Keizer? Bola!
Não gosto de desculpas, mas também não gosto de reacções a quente que mais não fazem do que introduzir ainda mais irracionalidade onde ela já abunda. Interrompo assim um longo intervalo sem publicar, muito por força do desaire miserável de ontem.
Antes de mais não faz qualquer sentido as atitudes de terra queimada. Os maus resultados recentes têm exactamente os mesmos responsáveis que os bons resultados iniciais. A entrada de Keizer foi um doping moral que se esfumou por várias razões muito concretas: não temos plantel para fazer "um passeio no parque" como muitos pensavam que ia ser após as vitórias consecutivas.
Com o cansaço dos jogos acumulados vêm ao de cima as limitações individuais que abundam no nosso plantel - grande parte dos golos sofridos, que são muitos, têm vindo daí - e os jogos consecutivos não permitem a intervenção do treinador.
O Sporting para ser campeão ou para acalentar essa ideia tem de defender muito melhor e não pode sofrer um golo ou mais por jogo. É um problema de treino e organização sim, mas também resulta da baixa qualidade geral dos jogadores de meio-campo que poderiam desempenhar essas tarefas. Há muito "lixo" para varrer. (não gosto de me referir assim aos jogadores mas é o que é...).
Quanto à diferença que poderia significar ter visto chegar mais jogadores mais cedo neste defeso, é verdade. Mas também é verdade que se o tivéssemos conseguido eles praticamente não teriam treinado, logo a possibilidade de poderem ser utilizados com proveito era praticamente nula. Constatar isto é também admitir que chegar ao 2º lugar é neste momento e nestas circunstâncias uma miragem. Temos que competir não com um mas com dois adversários, que estão melhor que nós e mais equilibrados. O 2º lugar é de um deles, a menos que o Sporting consiga melhorar significativamente.
Mas quer se queira ou não, Keizer está num processo de aprendizagem, precisa de perceber o campeonato português e por isso a chegada de Raul José e Quaresma podem ser muito importantes. É aqui que acho que há razões para esperar algo de muito melhor, tem havido uma procura por dotar o departamento de futebol de conhecimento e profissionalismo e abandonar as decisões tomadas de forma errática pela cabeça de um um dois. Há razões para crer que pode resultar, não decidam os sportinguistas fazer o habitual: deitar a criança fora junto com a água do banho. Mas essa é uma das nossas especialidades e não falta quem ansiasse por este momento...
Mas voltando ao que aconteceu ontem, é preciso a humildade para perceber as especificidades do nosso campeonato, onde há bons treinadores que, não dispondo de tão bons jogadores como os grandes, conseguem montar equipas que se lhes opõem, dão lutam e muitas vezes lhes ganham. Essa humildade parece que esteve ausente desde o momento da convocatória, no alinhamento da equipa, na postura desta em campo e finalmente numa péssima leitura do jogo. E quando vejo um treinador abdicar das suas ideias e do processo que fez crescer a equipa partir para o chuveirinho, recorrendo aos centrais, quando deixa ficar em Lisboa pelo menos um avançado que estaria mais confortável para esse desempenho, fico à espera do pior.
Como diria o outro, ontem para Keizer foi bola! Bola!













