quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Os beijos de morte na campanha eleitoral

A expressão usada por Marcelo Rebelo de Sousa no seu programa semanal para qualificar o apoio de um politico caído em desgraça a uma candidatura autárquica pode usar-se com alguma propriedade na análise das listas candidatas ao Conselho Directivo do nosso clube. 

Lista de José Couceiro
O apoio do histriónico (versão simpática) Carlos Barbosa a Couceiro é-lhe tão útil como uma banda de forró num velório. Da sua passagem pelo corpos sociais não ficou nenhum outro registo que não fossem as suas declarações levianas e de resultado quase vexatório. Se tivesse um pingo de vergonha só voltaria a falar quando o Sporting, sob o seu comando ou influência, estivesse "a lutar com o Real Madrid, Barcelona, Manchester". As palavras são dele e equivalem a um débito que deixou em aberto que, por isso, devia por ele ser saldado. Ou isso ou umas doses de sentido de decoro, que infelizmente não há dinheiro ou notoriedade que o compre. Um beijo de morte para uma lista que ainda não saiu da incubadora e com sinais vitais muito desmaiados para quem teria que estar apto a fazer, desde o primeiro momento, uma maratona partindo dos lugares do fundo...

Lista de Bruno de Carvalho
O comunicado de ontem da lista de BdC espreitava por cima do muro para os quintais dos vizinhos, mas há sinais que indicam que o seu próprio quintal também precisa de arranjo. Não apenas a ideia de que se terem juntado à pressa uns autarcas do interior, mas, ao que parece o presidente da sua Comissão de Honra, Fernando Ruas, sportinguista como todos nós, não é sócio. (Escusado será dizer o arraial que isto representaria se a escolha fosse de Couceiro - sobretudo deste - ou Carlos Severino.)

Já me era difícil de de entender o que de relevante terá feito a pessoa em causa - e que saia do âmbito da sua acção restrita no espaço de Viseu - para merecer tal destaque, mas isso é uma questão que BdC explicará, se quiser, aos seus apoiantes. Que não lhe sobrem 12 euros por mês das muitas mordomias que lhe escorrem do OGE para se ligar ao Sporting é uma escolha pessoal que temos que respeitar. Já me interessaria mais saber é quantas vezes ao longo dos últimos anos esteve em Alvalade, e quantas dessas vezes foi a expensas próprias ou a beneficiando de convite, cadeira e acepipes.*

Outro dos nomes apontados como um beijo de morte tem sido o Comandante Vicente de Moura, muito por força da sua actuação como presidente do Comité Olimpico. A ver vamos como diz o cego, é a minha posição. Não sei se não podia fazer mais ou melhor. Mas sei que num País em que a classe governante olha para o desporto apenas como um mero usurário, só aparecendo na hora de recolher o que é conseguido com o trabalho e empenho de outros, tem um lugar difícil de difícil actuação.

O mesmo já não direi de Cadete. Se se diz Sportinguista eu acredito, como em relação a todos que o proclamem. Mas não me esqueço " saída à escocesa" do Sporting e num dos muitos  momentos de particular fragilidade do clube. 

Lista de Carlos Severino
Não precisava de beijos de morte mas de sopros de vida. As suas declarações de quem não tem nada a perder, disparando por isso para todos os lados, sem preocupar com os ricochetes, pode granjear muita atenção mediática mas desligam-lhe o interruptor da ligação com todos os que, mais do que polémicas, querem ouvir propostas e soluções. O que, diga-se, tem sido o tom geral de todas as listas em campanha.

*Provavelmente o caso de Fernando Ruas não será virgem e podem existir mais Ruas como estas em outras listas. O que digo para ele serve desde já para os outros todos que se apresentem nas mesmas condições. 

P.S.-O Solar do Norte organiza no próximo domingo um sessão de esclarecimento com a presença do candidato Bruno de Carvalho. A sessão terá lugar no Salão Nobre da Junta de Freguesia do Bonfim, com inicio previsto para as 19 horas.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Enquanto nós esbracejamos em mais uma refrega eleitoral o mundo não pára

Enquanto nós nos aprestamos para percorrer mais uma via-sacra eleitoral o mundo à nossa volta continua a girar. Um bocado mais acima da 2ª circular o nosso rival SLB inicia um processo de reestruturação da sua dívida. Um processo em que perdemos a dianteira e  provavelmente a iniciativa, e cujas consequências estarão ainda para perceber.

A propósito de refrega eleitoral as afirmações de Carlos Severino ontem a propósito de Jesualdo Ferreira são a declaração da sua incapacidade para exercer o cargo a que candidata. Mais comentários para quê?

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Silly Campaign



Depois das silly seasons geralmente assistidas nas pré-épocas, com toda a gente a querer identificar potenciais reforços para as nossas equipas, podemos entrar agora numa fase de silly campaign.

Porquê silly campaign? Bem, este é mais um dos momentos para animar a malta. As pessoas querem nomes, ideias, orientações, objectivos, metas a alcançar... Pouco parece interessar a capacidade, o realismo, a sustentação das ideias ou mesmo prioridades.

Defenderei sempre uma campanha honesta, frontal e sincera. Dizer o que toda a gente gosta de ouvir é o mais fácil mas conseguir pegar no clube a partir de dia 24 será certamente mais difícil. Por isso, os sportinguistas devem pensar no dia 24 em diante e não no folclore que se corre o risco de assistir nos próximos dias.

Ideias como:
- Vamos aumentar as receitas
- Vamos apostar na formação
- Vamos ter um pavilhão
- Vamos trazer as pessoas a Alvalade
- Vamos ter uma equipa mais competitiva
- Vamos bater-nos contra os nossos adversários

Não podem ser propostas de campanha. Devem ser sim, condições sine qua non se poderá assumir como presidente de todos os Sportinguistas.

Não procuro milhões, trutas ou pobres dos outros... No estado em que estamos - e a que fomos levados - já só quero um pouco de exigência, transparência, rigor e seriedade. O SPORTING tem de ser uma identidade, uma crença, uma fé, uma forma de estar na vida... Muito acima de nomes, feitos ou resultados, representando valores e ideais de referência no Desporto Nacional, não só no modelo profissional mas também no ideal de "mente sã em corpo são".

EM FRENTE SPORTING!


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Intenções de voto, programas, figuras, figurinhas e figurões

Intenções de voto
É ainda cedo para definir a minha intenção de voto, mas se as eleições fossem hoje não sentiria segurança para votar em qualquer candidatura. Num erro de análise, julguei que Carlos Severino não fosse até à apresentação das listas, pelo que não lhe prestei grande atenção, sabendo pouco do que propõe. A lista de Couceiro foi apresentada no último dia e não lhe conheço o programa, apenas as pessoas que a compõem. Bruno de Carvalho é o que tem tudo pronto mas, à semelhança do que aconteceu nas eleições passadas, continua a não merecer a minha confiança. Ou, se quisermos continua a ter a minha desconfiança, que sai ainda mais reforçada depois da leitura do seu programa.

Programas
Não dou muita importância aos programas, o verdadeiro programa de governo de um clube é ditado pela imposição da realidade e essa constrói-se através ou muito influenciada pelos resultados desportivos. Não adianta discutir se deve ou não ser assim, é um facto. De forma simplista pode-se dizer que, num clube como o Sporting, pode-se fazer tudo muito bem feito em todas as áreas, mas todas sucumbirão sob a ditadura dos maus resultados: estes trarão contestação, esta trará instabilidade. A falta de resultados encolhe a receita e esta, tornando-se pequena encolhe também a nossa capacidade de concorrer com os melhores apetrechados. O foco tem de estar na gestão desportiva, porque o Sporting é um clube e a sua actividade principal é a actividade desportiva e é por aí que todos os castelos se têm começado a desmoronar.

Também é um facto que quase ninguém se dá ao trabalho de ler os programas, o que no mínimo é lamentável, quer da parte dos associados quer até da comunicação social. Isto conclui-se pela ausência de análise e debate que estes suscitam, quer nos fóruns quer na dita comunicação social. Esta ausência critica leva-me a pensar que "o programa" existe não para ser discutido ou para o mérito e exequibilidade do que propõe ser analisado, mas para ser agitado como um trunfo eleitoral: eu apresentei um programa de x número de medidas. Na verdade ninguém se preocupa muito com os programas se os resultados desportivos forem os melhores, este só começa a ser invocado como arma de arremesso quando as coisas começam a correr mal.

Mas um programa diz-nos muito sobre a capacidade de quem o escreve. Não me interessam muito as considerações pessoais, ou sobre sintaxe ou semântica, mas o seu conteúdo. No programa de Bruno de Carvalho vejo elencadas um declaração de intenções, isto é, com o foco no resultado final, sem explicar muito bem o "quando" e o "como".

Disse já aqui que centraria a minha atenção nas medidas e nas pessoas que estarão ligadas à gestão desportiva e da leitura rápida do programa que tenho à frente muitas me suscitam dúvidas e outras perplexidade:

A constituição das equipas técnicas será da responsabilidade do treinador principal ou estará a cargo da direcção? Que treinador aceita a intrusão numa área tão sensível da sua competência ou na definição de do preparador físico ou

de um ou dois modelos base de jogo que permitam o desenvolvimento uniforme e positivo dos atletas desde as camadas de formação à equipa principal.

ou na

Polivalência de jogadores. O plantel do Sporting Clube de Portugal será sempre preparado com atletas que permitam a evolução de um ou dois sistemas táticos definidos e sobre os quais se fará um trabalho uniforme e homogéneo desde a formação à equipa principal.

É sensato preconizar a formação de um departamento médico transversal a todas as modalidades do clube, quando tanto se fala na necessidade da especialização? Isto é sequer exequível sem um autêntico terramoto entre os diversos departamentos e a troco de que ganhos?

Como se vai reforçar a equipa com "cinco ou seis jogadores", na actual conjuntura,  se for "proibido aumentar o passivo da SAD por via da compra de passes de jogadores, investindo recursos que não estejam disponíveis"

Como é se transformam "Jogadores estrangeiros não adaptados ao futebol português" em "mais-valias claras."?

E podíamos continuar, mas não me pretendo substituir ao juízo individual que cada um deverá fazer. 

Deixo de fora as questões financeiras onde, mais do que soluções concretas, são elencados objectivos, alguns deles de difícil concretização em apenas um mandato. (P.ex) limitação dos gastos operacionais a uma percentagem dos rendimentos estimados (não incluindo valores de ganhos com alienação de ativos) entre 60% (objetivo) e 90%, no prazo de dois anos).


Figuras, figurinhas e figurões
Nestas eleições falar-se-á muito mais de pessoas do que de ideias. É uma tentação em que dificilmente nos deixamos cair. Estive até em tempos para publicar aqui um post dando conta de que listas onde constassem alguns nomes seriam imediatamente banidas das minhas intenções. Ora, sabendo que no Sporting o que não faltam são figuras, figurinhas e figurões, se fossemos por aí - isto é, dar-lhes a importância que tanto buscam - acabávamos por nos desligar do essencial.

Nos processos de constituição de listas há, desde sempre, uma tentação pela busca da personalidade mais conhecida, sem cuidar muito da sua adequação para a função. Aquilo que vulgarmente e de forma depreciativa se chamam os "notáveis". Veja-se o que foi e continua a ser a acção de Eduardo Barroso.

Podemos optar censurar os autores das escolhas, mas estes limitam-se a satisfazer a procura: na hora de votar os Sportinguistas preferem os mais conhecidos, ouvindo-se muitas vezes alegar que se desconhecem quem se propõe como alternativa.

Há pelo menos uma forma de fornecer aos sócios uma informação que os ajudaria a fazer as suas escolhas: a publicação dos "curriculum vitae" de todos os candidatos. No fundo o que cada um nós tem que fazer sempre que se candidata a qualquer função. E talvez não fosse de todo despropositado acompanhá-lo das últimas declarações de IRS. Estas seriam importantes para a definição dos vencimentos dos eleitos que venham a requerer remunerações resultantes do exercício das suas funções.

Se estas me parecem naturais, e aqui justifiquei, também me parece sensato que estabelecer um critério de razoabilidade, provavelmente indexando-as a uma percentagem máxima do que foram os melhores rendimentos de cada eleito, num determinado período.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Retrato de uma equipa enquanto (demasiado) jovem

Se ainda faltasse uma boa ilustração para o que está a ser a presente época  o jogo que acaba de terminar no Estoril deve ser devidamente encaixilhado para memória futura.

Quando controlávamos o jogo e estávamos na frente do marcador dá-se o apagão nas torres do estádio seguido de igual fenómeno no seio da equipa, o que viria a proporcionar a viragem do marcador.

Ao contrário do adversário, falhamos o penalty num momento decisivo, seguido de um golo na nossa baliza, fechando logo aí o jogo.

Isto  são incidências de um jogo que castiga de forma quase cruel e talvez injusta uma equipa que acumula castigos e juventude (não apenas na idade de cada jogador mas e uma equipa em permanente (re)construção que, associados a um clube em permanente instabilidade, se transformam num coctail venenoso que induz bebedeiras de preocupação. Pagava para acordar no inicio da próxima época.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Apresentação da lista de Bruno de Carvalho, a impressão que ficou

A nota mais importante da apresentação da lista de Bruno de Carvalho ontem, e que, não por acaso, é que a merece maior destaque hoje na imprensa nacional, é a vontade de "Se a actual direcção não cumprir com os estatutos e sair logo no dia 23, como já ouvi, sem resolver as despesas, como é sua responsabilidade, o nosso primeiro acto será abrir um processo judicial por gestão criminosa".

Interessará pouco discutir, pelo menos no imediato, os termos usados e a possibilidade de êxito de uma empreitada como esta. Importa o significado da vontade expressa, que não terá surpreendido ninguém que acompanhe, mesmo que de muito longe, os últimos anos do Sporting. De certa forma é a confirmação de que subsiste num núcleo de Sportinguistas, personificados em Bruno de Carvalho e seus apoiantes, que ficou petrificado na vontade de ajustar contas desde o dia 26 de Março de 2011. 

A afirmação é forte e, quanto a mim, é, mais do que uma mensagem para todos os sócios, uma mensagem directa para o seu núcleo duro, o que no fundo constitui um erro. A sua base de apoio há muito que está consolidada e, se BdC quiser ganhar as eleições, terá que fazer melhor do que isso. Um erro de comunicação crasso que marcará, estou certo, o seu percurso. Até porque o tempo é curto e será difícil apagar a impressão deixada.

Do ponto de vista pessoal tal não constitui uma surpresa e por isso não me posso confessar defraudado. Mas não posso deixar de expressar a minha preocupação ao constatar que o "primeiro acto de gestão" seja ir a correr para os tribunais, quando as atenções se deviam concentrar em arrumar a casa. É bom ter presente que foi a percepção da necessidade de "dar um rumo ao Sporting", - já nem interessa agora discutir se certa ou errada - que nos precipitou neste processo eleitoral em que, há medida que o tempo passa, mais me confirma a sensação de que o Sporting vai ganhar muito pouco, talvez nada. 

É verdade que a situação herdada é tenebrosa, mas convém lembrar a todos os candidatos que se apresentam a eleições que a última coisa que podem alegar é o seu desconhecimento e é por isso que eles hoje são candidatos. Por isso talvez fosse bom começarmos por discutir que soluções propõem. Não  que não me interesse ao apuramento de responsabilidades, mas a partir do dia 23 de Março a direcção eleita não vai poder dizer aos sócios e credores "esperem aí um bocadinho que estamos à espera da decisão do tribunal para apurar responsabilidades."

A seu tempo, se o tiver, debruçar-me-ei aqui sobre o programa de BdC e restantes candidatos. Numa leitura rápida devo dizer que considerações genéricas do tipo "alargar a base de investidores sem perder a maioria" não me dizem nada se não se me explicarem como é que isso se consegue. Ou a intenção de construir o tão desejado pavilhão, que "não é uma promessa", mas não se diz como se consegue com o clube imerso na sua maior crise financeira. Isto já GL fez com os resultados que se conhecem.

Em anexo segue um press- release da AAS, sobre o seu posicionamento nas actuais eleições:

 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Breve reflexão sobre os prós e contras da remuneração dos eleitos

Não sei se corresponde ou não a uma intenção declarada ou apenas a mais uma especulação do momento, mas o que hoje vem relatado no DN faz todo o sentido: parece ser intenção de Couceiro constituir um Conselho Directivo reduzido e remunerado, logo uma direcção profissionalizada. Não só faz sentido como já vem tarde. 

Se os números que vou citar de cabeça estiverem certos, o Sporting tem um orçamento anual a rondar os 60 milhões (Sporting Clube 18 milhões + SAD 40 milhões ). Mesmo que o orçamento da SAD venha a encolher dramaticamente, adequando-se à realidade, os números em causa continuam a ser elevados. 

Se a gestão da SAD já é profissionalizada e remunerada há algum tempo, ainda o orçamento era metade do actual, porque não é ainda o do clube, que movimenta quantias semelhantes? 

Que empresas que movimentam valores semelhantes são geridas em part-time, depois de uma dia de trabalho, muitas vezes exigente, como o são praticamente todos?

Poder-se-á dizer que o Sporting já remunera profissionais, figuras equiparadas a directores gerais, para esses efeitos. Mas quem assume as responsabilidades "politicas" da gestão são os eleitos. Sendo eles que dão a cara, não devem ser eles a assumir responsabilidades directas na gestão?

A remuneração dos cargos de direcção é sempre motivo de alguma controvérsia. Como em quase tudo na vida há a cara e a coroa. As más razões são frequentemente apontadas e sobejamente conhecidas e obviamente não devem ser negligenciadas. As boas são poucas vezes defendidas, pesem os méritos que possam encerrar, podendo representar vantagens para o clube e uma alteração positiva considerável nos resultados  obtidos.

A profissionalização da gestão abre o leque de recrutamento dos seus dirigentes. O Sporting não pode exigir simultaneamente bons resultados sem dedicação exclusiva, obrigando os seus dirigentes a abdicarem das carreiras profissionais e familiares, ou permitindo apenas o acesso aos que estão "bem de vida", mas não necessariamente os mais competentes ou mais motivados. Ainda assim, e tendo em conta o limite temporal dos mandatos, tais cargos representarão sempre o assumir de riscos consideráveis na gestão da vida particular dos interessados.

NOTA IMPORTANTE: tendo em conta que estamos a atravessar um período eleitoral, factor que contribui para limitar a objectividade e razão, agradece-se que se comente este post sem o transformar num pretenso apoio à candidatura de Couceiro apenas porque ele aparece referenciado.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Eleições: como falar é fácil, cada um diz o que quer

Caminha-se a passos largos para o encerramento do prazo de entrega de candidaturas e é cada vez mais evidente que da correria para o cumprimento dos prazos para o preenchimento dos muitos lugares vagos nas listas (Conselho Leonino, Conselho Fiscal, Conselho Directivo) é, mais do que uma corrida contra o tempo, uma corrida contra a coesão e racionalidade. Um processo assim tem pelo menos um mérito, reduz as expectativas, a possibilidade de me defraudar é cada vez mais diminuta.

No Sporting os erros repetem-se -  nos chavões e nos métodos - e essa acusação tanto serve para qualificar as administrações passadas como os que se opõem, mimetizando os movimentos dos ratinhos de laboratório, nas suas voltas sem fim. As poucas coisas quem mudam são  os dias, os meses e os calendários, subsistindo os mesmos problemas que, por não se darem solução, também mudam, mas de dimensão, tornando-se mais difíceis de resolver ou simplesmente minimizar o seu impacto.

Se a vitalidade de uma instituição se pode avaliar pela forma como responde aos desafios, em similitude como o corpo humano replica às infecções, facilmente se conclui que o Sporting está senão declaradamente doente pelo menos debilitado, asténico. Essa conclusão depreendo-a da forma como se tem respondido às sucessivas crises e que mais uma vez se verifica neste processo eleitoral: de forma fragmentada, parcelar, em que a ideia de agregação soa à mais abjecta heresia. Paradoxalmente foi nessa matriz associativa que se fundou um dos mais titulados modelos associativos que a sociedade portuguesa gerou: o Sporting Clube de Portugal.

Ontem, ao fim de muito tempo a evitá-lo, dei uma vista de olhos pelos famigerados programas "sobre futebol" que infestam os canais de televisão. De futebol não têm nada mas tinha alguma curiosidade de perceber o posicionamento dos nossos paineleiros relativamente ao momento do Sporting e ao acto eleitoral em concreto. Pura perda de tempo.

No canal do jornal "A Bola"  José Eduardo dava uma lição do que há de mais vulgar na blogosfera, dissertando sobre o "milagre do Dortmund", com ar grave e sério de quem vai finalmente revelar a formula da pedra filosofal.

No canal de cabo da TVI Barroso revelava algum distanciamento relativamente a Bruno de Carvalho nos últimos 2 anos, (lista onde foi eleito...), para concluir que o seu voto e eventual apoio público a uma lista candidata iria não para o melhor projecto, para uma ideia vaga ou estruturada, mas contra qualquer lista onde se incluam ou alinhem os seus ódios de estimação, "aquela gente".

Na SIC Dias Ferreira tresandava ressabiamento por todo o lado, acusando Ricciardi de tudo e do seu contrário, esquecendo-se que nem todos perderam a memória nem o significado ou importância da palavra "accountability"

Dias Ferreira escolheu a saída mais fácil, dizendo o que é, neste momento, o mais popular e conveniente. Ou o PMAG ao tempo de Betttencourt, por sinal Dias Ferreira, e na sua qualidade de representante de  todos sócios, não deveria ter colocado aos senhores do Conselho Fiscal, onde já estava Ricciardi, as perguntas que ontem deixou:
"-  Então para que é que serve o Conselho Fiscal?"
"- Para que servem os auditores?"
"- O Conselho Fiscal não tem obrigação de chamar a atenção para os negócios que são feitos?"
"- Vêem os ordenados que são pagos, os negócios, etc, e não alertam para estas situações?”
Mas não só. Dias Ferreira que explique aos sócios onde estaria hoje o Sporting se estivéssemos a pagar o ordenado a Frank Riijkaard, a Futre e se este trouxesse a sua famosa lista de reforços, onde constavam Donadel, Trochovski, Taiwo, Wendt, Brian Ruiz, Stekelemburg, ou Alex Sanchis.

Para estes e muito outros o Sporting é um ponto algures depois da linha que dista do seu nariz ao umbigo. Por isso o "eu isto" e o "eu aquilo" vem sempre antes das propostas, das ideias e das soluções.  E estes programas de TV estão para o Sporting como os receptadores da arte antiga para o património nacional: pagam a poucos e a bom preço o uso e o abuso do que de é muitos e que muitas gerações se danaram a erigir.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A formação e as ilusões de óptica

Não há boas derrotas nem más vitórias. Mas nem sempre que se perde se está longe do melhor caminho e há vitórias que se sobrepõem a uma realidade inquietante. É nos segundos quadros das duas asserções anteriores que encaixilho a vitória de Barcelos: é uma boa e muito necessária vitória, pela conjuntura e porque os clubes alimentam a sua grandeza com vitórias. Mas esta última em particular mascara uma realidade que provoca desassossego em relação ao que pode vir a ser o futuro próximo do futebol do Sporting.

A primeira constatação que fui construindo enquanto via o jogo em Barcelos - ao vivo não temos as repetições, mas temos uma melhor perspectiva da movimentação colectiva e individual - foi a de uma equipa alguns níveis abaixo do que foram os primeiros jogos de Jesualdo. As saídas de Inverno e as lesões limitam em muito as opções, mas o discurso da Europa, que começou por ser o 3º lugar, não sofreu actualização. Isto é o mesmo que dizer que com uma escada mais pequena e mais frágil se consegue chegar tão alto e de forma tão segura como o inicialmente proposto, o que não só é irrealista como uma falácia. 

É certo que no futebol tudo pode acontecer mas é bom ter a noção dessa realidade: TUDO significa mesmo tudo. O bom e mau significa poder subir ou descer na classificação e, na posição em que nos encontramos, é no mínimo preocupante . Está na altura de adequar o discurso à realidade e jogar com olhos apenas para o próximo jogo. Isto faz ainda mais sentido quando se joga com a média de idades com que se jogou em Barcelos. É não só um sinal de precaução inteligente como da mais elementar justiça, por não se exigir agora a miúdos o que os graúdos não conseguiram.

Disse-o aqui na caixa de comentários ao post do Virgílio, e reitero: não me parece que da vitória de Barcelos se possa partir para conclusões precipitadas, julgando que estamos agora melhor do que estávamos antes da "debandada geral" que se abateu sobre o plantel do Sporting. Há que considerar as condições quase excepcionais em que ocorreu o jogo de Barcelos: começamos o jogo praticamente a ganhar, fazendo com que alguma sobranceria  e necessidade do adversário nos permitisse um jogo diferente do que foram quase todos os outros esta época. Isso fez com que o Gil Vicente nunca estivesse na situação que lhe seria mais confortável, gerindo o jogo e o tempo a partir de trás. A propósito, convém mencionar um registo terrível e que deve ter um carácter extraordinário: esta foi apenas a 8ª vez que o Sporting inaugurou o marcador antes do adversário!

Mas num clube que vive constantemente a surfar ondas emocionais, sem grande suporte racional, ter ganho um jogo com uma equipa suportada por jogadores da formação de idade muito tenra pode ajudar pouco, nada, ou até ser pior a "ementa que o cianeto". Explico:

1- Pode ajudar a criar a ideia que, com este plantel, a época desastrosa poderia ter sido evitada. Continuo a a pensar que, apesar de termos perdido qualidade em relação à época anterior, o problema não começou nos jogadores, na sua qualidade individual, mas sim na impreparação da equipa técnica, agravadas pelas decisões da administração, tomadas na sequência dos maus resultados.

2- Potencia a ideia, agravada pela situação de extrema necessidade financeira, que podemos projectar a próxima época com esta base, o que é seguramente uma ilusão. A quase todos os jogadores, que tantas loas se tecem hoje - e que o Cantinho muito bem lembra, foram muitos deles corridos há 8 dias a "palhaços joguem à bola" - interessaria mais poder crescer mais alguns anos a todos os níveis (emocional, técnico, físico) longe da obrigação de serem eles a fazer a diferença. Um erro cometido no passado que devíamos evitar repetir.

O lote de jogadores da actual equipaB e que se anunciam nos escalões mais jovens da formação tem um potencial global extraordinário mas a nível individual não se adivinham Ronaldos ou Figos. É bom ter presente que, neste momento, nenhum dos que jogaram sábado* jogaria em qualquer um dos outros 2 grandes ou sequer no Braga, e desses alguns em quase nenhuma equipa da I Liga. Isto não é o mesmo que negar-lhes o potencial, o talento ou o futuro. Mas dá-nos a noção da nossa posição relativa na competição se for essa a base de partida actualmente.

Quando se invoca, por tudo ou por nada, o modelo Barcelona porque não se constata que uma das razões do seu sucesso está precisamente ligado à forma cautelosa como os seus jogadores são chamados a contribuir para o sucesso? Com que idade se afirmaram Xavi, Iniesta? 

3- Participar nestas vitórias, neste contexto difícil, também ajuda a potenciar nos jogadores uma ilusão sobre o seu próprio valor, de que os seus empresários e o mercado estarão mais próximos de recolher dividendos, mais até do que os próprios neste momento das suas carreiras. A estes interessaria mais ficar em Alvalade, como testemunham os muitos exemplos dos que fizeram as malas à pressa. A este propósito é bom lembrar que a aposta na formação é, com justiça, um monumento que engrandece a marca Sporting. A sua importância deve ser reconhecida pela administração do clube, pelos adeptos, pela tutela, mas também pelos jogadores que dela fazem parte. Muitas vezes olhadas como dramáticas para a clube, as deserções extemporâneas representam para muitos deles um eclipse total ou parcial onde se imaginavam carreiras fulgurantes.

Gostar da formação tem de significar dar-lhe o justo valor. Nem muito, nem pouco. E agora, que estamos em fase pré-eleitoral, saber o que os candidatos preconizam para essa fracção tão importante para o clube deve merecer a nossa particular atenção e constituir factor diferenciador.

*Um parêntesis para Eric Dier. Dos que vi jogar até agora é o jogador mais maduro, parece que sempre esteve ali, nasceu para jogar futebol, para ser um líder. E isso não tem a ver com a idade, nasce-se assim, potencia-se com uma grande escola. Isso viu-se em campo no sábado quando ele e Illori estavam fora de campo e, apercebendo-se disso, entrou sem autorização do árbitro, não se poupando a um cartão amarelo. Isto acontece quando o Gil Vicente, de forma suja e com a conivência do árbitro, se queria aproveitar da inferioridade numérica. E ouviu-se depois do jogo nas declarações que proferiu à imprensa. 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Mais uma Crónica (feliz) do desassossego

Foto:  Ivan DEL VAL / GLOBAL IMAGENS

Tinha tudo para correr mal… não tinha? Mas os nossos miúdos tiveram que ser graúdos para levar de vencida um jogo que começou a fazer lembrar outras partidas e circunstâncias de que fomos vitimas mas que desta vez beneficiamos: em praticamente dois remates à baliza fizemos dois golos, ainda antes de se esgotarem os primeiros 10 minutos do jogo que decorria no Estádio Cidade de Barcelos. Depois, bem, depois novamente mais circunstâncias a repetirem-se com o desbaratar da vantagem. O Gil Vicente alcança o empate com duas ofertas defensivas. Tiago Ilori e Joãozinho podiam (e deviam) ter evitado o bis de Hugo Vieira, que parece gozar de inspiração divina sempre que defronta o ‘Leão’… A diferença esteve na reacção do Sporting ao empate... Quando se esperava que a equipa esmorecesse e viesse por aí abaixo, eis que houve capacidade para corrigir o resultado, com o ressurgimento de forças e engenho para (re)conquistar os merecidos três pontos que pareciam destinados a desfazer-se. Foi, esta reacção, o que mais me agradou neste encontro. Notas finais para o excelente golo inicial de Bruma, a maturidade de Eric Dier, o jogo enorme do Zézão e… o regresso à competição de André Martins.

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FICHA DE JOGO

Futebol – I Liga – 19.ª jornada

2013-02-16. Estádio Cidade de Barcelos.
Árbitro: Artur Soares Dias.
Árbitros assistentes: Rui Licínio e João Silva.
Resultado ao intervalo: 1-2.

Gil Vicente:
1 – Adriano Facchini, 81 – Paulo Jorge, 44 – Cláudio, 33 – Halisson, 5 – Luís Martins, 10 – André Cunha, 25 – César Peixoto, 77 – João Vilela, 13 – Brito, 70 – Hugo Vieira, 58 – Luís Carlos. Substituições: 67 m – saiu Brito e entrou 9 – Rodríguez, 80 m – saiu César Peixoto e entrou 28 – Djalma.
Não utilizados: 90 – Lúcio, 19 – Vítor Vinha, 20 – Éder Sciola, 23 – Pecks, 66 – Luís Manuel.
Disciplina: cartão amarelo para Cláudio (43 m), César Peixoto (65 m), Paulo Jorge (69 m), Luís Martins (80 m).
Golos: Hugo Vieira (20 e 53 m).
Treinador: Paulo Alves.

SPORTING:
1 – Rui Patrício, 13 – Miguel Lopes, 54 – Eric Dier, 34 – Tiago Ilori, 5 – Joãozinho, 90 – Zezinho, 21 – Rinaudo, 20 – Labyad, 18 – Carrillo, 51 – Bruma, 9 – Van Wolfswinkel.
Substituições: 59 m – saiu Labyad e entrou 11 – Diego Capel, 66 m – saiu Bruma e entrou 47 – Ricardo Esgaio, 75 m – saiu Carrillo e entrou 28 – André Martins.
Não utilizados: 12 – Marcelo Boeck, 33 – Diego Rubio, 41 – Cédric, 71 – Fokobo.
Disciplina: cartão amarelo para Rinaudo (64 m), Joãozinho (90+1 m),
Golos: Bruma (1 m), Tiago Ilori (6 m), Diego Capel (63 m).
Treinador: Jesualdo Ferreira.



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Envolver os Adeptos, Melhorar o Futebol



Envolver os Adeptos, Melhorar o Futebol

No âmbito do projecto europeu “Improving Football Governance Through Supporter Involvement and Community Ownership”, a Associação de Adeptos Sportiguistas realiza amanhã o workshop “Envolver os Adeptos, Melhorar o Futebol – VI Pensar Sporting”. Destinado a adeptos de todos os clubes e aberto à participação de todos, contará com a presença de convidados estrangeiros do Hamburgo, do FC United of Manchester e das organizações britânicas “Substance” e “Supporters Direct”, assim como com uma forte representação institucional nacional, englobando Federação Portuguesa de Futebol, Secretaria de Estado do Desporto da Juventude e do Desporto e do Plano Nacional para a Ética no Desporto. Adeptos de vários clubes, académicos e investigadores já confirmaram a sua presença e irão contribuir para um evento que pretende marcar o pontapé de saída na criação de uma consciência colectiva acerca da centralidade dos adeptos no funcionamento e na organização do futebol em Portugal.

O objectivo principal é reflectirmos todos acerca do papel dos adeptos na vida dos seus clubes, e no papel destes enquanto agentes sociais e instituições vitais na sociedade portuguesa em geral e nas comunidades que representam em particular. O conhecimento das realidades britânicas e alemãs trará motivos para reflexão e, espera-se, inspiração para que os adeptos portugueses se organizem e possam legitimamente reivindicar mais voz – se continuarem basicamente dispersos e desorganizados, não terão nem voz nem poder.

Deixo-vos o programa acima e convido todos a aparecerem amanhã no hotel Radisson Blu, no Campo Grande, a partir das 10:00.    

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Figo, Paiva dos Santos e Couceiro: equívocos e certezas

Chamavam-lhe um... Figo
O alivio de uns é agora o pesar de outros, mas é já certo que Luís Figo não será candidato à presidência do Sporting. Prefiro não cair na quase incontornável discussão sobre o Sportinguismo de Figo. Não que não tenha opinião sobre a forma como saiu do Sporting ou sobre o festejar ou não um golo ou uma vitória sobre o clube que diz ser seu. Ou até sobre a aparente necessidade que o nosso ex-jogador tem de cifrões para lhe lubrificar os interesses. 

Não falta quem o julgue e condene, como não faltam exemplos de quem, a coberto do propalado amor ao Sporting o prejudique muito mais do que o há muito tempo distante ex-jogador. O que prefiro relevar são as reiteradas declarações públicas do jogador, reafirmando a sua condição de Sportinguista e não apenas um mero adepto, mas sócio de pleno direito. E continuo a pensar que o Sporting não deveria desperdiçar a projecção de Luís Figo, até como forma de receber uma parte do muito que lhe deu.

Relativamente à possibilidade aventada de Figo concorrer às próximas eleições, era um processo condenado à partida cuja morte à nascença é preferível ao nascimento de um filho torto. Haverá imensas condições que um candidato deva preencher à priori para se dispor ao sufrágio dos seus consócios. Mas há uma elementar, onde radicarão todas as outras: a vontade própria. E essa nunca pareceu ser a de Luís Figo, pelo menos neste momento. Ao contrário do processo que parece ter sido iniciado, não tinha que ser Luis Figo a ser convencido a ser presidente do Sporting, ele é que tinha que nos convencer - a todos os associados - da sua vontade e da bondade das suas propostas.

Falar em Pedro Paiva dos Santos com areias movediças debaixo dos pés
É-me indiferente que o próximo presidente seja branco, negro, amarelo ou vermelho. Ou que seja muçulmano, judeu, católico, hindu, ou professe qualquer outro credo. E também me são indiferentes as suas opções politico-partidárias, desde que inseridas no espectro dos partidos democráticos.  Mas seria um embaraço ter um presidente do Sporting com uma relação equívoca em relação ao passado recente do meu País e com o culto de personalidades e tempos em que em Portugal ter a simples opinião era considerado um delito sumariamente condenado e arduamente expiado. 

É isso que se depreende do que  uma das suas páginas de uma das muitas redes sociais ainda ontem exibia, e que hoje sofreu um rápido facelift, desaparecendo a fotografia do "Presidente do Conselho" ou da ponte que ontem era "Salazar" que hoje ainda não é "25 de Abril" mas apenas "Sobre o Tejo". Pior do que ter convicções discutíveis é não estar convicto das suas próprias convicções. Sei o quanto isto é polémico e quão pouco ou nada o Sporting precisa de mais uma polémica, mas é uma questão de principio que não estou disposto a fechar os olhos, o que não obsta a que cada um faça o julgamento que entender.



Couceiro, uma certeza
Não tenho uma opinião formada sobre Couceiro como presidente do Sporting, já tenho poucas dúvidas que é uma mais-valia que o Sporting deveria aproveitar. Não é uma opinião nascida "porque sim" é uma convicção que resulta do que lhe fui ouvindo e lendo e que se cimenta pela recente participação no programa Zona Mista, que pode ser visto na íntegra aqui. Um discurso seguro e fundamentado em conhecimento que significa uma grande e assinalável diferença em relação ao desfiar de vulgaridades, chavões e barbaridades à mistura.

Equivoco colectivo
É sempre difícil saber da representatividade das vozes que a blogosfera dá como maioritárias. Basta para isso ter em conta o que foram os resultados das AG´s mais recentes, ou até os mais recentes resultados eleitorais. Mas fosse qual fosse a sua importância é-me cada vez mais evidente que o momento escolhido para fazer cair a direcção - acabaram por cair todos - foi o pior. 

Algumas dessas razões são abordadas por Couceiro no referido programa, outras têm sido trazidas à discussão por Jesualdo Ferreira nas suas conferências de imprensa. A perigosa situação em que a equipa se encontra na tabela classificativa, com duas alarmantes derrotas consecutivas, cada vez mais vinca a ideia de uma errada percepção da realidade complexa em que o clube está imergido, bem como duma equívoca avaliação das prioridades. Infelizmente isso aqui isso não foi muitas vezes bem interpretado.

P.S.: Agradecimentos a B. K. pela colaboração na elaboração do post
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Nota:
Deixo a seguinte nota a pedido da Candidatura Independente (CI) ao Conselho Fiscal e Disciplinar do SCP.

Se pretenderem subscrever a candidatura (acto cujo único compromisso que acarreta é o de ajudar na admissão desta lista ao acto eleitoral), deverão:

1) Imprimir, preencher e assinar este documento: http://cfdindependente.files.wordpress.com/2011/03/recolha-de-assinaturas-cfedi1.pdf

2) Fazer "scan" do documento, bem como do BI/CC e do cartão de sócio

3) Enviar tudo para cfdindependente@gmail.com.

Como não há ainda a garantia de que a assinatura digitalizada será aceite, pedimos que enviem o documento assinado para a morada Rua Marcos Portugal, nº6- 2º Direito, 1495-091 Algés, ou em alternativa que me contactem para este e-mail, que alguém irá ter convosco para recolher o documento.

Se for possível angariar mais assinaturas entre os vossos familiares, amigos e conhecidos, agradecemos.

Notas importantes:
1) Para a assinatura ser válida, é necessário ter a quota de Janeiro paga aquando da verificação das assinaturas (~ 21 de Fevereiro).

2) Para poder votar na AG eleitoral, é necessário ter a quota de Fevereiro paga até ao dia 3 de Março (20 dias antes).

Poderão consultar toda a informação (lista, programa, historial, etc.) sobre a CI no site http://cfdindependente.wordpress.com/.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Para já o meu voto é este e para Presidente Honorário

Moniz Pereira completou na passada segunda-feira 92 anos de vida. Vida essa que estará para sempre ligada por laços indestrutíveis  à vida do Sporting Clube de Portugal e do desporto nacional. Muito do que são hoje os impressionantes palmarés nacional e internacional do clube foi alcançado sobre a sua vigência, influência ou legado.

Julgo que a questão foi abordada no último congresso em Santarém e na recente revisão estatutária: Para quando a atribuição do mais que justo titulo de Presidente Honorário ao Professor Mário Moniz Pereira? Eu votaria nisso de olhos fechados. Acto de gratidão igualmente merecido por João Rocha, que a atribuição do nome do futuro pavilhão não anula.


Num artigo especial sobre o Sporting, em 2008, falava-se assim de Moniz Pereira:

Prof. Mário Moniz Pereira


Mário Alberto Freire Moniz  Pereira, o "Senhor Atletismo", nasceu a 11 de Fevereiro de 1921, em Lisboa.

É licenciado em Educação Física pelo Instituto Nacional de Educação Física de Lisboa, onde foi professor durante 27 anos. Desde muito jovem um predestinado para o Desporto, foi praticante de Andebol, Basquetebol, Futebol, Hóquei em Patins, Ténis de Mesa, Voleibol e Atletismo.

Vizinho do Dr. Salazar Carreira, no prédio situado na Av. da República nº5, considera ter sido este o grande responsável pelo seu interesse pelo Desporto. Foi preciosa a ajuda que dele recebeu para a sua formação, com a leitura de dezenas de livros e jornais estrangeiros que de "janela a janela" lhe facultava.

Em termos do Sporting, e até mesmo do Desporto Nacional, é difícil apurar  se é mais correcto afirmar que Moniz  Pereira é o "Salazar Carreira da segunda metade do século", ou que Salazar Carreira terá sido o "Moniz  Pereira dos primeiros 50 anos do Clube", dadas as enormes qualidades de perseverança, criatividade, inconformismo por natureza, disponibilidade, resistência à fadiga, defesa intransigente dos valores nacionais, pontualidade e exigência, rigor e dedicação que ambos evidenciaram.

No caso de Moniz Pereira, o Desporto Nacional deve-lhe, entre outros contributos, o ter lutado para vencer barreiras psicológicas que diminuíam os nossos desportistas em confronto com representantes de países desportivamente melhor organizados. O seu grito em 1975, quando apresentou ao Governo o seu plano de Preparação Olímpica, com a afirmação pública "dêem-nos as melhores condições que obteremos iguais resultados", foi fundamental para os êxitos obtidos logo 11 meses depois nos Jogos Olímpicos de Montreal, quando a bandeira portuguesa subiu pela primeira vez no mastro de honra do estádio olímpico.

No Atletismo, a sua maior paixão, começou por se sagrar campeão universitário de Portugal de triplo salto e recordista nacional. Em 1939, ingressou no Sporting como praticante de Ténis de Mesa. 

A partir de 1945 tornou-se treinador da equipa de Atletismo do Clube, sendo igualmente professor de classes de ginástica especialmente vocacionadas para os atletas do Clube.

Mário Moniz Pereira foi um "fazedor de campeões" que projectaram Portugal no desporto mundial, desde Álvaro Dias a Domingos Castro, passando por Manuel de Oliveira, Armando Aldegalega, José Carvalho, Hélder de Jesus, Aniceto Simões, Carlos Lopes, Fernando Mamede e Dionísio Castro.

Esteve presente como técnico, jornalista e seleccionador de Atletismo em 12 Jogos Olímpicos, em cinco Campeonatos do Mundo, 13 Campeonatos da Europa, 15 Taças da Europa, 22 Campeonatos do Mundo de Corta Mato e em 18 Taças dos Clubes Campeões Europeus de Corta Mato.

Como treinador, a nível colectivo proporcionou ao Sporting os seguintes títulos: 30 Campeonatos Nacionais de Pista Masculinos (entre 1946 e 1988), 24 Campeonatos Nacionais de Pista Femininos (entre 1946 e 1987), 33 Campeonatos Nacionais de Corta Mato - Masculinos (entre 1948 e 1991) e 12 Taças dos Clubes Campeões Europeus de Corta Mato (entre 1977 e 1992). 

No Voleibol foi campeão nacional pelo Sporting , como jogador, em 1954 e1956.

Foi ainda preparador físico da equipa de futebol do Sporting em 1970 e 1971, então dirigida por Fernando Vaz. Sagrou-se campeão nacional no primeiro ano e venceu a Taça de Portugal no segundo.

De 1976 a 1983, o Prof. Moniz Pereira foi director do Estádio Nacional e em 1982 presidiu à Comissão de Apoio à Alta Competição. Foi director técnico da Federação Portuguesa de Atletismo, Seleccionador Nacional de Atletismo e de Voleibol, Presidente da Comissão Central de Árbitros de Voleibol e Árbitro Internacional no Campeonato do Mundo de Paris, em 1956.

É sócio honorário da Associação Internacional de Treinadores de Atletismo.

Foi distinguido com a Medalha de Mérito Desportivo em 1976 e 1984, condecorado com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique (1980) e com a Comenda da Ordem de Instrução Pública (1984). 

Foi galardoado com a Medalha de Mérito em Ouro (1985), nomeado Conselheiro da Universidade Técnica de Lisboa (1985), galardoado com a Ordem Olímpica (1988) e condecorado com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (1991).

Fez parte da Comissão de Honra do Centenário do Sporting Clube de Portugal, do qual é o sócio nº 2.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Entrevista de Godinho Lopes ao Record ll


«Jesus seria excelente treinador para o Sporting»

RECORD – Sousa Cintra arrependeu-se de ter despedido Robson; LF Vieira confessou ter cometido um erro ao dispensar Fernando Santos. Hoje, tem o mesmo sentimento em relação a Domingos Paciência?

GODINHO LOPES – O Sporting tinha um conjunto de ambições com a contratação do treinador e com o investimento feito no reforço da equipa. As coisas comigo são claras. Todas as competições são importantes. Na análise que foi feita na altura, entendemos que o projeto previsto para o clube com Domingos Paciência não teria condições para continuar. Gosto do Domingos mas, na altura, entendi que era a melhor opção. E vão-me ouvir dizer isso do Domingos, do Sá Pinto e do Vercauteren. É bom para o Sporting mudar de treinadores? Não. É bom para a estabilidade dos jogadores? Não é. É bom para a imagem do clube? Também não. Se me perguntarem se eu me sinto mal por ter feito tantas mudanças de treinadores, admito que é verdade. Se me vai perguntar individualmente sobre algum deles, não vou responder.


R – Não se arrependeu de ter despedido Domingos? A pergunta é feita porque, supostamente, estamos a falar do treinador onde assentaria todo o seu projeto...

GL – Isso não é verdade! Quando me candidatei em 2011 disse que seria o único candidato a não indicar o nome de um treinador. Não falei em Zico, como Pedro Baltazar, não falei em Van Basten, como Bruno de Carvalho, não falei em Rijkaard, como Dias Ferreira nem dei o nome que Abrantes Mendes apontou como possível treinador para o Sporting [Dunga]. Como agora não vou dizer em que posição está Van Basten no campeonato holandês, que Rijkaard ou Zico foram despedidos. Não vou entrar por ai.

R – Com tanta mudança, ficou com a clara sensação de que dificilmente teria sucesso?

GL – Considero que foi um erro ter contratado tantos treinadores. Isso não significa que eu não tomasse as mesmas decisões que tomei. Estamos a analisar do ponto de vista teórico e admito que seria mais fácil ter tido um único treinador durante estes dois anos. Mas devo recordar uma coisa: logo após as eleições recuperámos o 3.º lugar. Na época seguinte, chegámos às meias-finais da Liga Europa, ficámos em 4.º lugar (a 16 pontos da liderança) e alcançámos a final da Taça. Não foi bom mas não foi um desastre. Aliás, apesar da má prestação na primeira metade da época, ainda estamos a um número suficiente de pontos para alcançarmos o 3.º lugar.

R – Como foi a sua última conversa com Vercauteren? Ele ficou muito surpreendido com o despedimento?

GL – Tive duas ou três conversas com ele, nas quais fui mostrando a minha preocupação. Ele assistiu às vaias que me foram dirigidas no estádio. Disse-lhe que as coisas não estavam a correr bem. Devo dizer-lhe o seguinte: Vercauteren é um senhor, assim como Domingos e Sá Pinto. Franky Vercauteren é uma pessoa de quem gosto, também como treinador. Provavelmente, se tem começado a época, teria sucesso. Faria a pré-época e conheceria melhor os jogadores e o nosso futebol. Não tenho nenhuma mágoa em relação a qualquer treinador.

R – O Sporting está ainda a pagar a quantos treinadores?

GL – Em relação a Domingos Paciência, suspendemos o pagamento. Ainda não fechámos o acordo com Franky Vercauteren, mas como é evidente vou resolver o assunto antes de sair. Assim, para além dele, estamos a pagar ao prof. Jesualdo Ferreira e fiz questão em pagar ao Ricardo Sá Pinto até final desta época para lhe dar tempo de encontrar uma saída para o futuro.

R – A contratação de Jesualdo foi o seu melhor ato de gestão no futebol?

GL – Se estamos a falar de gestão, considero que a contratação de vários jogadores que têm condições para gerar mais-valias foi um correto ato de gestão. Se me disser como cimento da academia, então não tenho dúvidas que foi. Criou uma organização, desde a direção técnica à área estratégica, que revela estatuto e um conhecimento que o Sporting precisa.

R – Como é que ele reagiu quando lhe comunicou que ia renunciar?

GL – Sempre tive um diálogo muito frontal, direto e correto com Jesualdo Ferreira. Nunca mais me esquecerei dele, na medida em que aceitou este desafio num momento de enorme convulsão. Inclusive, nunca atirou a toalha ao chão, nunca atirou culpas para cima dos adeptos, tendo apenas chamado a atenção para a necessidade de a massa associativa ter uma atitude de apoio e não de crítica sistemática. Foi sempre um senhor e por isso sempre me senti à-vontade para lhe contar tudo o que se passava.

R – E que mensagens lhe tem transmitido?

GL – Tenho procurado passar-lhe tranquilidade em relação ao futuro, até porque nunca o deixaremos cair e, na medida do possível, tentaremos sensibilizar as candidaturas no sentido de manterem uma estrutura técnica que preserve a estabilidade. Ele tem consciência de que esta instabilidade tem reflexos no grupo e tem sido uma peça-chave neste momento difícil.

R – Acha que Jesualdo Ferreira vai acompanhá-lo na saída?

GL – Não sei. É uma decisão dele. Jesualdo veio para servir o Sporting e demonstrou ser mais sportinguista do que muitos que se dizem que o são. O que Jesualdo não quis, como senhor que é, foi que o próximo presidente se sentisse manietado pela sua posição.

R – Deseja que ele fique até final da temporada?

GL – Claro que sim. Acho que ele deveria reassumir a sua função de manager no final da temporada, de forma a que possa colar a formação ao nível do futebol profissional.

R – Alguma vez pensou em Jorge Jesus, que está em final de contrato?

GL – Posso dizer-lhe que gosto do Jorge Jesus. É um excelente treinador que já demonstrou excelentes capacidades por todos os clubes por onde passou. Vibra com o jogo, sabe de futebol e sabe mexer nas equipas. Além disso, já assumiu que é sportinguista e sócio, a exemplo do seu pai. Nunca afrontou o Sporting nas suas declarações e, portanto, acho que tem todo o direito a ser um dia treinador do Sporting.

R – Admitiu seriamente essa hipótese?

GL – Sim, é verdade que cheguei a ponderar essa possibilidade, obviamente para a próxima época. Depois do prof,Jesualdo ter sido contratado, seria uma decisão a tomar com ele. Acho que seria um excelente treinador para o Sporting no futuro.


«Niculae era hoje nosso jogador se não saíssemos»

R – Podia ter vendido Insúa no defeso por um valor superior àquele que foi pago pelo At. Madrid. Arrepende-se de não ter aceite?

GL – Quer falar de números?

R – Esse é o objetivo...

GL – Então vamos falar de números. A proposta que nos chegou no defeso era de 6 milhões. O passe do Insúa tinha “custado”, apenas, um acordo com o Liverpool relativo à sua futura venda. A verdade é que, meses depois, eu vendo o jogador por muito mais do que aquilo que poderia ter vendido no defeso. Mantendo a percentagem do Liverpool, consegui transferir o Insúa por um valor equivalente a 10,5 milhões de euros. Acha pior vender por 10,5 do que por 6?

R – Depende sempre do ponto de vista financeiro…

GL – O Sporting entendeu, em sintonia com Jesualdo, encontrar um jogador para aquela posição. Se necessário, tínhamos ainda mais alternativas [Rojo]. Descemos os custos com o plantel pois Joãozinho é um jogador menos “pesado” em termos salariais que Insúa. Para além disso, conseguimos um encaixe significativo face ao investimento que o Sporting fez na compra do passe de Insúa.

R – Recebeu alguma proposta concreta por Rui Patrício?

GL – Recebemos propostas por vários jogadores. Por isso é que eu sei qual o real valor do plantel. Com a chegada do professor Jesualdo, criámos uma lista de ativos que poderiam ser negociados e outros que são intransferíveis. Rui Patrício era, na nossa opinião, intocável. A cláusula de rescisão é de 40 milhões de euros...

R – Houve algum jogador que tivesse gostado de contratar e que não tenha conseguido?

GL – Sim. Em janeiro, quando fizemos a análise ao plantel, escolhemos os elementos dos quais não podíamos prescindir e os miúdos da B que poderiam ter um papel importante. Naturalmente, foi identificada a necessidade de contratarmos um ponta-de-lança. Quando dirigimos a nossa primeira procura, havia sempre duas hipóteses: ou o Ricky saia ou não. E não foi só o Dínamo Kiev a mostrar interesse. O Norwich, por exemplo, também apresentou uma proposta..

R – Mas então qual era o jogador que gostava de ter contratado?

GL – Identificámos, preferencialmente, jogadores europeus (ou que tivessem atuado na Europa) e que marcassem golos. Não faria sentido estarmos a escolher um avançado que não tivesse estas características. Identificámos 3 avançados, quer na liga holandesa quer na belga. Vão à lista dos melhores marcadores e vejam quem é que poderá ser…

R – Mas o Liedson tinha estas três características...

GL – Isso não é bem verdade. Em primeiro lugar, não vou dizer, como disse o Liedson quando voltou a Portugal, que afinal sempre tinha desejado vestir a camisola do FC Porto. Gosto do Liedson porque prestou um bom serviço ao clube mas também não vou invocar como razão o facto de ele ter metido em tribunal o Sporting para tentar sacar dinheiro ao clube através do seguro...

R – Está encerrado esse processo?

GL – Ainda corre em tribunal. Em resumo, estas podiam ser duas razões fortes para não contratar o Liedson. Mas não é por aí. Tem a ver com as três características que referi anteriormente. O Liedson não estava a marcar golos, não estava a jogar num campeonato europeu e mudou recentemente de clubes. Decidimos que havia melhores soluções. Niculae, por exemplo, pareceu-nos uma opção mais forte e nem é pelo facto de a massa associativa ter um carinho especial por ele. Foi pelo facto de ter marcado 19 golos na época passada e ter apontado, em 2012/13, 12 golos. Niculae tem casa e carro em Portugal e não tinha nada contra o Sporting.

R – Niculae e Paulo Henrique são dois fiascos para o Sporting, em termos negociais?

GL – O resultado perante a opinião pública será sempre esse: procuramos e não contratamos. Aquilo que interessa perceber é como é que as coisas evoluíram. Até dia 20 de janeiro, tínhamos o Ricky vendido ao Dínamo Kiev e o empréstimo assegurado do Milevskiy e do Ruben. O plantel estava fechado. Com o anúncio da AG, tivemos de recorrer a outras soluções. Paulo Henrique estava fechado mas coincidiram dois fatores: mudança de treinador e saída do diretor-desportivo do Trabzonspor, que se tinha comprometido connosco. Até falei com a Traffic [empresa detentora do passe de Henrique] mas de nada adiantou.

R – E quanto a Niculae?

GL – Niculae seria hoje jogador do Sporting se não saíssemos. Não iríamos avançar para a contratação de um jogador sem fazer uma consulta à FIFA (coisa que fizemos). Quando ele vem para Portugal, já sabíamos que a federação romena entendia que o jogo da Supertaça era referente à época anterior. A FIFA respondeu que, nesses termos, estariam de acordo em deixá-lo jogar. No entanto, o parágrafo final dizia: “Esta resposta não vincula a FIFA.” Se esta direção continuasse e não houvesse esta cena, o que é que faríamos? Havia três soluções: o jogador era contratado, inscrito, mas não jogaria enquanto não tivéssemos as certezas quanto à regularização da sua situação. Já tínhamos feito diligências para obtermos uma resposta perentória por parte da FIFA.

R – E se a FIFA não aceitasse?

GL – Segunda hipótese: se a FIFA hesitasse, não iríamos colocar o Niculae a jogar, pois não correríamos o risco de perder pontos. Como gostamos do jogador, iríamos emprestá-lo a um clube onde a época fosse de janeiro a dezembro, esse clube pagaria, na totalidade, o salário e ele voltaria em julho.

R – Mas isso não iria revolver o problema imediato do Sporting…

GL – É correto. Mas o problema Niculae estaria resolvido. Terceira hipótese: se as anteriores possibilidades caíssem por terra, iríamos devolver o jogador ao Vaslui. Com a convulsão atual, o presidente do clube romeno quis determinados pagamentos e nós optámos por abortar o negócio.

R – O que cria alguma confusão é o facto de o Sporting ter identificado o problema tão cedo e ter demorado tanto tempo para atacar os alvos…

GL – Isso não é verdade! Tínhamos o acordo feito a 20 de janeiro e estávamos satisfeitos com a solução. Iríamos receber um valor considerável pela transferência do Ricky e ainda ganhávamos duas boas alternativas. Estive reunido com Laros (empresário do jogador), Ralf (advogado do Dínamo Kiev) e com um elemento da Gestifute, chamado Cristiano. O negócio estava praticamente fechado e só não foi para a frente por causa das convulsões. Sendo pragmático, o valor que estava a pedir pelo Ricky era superior. Estava a fazer um braço-de-ferro para receber mais. A oferta começou em 8+5 [milhões de euros] e eu pedi 16+2. Estava a tratar do Sporting e não do meu bolso. As negociações já estavam em 10+3 e eu já tinha passado para 13+3. Posteriormente, não queríamos contratar um jogador qualquer…

R – Vossen (Genk) foi hipótese?

GL – Poderia ser… Mas o jogador contactado na Bélgica foi outro. Falamos com jogadores concretos e isto não é “conversa mole”!

R – E quanto a Kléber?

GL – Esse caso foi diferente. Chegamos a negociar o Kléber por empréstimo mas os responsáveis do BMG quiseram negociar o jogador a título definitivo. Posso até dizer que tivemos a compra consumada.

R – Qual foi o valor da compra?

GL – Chegámos a adquirir 10 por cento do passe por 600 mil euros. O negócio estava fechado, o jogador ia a caminho do aeroporto mas a conferência de imprensa de Daniel Sampaio aconteceu em simultâneo e, quase de imediato, o BMG alterou as regras do jogo. Deixaram de ter interesse em ser parceiros do Sporting, queriam vender 20 e não 10 por cento do passe e ainda pediram o meu aval pessoal.

As conversas de Godinho com Duque e Freitas

R – Porque perdeu a confiança em Luís Duque e Carlos Freitas?

GL – Quero deixar claro que nunca chamei Luís Duque e Carlos Freitas de incompetentes. Considero que tiveram sucesso no Sporting e espero que voltem a ter sucesso neste clube. Entendi, porém, que a organização do futebol profissional poderia ser diferente e, para que eu pudesse conhecer melhor a realidade do futebol, tinha de aproximar-me mais da equipa. Nesse sentido, não devia ter ninguém entre mim e quem toma as decisões técnicas.

R – Então, mas isso não é perder a confiança?

GL – Não. Luís Duque e Carlos Freitas são dois bons profissionais e que sabem o que é ganhar no Sporting. O que entendi é que o presidente de um clube de futebol deveria estar mais próximo dos acontecimentos. Logo, devia “queimar” alguns lugares que existiam entre o presidente e o treinador. Foi o que fiz.

R – Não poderia ter “queimado” apenas um lugar, mantendo, por exemplo, Carlos Freitas?

GL – Não, porque Carlos Freitas é uma pessoa solidária e, com a saída de Luís Duque, nem colocou a hipótese de ficar no Sporting.

R – Apesar disso, tem falado com Carlos Freitas…

GL – Tenho falado as vezes que são necessárias, tanto com Carlos Freitas como também com Luís Duque. Sempre o fizemos de forma cordial e correta. São pessoas de quem eu quero ser amigo quando sair do Sporting. Objetivamente, as conversas que tive com eles estiveram relacionadas com situações que importava esclarecer, nomeadamente de alguns acordos que supostamente eles teriam feito com certas pessoas e que o Sporting, como clube cumpridor, faria sempre questão de honrar.

«Matías foi o único que 'maltratei' numa conversa»


R – A venda de Matías Fernández pode ser considerada um erro desportivo?

GL – A venda do Matías Fernández à Fiorentina tem o seguinte enquadramento: em primeiro lugar, a vontade do próprio jogador. Posso dizer que Matías foi o único jogador que eu “maltratei” numa conversa. Não chamei nomes nem o insultei, mas é um jogador do qual eu gosto e fiz tudo para que ele ficasse. Inclusive dizer-lhe que não lhe pagaria os prémios. Até ao fim, fiz um braço-de-ferro e o jogador acabou até por ficar indisposto comigo. Segunda questão: com a sua insistência na saída, tínhamos de perceber quanto tempo é que faltava para terminar o contrato e a sua idade. O Sporting teria de renovar para ele ficar e quanto é que teríamos de pagar no futuro pelos salários de um jogador de grande qualidade mas com pouca regularidade. Se o Matías Fernández queria sair, imaginem quanto teria de pagar para o convencer a ficar...

«Nunca me viram fugir de nada»

R – O Sporting está à beira do abismo?

GL – O Sporting está a tempo de evitar seja o que for. O mandato não foi o desastre que as pessoas dizem. Pegar na questão dos treinadores e dos resultados do futebol e transformar isso num cenário trágico é profundamente errado. Estávamos dispostos a ir até ao final da época para deixarmos as contas em dia, garantindo ainda um passivo de valor inferior aquele que encontrámos. As coisas estão muito claras: quem tiver 25 milhões e seguir o caminho que traçámos, terá resultados operacionais positivos na próxima época; quem pretender mais do que isso, terá de investir 45 milhões.

R – Mas a dança de treinadores teve um impacto negativo na sua imagem…

GL – Aquilo que teve mais impacto foi a vontade de protagonismo de alguns sportinguistas. Andando pelo país, nunca vi ódio nem mal-estar.

R – Nunca sofreu qualquer ameaça, além daquele episódio no Algarve?

GL – Não, nada disso. Vim para o Sporting sabendo o que me esperava. Não vou falar de faixas, nem de garrafas ou ovos, que são fruto de algumas pessoas que não representam os 3 milhões de sportinguistas. Se me perguntar se gostei de ouvir 20 mil pessoas no estádio cantar o meu nome de forma negativa, é claro que não gostei. Mas não me viram recuar nem fugir, até porque eu, como adepto, também não gostei dos resultados. Continuei a trabalhar e a procurar transmitir que tudo o que foi feito em volta do Sporting é muito maior do que os resultados negativos do futebol.

«Circunstâncias não são favoráveis
aos resultados da equipa»


R – Ainda acredita que o Sporting pode chegar ao 3.º lugar?

GL – Sem a perturbação existente desde dezembro, acredito que seria perfeitamente possível alcançarmos um lugar no pódio. Apesar da turbulência, aproximámo-nos dos lugares europeus. Faltam disputar 39 pontos, o que significa que, matematicamente, é possível chegarmos ao 3.º lugar. Considero que para o professor Jesualdo, que chegou em dezembro para juntar o cacos e, a meio de janeiro, volta a estar tudo partido, não pode ser uma tarefa fácil. A equipa antes do último jogo estava consciente da importância de ganhar ao Rio Ave. Também considero que não é normal haver três autogolos nos últimos dois jogos. Considero errado estar a hipotecar esta época pelas razões eleitorais. Por isso falei em maio, porque permitiria terminar a época e resolver as questões diretivas de outra forma. Estas circunstâncias não são favoráveis aos resultados da equipa. Não estou à procura de uma desculpa para não ganhar os jogos daqui até ao final da época.

«Cada um deve meter-se no seu lugar»

R – Elias, por exemplo, referiu numa entrevista recente que o Sporting não teve paciência com Domingos…

GL – Como ele é nosso ativo, eu não posso dizer que o Sporting não teve paciência para o Elias… Entendem? Cada um deve meter-se no seu lugar e saber aquilo que tem de dizer.

«Não sou guiado pelo ruído exterior»

R – Foi um erro renovar o contrato de Sá Pinto depois de o Sporting perder a final da Taça de Portugal?

GL – Não sou guiado pelo ruído exterior. Fiquei tão triste com o resultado como ficou Sá Pinto, os jogadores e os adeptos. Porque tenho valores e sou desportista, não saí da tribuna sem que os jogadores da Académica recebessem o troféu. Imaginem o meu sofrimento ao ficar na tribuna e não ter a oportunidade de levantar a taça e felicitar os jogadores do Sporting.

R – E ainda assim não hesitou em renovar...

GL - Entendi que Sá Pinto, que nos levou às meias-finais da Liga Europa, não merecia ser despedido pelo facto de ter tido um inêxito na final da Taça. Por isso, e até contrariando aquilo que era expectável, reforcei-lhe os poderes. Devo dizer que, até por esta decisão, gostaria de sair só em maio, pois assim poderia ser julgado pelos resultados globais da época.





«Só Viola pediu para sair»

R – Confirma que houve jogadores que pediram para sair em janeiro?

GL – Não, houve apenas um que expressou vontade de regressar ao seu país para jogar mais vezes.

R – Foi o Viola?

GL – Sim, mas ao ser opção válida para Jesualdo Ferreira, ficou. Naturalmente, o próprio jogador ficou satisfeito com a decisão.

R – A maioria dos passes dos jogadores estão associados a fundos. É uma boa solução de negócio?

GL – Primeiro: tem de haver critério na forma como são feitas as negociações. O Sporting conseguiu parceiros de fundos na casa dos 40 milhões. Segundo: condições de pagamento. Temos jogadores pelos quais ainda não pagámos nada. Se forem jogadores bem comprados e vendidos antes do Sporting fazer o primeiro pagamento, significa que o clube, sem ter investido nada, utilizou o jogador e tirará partido do valor económico associado.

R – Mas o plantel tem desvalorizado bastante esta época, certo?

GL – O facto de os jogadores estarem na montra europeia valoriza sempre mais. O Sporting tem jogadores internacionais, portanto existe sempre a montra da seleção.

R – Quem não esquece neste momento de despedida?

GL – Agradeço à minha equipa, que se manteve unida até final e não se deixou aliciar por pedidos de demissão para provocar a quebra de quórum. Agradeço a todos os colaboradores que aguentaram firme em defesa da imagem do clube, apesar das dificuldades. Agradeço aos atletas e estou grato a Jesualdo pela forma como encarou este desafio, assim como aos Leões de Portugal e aos grupos Stromp e Cinquentenários. E não posso ficar indiferente ao carinho que recebi nos núcleos e à massa associativa em geral, à qual deixo a mensagem de que procurei fazer o meu melhor na defesa dos interesses do clube, dedicando-me a tempo inteiro e nunca me servindo do Sporting.

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