A "badamerda" no tempo da "pós-verdade" e "factos alternativos" e outras coisas sobre as eleições
Badamerda para isto
Correu o pano sobre o palco eleitoral e, como é tradicional nestas circunstâncias, o foco recai sobre o vencedor. A noite e o discurso de vitória ficaram abafadas pela "badamerda", o que por si só é auto-explicativo da infelicidade da afirmação. Como estamos no tempo das "interpretações convenientes", das "pós-verdades" e dos "factos alternativos" uma legião de fãs apressou-se a adaptar o que foi dito de forma a que parecesse mastigável e deglutível. Quanto a mim um erro e que abre a porta a outros que se seguirão, como tentarei explicar a seguir.
Sejamos bem claros: uma coisa é mandar à badamerda o inúmero séquito de "odiadores de estimação do Sporting", outra bem diferente é fazê-lo à totalidade dos que não são do Sporting. Sentir necessidade de explicar a diferença é absurdo.
Não era minha intenção voltar ao tema mas parece-me importante reflectir sobre o assunto. E essa intenção sai ainda reforçada pelo facto de o próprio Bruno de Carvalho ter voltado à carga, como se pode ver na ilustração em anexo. Na minha interpretação só o faz por ter percebido a benevolência com que a afirmação foi recebida e propagada.
Se essa benevolência não tivesse existido Bruno de Carvalho seguramente que não tinha caído na tentação de também ele cair no erro de reinterpretar o que o próprio havia dito. Isso só o deixa ainda pior colocado do que aquando da afirmação inicial, porque teve tempo para reflectir e não o fez. Pegue-se por onde se queira o que disse é reprovável num dirigente desportivo, que ainda por cima tem uma forte propensão para agitar a bandeira da necessidade da observação da "moral e dos bons costumes" no futebol.
É minha convicção que se a generalidade dos adeptos tivesse simplesmente ignorado de forma conveniente este embaraço e Bruno de Carvalho tê-lo-ia feito também. Se o tivessem condenado expressamente é muito bem possível termos assistido a um acto de contrição com laivos de humildade como o presenciado após as tristes ocorrências de Chaves. Cabe aos adeptos perceber definitivamente que a sua quota de responsabilidade nos erros e dislates é directamente proporcional ao exercício do sentido critico.
Dado o estado de total alienação em que se discutem estes e outros temas tenho a certeza da inutilidade desta reflexão. Cada vez se distingue menos diferença entre o que é o interesse de Bruno de Carvalho e interesse do clube. Aliás, é cada vez mais claro que uma parte substancial da a sua vitória esmagadora se deve ao "quem não é a meu favor é contra o Sporting", o que não é exactamente a mesma coisa.
Espadachins
Ainda na refrega do período eleitoral sobram as declarações de Vitor Espadinha e agora a declarada intenção de aquelas serem objecto de procedimento disciplinar por difamação. Sobre isto dois pontos:
- Sou frontalmente contra este género de actuação, com o lançamento publico de rumores sem grande sustentabilidade. Haja indícios e apurem-se os factos. Há procedimentos e canais indicados para o fazer. O Sporting não pode estar à mercê deste tipo de actuação que, de igual modo como o episódio da "badamerda", desqualificam o clube.
- O PMAG já se pronunciou sobre o tema, remetendo para o Conselho Fiscal e Disciplinar as afirmações de Vitor Espadinha. Apesar do grau de gravidade não ser comparável, é lamentável que não tenha tido o mesmo procedimento aquando do panelão onde o José Eduardo gostava de ter cozido Marco Silva. Ainda hoje o episódio serve de achincalhamento do clube quer a nível nacional quer mesmo agora nível internacional, com a ida do treinador para Inglaterra.
Olhar para o outro lado
Terminado o período eleitoral resolvi fazer um exercício interessante que, naquele momento, e pelo elevado grau de contaminação das discussões, era não só infrutífero como desgastante: recuperar algumas das ideias da candidatura derrotada que, na altura, me pareceram mais interessantes. Um exercício que não se justifica sobre as propostas da lista vencedora porque teremos um mandato inteiro para o fazer. Este exercício é feito sobretudo na perspectiva de um debate e procura permanentes de boas ideias e soluções para o clube. As designações dos capítulos mantiveram-se conforme o original e algumas são acrescidas de comentários meus:
Correu o pano sobre o palco eleitoral e, como é tradicional nestas circunstâncias, o foco recai sobre o vencedor. A noite e o discurso de vitória ficaram abafadas pela "badamerda", o que por si só é auto-explicativo da infelicidade da afirmação. Como estamos no tempo das "interpretações convenientes", das "pós-verdades" e dos "factos alternativos" uma legião de fãs apressou-se a adaptar o que foi dito de forma a que parecesse mastigável e deglutível. Quanto a mim um erro e que abre a porta a outros que se seguirão, como tentarei explicar a seguir.
Sejamos bem claros: uma coisa é mandar à badamerda o inúmero séquito de "odiadores de estimação do Sporting", outra bem diferente é fazê-lo à totalidade dos que não são do Sporting. Sentir necessidade de explicar a diferença é absurdo.
Não era minha intenção voltar ao tema mas parece-me importante reflectir sobre o assunto. E essa intenção sai ainda reforçada pelo facto de o próprio Bruno de Carvalho ter voltado à carga, como se pode ver na ilustração em anexo. Na minha interpretação só o faz por ter percebido a benevolência com que a afirmação foi recebida e propagada.
Se essa benevolência não tivesse existido Bruno de Carvalho seguramente que não tinha caído na tentação de também ele cair no erro de reinterpretar o que o próprio havia dito. Isso só o deixa ainda pior colocado do que aquando da afirmação inicial, porque teve tempo para reflectir e não o fez. Pegue-se por onde se queira o que disse é reprovável num dirigente desportivo, que ainda por cima tem uma forte propensão para agitar a bandeira da necessidade da observação da "moral e dos bons costumes" no futebol.
É minha convicção que se a generalidade dos adeptos tivesse simplesmente ignorado de forma conveniente este embaraço e Bruno de Carvalho tê-lo-ia feito também. Se o tivessem condenado expressamente é muito bem possível termos assistido a um acto de contrição com laivos de humildade como o presenciado após as tristes ocorrências de Chaves. Cabe aos adeptos perceber definitivamente que a sua quota de responsabilidade nos erros e dislates é directamente proporcional ao exercício do sentido critico.
Dado o estado de total alienação em que se discutem estes e outros temas tenho a certeza da inutilidade desta reflexão. Cada vez se distingue menos diferença entre o que é o interesse de Bruno de Carvalho e interesse do clube. Aliás, é cada vez mais claro que uma parte substancial da a sua vitória esmagadora se deve ao "quem não é a meu favor é contra o Sporting", o que não é exactamente a mesma coisa.
Espadachins
Ainda na refrega do período eleitoral sobram as declarações de Vitor Espadinha e agora a declarada intenção de aquelas serem objecto de procedimento disciplinar por difamação. Sobre isto dois pontos:
- Sou frontalmente contra este género de actuação, com o lançamento publico de rumores sem grande sustentabilidade. Haja indícios e apurem-se os factos. Há procedimentos e canais indicados para o fazer. O Sporting não pode estar à mercê deste tipo de actuação que, de igual modo como o episódio da "badamerda", desqualificam o clube.
- O PMAG já se pronunciou sobre o tema, remetendo para o Conselho Fiscal e Disciplinar as afirmações de Vitor Espadinha. Apesar do grau de gravidade não ser comparável, é lamentável que não tenha tido o mesmo procedimento aquando do panelão onde o José Eduardo gostava de ter cozido Marco Silva. Ainda hoje o episódio serve de achincalhamento do clube quer a nível nacional quer mesmo agora nível internacional, com a ida do treinador para Inglaterra.
Olhar para o outro lado
Terminado o período eleitoral resolvi fazer um exercício interessante que, naquele momento, e pelo elevado grau de contaminação das discussões, era não só infrutífero como desgastante: recuperar algumas das ideias da candidatura derrotada que, na altura, me pareceram mais interessantes. Um exercício que não se justifica sobre as propostas da lista vencedora porque teremos um mandato inteiro para o fazer. Este exercício é feito sobretudo na perspectiva de um debate e procura permanentes de boas ideias e soluções para o clube. As designações dos capítulos mantiveram-se conforme o original e algumas são acrescidas de comentários meus:
Universo desportivo
Promover a exposição e militância de sportinguistas mais influentes na
nossa sociedade, através da partilha transparente de informação e
permanente networking;
Comentário: tendo o Sporting um considerável numero de sócios e adeptos nos mais variados sectores da sociedade, e sendo muitos deles elementos de reconhecida competência e influência, é uma pena que se desperdice aquilo que podia ser uma considerável mais-valia para o clube.
Promover a cultura sportinguista com o programa “Sporting nas escolas”
liderado pela Fundação Sporting / Leões de Portugal, com a participação
de embaixadores do nosso clube que visitarão escolas de todo o país
(envolvendo núcleos, delegações e filiais) para passar o conhecimento do
clube e dos valores de desportivismo;
Comentário: divulgar a cultura Sportinguista e o património que representa para o País, em particular junto dos mais novos, é uma forma de assegurar o futuro do clube.
Património
Construir o Clube Naval do Sporting na zona ribeirinha de Lisboa;
Comentário: uma proposta que foi objecto de comentários jocosos, baseados no preconceito de que o tipo de actividade é apenas destinada a "gente rica". Comentário que deriva também da ignorância. Vivo numa cidade que tem dois clubes dedicados às mesmas actividades e onde o caracter integrador das pessoas das mais variadas origens é um exemplo.
Protocolar com a Câmara Municipal de Lisboa a criação de um complexo social junto ao Estádio que contemple uma residência para antigos atletas, uma residência universitária e uma creche.
Comentário: Pelos preços do imobiliário em Lisboa não é uma medida de fácil realização mas é uma matéria que deveria ser objecto de consideração, quer do ponto de vista da oferta de condições dignas de vida para antigas glórias como no de captação de atletas jovens que procurem outras modalidades que não o futebol.
Markting e Comunicação
Estudar e explorar formas de aproveitamento do património edificado que
contribuam para a sua rentabilização nomeadamente, cobertura,
videoscreens dentro e ao redor do Estádio, optimizando o aproveitamento
das estruturas existentes;
Comentário: São inúmeras as possibilidades, tantas como o muito que há a fazer nesta área. Uma área que tem sido constantemente negligenciada por diversos executivos e que há muito que pedem a existência de uma equipa competente.
Sócios
Reintroduzir o provedor do sócio, em paralelo com o OLA, com funções
definidas de ponte entre o sócio e os serviços, obedecendo a livro de
regras e de respostas;
Propor a criação da figura do sócio-filho. Um agregado familiar com pelo
menos dois sócios efectivos de escalão A poderá ver os seus
descendentes directos isentos de quota até aos 14 anos;
Modalidades
Tornar o Professor Mário Moniz Pereira o sócio perpétuo número 2;
Futebol e Formação
Impor um limite máximo de 23 jogadores ao plantel da equipa principal;
Utilizar a equipa B como plataforma de transição principal dos jovens formados na Academia, como plantel de apoio à equipa principal;
Comentário: não sou a favor de limitações com este rigor mas um clube que se orgulha da sua formação não se pode dar ao luxo de constituir plantéis numerosos e com tanta veterania.










