quarta-feira, 14 de março de 2018

Do enorme Peyroteo ao surpreendente rugido de Bas Dost


É o maior goleador nacional com 331golos registados em 197 jogos o que dá uma média de 1,6 golos por jogo. Um número único também entre os campeonatos de referência em todo o mundo.

Maior goleador do Sporting com 529 golos em 327 jogos

Detém o invulgar número de 9 golos marcados num só jogo (Leça, 1941/42)

Melhor média de golos marcados pela selecção, num tempo em que os jogos entre equipas nacionais eram escassos: 14 golos em 20 jogos, o que dá a média de 0,7 golos por jogo. 

É também o jogador com mais golos marcados ao SLB: 64 golos em 55 jogos, média de 1,2 golos por jogo. 

O mesmo relativamente ao F.C.P: 33 golos em 32 jogos, uma média  de 1,02 golos por jogo.

Hoje é pois um bom dia para falar de goleadores. E o Sporting tem a sorte de ter nos seus quadros Bas Dost, um goleador na senda de outros nomes grandes, como Yazalde, Jordão, Manuel Fernandes. Mas talvez seja Jardel o jogador com quem mais se assemelha, pelo invulgar sentido de oportunidade e de construir grande parte do seu pecúlio nos eximios golpes de cabeça.

E se neste momento podemos ainda acalentar esperanças de chegar ao tão desejado titulo muito a ele lhe devemos. No jogo em Chaves necessitou apenas de três remates para fazer dois golos. Dessa forma reforçou a incrível média de 2,2 remates que necessita para fazer um golo. Para que se perceba o que este número representa, Jonas, o lider actual dos goleadores, precisa de quase o dobro dos remates para chegar ao golo (4). Desta forma Bas Dost ofereceu nesta Liga 6 vitórias ao Sporting, igualando assim os números do ano passado. Dos 53 jogos que disputou até agora pelo clube, os seus 56 golos foram decisivos em 12 deles. (números redondos, TSF).

A fabulosa fotografia que ilustra o não menos fabuloso Bas Dost é da autoria de Leonel De Castro, fotógrafo do JN

terça-feira, 13 de março de 2018

Chaves 1 - Sporting 2: Duas fatias de presunto com 6 épocas de cura

Se nunca experimentou umas fatias de presunto com seis anos de cura recomendo vivamente. Há até uma marca espanhola que os faz com mais anos e são considerados os melhores do mundo. Pronto, se quiserem, os Ronaldos dos presuntos. A comparação não é assim tão desajustada porque há muito presunto nascido e criado em Portugal que faz grandes figuras do outro lado da fronteira. 

A referência gastronómica ao jogo de Chaves também não é assim tão despropositada, também. A região a que a cidade dá o nome é conhecida pelas suas iguarias, entre as quais se destacam o presunto. E o jogo com os da casa acabou por se resolver em grande parte pelo facto do presunto do Nuno André Coelho estar pelo menos em linha (dizem-me...) com a perna mais adiantada do pai de nós todos, que por estes dias tem sido um senhor holandês de seu nome Bas Dost. 

Um triunfo que levou seis épocas a curar, não podia por isso ser mais saboroso. A verdade é que até Dost entrar andávamos cheios de cerimónias a olhar para a iguaria, mas sem dar mostras de grande decisão na hora de estrear a peça. Muita indecisão para quem havia feito tantos quilómetros e dessa forma se arriscava a fazer a viagem de regresso de mãos a abanar. 

Alegorias sobre iguarias à parte, a verdade é que não foi nada fácil, como se previa, esta deslocação a Chaves. Muito por culpa das ausências registadas na equipa inicial - sobretudo Bruno Fernandes, Bas Dost e também Acuña - e da falta de rotinas de Battaglia, Misic e de genica de Montero. O argentino até cumpre a defender, mas um lateral de equipa grande tem de dar largura e profundidade para dar sequência ao jogo de ataque. Deve-se dizer com toda a justiça que foi determinante para o desfecho final, ao opor-se a um golo flaviense e a oferecer o segundo golo a Dost.

Poucas vezes conseguimos incomodar verdadeiramente a equipa flaviense, que se sentia muito confortável à espera no seu último reduto. Misic estreava-se sem grande rotina e William não foi bem sucedido a fazer de Bruno Fernandes. Porque não William a "6", que até tem rotinas, e Wendel a 8? Montero, naquela toada de "não estou para me chatear se não me põem a bola direitinha no pé" que o caracteriza, passou completamente ao lado do jogo. Bryan Ruiz quase "idem, idem, aspas, aspas". Menos mal o "proscrito" Rúben Ribeiro, cuja assistência decisiva, a juntar à do jogo de estreia, já vai justificando a chamada. Gélson esteve irreconhecível.

Nota positiva também para o jovem Lumor, de quem JJ acha que "não é tão bom como os mais ou menos que podíamos ir buscar lá fora" mas que deu boa conta do recado. Surpreendeu-me particularmente a defender, momento do jogo tido como menos bom do seu repertório. Falta ver mais para saber se tem o melhor músculo que deve dotar um jogador - a inteligência - mas para já safou-se. Para um jogador com as suas origens - equipas pequenas - e condições - vinte e um anos de idade - não comprometer é muito bom.

Seria contudo injusto não referir neste arrazoado de ideias soltas sobre a deslocação a Chaves  Rui Patrício. Não tivesse ele impedido que William, avançado do Chaves, nos presenteasse com um chouriço, talvez não chegássemos a trazer o presunto para casa. 

Nota para a arbitragem. Ao que parece o golo de Dost é legal, mas não me pareceu mesmo depois de visionada a repetição. Porém asseguram-me que há imagens que o demonstram, o que me deixa sossegado. Na altura, vendo que o VAR não intervinha pensei que era pelo facto de o famigerado ter a conta ainda em saldo negativo connosco. Também não me pareceu penalty de Coates, que continua a apostar muito na sorte e menos na segurança das suas intervenções. E julgo ter havido penalty sobre o William mas como estamos na Quaresma, tempo de meditação e penitência, não vejo programas de arbitragem, paineleiros e afins, cumprindo assim os desígnios de nosso senhor, o presidente. (É para ter piada, mesmo sabendo que isso me é proibido por alguns católicos mais ortodoxos.)

Bonito bonito foram mesmos os três pontos a coincidir com o último apito. O que interessava estava alcançado e é isso que conta para o campeonato. Infelizmente tanto como aquela derrota estúpida no Estoril, ou agora estávamos a fazer outras contas...

segunda-feira, 12 de março de 2018

O veredicto do Tio Patinhas de Alvalade sobre as contas do semestre

Saudações leoninas deste vosso amigo “Tio Patinhas” de Alvalade

Como decerto repararam, no passado dia 28 de fevereiro, foram publicadas as contas semestrais da Sporting SAD, que dizem respeito ao período compreendido entre 1 de julho e 31 de dezembro de 2017. Já passaram uns dias, é certo, mas a minha atividade profissional neste início de março não me deixou tempo para as analisar com a calma necessária para poder escrever antes.

No próprio resumo feito pela SAD, verificamos que o volume de negócios atingiu os 82 Milhões de Euros e que o Resultado Líquido do Exercício foi de 10 Milhões de Euros. Ao nível do Balanço, é realçada a diminuição do Passivo Global em 40 Milhões de Euros e uma redução do passivo bancário e obrigacionista em 23 Milhões de Euros.

Ao analisar o Volume de Negócios, verificamos que na generalidade, as receitas exceptuando as transações com jogadores continuam a subir. A participação na Liga dos Campeões rendeu mais 5 Milhões de Euros que o ano passado (prémio de qualificação na pré-eliminatória e mais 4 pontos alcançados na Fase de Grupos) e as receitas com Gameboxes e Bilheteira (aumento de 25% face ao ano anterior).

As vendas na Loja Verde aumentaram cerca de meio milhão de Euros enquanto que as vendas de Material Sporting ao Retalho / Distribuição caíram 225 mil Euros. Exceptuando as receitas operacionais, a outra grande fonte de proveitos tem sido as transacções de jogadores. Mesmo no final da janela de transferências, Adrien foi vendido para o Leicester por 20 Milhões de Euros, abdicando o jogador da sua parte da transferência, conforme o acordo que tinha sido estabelecido com o Sporting, aquando das suas renovações de contrato. Assim, o montante da alienação dos direitos desportivos e económicos de Adrien representa a fatia de leão dos 28,7 Milhões de Euros atingidos.

Por seu lado, os custos operacionais aumentaram cerca de 4 Milhões de Euros, face a igual período do exercício transacto, montante explicado essencialmente por mais um aumento dos Custos com Pessoal, que totalizaram 37 Milhões de Euros no semestre. Verificamos assim que os custos operacionais foram de 54 Milhões de Euros, excedendo 800 mil Euros, os ganhos operacionais (excluem-se os rendimentos relativos à transação de jogadores). E neste parâmetro, salta-me à vista a minha maior preocupação com as contas deste Semestre. Se por um lado, o Resultado Líquido do Exercício é de 10 Milhões de Euros, verificamos que o operacional sem transações é deficitário neste semestre. E no Volume de Negócios, temos uma verba de quase 20 Milhões de Euros relativas à participação na Liga dos Campeões que não existirá no segundo semestre.

Embora o Sporting esteja bem encaminhado para chegar aos Quartos de Final da Liga Europa, os prémios pagos por esta andam bem longe da Liga milionária (e o fosso, vai aumentar ainda mais). Ora sabendo do princípio da especialização dos exercícios, verificamos que as receitas de bilheteira (incluindo Gameboxes) e direitos televisivos deverão ser similares no segundo semestre, pelo que estimo que seja necessário vender jogadores para que o Resultado Líquido do Exercício seja positivo no final do ano. Pelo histórico, prevejo que o Volume de Negócios sem transações com jogadores fique num valor entre os 85 e os 90 Milhões de Euros enquanto que os custos operacionais ficarão muito perto dos 100 Milhões de Euros.

Apesar de no Relatório de Contas referir que o atual Conselho de Administração apostar numa fixação de limites de gastos em função das receitas estimadas, eu gostaria que os Custos de Pessoal não disparassem ano após ano, sem o devido retorno desportivo (pelo menos, no que ao Campeonato) diz respeito. Felizmente que nos últimos anos, a espiral de transferências tem aumentado e o Sporting tem beneficiado bem com isso, tendo algumas transferências atingidos valores muito bons face ao que seria expectável há uns anos atrás. Por se tratar do Relatório Semestral e não do anual (onde os valores são discriminados), ficamos sem perceber o aumento para mais do dobro dos Encargos com os Órgãos Sociais.

No que ao refere ao Balanço, verificamos que ocorreu uma diminuição do passivo bancário de 16,7 Milhões de Euros e que finalmente, a Doyen desapareceu das contas, com a anulação de provisões e o recebimento das receitas retidas pela UEFA. Adicionalmente a estes factos, verificamos que a reestruturação financeira empreendida no primeiro mandato de Bruno de Carvalho permitiu uma melhoria significativa dos resultados financeiros, fruto da redução dos encargos com juros e afins. O investimento no plantel também permitiu o crescimento do seu valor no Ativo, representando um valor de cerca de 66 Milhões de Euros. O montante de depósitos restritos atinge pela primeira vez os 5 Milhões de Euros, o que é igualmente bastante positivo. E a título pessoal, espero que o nosso scouting funcione ainda melhor para não empatarmos alguns milhões de Euros em jogadores que não rendem o esperado (como Alan Ruiz), consumindo recursos financeiros que seriam importantes para o nosso futuro.

O “famoso” factoring baixou da fasquia dos 25 Milhões de Euros, totalizando cerca de 22,5 Milhões de Euros, o que é de realçar, apesar de como ter dito no passado, não me preocupar muito (é apenas um instrumento financeiro, como outro qualquer).

Em resumo, um primeiro semestre positivo para a SAD do Sporting, mas com alguns pormenores que exigem alguma cautela na condução dos destinos do nosso Clube, nomeadamente o constante crescimento dos Custos com Pessoal. Nos últimos 3 anos, o Sporting tem crescido, ano após ano, as suas receitas operacionais independentes das transações com jogadores, sendo um mérito indesmentível da atual Direção. Mas perante o cenário de perda de um Clube na próxima edição da Liga dos Campeões (e o fosso cada vez maior entre as duas maiores competições da UEFA), os custos com pessoal serão quase incomportáveis senão alcançarmos pelo menos o segundo lugar no Campeonato.

Aguardemos então pelas contas do terceiro trimestre, que não tarda, estão aí. 

Despeço-me desejando que ganhemos todos os jogos do Campeonato até ao final, que façamos o churrasco no Jamor e que o nosso Clube brilhe na Liga Europa, chegando até ao magnífico estádio do Lyon, onde pude ver ao vivo, Portugal empatar com a Hungria no Euro 2016.

O vosso “Tio Patinhas” de Alvalade

sexta-feira, 9 de março de 2018

Jorge Jesus, sim ou não?

O chocar de frente com a triste realidade de que mais uma vez o sonho do título vai ficar adiado trouxe de novo à actualidade o assunto da continuidade de Jorge Jesus. A realizar a sua terceira época consecutiva, o treinador ainda não cumpriu um dos desígnios primordiais que levaram à sua contratação: obter o titulo de campeão nacional, pondo assim fim a mais um longo jejum. Ninguém negará por certo que o objectivo final fosse mesmo o lançamento das bases para uma nova hegemonia no futebol nacional.

Nesta matéria é importante estabelecer desde logo uma importante premissa: seja ele quem for - e mesmo que se chame Jesus - um clube como o Sporting não se pode sentir refém do seu treinador. Seja pelos termos do contrato, seja pelos valores envolvidos, a razão da continuidade não pode nunca ser os números elevados que uma possível rescisão.

A única razão aceitável para tal tem que estar na assumpção da descrença do seu trabalho. Manter um treinador em cujo trabalho se deixou de confiar é o pior dos erros que se podem cometer na condução de um clube de futebol. E os custos desse erro tendem mesmo a ter implicações muito mais sérias e duradouras que uma choruda indemnização.

PONTOS A FAVOR...E CONTRA

Uma outra importante premissa é que as avaliações feitas em momentos de desilusão tendem a ser arrastadas para visões pessimistas, valorizando-se acima de tudo os lados mais negativos e esquecendo-se ou desvalorizando-se os progressos registados, mesmo que estes não tenham sido acompanhados de títulos.  Aqui a pergunta que se impõe é: o Sporting com Jorge Jesus ficou mais forte competitivamente, aproximando-se dos seus rivais? Parece que, mesmo contando com o total fracasso que a época 16/17 representou, que a resposta é afirmativa.

Mas há sempre um "mas". E aqui é importante registar a vertiginosa subida dos custos do plantel. Quem não gosta de Jorge Jesus tem aqui um argumento poderoso. A subida da competitividade leonina estaria explicada naturalmente pela melhor qualidade individual registada no plantel.

A explicação parece redutora, quanto mais não seja por esse estranho facto de aquela que deverá ser a melhor época até agora registada - e apenas na Liga, uma vez que a época não acabou - foi a época mais barata das três. Parece também que a aproximação dos custos era indispensável, pois a qualidade dos ovos está directamente relacionada com qualidade que se obtém nas omeletas. 

Onde parece haver argumento mais válido contra a "filosofia jorgejesuíta" é relativamente à forma como ele olha para uma daquelas que tem sido uma das mais-valias do clube, funcionando como uma das mais vistosas bandeiras e factor de sustentabilidade do clube: a formação. Ainda que considerando a versão mais pessimista - "o Sporting não teria ganho na mesma" - é claro que poderia ter gasto menos com mais ou menos resultados.

Há uma geração de valor muito razoável de jogadores que parece ter passado ao lado do radar do treinador, mas cujas escolhas alternativas pouco ou nada acrescentaram a não ser ao lado dos custos. Jogadores como por exemplo Iuri Medeiros, Palhinha, Francisco Geraldes, Matheus Pereira viram-se preteridos por jogadores sem qualquer valor acrescentado e, pelo menos até ver, têm a sua carreira num limbo.

A resposta dada por eles é directamente proporcional à aposta do treinador: pouco mais que zero. Muito diferente da insistência igualmente inútil em Petrovic, Markovic, Campbell e mais recentemente em Alan Ruiz, por exemplo. As excessivas rotação de jogadores e instabilidade dos plantéis sem que os objectivos procurados sejam facilmente percebidos são outros argumentos de peso contra o técnico.

Há no entanto que considerar que a balança pende ainda para Jorge Jesus. Gélson não é ainda um produto acabado mas é já um valor seguro, Podence viu a sua afirmação bem encaminhada interrompida por uma lesão. Rúben Semedo foi hiper-valorizado, como agora se percebe melhor. E aqui, nos valores das negociações dos passes, é indiscutível que a associação Sporting/Jorge Jesus tem sido proveitosa para o clube. Mérito dividido pela sageza negocial da SAD, mas também pela valorização de jogadores directamente ligada ao trabalho de Jorge Jesus.

É que, mesmo sem chegar aos títulos, a respectiva proposta de jogo é atractiva e desperta as atenções, como se tem visto nos elogios de adversários e imprensa sobretudo após os confrontos internacionais.
Mas não é apenas a percepção de Jorge Jesus relativamente ao potencial da formação que merece ser aprimorada. Até porque o lançamento de Rafael Leão demonstra que o técnico está atento, mesmo que Leão pareça o “último dos moicanos” a merecer a atenção nos próximos tempos… A cooperação SAD / Jorge Jesus parece, também, merecer uma clarificação e aprofundamento.

Depois da carta branca dada o ano passado ao técnico, com os desastrosos resultados que se conhecem, parece haver vontade em ter uma palavra a dizer também nas aquisições por parte da SAD (leia-se Bruno de Carvalho). Uma vontade legitima, uma vez que a responsabilidade ser-lhe-à mais tarde ou mais cedo pedida pelos associados. Mas que não terá bons resultados se não houver trabalho cooperativo entre as partes. A SAD não tem que satisfazer todos os caprichos do treinador mas tem que perceber que, no limite, a sua vontade esbarrará na palavra final do treinador.

REFORÇOS DE "OURO", EQUÍVOCOS DE LATÃO E MUITAS PONTAS SOLTAS

O que sucedeu esta época, particularmente no mercado de inverno, onde as assombrosas afirmações de Jorge Jesus sobre Lumor e a chegada directamente do Brasil para o exílio de Wendell parecem indicar que não era bem aquilo que o treinador esperava como reforços, é irrepetível.

Idem sobre Montero, nome que se repete em sentido contrário ao sucedido na primeira época e cujo erro de avaliação na troca com Barcos pode ser muito bem contabilizado como um factor que acabou por contribuir para a perda de fulgor na procura do titulo. Desencontros e erros de planeamento que deixam muitas pontas soltas, cujo preço acaba por ser pago inapelavelmente por todos os envolvidos.

Não parece contudo que a ligação entre o treinador e clube se tenha esgotado. Mais importante do que procurar atribuir culpas isoladamente a um dos lados, é determinante que se aprenda com os erros e que se reconheça a necessidade de aproximar o planeamento da perfeição. E a programação e planeamento do plantel esteve esta época longe de o ser.

Equívocos na construção do plantel são agora mais fáceis de perceber. O Sporting pode até ter o melhor plantel de sempre - seguramente é o mais caro... - mas ganhará na comparação com os seus rivais? Não nos parece. Nem na qualidade nem, sobretudo na quantidade de jogadores que representam não apenas número mas também oferecem soluções.

A saída de Adrien está ainda por colmatar e não será Battaglia a fazê-lo. É notória uma enorme diferença de valor entre alguns titulares e respectivos suplentes que, ao invés de multiplicarem as soluções fazem crescer os problemas. Veja-se o caso do lateral esquerdo, especialmente quando ainda estava Jonathan e factura que deixou. Mas onde a diferença é ainda mais notória é na frente de ataque. Como foi possível imaginar que o Sporting poderia fazer jus à ambição de leão com apenas Bas Dost como actor principal e Doumbia a figurante? E depois o que dizer de contratações que claramente se afiguravam equívocas como Matheus Oliveira?

ENTRE O RAZOÁVEL, O SONHO E O IMPOSSÍVEL

Não há como dizer de outra forma: face às expectativas e ao vultuoso investimento feito pelo clube e após um ano de estreia fulgurante a passagem de Jorge Jesus pelo Sporting tem-se saldado por um pouco mais, pouco menos que razoável. Perdeu-se a constância do primeiro ano mas mantém-se uma apatia em momentos que depois acabam por ser os momentos chave da época. Por exemplo os estranhos casos com o Tondela de épocas anteriores, o sucedido este ano com a paragem dos relógios no Estoril e os finais de jogos com o Real Madrid e Juventus, só para citar alguns dos exemplos mais paradigmáticos. Uma questão que dificilmente pode ser atribuída ao trabalho do treinador, pelo menos no que diz respeito à sua proposta de jogo, mas que pode remeter para o apronto físico ou mesmo para a gestão de esforço do plantel.

O que já não me parece razoável é medir a manutenção do treinador por metas irrealistas, como a obrigatoriedade de conquista este ano da Liga Europa. O Sporting tem que interromper o ciclo do sonho e passar com urgência para a concretização de metas alcançáveis. Juntar-lhe impossíveis só ajuda a criar equívocos. Isto não é o mesmo que dizer que não deve ter a ambição de chegar à final em Lyon, onde se disputará o derradeiro jogo da Liga Europa, mas não se deve distrair das suas obrigações internas para assumir as responsabilidades que em primeiro lugar cabem ao anfitrião Olympic e seu conterrâneo homónimo de Marselha. Isto se quisermos fazer de conta que não nos apercebemos da presença do Atlético de Madrid, Borússia de Dortmund e Arsenal.

O campeonato mudou, o fosso entre grandes e os outros aprofundou-se. As falhas de pormenor que antes podiam ser corrigidas são agora factores importantes de penalização porque do outro lado têm estado adversários implacáveis. Num primeiro ano muito bom o Sporting viu-se ultrapassado, apesar dos 86 pontos conquistados e este ano registar-se-á algo de muito semelhante. Pode até ocorrer que o terceiro classificado obtenha uma pontuação que lhe daria um campeonato em épocas anteriores. E mesmo sem ganhar o Sporting está mais próximo. A vez de Jorge Jesus e do Sporting há-de chegar, assim saibam ambos porfiar e esperar.

segunda-feira, 5 de março de 2018

FC Porto 2 - Sporting 1: A estrelinha não foi convocada

Foi um um grande clássico pela emoção e e incerteza do resultado aquele que o FC Porto e o Sporting proporcionaram aos seus adeptos. A nós Sportinguistas em particular o resultado final significa praticamente o encerrar da caminhada para o titulo de campeão. Mas não do campeonato ou das nossas responsabilidades e ambições na competição. Subsistem ainda objectivos importantes para alcançar que determinarão o futuro próximo do clube, pelo que não há tempo para baixar a guarda ou para lamentações. Muito menos para balanços, é hora isso sim, de apelar a todas as forças e concentração para o que resta da temporada.

Por certo que todos concordarão que, face à trajectória de ambas as equipas, não seria surpresa para ninguém que no final do jogo o anfitrião se nos superiorizasse. De facto foi isso que aconteceu no resultado final mas não no jogo jogado. Esse foi equilibrado e, da mesma forma que os três pontos caíram para os da casa, poderiam estar agora a ser por nós agora contabilizados ou terem sido repartidos. Quem presenciou o jogo viu dois candidatos ao título que se equivaliam na força e na valia. Venceu o FC Porto, que foi quem falhou menos quer na hora de defender quer pela eficácia.

Para a eficácia dos da casa contou muito a prestação do seu melhor defesa, Soares Dias, na senda de uma tradição familiar que já vem do século passado. Não gosto de falar de arbitragens e muito menos de usar como desculpa. Mas a participação do árbitro na construção do resultado final é um facto. O lance sobre Doumbia é um penalty clássico ( e respectiva expulsão..) que poderia figurar num qualquer compêndio de arbitragem mas entra directamente para um qualquer ranking de erros grotescos demonstrativos de que pelo menos o comprometimento psicológico de grande parte da classe arbitral continua a de sempre. 

Infelizmente é mais um lance que cairá no esquecimento quando se fizerem as contas do campeonato. Mas alguém duvida que se fosse em Alvalade e contra o FCP não sobraria ao árbitro a coragem que agora faltou? Isto também é falta de estrelinha, uma falha estrutural da nossa Liga e que, em condições iguais e em momentos decisivos beneficia quase sempre os rivais.

Dizer isto não significa assumir que o resultado seria outro. Faltaria ainda concretizar o penalty e contrariar a inevitável reacção do adversário. Mas poderia ter deixado o Sporting numa situação de vantagem no marcador, que seria também uma vantagem estratégica que a equipa nunca beneficiou. O rápido restabelecimento da vantagem dos da casa - numa série de falhas defensivas inadmissíveis num jogo desta importância e num candidato ao título... - não permitiu que o Sporting dispusesse dos 45 minutos finais para colocar ainda maiores desafios do que os conseguiu. E quando o fez foi mais em desespero de causa, o que normalmente compromete a eficácia. 

Faltou também nesses momentos um pouco mais de sorte que, valha a verdade, teve em vários momentos na sua baliza. Mas quem é tão passivo a defender não se pode queixar muito da sorte. Foi essa passividade na abordagem aos lances, primeiro por Coentrão e depois por Mathieu, que deixaram o elo mais fraco da defesa exposto: Ristovski. Quando acontece o primeiro golo ele já estava anunciado antecipadamente. O FC Porto apostava nos cruzamentos ao segundo poste onde não por acaso Marcano e Filipe apareciam para explorar a superioridade dos centímetros sobre o lateral macedónio.

Destaques individuais para o enorme jogo, (mais um...) de Bruno Fernandes, bem acompanhado quase sempre por William e Bryan Ruiz. E claro, a estreia promissora de Rafael Leão. Tem ainda muita broa para comer, é daqueles jogadores que parece ter um pacto com os deuses e que o fez aparecer destacado na sua primeira presença num clássico e com apenas um toque na bola.

O desfecho deste jogo deixa-nos arredados da luta pelo titulo obviamente. Mas deixa também muitas interrogações inevitáveis, como por exemplo:

- A da passividade que nos custou este jogo e que já foi responsável pela forma como abordamos os jogos que nos custaram o titulo: Moreirense, Setúbal e Estoril.

- a constituição do plantel e recomposição do mesmo enquanto o mercado esteve disponível e que contriubuiu para a excessiva dependência e falta de alternativa a Bas Dost, entre outros.

- A preferência por jogadores por exemplo como Doumbia, Petrovic (um erro repetido) que não trouxeram nada de novo a não ser empate de recursos e afastamento de jogadores jovens de oportunidades de afirmação mais céleres e mais proveitosas para o clube.

Mas em coerência, tenho que terminar como comecei: agora é hora de ir à luta com o que ainda há para ganhar. E não é pouco. 

quinta-feira, 1 de março de 2018

A ineficácia do boicote aos média

Foi divulgado por estes dias um texto execrável - estou a ser magnanimamente generoso na apreciação - de Octávio Ribeiro no Record. Tresanda a preconceito de toda a ordem e feitio (social, racial, etc). A ampla e generosa divulgação do referido texto por parte dos adeptos Sportinguistas nas redes sociais, demonstrando a sua natural indignação, prova que: 

- O pedido de boicote de BdC não está a ser seguido, os jornais, nas suas diferentes plataformas, continuam a ser lidos total ou parcialmente. 

- A estratégia é por isso claramente ineficaz. Eu por exemplo, não teria acesso aquele pedaço indecente de prosa se não fosse essa divulgação. E se tivesse lido não teria teria promovido a divulgação, mesmo comentando o assunto. Isso sim seria colaborar com a sem vergonhice e com um tipo de jornalismo (?) canalha, o que não farei. Só a simples menção já cumpre um dos objectivos base de quem promove este tipo de actuação: o clickbait, a divulgação do nome e por vezes até mesmo o de patrocinadores que nos são alheios.

- Tentar boicotar os média na era das redes sociais que debitam "noticias" é como parar um tsunami com a palma da mão.

- Não é fácil mas é cada vez mais claro que é preciso uma abordagem diferente em relação aos média em geral. Que quase nunca se deveria ficar pela reacção directa e sanguínea, como quase sempre tem sido. Algumas recomendarão a ignorância, quando os autores ou os temas não merecem um segundo do nosso tempo. Ou o sarcasmo e humor, pelas mesmas razões. O caso do Octávio, sim, merece uma manifestação vigorosa de repúdio que, felizmente, já a vi de quadrantes diversos que não apenas de Sportinguistas. É uma questão de gosto pela higiene e urbanidade.

- O Sporting tem que encontrar uma forma diferente de se relacionar com os média e de tornar essa relação proveitosa em seu favor, o que manifestamente não está a acontecer. Nunca foi boa, muito por culpa da inacção e mau fazer, mas parece mesmo que até piorou. Eles precisam de nós, nós precisamos deles até porque, como se vai provando, isto não vai lá com boicotes.

- O Sporting160, podcast onde participo, abordou no episódio desta semana precisamente a questão da comunicação. Pode ser ouvido [AQUI]. Dificilmente poderíamos ter contado com melhor convidado que o Luis Paixão Martins, nome incontornável da comunicação e relações públicas. É um verdadeiro compêndio de boas práticas e criticas construtivas que merece toda a nossa atenção.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Sporting 1 - Moreirense 0: Quantas vezes poderemos ganhar assim?

Quem suspeitaria que o jogo com o Moreirense poderia ser rodeado de tantas peripécias e polémica como acabou por ser? Creio, no entanto, que no final a principal pergunta que teria ficado na cabeça de muitos Sportinguistas seria a que titula o post. Creio mesmo que quando fazemos o golo já em quase todos nós crescia a sensação de termos entregue, com o último classificado (!) a possibilidade real de lutar até ao fim pelo título.

Não sou adepto de condescendência mas sim de exigência permanente. Uma equipa com a diferença que a separa do Moreirense (em classe e orçamento) não pode arranjar desculpas para não jogar melhor. Mas também de realismo. E quando se soube dos impedimentos de jogadores, por razões diversas, como os de ambos os laterais direitos, de William, de Coentrão, Mathieu e Dost, era fácil de prever que íamos sentir muitas dificuldades. Porque o jogo não é um somatório de individualidades e nomes, é um processo colectivo que requer treino, aperfeiçoamento e identificação de todos os elementos entre si, o que dificilmente acontece quando ainda por cima os jogadores mais influentes estão ausentes.

Ora Petrovic não é William e grande parte dos nossos problemas começaram por aí, na organização do nosso jogo ofensivo. Petit tentou surpreender subindo a sua equipa, condicionando a saída a três. E o Sporting ainda que com posse de bola, não a tinha com a qualidade necessária. Na frente Montero era um "estrangeiro" sem ninguém com quem tabelar ou triangular. Doumbia era apenas repelões no ataque organizado e sem velocidade para criar perigo que as solicitações longas lhe pediam. Bruno Fernandes era pouco e ainda por cima estava estranhamente perdulário. E mais uma vez se provou que Bryan Ruiz faz quase tudo bem feito - o facto de o fazer devagar não me preocupa... - excepto golos mesmo que seja em frente ao guarda-redes. Ou a dois metros da baliza... (esta imagem vai-me assombrar o resto dos meus dias).

Muitos golos cantados falhados, o susto do costume, que só não foi pior porque o VAR não ficou encadeado e não dependia do quarto árbitro. Se dependesse teríamos ficado por terra no golo anulado a Bilel, como ficamos de joelhos após a expulsão de Petrovic. Não que ele fizesse muita falta, talvez a deslocação do ar quando corre seja importante, sei lá, mas é também uma questão psicológica que acaba por condicionar a equipa. 

O melhor estaria para vir. O golo de Gélson é de uma precisão absolutamente notável, só ele conseguia rematar contra o pé do defensor adversário e enganar o jogador. E, como justa homenagem a Rúben Semedo, nada como a estupidez de tirar a camisola e fazer-se expulsar do pouco que faltava do jogo e, o pior e incrível(!), dos noventa minutos do jogo no Dragão. Não é tão mau como andar aos tiros mas... E depois como é que o Gelson vai ao fim do mundo com um amigo se nem é suficientemente esperto para chegar ao fim do jogo?

Mas - e agora já é a sério -  não é razão para triturar o jogador, que tantas vezes tem carregado a equipa às costas. Eu pelo menos não o farei. Nestas coisas das ligações afectivas sou inteiramente pelas emoções!

Mas ainda melhor foi a conferência de imprensa de Jorge Jesus. Polémico como quase só ele sabe ser mas para mim com toda a razão no que diz respeito aos assobios. Não é que os jogadores tenham ouvidos de virgens e não possam ser assobiados. Por mim até que assobiem quando jogam mal, mesmo quando ganhamos. Mas num jogo que estava a correr mal, com o árbitro a ajudar, com as ausências que se sabe assobiar era um favor que se estava a fazer ao adversário. Experimentem estar a trabalhar num dia mau com alguém a importunar-vos os ouvidos e a deitar abaixo...

"Como fiquei? Nem ele deve estar satisfeito. Quis oferecer o golo ao Rúben Semedo e agora vai ver o jogo ao Dragão com o Rúben Semedo. Vão ver os dois. Compreendo um pouco a emoção, um golo a acabar, tem um amigo que está a sofrer com problemas, quis oferecer-lhe o golo, dizer que está com ele, como está a equipa toda do Sporting. Custa-me crer como um miúdo (Rúben Semedo), que trabalhou com uma disciplina impecável, socialmente bem comportado entra numa situação dessas, mas estamos cá para saber o que vai acontecer".

Mas voltemos ao mais importante: quantas podemos ganhar jogando como vimos fazendo nos últimos jogos? Ninguém sabe. Para já o mais importante era chegar vivos ao próximo jogo.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Rúben Semedo saiu do bairro mas o bairro não saiu dele

Não começou nada bem a aventura espanhola de Rúben Semedo. Começou com um arranque de época tristonho, contabilizando apenas dois jogos completos, alternados com idas ao banco, que optimisticamente poderia ser atribuído a uma fase de adaptação às novas condições que encontrava em Villareal. Uma lesão tendinosa haveria de o afastar dois meses da competição, entre Outubro e Dezembro. No regresso, ante o Barcelona, uma recidiva deixaria praticamente hipotecada toda a presente época, uma vez que se esperavam pelo menos três meses de recuperação, após intervenção cirúrgica. 

Entretanto começam-se a avolumar as noticias de um comportamento nada consentâneo com as exigências impostas aos atletas de alta-competição. O  número de convocações policiais começaram a rivalizar com as chamadas à equipa principal, num claro indicio de que algo não estava a correr bem. Aliás, havendo cada vez maiores suspeitas sobre o que faria o jogador nos seus tempos livres, é quase inteiramente legitimo especular sobre a verdadeira causa das lesões e a dificuldade em recuperar. Isso, e muitas coisas mais.

Já iremos ao jogador. Mas perante a sequência de factos é não só legitimo como obrigatório perguntar qual foi papel do Villareal neste triste folhetim, sabendo-se que mesmo para um clube espanhol catorze milhões de euros não são nenhuma pechincha. Sabe-se pelo menos que o clube tentou convencer o jogador a mudar-se para uma área residencial menos afastada do centro, certamente com mais possibilidades de o poder ter mais facilmente debaixo de escrutínio. Em vão, infelizmente.

E o que dizer do agente e advogado do jogador, sempre tão solícitos na hora de cobrar as famosas e não menos chorudas comissões? A sua responsabilidade é ainda maior por serem conhecedores das características e das condições pessoais do jogador. A separação recente da mãe da filha em troca da companhia de "amigos" não lhes deveria ter feito soar as campainhas de alarme para agora não serem obrigados a fazer o triste papel de coitadinhos, os últimos a saber? 

E o Sporting terá responsabilidades como clube formador? Sinceramente, não me parece e não me parece que esteja a ser condescendente. É uma velha questão mas não creio que a principal actividade de um clube seja moldar caracteres e o facto é que o Sporting ajudou Rúben Semedo dotar-se de muito mais do que as ferramentas básicas para se tornar um profissional apetecível ao ponto de um clube pagar uma por ele uma pequena fortuna.

Mas, independentemente daquelas que tenham sido as responsabilidades por imprevidência ou omissão de clube e agentes, era sobretudo Rúben Semedo quem poderia ter evitado todo o percurso que o acabaria de deixar à mercê das câmaras fotográficas, algemado, à porta de uma esquadra de policia como um vulgar criminoso de que é agora acusado. Bem diferente da atenção mediática de microfones e flashes dos amanhãs radiosos que lhe projectavam.

Não faltará quem associe os factos agora ocorridos na vida de Rúben Semedo com as suas origens num dos muitos "bairros de risco" da Amadora, ou na atribulada vivência de um jovem oriundo de uma família desestruturada, com historial de problemas com a justiça do progenitor. Claro que, juntando a isso a cor da pele, tornava Rúben Semedo em mais um potencial jovem problemático, daqueles que, como o titulo indica, nunca saem totalmente do bairro mas arrastam-no consigo o resto das suas vidas.

É indiscutível que o meio de origem e as circunstâncias pessoais condicionam fortemente o trajecto de qualquer um individuo. Mas não é menos verdade que há também muitos e bons exemplos de quem consegue reescrever a letra e música do seu próprio fado. Era isso que, ao fim e ao cabo, Rúben Semedo estava a fazer, mesmo que com os naturais percalços, desde que saiu do bairro onde nasceu até chegar a Villareal, onde passou a gozar de um rendimento mensal que 99,9% dos seus antigos vizinhos apenas conseguirá usufruir nos sonhos mais optimistas. 

Esse caminho terá sido tudo menos fácil e resultou seguramente de muitos sacrifícios, desenganos e desilusões, só superados por grande vontade e aplicação. Terá de ser precisamente esse agora o grande trunfo de Rúben Semedo: não o clube, não os empresários, mas ele próprio. É certo que o futebol não é muito pródigo em reabilitações, é talvez mais conhecido pela facilidade com que tritura e facilmente repõe os seus actores. 

Desde que a sentença judicial que resultará como consequência das suas acções não lhe impunha um afastamento prolongado ele terá todas as condições para se reabilitar. Todas menos uma: a vontade de afirmar o seu enorme potencial. Foi dela que se esqueceu ou se desviou e precisará de reencontrar rapidamente. Oxalá ainda vá a tempo de sair do bairro que construiu que construiu para si e onde se deixou cercar.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Uma boa cerveja Checa para esquecer a Astenia

Foi um Sporting muito asténico que se deixou resvalar até ao empate com os cazaques do Astana. Agora que a neura já se perdeu entre lençóis é hora de olhar em frente e perceber que os danos são de menor importância e que há uma boa oportunidade para continuar a fazer história na competição. Ainda por cima na terra da boa cerveja, o que faz deste sorteio quase uma receita médica para levantar a moral e acabar com astenia. Venha daí o Plzen!

P.S.- O Senhor de costas na foto deu mais um passo para uma grande época, um grande Mundial e, infelizmente (porque os grandes jogadores fazem-nos muita falta) para uma transferência astronómica.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Legal versus ilegal ou a justiça poética

Tanta indignação que provocou um golo ilegal para, ao virar da página, acontecer isto que a foto documenta. Estavam quase tantos jogadores em fora-de-jogo e marcar um golo ILEGAL como os minutos de desconto dados para um golo LEGAL. E o video-árbitro? Estaria a consertar a bancada? Imbestigue-se!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Tondela 1 - Sporting 2: Alcançar apesar de mal porfiar

Com duas falhas individuais onde menos se esperava (Coates pouco intenso no golo do Tondela e a paragem cerebral do cerebral Mathieu) o Sporting quase viu perigar a conquista dos importantes três pontos. O facto de o ter conseguido já muito fora de horas significa apenas que, apesar das contrariedades, ainda assim a equipa tentou, mesmo sem muita arte, tudo o que podia e enquanto podia. 

A natural azia dos tondelenses é compreensível, se fosse comigo sentiria o mesmo. Mas há que reconhecer o mais importante, o nosso golo não é ilegal, pelo que toda a polémica que se seguirá perderá muita força. Ou devia perder... É bom lembrar que éramos nós que jogávamos em inferioridade numérica e vínhamos de uma longa e desgastante viagem, pelo que o prolongar do tempo de jogo funcionou a nosso favor porque arriscamos o que o Tondela, em superioridade numérica, preferiu não fazer. O que também é compreensível, ao contrário de nós, o empate servia-lhes. O incompreensível é que tenha deixado de arriscar precisamente quando ficou em vantagem.

Quanto ao jogo ele teve diversas partes. A inicial, com o Tondela a superiorizar-se com mérito - a forma rápida como saía para o ataque, alargando primeiro a frente de ataque e dando-lhe depois profundidade  - também por falhas nossa organização defensiva, muito por descuido com as movimentações, especialmente de Miguel Cardoso e não menos por falta de intensidade na abordagem dos lances.

Até que se ouviu um "alto e para o baile" onde Acuña, Bruno Fernandes e especialmente Gélson, começaram a obrigar o Tondela a maiores cuidados defensivos, retirando-lhe o fulgor e o perigo que os tinham levado até ao golo de vantagem. E foi assim, com um míssil teleguiado de Acuña, que a bola chegou ao implacável Dost. Parece simples, fica por saber porque não acontece mais vezes...

Mudamos de campo e voltamos a mudar de forma de olhar para o jogo. Até já parecia ganho, que o Tondela se sentia a perder, como se o golo de Dost valesse por dois. Ou que o jogo era a feijões, se não foi isso que Mathieu percebeu assim pareceu. 

A saída do central francês minou a organização da equipa e passamos a jogar de uma forma que só com muita felicidade chegaríamos ao golo. Foi quando tudo já parecia inapelavelmente resolvido que lá chegou o golo tardio e a remissão de Coates. Não façam muitas destas, pelo nosso coração e sobretudo porque o final nem sempre será este.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

E agora, depois da AG, podemos concentrarmo-nos no que realmente importa?

Finalmente a AG passou à história, é tempo por isso de nos voltarmos a concentrar no que é realmente importante: as diversas competições onde as muitas equipas que representam o clube estão envolvidas. Os resultados de ontem ajudaram a esclarecer e desmitificar algumas ideias:

- A votação esmagadora recolhida pelos órgãos sociais ontem confirma que não há facção ou facções com massa critica para exercer contravapor. 

- Aquela que é a maior AG de sempre vem juntar-se às eleições mais participadas de sempre. Há ou não há militância?

-  Estes são os órgão sociais com o apoio mais claro por parte dos associados e maior suporte dos órgãos institucionais.

Entretanto o que estava inicialmente em causa - as alterações estatutárias e o regulamento disciplinar - passaram em segundo plano. Só o tempo poderá confirmar o que isso realmente representará de novo na vida do clube.

Como nota final a minha discordância relativamente à "fatwa" declarada à generalidade dos órgãos de comunicação social, com as consequências a serem sentidas logo no imediato, à saída do pavilhão. Estava habituado a ver este tipo de actos no outro lado da estrada. Acredito que a generalidade dos Sportinguistas têm competências suficientes para separar a boa da má moeda na comunicação social.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O Sporting160 e eu


Estou cansado. Há meses, (muitos, demasiados já) que tudo o que pode correr mal tem corrido mal e por vezes bem pior do que julgava ser possível suportar. A "sorte" é que só vive mesmo um dia de cada vez, algo que se aprende com o tempo e nos protege da ansiedade e relativiza o medo dos desfechos que sabemos inevitáveis e dolorosos. O que não consigo resolver ou o que não se auto-soluciona hoje tem no dia seguinte uma nova oportunidade. 

Do lado bom das coisas estão os muitos poucos mas muito bons amigos que me restam e aqueles que amo incondicionalmente e de quem nunca me permitirei desistir. No meio de todos, está o Sporting que, para ficar de bem com a minha consciência, evito atribuir-lhe uma posição hierárquica definida, porque sei que são muitas as ocasiões em que lhe dou toda a prioridade, muito além até do que racionalmente me deveria permitir.

Muitos dos que ainda vão lendo este blogue há muito que já me julgaram e etiquetaram definitivamente como oposicionista, "croquette", talvez até agora já seja "sportingado". Como há alguns anos antes despejavam o "terrorista". Não sou nem nunca serei oposicionista ao Sporting posso, isso sim, manifestar opinião discordante relativamente às matérias que assim entender.

O "A Norte de Alvalade" faz este ano 10 anos de actividade e posso-me orgulhar de até mesmo nos piores momentos não ter ultrapassado os limites da decência que devem nortear a relação entre adeptos e nessa qualidade com os seus eleitos, mesmo que a tal tenham chegado sem o meu voto. As piores e por vezes mais violentas criticas abstenho-me de as publicar, partilho-as de forma privada, não por receio de represálias, mas porque tenho consciência do poder destruidor que por vezes podem alcançar, sobrevoando apenas o criticado mas aterrando com estrondo no Sporting, particularmente nos momentos mais críticos. 

Exerço o direito à minha opinião sem receios, porque não estou vinculado a pessoas, grupos ou movimentos, nem tenho "rabos de palha" que me possam chamuscar. Quanto ao "croquette" sou fã incondicional, mas apenas como iguaria culinária. Quanto ao que o apodo representa para o Sporting, desafio qualquer um que, no devido tempo, tenha alertado para os erros desportivos e de gestão da "res publica" Sportinguista (nomeadamente o património intangível que são os sócios e o imobiliário) como aqui foi feito nestes 10 anos. Muitos o fizeram melhor que eu, mas não estive calado como seguramente muitos dos que me tentam agredir estiveram. Não preciso de dar cabo da coluna, em violentos flick-flacks, para agora aparecer bonito na fotografia deste "novo Sporting".

Quanto ao "sportingado" assumo-o sem dificuldade. Se isso quer dizer um Sportinguista zangado com o continuo desperdício das melhores energias de um clube cheio de gente boa, capaz e desinteressada, que apenas aguarda que o convoquem para dar o que for necessário e estiver ao seu alcance. Cansado com o desperdiçar continuo das melhores oportunidades para revitalizar o clube e devolvê-lo ao caminho projectado e já anteriormente trilhado pelos que nos antecederam.

É por o Sporting me ser muito importante que estou a roubar tempo ao descanso para escrever e  dizer isto não é fazer uma queixa. O primeiro parágrafo também não é para apelar ao sentimento, é um mero desabafo, a tirar do peito para que não apodreça e se transforme em azedume. É por isso também que estou a escrever agora, nunca desistir do que é realmente importante para mim. E o Sporting é importante, entre várias razões porque o amor não se explica. Mas também por gratidão, alguns dos tais poucos mas muito bons amigos conheci-os debaixo da bandeira que nos é comum.

Entre esses bons amigos estão o Pedro Varela e o João Castro, com tenho tido a felicidade de fazer o podcast [Sporting160]. Se nunca ouviram, não sabem o que estão a perder. Fazer o Sporting160 com eles depressa se tornou dos melhores momentos da semana. E julgo que também tem sido um bom serviço prestado ao Sporting, sem outros apoios que não sejam os conhecidos, amigos e amigos dos amigos e os muitos amigos que fidelizamos entretanto.

Sabia desde o inicio que a minha presença poderia ser incómoda e disso dei conta a ambos, tendo já diversas vezes posto o meu lugar à disposição, por não querer significar um entrave às naturais ambições de fazer mais e melhor. Tenho a minha consciência tranquila, sou exactamente a mesma pessoa que escreve aqui e fala no 160, por muito que queiram dizer o contrário. Há uma diferença substancial: aqui sou eu que elejo os temas, lá comento o que me é pedido. E como não tenho "agenda" não preciso de dizer lá o que escrevo aqui, a menos que me seja pedido o comentário. Mas se me apanharem em contradição agradeço o reparo.

Sabia também que, mais cedo do que tarde, a minha permanência ali seria objecto de auditoria. Imaginava que esse dia chegaria um dia. E que se repetiria. E assim tem sido. Que esteja a decorrer no Twitter há dois dias sob o pretexto "é para saberem quem ele é", referindo-se a mim é a novidade. Sem dúvida que é o local adequado para "flash mobs". Lamento com pesar que na cegueira vingativa de me atingir a mim se leve tudo de arrasto. Eu não tenho nenhuma importância, sou eu e a minha opinião.

Mas o Sporting160 tem! E o grande trabalho do Pedro e do João também tem mas, acima de tudo, não merecem algo como isto. E, embora eu considere que posso ser uma mais valia, também não ignoro que posso ser um incómodo. Especialmente porque a minha opinião em relação a muitas matérias relacionadas com o Sporting são tendencialmente minoritárias e muitas vezes incómodas. Também o são para mim, pois poucas coisas são tão desagradáveis como estar em sentido oposto à corrente dominante.

Mas acima de tudo sou leal aos meus amigos especialmente quando sofremos e celebramos sob o emblema que é tudo para nós. Por isso eles sabem desde a primeira hora que o meu lugar está sempre à disposição deles. Porque eu sei o quanto gostam do que fazem e como esse trabalho redobra o amor e a ligação ao clube. No Sporting160 eu sou o menos importante e o mais facilmente dispensável. Se isso acontecer, o que eu compreenderia perfeitamente, até ganhavam mais um ouvinte. Porque das idas aos jogos espero que nunca me dispensem.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Como vamos sair todos a perder da AG de dia 17

Independentemente do que sejam os resultados da próxima AG, o Sporting já está a perder e não vejo como possa sair a ganhar deste processo. As consequências do abandono da reunião inicial e subsequente radicalização por parte de BdC - ou aprovam ou bato com a porta - mais os tristes episódios no Facebook, a acabar no número patético que a "sessão de esclarecimento" representou, tudo concorreu para deixar o Sporting mal colocado na fotografia. E o desfecho deste processo não se afigura mais vantajoso.

É muito provável que, tal como pretendido, todos os pontos venham a ser aprovados, é pelo menos essa a minha convicção. A chantagem feita certamente que produzirá os seus efeitos mas é indiscutível que, houvesse coragem por parte da massa associativa, o resultado poderia ser bem diferente. A AG seria o local indicado para chamar à razão os órgãos sociais que a eventualidade da rejeição de algum ponto da ordem de trabalhos decorre do exercício normal da vida de um clube e não representa uma censura e muito menos a necessidade da abertura de uma crise carregada de absurdo. Mas a democracia dá muito trabalho, obriga a  explicações, obriga a compromissos, eventualmente a cedências das partes envolvidas e por isso Bruno de Carvalho preferiu um processo autocrático, optando por extorquir aos sócios a aprovação dos pontos restantes da ordem de trabalhos. 

Seguramente que não foi pelo respeito que deve aos associados que os quer obrigar a aprovar alterações estatutárias sob coacção. E quando se queixa de ingratidão que deveremos dizer das suas acusações de falta de militância ("neste momento estão quase a matar-me e a culpa sinceramente está a ser dos sportinguistas, porque eu preciso de militância"), quando o número de sócios aumenta, os números de assistências são as maiores de sempre, apesar dos sacrifícios impostos pelos custos e pelas inúmeras solicitações? Provavelmente enganou-se e queria dizer "concordância"... 

A AG seria também o lugar adequado para responsabilizar os órgãos sociais, lembrando que têm um mandato para cumprir e que ninguém pôs em causa. A patética tentativa de criação de um governo sombra, que vestisse as roupas de uma oposição encarniçada, na pele de "meia-dúzia" de nomes e posts coscuvilhados nas redes sociais foi direitinho para o meu álbum de recordações dos momentos mais tristes do Sportinguismo. 

Ao contrário do que se pretendeu com este auto-de-fé, o Sporting não tem oposição organizada. Nem tem sequer uma figura emergente que agregue descontentes. Tem e espero que tenha sempre pessoas que não receiam em manifestar a sua opinião. Tem e terá sempre também exemplos melhores e outros piores na forma como a manifestam. Dar como exemplo opiniões extremadas, pretendendo que estas são uma tendência entre nós é tão só um convénio de disparates e disparatados.

Bruno de Carvalho deveria explicar na AG, especialmente aos muitos que o apoiam, porque prefere a negativa pela positiva, isto é, destacar permanentemente os que com ele não concordam e ignorar o enorme apoio que recebe. Será para se desresponsabilizar da sua afirmação: "com os sportinguistas atrás, farei tudo, levarei o Sporting ao céu. Não tenho dúvidas disso". Afinal quantos mais são precisos?

Este tem sido um processo gerido desde o seu inicio com muita inabilidade, precipitação e até mesmo prepotência. Como se percebeu pela actuação dos órgãos sociais, afinal os esclarecimentos eram mesmo necessários, ou não se teriam posteriormente  desdobrado em tentativas de explicar ou pelo menos relativizar a importância do que estava em discussão. Foi pela falta deles e pela marcação inopinada da AG face à importância das matérias que o processo se polemizou. 

A maior parte da polémica advém sobretudo da proposta de um novo regulamento disciplinar. Que não deve ser olhado de forma isolada porque, por exemplo, pretende-se também extinguir o método de Hondt na eleição do órgão que o aplicará, o CFD. Os argumentos invocados são pífios e meramente focados na circunstância, escapando às alterações propostas um efeito estruturador. Creio mesmo que é esse o espírito desta AG, a circunstância. Não há nenhuma medida verdadeiramente reformista que ofereça aos sócios um clube mais aberto e moderno. Por exemplo para um clube que se diz de Portugal, a centralização em Lisboa continua a onerar desnecessariamente os milhares que vivem longe. Quanto fica no final uma ida à AG?

Mas a polémica faz sentido. Mesmo descontando o exemplo acima do CFD, há ainda a troca de um Conselho Leonino eleito pelos sócios por um comissariado indicado pelo presidente que, sintomaticamente, também não se esqueceu de reforçar os poderes, tornando-se um órgão social. Esse sentido é ainda mais aguçado quando o famigerado regulamento que ia entrar em vigor no próximo mandato diz-se agora que é para efeitos imediatos. Não querem alterar desde já a redação e dotá-lo de efeitos retroactivos?...

Creio que toda esta pressa e forma de proceder, associada à falta de uma discussão aprofundada confirmam os piores receios. Acresce que esta sanha punitiva me parece farisaica, pois o próprio presidente tem feito os possíveis e os impossíveis por ser conhecido pelos excessos de linguagem e falta de respeito generalizada. Ficamos por exemplo a saber na sessão de esclarecimento que, alegadamente, PMAG é um "cabrão" quando demora a publicar os resultados eleitorais. Que, quando chamado à razão pelo uso de linguagem inapropriada nas instalações do clube na presença de elementos do sexo feminino ele quer, alegadamente, ela "se f%&#". Certamente que não seria a manifestação de uma preocupação com o seu bem estar e qualidade da sua vida sexual... E estas são só as últimas...

Creio que poucos ficarão tranquilos com a sua consciência mas no final, depois de tanta dramatização,  isto não será mais do que um triste episódio e uma desnecessária crise. O que eu gostava que acontecesse não vai acontecer: que os sócios manifestassem sem medo a sua discordância por esta falta de respeito. Sem dramas e demissões, pois não creio que alguém no seu perfeito juízo - no que incluo o presidente... - conseguiria compreender que a direcção caísse assim e agora.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Sporting 2 - Feirense 0: Á prova de VARizes oculares!

Um único aspecto ofuscou a nossa exibição com o Feirense: a eficácia. Nos restantes parâmetros estatísticos - só na primeira parte produzimos jogo ofensivo de elevada qualidade, ao ponto de termos conseguido doze (!) remates na área adversária -  mais a qualidade exibicional foram de uma equipa que quer ser campeã. Tudo isso mais a imperturbabilidade perante as contrariedades impostas por uma arbitragem que, noutro país, seria no mínimo escandalosa. Quantas vezes perdemos pontos em jogos semelhantes por falta de dessa qualidade?

Há ainda outra desconformidade com o estatuto de sério candidato ao título: Doumbia. Tanta falta de jeito só rivaliza com o azar que, persistindo ambos, arrisca-se a passar um ano em Alvalade sem marcar um golo na competição maior. Chegou a ser embaraçoso observar algumas das suas desconjuntadas tentativas de finalização.

Em grande estilo estiveram os guarda-redes. Enquanto Caio na baliza visitante nos prolongava o sofrimento, Rui Patrício assegurava-nos a manutenção da esperança até William conseguir fazer funcionar o marcador. Não fosse ele e os prejuízos causados pelo VAR poderiam ser bem maiores, pois na sequência do lance que marcou a partida realizou uma importante defesa. Quem sabe que história(s) se estariam agora a contar deste encontro e que consequências para o Sporting?

Não como explicar a actuação do VAR. Com este critério arriscamo-nos a vermos anular um golo conseguido por um qualquer jogador porque o avô estava fora-de-jogo umas gerações antes, num jogo qualquer. A interpretação do lance por parte de Jorge Jesus foi correcta: o Feirense chegou a estar na posse da bola já depois da pretensa falta que o árbitro sanciona, anulando assim a interpretação feita por quem estava a cuidar da tecnologia. Mesmo a falta assinalada como justificação para a anulação é muito duvidosa. Já difícil de compreender é que não tenha havido idêntica perseverança a convencer o árbitro a analisar o lance de penalty na área feirense. Enfim, e novidades?

Notas para o regresso dos golos de Montero em Alvalade, para as estreias de Lumor - que ainda precisa de perceber melhor o que precisa para ser lateral numa equipa como o Sporting mas tem boa presença -  e para a irreverência e verticalidade de Rafael Leão.


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

FC Porto 1 - Sporting 0: badamerda para o Sporting italiano!

Sofrer um golo com o avançado adversário a marcar entre dois dos nossos laterais-direitos é a legenda perfeita para a estranheza causada pelas opções de Jesus. Tão estranha, tão estranha que a principal confundida foi a nossa equipa. De tal forma assim foi que esta só conseguiu dizer verdadeiramente presente quando voltou a um formato a que está mais habituada.

Por muito que me custe começa a ser já altura de admitir que algo não está bem. Embora tenhamos conquistado pelo meio o primeiro titulo da época não podemos escamotear que no ciclo dos últimos seis jogos contabilizamos uma única vitória apenas e com dificuldade. Com ou sem Bas Dost. 

Um momento estranho em que a equipa parece ter perdido confiança e identidade. A ideia que Jorge Jesus pretendeu passar de falta de frescura física parece pode muito bem ser aceite. Mas fica a impressão de que, independentemente do resultado, perdemos a superioridade, o fulgor e classe com que esta equipa se apresentou no Dragão desde que Jorge Jesus chegou a Alvalade. Isto é ainda mais estranho quando este plantel é frequentemente apontado como o melhor de sempre. Onde está esse Sporting? Para acentuar essa ideia de regressão até me pareceu ver em campo um qualquer Guimaro de apito na boca...

Talvez isso nos leve a reflectir e acabar a concluir que não devemos acreditar em tudo o que nos dizem. Por exemplo, que o plantel do FCPorto, coitadinho do Sérgio Conceição, é escasso. Pois é. Mas com jogadores lesionados tinha no relvado Marega e Soares, mais Paciência no banco, onde podia estar também Wariz. Uma verdadeira não escassez e mais ainda se compararmos com o que Jesus teve à disposição: Doumbia e Montero, este ainda em pré-época disfarçada. Mas isso é tudo menos culpa do adversário, que fez o que lhe competia. Já nós...

É uma mera opinião pessoal - por isso isto é um blogue de carácter pessoal - mas sempre pensei assim e já sou demasiado burro velho para aprender línguas ou sequer mudar. Prefiro uma equipa personalizada, sem medo, que dá tudo e vai à luta pelo melhor resultado, que para nós é sempre a vitória. A alternativa a isso, isto é, uma equipa calculista, tem de ser a vitória ou um resultado que interesse para o desfecho final favorável de uma eliminatória. 

Como é bom de ver, nada está perdido. Mas não será a jogar como ontem que viraremos o resultado. Até porque o FCP está por cima e confortável. A sorte é que ainda falta tempo e esperamos que esse corra a nosso favor.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Derradeiras notas sobre a AG e o monólogo dos 3 olhos


O que é realmente importante é perceber porque chegamos aqui

Muito se escreveu sobre o que se passou na passada AG e após esta e a conferência de imprensa que Bruno de Carvalho deu na sua sequência. E todo esse ruído depressa sepultou o porquê de o Sporting se encontrar mergulhado em nova crise. Para que fique bem claro:

Não foi a oposição que não existe, embora seja muito conveniente acenar com o fantasma PMR, como tem sido o de Godinho Lopes, numa permanente comparação com o pior. A razão deste momento deve-se em primeiro lugar à sobranceria de quem achou que as alterações propostas, nomeadamente ao regulamento disciplinar, eram favas contadas. E depois, perante as circunstâncias, não percebeu que insistir nelas custasse o que custasse era um mau serviço prestado ao clube. No fundo, no fundo, o mesmo de sempre: apontam-se aos moinhos de vento mas o verdadeiro, mais forte e talvez único opositor de Bruno de Carvalho tem sido... Bruno de Carvalho.


Mas o que é do maior espanto e revolta é inoportunidade. Esta é uma crise promovida do topo, quando nada a fazia prever, para o interior  do clube pela total ausência do mais elementar bom senso e por maioria de razões:

A mais importante delas é anular o tónico do primeiro titulo, e acontecer num momento difícil da época, após o inicio dum ciclo decisivo e, não podemos ignorar, quando a equipa revela dificuldades que o resultado do Estoril é apenas uma confirmação.

Não menos importante é o tirar o foco que incidia e expunha o cada vez mais evidente complot do rival do outro lado da estrada. Para quê  queixarmo-nos da falta de rigor e atenção dos média, se lhes fornecemos o álibi perfeito em forma de primeiras páginas com este episódio lamentável?

Não menos lamentável é constatar e até estranhar o porquê desta urgência, ao ponto de colocar em causa a continuidade de um mandato que vai ainda no seu inicio e cujo resultado se aproximou da unanimidade dos votos expressos. E o respeito por essa vontade, onde está?

Em que é que a aprovação ou falta dela é instrumento imprescindível para a normal gestão do clube ou cumprimento de promessas eleitorais ou "programa de governo"? Afinal há muito que existe um regulamento disciplinar que nem tem sido muito usado.
Quanto às queixas relativamente às dificuldades que o cargo impõe, que ninguém duvide que são reais. É importante porém lembrar que se trata de uma opção voluntária e, segundo o próprio, cumprimento de um sonho que até está a decorrer num ambiente muito mais favorável que qualquer dos seus vários antecessores recentes. Se estes tivessem seguido o exemplo do que agora pretende fazer o Sporting talvez contasse com tantos associados, incluindo ele.
Quanto às queixas do ambiente na AG, por muito que fossem lhe fossem adversas não passou de uma história para embalar meninos se comparadas com várias outras. Algumas antes da sua aparição (p. ex., as da discussão de venda do património) e outras em que participou pessoalmente.
Não deixa de ser curiosa e digna de ser assinalada a enorme contradição entre o Bruno de Carvalho que prefere os monólogos às explicações em ambientes de igualdade ou desfavoráveis, ou o refúgio do FB, insulta a inteligência dos sócios ("manual para burros", "lacraus") com discursos paternalistas, que chantageia descaradamente o seu direito à livre escolha, promove a sua divisão ("sportingados") e listas de excomungados (alguns deles com feitos e anos de trabalho pro bono para lhe ganhar de goleada), que desrespeita os homólogos, promove ou ignora o uso do discurso insultuoso por funcionários do clube (Carlos Dolbeth, Nuno Saraiva são apenas dois exemplos) é o mesmo que se queixa de ser insultado, de não ter direito à privacidade.

Pode até não ser, mas fica difícil de demonstrar que Bruno de Carvalho não pretende mais do que a unanimidade e, chocando de frente com a realidade que lhe demonstra essa impossibilidade, resolve fazer birrinha, seguida de chantagem. E que esta alteração do regulamento disciplinar mais não visa que a domesticação das opiniões e a expurgação de todos os que ousem contestar a sua vontade.

A publicação no seu mural de FB da troca de mensagens com Nuno Mourão como bom exemplo de divergência é, ao contrário do que pretende, uma espécie de confirmação: até os sportingados (Nuno Mourão estava na famosa lista, o que é uma profunda injustiça para com um apoiante da primeira hora) podem ser bons desde que acabem a confessar que continuarão a contar com o seu voto. Até aqui não foi muito feliz.

Pode sentir-se injustiçado pelo que entende serem as dificuldades encontradas e a obra até agora realizada, mas creio que, na sua maioria os Sportinguistas, que gostam dele e/ou do que fez, gostam acima de tudo do clube. O seu monólogo dos três olhos demonstra que não percebe isso e é mau caminho afrontá-los. Demonstra o desconhecimento da identidade associativa basilar do clube (mais de um século de histórias...) o que num presidente é muito mau. Demonstra também a total subjugação da generalidade dos órgãos sociais a um homem só. O presidente da AG, duramente criticado dias antes, enxovalhado até por sectores que sabemos próximos do presidente (leia-se câmaras de ressonância) ali estava mudo e quedo. O presidente do CFD idem aspas, ele que nem se pronunciou sobre as alterações propostas ao regulamento disciplinar.

Pode até correr bem, a dramatização de falta de alternativas ajudará, mas é minha impressão que Bruno de Carvalho, com este episódio, queimou muita da sua credibilidade como líder do Sporting. Com isso também o seu período de validade alienando simultaneamente alguns dos  que mais lhe podiam ser úteis: os que lhe toleravam o estilo. O seu gosto pela guerra e sobressalto permanentes deixa de ser bem acolhido quando se vira para o interior do clube. Por exemplo: que sentido faz a guerra com os Supporting?

Alguém que goste tanto do Sporting como apregoa - mais do que de si mesmo - em vez de ter saído a terreiro em frente às câmaras de televisão anunciar o "ou eu o caos" (terá aprendido com a dinastia Ricciardi?...) teria aceite - e sobretudo percebido que nada disto é assim tão importante que não pudesse ser discutido no final de época. E, uma vez que a AG não foi sequer ainda convocada, um derradeiro rebate de consciência e humildade, o melhor desfecho ainda é possível. Bem sei que não vai acontecer. Mas deveria acontecer, não em favor do Bruno, não contra o Zé, ou outros quaisquer, mas em favor do Sporting.

Por mim aceitarei, como sempre, aliás, qualquer que seja a decisão da maioria dos meus consócios. Ser-me-á difícil de aceitar qualquer das decisões que resultem da próxima AG: ver a maioria dos sócios de joelhos, perante o capricho e a chantagem, transformado o leão num animal de circo, com medo que lhe falte o dono. Ver o clube lançado num vazio, com reformas ainda por consolidar lançando demasiadas interrogações no imediato. Uma certeza porém, já vivemos ambas e sobrevivemos. Também temos no nosso cemitério muitos insubstituíveis.

Preferia obviamente acordar amanhã com o sabor de um bom resultado no dragão e lembrar-me de tudo isto como um dos muitos pesadelos que recentemente tenho vivido acordado. É que já me imaginava em grandes dificuldades em explicar aos meus netos - ao meu filho basta aquele olhar "lá vamos nós outra vez..." - algumas das singularidades da história do Sporting, mas como é que lhes explicarei que o presidente eleito com o maior número de votos, na maior eleição de sempre se decidiu, sem grande motivo aparente colocar a baloiçar com os pés à beira do precipício?

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Sporting decapitado

Não podia ser pior o fim-de-semana. Primeiro uma AG desnecessariamente fracturante em que o presidente faz birra e perde a cabeça. Custa a perceber como é que a prioridade que deveria ir para a concentração total na conquista do campeonato foi parar à aprovação do endurecimento de medidas punitivas de um regulamento disciplinar, a fazer lembrar mais os regimes musculados que um clube.

No Estoril uma equipa sem cabeça a deixar sinais bem claros que a janela de oportunidade que acabou de se fechar para se reforçar é bem capaz de não ter sido aproveitada como devia. As lesões não podem justificar uma derrota embaraçosa, ante uma equipa cujo orçamento não daria para custear um ano de vencimento de alguns dos nossos jogadores.

Sem cabeça, mas felizmente com boas pernas. As vitórias das equipas de atletismo nos Europeus de corta mato, a fazer lembrar os tempos de Carlos Lopes e Mamede, foram um intervalo saboroso entre dois momentos de enorme infelicidade.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

O SPORTING É NOSSO? Alteração de estatutos: porquê assim e agora?

O Sporting é de facto muito importante para nós, ao ponto de nos absorver grande parte do tempo disponível para outras actividades, como por exemplo o descanso puro e simples ou envolvimento, participação ou simples consumo das diversas actividades culturais ou lúdicas. Assim de repente, e sem nada que fizesse supor ou até justificar, o CD resolve promover uma profunda revisão estatutária. Lá se foi o descanso.

Para consubstanciar esta minha afirmação cito o meu caso pessoal: assoberbado com muitos problemas de ordem particular, que me condicionam o normal desenrolar da vida quotidiana, tencionava destinar parte do meu tempo seguindo na tranquilidade do meu sofá a série policial que ocupa hoje a generalidade dos ecrãs portugueses: a Operação Lex, sequela (ou prequela?) da temporada "Os e-mails" e outras que se adivinham. 

Eis então que surgem as já tão faladas alterações estatutárias. Sem muito tempo disponível, socorri-me do favor de alguém que conhece muito bem os estatutos do clube, o Dr. Rui Morgado, Vice-Presidente da MAG da SAD e ex Vice-Presidente da MAG do Sporting e  com cuja opinião aqui expressa concordo. 

É muito provável que a partir daqui se façam processos de intenção, juízos de valor e até a promoção das habituais tentativas de destruição do nome e do carácter de ambos. Da minha parte não existe outra vontade que não a preservação da identidade do clube que amo incondicionalmente e que me fez preferi-lo acima de qualquer outro, de forma voluntária, e sem influências de familiares ou amigos. Seguramente que essa é também a intenção que norteia o Rui Morgado.

Para mim, como adepto anónimo, é incompreensível que alterações de estatutos sejam colocadas como se um mero remendo se tratasse, à pressa e sem tempo sequer de uma discussão aprofundada. Como se a alteração da nossa Constituição fosse um mero ponto e vírgula. Pior ainda, que estas alterações sejam em muitos pontos atentatórias da liberdade de expressão e da pluralidade, marca de um clube centenário, equiparando-o nos métodos a uma qualquer republica das bananas.

"O SPORTING É NOSSO?

No próximo dia 3 de fevereiro irá realizar-se uma assembleia geral extraordinária do Sporting Clube de Portugal, cuja ordem de trabalhos, entre outros, contempla uma ampla revisão dos estatutos e a aprovação de um regulamento disciplinar.

Não me debruçarei sobre a manifesta ilegalidade da convocatória pela não disponibilização atempada das propostas, estando, inclusive as mesmas a serem disponibilizadas a conta gotas.

As regras são claras, e deviam ser, tal como os prazos, para cumprir (em 2013 uma lista candidata ao Conselho Leonina foi recusada por um atraso de 45 minutos…), por todos, e em especial por quem tem por principal incumbência zelar pelo seu cumprimento integral, como é o caso da Mesa da Assembleia Geral (MAG) do clube, para não referir os restantes órgãos sociais, que bem apregoam o “rigor” e a “transparência”, ao melhor estilo de Frei Tomás.

Não se percebe sequer a pressa de aprovar estas medidas, neste momento, uma vez que é uma AG extraordinária, que pode ser convocada a qualquer momento, e porque, segundo o comunicado de dia 1 de fevereiro publicado no site do clube, as medidas serão para aplicar apenas a partir do próximo acto eleitoral.

Em 2011 fazia parte da MAG, eleito por uma lista da candidatura do actual presidente do clube, e para efeitos de uma profunda alteração de estatutos constitui-se um grupo de trabalho com a MAG e representantes do Conselho Leonino (CL). Foram meses de trabalho a apurar uma versão dos estatutos a levar ao CL, alvo de debate público e sessões de esclarecimento aos sócios, antes de se apresentar a mesma a uma longa AG, onde foi alvo de diversas propostas e alterações.

 Foi um processo rigoroso, transparente, e participado pelos sócios, tendo sido aprovadas, por larga maioria e sem contestação, a maior parte das propostas.

O procedimento foi o mesmo seguido com a proposta de Regulamento da Mesa da Assembleia Geral, um ano depois.

Estes processos a que assistimos são a antítese do descrito. O que irá, por certo, originar mais alterações, como a que hoje já surgiu, a corrigir uma espantosa norma proposta que considerava infracção disciplinar “Criar ou fomentar a criação de grupos, dentro ou fora do clube, que por qualquer modo possam perturbar o trabalho dos órgãos sociais”…  Se tal norma vigorasse em 2012, André Patrão e Miguel Paim teriam sido expulsos de sócios…

Curiosamente, fez esta semana 5 anos que a MAG a que pertenci foi atacada com arremesso de ovos e garrafas, insultada e alvo de ameaças, por energúmenos cobardes, nas instalações do clube, no decorrer de uma conferência de imprensa/sessão de esclarecimento em que o que estava em jogo era, precisamente, defender o rigoroso cumprimento dos estatutos e assim garantir a voz aos sócios do Sporting Clube de Portugal, em especial ao grupo então criado pelos citados Patrão e Paim.

Também não abordarei o regulamento disciplinar, pela sua extensão e por só hoje ter sido publicado, apenas direi que um regulamento disciplinar fará sentido numa instituição militar, num partido político de uma qualquer ditadura sul-americana, não num clube que “tem como fins a educação física, o fomento e a prática do desporto, tanto na vertente da recreação como na de rendimento, as actividades culturais e quanto, nesse âmbito, possa concorrer para o engrandecimento do desporto e do País.”.

Nesta matéria o mero cumprimento do princípio do contraditório será sempre bastante para qualquer eventual processo disciplinar no âmbito do Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD).

CFD esse que se pretende volte a ser eleito por lista fechada e não pelo método de Hondt, método esse que permitiu a eleição do actual presidente, nas eleições de 2013, então como vice-presidente, a par de membros da lista a Associação de Adeptos, sem que daí viesse algum mal ao clube, pelo contrário. O método de Hondt devia ser a regra também para a MAG.

Será pelo argumento da solidariedade institucional? Se esse (falso) argumento da solidariedade (que descamba sempre para a unicidade) tivesse vingado em 2012/2013, a mesma MAG a que pertenci teria sido solidária com a direcção presidida por Godinho Lopes em vez de ter optado por ser solidária com a instituição e os seus associados, valores e estatutos…

Por ser impossível comentar todas as ilegalidades/inconstitucionalidades de mais algumas das propostas de alteração de estatutos, cujos princípios básicos são o reforço do poder presidencial e um regime musculado de deveres dos seus associados com um pesado regime sancionatório a reprimir liberdades de expressão, opinião e associação, apenas me deterei em mais uma que não posso deixar passar em claro, tal a aberração que é a proposta de n.º 10 do artigo 38.º: “Um sócio que, no decurso de uma acção disciplinar, deixe por sua vontade de ser sócio, não mais poderá voltar a ser sócio do SCP.”.

Esta norma, além de violar de forma flagrante vários princípios da Constituição da República Portuguesa (não há juristas nos órgãos sociais?), maltrata, e de que maneira, a Assembleia Geral (AG) do clube, o seu órgão máximo, pois se um sócio expulso pode ser readmitido por deliberação da AG, não se vislumbra como é que um sócio que saia, com uma mera acusação, que nem sequer será provada, possa vir a ser impedido de regressar à sua condição de associado, de forma perpétua, nem mesmo se vier a ser autorizado por essa mesma AG.

O SPORTING CLUBE DE PORTUGAL “é uma unidade indivisível constituída pela totalidade dos seus associados”, nas palavras de Maggy Rocha, na inauguração do pavilhão João Rocha, “o Sporting Clube de Portugal é dos seus associados!”.

Não se vislumbra como se possa cumprir o desígnio de “ser tão grande como os maiores da europa”, quando é notório um maior esforço para expulsar sócios, em vez de se assistir ao inverso.

O Sporting é nosso? De todos?

A palavra aos sócios, enquanto é tempo…

Rui Morgado

Advogado, ex-secretário da MAG do SCP, ex-vice-presidente da MAG da SCP-SAD


Sporting 1 - Vitória SC 0: que bom voltar ao lugar onde somos felizes

Ainda que provisoriamente e à condição é sempre melhor estar em primeiro lugar do que em qualquer outro quando o destino que procuras é ser campeão. Tendo os rivais jogado antecipadamente e escorregado de forma surpreendente a obrigação de ganhar não podia ficar por cumprir. É bom regressar ao lugar onde somos felizes!

Há no entanto que reconhecer as muitas dificuldades reveladas para conseguir um golo. E tal explica-se, por maioria de razões, da seguinte forma:

- O desperdício de mais uma primeira parte. Sabia-se que, não conseguindo marcar cedo, o adversário cresceria em confiança e em dificuldades.

- Muita dificuldade em ligar de forma consequente as jogadas de ataque, especialmente pela inconsequência das acções de Rúben Ribeiro nas deambulações pelas alas

- A deslocação de Bruno Fernandes para a direita, associada à posição muito recuada e acções pouco precisas de William Carvalho, retiraram precisão e acutilância a partir do centro do terreno.

- As transições típicas das equipas de Pedro Martins não permitiam descuidos nem grandes avanços aos laterais, quase sempre bem cobertos pelos vimaranenses. Sem deslumbrar, Raphinha foi demonstrando porque é dos jogadores mais apetecíveis da Liga NOS.

Quando se esperava uma reacção forte na entrada para a segunda parte um tremendo golpe surge com a lesão de Bas Dost. Nesse momento certamente que muitas foram as almas que descreram da salvação e os maus agoiros de experiências de vida anteriores certamente que ganharam a forma em muitos adeptos. 

Mas a solução estava no insuspeito pé esquerdo de Mathieu que desbloquearia aquilo que já parecia uma equipa atascada em mais um jornada invernosa para as nossas ambições. Mon dieu, Mathieu... Já antes do golo há que reconhecer que se Doumbia não tem eficácia de Dost, perdendo-se quase todo o jogo aéreo, o marfinense dá ao jogo a mobilidade que Dost não consegue. E que o adiantamento de William para a organização do jogo deu a acutilância que não estávamos a conseguir ter.

Há várias lições a retirar do jogo de ontem. Como por exemplo:

- A carência de jogadores capazes de executar de forma rápida é uma realidade e não mero capricho dos adeptos. Sem isso o nosso jogo é demasiado previsível e, por consequência, fácil de anular.

- Quaisquer que sejam as contrariedades, e mesmo que tenham a importância como a que representou a saída de Bas Dost - e até futura ausência... - é importante não baixar os braços e acreditar sempre. O Sporting, mesmo considerando que parece ter jogadores de perfil demasiado semelhante para as mesmas posições, tem um plantel de grande qualidade. Pelo menos a suficiente para vencer equipas como a do adversário de ontem.

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