quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Balanço da 1ª volta em 11 pontos

Antes de ir ao balanço propriamente dito regresso a Setembro deste ano. Após a 4ª jornada, e quando já havíamos perdido seis pontos em doze possíveis, escrevi este post:


Neste artigo procurava perceber os principais problemas que me pareciam estar então a afectar o desempenho da equipa. Estávamos na quarta jornada e o Sporting registava 3 empates, dois deles comprometedores, tendo em conta que um tinha sido consentido quase no dealbar da partida com a frágil Académica. O outro, precisamente nessa jornada, foi cedido em casa, ante o Belenenses.

Fazendo agora o balanço das primeiras dezassete jornadas, e comparando com o que então foi afirmado registo uma evolução positiva resultante da estabilização da linha defensiva, embora haja muito para fazer na qualidade com que a equipa defende e isso não depende apenas dos quatro defesas. No ataque pode-se constatar mais ou menos o mesmo, embora a amostra positiva que se verifica desde 14 de Dezembro, aquando do empate em casa com o Moreirense, seja ainda curta. Mas sempre são nove golos em quatro jornadas. Melhor já havia sido concedido após o empate com o Belenenses, quando, com o mesmo número de jogos, apontamos treze golos, até "cair do cavalo" em Guimarães.

De facto, a carreira da equipa nestas dezassete jornadas tem sido marcada por alguma irregularidade, de arranque difícil até à quarta jornada, aparente estabilização em plano superior até ao jogo em Guimarães, sinais contraditórios até ao empate com o Moreirense e renascimento até fechar a primeira volta.

Ora um campeonato é essencialmente uma prova e regularidade e os que a seguir se descrevem parecem-me ser os principais problemas do Sporting, que acabam por justificar os resultados alcançados e a posição na tabela classificativa:

1- De forma genérica, a qualidade do plantel, face às responsabilidades assumidas para a época em curso. Há alguns jogadores de qualidade indiscutível, não muitos. Quando esses jogadores não estão presentes, registam abaixamento de forma, ou têm que jogar vários jogos num curto espaço de tempo tal reflecte-se no desempenho da equipa. Não será por acaso que algumas perdas de ponto inesperadas se registaram na sequência de jogos da Champions League. Apenas Nani pode ser reconhecido como um verdadeiro reforço do plantel, os restantes, e com alguma benevolência para alguns, podem ser considerados alternativas. Os reflexos na competição pela titularidade e na resposta em momentos de maior exigência são inevitáveis.

2- De forma mais especifica, a solidez a defender e a eficácia a atacar. É muito lapalissiana a afirmação mas o que se reteve no inicio do campeonato foi a perda de pontos por falta de eficácia no momento de fazer golos que nos dariam mais pontos, especialmente com equipas habitualmente designadas de "ao nosso alcance". Do mesmo modo as dificuldades registadas no inicio de época com a formação da dupla de centrais, retiraram-nos alguns pontos que habitualmente coleccionaríamos. Não é por acaso que o Sporting está a grande distância dos golos marcados e sofridos dos que o precedem na classificação.

3- Marco Silva tem ainda muito trabalho pela frente e demorou um pouco a encontrar a melhor forma de contornar as equipas "desavergonhadamente" defensivas. Agora que a equipa parece estar mais segura e até mais paciente na procura do golo, falta dar-lhe mais consistência na movimentação colectiva, principalmente nos momentos em que perde a bola. Melhor posicionamento, mais coberturas, especialmente que evitem a excessiva exposição ao centro do terreno. Mas aqui voltamos à questão individual: tanto Jorge Jesus como Lopetegui têm disposição mais e melhores jogadores e é a qualidade individual que muitas vezes acaba por ditar as diferenças, especialmente quando os jogos registam equilíbrio acentuado e é no relvado que se têm de encontrar as soluções.

4- A impressão geral que o futebol do Sporting tem deixado é precisamente a que resulta do somatório das análises feitas acima. O Sporting nem sempre tem encantado, embora em alguns jogos tenha conseguido momentos de muito bom futebol. Nota-se que a equipa tem crescido com a acumulação de resultados positivos, o que pode estar relacionado com a maior confiança que aqueles proporcionam. Conseguiu finalmente alcançar o terceiro lugar, o qual não está ainda consolidado, mas repõem alguma justiça - seja lá o que isso é em futebol - face ao que fez nestas dezassete jornadas. Depende contudo de terceiros para chegar mais acima. Esses são precisamente os seus rivais de sempre que, pelos meios que conseguiram reunir, detêm também maiores responsabilidades.

5- Um dos principais contributos para a sensação de desempenho abaixo do esperado vem do exterior, não estando por isso ao alcance da sua acção directa. Refiro-me em concreto à carreira do comandante da prova, o SLB. Muito poucos pontos perdidos, incluindo um bom inicio de época atípico na era Jorge Jesus, colocam-no a uma distância que quase obriga a esperar não um mas vários milagres para a situação poder ser revertida. E cada jornada que passa sem que os tais milagres surjam mais difícil parece ser a nossa tarefa. 

6- O pior momento, e que poderia ter estado na ruína de uma parte importante do seu edifício futebolístico, - a equipa técnica - foi vivido em Guimarães. Quanto a mim tomou-se a árvore, aquele resultado especifico inesperado, pelo todo, o que até me pareceu injusto ao que a equipa vinha fazendo no computo geral das competições. 

7- Curiosamente o momento mais importante pareceu-me ter sido vivido na cidade vizinha e rival, onde e com quem o comandante actual da competição conheceu os maiores reveses. Ao ganhar em Braga e da forma quase épica como o fez o Sporting sacudiu o fantasma incómodo de não conseguir ganhar às melhores equipas do campeonato, ganhando confiança e fôlego. Também curiosamente, não perdeu com os que agora o precedem na classificação, tendo até dado uma muito boa conta de si em ambos os encontros.

8- Como revelação da época elegeria, de forma que me parece indiscutível, Carrillo. Finalmente a ser aquilo que não tinha conseguido ser até agora: consistente. Talento já tinha demonstrado ter de forma inequívoca.

9- Do lado das desilusões estão Capel, que poderia e deveria estar a render muito mais, mas parece ter cristalizado. A época abaixo da expectativa de evolução de Mané e o que parece ser mais um adiamento na confirmação plena de André Martins, também podem entrar neste lote.

10- O melhor, e cuja importância ultrapassa em muito as suas boas acções em campo, tem sido o regresso e as exibições de Nani. É bom para o nosso campeonato poder ter jogadores com a sua categoria e estatuto.

11- Como o pior não elegeria um jogador mas um lote de jogadores cujo valor e futuro no clube são uma enorme incógnita. Seja pelo que já demonstraram uns até agora, sem convencer, seja por aquilo que já fizeram e que apenas contribuiu para adensar a dúvida expressa. Um lastro atado aos pés da equipa, que precisava agora exactamente do oposto, de forma a que pudesse evoluir.

2 comentários:

  1. Qualidade do plantel é para ficar em 3º lugar. A pior dupla de centrais de quem lembro no Sporting deixou a sua marca. Ainda ontem o Rabia e o Sarr mostraram do que são capazes, isto é, pouco ou nada. Mas ainda à esperança por estes verdadeiros cepos. Ah e tal são internacionais pelos seus países e foram avalizados pela "estrutura". Pois, também o Magrão, Welder, Slavchev etc, etc. E ainda há quem diga que temos um plantel equilibrado e competitivo.

    Marco Silva está longe de ser perfeito, tem muita broa para comer mas é o melhor que poderia ter sucedido ao Sporting. Precisa de tempo e de margem para errar. A impressão geral que fica é a irregularidade. Alterna-se o bom com o sofrível. A sensação de fraco desempenho vem da boa carreira dos benfas e do respectivo colo. Pior são os empates em casa, sem eles ninguém se lembrava do Guimarães. O pior momento foi o empate com o Moreirense, fomos inferiores muitas vezes O pior de tudo é termos jogadores aos magotes que não servem para nada, contratados sabe-se lá com que objectivo.

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  2. Uma forma interessante de fazer um balanço da 1ª volta da época é olhar para o jogo de ontem. No Restelo, estiveram Ryan Gauld (2,76 milhões), Jonathan Silva (2,61 milhões), Slavchev (2,5 milhões), Oriol Rosell (1 milhão), Naby Sarr (1 milhão), Hadi Sacko (1 milhão), Ramy Rabia (0,75 milhões), Tanaka (0,75 milhões) e Geraldes (0,5 milhões), 9 jogadores que correspondem a um investimento de 12,76 milhões em cirurgia aplicada.

    Ao contrário do que se quis fazer crer, a Taça da Liga não ficou para a Equipa B, os juniores e os juvenis, ficou antes para as "contratações cirúrgicas" realizadas para esta temporada. E em Guimarães jogaram ainda o Héldon - outra cirurgia que custou 1,25 milhões - e o Dramé. Que estas cirurgias tenham acabado circunscritas à Equipa B ou à taça da cerveja, é indicativo da qualidade de quem seleccionou os jogadores e da inexistente estratégia desta direcção. Porque 9 jogadores em 14 passíveis de serem utilizados, com um "investimento" médio superior a 1 milhão por jogador, é muito dinheiro e são muitos jogadores para que se possa caracterizar como Equipa B, apesar de ser essa a ideia que fica. E considerando que são estas as hipóteses em alternativa aos titulares, é de considerar que o trabalho e os resultados do Marco Silva são muito meritórios.

    E se errar é algo que acontece a todos, o que é chocante é que esta Direcção - que entrou com a promessa de milhões, contratações cirúrgicas e de uma aposta na formação do Sporting por ser a melhor do mundo! - rapidamente passou a contar tostões, a desdobrar-se em contratações e descobriu que a formação que produziu o Ronaldo, o Nani, o João Mário ou o William afinal não tinha condições para trabalhar e ainda menos sentido de missão! Vejam só a sorte que se teve em produzir sucessivas vagas de jogadores de excelente nível, sem condições e num ambiente sem a exigência dos valores do Sporting... ainda bem que veio o Bruno endireitar as coisas (só é pena que, por exemplo, não tivesse percebido os graves problemas de infraestruturas em Alcochete antes de ter anunciado as obras de ampliação do estádio Aurélio Pereira, que depois cancelou porque os projectos apresentados pelos empreiteiros não asseguravam as condições que pretendia).

    Esta última semana foi engraçada. Na Taça da Liga, jogam as cirurgias. Entretanto veio mais um central pela mão do Nelson Almeida (o mesmo que trouxe o Hugo Sousa) e o Sporting empresta dois dos seus jogadores mais promissores ao Arouca e ao União da Madeira. Curiosamente, aquele que era o suplente do Chaby nos sub19, foi vendido por 16 milhões. Era caso para pensar no que seria da equipa de ontem se o Wallyson não tivesse - depois de 2 meses a treinar à parte - tivesse mesmo escolhido sair. Ou para pensar quanto poderia ter rendido sido o Matheus Pereira no Sporting, da mesma forma que o Bernardo Silva rendeu ao Benfica. Mas o valor do raciocínio está pela hora da morte em Alcochete...

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