segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Entrevista exclusiva de Bruno de Carvalho ao Record

Sintonia total com William e Slimani

RECORD - Em que ponto se encontra a renovação de William Carvalho? Há ou não dinheiro para deixar o jogador satisfeito?

BRUNO DE CARVALHO – Este dossiê não está atrasado. O Sporting tratou dos processos que eram importantes e urgentes e agora tem uma série de dossiês em mãos, perante os quais os jogadores estão calmos e serenos. É importante conciliarmos tudo isto: a serenidade da equipa, a concentração e o foco nos objetivos. Estes processos de renovação não podem contribuir para a instabilidade da equipa. Naqueles em que nós sentimos que isso estava a acontecer, sobretudo de uma forma emocional, tratámos de os resolver.

R - Está a falar, por exemplo, de Slimani, Jefferson ou Mané?

BdC – E até do próprio João [Mário]. Portanto, resolvemos tudo aquilo que emocionalmente poderia estar a afetar os jogadores. Agora… eu e o William estamos perfeitamente tranquilos perante esta situação. Podem escrever isto, porque o próprio William ficará muito feliz ao ler: eu e o William Carvalho estamos em total sintonia e descansados perante a situação contratual do jogador. Nada mais do que isto.

R - Trata-se de um jogador já falado para vários clubes ingleses... Apesar da lesão, o Sporting recebeu propostas por William Carvalho durante o defeso?

BdC – Nada.

R - Espera conseguir segurar William, pelo menos até ao final desta temporada, beneficiando do que ele pode sair valorizado do Euro’2016?

BdC –Garantidamente! Não sairá nenhum jogador essencial em janeiro. Está totalmente descartada a transferência de jogadores com os quais o Sporting conta em termos de plantel, em função do que são os seus objetivos.

R - Só aceita vender Slimani pelo valor da cláusula [30 milhões de euros], ou há acordo para o deixar sair no final da temporada?

BdC – Não, não, não, não e não. Isso era antigamente, quando se faziam esses acordos por debaixo da mesa. O Sporting não faz essas coisas esquisitas. Não há acordo com ninguém. O Slimani é jogador do Sporting, está satisfeito no clube, renovou contrato há pouco tempo e não há acordo para sair. Não faço a mínima ideia se sairá ou não no final da temporada. Sinceramente, não tenho grande vontade que ele saia no final da época. Slimani está muito satisfeito no Sporting e nós estamos muito satisfeitos com o rendimento dele. Janeiro, zero saídas. Quanto ao final da época… não olho para a saída do Slimani como algo a ser encarado. Mas é como tudo na vida. Até lá ainda falta muito tempo. Desta direção, os sportinguistas nunca vão ter aquelas cláusulas como a do Eric [Dier], que era uma cláusula de um valor, mas depois havia acordos paralelos. Com esta direção as coisas são muito claras e simples: ou tem ou não tem cláusula. O Slimani está muito bem, muito, muito feliz pela aposta que foi feita. Muito feliz por eu não ter cedido à vontade muito grande dele, de ser emprestado a meio da sua primeira época no Sporting. Estava frustrado e triste por não jogar. Tenho a certeza que ele se lembra perfeitamente desses momentos e é por isso que temos uma boa relação.

R - Foi fácil chegar a um entendimento com Slimani?

BdC – Foi, foi. Toda a gente sabe que houve aquela situação pontual entre nós. O Slimani aí percebeu perfeitamente como são as coisas e, desde então, tem sido um jogador muito importante para nós e tem tido um comportamento exemplar. Foi fácil e acho que o próprio Slimani reconhece que eu também fui muito importante no desenvolvimento da sua carreira, quando pessoalmente lhe neguei a saída naquela fase, explicando-lhe as coisas. Agora, quando vê aquilo que atingiu, ele olha para trás e reconhece que esta foi mesmo a melhor opção, e não era aquela que ele queria. Lembro-me das entrevistas sucessivas que o selecionador argelino na altura dava para que ele saísse do Sporting… O Slimani é um jogador satisfeito e daqueles que percebem que o presidente preocupa-se muito com o Sporting, mas também se preocupa com a realidade de cada jogador. Independentemente de ser duro nas negociações, estou sempre muito atento à visão de cada um dos dois lados. O Slimani está calmo e confiante, tal como está o William Carvalho.

R - Esgaio, Carlos Mané e Tanaka, por exemplo, são jogadores para emprestar, na reabertura do mercado, agora em janeiro?

BdC – Não está tomada nenhuma decisão por parte do treinador, relativamente aos jogadores que podem sair ou ser emprestados.

R - Quanto a entradas, tentou mesmo contratar Quaresma?

BdC – [pausa] Não sou sportinguista de há dois anos e meio para cá. Acompanho o Sporting há muito tempo. E quando andei a tirar o curso de treinador, já com o objetivo de um dia vir a ser presidente, acompanhei de perto a evolução do Rui [Patrício], do Adrien, desta miudagem toda. Do Cédric, dos Quaresmas e dos Cristianos. Não sou sportinguista de ontem. Pergunta se não gostaria de ver o Quaresma de regresso ao Sporting? Gostaria. Não o escondo. Mas também sei que ele está bem onde está, compreendo que o Besiktas tenha interesse em valorizar os seus jogadores e, portanto, o interesse do Sporting é sempre algo de relevante. O Quaresma é um jogador que me agrada, é da formação do Sporting, tem características muito interessantes e está, nesta altura, muito mais maduro.

R - E acha que pode trazer o Quaresma para o Sporting?

BdC – Tudo na vida é possível e eu já provei a mim e aos sportinguistas de que há poucos impossíveis... Quem sabe se um dia não se transforma numa realidade o que acabaram por ser os próprios dirigentes turcos a revelar. Por exemplo, ele vai regressar a Alvalade daqui a pouco tempo e vai perder!

R - Para ficar?

BdC – Se o Besiktas não quiser levá-lo de volta para a Turquia, eu fico de bom grado com ele. O Besiktas está à vontade [risos]. E não tenha dúvidas de que disse isso mesmo aos dirigentes do Besiktas. Não tenho medo de o admitir.

R - Disse ao Besiktas que queria contratar Quaresma?

BdC – Não foi bem isso. Disse que, no dia em que eles achassem que o Quaresma não era mais-valia para o Besiktas, que o mandassem para casa, pois eu ficaria muito feliz e contente em poder tê-lo na equipa do Sporting.

Scheloto é mais valia 

RECORD - O que vem Schelotto acrescentar ao plantel do Sporting?

BdC – Essas perguntas são mais interessantes quando feitas ao treinador. Os pequenos retoques que o Sporting tinha para fazer estavam identificados e foram tratados. Estamos muito contentes com o plantel. Basta ver os resultados magníficos que temos feito. Considerou-se que havia necessidade de proceder a algumas melhorias, de forma a ajudar este plantel a fazer ainda melhor. Foi o que fizemos.

R -  Vem para defesa-direito?

BdC – O Schelotto pode fazer todo o corredor. Agora, o Jorge Jesus é que vai decidir o que ele vai fazer. É visto como uma mais-valia para atingirmos os nossos objetivos.

Carrillo? Nesta altura tudo é possível 

RECORD - Ainda é possível chegar a um acordo com Carrillo?

BdC – O que posso dizer sobre o Carrillo é que ele continua a recuperar de uma lesão e que está com um processo disciplinar. Como sempre, no dia em que houver uma decisão taxativa, ou para a direita ou para a esquerda, direi. Até isso acontecer, tudo é possível...

R - Tal como Carrillo, André Martins e Marcelo Boeck estão em final de contrato. Pode explicar as diferenças entre estes casos?

BdC – Estamos todos a conversar, com muita calma, e a tentar chegar a conclusões. Estamos a analisar aquilo que será melhor para todos os envolvidos. Nem o Marcelo, nem o André Martins disseram que não queriam renovar os seus contratos.

R - Disse, numa grande entrevista a Record, que Carrillo não sairia a custo zero. Acredita que será capaz de cumprir esta promessa?

BdC – [pausa] Depende do que entender por custo zero. Não se esqueça do processo disciplinar que está a decorrer… Continuo a achar exatamente o mesmo. Agora, poderá ser é de uma maneira diferente. Continuo a achar que Carrillo não sairá a custo zero.

R - Zeegelaar já é do Sporting?

BdC – Não vou falar nada além daquilo que já foi anunciado…

R - Tem sido noticiado que o Sporting está atento ao mercado em busca de um central. Disse que os alvos estão "definidos e mais do que tratados". O central é uma prioridade?

BdC – Não...

R - Não há posições prioritárias?

BdC – Quando lhe disse taxativamente que não, disse-o de forma consciente. Isto, claro, a não ser que surja um negócio fantástico. Gostamos dos nossos centrais, mas não fechamos a porta a bons negócios. Há alvos identificados e tratados, mas não estamos compradores.

R - Já melhorou as condições salariais do Paulo Oliveira, ainda é cedo ou desnecessário?

BdC – Todos nós temos de ir dando passos se guros na vida. O Paulo é um excelente jogador. E isto não é segredo nenhum: foi opção minha, pois na altura não havia treinador. Não tenho a mínima dúvida de que se continuar a evoluir e a afirmar-se , possivelmente no próximo ano falarei com ele. Agora… calma.

R - Então também assume a contratação do Slavchev...?

BdC – Sem problema nenhum.

R - Arrepende-se dessa escolha?

BdC – Nada. A capacidade que o Sporting tinha para contratar não é igual à de agora. Atualmente, podemos fazer apostas mais certeiras. Temos a possibilidade de ir buscar jogadores que nos dão mais garantias, até pela idade e pelo currículo. Slavchev foi a escolha possível.

Bruno César foi "afinação" pedida por Jesus

R - Bruno César foi um pedido expresso de Jorge Jesus?

BdC – Claro que estas afinações têm sido a pedido do treinador. Isto para não fugir a nada. Por coincidência, o Bruno César era um jogador que tinha sido referido na primeira vez em que me candidatei à presidência. Trata-se de um elemento que Jorge Jesus conhece muito bem. É muito polivalente e o Jorge [Jesus] gosta desse género de jogadores. Mais uma vez, aquele pequeno retoque que foi considerado importante para este mercado de inverno...

Labyad? Para dançar é preciso haver vontade dos dois

R - Entende que vai conseguir resolver em janeiro os casos de Labyad e Viola?

BdC – Na vida tudo tem uma solução quando todos querem que isso aconteça. Tem de haver vontade dos dois de dançarem. Tudo se consegue, se houver vontade de ambos em caminhar no mesmo sentido. A Labyad e Viola, já lhes ficou claro que não contam para o projeto desportivo de Jorge Jesus e têm de tomar decisões para o futuro das suas carreiras. Os anos passam e têm de tomar decisões. Ponto final. Se estivesse na situação deles, de certeza absoluta que não estaria contente a jogar na 2.ª divisão do campeonato português. Ambos têm mercado, isto caso tenham vontade progredir nas carreiras.

Não gostamos de perder nem a feijões

R - A vitória em Moscovo deixa o Sporting numa boa posição para garantir o apuramento na Liga Europa. Contudo, nota-se alguma falta de "entusiasmo" de Jorge Jesus por esta competição...

BdC – A nossa concentração está nas competições portuguesas. Ponto. Mas nem eu nem o Jorge Jesus gostamos de perder, nem ao berlinde! É nessa perspetiva que ele fala em ‘mais problemas’. Há uma série de jogos, todos uns em cima dos outros. Quando o Jorge Jesus fala nisto, está a dizer que tem de ultrapassar um desafio. E é magnífico ver a forma como os encara e supera. Quando ouço aquele discurso, não fico preocupado, fico entusiasmado.

É ainda mais importante ser campeão esta época

RECORD - Não ganhar o título esta temporada seria um rude golpe na estratégia que delineou para o futuro do Sporting?

BdC – Já todos perceberam que o foco está na conquista do título desta temporada. Não vamos estar com rodeios nesse aspeto.

R - É mais importante para o Sporting ser campeão esta época do que no passado recente?

BdC – Para o Sporting é sempre importante ganhar o campeonato, mas este ano é ainda mais importante para cimentar todo o trabalho que temos feito. O Sporting não pode estar sem ganhar o título durante tanto tempo. É assim que se alimenta uma marca. É assim que se alimenta a história e a capacidade de crescimento de um clube. Esta época há três condicionantes especiais: o Sporting estava num caminho para criar condições para, de uma forma regular, vencer a Liga. Chegou a hora de apontarmos à meta do campeonato de uma forma mais efetiva. Em 2.º lugar, o treinador. Dá outra capacidade em termos de competência, de ‘know-how’ e até da própria fé e movimentação da esperança das pessoas. E, por último, o investimento que fizemos este ano no reforço da equipa. Fizemos uma aposta muito grande, porque não se consegue consolidar a estratégia de equilíbrio financeiro e organizativo, de fazermos valer as nossas ideias para o desporto, da luta pela verdade desportiva, se não conseguirmos mostrar grandeza através de títulos conquistados.

R - Se não ganhar o título, haverá retrocesso nesse caminho?

BdC – Se não ganharmos o título será, de facto, um objetivo muito grande não cumprido. Mas não haverá retrocesso. Foi como não termos entrado na Liga dos Campeões. A nível financeiro era muito importante, mas não é por isso que viramos as costas e que abandonamos os nossos objetivos. Não tenho dúvidas de que continuaremos o nosso crescimento. Há uma ou duas décadas que não ouvia dizer que o plantel do Sporting era o mais valioso. Temos orgulho nisso. O futebol que está a começar a surgir… Já em vários jogos notamos uma evolução tremenda daquilo que são as ideias do treinador e da própria forma como os jogadores interpretam essa ideia. Isso dá-nos esperança, mas temos de ter os pés assentes na terra. Estamos em 1.º lugar nesta altura, mas é mais importante estarmos em 1.º no fim. O Sporting não pode ganhar de dez em dez anos.

R - Foi uma questão muito debatida quando Jesus era treinador do Benfica: o mérito é exclusivo do treinador ou da estrutura?

BdC – O Jorge Jesus é um excelente treinador. Mas também não o precisava de dizer, pois é do domínio público a noção de que o Jorge é um treinador especial. Domina a ciência do futebol de uma forma quase ímpar. Desde que chegámos ao Sporting, temo-nos esforçado muito para criar alguma consistência naquilo que são todas as operações que se vão relacionando com o futebol. A estrutura não é mais do que isso: são pessoas, processos, filosofias, metodologias. É, sobretudo, conseguirmos olhar para um todo e que esse todo trabalhe em conjunto para um objetivo comum. O Jorge Jesus veio ajudar nisso com todo o seu ‘know-how’, veio ajudar a completar um processo que já estava em marcha. Ele, realmente, tem sido uma peça absolutamente fundamental naquilo que têm sido os resultados esta época.

R - Este balanço positivo no conjunto dos dérbis tem estado muito focado em Jorge Jesus. É redutor para um clube como o Sporting ou natural depois da transferência?

BdC – O Sporting não passa, de repente, de um estado quase depressivo, pré-falência e acomodação para um estado de equilíbrio, onde há novamente alegria e esperança. Isto tem tudo a ver com pessoas, com competências, com ‘know-how’, com graus de exigência, com filosofias. Jesus, a nível de treinador é tudo isto. O Jorge Jesus chegou como a cereja no topo do bolo. Veio trazer para dentro do futebol tudo aquilo que é o nosso raciocínio e tudo o que é o nosso caminho. A oportunidade para contratar Jesus – algo impossível há dois anos – acabou por calhar numa altura boa, porque o Sporting tem vindo a fazer um trabalho de contenção, reequilíbrio e organização muito grandes e o Jorge [Jesus] veio cimentar este crescimento. Não temos dúvida nenhuma de que há uma mão muito grande nesta transformação. Dou um exemplo claro: a forma como os jogadores encaram os grandes jogos é um sinal evidente de uma mudança grande de mentalidade.

R - Provocada por Jesus...

BdC – Sem dúvida! Os jogadores sentem-se com outra confiança, com outra força e mentalidade. É isso que ele nos traz. Quando trabalhamos com alguém que é um vencedor por natureza, isso traduz-se na forma como nos comportamos. O Jorge tem todo o mérito, pois conseguiu, em pouco tempo, colocar o Sporting a fazer aquilo que nós ambicionávamos: encarar os jogos com uma mentalidade vencedora. É justo tudo aquilo que se possa dizer do Jorge Jesus enquanto elemento importantíssimo para esta transformação no futebol do Sporting.

Jesus? Um dos grandes treinadores mundiais

R - Jesus traz a si a responsabilidade de ‘ressuscitar’ o Sporting. Houve três anos de BdC para trás e outros dois técnicos. O que ‘correu mal’?

BdC – São processos de evolução distintos. Quando começámos, era impossível termos o Jorge Jesus ou um plantel com esta dimensão. Basta ver a reação da comunicação social: este foi o primeiro ano em que não foi necessário dizer que o Sporting era candidato. Quando se falou em Jesus, disseram imediatamente que o Sporting estava na luta!

R - Jorge Jesus é melhor treinador do que Leonardo Jardim ou Marco Silva?

BdC – Estamos a falar de alguém que é um dos grandes treinadores mundiais da atualidade. Basta verificar o currículo fantástico que ele tem, inclusivamente em equipas de dimensão menor que a do Sporting ou do Benfica. Não me agrada nada fazer essas comparações. São fases diferentes, treinadores diferentes. Mas quanto ao Jorge Jesus... Conseguiu colocar o Benfica de novo na ribalta. Tem esse mérito e é esse o trabalho que esperamos que ele faça.

R - Nessa "simbiose" que já falou entre presidente e treinador, já houve divergências estratégicas?

BdC – ‘Divergências estratégicas’ é muito forte... Isso não! Conversamos muito, discutimos e temos as nossas visões. Muitas vezes, temos de conversar sobre elas. Mas isso não tem nada a ver com estratégia. O Sporting é um clube que quer ganhar, mas que quer chegar ao 1.º lugar com regras bem definidas. Estrategicamente nenhuma divergência, mas sempre a debatermos as nossas ideias.

Benfica queria Jesus fora de Portugal

R - Jorge Jesus é muitas vezes acusado de falar constantemente do Benfica. Isso incomoda-o ?

Bruno de Carvalho – É quase impossível isso não acontecer [pausa]. Isto é um assunto, de facto, mal digerido por parte do Benfica. É por demais evidente que havia uma estratégia delineada para a saída do Jorge Jesus de Portugal. Mas isso não aconteceu! O Benfica começou numa estratégia de ataque tremendo a alguém que é – e eles sabem isso – um ganhador, profissional, competente, um estratega e um elemento de grande valia.

R - O Benfica teme Jesus?

BdC – Eles sabem o que ele pode fazer no Sporting. Começou pelas ameaças de processo por ter visitado a Academia. Depois a história dos SMS. Tentaram transformar a saída como se fosse uma traição do Jesus à nação benfiquista, quando ele fez uma coisa perfeitamente normal: tomou uma decisão perante a vontade clara do Benfica em não continuar com ele. O tempo vai diluindo as coisas. Percebo perfeitamente que são seis anos. Percebo o que os dirigentes do Benfica estão a passar. Tem-se visto que Jesus, através da sua competência, consegue resultados. Espero que o Benfica se concentre nas suas necessidades e preocupações e cada vez menos em Jesus.

R - Está a contar com isso?

BdC – Vai ser inevitável andarmos a época toda a falar disto… Do outro lado há uma falha de perceção estratégica. É mais do que evidente que esta atuação de conflito é algo que é traduzido, quer por parte do Sporting quer por parte do Jorge Jesus, numa força adicional. Portanto, tudo isto tem servido de estímulo. Por isso, acho que os erros [do Benfica] vão sendo sucessivos. Se estivesse daquele lado – não estou, não quero estar e nunca quererei estar –, estava muito mais preocupado com o que devia fazer no grande processo de alteração que tenho pela frente. Disse-o quando cheguei ao Sporting. Os nossos rivais vão ter de passar por processos similares aos que já ultrapassámos. Tudo tem o seu ‘timing’. O facto de o Sporting ter sido o primeiro não foi questão de estratégia, mas sim de necessidade pura. O clube estava em pré-falência, tinha de mudar. Mas havia que aproveitar esse tremendo contratempo.

R - No final do dérbi da Taça, Jesus e Bruno de Carvalho deram um longo e aparentemente sentido abraço. O que se pode ler daquele momento?

BdC – Uma cumplicidade enorme. Estamos no início deste processo, mas sabemos claramente o que temos pela frente e a dificuldade dos objetivos a que nos propusemos. Une-nos uma grande amizade, sentimento que aumenta à medida que nos vamos conhecendo melhor. Conciliamos dois feitios e dois caráteres muito fortes e vincados.

R - Na Taça de Portugal, depois do Benfica, agora o Sp. Braga... O Sporting é favorito?

BdC – Em jogos a eliminar as coisas são sempre complicadas. Não posso dizer que não, pois considero sempre o Sporting favorito em tudo. Saiu o Sp. Braga. Com jogos de três em três dias, este não é o adversário ideal. Mas estamos confiantes e queremos passar.


Castigo a Naldo é justo, mas...

R - Que comentário lhe merece a forma como o processo a Naldo foi conduzido pelo Conselho de Disciplina da FPF?

BdC – Acho que o Naldo não devia ter reagido daquela forma e acho que o castigo de um jogo é justo. Ponto. Dizendo isto, tenho de realçar o seguinte: esta falta de definição do que é importante no futebol, do que pertence ou não ao jogo... Se for um jogador tem uma relevância, se for um treinador tem outra… Mesmo gostando do Lito Vidigal, acho engraçado que seja mais grave um ‘chega para lá’ de um indivíduo que está a exercer a sua profissão, do que um elemento estranho entrar dentro do jogo. Isto é inacreditável! Depois dizem-me: o futebol não pode mudar, porque perde a essência. O futebol tem de rever algumas das suas regras.

R - Mas neste caso do Naldo, depreendo que tenha ficado satisfeito com a decisão, correto?

BdC – Certo. Mas ninguém percebe como é que um treinador leva uma multa de 40 euros por ter invadido o terreno de jogo e um jogador que dá um ‘chega para lá’ em alguém que estava a mais, seja castigado. Se vir de forma isolada o lance, Naldo, um jogo, perfeito. Se vir o conjunto, tenho de achar aquilo que toda a gente acha: que é ridículo em termos de proporção.

Queixa contra Slimani é retaliação pelas três derrotas 

R - Depois do silêncio perante as críticas e acusações lançadas pelo Sporting, o Benfica só agora respondeu. Rui Vitória falou na ‘tática do barulho’; Rui Costa e João Gabriel seguiram-no. "Fazer barulho" ajuda a ganhar jogos?

BdC – Primeiro, é preciso fazermos uma distinção do que é o silêncio. Se estivermos a dizer que eu, a nível do Sporting, sou muito mais interventivo, disso não há dúvidas. Agora, se há coisa que o Benfica não tem feito é silêncio. Pode ser utilizando antigos dirigentes ou comentadores bem documentados. Pode ser através de comunicados, twitters ou facebooks… Pode ser através da situação criada à volta do Jesus ou das SMS; pode ser através das as acusações feitas nos programas pelos comentadores que estão alinhados com o clube. Cuidado com a situação de o Benfica não fazer barulho... Às vezes, não parecendo, faz-se muito mais barulho do que o Sporting.

R - Mas estava a referir-me a uma reação direta do Benfica…

BdC – Mas isto são tudo reações diretas! O que pode dizer é que, por uma questão de estratégia, as coisas são diferentes. A estratégia de Luís Filipe Vieira era entrar nos programas aos pontapés. Se calhar, houve aqui uma necessidade de colocar outras pessoas a falar em nome do Benfica. Mas isso é uma questão muito interna do Benfica. Independentemente da minha forma contundente de ser e de estar, ainda não entrei em nenhum programa aos pontapés; portanto, ainda não há a necessidade de eu desaparecer. Isto não é barulho, pois não foi o Sporting que fabricou uma caixa e meteu lá uma camisola e uns ‘vouchers’ com idas ao Museu do Benfica e a um restaurante. Quer outro exemplo? É de lamentar que as notas dos árbitros que arbitram o Sporting sejam as únicas que saem cá para fora...

R - Por que é que isso acontece?

BdC – Isso é que é barulho ensurdecedor. Isso é que é fazer barulho pela calada. Mostrei uma caixa e pedi para verificarem. Outra coisa é saírem as notas e sair sempre o porquê. Isto é manipular sem ter a coragem de dar a cara.

R - Mas acha que essa é uma estratégia do Benfica?

BdC – É uma estratégia clara de condicionamento.

R - Do Benfica?

BdC – Não sei se será do Benfica. Mas há aqui uma tentativa tremenda de condicionar a arbitragem. E o Sporting é o alvo. Há, de facto, uma tentativa de se jogar fora das quatro linhas.

R - Teme que este caso seja arquivado e que acabe por cair no esquecimento?

BdC – O futebol português continua a embirrar em jogar fora das quatro linhas. Se todos têm razões de queixa, venham assinar a proposta do Sporting. Vamos dar a cara pelo videoárbitro!

R - Por que é que existe tanta resistência ao videoárbitro?

BdC – Porque é mais fácil.

R - Jogar fora das quatro linhas?

BdC – Com certeza.

R - Mas porquê?

BdC – [pausa] Há dois caminhos para lhe poder responder a essa pergunta. Ou porque há malícia ou então é aquela história do escorpião e do elefante. Um elefante vai passar um rio e o escorpião pergunta-lhe se o pode levar com ele. O elefante responde: "Não te vou levar porque tu vais picar-me e assim morremos os dois". O escorpião responde: "Não! Não! Então eu sou maluco?". Chegaram a meio do rio e o escorpião picou o elefante. "Então, assim vamos morrer os dois!". E o escorpião responde: "É mais forte do que eu." Acho que no futebol português as coisas funcionam assim. Estamos a falar de pessoas que estão há muitos anos no futebol. Sempre se jogou muito fora das quatro linhas. Alterar isso é alterar uma lógica de procedimento. O que seria o futebol com o videoárbitro? O futebol continua a ser muito jogado fora das quatro linhas. Desde que cheguei que tenho denunciado isso.

R - E já que fala nesse jogo fora das quatro linhas, a pergunta é direta: Slimani agrediu Samaris?

BdC – Deixe-me dizer-lhe uma coisa: o Sporting apresentou uma série de queixas…

R - Por isso é que estava a falar-lhe do jogo fora das quatro linhas…

BdC – Mas lá está! Nós não somos hipócritas. Publicamos a nossa visão sobre os lances. Não criamos vídeos hipócritas e lançamos na internet. Você vê imagens de jogadores a darem estalos e socos na cara de jogadores do Sporting! Está a falar de uma jogada do Slimani com o Samaris... que é perfeitamente corriqueira.

R - Mas acredita que o Slimani pode ser suspenso?

BdC – Se aquilo dá para suspensão, então metade da equipa do Benfica era suspensa. A imagem que vemos do Slimani, vamos vê-la toda ou só um ‘frame’ específico? Aconteceu antes ou depois? Quando se vê uma imagem do Eliseu a dar um estalo a um jogador do Sporting, como é? Vemos essa imagem ou vamos ver tudo? Se nós entramos por aí... E lá está, mais uma vez foi o Benfica a fazer uma queixa…

R - Se o Benfica não tivesse feito a queixa, o Sporting também não teria apresentado as queixas contra cinco jogadores do Benfica?

BdC – Não queremos utilizar subterfúgios para arranjarmos formas de vencer jogos e campeonatos. Não há dúvida nenhuma que aquela queixa que o Benfica faz contra o Slimani é uma retaliação pelas três derrotas. Sei que é complicado de digerir… E também porque o Slimani é um jogador importante para o Sporting. Seria uma forma de condicionar. Se calhar, um novo caso Hulk, com as devidas separações. Tudo isto é tão ridículo, que volto a dizer: em vez de estarem com estas atitudes ridículas, convido os clubes a assinarem a proposta do videoárbitro do Sporting e a maior parte destas situações ficam resolvidas.

Artur Soares Dias? Tem de haver bom-senso

R - Como analisa a nomeação de Artur Soares Dias para o jogo com o Belenenses?

BdC – Fico espantado quando olho para as capas dos jornais que dizem "Bruno de Carvalho condiciona a arbitragem" e, de repente, vejo um árbitro a ser escolhido para o jogo do Sporting, um árbitro que já me expulsou esta época [no Bessa] e cujo processo ainda está no Conselho de Disciplina. Tem de haver bom senso. Não tenho a responsabilidade de defender terceiros. O que quero dizer com isto? Sou presidente do Sporting, não sou um árbitro. Sou tendencioso. O meu dever é defender o Sporting. Um árbitro não pode ser tendencioso. Tem de defender todos. Podem fazer-me os processos que quiserem enquanto presidente do Sporting, mas não me vão calar. Não vou deixar de dizer aquilo que acho serem coincidências a mais.

Não se ganham campeonatos no Natal

R - O Sporting lidera o campeonato e parece firme nesse papel. Conhecendo tão bem a equipa e o treinador, acha que está dado um grande passo para atingir o tão desejado título? Jesus disse que se chegasse ao Natal nos primeiros lugares... o Sporting era um candidato forte.

BdC – Mas ainda não chegámos ao Natal… Ainda faltam muitos jogos, daí essa preocupação.

R - Dezembro será, então, importante neste aspeto?

BdC – Independentemente de chegarmos ao Natal em 1.º ou não - e aí Jorge Jesus tem muito mais experiência do que eu - acho que o Sporting terá de ser muito forte, muito humilde e muito aguerrido durante a época toda. Claro que não sou daqueles que têm a teoria de o peso de estar na liderança é terrível. Nada disso. Estar à frente é ótimo. O Sporting terá de ser muito consistente até ao final do campeonato. Até maio, tem de haver concentração, vontade, humildade, crescimento, tudo de uma forma constante. Não se ganham campeonatos no Natal. O Sporting não quer ser campeão de inverno: quer ser campeão nacional. Não podemos dormir à sombra da bananeira por estarmos em 1.º lugar. Com dois ou três jogos menos conseguidos, podemos perder a liderança.

Caixa é assunto que queima

R - Não esperava uma intervenção mais ativa de Pedro Proença no assunto das caixas do Benfica?

BdC – Já tive a oportunidade de dizer ao Pedro Proença o que achava. Ele agora é presidente da Liga. Tem de se afastar das questões da arbitragem. Seja como for, não se pode afastar dos interesses dos clubes. Considero o que ele disse como uma frase infeliz, porque as caixas não são um ‘fait divers’. Tem de ter posição clara pela modernização do futebol português. Entendo que este é um assunto que ‘queima’, mas temos de ter a coragem de dizer que estes comportamentos não são corretos. E quando acontecem, devem ser punidos. Se, em Itália, a Juventus desceu de divisão, por que é que aqui isso não acontece?

R - Sentar-se no banco não faz de si um alvo demasiado acessível para quem o queira ‘castigar’? Se estivesse na tribuna, não estaria mais ‘blindado’?

BdC – Quando estou no banco, estou como delegado; não estou como presidente. A única coisa que aceito é que me castiguem enquanto delegado. Vejo um ‘vermelho’? Expulsam o delegado, mas jamais vão calar o presidente! Quero ver quem é a pessoa que me cala... Sou dirigente porque fui eleito. Tenho, por isso toda a liberdade para exercer este papel. Ponto. O que acontece? Mais uma vez, a tal falta de visão estratégica. A vontade de me tirarem dali é tão grande, que mais vontade tenho de lá ficar. Lá está outra vez a visão estúpida. Atacam o Jorge [Jesus] e ele fica com mais gás; atacam-me a mim, e eu fico com mais gás; querem tirar-me do banco e eu mais vontade tenho de lá ficar. Portanto… não há dúvida nenhuma de que ao fim de quase 3 anos as pessoas continuam a insistir nos mesmos erros. Já devo ter dezenas de processos. Vou continuar a denunciar o que tiver para denunciar, mesmo percebendo que as instâncias nada fazem. Já denunciei coisas com muita gravidade e os processos têm dado zero. O processo em que o presidente do Benfica me convida para fazer uma aliança e em que ganhava um, ganhava o outro [o campeonato]: zero. A contratação do Brahimi: nada. Mostrei a situação das caixas: toda a gente condena na surdina, mas vamos ver o que vai dar.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A minha primeira grande discordância com Jorge Jesus

Nota introdutória:
Infelizmente não tenho conseguido actualizar o blogue como sempre foi hábito. Tal não significa um menor empenho ou desrespeito para com os leitores, em particular com aqueles que se tornaram visitantes assíduos. Ao contrário do que possa parecer esta actividade, sendo um hobby, pode por vezes tornar-se desgastante. Por isso, quando as exigências profissionais e pessoais assim o impõem, as minhas atenções sobre o Sporting diminuem, tendo consequência a redução de produção. Espero em breve poder retomar a publicação periódica.

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No lançamento do jogo de Moscovo, na habitual conversa com os jornalistas, Jorge Jesus voltou a lembrar que as prioridades do Sporting, neste momento, são as competições nacionais. Não o tendo afirmado, é claro para todos que à cabeça está a conquista do campeonato, obviamente. Mas JJ foi ainda mais longe quando afirmou que a Liga Europa "não é a melhor para recuperar o que há muito o Sporting não tem". Não podia estar mais em desacordo, o que fundamentarei a seguir.

Em primeiro lugar não é demais recordar que não foi assim há tão pouco tempo que o Sporting esteve numa final da competição e ainda há menos tempo chegou à meia-final. Não é o mesmo que vencer a competição mas também não são tantos clubes assim que no decurso deste curto século se possam gabar de o ter conseguido e os que os podem fazer são nomes importantes no cartaz do futebol europeu. 

Por outro lado, se o objectivo é restaurar o prestígio internacional o Sporting não se pode dar ao luxo de abdicar das oportunidades que lhe aparecem pelo caminho. Ou pode um subnutrido dar-se ao luxo de escolher o menu da próxima refeição?

O futebol é demasiado contingente para se poder adivinhar qual a competição que será mais fácil de conquistar, de entre todas as que participa. Quem pode afirmar que, de entre todas, a Liga Europa é menos fácil e menos prestigiante vencer que, por exemplo, o campeonato nacional ou a Taça de Portugal? Como podemos saber que colocar os ovos todos no cesto do campeonato vai pagar mais, negligenciando de todo a competição da UEFA, escusando sequer a gestão das expectativas em função do jogo que se segue?

Já ontem, no final do jogo, JJ reconheceria que a possibilidade de qualificação lhe acarreta um problema na tomada de decisão relativamente à gestão dos jogadores para os compromissos consecutivos com o Besiktas (LE), Moreirense (campeonato) e Braga (Taça de Portugal). JJ deixou no ar que as possibilidades agora acrescidas de qualificação o impediriam de, à semelhança do que fez anteriormente, abdicar dos melhores para, dessa forma, ter, por via de maior descanso, os jogadores mais importantes com maior disponibilidade física e mental. Ora isto é desperdiçar o ensinamento mais relevante do jogo (resultado e exibição) de ontem.

Ao contrário do jogo com o Skenderbeu, onde, dos habituais titulares, apenas Adrien e Patrício jogaram, ontem JJ incluiu, além do já referido Adrien, Naldo, Ewerton, João Mário e Bryan Ruiz. Ora isto é completamente diferente de jogar com uma equipa onde nove jogadores não jogam com regularidade, não tendo por isso a rotina nem o ritmo dos os que o fazem habitualmente. Isto não esquecendo a importância que as diferenças de qualidade individual e experiência aportam ao jogo colectivo.

Tudo isto serve para dizer que concordando com a importância relativa de cada competição, onde à cabeça está a conquista do campeonato, a gestão do esforço dos jogadores é perfeitamente possível, desde que não seja levada ao extremo, como aconteceu com o Sekenderbeu, com os resultados que se conhecem. 

O modelo radical então usado é pernicioso para todos porque, se as derrotas são inevitáveis, as que surgem de forma próxima da humilhação carregam um potencial negativo onde é mais fácil florescer a dúvida do que a segurança. Num plantel carregado de jovens jogadores isso é um aspecto que tem de ser gerido com o maior cuidado.

A resposta ontem dada por Gélson (sobretudo) e Matheus seguramente que não surgiu do acaso. Rodeados de bons jogadores como Montero, Ruiz, Adrien e João Mário, devidamente respaldados por Ewerton e Naldo, as possibilidades de mostrarem o inegável talento que possuem aumentam exponencialmente, ao invés de terem os seus nomes inscritos num rol de meninos à procura da afirmação.

domingo, 22 de novembro de 2015

Não há duas, sem três…

Foto: Jornal de Notícias


Não há duas sem três ou à terceira é de vez?

O resultado ditou qual dos ditos populares se impôs ontem em Alvalade. Mas, mais do que o resultado - que termina com uma justíssima vitória da equipa que mais ambição demonstrou durante os 120 minutos de um derby escaldante -, foi a exibição leonina, marcada por um antigo mantra televisivo da Santa Casa da Misericórdia: “insiste, insiste, insiste” até que saiu o prémio quase no limiar do resultado do jogo se decidir através do ‘totobola’, isto é, desempate através de remates a partir da marca de grande penalidade. Não há dúvidas: este Sporting de JJ é feliz, tem sorte, ganha sistematicamente ao rival histórico e fá-lo com categoria. Nos três jogos que já levamos esta época contra o Benfica, a superioridade leonina, mais nuns casos que noutros, foi sempre evidente.


Um conjunto de 11 jogadores ou uma equipa?

Ao contrário do que Rui Vitória faz crer com os mind games com que, também ele, insiste em se envolver com o mestre da táctica, o que mais se destaca nesta equipa do Sporting é precisamente isso: o espirito de equipa que o Sporting apresenta. Sempre mais coesa, mais conhecedora do que necessita fazer para cumprir com o seu objectivo e, por arrasto, a que apresentou sempre mais vontade de ganhar, ou “fome de vencer” só para usar o jargão futebolístico habitualmente usado para registar a superioridade táctica e estratégica evidenciada por uma equipa face a outra.

E novidades?

Claro que há… até porque “não existem dois jogos iguais”, certo? Ontem, houve em Alvalade. Faltava observar o Sporting em desvantagem perante o rival. O Benfica conseguiu finalmente marcar um golo ao Sporting de Jesus e cedo colocou-se em vantagem. Perante esse facto ficava a dúvida de ver como reagiriam os jogadores leoninos e o que se viu foi uma equipa igualmente madura e confiante. “Estamos muita fortes, portantes”…

Espirito de Peyroteo


Parece que pairou ontem por Alvalade, no relvado e nas bancadas também. Uma vontade indómita apoderou-se do povo verde e branco e transformou o estádio num vulcão de lava esmeralda. Que este espírito popular se una com o que a equipa já apresenta e o prolongue é o que se deseja, com os pés sempre bem assentes no chão e a cabeça fria.

É este o caminho. Se fosse fácil, não era para nós

O Sporting deu ontem uma demonstração avassaladora da sua actual superioridade colectiva relativamente ao seu eterno rival. Ficam um punhado de notas breves sobre o derby:

- Vergonhosa atuação das claques do SLB durante o minuto de silencio, como que a profetizar que nem no relvado nem fora dele se poderia esperar ter um adversário a altura das suas responsabilidades.

- Começo infeliz por parte do Sporting, a ver a sua baliza violada num lance de infelicidade de Patricio e de muita azelhice parcimoniosa na forma como consentimos o golo, quando podia ter inaugurado antes o marcador.

- Ainda não tinham decorrido 15 minutos de jogo e já o adversário recorria a tudo á sua disposição para quebrar o ritmo de jogo e queimar tempo, o que diz muito de como reconhecia a nossa superioridade.

- Os lances de maior perigo para a nossa baliza surgiram mais como demérito nas nossas acções defensivas do que por mérito do adversário.

- O volume de construção de jogo ofensivo não teve reflexo nem na construção de oportunidades nem estas, quando conseguidas, foram pouco aproveitadas, daí o jogo ter ido para prolongamento, quando poderia ter sido resolvido mais cedo.

- É de assinalar o facto de JJ não ter podido mudar quase nada na equipa,  quando alguns jogadores - Ruiz e João Mário, por exemplo - já pediam descanso, ou quando o jogo precisava apenas de um golpe de misericórdia.

- Realce para o comportamento sereno da equipa perante um resultado escasso e que acentuava a dúvida sobre o desfecho final. Um sinal de maturidade e segurança que deve merecer destaque.

- Ewerton deu ontem uma demonstração pertinente quer da sua importância para a nossa segurança defensiva, quer do seu baixo grau de fiabilidade, logo num momento em que o jogo se encaminhava para a decisão.

- Ambiente feérico em Alvalade, digno dos melhores registos de sempre no apoio a equipa, ensombrado pelo atraso provocado pela revista aos adeptos a entrada. Na altura indignei-me, agora, de cabeça fria, talvez seja a altura de encarar como inevitável, que o que está a acontecer no mundo vai voltar a mudar os nossos hábitos, mesmo num país de brandos e serenos costumes como é o nosso.


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Mais uma mudança no Schelotto

O namoro do Sporting com Ezequiel Schelotto, que pelos vistos se iniciou ainda pelo calor do verão, acabou por dar em casamento agora com os dias mais curtos e quando se anuncia a chegada do frio. Não havendo propriamente uma grande surpresa no desfecho em si, não deixa de ser digno de interrogação o facto de um jogador livre e com um curriculum não negligenciável - passagens por clubes como Atlanta, Inter de Milão e o agora desgraçado Parma - como o é este jogador italo-argentino ter demorado tanto tempo a arranjar clube. O prolongado tempo de paragem será, porventura, o principal obstáculo que Jesus e o jogador terão com contornar até este poder ser considerado uma mais-valia. 

O que pretende Jorge Jesus deste "médio volante"? Que faça a lateral-direita do quarteto defensivo ou encarregá-lo-á de missões mais adiantadas no terreno? Provavelmente aproveitará a multi-funcionalidade de Schelotto, consoante as necessidades da equipa ditarem, parecendo-me mais provável a primeira das possibilidades, uma vez que o jogador está longe de ser portento de técnica, importante na criação de desiquilibrios nas zonas super-povoadas das equipas adversárias. É contudo um jogador rápido, forte fisicamente e de estatura considerável (1,87). A sua rapidez, associado ao perfil esguio, valeu-lhe a alcunha de "galgo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

"Quando o vi, percebi que íamos ser campeões"

Fui um dos muitos privilegiados que teve oportunidade de ver Peter Schmeichel jogar de leão ao peito. Lembro-me perfeitamente de, numa qualquer manhã de Junho de 1999 ler "a primeira" de "A Bola", e pensar tratar-se de uma brincadeira. Lembro-me ainda da fotografia de Dias Ferreira e Paulo Abreu a ladeá-lo, durante as negociações. Depois, há medida que o dia avançou, com a confirmação, a incredulidade da noticia deu lugar à ansiedade do dia de o ver jogar ao vivo. 

Ainda hoje estou para perceber o que o levou a vir até à periférica Lisboa, isto para quem estava habituado a pisar o centro dos palcos do futebol europeu. Mas tenho a certeza absoluta que não foi apenas o sol e o bom peixe, em jeito de reforma antecipada. Schmeichel era não apenas enorme fisicamente, o alto do seu 1,93 era até pequeno para acoitar o animal competitivo que tinha dentro de si. Tudo nele era vontade de ganhar, de fazer sempre melhor. Era isso que se adivinhava quando se olhava para ele em todos os gestos, era um líder e um dos melhores de sempre na sua posição.

Não terá sido por acaso que logo após a sua contratação, o então presidente José Roquette ter disparado: "Vamos ser campeões, assinamos com o Peter Scheichel!" O mesmo pensou o então embaixador inglês em Lisboa (onde se tornou um Sportinguista ferrenho, como qualquer um de nós) quando o avistou num supermercado em Cascais e ficou convencido que o campeonato era nosso:

«Vi um tipo enorme [abre os braços], a comprar o leite e o pão. Não era só alto, era mesmo enorme. Era o Schmeichel e percebi, nessa altura, que tínhamos hipóteses de sermos campeões»
Schmeichel completa hoje cinquenta e dois anos de vida e um par deles foi passado a cumprir os sonhos de muitos Sportinguistas. Foi com ele que terminámos o maior ciclo sem campeonatos da história do clube, que culminou numa verdadeira festa nacional vivida em todos os cantos do mundo. Aquela viagem pela Autoestrada do Norte foi uma demonstração da grandeza, que não sairá jamais da memória de um dos momentos míticos da história do nosso clube.


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Mercado: o direito ao nosso badocha e Marvin para Zee(za)glaar à esquerda

O Sporting não esperou pela abertura do mercado para ir em busca de reforços, sendo já conhecidos dois novos nomes para acrescentar ao plantel: Bruno César e Marvin Zeeglaar. Dois nomes e dois estatutos diferentes, quase opostos. Não parecem estar dúvidas com esta antecipação que a aposta na busca do título deste ano é total.

O brasileiro tem já nome firmado no futebol, com passagens por clubes importantes (como SLB, Corinthians) joga preferencialmente com o pé esquerdo, conhecido por um remate forte e colocado, é de estatura mediana e aspecto bem nutrido. O holandês é esguio, prefere o pé-esquerdo que, com alguma frequência, utiliza para marcar golos.

O direito ao nosso badocha
Num momento em que a rivalidade com o SLB recrudesceu e vivemos momentos de aturada marcação, acabamos por adquirir um jogador de peso, mas ainda assim a perder em quilos para Eliseu ou Tarabt. Bruno César não é um jogador de primeira grandeza mas pode ser um jogador de grande utilidade para Jorge Jesus, que o conhece bem. O próprio jogador já assumiu que aprendeu bastante com o nosso treinador, o que concordamos inteiramente, se a afirmação excluir a arte de bem conduzir viaturas potentes...

Ora que Bruno César era jogador a mais para uma equipa com as pretensões e desempenho do Estoril já vinha ficando claro desde o início da presente LIGA. Se será ou não um verdadeiro reforço e não mais uma mera aquisição é o que a seguir se verá.

Confesso o meu relativo optimismo relativamente à chegada do jogador brasileiro. Relativo porque, sendo coerente com o que é dito acima, não estamos a falar de um jogador de primeira água, tendo por isso a expectativa estar de acordo com o valor que se lhe reconhece. O optimismo justifica-se pelas características que aportará ao nosso jogo: a já falada espontaneidade, potência e acerto no remate de meia distância a que acresce a velocidade de execução. Não concordo com os que afirmam que a frente de ataque do Sporting é desprovida de qualidade individual mas reconheço que, especialmente com o eclipse de Carrillo, falta quem seja capaz de provocar desequilíbrios executando rápido. 

Do lado do senão, fica a dúvida na capacidade de decisão de um jogador que muitas vezes prefere o remate a assistir um jogador melhor colocado, ou a provocar o 1x1. Dúvidas também se a chegada deste brasileiro atrasará a afirmação de Matheus Pereira, que não surgirá tão depressa quanto o desejado se a aposta continuar a ser intermitente. Já relativamente a Gélson, sendo um jogador talentoso que poderá perder tempo de jogo para o brasileiro, o futuro pertence-lhe e o facto de não ter que lhe recair já nos ombros a responsabilidade de mudar o destino dos jogos pode até ser-lhe proveitoso.

Um holandês para Zeeg(za)glaar à esquerda 
Não me surpreende a aquisição deste esquerdino holandês. Ao que parece Jorge Jesus já o tinha debaixo de olho desde o ano passado. O surpreendente é que a aquisição se faça no Rio Ave, um clube claramente tutelado por Jorge Mendes, responsável pelo fracasso na intenção de contratar vários outros jogadores, sendo Hassan o último exemplo. São sabidas as relações difíceis entre ele e o executivo leonino. O segredo do sucesso desta feita estará precisamente no facto de o jogador não ser agenciado pelo famoso empresário.

Ao contrário de Bruno César, Zeeglaar não é ainda um valor seguro. Chegou no ano passado a Vila do Conde mas viu a sua afirmação retardada por Tiago Pinto e foi certamente por este ter saído que o holandês mais facilmente descobriu o seu espaço. Trata-se de um jogador oriundo de uma escola consagrada, o Ajax, mas cuja afirmação está ainda por concretizar. Não deve ter ajudado o facto de ter passado já por quatro clubes sem grande expressão e sem projectos que aparentemente se recomendem desde que saiu do grande clube de Amsterdão, e ainda ter por definir qual a posição preferencial.

Em Vila do Conde vem dando nas vistas pela rapidez e verticalidade das suas acções, acrescido do importante facto de marcar com alguma frequência. Veremos o que pretende Jesus dele, sendo muito provável que Jefferson ganhe um concorrente que Jonathan não tem conseguido ser.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

"Se fosse fácil não era para nós"

Foi muito difícil a vitória em Arouca e ela acontece já quando o tempo de jogo estava praticamente esgotado. Esta semana João Mário, em entrevista à Rádio Renascença, usou a frase que titula o post, e que se tornou célebre pelo uso consecutivo dado por nada mais do que... Rui Vitória.

Terá sido casual o seu uso, feito por mimetismo causado pela mediatização ou intencional? A minha primeira opção para responder à questão recairia na primeira ou segunda possibilidade se estivessemos a falar de um qualquer futebolista. Atendendo a que se trata de João Mário inclino-me para a intencionalidade no uso da frase.

Uma das características que distingue João Mário é a inteligência e isso é observável no seu desempenho em campo. Não foi certamente por acaso que Jesus o escolheu para as actuais funções o seu 442. Essa característica é a que lhe permite fazer sem perda de rendimento várias posições em campo porque, compreendendo bem o jogo, executa quase sempre de acordo com as melhores opções ao seu dispor, com vantagem para o colectivo. 

O mesmo se aplicará ao seu discurso: João Mário percebe o momento favorável face aos rivais e não dispensa o recurso à frase do treinador da outra equipa para o deixar bem vincado. Como se quisesse lembrar que de facto é difícil para todos, mas está a ser mais para uns do que para outros. É apenas um pormenor, não se ganham jogos por causa dele, mas não pode deixar de ser contabilizado e usado como vantagem. 

Estando o campeonato a correr indiscutivelmente bem ao Sporting, não tem sido nada fácil. Nunca a disputa de um campeonato o poderia ser, o que se tem observado é que está a ser muito mais difícil do que os números avassaladores de posse de bola poderiam indicar. Isto é, o Sporting consegue muitas vezes dominar os adversários mas revela muitas dificuldades em materializar essa superioridade. 

Não é certamente por acaso que apenas por três vezes o Sporting ganhou por mais do que a diferença mínima mas, atendendo ao carácter especial de um derby, só dois servirão de verdadeiro exemplo. Todos os outros resultados foram conseguidos por um golo de diferença. Nacional, Arouca, Tondela, e Rio Ave, a que se somam duas comprometedoras situações de empate em que ficou patente a impotência perante as defensivas contrárias.

Muitos dirão que o que importa é ganhar, o que, perante a evidência, não haverá qualquer contestação da minha parte. O que me parece importante destacar é que são várias as situações de vitórias conseguidas in extremis, depois de avassalador domínio, para não reflectir sobre o desempenho do nosso ataque.

Do que me tem sido dado observar,  o jogo do Sporting tem sido geralmente bem construído mas quebra no último terço, quase sempre por falta de sequência das jogadas. Nesse particular quer Teo quer Slimani têm ainda muito que crescer para oferecer à equipa mais situações de perigo. Crescer sobretudo na compreensão das suas funções que não podem estar confinadas ao momento de finalizar. 

Slimani tem estado particularmente em destaque pela importância dos seus golos nos pontos conseguidos. Mas continua a revelar importantes limitações técnicas e de compreensão dos movimentos dos seus colegas, contribuindo dessa forma para o curto-circuito das jogadas de ataque, obrigando a recomeçar tudo novo vezes sem conta. Infelizmente isto é fatal para o processo de jogo, por mais que passe despercebido nas estatísticas e aos olhos dos adeptos.

Teo tem sido uma presa demasiado fácil para os adversários encarregues de o marcar, ficando muito tempo completamente fora do jogo por largos minutos. Ainda mais preocupante é constatar os braços caídos de Montero, que parece agora aceitar resignado o papel de suplente que JJ lhe parece ter destinado. Uma imagem quase gritante no jogo em Arouca, que certamente terá chamado à atenção do treinador. 

Como é evidente, a melhoria da nossa capacidade concretizadora não se limita ao que farão estes três elementos. A falta de Carrrillo acarretou problemas inesperados para as quais foram encontradas soluções de recurso, mas que não parecem de sustentabilidade a médio-longo prazo. Mas que todos eles podem e devem dar mais, no sentido de oferecer continuidade ao nosso jogo atacante, parece-me indiscutível.

Vem aí o Comboio Verde

Em resposta a um anseio muito antigo dos Sportinguistas do norte do País o Sporting organiza pela primeira vez um Comboio Verde, que visa fornecer uma solução mais económica e, certamente, um momento de inolvidável convívio, a todos quantos pretendam deslocar-se a Alvalade por ocasião do derby. Estou quase certo que será um grande sucesso e que justificará organizações semelhantes no futuro.

Para poder habilitar-se, na modalidade que lhe interessar, deve aceder ao site do Solar do Norte e fazer a respectiva inscrição e posterior pagamento. 



Pela primeira vez, o SPORTING CLUBE DE PORTUGAL organizará uma excursão oficial de comboio para um jogo em Alvalade. 
O SOLAR DO NORTE associa-se naturalmente a esta iniciativa de âmbito nacional, estando a partida prevista da Estação PORTO-CAMPANHàpara o início da tarde (hora a definir) do dia 21.11.2015 .


1. PREÇOS 


 Sócios SCP **Não Sócios SCP 
  Viagem + Bilhete *32,50 €37,50 €
     Só  Viagem       21,50 €          26,50 €

          * Os bilhetes incluídos destinam-se para a Bancada Superior Norte.
          ** Quota necessária: OUTUBRO 2015.

          Nota: Os preços praticado incluem viagem de comboio Porto - Lisboa - Porto, transfers da Estação para o Estádio e vice-versa e seguro de acidentes pessoais.


Só BilhetePreço
    Bancada Lateral18 €
    Bancada Central         22 €


2. CONDIÇÕES
  • As reservas serão consideradas pela ordem cronológica de submissão do formulário;
  • O formulário irá aceitar respostas enquanto ainda houver lugares disponíveis e desativado quando a lotação estiver preenchida;
  • As reservas apenas se tornam efetivas após pagamento e envio do respetivo comprovativo por email: geral@solardonorte.org
  • Se pretender cancelar a(s) sua(s) reserva(s) deve comunicar por e-mail: geral@solardonorte.org.


3. PAGAMENTO & COMPROVATIVO
          
As reservas apenas se tornam efetivas após pagamento por transferência bancária ou depósito ao balcão na conta do Solar do Norte e do envio de cópia/foto do respetivo talão comprovativo para o email: geral@solardonorte.org 
          
           Banco BPI
           NIB: 0010 0000 2292 2550 0016 8
           
           As reservas que não cumpram o estabelecido correm o risco de não serem consideradas.

4. VIAGEM

  • Dia:  21 de Novembro
  • Hora de partida: Início da tarde (a definir)
  • Local de partida: Estação PORTO-CAMPANHÃ
  • Concentração (hora a definir):
Solar do Norte
Rua do Bonfim 518 
4300-067 Porto

  • Regresso após o final do encontro.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A limpeza nas contas

Até ao momento em que escrevo este post não é conhecida a reacção do clube a mais uma publicação do Football Leaks, onde, mais uma vez, assuntos relacionados com o Sporting são tema central. Desta feita, é dado destaque à comunicação de uma empresa que presta(ria) serviços de limpeza ao clube e que, por esse meio, comunicava a suspensão da prestação do serviço, por falta de pagamento.

A referida comunicação é de Abril deste ano e não se sabe se o problema, a ter existido, terá entretanto sido resolvido, e se foi, como. 

O clube chegou a acordo com a empresa e esta continua a prestar os mesmos serviços, acordando a regularização das dívidas? ou se

A ligação foi desfeita e se foi, quem se ocupa agora da mesma função?

O certo é que, a ser verdade o que a referida empresa alega - dívidas que se arrastam desde Agosto de 2014 - tal  aponta para uma situação muito diferente do que a que é veiculada oficialmente. 

No final da presente época, no balanço que então efectuou, Bruno de Carvalho dizia-nos o seguinte (05/06/2015):

Desde logo uma situação financeira que conseguimos estabilizar, fruto do esforço, trabalho competente e dedicação de toda a minha equipa. Posso hoje dizer-vos que pertencemos a um Clube que apresentou um lucro de 22 milhões de euros, que acaba de concluir o mais bem sucedido empréstimo obrigacionista da sua história, que soube reduzir as despesas, honrar os compromissos e preparar ambiciosa, mas prudentemente, o seu caminho.
(...)
Temos lucro e temos títulos mas este não seria o Sporting Clube de Portugal se não tivéssemos desde sempre, hoje e para sempre valores! Um deles, porventura o principal, é o do intransigente compromisso com a verdade.
Aguardemos pois pelo cabal esclarecimento desta situação, uma vez que  a transparência na gestão é um dever imprescindível a que os órgãos sociais estão obrigados perante os associados, tendo este contraído especiais responsabilidades. É necessário perceber se estamos a falar de uma situação pontual ou esta fuga de informação é a confirmação de um dos muitos rumores que por aí circulam, dando conta que, no que diz respeito a dificuldades de tesouraria e capacidade de honrar os compromissos assumidos, não houve a mudança apregoada e "tudo continua como dantes, Quartel-general em Abrantes". 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Porque aconteceu o caso Naldo

Não me espantou absolutamente nada o caminho (com sua licença, prof. Rui Vitória) que está a tomar o caso Naldo. Isto porque desde o seu principio ele foi tratado com total parcialidade face aos factos ocorridos. Ontem de manhã a comunicação social mencionava apenas o empurrão de Naldo a Lito Vidigal, deixando passar em branco o facto de aquele ter respondido a uma acção absolutamente impensável e imperdoável do treinador, como certamente toda a gente teve oportunidade de ver já. 

O que não vi mencionar em nenhum momento (e não consigo compreender como é que se pode ignorar olimpicamente) é o facto de a entrada em campo do treinador do Arouca ser já a segunda no jogo, como toda a gente - adeptos, autoridades, membros da LIGA, árbitros auxiliares, quarto árbitro - que esteve no estádio pôde presenciar. Tivesse essa prevaricação inicial sido devidamente punida - e que ocorreu minutos antes da expulsão de Naldo - o actual "caso Naldo" nunca teria chegado a acontecer.  Como é que o árbitro auxiliar e o quarto árbitro ignoram o sucedido, que ocorre justamente à sua frente, também deveria ser objecto de inquérito pela LIGA, obviamente.

Ora isto não é desculpar o acto de Naldo, que certamente terá que merecer punição. Mas está carregado de atenuantes, enquanto não faltam agravantes para o comportamento de Lito Vidigal, pelas acções e pelas funções que exerce. A possibilidade de Naldo ficar castigado dois meses é um insulto à justiça desportiva. Mas se for essa a pena aplicada, quanto tempo teria que apanhar Vidigal para que houvesse equidade nas decisões?

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Arouca-Sporting: posta servida à sobremesa

Noite fresca em Arouca para receber o comandante da Liga. Sem surpresa, o Sporting puxou dos galões e assumiu a iniciativa do jogo e o Arouca remeteu-se à expectativa. Apesar de mandar no jogo, o Sporting não foi muito assertivo nas suas acções.

Procurando a progressão com base numa teia de apoios, revelou muito pouco acerto inicial nas tabelas e assistências, especialmente por intervenções deficientes de Teo e especialmente Slimani, com Ruiz muito lento a decidir, perdendo-se a sequência das jogadas.

Do outro lado a defesa subida do Arouca com Nuno Coelho a  juntar-se ao quarteto defensivo, preocupado com Teo. Apesar do muito espaço que ficava nas costas Slimani, ao invés de explorar a profundidade, era visto frequentemente ao lado dos Nunos do Arouca (Coelho e Valente), o que facilitava consideravelmente a tarefa defensiva dos da casa.

Nas iniciativas atacantes o Arouca contava com uma ala esquerda muito activa, onde um Roberto particularmente acutilante, dava muita profundidade e largura. Contava com o apoio de Lucas Lima, a que se juntava Zequinha, infernizando a vida a João Pereira.De forma atípica, vimos muitas vezes o Sporting privilegiar o jogo directo, prescindindo de William na construção que, ao contrário do habitual, descia poucas vezes para entre os centrais.

Apesar da superioridade esperada,  os lances de perigo real ou de golo eminente foram praticamente inexistentes, não por falta de jogadas com potencial, mas sobretudo pela falta de acerto no último passe ou no remate. Fica o exemplo, entre outros, do remate deficiente de Teo, após Ruiz ter descoberto João Pereira e o centro deste ter deixado o colombiano em excelente posição para fazer muito melhor do que “aliviar” a bola pela linha do fundo.

Na segunda parte os técnicos começam a intervir  na partida de forma forçada ou involuntária, (como foi o caso da saída de Jefferson por Esgaio) sem que isso alterasse significativamente o cariz da partida. Assinale-se o contributo do lateral que, surpreendentemente, não deixou que o nome de Jefferson fosse muitas vezes lembrado.

À medida que o tempo decorria o Arouca ia confiando cada vez mais, chegando mesmo a criar um lance de golo iminente. Do lado Sporting instalava-se alguma sofreguidão, com Slimani a revelar total ineficácia, quando lhe bastava ter encostado em frente à baliza.Quando tudo parecia estar encaminhado para a divisão de pontos, Slimani consegue aquilo que tanto procurou mas nunca lhe tinha sido permitido e o jogo encontraria um vencedor. 

O Sporting conquistaria assim os três pontos, vendo premiada a vontade dos jogadores sobre a qualidade do desempenho, que esteve longe de ser brilhante. Como diria o outro, nem só de ópera se fazem os campeões.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Poupar pelo colosso Arouca, o nosso "Guimarães 2015" e outras considerações por causa de um resultado "impossível"

Poupar por causa desse colosso, o Arouca?
Foi pela frase acima que começaram muitas das reacções ao resultado do jogo de ontem, algumas até quando se soube o alinhamento da equipa escolhida por JJ. Pela sobranceria. A mesma que os jogadores usaram no jogo com o Skenderbeu.
 
Nem com o Sekenderbeu nem com o Arouca a disputa é sobre o passado histórico de cada clube. A disputa é, como sempre em futebol, entre onze jogadores pela posse da bola, procurando marcar o maior número de vezes num espaço temporal de noventa minutos. Apenas aí e é aí que temos de jogar tudo e com tudo, porque antes e depois não conta.

Fazia sentido poupar jogadores por causa do Arouca?
Sem dúvida, especialmente em alguns jogadores-chave, sobrecarregados de jogos. Como se irá ver domingo, o campo é difícil pelas dimensões, a que acrescerá o facto de a semana ter sido chuvosa, com as respectivas consequências no relvado a fazerem-se sentir. Não deve ser também desconsiderado o valor do adversário, como me pareceu ter sucedido ontem, até porque a equipa adversária está muito bem orientada por um treinador que pode muito bem ambicionar outros voos. 

Era possível poupar jogadores sem comprometer o resultado?
A resposta à questão acima já havia sido dada previamente, praticamente os mesmos jogadores golearam o mesmo adversário semanas antes. Porém o futebol é imprevisível e este ponto será melhor escalpelizado abaixo.


Revisitar "Guimarães 2014" na Albânia em 2015
A 1 de Novembro do ano passado o Sporting sofreria uma derrota cujos reflexos se estenderiam até ao final da época, expondo à evidência uma relação de instabilidade e atrito entre a SAD e o então treinador. Passado um ano e quatro dias o Sporting sai vergado por resultado idêntico de forma igualmente surpreendente. É verdade que não jogamos com a equipa titular, como aconteceu em Guimarães, mas não é menos verdade que o Skenderbeu não é o Guimarães. Derrotas como esta não se circunscrevem ao plano desportivo abalam o prestígio e o bom nome do clube quer a nível interno, quer externo.

Tal como então está em causa o brio profissional dos jogadores. Discordo quase sempre que seja este o caminho seguido porque não há qualquer indicio de menor comprometimento dos jogadores como o clube ou com o treinador, antes pelo contrário. Foram estes os mesmos que golearam os albaneses em Lisboa e estiveram quase sempre bem quando foram chamados. Tal como em Guimarães 2014, ontem foram várias as coisas que correram mal ao mesmo tempo. 

Será contudo igualmente mau fazer-se de conta que não aconteceu nada como dramatizar excessivamente. Especialmente entre os jogadores mais jovens o talento não se extinguiu e, devidamente enquadrado entre os melhores, encontrará condições para vingar. Que se tenha aprendido alguma coisa com o sucedido no ano passado e que a derrota de ontem não seja completamente desperdiçada.

À atenção de JJ
Embora de forma não especialmente esclarecida, JJ acabou, como não podia deixar de ser, por assumir as responsabilidades pelo fracasso da estratégia seguida para o jogo. Mas não deve deixar de reflectir sobre o resultado e especialmente o que ele significa para o clube, em particular para os adeptos. Alguns pontos em especial:

- JJ não pode parecer apenas especialmente motivado para ganhar o campeonato e à sua antiga entidade patronal. O Sporting, mesmo com os actuais constrangimentos, tem um nome a defender e é possível e obrigatório fazer mais e melhor.

- Uma coisa é rodar alguns jogadores outra é jogar com as reservas. Não é possível a jogadores sem rotinas e sem ritmo responderem ao mais alto nível. 

- Do ponto de vista do enquadramento psicológico, jogar com jogadores habitualmente reservistas é dizer-lhes ou que o adversário é fraco ou que o jogo não é importante. Em jogos em que as circunstâncias parecem conspirar contra nós, como o de ontem, acabamos por ficar limitados no poder de reacção. É o perigo que estas rotações encerram e ontem pagamo-lo bem caro.

- Ao optar por uma rotação excessiva JJ expõe os jogadores em demasia e ele, melhor do que ninguém, sabe isso.

- Tentar salvar Bruno Paulista do naufrágio geral é não perceber o que realmente aconteceu ontem e, quando assim é, a possibilidade de algo semelhante voltar a suceder é enorme.

Estou à vontade para falar sobre JJ, porque continuo a pensar que tendo terminado como terminou a ligação do técnico que o precedeu, a sua contratação era a única solução que poderia significar uma mais-valia para o clube. Tanto assim é que as derrotas de Jesus continuam a ser festejadas pelos nossos adversários, em particulare os adeptos do seu anterior clube, como se de vitórias próprias se tratassem. Além de demonstrar que a digestão ainda está por fazer é um bom indicativo da importância que lhe atribuem como fautor do nosso sucesso.

Ewerton nas pisadas de Rodriguez?
Como se costuma dizer o que torto nasce tarde ou nunca endireita sendo a contratação de Ewerton um exemplo vivo. Chegou sem estar pronto para jogar, quando a época começou lesionou-se novamente com gravidade e ontem volta novamente ao estaleiro. Aquele que é talvez o nosso melhor central tem também de ser muito mais fiável sobe pena de ser melhor apostar em quem possa oferecer estabilidade e continuidade na aposta.

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