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sexta-feira, 10 de março de 2017

A "badamerda" no tempo da "pós-verdade" e "factos alternativos" e outras coisas sobre as eleições

Badamerda para isto

Correu o pano sobre o palco eleitoral e, como é tradicional nestas circunstâncias, o foco recai sobre o vencedor. A noite e o discurso de vitória ficaram abafadas pela "badamerda", o que por si só é auto-explicativo da infelicidade da afirmação. Como estamos no tempo das "interpretações convenientes", das "pós-verdades" e dos "factos alternativos" uma legião de fãs apressou-se a adaptar o que foi dito de forma a que parecesse mastigável e deglutível. Quanto a mim um erro e que abre a porta a outros que se seguirão, como tentarei explicar a seguir.

Sejamos bem claros: uma coisa é mandar à badamerda o inúmero séquito de "odiadores de estimação do Sporting", outra bem diferente é fazê-lo à totalidade dos que não são do Sporting. Sentir necessidade de explicar a diferença é absurdo.

Não era minha intenção voltar ao tema mas parece-me importante reflectir sobre o assunto. E essa intenção sai ainda reforçada pelo facto de o próprio Bruno de Carvalho ter voltado à carga, como se pode ver na ilustração em anexo. Na minha interpretação só o faz por ter percebido a benevolência com que a afirmação foi recebida e propagada.

Se essa benevolência não tivesse existido Bruno de Carvalho seguramente que não tinha caído na tentação de também ele cair no erro de reinterpretar o que o próprio havia dito. Isso só o deixa ainda pior colocado do que aquando da afirmação inicial, porque teve tempo para reflectir e não o fez. Pegue-se por onde se queira o que disse é reprovável num dirigente desportivo, que ainda por cima tem uma forte propensão para agitar a bandeira da necessidade da observação da "moral e dos bons costumes" no futebol.

É minha convicção que se a generalidade dos adeptos tivesse  simplesmente ignorado de forma conveniente este embaraço e Bruno de Carvalho tê-lo-ia feito também. Se o tivessem condenado expressamente é muito bem possível termos assistido a um acto de contrição com laivos de humildade como o presenciado após as tristes ocorrências de Chaves. Cabe aos adeptos perceber definitivamente que a sua quota de responsabilidade nos erros e dislates é directamente proporcional ao exercício do sentido critico.

Dado o estado de total alienação em que se discutem estes e outros temas tenho a certeza da inutilidade desta reflexão. Cada vez se distingue menos  diferença entre o que é o interesse de Bruno de Carvalho e interesse do clube. Aliás, é cada vez mais claro que uma parte substancial da a sua vitória esmagadora se deve ao "quem não é a meu favor é contra o Sporting", o que não é exactamente a mesma coisa.

Espadachins

Ainda na refrega do período eleitoral sobram as declarações de Vitor Espadinha e agora a declarada intenção de aquelas serem objecto de procedimento disciplinar por difamação. Sobre isto dois pontos:

- Sou frontalmente contra este género de actuação, com o lançamento publico de rumores sem grande sustentabilidade. Haja indícios e apurem-se os factos. Há procedimentos e canais indicados para o fazer. O Sporting não pode estar à mercê deste tipo de actuação que, de igual modo como o episódio da "badamerda", desqualificam o clube.

- O PMAG já se pronunciou sobre o tema, remetendo para o Conselho Fiscal e Disciplinar as afirmações de Vitor Espadinha. Apesar do grau de gravidade não ser comparável, é lamentável que não tenha tido o mesmo procedimento aquando do panelão onde o José Eduardo gostava de ter cozido Marco Silva. Ainda hoje o episódio serve de achincalhamento do clube quer a nível nacional quer mesmo agora nível internacional, com a ida do treinador para Inglaterra.

Olhar para o outro lado

Terminado  o período eleitoral resolvi fazer um exercício interessante que, naquele momento, e pelo elevado grau de contaminação das discussões, era não só infrutífero como desgastante: recuperar algumas das ideias da candidatura derrotada que, na altura, me pareceram mais interessantes. Um exercício que não se justifica sobre as propostas da lista vencedora porque teremos um mandato inteiro para o fazer. Este exercício é feito sobretudo na perspectiva de um debate e procura permanentes de boas ideias e soluções para o clube. As designações dos capítulos mantiveram-se conforme o original e algumas são acrescidas de comentários meus:

Universo desportivo
 
Promover a exposição e militância de sportinguistas mais influentes na nossa sociedade, através da partilha transparente de informação e permanente networking;

Comentário: tendo o Sporting um considerável numero de sócios e adeptos nos mais variados sectores da sociedade, e sendo muitos deles elementos de reconhecida competência e influência, é uma pena que se desperdice aquilo que podia ser uma considerável mais-valia para o clube.

Promover a cultura sportinguista com o programa “Sporting nas escolas” liderado pela Fundação Sporting / Leões de Portugal, com a participação de embaixadores do nosso clube que visitarão escolas de todo o país (envolvendo núcleos, delegações e filiais) para passar o conhecimento do clube e dos valores de desportivismo;

Comentário: divulgar a cultura Sportinguista e o património que representa para o País, em particular junto dos mais novos, é uma forma de assegurar o futuro do clube.

Património
 
Construir o Clube Naval do Sporting na zona ribeirinha de Lisboa;

Comentário: uma proposta que foi objecto de comentários jocosos, baseados no preconceito de que o tipo de actividade é apenas destinada a "gente rica". Comentário que deriva também da ignorância. Vivo numa cidade que tem dois clubes dedicados às mesmas actividades e onde o caracter integrador das pessoas das mais variadas origens é um exemplo.

Protocolar com a Câmara Municipal de Lisboa a criação de um complexo social junto ao Estádio que contemple uma residência para antigos atletas, uma residência universitária e uma creche.

Comentário: Pelos preços do imobiliário em Lisboa não é uma medida de fácil realização mas é uma matéria que deveria ser objecto de consideração, quer do ponto de vista da oferta de condições dignas de vida para antigas glórias como no de captação de atletas jovens que procurem outras modalidades que não o futebol.

Markting e Comunicação

Estudar e explorar formas de aproveitamento do património edificado que contribuam para a sua rentabilização nomeadamente, cobertura, videoscreens dentro e ao redor do Estádio, optimizando o aproveitamento das estruturas existentes;

Comentário: São inúmeras as possibilidades, tantas como o muito que há a fazer nesta área. Uma área que tem sido constantemente negligenciada por diversos executivos e que há muito que pedem a existência de uma equipa competente.

Sócios

Reintroduzir o provedor do sócio, em paralelo com o OLA, com funções definidas de ponte entre o sócio e os serviços, obedecendo a livro de regras e de respostas;


Propor a criação da figura do sócio-filho. Um agregado familiar com pelo menos dois sócios efectivos de escalão A poderá ver os seus descendentes directos isentos de quota até aos 14 anos;

Modalidades

Tornar o Professor Mário Moniz Pereira o sócio perpétuo número 2;

Futebol e Formação

Impor um limite máximo de 23 jogadores ao plantel da equipa principal;

Utilizar a equipa B como plataforma de transição principal dos jovens formados na Academia, como plantel de apoio à equipa principal;

Comentário: não sou a favor de limitações com este rigor mas um clube que se orgulha da sua formação não se pode dar ao luxo de constituir plantéis numerosos e com tanta veterania.

domingo, 5 de março de 2017

Eleições 2017: Grandes, enormes!

Como se preciso fosse os adeptos do Sporting decidiram dar ontem mais uma demonstração do insuperável e exemplar amor que nutrem pelo seu clube de coração. Absolutamente notável o que se viu ontem em Alvalade, comprovando, para quem precisasse, que a grandeza deste clube é à prova de qualquer comparação. Esta é daquelas vitórias que não podem ser esquecidas, ainda que não tenha correspondência na nossa sala de troféus. Mas a marca deixada é seguramente impressiva e inolvidável na nossa história.

Bruno de Carvalho é o grande vencedor da noite pela confiança e pelo número expressivo dos votos recebidos. Na minha interpretação, os eleitores Sportinguistas outorgaram a Bruno de Carvalho  um cheque de tempo para completar o que ficou por fazer: devolver ao Sporting a grandeza que se contabilize também em títulos, não de forma esporádica, mas consistente. No fundo, que consubstancie em resultados a grandeza que mais uma vez ontem demonstramos.

Há também seguramente nesta vitória expressiva uma dimensão de gratidão pelo trabalho efectuado, atendendo à conjuntura encontrada. Este resultado significa por isso também uma responsabilização para o mandato que se seguirá. Certamente que Bruno de Carvalho tem presente que os desafios pela frente são enormes e que a tolerância do primeiro mandato dificilmente se repetirá.

Quem acompanha este blogue sabe que são muitas as diferenças que me separam de Bruno de Carvalho. Diferenças que estão uma vez mais vincadas em grande parte do seu discurso de vitória. 

Dois exemplos:

- "badamerda para todos os que não são do Sporting". Inadmissível em qualquer circunstância. Pela ofensa a todos os de quem gostamos, pela amizade, pelo sangue, que não o são. Pelo que representa na essência de um clube que ainda por cima faz da formação uma bandeira, pela falta de respeito pelos adversários, condição essencial em quem faz ou deseja fazer do desporto uma profissão.

- Não são os adversários do Sporting que precisam de acordar. Nem sequer são os adeptos do Sporting. São os dirigentes que sucessivamente têm liderado o clube é que necessitam de o fazer de uma vez por todas. Dito nas circunstâncias deles e nas nossas (e até face ao histórico recente) as a únicas razões que têm os adversários para estremecerem só for de riso.

Mas porque este é sobretudo um momento de felicitações com os olhos postos no futuro, fico feliz pelo propósito declarado por Bruno de Carvalho de querer ser o presidente de todos os Sportinguistas. Porque o será pelo menos nos próximos anos. Porque, apesar das diferenças que me separam, será o meu presidente, a quem desejo sabedoria e sorte.

Parabéns a Bruno de Carvalho!

Viva o Sporting!

sexta-feira, 3 de março de 2017

O aumento exponencial de uma velha dívida

O Sporting apresentou as contas relativas ao primeiro semestre do exercício em curso e os resultados anunciados são "apenas" os melhores de sempre para períodos homólogos. Um resultado que, apesar de esperado (por via das vendas conseguidas no verão) e de se referir a uma parte do exercício, deve ser aplaudido sem reservas. Com resultados deste teor, mesmo que não tão volumosos, não impenderia sobre as nossas cabeças o vultuoso passivo.

No entanto, para quem conhece o aforismo atribuído a Confúncio de que "promessa é dívida por pagar"  há uma divida acumulada ao longo dos anos que não para de crescer: a das promessas por cumprir de ser campeão e que atravessam sucessivos mandatos. Bruno de Carvalho prometeu-o quando foi candidato em 2011.

Tal como os milhões russos que então prometeu (e mais tarde americanos) o mandato termina sem cumprir a promessa. Mas já se apressou a prometer que o que não cumpriu agora vai cumprir a seguir e com juros. Algo que fez uma e outra vez durante o mandato, incluindo no passado Natal, quando a inclinação do navio sob o seu comando tinha já inclinação a fazer temer um naufrágio.

Algo semelhante fez também já o candidato Pedro Madeira Rodrigues, incluindo o número dos investidores por avistar. Até Jesus, que com dois anos de clube já se "aculturou" e antes de cumprir o desígnio para que foi contratado também já promete os "amanhãs que cantam" mas que a realidade devolve mudos e quedos. As responsabilidades são como sempre de outrem, só os méritos lhe pertencem.

Tem havido muita falta de seriedade e, consequentemente, uma reiterada falta de respeito neste constante prometer e depressa arranjar desculpas para o que não se faz cumprir. Uma doença endémica que tem afectado sucessivos corpos sociais. Um aproveitamento pouco honesto da boa vontade, fidelidade e amor que os adeptos têm ao clube.

Para o ano é que é!

Como é que alguém pode prometer algo que não controla e depende de terceiros, se aquilo que depende apenas de si (por exemplo os investidores, entre tantos outros exemplos) fica por fazer? Basta-me que prometam seriedade, competência e trabalho que os títulos (sim, necessários e muito desejados!) chegarão como mera consequência.

Até lá basta-me que o clube seja digno de respeito, algo que nesta campanha (de ambas as candidatura e por razões diferentes) e nos vários anos que a antecederam, incluindo os quatro do actual mandato, esteve muitas vezes longe de acontecer. O meu orgulho em ser Sportinguista depende muito mais disso do que de títulos, por muito importantes que eles indiscutivelmente são.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

7 pontos sobre o confronto BdC - PMR

São várias as razões pelas quais não tenho actualizado o blogue e desse facto tenho antes de mais de me penitenciar ante os que fazem deste espaço leitura habitual. Além das razões de ordem pessoal que não cabem aqui, o até agora altamente decepcionante momento eleitoral tem constituído um forte dissuasor e obstáculo à vontade de escrever.

No entanto, tendo ocorrido ontem o único (!) debate entre as duas candidaturas interessa-me, até para registo futuro, deixar algumas notas sobre o mesmo.

1- Neste momento é totalmente inútil fazer um juízo público sobre quem venceu o debate, tal a radicalização das posições, sem  que quem o faz fique sujeito a todo o tipo de impropérios, insultos e desgaste desnecessário. Mas já não o é a condenação da argumentação insultuosa que contaminam muitos dos comentários que se vêm registando, com acusações ridículas e dignas de avaliação psiquiátrica. O principal prejudicado é o debate e sobretudo o Sporting. Poucas serão as pessoas com uma vida pessoal  e carreira profissional sólidas que se queiram sujeitar a tal. Agora e no futuro.

2- Ainda nesse âmbito é sintomática a forma como se tratam e analisam os nomes e as escolhas consoante o lado da barricada a que se associam. As considerações feitas sobre Delfim, mas sobretudo Boloni, o último treinador campeão, são, na sua grande maioria, lamentáveis.

3- As piores dúvidas sobre o modelo escolhido para o debate acabaram por se confirmar. O moderador não conseguiu esquecer-se que um dos seus entrevistados também lhe assina os cheques, chegando a ser confrangedora a parcialidade com que deixava Bruno de Carvalho em discurso livre (e muitas vezes lateralizado, com apartes deselegantes e provocatórios, ou sem qualquer conteúdo) para interromper amiúde o raciocínio de Pedro Madeira Rodrigues. Ver o moderador a fazer o papel de "Severino em versão moderada" das eleições anteriores foi particularmente penoso. É bom lembrar que trabalha para o Sporting e não para BdC, por mais que tal seja tão amiúde confundido.

4- Se são inequívocos os trunfos que Bruno de Carvalho tem para apresentar (melhoria clara em muitos sectores da vida do clube, pavilhão, vendas de jogadores, etc) são também muitos os pontos a merecerem profunda discordância (da minha parte, obviamente). A maior fragilidade são a falta de  resultados desportivos consistentes e que justifiquem tantos auto-elogios, quando afinal se trata da normalização do clube. Foi muito por isso que se ficou pela apresentação de médias ao invés de troféus, pontuadas com as habituais desculpas em que o Sporting cai com demasiada frequência.

5- São também inegavelmente inequívocas as fragilidades de Pedro Madeira Rodrigues e sobretudo da máquina que suporta a sua candidatura. Tal torna ainda mais difícil de percorrer o caminho a que se propôs, que já de si comportava uma tarefa ciclópica: constituir-se como alternativa à aura messiânica que uma grande parte dos Sportinguistas vêm em Bruno de Carvalho, quanto mim de forma hiperbólica, injustificada e sobretudo perniciosa para o clube e até para o próprio.

6- A propósito do ponto anterior é importante assinalar que se as candidaturas de BdC tivessem sido sujeitas ao grau de escrutínio a que está a ser sujeita agora a candidatura de PMR, e os votos então recolhidos fossem muito mais o resultado da captação do descontentamento, provavelmente não seria ele o actual presidente.

7- Do ponto de vista do esclarecimento dos sócios o debate foi uma perda de tempo. Por exemplo, algumas das medidas de PMR suscitam enormes dúvidas sobre a sua exequibilidade e BdC manteve-se na atitude defensiva que adoptou para a campanha, certamente aconselhado pelos directores se campanha que sabem que quanto menos se expuser melhor.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Marta Soares tem que se explicar a Bruno de Carvalho (e vice-versa)

Tem sido até agora muito pouco interessante de seguir a disputa eleitoral que terá o seu desfecho no próximo dia quatro de Março. Acusações, insultos e o uso de linguagem pouco recomendável tem-se sobreposto  ao debate de ideias e projectos para o clube. Talvez porque umas e outros (ideias e projectos) tenham muito pouca substância e sustentação?

A primeira grande polémica já estalou, com a lista de Pedro Madeira Rodrigues a acusar o PMAG Marta Soares de parcialidade e falta de ética, complementando a acusação com o desrespeito ao que está disposto nos estatutos. A lista de PMR entende que uma vez que Marta Soares é parte interessada no acto eleitoral, uma vez que se recandidata ao lugar, se deveria afastar temporariamente do cargo, por "violar os mais elementares princípios democráticos, de transparência e ética porque um candidato a presidente da Mesa da Assembleia Geral que é simultaneamente presidente em exercício não está em pé de igualdade com os outros candidatos".

O PMAG diz-se de "consciência tranquila", acrescentando que "não há nos estatutos ou regulamentos nada que me obrigue a afastar-me. Não devo obediência às preocupações do outro candidato. A questão da ética é de quem não tem mais argumentos, porque, para mim, a ética são os valores da consciência, da dignidade e da honra. E como eu tenho a consciência tranquila sobre os valores de isenção e responsabilidade do meu cargo, não me afasto do meu lugar de presidente da Mesa até ao dia das eleições. E depois, se ganhar, continuarei."

Pode haver quem entenda que isto das questões de ética e princípios não interessa para coisa nenhuma. Quem assim não pensa, ou pelo menos não pensava em 2013 era Bruno de Carvalho, como se pode ver no vídeo (ver à 1h e 18m)  que dava conta de uma das suas acções de campanha, mais precisamente em Vendas Novas.  Talvez seja melhor Marta Soares e Bruno de Carvalho conversarem sobre esta matéria.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Eleições 2017: "Tapem as caras com uma mão e votem com a outra"

A frase que titula o post ficou célebre quando Álvaro Cunhal em 1986 aconselhou os seus militantes a votarem em Mário Soares de forma a evitar a eleição, tida então como quase certa, de Freitas do Amaral como Presidente da República.

Um conselho algo semelhante pode Bruno de Carvalho ser obrigado a dar aos eleitores que pretendam votar na sua lista para o Conselho Leonino. É que o número de elementos naquela lista com "passado croquete" é tão abundante que os seus "militantes" (que tanto gostam de invocar aquela expressão) até podem ser levados a pensar que o boletim que têm na frente tinha ficado esquecido em algum "saco de plástico preto" das eleições que levaram à presidência Soares Franco, Bettencourt ou até mesmo Godinho Lopes.

O melhor mesmo é seguir o conselho, venha ele ou não ser dado...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Eleições: os candidatos, as estratégias e os programas

Os candidatos e proto-candidatos até agora conhecidos
Falta ainda mais de um mês para as eleições mas continuam a existir movimentações quer dos candidatos já conhecidos, quer de outros que não o chegaram a ser, apesar das intenções. É o caso de Mário Patrício, que acabou por não assumir candidatura segundo o próprio  porque "não foi possível chegar a uma plataforma de entendimento para que essa alternativa conjunta fosse uma realidade". 

Sem dúvida que Mário Patrício representava um nome forte, uma vez que, além de uma exposição mediática maior que Pedro Madeira Rodrigues (PMR), tem um conhecimento aprofundado do clube, resultante do facto de ter sido dirigente durante vários mandatos. A possibilidade de chegar com apoios de peso, como o nome João Rocha faria dele um poderoso "challenger" de Bruno de Carvalho.

Falta ainda saber se Pedro Madeira Rodrigues conseguirá ultrapassar o semi-anonimato de onde quer sair até à presidência do clube. Afigura-se muito difícil de alcançar, a menos que algo mude drasticamente. Talvez tenha sido também para contrariar essa condição que PMR arriscou tudo na questão "Jorge Jesus". Por isso mas sobretudo por uma questão de principio.

Foi a decisão de Jorge Jesus em tomar partido a favor do seu opositor que o deixou sem alternativa. Ao apoiar o seu opositor JJ declarou com quem gostaria de trabalhar, invertendo assim a ordem natural das coisas: quem escolhe os funcionário é o presidente e não o contrário. Se PMR assobiasse para o lado, como provavelmente até lhe seria conveniente, ficaria com a sua autoridade minada caso viesse a ser eleito.

Jorge Jesus é o mestre da táctica mas não o é na ética. Se a ideia era desmentir os rumores de afastamento entre o treinador e o presidente, em função dos maus resultados, haveria formas mais "saudáveis" de o fazer. A questão essencial aqui é que JJ declarou não o apoio ao presidente mas a um candidato. Não me parece que os funcionários do clube o devam fazer de forma pública. Para os que acham que isto não interessa nada sabemos bem o que diriam se JJ declarasse o seu apoio a PMR.

Mais ou menos conhecido, o que ninguém deveria poder por em causa era a sua qualidade de Sportinguista pelos anos de sócio que leva, a que acresce ainda o reconhecimento de um prémio Stromp. Mas infelizmente, nesta estranha doença contagiosa que vai afectando o clube, quem não se arroja à passagem de Bruno de Carvalho é croquete. Quem se lhe opõe, como é o caso de PMR, acumula essa "virtude" com a de lampião. Muitos dos que assim se comportam podiam pedir-lhe emprestados uns anos de sócio e vinculação ao clube para ganharem um pouco mais de autoridade. Já credibilidade estamos conversados.


As estratégias
São já perceptíveis as estratégias de ambas as campanhas. Bruno de Carvalho sente que não tem a sua posição em causa e por isso só falará "quando for preciso" e aqui pode sempre fazê-lo na pele de presidente ou de candidato. O low-profile adoptado assim o indica. PMR tem-se desdobrado em entrevistas, certamente para contrariar o semi-anomimato de que falava acima. Mas terá que o fazer melhor na postura mediática em frente às câmaras de televisão mas sobretudo de ser melhor aconselhado. Um candidato a presidente não se deixa apanhar numa armadilha tão básica como debater com alguém que acumula as funções de melífluo homem de recados com a de fornecedor de refeições e toalhas quentes.

Programas
Se alguma característica que aproxima os candidatos é a natureza superficial dos programas a par de muitas medidas incumpríveis tão comuns neste tipo de documentos. Por exemplo, alguém acredita que as VMOC's sejam pagas nos próximos quatro anos? E porquê um centro de estágios a norte ou um clube parceiro na mesma região? Um velódromo, a sério? E que melhorias no atendimento serão feitas que não fossem precisas há tanto tempo, incluindo os últimos quatro anos?

Ainda assim esta é também uma boa oportunidade para discutir matérias com interesse para o clube.

O naming do estádio e do pavilhão?

Para quando o voto eletrónico?

Faz sentido uma rádio do clube?

O jornal deveria ser gratuito para os sócios e em que formatos se justifica?

Os concertos deveriam voltar a Alvalade?

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O fim do tabu que nunca o foi e o regresso dos notáveis


Finalmente com uma réstia de tempo (mais ou menos...) para escrever, vou-me debruçar sobre os temas que recentemente ocuparam a atenção dos Sportinguistas e me captaram a atenção. Não falarei sobre o recente jogo com o Varzim porque, para lá da pobreza da exibição e da preocupação que ela suscita nada há de relevante a dizer sobre ele.

Bastaram seis dias para Bruno de Carvalho afastar as dúvidas sobre a sua própria candidatura. A essa decisão muito terá ajudado o aparecimento de um candidato, Pedro Madeira Rodrigues. A rapidez com aparece uma lista cheia de nomes para uma comissão de honra confirma que o tabu da recandidatura nunca o foi verdadeiramente. Sobre esta não só a vejo como natural como necessariamente saudável. É a forma mais democrática de sujeitar o mandato que agora termina à imprescindível avaliação dos sócios.  

Ora até agora ambas as candidaturas não produziram mais do que palavras de circunstância, bem como as habituais paradas e respostas, resultantes da marcação cerrada que cada um dos movimentos passarão a dedicar uma a outra. O que de mais relevante me chamou à atenção foi a já famosa “Comissão de Honra” pela sua composição e sobretudo pelo seu significado.

Composição 
Relativamente à sua composição há uma nota significativamente positiva que assinalo, que é a sua inclusividade e abrangência. Essa é uma característica que respeita a natureza do próprio clube e uma das razões da sua grandeza. Sobre a inclusão de elementos não Sportinguistas nem me pronuncio.

Há porém na composição da famigerada lista uma notável incongruência e inflexão que não pode deixar de ser assinalada, tendo em conta aquela que era uma das notas mais destacadas do discurso que trouxe Bruno de Carvalho e dos que lhe eram mais próximos. Isto leva-me a uma série de perguntas que me parecem não apenas oportunas mas imprescindíveis:

Era aquele discurso meramente circunstancial e por isso puramente oportunista, com o único objectivo de ganhar as eleições?

Como convivem na mesma lista nomes de pessoas que durante anos foram e acusadas  de autores e cúmplices de malbaratarem o património do clube com aqueles que os responsabilizaram por esses actos e puseram em causa a sua dignidade e honorabilidade?

É a integração de alguns elementos uma tentativa de pacificação ou uma mera tentativa de reabilitação de alguns dos seus integrantes?

Como é possível condenar mandatos de ex-presidentes e “absorver” e reabilitar aqueles que, no âmbito das funções que lhes estavam atribuídas, deveriam ter fiscalizado as suas actuações e não só foram coniventes como ainda emitiram pareceres favoráveis e quase sempre elogiosos?

Como é que passarão a partir de agora a ser apodados os elementos ligados às gestões anteriores, mas que agora o seu nome honra esta candidatura?

A lista tem estado em permanente actualização. Atendendo à presença de Paulo Paiva dos Santos ela tem que ser actualizada à noite e depois logo imediatamente pela manhã?

Significado
Porém mais importante que discutir a lista de forma nominal é o seu significado, até porque dela fazem parte nomes que se confundem com a história do Sporting. A sua simples constituição na candidatura de Bruno de Carvalho não pode deixar de ser uma surpresa, mas desagradável. Significa o regresso do conceito de notáveis, uma das marcas mais profundas e nefastas do período do chamado “Roquetismo”, um dos conceitos mais fracturantes entre os Sportinguistas.

Como foi notório para a generalidade dos Sportinguistas, muitos daqueles nomes do  passado, e juntamente com muitos do presente, tudo o que têm a dar ao clube: o nome numa lista. Sem convites-ofertas e outras prebendas não terão qualquer interacção com o clube. 

Muitos herdaram o Sportinguismo por inerência familiar e o clube não passa de uma qualquer propriedade que se visita em dias festivos e é encarado como um parente pobre e inconveniente nos momentos de maior necessidade. Muitos dos que estão nesta lista não alteraram este comportamento mesmo quando foram investidos nas funções de dirigentes.

Notáveis são todos aqueles adeptos que correm o país com as equipas às costas para lhes prestar apoio. Notáveis são aqueles que com sacrifício próprio e dos seus despendem recursos e energia para não deixarem as nossas camisolas ao abandono. Ainda mais notáveis são aqueles que não deixam ao abandono as parentes pobres do nosso desporto, as chamadas “modalidades”. Notáveis são todos aqueles que se entregaram de alma e coração ao clube sem saberem antes o que receberiam de volta.

Não posso por isso deixar de me espantar com constituição de uma lista deste género por parte de quem se anunciava como a mudança e em menos de quatro anos absorveu e respira os velhos procedimentos. O seu aparecimento tresanda a mofo e tem o enorme carimbo do antigamente.

Sempre entendi que a renovação que o Sporting precisava – e pelos vistos continua a precisar – não era de pessoas porque os Sportinguistas são insubstituíveis, apenas têm que estar nos lugares onde mais são úteis e capazes. Não precisava nem de uma revolução geracional ou de classes porque sempre foi inclusivo. O que o Sporting precisa é de uma revolução de mentalidades e de competência, que os resultados desportivos demonstram estar ainda por suceder. Precisa de um nível de exigência mais apurado e menos autocomiseração.Menos olhares para o quintal dos vizinhos, pelo menos até ao nosso estar devidamente arrumado e limpo.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Eleições: tiro de partida.

Com a apresentação da candidatura de Pedro Madeira Rodrigues dá-se hoje um novo tiro de partida para as eleições, depois da falsa arrancada de Paulo Paiva dos Santos. Mas se a arrancada se ficou pelos blocos, num momento algo caricato, saliento a prestação do seu irmão, saindo em sua defesa e puxando dos galões pelo passado e pelos serviços prestados e pondo alguns pontos nos "ii's" que me parecem serem merecedores de referência. Na síntese que se segue os sublinhados são meus.

Pedro Madeira Rodrigues tem um longo passado como sócio do Sporting mas, tal como muitos outros nas mesmas condições, é um desconhecido para a maioria dos Sportinguistas. Será essa uma das maiores dificuldades a ultrapassar. Como hoje Bruno de Carvalho saberá melhor do que ninguém, terá na tradicional desconfiança como os "desconhecidos" são recebidos uma das maiores barreiras a saltar. Aguardemos pelas ideias e pela equipa para formular juízos. Para começar temos hoje a apresentação da candidatura. Sendo essencialmente uma formalização não deixa de ser importante. Como dizia Aaron Burns nunca temos uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão.

As noticias sobre dúvidas na recandidatura de Bruno de Carvalho são como as da morte do Mark Twain ou do Bonga: manifestamente exageradas. Ele sabe que tem as eleições praticamente ganhas: Como tenho dito, mais do que um candidato proponente ganhá-las será ele a perdê-las, como quase sempre acontece a um candidato da situação. O que me recuso a acreditar como sendo palavras suas é uma pretensa queixa pela militância dos Sportinguistas, como hoje vi no Record. Não deve haver muitos clubes que se possam gabar da fidelidade dos seus adeptos (o que é até reconhecido até pelos nossos rivais) apesar da escassez e triunfos. Não é seguramente pelos adeptos que tal acontece.
Ainda não está confirmada mas são cada vez maiores os rumores da candidatura de João Benedito. Fosse apenas pelos serviços prestados ao clube e a forma exemplar como sempre esteve de leão ao peito seria difícil de bater. Mas ser presidente são outros quinhentos.

A notória incomodidade e a má recepção que está a ser feita a outras candidaturas por sectores muito próximos de Bruno de Carvalho é um mau serviço prestado ao clube. A pluraridade de ideias e igualdade de oportunidades deve ser uma marca do clube que nos distingue das dinastias Vieiristas, Pintocostistas. Assim como não deve ser esquecido o período de candidaturas únicas, cooptações e outros unanimismos e o a que isso nos conduziu. Só quem tem direitos e alcavalas que tem como adquiridos é que tem que temer novas ideias e uma possível mudança. E esses são muito poucos, pelo que é um receio que não se justifica na maioria de nós.

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