quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

10 pontos sobre a Assembleia Geral

1-Ao contrário do que tem vindo a ser veiculado aqui e ali, a Assembleia Geral (AG) do próximo sábado não se destina a deliberar a expulsão de nenhum sócio, mas apenas a apreciar os recursos dos diversos associados, a citar: Alexandre Godinho, Bruno de Carvalho, Carlos Vieira, José Quintela, Luís Gestas e Rui Caeiro, membros da direcção destituída pelos sócios e entretanto suspensos, Elsa Judas e Trindade Barros, sócios expulsos.

2-Sobre a matéria que estará sob apreciação dos sócios - a manutenção das penas aplicadas - e tendo em conta a gravidade dos actos cometidos, mas também tendo em conta o que foram as acções subsequentes, é absolutamente claro para mim que não há nenhuma razão para a suspensão das penas dos ex-dirigentes (Alexandre Godinho, Bruno de Carvalho, Carlos Vieira, José Quintela, Luís Gestas e Rui Caeiro), bem pelo contrário. 

3-Sobre a pena de expulsão dos dois referidos sócios (Elsa Judas e Trindade Barros), a sua intervenção e participação nos eventos que levaram à AG de destituição configuram gravidade suficiente para o merecimento da pena aplicada. O facto de nem sócios de pleno direito serem por, alegadamente, terem quotas em atraso e, não menos importante, serem especialistas em direito funciona como especial agravo.

4-Ontem registaram-se novos desenvolvimentos do que virá a ser a AG. O Presidente da Mesa da Assembleia Geral (PMAG) Rogério Alves dirigiu uma comunicação aos sócios, dando nela conta da possibilidade de os indivíduos sob alçada disciplinar e requerentes do recurso se poderem apresentar pessoalmente na AG e tomarem a sua defesa.  Em teoria olho para esta medida como uma atitude generosa e até saudável. Na prática olho para ela como uma medida ingénua e baseada numa análise irrealista e distorcida da realidade.

5-Dá impressão que o PMAG delegou num clone a gestão da passada AG e que depois disso não chegou a estabelecer contacto com a sua réplica. Mas pior, não tem lido os jornais, não tem visto as noticias e não se apercebeu ainda do que têm sido os últimos meses da vida do Sporting. Peço desculpa pela crueza da imagem, mas não há generosidade nenhuma em continuar a afagar a cabeça do mastim que temos em casa e cuja intenção continua a ser evidente de querer continuar a tentar morder. A isso chama-se ingenuidade e só por respeito ao PMAG não uso outra palavra.

6-Tenho uma diferença de opinião insanável com o PMAG e talvez mesmo com a generalidade dos órgãos sociais que parece quererem ir em busca de uma pacificação por via da tão famosa "união". Para que tal acontecesse seria necessária uma regra básica, que se aplica a actos mais banais como por exemplo dançar um tango: é preciso a vontade dos dois lados. Aplicando isso à realidade vigente no nosso clube, há um último reduto de adeptos que continua a não aceitar os resultados das eleições e cuja única e exclusiva vontade que continuam a manifestar é reverter o acto até ao ponto em que seja possível voltar a colocar Bruno de Carvalho de onde ele foi afastado pela vontade de uma maioria bem expressiva de sócios. A sua lealdade ao Sporting extingue-se nessa vontade cega. Só deve ir a jogo quem aceita as regras. Ora o PMAG diz que "temos que de democraticamente aprender as decisões maioritárias" mas esse exercício carece ainda de ser feito por muitos, pelo que não se percebe a generosidade.

7- Compreendo que haja sócios que entendam o contrário de mim e guardem do anterior presidente memórias mais positivas e reconfortantes do que as minhas. Mas o que está em causa neste processo são factos  muito concretos e revestidos de especial gravidade que num eleito para defender a instituição Sporting funcionam como circunstâncias especialmente agravantes. Se dentro desses há quem olhe para o mandato e encontre razões de satisfação e regozijo, lembro que esse deveria ser o resultado normal do exercício da função que lhe foi confiada e tida por ele como uma honra e não como um livre trânsito.

8- Não é demais lembrar o objectivo das AG's do inicio do ano, cujo um dos objectivos dos então dirigentes era o endurecimento do regulamento disciplinar, sob cuja alçada haveriam de cair em tão pouco tempo. Isso não apenas faz acrescer as suas responsabilidades como as agravantes para os seu actos.

9-Tenho também sérias dúvidas da legitimidade da permissão de entrada na AG de sócios suspensos. Também compreenderia a generosidade expressa na vontade de deixá-los tomar a sua defesa, não sendo demais lembrar que foi-lhes facultado o exercício do contraditório no decurso do processo disciplinar. Porém pergunto-me: o que poderão dizer de novo que não saibamos já? Que se encontravam temporariamente inimputáveis quando decidiram criar uma mesa de assembleia geral fantasma uns e a aceitaram integrar outros? Foram vitimas de envenenamento dos alimentos pelos "sportingados" e outros malfeitores? 

10-Não sei que rumo tomará a AG e muito menos o seu resultado. Mas até mesmo para alguém como eu, que nunca acreditei em Bruno de Carvalho, não aceito que o seu sportinguismo não tenha falado até hoje mais alto que as suas ambições pessoais. Desde que o caos em que nos lançou e as divisões que provocou, e depois das inúmeras providências cautelares sucessivamente rejeitas que interpôs, em nenhum momento ouvi uma palavra que demonstrasse uma preocupação genuína com o futuro do clube mas apenas consigo próprio. Isso por si só é suficiente para manter e reforçar as minhas convicções relativamente aos eventos à época e os seus principais protagonistas.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

O Sporting dos casos e casinhos

O Sporting é um clube "extraordinário"! Há três anos a "Tertúlia Leonina", um grupo de Sportinguistas que de forma livre resolveu constituir-se como um grupo de reflexão, realizou o seu primeiro jantar de Natal. Na altura esteve presente o então presidente do Sporting e daí não resultou qualquer polémica, pelo menos que me lembre.


Este ano o jantar repetiu-se e contou com a presença do actual presidente Frederico Varandas, do vice-presidente Francisco Salgado Zenha que creio é elemento integrante deste grupo, bem como de pelo menos um elemento do staff do futebol profissional.

De repente estalou o escândalo e o jantar bem, como o referido grupo, passou a ser escalpelizado como se se tratasse de acto de lesa Sporting. Este espírito de casos e casinhos e perca de tempo em discutir tudo e o seu contrário é bem o espelho do Sporting e pode ajudar a perceber - ou não - porque é que este clube tem tantas vezes adiado aquele que deveria ser mais vezes o seu destino natural: vencer mais vezes!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Onde está a mão do Ronny quando o Mota mais precisa dela?

Vou começar esta crónica pelo final:

Há uns anos atrás José Mota, no comando do Paços de Ferreira, veio ganhar a Alvalade com um golo de Ronny, marcado com a mão. Os pontos perdidos nesse jogo seriam suficientes para nos ter dado o titulo nesse época. O José Mota saiu tão satisfeito com o resultado que nem se conseguiu referir ao lance na conferência de imprensa a seguir ao jogo. Ontem chorou baba e ranho por uma qualquer razão que ainda estamos para perceber. Como se a sua equipa tivesse perdido como ele nos havia ganho: por um erro de arbitragem.


O José Mota que tanto teclamou com a arbitragem e com a organização do futebol português é ainda o mesmo treinador do clube que não foi à Liga Europa porque a administração do clube se esqueceu de inscrever a equipa na competição. O José Mota deve urgentemente fazer uma consulta de neurologia por causa destes esquecimentos? Não creio. Sofre provavelmente da mesma amenésia que o Folha, quando lhe perguntaram se a sua equipa tinha sido prejudicado no jogo com o FCP. Nem uma palavra sobre o penalty perdoado e o golo sofrido com o fora-de-jogo a anteceder...

Quanto ao jogo, foi um jogo algo estranho. O Sporting, que já tinha superado com distinção algo semelhante com o Karabaq, não se deu bem com a marcação 1x1 do Aves. Porque a pressão foi maior e exercida no espaço curto deixado por uma defesa muito subida. A segurança em posse perdeu-se e a equipa revelou o natural incómodo. Mas, ao contrário do que se poderia supor, o Aves não abdicou do ataque, fê-lo foi de forma surpreendente ao abdicar de um elemento fixo e ao colocar 3 elementos rápidos, O suficiente para ensaboar o juízo aos nossos defesas e, isolando-os, expor as suas debilidades. 

Mas, ao contrário do que é habitual, a equipa está a ser construída da frente para trás. Isso ou é aí que a diferença de qualidade individual é mais notória e acaba por se fazer sentir. Foi graças ao enorme jogo de Bruno Fernandes, ao golo estratosférico de Nani e à eficácia de Dost - 3 remates, 2 golos -  que demos a volta ao resultado e construímos mais uma goleada. Mas ficou o aviso, e enquanto for apenas em forma de aviso podemos nós muito bem.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

O próximo grande desafio de Keizer: o teste do autocarro

Aqueles lugares comuns que buscamos para falar do futebol são sempre actuais. O futebol desperta paixões é um deles e que a paixão tolda a razão é outro que também se pode usar para nos referirmos à ciclotimia crónica de que enfermam os adeptos e não menos os comentadores do fenómeno desportivo. 

Senão vejamos: a 15 de maio o Sporting sofria um rude golpe infligido directamente no coração que não apenas lhe poria em causa o seu prestigio, como o deixaria depauperado de um parte substancial dos seus melhores valores e imerso numa profunda crise, cujos contornos e consequências estão ainda por apurar. 

A época que se avizinhava era aguardada até nas versões mais optimistas como uma penosa travessia do deserto. Impressão que se foi cimentando com um estágio de pré-época digno de uma equipa amadora em excursão, um treinador sem qualquer carisma e de imagem desgastada junto dos adeptos, que só o resgate de Bas Dost e Bruno Fernandes ajudaria a atenuar. Hoje percebe-se ainda melhor o quanto esta acção acabaria por ser determinante para a saúde do actual Sporting. Só não se percebe como é daqui se saltou para voltar a falar em titulo nacional. Mas, se tal sucede, há dois nomes incontornáveis: o treinador Keizer e Frederico Varandas, que assumiu o risco da sua contratação.

Mais do que os resultados seriam as paupérrimas exibições a obrigar Frederico Varandas a sair do seu cadeirão de conforto que o desresponsabilizava da escolha do treinador. Isso e um discurso desmotivante e desagregador de Peseiro, incompreensível mesmo à luz das circunstâncias difíceis que encontrou para o desenvolvimento do seu trabalho. Ainda assim, a escolha do momento e do nome do treinador acabaria por surpreender toda a gente.

Mas, mais do que o nome e o momento, está a ser a forma discreta mas eficaz e convincente como Marcel Keiser  soube dar a volta a uma equipa sem alma e, porque não dizê-lo, de reduzidíssima auto-estima. Resultados e exibições eloquentes e em crescendo depressa fizeram esquecer o ribombar das criticas e dos receios expressos sobre o acerto da decisão. Na sua maioria por se fixarem no curriculum e outro tanto para esconder a ignorância total. Faltou perceber que mais do que qualidade o curriculum atesta o passado e as circunstâncias em que ocorre e não tem que significar uma sentença sobre o futuro. A verdade é que só mesmo quem conhecia o treinador e o seu trabalho lhe poderia adivinhar o potencial que agora a rápida e dramática forma como operou a transformação da equipa todos se apressam a reconhecer.

O Sporting de Keizer deve muito da sua subida auto-estima e de qualidade exibicional à simplicidade de processos como reorganizou o modelo de jogo. Este baseia-se numa maior proximidade de sectores e e dos elementos, que permite não só maior posse como uma resposta mais pronta e melhor organizada quando a bola é ganha pelo adversário. O recurso a cruzamentos constantes, à procura do milagre habitual de Bas Dost, foi substituído por uma maior procura e ocupação do corredor central, sem medo de enfrentar o bloco defensivo do adversário. A forma, o número de elementos que coloca e a qualidade como chega às zonas frontais à baliza adversária definem grande parte do sucesso das finalizações, que aumentaram significativamente.

Claro que os dois encontros iniciais não foram muito convincentes para críticos e adeptos, muito pelo baixo valor facial dos adversários. E nem a goleada, cada vez menos usual, aplicada ao Karabak, diminuiu a controvérsia sobre a escolha Keizer. O encontro com o Rio Ave assumiu-se como o derradeiro teste à consistência da equipa verde e branca. Como se sabe hoje, o teste foi passado com distinção, provocando a rendição da critica e dos mais indecisos.

Como é bom dever algum do sucesso imediato se deve, além dos méritos do treinador, ao factor surpresa. Factor que tenderá a desaparecer no imediato, com os técnicos adversários a terem mais tempo para analisar o "modelo Keiser" e a construírem os seus próprios antídotos. Os próximos quatro jogos do Sporting serão jogados em casa e aí será possível ver como se propõem os adversários a enfrentar os leões. Veremos então se a proposta de Marcel Keiser também é à prova de dos tradicionais autocarros a que recorrem muitas vezes as equipas de menor recurso.

Além desse há um outro teste a enfrentar pelos homens do holandês até agora tranquilo: a impaciência do tribunal de Alvalade, por oposição à serenidade e jogo de aturados equilíbrios que a equipa exibiu em Vila do Conde e onde se fundaram muitas das razões para o sucesso alcançado.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Rio Ave 1 - Sporting 3: parece que temos gente!...

A primeira nota vai para a precaução tomada na hora de escrever este post: antes de o começar a redigir fui buscar uma âncora ao Rio Ave (não ao clube) que me obrigasse senão a manter sempre os pés no chão pelo menos que me fizesse lá voltar, de vez em quando. É que tão mal habituado que estava ao futebol exibido no passado recente que, depois do jogo de ontem, posso ser traído pelo entusiasmo e começar a sonhar já com a Liga dos Campeões. Como o tempo se encarregará de provar, para lá chegar vai ser preciso remar muito mais, com mais acerto e vigor.

A segunda nota é de penitência, o que pode soar um pouco estranho, quando estamos a menos de um mês do Natal e Quaresma ainda vai longe. Mas sinto-me obrigado a ela por honestidade intelectual para com aqueles que me vão lendo. Estou a referir-me aos receios aqui manifestados por altura da chicotada psicológica em Peseiro, sobretudo em relação ao "timing" escolhido. Como se prova em menos de meia dúzia de jogos, era possível outro futebol, usando exactamente os mesmos jogadores. Bastou para tal simplificar processos e ideias. 

Como se vê, o futebol não é propriamente uma ciência oculta, embora também se recomende algum estudo e preparação. A ideia de satisfação pelo jogo e simplificação de processos é o que transparece hoje quando se vê o nosso Sporting jogar. Ao contrário do passado recente, em que parecia a cada jogada que os jogadores paravam para efectuar uma equação de terceiro grau ou para fazer um complicado cálculo de geometria e fisica aplicada. Tudo isso para calcular um atraso ao guarda-redes ou mandar a bola para fora, que eram então as nossas jogadas melhor estudadas e preparadas. 

Depois, os jogadores jogavam tão longe uns dos outros que quase precisavam de walkie-talkies para comunicar. Sendo que alguns, pelas distâncias entre si, só se deveriam ver ao intervalo. E nós imaginando como deveriam ser efusivos os cumprimentos - ou quiçá saudades até... - do Dost com o Bruno Fernandes ou Nani: "há quanto tempo, pah!" ou "também vieste hoje? Até pensei que não tinhas sido convocado!". Isto sem falar de quantas eram as vezes que o Gudelj se imaginou em Viseu, tantas eram as rotundas que tinha que fazer para se virar para o lado correcto, cada vez que era chamado a conduzir uma jogada.

Ontem, pelos vinte e cinco minutos de jogo e já com belas jogadas e golos, cheguei a pedir o intervalo, tanto era o desgaste emocional e até físico que ver jogar futebol me estava a causar. Um homem já de uma certa idade como eu desabitua-se e depois aquela calma com que trocam a bola em sucessivos emparelhamentos e triangulações provoca muito mais suspense que uns charutos para o ar e para a frente. É que enquanto a bola ia e vinha dava para ir ao site das Autoridade Tributária validar umas facturas, optimizando-se assim o tempo e o dinheiro do bilhete. 

Assim agora sinto-me obrigado a estar sempre a olhar para o relvado, não vá eu perder o Wendell a parar uma bola como se a chuteira e a bola tivessem velcro. Ou o Jovane a dizer ao guarda-redes em que canto da baliza ele vai ver sair o Pai Natal com as renas ou as coelhinhas (já não sei bem quem é quem nestas novas versões natalícias que todos os dias os meus amigos me mandam, via whatsapp...). Uma canseira!

Mas convém não embandeirar em arco e para isso tínhamos ontem o Renan e o seu acordo com uma clínica de cardiologistas (que mais tarde ou mais cedo será revelado pelo CM em primetime). Ou que esta equipa ainda tem alguns elementos que nos fazem lembrar quando tínhamos que por a mesa, e a mãe, entre a paciência infinita e a perplexidade nos dizia: esse talher que aí está não tem nada a ver com os restantes, não se vê tão bem? O que ela diria hoje se tivesse visto o Diaby ou o Bruno Gaspar...

Há mais razões para contermos o entusiasmo. Por exemplo, há demasiados Xistras neste campeonato e poucos oftalmologistas. Só assim se percebe que não tenha expulso o Vinicius, esse jovem e encorpado jogador,  muito interessante de facto. Mas há homicídios que começaram por muito menos do que aquela entrada sobre o Jefferson.

Vinicius, esse sem dúvida muito interessante jovem jogador que o treinador do Rio Ave não trocava por Bas Dost. O que se compreende, porque ele não deve gostar de futebol, gosta é de pieguices e picuisses. Quem se queixa do lance do nosso primeiro golo não gosta de golos, logo não gosta de futebol, talvez de rendas de bilros. Claro que assim se percebe que não queira trocar Bas Dost e fique lá com o Vinicius. Que eu não me importava de ter no Sporting e que, se se acabasse de revelar tão bom como o Castaignos, sempre tínhamos quem rachasse a lenha que não se parte sozinha nem vai em filinha para a lareira.

Mas há um enorme mérito nesta mudança que nunca será reconhecido. Não estou a falar do Frederico Varandas, que em quinze dias montou a equipa técnica, apesar da preguiça revelada na escolha do treinador e ser incapaz de inovar:  foi descobrir Keizer onde já tínhamos descoberto Vercauteren. Nem do próprio Keizer, que só está a fazer aquilo que se pede a um treinador: por uma equipa de futebol a jogar... futebol. Não me estou a referir a eles, mas sim à equipa de professores que em duas semanas puserem o treinador a falar português e todo o plantel a falar inglês e holandês. Só assim se percebe as rápidas melhoras da nossa equipa.

Parece que afinal até temos gente. Gente na equipa, porque Sportinguistas há muitos, como ontem se viu numa noite de segunda-feira de futebol. E acreditem que há poucas coisas de efeito mais terapêutico do que ir com os amigos ver o Sporting voltar a jogar numa noite de nevoeiro e dar a boa nova  aos amigos que ficaram em casa a torcer por fora.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O que Rogério Alves e Frederico Varandas ainda não perceberam?

Vivemos tempos extraordinários em que pessoas "normais" e sãs são insultadas para serem levadas ao colo até aos altares outras com claros sintomas de perturbação e desequilíbrio. Que haja em grandes organizações pessoas desequilibradas e que haja quem as siga não constitui nenhuma surpresa. 

Surpresa, essa sim, é das pessoas sãs, inteligentes e equilibradas que não apenas lhes sustentam os sonhos de poder pessoal como ainda as alimentam e forneçam todo o tipo de teorias alternativas para construção de álibis, que as evidências e a realidade se encarregam de desmentir.

O Sporting é hoje um clube profundamente fracturado e essa asserção nada tem a ver com o clube das quintas e quintinhas em que sempre viveu. É um fenómeno novo, muito semelhante ao que se pode assistir em muitas organizações e até países. Resulta da radicalização, do abandono das normas, convenções e até dos estatutos, como é o caso do Sporting, provocando um fosso profundo que impede qualquer acordo ou entendimento básico. 

Não há união possível com quem não deseja outra coisa que não a capitulação total sob os seus interesses e desígnios, custe o que custar. Não há resultados eleitorais válidos, não há respeito pelas regras ou vontades expressas pela maioria. Enquanto elas não forem as que dão jeito ao projecto de apropriação de poder serão sempre afrontadas por teorias alucinadas de golpes e conspiração. 

De tudo isto o que é que Rogério Alves e Frederico Varandas e o CFD ainda não perceberam?

sábado, 1 de dezembro de 2018

"Unir o Sporting"

Os órgãos sociais foram recentemente eleitos sob o lema “Unir o Sporting”. Três meses depois, está o Sporting unido? Considerando a AG de ontem, a resposta só pode ser negativa. 

Nas palavras do Presidente da Mesa da AG “há feridas abertas”. O problema é pensar que essas feridas vão sarar com o tempo e, assim, unir o clube. Não vão sarar porque a luta por parte de quem tudo teve e tudo perdeu ainda não acabou. E tal como o leão que manda no seu grupo sabe que se for derrotado por outro leão este come os seus filhos, fica com as suas fêmeas e aquele passará a ter de sobreviver sozinho, também o deposto presidente, e ora sócio suspenso, vai lutar por todos os meios para não desaparecer de cena. 

Ontem era esperada uma AG morna, na ordem de trabalhos nada de polémico, pouca afluência esperada. O cenário ideal para os apoiantes que restam ao deposto presidente e sócio suspenso tentarem alcançar os seus objetivos, e que foram os seguintes: 

(i) Causar perturbação; 

(ii) Dar prova de vida; 

(iii) Votar contra o orçamento. 

Conseguiram os dois primeiros, falharam no terceiro. Foi dada a palavra aos sócios, em nome da liberdade, como mais uma vez referiu o seu Presidente. Mas a liberdade de uns acaba na liberdade dos outros, e já agora não pode esbarrar na lei, nos estatutos e nas mais básicas regras de educação. Leis, estatutos e regras essas que foram muito mal tratados nos últimos 5 anos. Curioso que que muitos dos que então aplaudiam na 1.ª fila e achavam que era apenas um “estilo” (quando era muito mais do que forma, 100% substância e a verdadeira essência), só viam o que queriam e agora estão do outro lado da barricada.


Fica o alerta, porque no próximo dia 15 irá realizar-se uma assembleia geral extraordinária do Sporting Clube de Portugal, cuja ordem de trabalhos contempla o recurso das suspensões impostas a alguns membros do deposto Conselho Diretivo. O facto de o anterior presidente ter sido deposto e suspenso da condição de sócio (já nem falo dos acontecimentos judiciais recentes) parecem não ser suficientes para deixar para trás um período negro da nossa história, pelo que importa confirmar em AG essa mesma suspensão, algo que está agora na mão dos sócios. Mas os atuais órgãos sociais não podem apenas esperar o decurso do tempo, há mais, muito mais a fazer nesta matéria. 

Da parte do Conselho Diretivo, apressar o fim da auditoria forense e divulgar a mesma aos sócios, sem limitações de qualquer espécie, para que não falte transparência a todo o processo. Já o Conselho Fiscal e Disciplinar tem em mãos um processo contra todos os que designaram órgãos sociais sem qualquer suporte estatutário, acto nunca visto, de extrema gravidade e que nunca mais devia poder repetir-se. Por fim, a Mesa da AG deve promover uma verdadeira reforma dos estatutos, com real participação dos sócios, discutindo os mesmos, artigo a artigo, “como manda a boa técnica” referiu em fevereiro passado o atual Presidente da Mesa. 

Concluídas as referidas medidas, haverá então condições para unir o Sporting e os sportinguistas, mas só se consegue unir quem quer essa união. 

Rui Morgado 

P.S.: Folgo em verificar que ontem a AG voltou a ser um acontecimento privado, entre sócios, sem a transmissão televisiva para o exterior que foi regra nos últimos tempos.

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