Da amarga nulidade quase total aos saborosos bis
Derby nulo
Decepcionante e de nulidade quase total o nosso desempenho no último dérby da época. Salvou-se o resultado, que nos mantém na luta pelo segundo lugar, o que permite continuar a acalentar a possibilidade de voltarmos a participar na Liga dos Campeões. Um objectivo secundário mas determinante para o prestigio e sustentabilidade do clube, como agora se percebe melhor com os novos plafonamentos de verbas destinadas aos participantes na competição.
Das duas estratégias em confronto para o jogo, há que reconhecer que a do nosso adversário se superiorizou à nossa, sobretudo pela forma como soube trancar a generalidade das nossas tentativas de organizar o ataque e, em contrapartida, soube criar condições para o sucesso das suas perigosas transições. Samaris e Fesja (especialmente) superiorizaram-se a Battaglia e William (sem ritmo) e abafaram completamente Bruno Fernandes, o nosso elemento mais importante na criação de jogo. Um recurso já anteriormente usado por outros adversários, nomeadamente Sérgio Conceição, e que explicam em muito a ausência de vitórias a nosso favor em jogos entre os grandes. Fica a satisfação de, ao contrário de outras ocasiões recentes em que fomos superiores, termos alcançado um resultado que nos pode ser útil, apesar do menor desempenho.
Destaque maior para Rui Patrício, que voltou a ser determinante para chegarmos assim ao mínimo admissível, nestas circunstâncias, jogando em casa: manter a vantagem alcançada na última jornada. Falta agora confirmá-la na última jornada, algo que não se augura como fácil. Quer pela pouca vitalidade exibida nos últimos jogos, quer pelo que os interesses em jogo podem provocar e de cujo exemplo tivemos na arbitragem do sr. Xistra e pela "falta de comparência" do vídeo-árbitro.
Quem não esteve com dúvidas nem procrastinações foi o andebol. Muito empenho (sem ele não se ganha, muito menos no andebol) e muita classe estiveram na base da confirmação do ressurgimento da modalidade com a expressão de que já havia gozado anteriormente.
A memória de "Os Sete Magnificos" (Carlos Correia, Alfredo Pinheiro, Ramiro Pinheiro e Manuel Brito, Adriano Mesquita, Bessone Basto e Manuel Santos Marques) dos anos 60/70 em que dominamos a modalidade, os que estrearam a primeira equipa portuguesa na Taça das Taças (1975/76), os primeiros vencedores de uma competição europeia de clubes (Taça Chalenge, 2009/10, feito repetido por este grupo de trabalho o ano passado) é assim honrada e a transmissão do seu importante legado é concretizada.
O significado desta conquista é ainda maior se se atender aos pormenores: alcançamos o segundo titulo consecutivo, o que ractifica a nossa qualidade. E ainda por cima voltamos a liderar em número de campeonatos nacionais alcançados, suplantando o FC Porto, que de 1999-2000 até hoje dominou como quis, conquistando onze títulos.
Os parabéns a todos os envolvidos neste titulo, direcção, seccionistas, equipa médica, dos jogadores, enfim, a verdadeira equipa que se formou e cujo trabalho realizado na organização da época foi fundamental para superar as muitas contrariedades e que, além de cumprirem o desígnio de ganhar, construíram uma relação notável com os adeptos.
Foi "Sem desculpas", o lema de toda a secção, que a equipa feminina revalidou o título e confirmou a hegemonia na modalidade, com uma goleada ante o Valadares, por 4-1. Este é o primeiro titulo sénior de futebol celebrado em Alvalade, desde a inauguração do estádio, o que só pode ser entendido como um exemplo deixado pelas meninas e que o fim da "eterna malapata" está a chegar. A diferença de andamento para a concorrência tem sido tão grande que leva a supor que a esta equipa (tal como acima dizia, todos os que a compõem, da direcção ao roupeiro) nos vai continuar a dar muitas alegrias. O facto de estarmos na presença de um grupo jovem e que ainda por cima domina as convocatórias da selecção nacional assim o leva a supor.
Notas soltas:
- É impossível constatar o ressurgimento das modalidades sem que isso não obrigue a uma reflexão e comentário. Tentarei fazer isso aqui de forma tão breve como possível. Mas a constatação de que a necessidade de um pavilhão era estruturante era tão "lapalissiana" que nem sequer merece comentários, como se pôde ver nesta última semana.
- Uma nota pessoal sobre o dérby. Não vou enunciar os nomes daqueles que finalmente tive oportunidade de conhecer pessoalmente, porque não quero incorrer na injustiça de me esquecer de algum. Pelas mesmas razões não vou enunciar os nomes daqueles que ficaram por voltar a cumprimentar, voltar a abraçar ou finalmente conhecer pessoalmente. Este misto agridoce dos encontros e desencontros, mas especialmente o calor da comunhão dos mesmos interesses e da imensa paixão por este clube é que dá forças e vontade de superar todas as contrariedades para voltar a casa sempre.





















