O braço direito de Vercauteren (e a formação de treinadores)
Tem-se falado com alguma insistência na vontade (?) de Vercauteren em recrutar mais um elemento para a já extensa equipa técnica (a saber: Oceano, Porfírio, Nelson, Márcio Sampaio) que o acompanha. . E que, em principio, o técnico em causa teria mais ou menos as mesmas origens do treinador belga.
Pode-se entender este desejo de Vercauteren pela necessidade de contar com alguém da sua confiança (pessoal e técnica) do seu lado, até porque os elementos supracitados foram herdados quer da equipa técnica de Sá Pinto, quer da de Oceano. Mas o raio de acção do técnico a entrar será limitado, esgotando-se no apoio à gestão interna do plantel e ao debate sobre opções técnico-tácticas.
Dificilmente alguém que aterre hoje na Portela, e que não seja um observador atento do nosso campeonato, poderá ser considerado uma mais-valia imediata num aspecto importante e muito concreto: o conhecimento da especificidade da Liga portuguesa. Na prática é um desconhecimento que se junta ao do treinador principal.
Poder-se-á pensar: é para isso que está lá Oceano. Sim, é um facto. Mas se tivermos em linha de conta o que aconteceu durante o mês que esteve à frente da equipa talvez devamos concluir que também ele é um treinador em formação, e sem o trajecto de Vercauteren, bem entendido.
Poder-se-á pensar: é para isso que está lá Oceano. Sim, é um facto. Mas se tivermos em linha de conta o que aconteceu durante o mês que esteve à frente da equipa talvez devamos concluir que também ele é um treinador em formação, e sem o trajecto de Vercauteren, bem entendido.
Quando me debato interiormente sobre estas matérias é difícil não lembrar o que foi, quanto a mim, um dos melhores contributos ( e raros) em sede de debate eleitoral e que não teve provavelmente o destaque - e por isso também o debate... - merecido. E como o Sporting está desde então em permanente debate eleitoral mal não fará voltar ao que o referido período teve de melhor. Refiro-me em concreto ao Manifesto Por Um Debate Diferente Sobre o Futuro do Sporting.
Esse documento, no que versava a vertente desportiva, continha uma análise importante (a ler) e uma proposta concreta: a constituição de uma equipa de consultadoria para apoio nas tomadas de decisão na hora de definir o perfil do treinador a contratar e cuja actividade poderia certamente ser alargada a outros áreas de actuação, tais como a escolha dos perfis dos jogadores a contratar, jogadores que, por exemplo, com pouca utilização por preferência do técnico do momento, por lesão ou por dificuldade de afirmação após a chegada a sénior lhes sejam reconhecidas características e/ou potencialidade para permanecer ligados ao clube.
Não tendo dúvidas no mérito do modelo então foi proposto, antevejo inúmeras dificuldades na implementação de um modelo deste tipo. Começaria logo na discussão dos nomes escolhidos, ou não estivéssemos a falar do Sporting: porquê o A e não o B? Mas o B não nos ganhou uma vez e o C não é amigo do Z?
Mas também não tenho dúvidas que se esse modelo estivesse já implementado ele próprio poderia ser hoje um importante apoio à tomada de decisão do próprio Vercauteren na escolha do seu braço direito. Como teria sido o ano passado, quando surgiram os primeiros problemas com Domingos e com o modelo que pretendia implementar e que, de forma nítida, não estava a resultar. O mesmo se poderia dizer relativamente ao sucedido este ano com Sá Pinto. Se por hipótese, tivéssemos evitado estar neste momento a pagar a 3 treinadores em simultâneo, já teríamos justificado o investimento na constituição da referida assessoria técnica.
Poder-se-à também pensar na dificuldade que representaria a aceitação por parte de um treinador ter alguém a questionar a sua competência. Teria obviamente que haver tacto e bom senso, de forma a que as matérias a abordar não fossem colocadas nesse plano. E qualquer treinador inteligente percebe que não há nenhum profissional que não precise de se saber mais, conhecer melhor, em suma, da necessidade de nos formarmos continuamente.
A implementação deste tipo de solução poderia ser também importante na interacção com os treinadores da Academia Sporting. Se ela é hoje uma referência mundial na formação de jogadores, ampliar essa virtude a uma escola de treinadores só traria vantagens acrescidas para o clube.


