quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Sporting 6 - U. Madeira 0: O União para mostrar a força

Mesmo considerando o facto de o adversário ser de escalão inferior, a força demonstrada ontem pelo Sporting é um momento digno de nota, especialmente por dar indicações de a equipa vir em crescendo e estar nesta altura a viver o seu melhor momento da época. Algo que em breve, logo no inicio de ano, será testado ao mais alto nível no Eterno Dérby.

Uma primeira observação para a meia surpresa de Jesus, apresentando praticamente a equipa titular. Talvez seja algo injusto para alguns jogadores que esperariam uma nova oportunidade. Ristowski e André Pinto, por exemplo. Como não era avisado jogar com uma equipa de jogadores menos utilizados JJ optou por premiar Salin, Bruno César e Bryan Ruiz. 

O costa-riquenho justificou a chamada, não pelo que fez mas pela demonstração de necessidade de rodar para adquirir ritmo. Doumbia continuou o sumário da lição anterior: eficácia e noção de golo que pode ser muito interessante, pena é a alergia que se instala entre ele e Dost, parecem água e azeite. Saliência ainda para a descida promissora de Acuña até à lateral esquerda da defesa. Algo que não é de todo estranho, embora num registo algo diferente, inserido numa defesa a três ao centro. Foi tão bom que ainda deu para ver Iuri fazer uma demonstração do seu potencial individual, falta agora deixar ser aquilo que muitas vezes tem sido: um corpo estranho para a equipa.

E assim vamos descansados para ceia de Natal, esperando que os jogadores, merecendo inteiramente um breve intervalo com os seus familiares, não se distraiam com as luzes, prendas e viagens e mantenham o foco e o compromisso que têm alardeado nos últimos jogos.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Para afixar nos balneários em Alcochete

Por vezes não se consegue perceber o que leva um jogador talentoso e cheio de potencial acabar por se perder na imensidão de grandes jogadores que nunca o chegaram a ser. Muitas vezes nem sequer conseguem ser profissionais de futebol. 

O miúdo da foto acima (de 2014) é o miúdo das fotos actuais e, numa magnifica entrevista ao The Player's Tribune, onde cheguei através do site Trivela, ajuda a explicar como é que se escolhe o caminho, como se pode estabelecer a diferença. E ainda assim deixa ficar subentendido que a ideia que se chega lá cima facilmente só acontece nos filmes e nos romances.~

Um belo pedaço de prosa que devia ser lido por todos os craques em potencial e, não menos importante, pelos pais e educadores, por vezes tão ou mais sonhadores e ambiciosos que os futuros craques.

Sempre que eu marco um gol pelo Manchester City, minha mãe liga para mim. Assim que a bola balança no fundo da rede, o telefone toca.

Não importa se ela está em casa, no Brasil ou no estádio me assistindo jogar. Ela me liga todas as vezes. Então, eu corro até a bandeirinha do escanteio, coloco a mão no meu ouvido e digo: “Alô, Mãe”.

Quando eu cheguei no City, as pessoas acharam isso muito engraçado, e eles viviam me perguntando o que aquilo significava.

Tem uma resposta rápida: amo minha mãe e ela está sempre me ligando.

E tem uma resposta longa, que começa quando eu ainda era um menino com um sonho.

É claro que no Brasil existem milhões de meninos com um sonho. Mas eu tive sorte, porque no meio do caminho eu pude conhecer alguns super-heróis.

Não ria. É verdade. Eu vou provar para você.


Eu cresci num bairro chamado Jardim Peri, na Zona Norte de São Paulo, e para algumas pessoas que moram lá a vida é uma luta. Mas eu tive minha mãe. Que trabalhava muito duro e garantia sempre à nossa família comida na mesa. Mas para muitos garotos com os quais eu cresci era mais difícil. Às vezes, eles só tinham uma única refeição no dia, e essa era a que eles recebiam dentro do clube. Para ser sincero, muitos deles nem mesmo apareciam para jogar. Eles só vinham para se encontrar e comer de graça um sanduíche de mortadela com refrigerante. Era sempre pão com mortadela e uma lata de refrigerante.


Às vezes, era só refrigerante. E isso tinha que durar até o fim do dia.

Para mim, todos os meus sonhos, todas as coisas que eu tenho agora – tudo isso começa com o Pequeninos. Na verdade, é mais do que um clube de futebol. Não pense nas praias e todo esse tipo de coisa. Nosso campo era do lado de fora de uma prisão militar. No lugar onde era para ter o gramado, só havia sujeira e estava cercado por grandes pinheiros. As únicas pessoas que jogavam lá além das crianças eram os policiais dessa prisão.

Quando eu tinha nove anos de idade, eu apareci lá com meu amigo Fabinho, para ver se nós podíamos jogar pelo time. Nós andamos pela mata com as nossas chuteiras de futebol embaixo do braço. E foi então que nós conhecemos o cara que mudou nossas vidas – José Francisco Mamede, técnico do time mais novo. E ele disse pra gente “Com certeza, vocês podem jogar na próxima partida”.

Não tinha nenhum papel para assinar, nada. Porque este clube não era do tipo que tentava fazer crianças se transformarem em lucro – tem a ver com mostrar para essas crianças algo positivo, e dar a elas alguma coisa para comer e mantê-los longe das ruas. O Pequeninos não é um clube grande, então provavelmente você nunca ouviu a respeito. Mas eu tenho de dizer, eles fazem milagres por lá.

Era engraçado porque o técnico Mamede tinha um velho fusca branco – devia ser anos 70– e ele levava todos os garotos nele, e nós éramos tão pequeninhos que ele fazia caber 9 ou 10 dentro do carro, mais as chuteiras, as bolas, as cestas básicas e todo o resto.

Cara… o que esse clube faz por aqueles meninos, é incrível.

No Brasil, nós temos um nome para pessoas como Mamede: heróis desconhecidos.

E foi isso que ele representou para muitos garotos. Ele e outros técnicos… Eles  deram pra gente uma chance na vida.

Para mim, o amor pela bola era tudo. O treino pelo Pequeninos acontecia somente duas vezes por semana, então, se eu não estava lá, eu estava jogando nas ruas do Jardim Peri. Às vezes, eu ficava jogando bola com os meus amigos até meia noite – depois, nós ficávamos na rua falando sobre as meninas e tirando um com a cara do outro até as duas da manhã.

Em casa, não tinha muita coisa para fazer. Meu pai deixou a família logo depois que eu nasci, então minha mãe trabalhava todo o santo dia para sustentar a mim e a meus irmãos. Ela era faxineira na cidade, e quando ela voltava para casa no fim do dia, ela tinha que dividir a cama comigo e com um dos meus irmãos.

Alguns garotos têm videogame. Eu tinha a bola e a minha imaginação. E foi legal porque eu tive uma infância de verdade. Havia esses grandes torneios de futebol em que cada rua tinha um time, e o troféu era uma garrafa de refrigerante. Cara, era uma guerra por aquele refrigerante. É tudo o que você tem, sabe? Na real, aquilo era mais importante pra gente do que uma Copa Libertadores.

Se você ganhou o título, você passava a garrafa ao redor, e é diferente de tudo que você já provou antes. Todo mundo podia dar um gole e passar pra frente. O troféu de refrigerante é dez vezes melhor do que a champagne. Dez vezes melhor.

Quando eu tinha 13 anos de idade, aconteceu uma coisa que realmente me marcou. Nosso time, Pequeninos, entrou num campeonato importante em São Paulo, e, cara, nós éramos bons. Nos jogos das primeiras rodadas, nós vencemos clubes maiores por 12 ou 13 gols. Mas quando chegamos na final nós tínhamos pela frente a Portuguesa de Desportos, que é um clube profissional. A única razão pela qual os clubes grandes entravam no campeonato é que eles podiam selecionar os jogadores dos times menores. E, você sabe, é como nos filmes. Nós éramos o time pequeno que jogava do lado de fora da prisão, e eles eram do clube profissional com equipamento e todo o resto. Mas eu e meus amigos falamos assim: “Ah, a gente vai ganhar essa. Deixa com a gente.”

Então, veio uma tempestade. Na noite anterior ao jogo, choveu tão forte que quando amanheceu as pessoas estavam falando em talvez cancelar a partida final.

Na hora em que demos o pontapé inicial, o campo todo era uma lama só. Esse dia foi louco. Nós começávamos a correr e nós caíamos pelo campo. Ninguém no nosso time conseguia ficar em pé. Mas de alguma maneira os jogadores da Portuguesa estavam bem. Eles ficavam em pé.

Eles tinham chuteiras de trava de metal. Aquelas que você pode usar na chuva.

Nossas chuteiras eram aquelas das mais baratas, com travas de borracha. Elas estavam todas gastas. Nós não tínhamos dinheiro para comprar as chuteiras mais caras.

E eu me lembro, naquele momento, de pensar algo tipo “não é justo… mas a vida continua.”

Mesmo assim, nós demos a vida para vencer aquele jogo. Mas nós acabamos perdendo por 4-2. Eu nunca vou me esquecer de ver a Portuguesa comemorando com o troféu. Foi uma lição muito boa para mim. Futebol é como tudo na vida. Não é justo. Então, você tem que dar um jeito, mesmo não parecendo justo.

Foi uma lição perfeita, porque os próximos anos da minha vida seriam muito difíceis. No Brasil, se você tem sonho de se tornar um jogador profissional, você geralmente está na Academia de um grande clube aos 12 ou 13 anos. Mas, por alguma razão, as coisas não estavam funcionando para mim. Eu fiz um teste no São Paulo Futebol Clube, e eles gostaram de mim, mas então me disseram que não poderiam me oferecer um quarto na Academia, que era muito longe da minha casa. Se eu fosse de ônibus para lá todos os dias, eu teria que largar a escola e minha mãe… hahaha… certamente não aceitaria isso. Ela era totalmente a favor da escola.

Eu devo tudo para minha mãe principalmente nessa fase da minha vida. Porque muitos garotos no Brasil, quando são de origem mais humilde, têm de começar a trabalhar quando fazem 14 anos de idade para ajudar a família. Eles não podem jogar futebol, ir para a escola e trabalhar ao mesmo tempo. Então, o sonho deles morre nesse momento.

Mas minha mãe… cara, ela acreditou em mim. Seja qual for a razão, ela acreditou. Ela falou para eu continuar, não importando o que eu tivesse que fazer.

Então, aos 13 anos de idade, eu comecei a jogar com os caras mais velhos na várzea.

OK – todos em São Paulo sabem do que estou falando agora (e provavelmente já começaram a rir). Mas para todos aqueles que não sabem do que estou falando, vou explicar.

A várzea é como o basquete de rua nos Estados Unidos, ou como a Liga semiprofissional de futebol na Europa. Os campos são todos esburacados e você joga contra os marmanjos – os caras casca grossa. A várzea é conhecida por ser de extremo contato físico. Tinha muita coisa pesada acontecendo no campo.

Eu nunca vou me esquecer de um momento…

Nós estávamos jogando uma partida importante contra um time grande. Eles sempre tiveram uma das melhores equipes da várzea, mas eles estavam fora da Liga por alguns anos por causa de algo que fizeram depois de um jogo, e eu não quero entrar em detalhes porque provavelmente tem criança lendo isso aqui

eu vou quebrar as tuas pernas se você tentar me driblar de novo”.

Então, esse era o primeiro ano deles de volta à Liga, e eles estavam jogando contra nós uma partida para classificar para um campeonato maior. Eu me lembro de todos os jogadores deles olhando para mim antes do jogo: “Quem é esse moleque? Isso é sério?”

E era sério!

Aos quatro minutos de jogo, eu driblei o melhor zagueiro do time deles e marquei um gol, e eu me lembro de todos eles olhando para mim, tipo “Ok, moleque, nós vamos fazer da sua vida um inferno”.

Foi a partir daí que eles começaram a me bater todas as vezes que eu tocava na bola. Eles ficaram muito loucos – como se eles tivessem vindo atrás de mim para me machucar. Tinha um baixinho no meio de campo deles que era conhecido por ser um valentão, e ele ficava me dizendo: “eu vou quebrar as tuas pernas se você tentar me driblar de novo”.

Então, eu peguei a bola… e o driblei novamente.

Foi um lance como na NBA. Quebrei a espinha dele. Deixei no chão.

Eles mais uma vez fixaram os olhos em mim como se fossem realmente me matar.

Mas… o que eu posso dizer? Quando eu tenho a bola aos meus pés, vivencio um mundo diferente. Então eu peguei a bola de novo e, sem olhar, dei um passe para um companheiro de time marcar um gol.

A torcida que acompanhava o jogo estava indo a loucura.

A partida terminou em 2-2, e nós vencemos nas cobranças de pênaltis. Eles ficaram revoltados. No apito final, o valentão virou pra mim e disse: “ Eu falei que ia quebrar as tuas pernas, moleque. Te espero no estacionamento”.

Ele estava sério. Foi tenso. Eu me lembro de pensar “já era… Eu posso não sair daqui.”

Mas, por sorte, meus colegas de time me protegeram. Todos eles ficaram em volta de mim e me levaram até o estacionamento, e só assim consegui chegar em casa em segurança.

Mas esse está longe de ser o fim da história. No Natal do ano passado, eu fui para casa para ver minha família, e tive de ir ao banco para resolver alguns problemas burocráticos. Fui pegar meu carro no estacionamento… e o cara que cuida dos tickets no guichê me deu aquela olhada, como se ele me conhecesse.

Ele devolveu o ticket.

Mas seguiu fixando o olhar em mim.

Então ele diz “Ei, garoto”.

Estou olhando para ele, tipo, Huh?

Ele diz: “Lembra de mim? Da várzea, mano! Eu ia quebrar as tuas pernas!”

E eu assim: Oh meu Deus. Eu não sabia o que ele ia fazer.

E então ele diz: “Cara, eu ia mesmo quebrar as suas pernas. Você acredita nisso?”

E eu tentando manter a tranquilidade, tipo: “Que isso, mano. Você não ia fazer isso, não. Eu sei que você só estava brincando”.

Mas ele segue afirmando: “Não, mano. Não. Eu ia mesmo quebrar as suas pernas. E agora você está jogando pelo meu time, cara! Eu te amo, mano! Eu não posso acreditar nisso. Você consegue imaginar se eu tivesse quebrado as tuas pernas?”

A gente riu, e eu tirei uma foto com ele.

Existe uma expressão no Brasil, e é a única forma de descrever o que aconteceu comigo. Minha vida mudou da água pro vinho. Cinco anos atrás, eu estava jogando na várzea, apenas tentando sobreviver, apenas tentando chegar num clube grande no Brasil. A várzea me deu uma boa perspectiva. Eu joguei com grandes jogadores que hoje são motoristas de ônibus, ou trabalham no supermercado, ou são pedreiros. E não foi porque eles não eram bons jogadores ou porque não se esforçavam. O que conta nessas horas é a sorte e a oportunidade. Algumas pessoas têm que ir atrás do seu sustento e não podem ficar correndo atrás dos seus sonhos.

Se eu não tivesse o apoio da minha mãe, eu provavelmente estaria no mesmo caminho desses outros jogadores da várzea.

Mas, em vez disso, eu tive a oportunidade de fazer um teste para o Palmeiras quando eu tinha 15 anos, e tudo decolou a partir dali. Acho que não consigo nem explicar. Foi como destino, de certa forma. Deus escreveu tudo perfeitamente.

Eu fiquei com o time júnior e assinei o meu primeiro contrato de verdade. De lá para cá, o tempo passou voando… Fui para o time principal, consegui me destacar e, para minha surpresa, cheguei até a Seleção Brasileira e pude participar dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Quando recebi a ligação, foi uma emoção inexplicável.

Para fazer você entender o que esse momento significou para mim… apenas dois anos antes, eu estava nas ruas do Jardim Peri pintando as calçadas de verde e amarelo para a Copa do Mundo de 2014. Os caras da vizinhança que desenhavam muito bem fizeram grandes murais – com os rostos dos jogadores brasileiros, como David Luiz e Neymar – e nós estávamos ajudando a deixar tudo aquilo colorido.

Esse torneio em 2016 foi bastante especial para os brasileiros, porque a medalha de ouro olímpica era a única conquista que o país do futebol jamais tinha vencido. Eu lembro que o peso daquele campeonato era muito grande – não apenas porque era no nosso país, mas pelo que aconteceu na última Copa do Mundo. Depois que nós não jogamos bem as duas primeiras partidas, a crítica ficou muito intensa, especialmente contra o Neymar. Eu realmente admiro o Neymar pelo modo como ele lidou com tudo isso e pela maneira que ele conseguiu liderar nosso time.

Antes do campeonato, eu era apenas mais um fã do Neymar, como tantas outras pessoas. Ele é um jogador de futebol incrível, que todo muito conhece. Mas ter a chance de saber quem ele é de verdade durante esse período…foi especial, por causa do jeito dele. A forma que ele trata todo mundo me surpreendeu bastante – porque mesmo no curto período de tempo que eu vivi no futebol, eu vi tantos caras que nem são grandes jogadores, que não ganharam nada, serem mascarados. Mas o Neymar trata todo mundo como se fosse irmão dele. Ele foi a grande razão pela qual a gente foi capaz de se unir e ignorar a pressão e jogar um para o outro.

Quando a gente ganhou a medalha de ouro, foi um momento incrível para o time, e também para o país. Antes dos Jogos, o Neymar fez uma tatuagem, e eu me inspirei nele para fazer uma parecida, porque realmente diz tudo o que isso representou para mim: uma criança pequena, que está de pé no fundo de um morro, olhando para as favelas, segurando apenas uma bola de futebol debaixo do braço e sonhando com seu momento.

Não sou somente eu, e não é apenas Neymar. São tantos brasileiros. E isso é o que aquele ouro significou pra gente.

Eu quero fazer tudo o que estiver ao meu alcance para fazer parte da equipe da Copa do Mundo de 2018, e eu sei que há muita disputa para ver quem será convocado. Essa foi a grande razão pela qual eu decidi vir para o Manchester City. Eu sei que eu preciso continuar me desenvolvendo como jogador.

Eu vou dizer pra você, aqui é muito diferente do Brasil. Você não vê muito do sol… Cheguei a receber algumas ofertas para ir para outros clubes, de lugares mais quentes, por exemplo. Mas, para mim, a decisão de vir para o Manchester City tinha um peso maior por poder jogar sob o comando de Pep Guardiola.

Esta é minha primeira vez num país que é realmente muito frio e onde eu não falo a língua. É um desafio ser compreendido, e pode ser solitário nesse sentido. No entanto, quando Guardiola me ligou enquanto eu decidia para qual clube eu ia jogar, ele disse que estava contando comigo. Eu posso dizer que o Guardiola estava sendo verdadeiro – e no futebol isso significa muito.

Quando ele disse isso, eu não pensei duas vezes. Minha decisão estava tomada. Era o City.

Mas antes de eu ir para o Manchester City, eu tinha uma última coisa a fazer. Eu tinha de encerrar um capítulo da minha vida.

Então eu voltei para o campo onde os Pequeninos jogam, com as chuteiras debaixo do braço, como quando eu tinha 9 anos de idade. Mas desta vez um pouquinho diferente. Eu tinha 250 pares de chuteiras realmente boas para os garotos.

Agora, quando qualquer um dos grandes clubes jogar contra o Pequeninos num campo molhado, é melhor tomarem cuidado. Daqui em diante, não tem mais essa desculpa.

Sabe, não vou mentir. Quando eu vim para o Manchester City pela primeira vez, eu me senti perdido. Minha mãe estava indo e vindo da Inglaterra para o Brasil, e era extremamente difícil ficar longe dela, porque ela é tudo para mim. Ela foi ao mesmo tempo pai e mãe para mim quando eu estava crescendo. Me lembro que, quando estava jogando pelo Pequeninos, eu via algumas crianças depois dos jogos com os seus pais, e eu estava sozinho. Aquilo foi pesado para mim. Me marcou. Mas agora, quando alguém pergunta do meu pai, eu digo que minha mãe é meu pai. Ela fez tudo por mim e pelos meus irmãos.

Ela foi outra heroína desconhecida.

Quando eu faço um gol, mesmo quando ela não está no estádio, eu “pego o telefone” e falo com ela.

Quando a gente era criança, a minha mãe ficava ligando o tempo todo para descobrir onde é que eu estava, e se eu não atendesse, ela começava a ligar para todos os meus amigos. Era apenas uma piada entre a gente.

“Alô, Mãe!”

Quando eu pego o telefone é em homenagem à minha mãe e à nossa luta. Mas também é uma homenagem aos meus amigos e à minha família, e também ao técnico Mamede e a todas as pessoas no Brasil que me ajudaram a chegar até aqui.

Eu sempre fui um sonhador. Mas mesmo nos meus melhores sonhos, eu não pensei que estaria vivendo o que estou hoje. Sei que existem muitos garotos que vão pintar as ruas, que não jogam por um grande clube e que as pessoas têm dito que eles não vão conseguir chegar lá.

Eu diria para eles nunca pararem de lutar.

Quatro anos antes de eu andar pelo túnel do estádio Etihad, eu ainda estava jogando na várzea – e os caras estavam falando que iam quebrar minhas pernas num estacionamento.

Sua vida agora pode ser apenas sanduíche de mortadela com refrigerante.

Mas se você continuar a correr atrás dos seus sonhos, cara… quem é que sabe o que pode acontecer?!?

A água pode se transformar em vinho…

Então, para todas as crianças. Se você chegou até aqui na minha história, eu tenho uma mensagem final, e isso é realmente importante.

Jamais parem de sonhar.

Ah, façam mais uma coisa por mim. Liguem pra Mãe. Ela sente saudade.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Saiba o que diz o Tio Patinhas de Alvalade sobre as contas do Sporting

Saudações Leoninas a todos!! 

Inauguro hoje uma colaboração com o distinto “Leão de Alvalade” e começo por agradecer o honroso convite que me endereçou para assumir uma colaboração com o seu blog, versando sobre os aspetos financeiros do Futebol e do nosso Clube em particular.

Assim, começo esta colaboração escrevendo sobre as últimas demonstrações financeiras apresentadas pela SAD do Sporting e que apresentam um resultado positivo de 24,9M€. E prevejo (e se me enganar, estarei aqui para dar a mão à palmatória) que se não ocorrer uma venda neste mercado de Inverno ou antes do fecho do exercício (antes de 30 de junho), penso que o Sporting corre o risco de poder apresentar prejuízo ou algo muito perto disso. Mas vamos antes tentar dissecar alguns números.

Os nossos proveitos operacionais do trimestre foram de 34.79 M€, dos quais 17,04M€ dizem respeito à Liga dos Campeões, pelo que os proveitos expurgando a LC e transferências, devem rondar os 70 a 75 M € por ano. Com a boa prestação da UEFA, direi que será possível passar dos 100M€ sem transferências, pela primeira vez (no ano passado, foram cerca de 80M€). O aumento de cerca de 2M€ dos proveitos operacionais é explicado pelo facto de termos disputado a Pré-Eliminatória e pela receita de bilheteira acrescida, no mês de agosto (sem correspondência com o período homólogo).

E por falar em bilheteira e apesar de no início de cada época, a Direção ser criticada pela sua política de preços (estes têm subido a cada ano) e de muitos preverem a descida apocalíptica das vendas de lugares anuais, os números têm dado razão à política seguida, uma vez que temos um aumento de cerca de 15% das receitas com a venda de lugares anuais, as nossas Gameboxs.

Ao nível dos custos, existe mais um aumento da massa salarial (depois das duas primeiras épocas de apertar o cinto, têm crescido ano após ano). Mesmo descontando 0,8M€ respeitando a jogadores que já não se encontram no plantel, temos um aumento de pelo menos 7M€ neste ano. Atrevo-me a dizer que o impacto da massa salarial da SAD rondará os 70 a 75M€, sendo similar aos proveitos operacionais sem a Liga dos Campeões e receitas com alienação de passes.

No que concerne aos Bancos, verificamos que os depósitos à ordem restritos, totalizam já mais de 5M€. Para quem não lê os R&Cs, estes DO restritos servem para liquidação de dívida bancária, juros e constituição de conta reserva (pagamento de VMOCs). O “famoso” factoring reduziu cerca de 13,3%, para 26M€, sendo 22,4M€ referentes a épocas futuras (chegou a ser mais de 38M€ em 2014). Verificamos uma redução do passivo bancário num trimestre de 2M€ e uma reestruturação entre diversas dívidas, diminuindo os descobertos bancários e aumentando os empréstimos “normais”. Um dia, prometo escrever mais sobre o factoring, mas ressalvo que não deixa de ser mais um instrumento financeiros colocado à disposição das empresas e claro está, do Sporting. No entanto, ao contrário do que muitos afirmam, o facto de anteciparmos o recebimento de proveitos futuros não influencia a nossa Demonstrações de Resultados, pois estes proveitos serão diferidos e reconhecidos contabilisticamente, no período temporal a que dizem respeito.

Em resumo e para que este primeiro “escrito” não se torne demasiado longo, um primeiro trimestre em linha com o esperado e uma estrutura de custos, algo dependente da Liga dos Campeões (sem esta receita, nunca operacionalmente o Sporting atingirá o equilíbrio, com a atual estrutura de custos). Num ano sem LC, os prejuízos sem alienações de passe, podem atingir “facilmente” números acima dos 20M€. Ainda por cima, quando algumas rúbricas de receitas parecem ter deixado de ter espaço para crescer, nomeadamente Patrocínios, Loja Verde (variação de apenas 100 mil Euros de um ano para o outro), Direitos Televisivos (uma vez que já foram revistos em alta, há 2 épocas atrás).

Para terminar e porque muitas vezes me perguntam, confirma-se que o valor à Doyen já foi liquidado, pelo Tribunal Suíço, que havia solicitado a retenção das nossas receitas da Liga dos Campeões do ano transato, apesar de a “batalha” judicial ainda não ter terminado (e a provisão ainda não foi totalmente revertida). Assim, o pagamento desta dívida é a grande explicação para a diminuição do nosso passivo, face a 30 de junho de 2017.

Comentem e aguardem pelos novos capítulos!

O vosso “Tio Patinhas” de Alvalade

domingo, 17 de dezembro de 2017

Sporting 2 - Portimonense 0: As passas dos algarvios

Por vezes, tal como aconteceu hoje em Alvalade, há jogos que têm tudo para ser complicados e acabam por ser simples e ganhos com relativa facilidade. E, para que tal suceda, é importante marcar cedo, quer para conforto da equipa quer para não permitir veleidades ao adversário. Neste jogo, se há alguma coisa a lamentar é provavelmente o índice de eficácia, tantas foram as oportunidades criadas.

Especialmente naquela que foi uma das melhores primeiras partes da presente época, o Sporting podia ter arrumado logo com o jogo, particularmente na demolidora meia hora inicial. A dado momento os algarvios devem ter pensado que jogávamos com jogadores a mais, tanto era o jogo que canalizávamos para a sua baliza e tamanho era o anel constritor que uma pressão quase exemplar que os impedia de saber se era o Patricio ou o Salin quem ocupava a baliza titular.

Não há neste jogo especiais menções individuais negativas, embora se possa considerar que já vimos o Marcos mais capaz de meter uma (ou mais...) Acuña pela equipa... Mas claro, nunca é demais lembrar que este deveria estar a ser o seu final de época e vem de uma lesão. Já Gelson, sendo incapaz de jogar mal, teve uma "exibição inútil", isto é, o resultado final das suas estonteantes jogadas continua a ficar aquém do seu esforço e participação no jogo. Várias vezes podia ter assistido melhor e, se tal acontecido, os algarvios teriam um cabaz bem cheio de passas, o que viria a calhar com época natalícia, já que das ditas algarvias já levam deste jogo de sobejo.

É muito dificil e talvez injusto este tipo de nomeações. A equipa actuou como um bloco, e foi essa a grande virtude e razão do triunfo. Mas obviamente que lembrar a grande meia-hora de Podence, com aquela assistência de compêndio se torna obrigatório. Bem como lembrar mais um golo de Dost em mais uma assistência de Bruno Fernandes. Mas estaríamos provavelmente a lembrar-nos aqui de alguns jogadores algarvios - alguns deles têm andado, e justamente,  na boca do mundo futebolístico nacional - não fora a prestação exemplar da equipa, a começar pela organização defensiva. Só não falo no Patricio porque, graças à eficácia de Coates, Mathieu & Cia, agora que escrevo esta crónica já não me lembro da cor do seu equipamento, tão poucas vezes foi visto hoje em Alvalade.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Astana: No Casaquistão o Sporting tem de mandar nos que lá estão!

Sorteio: quando os extremos se tocam

Calhou em sorte ao Sporting fazer aquela que será provavelmente a viagem mais longa em provas europeias: deslocar-se do extremo sudoeste da Europa até ao transcontinental e longínquo Cazaquistão. Sim, é verdade, é por uma pequena faixa na margem direita do Ural, o rio que separa a Europa da Ásia. A grande parte do seu território fica já no grande continente asiático, onde o país dos cazaques vai recolher uma parte substancial da sua identidade e costumes.

Uma lição de geografia

A única lição que mereça a pena retirar talvez seja a de geografia. Porque a de futebol estima-se que seja leccionada pelo Sporting, pelos diferença de galões. Mas a pior forma de abordar esta eliminatória seja mesmo essa: a da sobranceria de pensar que os galões serão suficientes para seguir em frente. Exemplos ainda bem recentes de que pode não ser bem assim devem por o clube de sobreaviso.

Um pesadelo logístico

Já foram sobejamente citadas as enorme distâncias a percorrer pela equipa para chegar a Astana, uma capital desenhada e construída de encomenda, como só os petrodólares permitem alcançar. Felizmente há já no clube conhecimento de experiência feita, uma vez que no ano passado a equipa de futsal do Sporting se deslocou a Almaty para disputar a respectiva final europeia.

Agora o esforço é acrescido pelo maior número de pessoas a deslocar e onde à chegada  a podem recepcionar temperaturas negativas que só conhecemos de ouvir falar. E quando se diz negativas o plural é amplamente justificado: é comum que quer a máxima e a mínima andem sempre abaixo de zero nos termómetros. 

Pior ainda será satisfazer a necessidade de observação do adversário. Uma tarefa complicada, uma vez que neste momento o campeonato vive a sua pausa de inverno, que é também o final. Este só se inicia em Março e nem sequer se consegue antecipar qual será o plantel adversário porque, entretanto, o mercado voltará a fervilhar e não parece que dinheiro ali seja um problema.

Nem tudo é desvantagem. Quando a eliminatória se disputar os cazaques estarão ainda na pré-época, ao passo que o Sporting estará provavelmente já em velocidade de cruzeiro, provavelmente até já mais equilibrado, se conseguir ser assertivo na reabertura de mercado. E não se pode dizer que o calendário seja particularmente complicado no momento em que as equipas se encontrarão em Fevereiro:

Dia 11: Feirense (c)
Dia 15: Astana (f)
Dia 18: Tondela (f)
Dia 22: Astana (c)
Dia 25: Moreirense (c)

  O adversário, tanto quanto se conhece hoje

A primeira nota de interesse relativamente ao Astana é o facto de o futebol português ser tudo menos desconhecido para o seu treinador. Stoilov, de seu nome, era médio e, em meados dos anos 90, teve uma passagem rápida e discreta pelo Campomaiorense durante duas temporadas. Dividiu o balneário com Beto, Paulo Torres, Jimmy Hasselbaink, entre outros.

A equipa orientada por Stoilov é marcada pela veterania e elevado índice físico atrás. O guarda-redes Nenad Eric (35 anos) tem menos tempo de jogo (10 jogos) na época que o seu colega Alexandr Mokin (24 jogos) mas foi ele o titular nos últimos jogos da actual campanha europeia. Tem quase dois metros de altura, no que é muito bem acompanhado pelos homens que habitualmente pontuam à sua frente, ao centro da defesa: Logvinenko (1,87m) e Anicic (1,92m). Não são contudo um exemplo de fiabilidade. Até os laterais (Shitov e Shomko) não descem abaixo dos 1,85m. Shomko, à esquerda, é indiscutivelmente o melhor dos dois, é rápido e dá bastante profundidade ao flanco.



Na intermediária sobressaem Grahovac (bósnio) e o Maewski (bielorrusso), dois médios defensivos que equilibram, seguram e são muito criteriosos com a bola nos pés. Na frente o jovem Twumasi (23 anos) e o experiente Kabananga (28 anos) trazem a velocidade, imprevisibilidade e fantasia africanas e também golos. Dezanove o primeiro e treze o segundo só este ano, sendo curioso e avisado assinalar que o central Logvinenko tem quatro golos no seu pecúlio e oito para Grahovac, o que é interessante para a sua posição.

O Astana joga habitualmente com quatro defesas, variando depois o número e funções nos jogadores mais adiantados. Mas não hesita em recorrer a um preenchimento diverso quando Stoilov entende ser útil para a sua estratégia. Por exemplo, com o Villareal chamou Egveny Postnikov para o lado dos centrais habituais, jogando assim com 3 centrais, mas sem grande sucesso (2-3). Porém resultou muito melhor com o Macabi em Israel (0-1). É uma equipa que, conhecedora das suas potencialidades, não vive obcecada pela posse de bola, privilegiando as rápidas e venenosas transições para chegar à frente.

Por tudo quanto envolve esta deslocação - a distãncia, o desconhecido, etc - esta eliminatória tem tudo para ser dificil e complicada. Por isso, quando chegar a hora do jogo o Sporting tem de se mentalizar que naquele relvado, no Casaquistão, vai ter que mandar nos que lá estão.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Sporting 4 - Vilaverdense 0: Tempestade Gélson derruba verdura minhota

Tempestade Gélson no lugar de uma sociedade de lentos
A história desta eliminatória ficou definitivamente escrita com entrada de Gélson que, qual tempestade tropical, derrubou toda a resistência minhota. Há de facto um antes e depois neste jogo: no antes imperou uma sociedade de lentos e pouco esclarecidos Ruizes e um inócuo Iuri. Depois, o tal furacão Gélson e sempre, em todo o jogo, um muito eficaz Doumbia. Parece que não mas é preciso saber alguma coisa para saber estar no sitio certo, porque sem isso o trabalho de Gélson a assistir não seria tão facilitado e, logo, tão assertivo.

"Estes jogos são oportunidades, ou aproveitas ou não aproveitas"
A frase é de Jorge Jesus. Nem sempre é muito justo avaliar um jogador que entra sem ritmo para uma equipa sem rotinas como a que iniciou o jogo ontem. Mas é a vida e, nesse sentido, estes jogos acabam por contribuir para a tomada de decisões, especialmente quando o campeonato se apresta a ver aberta a janela de mercado. Do lado dos que não aproveitam o caso de Bryan Ruiz é ligeiramente diferente, porque a sua época até agora também o tem sido. O Alan não consegue sair daquele registo de inutilidade e ausência. Medeiros não consegue justificar as chamadas e o mesmo se aplica a Petrovic, cuja preferência só se justificou ontem pela lesão de Palhinha. Muito interessante e novamente promissora a prestação de Ristowski.

Orgulho minhoto
Muito interessante a proposta de jogo, dentro das suas possibilidades, de António Barbosa. Ajudou a explicar o porquê de merecer a atenção e o titulo de um dos tomba gigantes da prova. E a conferência de imprensa confirmou que o tempo dos treinadores / curiosos mas pouco instruídos nas equipas mais modestas é cada vez mais coisa do passado. Uma palavra de reconhecimento também para os adeptos vilaverdenses que souberam merecer a festa, mesmo sendo esta a meio da semana.

Agora venham as sortes
Boas ou más virão agora as sortes. Algo me faz pensar que Sérgio Conceição ainda tem atravessados aquelas "duas charutadas". Quem sabe não nos encontramos no Jamor...

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Boavista 1 - Sporting 3: Xeque mate da força aérea

Sabia-se antecipadamente que o Sporting seria recebido no Bessa por um Boavista desfalcado de alguns titulares mas quem pensou que por isso iria ser um jogo fácil para nós desconhece que não há jogos fáceis na nossa Liga. O resultado pode até enganar quem não viu o jogo na sua totalidade, pelos três golos marcados, mas para sair do Porto continuando na liderança da Liga o Sporting teve se aplicar a fundo e usar de todas as armas ao seu dispor.

Este jogo acabou por ser um bom exemplo para o cliché das "duas partes distintas". Na parte inicial do encontro o Sporting encontrou sérias dificuldades em impor o seu jogo, muito pela boa organização da equipa de Jorge Simão: Fechando bem ao centro e sem permitir grandes veleidades pelas laterais - Gélson bem tentava, sem sucesso - no nosso momento atacante, condicionava muito bem a nossa saída de bola, onde William não conseguia impor aquilo que de melhor tem o seu jogo. Para conseguir por o rei axadrezado em sentido com o primeiro xeque teria que ser o peão Podence a assistir o renascido Coentrão. Um golo muito bem trabalhado pelo nosso baixinho e que veio na altura certa.

Poder-se-ia pensar que o desfazer do nulo em nosso favor faria com que o Boavista se tornasse mais permeável. Puro engano. E, uma vez que os axadrezados continuaram cheios de cautelas - tão pouco afoitos que quase não incomodavam Patrício  - ao ponto de continuarem a jogar sem referência na frente, as nossas dificuldades mantiveram-se. Ora se não dava com jogadas construídas a partir de trás aproveitam-se os bombardeiros à disposição, figura que não existe no xadrez e que os boavisteiros não conseguiram anular. Só um erro clamoroso de Coates, numa perda de bola imprópria para um jogador de classe, é adiou o inevitável.

Foi nesses dois momentos - dos nossos dois golos finais - que sobressaiu o que foi, quanto a mim, o jogador mais importante para a obtenção da vitória: Mathieu. Foi da cabeça dele que saíram as duas assistências para o implacável Dost. O holandês marcou sempre que teve oportunidade, o que transforma os seus "shity goal" em golos dourados. Ainda no capitulo das referências individuais saliência para Bruno Fernandes, cada vez mais importante no equilíbrio da equipa em todos os momentos do jogo e para o já referido renascimento de Coentrão.

Não posso terminar sem referir o verdadeiro show dos nossos adeptos antes, durante e depois do jogo. Contrariamente ao habitual, não fiquei na mesma bancada, o que acabou por me transformar num espectador privilegiado e impressionado com a nossa força. Como nota dissonante só o excesso nos petardos, especialmente no que caiu aos pés de Patrício. É igualmente digno de nota elevada a atitude do Sporting, em particular do grupo de trabalho, ao não deixaram passar em claro a nossa presença no Bessa sem nos associarmos aos desejos de restabelecimento rápido de Edu Ferreira. O Sporting é isto!

Nota: infelizmente não tenho podido actualizar o blogue como gostaria, pelo que peço desculpa aos leitores. Em minha defesa só posso dizer que se tal não acontece é porque me tem sido completamente impossível.

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