As notas de maior destaque do passado final de semana tendo como ponto central o jogo em Alvalade foram o castigo a Nani e os assobios a Peseiro e à equipa, especialmente na segunda parte. Vamos por partes, analisando os factos que vieram a público e deixando de fora as especulações:
Peseiro:
Podemos discutir se fez bem ou mal trazer o caso à conferência de imprensa que antecipava o jogo, voltando a dar-lhe a notoriedade que havia perdido com o passar dos dias. Podia ter optado por não fazer outra referência que apenas "este é um assunto que foi resolvido internamente", evitando a punição pública do jogador. Acontece que a gravidade dos insultos que aparentemente lhe foram dirigidos de forma pública lhe reservava o direito de reacção de igual teor.
A direcção da SAD
A presença de Nani na tribuna no pavilhão João Rocha e depois no jogo foi uma tomada de posição esclarecedora por parte da SAD. Independentemente de haver ou não sanções ao jogador, e de se saber como e por quem foi tomada a decisão de afastar o jogador, este não será banido nem ostracizado.
Nani
Nani esteve muito mal, e a sua tomada de posição é ainda mais grave por se tratar do capitão. Dessa forma pôs em causa o seu estatuto de capitão, minando a sua autoridade no seio do plantel que lidera. A liderança exerce-se mais do que com palavras com o exemplo.
A minha opinião
Casos como estes são tão necessários como noticias de doenças graves, especialmente neste momento especial em que o Sporting continua imerso. Preferiria que a reacção inicial de Peseiro fosse a que optou após o jogo. Fosse ela qual fosse, não tenho é qualquer dúvida que o treinador seria sempre criticado. Provavelmente pelos mesmos que aplaudiram a reacção bem mais destemperada de Sérgio Conceição no caso Marega. Ou que acusavam Peseiro desde o caso Rochemback de não exercer autoridade. Mas especialmente por aqueles que esgravatam tudo à procura de algo que lhes dê a atenção e o protagonismo para a sua causa, que obviamente nada tem a ver com o Sporting Clube de Portugal.
O jogo
É precisamente por aí que vou começar a análise ao jogo, pelo treinador e pelos assobios, especialmente os que ouviram durante a segunda parte. Sendo claro que a exibição no segundo tempo foi medíocre, não é menos claro que o Marítimo praticamente nem soube quem estava na nossa baliza nesse período.
Aí, por muitas criticas e diferenças sobre o trabalho do treinador, tenho que manifestar a minha incompreensão e incómodo pelo que assisti. É bom lembrar que, especialmente no ano passado, mesmo quando a estabilidade directiva ainda existia e o plantel era outro, as vezes que fomos brindados por exibições ridículas, algumas vezes finalizadas com resultados que acabaram por comprometer a época e redundar na hecatombe final. Muitas vezes sob a justificação ridícula do "futebol à italiana".
Até agora, apesar de muito longe de deslumbrar pelo futebol jogado, mantemos intactas as nossas ambições, tendo jogado inclusive duas vezes no terreno dos dois primeiros classificados. Tem havido notório compromisso da equipa em campo, o que torna ainda mais imerecidos os assobios. Como Peseiro muito bem lembrou, terminamos o jogo com apenas três jogadores titulares da época passada. Assobios por causa das substituições? De facto o tempo e o modo escolhidos são muito questionáveis, mas a verdade é que as opções são muito reduzidas, especialmente em qualidade.
A nota geral do jogo foi sofrível, é um facto. Mas o resultado não foi, especialmente pela envolvente que nos trouxe até ele. uma sequência negativa que nos levou da primeira derrota a ter que enfrentar um caso disciplinar com o capitão de equipa. Sairmos vivos e de ambições intactas foi o melhor que nos podia ter acontecido.
Se alguém não gostou dos três pontos que ponha uma providência cautelar e meta os assobios no... saco. Alvalade é a nossa casa e tem de ser a nossa fortaleza, especialmente em momentos como este. Se alguém tem que temer a nossa casa são os adversários e não a nossa equipa, os nossos jogadores ou os nossos treinadores.