terça-feira, 30 de novembro de 2010

Um futuro melhor com boas dores de cabeça

Depois do pinheiro, depois do estarrecedor "firme e hirto" da semana passada, ficamos hoje a a saber que o melhor Sporting está para vir. Pudera, com 12 jornadas jogadas, a sofrer uma média de um golo por jogo, a marcar pouco mais que isso e após consolidar os 13 pontos de distância para o primeiro lugar, o que mais faltava era que o pior ainda estivesse para vir.

O que vem ai também não me deixa tranquilo. Digam o que disserem - pois é o Mourinho também o faz... - o Sporting não nasceu para jogar  com 3 médios defensivos, seja contra o Lille, seja contra o FCP. E pouca confiança me merece quem, depois do que tenho visto, subverte sistematicamente a ordem das coisas: o Sporting não tem cometido erros pontuais em exibições bem conseguidas. O Sporting tem exibições geralmente enfadonhas, sendo simpático, que pontua com uma ou outra jogada bem conseguida.  E sim, incluindo o jogo do passado sábado.

Paulo Sérgio acrescenta ainda que agora tem melhores dores de cabeça.  Sorte de que não partilho. Desde o inicio de época que não vejo como e quando hão-de passar as minhas.

A perspectiva do umbigo

Após os acontecimentos verificados este fim-de-semana assistimos a tomadas de posições públicas por parte de quer da Juve Leo quer de Eduardo Barroso de certa forma surpreendentes, se tivermos em conta o que têm sido o discurso e alinhamento de "ambos".

Nada do que relatam é novo na actuação do clube e está até longe de ser o que de pior vimos até hoje. Recordo-me, p.ex., após o jogo com o Bayern, ver a PSP, em plena bancada sul,  de cacetetes em punho, a malhar em todos os que impunham cartazes incómodos. Não me lembro da direcção de então, da qual fazia parte o actual presidente, se ter incomodado com o sucedido. À luz disto a censura de sábado foi até bem mais suave, mas igualmente digna profundo repúdio.

Por isso, mesmo reconhecendo que mais vale tarde do que nunca, lamento que esta repentina consciencialização sobre a forma como o Sporting  trata os seus (para proteger os que há décadas nos destratam) se faça pela perspectiva interesseira que dista dos olhos ao umbigo. O Sporting merece muito mais. O Sporting precisa de melhor.

P.S.- Pede-nos a A.A.S a divulgação do seguinte comunicado:

Parabéns aos Campeões

A Associação de Adeptos Sportinguistas vem por este meio felicitar a equipa de futsal do Sporting pela qualificação para a final­four da UEFA Futsal Cup.

Os grandes clubes vivem de grandes feitos e a secção de futsal do Sporting Clube de Portugal voltou a elevar o nome do nosso clube e galvanizou os adeptos sportinguistas que, correspondendo aos apelos lançados estiveram incansáveis no apoio aos comandados de Orlando Duarte.

Não podemos também deixar de enaltecer uma vez mais as palavras do capitão leonino, João Benedito. Sempre emotivo e dedicado, João Benedito ao discursar no Estádio José Alvalade voltou a demonstrar a capacidade natural para aliciar e impulsionar a paixão dos adeptos pelo seu clube.

Comité Executivo,
Associação de Adeptos Sportinguistas.


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Um clube diferente*

Não é líquido que os abundantes ecos de uma censura imposta às claques do Sporting sejam completamente verdadeiros: pela minha parte confesso que preciso de mais do que um comunicado da Juventude Leonina para acreditar neles. Do mesmo modo, não é líquido que um desmentido oficial do Sporting Clube de Portugal impedisse a sedução de oferecer-lhes crédito: tenho muita dificuldade em acreditar e sinto demasiada facilidade em duvidar daquilo que hoje o meu Clube me afirma, diz e comunica. É infelizmente o que de mais importante retiro deste factual / falso /  exagerado / combinado / manipulado / verdadeiro relato ou episódio. Uma noção que infelizmente vem de a algum tempo a esta parte sendo firmada: o Sporting está um Clube diferente, pouco verdadeiro, pouco claro, confuso, perverso. Perverso no seu interior. 

Desorientado, igualmente confuso, muitas vezes despreocupado e enormemente apático. Apático no seu exterior. Ao ler o conteúdo para o qual o atalho no post do JVL nos direcciona foi a única coisa que consegui perceber. Não senti caso, gravidade, motivo de preocupação, medo ou surpresa. Apenas repulsa e uma sensação extrema de perversão, perversão essa que em mim, confesso, é - de longe - a pior coisa que posso numa dada situação sentir. Senti-la sobre o Sporting, ou no Sporting, faz-me experimentar engano e detectar revolta.

"Onde quer que haja degeneração e apatia existe também perversão sexual, fria depravação, aborto, envelhecimento precoce, má humorada juventude, declínio nas Artes, indiferença à ciência e injustiça sob todas as suas formas". Foi disto que me lembrei ao ler o conteúdo, uma pequena passagem de Tchekhov, apenas e nada mais, não me interessando saber sobre a veracidade do que é dito. Nem sentindo desejo de pegar num qualquer episódio que envolva a claque mais antiga do Sporting para ter uma discussão sobre Censura, discussão na qual seja necessário invocar um grupo sempre muito activo na constante e débil auto-imposta função de ora pactuar com o desgoverno ... ora interferir nas suas decisões.

Desde um episódio num aeroporto, passando por uma conferência de imprensa transformada em palco de ameaça dirigida a um concreto sócio, até aos relatos de uma Assembleia Geral marcada por episódios de violência e represálias envolvendo o grupo que agora reclama moral virgindade ... foram todos estes mais do que motivos para que tivéssemos já todos "julgado" os tiques, conduta e modo de acção do actual elenco directivo do Clube. Contudo, a apatia existiu, e existe, porque a vontade de julgar, e julgando mudando ... não parece ser real. Somente pretensa, ou dialéctica.

Já a perversão, essa é efectiva. O Sporting está hoje um Clube diferente. Para pior, bem entendido.

*Texto escrito para o "ANorte" pelo nosso leitor MM, a quem agradeço o favor e  a confiança. E  porque vem na sequência de coisas estranhas sucedidas sábado, chamo a atenção para o que se diz no Banco da Mexicana a propósito da forma como foram tratados os Sportinguistas nos momentos que antecederam o jogo e que já tinham sido também abordados pelo nosso amigo JG no Rugido Leonino.

Rescaldos

O Sporting alcançou ontem a qualificação para uma presença inédita na Final Four da UEFA Futsal Cup,  depois de levar de vencido o El Pozo por 5-3. Achei curiosas as declarações do nosso presidente, e que destaco: “Isto não é o Sporting futebol clube, é Sporting Clube de Portugal. Isto é tão Sporting como tudo o resto. Quando puxamos todos para o mesmo lado, somos muito mais fortes indiscutivelmente”. Não podia estar mais de acordo. O que talvez fosse bom era todos percebermos o papel que nos cabe na criação das condições para "puxarmos todos para o mesmo lado", e, em particular o presidente.

Tomemos o exemplo do futsal: o Sporting possui nas suas fileiras dos melhores jogadores da modalidade, numa mescla de profissionalismo e amor à camisola, cujos ícones são Benedito e Cardinal. Nos seus quadros tem também talvez o melhor treinador nacional da modalidade. A identificação com a equipa começa por aí, as sinergias à sua volta surgem com naturalidade. Ela consolida-se com a abnegação espelhada em campo, superando assim as dificuldades, sem subterfúgios . Se fosse pela tão estafada desculpa dos orçamentos não teríamos passado o El Poso. Porque não fazer algo semelhante no futebol?

Ainda no rescaldo do clássico de sábado à noite algumas questões a merecer análise. Hoje na ordem do dia estão as declarações de Paulo Sérgio sobre o "individualismo e a estupidez". Paulo Sérgio tem razão, como certamente lhe reconhecerão todos os que viram o jogo. Mas isso não esgota as explicações para o resultado final, que em nada nos interessava. Ao elogiar a eficácia portista como consequência no resultado final, Paulo Sérgio esquece-se que se ela fosse tão afinada como diz, Falcão teria inaugurado o marcador, fazendo com que agora estivéssemos a comentar um filme completamente diferente. 

A falta de objectividade de Paulo Sérgio não se fica por aqui. Porque, apesar do mérito que teve na anulação dos principais argumentos do adversário, na primeira parte, não se viu o "grande caudal" de que falou no final do jogo. Aliás, um dos principais problemas desta equipa está precisamente no seu jogo ofensivo, seja ele ataque organizado ou transições rápidas para o contra-ataque. Por isso nunca vimos explorar o adiantamento do FCP na segunda parte nem a sua inferioridade numérica.

Sem lhe retirar o mérito de o Sporting ter feito na primeira parte o que ainda ninguém tinha "obrigado o FCP a não fazer", pareceu-me que Paulo Sérgio podia  e deveria ter sabido adaptar melhor a equipa às diferentes circunstâncias em que iria ocorrer a 2º parte. E ficou por responder a Villas Boas quando este afirmou que, na 2ª parte "o Sporting pareceu-me cansado e débil". Quer num caso quer noutro estou convencido que, em iguais circunstâncias, o adversário responderia doutra forma.

P.S.: A questão da censura ás claques merecerá mais logo artigo exclusivo.

SCP na final four




O SCP conseguiu hoje a qualificação para a final four após bater o fortíssimo El Pozo por 5-3. Uma excelente vitória que prova, mais uma vez, a importância de ter um treinador com qualidade.

Chamo a atenção para este post do Leonino cerca da censura em Alvalade. Vergonhoso!

sábado, 27 de novembro de 2010

Tudo na mesma, como a lesma

Jogo dividido em 2 partes. A primeira em que o Sporting bloqueou o jogo do adversário. Patrício só não foi um mero espectador porque Falcão lhe apareceu uma vez à frente em posição de marcar. A 2ª metade teve domínio dividido onde podíamos, devíamos e precisávamos de fazer mais qualquer coisa. Nem conseguimos explorar o contra-ataque quando o FCP procurou o golo nem a superioridade numérica quando Maicon foi expulso. Lamentável a forma escusada como sofremos o golo, com Maniche muito mal na fotografia. Servirá pelo menos de alguma coisa a boa réplica dada ao líder invicto?

André Vilas Boas foi o palhaço de serviço. O “toma” virado para a bancada e a expulsão ridícula,  (quando se alguém se pode queixar da dualidade de critérios somos nós) são uma nódoa no mérito.

Fintando a ansiedade crescente

Sou como os jogadores de futebol: quando "não jogo" fico sempre mais nervoso, em particular nos jogos grandes, por razões óbvias. Uma vez que me encontro impedido de assistir ao jogo de logo vou fazer o que sempre faço em ocasiões semelhantes, para fintar a ansiedade: preencher o mais possível o dia até à hora do jogo. Sair para aproveitar o sol matinal envergonhado, almoçar bem (pernil assado no forno, Quinta do Monte d'Oiro), ver o Aston Villa - Arsenal, seguido do ManUtd - Blackburn, para depois rever o Existenz de David Cronenberg, onde  Jennifer Jason Leigh está soberba ao lado de Jude Law. Um longo passeio a pé com a minha fiel amiga de quatro patas e de enorme coração levar-me-à até ao apito inicial do árbitro.

Quando chegar à hora do jogo, e face às circunstâncias de cada equipa, a minha única exigência vai para a postura em campo: JOGUEM À SPORTING!

Para ajudar a entreter os leitores que padeçam também da "ansiedade pré-competitiva" deixo dois temas para reflexão e comentários:


Descubram as diferenças:

Alguns convocados do FCP:

Beto, Emídio Rafael, João Moutinho, Varela

Alguns convocados do Sporting

Nuno André Coelho, Pedro Mendes, Maniche, Hélder Postiga
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Por outro lado, e até para registo aqui no blogue, fica estudo académico sobre a consciência dos adeptos relativamente aos três grandes, publicado hoje na página online da Bola:

Através de uma amostra auscultada com a ajuda de ABOLA.pt, Rui Biscaia, no âmbito de uma investigação da Faculdade de Motricidade Humana, chegou a três conclusões relativamente ao que os adeptos de Benfica, FC Porto e Sporting pensam dos respectivos clubes: os adeptos do Benfica olham para o Benfica como o maior clube, os do FC Porto olham para o FC Porto como o melhor clube, e os do Sporting não crêem que o Sporting seja o maior ou o melhor, porém permanecem fiéis à notoriedade do emblema, à sua história e ao potencial da sua marca. E mantêm-se igualmente ligados ao clube e ao que ele representa. Tanto como os outros. O que só pode, naturalmente, querer dizer uma coisa: os sportinguistas estão presos a um forte sentimento de resistência.

«Os resultados deixam entender que os adeptos do Benfica olham para o clube e para a relação que têm com ele numa perspectiva de grandeza. Factores como a valorização da marca, a interacção social, a ligação com outros adeptos e, claro, também a história do clube surgem com valores mais elevados, numa escala que vai de 1 a 7, e com diferenças consideradas estatisticamente significativas quando comparadas com as respostas que adeptos do FC Porto e do Sporting deram a respeito dos clubes pelos quais torcem», explicou o autor do estudo.

No caso do FC Porto, por outro lado, o que surge valorizado nas respostas [os valores podem ser detalhadamente consultados no quadro nestas páginas] dos adeptos são essencialmente factores relacionados com o rendimento desportivo.
«O sucesso da equipa, principalmente, com considerável diferenças para os valores de Benfica e Sporting. Depois, também a organização e a gestão do clube, a qualidade de jogadores e treinador e também o estádio onde a equipa joga estão bem avaliados», enaltece Rui Biscaia.

O caso do Sporting é muito especial, à partida pela negativa, todavia com um ângulo mais curioso e positivo, pensando bem...
«O clube é percepcionado pelos seus adeptos de forma significativamente inferior ao que acontece com os do Benfica e do FC Porto. Porém, não se verificam diferenças significativas na notoriedade dos clubes, pois os sportinguistas sentem-se também bem identificados com o Sporting e com o que ele representa», acrescenta o professor.

Na prática, a história e a grandeza do Benfica, incluindo o número de sócios, a forma como estão espalhados pelo Mundo ou o número de espectadores nos estádios são forças que o clube e os seus adeptos sublinham com frequência. Do lado do FC Porto, o sucesso desportivo dos últimos trinta anos é sempre um argumento usado pelos adeptos e também pelos dirigentes, bem como a progressiva expressão internacional através das taças conquistadas. O Sporting, também menos vencedor nas últimas décadas, parece inclinar-se, aos olhos dos seus torcedores, para um estado de terceira força.

o que se refere à notoriedade do clube, que o autor descreve como «grau de identificação pessoal com o clube e sua incorporação na identidade pessoal», é o único que de um ponto de vista estatístico, não apresenta diferenças significativas entre os grandes: 5,88 no Benfica, 5,80 no Sporting e 5,79 no FC Porto. A ligação dos adeptos com os respectivos clubes é, na prática, a mesma.
P.S.- Para os que se deslocam a Alvalade, em particular os "bravos do pelotão" do "ANorte" uma grande abraço solidário. 

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Do meu cantinho

Em equipa que perde… não se mexe! No mar de dúvidas em que o Sporting navega era o que eu faria. Para amanhã, no jogo contra o bicho papão, apostava na mesma equipa que jogou contra o Vitória: 

R. Patrício, Abel, D. Carriço, Torsiglieri, Evaldo, A. Santos, Maniche, J. Valdés, J. Pereira, Vukcevic, H. Postiga.

Sem tirar nem pôr. E porquê? Porque o jogo é para ganhar, porque foi com este conjunto de homens que se mostrou o melhor futebol da época, porque as opções no banco melhoraram muito desde esse jogo até hoje.
Estive em Alvalade no jogo com o Vitória e senti-me um personagem da Twighlight Zone, na SMS que enviei no final do jogo ao LdA dizia, tudo para ganhar, tudo para perder… Foi um golpe profundo, mas a cura destas feridas faz-se a reentrar em campo, faz-se a lutar por um destino melhor, foram estes homens que falharam era neles que confiava para corrigir o erro, eles mostraram também nesse jogo que são capazes de melhor e não há melhor jogo para se redimirem que este.

Amanhã, na minha tertúlia antes do jogo quando me perguntarem o meu prognóstico vou repetir um que já fiz anteriormente, na noite em que Vukcevic foi herói e mergulhou nos braços dos adeptos. Respondi na altura, como isto está, tanto podemos ganhar por 3 como perder por 7. Ganhámos por 2. Estou com o mesmo estado de espírito, o jogo é de tripla mas o favorito é o nosso adversário.

Não apostaria de início em Liedson e Pedro Mendes, dada a sua prolongada ausência da equipa, seriam os meus trunfos de banco para “jogar” com o decorrer da partida. Liedson só entraria se estivesse a ganhar e precisar de defender o resultado, utilizaria a sua capacidade de fazer pressão sobre a saída de bola para defender a minha equipa de recuar perigosamente para a sua área e o seu instinto matador para aumentar o resultado, Pedro Mendes só entraria se Maniche “rebentar”. 

Como joker, Salomão ou D’jálo, o fundamental é, como diria Robson, attack, attack, attack, é para mim a única forma de vencer o jogo. Sobre o Givanildo, não há nada a fazer de especial, não devem ser precisas grandes chamadas de atenção a Evaldo, Torsi e Maniche para eles saberem que têm de ser perfeitos nas marcações e preenchimento de espaços para evitar dissabores, mas para mim o perigo vem mais de Belluschi do que de Givanildo, é ali que está o cérebro e se o Sporting o anular o músculo não funciona (ou funciona pior…).

Dito isto resta-me garantir aos meus que lá estarei, no meu lugar de bancada a fazer aquilo que sei melhor, apoiar os onze que entram em campo com a minha camisola e a criar o pior ambiente possível ao nosso adversário. Let the game begin!!!!

Força Sporting! Vence por nós!

Nota: post da autoria do LMGM, que, por estar impedido de postar, me solicitou a sua publicação.

2 caminhos

"O recorde está de pé desde Maio de 1962. E só podia ser do Sporting, tão especialista neste capítulo: ele é o recorde do Campeonato de Portugal (18-0 ao Torres Novas, em Março de 1928), ele é o recorde da I Liga (13-0 ao Carcavelinhos, em Abril de 1938), ele é o recorde do campeonato nacional (14-0 ao Leça, em Fevereiro de 1942), ele é o recorde das competições europeias (16-1 ao Apoel Nicósia, em Novembro de 1963), ele é o recorde da Taça de Portugal (21-0 ao Mindelense, em Maio de 1971). Enfim... E agora, ele é o recorde do treinador mais jovem a sagrar-se campeão nacional, instituído há 48 anos. O homem em causa chamava-se Juca (morreu em 2007) e contava com 33 anos, quatro meses e 13 dias naquela tarde de 27 de Maio de 1962, depois dos 3-1 sobre o Benfica, em Alvalade, para a última jornada do campeonato 1961-62.

O desafio está lançado ao FC Porto. Para que Villas-Boas (nascido a 17 de Outubro de 1977 e agora com 33 anos, um mês e nove dias) supere o recorde de Juca, tem de se sagrar campeão em Olhão, na 21.a jornada, no fim-de-semana de 26/27 de Fevereiro. Mas então isso significa ser campeão a nove jornadas do fim!! Isso significa 27 pontos de avanço sobre o segundo classificado!! Certo, certo.
"

Seria muito mau sinal que o record de Juca fosse batido. Mau sinal para o campeonato. Mau sinal para o Sporting, pois o artigo do I já não inclui já o recorde do tetra, que entretanto foi já suplantado pelo FCPorto, como bem sabemos. Esse era, quanto a mim, muito mais importante, porque era uma marca colectiva e não apenas um feito pessoal.

Não se me afigura fácil que Villas Boas ultrapasse Juca, apesar dos indícios que as primeiras jornadas estão a deixar. Mas vamos supor que sim. Como devemos encarar mais esse facto? Ocorrem-me pelo menos  duas atitudes.

A dos últimos tempos, que é conformarmo-nos, desresponsabilizarmo-nos pela nossa própria sorte, aconchegando-nos num passado glorioso, que invocamos constantemente, sem lhe saber estar à altura. 

Ou olharmos de frente para os nossos problemas e invertermos o caminho que levamos à demasiado tempo. Eu acredito que, não sendo fácil de sacudir a inércia em que nos atolamos, é perfeitamente possível. 

No final dos anos 70, quando o FCPorto iniciou a sua carreira ascensional tinha, como nós temos hoje, um discurso auto-indulgente, incapaz de perceber que muita da força dos seus rivais advinha das suas prórprias debilidades. Não passava de um pequeno clube com expressão reduzida a uma cidade, característica que ainda se nota hoje no discurso e no comportamento da maioria dos seus seguidores. 

Nós hoje ainda somos muito mais do que isso.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O sal na ferida

O caso Moutinho voltou à agenda por imposição do calendário mas, infelizmente para os Sportinguistas, este é apenas um entre muitos outros. Futre, Simão, Quaresma e até Figo são outros de vários nomes cujo talento é inverso à sua popularidade entre os Sportinguistas. Tendo, ao longo dos tempos, assistido a  várias mudanças de camisola entre os grandes, e talvez porque sou parte interessada, nenhuma delas me pareceu tão traumática como as nossas. São feridas abertas no orgulho leonino às quais lhes cai o sal de os vermos triunfar em clubes rivais e neles se tornarem pedras angulares para o sucesso.

O que sucedeu com Moutinho foi para mim o de contornos mais surpreendentes. Sem querer "voltar a bater no ceguinho" houve 2 aspectos que me chocaram em todo o processo: (i) o sobejamente debatido consentimento na venda directa a um rival de um capitão de equipa e (ii) a vontade expressa de sair de Moutinho. Ao contrário da rábula anterior com o Everton, em que o jogador parecia querer ganhar mais uns cobres, , Moutinho terá ido ganhar, segundo as noticias veiculadas mais ou menos o mesmo que auferia em Alvalade. Assim, o que terá levado o jogador a um corte radical com o clube que o formou e onde viveu grande parte da sua vida e mudar a vontade que exprimiu 6 meses antes de abandonar? (ver foto)

Podemo-nos ficar pelas justificações acerca do carácter do jogador.. Mas julgo que, para que mais casos semelhantes não sucedam, é inevitável olhar para aquilo que é hoje o Sporting e em particular o que foi a época passada, com o acumular de casos desde a saída de Paulo Bento, à rábula da sua substituição, da forma como foi tratado Carvalhal, dos casos Izmailov / Costinha, Sá Pinto / Liedson e do processo rocambolesco que termina com Paulo Sérgio na cadeira de treinador principal.

O Sporting está longe de ser, por muito doloroso que nos seja dizê-lo, uma promessa de sucesso para os profissionais que o representam. E eles, ao contrário de nós adeptos, podem mudar de clube. E como profissionais têm o direito e até a obrigação por zelar pelas suas carreiras. Se queremos manter os melhores e disputar com os rivais os profissionais mais qualificados  temos que nos tornar indiscutivelmente melhores.

Os Sportinguistas falam assim

Da discussão do post de ontem, que registou vários excelentes contributos, destaco, com a devida vénia aos autores, os seguintes:
Hugo Malcato:
Ver os mais variados discursos e intervenientes preocupados em detectar e apontar o dedo aos descontentes em vez de se ter a honestidade e humildade de admitir que as coisas estão mal e que não é por existirem pessoas que não gostam de determinado rumo que são culpadas pela situação a que este mesmo rumo nos trouxe...

Contudo, importa também pegar no comentário do Dezperado, pois existem de facto diversas facções que se assumem como os verdadeiros sportinguistas e senhores da razão. Sejam eles, situacionistas, oposicionistas, cordeirinhos, terroristas, entre todos os outros rótulos colocados hoje em dia aos diferentes sportinguistas...
PLF:
Há muito que digo que é preciso uma ideia para o Sporting. Sugeri uma ideia que, quanto a mim, é estruturada em torno dos valores que aprendi a reconhecer no Sporting: valores como o desportivismo, o ecletismo, a superação, a dedicação, o espectáculo, a formação pelo seu intrínseco valor social, o respeito pelos adversários, entre outros, os valores que formam uma Cultura Sporting. Não são apenas "expressões bonitas" mas um conjunto de princípios orientadores de medidas programáticas e participadas, em que se rejeitaria - por exemplo - o modelo do nosso amigo portista de procurar a vitória a qualquer preço.

JEB deu o mote e o Costinha a estocada final e hoje o Sporting está descaracterizado. Está descaracterizado naquilo que é mais importante que são os seus princípios. Em vez de desportivismo e de respeito pelo adversário temos um odiozinho pelo Benfica que só nos empobrece. Em vez de uma cultura de ecletismo, em tudo o que isso poderia gerar em sinergias, tem-se uma cultura de sobrevivência. Em vez de uma cultura de formação e de dedicação, o Sporting tem uma estrangulado a sua base social de apoio, encaminhado todos os recursos para a competição profissional, isolando e nem sequer compreendendo o que pode acrescer valor. E em vez de uma cultura de mérito, temos uma cultura de desresponsabilização. Neste campo, no campo da desresponsabilização, estamos muito bem.
Bruno Azevedo Rodrigues:
A nós adeptos compete-nos olhar para o clube, gostar do clube, mais do que os profissionais que os servem. Moutinho foi profissional em campo, mas não foi leal ao clube. Contudo, numa óptica profissional essa lealdade é relativa. Há mais marés que marinheiros e há mais Moutinhos. Acima de tudo, há mais Sporting. Porém, é preciso que se defenda o Sporting. A tese da maçã podre foi (senti-o pessoalmente) ofensiva. Senti que ofendiam a minha inteligência e o meu discernimento.

Como dizem os espanhóis, o porto meteu-nos um golo. Encontre-se as explicações que se quiser para isto. Contudo, não esqueçamos que Moutinho saiu. Mal. Que faça a sua vida, que ao Sporting já não diz nada. Bolas de golf são inadmissíveis. Cânticos não fazem o meu estilo (mas não me incomodam).

Porém, quem semeia ventos para se desresponsabilizar, não deve exibir espanto ou contragosto quando colhe tempestades. Este ponto é que incomoda: a necessidade de desresponsabilização e a tentativa quase ingénua de conter o dano a posteriori.

Que o Sporting ganhe, com Moutinho em campo, e que não mais necessitemos de teorias sobre maçãs, porque soubemos cuidar do pomar em tempo e bem. E, por último, se tivermos de vender anéis para conservar dedos, que tenhamos a elevação Sportinguista de o dizer, não contribuir para tal facto, assim como o bom senso e o engenho de impedir que no futuro a situação se repita.

Acima de tudo, saibamos pensar e: concordar / discordar, apoiar / opormo-nos, mas esqueçamos as inimizades entre Sportinguistas. Somos todos diferentes, e ainda bem. Que cada um faça o melhor que pode, se e quando pode e que coloque nesta questão os interesses do Clube em primeiro lugar, porque o Sporting precisa de ser bem tratado.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Um presidente do Sporting fala assim

"João Moutinho, no Sporting, foi sempre um fantástico profissional. Já o disse e não volto atrás, mesmo que após o termo do campeonato se tenha passado muita coisa. Mas enquanto vestiu a camisola e actuou neste estádio foi sempre com dedicação ao clube. As coisas podiam ter sido tratadas de outra forma, mas isso não invalida que eu reconheça no João um profissionalismo extraordinário e um grande futebolista que esteve muitos anos ao serviço do Sporting. Mesmo num momento difícil eu desejei felicidades ao João, recordem isso, não recordem só aspectos negativos".

Se houve alguma contradição em Bettencourt não foi pelas palavras que proferiu ontem, antes sim pelo episódio da "maçã podre". Moutinho foi sempre mais capitão dos corpos sociais do que propriamente dos adeptos. Não esqueço a falta de respeito pelo clube, agravada pelo estatuto que detinha.Mas se lhe faltava perfil para capitanear a principal equipa do Sporting sobrava-lhe o empenho e a entrega em campo. Deixou uma marca dificil de superar pelos jogos que fez de leão ao peito.

Não posso deixar de me congratular com esta declaração pública do presidente do Sporting. que marca a posição oficial do clube, em contraste com o esboço de um movimento infeliz que o mínimo que conseguirá é envergonhar o Sporting. Invocar a morte trágica de um atleta que morreu em campo de forma arrepiante, desejar igual sorte a quem quer seja e fazê-lo em nome do Sporting é salpicar de esterco a bandeira de um clube centenário. Mais do que as taças e campeonatos valemos pelos princípios e pelos ideais que representamos.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Como ficar mais pobre dando lucro

O Sporting apresentou ontem as contas do primeiro trimestre do exercício compreendido entre Julho e Setembro do ano em curso. O trimestre é encerrado com  "um resultado líquido positivo de 10,577 milhões de euros". Interessa pois perceber como se chega a esses números e  o que eles significam, mesmo tendo em conta o valor relativo das contas de um período tão curto.

Não é preciso ser um guru em gestão e contabilidade para perceber que o cerne deste relatório reside no lucro alcançado pelas vendas de Miguel Veloso e Moutinho. É portanto aí que interessa fazer a análise. Se entendermos por lucro o resultado positivo de uma determinada acção de gestão, o Sporting ficou realmente a ganhar? Não me parece que tal tenha acontecido, quer do ponto de vista desportivo, quer do ponto de vista económico.

Começando pelo aspecto económico, o Sporting vendeu dois dos seus melhores jogadores abaixo do seu valor potencial. Para chegar a essa conclusão basta avaliar o que realizou o o FCPorto com a venda de Meireles ao Liverpol (15 milhões de euros)  ou Bebé, do Vitória de Guimarães,(mais de 8 milhões de euros) um jogador sem curriculum. Não duvido que para isso contribuiu o sinal de ansiedade para vender que o clube foi dando ao mercado, que como é hábito, sabe ler muito bem nas entrelinhas. Tal como em outras ocasiões o Sporting parece ter vendido barato para comprar caro.

Acresce ainda o facto de o produto dessas vendas ter sido empregue a adquirir jogadores como Maniche, Evaldo, Valdés que dificilmente conseguirá rentabilizar por outra via que não seja exclusivamente a desportiva. Ou por jogadores cujo valor desportivo está ainda por confirmar como André Coelho, Zapater, Torsiglieri, Tales ou Salomão, mesmo tendo em conta que têm, genericamente, valor potencial. Não pode também ser esquecido o facto de um desses jogadores - Moutinho - ser o capitão de equipa promovido pelo próprio establishment e contra o sentir de muitos adeptos, e ter saído directamente para um dos rivais onde, em poucos meses, se tornou numa peça essencial ao melhor futebol até agora visto no campeonato. Mas não é só. Com isto o clube viu agravados os seus custos operacionais, por ter visto inflacionar a sua folha salarial. Tendo em conta que o plantel do ano passado estava avaliado em 41,020 milhões e o deste ano em 38,994 milhões de euros o Sporting passa a pagar mais para ter menos. Isto não é ficar mais pobre?

Por isso quando se lê no comunicado que o aumento de custos operacionais e de amortizações e perdas de imparidade com passes de jogadores reflectem “o investimento feito na equipa principal, de acordo com a orientação estratégica de reforço da competitividade desportiva” quase apetece dar uma enorme gargalhada, não fosse a seriedade e a gravidade que o assunto encerra. Que orientação estratégia é esta? Onde está o reforço da competitividade desportiva?

Em última análise é a competitividade desportiva que preocupa os adeptos porque é essa que é dirimida nas discussões com os adeptos rivais e não os balanços contabilísticos. Mas só uma estratégia desportiva adequada promoverá o seu regresso às vitórias bem como a sustentabilidade financeira do clube, viabilizando o seu futuro. Com a continuidade desta gestão nem uma coisa em outra serão alcançadas.

PS: fica por saber o que é um "um ligeiro decréscimo de bilheteira e bilhetes de época". São de saudar os ""acréscimos superiores" em patrocínios  e publicidade num contexto dificil como é o actual.  O mesmo se aplica aos  direitos televisivos e um "acréscimo de cerca de 10 por  cento" na rubrica "prestação de serviços", embora falte saber os valores com que os nossos principais adversários encerrarão os seus contratos televisivos, para percebermos o real valor do nosso negócio.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

4 pontos

1) Estiveram presentes ontem em Alvalade menos de 9.000 adeptos nas bancadas. 8.746 para ser mais exacto. Não vejo como, nas actuais circunstâncias, este número possa ser considerado surpreendente. Tendo em conta que o jogo não estava incluído no bilhete de época, a conjuntura económica, a hora do jogo, o adversário e sobretudo o que consegue oferecer actualmente a equipa de futebol, atrevo-me  dizer que até nem foram assim tão poucos.

2) O que dizer quanto à qualidade do jogo de ontem? Tendo em conta que se tratava de um jogo de Taça de Portugal, onde habitualmente os adversários menos cotados se agigantam, talvez não valesse a pena dramatizar muito. Afinal o apuramento desejado foi alcançado. Até poderia concordar com isso, e servindo para exemplo as dificuldades sentidas pelo FCPorto em Moreira de Cónegos. Mas o problema do Sporting não é circunstancial. Quem pensa o contrário que dê exemplos concretos de aspectos do nosso jogo que possam ser considerados um modelo.

3) Destaco 4 afirmações de Paulo Sérgio na conferência de imprensa de ontem:

"Fizemos uma boa primeira parte"

"O Valdés teve de recuar bastante, à procura de jogo, a tentar criar desequilíbrios. A missão era defender o corredor mas vir para dentro pegar no jogo. Tinha essa dupla missão."

"Não foi um jogo brilhante, mas é preciso ter a responsabilidade de saber que o fundamental é ganhar. O brilhantismo vem com naturalidade, para quem trabalha como nós"

(sobre a presença de menos de 9 mil adeptos em Alvalade) "São coisas que fogem ao meu controlo. Sou treinador de futebol. Acredito que, somando vitórias, os adeptos terão mais vontade de nos ver jogar."

4) Tendo em conta o fim do castigo de Maniche, o regresso de Pedro Mendes e o bom momento de André Santos, quem será a dupla eleita para o jogo de sábado?

domingo, 21 de novembro de 2010

Serviços mínimos

Esta eliminatória da Taça serviu para confirmar que os problemas que afligem a concepção do jogo do Sporting, e que estão na origem dos pontos perdidos na principal competição, estão longe de estar resolvidos. Produção ofensiva quase nula, traduzida em zero oportunidades de golo na 2ª parte e apuramento com um golo fortuito. Não vale a pena por isso elaborar uma crónica idêntica a anteriores e tão fastidiosa como o jogo que acabamos de ver. Assim, fico-me por um pormenor: alguma coisa está mal quando o Sporting Clube de Portugal joga em Alvalade com o Paços de Ferreira e utiliza dois médios defensivos. Salva-se a qualificação.

Um pedaço de Alvalade nos Emirates

Quem ontem viu a transmissão do jogo Arsenal – Totenham é impossível não se ter lembrado do Sporting dos anos 80/90 ou do jogo recente com o Vitória de Guimarães. Estádio a transbordar de gente e a expectativa de não perder pontos para a concorrência. Ao intervalo o jogo parecia mais ou menos decidido, com uma exibição segura a ditar 2 golos de diferença favoráveis aos gunners. Os de White Heart Lane pareciam não ter grandes argumentos para contrariar o melhor desempenho da juventude de Wenger.

Pura ilusão. Redknapp, perante a inevitabilidade da derrota, apostou tudo com a entrada de Defoe e depois do pinheiro Crouch. Quando se esperava que o Arsenal fizesse valer, desferindo contra-ataques, todo o poder de fogo dos seus artilheiros comandados por Fabregas, assistiu-se  um progressivo encolher arsenalista que terminou num trágico volte-face. Nas faces dos adeptos viam-se expressões de incredulidade que nos são dolorosamente familiares. Quem frequentou Alvalade nas décadas de 80/90 protagonizou-as vezes sem conta.

O fantasma que hoje passeia nos Emirates parece ser um parente britânico do que durante anos assolou Alvalade e que estará certamente relacionado com o insucesso consecutivo. Então, tal como hoje o Arsenal, o Sporting possuía plantéis cheios de talento que jogavam um futebol atraente e que, a cada inicio de época renovavam a esperança leonina. Os adeptos acorriam em massa, tornando célebre o “este ano é que é”.

Infelizmente o paralelismo com os dias de hoje não faz sentido. O futebol do Sporting nos últimos anos deixou de ser atraente até para os fantasmas e quando o apito do árbitro dá inicio ao primeiro jogo da época já nem os mais insensatos esfregam as mãos de expectativa. Os poucos que ainda comparecem à chamada fazem-no por fidelidade a um amor que se tornou numa fonte de sofrimento. Sem esperança não há amor que floresça e sem ela Alvalade não voltará a encher.

sábado, 20 de novembro de 2010

Seguramente por causa dos "críticos"




Ontem deixei aqui alguns dados estatísticos oficiais. Neles podemos ver não só a justificação para o que tem sido a carreira da equipa no campeonato bem como números preocupantes sobre a adesão dos adeptos ou a desmistificação do valor da idade na prestação das equipas. Hoje o Publico publica uma análise às contas dos 3 grandes que  vai no mesmo sentido das prestações no futebol: o Sporting também nas contas está cada vez mais próximo dos lugares inferiores do que do topo. Seguramente que estes resultados, desportivos e económicos, estão ligados. Trata-se de uma situação que não é nova mas que tem piorado de forma bem vincada pelo que tem sucedido nas 2 últimas épocas. Quanto tempo mais pode o Sporting ser sujeito a esta prova de esforço?

Modelo insustentável

A situação do Sporting é ainda mais preocupante. Mesmo tendo custos bastante inferiores aos dos dois rivais, a SAD de Alvalade apresentou o maior prejuízo: 26,5 milhões de euros. Hélder Varandas sublinha que o clube teve de partir para a reestruturação financeira, para sair de uma situação de capitais próprios negativos (vulgarmente definida como falência técnica).

E se é verdade que nos custos e receitas da época passada, a distância que separa o Sporting do FC Porto é praticamente igual à que separa portistas do Benfica, uma análise mais larga no tempo mostra FC Porto e Benfica a alternarem na liderança das receitas e o Sporting a ficar para trás. O clube de Alvalade ressentiu-se não só da ausência da Liga dos Campeões, mas também da quebra nas receitas de patrocínios e de bilheteira.

“Mais duas épocas assim e o Sporting pode começar a aproximar-se mais do Sp. Braga e V. Guimarães que do Benfica e FC Porto”, avisa Varandas.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Being Rui Oliveira e Costa

O intervalo no campeonato é uma boa altura para se avaliar as prestações das equipas. Se podemos considerar a subjectividade da análise quando falamos de exibições, há dados estatísticos que nos podem ajudar a perceber melhor a prestação das equipas e, de algum modo, desmistificar ou validar a visão veiculada pelos analistas, jogadores, treinadores, directores e até adeptos.



O nosso consócio Rui Oliveira e Costa é conhecido pela “visão estatística” a que costuma reduzir as suas análises. Quem sabe estes dados que aqui hoje deixo em análise e que são, por si só, eloquentes não lhe mereçam a atenção quando analisar na sua tribuna semanal o percurso do Sporting na Liga Sagres.

Todos os dados elencados abaixo são merecedores de reflexão por parte dos Sportinguistas, seja qual for a sua condição. Alguns deles são mesmo inquietantes, sendo ligeiro. Mas talvez interesse pouco por hoje perceber a verdadeira razão das coisas, agora que os Sportinguistas andam entretidos com a recepção ao novo anti-cristo do espírito leonino. Como é fácil desviar a atenção dos adeptos do que realmente interessa.
 
Espectadores por clube em 11 jornadas:
Porto: 245.601  média de 40.934
Benfica: 241.768 média de 40.295
Sporting: 117.852 média de 23.570
Guimarães: 97.656 média16.276
Braga: 59.549 média 11.910

Melhores assistências por jogo:
Dominadas pelo FCPorto E SLBenfica. O melhor que o Sporting consegue é um "honroso" 13º lugar, com 27.752. A melhor assistência é a do derby na Luz com 51.899.

Classificações à 11ª jornada nos últimos 5 anos:
Comparando as classificações dos últimos 5 anos à 11ª jornada verificamos que nunca estivemos no 1º lugar, apenas por 1 vez estivemos em 2º, a 2 pontos do 1º (06/07), uma em 3º a 10 pontos do 1º (07/08). O ano passado estávamos em 5º a 13 pontos do 1º.

Média de idades do plantel:
Sporting: 26 anos
SLBenfica: 25 anos
FcPorto: 22 anos

Média de idades das equipas nas 11 jornadas:
1     Porto        22
2    Braga        23
3    P. Ferreira    24
4    Beira-Mar    24
5    Marítimo    24
6    V.Guimarães    24
7    Académica    24
8    Nacional    25
9    Benfica        25
10    Portimonense    25
11    Olhanense    25
12    Naval        26
13    Sporting    26

Média de pontos:
FCporto: 2,8
SLBenfica: 1,9
Vitória: 1,9
Sporting: 1,6

Golos marcados :
Porto: 27, média de 2,45
Académica: 18, média de 1,64
Benfica: 17, média de 1,55
Braga: 17, média de 1,55
Guimarães: 16 média de 1,45
Sporting: 13, média de 1, 18

Golos Sofridos:
FCPorto:     4, média 0,36
Maritimo:     8, média de 0,73
Olhanense:    10, média de 0,91
Vitória:        11, média de 1,00
SLBenfica:     11, média de 1,00
Sporting:     11, média de 1,00

Média de posse de bola:
1    Porto        30       
2    Benfica        29   
3    Braga        29       
4    Académica    28   
5    Sporting    27

Fonte: Liga de Clubes.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Eu não



Começa já a preparar-se a recepção ao fcp e o mesmo será dizer ao João Moutinho. Como todos os Sportinguistas, fiquei profundamente decepcionado quando ele afirmou que queria sair para o Everton e defendi que lhe deveria ser retirada a braçadeira nesse exacto momento.

Não posso no entanto concordar com aquilo que se está a preparar. Pelos vistos vamos imitar os super dragões e usar bolas de golfe. Os bons exemplos do modelo "a copiar" por parte do JEB, continuam a vingar em Alvalade.

O que não deixa de ser irónico, depois do episódio dos aplausos com que se brindou um jogador do Nacional apenas porque poderia vir a representar-nos - o que qualquer pessoa com memória deveria descortinar que dificilmente isso aconteceria - como se fez com o Rúben Micael.

Moutinho não é totalmente inocente nesta história mas a grande responsabilidade de ele representar o actual clube, essa, vai inteirinha para a incompetência N vezes renovada de quem nos dirige. Maçã podre e zero propostas, claro que sim.

Não o aplaudiria pois saiu do SCP para um rival. Agora se alinho nisto? Eu não.

Sem reescrever a história

Parece-me inútil voltar a discutir o que foi Paulo Bento no Sporting. Mas creio que, mais tarde ou mais cedo, e por força dos bons resultados do actual seleccionador, análise far-se-à. Se assim for que ela se faça tendo em conta os factos que marcaram a sua passagem por Alvalade e não reescrevendo a história ao sabor do que vai Paulo Bento conseguindo no comando das quinas.  

A sua passagem por Alvalade deixou muita luz - o regresso às vitórias em competições nacionais, as qualificações para a Champions e a defesa insuperável do seu grupo de trabalho - e também algumas sombras - relação difícil com alguns jogadores que desaproveitou, "teimosia táctica", e irregularidade na competição principal. Alternou vitórias épicas com derrotas atrozes. Quando saiu, não o fez por estarem em causa as suas qualidades humanas, mas por reconhecer incapacidade para alterar o rumo dos acontecimentos. Incapacidade que lhe era própria e das próprias circunstâncias do clube. Todos os treinadores acabem por ter que lidar com situações semelhantes, mesmo os mais sucedidos. Mourinho saiu do Chelsea, onde até conseguiu um titulo que fugia à 50 anos. Nem as suas capacidades ficaram beliscadas nem o clube impedido de voltar a ganhar.

Seria por isso totalmente errado personalizar a falta de sucesso do clube na pessoa de Paulo Bento. Numa organização mais exigente consigo própria as fragilidades individuais são superadas pelo colectivo. É no nosso interior que devemos perceber as razões do insucesso, que já existia e a assim permaneceu com e sem Paulo Bento.

Provavelmente o Paulo Bento de que hoje falamos será já um Paulo Bento muito melhor preparado, pela experiência adquirida, do que quando saiu do Sporting. É o que parecem querer dizer as convocações de Varela e Carlos Martins e opções por extremos que nunca quis.
 
Há um aforismo que diz "atrás de mim virá quem de mim bom fará". Esta conversa só faz sentido porque o Sporting não cuidou de substituir o seu antigo treinador por alguém capaz de fazer melhor. O que, convenhamos, nada tem de impossível.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A noite em que as maçãs desapodreceram

Noite de gala da selecção nacional com sabor agridoce. Doce porque é agradável sentir que o futuro não está mais uma vez adiado e pode acontecer já amanhã. Amargo pelo talento desperdiçado durante dois anos. Paulo Bento está por isso de parabéns, por usar na medida certa o bom senso que faltou desde o principio ao seu antecessor.

Uma noite de reconciliação do público com os jogadores. Dos adeptos que raras vezes têm em conta que aqueles só não ganham se não puderem ou não quando não lhes deixam. Nos clubes ou nas selecções. Foi também mais uma noite para os Sportinguistas perceberem o valor que a Academia pode ter para o clube e que, pelas mais variadas razões, tarda em reverter a nosso favor.

P.S.- Como alguém dizia hoje,o Rui Santos é bem capaz de vir dizer que começam agora a ver-se os resultados do trabalho de Queirós.

Aqui, num post perto de si

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Porque não gosto de ouvir falar em pinheiros

Paulo Sérgio ainda ontem voltou a falar no "tal pinheiro" que lhe faz falta. Há até quem consiga ver na falta de um espécime semelhante a justificação para a falta de golos, sejam eles com os pés, sejam eles com a cabeça. Desde Peter Houtman, passando pela contratação / rescisão relâmpago de Nial Quin, com direito a passeio à beira-mar, que o Sporting tenta mas não consegue ornamentar o seu ataque com alguém que junte a envergadura fisica com a capacidade de marcar muitos golos.

A explicação parece-me simples: jogadores assim ou se descobrem cedo ou paga-se bom dinheiro por eles. Lembro que o SLB despendeu, se a memória não me atraiçoa, 9 milhões por Cardoso. E depois há o próprio conceito de "pinheiro" que me parece uma visão demasiado primaria de conceber o futebol. 

E quando me lembro que foi atrás de algo assim que ainda há pouco pagamos mais de 400 mil euros, fora salários, por 6 meses de empréstimo de um tronco... Vejam com atenção a partir do segundo 50. Foi este fim-de-semana em Málaga.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Paulo Sérgio, what if?

As entrevistas aos treinadores têm para mim um valor muito relativo. Não é pelas afirmações nelas proferidas que os treinadores são julgados, mas sim pelos resultados que alcançam. E serão por eles que a passagem de P.S. pelo Sporting será avaliada. 

A entrevista de hoje à SportTv apenas contribuiu para vincar em mim a ideia de que a sua contratação foi um equívoco. Os resultados são os que são, o discurso está ao mesmo nível. Se não existisse o “se” na vida, e segundo o que Paulo Sérgio foi dizendo, poderíamos ser campeões. Diga-se em seu favor que o entrevistador pouco ou nada fez para lhe extrair um pouco mais do que já tínhamos ouvido nas conferências de imprensa. Como dizia a musica, "What if there was no light? Nothin' wrong, nothin' right".

Não pretendo com isto diabolizar o treinador. Faz o que pode e sabe e, certamente, se não ganha mais vezes, não é por falta de vontade. E não ponho em causa que "em termos de dedicação, empenho, vontade de vencer, serenidade e lealdade não podiam ir buscar quem tivesse mais.". Mas isso é o mínimo que podemos exigir aos profissionais que servem o Sporting, uma vez que o clube, pelo que representa, também os serve a eles quando lhes empresta o nome e o emblema.

Não aceito com facilidade a queixa de Paulo Sérgio de diferença de tratamento "Noto uma diferença entre as avaliações que são feitas às exibições do Sporting e às outras equipas. Há uma grande discrepância porque no Sporting tudo é criticável". A menos que o treinador se queixe por comparação com o que fazem a generalidade das equipas  e não se refira apenas aos "3 grandes". Dessas somos a que mais fragilidades temos revelado. Paulo Sérgio tem que ter em conta que treina o Sporting e não o Guimarães ou o Paços de Ferreira, por mais respeito que os referidos clubes nos mereçam. Estivéssemos nós no lugar do FCP e ninguém lhe regatearia elogios, bem antes pelo contrário.

Não aceito que as responsabilidades da actual classificação se resumam à actuação dos jogadores, do ponto  de vista individual ou colectivo como pretende PS: "Os meus jogadores devem compreender que jogando bem estaremos sempre mais próximos da vitória, mas temos de ser objectivos na busca dos resultados. O que tem penalizado o Sporting e a sua posição classificativa são erros próprios, momentos de desconcentração". A forma como o Sporting tem sofrido golos - e não são assim tão poucos como isso - revela, desde o inicio de época, uma enorme dificuldade de ajustamento colectivo às missões defensivas e não se resume apenas à responsabilidade dos centrais ou dos defesas. E isso só ideias mais claras e o trino podem resolver.

Mas as minhas opiniões certamente que não se interporão no trabalho de Paulo Sérgio.  Se Paulo Sérgio acredita que o titulo é ainda possível - "Faz todo o sentido. Não atiro a toalha ao chão. Sabemos o contexto em que estamos inseridos. O nosso caminho é acreditar no grupo que temos», referiu, sublinhando: «Está nas nossas mãos encurtar as distâncias. Outros só têm um jogo para o fazer." -  tem nos jogos que se seguem a oportunidade de materializar a sua fé. Essa dimensão prática consegui-la-á passando o Paços de Ferreira, encurtando distâncias para o actual líder e apurando a equipa para a fase seguinte da Liga Europa. Estes são os serviços mínimos a que se obrigou a equipa do Sporting ao claudicar vezes demais enfrentando, como é bom lembrar, equipas que deveriam estar ao seu alcance.

P.S.- Não é preciso ser abençoado pelo espirito santo para perceber o final do caso Izmailov. A noticia em forma de calçadeira, foi deixada ontem pela "ABola", e a confirmação foi feita ontem por Paulo Sérgio. Extraordinária a promiscuidade que "isto" sugere, não?

Está tudo mal no Sporting?

O Sporting cilindrou ontem a sua congénere benfiquista na sua própria casa na 11ª jornada de andebol por uns expressivos 21-28. Com isto conseguiu o apuramento para a Supertaça, que parecia comprometido e, espera-se, terá deixado para trás os piores momentos da época, pouco consentâneos com o valor dos seus jogadores.  No futsal a equipa prossegue em 2º lugar tendo vencido fora em Vizela.  O regresso do hóquei sénior ao Sporting vem sendo assinalado por um percurso triunfal, sem registar qualquer derrota até ao momento.

Esta é apenas uma amostra de resultados positivos que, sendo cedo para saber que títulos nacionais coleccionarão no final do ano desportivo, ilustra pelo menos a competitividade de equipas que representam o clube em diversas modalidades. Mesmo não revelando o fulgor de outrora, não pode deixar de ser motivo de regozijo, pela manutenção do espírito eclético que é matriz do clube. Podíamos igualmente servir-nos dos exemplos da formação no futebol ou do atletismo cujos resultados catapultam o nome do Sporting Clube de Portugal muito para lá das nossas fronteiras.

Como é mais do que evidente nem tudo está mal no Sporting. Afirmá-lo seria desde logo uma injustiça para centenas de Sportinguistas que no clube, nos núcleos e por esse mundo fora, à medida das suas possibilidades, se dedicam à causa leonina de forma tão abnegada como desprendida. E talvez aí resida, nesse forma de estar, muito do segredo do sucesso de muitas secções e departamentos. Quantos dedicaram as suas vidas, sacrificando os seus interesses pessoais, sem nunca se terem colocado em bicos de pés, saindo muitas vezes por uma porta ainda mais pequena e estreita do que a lhes serviu de entrada? A todos esses presto a minha homenagem.

Seria hiperbólico, e por isso desrespeitar-se-ia a verdade, afirmar que está tudo mal no Sporting. Não está tudo mal no Sporting da mesma forma que, num corpo doente, há órgãos saudáveis. Mas, a menos que se ataque a doença, até os órgãos saudáveis acabarão por ficar comprometidos, colapsando. 

Da mesma forma que o é o discurso oficial quando nos pretende fazer crer que "estamos no bom caminho" ou que o sucesso está à distância de um clique. Não é isso que se vê quando a equipa da modalidade mais popular do clube joga. Não é isso que sente quando se olha para o relatório e contas e constata que "no âmbito do contrato de abertura de crédito em conta corrente com o BES e Millenniumbcp foram prestadas garantias de créditos de bilheteira, créditos de garantia e créditos de passe" e que "estão incluídos os direitos desportivos detidos ou a deter pela Sporting SAD relativos aos jogadores que tenham com ela celebrado um contrato". Ou que tenham sido antecipados 2 anos da receita das gameboxes. Tudo isto para nos dizerem que não temos dinheiro para superar  o fosso competitivo que nos separa dos nossos rivais, mas não explicarem porque gastamos muito mais que as equipas com que perdemos os pontos que fariam de nós campeões.

No momento em que o Titanic chocou com um iceberg no Atlântico nem tudo estava mal, mas bastou o acaso e uma série de más decisões para transformar o maior navio do mundo de passageiros do mundo no maior navio do mundo de passageiros… afundado. Nessa altura a orquestra do transatlântico permaneceu a tocar para evitar o pânico e dar um ar de normalidade e assim se manteve durante as quase 3 horas de agonia do transatlântico. O Sporting também parece ter a sua orquestra a tocar bem afinada, tocando todas as semanas numa televisão, rádio ou jornais perto de nós. Os Sportinguistas parecem gostar da melodia mas espero que, quando finalmente um dia acordem, não sintam a água gelada quando pousarem os pés no chão.

P.S.- Não vale a pena comentar mais o caso Izmailov até que sobre ele haja uma decisão definitiva por parte do clube. Mas a noticia hoje de "ABola" é um perfeito absurdo.

domingo, 14 de novembro de 2010

O bilhar grande e o ecletismo leonino

O Sporting de há um ano para cá rodopiou sobre si mesmo e, após uma volta de 360º, ficou mais pobre. Gastamos como nunca sem produzir resultados. Somos cada vez menos.

O que o Sporting produz hoje em campo é igual ou pior ao que se fazia no pior tempo de Paulo Bento e igualmente irregular ao que se observava com Carvalhal, sem no entanto chegar perto das melhores exibições. Essa irregularidade não está associada à turbulência exterior, uma vez que a contestação é residual, não há “episódios Sá Pinto / Liedson”, Izmailov está afastado do grupo de trabalho e o treinador não dá conferências de imprensa sozinho ou em vãos de escada e o apoio institucional é total.

Donde vem então a irregularidade exibicional do Sporting? Do seu próprio treinador e da sua concepção do que é o futebol. O Sporting actual tem um registo em que se dá mais ou menos bem e quando as coisas lhe começam a correr bem. Canta mas não encanta. Canta pouco e pianinho. Apesar de se contar pelos dedos as jogadas com princípio meio e fim, sempre vai conseguindo, nessas circunstâncias, impor a melhor valia individual dos seus jogadores.

Mas não há equipa que consiga controlar o jogo do princípio ao fim. O Sporting de Paulo Sérgio não sabe respirar. Conhece apenas a correria desenfreada. Mas quando precisa ou o adversário lhe impõe um registo diferente a equipa desorganiza-se e deixa de funcionar como tal. Ontem foi ainda pior. Foi a intervenção do treinador que desligou as luzes, deixando a equipa às escuras, deixando de se ver uns aos outros e o caminho para a baliza adversária. Não é assim que se ultrapassa um mau momento psicológico, antes se cava a desconfiança já instalada pelos resultados e agravada pelas próprias palavras de Paulo Sérgio: ao lembrar publicamente que a equipa precisa de reforços, o treinador diz que não confia nos jogadores que tem. Ficamos sem saber quanto precisamos e gastar para não trocar de papéis de equipa grande com a Académica.

O treinador, os seus equívocos e as suas insuficiências, é o principal factor de instabilidade. Vitórias como as de ontem resumem os ganhos aos 3 pontos que, para as ambições do Sporting, já de pouco servem. Quantos, dos poucos que ainda restam, deixarão de aparecer para ser confrontados com a indigência exibicional e mental a que estamos confinados?

Bettencourt dizia há tempos que teria que ir dar uma volta ao bilhar grande se não obtivesse resultados.  Apesar dos pesares, não é uma modalidade muito praticada pelos presidentes leoninos. Analisando as últimas décadas, apenas Jorge Gonçalves foi obrigado pelos Sportinguistas a conhecer tal modalidade, pelas razões que se conhecem. Bettencourt já terá feito o suficiente para merecer igual distinção, mas os Sportinguistas tornaram-se ecléticos perante a asneira e o dislate, admitindo todos os seus géneros. Mas está na altura de o presidente e Costinha perceberem que pior do que o erro cometido ao contratar a incompetência que a actual equipa técnica representa é persistir no erro de a manter. Está na altura, e já vai tarde, de Paulo Sérgio se dedicar às voltas do bilhar grande.

sábado, 13 de novembro de 2010

No mínimo embaraçoso

O Sporting cumpriu hoje em Coimbra a 11ª paragem da via-sacra em que se tornou este campeonato. Não tenho memória de ver uma equipa do Sporting terminar um jogo com 3 centrais e 3 médios defensivos. Se isto é necessário para contrariar a Académica, o que será necessário para bater equipas mais fortes do que os estudantes? No mínimo embaraçoso para um clube grande, como é o nosso.

ACADÉMICA: Peiser; Pedro Costa, Berger, Orlando e Hélder Cabral; Nuno Coelho; Diogo Melo e Hugo Morais; Sougou, Miguel Fidalgo e Diogo Valente.
SUPLENTES: Ricardo, Amoreirinha, Bischoff, Paraíba, Laionel, Sissoko e Éder.

SPORTING: Rui Patrício; Abel, (Torsiglieri) Carriço, Polga e Evaldo; André Santos e Zapater; João Pereira, Valdés (Saleiro) e Vukcevic(Pedro Mendes); Postiga
SUPLENTES: Hildebrand, Cédric, Diogo Salomão e Yannick.

Resultado final: Académica 1 - Sporting 2

Uma réstea de esperança?

Ernesto Ferreira da Silva é considerado por muitos como uma eminência parda do regime instalado em Alvalade desde Roquette. Atribui-se-lhe a ele, por exemplo, as "soluções" Filipe Soares Franco e Bettencourt, quando esteve em causa a continuidade da regência no clube.

Mesmo desconhecendo o conteúdo do seu artigo de opinião hoje em "ABola",  - arriscando muito, portanto - não deixo me congratular com a frase em destaque: "justificar derrotas com expulsões é mitigar a realidade". Vindo de alguém tão próximo de Bettencourt significa pelo menos uma réstea de esperança, sinal de que por Alvalade o actual momento do clube ainda suscita alguma reflexão, ao invés da habitual desculpabilização pelos maus resultados.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Perguntas que gostaria de ver respondidas

Julgo que pouco interessa saber o que pensa Paulo Sérgio sobre o plantel que tem à disposição. De facto não nos saiu o Euromilhões. Esse saiu no inicio de época aos nossos adversários directos, pelas boas escolhas que fizeram e pelos nossos erros. A ideia, defendida pelo ainda técnico do Sporting, de que precisamos de reforços, seria válida se não tivéssemos já gasto mais do que devíamos e podíamos para ter que andar, à 11ª jornada, a disputar o quinto lugar com a Académica. Ou com onze golos marcados e com 10 sofridos. Quanto precisaria de gastar o Sporting com Paulo Sérgio para ser campeão? Os Sportinguistas estão mais preocupados, entre outras coisas, em saber quem vai ser o novo treinador do Sporting. E quando.

Durante a semana que hoje finda li com atenção a sugestão do nome de Marcelo Bielsa para o cargo de treinador do Sporting. Devo dizer que desconfio sempre de técnicos sul-americanos. A realidade diz-nos que o se faz do lado de lá é bem diferente do que se passa deste lado da margem atlântica. Em termos de treino e táctica os treinadores europeus estão na vanguarda, como ainda se comprovou no último Mundial. Se as equipas sul-americanas, especialmente as selecções, ainda vão conseguindo responder, fazem-no muito por graça da qualidade individual dos seus jogadores e duma quase infindável capacidade de renovação e de recrutamento de talentos. Não gostaria, por exemplo, de ver o Sporting voltar ao tempo dos 3 centrais, como ainda se vê em muitas equipas sul-americanas. Isso representa o passado.

Várias vezes aqui defendi a ideia de que a melhor solução para o comando técnico do Sporting deveria passar preferencialmente por um técnico experimentado e com curriculum. O conceito vale o que vale, uma vez que mais do que os títulos e curriculum, que afinal representam apenas o passado, valem muito mais num treinador as ideias claras, a convicção e a ambição  de triunfar ainda intacta. Mas a ideia de um técnico experimentado está subjacente a uma realidade incontestável hoje no Sporting: sobram na sua estrutura aprendizes e estagiários que acumulam essa característica com a falta de bom senso e uma aparente incapacidade de aprender com os erros.

Apesar de sempre ter contestado a ideia indigente de que o clube não conseguiria contratar um técnico de renome internacional, sou agora levado a crer tal seja hoje muito difícil de o conseguir. Não porque o campeonato português não tenha visibilidade ou não haja dinheiro para pagar os vencimentos respectivos, como muitas vezes invocam os paineleiros difusores da linha oficial. Mas porque o que se tem feito nestas duas últimas épocas tem golpeado profundamente o prestígio do clube tornando-o num projecto para aventureiros e suicidas. Não será de surpreender por isso que os profissionais que ainda anseiem por algo de bom para as suas carreiras queiram distância de Alvalade. E se for assim já para treinadores em breve o será também para os jogadores.

Esqueçam a condição de Sportinguistas que, pela honra de poder fazer algo pelo clube, aceitaríamos de bom grado qualquer tarefa. Pensem como profissionais. Como treinadores. Na hora de escolher um clube como olhariam para o Sporting actual? Quem gostaria de, nessa condição, ter na retaguarda um presidente como o actual e um director desportivo investido de presidente executivo, fazendo do Sporting o seu "private football manager", ao vivo e a cores?

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pelo respeito que o Clube merece


Podem chamar-me antiquado ou mesquinho, mas tenho a dizer que sou uma daquelas pessoas que fica completamente desiludida ao ver o logótipo da nossa camisola apenas com a indicação "Sporting Portugal". Será provavelmente um capricho da minha pessoa, bem como de outras que também já tinham reparado nisto.

Tenho vindo a dizer que o "Clube" está acima de qualquer sociedade, indivíduo ou grupo de pessoas e ao ver a camisola daquela forma faz-me pensar na pretensão de afastar o Sporting do seu associativismo e o desmoronar o relacionamento dos associados com o seu Clube - ao escrever estas palavras tive um "deja vú"...

Hoje, a SAD leonina comunicou a alteração da sua designação social, resultado de uma votação levada a cabo no Congresso Leonino realizado no ano passado em Santarém. A proposta então apresentada reportava aos Estatutos do nosso Clube, nomeadamente ao ponto que indica que as sociedades detidas pelo clube devem ter "Sporting Clube de Portugal" na sua denominação. Até hoje, a SAD do Sporting não respeitava esta indicação.

Não deixa de ser curioso, ver que foram "simples" associados do Sporting - pessoas que de vez em quando vão levando com rótulos menos próprios e infelizes - que alertaram para um pequeno pormenor mas totalmente pertinente.

Parece-me pois um pequeno exemplo de que existe bastante "massa cinzenta" que pode ser aproveitada em vez de menosprezada. O Sporting é que fica a ganhar...

EM FRENTE SPORTING!

As prisões de Bettencourt

A facilidade com o nosso presidente se deixa aprisionar pelo seu próprio discurso, hipotecando a sua imagem e margem de actuação no futuro, pode ser considerado um verdadeiro "case-study" de como não se deve comunicar. Vejamos:

Bettencourt prendeu-se ao “Paulo Bento forever” faltando-lhe a sensibilidade para perceber a fim de linha do actual seleccionador nacional. Pior, foi o treinador que se viu obrigado a tomar a decisão que lhe competia a ele, como então ficou claro. Perdeu-se uma época.

Há poucos dias Bettencourt enclausurou-se nas teias sintéticas de um relvado, colocando-se entre a espada e a parede. No próximo ano este é mais um assunto que lhe será cobrado se o relvado, seja qual for a matéria que o constitua, não se apresente em condições. Não se percebe o timing da declaração de uma não decisão, que é o que significa, em última análise, “95% da decisão tomada”. Ainda menos se pode entender esta dispensável chamada de atenção para um assunto embaraçoso e sobre o qual sobram as dúvidas sobre a forma como o dossier tem sido gerido, quando o pior período já estará passado. Até ao fim da época sobrava tempo para consultadoria e aconselhamento sem o ruído desnecessário que entretanto se instalou. E não haja  dúvidas que sem competência não haverá nunca relva em condições, seja ela de que natureza for. Parece-me que neste, como em muitos outras casos, se dá mais um passo em direcção ao desconhecido sem o devido apuramento das responsabilidades.

Também não é fácil de perceber como foi Bettencourt algemar-se, a ele e ao clube, a dois anos de contrato com uma equipa técnica de nebulosa capacidade. Mandaria o bom senso, à semelhança do que aconteceu com Carvalhal, a existência de uma cláusula que permitisse avaliar os resultados, no final do ano, sem a pressão de indispensáveis indemnizações. Não surpreenderá ninguém que estas sejam, por hoje, das razões que mais contribuem para a permanência de uma das mais extensas equipas técnicas do clube. Falta apurar o que custará mais ao clube, se a indemnização se a sua permanência. Não surpreenderá ninguém que, mais uma vez, tenha que ser o treinador a perceber as suas próprias limitações e decidir pelo presidente. É mais provável que este opte por, mais uma vez, ir empurrando com a barriga.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Relvado superlativo absoluto analitico e natural

O “ANortedeAlvalade estabeleceu um compromisso com os seus leitores visando proporcionar-lhes uma base de conhecimentos que lhes permita, com o devido uso do imprescindível sentido crítico, avaliar o que está realmente em causa quando se fala no relvado de Alvalade. Continue ele a ser natural, ou venha ele a ser sintético.

Acredito que os Sportinguistas se encontrem cansados de ver passar os anos sem verem resolvidos de forma cabal o problema do relvado, bem como desorientados com o desfilar de opiniões de especialistas com resultados nulos. E, um pouco à semelhança do que acontece os restantes assuntos que envolvem o clube, os Sportinguistas voltem as costas àquilo que não conseguem compreender, deixando o campo aberto a decisões que depois não se cansam de lamentar.

Tal como dizia há dias aqui, continuo a pensar que o Sporting tudo deveria fazer por ter um relvado natural. Por alguma razão se chama natural. E porque, como diz o bom senso, é no mínimo estranho que, existindo pelo mundo fora estádios em situações idênticas, ou até mais severas do que o Estádio de Alvalade, só o nosso problema parece insolúvel.

Ouvimos anteriormente um especialista em relvados sintéticos, representante de uma solução elogiada pelos seus utilizadores. Nesse lote está incluindo Vítor Golas, profissional dos quadros do Sporting, e por isso conhecedor da realidade do Bessa e de Alcochete. Fazia sentido por isso ouvir alguém que representasse o que de melhor se faz a nível nacional em relvados naturais. Essa empresa é a RED, que neste momento tem a seu cargo os relvados do FCP e do SLB, tendo voltado a assumir há 3 meses a recuperação do relvado do estádio de Aveiro.

Quem viu o relvado do estádio da Luz há 2 anos e conhece o actual, ou quem viu o clássico do passado domingo, tem a imagem que me poupará as tal mil palavras. Acresce ainda o facto de a RED ter sido a primeira empresa a instalar um relvado no actual Alvalade, em 2003. É por isso estranho que em todo o processo mediático que se seguiu à declaração de Bettencourt nunca a comunicação social tenha auscultado a sua opinião. É essa falha que também julgamos agora suprir.

Fomos amavelmente recebidos pelo Eng.º Álvaro Bastos, sócio gerente da RED, cuja entrevista partilhamos agora com os leitores do ANortedeAlvalade”. Apesar da forma como terminou a ligação da sua empresa ao Sporting, o Eng.º Álvaro Bastos saliento a forma elevada como sempre abordou a passagem da sua empresa por Alvalade. 


 ENTREVISTA

“Alvalade tem as bancadas demasiado inclinadas, o sistema de ventilação é mau, a iluminação escassa. As altas temperaturas do Verão, o tempo excessivo de exposição solar no Topo Norte, o que motiva que o lado Sul chegue a ter uma diferença na ordem dos 10 graus”, são os problemas estruturais comummente apresentados como justificação para que os relvados (6 em sete anos) de Alvalade não terem qualidade. Estas afirmações fazem sentido?

Estas afirmações fazem sentido. Os problemas registados no verão na metade Norte são replicados no inverno na metade Sul, embora com outra natureza, por falta de luz solar. Deve-se no entanto dizer que estes problemas são comuns à maior parte dos estádios modernos, diferindo de caso para caso conforme forem as condições construtivas de cada um e climatéricas de cada local.

Essas condições impedem em definitivo a colocação e manutenção de um bom relvado ou há procedimentos capazes contornar essas dificuldades?

Há diversos tipos de actuação que podem ser levados a cabo, e que já foram testados noutros estádios. Por exemplo, há baterias de ventoinhas que se colocam ao nível do relvado  para promover o arejamento, e sistemas de iluminação, também ao nível do relvado, para que se faça a foto-síntese e se criem assim condições para o bom crescimento da relva. 

Se o argumentos do calor e da diferente exposição solar são válidos, como é possível que em cidades como Sevilha e Madrid, e em estádios também fechados como o Olímpico e o Barnabéu não existam problemas semelhantes?

Não existem esses problemas noutros locais semelhantes porque foram encontradas as soluções adequadas, e a qualidade da manutenção será diferente. 

A vossa empresa é responsável pelos melhores relvados actualmente em Portugal, como são os casos dos estádios do FCP, SLB e SCB. O estádio do Dragão e de Braga são, do ponto de vista da arquitectura, da localização e do clima, distintos do de Alvalade. Mas o estádio do SLB tem as mesmas condições climáticas. A diferença entre os relvados resultará das diferenças arquitecturais?  
Em primeiro lugar, queria informar que a nossa empresa já não é responsável pelo relvado do Estádio de Braga há bastante tempo, por a Câmara local ter decidido utilizar meios próprios. Em todo o caso, consultam-nos com alguma frequência. Devemos reconhecer que as condições arquitectónicas em Braga e no Dragão são diferentes para melhor, por se tratarem de espaços mais arejados. Quanto ao Estádio da Luz, tem condicionantes semelhantes às de Alvalade, embora o estádio, por ser maior, não seja tão fechado. Em todo o caso, também na Luz medimos diferenças de temperatura assinaláveis, e testemunhamos problemas distintos no relvado conforme o local. Há que cuidar da manutenção tendo em conta esses factores.

Quanto tempo de utilização têm estes relvados de que falamos e dos quais são responsáveis?

O relvado do Dragão foi construído em 2003, e daí para cá já foi mudado total ou parcialmente por mais de uma vez, tendo a última ocorrido no defeso de 2009. As substituições foram efectuadas não por o relvado não estar em boas condições, mas em consequência de eventos que o inutilizaram (concerto e corrida dos campeões). Quanto ao Estádio da Luz, começamos o nosso trabalho no início da época 2009/2010, e no último defeso procedemos à substituição integral do relvado por a superfície do anterior se encontrar bastante irregular. Um relvado natural, uma vez instalado, e sendo bem mantido, tem uma longa duração.

O facto de o clima no Norte do País ser tradicionalmente mais chuvoso, mas, em contrapartida, ter menos horas de sol, é uma vantagem ou inconveniente para o vosso trabalho quando lidam com essas duas realidades distintas?

É naturalmente uma desvantagem nos meses de inverno. Um relvado jogado à chuva sofre maior desgaste, e as temperaturas mais baixas com menos sol desfavorecem a sua recuperação. Nos meses de verão, as temperaturas menos altas poderão ser vantajosas, mas o que acontece é que são suficientemente altas, e com elevado grau de humidade, para provocar o aparecimento de doenças. 

Em Janeiro deste ano, no período de grande invernia, o relvado da Luz apresentava problemas bem evidentes. Mas a sua recuperação acabou por acontecer e quase passou despercebida. Parece-lhe possível realizar trabalho semelhante em Alvalade sem remover o relvado actual?

Não podemos emitir uma opinião definitiva sem proceder a uma inspecção, mas em princípio não deverá haver problemas que impeçam a sua recuperação. O que aconteceu na Luz no início do ano foi a consequência do relvado não ter sido devidamente recuperado durante o defeso, e ainda da natureza do relvado que então existia. Só iniciamos o nosso trabalho em cima do início da época.

Há diferenças entre a aplicação/sementeira de um relvado no Verão ou no Inverno? Quais?  

A diferença essencial que existe é que um relvado durante o Inverno cresce mais devagar, o que significa que no caso da replacagem o desenvolvimento das raízes é mais lento, e no da sementeira acontece o mesmo com o estabelecimento das novas plantas. O mesmo acontece com a sua recuperação pós cada utilização. É ainda necessário notar que a replacagem exige rotinas de manutenção  distintas.

Estas diferenças podem ser controladas por aditivos hormonais ou são meramente ambientais?  

Como se diz atrás, as diferenças são provocadas pelo clima. Importa por isso programar tratamentos que as tenham em conta, e que sejam dirigidos para suplantar as dificuldades de cada momento. 

Há soluções mistas entre sintético e natural, ou as opções são unicamente entre lidar com a natureza e o industrial?  

Não há nenhuma solução mista, com excepção do sistema Desso Grassmaster, que já foi aliás instalado em Alvalade. Trata-se de uma solução em relva natural, com implantação de fibras sintéticas que visam dar maior estabilidade ao relvado. 

Pela vossa experiência o sistema de drenagem do Estádio José de Alvalade é eficaz?

O sistema de drenagem do Estádio de Alvalade foi por nós construído, e ficou totalmente eficaz. Penso que nunca foi mexido, mas desconheço se existem colmatações provocadas pelas diferentes intervenções no relvado. A este respeito, deve-se notar que os problemas de drenagem existem frequentemente na camada superficial do relvado, por falta de manutenção adequada, e não no sistema de drenagem propriamente dito.

A RED esteve ligada ao primeiro relvado do estádio de Alvalade, lembrando-se ainda os Sportinguistas do jogo inaugural, onde se viu muita relva solta. Terá sido na sequência desses acontecimentos que terminou o fim da vossa relação com o clube. Pode dar-nos a vossa versão dos acontecimentos? 

A RED teve a seu cargo a construção do relvado original do Estádio de Alvalade, no verão de 2003. Esse verão foi anormalmente quente, razão pela qual o estabelecimento do relvado não ocorreu no espaço de tempo previsto. Por outro lado, o Clube necessitou de o utilizar antes de estar pronto, por razões de calendário. Gerou-se assim uma situação de conflito, que levou à nossa saída antecipada da obra. O SCP resolveu nessa altura proceder à sua substituição integral por um outro relvado, baseado num sistema de relva natural com implantação de fibras sintéticas, solução esta que, apesar do seu elevado preço, não se revelou duradoura.

A semana passada o especialista Lafayete Machado, dizia à RR que "se o Sporting decidir pelo artificial está a cometer um grave erro… porque o que tem acontecido é que não acertou com as pessoas certas, para ter um relvado de excelência em Alvalade." Quer comentar esta afirmação?

O comentário que nos merece é de concordância, porque é evidente para toda a gente que um relvado sintético nunca é idêntico a um natural. Estamos particularmente à vontade para o afirmar, porque construímos indiferentemente relvados dos dois tipos, ao contrário do que acontece com quem apregoa insistentemente as vantagens dos relvados sintéticos. De resto, a análise do que acontece em todas as 1ªs Ligas Europeias demonstra isso mesmo. A pergunta que faço é: se no Reino Unido vemos relvados naturais impecáveis em Estádios fechados, com condições climatéricas de Inverno muito mais adversas, porque será?

Se o Sporting contactasse a vossa empresa, ou abrisse um concurso para a colocação de um relvado natural, onde o contrato incluísse cláusulas indemnizatórias em caso de insucesso, a RED estaria disposta a apresentar propostas?

Não nos podemos naturalmente pronunciar sobre perguntas hipotéticas, cujo conteúdo carece de ser concretizado. O SCP conhece o trabalho que temos desenvolvido no FCP e no SLB, pelo que daí poderá concluir se tem ou não interesse em conhecer a nossa opinião.

Quando se fala de diferenças de custos entre relvados sintéticos e relvados naturais estamos a falar de quê?

Estamos a falar de um custo de construção que é de 2 ou 3 para 1, dependendo da base que for escolhida. 

Confirma a veracidade dos estudos que indicam que os relvados naturais tendem a proporcionar mais lesões do tipo ligamentares, ocorrendo nos sintéticos mais lesões musculares e meniscais?

Não estou em condições de confirmar, porque nem sou médico desportivo, nem tenho dados estatísticos para isso. Parece-me porém evidente que a maior dureza dos relvados sintéticos não poderá deixar de ser prejudicial para todas as lesões que envolvam desgaste das articulações, tendinites, etc. 

Vivemos uma época de aparente transição. De um lado os que recusam liminarmente os sintéticos, do outro os que apontam o sintético como o futuro, sobretudo pelos inconvenientes trazidos pelos estádios mais recentes. Pode-nos dar a sua perspectiva sobre a matéria?

A perspectiva que tenho é simples: dos pontos de vista ambiental e estético, o relvado natural é bem preferível; do das condições de jogo, idem aspas. Os custos de construção do sintético são maiores, e de manutenção menores. Por outro lado, o relvado sintético admite maiores cargas de utilização, o que é benéfico no caso dos clubes pequenos que não possuem áreas suficientes para treinos, especialmente para a formação.

Concluindo e fazendo jus ao titulo deste artigo acredita que é possível os Sportinguistas verem em Alvalade um relvado muito bom e simultaneamente natural?

Claro que sim!

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