Última chamada para Frederico Varandas
Gosto de dar a cara pelas minhas opções e, sabendo o que sabia à época, se fosse hoje voltaria a fazer a mesma escolha. Isto é, voltaria a votar na lista de Frederico Varandas. Hoje não sinto que tenha errado mas não posso dizer o mesmo relativamente às escolhas que Frederico Varandas fez para o futebol. De forma muito particular, a quem tem oferecido o cargo de treinador da equipa principal de futebol.
O seu primeiro grande erro foi aceitar meter o pescoço por uma ideia que não parece ser dele mas, como sempre me pareceu, do seu amigo e colega. Se tens que morrer, morre pelas tuas ideias e não pelas de terceiros, como parece que foi o caso. O segundo e talvez maior erro foi não ouvir os que o lhe fizeram ver que ao trocar Peseiro por um treinador desconhecido e sem curriculum estava a prescindir do seu escudo protector.
Ora o presidente do Sporting não é o presidente do SLB ou do FCP. Ambos têm um percurso de muitos anos e conquistas, bem como estruturas suficientes que os protegem dos erros e da contestação que eventualmente possa surgir. Não têm oposição constituída. No Sporting o que mais há é oposição e, ao contrário dos outros clubes, o lugar mais frágil é o do presidente para onde todos atiram a matar.
Há pessoas com sorte e outras que não têm nenhuma ou muito pouca. A mais que provável má escolha de Keizer foi agravada pelas suas próprias conquistas. No Sporting é assim: até quando tens sorte isso pode ser ter azar. O Sporting ganhou com sorte, ambas as taças foram ganhas nos penaltys, jogava umas vezes muito pouco, mais ou menos aqui e ali, mas demasiado pouco para não ser fácil prever que a nova época ia ser complicada. Foi com essa sensação que abandonei o Jamor.
Sou insuspeito para falar de BdC. Acertou nas caras que escolheu para treinador, ainda que, na generalidade dos casos, não os tenha conseguido acompanhar e aguentar. Por razões diferentes, ambos, FV e BdC, foram confrontados com a necessidade de repensar o treinador acabado de vencer uma Taça de Portugal. BdC quis livrar-se de Marco Silva e para isso percebeu que tinha que arranjar um escudo protector para poder assumir o despedimento de um treinador que acabava de ganhar 1 Taça de Portugal. FV não percebeu que o futebol de Keizer era de tal forma incipiente que o tornava num desastre por anunciar. Se o percebeu não agiu.
A escolha do treinador de futebol é determinante em qualquer clube, no Sporting, que anda afastado dos títulos há quase duas décadas mais ainda. Por muito que os Sportinguistas se assumam como amantes do ecletismo, é o futebol que marca a saúde do clube. Só assim se percebe que desportivamente o Sporting siga pujante em praticamente em todas as modalidades e, simultaneamente, esteja mergulhado numa crise profunda. Se fosse ao contrário, pouco mais haveria que lamentos sem grande repercussão.
Neste momento FV está completamente exposto e aparentemente num beco cuja única saída é não errar novamente na escolha. A primeira época integralmente ao seu cuidado começou desastradamente na Supertaça ainda não saiu desse registo. Mais uma vez meteu o pescoço quando, a poucas horas do final da janela de mercado, faz uma reorganização altamente questionável do plantel, com o treinador já na porta de saída.
A não inscrição de Pedro Mendes é irrelevante do ponto de vista do reforço do plantel, por muito que queiram fazer crer o contrário. Mas, do ponto de vista de gestão política, revela uma inabilidade total, rapidamente castigada pela sucessão de lesões comprometedoras que terminaram no golo do avançado dos sub-23. Associar a ideia de falta de jeito para lidar com o futebol profissional à falta de sorte é a última pedra no caminho.
A importância do mandato de FV transcende-o. É vital para higienização do clube, que represente uma solução de equilíbrio e o regresso à universalidade dos nossos valores, em contraponto com a descaracterização (diria mesmo o avacalhamento) e sectarismo que o clube foi e continua sujeito. É vital para a sustentabilidade do clube que os mandatos deixem de ser interrompidos, que matérias em aberto, como o da reestruturação financeira, a modernização administrativa, o reinvestimento nas infraestruturas, na formação, no scouting, o reforço do marketing, etc., fechem os seus ciclos de forma virtuosa para que o clube evolua e se aproxime dos seus rivais.





























