quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Pedras no caminho? Vou guardá-las todas no bolso para não levantar voo

Mais um jogo na era Keizer, mais uma goleada. Sabemos que isto não vai durar sempre, mas enquanto dura é bom. Aliás, é muito bom! É sempre bom ver o Sporting ganhar. Ganhar aos adversários, progredir no seu caminho, ficar mais perto dos objectivos que todos desejamos. E sabendo que não apenas estamos a ganhar como a jogar bem, sente-se que há um crescimento sustentado e não meramente casual.


Verificar isso é constatar que estamos mais perto do sucesso, mesmo sabendo que não há quem ganhe sempre. Mas quem joga bem está sempre mais perto de voltar a ganhar e isso é o conforto que podemos sentir por agora.

Pedras no caminho? Vou guardá-las todas no bolso para não levantar voo. É que com esta confiança e com a qualidade de desempenho em alta quem sabe não éramos capazes de um (des)gosto a muita gente...

Nota: poucos se lembrarão de um Sporting assim: é preciso recuar à época 1940/41 para encontrar uma sequência de tantos jogos, tantas vitórias. Acho que as pedras são mesmo necessárias...

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Os primeiros 100 dias de Frederico Varandas, pelo próprio.

Frederico Varandas completou 100 dias como presidente do Sporting. Na entrevista que deu à SportingTV abordou alguns dos assuntos que marcam esse período. A forma como o fez inaugura um estilo diferente do que os Sportinguistas estavam habituados na gestão anterior. 

Como é natural nestas matérias, agradará mais a uns do que a outros. Para quem gostava do estilo anterior será por certo uma dececpção. Para quem ansiava por uma mudança na comunicação está feita a apresentação.

Do meu ponto de vista trata-se de uma entrevista sóbria, sem desculpas com o passado, pretextos ou o desculpas com as dificuldades inerentes às tarefas. Saliento aqui as frases que me parecem mais importância, com especial relevo para aquelas que foram mais usadas: "Minha equipa" .

Primeiro objectivo conseguido: Sporting saudável nas mais diversas vertentes Devolver o orgulho aos sportinguistas por ter o Sporting nas noticias pelos melhores motivos.

Não acreditava que era preciso fazer sem resultados, sabia a exigência desta missão. Não era fácil, mas acreditávamos que era possível.


O futebol do Sporting está em alta, está muito melhor.


Somos independentes, tomamos decisões sem estar preocupado com a duração do mandato.


A escolha de Keizer, competência técnica, liderança do grupo, gestão do grupo e comunicação. É um grande treinador, um grande senhor!


Muito do sucesso que Marcel Keizer vem da qualidade da nossa estrutura. Beto e Hugo Viana, trabalho fantástico, descrição, profissionalismo competência. 


Não é preciso grandes recursos financeiros para atrair as pessoas, é preciso ter um projecto que as atraia. Consegui trazer as pessoas que nos interessavam apenas com uma conversa.


Eu era a pessoa mais feliz se tivesse continuado com Peseiro até ao final da época. Mas seu sou presidente do SCP que é um clube com muita exigência e tem que mandar, que se assumir como favorito. Tem que ter um futebol atractivo.


Hoje sinto-me confortável em situações de stress. A decisão despedimento de Peseiro foi uma decisão tranquila.


Hoje dá-me uma grande satisfação que em 100 dias os Sportinguistas acreditam que o Sporting pode ser campeão. Eu acredito.


O Sporting vai estar atento ao mercado.


O Sporting vai acabar por bater os seus rivais não pelo barulho, mas pela inteligência e competência.
Uma palavra muito especial para os adeptos que estiveram no estádio no domingo: um estádio a cantar e puxar pela equipa, que está a perder por 2-0, isto afecta os adversários, que esperava que estivéssemos no tapete.


Matheus Pereira e Geraldes são regressos possíveis. Já há coisas definidas para o imediato e para Junho.


Veremos se há mais renovações, Marcel Keizer está a pouco mais de um mês no clube.


Sturaro é uma pasta que nós herdámos. Estava para vir em Novembro mas só virá se estiver bom. Não queremos fazer recuperações a jogadores para estarem bem em 2019. Isso no Sporting não existe agora.


Muito já foi feito na Academia em três meses. A estrutura está montada. Há qualidade para ser trabalhada, mas temos que dar condições a quem lá trabalha., temos que formar o melhor possível porque o Sporting terá que viver da formação.


Os miúdos precisam de regras, de disciplina e valores, ao mesmo tempo que os formamos como jogadores.


Muito está ainda por fazer. Está lançado o concurso para a substituição dos sintéticos com 10 anos, os de relva natural têm 15 anos. Iniciámos projecto para nove novos campos. 


A estrutura da Academia não está fechada, vão entrar mais pessoas.


É obrigatório (continuar a investir nas modalidades) O Sporting não é um clube de futebol somos o SCP.


Gabinete de Planeamento e Estratégia das modalidades está implementado.


Aumentamos em 22% GB Modalidades.


Aumentamos 11% a assistência no PJR.


Já tivemos cerca 10 dias Sporting (modalidades + futebol).


Falta agora dar vida às zonas em volta do PJR e Estádio.


Todos os escalões das modalidades terão equipas femininas.


O basquete é uma realidade e o treinador será apresentado em breve.


O judo é um exemplo de uma modalidade que os Sportinguistas se orgulham. O prof. Pedro Soares faz há anos um trabalho extraordinário, até em bairros com realidades sociais complicadas. Não tem as condições das modalidades profissionais, mas formam uma armada que se bate com os melhores da Europa.


O EO não podia ser na pior altura e em piores condições mas está feito.


Agora estamos numa segunda fase, a reestruturação financeira está em curso.


A auditoria financeira deverá ser apresentada por meados de fevereiro. Não procuramos nenhuma caça às bruxas. A vida do Sporting tem que continuar, não podemos ficar presos ao passado. A preocupação é com o futuro.


Acredito que até final de Janeiro teremos resolvido o “dossier Gélson”, com acordo.
Há uma garantia em relação aos processos de Rafael Leão e Podence: iremos até às últimas consequências se não houver acordo.


Esta AG cumpre e respeita os estatutos. As suspensões e expulsões não são uma decisão desta direcção. A AG decorre do recurso dos sócios em causa. Enquanto direcção não tenho nada que comentar.


Toda a gente já percebeu a nossa forma de trabalhar. Temos tido óptimo feedback dos clubes, da FPF e LIGA.


Há mais de três anos que não recebemos um jogo da selecção. Temos que normalizar as relações institucionais, sem abdicar dos nossos valores. As instituições sabem que hoje têm no Sporting um verdadeiro aliado para valorizar o futebol.


Não quero acabar com claques. Estão a haver reuniões civilizadas entre as claques e o Sporting e vamos chegar a um acordo. Há coisas que já mudaram, outras estão a mudar.


Vive-se no Sporting um ambiente de espirito independente e de livre opinião. Isto tem a ver com um novo estilo de comunicação. Não é preciso estar sempre a falar ou a fazer barulho. Não vou criar factos para poder falarEu não ladro, mas se tiver que morder, mordo. É esse o nosso estilo.


A Sporting TV é hoje livre. Não há cartilhas. O passado não vai ser editado. Eu vivo bem com a critica. 


Confio no estado de direito e na justiça e acompanho todos os processos com atenção.


Nunca vamos ter a vergonha de ter a PJ a voltar a entrar no Sporting com esta equipa.


Vamos dinamizar as lojas verdes, seja no estádio.


O Sporting é um clube que tem muita responsabilidade social, tem que dar o exemplo e é o que temos feito nas mais diversas vertentes. 


Queremos mais mas com os pés assentes na terra. Sabemos que podemos “chegar lá” mas com muita inteligência.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

A metamorfose de um leão manso em leão devorador

A imagem da Patrícia Melo, no Expresso, é ilustração perfeita do que esteve ontem na raiz da reviravolta épica: entrega total, quase raiva, para dar a volta ao que estava a ser o pior momento desde a chegada de Keizer a Alvalade. 

As tão temidas fragilidades defensivas foram postas à vista de todos e a ser exploradas à exaustão pela bem montada equipa de Costinha. Redução dos espaços logo a partir dos centrais do Sporting, provocando um curto-circuito entre aqueles e o meio-campo. 

Dessa forma vieram ao de cima os piores defeitos individuais. Gudelj quase sempre mal posicionado nas coberturas que não fazia, e o meio campo insular a reinar no enorme buraco que se abriu entre as linhas. Bruno César sem ritmo deixava ainda mais expostas as fraquezas de um flanco esquerdo com Jefferson. 

Na frente, a bola ou nunca chegava ou chegava sem qualidade e os jogadores leoninos eram quase sempre apanhados sem linhas de passe para dar continuidade ao jogo. Magistral a forma como Costinha, dessa forma,  consegue tirar Bruno Fernandes do jogo. A sua "entrada" no jogo, especialmente na segunda parte, seria determinante para o sucesso que parecia estar quase fora o nosso alcance. Para isso contou muito a entrada de Miguel Luís, a dar serenidade à organização do nosso jogo.

Sem ser brilhante, por ter abdicado dos melhores atributos do seu jogo, tão elogiados até agora, a os homens de Keizer equiparam-se ao intervalo de um pragmatismo que lhe valeu os três pontos. Não podendo construir o jogo a partir de trás, com constantes trocas de passes, a equipa viu-se obrigada a optar por transições rápidas, quebrando dessa forma a linha constante de pelo menos quatro nacionalistas.

Sexto jogo e sexta lição em que Keizer foi aluno e também mestre. É notório que a cada jogo aumenta o grau de dificuldades colocados pelos treinadores adversários e é também notório que as provas têm sido superadas com distinção. Ontem mais do que pela sageza do treinador, que o ponto de vista individual dispõe de poucas soluções em alguns lugares, foi a força de vontade e aplicação dos jogadores que contribuiu para a superação de uma prova que a dado momento parecia uma tarefa impossível.

A forma como a equipa se transfigura de leão assustado em leão devorador neste jogo é uma amostra de inconformismo que tanto um bom augúrio para nós como um aviso a todos que vamos ter pela frente.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

A Assembleia Geral como órgão de recurso

Dia 15 de dezembro a Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal reúne para apreciar os recursos de sócios suspensos e expulsos, designadamente de vários ex-membros do Conselho Diretivo do clube.

Segundo o Presidente da Mesa da Assembleia Geral, os visados podem estar presentes e falar durante 15 minutos, o que tem gerado alguma controvérsia, designadamente pela possibilidade de os sócios suspensos dos seus direitos sociais poderem entrar e falar na assembleia.

Com efeito, os sócios suspensos não deveriam poder participar numa Assembleia Geral. 

Já os sócios que foram expulsos podem participar sem qualquer limitação, uma vez que os recursos interpostos têm efeito suspensivo, ao contrário dos recursos interpostos pelos sócios suspensos com efeito meramente devolutivo (cfr. n.º n.º 7 do art.º 28.º dos Estatutos). 

Mas esta é uma assembleia com características especiais em que a ordem de trabalhos é constituída, unicamente, pelos recursos apresentados nos termos do n.º 7 do art.º 28.º e da alínea g) do n.º 1 do art.º 43.º dos Estatutos do clube.

Os recorrentes devem poder apresentar os seus motivos aos sócios que vão votar os recursos porque deve prevalecer o princípio básico do contraditório e o direito à defesa.

Não poderão, contudo, tais sócios suspensos (nem os que foram expulsos) exercer o direito de voto, nos termos do n.º 1 do art.º 176.º do Código Civil, por haver um claro conflito de interesses. 

Não será demais recordar que essa proibição foi ostensivamente violada pelo então Presidente do Conselho Diretivo na Assembleia Geral que votou a sua destituição.

Sobre o funcionamento desta Assembleia Geral, o Presidente da Mesa informou, ainda, que "os sócios podem entrar, votar e ir embora, ao contrário do que acontecia num passado recente, onde só depois da discussão dos pontos da ordem de trabalhos é que eraaberta a votação.”

Ora ”As reuniões das Assembleias Gerais são eleitorais e comuns e ambas podem ser ordinárias ou extraordinárias.”
(cfr. art.º 44.º, sublinhados nossos).

A Assembleia Geral que visa apreciar os recursos de sócios suspensos e expulsos é uma Assembleia Geral comum extraordinária.

Os mesmos estatutos determinam que apenas “As Assembleias Gerais eleitorais funcionam sem debate, nelas se procedendo apenas a votação, por voto secreto.” (cfr. n.º 1 do art.º 47.º, sublinhados nossos).

 E o Regulamento da Mesa da Assembleia Geral doSporting Clube de Portugal estipula no art.º 12.º - Organização dos Trabalhos - e na alínea b) do n.º 1 do art.º 13.º - Direitos dos sócios - que todos os sócios que se tenham inscrito podem tomar parte nas discussões que se suscitarem sobre os assuntos constantes da ordem do dia.

Para que serve então a discussão?

Segundo Roque Laia, no seu Guia das Assembleias Gerais, a discussão é pressuposto da formação da vontade coletiva face à ordem de trabalhos. 

Pelo que a possibilidade de os sócios votarem durante a apresentação dos recursos, que são os únicos assuntos da ordem do dia, ou até no decorrer da discussão, sem que esta tenha terminado, não faz qualquer sentido, é absurda e viola os referidos Estatutos e Regulamento.

Além de ser uma falta de respeito para todos os sócios que participam numa discussão estéril e sem sentido, ora porque ninguém os ouve, e muitos já terão votado antes.

O facto de assim ter sucedido em duas Assembleias Gerais recentes (na Assembleia/”plebiscito” de fevereiro e na de destituição), não torna este procedimento adequado, muito menos legal.

Se a discussão in loco é assim tratada, porque não admitir nestes casos o voto por correspondência?
Mais, o Presidente da Mesa não tem poder para decidir que se prescinde da discussão mas pode propor à Assembleia que vote no sentido de se prescindir dessa discussão, ou que considere a matéria como discutida, conforme n.º 1 do art.º 16.º do referido Regulamento. 

A decisão será dos sócios.

E as intervenções passariam a ser consideradas como intervenções “no período antes da ordem do dia”, realizadas após a discussão dos assuntos da ordem do dia, aí sim, por decisão do Presidente da Mesa (Cfr. n.º 3 do art.º 12.º do regulamento).

Tenhamos presente que certamente esta Assembleia Geral será alvo de impugnação judicial e ninguém quererá que os resultados da mesma sejam afetados por irregularidades procedimentais cometidas, por melhores que sejam as intenções das mesmas.

Este tipo de assembleia para julgar recursos deveria ter outro formalismo? Provavelmente sim, mas para isso importa modificar os estatutos e, até lá, cumprir os mesmos, ao contrário do passado recente em que a Lei, Estatutos e Regulamento foram frequentemente muito mal tratados.

Rui Morgado

Ele diverte-se, nós divertimo-nos e eles divertem-se.

Não sei, na verdade ninguém sabe, se a proposta de jogo de Marcel Keizer vai acabar traduzida em títulos. Mas já se pode afirmar com segurança que ela incorpora muito daquilo que a nós, adeptos, agrada: qualidade futebolística, futebol de ataque que assume claramente a vontade de ganhar, sem se esconder. Com isso os melhores jogadores voltaram a parecer bons e até a formação foi resgatada do limbo para onde foi atirada na era D.C. Depois de Jesus, bem entendido, porque os cristos fomos nós.

A base para o sucesso está lançada, mesmo carecendo de afinações e de provas mais complicadas, como serão as que se seguirão em breve, não apenas com os rivais directos mas com a próxima eliminatória  . Afinal estamos a falar de um treinador que ainda não deve ter tido tempo para pousar as malas e arranjar casa. Ter conseguido o que conseguiu até agora, com tão pouco tempo decorrido, diz muito da qualidade do seu trabalho.

A equipa do Sporting tem agora uma ideia de jogo, sob a qual os jogadores operam de forma colectiva, deixando a equipa deixe de estar tão dependente da inspiração e rasgo dos seus melhores. Mas são os melhores que fazem a diferença, passe a "la paliçada". Esses, como o são Nani, Bruno Fernandes, Bas Dost, são agora tão bons como o melhor que já sabíamos deles. E as expectativas para o regresso de Raphinha são por isso ainda maiores do que já eram, depois de o termos visto jogar, ainda que numa equipa frágil e incipiente.Quanto valerá o jovem brasileiro numa equipa personalizada, que sabe o que quer, que gere bem os tempos e que descobre sempre o caminho para o próximo passe até descobrir a baliza?

Nesse entretanto teve já o tempo para olhar para o que tinha à sua disposição no viveiro de Alcochete. E se é disso que os miúdos mais precisam - que alguém tenha de tempo de olhar para eles - ele teve também a coragem de lhes dar um outro tempo que é essencial: o tempo de jogo ao mais alto nível. Tempo de qualidade num momento certo, pela sua baixa complexidade: estava em jogo o prestigio mas já não a necessidade do resultado.

Para quem não percebe o "aperto" que se vive nestes momentos no intimo dos jogadores, é preciso estar atento às declarações dos miúdos:

Estava um bocado ansioso, mas é muito importante jogar aqui (Thierry Correia)
Terminamos com seis jogadores em campo oriundos da formação e desses vamos ter que nos habituar a ouvir os nomes de Miguel Luís, Pedro Marques, Bruno Paz e do já citado Thierry Correia e a quem talvez se venha a juntar em breve Daniel Bragança. Jovane Cabral e Mané são nomes já sabemos de cor.

A forma como Keizer descomplica chega a ser desconcertante para os atónitos jornalistas nas conferências de imprensa:

"Se marcarmos mais, não é problema. Para mim, o futebol é marcar golos. Prefiro ganhar por 3-2 do que por 1-0. Pode haver quem tenha uma opinião diferente"

"Sofrer não é um problema quando se marca muitos golos. Ganhar é a coisa mais importante. Se me perguntarem, prefiro ganhar 3-2 do que 1-0. Queremos atacar e fizemos isso hoje."
No fundo a receita até não é assim tão nova. Keizer devolveu a confiança e alegria aos jogadores devolvendo-lhes a bola. Com ela a andar de pé para pé a equipa sente-se confortável e joga com o espírito de quem se diverte. Ele diverte-se, nós divertimo-nos e eles divertem-se.

Muita pena pela entrada assassina que lesiona Montero, que estava a ter um regresso em cheio.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

10 pontos sobre a Assembleia Geral

1-Ao contrário do que tem vindo a ser veiculado aqui e ali, a Assembleia Geral (AG) do próximo sábado não se destina a deliberar a expulsão de nenhum sócio, mas apenas a apreciar os recursos dos diversos associados, a citar: Alexandre Godinho, Bruno de Carvalho, Carlos Vieira, José Quintela, Luís Gestas e Rui Caeiro, membros da direcção destituída pelos sócios e entretanto suspensos, Elsa Judas e Trindade Barros, sócios expulsos.

2-Sobre a matéria que estará sob apreciação dos sócios - a manutenção das penas aplicadas - e tendo em conta a gravidade dos actos cometidos, mas também tendo em conta o que foram as acções subsequentes, é absolutamente claro para mim que não há nenhuma razão para a suspensão das penas dos ex-dirigentes (Alexandre Godinho, Bruno de Carvalho, Carlos Vieira, José Quintela, Luís Gestas e Rui Caeiro), bem pelo contrário. 

3-Sobre a pena de expulsão dos dois referidos sócios (Elsa Judas e Trindade Barros), a sua intervenção e participação nos eventos que levaram à AG de destituição configuram gravidade suficiente para o merecimento da pena aplicada. O facto de nem sócios de pleno direito serem por, alegadamente, terem quotas em atraso e, não menos importante, serem especialistas em direito funciona como especial agravo.

4-Ontem registaram-se novos desenvolvimentos do que virá a ser a AG. O Presidente da Mesa da Assembleia Geral (PMAG) Rogério Alves dirigiu uma comunicação aos sócios, dando nela conta da possibilidade de os indivíduos sob alçada disciplinar e requerentes do recurso se poderem apresentar pessoalmente na AG e tomarem a sua defesa.  Em teoria olho para esta medida como uma atitude generosa e até saudável. Na prática olho para ela como uma medida ingénua e baseada numa análise irrealista e distorcida da realidade.

5-Dá impressão que o PMAG delegou num clone a gestão da passada AG e que depois disso não chegou a estabelecer contacto com a sua réplica. Mas pior, não tem lido os jornais, não tem visto as noticias e não se apercebeu ainda do que têm sido os últimos meses da vida do Sporting. Peço desculpa pela crueza da imagem, mas não há generosidade nenhuma em continuar a afagar a cabeça do mastim que temos em casa e cuja intenção continua a ser evidente de querer continuar a tentar morder. A isso chama-se ingenuidade e só por respeito ao PMAG não uso outra palavra.

6-Tenho uma diferença de opinião insanável com o PMAG e talvez mesmo com a generalidade dos órgãos sociais que parece quererem ir em busca de uma pacificação por via da tão famosa "união". Para que tal acontecesse seria necessária uma regra básica, que se aplica a actos mais banais como por exemplo dançar um tango: é preciso a vontade dos dois lados. Aplicando isso à realidade vigente no nosso clube, há um último reduto de adeptos que continua a não aceitar os resultados das eleições e cuja única e exclusiva vontade que continuam a manifestar é reverter o acto até ao ponto em que seja possível voltar a colocar Bruno de Carvalho de onde ele foi afastado pela vontade de uma maioria bem expressiva de sócios. A sua lealdade ao Sporting extingue-se nessa vontade cega. Só deve ir a jogo quem aceita as regras. Ora o PMAG diz que "temos que de democraticamente aprender as decisões maioritárias" mas esse exercício carece ainda de ser feito por muitos, pelo que não se percebe a generosidade.

7- Compreendo que haja sócios que entendam o contrário de mim e guardem do anterior presidente memórias mais positivas e reconfortantes do que as minhas. Mas o que está em causa neste processo são factos  muito concretos e revestidos de especial gravidade que num eleito para defender a instituição Sporting funcionam como circunstâncias especialmente agravantes. Se dentro desses há quem olhe para o mandato e encontre razões de satisfação e regozijo, lembro que esse deveria ser o resultado normal do exercício da função que lhe foi confiada e tida por ele como uma honra e não como um livre trânsito.

8- Não é demais lembrar o objectivo das AG's do inicio do ano, cujo um dos objectivos dos então dirigentes era o endurecimento do regulamento disciplinar, sob cuja alçada haveriam de cair em tão pouco tempo. Isso não apenas faz acrescer as suas responsabilidades como as agravantes para os seu actos.

9-Tenho também sérias dúvidas da legitimidade da permissão de entrada na AG de sócios suspensos. Também compreenderia a generosidade expressa na vontade de deixá-los tomar a sua defesa, não sendo demais lembrar que foi-lhes facultado o exercício do contraditório no decurso do processo disciplinar. Porém pergunto-me: o que poderão dizer de novo que não saibamos já? Que se encontravam temporariamente inimputáveis quando decidiram criar uma mesa de assembleia geral fantasma uns e a aceitaram integrar outros? Foram vitimas de envenenamento dos alimentos pelos "sportingados" e outros malfeitores? 

10-Não sei que rumo tomará a AG e muito menos o seu resultado. Mas até mesmo para alguém como eu, que nunca acreditei em Bruno de Carvalho, não aceito que o seu sportinguismo não tenha falado até hoje mais alto que as suas ambições pessoais. Desde que o caos em que nos lançou e as divisões que provocou, e depois das inúmeras providências cautelares sucessivamente rejeitas que interpôs, em nenhum momento ouvi uma palavra que demonstrasse uma preocupação genuína com o futuro do clube mas apenas consigo próprio. Isso por si só é suficiente para manter e reforçar as minhas convicções relativamente aos eventos à época e os seus principais protagonistas.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

O Sporting dos casos e casinhos

O Sporting é um clube "extraordinário"! Há três anos a "Tertúlia Leonina", um grupo de Sportinguistas que de forma livre resolveu constituir-se como um grupo de reflexão, realizou o seu primeiro jantar de Natal. Na altura esteve presente o então presidente do Sporting e daí não resultou qualquer polémica, pelo menos que me lembre.


Este ano o jantar repetiu-se e contou com a presença do actual presidente Frederico Varandas, do vice-presidente Francisco Salgado Zenha que creio é elemento integrante deste grupo, bem como de pelo menos um elemento do staff do futebol profissional.

De repente estalou o escândalo e o jantar bem, como o referido grupo, passou a ser escalpelizado como se se tratasse de acto de lesa Sporting. Este espírito de casos e casinhos e perca de tempo em discutir tudo e o seu contrário é bem o espelho do Sporting e pode ajudar a perceber - ou não - porque é que este clube tem tantas vezes adiado aquele que deveria ser mais vezes o seu destino natural: vencer mais vezes!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Onde está a mão do Ronny quando o Mota mais precisa dela?

Vou começar esta crónica pelo final:

Há uns anos atrás José Mota, no comando do Paços de Ferreira, veio ganhar a Alvalade com um golo de Ronny, marcado com a mão. Os pontos perdidos nesse jogo seriam suficientes para nos ter dado o titulo nesse época. O José Mota saiu tão satisfeito com o resultado que nem se conseguiu referir ao lance na conferência de imprensa a seguir ao jogo. Ontem chorou baba e ranho por uma qualquer razão que ainda estamos para perceber. Como se a sua equipa tivesse perdido como ele nos havia ganho: por um erro de arbitragem.


O José Mota que tanto teclamou com a arbitragem e com a organização do futebol português é ainda o mesmo treinador do clube que não foi à Liga Europa porque a administração do clube se esqueceu de inscrever a equipa na competição. O José Mota deve urgentemente fazer uma consulta de neurologia por causa destes esquecimentos? Não creio. Sofre provavelmente da mesma amenésia que o Folha, quando lhe perguntaram se a sua equipa tinha sido prejudicado no jogo com o FCP. Nem uma palavra sobre o penalty perdoado e o golo sofrido com o fora-de-jogo a anteceder...

Quanto ao jogo, foi um jogo algo estranho. O Sporting, que já tinha superado com distinção algo semelhante com o Karabaq, não se deu bem com a marcação 1x1 do Aves. Porque a pressão foi maior e exercida no espaço curto deixado por uma defesa muito subida. A segurança em posse perdeu-se e a equipa revelou o natural incómodo. Mas, ao contrário do que se poderia supor, o Aves não abdicou do ataque, fê-lo foi de forma surpreendente ao abdicar de um elemento fixo e ao colocar 3 elementos rápidos, O suficiente para ensaboar o juízo aos nossos defesas e, isolando-os, expor as suas debilidades. 

Mas, ao contrário do que é habitual, a equipa está a ser construída da frente para trás. Isso ou é aí que a diferença de qualidade individual é mais notória e acaba por se fazer sentir. Foi graças ao enorme jogo de Bruno Fernandes, ao golo estratosférico de Nani e à eficácia de Dost - 3 remates, 2 golos -  que demos a volta ao resultado e construímos mais uma goleada. Mas ficou o aviso, e enquanto for apenas em forma de aviso podemos nós muito bem.


sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

O próximo grande desafio de Keizer: o teste do autocarro

Aqueles lugares comuns que buscamos para falar do futebol são sempre actuais. O futebol desperta paixões é um deles e que a paixão tolda a razão é outro que também se pode usar para nos referirmos à ciclotimia crónica de que enfermam os adeptos e não menos os comentadores do fenómeno desportivo. 

Senão vejamos: a 15 de maio o Sporting sofria um rude golpe infligido directamente no coração que não apenas lhe poria em causa o seu prestigio, como o deixaria depauperado de um parte substancial dos seus melhores valores e imerso numa profunda crise, cujos contornos e consequências estão ainda por apurar. 

A época que se avizinhava era aguardada até nas versões mais optimistas como uma penosa travessia do deserto. Impressão que se foi cimentando com um estágio de pré-época digno de uma equipa amadora em excursão, um treinador sem qualquer carisma e de imagem desgastada junto dos adeptos, que só o resgate de Bas Dost e Bruno Fernandes ajudaria a atenuar. Hoje percebe-se ainda melhor o quanto esta acção acabaria por ser determinante para a saúde do actual Sporting. Só não se percebe como é daqui se saltou para voltar a falar em titulo nacional. Mas, se tal sucede, há dois nomes incontornáveis: o treinador Keizer e Frederico Varandas, que assumiu o risco da sua contratação.

Mais do que os resultados seriam as paupérrimas exibições a obrigar Frederico Varandas a sair do seu cadeirão de conforto que o desresponsabilizava da escolha do treinador. Isso e um discurso desmotivante e desagregador de Peseiro, incompreensível mesmo à luz das circunstâncias difíceis que encontrou para o desenvolvimento do seu trabalho. Ainda assim, a escolha do momento e do nome do treinador acabaria por surpreender toda a gente.

Mas, mais do que o nome e o momento, está a ser a forma discreta mas eficaz e convincente como Marcel Keiser  soube dar a volta a uma equipa sem alma e, porque não dizê-lo, de reduzidíssima auto-estima. Resultados e exibições eloquentes e em crescendo depressa fizeram esquecer o ribombar das criticas e dos receios expressos sobre o acerto da decisão. Na sua maioria por se fixarem no curriculum e outro tanto para esconder a ignorância total. Faltou perceber que mais do que qualidade o curriculum atesta o passado e as circunstâncias em que ocorre e não tem que significar uma sentença sobre o futuro. A verdade é que só mesmo quem conhecia o treinador e o seu trabalho lhe poderia adivinhar o potencial que agora a rápida e dramática forma como operou a transformação da equipa todos se apressam a reconhecer.

O Sporting de Keizer deve muito da sua subida auto-estima e de qualidade exibicional à simplicidade de processos como reorganizou o modelo de jogo. Este baseia-se numa maior proximidade de sectores e e dos elementos, que permite não só maior posse como uma resposta mais pronta e melhor organizada quando a bola é ganha pelo adversário. O recurso a cruzamentos constantes, à procura do milagre habitual de Bas Dost, foi substituído por uma maior procura e ocupação do corredor central, sem medo de enfrentar o bloco defensivo do adversário. A forma, o número de elementos que coloca e a qualidade como chega às zonas frontais à baliza adversária definem grande parte do sucesso das finalizações, que aumentaram significativamente.

Claro que os dois encontros iniciais não foram muito convincentes para críticos e adeptos, muito pelo baixo valor facial dos adversários. E nem a goleada, cada vez menos usual, aplicada ao Karabak, diminuiu a controvérsia sobre a escolha Keizer. O encontro com o Rio Ave assumiu-se como o derradeiro teste à consistência da equipa verde e branca. Como se sabe hoje, o teste foi passado com distinção, provocando a rendição da critica e dos mais indecisos.

Como é bom dever algum do sucesso imediato se deve, além dos méritos do treinador, ao factor surpresa. Factor que tenderá a desaparecer no imediato, com os técnicos adversários a terem mais tempo para analisar o "modelo Keiser" e a construírem os seus próprios antídotos. Os próximos quatro jogos do Sporting serão jogados em casa e aí será possível ver como se propõem os adversários a enfrentar os leões. Veremos então se a proposta de Marcel Keiser também é à prova de dos tradicionais autocarros a que recorrem muitas vezes as equipas de menor recurso.

Além desse há um outro teste a enfrentar pelos homens do holandês até agora tranquilo: a impaciência do tribunal de Alvalade, por oposição à serenidade e jogo de aturados equilíbrios que a equipa exibiu em Vila do Conde e onde se fundaram muitas das razões para o sucesso alcançado.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Rio Ave 1 - Sporting 3: parece que temos gente!...

A primeira nota vai para a precaução tomada na hora de escrever este post: antes de o começar a redigir fui buscar uma âncora ao Rio Ave (não ao clube) que me obrigasse senão a manter sempre os pés no chão pelo menos que me fizesse lá voltar, de vez em quando. É que tão mal habituado que estava ao futebol exibido no passado recente que, depois do jogo de ontem, posso ser traído pelo entusiasmo e começar a sonhar já com a Liga dos Campeões. Como o tempo se encarregará de provar, para lá chegar vai ser preciso remar muito mais, com mais acerto e vigor.

A segunda nota é de penitência, o que pode soar um pouco estranho, quando estamos a menos de um mês do Natal e Quaresma ainda vai longe. Mas sinto-me obrigado a ela por honestidade intelectual para com aqueles que me vão lendo. Estou a referir-me aos receios aqui manifestados por altura da chicotada psicológica em Peseiro, sobretudo em relação ao "timing" escolhido. Como se prova em menos de meia dúzia de jogos, era possível outro futebol, usando exactamente os mesmos jogadores. Bastou para tal simplificar processos e ideias. 

Como se vê, o futebol não é propriamente uma ciência oculta, embora também se recomende algum estudo e preparação. A ideia de satisfação pelo jogo e simplificação de processos é o que transparece hoje quando se vê o nosso Sporting jogar. Ao contrário do passado recente, em que parecia a cada jogada que os jogadores paravam para efectuar uma equação de terceiro grau ou para fazer um complicado cálculo de geometria e fisica aplicada. Tudo isso para calcular um atraso ao guarda-redes ou mandar a bola para fora, que eram então as nossas jogadas melhor estudadas e preparadas. 

Depois, os jogadores jogavam tão longe uns dos outros que quase precisavam de walkie-talkies para comunicar. Sendo que alguns, pelas distâncias entre si, só se deveriam ver ao intervalo. E nós imaginando como deveriam ser efusivos os cumprimentos - ou quiçá saudades até... - do Dost com o Bruno Fernandes ou Nani: "há quanto tempo, pah!" ou "também vieste hoje? Até pensei que não tinhas sido convocado!". Isto sem falar de quantas eram as vezes que o Gudelj se imaginou em Viseu, tantas eram as rotundas que tinha que fazer para se virar para o lado correcto, cada vez que era chamado a conduzir uma jogada.

Ontem, pelos vinte e cinco minutos de jogo e já com belas jogadas e golos, cheguei a pedir o intervalo, tanto era o desgaste emocional e até físico que ver jogar futebol me estava a causar. Um homem já de uma certa idade como eu desabitua-se e depois aquela calma com que trocam a bola em sucessivos emparelhamentos e triangulações provoca muito mais suspense que uns charutos para o ar e para a frente. É que enquanto a bola ia e vinha dava para ir ao site das Autoridade Tributária validar umas facturas, optimizando-se assim o tempo e o dinheiro do bilhete. 

Assim agora sinto-me obrigado a estar sempre a olhar para o relvado, não vá eu perder o Wendell a parar uma bola como se a chuteira e a bola tivessem velcro. Ou o Jovane a dizer ao guarda-redes em que canto da baliza ele vai ver sair o Pai Natal com as renas ou as coelhinhas (já não sei bem quem é quem nestas novas versões natalícias que todos os dias os meus amigos me mandam, via whatsapp...). Uma canseira!

Mas convém não embandeirar em arco e para isso tínhamos ontem o Renan e o seu acordo com uma clínica de cardiologistas (que mais tarde ou mais cedo será revelado pelo CM em primetime). Ou que esta equipa ainda tem alguns elementos que nos fazem lembrar quando tínhamos que por a mesa, e a mãe, entre a paciência infinita e a perplexidade nos dizia: esse talher que aí está não tem nada a ver com os restantes, não se vê tão bem? O que ela diria hoje se tivesse visto o Diaby ou o Bruno Gaspar...

Há mais razões para contermos o entusiasmo. Por exemplo, há demasiados Xistras neste campeonato e poucos oftalmologistas. Só assim se percebe que não tenha expulso o Vinicius, esse jovem e encorpado jogador,  muito interessante de facto. Mas há homicídios que começaram por muito menos do que aquela entrada sobre o Jefferson.

Vinicius, esse sem dúvida muito interessante jovem jogador que o treinador do Rio Ave não trocava por Bas Dost. O que se compreende, porque ele não deve gostar de futebol, gosta é de pieguices e picuisses. Quem se queixa do lance do nosso primeiro golo não gosta de golos, logo não gosta de futebol, talvez de rendas de bilros. Claro que assim se percebe que não queira trocar Bas Dost e fique lá com o Vinicius. Que eu não me importava de ter no Sporting e que, se se acabasse de revelar tão bom como o Castaignos, sempre tínhamos quem rachasse a lenha que não se parte sozinha nem vai em filinha para a lareira.

Mas há um enorme mérito nesta mudança que nunca será reconhecido. Não estou a falar do Frederico Varandas, que em quinze dias montou a equipa técnica, apesar da preguiça revelada na escolha do treinador e ser incapaz de inovar:  foi descobrir Keizer onde já tínhamos descoberto Vercauteren. Nem do próprio Keizer, que só está a fazer aquilo que se pede a um treinador: por uma equipa de futebol a jogar... futebol. Não me estou a referir a eles, mas sim à equipa de professores que em duas semanas puserem o treinador a falar português e todo o plantel a falar inglês e holandês. Só assim se percebe as rápidas melhoras da nossa equipa.

Parece que afinal até temos gente. Gente na equipa, porque Sportinguistas há muitos, como ontem se viu numa noite de segunda-feira de futebol. E acreditem que há poucas coisas de efeito mais terapêutico do que ir com os amigos ver o Sporting voltar a jogar numa noite de nevoeiro e dar a boa nova  aos amigos que ficaram em casa a torcer por fora.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O que Rogério Alves e Frederico Varandas ainda não perceberam?

Vivemos tempos extraordinários em que pessoas "normais" e sãs são insultadas para serem levadas ao colo até aos altares outras com claros sintomas de perturbação e desequilíbrio. Que haja em grandes organizações pessoas desequilibradas e que haja quem as siga não constitui nenhuma surpresa. 

Surpresa, essa sim, é das pessoas sãs, inteligentes e equilibradas que não apenas lhes sustentam os sonhos de poder pessoal como ainda as alimentam e forneçam todo o tipo de teorias alternativas para construção de álibis, que as evidências e a realidade se encarregam de desmentir.

O Sporting é hoje um clube profundamente fracturado e essa asserção nada tem a ver com o clube das quintas e quintinhas em que sempre viveu. É um fenómeno novo, muito semelhante ao que se pode assistir em muitas organizações e até países. Resulta da radicalização, do abandono das normas, convenções e até dos estatutos, como é o caso do Sporting, provocando um fosso profundo que impede qualquer acordo ou entendimento básico. 

Não há união possível com quem não deseja outra coisa que não a capitulação total sob os seus interesses e desígnios, custe o que custar. Não há resultados eleitorais válidos, não há respeito pelas regras ou vontades expressas pela maioria. Enquanto elas não forem as que dão jeito ao projecto de apropriação de poder serão sempre afrontadas por teorias alucinadas de golpes e conspiração. 

De tudo isto o que é que Rogério Alves e Frederico Varandas e o CFD ainda não perceberam?

sábado, 1 de dezembro de 2018

"Unir o Sporting"

Os órgãos sociais foram recentemente eleitos sob o lema “Unir o Sporting”. Três meses depois, está o Sporting unido? Considerando a AG de ontem, a resposta só pode ser negativa. 

Nas palavras do Presidente da Mesa da AG “há feridas abertas”. O problema é pensar que essas feridas vão sarar com o tempo e, assim, unir o clube. Não vão sarar porque a luta por parte de quem tudo teve e tudo perdeu ainda não acabou. E tal como o leão que manda no seu grupo sabe que se for derrotado por outro leão este come os seus filhos, fica com as suas fêmeas e aquele passará a ter de sobreviver sozinho, também o deposto presidente, e ora sócio suspenso, vai lutar por todos os meios para não desaparecer de cena. 

Ontem era esperada uma AG morna, na ordem de trabalhos nada de polémico, pouca afluência esperada. O cenário ideal para os apoiantes que restam ao deposto presidente e sócio suspenso tentarem alcançar os seus objetivos, e que foram os seguintes: 

(i) Causar perturbação; 

(ii) Dar prova de vida; 

(iii) Votar contra o orçamento. 

Conseguiram os dois primeiros, falharam no terceiro. Foi dada a palavra aos sócios, em nome da liberdade, como mais uma vez referiu o seu Presidente. Mas a liberdade de uns acaba na liberdade dos outros, e já agora não pode esbarrar na lei, nos estatutos e nas mais básicas regras de educação. Leis, estatutos e regras essas que foram muito mal tratados nos últimos 5 anos. Curioso que que muitos dos que então aplaudiam na 1.ª fila e achavam que era apenas um “estilo” (quando era muito mais do que forma, 100% substância e a verdadeira essência), só viam o que queriam e agora estão do outro lado da barricada.


Fica o alerta, porque no próximo dia 15 irá realizar-se uma assembleia geral extraordinária do Sporting Clube de Portugal, cuja ordem de trabalhos contempla o recurso das suspensões impostas a alguns membros do deposto Conselho Diretivo. O facto de o anterior presidente ter sido deposto e suspenso da condição de sócio (já nem falo dos acontecimentos judiciais recentes) parecem não ser suficientes para deixar para trás um período negro da nossa história, pelo que importa confirmar em AG essa mesma suspensão, algo que está agora na mão dos sócios. Mas os atuais órgãos sociais não podem apenas esperar o decurso do tempo, há mais, muito mais a fazer nesta matéria. 

Da parte do Conselho Diretivo, apressar o fim da auditoria forense e divulgar a mesma aos sócios, sem limitações de qualquer espécie, para que não falte transparência a todo o processo. Já o Conselho Fiscal e Disciplinar tem em mãos um processo contra todos os que designaram órgãos sociais sem qualquer suporte estatutário, acto nunca visto, de extrema gravidade e que nunca mais devia poder repetir-se. Por fim, a Mesa da AG deve promover uma verdadeira reforma dos estatutos, com real participação dos sócios, discutindo os mesmos, artigo a artigo, “como manda a boa técnica” referiu em fevereiro passado o atual Presidente da Mesa. 

Concluídas as referidas medidas, haverá então condições para unir o Sporting e os sportinguistas, mas só se consegue unir quem quer essa união. 

Rui Morgado 

P.S.: Folgo em verificar que ontem a AG voltou a ser um acontecimento privado, entre sócios, sem a transmissão televisiva para o exterior que foi regra nos últimos tempos.

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