Como vamos sair todos a perder da AG de dia 17
Independentemente do que sejam os resultados da próxima AG, o Sporting já está a perder e não vejo como possa sair a ganhar deste processo. As consequências do abandono da reunião inicial e subsequente radicalização por parte de BdC - ou aprovam ou bato com a porta - mais os tristes episódios no Facebook, a acabar no número patético que a "sessão de esclarecimento" representou, tudo concorreu para deixar o Sporting mal colocado na fotografia. E o desfecho deste processo não se afigura mais vantajoso.
É muito provável que, tal como pretendido, todos os pontos venham a ser aprovados, é pelo menos essa a minha convicção. A chantagem feita certamente que produzirá os seus efeitos mas é indiscutível que, houvesse coragem por parte da massa associativa, o resultado poderia ser bem diferente. A AG seria o local indicado para chamar à razão os órgãos sociais que a eventualidade da rejeição de algum ponto da ordem de trabalhos decorre do exercício normal da vida de um clube e não representa uma censura e muito menos a necessidade da abertura de uma crise carregada de absurdo. Mas a democracia dá muito trabalho, obriga a explicações, obriga a
compromissos, eventualmente a cedências das partes envolvidas e por isso
Bruno de Carvalho preferiu um processo autocrático, optando por
extorquir aos sócios a aprovação dos pontos restantes da ordem de trabalhos.
Seguramente que não foi pelo respeito que deve aos associados que os quer obrigar a aprovar alterações
estatutárias sob coacção. E quando se queixa de ingratidão que deveremos dizer das suas acusações de falta de militância ("neste momento estão quase a matar-me e a culpa sinceramente está a ser dos sportinguistas, porque eu preciso de militância"), quando o número de sócios aumenta, os números de assistências são as maiores de sempre, apesar dos sacrifícios impostos pelos custos e pelas inúmeras solicitações? Provavelmente enganou-se e queria dizer "concordância"...
A AG seria também o lugar adequado para responsabilizar os órgãos sociais, lembrando que têm um mandato para cumprir e que ninguém pôs em causa. A patética tentativa de criação de um governo sombra, que vestisse as roupas de uma oposição encarniçada, na pele de "meia-dúzia" de nomes e posts coscuvilhados nas redes sociais foi direitinho para o meu álbum de recordações dos momentos mais tristes do Sportinguismo.
Ao contrário do que se pretendeu com este auto-de-fé, o Sporting não tem oposição organizada. Nem tem sequer uma figura emergente que agregue descontentes. Tem e espero que tenha sempre pessoas que não receiam em manifestar a sua opinião. Tem e terá sempre também exemplos melhores e outros piores na forma como a manifestam. Dar como exemplo opiniões extremadas, pretendendo que estas são uma tendência entre nós é tão só um convénio de disparates e disparatados.
Bruno de Carvalho deveria explicar na AG, especialmente aos muitos que o apoiam, porque prefere a negativa pela positiva, isto é, destacar permanentemente os que com ele não concordam e ignorar o enorme apoio que recebe. Será para se desresponsabilizar da sua afirmação: "com os sportinguistas atrás, farei tudo, levarei o Sporting ao céu. Não tenho dúvidas disso". Afinal quantos mais são precisos?
Este tem sido um processo gerido desde o seu inicio com muita inabilidade, precipitação e até mesmo prepotência. Como se percebeu pela actuação dos órgãos sociais, afinal os esclarecimentos eram mesmo necessários, ou não se teriam posteriormente desdobrado em tentativas de explicar ou pelo menos relativizar a importância do que estava em discussão. Foi pela falta deles e pela marcação inopinada da AG face à importância das matérias que o processo se polemizou.
A maior parte da polémica advém sobretudo da proposta de um novo regulamento disciplinar. Que não deve ser olhado de forma isolada porque, por exemplo, pretende-se também extinguir o método de Hondt na eleição do órgão que o aplicará, o CFD. Os argumentos invocados são pífios e meramente focados na circunstância, escapando às alterações propostas um efeito estruturador. Creio mesmo que é esse o espírito desta AG, a circunstância. Não há nenhuma medida verdadeiramente reformista que ofereça aos sócios um clube mais aberto e moderno. Por exemplo para um clube que se diz de Portugal, a centralização em Lisboa continua a onerar desnecessariamente os milhares que vivem longe. Quanto fica no final uma ida à AG?
Mas a polémica faz sentido. Mesmo descontando o exemplo acima do CFD, há ainda a troca de um Conselho Leonino eleito pelos sócios por um comissariado indicado pelo presidente que, sintomaticamente, também não se esqueceu de reforçar os poderes, tornando-se um órgão social. Esse sentido é ainda mais aguçado quando o famigerado regulamento que ia entrar em vigor no próximo mandato diz-se agora que é para efeitos imediatos. Não querem alterar desde já a redação e dotá-lo de efeitos retroactivos?...
Creio que toda esta pressa e forma de proceder, associada à falta de uma discussão aprofundada confirmam os piores receios. Acresce que esta sanha punitiva me parece farisaica, pois o próprio presidente tem feito os possíveis e os impossíveis por ser conhecido pelos excessos de linguagem e falta de respeito generalizada. Ficamos por exemplo a saber na sessão de esclarecimento que, alegadamente, PMAG é um "cabrão" quando demora a publicar os resultados eleitorais. Que, quando chamado à razão pelo uso de linguagem inapropriada nas instalações do clube na presença de elementos do sexo feminino ele quer, alegadamente, ela "se f%&#". Certamente que não seria a manifestação de uma preocupação com o seu bem estar e qualidade da sua vida sexual... E estas são só as últimas...
Creio que poucos ficarão tranquilos com a sua consciência mas no final, depois de tanta dramatização, isto não será mais do que um triste episódio e uma desnecessária crise. O que eu gostava que acontecesse não vai acontecer: que os sócios manifestassem sem medo a sua discordância por esta falta de respeito. Sem dramas e demissões, pois não creio que alguém no seu perfeito juízo - no que incluo o presidente... - conseguiria compreender que a direcção caísse assim e agora.























