento, é um mero desabafo, a tirar do peito para que não apodreça e se transforme em azedume. É por isso também que estou a escrever agora, nunca desistir do que é realmente importante para mim. E o Sporting é importante, entre várias razões porque o amor não se explica. Mas também por gratidão, alguns dos tais poucos mas muito bons amigos conheci-os debaixo da bandeira que nos é comum.

Entre esses bons amigos estão o Pedro Varela e o João Castro, com tenho tido a felicidade de fazer o podcast [Sporting160]. Se nunca ouviram, não sabem o que estão a perder. Fazer o Sporting160 com eles depressa se tornou dos melhores momentos da semana. E julgo que também tem sido um bom serviço prestado ao Sporting, sem outros apoios que não sejam os conhecidos, amigos e amigos dos amigos e os muitos amigos que fidelizamos entretanto.

Sabia desde o inicio que a minha presença poderia ser incómoda e disso dei conta a ambos, tendo já diversas vezes posto o meu lugar à disposição, por não querer significar um entrave às naturais ambições de fazer mais e melhor. Tenho a minha consciência tranquila, sou exactamente a mesma pessoa que escreve aqui e fala no 160, por muito que queiram dizer o contrário. Há uma diferença substancial: aqui sou eu que elejo os temas, lá comento o que me é pedido. E como não tenho "agenda" não preciso de dizer lá o que escrevo aqui, a menos que me seja pedido o comentário. Mas se me apanharem em contradição agradeço o reparo.

Sabia também que, mais cedo do que tarde, a minha permanência ali seria objecto de auditoria. Imaginava que esse dia chegaria um dia. E que se repetiria. E assim tem sido. Que esteja a decorrer no Twitter há dois dias sob o pretexto "é para saberem quem ele é", referindo-se a mim é a novidade. Sem dúvida que é o local adequado para "flash mobs". Lamento com pesar que na cegueira vingativa de me atingir a mim se leve tudo de arrasto. Eu não tenho nenhuma importância, sou eu e a minha opinião.

Mas o Sporting160 tem! E o grande trabalho do Pedro e do João também tem mas, acima de tudo, não merecem algo como isto. E, embora eu considere que posso ser uma mais valia, também não ignoro que posso ser um incómodo. Especialmente porque a minha opinião em relação a muitas matérias relacionadas com o Sporting são tendencialmente minoritárias e muitas vezes incómodas. Também o são para mim, pois poucas coisas são tão desagradáveis como estar em sentido oposto à corrente dominante.

Mas acima de tudo sou leal aos meus amigos especialmente quando sofremos e celebramos sob o emblema que é tudo para nós. Por isso eles sabem desde a primeira hora que o meu lugar está sempre à disposição deles. Porque eu sei o quanto gostam do que fazem e como esse trabalho redobra o amor e a ligação ao clube. No Sporting160 eu sou o menos importante e o mais facilmente dispensável. Se isso acontecer, o que eu compreenderia perfeitamente, até ganhavam mais um ouvinte. Porque das idas aos jogos espero que nunca me dispensem.

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