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segunda-feira, 1 de junho de 2020

Tio Patinhas de Alvalade analisa as contas do 3º trimestre

Estamos de volta, após um longo período de ausência. Mas, honra ao fundador deste blog, que apesar de compreender as razões da ausência (fundamentalmente a falta de tempo para acrescentar valor), nunca desistiu e todos os trimestres me lançava o Reminder para reativarmos a coluna de opinião das contas. Esperemos todos que o Tio Patinhas tenha voltado para ficar e assim contribuir para uma troca de ideias saudável sobre as Finanças do Sporting.

No último dia do mês de maio, o Sporting tornou públicas as contas do terceiro trimestre de 2019/2020 (recordemos que o exercício fiscal do Sporting é de 1 de julho a 30 de junho, ao invés do ano civil) e num comunicado, cheio de auto-elogios, destacou alguns pontos positivos (que os houve) e basicamente passou uma esponja sobre os aspectos menos positivos, nomeadamente a falta de um rumo sobre o core business da Sociedade que levou a que desportivamente, se trate de um ano para esquecer.

Existe um outro aspecto que se torna importante realçar. As contas do terceiro trimestre não foram sujeitas a auditoria (normalmente, o primeiro e terceiro trimestre não o são), pelo que não sabemos o que pensam os auditores externos de algumas opções contabilísticas tomadas pela Sociedade e que irei abordar no artigo. Não sendo nós donos da verdade, se quiserem poderão contribuir para uma discussão rica e saudável sobre o artigo (e até corrigindo algum aspecto / entendimento que considerem errado) nos comentários.

O volume de negócios atingiu o maior volume de sempre, 156,1M€, um aumento de cerca de 42,1% face ao período homólogo e assente na transacção de direitos desportivos de alguns jogadores, tendo inclusive reflectido a maior venda de sempre, nomeadamente de Bruno Fernandes. A receita com vendas de jogadores nos primeiros três trimestres do ano atingiu 96.593M€, um aumento de praticamente 100% face a igual período de 2018/2019. Tem sido tornado público que o Sporting tem empreendido uma Reorganização Financeira da SAD, pretensamente preparando-a para o futuro, tornando-a menos dependente das receitas extraordinárias. Esse trabalho ainda não se encontra reflectido nas contas (normalmente os custos da reestruturação são mais pesados no curto prazo, ganhando-se no futuro), mas verificamos que os Resultados Operacionais pioraram de um ano para o outro. Nestes primeiros 9 meses do ano, temos mais custos (+4%) e menos receitas correntes (-3%), estas últimas justificadas em grande parte pelo aumentos dos Fornecimentos e Serviços Externos (FSEs) e pelas provisões (principalmente relacionadas com a indemnização a Sinisa Mihajlovic).

Em termos de receitas, os pontos mais positivos são a alienação de alguns ativos por valores muito interessantes (Raphinha, Bruno Fernandes, Thierry Correia), o valor acordado por Daniel Podence e as Vendas e Prestações de Serviços, que demonstram uma fidelidade dos verdadeiros sócios em adquirir as GBs, comprarem merchandising Sporting, mesmo num contexto de uma época desportiva para esquecer. Por outro lado, devemos ficar apreensivos quando vemos que alguns dos principais ativos herdados já foram alienados (o que é natural, em inícios de mandato) e verificamos que não obstante termos despendido mais de 35M€ em novos jogadores, vemos uma baixa de valor de plantel em mais de 25% e menores possibilidades de atingirmos valores de vendas similares.

Na nota 09, são detalhados os rendimentos e gastos com as transacções dos passes de jogadores, que atingiram mais de 100M€. No caso de Bruno Fernandes, verificamos que os gastos mencionados incluem os gastos de intermediação mais os valores devidos pelo mecanismo de solidariedade. Pela análise rápida feita ao Relatório e Contas (R&C), não encontro nenhuma referência ao litígio com a Sampdoria e à possível contingência / provisão de que poderemos ter de vir a pagar, se as instâncias judiciais assim o determinarem. Refere apenas que a Administração, com base nos pareceres jurídicos internos, acredita que não haverá nenhuma condenação a pagar. No passado, já vimos isso acontecer, no caso Rojo. Em todos os R&C aparecia uma nota similar, foram apresentados resultados avultados inflacionados por essa não provisão e depois, acabou por mais tarde, se ser condenado e ter de reflectir isso em contas posteriores. Esperemos que desta vez, os serviços jurídicos tenham razão. E nesta nota em particular, aguardarei o que os auditores têm a mencionar.

Os custos com Pessoal diminuíram 3M€ (-5,8%) sendo muito influenciados pela rúbrica de indemnizações (que ascende a 7M€), reflectindo parte do desnorte da política desportiva, ao acumular treinadores que depois, naturalmente, exigem que se chegue a acordo para a respectiva rescisão. No relatório é mencionado que estas rescisões implicam uma poupança futura de 35M€ para a Sociedade, mas ignora que em compensação, existiram outros encargos (novas equipas técnicas, novos jogadores) que anularão parte ou mesmo a totalidade das supostas poupanças futuras. Esperemos que no ano 2020/2021 que se verifique uma queda acentuada dos gastos com pessoal, pois o que se verifica é uma diminuição do valor do plantel na ordem dos 25% (valia contabilisticamente 89.212M€ em 31 de março de 2019 e vale agora 66.717M€), sem que exista uma queda correspondente nos Gastos com Pessoal. Tal também se explica parcialmente pela aposta da Sociedade em empréstimos de jogadores caros – Bolasie e Jese - (que não aumentam o valor do plantel), mas que consomem a rúbrica de ordenados – Jese ainda teve um custo adicional de 1,5M€ pelo custo do empréstimo.

Um ponto muito importante e que parece estar a passar despercebido, é que o impacto da contratação do treinador Ruben Amorim na Demonstração de Resultados é zero ou quase nulo. E, apesar de no comunicado mencionar a contratação do Treinador por 10M€ (o All-in da actual Direção), não refere que na conta de resultados, o impacto é praticamente 0. Pois, como podemos aferir na nota 17, temos Gastos a Reconhecer de 10.393M€ (superiores aos 10M€), o que implica que neste lucro recorde do terceiro trimestre, teremos de reduzir o valor da contratação de Ruben Amorim. E assim, a pílula não será tão dourada pois, como verificamos, os resultados operacionais continuam bastante negativos e por conseguinte, consomem os resultados extraordinários positivos de uma forma bastante rápida. Só após a divulgação das Contas Anuais, poderemos perceber melhor a opção da Administração da SAD em não reconhecer já os Gastos da Contratação da Equipa Técnica. Se os vão reconhecer ao longo do contrato, se os vão imobilizar, etc.. Não sendo as mesmas auditadas (procedimento normal, refira-se, no que concerne a estas contas trimestrais), desconhece-se o que a Equipa de Auditores Externos referiria sobre tal opção.

Ainda haveria muito para escrever e comentar (análise mais detalhada das principais rubricas de balanço, etc), mas não queria que este primeiro artigo depois de uma grande ausência fosse demasiado extenso. E durante o curto período que passou entre a divulgação dos Resultados e esta análise, optei por ressalvar mais a análise da vertente económica em detrimento da financeira.

Back for good, é o sentimento. E por agora me despeço de todos os fiéis seguidores do A Norte de Alvalade.

Saudações Leoninas,

O sempre vosso Tio Patinhas de Alvalade

Nota: o documento relativo à demonstração financeira em apreço pode ser lido na integra [AQUI]

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Emissão Obrigacionista Sporting – Subscrever porquê?

NDR: este post foi escrito pelo meu amigo José Gomes 

Deixem-me iniciar este post com um preâmbulo. Eu, como muitos de vocês crescemos num mundo em que o desporto e os clubes eram paixão, seriam quiçá também negócio, mas esta ultima vertente era apenas a necessária para que o resto funcionasse.

O mundo mudou e as organizações desportivas como o Sporting também. Não há como fugir da realidade, mesmo que não gostemos dela. Mas há como nos adaptarmos a ela, sem perdermos a nossa identidade, os nossos princípios, a nossa ética pessoal e de grupo.

O Sporting Clube de Portugal tem sido ao longo destes últimos anos e quando a vertente negócio se sobrepôs à vertente paixão uma presa permanentemente alvo da atenção de alguns abutres que gostariam de a capturar. Até agora conseguimos resistir e o Clube é nosso. E com o Clube, o seu ativo mais precioso, a SAD, o futebol do Clube. A SAD tem sido um alvo mais apetecível que as dos rivais pela nossa desunião, pelo desespero que a falta de vitórias no futebol acaba por trazer, pelos seus problemas financeiros. Mas acima de tudo pela nossa incapacidade de traçarmos um caminho de exigência a quem nos tem liderado nas ultimas décadas. Desperdiçamos as nossas energias em permanentes lutas internas estéreis e não somos capazes de nos unir para exigir.

Queremos que o Nosso passado seja o Nosso Futuro?

Chegamos a este garrote financeiro por razões várias e não interessa agora estarmos a desperdiçar as nossas energias á procura de culpados. Porque isso não resolve o nosso problema. O problema é uma asfixia financeira grave que pode comprometer o futuro que queremos. E que acredito, mesmo não tendo votado na lista vencedora nas ultimas eleições, que esta Direção é capaz de oferecer muito ao Sporting. Acima de tudo, um rumo! Porque tem gente muito capaz, para lá do seu Presidente. Porque é uma equipa!

Para isso, é necessário que esta emissão obrigacionista seja um sucesso, mesmo relativo, não se atingindo os 30M€ inicialmente previstos. Essa almofada financeira vai ser a rampa de lançamento para todo o saneamento desportivo e financeiro que é necessário fazer. Sem ela, fica tudo mais difícil.

Foi lançada num momento particularmente difícil a todos os níveis. Principalmente para captar o investimento dos investidores institucionais que seriam o primeiro grande foco. Desde logo, o não reembolso da emissão anterior nos prazos inicialmente previstos retira confiança aos potenciais investidores. Depois, temos Alcochete, o cashball e a falta de confiança em que no curto prazo seja possível maximizar as receitas da sociedade, até pelas dificuldades em entrarmos no curto prazo no caldeirão da Champions.

Essas são as dificuldades. A mensagem de esperança é que os sportinguistas acreditam. E, racionalmente, têm razões para acreditar. Com a almofada financeira que esta emissão possa trazer e com mais alguns milhões que venham do Gelson, é mais que possível normalizar a sociedade e fazê-la seguir outro rumo,. Esta Direção já mostrou que é capaz disso e que está a trabalhar bem na sombra, sem ruído. A maneira como esta operação foi montada, contra ventos e mares é o melhor exemplo disso.

Ou seja, não vindo os investidores institucionais do modo como seria desejável, temos de ir NÓS. Porque o Clube é NOSSO, porque nós somos responsáveis pelo que lhe vier a suceder. Porque temos de ser nós a cuidar do que é nosso.

Além disso, a taxa oferecida por esta emissão é de quase 4% líquidos. E os custos, para quem já tenha ações comissionadas em qualquer banco são muito baixos (rondarão qualquer coisa entre 15 e 20 Euros, no total, para investimentos até €5.000,00).

Acreditar no Sporting é acreditar em nós. Porque nós é que somos o Sporting! E é construir um futuro sustentado que todos queremos. Quem não for agora a esta emissão, pode amanhã lamentar muito não ter ajudado o Sporting quando o Sporting mais precisava de ter a sua base para construir outro futuro. E pode estar a entregar o Sporting de bandeja a quem nos o quer roubar. Para ser sua propriedade. Quem acha que este pode ser o caminho, deve olhar para o Belenenses e tirar as devidas conclusões. Destruir é fácil e rápido. Reavermos o que é nosso pode ser uma tarefa praticamente impossível.

Acabo como comecei. A emissão será sempre um bom negócio para quem investir (obviamente tem um risco, mas não é a PT, nem é o BES). Mas acima de tudo, a participação dos sportinguistas pode evitar que o Sporting passe a ser SÓ e APENAS negócio….

Eu já subscrevi 6ª Feira. Agora passo-vos a palavra a vocês, meus irmãos da savana! Que é onde vive o Leão! Que todos queremos forte e bem alimentado, para capturar as suas presas como fez domingo no João Rocha!


José Gomes

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Tio Patinhas de Alvalade analisa o artigo de Bruno de Carvalho sobre as contas do Sporting

Olá a todos.
Tio Patinhas is back!!

Depois de algum tempo ausente, volto à escrita, depois do Presidente do Sporting ter publicado um artigo no DN, onde falava sobre o estado das finanças do Sporting e da recente polémica sobre as obrigações. Mas foi ainda mais longe e revelou alguns dados novos sobre a reestruturação financeira que, aparentemente, teve uma renegociação com os Bancos.

Mas vamos por partes.

Em primeiro lugar, abordar a polémica do empréstimo obrigacionista. Existe muita informação e desinformação sobre este assunto. Ainda ontem, lemos uma notícia do CM em que nos dizia que o prorrogar das obrigações, por um período de 6 meses, originou um custo de quase 1 Milhão de Euros. O que é verdade, mas este custo não é adicional. Se a emissão “velha” tivesse sido substituída por uma nova, este valor seria pago à mesma, pois as obrigações vencem juros e o Sporting não tem liquidez para simplesmente reembolsar as obrigações, sem fazer o “revolving” da emissão.

Várias pessoas questionaram a minha opinião sobre o prorrogar e principalmente sobre a nova autorização para pedir um novo empréstimo obrigacionista num valor que poderá ir até 60 Milhões de Euros. Não tendo qualquer informação sobre o que motiva esta autorização, tenho a convicção que, no contexto atual da banca, que o Sporting dificilmente teria autorização para aumentar a sua dívida num valor de mais 30 Milhões de Euros. A Banca quer reduzir a exposição aos Clubes de Futebol  e paulatinamente, o Sporting tem conseguido reduzir algum do seu passivo bancário. Por outro lado, todos sabemos que os investidores particulares representam uma fatia pequena dos subscritores das obrigações, pelo que são normalmente os Bancos, através dos seus fundos, que tomam a percentagem de leão dos mesmos. 

Com estes dados, leva-me a concluir que deveremos estar a observar uma substituição de dívida ou do valor necessário para recomprar as VMOCs, segundo informação prestada ontem, por Bruno de Carvalho. Aguardemos pelas contas do primeiro semestre de 2018/2019 para verificar como fica o passivo bancário do Sporting e se se confirma ou não a substituição de outras formas de endividamento bancário (factoring, empréstimos, contas caucionadas, descobertos, etc).

Antes de falar das VMOCs, é importante falarmos de uma questão:

Depois da entrada da oficial da Troika, os Bancos foram obrigados a rever as suas práticas e mais do que isso, a reconhecer como imparidades e por conseguinte, assumir as perdas, de uma série de dívidas que os seus devedores tinham. E durante estes últimos cinco anos, quase todos os Bancos Nacionais assumiram milhões e milhões de prejuízos. E entre os quais, muitas das dívidas de todos os Clubes de Futebol, principalmente daquelas que estavam “calcinadas”. E para agravar isso, tivemos a queda do Banco BES, um dos 2 bancos com exposição ao Sporting. E resta saber se as nossas dívidas, incluindo as VMOCs (a parte do BES), ficaram no Banco Bom ou Mau (Novo Banco ou BES). Mas independentemente disso e de acordo com as informações que tenho, os valores das VMOCs foram já reconhecidos como perda total no Balanço dos Bancos e o prejuízo já reconhecido nas diversas contas do BES e Millennium BCP.

Penso ser à luz destes dados que posso compreender as novas informações que saíram ontem. Que ao invés de exercemos a opção de compra de 44 Milhões por um preço de 1,2 X Preço de mercado (cotação), que as mesmas teriam um preço de 0,3 Euros por VMOC. A este preço, o Sporting fica obrigado a comprar a totalidade das VMOCs a um preço de 40,5 Milhões de Euros. O que lhe daria cerca de 88% do capital da SAD.

E porque será que os Bancos acordaram esta redução de preço?…

Penso ser explicado pela razão de que vale mais um pássaro na mão do que dois a voar. Ora vejamos. As VMOCs já devem estar valorizadas a 0, nas suas contas. Os prejuízos já foram assumidos. Recebendo 40,5 Milhões de Euros pelas mesmas, significa que irão reconhecer um ganho nesse montante, com a reversão das imparidades. Ganho esse que irá mostrar uma melhoria nas suas contas de resultados.

E porque é que isto acontece?

Porque naturalmente, se o Sporting só precisava de comprar os 44 Milhões de VMOCs até um valor máximo de 44 Milhões de Euros para manter a maioria, nunca iria comprar as restantes, mantendo-as cristalizadas no Balanço dos Bancos (e volto a referir que, já estão valorizadas a 0 nos mesmos). Assim e perante esse cenários, os Bancos preferem limpar as VMOCs do seu Balanço de uma vez por todas.

No caso destes pressupostos se concretizarem (e volto a referir de que não disponho de nenhuma informação privilegiada, limitando-me a formular as minhas opiniões com base nos dados que são públicos), existirá um haircut de 70% da dívida (constituindo assim um perdão), assumida sob a forma de VMOCs. O que será sempre uma boa notícia e partindo do pressuposto que estamos e iremos continuar a cumprir com os acordos estabelecidos com a banca. A Banca tem cada vez mais instruções para reduzir a sua exposição a Clubes de Futebol e temos de ir arranjando formas alternativas de financiamento e principalmente, aproveitar as milionárias transferências para diminuir as nossas responsabilidades com a mesma.

No meio do extenso artigo, uma confirmação: os 18 Milhões de Euros, do tal investidor que não poderiam divulgar o nome, nunca entraram nos cofres da SAD. Ao contrário do afirmado (e por mim, pessoalmente, no Multidesportivo) em Assembleia Geral do Clube, pelo Presidente Bruno de Carvalho e penso que por Carlos Vieira, Vice-Presidente, em diversas entrevistas. Nos mapas de fluxos de caixa, nunca tinha percebido onde poderia estar reflectida essa entrada, nem nas contas de Balanço. Agora, surge a confirmação. Só não era preciso era ter informado deste assunto de uma determinada entrada de fundos que nunca correspondeu à realidade. 

Em último lugar, confesso que não apreciei a “desavença” entre os maiores accionistas da SAD ser discutida em plena praça pública. Não sendo a Holdimo uma “santinha”, também é necessário recordar que esta aceitou a conversão de uma dívida em capital, permitindo a este acionista ter uma participação de quase 30% no capital da SAD do Sporting. Será vantajoso estarmos a “pisar” no segundo maior acionista e assumir que queremos provocar-lhe uma diluição de capital? Ou será que os actuais accionistas (que não o Sporting) poderiam comprar algumas das VMOCs ao preço estabelecido pelo Sporting?

Aguardemos pelos próximos capítulos, mas estou curioso para saber o que irá sair deliberado na próxima AG da SAD do Sporting.

Até lá que é hora de despedir de todos os sportinguistas que nos seguem, aqui no Blog A Norte de Alvalade

Saudações leoninas,

O Vosso Tio Patinhas de Alvalade

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Tio Patinhas de Alvalade analisa o relatório da Soccerex Football Finance

Saudações leoninas a todos e muito obrigado pelas fantásticas reações ao meu primeiro post. Irei comentar em futuros posts, alguns dos aspectos importantes mencionados nos comentários ao mesmo, sem procurar ser consensual, pois a divergência de opiniões é salutar quando bem “praticada”. Mas vamos ao que me traz aqui hoje, o nosso Quinquagésimo Lugar no Finance Football Index da Soccerex.

Depois de mais um derby (com um resultado bem melhor que a exibição), a Soccerex lançou a edição 2018 do seu Relatório Football Finance, onde elenca, de acordo com um indicador criado por si, os 100 maiores clubes, em termos de poderio financeiro.

Este relatório refere-se à análise das contas dos Clubes referentes à época 2015-2016. O Manchester City aparece em primeiro lugar, estando algo surpreendentemente, o Arsenal em segundo. Apesar de futebolisticamente andar longe de um novo título de campeão inglês, a sobriedade da sua gestão origina a que não tenha praticamente dívida nenhuma e apresente resultados financeiros interessantes. No entanto, é de referir que um dos 5 sub-indicadores que constitui o FFI (Football Finance Index) é o do potencial de investimento pelos “donos” do Clube, o que favorece aqueles que têm accionistas fortes por trás em detrimento do modelo de sócios. 

Por isso mesmo, clubes como o Real Madrid (6º Lugar), Bayern Munique (10º Lugar) e Barcelona (13º Lugar) estão fora do top-5, porque neste sub-indicador são avaliados com 0. À imagem do que acontece com os 3 Clubes portugueses que aparecem no Top-100, o nosso Sporting (50º Lugar), Porto (52º Lugar) e Benfica (64º Lugar). Se expurgássemos este efeito, o topo do ranking seria certamente diferente, assim como os nossos 3 clubes subiriam uns bons lugares nesta tabela (que favorece o modelo inglês).

Analisando o FFI, verificamos que ele é constituído pelas seguintes variáveis:

• Activos (jogadores)

• Activos Fixos (estádios, academias, etc)

• Liquidez no Banco • Potencial de Investimento dos Donos

• Dívida Líquida

O nosso Clube aparece como tendo Ativos em jogadores de 196M€, Activos Fixos de 165 Euros, 3 Milhões de Liquidez, 0 em Potencial de Investimento e uma Dívida Líquida de 222 Milhões de Euros, dando um FFI de 0,469 atribuído pela Soccerex.

O Porto aparece como tendo o plantel mais valioso dos 3 Clubes nacionais – 206M€, mas tem menores ativos fixos (140M€), maior liquidez (13M€) e uma dívida maior (234M€).

Por seu lado, o Benfica aparece como o plantel menos valioso (175M€), ativos fixos de 169M€, com maior liquidez no banco de entre os 3 (30M€), mas uma dívida líquida de 339M€, superior em mais de 100M€ de Sporting e Porto.

Agora sabemos que indicadores como a valorização do plantel valem o que valem, porque realmente um jogador só vale aquilo que se especula, quando alguém se chega à frente em termos de compra de jogadores. E vemos que apesar de o Porto ter o plantel mais valorizado que, durante o período de 1 de julho de 2016 a 31 de agosto de 2017, teve muita dificuldade em realizar dinheiro com os seus ativos, enquanto que Sporting e Benfica encaixaram mais de 100M€ com ativos que estavam na valorização mencionada pela Soccerex.

De referir que este estudo apresentado pela Soccerex é apenas um exercício baseado nas variáveis e indicadores escolhidos pela mesma. Outros estudos que considerem variáveis diferentes (e pesos também) originarão resultados diferentes. Por exemplo, se ao FFI expurgássemos a capacidade de investimento dos donos / accionistas e considerássemos também a capacidade de geração de receitas, os resultados operacionais e o EBITDA gerado pelos diferentes clubes, muitas alterações ocorreriam. 

Estou curioso (mas esperarei pacientemente, porque deve ser daqui a um ano) para ver os resultados após contabilizarmos a época / ano fiscal 2016/2017, mas estou em crer que o Sporting manterá a dianteira neste campo, em particular.

E que juntemos o tão almejado título de campeão 2017/18 à liderança neste campo. Agora, encher Alvalade dia 7 de janeiro e empurrar a equipa para um bom final de primeira volta, com o Marítimo. 

Tio Patinhas de Alvalade

PS: pode encontrar o estudo [aqui]  para download

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Saiba o que diz o Tio Patinhas de Alvalade sobre as contas do Sporting

Saudações Leoninas a todos!! 

Inauguro hoje uma colaboração com o distinto “Leão de Alvalade” e começo por agradecer o honroso convite que me endereçou para assumir uma colaboração com o seu blog, versando sobre os aspetos financeiros do Futebol e do nosso Clube em particular.

Assim, começo esta colaboração escrevendo sobre as últimas demonstrações financeiras apresentadas pela SAD do Sporting e que apresentam um resultado positivo de 24,9M€. E prevejo (e se me enganar, estarei aqui para dar a mão à palmatória) que se não ocorrer uma venda neste mercado de Inverno ou antes do fecho do exercício (antes de 30 de junho), penso que o Sporting corre o risco de poder apresentar prejuízo ou algo muito perto disso. Mas vamos antes tentar dissecar alguns números.

Os nossos proveitos operacionais do trimestre foram de 34.79 M€, dos quais 17,04M€ dizem respeito à Liga dos Campeões, pelo que os proveitos expurgando a LC e transferências, devem rondar os 70 a 75 M € por ano. Com a boa prestação da UEFA, direi que será possível passar dos 100M€ sem transferências, pela primeira vez (no ano passado, foram cerca de 80M€). O aumento de cerca de 2M€ dos proveitos operacionais é explicado pelo facto de termos disputado a Pré-Eliminatória e pela receita de bilheteira acrescida, no mês de agosto (sem correspondência com o período homólogo).

E por falar em bilheteira e apesar de no início de cada época, a Direção ser criticada pela sua política de preços (estes têm subido a cada ano) e de muitos preverem a descida apocalíptica das vendas de lugares anuais, os números têm dado razão à política seguida, uma vez que temos um aumento de cerca de 15% das receitas com a venda de lugares anuais, as nossas Gameboxs.

Ao nível dos custos, existe mais um aumento da massa salarial (depois das duas primeiras épocas de apertar o cinto, têm crescido ano após ano). Mesmo descontando 0,8M€ respeitando a jogadores que já não se encontram no plantel, temos um aumento de pelo menos 7M€ neste ano. Atrevo-me a dizer que o impacto da massa salarial da SAD rondará os 70 a 75M€, sendo similar aos proveitos operacionais sem a Liga dos Campeões e receitas com alienação de passes.

No que concerne aos Bancos, verificamos que os depósitos à ordem restritos, totalizam já mais de 5M€. Para quem não lê os R&Cs, estes DO restritos servem para liquidação de dívida bancária, juros e constituição de conta reserva (pagamento de VMOCs). O “famoso” factoring reduziu cerca de 13,3%, para 26M€, sendo 22,4M€ referentes a épocas futuras (chegou a ser mais de 38M€ em 2014). Verificamos uma redução do passivo bancário num trimestre de 2M€ e uma reestruturação entre diversas dívidas, diminuindo os descobertos bancários e aumentando os empréstimos “normais”. Um dia, prometo escrever mais sobre o factoring, mas ressalvo que não deixa de ser mais um instrumento financeiros colocado à disposição das empresas e claro está, do Sporting. No entanto, ao contrário do que muitos afirmam, o facto de anteciparmos o recebimento de proveitos futuros não influencia a nossa Demonstrações de Resultados, pois estes proveitos serão diferidos e reconhecidos contabilisticamente, no período temporal a que dizem respeito.

Em resumo e para que este primeiro “escrito” não se torne demasiado longo, um primeiro trimestre em linha com o esperado e uma estrutura de custos, algo dependente da Liga dos Campeões (sem esta receita, nunca operacionalmente o Sporting atingirá o equilíbrio, com a atual estrutura de custos). Num ano sem LC, os prejuízos sem alienações de passe, podem atingir “facilmente” números acima dos 20M€. Ainda por cima, quando algumas rúbricas de receitas parecem ter deixado de ter espaço para crescer, nomeadamente Patrocínios, Loja Verde (variação de apenas 100 mil Euros de um ano para o outro), Direitos Televisivos (uma vez que já foram revistos em alta, há 2 épocas atrás).

Para terminar e porque muitas vezes me perguntam, confirma-se que o valor à Doyen já foi liquidado, pelo Tribunal Suíço, que havia solicitado a retenção das nossas receitas da Liga dos Campeões do ano transato, apesar de a “batalha” judicial ainda não ter terminado (e a provisão ainda não foi totalmente revertida). Assim, o pagamento desta dívida é a grande explicação para a diminuição do nosso passivo, face a 30 de junho de 2017.

Comentem e aguardem pelos novos capítulos!

O vosso “Tio Patinhas” de Alvalade

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A esperança que fica da Taça da Liga, o Relatório & Contas no que mais interessa, a querela com a RTP

Taça da Liga
Não foi um jogo particularmente agradável de se seguir e dificilmente poder-se-ia assistir a uma grande prestação colectiva, tendo em conta as alterações introduzidas por JJ. Tenho insistido aqui muito nisto:
- Jogadores que não jogam com assiduidade dificilmente se conseguem apresentar com ritmo e intensidade ao seu melhor nível, o que por vezes até distorce a noção do seu valor pelo que projectam;

- O facto de um elevado número de jogadores juntos na mesma equipa  pela primeira vez, ou tendo-o feito pouquíssimas vezes (a que se soma a tal falta de ritmo individual) é um factor determinante para a qualidade de resposta não poder ser igual.
A isto temos obviamente que juntar o facto de, por alguma razão, estarem a jogar aquilo que se convencionou chamar "segundas linhas". Mas era precisamente aqui que queria chegar pois, se o interesse do jogo propriamente dito se possa ter extinguido com a conquista dos três pontos e o derradeiro apito do árbitro, a avaliação do que estes jogadores ainda podem oferecer à equipa já não me parece. 

Acabamos de entrar num mês em que a sorte da equipa nas diversas competições será objecto de decisões, três delas de carácter eliminatório: Taça da Liga, Taça de Portugal, Liga dos Campeões. Até ao inicio de Janeiro (dia 3) temos ainda oito jogos para realizar, dois dos quais são para a Taça da Liga (Varzim, Setúbal) 1 para a Taça de Portugal (Setúbal) um para a Liga dos Campeões (Légia)  e os restantes para o campeonato (Setúbal (c) Benfica (f) Braga (c) Belenenses (f). 

Este excesso de agendamento abrirá certamente espaço para que jogadores com menos tempo e oportunidades se mostrem e alguns ganhem ritmo suficiente para se constituírem como opções para titulares. E há alguns, mesmo sem terem prestações relevantes, que deixaram indicações interessantes e que, com enquadramento a outro nível mais elevado, com os habituais titulares e nunca todos em simultâneo como agora, devem ser levados em linha de conta: Esgaio, Paulo Oliveira, Douglas, Petrovic, Elias, André e sobretudo Campbell. Na outra face da moeda a astenia de Markovic continua e mesmo Alan Ruiz, pese o golo, continua a desiludir.

Relatório & Contas do 1º trimestre
O Sporting apresentou o seu melhor relatório e contas de sempre e esta consideração é igualmente válida mesmo considerando que se trata de um relatório parcelar. Fossem sempre assim sempre os relatórios, mesmo que não fossem desta monta e a saúde financeira do clube seria outra.

É bom lembrar que apresentação deste relatório não foi imposta por nenhum preceito legal ou regulamentar, uma vez que a CMVM deixou de o exigir. Obviamente que, com estes resultados, e ainda por cima em véspera de ano eleitoral, seria um tontice desperdiçar este argumento poderoso. Mas a sua apresentação não passará de uma xico-espertice e um insulto à nossa inteligência se o mesmo não se verificar quando resultados menos favoráveis se venham a registar. De certa forma pode-se considerar que esta apresentação significa um compromisso para o futuro e se assim for não pode deixar de ser saudado.

Não farei aqui uma leitura fina aos resultados, mas não deixarei de proferir algumas considerações que interessarão mais à generalidade dos adeptos, de que faço parte, que não gostam de esmiuçar os números.
- Independentemente das necessidades que representam os compromissos a vencer no curto, médio e longo prazo, estes resultados apontam para uma gestão genericamente equilibrada. O crescimento dos custos tem sido acompanhado com o crescimento das receitas e ambos eram absolutamente essenciais para o acréscimo da nossa competitividade.

- Sem segredo para ninguém, este óptimo resultado é conseguido sobretudo "à custa" da  venda de Slimani e João Mário. A razão do inflacionamento do seu custo para os clubes compradores não reside apenas no seu valor como jogadores, mas assente numa prestação colectiva que em muitos jogos chegou a ser brilhante e que potenciou o valor de cada um deles. A fórmula é simples, a sua aplicação já não e no Sporting particularmente.
- Sintomaticamente, trata-se de dois jogadores com diferentes origens: João Mário da formação e Slimani do scouting. A prova que é possível e até desejável a convivência entre essas "politicas" e o nosso sucesso depende delas. 

- O relatório diz-nos também que, além da obtenção de mais-valias, por via da alienação de passes de jogadores, a presença na Liga dos Campeões é fundamental para suportar o também evidente disparar da actual estrutura de custos.  

- A questão primordial para a manutenção deste circulo virtuoso continua por isso a ser (outra vez!) a gestão desportiva. Quer ao nível da (1) composição do plantel (formação+scouting) quer ao (2) nível técnico, que é o rendimento que se adquire por via do treino. O recurso da gestão a engenharias financeiras e outros expedientes só acontecem quando a gestão desportiva está a falhar.

- Se o segundo se pode dizer aquirido, o primeiro este ano deixa dúvidas. Este ano foi particularmente notório que (a) o reforço do plantel foi tardio - facto já admitido por Jesus - (b) foi duvidoso no que diz respeito à oportunidade de muitas escolhas, (c) foi diminuto o recurso à formação  e (d) aparentemente excessivo no que diz respeito ao recrutamento externo, o que seguramente interferirá nos resultados globais, se rectificações não forem feitas. O rigor é sempre indispensável e os resultados são ainda melhores no futuro quando ele é aplicado em tempos de bonança.

- Há por isso duas questões que ficam no ar: a) quantos dos resultados desportivos a obter esta época não poderão ter ficado comprometidos logo à partida por via das decisões tomadas para a formação do plantel e, b) olhando para o actual plantel, é possível a manutenção deste modelo?
- Para assegurar um modelo diferente e quiçá mais equilibrado seria necessário fazer crescer outras fontes de receitas, de forma a que a necessidade de vender não fosse tão premente. Para os clubes portugueses esse é o ovo de colombo ainda por descobrir. Ainda assim há muito ainda por fazer e para melhorar e cuja 

A RTP e a promoção do Benfica
Fica apenas uma nota final de rodapé a recente querela com a RTP, por via de um spot promocional de um jogo do nosso rival. As questões de humor são sempre particularmente sensíveis, quantas vezes não assisti já a risos desbragados a acontecer em simultâneo com reações de indignação a propósito da mesma piada. 

A reacção parece-me excessiva face ao conteúdo do spot, que o Sporting considerou falta de respeito pelo clube. A referência ao Sporting é residual e nem sequer é ofensiva - se assim quisesse ter sido podia escolher a versão pior da "baforada". É também uma manifestação de incompetência e falta de segurança da RTP e desrespeito pelos funcionários.

Saber rir de si mesmo é uma manifestação do mais apurado sentido de humor. Reacções deste tipo, parecem-me, isso sim, uma manifestação típica de alguém com pouca segurança de si e com sua própria imagem, típico de gente complexada, e que, por isso, nada tem nem pode ter a ver com o Sporting.

Parece-me isso sim mais uma manifestação de excesso de atenção e reacção a tudo o que vem acoplado à palavra Benfica e que infelizmente faz cada vez mais escola. Quase sempre de forma primária e quando não grotesca, e não de forma inteligente e documentada (com muito poucas honrosas excepções  como p. ex. O Artista do Dia) o que só desqualifica não só quem o faz mas por via directa e indirecta o clube. Em grande parte são os Sportinguistas com o seu excesso de atenção ao rival aqueles que mais o promovem e mais o colocam nos assuntos do dia.

sábado, 1 de outubro de 2016

"Contas totais revelam mau estado das contas do Benfica e do Sporting"


Esta é uma noticia inserta hoje no Jornal Expresso:

O Grupo Benfica fechou o ano 2015/16 com capitais próprios negativos de €84 milhões. O número que mostra uma realidade diferente da das contas individuais da SAD, contrastando com capitais próprios positivos desta de €21 milhões — está nas contas consolidadas do clube, que o Expresso hoje torna públicas pela primeira vez. A não publicação das contas consolidadas pelo clube da Luz esteve na origem de fortes críticas do Sporting, que ainda não apresentou as suas.



Foi o próprio Benfica quem forneceu as contas consolidadas ao Expresso, assim pondo fim à polémica quanto à sua não divulgação. O clube diz que age com “total transparência”, que sempre teve contas consolidadas, e que só as forneceu agora porque nunca antes nenhum jornal as tinha pedido. “Sempre tivemos esta informação disponível para partilhar com os parceiros e sócios (tal como hoje [ontem] vai ser feito na assembleia [geral de sócios]), prática que já tem muitos anos”, diz o Benfica.

Já o Sporting, que num texto de opinião de Bruno de Carvalho publicado esta semana no “Diário de Notícias” lançou suspeitas sobre as contas totais do clube rival, respondeu ao Expresso não ter ainda as suas contas consolidadas de 2015/16 fechadas, garantindo que as dará logo que isso acontecer. E enviou, sim, as contas consolidadas do ano anterior, 2014/15 (que não estão no site do Sporting), que revelam também um capital próprio negativo, num valor que é quase o dobro do do Benfica: €163 milhões, resultantes de muitos anos de prejuízos anteriores. Tendo em conta que a SAD do Sporting teve prejuízos de €32 milhões este ano, os capitais próprios consolidados deverão ter fechado 2015/16 num valor próximo dos €190 milhões negativos.

O que são contas consolidadas
Imagine que é dono de um grupo que tem duas empresas, a X e a Y. Se a X vender uma mesa por €100 à Y e a Y vender uma cadeira à X por €100, ambas faturaram €100, mas o grupo ficou exatamente com o mesmo dinheiro. Em contas consolidadas, o grupo nada faturou: as operações anulam-se.

Agora imagine que a mesa e a cadeira vendidas tinham sido inicialmente compradas por €20. Então, X e Y teriam tido um lucro de €80. E os ativos de cada uma também subiriam €80, pois quem vendera a mesa que valia €20 comprara a cadeira que valia €100. Mas, em contas consolidadas, nem mais lucro nem mais ativos.

Estes exemplos simples demonstram a diferença entre contas individuais e consolidadas, que anulam operações dentro do grupo e as contabilizam na proporção que umas empresas detêm das outras (segundo o método de equivalência patrimonial). Nestas SAD, as contas individuais são públicas, as consolidadas não.

O Sporting lançou suspeitas sobre os verdadeiros ativos e passivos do Benfica, depois de a SAD da Luz apresentar o seu maior lucro de sempre, de €20,4 milhões. O Benfica, instado, não quis alimentar a polémica, mas fontes do clube falam de uma manobra de diversão do Sporting para “tapar” os seus prejuízos de €32 milhões.

As contas consolidadas 2015/16 do Sporting serão aqui analisadas depois de serem fechadas. O FC Porto ainda não divulgou resultados, embora o Expresso já tenha antecipado o que podem ser os maiores prejuízos de sempre da SAD portista. Entremos nas contas consolidadas do Benfica, as únicas fechadas — e agora disponibilizadas.

“Falência técnica”
Diz-se que uma empresa está em “falência técnica” quando tem capitais próprios negativos, isto é, quando o passivo (o que “deve”) é maior do que o ativo (o que “tem”). Tanto o Grupo Benfica como o Grupo Sporting estão nessa situação (assim como o Porto), em grande parte por causa dos prejuízos antigos acumulados. O Sporting parte de uma situação pior: tinha no ano passado resultados transitados (soma de lucros e prejuízos de anos anteriores) negativos em €267 milhões.

No Grupo Benfica, os resultados transitados no fecho de 30 de junho de 2016 são de €114,7 milhões negativos, ainda assim uma melhoria de 5,4% face aos €121,3 milhões negativos de um ano antes, no fecho de 2014/15. Daqui resulta o capital próprio negativo de €84 milhões, que melhorou 16% face aos €99,8 milhões negativos um ano antes. Na prática, isto significa que o Benfica ainda tem de “limpar” muitos anos de prejuízos passados.

É o legado Vale e Azevedo? A esta pergunta, o Benfica responde: “Os €114,7 milhões de resultados transitados devem-se ao legado Vale e Azevedo e aos custos de reconstrução e recuperação do Grupo SLB nos primeiros mandatos pós Vale e Azevedo, onde teve de se investir fortemente na construção de infraestruturas e na recuperação desportiva do Grupo SLB.”

Ativo cresce, passivo também
O ativo consolidado do Benfica é €417,6 milhões, mais €52 milhões do que no ano anterior. Analisando o balanço, conclui-se que a valorização resulta essencialmente do plantel dos jogadores (os ativos intangíveis são de €116 milhões, mais 22,6% do que um ano antes) e de liquidez (o grupo tem €32 milhões em caixa).

Crescendo menos do que o ativo, o passivo do Benfica continua, no entanto, também a crescer: mais €28,7 milhões num ano, para um total de €495 milhões a 30 de junho último. Neste caso, o aumento resulta sobretudo de dívidas a fornecedores e outros credores, que, confrontado, o clube explica assim: “O aumento surge em consequência do aumento do ativo e deve-se aos investimentos realizados na aquisição de atletas, sendo a sua variação (aumento/diminuição) decorrente dos prazos de pagamento acordados e da data da transação.”


Quando, dentro do passivo, se olha para os empréstimos, conclui-se que a dívida do Benfica quase não se alterou de um ano para o outro (o valor total de empréstimos é de €313,7 milhões, menos 0,4% do que um ano antes). Mudou sim, e muito, a sua composição. Por um lado, houve uma redução de empréstimos bancários por substituição por empréstimos obrigacionistas; por outro, há uma evidente reestruturação de prazos das dívidas, em que o Benfica substituiu dívida de curto prazo por dívida de longo prazo. Há um ano, três em cada quatro euros (75,9%) que o Benfica devia de empréstimos eram a curto prazo, o que revela uma pressão financeira enorme; este ano, essa pressão baixou, pois dois em cada quatro euros (49,8%) são devidos a curto prazo, os outros dois a longo prazo.

Auditores avisam
Esta pressão financeira leva a alertas dos auditores. As contas consolidadas de 2015/16 enviadas pelo Benfica ao Expresso ainda não estão auditadas, mas as do ano anterior, que o Benfica também disponibilizou, estão. As contas são aprovadas pela PricewaterhouseCoopers (curiosamente, a mesma auditora do Sporting, que tem reservas às contas) com uma ênfase (uma espécie de aviso): alertando para os capitais próprios negativos, a auditora salienta que o princípio contabilístico da continuidade das operações depende “do apoio das instituições financeiras na renovação das linhas de financiamento e do sucesso das operações e atividades futuras do grupo”.

Isto significa que a situação financeira do grupo é de forte pressão, mas tem sido lidada ano após ano. Não há razões para que a mesma ênfase não seja repetida no relatório deste ano, pese embora a situação financeira do grupo ter melhorado. O Benfica desvaloriza a ênfase: “Este tipo de pontos na Certificação das Contas emitida pelos auditores é normal e recorrente sempre que os capitais próprios são negativos ou se encontram perdidos em mais de 50%, em conformidade no art. 35º do CSC. Esta ênfase é recorrente nos nossos relatórios e contas.”

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Relatório & Contas: quando "aqueles" 80 milhões tinham evitado o prejuízo


A SAD reportou à CMVM o relatório e contas do exercício de 2015/2016, fechado com um prejuízo de 31.905 milhões de euros. Não tendo havido tempo para uma leitura fina ficam as impressões gerais:

A mensagem do presidente do Conselho de Administração é aquilo que se pode chamar de um verdadeiro slalom serpenteante de "ses"  
- "se tivéssemos ido à Liga dos Campeões" / "se tivéssemos feito mais dois pontos" / se não tivéssemos que fazer a provisão do Rojo
e de subterfúgios 
- indo buscar atrás (negócio Rojo) e à frente (negócio Slimani e João Mário) afastando-se o foco que é o exercício em causa, onde se registam os prejuízos 
e algumas observações descontextualizadas 
-  como a referência aos resultados da selecção nacional
 e contraditórias
- dando como concluída a reestruturação e especialmente a recuperação financeiras quando ambas estão por concluir e logo num exercício marcado por um prejuízo significativo.
Só faltou referir que caso a tão famosa proposta de 80 milhões tivesse sido aceite o sinal do exercício teria sido inverso e os resultados desportivos os mesmos.

Ironia à parte, este exercício é acima de tudo um poderoso aviso. O tempo dos prejuízos voltou mais depressa do que se poderia imaginar. Não faltam matérias a merecer explicação convincente como, por exemplo
a razão para os 16,914 milhões de prejuízo sem o "efeito Rojo", 
o preço da operação de aquisição do Alan Ruiz (vale assim tanto?...) 
ou a subida vertical dos custos gerais e em particular dos custos com pessoal.
Quando se espera que no próximo exercício os gastos continuem a aumentar, o que deve ser explicado aos Sportinguistas é se este trajecto é sustentável e como, de preferência com números do próximo orçamento demonstrativos das receitas esperadas para sustentar o acréscimo das despesas.

Nota importante: Já depois da publicação do post ficamos a saber que o Sporting, numa iniciativa inédita e que se louva, entregou na CMVM um quadro detalhado onde se incluem informações detalhadas sobre as compras e empréstimos de jogadores efectuadas desde Janeiro.

Parece-me no entanto continuar por esclarecer qual a situação contratual de Bruno Paulista. O jogador originalmente tinha chegado por empréstimo do Recreativo de Caala (!), tendo ficado de ser adquirido em Janeiro. A aquisição chegou mesmo a ser anunciada [LINK] [LINK], não tendo sido objecto de qualquer comunicado a negar a transacção, para aparecer agora no rol das aquisições depois de Junho (com os meus agradecimentos ao @OArtistaDoDia) :

P.S. - a propósito deste mesmo tema recomendo a leitura deste post [LINK]

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

VMOC's: vários anos a viver perigosamente

Criou algum alvoroço na semana passada a noticia de que o Sporting estava prestes a perder a maioria do capital da SAD. Tal sucederia caso os VMOC's (acrónimo de "valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis") detidos pelos bancos credores fossem imediatamente convertíveis em acções, conforme previsto no plano de reestruturação financeira de 2009. À época este instrumento financeiro foi aqui amplamente debatido, tendo alguma das consequências agora conhecidas sido então antecipadas.

Estamos a falar de um valor de 55 milhões de euros o que, por força da diluição percentual decorrente do aumento de capital para um total de 122 milhões de ações, reduziria a 32% a participação no capital da SAD, apesar do Sporting continuar a deter 42,8 milhões de acções. O BES e o BPI ficavam assim 45% da SAD, resultantes da transformação daquela divida em 55 milhões de ações. A Holdimo de Álvaro Sobrinho e Joaquim Oliveira são os restantes accionistas, sem contar com detentores de quantidades residuais de acções.

Ao contrário do que parece ter sido entendido, pelo menos a julgar pelo silêncio que se instalou sobre o tema, o perigo de perder a maioria da SAD ainda não se extinguiu, uma vez que, até sexta-feira, dia 15de Janeiro, os bancos envolvidos nesta operação têm que se pronunciar, através do envio de carta à SAD, dando conta da aceitação da prorrogação do prazo de pagamento dos VMOC's por mais dez anos. 

Não o fazendo a conversão em acções cumpre-se automaticamente e com ela a perda de maioria do capital. Porém, tal não é crível que venha a acontecer, uma vez que não se vê que vantagens decorreriam para aquelas instituições participarem do capital de uma sociedade que não distribui dividendos e ainda por cima tem um gordo passivo sujeito a apertada dieta.

Se não houver alterações do guião ao filme das VMOC's o problema que agora nos escaldava as mãos transitará para Janeiro de 2016, daqui a dez anos, portanto. Mas terá uma dimensão revista e aumentada, uma vez que já existe uma segunda temporada na "série VMOC's", com a necessidade de liquidar (até 16 de dezembro de 2026), aos mesmos bancos, 80 milhões de euros. 

Esta obrigação foi contratualizada em Dezembro de 2014 aquando da emissão de VMOC's pelo mesmo valor, com um prazo de maturidade de doze anos. Ou seja, se nada foi for feito até lá, em 2026 o Sporting, só por via das VMOC's, terá que desembolsar nada mais nada menos que 133 milhões de euros! Sim, leu bem, cento e trinta e três milhões de euros, não contabilizados os juros. Basta falhar apenas a liquidação de um dos valores em causa para a maioria da SAD se finar. E de fora ainda ficam os valores de despesa de gestão corrente ou do serviço da divida.

Face a estes números astronómicos é mais do que legitimo questionar o acerto das opções tomadas e qual o grau de exequibilidade real destas medidas. Tendo estas sido tomadas sempre sob o signo da emergência e como inevitável alternativa ao caos, não houve tempo nem discernimento para pensar em alternativas. Importa pelo menos agora que se perceba que, em nome da viabilização do presente possível, colocamos um grande ponto de interrogação no horizonte.

Na voz corrente dos entendidos é comum ouvir dizer e ler que, face às circunstâncias, o Sporting tem conseguido bons acordos com os bancos credores.  De tal forma que os nossos rivais, já enciumados pelo nosso lugar na classificação geral, descobriram aqui nova matéria para olharem para o Sporting com redobrado rancor. Sim, os mesmos que nos consideram pobres falidos e à beira da extinção reclamam tratamento idêntico ao que foi dispensado a eles, que se consideram ricos e exemplos de gestão. Enfim...

Se este é o acordo possível não será menos verdade considerar que, ao contrário do que sucedeu com a emissão dos primeiros VMOC's,  é agora vital para a sobrevivência da SAD planear meticulosamente o resgate daqueles valores aos bancos. Dez anos passam a correr, como agora verificamos. A alternativa é o adiar até não haver alternativa.

Vivendo um bom momento desportivo no futebol, é muito comum que matérias deste teor tendam a cair no esquecimento ou até sejam evitadas pelos adeptos e pelos responsáveis. A verdade é que dispomos de dez anos para poder alterar o curso de várias gerações a viver de forma perigosa e poder entregar aos vindouros um clube mais saudável e viável. O contrário é continuar a empurrar com a barriga. 

A próxima AG, onde é possível que este tema venha a ser tratado, é uma altura para tomar o pulso aos planos da direcção para gerir delicado dossier.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A limpeza nas contas

Até ao momento em que escrevo este post não é conhecida a reacção do clube a mais uma publicação do Football Leaks, onde, mais uma vez, assuntos relacionados com o Sporting são tema central. Desta feita, é dado destaque à comunicação de uma empresa que presta(ria) serviços de limpeza ao clube e que, por esse meio, comunicava a suspensão da prestação do serviço, por falta de pagamento.

A referida comunicação é de Abril deste ano e não se sabe se o problema, a ter existido, terá entretanto sido resolvido, e se foi, como. 

O clube chegou a acordo com a empresa e esta continua a prestar os mesmos serviços, acordando a regularização das dívidas? ou se

A ligação foi desfeita e se foi, quem se ocupa agora da mesma função?

O certo é que, a ser verdade o que a referida empresa alega - dívidas que se arrastam desde Agosto de 2014 - tal  aponta para uma situação muito diferente do que a que é veiculada oficialmente. 

No final da presente época, no balanço que então efectuou, Bruno de Carvalho dizia-nos o seguinte (05/06/2015):

Desde logo uma situação financeira que conseguimos estabilizar, fruto do esforço, trabalho competente e dedicação de toda a minha equipa. Posso hoje dizer-vos que pertencemos a um Clube que apresentou um lucro de 22 milhões de euros, que acaba de concluir o mais bem sucedido empréstimo obrigacionista da sua história, que soube reduzir as despesas, honrar os compromissos e preparar ambiciosa, mas prudentemente, o seu caminho.
(...)
Temos lucro e temos títulos mas este não seria o Sporting Clube de Portugal se não tivéssemos desde sempre, hoje e para sempre valores! Um deles, porventura o principal, é o do intransigente compromisso com a verdade.
Aguardemos pois pelo cabal esclarecimento desta situação, uma vez que  a transparência na gestão é um dever imprescindível a que os órgãos sociais estão obrigados perante os associados, tendo este contraído especiais responsabilidades. É necessário perceber se estamos a falar de uma situação pontual ou esta fuga de informação é a confirmação de um dos muitos rumores que por aí circulam, dando conta que, no que diz respeito a dificuldades de tesouraria e capacidade de honrar os compromissos assumidos, não houve a mudança apregoada e "tudo continua como dantes, Quartel-general em Abrantes". 

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Considerações breves sobre o relatório e contas 2014/15

O Sporting comunicou ontem os seus resultados à CMVM. Como o relatório faz questão de salientar, trata-se dos melhores resultados operacionais da história da sociedade, ao contabilizar-se um resultado liquido positivo (lucro) de 19.333 euros. Estes resultam sobretudo de:

- receitas resultantes de alienação de passes de jogadores (17.1 milhões)

- aumento significativo das receitas com bilhética, publicidade, patrocínios e direitos televisivos potenciados pela participação na Liga dos Campeões.

Merece também realce positivo a diminuição do passivo para 228.449 euros, embora com a ressalva . O mesmo para, depois de levadas a cabo várias medidas previstas na reestruturação financeira, a saída do vermelho dos capitais próprios, agora 7.043 milhões, quando o ano passado eram de -118.030 milhões. O facto de se tratar do segundo exercício positivo consecutivo, parece estarmos presente perante uma viragem de rumo. Embora continuemos a caminha sobre gelo muito fino, são indiscutivelmente boas noticias.

Gostaria de poder fazer uma análise mais aprofundada sobre este documento, uma vez que a sua importância assim o justifica. Sobretudo poder fazê-lo de forma comparativa para se perceber melhor o seu enquadramento, quer relativamente ao passado recente do clube, quer relativamente aos números dos nossos rivais. Mas, infelizmente, terei que me ficar por estas considerações superficiais e avulsas:

- Ao contrário do que possa ser entendido de forma primária, o aumento dos gastos não é uma má noticia em si. Era desejável que estes pudessem até ter aumentado ainda mais, o que significaria que o Sporting poderia aceder a melhores meios (jogadores, mas não só). Para tal precisaria obviamente de ter melhores receitas, para manter a solvabilidade da sociedade que gere o futebol. É meu entender que este é um ponto onde precisamos de nos aproximar dos nossos rivais.

- Parece-me ser de louvar o esforço efectuado na manutenção dos principais elementos do plantel. O que os relatórios e contas das SAD's de futebol demonstram de forma inequívoca é que o sucesso desportivo é imprescindível para os bons resultados operacionais e razão principal para o respectivo financiamento.

- Um dos valores determinantes para o resultado agora obtido foi a venda de Rojo ao Manchester United (20 milhões). A SAD preferiu não constituir uma provisão deste valor, tendo em conta a contingência de ter que devolver grande parte daquela verba à Doyen, ficando aquela verba como passivo contingente. Se tal me parece aceitável, já não me parece que se invoque um parecer de uma "entidade externa internacional" cujo nome não é revelado. Como bem sabemos, desde que paguemos o que nos é pedido, os pareceres deste tipo são de acordo com a vontade do cliente e o anonimato ajuda pouco à credibilidade.

- As receitas são seguramente o grande desafio que se coloca à SAD, mais ainda agora pelo facto de termos sido atirados borda fora da Liga dos Campeões. A atracção de publicidade, não apenas a das camisolas, a gestão corporate, o marketing continuam a precisar de ser trabalhadas de forma mais competente.

- Parece-me extemporâneo e ainda por cima que seja a própria SAD a pedir o aumento (duplicação?) da remuneração de três dos seus elementos, presidente incluído. Não discuto valores, discuto a oportunidade, tendo em conta a contingência das contas e o facto de o mandato dever ser avaliado na sua totalidade. Já não me repugnaria se SAD regulasse uma tabela de prémios indexada aos resultados económicos e desportivos que premiasse o mérito.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Carlos Vieira admite patrocinio da Guiné Equatorial-Empréstimo Obrigacionista-Novo investidor-Naming-Doyen

Carlos Vieira dá hoje uma entrevista ao DN onde aborda vários temas que estão no topo da actualidade e da preocupação dos Sportinguistas, tais como:

- O patrocínio das camisolas
- O que vai ser feito com o dinheiro do empréstimo obrigacionista
- Novos investidores
- Naming do Estádio José Alvalade
- Processo Doyen
- Orçamento da SAD

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Vamos ao que menos interessa: as contas.

Como não podia deixar de ser, aproveito a divulgação das contas trimestrais para falar um pouco das contas da SAD do Sporting. O titulo é algo provocatório, só um louco ou alguém a caminho de o ser pode achar que as contas são o que menos interessa. No entanto ele não deixa de dar conta do espírito mais comum entre os adeptos: queremos que as contas estejam boas mas a nossa preocupação é se a bola entra ou não. Ou até mais do que isso, queremos é títulos, como muito bem dizia o nosso ex-PMAG, Eduardo Barroso há dias. 

Contudo sem boas contas os títulos são uma miragem e o Sporting, mesmo apresentando os resultados de um excelente exercício trimestral, tem ainda um longo caminho a percorrer para se reequilibrar e poder assumir-se lado a lado com os seus rivais em disponibilidade financeira. Os relatórios trimestrais têm um valor relativo, servindo sobretudo de indicador ou revelador de uma tendência. O agora em apreço, por versar o período de transferências e de inicio de época pode, por isso, ter algum valor acrescido sobre os outros 3 relatórios congéneres, mesmo considerando que algumas das verbas inscritas são parciais. 

As boas noticias
Por comparação com o período homólogo do ano passado, os resultados operacionais e líquidos são extremamente positivos, com um saldo liquido de 25,2 milhões e 24,6 milhões respectivamente que, também respectivamente, representam variações positivas de 207% a 242% por cento. Estes valores percentuais astronómicos devem ainda mais realce pelo facto de a comparação ser feita com um exercício homólogo positivo. Para este resultado muito contribuíram as verbas resultantes das mais valias com a venda de jogadores (Rojo, Rinaudo e Dier) e das receitas resultantes da entrada directa na fase de grupos da Liga dos Campeões.

O primeiro item, a alienação de passes, é um ponto que merece destaque. No campeonato das transferências o Sporting obtém um 2º lugar, com resultados positivos de 19,7 milhões, suplantado apenas pelo SLB com 21,2 milhões, tendo o FCP ficado pelos 17 milhões. A importância de o Sporting estar lado a lado com os seus rivais na obtenção deste tipo receitas é absolutamente crucial para poder, num futuro próximo, iguala-los no investimento na sua equipa de futebol, bem como no financiamento de toda a actividade da SAD. 

Noticias nem boas nem más
Tem sido muito salientado o facto de o Sporting gastar apenas 1/4 dos seus rivais com despesas de pessoal. Aqui tenho que dar razão ao Eduardo Barroso, não quero ficar à frente dos rivais no campeonato das contas, mas sim no do futebol. Este facto, o de gastar pouco, só será verdadeiramente relevante se a ele se juntar um ciclo de vitórias, o que me parece um caminho muito difícil de percorrer. Não é impossível e atendendo de onde o clube vem e onde estão colocados há muito os rivais, é necessário tempo para a consolidação de uma estratégia. A minha dúvida, já aqui várias vezes expressa, relativamente à actual, é profunda. Resta-me dar o tempo necessário e aguardar pelos resultados. Um clube grande tem este problema: não vamos para a praça central da parvónia celebrar segundos lugares ou qualificações para a Liga dos Campeões.

Os valores do passivo (262,7 milhões, menos 1%) e dos capitais próprios negativos (uma importante diminuição de 21%, para 93,4 milhões) não são más nem boas noticias se atendermos a que os seus valores são de há muito conhecidos de todos. Obviamente que um passivo tão elevado consome enormes recursos para assegurar o cumprimento do respectivo serviço de divida, sendo este, quanto a mim, o grande problema que a SAD ainda tem que enfrentar por um longo período. Já os valores dos capitais próprios sofrerão em breve uma importante alteração, com a entrada em vigor do plano de reestruturação financeira. 

Noticias preocupantes
O conflito com o fundo Doyen Sports pode significar uma importante reviravolta nestes resultados. Se a decisão nos for desfavorável, esperar que aquela entidade se ficará pelo simples ressarcir aritmético dos valores em disputa só pode ser ingénuo. Resta aguardar que a decisão tenha sido objecto de aturado estudo, reflexão e assessoria jurídica antes de ter sido tomada, porque as suas consequências seriam obviamente graves.

Da observação apressada do referido R&C saliento igualmente dois pontos que me parecem pelo menos preocupantes:

1- A diminuição das receitas resultante de patrocínios e publicidade: dos 1.568 milhões do ano passado, sem competições europeias e sem Champions League, obtivemos apenas este ano 1.536 milhões. Só para se perceber o caminho que agora percorrer os nossos rivais, o SLB obteve, nesta rubrica, no mesmo período, 4,8 milhões de euros, que representa um acréscimo de 10,2%. Não consegui verificar os números do FCP em tempo útil de os incluir aqui. Como é óbvio, este é apenas um aspecto, entre muitos outros, das contas dos clubes mas que, a par de outros, indiciam pelo menos que não se justificam para já os gritos de hossana relativamente às nossas contas. Há um longo caminho ainda a percorrer.

2- Igualmente num ano de regresso de competições europeias e logo pela sua porta maior, o acréscimo de apenas 14% nas receitas de bilhética (de 1.941 milhões em 2013 para 2.384 milhões agora) reforça a necessidade de uma reflexão alargada sobre a actual realidade do universo leonino.

Nota: este texto será igualmente publicado no site Bola na Rede, no âmbito de uma parceria com este blogue. Pode também seguir o site no Facebook.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Porque o fim dos fundos é mau para o Sporting. (E para o futebol nacional também)

O que penso sobre os fundos e sobre os fundos no Sporting
Falar sobre fundos tornou-se quase tão corrente como falar da bola que bateu no poste, dos erros dos árbitros, dos golos, etc. Mas quando falamos de fundos estamos a falar do TPO (third party ownership), isto é, da partilha de passes de jogadores entre clubes, entidades financeiras, investidores, agentes, empresários e até mesmo dos próprios jogadores. O seu fim já anunciado provocará seguramente grandes mudanças no futebol em todo o mundo, particularmente na América do Sul e Europa.

Ao contrário do que parece ser a corrente de opinião no actual Sporting, não olho para os fundos e vejo o anti-cristo. Pelo menos nem mais nem menos do que vejo noutro qualquer instrumento ou parceiro financeiro de que o clube se possa socorrer. O problema, a haver, está em quem negoceia e a forma como defende os respectivos interesses. Este não se confinará apenas às negociações com fundos, mas com a generalidade de parceiros a quem o clube recorra para se financiar. Cabe a quem representa o clube nas negociações retirar as maiores vantagens, porque do outro lado da mesa não está o Pai Natal com um saco de prendas, mas apenas alguém que procura ganhar dinheiro. 

O que haverá de diferente aqui se do outro lado da mesa ao invés de representantes da Doyen ou QFIL estiver o chairman de um banco ou entidade de crédito similar?

Especificamente sobre o Sporting lamento que a discussão esteja a ser muitas vezes mistificada, outras vezes manipulada, no que muito contribuíram os maus resultados desportivos que ocorreram no momento em que o clube apostou mais declaradamente neste tipo de financiamento. Os resultados dos rivais provam o que todos sabemos acerca de qualquer negócio: meter dinheiro nos problemas pode vir a representar um problema maior se a aplicação deste não for bem gerido. Ao Sporting faltou sempre alguma coisa ou várias ao mesmo tempo: um bom treinador, estabilidade e saber a dirigir, qualidade do plantel. Quando tinha um faltava outro. Os resultados de SLB, e de forma mais sustentada do FCP, comprovam que poder chegar a melhores jogadores tem um carácter diferenciador.

Depois há fundos e fundos. O que agora sucedeu com a renegociação das percentagens detidas pelo fundo do ex-BES, o Sporting Stars Fund, é o resultado de uma circunstância muito especial - o fim do banco com quem se tinha originariamente negociado - e pelo facto de o próprio fundo ser sobretudo um parceiro do Sporting. Na prática, ao invés de deter acções, o fundo comparticipava no risco de aquisição de jogadores. Risco que, neste caso concreto, e ainda sem fazer as contas, deve ter sido pago sobretudo do lado do investidor. Não fossem estas circunstâncias especiais alguém em bom juízo aceitaria os pouco mais de 12 milhões só e apenas pelas percentagens detidas de passes de jogadores valorizados como William Carvalho e Adrien, por exemplo?

Haveria muito a discutir sobre os fundos no Sporting. Inclusive, por exemplo, se é boa politica disponibilizar percentagens de passes de jogadores ainda em formação. O que me parece é que o clube não deveria abdicar de uma ferramenta como esta, sem pelo menos ter uma alternativa que lhe permitisse estar mais perto dos seus concorrentes directos, sob pena de comprometer a respectiva competitividade.

Perceber a estratégia do Sporting
O Sporting fez deste tema bandeira da actual gestão. Mas já fez uma inflexão notória mas que aparentemente tem passado despercebida nos comentários sobre o tema: começou por pedir a regulamentação da actividade para agora, agitando fantasmas sobre o comprometimento da verdade desportiva, querer a sua extinção.

Várias vezes tenho tentado perceber esta cruzada lançada aos fundos e a conclusão é quase sempre a mesma: O Sporting pretende com o fim dos fundos diminuir a capacidade de investimento dos seus rivais, de forma a deixá-los, sem as respectivas verbas, mais próximos dos valores que consegue aportar ao seu futebol. Isso seria perfeito, mas quanto a mim tem dois grandes inconvenientes, para poder resultar em pleno: 

(i) As maiores receitas dos seus rivais continuarão a possibilitar, pelo menos na teoria de que jogadores mais caros são melhores, maior capacidade competitiva. Os dinheiros dos fundos servem apenas para partilhar o risco na aquisição dos passes dos atletas, as elevadas verbas necessárias para pagar os ordenados destes têm que ser encontradas nas receitas dos clubes. É possível que, com o fim dos fundos, diminuam também as receitas obtidas na realização de mais-valias. Essa diminuição será em grau suficiente para nivelar os 3 grandes?

(ii) O fim dos fundos acabará por ditar um afastamento dos 3 grandes portugueses dos melhores palcos e, consequentemente, das grandes receitas, a menos que se descubra uma forma de contornar a perda do dinheiro destas parcerias. Que impacto tal terá no ranking dos clubes na UEFA, que determina o acesso à Liga dos Campeões/Milhões? Pelo menos no futebol a ideia de ombrearmos com "os maiores da Europa" se já era cada vez mais quimérica passará a ser impossível.

E aqui, na capacidade de atracção de financiamento e investidores, o problema continuará a ser, em grande medida, maior do nosso lado. Hoje a visibilidade do Sporting é inferior à dos seus rivais e isso é notório ao nível das parcerias e patrocinadores. Inverter este cenário é ainda mais ciclópico quando se sabe o atraso de muitos anos que levamos no marketing, corporate e demais áreas comerciais e de promoção da marca. 

Os fundos não representam uma panaceia para todos os males, como sabemos de experiência própria, mas sem eles e sem alternativa, clubes como os 3 grandes portugueses, Atlético de Madrid, Valência, e outros remediados europeus terão que se contentar em serem os eternos figurantes no "el passillo" aos mais ricos.

Todas as estratégias comportam riscos. Sobre a actual partilho a desconfiança sobre estes instrumentos, mas não me auto-excluiria do seu uso sem uma alternativa e não estou muito optimista sobre os seus resultados práticos.

Sobre a generosidade e bondade da argumentação a propósito da transparência do dinheiro e respectiva posse parece-me que quem tem como patrocinadores a Tacho Easy ou a Herbalife se devia abster de grandes comentários. Como em geral sobre quase todo o dinheiro, acrescentaria. 

Sobre o efeito pernicioso dos fundos e relações nebulosas com agentes de jogadores diria mais ou menos o mesmo. Não faltam exemplos, passados e recentes, em que o clube, para fazer valer os seus interesses, atravessou a linha que a lei e a ética impõem.


Que perigo representam os fundos?
Dizer isto não é ignorar os perigos que representa a existência dos chamados fundos. O seu peso crescente no futebol mundial é evidente: 

- Mais de um milhar de jogadores na Europa são já pertença de entidades financeiras. 

- Grande parte destes jogadores pertencem a um reduzido número de entidades ou agentes. O risco de dependência e subjugação dos interesses dos clubes aos interesses de um trust de investidores é notório.

Mais do que a sua extinção, parece-me que a regulação desta actividade, como aliás de qualquer outra, se tornou imperativa. Mas isto não ilude que perigos semelhantes ou até mesmo mais lesivos da verdade desportiva já anteriormente se tornaram realidade no futebol, muito antes da chegada dos fundos. Não mais nem menos do que em todas as outras actividades onde existe grandes quantidades de dinheiro em circulação e em que o apelo do lucro fácil é permanente.


A posição da UEFA e da FIFA
Os organismos que tutelam o futebol internacional têm alergia aos temas fracturantes e sobretudo não gostam de muito barulho e escrutínio. A ideia de extinguir os fundos, ou melhor dizendo, a partilha da posse dos passes dos jogadores, é sobretudo preguiçosa. O futebol não ficará mais equilibrado nem mais transparente. Esta decisão deixa cada vez menos espaço aos clubes de matriz associativa, como é o nosso, deixando o caminho livre ao futebol de clubes com um dono ou accionistas. E o dinheiro encontrará sempre novos caminhos para continuar a crescer e se multiplicar.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

O fim da PT e do BES e os novos (grandes) desafios

Não colhe ninguém de surpresa as noticias de que quer o Novo Banco (ex BES) quer a PT (não a PT SGPS mas a PT Portugal) vão deixar de ser os grandes patrocinadores dos três grandes. O BES já há algum tempo que havia saído das camisolas, a PT, via MEO desaparecerá no final da época. A noticia, de que a imagem do post dá conta, saiu no Expresso este fim de semana, e é aqui agora aproveitada para lançar algumas questões que, mais tarde ou mais cedo, estarão na agenda do clube.

Quantos somos, até onde e a quem chegamos? A pergunta faz cada vez mais sentido quando, apesar de todas as promoções e descontos as bancadas do Estádio José Alvalade dificilmente ultrapassam os 40 mil espectadores e só em ocasiões muito especiais. Não serão estes números reveladores de uma dificuldade de alargamento do seu leque de adeptos? Não estarão, por isso, os sacrifícios constantemente exigidos a ser suportados permanentemente pelos mesmos, com os consequentes perigos de saturação/erosão da sua base de apoio?

Que importância tem de facto o Sporting na sociedade portuguesa, para lá dos míticos, mas pouco científicos, mais de três milhões? Que imagem projecta o clube de si mesmo e que importância essa imagem tem como veículo de promoção?

Que capacidade tem o clube de influenciar decisões, não apenas no âmbito desportivo mas, sobretudo no caso agora em apreço, as de ordem comercial, em directa concorrência com os seus rivais?

Conseguirá o Sporting manter patrocínios de valor equivalente ao FCP, como era o caso das camisolas (3,7 milhões ano)? Superar ou igualar as propostas para o naming das bancadas ligadas à PT? 

Estas deviam ser as questões que devíamos saber nós, ou pelo menos os nossos dirigentes. Saberão com certeza os parceiros que se disporão a negociar na hora de propor cachet's e as respostas a estas perguntas chegarão de uma forma mais prática que qualquer discurso de ocasião. Com elas se decidirão muitas das condições que os três grandes disporão para concorrer entre si. Condições que serão determinantes para a a disputa dos pontos em disputa a cada jogo.

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