sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Zero para Vitor Pereira no ping pong com o Sporting

Vítor Pereira assistiu calado à apresentação das propostas do Sporting relativas ao sector da arbitragem. Comportamento que nada tem de repreensível, atendendo a que era suposto estar a ouvi-las pela primeira vez. Mas o mesmo já não se pode dizer dos comentários feitos em público. Desta forma é indelicado com o Sporting, clube promotor das medidas, e desrespeita institucionalmente o seu superior hierárquico, o presidente da FPF, que liderava a instituição na reunião. Este comportamento é totalmente reprovável e também revelador do condicionamento psicológico do líder da arbitragem nacional. 

Ora condicionamentos psicológicos é do pior que se pode constatar de quem se espera e exige isenção e distanciamento. O mesmo condicionamento que já vimos há poucos dias na reacção à contestação de Pinto da Costa à arbitragem no SLB x FCP, na condenação pública do árbitro Soares Dias e que não lhe permitiu o mesmo tratamento às falhas mais clamorosas registadas até agora na Liga: o penalty sonegado ao Sporting a minutos do fim do jogo com o Rio Ave - o jogo acabaria empatado - e no roubo do tamanho de uma manada de bois de raça barrosã por parte de um talhante de Braga ante o Nacional. 

Todos os três clubes se podem queixar de terem sido prejudicados e mutuamente apontarem-se uns aos outros como beneficiados. Mas nenhum pode juntar a esta discussão erros tão óbvios como estes de que o Sporting foi vitima. Mas ainda assim erros não suficientemente grandes para Vítor Pereira ter alguma coisa para dizer.

Porém isto não invalida que algumas coisas que Vítor Pereira disse não devam ser levadas em linha de conta. No que à arbitragem diz respeito há muita matéria que não é passível de ser mudada, mesmo que os clubes estivessem todos de acordo, o que será muito difícil de acontecer. Mesmo a formação de maiorias simples capazes de alterar os regulamentos será muito difícil de obter.

Por exemplo, o recurso a tecnologias tem de ser autorizado pela FIFA e não me parece que se caminhe nesse sentido nos anos mais próximos. Sabendo de todas as dificuldades que lhe vão ser estendidas ao caminho como se tapete de flores se tratassem o Sporting deveria procurar apurar o documento, extirpando-o de generalidades e boas intenções e procurando dotá-lo de maior objectividade. Isto dito mesmo tendo em conta que se trata de um documento de trabalho aberto a discussão e passível de ser melhorado.

Por exemplo e e forma um pouco avulsa não faria mal repensar a necessidade do papel dos observadores e outros amanuenses do regime. 

Como se chega ao cargo? 

Quem são e quem os elege? 

Faz algum sentido propor a continuidade desta intermediação na avaliação dos árbitros, que é feita a olho nu, quando se propõe simultâneamente o recurso às tecnologias?

6 comentários:

  1. "Todos os três clubes se podem queixar de terem sido prejudicados e mutuamente apontarem-se uns aos outros como beneficiados. Mas nenhum pode juntar a esta discussão erros tão óbvios como estes de que o Sporting foi vitima." - a sério? Isto dito por alguém que é adepto dum clube que só nesta liga (e vamos a metade) já viu o seu avançado marcar 3 (três!) golos em claro fora-de-jogo e beneficiou de um penalty por falta (?) fora da àrea, ou mesmo de campo?!? Fantástico. Isto é para se enganarem a vocês próprios?

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  2. Para qd expulsar essa triste figura de sócio do SCP?

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  3. Caro LdA,

    Creio que a intervenção pública de Vítor Pereira não surgiu por mero acaso. Manteu-se em silêncio durante as reuniões em privado porque, para argumentar, teria que se sustentar com factos, muito escassos neste caso. Veio a público para dar a entender a quem "puxa os cordelinhos do sistema" que não está a ir na conversa e que podem continuar a contar com ele. Reconheço que esta minha disposição é algo cínica, mas é deste modo que eu interpreto o funcionamento do futebol em Portugal.

    A questão da arbitragem, nomeadamente no futebol português, tem muito mais a ver com mentalidade e credibilidade do que com competência. A vasta maioria dos árbitros de primeira linha são fundamentalmente competentes, o que está em dúvida é a imparcialidde de critérios, tanto a nível individual como colectivo.

    Não sou - nunca fui aliás - a favor da introdução de tecnologia no futebol salvo, porventura, a que dá cobertura à linha de golo. A beleza do futebol é o seu estado natural e foi assim que atingiu o topo desportivo mundial.

    A iniciativa do Sporting é meritória e terá muito que poderá ser aproveitado, mas será ingénuo esperar que uma "revolução" ocorra de um momento para o outro. Para implementar certas medidas vai ser necessário muito tempo e diálogo. Assim é a natureza do "animal".

    Rui Gomes

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  4. Leonel,

    Vá ver o golo do Rodrigo na última jornada, o de Lima com o Olhanense e o 1º do Garay contra o Paços de Ferreira.
    E, só aqui de cabeça, aí estão 3 foras de jogo que deram golo ao seu clube.
    Se juntar o penalty que deu empate frente ao Arouca já estamos iguais em "ajudas".
    Por isso qual a diferença, neste caso, entre Sporting e Benfica?

    E repare que eu já lhe estou dar de barato que você tem razão nesses lances que menciona.

    Veja lá, não se engane a si próprio.

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  5. Contra os lampiões no espaço de meses em 2 jogos 1 para o campeonato e outro para a taça, só nos prejudicaram em 5!!! penalties e um golo fora de jogo do Cardozo. Contra os andrades também fomos prejudicados no campo do dragão. Contra o Rio-Ave o xistra não assinalou um penalti a favor do Sporting, por mão na bola, a acabar o jogo que nos podia dar +2 pontos e contra o Nacional m. mota anula um golo limpo de Slimani o que nos daria mais 2 pontos. E já não refiro o penálti não marcado sobre o Montero, no jogo contra o Estoril por não ser consensual na CS. É pena alguns comentadores do blogue terem memória selectiva, mas já estamos habituados a ser injustiçados. PS- Apenas estou a escrever sobre ocorrências que a generalidade da CS comprovou que se passaram. São factos.

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