sexta-feira, 30 de março de 2012

Afinal Bilbau pode ser impossível

Foto via @NunoMourão
Não consegui evitar ontem, na viagem de regresso, começar a fazer contas de cabeça para a viagem a Bilbau. Não por desrespeito aos adversários - e até ao próprio futebol - mas sobretudo por crer que as nossas ambições se mantêm intactas. Hoje porém temo que tal seja praticamente impossível, mesmo que cheguemos, como espero, às meias-finais. É que, tal como se vê na ilustração do post, os bascos carregaram nos preços para a recepção ao Shalke04, pedindo 90 euros por cada ingresso. A ser assim Bilbau para mim pode mesmo ser impossível.

A reclamação dos alemães faz todo o sentido, mais ainda vindo de adeptos de uma liga que vive um período áureo. Tal é testemunhado pela enorme afluência aos estádios, que faz do futebol alemão a 2ª liga do Mundo de desportos profissionais em número de espectadores, só ultrapassada pela NFL. Os estádios alemães superam os 90% de taxa de ocupação!

Provavelmente esse sucesso tem por base um profundo respeito pelos adeptos, demonstrado não apenas nos preços dos espectáculos mas também na transparência das regras e sua aplicação prática. Para que se tenha uma ideia mais aproximada do que é ser adepto alemão, os preços dos bilhetes de época variam entre os 120 euros do Bayern Münich e os 212 euros do Mainz 05. Estamos a falar dos cidadãos da CE com melhor poder de compra! No entanto, para não transformar a ida ao estádio privilégio para poucos as vendas de bilhetes de época estão normalmente limitadas aos 50% do total da lotação. Além disso existe um sem número de bilhetes específicos para grupos especiais como crianças, reformados, inválidos, etc.

Esse respeito estende-se também aos horários dos jogos, dando-se prioridade ao adepto que vai ao estádio em detrimento do adepto de sofá, não havendo impedimentos para os jogos à mesma hora. O que me interessa a mim que o jogo do clube xpto jogue à mesma hora que o Sporting, se eu puder estar no estádio?

Olhando para o exemplo alemão e para o que se passa em Portugal parece que estamos a falar do último filme de ficção científica que estreou nas salas de cinema. Há dias chamava-me à atenção a preocupação e cuidado do presidente da FPF com a situação dos árbitros. A seguir será com os clubes falidos, com os que descerão de divisão e quase sempre se esquece a razão da existência de toda a máquina e interesses que giram à volta do futebol: o adepto.

O caso particular do Sporting tem passado um pouco ao longe das atenções dos média mas há algum tempo que os adeptos que seguem o clube de forma próxima sofrem as consequências de uma guerra surda sem quartel por parte as autoridades, sobretudo a ala da PSP que monitoriza as claques. Desde isolamento de alguns elementos pré-identificados e subsequente espancamento, tareias indiscriminadas, filmagens inopinadas ao melhor jeito orwelliano, tem acontecido de tudo um pouco. À atenção da direcção do Sporting.

 Ontem, mais uma vez, e de forma totalmente despropositada, houve mais uma carga policial, aqui relatada na Antena1. Sabemos que as claques não são propriamente "clubes de leitura" mas há limites que já foram nitidamente ultrapassados e se a violência gratuitamente for a resposta encontrada para os problemas que as claques possam colocar para que precisamos de dispendiosos "tasks forces" e especialistas?

Notas Bibliográficas: consultar o artigo "La Bundesliga y su magnífico trato a los aficionados"

Avaliar a extensão do traumatismo ucraniano


A piada é fácil mas o seu uso retrata na perfeição o sucedido ontem em Alvalade já depois de esgotados os noventa minutos de jogo. Já se fazia festa (e que festa!) em Alvalade quando Cleiton Xavier marca o penalty que altera de forma drástica e traumática a qualificação quase certa que ditaria o 2-0 . Falta agora avaliar a extensão dos danos pelo súbito traumatismo causado pelo golo “ucraniano” do bom jogador brasileiro.

Há pouco heroísmo no suicídio
Foi pouco agradável assistir à primeira parte mas, ao contrário das reacções generalizadas, compreendi a atitude conservadora da equipa. Acima de tudo procurou não ser apanhada desprevenida. Talvez tenha havido algum excesso que atribuo a duas razões: inevitavelmente por força do dispositivo do adversário, que soube quase sempre atalhar as nossas saídas para o jogo, e pelo menor acerto no passe e controlo da posse de bola dos nossos jogadores.  Estão ambas obviamente relacionadas mas por vezes pareceu ser maior o nosso desacerto que o mérito do adversário. 

Mas aceitei o conservadorismo da nossa postura porque, pelo menos no que ao futebol diz respeito, o suicídio tende em regra a ter um carácter mais patético que heróico. Isto porque, como se veria mais adiante, o Metalist pode não ser conhecido mas está longe de ser uma equipa de metalúrgicos que se juntou para fazer umas peladinhas, como muitos pareciam pretender. Por alguma razão os ucranianos sofreram apenas ontem a primeira derrota fora na competição. Poderíamos ter feito melhor? Seguramente que sim, mas também podíamos estar agora a lamentar a falta de cautela…

Perdemos com as substituições
Até à saída de Carriço o Metalist não conseguiu fazer o que é quase sempre mais perigoso, que é penetrar pelo centro em direcção à baliza. Carriço não oferece grande capacidade de construção (nem me parece que tal lhe deva ser exigido) mas a anular o jogo interior dos ucranianos esteve perto da perfeição. Após a sua saída a diferença foi evidente, isto porque Neto (continuo com muitas dúvidas que tenha qualidades para a posição),  não tem o “nervo” de Carriço, teve dificuldade em entrar no ritmo de jogo (normal em quem vem do banco) e porque Schaars já não tinha a mesma disponibilidade física para o auxiliar a travar os vários amarelos que apareciam pela frente. Carrillo e Jeffren não conseguiram oferecer a posse de bola que necessitávamos, embora o peruano, mais “explosivo”, com outra maturidade, poderia ter resolvido a eliminatória. E obviamente que Wolfswinkel ainda não é tudo aquilo que precisamos de um camisola nove. Eu perdia amor a 40 milhões de euros e ia buscar o Falcão. Aposto que ninguém discutia a medida que iria onerar drasticamente o passivo. (O encerramento deste parágrafo não é para levar a sério…)

Casaco e suspensórios à 5áPinto todos, já!
Apesar do dito no parágrafo acima não posso deixar revelar a minha satisfação pela actuação do nosso treinador. O que vem fazendo, levando em linha de conta as condições físicas, anímicas e técnicas em que lhe foi depositada a criança nos braços, é digno de nota. Seguramente que na preparação do jogo a imensa lista de indisponíveis, o “ruído” introduzido pelas fragilidades de Capel, Izmailov, Carriço e também o pouco conhecimento do adversário (fez 2 jogos depois do sorteio) e a forma sensata como dispôs a equipa deve ser relevado. O mesmo para a atitude dos seus jogadores que jogam muito à sua imagem e que a ilustração do post personifica.

Confiança no apuramento
O futebol é demasiado imprevisível para qualquer resultado dar garantias. O de ontem muito menos. Como costumo dizer é uma espécie de “meio a zero”. O empate sem golos basta mas é suicidário jogar para tal desfecho. Em condições normais e com jogadores cruciais disponíveis temos equipa, atitude e crença para chegar às meias-finais. Tal constituiria um marco, passados sete anos e numa época de resultados colectivos insatisfatórios. Necessário e possível. E se é verdade que perdemos Carriço eles perderam a dupla de centrais de uma assentada, pode estar aí também uma vantagem para nós.

Alvalade, salão de festas
Numa época em que acumulamos frustrações é também digno de menção a participação dos adeptos. E a generalidade dos presentes soube sofrer com a equipa e, tal como os jogadores, não mereciam a desfeita final. Para alguém que vive longe e com responsabilidades pessoais e profissionais é cada vez mais difícil resistir ao apelo viciante de estar presente em todos os momentos. E, não menos importante que tudo isso o Sporting igualou o Barcelona que havia ganho sete jogos seguidos em Camp Nou na Liga dos Campeões. Esta época, na Liga Europa, o Sporting conseguiu o mesmo registo caseiro nas competições europeias. E 6 milhões, devidamente contabilizados são os espectadores até agora registados em Alvalade, desde a sua inauguração.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Maldito nonagésimo minuto

2.º golo do SCP!

  
Avisado que estava para o poder ofensivo do Metalist fora de portas o SCP preparou-se. Mas preparou-se de uma forma demasiado respeitosa. Pelo menos assim transpareceu durante toda a primeira parte. É certo que anulou tal poder e Rui Patrício teve um primeiro tempo descansado. Mas também como se auto-anulou, atacando sempre com muito cuidado para não se disposicionar e permitir os temidos contra-golpes adversários. Apesar desse temor, ainda foi o SCP a equipa que mais perigo levou à baliza contrária. Não criou lances flagrantes, mas andou mais perto de marcar que a equipa ucraniana. Com Daniel Carriço, autor de dois remates de fora da área e Wolfswinkel, num ressalto de bola após livre de Matias sobre a esquerda, que acertou de rosca na bola. O jogo era demasiado lento e táctico e o nulo, logicamente prevaleceu. Havia que arriscar mais um bocado, para atingir a sétima vitória consecutiva na competição, igualando um feito detido pelo colosso Barça.


A estratégia de Sá Pinto surtiria efeito, já que os segundos 45 minutos tiveram um cariz completamente diferente. Izma ameaça logo na primeira jogada. Não precisaria de muitos mais minutos para inaugurar o marcador. Capel acelera pela esquerda dando inicio a uma boa jogada de combinação colectiva que o russo se encarregaria de concluir com êxito. O mais difícil estava feito. Seguia-se o melhor período do SCP: tranquilo, confiante, controlador. Ínsua marca de livre conquistado por um endiabrado Matias. Dois a zero e a eliminatória muito bem encaminhada. O enorme Carriço sai, amarelado, entra Renato Neto. Pouco depois, Jeffrén substituía o seu compatriota Diego Capel. O ambiente escaldava com holas mexicanas e o hino nacional novamente cantado nas bancadas. A noite era nossa e de… Patrício… Com duas defesas do outro mundo mantinha os leões de Sá Pinto com as redes invioladas em Alvalade. Carrillo teve o 3 a 0 no pé esquerdo, mas hesitou: nem caiu, nem rematou, nem matou a eliminatória… Nonagésimo minuto e… penalty. Após mais uma excelente defesa de Rui, este precipitou-se e permite que Devic conquiste um penalty . Destino seria mais uma vez cruel para connosco (com Patrício a não merecer tamanho castigo) quando ao soar do gongo os homens de Carcóvia conseguiam o golo de honra através de Cleiton Xavier. O brasileiro enganou o guarda-redes leonino na marcação da grande penalidade e reduziu o marcador para a diferença mínima. Bom jogo do SCP que viu uma vitória segura beliscada no último suspiro do encontro.

Na Ucrânia, temos que explorar as debilidades defensivas que esta equipa do Metalist confirmou. Será essa a chave da eliminatória. Marcando em Carcóvia, o SCP tem tudo para seguir para as meias-finais.

Aplauso  final para os mais de 40.000 leões nas bancadas. Bravos leões!


Ficha do jogo:
Jogo realizado no Estádio José Alvalade, em Lisboa.
Sporting - Metalist, 2-1.
Ao intervalo: 0-0.
Marcadores:
1-0, Izmailov, 51 minutos.
2-0, Insua, 64.
2-1, Cleyton Xavier, 90+1.
Equipas:
Sporting: Rui Patrício, João Pereira, Anderson Polga, Xandão, Insua, Daniel Carriço (Renato Neto, 70), Stijn Schaars, Matias Fernandez, Izmailov (Carrillo, 79), Diego Capel (Jeffren, 72) e Ricky Van Wolkswinkel.
(Suplentes: Marcelo Boeck, Evaldo, Renato Neto, André Martins, Jeffren, Andre Carrillo e Diego Rubio).
Metalist: Goryainov, Villagra, Gueye, Torsiglieri, Obradovic, Torres, Cleyton Xavier, Sosa (Valyayev, 90+3), Blanco (Marlos, 77), Taison e Cristaldo (Marko Devic, 65).
(Suplentes: Disljenkovic, Berezovchuk, Shelayev, Valyayev, Pshenychnykh, Marlos e Marko Devic).
Árbitro: Wolfgang Stark (Alemanha).
Ação disciplinar: cartão amarelo para Torsiglieri (33), Izmailov (43), Cleyton Xavier (52), Daniel Carriço (57), Gueye (59) e Rui Patrício (90).
Assistência: 40.512 espetadores.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Heavy Metal(ist) em Alvalade

Grande noite
Começou já a contagem decrescente para o inicio dos quartos-de-final da Liga Europa e estima-se que o Estádio de Alvalade viva amanhã o ambiente das grandes noites europeias, sendo provável que os sportinguistas acorram em massa e deixem o estádio muito próximo de encher.

Sorte, qual sorte?
Ao contrário do que foi dito por ocasião do sorteio não creio que o Sporting possa tecer grandes loas à sorte. Neste ponto da competição não há equipas fáceis há é equipas mais conhecidas. E até aí acho que não ganhamos muito, é muito mais fácil saber como joga o Atlético de Madrid ou Hanover que o longínquo Metalist. Depois há a questão psicológica, é mais fácil motivar um jogador para se superar a jogar contra Dzeko, Toure´s, Silva do que contra o Papa Gueye ou mesmo Marko Dević. E convenhamos, ser eliminado por um desconhecido é sempre uma possibilidade, mas pouco interessante para o nosso curriculum.

Heavy Metal(ist)
Não, não é a alusão aos grandes concertos em Alvalade é a referência directa a um adversário difícil. Dificuldades seguramente diferentes das impostas pelo City de Manchester mas que, tal como na eliminatória anterior, empurrarão a decisão da eliminatória para o segundo jogo. Os ucranianos foram uma das melhores equipas durante a fase de qualificação, são uma das equipas mais concretizadoras da prova e, atenção!, já ganharam 5 vezes fora nos jogos até agora disputados.

Não fazer de City
A recomendação não se circunscreve apenas à equipa e isso parece já estar incorporado no espírito dos jogadores e treinadores, pelo menos a avaliar pelas palavras de João Pereira. Pensar que os ucranianos serão fáceis é começar a perder a eliminatória. Paciência e realismo impõem-se também nas bancadas, já que é provável que o apoio até ao última corda vocal não faltará, com em sendo já hábito este ano.

terça-feira, 27 de março de 2012

Uma horta para Vitor Pereira

O presidente da recém-eleita Comissão de Arbitragem admitiu ontem que  "poderá não ter condições para nomear árbitros". Esta afirmação foi feita no contexto da sequência de acontecimentos relacionados com a arbitragem e que começaram com as declarações de Jorge Jesus, passou pela divulgação dos dados pessoais dos árbitros e está recentemente centrada nas declarações patéticas de João Gabriel por causa da expulsão mais do que óbvia de Aimar.

Se por um lado se percebe que Vitor Pereira queira assim “aparecer” ao lado dos seus comandados estranha-se que a declaração acima transcrita venha precisamente de quem quer ser o seu líder. O sector da arbitragem, tão importante do futebol, está completamente descredibilizado aos olhos dos adeptos e certamente também aos olhos da generalidade dos demais agentes por via de um passado e presente de relações nebulosas. Sem inverter esta imagem os árbitros serão sempre olhados de soslaio, como um criminoso comum ou de colarinho branco. Quem assiste a um jogo de futebol e detecta um erro arbitral desconfia de imediato se a sua origem é meramente produto da elevada dificuldade inerente à função ou se foi motivada por qualquer sujeição a interesse de terceiros.

Convenhamos que os árbitros e os seus dirigentes de classe se têm esforçado por manter de rastos a sua reputação. Das reacções da classe aos critérios aplicados em campo há um enorme leque que é aplicado consoante os intervenientes e o jeito que pode dar ao árbitro e respectiva classificação final. Por outro lado nunca houve por parte da classe a coragem de denunciar os verdadeiros autores das pressões e arranjos, que não são, obviamente as declarações à posteriori de dirigentes, mais ou menos avisadas ou assertivas. Esse silêncio conivente pesará ainda por muitos anos na credibilidade daqueles que se deveriam equiparar aos juízes comuns.

O passado, apesar de pesado e negro, podia, no entanto, não ser mais do que isso se houvesse um esforço real em inverter o seu cariz. Para isso os regulamentos e demais procedimentos deveriam claros e transparentes devendo a classe pugnar por ser verdadeiramente autónoma. Para isso precisa também de se auto-regular o que nunca acontecerá se não tiver uma liderança forte e esclarecida.

Ora o que se sabe da actuação recente de Vítor Pereira é o fechar de olhos a um comportamento corporativo que se encarniça contra decisões disciplinares mais do que justas, como aconteceu recentemente nos testes de avaliação física promovido pelo próprio e na sua presença. Não contente é também muito provável que o próprio se esqueça dos regulamentos que deveria respeitar, se se confirmar que o delegado ao jogo que deu nota positiva (pasme-se!!!) a Bruno Paixão tenha sido Ezequiel Feijão.  Ora sendo este também de Setúbal não podia ser o avaliador de um árbitro da mesma associação.

Enquanto os árbitros, ao contrário de todos os outros agentes de campo, escaparem impunes a actuações vergonhosas como as que temos visto este ano,  não se sentirão obrigados a ser melhores. Ao invés, fazem birrinhas e e ameaças. Com este tipo de actuação o  que Vitor Pereira precisa é de uma horta onde possa abastecer-se de tomates, que é coisa que lhe falta para por a maltinha do apito na linha. Ou de uns patins.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Um ano, um balanço

Há um ano, mais ou menos por esta hora, empreendia uma viagem para participar no processo eleitoral mais fracturante da história recente do Sporting, só comparável com a ocorrida ao tempo da eleição de Jorge Gonçalves. Porém há uma diferença entre esse tempo e o de há um ano: o período de enorme turbulência desta feita ocorreu logo após o acto eleitoral, num momento que envergonha a história do Sporting e o mesmo deveria acontecer com os seus protagonistas.

Nunca como antes o Sporting esteve na eminência de uma fractura que o transformaria em algo diferente e seguramente pior e mais pequeno. A viagem de regresso e os conturbados dias que se seguiram equivaleriam a uma viagem pessoal que mudaria a forma de me relacionar com o meu clube. 

É difícil ser simultaneamente actor, testemunha e juiz dos factos e personagens da história recente do Sporting quando pretendemos produzir uma análise justa e imparcial. Contudo, não posso deixar de assinalar, com pesar, que no universo do clube continua a ser notória a tendência generalizada de aproveitar  os maus momentos, marcados pelos resultados desportivos, para produzir grande parte das "reflexões" quando o bom-senso recomendaria pelo menos alguma moderação. E que, infelizmente, há quem precise dessa irracionalidade, e quiçá dos maus momentos, para marcar pontos e para ter visibilidade.

Antes de qualquer balanço que se faça da actuação dos actuais corpos sociais essa é uma constatação que não pode passar em claro porque o clube não é apenas o CD e o que faz, mas também a realidade em que se insere e que o condiciona. A irracionalidade associada à paixão que nutrimos pelo clube deveria ficar à porta do estádio quando os jogos terminam e não estendê-la à generalidade das matérias que o versam. 

Não sou excessivamente critico da actuação do actual CD e de Godinho Lopes em particular no tempo até agora decorrido. Como tive ocasião de lhe dizer pessoalmente julgo que os sportinguistas deveriam conhecer de forma menos superficial as condições encontradas em Alvalade após 2 anos de perda de tempo e retrocesso com Bettencourt. Não o saber é não perceber porque o Sporting foi obrigado a tomar umas opções em prejuízo de outras.

Passado um ano não é difícil constatar as diferenças para o passado recente. Alvalade tem sido testemunha de um regresso de muitos leões, o que numa época com os resultados desportivos negativos, em particular para a principal ambição leonina que é o campeonato nacional, é algo de assinalável. Aí não entra só o trabalho realizado pelo actual CD na promoção dos jogos mas, sobretudo, uma enorme vontade dos adeptos sportinguistas de não abandonar uma equipa jovem, talentosa e com enorme futuro à sua frente.

Apontaria 2 razões principais para a actual posição na tabela classificativa: o complot da APAF e o imprevisto "espalhanço" de Domingos, um dos rostos que dolorosamente teve que ser amputado de um projecto que parecia estar destinado a deixar já este ano o Sporting mais próximo dos seus maiores rivais.

Tudo o que venha a suceder na Taça de Portugal e na Liga Europa não pode deixar de ser sentido como um prémio de consolação face à actual classificação no campeonato, mas não posso deixar de manter o que sempre fui afirmando ao longo deste ano: no que ao futebol profissional diz respeito foi realizado um bom trabalho na aquisição de jogadores, do qual o Sporting poderá vir a retirar bons proveitos económicos e desportivos.

Nas modalidades não serei a pessoa indicada para fazer uma avaliação com profundo conhecimento de causa, porque o acompanhamento que faço é feito apenas pelos resultados semanais. Parece-me que a estratégia seguida foi manter o que estava a ser bem feito, como o projecto autónomo do hóquei, o futsal, o ténis e o andebol, isto falando nas modalidades com mais visibilidade, com algum desinvestimento e mudança de estratégia no atletismo. Fala-se agora também no regresso do basquete, modalidade com um historial que nos obrigaria a nunca ter extinto a secção, e também no râguebi. Continuam porém a faltar os títulos colectivos, especialmente no andebol, onde esperamos este ano fique marcado pelo regresso a uma conquista de cariz nacional.

No âmbito do relacionamento com os sócios e destes com o clube a última impressão é a que conta e, nesse sentido, fica a recente passagem da sociedade que detinha o estádio do clube para a SAD como o regresso a uma forma de actuação reprovável e dispensável. A urgência, face à situação financeira da SAD, não pode nem deve justificar tudo.  Essa actuação é anda mais difícil de perceber quando num passado ainda recente houve operações semelhantes que não deixaram de recolher maiorias confortáveis, apesar da contestação. Apesar de me opor à sua grande maioria restava-me conformar com as decisões tomadas por maioria, como sempre deveria suceder. Assim ficam menos visíveis os esforços iniciais em comunicar directamente com os associados, via auditório, a revisão estatutária e a auditoria prometida e realizada. 

Das promessas por concretizar estão à cabeça o pavilhão e o fecho do fosso. O segundo não tem grande relevância mas deveria ser enquadrado numa reformulação mais ampla de alguns problemas estruturais e estéticos de Alvalade. O pavilhão será o de maior urgência e de mais difícil concretização pela envergadura do projecto e pelo momento económico em que vivemos. Acima de tudo espero que a obra seja concretizada mas sem pressas ou atalhos que repitam os erros cometidos aquando da construção do estádio. Uma estrutura como esta deve ser pensada para décadas e não apenas para aplacar pressões ou por um visto nas promessas cumpridas. Mais vale marcar passo temporariamente do que dar um em direcção ao desperdício.

sábado, 24 de março de 2012

Tranquilidade pré-metalistica

Foto DN
Com uma exibição segura e controladora na primeira parte e uns furos abaixo na segunda metade o Sporting cumpriu a obrigação de vencer o Feirense, actual lanterna vermelha. Apesar da intermitência começam-se a perceber algumas das intenções de Sá Pinto. Equipa mais solidária, com uma maior preocupação de cada um em oferecer linhas de passe e maior procura do centro do terreno e não exclusivamente das alas para atacar. Convém não esquecer a ausência de Schaars e Matias, dois jogadores num bom momento e de grande influência na manobra da equipa. 

Saliência para excelente presença de sportinguistas em Alvalade, praticamente 30 mil.

Ficha do jogo:

sexta-feira, 23 de março de 2012

Eu vou! E tu?

E para os que vivem a Norte de Alvalade:

No próximo dia 29 de Março pelas 20:05 o Sporting Clube de Portugal defronta o Metallist em jogo a contar para a primeira mão dos quartos-de-final da Liga Europa. Não perca a oportunidade de ir com o Solar do Norte assistir ao jogo.

Faça já a sua inscrição na excursão indo a:

http://www.solardonorte.org/bilhetes

O preço total (bilhete+viagem) para sócios do Sporting ou do Solar é 23€ e para adeptos 27€.
Reservas até às 23:59 do dia 26 de Março.

quarta-feira, 21 de março de 2012

O Sporting (des)faliu tecnicamente?

Tendo em conta o comunicado ontem emitido (e que se pode ler no final do post) a SAD do Sporting vai  deixar de estar na situação de falência técnica. Sobre o assunto algumas considerações:

A solução
Está longe de ser a solução que me agradaria. O estádio deixa de ser do Sporting Clube de Portugal para passar a ser da SAD. Sendo esta detida maioritariamente pelo clube o estádio continua a ser dos sócios mas passa também a ser dos accionistas. Não é bem a mesma coisa mas representa no essencial, e para já, uma mudança pouco significativa. 

Mas o que representará no futuro se o Sporting perder o controlo da SAD? Certo que para que tal aconteça é necessário que uma maioria (julgo que de 75%) dos sócios ratifique a decisão. Mas pode perdê-lo também se, num cenário de catástrofe, a SAD falir, o que obrigaria a recomeçar longe do lugar de referência para todos os sportinguistas. Dizer que tal cenário não pode suceder é não conhecer a história recente de alguns clubes europeus, embora nenhum deles tenha a dimensão e a implantação do Sporting.

Dizer que os nosso rivais fizeram mais ou menos mesma coisa, e sem grande participação dos sócios ou polémica interessa pouco a esta discussão. Por alguma razão somos do Sporting e não de qualquer outro clube.

Não me parece que faça qualquer sentido associar esta passagem a interesses imobiliários, a menos que se imagine que alguém fosse comprar a SAD para desmantelar o estádio. Mesmo que por absurdo tal sucedesse não creio que alguma vez alguém conseguisse erigir mais do que uma fiada de tijolos... Mas é evidente que, com esta operação, se torna a SAD atractiva para investidores. 

Por outro lado há que convir que havia que dar solução urgente ao problema da falência técnica em que a SAD se encontrava. Não sendo a única possível é com certeza a que estava mais à mão. A confirmar-se resolve um problema assaz preocupante que era a conversão das VMOC´s em capital da SAD, o que faria inevitavelmente perder o controlo para os bancos que patrocinaram a operação.

O método
Fazer um comunicado ao final do dia e já quase a desoras revela bem o melindre e o impacto que a direcção está ciente que esta operação significará no seio do clube. Longe parecem ir os tempos em que a direcção se preocupava em comunicar de forma mais directa com os associados, utilizando o auditório Artur Agostinho com assiduidade. Aprendeu-se pouco com os erros do passado. Não estou certo que a operação deva, pelos estatutos, ser aprovada em AG mas é difícil que tal não venha a acontecer. Promover a ideia juntos dos sócios numa primeira fase, sujeitando-a uma discussão seria o método que escolheria com ganhos evidentes para todos.

O futuro
Advinha-se conturbado. Não faltarão inúmeras intervenções grande parte delas comprometidas com o "posicionamento ideológico" de quem as proferirá e em geral desprovidas de qualidade e interesse para uma discussão que aproveite o clube. Não estou certo que o Sporting ganhe muito com o que seguirá.

O Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal informa que, no âmbito do processo de reorganização e simplificação do universo empresarial do Sporting, foi hoje aprovado pelos Conselhos de Administração das sociedades Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD e Sporting Património e Marketing, SA o projecto de fusão por incorporação da Sporting Património e Marketing, SA na Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD, com a consequente extinção da primeira.


A fusão permitirá resolver a situação dos capitais próprios da Sporting SAD, que hoje se encontram negativos, e que desta forma passarão a positivos.Por outro lado, a fusão permitirá concentrar todas as actividades económicas relacionadas com o futebol numa única entidade, a Sporting SAD, eliminando custos duplicados decorrentes da existência das duas sociedades, permitindo uma optimização dos recursos e a constituição de uma estrutura mais coesa, constituída apenas por duas entidades: o Clube e a Sporting SAD.
A operação de fusão permitirá ainda ao Sporting Clube de Portugal manter a maioria do capital social da Sporting SAD, mesmo depois da conversão das VMOC em capital da SAD.

Finalmente, a concretização da fusão terá impacto positivo na Sporting SAD ao nível do cumprimento das regras de Fair-Play financeiro da UEFA, facilitando a obtenção da rentabilidade mínima exigida pela UEFA a partir do Exercício de 2013/14.
O Conselho Directivo

terça-feira, 20 de março de 2012

Eduardo mãos de tesoura


Por muito eu queira é incontornável não voltar a abordar o jogo de ontem, mesmo que ele sirva para introduzir o post de hoje. É incontestável que a arbitragem de Paixão influiu no resultado mas isso nem foi o que mais me preocupou no sucedido ontem. Mais preocupante são as circunstâncias em que ocorre mais esta intervenção. É o acentuar de uma tendência que se repete desde o inicio de época e quando parece que o Sporting tem razões para regressar a um nível de jogo mais consentâneo com o seu estatuto. 

O mais estranho é que já não contamos para o campeonato – embora seremos com certeza um factor de decisão… - e facto de acontecer contra um o clube pequeno. Os lances das grandes penalidades são reveladores de uma realidade perturbadora: ante um pequeno o árbitro revela total desrespeito pelo grande, facto que dificilmente ocorreria em qualquer campo, e muito menos envolvendo os nossos rivais e atrevo-me mesmo a dizer com o SCBraga. Há uma guerra evidente lançada pela cúpula da classe arbitral, encabeçada pelos árbitros internacionais e seguida pela generalidade dos restantes membros da APAF e respectivos dirigentes. 

O facto do Sporting ter jogado mal a primeira trintena de minutos não é razão que justifique qualquer atenuante para o comportamento de Paixão, que não passou apenas pela dualidade de critérios técnicos mas se estendeu também aos disciplinares. Até porque, como bem disse Carlos Freitas, a actuação do árbitro foi clara no sentido de deixar o jogo resolvido.

Entretanto, quase simultaneamente, em Lisboa, no conforto de uma sala de um hotel, o nosso consócio José Eduardo falava num clube falido e à beira da extinção. Não se pense, com o que seguir avanço, que o Sporting não precisa da reflexão séria e participação activa dos seus sócios. Muito antes pelo contrário. Mas, do que é hoje relatado na comunicação social, o que José Eduardo, veio cantar foi uma canção já conhecida – e certamente baseada em factos sobejamente conhecidos de todos - mesmo com uma orquestração ligeiramente diferente. E foi infeliz.

E não foi só infeliz no timming, pelas razões acima aduzidas. Não apenas porque naquele dia jogava o Sporting e o lugar dos que se querem constituir como elites pensantes do clube, e pelo seu maior desafogo financeiro, é em primeiro lugar estar ao lado da equipa, onde quer que ela jogue, como o fazem muitos com muito mais sacrifício. Não apenas porque não podia adivinhar o que Paixão faria horas depois. Mas, porque o essencial da sua comunicação foi o repisar dos muitos diagnósticos há muito realizados, sem apontar soluções, seguido de algumas vacuidades Com coragem devia dizer quais dos 19 jogadores não teria contratado. Desses 19 quais seriam os oito que ficariam. Se possuía alguma informação interna sobre os relatórios médicos, hoje, passados 9 meses não é um pouco tarde para contestar as decisões?

O Sporting está há muito tempo diagnosticado, faltam as soluções e, uma vez que nem todos estamos à altura de as fornecer, falta da parte de muitos outro comprometimento com o clube. Não só na presença nos estádios mas também na gestão da comunicação e do silêncio. Na participação activa em prol do clube e acima até das preferências pessoais. 

Nesse sentido, dentro da multitude de organizações e sensibilidades internas, vejo na AAS um bom exemplo de comprometimento com o clube. Muito low-profile nas suas interacções com o clube, que são muito mais vastas do que as que chegam ao conhecimento público, e prontidão nem sempre aproveitada e compreendida pelas sucessivas direcções que têm passado por Alvalade. A par disso os seus elementos estão em todas, das modalidades ao futebol, é difícil não encontrar alguém da associação nos pavilhões e estádios onde quer que o Sporting jogue. E esse comprometimento com o clube não os impede de tomar posições por vezes até bastante incómodas para quem dirige, muitas vezes é esse ele mesmo o motivo do afrontamento. É um mero exemplo, não faltarão outros por certo.

Do que não duvido é que o Sporting que todos gostamos precisa de um outro envolvimento por parte de todos. O Sporting precisa de dar uma resposta institucional aos Paixões, APAF´s e outros da sua igualha que pululam no futebol português. E uma resposta institucional não é a que é dada por uma direcção mais ou menos contestada internamente e por isso sempre fragilizada no exterior. 

A instituição Sporting são todos os seus sócios, adeptos e simpatizantes que abarca o cidadão vulgar mas também muitos elementos destacados da sociedade portuguesa, que vão de ex-presidentes da República, actual presidente da CE, muito dos empresários que destacadamente contribuem para o PIB português, elementos destacados do mundo universitário, do direito, da justiça, da cultura e espectáculo. Há mais de 30 anos que ou ignoramos ou encolhemos os ombros à guerra lançada ao Sporting, e nos entretemos a disputar entre nós as culpas e responsabilidades. Neste caminho não nos sobra muito tempo para uma indignação da qual o clube retire proveito.

Por melhor que tenha sido a intenção José Eduardo ela foi também um reforço dos Paixões do nosso futebol. Hoje não faltará quem junte o sucedido ontem, a jornada de Manchester e todos os Josés Eduardos para não nos levar a sério e subestimando a importância do Sporting como um clube grande que é. Não só pela sua história, que mesmo gloriosa não deixa de ser passado, mas pelo seu presente como clube de implantação nacional.

PS: Discordo do comunicado da direcção do Sporting sobre o evento organizado por José Eduardo. Em si mesmo parece-me um erro de comunicação por ser feito à priori, dando-lhe o foco que certamente não queria. Se a intenção era desvalorizar o melhor era o silêncio e eventual reacção à posteriori. Por outro lado remeter para AG’s as participações dos sócios é o mais ou menos o mesmo que mandar calar porque nos moldes em que aquelas se realizam ninguém consegue falar mais do que 5 minutos e muitos nem ao palanque conseguem chegar. 

PPS: O acima dito não invalida que, sendo José Eduardo membro do CL, tinha aí palco privilegiado para fazer as suas intervenções. Assim não pareceu mais do que meter as mãos na tesoura e retalhar mais um pouco o que já de si já está muito retalhado. Quando se diz que o inimigo não está dentro isso devia ser interpretado nos dois sentidos...

segunda-feira, 19 de março de 2012

O fun-gá-gá da bicharada

"Ó da Guarda!..."
Na terra dos galos, quem primeiro fez a festa foi um… Galo. Na primeira oportunidade do jogo o brasileiro foi feliz. Ultrapassou Capel em velocidade - o que até nem é tão fácil assim - e vendo que mais ninguém surgia para contrariar o seu embalo resolveu rematar. E resolveu tão bem que colocou a bola dentro da baliza de Patrício. Até esse momento o Sporting não conseguia invadir o meio campo defensivo gilista. Nem com a bola dominada, nem bombeada desde os ‘lançadores’ Polga e Xandão. Haveria de assim continuar durante mais uns bons minutos. Até que Elias, com muita posse inconsequente, foi finalmente conseguindo descobrir os seus colegas mais avançados no terreno. Primeiro pela direita, recorrendo ao auxilio de João Pereira e Marat Izmailov. Mais tarde também os jogadores leoninos do outro flanco começaram a contribuir… Foi a partir dos 25-30 minutos que o perigo começou a rondar a baliza defendida pelos homens de Barcelos e as oportunidades foram-se sucedendo. Sem a eficácia desejada, já que a pontaria ou o último passe não surgiam da melhor forma. Apenas por uma vez Adriano, a livre de Ínsua, teve que defender o esférico para canto. Assim, surgia o intervalo com o Gil Vicente na frente, basicamente, porque teve melhor pontaria. 

E Depois? Depois bem… A apaixonada APAF entrou em jogo com todo o seu esplendor. E se todos até já tínhamos visto porcos a andar de bicicleta, hoje vimos um com um apito na boca a marcar dois penaltys seguidos… Daqueles que só se marcam ao Sporting Clube de Portugal. Indescritível como num repente se estraga um jogo… Mas o SCP, que já entrara bem na segunda parte, continuou a sua luta por marcar, jogando um futebol apoiado que André Martins e Jeffrén vieram consolidar. Elias, entretanto, recuava ainda mais para o lado de Xandão. Saíram Matias e Polga. Mas a Paixão voltaria a atacar e Schaars vê-se expulso, depois de ver um segundo amarelo após falta banal, numa jogada sem qualquer perigo. Isto depois dum primeiro cartão flagrantemente injusto. Com menos um, acabou-se o futebol apoiado. Acabou-se o jogo mas o degradante espectáculo continuou, com festival de cartões e… de olés. Venha a próxima palhaçada.

Ahhh.. Resta-me desejar um bom dia a todos os Pais. Até ao Pai do bruno paixão que não tem culpa nenhuma de ter um filho tão reles… Ou, às tantas, também estava sentado na  bancada contente com a farsa que se via no relvado a gritar Olés… Entretanto os aldrabões da TVI (porque é que a ‘informação’ desportiva deste 'canal' haveria de ser diferente?) continuavam com os seus comentários cretinos a fingir que o que se passava era tudo normal. O pior é que é mesmo… Se começaram os galos a fazer a festa, acabaram-na os porcos.  Já estamos habituados.


Ficha de jogo:

Futebol – Liga Zon Sagres – 23.ª jornada
2012-03-19
Estádio Cidade de Barcelos
Árbitro: Bruno Paixão (Setúbal)
Ao intervalo: 1-0

Gil Vicente: Adriano Facchini; Eder (Richard, 65 m), Cláudio, Halisson, Júnior Caiçara, André Cunha, Luís Manuel; Rodrigo Galo, César Peixoto (João Vilela, 90 m), Guilherme e Hugo Vieira (Zé Luís, 76 m).
Treinador: Paulo Alves.
Suplentes não utilizados: Murta, Paulo Lima, Paulo Arantes e Luís Carlos.

SPORTING: Rui Patrício; João Pereira, Xandão, Polga (André Martins, 45 m), Insúa, Elias, Schaars, Izmailov, Matías Fernández (Jeffrén, 45 m), Capel (Carrillo, 75 m) e Wolfswinkel.
Treinador: Sá Pinto.
Suplentes não utilizados: Marcelo, Carriço, Evaldo e Rubio.

Disciplina: Cartão amarelo para Cláudio (35 m), Schaars (53 e 69 m), Carriço (54 m), Hugo Vieira (76 m), Wolfswinkel (78 m) e Rodrigo Galo (78 m). Cartão vermelho para Schaars (69 m).

Golos: Rodrigo Galo (14 m) e Cláudio (55 m).

domingo, 18 de março de 2012

Notas de Manchester, a partir do estádio


A jornada de Manchester ficará para sempre gravada na memória de todos os sportinguistas, que por esse mundo fora sofreram a bom sofrer até aos 95 minutos de jogo. Os felizardos que tiveram a hipótese de viver esta jornada no City of Manchester viveram uma aventura épica, com todos os contornos de um drama intenso com final feliz: orgulho, vingança, sofrimento, alegria e celebração. Esforço, dedicação, devoção e glória na terra dos milionários do futebol.

Os sportinguistas presentes no estádio eram cerca de 1000, vindos de Portugal e de toda a Europa, maioritariamente concentrados no nível 1 do south end do estádio, mas distribuídos também pelo segundo anel desta bancada e pela central, onde se encontravam umas largas dezenas de adeptos vindos de Lisboa no dia do jogo em charters fretados por uma agência de viagens. Ainda que poucos, permitiram a espaços reproduzir no estádio o diálogo entre bancadas que é característico em Alvalade desde a década de 90.

Para o início do jogo estava preparada a abertura de duas faixas gigantes trazidas de Lisboa onde se poderia ler “We don’t sell our club” e “Sporting is ours”. A ideia, surgida nas semanas que antecederam o jogo, era deixar uma mensagem contra o sistema de propriedade do Manchester City, clube que abandonou o modelo associativo para se tornar propriedade de um milionário. As centenas de milhões de libras gastas nos últimos anos não tornaram o Manchester City num grande clube, não lhe trouxeram história e, com a excepção de uma Taça de Inglaterra, não lhe trouxeram títulos. Manchester é ainda a cidade em que um clube foi fundado em 2005 por adeptos do Manchester United descontentes com a aquisição do seu clube pelos Glazer. 7 anos volvidos e três divisões acima, o FC United of Manchester é hoje uma realidade muito interessante que merece ser conhecida, e que já foi objecto de posts aqui no A Norte. No dia a seguir ao jogo reuni com o presidente do Clube e visitei o terreno onde, a partir de Maio de 2012, o seu estádio, com capacidade para 5000 espectadores, será construído de raiz com fundos provenientes dos seus sócios.

Por tudo isto, foi uma pena que as autoridades do Man. City não permitissem a entrada no estádio destas faixas, apesar dos meritórios esforços de Vitor Marcelino, o oficial de ligação dos adeptos (SLO, na sigla inglesa) do Sporting, em funções há poucas semanas. O que entrou no estádio foram dez potes de fumo que criaram uma atmosfera ainda mais efervescente no sector leonino aquando da entrada em campo das equipas. Durante mais de uma hora, os bravos leões de Manchester foram os únicos a fazer-se ouvir no estádio, acompanhando uma primeira parte de luxo dos homens de Sá Pinto. A incredulidade do resultado foi-se esbatendo à medida que a crença na passagem se foi adensando. Dizíamos entre nós que só um início de segunda parte catastrófico nos poderia tirar a concretização do sonho.

A segunda parte, bem… A segunda parte. A segunda parte no estádio não foi diferente da segunda parte das casas dos sportinguistas. Nervosismo, desespero, choro, enfim, um sofrimento horrível que jamais se esquecerá, mas que foi recompensado com um apito final que soou a marcha triunfal. Num misto de alegria esfuziante e alívio, Renato Neto era talvez o mais efusivo nos festejos, batendo com a mão no peito e berrando desalmadamente. Quase toda a equipa se dirigiu para junto dos adeptos, e aí sim, a festa atingiu o clímax. O grande Sporting está aí para quem o quiser conhecer, para quem quiser ver a realidade com olhos de ver.

A derrota de Manchester foi quase tão boa como a derrota de Alkmaar, mas, ao contrário desta última, não nos qualificou directamente para uma final. Mas, se nos apanharem em Bucareste a 9 de Maio, saberemos que uma etapa mítica foi cumprida em Manchester.

Sporting sempre!

sexta-feira, 16 de março de 2012

De Manchester a Carcóvia: o sonho continua


Foto Record
Se há coisas que não têm explicação racional são os palpites, as crenças. E, não sei porquê, desde o momento do sorteio, que sonhava acordado com a possibilidade de o Sporting eliminar o City todo-poderoso. Na verdade era mais do que um sonho, era um pressentimento. De tal forma que fui de propósito a Alvalade para presenciar a primeira mão, mesmo sendo obrigado a, para isso, ter que operar uma pequena revolução. O pressentimento cresceu com o resultado da primeira mão e ontem manteve-se, mesmo que não prescindindo do necessário realismo, quando ao intervalo não dava a eliminatória como um dado adquirido.

O homem do momento
Sá Pinto é o homem do momento. Com pouco tempo para treinar, a forma mais eficaz para impor as suas ideias, pegou na alma dos jogadores para, com pequenas correcções tirar a equipa do atoleiro futebolístico e emocional onde a encontrou para fazer dar pequenas mas importantes amostras do talento indiscutível que desde o primeiro momento reclamo para este plantel. Grande pormenor o de finalizar a conferência de imprensa lembrando Big Mal, grande figura do City e do Sporting.

A primeira parte do jogo no Ehtyad será lembrada pelo acerto da disposição táctica e pela resposta dada pelos jogadores ao que lhes foi pedido pelo treinador. A segunda é uma história com 2 capítulos. A que se escreveu até ao golo inicial e depois disso. Fiquei com a impressão que Sá Pinto mexeu cedo de mais e sem muito acerto e que teria sido essa a razão do recuo excessivo da equipa. Não me parece – não de ontem mas de todos os jogos – que Renato Neto seja homem para estas andanças, que sem Matias ficou a faltar alguém capaz de fazer chegar a bola ao último terço e que Carrillo não conseguiu perceber que  devia ajudar a defender e que não era o momento de arriscar em grandes slalons (que nunca conseguiu realizar) antes sim de ter a bola com segurança. 

Mas também é bom reconhecer que, face ao poderio do adversário e ao desenrolar dos acontecimentos, o sufoco se tornou mais ou menos inevitável. O mesmo que sentiria alguém que tenha que segurar por muito tempo um saco de cimento em cada braço. A partir de uma determinada altura não havia nenhuma indicação que Sá Pinto pudesse dar para o relvado que tivesse resposta prática. Mas o que interessa é o que o registo que história fará com mais ou menos pormenor: era ele o treinador quando o Sporting cometeu a proeza de eliminar um dos mais poderosos e um dos favoritos da competição.


Faz pouco sentido falar em individualidades quando os méritos da vitória deve ser repartido por muitos, incluindo os bravos adeptos que calaram os milhares de ingleses. Mas não consigo evitar os seguintes comentários:

Patricio
Quem este gajo? Uma das melhores aquisições desta época, sem margem para dúvidas.

Pereirinha
Tivesse ele as oportunidades de João Pereira e fosse usada a mesma benevolência que se usa na apreciação de ambos... Veja-se o golo de Wolfswinkel e atente-se à recepção da bola e à qualidade do passe. Para quem tem alguma memória lembre-se quantas vezes vemos o João Pereira fazer loucas correrias para entregar a bola completamente à toa no último passe, deitando todo o esforço despendido a perder. Só no jogo da primeira mão recordo de 3 situações em que devia dar a bola no espaço (tal como Pereirinha fez no lance do 2º golo) a Matias (1) e Izmailov (2)  e não no pé. Também seria bom para Pereirinha ter um pouco mais de confiança, o que não será muito fácil tendo em conta o que aparenta ser o seu carácter e a forma desastrosa como tem sido gerida a sua carreira. Guimarães de Manuel Machado e Kavala?????

Izmailov
Era, a par de Carrillo (lá está, nem sei porquê), a minha crença para resolver a eliminatória. O russo é um jogador fabuloso (que passe para o golo!!!) mas sem qualquer tique de vedeta. Sempre à procura de fazer o que é melhor para equipa, mesmo que isso signifique andar atrás do Kolarov como um perdigueiro atrás da lebre. Quantos jogadores da sua classe o fazem?

Matias
El Crá. Foi preciso chegar à terceira época e ao sexto (!) treinador para conseguirmos ver um pouco do muito do que é capaz. Decisivo nos últimos jogos em que tem participado, incluindo o da sua selecção. Um regalo para a vista o seu livre, uma das suas especialidades que, por estranho que pareça, tentou tão poucas vezes nos últimos anos.

Jeffren
Que tenha vindo para ficar. O futebol precisa de jogadores com talento e ele indiscutivelmente têm-no!

A sorte
A sorte é sempre necessária, nem que seja numa dose mínima. Não sei se fará muito sentido dizer que a tivemos ontem. Com um pouco mais de “sorte” o lance do penalty, resultado de uma pantominice sem classe de Aguero, e com a cumplicidade do sr. Norueguês, não passaria disso mesmo e teríamos protelado um pouco mais o sufoco que foram os 15 minutos finais.

E agora a Ucrânia
Ao contrário do adversário que deixamos pelo caminho, a eliminação deste não trará grande glória que não seja chegar à fase seguinte. E facilidades é coisa que não encontraremos, seguramente. A viagem é longa, pode haver tanto frio como em Varsóvia e, claro, quem eliminou o Olimpiacos pode-nos fazer o mesmo, por muito duro que isso possa parecer. Só então será legitimo pensar na viagem a Bilbao(?). E, conseguindo-o, teremos o confronto de dois underdogs que puseram a cidade de Manchester em silêncio. Grande jogo de futebol em perspectiva, El Loco é o homem do momento do outro lado da fronteira . Ah, e temos contas muito antigas a ajustar…

quinta-feira, 15 de março de 2012

Sporting Clube de Portugal: A Citizen of Europe

El Crá (foto maisfutebol)
As minhas desculpas aos leitores mas não é o momento de escrever, é o momento de celebrar. O Sporting cumpriu hoje o seu destino, ganhando e sendo fiel ao seu lema "ESFORÇO, DEDICAÇÃO, DEVOÇÃO E GLÓRIA". Os Citizens de Manchester lembrar-se-ão do Sporting, equipa que continua um Citizen of Europe. É pois a hora de festejar.  

NOTA: Uma vez que o ANortedeAlvalade esteve presente no estádio, teremos aqui amanhã com essa visão particular de quem viveu e participou pessoalmente neste momento histórico do Sporting Clube de Portugal.



Ficha de Jogo:

Análise ao derby em Andebol


Em termos exibicionais, fiquei muito mais satisfeito com a exibição de há 15 dias do que a partida de ontem, embora tenha ficado como a maioria de vós a sensação de que poderíamos ter saído ontem com uma vitória. De facto, faltou muito pouco para tal.

Estava à partida confiante para este jogo convencido que teríamos mais jogadores à disposição em relação a esse mesmo jogo. Senti naquela partida que provavelmente a ausência do Carol reduziu as nossas soluções atacantes e que caso ele tivesse continuado, poderíamos ter outro tipo de jogo. Porém, no jogo de ontem, também foi escassa a sua utilização.

Causa natural surpresa a utilização do Ricardo Dias em toda a primeira linha - mas até ao adversário criou. Quero acreditar que foi mais uma estratégia do que propriamente um recurso, mas depois ao ver o Yailan a jogar numa partida destas sem quase ter somado minutos noutros jogos, fiquei na dúvida.

Voltando ao Ricardo: A estratégia pode não ter criado grandes situações de perigo e tornou o nosso ataque ainda mais confuso, mas ao mesmo tempo, confundiu bastante a manobra defensiva do Benfica. Na minha óptica, o principal objectivo seria com esta confusão toda, criar espaços para o Bruno Moreira e ainda dar a possibilidade do Rui Silva usar o seu repentismo. Resultou por breves momentos, tendo sido estes jogadores os autores dos primeiros golos.

Antes de chegar a possíveis críticas ofensivas - a grande parte delas já aqui apontadas - penso que a grande diferença esteve nas defesas. Dois estilos totalmente diferentes, dois tipos de jogadores totalmente diferentes e Sporting com muito mais dificuldades a defender do que o adversário e muito pouco se deveu ao jogo colectivo deles já que muitos dos golos e situações de perigo resultaram de:

- Embalos do Claudio Pedroso a rodar o braço por cima do Bruno ou do Solha
- Oscilações para a ponta, sobretudo para o David Tavares
- Bola no pivot (dois armários que eles têm) quase sempre para ganhar livre de sete metros

Já se falou da exibição do Figueira mas sinceramente não há muito que se possa apontar. Defendeu remates, sofreu golos de azar, mas acima de tudo, levou com muitos remates com o rematador com tempo e espaço para pensar na colocação que queria dar à bola. Do outro lado, o Candeias com um jeito mais "intuitivo", conseguiu com agilidade travar os remates com alguma felicidade e ainda aproveitou a confiança que tem nos seus defensores, ocupando o segundo poste para travar os remates de primeira linha.

O Ricardo Correia está de parabéns pois com aquelas 3 defesas galvanizou a equipa e permitiu-nos passar para a frente no marcador.

Ofensivamente, no fundo, tivemos poucas soluções como tem sido característico ao longo das últimas 2 ou 3 épocas (pelo menos) e a própria rotatitvidade sucessiva também não ajudou. Por último, se calhar perdemos a oportunidade de ganhar o jogo exactamente no mesmo capítulo que nos foi mantendo no jogo: O Muresan a meio do segundo tempo parecia dos poucos com disponibilidade para assumir o jogo e com isso marcou 3 ou 4 golos seguidos, mas logo depois fez dois remates que foram defendidos. Não estou a criticar o Daniel nem a destaca-lo em relação a outros, apenas constato que à semelhança do Rui Silva em certos momentos, o Daniel é das poucas unidades sem problemas de se assumir em jogo.

Quanto à arbitragem, bem, esteve péssima para qualquer um dos lados. Os especialistas dirão que falharam 4 ou 5 lances para cada lado e por isso foi equilibrado, mas volto a frisar a questão psicológica que determinadas decisões podem ter para o comportamento dos jogadores. Os comentadores ontem falavam quase sempre para o mesmo lado mas não diziam que cada bola aos 6 metros no pivot dava quase sempre livre de sete metros, até aqueles lances em que o Zé Costa não tinha qualquer hipótese de receber a bola. Tivemos alguma sorte, já que o Portela escapou-se à exclusão num par de situações em que parece fazer "gravatas" ao Carlos Carneiro.

A apontar ainda à arbitragem mais três lances:
- Deixaram escapar em minha opinião um vermelho ao Cláudio Pedroso que mandou uma cotovelada no Solha ainda no primeiro tempo quando o SCP queria partir para o contra-ataque
- Penso que estava 20-21 e o Sporting a atacar à procura do 20-22 e o Rui Silva vai a fazer um bloqueio para entrada do Fábio e é completamente empurrado pelo adversário para cima do jogador do Benfica e a esperteza saloia dos árbitros assinala falta atacante.
- No lance a seguir, carambola que o Carneiro ou o Inácio deixam cair na zona dos 7 metros e o Zé Costa com os braços abertos a afastar dois jogadores do Sporting não apanha a bola e lá se arranja mais um livre de 7 metros.

Mas penso que a arbitragem foi apenas mais um fator para o péssimo jogo apresentado pelas duas equipas.

Finalizando, uma vez mais as minhas saudações leoninas aos adeptos (e adeptas Wink ) que estiveram no pavilhão e fizeram-se ouvir alto e em muito bom som.

Siga a marcha... Empatar na Luz não é um mau resultado.


EM FRENTE SPORTING!



quarta-feira, 14 de março de 2012

Sá Pinto, o Guardiola do Sporting?


"Sá Pinto pode ser o Guardiola do Sporting". A afirmação, curiosa, foi proferida pelo treinador do Légia e inevitavelmente despoletou o post que aqui deixo hoje. Obviamente que não pretendo com o presente artigo infirmar ou confirmar o que foi dito porque é de todo extemporâneo fazê-lo. Pretendo, isso sim, fazer uma reflexão mais lata sobre o futebol do Sporting.

O artigo está há muito “pronto” na minha cabeça mas gostaria de ir mais longe do que vou conseguir ao pô-lo no papel. Tinha decidido fazê-lo antes do final da eliminatória do City para que a reflexão não fosse contaminada pelo sentido do resultado, e a falta de tempo para a sua elaboração acaba por precipitar para hoje a sua publicação, sem que este surja como gostaria. Mesmo assim arrisco.

Convém desde já dizer que não me parece de todo inocente que o treinador do Légia se lembrasse do paralelismo. Barcelona e Sporting são dois clubes que fazem da formação uma bandeira. O Barcelona conseguiu dela retirar efeitos práticos, acumulando títulos atrás de títulos. O Sporting pouco mais tem conseguido do que seguir ao longe as carreiras meteóricas dos jogadores por si formados. 

Guardiola tem o mérito indiscutível de criar um modelo quase imbatível, tendo como base a prata da casa. O Barça hoje assemelha-se aos grandes impérios que, tendo crescido tanto, parece lutar tanto contra si próprio para se continuar a motivar como contra os seus adversários.

É igualmente importante perceber os diferentes contextos de Sá Pinto ou qualquer outro treinador que hoje chegue ao Sporting e Guardiola. O técnico catalão entrou na carreira actual como treinador de juniores, onde trabalhou dois anos, ascendendo em 2009 ao cargo principal. Em ambas ocasiões beneficiou de um trabalho de base e um ambiente favorável relativamente aos produtos de “La Masia” enquanto que em Alvalade a míngua de títulos provocou nos adeptos uma desconfiança generalizada nos produtos da Academia.

Provavelmente as realidades são demasiado distintas para poderem ser comparadas mas, no que ao futebol do Sporting diz respeito, parece-me inevitável constatar que, ao contrário do do Barcelona, não há hoje no futebol do Sporting uma matriz, uma identidade. E digo isto desde as chamadas camadas jovens até ao futebol sénior. 

Geralmente as discussões caem sempre no conceito básico de implementar o 4x3x3 com carácter mandatório e de forma transversal a todos os escalões, como se isso constituísse, per si, um factor de sucesso garantido. Não é preciso ir muito longe para perceber que, mais do que a geometria associada à disposição dos jogadores em campo, há uma infinidade de conceitos e princípios que são tão ou mais importantes: basta olhar para o 4x3x3 de Domingos e de Sá Pinto para o perceber.

O que é afinal jogar à Sporting? Quando comecei a acompanhar o futebol de perto associava-se o jogar à Sporting como  futebol de ataque. Nessa altura o conhecimento e as condições de treino eram radicalmente diferentes nos grandes e nos restantes clubes. Hoje facilmente percebemos que, seja de que forma for, não há nenhum campeão em Portugal que o consiga ser sem ser obrigado a ganhar uma percentagem muito elevada de jogos e para o conseguir tem que dominar grande parte deles. Mas quem jogue hoje de forma deliberada e descontraída ao ataque arrisca-se a acordar para um pesadelo antes de esgotados os primeiros 45 minutos.

Hoje alguém saberá dizer o que é jogar à Sporting? Dificilmente, e mesmo com muito boa vontade.

A última vez que o futebol do Sporting teve uma identidade reconhecida pela generalidade da opinião foi no tempo de Paulo Bento, através do seu famoso losango. É interessante constatar que nem nos tempos dos dois últimos títulos se pode identificar uma personalidade vincada na nossa forma de jogar. Quando a saída de Paulo Bento aconteceu o futebol do Sporting estava estagnado e foi essa a principal razão que o conduziu à porta de saída. 

O que se seguiu foi uma hecatombe generalizada, um desperdício de tempo e dinheiro, não conseguindo o clube manter uma pedra que fosse para reconstruir um novo edifício futebolístico. E assim andou durante 2 épocas consecutivas. Daí sempre ter considerado a época em curso como crucial e, embora ela tenha sido em grande parte marcada pelo fracasso, não é forçoso que se tenha partir outra vez do nada.

Se Sá Pinto será ou não o nosso Guardiola é ainda cedo para responder. O que é indubitável é que o Sporting precisa de um treinador que recrie e confira uma identidade ao nosso futebol através de um modelo de jogo que  retire proveito de algo que indiscutivelmente fazemos bem – formar jogadores -  não descurando o contexto em que se insere o Sporting e o seu estatuto de grande do futebol português. 

Dizê-lo é mais fácil do que fazê-lo mas esse parece-me ser o caminho para inverter o carácter excepcional com que chegamos ao titulo e lançar de novo uma história a verde-e-branco no campeonato português.

Para isso daria muito jeito que Sá Pinto, ou outro no seu lugar, conheça a realidade interna do clube e a respectiva correlação de forças para se estabelecer e poder alavancar as alterações necessárias. Precisará para isso também de inteligência, cognitiva e emocional. Essa que certamente beneficia Guardiola e que o leva a perceber como conseguir retirar o melhor do talento dos jogadores, camuflando-lhes as imperfeições e carências, elevando-os à categoria de super-heróis da bola. 

Poucas vezes se referem as qualidades intelectuais de um treinador mas estas serão com certeza diferenciadoras. Nesse sentido, Guardiola está longe de ser o estereótipo do ex-futebolista que chega a treinador. É-o também,  e ainda por cima com um curriculum invejável, mas cuja vida social nunca esteve delimitada em exclusivo pela relva e o cheiro dos balneários.

Do lado do Sporting,  e uma vez descobertos os sinais de uma mudança de sentido positivo, será também necessário perseverança e convicções fortes, não confundíveis com birras obstinadas. Não há atalhos para o sucesso e muito menos garantias para lá chegar, sendo o caminho muitas vezes pontuado por paragens e retrocessos. 

Guardiola chegou ao Barcelona na sequência de uma mudança radical na gestão do clube pela mão de Joan Laporta, substituindo Frank Rijkard. Teve um começo duríssimo, dando muito lastro aos detractores de Laporta, quando dispensou de forma corajosa Ronaldinho, Deco, Samuel Eto'o. O camaronês acabaria por ficar mas quando o Barcelona perde o primeiro jogo da época com o recém-subido Numância foi o pescoço de Laporta que o aguentou. O resto da história está ainda a ser escrita, mas começaria aí uma série de mais de 20 jogos sem perder até triturar o Real Madrid com um histórico 2-6.

terça-feira, 13 de março de 2012

Arbitragem: várias gerações a fabricar campeões

Cartão vermelho? Só se partir!
Certamente que estarão lembrados do lance em Guimarães que ditou a expulsão de Rinaudo, quando este nem deve ter tocado no jogador que com ele disputou o lance. Se assim for menos dificuldade terão em recordar-se do lance em que o Bruno César pisou o seu colega Luisinho e que nem cartão amarelo mereceu. (ver foto ao lado). É na aplicação destes critérios de geometria variável que muitas vezes a APAF decide quem é que luta para o campeonato até ao fim. 

Por falar em APAF, repare-se na reacção dos árbitros quando, no inicio da época Godinho Lopes se queixou com razão da incompetência dos juízes mas recusando-se a "a falar de premeditação" e nova interpretação dada pelo seu representante, adulterando completamente as afirmações originais. “Os casos do Sporting e do Benfica são totalmente diferentes"

Obviamente que ninguém espera coisa nenhuma da APAF relativamente às declarações de Jorge Jesus, quando este então chamou ladrão ou mais recentemente cego. Porque a APAF e seus associados além disso são também cobardes.

Campeonato está entregue

Secretamente acalentava algumas esperanças do Sporting ainda poder alcançar o terceiro posto até ao final do campeonato. Essas esperanças ficaram comprometidas pelo jogo em Setúbal e depois de ter visto a vergonha que assolou os campos de futebol neste fim-de-semana e que se afigura ficar instalada até ao final da prova.

Vi os jogos dos actuais 3 primeiros classificados e em todos eles os árbitros acabaram por ter influência decisiva no resultado final. E em todos eles houve um fio condutor: a cobardia dos árbitros, revelada em critérios que compensassem pretensos erros registados anteriormente, de forma a que os 3 clubes em questão não tivessem "razões de queixa".  O campeonato está entregue a um deles.

Chamou-me particular atenção o jogo em Braga onde o clube local foi nitidamente levado em ombros por um dos árbitros mais incompetentes da Liga (é difícil eleger o número um da lista). E não me refiro  apenas ao golo anulado à U. Leiria, bem como a um penalty claro (em todo parecido com o que não foi marcado a favor do SLB, em Paços de Ferreira), mas sim a toda uma série de decisões de faltas e faltinhas que iam sendo geridas sempre a favor do vento nas velas do SCBraga.

Por não ser um grande os seus lances não são escrutinados com o mesmo rigor e não chegam às primeiras dos jornais. Este estatuto de coitadinho tem sido muito bem gerido por Salvador, recolhendo por isso a simpatia generalizada, retirando daí bons proveitos.

Vale a pena a este propósito dizer que acho incompreensível que se pergunte o que deverá o Sporting fazer no último jogo, em que o Braga se desloca a Alvalade e cujo resultado pode ser decisivo para a atribuição do titulo. Que outra coisa pode o Sporting senão, em qualquer circunstância, jogar para ganhar o jogo?


segunda-feira, 12 de março de 2012

Sá Pinto: da fama de durão à revolução de veludo

Não posso dizer que fiquei surpreendido quando soube da nomeação de Sá Pinto para o cargo de treinador da equipa principal de futebol. Mas não deixei de pensar no óbvio, olhando para o seu cadastro futebolístico. Hoje ainda quase todos se referem ao treinador, numa piada que já roça o mau gosto de tão estafada, como se de um troglodita se tratasse. Há quem não consiga deixar de ver nele uma bomba relógio cujo prazo e factor para a detonação ninguém conhece.

Ora o que é até agora factual, e que contrasta com a ideia truculenta e agressiva que tinha deixado de si mesmo, é o equilíbrio das declarações de Sá Pinto - as conferências de imprensa são deveras contrastantes com as do seu antecessor - bem como das suas decisões. O enfoque dado ao trabalho e ao colectivo, a referência à importância da envolvente à equipa - dos técnicos das diversas áreas, dirigentes e ao indispensável apoio e compreensão dos adeptos têm sido constantes. 

Quem vê o Sporting jogar na era Sá Pinto vê uma equipa à procura do equilíbrio nos diversos momentos do jogo. E, sendo verdade que teremos que aguardar para perceber como vai reagir no futuro à resposta dada pelos adversários, fruto do melhor conhecimento da nova forma de abordar o jogo, é também legitimo esperar que, do ponto de vista colectivo, as melhorias estejam apenas numa fase embrionária, sendo possível progredir.

Parece evidente que Sá Pinto se preparou conveniente para esta sua nova etapa profissional e que essa preparação não se esgotou na área estritamente técnica. Sá Pinto não deixa o campo sem receber com um abraço todos os seus jogadores à entrada do túnel. Esse gesto foi ontem diversas vezes antecipado, nomeadamente após o golo de Wolfswinkel, que fez questão de se dirigir expressamente ao treinador, e antes de Jeffren entrar. Os jogadores referem-no constantemente (Izmailov, Schaars p.ex.) apontando a sua liderança como factor de melhoria. Terá sido a sua ausência súbita que terá motivado a quebra de resultados da equipa júniores, uma vez que Abel não teve tempo para fazer nada de significativo?

Este é um primeiro teste que é ultrapassado de forma que poucos imaginariam ser possível, o que em si mesmo é uma grande vitória para o treinador. Ter os seus comandados consigo é tão importante como fazer-se entender e, num primeiro momento, é uma aposta que está a ser ganha de forma inequívoca.


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