quarta-feira, 3 de maio de 2017

Sporting à volta do acessório, parecendo esquecer o essencial

A nossa comunicação social vai dando conta de propostas dos clubes no sentido de um "aperto" na regulamentação em temas tão diversos como os paineleiros - para os quais já corre uma petição para a sua extinção - como as ofertas a árbitros ou aos excessos verbais dos dirigentes. 

Entretanto, o  resultado do vistoso folclore que Benfica e Sporting têm proporcionado já começou a produzir resultados igualmente vistosos, como se depreende deste artigo de ontem no El País [LINK], com o nosso presidente a merecer a "honra" de servir de ilustração. 

Sobre as propostas que se vão conhecendo algumas considerações:

- Não estranha que o SLB queira impor a lei da rolha, impondo sanções aos clubes cujos agentes critiquem a arbitragem. A APAF, organização corporativista, terá dificuldade em lembrar-se de melhor. Talvez só mesmo uma grevezita. Compreende-se, estando sentado à mesa do poder não quererá que os resultados da "acção governativa" sejam contestados.

- Não estranha também que, do lado oposto, Sporting e FCP, se oponham à imposição do silêncio, exactamente por não estarem satisfeitos com um lugar tão afastado do centro. Pelo longo histórico, a posição do FCP não deixa de ser surpreendente, mas é também esclarecedora e auto-explicativa do quanto mudou de mãos o poder... Quem não se lembra do famoso "só os burros é que falam da arbitragem"? 

Interessando-me particularmente a posição oficial do meu clube cabe-me dizer o seguinte:

- Pelo histórico também ninguém acredita que o Sporting esteja a propor o silêncio dos agentes futebolísticos, quando Bruno de Carvalho nem castigado respeita os regulamentos em vigor que fez ou deixou aprovar.

- Na matéria respeitante aos programas de televisão, para os quais o Sporting parece estar interessado em sanções aos clubes a que os paineleiros pertencem, o Sporting não tem autoridade moral para o fazer. Pelo menos enquanto no seu canal oficial pontuar alguém como o Carlos Dolbeth, ou alguns dos comentadores connosco conotados fizerem ou pretenderem fazer exactamente o mesmo papel que os Guerras e quejandos. 

- Parece-me igualmente errada a excessiva importância que se atribui aos referidos programas, que só muito remotamente poderão influenciar o curso das competições. Aliás, desde o surgimento deste fenómeno que me parece que o Sporting nunca soube posicionar-se correctamente, no sentido da defesa dos seus interesses, como ainda o ajudou a divulgar e ampliar. Do que se vai vendo a consequência mais visivel é o aumento do número de adeptos a querer ser piores que Dolbeth´s e Guerras atrás dos teclados.

- O Sporting deveria apostar todas as fichas no que realmente tem influência nos resultados e que de alguma forma  é instrumental para a sustentação do poder actual. Como por exemplo, a extinção dos observadores, regulamentos transparentes para os relatórios dos árbitros, para a nomeação, apreciação, pontuação, promoção e até punição para erros destes. 

- Ao invés de ficar comodamente instalado atrás das câmaras, gravadores, microfones e comunicados, há muito que o Sporting deveria ter posto os pés ao caminho, promovendo reuniões com os diversos clubes, procurando chamar a si a liderança de um processo de mudança inevitável.

- A insistência na história dos vouchers é a repetição de um erro que já nos custou um revés. Acresce a isso a antipatia da classe, por se sentirem apontados como corrompíveis "por um prato de lentilhas" como me confidenciou um elemento da classe, quando o assunto foi trazido para a opinião pública.

- A LIGA, sendo importante, é apenas um dos constituintes da AG da Federação, onde as decisões são tomadas. 

Mas a concentração máxima deverá estar sempre focada no plano interno.  Vivendo num meio hostil e com pelo menos dois rivais com maior poder nos gabinetes, o Sporting, para ser novamente vencedor, conta apenas consigo e tem, por isso, de ter um desempenho desportivo quase perfeito. Para isso é preciso:
Rigor no planeamento, decisões estudadas e bem fundamentadas, ao invés das tomadas sob o signo da emoção e do momento. Como exemplo os retornos à base de atletas que até estavam a ter um bom desempenho e viram a sua progressão empatada.

Igual rigor na execução, sem atalhos, nem concessões. 

Escolha criteriosa dos profissionais e colaboradores, de com provas dadas ou de reconhecido potencial e não por serem fáceis de "manejar". Quantos jogadores e técnicos têm entrado e saído sem deixar rasto?

Análise exaustiva dos processos (recrutamento, acompanhamento, treino, tempos livres, etc.) porque não é possível obter resultados diferentes cometendo sempre os mesmos erros. Neste momento quem garante que os erros cometidos no recrutamento, e ao arrepio do prometido - jogadores estrangeiros só adaptados, etc - não voltarão a acontecer? Quem será o director desportivo e que curriculum?

E, não menos importante, comportamento exemplar de quem lidera (direcção, técnicos, responsáveis ) em todas as situações, porque o exemplo é mais importante do que as palavras.

15 comentários:

  1. Para o ano é que é! Antigamente mudávamos de treinador. Agora mudamos o papagaio da comunicação e siga... no face.

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  2. Um presidente de um clube vai daqui ao fim do mundo assistir a uma final das modalidades para ver se fica na fotografia da vitória e azar dos azares: ganharam os outros. E vai de desancar na equipa depois de uma final? Esquecer o essencial? A única coisa essencial é internar o presidente num manicómio qualquer. De preferência no fim do mundo.

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  3. "Pelo histórico também ninguém acredita que o Sporting esteja a propor o silêncio dos agentes futebolísticos, quando Bruno de Carvalho nem castigado respeita os regulamentos em vigor que fez ou deixou aprovar." - ainda bem que não é só a mim que isto me faz uma intrigante confusão. É que o homem não se cala! Eu imagino se fosse outro dirigente castigado a falar (ou escrever em redes sociais, o que vai dar rigorosamente ao mesmo) todos os santos dias o que o Bruno não diria...
    De resto, excelente este post, onde qualquer Sportinguista de bom senso se deve rever.
    Uma última nota para o artigo do El País. Falam nos presidentes de SCP e SLB, mas esquecem-se dos outros. Ou os autores das ameaças a árbitros no centro de treino em gaia e as pinturas nas paredes de familiares de árbitros não teve eco em Espanha?!?

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    1. Jorge Vicente, obrigado.

      Também reparei na ausência do FCP da noticia, o que me parece uma injustiça para eles.

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  4. Ó LdA, parece-me que também te perdeste um pouco:

    http://abola.pt/clubes/ver.aspx?t=4&id=669761

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    1. ò anónimo não vejo a relação entre o que escrevi a noticia e o comentário.

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    2. "- O Sporting deveria apostar todas as fichas no que realmente tem influência nos resultados e que de alguma forma é instrumental para a sustentação do poder actual. Como por exemplo, a extinção dos observadores, regulamentos transparentes para os relatórios dos árbitros, para a nomeação, apreciação, pontuação, promoção e até punição para erros destes."

      No entanto o que o Sporting disse:

      "Foi nesse sentido que propusemos, entre outras medidas, aliás em linha com os programas de acção dos presidentes da FPF, da Liga e do Conselho de Arbitragem, a publicidade imediata dos relatórios dos delegados e dos árbitros, a introdução do vídeo-árbitro, a substituição imediata do responsável pela coordenação dos delegados da Liga, o fim dos observadores ou a punição exemplar de quem, por meios ilícitos, apoia material e financeiramente claques não legalizadas."

      Parece-me que, pelo menos, o Sporting tenta fazer algo nesse sentido.
      Eu percebo essa do "por as fichas todas", mas parece-me que o caso não é assim tão simples.

      Outra coisa que me aflige:

      "- Parece-me igualmente errada a excessiva importância que se atribui aos referidos programas, que só muito remotamente poderão influenciar o curso das competições. Aliás, desde o surgimento deste fenómeno que me parece que o Sporting nunca soube posicionar-se correctamente, no sentido da defesa dos seus interesses, como ainda o ajudou a divulgar e ampliar."

      Pois eu acho que têm MUITO mais importância do que a que tu, legitimamente no teu direito, lhes dás.
      É que eu não tenho dúvidas que tu és muito mais inteligente que 90% das pessoas que vêm esses programas (daí que nem lhes ligues), no entanto tu não representas 90% do adepto comum, e estes vão lá buscar muitas das suas opiniões. Pior se torna, quando tens uma cartilha comum nos jornais e nesses programas que moldam e só trazem os assuntos que lhes interessam para a discussão. E como o Zé povinho fica todo indignado com o que vê na TV, de repente a federação também anda preocupada.
      Espero que me tenha feito entender, porque ás vezes parece-me difícil que tu tentes ver outro ponto de vista que não concorde com o teu.
      E não se esqueça que muitas vezes esses "Guerras e Dolbeth's" do teclado só existem porque se lhes dá atenção.
      Basta olhar como tratas um anónimo ou outro qualquer que concorde contigo apesar de insultar gratuitamente gentes do clube sem razão para tal. Desde que concorde contigo está tudo bem, pelos vistos.

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    3. Anónimo:

      O que eu quero dizer é que tudo isso (programas de paineleiros) teriam muito pouca importância se jogássemos bem e estivessemos em primeiro. E isso consegue-se se formos bom na programação das épocas e na execução correcta do planeado.

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  5. Leão de Alvalade,

    Mais um excelente «post» ao qual dificilmente se poderá acrescentar ou subtrair alguma coisa. Enquanto carregarmos (Sporting) na ilusão de que não somos felizes porque os outros não deixam, porquanto "em condições normais o Sporting seria campeão" (lipoaspirado dixit), permaneceremos atrás dos que sucessivamente / ciclicamente vencem e à deriva no que respeita à nossa caracterização, ou o que não somos enquanto clube independentemente de ciclos de vitória. Para além de perecermos uns eternos "coitados". Tal traduz-se em coisas fantásticas como, "temos a melhor formação do mundo, temos o Bas Dost, temos o melhor presidente do mundo (de longe), e temos também o melhor treinador do mundo". Ainda assim, não somos felizes.

    A culpa deve ser do Benfica (durante 30 anos foi do FCP ou do Pinto da Costa), dos árbitros, da Doyen, e dos programas de TV ...

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    1. ManuelHB,

      Obrigado. Temo que estejamos a criar uma legião de guerras, dolbeths com uma costela de calimeros. A culpa é sempre dos outros.

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  6. Desculpe lá Leão de Alvalade, já não tenho pachorra para o ler e muito menos para o ouvir no sporting160. Ainda bem que o programa é gravado pois assim, eu e outros, temos sempre a possibilidade de passar à frente quando surge a sua voz irritante.
    Saudações Leoninas!

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    1. Nuno André Feliciano,

      para quem "já não tem pachorra" não perdes uma. Quanto à minha voz estamos de acordo. E não deixo de notar que também tu te fixas no acessório (a voz irritante) e esqueces do essencial, que é o que eu digo. O que ainda por cima se poder confirmar pela pobreza do teu comentário, centrado em questões de um nítido antagonismo pessoal contra alguém que nem conheces, qunado, dos vários pontos do texto não foste capaz de comentar ou contestar um único que fosse.

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  7. Os teus melhores amigos e leitores devem ser lampiões.. Trabalha para eles vá...

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    1. Ó Catano... Sou um gde amigo do LdA e confesso leitor assíduo. E olha, não sou lampião!

      Virgílio.

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