quarta-feira, 26 de setembro de 2018

José Peseiro na boca do leão


Texto escrito no ãmbito da cooperação com o site Fairplay

Peseiro será sempre lembrado no Sporting pelo quase sucesso de 2005 que havia de redundar em fracasso no curto espaço de dias. Na altura viu esfumar-se a glória de um titulo nacional e um titulo europeu que acabaria por lhe ditar o destino logo no inicio da época seguinte. A desconfiança de ser incapaz de ganhar acabou por impor a sua lei nos primeiros desaires da época seguinte.

É essa desconfiança que inevitavelmente ganhou forma após a derrota de Braga, anulando rapidamente a surpresa pela forma como vinha conseguindo juntar as peças de um Sporting estilhaçado. Mesmo que o futebol jogado não fosse propriamente sedutor, Peseiro parecia ter conseguido montar uma equipa eficaz. Mas era consabido que o beneficio de algum estado de graça se extinguiria no primeiro desaire. Foi isso que inevitavelmente aconteceu.

Assim foi em Braga. Mais importante que a qualidade do jogo jogado, onde as estatísticas confirmam a igualdade no desempenho das equipas, acabou por ser o resultado a premiar a eficácia dos da casa a ser determinante nas análises que se fizeram ao jogo. Como sempre quem perde sai por baixo e quem ganha recolhe os louros.

Fosse agora ou depois, o problema da desconfiança levantar-se-ia na mesma como um denso e escuro nevoeiro sobre Peseiro ao primeiro mau resultado. No caso em apreço, de pouco parece valer agora invocar o historial recente entre ambas as equipas, ignorando que as dificuldades sentidas ante os arsenalistas não são novas e remontam a períodos de maior fulgor e estabilidade do que os vividos desde o dealbar da época em curso. 

Contudo, nem o Sporting seria o principal favorito ao titulo mesmo que tivesse saído vencedor, nem o Braga passou a ser mais candidato do que era antes do jogo começar. Por razões diversas mas óbvias, cada um deles permanece na luta, mas conservando o seu estatuto de outsider face aos favoritos FC Porto e SL Benfica. No fundo este resultado não trás nada de muito novo ao que se poderia adivinhar. Se com o passar do tempo  as vitórias regressarem, esta derrota será um mero um percalço. Mas nunca poderá ser assumido como o fim as aspirações para o campeonato.

Quando se soube que Peseiro ia regressar ao Sporting o próprio se encarregou de afirmar o quanto era diferente do que havia chegado há 14 anos: 

Chego com a mesma motivação e responsabilidade de ser treinador de um enorme clube, mas agora com mais experiência". 

Será agora essa qualidade que terá de convocar para lidar pessoalmente com o actual momento, bem como perante o grupo de trabalho que lidera. Se normalmente um jogo em casa com é de vitória obrigatória, o resultado de Braga “obriga” ainda mais a vencer o Marítimo, o jogo que se segue. Saber lidar com a pressão e retirá-la do seio do plantel durante a semana que antecede o jogo é a primeira tarefa.

Mas não poderá ficar por aí. Apesar dos bons resultados conseguidos até Braga, não passaram despercebidas as dificuldades que o Sporting enfrentava na organização do seu processo ofensivo. À primeira vista tal pode soar de forma contraditória à impressão de técnico de perfil ofensivo, mas descuidado a defender, que deixou na sua passagem. 

Talvez não seja tanto assim, se se atender que a organização do ataque funciona para uma equipa como o telhado e os acabamentos numa edificação nova: são os últimos a finalizar e sobretudo os segundos quanto mais elaborados mais difíceis são de alcançar. 

Recuando a 2005, apenas à sexta jornada o Sporting estabilizou o seu jogo. Após um inicio prometedor na primeira jornada, o Sporting baquearia consecutivamente e de forma comprometedora para o resto do campeonato, entre empates e derrotas que só seriam interrompidos num jogo com o Estoril (1-4). Mais à frente alternaria uma pesada derrota fora com o FC Porto (3-0) e uma exibição de gala com o Boavista (6-1). 

Não sabemos se Peseiro conseguirá impor agora o futebol que então o caracterizou e que, apesar da ausência de títulos no final, representa do melhor que o Sporting apresentou no século em que estamos. Mas tivesse o Sporting conseguido estar mais vezes nas decisões da Liga nacional e da Liga Europa como então esteve, e seria muito provável que houvesse hoje o respectivo registo na sua sala de troféus. 

Creio ser bem patente nas exibições da presente época, e independentemente dos resultados, que é preciso tempo e sobretudo um plano emocional colectivo bem mais estável do que aquele que o Sporting iniciou a época. De todos, Peseiro tem apenas a culpa pela coragem – ou loucura? – de não virar as costas a um desafio que tinha e continua a ter demasiados ingredientes errados para acabar bem.

Julgo ser importante reter como sinal de esperança que, apesar dos equívocos evidentes no jogo do Sporting, não é difícil de perceber que há matéria humana para melhorar. Gudelj fez apenas o seu segundo jogo e pode vir a beneficiar ele e a equipa de uma visão mais ousada e menos conservadora que o atar à ilharga de Battagllia. Bruno Fernandes não pode ser um controlador aéreo, antes sim um agulheiro que traça o destino da bola de pé para pé. Raphinha não pode ser apenas aquilo que as suas iniciativas individuais dão, é preciso que a equipa esteja mais próxima dele. Todos os sectores aliás precisam de comunicar melhor e para isso é preciso maior proximidade para que exista mais dinâmica e daí melhor fluência e segurança na posse da bola. Sem isso a equipa continuará a viver de fogachos individuais e daquilo que as falhas do adversário permitirem.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Primeira derrota. E agora?

Peseiro teve razão na apreciação que fez ao resultado: foi injusto, pelo que as duas equipas fizeram, perder o jogo foi injusto para o Sporting sair derrotado da pedreira. Mas um resultado de um jogo de futebol não é uma decisão de tribunal, ganha quem marca e quem marca merece ganhar. O Sporting não marcou, apesar de o poder ter feito e aí se estabeleceu a decisão final.

Por ser um resultado duplamente doloroso - primeira derrota e descida de vários lugares - a forma como a equipa vai reagir vai constituir um momento definidor do carácter do seu carácter e até mesmo das nossas reais possibilidades nesta competição. Em Braga a equipa demonstrou que tem vontade, que tem um lote de jogadores para fazer melhor, mas que existe um fosso entre esses e outros que estão longe de os poder acompanhar ou sequer substituir. 

A isso acresceu também um facto que poderá ser determinante e que já funcionou ontem a favor do Braga: a eliminação precoce das competições europeias permitiu-lhes maior frescura e discernimento nos momentos finais da partida, em especial pelo forte calor que se fazia sentir. Jogadores que poderiam conduzir o Sporting a uma reacção ao golo sofrido - Nani, Montero, Bruno Fernandes, Gudjeli, Raphinha - ou já não estavam em campo ou quando estiveram pouco fizeram. 

Se em todas as derrotas o foco recai sobre o treinador, nesta não há excepção. No caso de Peseiro mais ainda, pelas razões que se conhecem: é um alvo fácil de se lhe bater. Abel antecipou-se-lhe nas substituições e, embora não tenha sido por aí que ganhou o jogo, foi isso que ficou registado em termos mediáticos. Mas o golo nasce de um erro numa transição e é consolidado por uma série de erros de posicionamento e avaliação que as substituições dificilmente poderiam ter evitado.

Mas é quando se olha para o banco que se percebem as dificuldades que Peseiro sentirá na hora de mexer na equipa: além de Jovane, entraram Castaignos, Diaby e ficaram no banco os jogadores de campo Jefferson, Marcelo e Petrovic. Como de facto aconteceu, apenas o primeiro significava uma possibilidade real de mexer com o jogo. 

Não vale a pena voltar a repisar aqui as razões que nos conduziram aqui. Nem isto equivale a desculpar inteiramente Peseiro, porque me parece que a equipa tem de ainda por onde crescer e parece tardar pelo lado das ideias expressas em jogo. Ou elas não estão a passar ou não estão a ser trabalhadas. 

Mas embora o resultado seja muito frustrante e penalizador para nós, não creio que haja razões para grande desespero. O ano passado fizemos apenas um ponto com este adversário e tínhamos em teoria melhores argumentos. O desânimo só pode ter apenas a duração do intervalo entre o próximo jogo.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Leais ao Sporting vencem impugnação

Não consigo contabilizar com exactidão todos os subscritores da impugnação ontem apresentada às pretensões do Qarabag Adam em pleno estádio de Alvalade, mas podemos falar de cerca de trinta mil nas bancadas, mais jogadores e equipas técnicas, médicas, roupeiros etc. E assim se expressou a lealdade ao Sporting: com presença nas bancadas e com aplicação no relvado. 

Ao contrário do que se possa pensar não houve facilidades. Os argumentos apresentados pelos azeris eram sólidos e baseavam-se numa postura conservadora e expectante. Do nosso lado a preocupação expressa em algumas providências cautelares. Era necessário manter a concentração e o equilíbrio para que não fossemos surpreendidos.

Depois de muita cautela e alguns sustos a causa começou a ganhar contornos de vitória. Contamos na hora certa com o alto patrocínio de Nani, o Líder, a descobrir uma brecha na lei azeri em vigor. A visão e precisão do capitão foi muito bem secundada pela rapidez de reacção de Raphinha. 

Para rematar a acção de oposição à vontade do Qarabag de marcar pontos houve ainda alguma expectativa que seria coroada com um epilogo de elevada nota artística proporcionada por Montero. O tal que não marca golos mas se não estivesse lá às tantas não marcávamos mesmo. A peça de roupa interior, vulgo cueca, que ofereceu  ao defesa azeri poderia ter assinatura de um dos mais reputados costureiros de fama internacional.

Os argumentos finais estiveram a cargo de Jovane, que não tem perdido nenhuma das oportunidades que lhe tem sido concedida, numa demonstração de que tão importante como o talento é a vontade.

E agora siga para Braga, onde disputaremos a manutenção da liderança com o espanto de muitos e desgosto de alguns, poucos.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Os grandes problemas do Sporting actual

Nos últimos dias os "grandes problemas" do Sporting para determinados adeptos têm sido a propalada entrega da comunicação do clube à LPM e a recondução de Virgílio Abreu na direcção clínica do futebol do clube. 

Os que hoje tanta preocupação demonstram com a possibilidade de um elemento da LPM poder ser benfiquista certamente tinham emigrado e por isso nada disseram quando a direcção da comunicação foi entregue a Luís Bernardo. O tal que estagiou em Alvalade e de forma meteórica atravessou a Segunda Circular para gerir o mesmo dossier no clube rival.

Tanto quanto é possível saber a direcção de comunicação ainda se mantém como estava. Se a escolhida for a referida empresa estamos a falar da contratação só de uma das referências do mercado para uma área há muito identificada como um dos calcanhares de aquiles dos últimos cinco anos de gestão. Quanto a mim essa é uma falha que remonta até a vários anos atrás. Porquê mudar se tudo estava tão mal, não é?

Quanto a Virgílio Abreu, trata-se de um clínico cuja ligação ao clube remonta a vários anos e a sua nomeação é de carácter interino, até que João Pedro Araújo possa assumir a pasta no próximo mês de Outubro. Não me lembro de tanta indignação quando em Junho a direcção anterior se preparava para uma "varridela" geral no corpo clínico do clube, que abrangia médicos e fisioterapeutas.

Oxalá continuem a ser deste teor as indignações. Oxalá que os "emigrados" dos últimos cinco anos regressem e possam exercer com rigor e honestidade intelectual uma obrigação de todos: o escrutínio da actividade dos órgãos sociais.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Os 4 alicerces para a nova casa do leão

Texto escrito no ãmbito da cooperação com o site Fairplay
 
Com a eleição dos novos corpos sociais o Sporting cruzou a linha de fronteira para um tempo novo. Independentemente do que venha a suceder no futuro, é quase garantido que a nova liderança trará uma postura e actuações diferentes das dos seus antecessores imediatos. Isso percebe-se-imediatamente nas primeiras tomadas de posição públicas do novo presidente, Frederico Varandas, e o quanto contrastam com as do seu antecessor.

Elegemos quatro pontos que nos parecem virão a ser fundamentais para os primeiros tempos da gestão de Frederico Varandas e respectiva equipa:

Relações Internas

O lema de candidatura escolhido pelo novel presidente foi precisamente a união interna. Que ela é desejável e necessária ninguém duvida, como se chegará a ela é que já é mais difícil de prever. O final caótico da anterior liderança deixou marcas profundas no clube ainda não totalmente quantificadas e não apenas na situação financeira. Elas são particularmente visíveis numa facção ruidosa e que não está disposta a conceder um mero segundo de graça à nova equipa dirigente, recorrendo para isso a todo o tipo de boatos difundidos a partir das redes sociais.

Para todos, dirigentes incluídos, há noção cristalina de que a actual gestão tem vários dossiers complicados em aberto que requerem decisões rápidas e eficazes. A forma como eles forem sendo encerrados será decisiva para a consolidação da imagem da actual direcção.

O elevado interesse com que os Sportinguistas acompanham o seu clube e a forma como o veneram ficou mais uma vez provada no recente acto eleitoral. Daí que o cumprimento de algumas promessas eleitorais da lista vencedora merecerá também amplo escrutínio. Se a reordenação de toda a Formação representa muito maior complexidade do que simplesmente reorganizar a Academia e cujos resultados vão requerer alguns ciclos, outras promessas há que não necessitarão de tanto tempo para se iniciar a efectivação e notar a diferença.

Entre essas estão a implementação do modelo para o futebol, onde ganha particular relevância o interesse pelo nome escolhido para o Head Scout, bem como dos técnicos que o acompanharão. A constituição da Unidade de Performance e os nomes que acompanharão o seu director e simultaneamente director clinico, João Pedro Araújo. O posicionamento do clube relativamente aos jogadores que rescindiram e que, não tendo regressado, mantêm contencioso com o clube, a procura de novas receitas e a criação de valor com a potenciação do “ecossistema Sporting” suscitarão também interesse e merecerá acompanhamento.

Dossier Financeiro

É nos assuntos financeiros onde a actuação dos novos corpos sociais será mais visível e onde são requeridos resultados praticamente imediatos. À cabeça o revolving do anterior empréstimo obrigacionista, com o objectivo de remunerar o anterior já em atraso, bem como permitir a conclusão da reestruturação financeira que levará a um haircut da divida de quase 70%, em condições particularmente vantajosas e imperdíveis. Terá obrigatoriamente que deixar clarificadas todas as questões levantadas durante a campanha sobre a real situação financeira actual.

Resultados desportivos

Aqui pode estar um presente envenenado. Sousa Cintra entregou a Frederico Varandas a equipa de futebol no comando do campeonato. Algo que não é passível de ser melhorável. Mas pode piorar, sem que a direcção da SAD possa fazer muito para alterar o rumo dos acontecimentos, pelo menos até Dezembro. Falta saber até quando poderá ser disfarçada a forma deficiente como a época foi preparada nos mais diversos níveis, por força do período conturbado que o clube atravessou. Aliás, o que provoca perplexidade em quem observa o clube é a forma como este se levantou desde o profundo abalo que a invasão da Academia, passando pela destituição dos órgãos sociais até às eleições que provocou.

Felizmente as chamadas modalidades conseguiram manter uma linha de continuidade nos seus plantéis e órgãos directivos que lhes permite manter a competividade ao mesmo nível. Mas, desta vez pelas melhores razões, o presente não tem menos veneno. É que os títulos conseguidos em quase todas elas servirão de fasquia para a avaliação de desempenho.

Relações institucionais

Não é um dossier tão urgente ou decisivo como os anteriores mas é uma evidência que o Sporting tem de ter uma estratégia clara relativamente às relações com os órgãos tutelares (FPF, Liga, IPDJ,) bem como com os seus concorrentes e rivais. O Sporting não pode estar fora da definição da agenda, dos regulamentos e ordenação do futebol português. Um capitulo que vai ter de começar a ser reescrito, tal a forma como foram paulatinamente fechadas as portas aos mais basilares entendimentos e cavadas as respectivas trincheiras.

As reacções à presença de representantes do Sporting nos camarotes presidenciais no recente derby é apenas um breve introito de uma intricada teia de posições e interesses quase nunca convergentes. Ainda sem saber o que representa para si o Cashball, o Sporting vive sufocado por dois rivais dispostos a tudo, como se prova pelo Apito Dourado e o mais recente E-Toupeira.

No ambiente pantanoso e subjugado aos mais diversos interesses, a ausência de qualquer presença relevante nos órgãos decisores funciona como um contravapor para as ambições de revitalização do clube. Porque por não há organização, programas ou modelos, mesmo que brilhantes que resultem quando os bons resultados desportivos não acontecem.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Frederico Varandas de presente a presidente

Num mundo em vertiginosa e controversa mudança, é sempre bom sentir a segurança de alguma perenidade, especialmente do que nos é tão querido. É o caso do amor que os Sportinguistas devotam ao Sporting Clube de Portugal, que os faz acreditar sempre e dizer presente, seja nos momentos de crise, seja nos momentos de celebração. E esse sentimento é tão grande e de raízes tão profundas que, como no caso da Assembleia Eleitoral do passado sábado, era difícil de distinguir a qualquer forasteiro que passasse perto de Alvalade, se era dia de romaria, de jogo grande ou, como era o caso, de chamada às urnas. 

Há um cerca de um ano e meio, havia escrito precisamente isto por ocasião das eleições de Março de 2017, que reconduziriam o anterior presidente ao seu segundo mandato:

Como se preciso fosse os adeptos do Sporting decidiram dar ontem mais uma demonstração do insuperável e exemplar amor que nutrem pelo seu clube de coração. Absolutamente notável o que se viu ontem em Alvalade, comprovando, para quem precisasse, que a grandeza deste clube é à prova de qualquer comparação. Esta é daquelas vitórias que não podem ser esquecidas, ainda que não tenha correspondência na nossa sala de troféus. Mas a marca deixada é seguramente impressiva e inolvidável na nossa história.
No sábado decidimos brindar com um poderoso "encore" essa demonstração de vitalidade, sufragrando uma nova equipa de dirigentes, bem como aqueles que com eles concorreram, proporcionando alternativas distintas. O encerramento do processo seria ainda mais brilhante pela forma como a lista vencedora, na pessoa do seu líder (e agora nosso...) Frederico Varandas (FV) soube vencer, bem como a elevação e o sentimento de profundo Sportinguismo dado por João Benedito, na aceitação dos resultados. Essa atitude é ainda mais louvável por aceitar sem desculpas ou subterfúgios as regras de ponderação dos votos que todos sabiam à partida. Esta talvez tenha sido das defesas mais importantes que Benedito efectuou em favor do Sporting Clube de Portugal.

Tal como nas eleições anteriores declaro aqui que o meu total apoio, que durará sempre e enquanto eu sinta que a defesa dos superiores interesses de TODOS NÓS precedem todos os outros. Tornei público aqui o meu apoio à lista que FV liderou, mas não me sinto nem mais nem menos responsabilizado, ou nem mais nem menos mobilizado por isso. Tão pouco menos atento ou vigilante. As listas acabam após o acto eleitoral e, como qualquer um de nós, o meu desejo é de muita sabedoria e de indispensável sorte para os novos dirigentes, em particular FV.

De todos os que podiam ganhar talvez seja ele quem tem a tarefa mais difícil pela frente, mesmo antes de se sentar na cadeira ou assinar uma decisão. Não apenas não ganhou pelo maior número de eleitores como, pior do que isso, tem contra si uma facção que mesmo que não seja facilmente quantificável, é particularmente ruidosa. Pior do que isso, é frequentemente desonesta e não se coíbe de inventar factos, guiões da desgraça e difundir boatos de forma despudorada.

Como provavelmente FV muito bem saberá, não terá por parte dessa facção direito a estado de graça, a que terá que acrescentar a natural desconfiança de todos quantos preferiam outros projectos ou pessoas - mais isto... - à frente dos destinos do Sporting. A isso somar-se-á os efeitos destruidores do vendaval que nos varreu de forma incessante até à destituição do anterior executivo. Efeitos esses que alienaram valor ao plantel, valor à SAD e ao clube. Os cuidados paliativos da Comissão de Gestão e do por si nomeado presidente da SAD, Sousa Cintra, permitiram manter-nos vivos mas desengane-se quem vê no primeiro lugar que a equipa actualmente ocupa um atestado favoritismo. É, acima de tudo, um exemplo de força, confiança e prontidão que a equipa nos dá a todos nós como preparação para o que ainda virá...

Por paradoxal que pareça, é nas imensas e complexas dificuldades que FV e a sua equipa têm pela frente  que estão as oportunidades de se afirmar primeiro e consolidar depois a liderança a que se propôs. Haverá também a quota parte que terá que ser desempenhada por todos e cada um de nós. Assim a liderança nos saiba convocar a todos, sem contudo ficar à espera de unanimismos. Os Sportinguistas saberão dizer presente tal com ele o soube dizer quando os acontecimentos assim o impunham.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Em quem eu voto até às paredes confesso


Ao contrário de actos eleitorais anteriores, hesitei muito em tornar público os meus votos.

Por força da minha participação no Sporting160 tive a oportunidade de dialogar com quase todos os candidatos e para isso tive que ler os respectivos programas. Aí aprofundou-se a convicção inicial de que a lista de João Benedito e a de Frederico Varandas são as que estão melhor preparadas para dirigir os destinos do Sporting.

Procurei tomar a minha decisão pela positiva. Não votei contra ninguém, votei a favor do Sporting. E procedi assim sem ligar a rumores, antagonismos pessoais, boatos. Votei por entender que é o programa, a equipa e a pessoa que melhor habilitados estão para voltar a devolver alguma da dignidade ferida e reencontrar, como é urgente e necessário,  o caminho do sucesso. E dessa forma a estabilização e o regresso das vitórias de forma sustentada. A minha escolha recaíu na Lista D, encabeçada por Frederico Varandas.

Não escondo que foi essa a minha inclinação inicial, até aparecer a equipa de João Benedito. Gente com passado no clube, recheada de campeões que oferecem garantias de saber de experiência feito e de elevado grau de preparação pessoal.

Mas há dois pontos fundamentais que me levaram a tomar a decisão contrária:

1- Apesar da campanha inteligente que tem efectuado, Benedito nunca tomou uma posição inequívoca e em tempo oportuno relativamente à gestão que quase implodiu (e continua a tentar…) o Sporting. As feridas estão ainda abertas e demorarão a sarar. Não só não se demarcou no momento em que as AG’s sucedem, como não o fez na crise do futebol profissional. Mesmo recentemente, na célebre sexta-feira da providência cautelar “vazia” permaneceu em comprometido silêncio.
Desejo que a próxima liderança saiba ser inclusiva, suscite a reconciliação e harmonia da família leonina, não desejo nem apoiarei qualquer tipo de perseguição interna a quem apoiou Bruno de Carvalho, mesmo que o tenha feito até “à 25ª hora”. Até pelo absurdo que representaria. Mas este era um critério inequívoco para atribuição dos meus votos: o candidato em quem votasse teria que ter um discurso claro relativamente àquele que considero um dos piores momentos que me lembro da vida do Sporting e o seu responsável.

2- Os programas e as pessoas que os executarão na principal actividade do clube: o futebol. Porque é aí que tudo começa, sejam a glória ou a crise profunda. E é nesse ponto que reconheço que a lista de João Benedito perde claramente para a lista de Frederico Varandas. Com todo o respeito que me merece o respectivo passado, Carlos Pereira e André Cruz estão claramente desfasados da realidade leonina e do futebol nacional. Veja-se a entrevista de hoje de Carlos Pereira ao jornal “A Bola”. Muito enfoque no passado, na cultura, à raça, etc, mas quanto ao mais importante, o modelo, organização e conhecimento para lá chegar nada.
O mesmo se aplica ao discurso do cabeça de lista, obviamente. Isso é ainda mais evidente, quando se lê, entre outras coisas, no programa de João Benedito, que se vai “avaliar pormenorizadamente o nosso departamento de Scouting e, caso o mesmo apresente falta de conhecimento e fraca propensão em encontrar novos jogadores de qualidade”. Isso contrasta com o diagnóstico já feito e o discurso claro de Frederico Varandas relativamente ao tema, bem como relativamente toda a organização e estrutura para o futebol.

O mesmo incómodo e pouco à vontade que se notou em Varandas nos debates na televisão é notório no programa de Benedito para o futebol. Só que os debates extinguem-se com as eleições mas o futebol queremos que, ao invés disso, melhore consideravelmente. E para isso é preciso conhecimento imediato do terreno que se vai pisar.

Não tenho dúvida absolutamente nenhuma que João Benedito será um lutador incansável, mas demorará mais tempo a descobrir o caminho ideal e com isso também o Sporting. O futebol não é uma ciência oculta, mas requer conhecimento aprofundado das suas especificidades. Frederico Varandas têm-no já. Claro que o facto de viver há onze anos dentro do core do clube, o futebol, é uma circunstância que o beneficia. É uma qualidade diferenciadora que não deveria ser desperdiçada. Até porque não há muitos mais nessas circunstâncias. Da mesma forma que a equipa de Benedito acumula o saber nas modalidades de enorme valor e de pessoas que não deveriam viver fora do Sporting.

Mas, na impossibilidade de uma acção conjunta, creio que a lista de Frederico Varandas assegura também a manutenção do ecletismo e tem um programa muito sólido no que diz respeito às diversas componentes essenciais do clube, nomeadamente a relação com os sócios, da relação destes com o clube, investidores, patrocinadores, marketing, criação de valor e potenciação da marca Sporting. Creio mesmo que o documento "Ecossistema Sporting [ https://www.unirosporting.pt/…/Potenciar-Ecossistema-Sporti… ] entre outros, deveria ter leitura e discussão séria.

É verdade que a campanha com elevado nível de ruido e excesso de debates televisivos acabou por privilegiar o espectáculo que interessava particularmente aos canais televisivos. Por isso me abstraí de os ver, bem como me afastar de discussões pontuadas pelos ataques muitas vezes “ad hominem”. Nesta luta que não fez reféns não há inocentes, seja pela via directa das candidaturas seja pelo lado dos pontas-de-lança criteriosamente colocados em posições chave nas redes sociais. O Sporting merece melhor.

Aconteça o que acontecer, o meu presidente será eleito no próximo sábado. Estimo que os demais aceitem os resultados mas que não deponham as suas armas, antes sim as disponibilizem ao presidente eleito. Que uns e outros tenham a humildade de perceber que a derrota é quando perdemos em campo e que a vitória eleitoral não é um salvo conduto.

Estimo acima de tudo que muitos de nós, adeptos que sempre fomos, nos possamos voltar a encontrar sob a nossa bandeira, com nosso símbolo ao peito em qualquer estádio ou pavilhão, sem outra preocupação que não seja VENCER!

Pode ouvir as respectivas entrevistas ao Sporting160 aqui:

João Benedito

Frederico Varandas 

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O reforço mais importante afinal sempre chegou

Terminou da pior forma a janela de mercado. Um colossal desastre comunicacional exponenciou expectativas que dificilmente poderiam ser cumpridas, mesmo que o Sporting se encontrasse nos seus melhores momentos, o que sabemos bem é precisamente o oposto. Jogadores como Bacca, Muriel e outros dificilmente querem correr o risco de tentar relançar a sua carreira numa liga periférica e em paulatina perda de competitividade internacional. E muito menos o fariam num clube que passou os últimos meses a ser noticia não pela conquista de títulos na modalidade de que são profissionais mas pela sua profunda crise interna. 

O trabalho de Sousa Cintra na reconstituição do plantel acaba assim por ser contaminado pelas últimas imagens: a falha na aquisição de um ponta-de-lança e Fábio Coentrão. Depois de informações desencontradas percebe-se hoje que o Sporting pouco ou nada fez para ter o lateral de volta. Há dois factos surpreendentes aqui: 
Que não se tenha contratado um defesa-esquerdo à altura da exigência das nossas ambições, uma vez que isso acabará por nos sair caro, como aliás já se vai vendo, nas limitações que isso impõe ao nosso jogo, quer do ponto de vista ofensivo como defensivo. 

E as reacções de indignação por não contratarmos um jogador do Jorge Mendes. Tão indignadas como as que se registam sempre que se comenta uma noticia de que o Sporting estaria a negociar um qualquer jogador com origem naquele empresário. O universo leonino não para de nos surpreender na sua ciclotimia.
Felizmente o mais importante e desejado reforço acabou por chegar já quase no encerramento não do mercado mas dos noventa minutos do jogo com o Feirense. E esse reforço tem nome e sobrenome: quatro jogos, dez pontos, primeiro lugar.

Duas razões de fundo para que tal tenha sucedido:
O nosso processo de jogo carece ainda de muito trabalho de aprimoramento  mas sobretudo de melhores ideias mestras. O intervalo que se segue será fundamental para as por em prática, bem como de integração dos últimos reforços.

O Feirense de Nuno Manta não é uma equipa qualquer. Não se remeteu à defesa e quando teve que o fazer ou o fez bem ou teve um guarda-redes intransponível. A excepção que confirmou essa regra resultou de um lance de muita sorte para que a bola tivesse chegado ao nosso joker, Jovane.
Uma palavra final para José Peseiro. Já se percebeu o quanto mudou e ele mesmo fez questão de o lembrar na conferência de imprensa final, que constituirá um marco desta época, seguramente. O que conseguiu até agora talvez só existisse na sua cabeça e nos nossos melhores sonhos. Mas saberá tão bem como nós que a equipa tem muito que crescer para manter a performance. 

Uma menção também para os jogadores, cujo empenho tem superado as deficiências colectivas resultantes das mais diversas condicionantes conhecidas de todos. Não merecem os assobios impacientes das bancadas que não só ignoram as circunstancias como o quanto ajudam os nossos adversários. E depois ainda se queixam no final que a equipa jogue sem ligação e pontapé para a frente, especialmente quando o jogador em posse não se desfaz da bola rapidamente. Até quando???

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

A falácia dos debates

Está a terminar a primeira ronda de debates entre os candidatos às eleições do Sporting. E ainda bem que assim é. Ao contrário do pretendido, as oportunidades de promover os respectivos programas têm sido frequentemente perdidas em favor das diatribes e, em alguns casos, antagonismos pessoais e até mesmo lamentáveis faltas de respeito pelos oponentes, e dessa forma, por nós todos, os sócios.

Creio que os candidatos e respectivas equipas de campanha e comunicação deixaram-se cair numa armadilha de mediatização que, mais do que informar, tem ajudado os órgãos de comunicação social a obterem importantes dividendos por via dos clicks e audiências. O número de candidatos também contribui para o que mais se começa a assemelhar ao conhecido spam no correio electrónico: ninguém liga.

Este excesso de mediatização afasta os sócios do que deveria ser a sua principal atenção: os candidatos, os programas e as equipas que os executarão. Assim, ao invés, parece que está em causa o melhor tribuno, a melhor punch line. Acontece que nos próximos quatro anos - pelo menos assim se espera... - o presidente do Sporting não deverá ter oportunidade e nem sequer necessidade de debater tantas vezes como nestas quatro semanas.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Um dérby sob o signo da ilusão

NDR: post escrito ao abrigo da cooperação com o site Fairplay

Poucos poderiam supor que o Sporting, partindo atrás de todos os outros, nomeadamente dos seus competidores directos, pudesse sair do primeiro dérby do campeonato na cabeça do pelotão da Liga. A instabilidade directiva que o assola fez com que começasse fora de tempo e incapaz de tomar decisões urgentes de forma oportuna. Os trabalhos do plantel começaram mais tarde do que o que estava previsto, a mudança do responsável técnico ocorreria em cima da hora e com uma profusão de pontos de interrogação no lugar dos nomes e lugares por preencher no plantel.

Começando pelo trabalho nos gabinetes, há a considerar o trabalho realizado por Sousa Cintra e respectiva equipa, que resultou no regresso de alguns dos jogadores mais importantes, como Bas Dost, Bruno Fernandes mas também Battaglia. Mesmo sem desconsiderar importantes questões de natureza ética, que poderão ter levado à melhoria dos respectivos contratos, é bem claro que o Sporting não tinha estofo financeiro para substituir aqueles jogadores por outros de idêntica qualidade. 

A falta de estofo financeiro é também notório na dificuldade em arranjar forma de fechar o buraco deixado por William. Porque de facto não há muitos como ele e a sua saída pode até ter aberto não um, mas dois lugares. Há poucos jogadores a jogar naquela posição que, além de fornecer segurança defensiva “qb”, sejam capazes de lançar o jogo ofensivo da sua equipa, seja em passes a rasgar linhas, seja a quebrá-las em condução com a bola controlada. Por isso é bem provável vermos Peseiro deitar mão de uma solução de dois homens a complementarem-se atrás, ensaiando subidas e descidas coordenadas, de forma a compensaram-se mutuamente.

O mesmo acontece relativamente ao substituto de Bas Dost, cuja necessidade ninguém antecipou para momento tão precoce. Mas acontece que essa necessidade é agora ainda mais premente. Com uma grande segurança de não ser desmentido, quase ninguém, talvez até nem mesmo o próprio, acredita que Diaby seja o “tal”. Dúvida que ainda é reforçada pelo facto de se saber que Diaby vem de longa inactividade.

Foi neste enredo de pontas soltas que o Sporting chega ao terreno do arquirrival para ser trucidado. Subestimar um leão, mesmo que com ar pouco saudável, é um erro muito comum que sai caro a muitos caçadores incautos. Não tendo feito uma exibição de luxo, conseguiu um jogo geralmente competente, pelo menos enquanto houve pernas e cabeça. A dupla argentina Battaglia / Acuña empurrou enquanto pôde o jogo do adversário para as laterais, anulando assim os elementos que vinham sendo mais preponderantes na armada benfiquista: Gedson e Pizzi.

A verdade é que o leão sobreviveu. E para o conseguir nem teve que fazer pior figura do que no jogo do campeonato passado, onde também então se apanhou a vencer. Mas aí sim, após ter conseguido também adiantar-se no marcador, recusou o papel de rival igual ao seu rival, para se remeter a uma defesa porfiada mais habitual em equipas menores. Basta olhar para a equipa com que termina este ultimo derby para se perceber que Peseiro conseguiu fazer o mesmo com muito menos e em piores circunstâncias. Talvez esteja aí o seu maior mérito, baseado numa gestão marcadamente conservadora das opções à sua disposição mas também de cunho realista.

Mas a bola ficou agora a saltar no campo de Peseiro. O que conseguiu até agora relativamente à produção da equipa, criou uma ilusão de apronto e competência muito útil mas que é manifestamente insuficiente para sustentar a posição em que se encontra e as ambições ao título. É certo que nem tudo depende dele. O Sporting para se tornar mais forte tem de crescer pelo acrescento de qualidade individual ao plantel, mas também muito pelo treino e pelas soluções colectivas que ainda faltam. 

Terá que ser um trabalho coordenado entre a SAD e a equipa técnica. Não havendo um esforço por parte da SAD em colmatar as evidentes lacunas no plantel esse crescimento é possível, mas ficará muito limitado. Além das faltas já citadas acima, a clara falta de qualidade na extrema-esquerda defensiva talvez seja a mais notória, se bem que não a única. 

Mas há ali matéria humana para conseguir maior dinâmica, nomeadamente no jogo ofensivo, criando mais e melhores oportunidades que, inevitavelmente terá que ser conseguido envolvendo mais jogadores no apoio ao isolado Montero. Mesmo sem recorrer ao mercado, jogadores como Raphinha e Matheus terão que ver o seu indiscutível talento convocado e potenciado. De outra forma o actual primeiro lugar não passará de uma ilusão de óptica que depressa se desvanecerá.

O próximo jogo com o Feirense encerrará a primeira etapa, após a qual o leão terá depois mais tempo para lamber as feridas. Porque tempo foi o que lhe faltou até agora. Mas é preciso reconhecer-lhe o mérito pois, como se viu até nos rivais, com outro tempo e condições, está tudo ainda muito longe da consolidação de processos. Se os próximos passos de Cintra e Peseiro forem dados com precisão a ideia de que o leão não contava poderá não ter passado de uma ilusão de algumas noites de verão.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Eleições SCP: Uma rápida reflexão a partir das sondagens e de um debate

Assisti ontem ao debate entre Frederico Varandas (FV) e José Maria Ricciardi (JMR). Aproveitei esse momento para, refelectindo sobre o que vi, escrever um post e assim voltar a actualizar o blogue.

Aqui vai:
Para uma grande maioria FV perdeu o debate. E é até provável que não venha a  “ganhar” nenhum. Porque claramente aquela não é a praia dele e também porque já se instalou no público essa ideia. Se estiver agressivo perde porque sim e se estiver cordato perde porque sim.
JMR surpreendeu-me. Esteve muito bem para o que deve ser a postura num debate. Agressivo, roubando a iniciativa, não deixou falar, desestabilizou o oponente com directas e indirectas. Algumas delas de profunda desonestidade intelectual, como a das rescisões, o que não é um pormenor. Ganhou claramente o debate, muito próximo do KO.
Mas quem nada ganhou e até perdeu foi o Sporting. JMR não deixou que se discutisse uma única ideia. Porque claramente não as tem para lá do que domina, que é o dossier financeiro. E se há alguma coisa de que o Sporting precisa é de boas ideias. É que no dia 9 não há debates e aquelas é que contarão para fazer o Sporting seguir em frente.
Mas o tempo de JMR já passou. Ao invés de em tempos ter patrocinado JEB e LGL devia ter avançado. Mas andava entretido com o BES e depois com o Haitong. Se aqueles ganharam à época JMR teria arrasado e talvez, quem sabe, ainda hoje era presidente…
Agora que está “desempregado” quer brincar ao Sporting, mas é tarde. A escolha de José Eduardo (JE) é uma mó ao pescoço e diz muito do afastamento dele relativamente ao sentimento dos adeptos. Só por arrogância pode pensar que conseguirá impor o JE.
É esta sobranceria relativamente aos adeptos que vi no passado, bem como a ausência de uma ideia estruturante para o futebol e para o desporto em geral, que não quero ver outra vez no Sporting. Discordei muitas vezes dele, talvez injustamente, mas o último “ser pensante” que passou na SAD foi o Ribeiro Telles. (Podem malhar à vontade). Tudo piorou com a sua saída. Pelo menos tinha uma ideia, o que é muito melhor que não ter ideia nenhuma e deixar correr o marfim. É mais ou menos assim, com mais ou menos dinheiro "investido", que tem andado o futebol do Sporting. A diferença de resultados tem estado na maior ou menor competência dos treinadores.
JB e FV são indiscutivelmente aqueles que podem trazer uma mudança geracional de que o Sporting necessita e que o BdC, na sua loucura, desperdiçou e atraiçoou. Mas não só uma mera mudança geracional, mas sobretudo conhecimento do fenómeno desportivo e ideias estruturantes que, goste-se ou não, estão nos seus programas. 
Com isto não pretendo apoucar os demais candidatos e muito menos questionar o seu amor ao clube. Todos eles poderão ser úteis no futuro, todos têm ideias que merecem a nossa ponderação pelo seu potencial e utilidade. Todos eles poderão ser úteis após as eleições e as sinergias geradas pelas suas candidaturas deverão ser disponibilizadas e aproveitadas, se se enquadrarem no espírito de quem receber o próximo mandato em mãos.
Voltando às candidaturas de JB e FV, ambas têm virtudes e defeitos, pessoas de que gosto mais, outras que não escolheria mas, no cômputo geral, ambas me deixam relativamente tranquilo se forem as escolhidas. Uma deles será a minha escolha mas, na eventualidade de não a conseguir realizar de todo, não votarei. Porque não patrocinarei o que não acredito e o que não gosto.
Sondagens? esqueçam isso.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Sobre a suspensão de Bruno de Carvalho e demais acólitos

Podem-se construir as mais variadas teorias da conspiração à volta da suspensão de Bruno de Carvalho e seus acólitos na autêntica cerimónia de "suicídio colectivo" com que nos brindaram nestes últimos meses. Mas, por mais histórias mirabolantes que se construam à volta deste desfecho - algumas dignas de guiões de séries - devem apenas a si próprios o destino em que se encontram. Destino esse que a ser levado à letra o seu próprio regulamento disciplinar poderia ser ainda mais severo.

Compreendo a desilusão daqueles que desde a primeira hora o apoiaram, bem como daqueles que a ele se foram juntando. Só não percebo e não aceito que canalizem a raiva para outros destinatários que não o próprio Bruno de Carvalho. Foi ele que atirou pela janela, a troco de nada e em descontrolo emocional digno de estudo, condições de que há muito não se sentiam no clube. Condições que tanto soube criar como rapidamente desbaratar. Daí que, a haver alguém que mereça ser destinatário da raiva e da frustração,  ninguém mais do que Bruno de Carvalho o merece. Porque foi ele que acabou por trair a esperança que criou e o projecto em que fez muitos acreditar.

Bruno de Carvalho e os que o acompanharam tiveram outro destino nas mãos e acabaram vitimas das suas escolhas. Para que as suas pretensões de se apresentarem agora a eleições fossem válidas teriam que beneficiar de um regime de excepção que os transportaria para um patamar muito acima notáveis, o tal "regime" que se apresentaram para combater. Eles que foram sempre implacáveis na aplicação de sanções cuja motivação era incomensuravelmente mais ligeira que as suas próprias acções agora objecto de sanção.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

O primeiro grande erro de Sousa Cintra

A ser verdade a falta de acordo com o Atlético de Madrid, quando estavam em causa as verbas que hoje a generalidade da imprensa anuncia, trata-se do primeiro grande erro de Sousa Cintra. Pelos valores fixos e variáveis o valor do passe seria sensivelmente apreciado em trinta milhões de euros. Desses, o Sporting receberia no imediato vinte e dois milhões + 5 milhões. Uma verba que daria muito jeito à SAD para resolver outros assuntos em aberto e que serão determinantes para o sucesso na presente época, fechando um dossier que é considerado uma causa perdida.

O acordo não seria um negócio espectacular obviamente, mas também não andaria muito longe do valor justo a pagar por um jogador frequentemente sobrevalorizado, se atendermos não ao que promete, mas ao seu real desempenho. A menos que o seu novo treinador consiga melhorias espectaculares no seu nível de decisão final, bem como na eficácia na concretização, o valor da sua cláusula de rescisão e mesmo os cem milhões que agora se diz que o Sporting irá exigir no processo litigioso que se seguirá não passarão de um delírio de verão.

Como o próprio Sousa Cintra já havia reconhecido, ao Sporting interessaria mais um acordo. Não só porque a decisão em litigância não o irá ressarcir tão cedo, caso a decisão venha a ser favorável. Mas também porque na tomada de decisão final contarão não apenas os factos que levaram à rescisão, mas também o nome dos clubes, o peso e capacidade de influência das respectivas federações. Não terá sido por isso casual que a inscrição do jogador logo após a consulta propalada consulta à FIFA pelos colchoneros. Infelizmente, como temos visto noutros processos, ter razão é uma coisa, conseguir vê-la reconhecida é outra bem diferente. 

Não posso deixar de dizer também que a atitude de Gélson Martins é de um canalha sem escrúpulos. A sua situação em nada se comparava com a de William ou Rui Patrício. Infelizmente, dos três jogadores da casa, só William se parece ter preocupado com o ressarcimento do clube que lhe deu tudo. Gélson era um dos meninos dos olhos dos adeptos na bancada, a quem nunca foram regateados aplausos e frequentemente ignorados os erros. O de se fazer expulsar por tirar a camisola foi só a confirmação que além de agora o sabermos desonesto também deve muito à inteligência. Tanta solidariedade afinal não inclui o clube que lhe deu tudo.

Talvez quem leu o titulo possa ter pensado que me iria referir ao empréstimo de Francisco Geraldes. Sim, também é um erro. E um erro que se repete pela terceira vez consecutiva, o que o torna ainda pior para o clube, que o facto de ter diversos intervenientes não serve de desagravo para o clube.

Aqui Sousa Cintra pouco mais poderá ter feito que carimbar a decisão se ela tiver origem no treinador e/ou jogador. Quem deverá explicar muito bem esta dispensa deverá ser em primeiro lugar José Peseiro. Como no passado Jorge Jesus a deveria ter explicado. A menos que o actual treinador diga que o jogador fez questão de sair, não contar com o jogador não augura nada de bom para o que Peseiro pensa por a nossa equipa a fazer.

Mas há que ir um pouco mais longe e não esquecer um outro decisor muito importante neste desfecho: o próprio jogador. Fosse ele outro e não diria isto. Mas Geraldes goza da fama (e pelos vistos do proveito...) de ser um jogador de QI superior. Ao decidir ir para uma liga onde a componente física é muito importante, ele terá obrigatoriamente que saber que está a arriscar muito mais a sua carreira do que se ficasse em Alvalade à espreita de uma oportunidade. 

Esta é uma decisão que roça o absurdo. Só não é a pior de todas, como a de cima, porque o jogador mantém ainda o vínculo ao Sporting e a esperança de cumprir os seus sonhos e os nossos sonhos de leão ao peito tem de ser a última a morrer.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Os negócios de Cintra

O melhor negócio de Sousa Cintra, entre vendas, regressos e aquisições, tem sido o restabelecimento da normalidade, mesmo num ambiente e conjuntura desfavorável. O presidente da SAD em exercício voltou exibindo os mesmos jeitos e defeitos que já lhe conhecíamos, mas a soma de todos os factores tem sido positiva e a necessária neste momento. Claro que há quem não goste e goze com o estilo ou falta dele, mas não será preciso uma dose muito grande de memofante para nos lembrarmos de momentos tão ou mais embaraçosos ainda muito recentes. 

Se é verdade que na comunicação e em tudo na vida "dois maus não fazem um bom", saúdo que Sousa Cintra não perca o seu tempo e nos faça perder o nosso a insultar sócios e adeptos pelo simples facto de que não gostam ou não concordam com ele. Um legado que infelizmente fez escola e hoje é uma constante nas discussões entre Sportinguistas.

Aquisições
Até agora conhece-se apenas o nome de Nani, contratado sem custos na aquisição do passe. Um regresso assinalável, uma vez que Nani será importante num balneário que perdeu muitas das referências recentes. Mantenho a minha impressão quando se soube a intenção da direcção deposta em contratá-lo: preferia a aposta num jogador mais jovem e em busca de afirmação. Se Nani estiver bem do ponto de vista físico e quiser voltar à selecção, pode ter essa tal vontade de afirmação e a sua qualidade continua elevada para as necessidades do nosso campeonato.

Neste capítulo os dossiers nas rubricas "regressos" e "vendas" continuam a ser um importante óbice ao ataque ao mercado para posições há muito identificadas como carências. Aí, as posições "6", "8" e "9" são as que requerem maior urgência. O regresso de Bas Dost, por exemplo, é insuficiente e o que há disponível neste momento para o lugar no plantel é incapaz de assegurar o que é necessário para a ambição de campeão.

Regressos
Claramente o melhor trabalho de Sousa Cintra num dossier que requeria especial sensibilidade e habilidade negocial. Ter conseguido "reaver" os dois jogadores mais importantes dos que haviam rescindindo - William e Rui Patrício eram obviamente alvos impossíveis - significa de uma penada só importantes "reforços" quer do ponto de vista da qualidade do plantel, das nossas ambições e da estabilidade financeira da SAD. Bas Dost e Bruno Fernandes são dos melhores jogadores do nosso campeonato, fazendo parte do lote restrito daqueles que despertam a cobiça lá fora. O segundo em particular, cuja idade permite augurar um futuro brilhante. Mas este regresso diz que são seguramente dois Homens, como aqueles que são precisos para fazer grandes equipas.

Battaglia parece fazer jus ao nome e tornou-se num problema complexo. Há já vários dias que é dado como resolvido e o seu contrário, ao que parece os interesses do empresário e o do jogador não coincidem. Não acredito nos valores falados ontem (10 milhões), porque se fossem reais era uma possibilidade de negócio razoável que significaria o financiamento fechar o seu lugar e encerramento de mais um dossier complicado.

Rafael Leão, pelo valor e potencial, seria outro regresso que saudaria. Não que a atitude tomada não importasse de todo, bem antes pelo contrário no caso especifico dele, mas também já tive dezanove anos. Só nunca tive ninguém a bichanar nos ouvidos como o mundo é bonito com milhões no bolso, pelo que a reconsideração de uma atitude reprovável e impensada seria o primeiro passo para voltar a por as coisas como elas não deveriam ter deixado de ser.

Vendas
A mais recente, a de Piccini, não poderia deixar de ser envolta em polémica. Para isso concorrem diversos factores, que vão desde razões secundárias, que nada têm a ver com o negócio em si mesmo, mas antes sim contaminadas pelo momento em que o clube vive. Acontece que o sucesso deste negócio ficou condenado à partida pelo facto de termos anunciado a aquisição de Bruno Gaspar, perfazendo três laterais para preencher dois lugares. A noção de excedente e necessidade de vender é um factor que o mercado não perdoa na hora de fazer o preço. 

Não foi por isso uma venda espectacular, mas mais do dobro do valor que nos custou há um ano está longe de ser um saldo. Comparações com outros casos em que não existem condições coincidentes é comparar alhos com bogalhos. Acresce ainda o facto de termos ido resgatar Nani precisamente à mesma origem, o que certamente também concorreu para o encontro de verbas final.

A mesma sensação relativamente ao negócio de William e quiçá a explicação do impasse de Gélson. Só mesmo Sousa Cintra para conseguir vender o que não é dele que é o que afinal se passa com estes e outros jogadores que rescindiram. É que os jogadores já não são do Sporting, talvez os mais distraídos ainda não o tenham percebido. Aqueles que acreditaram em promessas de amanhãs radiosos cheios de indemnizações chorudas talvez tenham percebido melhor que afinal isso não é assim tão linear, como a recente decisão da CAP dos processos de Patrício e, pasme-se!, de Podence revela.

O acordo com o Bétis, longe de ser entusiasmante, é a ilustração do trabalho de contenção de danos que a recuperação dos passes significa. E o interesse do Atlético de Madrid em Gélson uma única excepção a nomes de clubes importantes a interessarem-se por aqueles que eram dos nossos melhores também é significativo.  A consulta à FIFA pelos colchoneros revela o cuidado de quem sabe o peso de uma condenação, mas também a pressão de quem quer comprar bom e barato. 

Neste âmbito, dos jogadores da casa que saíram, assinalo o cuidado de William em ver o Sporting ressarcido e o descuido de Patrício. Como o próprio reconheceu, se ele tinha fundadas razões de queixa, essas nunca deveriam reverter contra o clube que o formou. Um capitão nunca se deveria esquecer disso.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

sexta-feira, 20 de julho de 2018

O Sporting e o acordo de confidencialidade com JJ

Do meu ponto de vista pessoal tinha toda a curiosidade em saber o que foram os últimos três anos da vida de Jesus na passagem pelo Sporting. Do ponto de vista do sócio e adepto do Sporting porém não creio que esta seja ainda o tempo para o ajuste de contas que JJ quererá fazer com o passado recente. 

O Sporting não vai ganhar nada com isso. Vai, isso sim, alimentar a máquina mediática que avidamente procura o sensacionalismo quando o nosso clube precisa é rapidamente de entrar, como diria outro treinador nosso conhecido, numa fase de muita tranquilidade e reorganização.


quinta-feira, 19 de julho de 2018

Até quando será Sousa Cintra presidente da SAD?

As eleições estão marcadas para oito de Setembro mas a possibilidade de elas não se realizarem nessa data não é assim tão pouco provável. É cada vez mais claro que quer Bruno de Carvalho quer Carlos Vieira irão até às últimas consequências para continuarem agarrados de onde os sócios lhes disseram que se deviam por a mexer. 

Apesar de serem os primeiros a merecer tamanho deslustre, desenvergonhadamente parece que o tomaram como uma medalha. Os apelos lancinantes de misericórdia não estão em linha com a aplicação implacável que usaram com outros, por bem menos. 

Os argumentos em seu favor roçam o patético

Houve pessoas que votaram na destituição e vieram dizer-me que o fizeram para que eu fosse novamente legitimado“ BdC, ontem à SIC

"Não viveria descansado se não soubesse o que os sportinguistas pensam do meu trabalho" Caros Vieira, A Bola, 14 de Julho

e ignoram sempre o essencial: estão "apenas" a receber de volta o que, na ânsia de perseguição, pensavam que não se aplicaria também aos prórios: o seu projecto de regulamento disciplinar aprovado em Fevereiro.

O circo montado pelas marionetas de Bruno de Carvalho, Pedro Proença (só tótós vão na encenação de vitimização, qual calçadeira para entrevista da noite) e Elsa, remetem-nos para os freak-shows dos finais do sec. XIX e inícios do sec. XX mas vai chamuscando todos os dias a imagem do clube. Tudo com o beneplácito de uma comunicação social sem critério e que vende a ética por shares de audiência. Carlos Vieira declara-se mais "institucional" mas promete também guerra sem quartel. O clube parou por causa deles e poderá ficar paralisado mais tempo ainda.

Por este andar Sousa Cintra arrisca-se a passar o próximo Natal e quem sabe a Páscoa sentado na cadeira da presidência da SAD.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

sexta-feira, 13 de julho de 2018

O que dizer das candidaturas de Bruno de Carvalho e Carlos Vieira?

O Sporting já deu inicio à época 2018/19 mas as atenções continuam - e continuarão - centradas nas eleições e no que nos trouxe até elas. Assim, temas como o jogo de ontem e o regresso de Nani acabam por ficar para segundo plano no imediato, até porque haverá com certeza tempo para sobre eles dissertar ao longo da longa época já em curso.

Nesta conformidade, o longo desfilar de candidaturas, candidatos e intenções acabam por marcar a actualidade. Aí ganham relevância os "regressos" de Bruno de Carvalho e, imagine-se! Carlos Vieira em listas separadas.

Sobre Bruno de Carvalho, mais importante do que qualquer outra opinião, vale a pena dar conta do que pensa um dos seus mais perenes e indefectíveis apoiantes desde a primeira hora, isto é, desde 2011. Obviamente não vamos recuar tanto, nem ser exaustivos, vamos centrar-nos nos tempos mais recentes, aqueles que levaram os sócios a pronunciar-se de forma clara sobre a necessidade de interromper o mandato do anterior Conselho Directivo.

Estou a referir-me a Luís Paulo Rodrigues, conhecido Sportinguista ligado à comunicação e agora comentador na RTP. Infelizmente grande parte deste post estava já escrito e hoje este tema está nas paginas de pelo menos um órgão de comunicação social. Basta lembrar isto, sobre o que foi a sua própria leitura dos resultados da A.G. destitutiva:
"(...)acabando vergonhosamente destituído da presidência, com mais de 70% dos votos dos associados a retirarem-lhe margem de manobra política para poder recandidatar-se nas eleições marcadas para 8 de setembro.(...)
Como diria o outro, só não mudam de opinião os burros.  Não precisam é de quebrar a coluna vertebral para o fazer.

É aqui que se deveriam de centrar e iniciar todas as discussões sobre o tema da destituição e vontade de recandidatura de elementos do anterior CD: só a falta de reflexão e ponderação ou então, falta de dignidade e de vergonha é que não lhes permite perceber o que se passou e como desbarataram num ápice uma maioria perto da unanimidade, transformando-a num cartão vermelho.

Não consigo por isso perceber como pode Carlos Vieira pensar que se pode apresentar às eleições, julgando que conseguirá escapar entre os pingos da chuva copiosa das ilegalidades grosseiras ás simples asneiras estratégicas ou dos logros e faltas de respeito pelo regulamento disciplinar que os próprios fizeram questão de impor sob coacção de demissão há poucos meses. 

Creio mesmo que começou precisamente por aí a mancha na imagem de credibilidade da acção de Carlos Vieira. Só por incúria  ou por estratégia - inclino-me para a segunda - é que o CD deixou resvalar o "revolving" que resultou no incumprimento do reembolso do anterior empréstimo obrigacionista. Isto sem falar das consequências, entre as quais da necessidade do mesmo para suprir as surpreendentes dificuldades de tesouraria de umas "finanças exemplares".

Mas o pior para Carlos Vieira  - mas sobretudo para o Sporting -  foi a falta de análise do momento e de ausência de presciência na avaliação que obstou ao corte de um estranho e anacrónico cordão umbilical que o ligou a Bruno de Carvalho. Esta separação está atrasada uns meses para ser genuína. É aí que jazem a confiança e a fiabilidade que agora lhe faltará como candidato, deixando no ar a suspeição de estarmos na presença de um qualquer plano com maior ou menor grau de maquiavelismo para regressar ao poder. 

Mas a última coisa que se deve fazer em relação a ambos e a ainda ao seu numeroso número de seguidores é o menosprezo. Basta olhar para os tempos mais recentes, para a importância da sua presença consertada nas redes sociais dos seus flautistas e harpistas, bem como na colocação estratégica de elementos com eles relacionados nas TV´s. Por exemplo, do próprio Paulo Rodrigues ou de Pedro Proença, cujos cantos de espuma de saliva e olhos arregalados são epítome da intoxicação e das teorias de conspiração que se derramam em doses diárias sobre os Sportinguistas. Ao contrário da narrativa, a queda com estrondo do anterior C. D. deve-se apenas aos próprios. Se há oportunistas, que os há sempre, foram eles que lhes escancararam as portas.

É muito provável que nenhum de ambos se consiga furtar às consequências disciplinares das suas próprias acções. Mas seria bom que se pudessem apresentar a eleições para definitivamente receberem e sobretudo perceberem o veredicto dos sócios. Mas também aqui é a eles próprios que devem pedir contas. Este ou qualquer outro Conselho Fiscal e Disciplinar não terá outra alternativa senão aplicar o regulamento em vigor e que os próprios fizeram questão que aprovássemos. 

Um dia chegará que este Síndroma de Bruno de Carvalho, qual de Estocolmo, será apenas história e muitos dos que permanecem renitentes e em negação se apercebam do que foram realmente estes últimos meses. Mesmo que com as recaídas, que isto de ser livre também tem de se lhe ganhar o gosto pelo pescoço livre de coleiras e trelas, sobretudo para aqueles que ou nunca viveram de outra forma ou perderam o hábito.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Como tudo mudou para pior num abrir e fechar olhos

Ontem, poucos momentos antes de ir para o ar a conferência de imprensa de apresentação do Bruno Fernandes, foi perfeitamente audível uma parte substancial da conversa entre Sousa Cintra e Bruno Fernandes. Sem desculpar Sousa Cintra por ser imprevidente - ou se quisermos, por ser o Sousa Cintra de sempre - houve ali uma falha grave. Os dois intervenientes, antes de se colocarem nos seus lugares, deveriam ter sido avisados que havia já ligações em directo, como mandam as regras deontológicas e a ética. Algo que também terá escapado aos serviços do Sporting presentes no local, o que até se pode compreender pela azáfama em redor.

Ontem ainda causou também grande indignação a anulação do treino com o Sion por questões logísticas. Ninguém sabe exactamente o que se passou mas sabe-se pelo menos duas coisas: o estágio já havia sido decidido há muito e a organização do mesmo é da responsabilidade de uma empresa. Os serviços do Sporting têm responsabilidade pelas questões burocráticas que obstaram à realização do treino? Ninguém sabe, mas o que é certo é não faltaram vozes de protesto e exclamações de "amadorismo", "que vergonha". 

O que seria importante realçar no caso que antecedeu a conferência de imprensa é que se tratou de uma divulgação não autorizada de uma conversa que se não é  crime é pelo menos altamente reprovável. Mas não foi assim que foi comentado nas redes sociais afectas ao Sporting. Pelo menos a um certo Sporting... A indignação e a vergonha suscitadas pelo ocorrido pelos vistos foi  muita e dirigida para a actuação de Sousa Cintra. Não sei  onde é que esta gente andou nos últimos cinco anos, quando algumas inenarráveis conferências de imprensa e comunicações nos faziam corar de vergonha e coleccionavam entradas para o anedotário nacional e coleccionadores de memes.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Das rescisões às reversões: o que é melhor para o Sporting?

Atendendo à particularidade do momento da vida do clube e até do ineditismo do caso que levou ao processo de rescisão, só levarei a sério a noticia do "regresso" de Bruno Fernandes quando ele for mesmo apresentado. Mas é uma oportunidade para reflectir sobre qual o procedimento adequado por parte do clube no sentido de melhor defender os seus interesses.

De todas as actuações a considerar a pior de todas seria não fazer nada e deixar cair para a litigância todos os processos.  É que se é verdade que o Sporting pode obter a totalidade de decisões favoráveis em última instância, o contrário também o é, pelo que a tentativa de resolução pela negociação visaria a redução do risco de perder de uma parte substancial dos pilares da sua equipa da época transacta. 

A situação assemelha-se a um jogo de poker e a possibilidade de fazer recuar um ou mais jogadores equivaleria ao virar de uma carta favorável entre várias outras que por ora estão no escuro e não se sabe quem favorecerão. Concorreria para a ideia de que as condições que levaram à rescisão foram excepcionais e estariam afastadas em definitivo. É isso que o regresso de Bruno Fernandes poderá representar e que significaria uma nova postura e novas abordagens pelos clubes que se venham a interessar pelos jogadores que decidiram rescindir.

Como é evidente os casos não são todos iguais. Não é por acaso que os jogadores de mais baixo salário, como Podence e Rafael Leão, tendem a ser os mais que mais rapidamente se definirão. Os seus futuros clubes também fazem contas como nós e devem ter entendido que o risco compensava face a uma penalização futura. A excepção aqui foi Rui Patrício, que quanto a mim se precipitou quer quanto ao timing quer quanto ao clube escolhido. Mas será também, a par de William e Bas Dost, dos jogadores com mais possibilidade de ver uma decisão final que o favoreça.

Há que considerar contudo que o Sporting não tem uma posição negocial confortável. Para todos os efeitos os jogadores deixaram de ser seus e terá que concorrer com outros clubes que estão nestes momentos a considerar a possibilidade de os contratar. Depois há também que levar em linha de conta que talvez à excepção precisamente de Bruno Fernandes, nenhum jogador se valorizou especialmente. E mesmo este acabou por passar pelo palco do Mundial praticamente sob anonimato, à semelhança de Patrício, William, Coates e Acuña. 

Isto é, são jogadores interessantes a custo zero, mas nenhum clube se aproximará dos valores que, em circunstâncias normais, estariam dispostos a oferecer e que poderiam andar perto das cláusulas de rescisão. A semelhança com o jogar no escuro do poker aplica-se aqui também e a ambas as partes: ao Sporting, que joga com a possibilidade de ganhar e ser ressarcido de verbas importantes, mas sabes também que cada decisão desfavorável significará o inverso. Os clubes que venham a contratar os jogadores sabem o mesmo e jogam da mesma forma.

Desta forma é claro que andaremos longe dos negócios ideais ou mesmo de negócios  que perspectivávamos ainda há pouco tempo. Daí que acordos como o que parece estar prestes a acontecer com Bruno Fernandes, revertendo a rescisão, são os ideais porque permitem ao clube vir a negociar no futuro numa posição de maior conforto e autoridade, sem estar sujeito a pressões ou ao espectro de uma decisão desfavorável e tudo o que ela acarretaria. 

O que é dito no parágrafo acima é válido em qualquer circunstância. Isto é, mesmo que o anterior CD estivesse ainda em funções. Foi isso que Carlos Vieira reconheceu de forma implícita na entrevista que deu ao DN, nem sequer negando a existência de negociações. Porém, pessoalmente não acredito que com aquele executivo houvesse retrocesso nas rescisões por razões óbvias. 


Há outro factor de monta a concorrer para a negociação mesmo que de jogadores que não queiram regressar. O modelo de governação que tem estado em vigor na SAD obriga à venda de regular de activos para o equilíbrio das contas. Como é reconhecido na mesma entrevista por Carlos Vieira. Tal assentimento nem era necessário por ser uma evidência em todos os clubes e que  a reconhecida falta de liquidez confirmava.


Fica apenas mais uma nota pessoal: não vejo com bons olhos o aproveitamento das rescisões para obtenção de melhorias contratuais. Mas também não veria com bons olhos as alternativas. Infelizmente o Sporting tem responsabilidades na situação em que se deixou cair por erros e omissões e inevitavelmente sofre agora as consequências. Independentemente do imprescindível apuramento de todas as responsabilidades e de lutar até ao último cêntimo pelo que é seu de direito, foram erros que foram nossos e que seremos nós a ter que saber sair deles mais fortes e melhor preparados.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Pontos de ordem à mesa

Ponto 1: por mim há negócios com todos os empresários, JM incluído. Não duvido que a situação seja crítica e que precisemos de ajuda para limpar a casa. Não aceito é que nos tornemos no quintal de ninguém e muito menos numa repartição com porta giratória. Ou há cuidado ou abrimos a porta a uma qualquer nova onda populista.

Ponto 2: Até onde o Sporting deve ir na negociação com os jogadores que rescidiram? 

Ponto 3: Quanto vale por exemplo William e Bas Dost no mercado actualmente e livres para assinar por quem quiserem? Vinte milhões por William é pouco por "um molegão"? E por Piccini, cujo passe está em nosso poder? E Dost?

Sporting Clube de Portugal

Sporting Clube de Portugal

Prémios

Sporting 160 - Podcast

Os mais lidos no último mês

Blog Roll

Leitores em linha


Seguidores

Número de visitas

Free HTML Counters

Ultimos comentários

Blog Archive

Temas

"a gaiola da luz" (1) 10A (1) 111 anos (1) 113 anos (1) 1ª volta Liga Zon/Sagres 10/11 (3) 2010-2011 (1) 2016 (1) 8 (4) AAS (7) ABC (3) Abrantes Mendes (3) Academia (17) Académica-SCP (1) Acuña (1) adeptos (98) Adrien (19) AdT (1) adversários (85) AFLisboa (2) AG (23) AG destitutiva (4) AG15/12 (2) AG2906 (2) Alan Ruiz (2) Alcochete 2018 (4) Alexander Ellis (1) alma leonina (60) ambição (10) andebol (38) André Geraldes (3) André Marques (2) André Martins (6) André Pinto (1) André Santos (5) anestesia (3) angulo (5) aniversário "A Norte" (3) Aniversário SCP (5) antevisão (41) APAF (13) aplausos ao ruben porquê? (2) Aquilani (1) aquisições (85) aquisições 2013/14 (16) aquisições 2014/15 (18) aquisições 2015/16 (17) aquisições 2016/17 (10) aquisições 2017/18 (6) arbitragem (96) Associação de Basquetebol (7) ataque (1) Atitude (9) Atletico Madrid (1) Atlético Madrid (1) atletismo (7) auditoria (5) auditoria2019 (1) autismo (1) AVB és um palhaço (1) aventureiro (1) Bacelar Gouveia (2) Balakov (1) balanço (5) Baldé (4) balneário (3) banca (2) Barcos (3) Bas Dost (8) basquetebol (2) Bastidores (72) Batota (20) Battaglia (1) Beira-Mar (2) Belenenses (4) Benfica (1) BES (1) bilhetes (2) binários (1) blogosfera (1) Boal (1) Boateng (1) Boeck (2) Bojinov (7) Bolsa (2) Borja (1) Borússia Dortmund (1) Boulahrouz (2) Brasil (1) Braz da Silva (8) Brondby (4) Bruma (18) Brunismo (1) Bruno Carvalho (109) Bruno César (3) Bruno de Carvalho (14) Bruno Fernandes (8) Bruno Martins (20) Bryan Ruiz (5) Bubakar (1) BwinCup (1) cadeiras verdes (1) Cadete (1) Caicedo (5) calendário (2) Câmara Municipal de Lisboa (3) Campbell (2) Campeões (2) campeonato nacional (21) campeonatos europeus atletismo (3) Cândido de Oliveira (1) Caneira (2) Cape Town Cup (3) Capel (4) carlos barbosa (4) Carlos Barbosa da Cruz (2) Carlos Carvalhal (5) Carlos Freitas (7) Carlos Padrão (1) Carlos Severino (4) Carlos Vieira (1) Carriço (6) Carrillo (10) Carrilo (3) carvalhal (30) Caso Cardinal (1) Casos (6) castigo máximo (1) CD Liga (3) Cedric (7) Cervi (3) CFDIndependente (1) Champions League 2014/15 (9) Champions League 2015/16 (5) Chapecoense (1) CHEGA (1) Ciani (1) Ciclismo (3) CL 14/15 (2) Claques (10) clássico 19/20 (1) clássicos (9) Coates (4) Coentrão (1) Coerência (1) colónia (1) comissões (2) competência (2) comunicação (69) Comunicação Social (22) Consciência (1) Conselho Leonino (2) contratações (6) COP (1) Coreia do Norte (1) Corradi (1) corrupção no futebol português (2) Cosme Damião (1) Costa do Marfim (3) Costinha (45) Couceiro (13) crápulas (1) credores (1) crise 2012/13 (21) Crise 2014/15 (2) crise 2018 (38) Cristiano Ronaldo (1) cronica (3) crónica (15) cultura (4) curva Sporting (1) Damas (3) Daniel Sampaio (3) Dar Futuro ao Sporting (1) debate (5) defesa dos interesses do SCP (7) Del Horno (1) delegações (1) depressão (1) Derby (44) Derby 2016/17 (1) Derby 2018/19 (2) derlei (1) Desespero (1) Despedida (2) despertar (3) dia do leão (1) Dias da Cunha (1) Dias Ferreira (6) Diogo Salomão (4) director desportivo (18) director geral (5) direitos televisivos (4) Dirigentes (29) disciplina (6) dispensas (22) dispensas 2015/16 (1) dispensas 2016/17 (2) dispensas 2017/18 (1) djaló (10) Domingos (29) Doumbia (3) Doyen (4) Duarte Gomes (2) e-toupeira (1) Ecletismo (66) Eduardo Barroso (6) Eduardo Sá Ferreira (2) eleições (20) eleições2011 (56) eleições2013 (26) eleições2017 (9) eleições2018 (6) Elias (5) eliminação (1) empresários (11) empréstimo obrigacionista (5) entrevistas (65) Épico (1) época 09/10 (51) época 10/11 (28) época 11/12 (8) época 12/13 (11) época 13/14 (4) época 14/15 (8) época 15/16 (5) época 16/17 (7) época 17/18 (1) época 18/19 (2) época 19/20 (1) EquipaB (18) equipamentos (12) Eric Dier (8) Esperança (4) estabilidade (1) Estádio José de Alvalade (4) Estado da Nação (1) estatutos (8) Estórias do futebol português (4) estratégia desportiva (104) Estrutura (1) etoupeira (1) Euro2012 (6) Euro2016 (1) Europeu2012 (1) eusébio (2) Evaldo (3) Ewerton (4) exigência (2) expectativas (1) expulsão de GL (1) factos (1) Fafe (1) Fair-play (1) farto de Paulo Bento (5) fcp (12) FCPorto (10) Feirense (1) Fernando Fernandes (1) FIFA (2) Figuras (1) filiais (1) final (1) final four (1) finalização (1) Finanças (28) fiorentina (1) Football Leaks (2) Formação (93) FPF (14) Francis Obikwelu (1) Francisco Geraldes (2) Frio (1) fundação aragão pinto (3) Fundação Sporting (1) fundos (14) futebol (9) futebol feminino (4) futebol formação (2) futebol internacional (1) Futre (1) Futre és um palhaço (4) futsal (28) futsal 10/11 (1) futuro (10) gabriel almeida (1) Gala Honoris Sporting (3) galeria de imortais (30) Gamebox (3) Gauld (5) Gelson (4) Gent (1) geração academia (1) Gestão despotiva (2) gestores de topo (10) Gilberto Borges (4) GL (2) glória (5) glorias (4) Godinho Lopes (27) Gomes Pereira (1) Governo Sombra (1) Gralha (1) Gratidão (1) Grimi (4) Grupo (1) Guerra Civil (2) guimarães (1) Guy Roux (1) Hacking (1) Heerenveen (3) Hildebrand (1) História (18) Holdimo (1) homenagem (5) Hóquei em Patins (10) Hugo Malcato (113) Hugo Viana (1) Humor (1) i (1) Identidade (11) Idolos (3) idzabela (4) II aniversário (1) Ilori (4) imagem (1) imprensa (12) Inácio (6) incompetência (7) Insua (2) internacionais (2) inverno (2) investidores (3) Iordanov (6) Irene Palma (1) Iuri Medeiros (1) Izmailov (26) Jaime Marta Soares (6) Jamor (3) Janeiro (1) Jardel (2) jaula (3) JEB (44) JEB demite-se (5) JEB és uma vergonha (5) JEB rua (1) JEBardadas (3) JEBardice (2) Jefferson (3) Jeffren (5) Jesualdo Ferreira (14) JJ (1) JL (3) Joana Ramos (1) João Benedito (2) João Mário (6) João Morais (5) João Pereira (6) João Pina (3) João Rocha (3) Joaquim Agostinho (2) joelneto (2) Jogo de Apresentação (1) Jordão (1) Jorge Jesus (47) Jorge Mendes (3) jornada 5 (1) José Alvalade (1) José Cardinal (2) José Couceiro (1) José Eduardo Bettencourt (33) José Travassos (1) Jovane (1) JPDB (1) Jubas (1) Judas (1) judo (6) Juniores (7) JVL (105) Keizer (12) kickboxing (1) Kwidzyn (1) Labyad (7) Lazio (1) LC (1) Leão de Alvalade (496) Leão Transmontano (62) Leonardo Jardim (11) Liderança (1) Liedson (28) Liga 14/15 (35) Liga de Clubes (14) liga dos campeões (12) Liga dos Campeões 2016/17 (11) Liga dos Campeões 2017/18 (8) Liga dos Campeões Futsal 2018/19 (2) Liga Europa (33) Liga Europa 11/12 (33) Liga Europa 12/13 (9) Liga Europa 13/14 (1) Liga Europa 14/15 (1) Liga Europa 15/16 (11) Liga Europa 17/18 (1) Liga Europa 18/19 (5) Liga Europa 19/20 (3) Liga Europa10/11 (16) Liga NOS 15/16 (30) Liga NOS 16/17 (22) Liga NOS 17/18 (20) Liga NOS 18/19 (15) Liga NOS 19/20 (9) Liga Sagres (30) Liga Zon/Sagres 10/11 (37) Liga Zon/Sagres 11/12 (38) Liga Zon/Sagres 12/13 (28) Liga Zon/Sagres 13/14 (24) Lille (1) LMGM (68) losango (1) Lourenço (1) low cost (1) Luis Aguiar (2) Luis Duque (9) Luís Martins (1) Luiz Phellype (2) Madeira SAD (4) Malcolm Allison (1) Mandela (2) Mané (3) Maniche (4) Manifesto (3) Manolo Vidal (2) Manuel Fernandes (7) Marca (1) Marcelo Boeck (1) Marco Silva (27) Maritimo (2) Marítimo (3) Markovic (1) Matheus Oliveira (1) Matheus Pereira (3) Mati (1) matías fernandez (8) Matias Perez (1) Mauricio (3) Meli (1) Memória (10) mentiras (1) mercado (43) Meszaros (1) Miguel Cal (1) Miguel Lopes (1) Miguel Maia (1) miséria de dirigentes (2) mística (3) Modalidades (30) modelo (3) modlidades (2) Moniz Pereira (7) Montero (8) Moutinho (3) Mundial2010 (9) Mundial2014 (3) Mundo Sporting (1) Nacional (1) Naide Gomes (2) Naldo (3) naming (2) Nani (6) Natal (4) Naval (3) Navegadores (3) negócios lesa-SCP (2) NextGen Series (3) Noite Europeia (1) nonsense (23) Nordsjaelland (1) NOS (2) Notas de Imprensa (1) notáveis (1) nucleos (1) Núcleos (9) Nuno André Coelho (2) Nuno Dias (5) Nuno Saraiva (4) Nuno Valente (1) o (1) O FIM (1) O Roquetismo (8) Oceano (1) Octávio (1) Olhanense (1) Olivedesportos (1) Onyewu (7) onze ideal (1) opinião (6) oportunistas (1) orçamento (4) orçamento clube 15/16 (1) orçamento clube 19/20 (1) organização (1) orgulho leonino (17) Oriol Rosell (3) paineleiros (15) Paiva dos Santos (2) paixão (3) papagaios (8) pára-quedista (1) parceria (2) pascoa 2010 (1) pasquins (7) Patrícia Morais (1) património (2) patrocínios (6) Paulinho (1) paulo bento (19) Paulo Faria (1) Paulo Oliveira (3) Paulo Sérgio (43) paulocristovão (1) Pavilhão (12) pedrada (1) Pedro Baltazar (8) Pedro Barbosa (5) Pedro Madeira Rodrigues (4) Pedro Mendes (4) Pedro Silva (2) Pereirinha (6) Peseiro (6) Peyroteo (3) Piccini (1) Pini Zahavi (2) Pinto Souto (1) plantel (31) plantel 17/18 (3) Plata (1) play-off (2) play-off Liga dos Campeões 17/18 (5) PMAG (4) Podence (1) Polga (5) Pongolle (5) Pontos de vista (15) por amor à camisola (3) Portimonense (1) post conjunto (5) Postiga (7) PPC (7) Pranjic (2) pré-época (2) pré-época 10/11 (7) pré-época 11/12 (43) pré-época 12/13 (16) pré-época 13/14 (16) pré-época 14/15 (22) pré-época 15/16 (20) pré-época 16/17 (12) pré-época 17/18 (9) pré-época 18/19 (1) pré-época 19/20 (7) prémio (1) prémios stromp (1) presidência (2) presidente (5) Projecto BdC (1) projecto Roquette (2) promessas (3) prospecção (2) Providência Cautelar. Impugnação (1) PS (1) Quo vadis Sporting? (1) Rabiu Ibrahim (2) Rafael Leão (1) râguebi (1) raiva (1) RD Slovan (1) reacção (1) redes sociais (1) Reestruturação financeira (18) reflexãoleonina (21) reforços (15) regras (4) regulamentos (1) Relatório e Contas (12) relva (10) relvado sintético (4) remunerações (1) Renato Neto (3) Renato Sanches (1) rescisões (3) respeito (7) resultados (1) revisão estatutária (7) Ribas (2) Ribeiro Telles (4) Ricardo Peres (1) Ricciardi (3) ridiculo (1) ridículo (2) Rinaudo (8) Rio Ave (2) Rita Figueira (1) rivais (6) Rodriguez (2) Rojo (4) Ronaldo (12) rtp (1) Ruben Ribeiro (1) Rúbio (4) Rui Patricio (18) Rui Patrício (4) Sá Pinto (31) SAD (27) Salema (1) Sarr (4) Schelotto (2) Schmeichel (2) scouting (1) SCP (64) Segurança (1) Selecção Nacional (38) seleccionador nacional (5) Semedo (1) SerSporting (1) sessões de esclarecimento (1) Shikabala (2) Silas (5) Silly Season2017/18 (2) Símbolos Leoninos (3) Sinama Pongolle (1) Sistema (4) site do SCP (3) SJPF (1) Slavchev (1) slb (22) Slimani (11) slolb (1) Soares Franco (1) sócios (19) Sócrates (1) Solar do Norte (14) Sondagens (1) sorteio (3) Sousa Cintra (4) Sp. Braga (2) Sp. Horta (1) Spalvis (2) Sporar (1) Sporting (2) Sporting Clube de Paris (1) Sporting160 (3) Sportinguismo (2) sportinguistas notáveis (2) SportTv (1) Stijn Schaars (4) Stojkovic (3) Summit (1) Sunil Chhetri (1) Supertaça (4) Supertaça 19/20 (1) sustentabilidade financeira (45) Taça CERS (1) Taça Challenge (5) taça da liga (11) Taça da Liga 10/11 (7) Taça da Liga 11/12 (3) Taça da Liga 13/14 (3) Taça da Liga 14/15 (2) Taça da Liga 15/16 (4) Taça da Liga 16/17 (1) Taça da Liga 17/18 (3) Taça da Liga 18/19 (1) Taça da Liga 19/20 (1) Taça das Taças (1) Taça de Honra (1) Taça de Liga 13/14 (3) Taça de Portugal (12) Taça de Portugal 10/11 (3) Taça de Portugal 10/11 Futsal (1) Taça de Portugal 11/12 (12) Taça de Portugal 13/14 (3) Taça de Portugal 14/15 (8) Taça de Portugal 15/16 (4) Taça de Portugal 16/17 (4) Taça de Portugal 17/18 (6) Taça de Portugal 18/19 (3) táctica (1) Tales (2) Tanaka (1) Ténis de Mesa (2) Teo Gutierrez (5) Tertúlia Leonina (3) Tiago (3) Tiago Fernandes (1) Tio Patinhas (3) Tonel (2) Torneio Guadiana 13/14 (1) Torneio New York Challenge (4) Torsiglieri (4) Tottenham (1) trabalho (1) transferências (5) transmissões (1) treinador (94) treino (5) treinos em Alvalade (1) triplete (1) troféu 5 violinos (5) TV Sporting (5) Twente (2) Tziu (1) uefa futsal cup (4) Uvini (1) Valdés. (3) Valores (14) VAR (2) Varandas (16) Veloso (5) vendas (8) vendas 2013/14 (2) vendas 2014/15 (1) vendas 2016/17 (5) vendas 2017/18 (1) Ventspils (2) Vercauteren (5) Vergonha (7) video-arbitro (7) Vietto (2) Villas Boas (8) Viola (1) Virgílio (100) Virgílio1 (1) Vitor Golas (1) Vitor Pereira (6) Vitória (1) VMOC (7) voleibol (2) Vox Pop (2) VSC (3) Vukcevic (10) WAG´s (1) William Carvalho (13) Wilson Eduardo (2) Wolfswinkel (12) Wrestling (1) Xandão (4) Xistra (3) Zapater (2) Zeegelaar (2) Zezinho (1)