segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Porque ganham uns e outros não II

A equipa de futsal do Sporting arrecadou este fim-de-semana mais um troféu, a Supertaça, que lhe permite cimentar a liderança a nível nacional da modalidade. O Sporting conseguiu até hoje 9 campeonatos nacionais, 2 Taças de Portugal e 4 Supertaças. Este ano foi um ano de importância primordial para a modalidade no nosso clube, uma vez que conseguiu superar com mérito e distinção um período de menor fulgor competitivo, ao qual, entre as mais variadas razões, estarão a menor capacidade de investimento em relação aos rivais de sempre.

Há dias dei aqui à discussão as razões do sucesso do Braga, que parecia ter surpreendido muita gente, nos quais só parcialmente me incluí. Contudo, concluí na altura o que continuo a pensar que é necessário ao Sporting para voltar a ser o que foi no futebol nacional: não precisamos de imitar ninguém para voltar a vencer, basta para isso que se volte para os princípios que estão na sua génese, na nossa história e no nosso lema. Mas enquanto não formos capazes de o fazer, pelo menos que siga os bons exemplos. E temos bons exemplos dentro de casa, como se pode ver pelo futsal ou até pela ambição revelada na conquista pioneira da Taça Challenge pela equipa de andebol.

Não ignoro as enormes diferenças que separam o futsal do futebol de 11. A atenção mediática, os jogos de interesse, o dinheiro envolvido, a ausência do tentacular FCP, etc, etc. Mas, quando se olha para o percurso do futsal no Sporting vejo estabilidade na secção, trabalho militante mas discreto, e a opção pelos melhores treinadores da modalidade. É notória também uma empatia natural entre equipa e adeptos, a que não deve ser alheia a presença de jogadores de enorme qualidade e carisma como João Benedito. Quando se ganha tantas vezes, numa luta muitas vezes desigual, não é seguramente por acaso. O mesmo se pode dizer quando nos afastamos vezes sem conta do sucesso.

9 comentários:

  1. Vários pontos muito bem focados. PArabêns!!

    "o dinheiro envolvido" -Esta questão exige muito da qualidade dos dirigentes. E é nesta qualidade necessária que se cruza ainda outro ponto que foi focado,o "trabalho militante ".
    Muitas vezes se diz que os jogadores de hoje já não jogam por amor à camisola, jogam pelo dinheiro, por quem lhes dá mais. Se é um pouco verdade e há casos bem vincados desse tipo que nós, sportinguistas, temos bem na memória, também me parece que já há poucos dirigentes como antigamente. Agora a maior parte também lá está para ganhar dinheiro. E não tenho dúvidas que o nosso clube tem sido muito prejudicado por interesses deste género.

    Sobre "a opção pelos melhores treinadores da modalidade" nem me alongo muito porque já me fartei de dizer aqui que o treinador é uma peça chave numa equipa de futebol profissional com a ambição do SCP. E nisso, os nossos dirigentes são completamente incompetentes.

    Sobre "a presença de jogadores de enorme qualidade e carisma", acho muito bem realçado este facto! Quem não percebe isto no Sporting, não percebe muito ou nada do que é preciso no nosso clube. E a viragem que os dirigentes resolveram implementar ao projecto futebol (em que purgaram da equipa o mair numero possível de jogadores formados no clube, substituindo-os por jogadores em fim de carreira que vêem ganhar os milhões que os miúdos não ganham), veio castrar em muito esta mais valia fundamental para o Sporting!

    A "estabilidade na secção" adquire-se com um projecto de futuro, experiência na matéria e competência. E aqui também me parece que falta muito disto tudo a quem lá está.

    É um orgulho o trabalho no futsal e no Andebol além do atletismo que mesmo perdendo tantas condições continua a nos dar muito prestígio. Aqui estão os competentes, os militantes de paixão e os que têm visão estratégia por perceberem das matérias que dirigem.

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  2. pedro,

    O "carisma" não se mede caso os jogadores tenham sido formados no clube ou não.

    No Futsal, além do João Benedito, existe por exemplo o Cardinal - que nem sportinguista é. Noutros tempos, um dos nossos "bastiões" da modalidade, o Zézito e que foi nosso capitão ou longo de anos e anos também não nasceu sportinguista.

    No Andebol, os jogadores mais carismáticos e que mais puxam pelos adeptos serão porventura o João Pinto (sócio do Belenenses desde que nasceu), formado no Ginásio do Sul e Vitória de Setúbal e ainda o Pedro Solha (simpatizante do FC Porto), formado no Porto e no Águas Santas.

    Peter Schmeichel e Beto Acosta não eram carismáticos? Pedro Barbosa e Sá Pinto não eram carismáticos? Nenhum deles foi formado no Sporting.

    LDA,

    Sabes a minha opinião e porventura sou "tendencioso" em relação às modalidades pois conheço a realidade onde certas pessoas trabalham muito mais por muito menos e onde aquilo que são migalhas para o futebol significariam grandes "pães" para outros desportos.

    Não tenho qualquer dúvida que haveria muito a aprender. E João Benedito é um exemplo para muita gente pois sabe ver o que representa esta camisola e que vai muito além do valor - que lhes é importante - que cai na conta ao final do mês.

    SL

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  3. Hugo,

    Só posso concordar que o facto de ser formado no clube não é garante de se tornar um jogador carismático! Nem se pode afirmar outra coisa.

    Talvez tenha misturado os assuntos, contudo continuo a achar a desvalorização do projecto Academia em detrimento de jogadores de valor duvidoso, inrentabilizáveis e que vêem ganhar os milhões que outros mereciam ganhar, é um erro que se pagará muito caro no futuro próximo.

    Misturei a questão do carisma porque com competência, sensibilidade e visão de futuro com um projecto bem pensado, nos jovens da Academia podiam surgir muitas referências para os adeptos. Referências de qualidade, com paixão pelo clube e num ou outro, em carisma!

    Muitos defendem agora esta viragem de política dizendo que antes todos se queixavam da falta de maturidade dos putos da Academia e que agora temos muita maturidade.

    Eu acho que nunca se gastou (não foi investimento!!) tanto na equipa de futebol como no últimos meses. Antes não se gastou nada e os miúdos nunca foram acompanhados por jogadores com qualidade acrescida e maturidade em alguns sectores que seria preciso. Foram jogados às feras e tudo recaía neles. Nunca se investiu naqueles jogadores jovens que são so que sentem verdadeiramente o clube. Agora muda-se tudo, muda-se de projecto e resolve-se gastar dinheiro sem critério, sem qualidade e sem perspectiva de futuro. Isto é incompetência e pior, irresponsabilidade. Só há um prejudicado, o Sporting!

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  4. pedro,

    Também fiquei com a ideia que estarias a misturar um pouco as coisas, daí ter feito este reparo.

    "... com competência, sensibilidade e visão de futuro com um projecto bem pensado, nos jovens da Academia podiam surgir muitas referências para os adeptos. Referências de qualidade, com paixão pelo clube e num ou outro, em carisma!"

    De acordo... Mas existe isso actualmente? Eu não considero a "estratégia" (reparem-se nas aspas) actual como um projecto de desvalorização da Academia mas sim um género de "blindagem" dada a má estratégia levada a cabo nos anos anteriores onde os jovens eram lançados às feras e as pessoas apontaram o dedo a isso, vezes sem conta. Neste momento, não vejo os jovens a serem lançados às feras assim do nada.

    Quanto a maus investimentos, caem agora nestes jogadores as críticas que noutros tempos caíam nos jovens e pessoalmente, ainda bem que se dão oportunidades aos jogadores para maturar e crescer de modo - espera-se! - sustentado. E isto não quer dizer que esteja a fechar os olhos ao mau investimento...

    SL

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  5. Hugo,

    Concordo que os jovens que restam no plantel do Sporting estão menos expostos aos desaires, hoje há mais responsabilidades a distribuir por jogadores com muita experiência. Esperemos que, se as coisas não correrem bem, saibamos todos perceber bem o que falhou.

    Em relação ao projecto academia, o que quis dizer é que antes havia um projecto academia assumido, em que era único, original, garante de sustentação e com visão de futuro. Faltou apenas dar maior protecção ao jovens jogadores e somar pontualmente maturidade e qualidade à equipa.
    Agora parece que esse projecto foi posto um pouco de lado. Já ninguém o assume como antes. E esta política de contratações não me parece que tenha protegido e potenciado esse projecto.

    Não me parece que os jovens saídos da Academia para os seniores na última época tenham tido boas colocações. Veja-se o exemplo do Golas que foi parar à 2ª divisão. Eu não concordo, parece-me mal pensado, à última hora, sem um critério de qualidade e preocupação. O que faz o Cedric nos seniores? Vai ter oportunidades este ano de jogar assíduamente? Além de outros casos. Nesta fase crucial da evolução é preciso muita competência para não se perderem os valores! E os jogadores vão tomando opções porque há outros clubes atentos que os aproveitam bem!

    Além de desportivamente me encherem de dúvidas, também finaceiramente me parecem péssimas. Isto sem falar da sobre "a opção pelos melhores treinadores da modalidade"

    Vamos esperar pelo futuro próximo. Oxalá que me engane redondamente! Oxalá que consigamos muitas vitórias como as do Futsal e do Andebol.

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  6. Se calhar um dos motivos ara haver mais brio e amor é o facto de não haver tanto dinheiro envolvido. Tal facto torna a própria modalidade imune a um dos mais nefastos cêncros que campeia no futebol profissional na actualidade: os empresários.
    Outros 2 factores que contribuem na minha humilde opinião para este sucesso em contraponto com o insucesso dos últimos anos do nosso futebol profissional:

    1) a muito menor pressão a que estão sujeitos os atletas das amadoras: Digo-o sem qq desrespeito para com estes mas é inegável que para vencer no futebol 11 num país onde os próprios jornalistas que deviam ser isentos são muitas vezes fanáticos e fundamentalistas pró e anti determinados clubes, há que ter muitíssimo estofo.
    2) a muito maior proximidade entres os atletas e os adeptos e a relativa facilidade em criar um ambiente empolgante em torno da equipa. Basta comparar a dificuldade que temos em encher o estádio de Alvalade VS. as enchentes que se registam quando a nossa equipa de futsal se apresenta. É claro que se o futebol 11 tiver nível, qualidade e brio, se torna mais fácil encher o estádio e essas 3 características estão bem patentes na equipa de futsal por exemplo.

    Saudações Leoninas ( pelomeusporting.blogspot.com )

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  7. aqui fica para conhecerem melhor o enorme trabalho que o Benedito faz em prol do sporting e do futsal

    http://joaobenedito.bloguedesporto.com/

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  8. O futebol do sporting é uma secção de paraquedismo, quem é o bostinha, o pinheiro sérgio, e o maracas?

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  9. Ganha-se porque existe um caminho bem delineado, assente em rigor e exigência.

    JORNALISTAS E COMENTADORES - VEJA OS SEUS CLUBES DE CORAÇÃO

    http://conselholeonino.blogspot.com/

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