terça-feira, 18 de junho de 2013

Aí está Zakaria, El Diablo

Muito se tem escrito sobre Labyad por estes dias. Do seu salário e da sua produção, relação sempre inevitável para avaliar o custo/beneficio de uma relação laboral. 

Começando pelo valor alvitrado, os tais 2 milhões época. Este é o valor que de facto existe no contrato ou trata-se de uma mera especulação? Sem nenhuma fonte confiável, o raciocínio far-se-á com base nesse valor. 

A primeira questão a colocar é se o Sporting pode/deve oferecer este nível de remunerações. À luz dos dias de hoje seguramente que não. O Sporting gastou o que tinha e o que não tinha para reconstituir o seu plantel procurando dessa forma alavancar resultados desportivos que, por sua vez, proporcionariam o resultados económico-financeiros semelhantes. Esse projecto faliu pela base, os resultados foram muito piores que o que seria normalmente expectável. Por isso hoje o valor do salário de Labyad é hoje olhado como uma monstruosidade.

A segunda questão é se o Sporting deveria oferecer ao jogador Labyad em concreto um contrato com aquele valor. Tenho muitas dúvidas. Pelo que representa num clube formador, acrescido do facto de que o jogador não é internacional A do seu país. O topo da tabela salarial devia estar reservado a jogadores desse nível ou equiparado, com provas dadas. A menos que se trate de um prodígio, embora se me afigure mais fácil encontrá-lo na Academia do que seduzi-lo a vir para o Sporting já sénior.

Em relação aos valores em causa faltará perceber um ponto muito importante: os valores retidos em sede de impostos (IRS+SS) cortam em mais de metade o rendimento proposto, o que quer dizer que os clubes portugueses para oferecerem aos seus profissionais um rendimento capaz de concorrer com os seus congéneres europeus tem mesmo que subir a fasquia ou então... já foste.

Dito isto sobre o dinheiro podemos falar sobre o valor de Labyad. Podemos mas não acho que devamos, pelo menos para já. Não só por ser o primeiro ano em Portugal, associado à sua tenra idade e acrescido do facto de ter tido 2 lesões com algum tempo de paragem. Mas sobretudo porque, se atendermos ao que foi a época passada e talvez com excepção de Rui Patrício, não contabilizarmos nenhum jogador que estivesse ao nível do que é capaz. Mesmo as revelações da época, Bruma, Illori ou Dier, só conseguiram mostrar alguma coisa quando a liderança de Jesualdo conseguiu alguma estabilidade.

Falta saber se o Sporting pode fazer face ao compromisso anteriormente assumido. Convém lembrar que ao jogador é completamente indiferente ter celebrado contrato com Godinho Lopes e agora ter Bruno de Carvalho à sua frente numa possível negociação. O jogador assinou contrato com uma entidade com mais de cem anos de história, entendendo-a como credível e como capaz de lhe proporcionar o sucesso que qualquer profissional almeja.

Se o clube não é  de todo capaz de honrar os seus compromissos deve encontrar uma solução que esteja de acordo com o seu estatuto de pessoa de bem, sem capitular na defesa dos seus interesses. Pode também optar por fazer as contas, entre o que tem que pagar ao atleta e o que este pode vir a render - e não, como já vi por aí, pelo que rendeu num ano de todo anormal - e aferir da razoabilidade do sacrifício.

O pior que se pode fazer é diabolizar a figura de Labyad. Por essa ser a pior forma de conseguir que ele venha a a render o que todos esperamos. E também porque o jogador, desde o primeiro momento em que chegou até agora, ter sido sempre de comportamento correcto com o clube e com os adeptos. Comportamento que, infelizmente, muito menino nado e criado dentro de portas nem sempre tem sabido ter.

8 comentários:

  1. O Labyad é possivelmente dos melhores jogadores que o Sporting CP tem actualmente.
    Não percebo toda esta contestação e vontade de o vender. Os jogadores não podem ser avaliados pelo salário mas sim pela sua capacidade de jogo.
    Se mantivermos o Labyad, de certeza que dentro de 3 ou 4 anos vamos poder vendê-lo por 20 milhões de euros ou mais.
    Temos que ter uma visão a longo prazo, mais vale perder dinheiro hoje e ganhar amanhã do que manter esta política de austeridade.
    Eu não creio que estes dados que têm surgido nos jornais sobre a cedência de jogadores com salários elevados sejam verdadeiros. Certamenta é pura especulação para manter os adeptos ocupados durante a silly season e para destabilizar eventuais negócios e contratações que o Sporting possa vir a fazer.
    Se um clube com um orçamento baixo como o SC Braga consegue ter os jogadores que tem e vender como vende, mesmo após uma época abaixo do que seria de esperar, é ridículo presumir que o Sporting não é capaz de fazer o mesmo ou ainda melhor.

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  2. Bom post, a colocar os pontos nos i´s. Infelizmente há por aí muita criada de servir do BdC que já se apressa a fazer julgamentos de caracter do jogador.

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  3. Labyad tem tido um comportamento correcto e é essa a sua obrigação.

    A culpa disto tudo não é dele certamente - se me oferecessem o mesmo que ofereceram a Labyad - claro que também não queria ir para outro clube a receber certamente menos.

    Agora se o objectivo é ter uma visão a medio prazo - porque razão andou o Sporting a desfazer-se de 65% do seu passe ? (consta que uma parte importante para Pini Zahavi)

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  4. A época passada foi muito dificil, e o Labyad é um jogador muito jovem que chegou a um país novo, o que pode explicar o seu rendimento. Contudo, o salário é muito exagerado, estamos a falar de uma promessa, mas não de alguém que seja titularissimo do Sporting e na minha opinião os ordenados mais altos deveriam estar reservados para estes.
    Assim sendo, prefiro que se faça um esforço por Ilori ou Bruma, que além de jovens promessas são jogadores titulares indiscutiveis no Sporting.

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  5. Excelente post. Acrescentaria que, provavelmente, este aumento automático de salário é consequencia do facto de o jogador ter vindo a custo "zero" e representará provavelmente uma amortizacao ao longo de algumas épocas pelos direitos desportivos do jogador.

    Se isso for verdade, percebe-se como o que hoje é visto como total irresponsabilidade e um negócio ruinoso poderia ter sido uma mina de ouro caso Labyad estivesse agora prestes a ser transferido para um qualquer Mónaco por 15 ou 20 milhoes de euros. Quanto maior o possível benefício, maior o risco.

    Nao me parece que haja qualquer diabolizacao do jogador, mas sim o reconhecimento de que este é um assunto muito complicado de resolver.
    Qualquer solucao tem prós e contras. A solucao "esperar e aguentar" depende crucialmente do rendimento desportivo da equipa e de Labyad em 2013/14, prendendo-se decisivamente com aquilo que a Direccao espera e perspectiva para essa temporada. A solucao "vender já" corre o risco de vender barato e ver em 2014/15 o jogador sair por dezenas de milhoes para outras paragens, ou pior ainda, voltar a Portugal para o FCPorto ou SLBenfica. A solucao "empréstimo" parece muito complicada se nem Ajax tem capacidade para aguentar a massa salarial do jogador.

    A pergunta "porque andou o Sporting a desfazer-se de 65% do seu passe" seria extensível a praticamente todos os jogadores de quem o Sporting nao possui, neste momento, mais do que migalhas dos direitos desportivos e que, suspeito, andaram a pagar os salários de 2012/13 numa fuga para a frente de consequencias catastróficas.

    Saudacoes Leoninas

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  6. Incrível a (falta de) gestão desportiva no reinado de Godinho Lopes, assustadora a política de comunicação do reinado de Bruno de Carvalho. A não ser que se acredite que, de tudo o que vem nos jornais, alguma informação não é passada pelo próprio clube.

    O futuro é assustador!

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  7. Petinga, obrigado.

    Se me permites chamo à atenção para o seguinte: todos os clubes vendem percentagens do passe dos jogadores. Seja para tornar a operação de compra menos onerosa, repartindo os riscos com outros investidores, seja para arranjar liquidez. O problema do Sporting não está nessa operação. E atenção eu também não gosto da falta de transparência dos fundos. O problema do Sporting esteve em não conseguir outras receitas como resultante da valorização de activos, de bilheteira e da participação nas competições europeias, nomeadamente a CL.

    SL

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  8. Caro LdA

    Isso eu percebo. Mas nao percebo como é que um jogador que veio a custo zero e para o qual, ostensivamente, se pretende amortizar os direitos desportivos sob forma de aumentos salariais progressivos, o Sporting ainda alienou dois tercos (a maioria!) do passe.

    Ou o Labyad vale assim tanto dinheiro que o Sporting lhe tenha pago 2/3 do valor de passe mais 1 milhao por época só de "prémio de assinatura"?

    Para mim, todas as alienacoes de passes feitas pelo Sporting foram ruinosas porque se destinaram pura e simplesmente a "empurrar com a barriga para a frente" e fazer face a despesas de tesouraria corrente. É ver como a meio da época se iam vendendo 2% e 3% de jogadores da equipa B de mes a mes.

    Para além disso, os clubes com um mínimo de estratégia vendem percentagens de passes para depois as recomprarem na iminencia de uma transferencia avultada. Por exemplo, se fossemos um certo rival a Norte, teríamos comprado pelo menos 25% ou mais do passe do Ricky antes da transferencia para o Norwich, em que a valorizacao foi muito considerável. Sobretudo porque os fundos com que o Sporting trata se calhar até permitem fixar cláusulas sobre o montante de recompra de percentagens previamente alienadas.

    SL

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