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sábado, 17 de dezembro de 2016

Quem é Nélio Lucas e como a Doyen lucrou 300% com o Sporting





O Expresso continua a publicar artigos relacionados com o Football Leaks. Este está directamente relacionado com o Sporting, embora até agora sejam Benfica e Porto os principais protagonistas. No decurso da próxima semana actualizaremos este dossier.
A misteriosa Doyen que lucra 300% com o Sporting

Pense num negócio com margens de lucro superiores a 500%. Não haverá muitas atividades com esses níveis de rentabilidade. Mas há um negócio, que move paixões, onde semelhantes margens estão a ser conseguidas. É o futebol, que faz vibrar milhões de fãs. Nos bastidores, há centenas de atores pagos a peso de ouro. Se o nome Kondogbia não lhe diz nada, talvez também não saiba o que é a Doyen. Seja bem-vindo à história de um dos fundos mais influentes na história recente do futebol europeu, que só num negócio com o Sporting teve uma margem de lucro de 300%. Mas já lá iremos.

Geoffrey Kondogbia é um futebolista francês de 23 anos contratado pelo Sevilha em 2012 por €3 milhões. O dinheiro veio de uma empresa que nascera um ano antes, a Doyen Sports Investments (Doyen), como mostra a investigação Football Leaks, coordenada pela rede EIC-European Investigative Collaborations, a partir de documentos obtidos pela revista alemã “Der Spiegel”. A Doyen ficou com 50% dos direitos económicos de Kondogbia. Para ter os restantes 50%, o Sevilha prometeu pagar à Doyen €1,65 milhões, mais prestações de €150 mil ao ano até que o jogador fosse vendido a outro clube. Na prática, o Sevilha obteve um empréstimo de €1,5 milhões, com juros de 10% ao ano. Sim, 10%.

Este seria um modelo de negócio que se repetiria em várias transações, oferecendo aos clubes sem liquidez uma alternativa ao tradicional, mas cada vez mais fechado, financiamento bancário. A Doyen cobrava aos clubes um juro de referência de 10% para lhes emprestar dinheiro. Dinheiro esse que era avançado pelos acionistas da Doyen a uma taxa indicativa de 4,5%. Com este diferencial de juros a empresa fazia uma parte dos seus ganhos. Era como um banco exclusivo para clubes de futebol.

O contrato com o Sevilha foi um dos primeiros. No pior dos cenários, se outro clube não adquirisse os direitos de Kondogbia até 2015, a Doyen receberia do Sevilha €3,45 milhões. Mas não foi isso que aconteceu. Em agosto de 2013, Kondogbia foi contratado pelo Mónaco, que pagou €20 milhões, o valor da cláusula de rescisão. A empresa, que tinha 50% dos direitos, encaixou €10 milhões. O que deu um lucro de €8,5 milhões em apenas um ano: uma rentabilidade do capital investido de 567%, antes de descontadas as comissões. O agente de Kondogbia, Jonathan Maarek, assegurou à rede EIC que a Doyen “nunca teve qualquer influência nas escolhas desportivas” sobre o atleta.

Em junho de 2014, a Doyen transferiu €1,3 milhões a uma empresa sua parceira, a Denos Limited, instalada no paraíso fiscal de Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos. A verba é justificada, nos documentos que o Expresso consultou, por serviços de consultoria prestados pela Denos nas transferências dos futebolistas Kondogbia, Falcao e Miguel de las Cuevas. A Doyen não respondeu às questões colocadas pela rede EIC sobre os negócios com Kondogbia.

A Doyen (que tem sede em Malta e escritório em Londres) e a Denos (que opera no Dubai) partilham uma história comum: a de que nas milionárias transferências de jogadores de futebol os intermediários fazem-se pagar bem e muitas vezes trabalham em rede, recorrendo a paraísos fiscais e a estruturas que permitem ocultar o rasto do dinheiro.

A Doyen é liderada pelo português Nélio Lucas. A Denos faz muitos dos seus negócios por intermédio de Amadeu Paixão, outro agente português que explora com Nélio Lucas a empresa britânica Principal Sports Management, que por seu turno presta serviços à Doyen. Amadeu, de 64 anos, é um dos mais experientes intermediários portugueses. Nélio, aos 36 anos, é um dos mais ambiciosos empresários do futebol europeu.

E agora veja como um dos maiores negócios de sempre do Sporting se transformou, paradoxalmente, num dos seus piores pesadelos. Falamos de Marcos Rojo... que renderá à Doyen €12 milhões. Mais juros.

O caso Rojo

Em julho de 2012, o Sporting contratou o futebolista argentino Marcos Rojo ao Spartak de Moscovo, oferecendo ao clube russo €4 milhões. Desse valor, €3 milhões foram financiados pela Doyen, que ficou com 75% dos direitos económicos do jogador. Além disso, o fundo financiou €1,5 milhões para a contratação do marroquino Zakaria Labyad, e um empréstimo de curto prazo de €1,57 milhões (mais €175 mil em juros).

No negócio com o Sporting a Doyen salvaguardou-se: por um lado, o fundo garantia que, qualquer que fosse o futuro de Rojo, receberia pelo menos €4,2 milhões pelos seus 75%; por outro lado, estipulava-se que se algum outro clube oferecesse pelo menos €8 milhões por Rojo, o Sporting deveria aceitar ou, não o fazendo, compensar o fundo. Um contrato tirado a papel químico do de Kondogbia: se terceiros oferecessem o dobro do investimento feito pela Doyen, qualquer que fosse a vontade do clube, a empresa de Nélio Lucas podia obrigar o clube a devolver-lhe o capital investido e, em cima disso, um retorno de 100%.

Os negócios de Nélio foram feitos com um Sporting em situação de emergência financeira. A direção de Luís Godinho Lopes já tinha alienado uma parte dos direitos económicos dos jogadores do clube ao BES e ao BCP. Pouco antes de sair do clube, em 2013, Godinho Lopes mandatou o agente Amadeu Paixão para vender o avançado Ricky van Wolfswinkel (cujos direitos eram detidos em partes iguais pelo Sporting e pelo fundo irlandês Quality Football). Os ingleses do Norwich ofereceram €10 milhões. A comissão de intermediação foi fixada em €500 mil, cuja faturação Amadeu Paixão deixou a cargo da Denos. Mas o Sporting só pagou metade, considerando que o resto devia ser pago pela Quality Football. E a Denos processou o Sporting no Tribunal Arbitral do Desporto na Suíça.

Mais tarde veio um novo processo. Em agosto de 2014, o Sporting vendeu os direitos de Marcos Rojo ao Manchester United por €20 milhões. Descontando €4 milhões para o antigo clube de Rojo (Spartak), caberia à Doyen €12 milhões (o que dava um lucro de €9 milhões, ou 300%, em apenas dois anos). Só que o Sporting decidiu rescindir o contrato e apenas restituir ao fundo os €3 milhões investidos em 2013. Mais tarde a FIFA abriria uma investigação sobre este caso.

A Doyen processou o clube na Suíça e um acórdão de dezembro de 2015 deu razão à empresa, condenando o Sporting a pagar €12 milhões. O Sporting recorreu para o Supremo Tribunal da Suíça, argumentando que a sentença obriga os leões a pagar “juros usurários” e “valida contratos que violam direitos fundamentais dos jogadores”, lê-se no último relatório e contas do clube. Esta quinta-feira, o Sporting informou que o Supremo confirmou a sentença de primeira instância, condenando o clube a pagar €12 milhões mais juros.

O conflito ilustra os dilemas da indústria do futebol. Para quem defende os fundos, como Nélio Lucas, há dois grandes argumentos. Por um lado, o financiamento ajuda os clubes menos abastados a contratar jogadores melhores. Por outro lado, quando um fundo lucra com a valorização do investimento feito num jogador, também o clube sai a ganhar com a sua transferência. “Os clubes ricos são cada vez mais ricos, por isso a competição é cada vez mais injusta e desvirtuada”, lembrou Nélio Lucas numa conferência em Madrid no ano passado. A outra face da moeda é que quanto maior o peso dos fundos, menor é a autonomia dos clubes na gestão do seu futuro. No final de 2014, a FIFA pôs em marcha um plano para acabar com este modelo de financiamento (“third party ownership”, ou TPO), banindo-o a partir de maio de 2015.

O fim do mundo? 

A proibição de novos TPO fez soar os alarmes. Várias empresas estavam focadas no negócio de investir no passe de um futebolista e num par de anos embolsar o dobro ou o triplo. Mas os gestores destes fundos rapidamente pensaram noutras formas de ganhar dinheiro, como o investimento direto nos clubes (e não nos jogadores) ou negócios de titularização de direitos televisivos e direitos de imagem (em que um fundo adianta ao clube o dinheiro desses contratos, com um juro associado).
Mas é ainda cedo para decretar o fim do mundo para os fundos que investem no futebol. No caso da Doyen, a empresa tem interesses económicos em vários atletas em Portugal. No Benfica, detém 50% dos direitos económicos do jogador Ola John, fruto de um acordo de dezembro de 2012. Em agosto desse ano, o Benfica tinha adquirido os direitos ao clube holandês Twente por €9,15 milhões. Em dezembro, a Doyen comprou ao Benfica metade do passe por €4,6 milhões. Mas garantiu que, qualquer que fosse o futuro de Ola John, o Benfica teria de lhe entregar pelo menos €5,95 milhões. O valor ainda está por pagar.

Este é, tanto quanto sabemos, o único contrato ativo da Doyen com o Benfica. Mais a Norte a empresa tem tido resultados interessantes. No Futebol Clube do Porto (FCP) o fundo de Nélio Lucas teve em 2014 um dos seus melhores negócios: uma rentabilidade superior a 300% no investimento feito no futebolista Mangala. Em dezembro de 2011, a Doyen tinha adquirido 33% dos direitos do atleta francês por €2,6 milhões, quando Mangala chegou ao FCP. Em julho de 2014, o FCP vendeu os direitos do futebolista ao Manchester City por €30,5 milhões. Negociando separadamente com o clube inglês, a Doyen encaixou quase €11 milhões. Por seu turno, o agente Jorge Mendes, como intermediário, ganhou €4,2 milhões. A FIFA pediu esclarecimentos ao FCP, admitindo que o facto de a Doyen negociar a sua posição com o Manchester City indiciava que o fundo podia condicionar a venda do jogador (contra os regulamentos da instituição). No campeonato inglês os clubes têm de deter 100% dos direitos dos atletas. Logo, se a Doyen não aceitasse vender a sua parte, o FCP não conseguiria transferir Mangala para Manchester. Mas o negócio fez-se.

Outros jogadores do FCP em que a Doyen adquiriu direitos económicos foram Steven Defour, Radamel Falcao, Brahimi e Sérgio Oliveira. Em todos eles os contratos foram feitos de modo que a Doyen tivesse sempre lucro, independentemente de o clube conseguir ou não valorizar os futebolistas. Na aquisição pelo FCP do francês Imbula, por €20 milhões (a mais cara contratação de sempre dos dragões), chegou a especular-se que a Doyen teria financiado metade desse valor, mas o FCP assegurou à FIFA ser detentor da totalidade dos direitos do atleta.

Nélio Lucas teve distintos negócios com os dragões: em 2014 a Vela Management (por ele administrada) ganhou uma comissão de €840 mil na transferência de Otamendi para o Valência, tendo ainda firmado com o clube um contrato de prospeção de talentos por €300 mil. Ora, foi através desta mesma Vela que a empresa Energy Soccer, de Alexandre Pinto da Costa, faturou €700 mil pela transferência de Casemiro do Porto para o Real Madrid. A Energy Soccer é um dos parceiros privilegiados da Doyen em Portugal. Em fevereiro de 2015, o FCP obteve um empréstimo de €3 milhões do Banco Carregosa parcialmente garantido pela Doyen.

O grupo Doyen assume-se como “um dos principais atores da indústria de entretenimento desportivo”. A empresa não divulga no seu site os resultados financeiros que obtém. Mas as informações obtidas na investigação Football Leaks indiciam que a Doyen já terá investido mais de uma centena de milhões de euros no futebol e marketing desportivo. O Twente, na Holanda, e o Atlético Madrid, em Espanha, além dos clubes portugueses, foram alguns dos alvos da máquina de fazer dinheiro liderada por Nélio Lucas e financiada pela família Arif. Quem? Explicamos-lhe já de seguida. *European Investigative Collaborations



Nélio, o superagente improvável

Quem é o português à frente da Doyen que em dez anos “passou de contar tostões para contar milhões”?

Em março de 2000, Nélio Lucas foi caçado a conduzir sem carta e pagou uma multa de €319. Em novembro de 2000, passou um cheque sem cobertura e pagou uma multa de €600. A 29 de novembro de 2000, passou outro cheque sem cobertura e pagou uma multa de €720. Em 2002, cometeu um delito fiscal, foi julgado pelo mesmo em 2005 — e pagou uma multa de €1190 em maio de 2007. Em agosto de 2015, dez anos e €2929 depois, assinou um contrato para comprar um iate no valor de €3,2 milhões através de uma empresa de Malta.

Em pouco mais de uma década, Nélio Lucas saiu da Aldeia da Mata para a ilha de Malta, e para as offshores, e hoje é o CEO do fundo mais global e diversificado a operar no futebol: a Doyen Sports Investment. É uma história invulgar que nos traz à cabeça o ideal e o ideário do american dream, o sonho americano à portuguesa de um rapaz obviamente inteligente, mas pobre, filho de dois pequenos agricultores de um lugar de Condeixa-a-Nova, que partiu para os EUA à procura de uma vida melhor. Este é o seu perfil, feito através do cruzamento de artigos de jornais com fontes próximas e com a análise aos documentos do Football Leaks — e revela o percurso improvável deste agente.

O caminho

Coimbra, Aveiro, Cape Canaveral, na Florida, Beverly Hills, em Los Angeles, Madrid e Londres. Nélio Lucas esteve em todo o lado e conheceu toda a gente; ou, pelo menos, diz ter estado em todo o lado e conhecido toda a gente, gente importante como Mariah Carey ou Bruce Springsteen, do qual foi road manager na Creative Artists Agency — revelou-o ao “Libération”, numa rara entrevista em que ele conta aventuras do seu passado. Uma delas é esta: Nélio garante ter feito um teste de QI cujos bons resultados o levaram a trocar a família e a Mata por uma família de acolhimento na Florida; não foi possível confirmar esta informação. Outra: Nélio diz ter estudado comunicação, marketing e política internacional na Universidade da Califórnia (UCLA), em LA; contactada pelo Expresso, a instituição assegura não ter nos “seus registos” nenhum “aluno com o nome de Nélio Lucas” ou “Nélio Freire Lucas”, de seu nome completo.

Vamos aos factos comprovados: aos 18 anos, em 1997, abriu uma empresa chamada 100% Produções Arte & Espectáculo para organizar festas e outras variedades, e, depois, a L.D. World Football Management, com a qual inaugurou o novo estádio do Beira-Mar, em 2003. Aveiro ter-lhe-á ficado na cabeça, porque foi lá que apareceu outra vez como representante da britânica Stellar Group, de Jonathan Barnett, um agente que dividia a meias um negócio com Pini Zahavi, o superagente original. A ideia era simples: colocar jogadores ingleses no Beira-Mar. Correu mal para o clube, que desceu de divisão, mas bem para Nélio, que começou a colaborar com Zahavi na Soccer Investments & Representation (SIR). Em Londres.

“Durante nove anos”, disse Nélio ao “Libération”, “trabalhámos juntos. Ele tinha contactos em Inglaterra, eu no resto do mundo; eu encontrava os jogadores que ele procurava e fechava o negócio”. Ganhava 450 mil euros por ano, mais 10% por cada contratação. Pelo meio, Nélio também fez uma perninha como “técnico em gestão de casting de atores”, e há um vídeo a correr na internet em que este é entrevistado a propósito disto mesmo.

As offshores

Em 2010, Nélio decidiu separar-se de Zahavi, e, em 2011, esteve na origem do aparecimento do fundo Doyen Sports Investments, o braço ‘desportivo’ da Doyen. Nélio conhecera o filho do dono do grupo, Refik Ari, nos EUA, tornaram-se íntimos e quando o fundo quis diversificar a sua atividade o português foi chamado para dar a cara. Segundo conta um amigo, terá sido a própria Doyen a pagar “um milhão de euros a Zahavi” para a rescisão do contrato. Nélio juntou-se a Amadeu Paixão, um misterioso português radicado em Inglaterra, e a Juan Manuel López e Mariano Aguilar, ex-jogadores do Atlético de Madrid dos tempos de Paulo Futre.

Os quatro fundaram a Assets 4 Sports, em Espanha, pela qual receberiam os pagamentos da Doyen Sports Investment. Nélio, Amadeu, López e Aguilar trabalhariam numa espécie de regime freelance para o fundo. Em 2011, a Assets 4 faturou 150 mil euros e 75 mil euros em 2012; em 2013 a Assets 4 foi extinguida quando Nélio e a sua entourage optaram por sociedades offshore: a Vela, a Principal Sports Management, a Wood Gibbins & Partners Limited, a Denos, a Rixos a PMCI, um complexo esquema de empresas em paraísos fiscais pelas quais passaram a ser feitos os pagamentos relativos às comissões mas também aos custos do ofício, como viagens ou estadias.

Foi através da Wood Gibbins & Partners Limited que Nélio assinou contrato para comprar o tal iate de 3,2 milhões de euros, por exemplo; sobre a Vela, detida a 50% por Nélio e outros 50% por Aguilar, o Football Leaks demonstra que cada um deles recebe 450 mil euros anuais e 10% de comissão sobre os jogadores transacionados. Foi igualmente pela Vela que Nélio pagou a festa do seu 35º aniversário, em Londres, que custou €162 mil, com uma lista de convidados a fazer lembrar uma gala da FIFA. Basicamente, constavam lá todos os que são alguém.

Um salto quântico. Em menos de dez anos, Nélio Lucas passou a viajar em jatos privados, a frequentar as festas mais exclusivas nos lugares menos inclusivos, a dar-se com Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, ou Adriano Galliani, CEO do AC Milan, a ter lugar nos camarotes do Barcelona, Benfica, FC Porto, Real Madrid, na O2 Arena, a almoçar nos melhores restaurantes com os melhores diretores desportivos e a dar bacalhaus aos melhores futebolistas do mundo. E, segundo Nélio ao “Libération”, a servir como um facilitador de negócios expedito, dando conselhos aqui e acolá pelos quais também cobra — ou tenta cobrar.

Em Portugal, este benfiquista dos sete costados amigou-se com Alexandre Pinto da Costa, filho do presidente Pinto da Costa, com o qual intermediou o negócio de Imbula, do Marselha para o Dragão. Ambos são vistos em jantares na zona de Matosinhos, nos quais Nélio, que tem um fraco por mocassins de pele de crocodilo e por relógios caros, come habitualmente bacalhau ou polvo sem tocar numa gota de álcool. Ele gosta da ostentação. Recentemente, num colóquio internacional sobre fundos e futebol, Nélio foi convidado para ser um dos oradores principais e interveio via videoconferência diretamente de uma piscina. Um conhecido de longa data resume-o: “Deixou de contar tostões para contar milhões.”

Este é Nélio Lucas, o mais curioso e ambíguo dos superagentes. E é português.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Doyen: uma derrota esperada

Sem surpresa o Sporting acabou de comunicar que a decisão final do caso "Doyen/Rojo" está tomada, em desfavor do clube. Há ainda diferentes interpretações do valor total a pagar mas que nunca será inferior aos 12 milhões, embora seja muito provável que seja mais. Continuo a pensar que este caso poderia ter sido gerido de forma diferente, menos onerosa para o clube e que esta decisão do tribunal de certa forma confirma que a estratégia não foi premiada. A este propósito mantenho o que disse na altura da primeira decisão e que pode ser lido aqui [LINK]

Felizmente a verba está provisionada antecipadamente - que não é o mesmo que dizer que está paga nem mesmo sequer haver liquidez para o fazer - pelo que o impacto desta decisão está atenuado e é altura de virar a folha e passar adiante, embora seja necessário o inevitável apuro de responsabilidades. Mas  transformar esta derrota numa vitória, como parece o tom geral dos comentários que se vêm na página de FB onde a noticia foi dada a conhecer é fazer um pouco a figura do ministro iraquiano da propaganda, quando reclamava vitória iminente quando as tropas americanas já passeavam nos arrabaldes de Bagdad. Haja decoro!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Football Leaks, o tsunami que abala o império de Jorge Mendes


O jornal expresso juntou-se a um consórcio de jornalistas que acederam a milhares de documento que deixam "a céu aberto" o esquema de fuga de capitais sobre o qual rola a todo o vapor o império de Jorge Mendes e dos clubes e jogadores seus agenciados. É essa a reportagem que aqui é hoje publicada para os leitores do blogue:


"O dia em que uma consultora fiscal recebe um questionário das Finanças sobre um cliente seu é um dia de trabalho. Para uma consultora que faz assessoria a estrelas do desporto agenciadas por Jorge Mendes, é um dia de trabalho extra, porque isso implica um custo mediático associado se a história correr mal. E se essa estrela for Cristiano Ronaldo, esse custo é multiplicado por mil ou por milhões. E é um dia de sarilhos .

A partir do momento em que a informação chegou, o 3 de dezembro de 2015 não podia ser apenas mais um dia nos escritórios da empresa de serviços jurídicos Senn Ferrero: o Ministério das Finanças espanhol abrira uma investigação, que ainda está em curso, para apurar possíveis irregularidades de Ronaldo nas suas declarações do Imposto sobre o Rendimento de Não Residentes (IRNR) relativas aos anos 2011, 2012 e 2013. Naquelas perguntas enviadas para o número 3 da Plaza de La Lealtad (perto do Museu Nacional do Prado e da Bolsa de Madrid), os inspetores mostraram-se particularmente interessados na questão dos direitos de imagem do jogador do Real Madrid e isso comportava um risco maior para Ronaldo. A Senn Ferrero sabia porquê. Os contabilistas de Jorge Mendes que a Senn Ferrero alertou também sabiam porquê. E este é o porquê: um esquema empresarial complexo com paragens nas Caraíbas, na Irlanda e em contas bancárias na Suíça que geria desde 2009 os rendimentos provenientes da publicidade prestada por Ronaldo a várias marcas.

Ao todo, de 2009 a 2014, Ronaldo recebeu €74,8 milhões pelos seus direitos de imagem como jogador do Real Madrid e também já recebeu adiantados €75 milhões para o período 2015 a 2020, mas só na declaração de rendimentos de 2014 é que mencionou este bolo. Ou melhor, uma fatia deste bolo, €22,7 milhões, repartidos em dois pedaços. O que representam estes dois pedaços, o que aconteceu ao resto do montante acumulado, quais as offshores usadas, como foram vendidos os direitos de imagem em 2009-14 e 2015-20, por que caminhos andaram Ronaldo e outros jogadores agenciados pela Gestifute de Jorge Mendes - estas são algumas das questões que derivam de uma extensa análise aos documentos extraídos da plataforma Football Leaks. A investigação foi liderada pela revista alemã “Der Spiegel”, que partilhou os dados com a rede European Investigative Collaborations (EIC), um consórcio de jornalismo de investigação composto por mais de uma dezena de jornais e que contou com a colaboração do Expresso.

Esta é a história sobre Ronaldo. Luzes, câmara, contratação

O “Big Brother” de Cristiano Ronaldo começou a 6 de julho de 2009, sentado no banco de trás de um carro, com um motorista e uma câmara de televisão para documentar o dia. “Hoje há jogo ou quê?”, diz Ronaldo em espanhol. Ele sabe que não há jogo, está a ensaiar uma piada. Talvez não acredite que aquelas pessoas à porta do estádio Santiago Bernabéu estejam ali apenas porque ele próprio estará dentro do Bernabéu daqui a pouco. Serão 80 mil fãs a aplaudir o português, vestido de branco, ladeado por Eusébio, Don Alfredo di Stefano e Florentino Pérez. Não faltarão o “Hala Madrid!”, os agradecimentos, os toques na bola de futebol, o abraço aos adeptos que conseguirem furar o perímetro de segurança. Ronaldo foi contratado pelo Real Madrid e a sua apresentação aos sócios e adeptos foi transmitida em direto por televisões de todo o mundo. Naquele momento, Ronaldo tornou-se global. Os seus assessores tinham-no previsto.

A 20 de dezembro de 2008, ainda jogador do Manchester United, Ronaldo assinara outro contrato, longe do rebuliço. Foi com a Tollin Associates Limited, uma empresa registada na Vanterpool Plaza, que fica em Road Town, na ilha de Tortola (Ilhas Virgens Britânicas - BVI). Nas Caraíbas. Para os mais curiosos, a Vanterpool Plaza é um prédio de dois andares em tons de amarelo; no piso térreo há uma farmácia gerida por uma senhora chamada Vanterpool, o piso superior está alugado a uma firma de advogados.

Segundo os contratos obtidos pela revista “Der Spiegel” e partilhados com o consórcio EIC, ficou acordado que de 1 de janeiro de 2009 a 31 de dezembro de 2014, a Tollin seria a depositária dos direitos de imagem do jogador e o jogador seria o recetor de “todos os rendimentos recebidos pela sociedade”, à exceção de 20 mil euros anuais e possíveis gastos operacionais. E, também, à exceção da comissão de Jorge Mendes. É que, uns dias depois, a 30 de dezembro de 2008, a Tollin transferiria a exploração desses direitos de imagem a uma empresa com ligações a Jorge Mendes, a Multisports & Image Management (MIM), sediada em Dublin. E a MIM, por sua vez, já tinha uma colaboração com a Polaris Sports, também com sede na Irlanda e controlada por Jorge Mendes; ambas tornar-se-iam responsáveis por negociar todos os acordos publicitários em nome de Cristiano Ronaldo. Funcionaria assim: o dinheiro dos contratos publicitários iria para a MIM e para a Polaris e, após deduzidas as respetivas comissões dos intermediários, o resto seguiria para a Tollin - era o mesmo jogo que Mourinho já jogara [ver páginas seguintes]. Ou seja: as marcas lidariam diretamente com a MIM e com a Polaris e só depois os seus pagamentos viajariam para a Tollin, fazendo com o que o rasto se perdesse no caminho entre a Irlanda e as Caraíbas. Porquê este esquema? Porque com este tipo de estrutura é possível explorar as vantagens fiscais das BVI.

Recordar Beckham: Vamos por partes, como num jogo de futebol. Um longo jogo de futebol.

Aquecimento. Um cidadão é um cidadão e uma empresa é uma empresa e os impostos sobre as receitas geradas pelos direitos de imagem são mais baixos se o pagamento for feito a uma empresa e não a um cidadão. E se o pagamento for feito a uma empresa com sede na Irlanda, um lugar com um regime fiscal especialmente competitivo, as taxas serão ainda mais baixas. A MIM e a Polaris, ligadas a Mendes, estão ambas sediadas na Irlanda, onde a taxa de tributação sobre as empresas é de 12,5%. É esta taxa que se aplica aos lucros destas empresas: as comissões são tributadas, o resto das receitas de Ronaldo seguem livres para a Tollin.

Primeira parte. 

Quando Ronaldo chegou a Madrid em 2009 estava em vigor a “Lei Beckham”, uma lei aprovada pelo governo espanhol em 2004 para atrair trabalhadores estrangeiros com elevados rendimentos. A “Lei Beckham” (assim popularizada por ter tido entre os primeiros beneficiários o futebolista David Beckham) foi revogada em 2010, mas os residentes estrangeiros então a viver em Espanha tiveram direito a um período de transição que acabaria a 31 de dezembro de 2014. Já voltaremos a esta data: 31 de dezembro de 2014. Ora, esta medida garantia aos estrangeiros residentes em Espanha uma tributação de não residente, os chamados “impatriados”, que pagariam impostos apenas pelos rendimentos obtidos em Espanha e a uma taxa de 24%, muito inferior à taxa de até 48% que se aplicava aos residentes com salários mais elevados. Usando esta legislação, os conselheiros de Cristiano Ronaldo estimaram que cerca de 80% dos rendimentos dos direitos de imagem do jogador eram gerados no estrangeiro e à volta de 20% provinham de Espanha; no total, entre 2009 e 2014, a Tollin encaixou €74,8 milhões pela exploração dos direitos de imagem de Ronaldo: €63,3 milhões ‘do estrangeiro’, €11,5 milhões de Espanha. Segundo os assessores de Ronaldo, ao abrigo da “Lei Beckham”, só estes últimos tinham de ser declarados. O fisco espanhol parece duvidar.

Segunda parte. 

Durante anos, nem os tais 20% figuraram nas declarações de rendimentos do jogador. Não aconteceu em 2011. Nem em 2012. Nem em 2013. Eles vieram à tona apenas em 2014, cinco anos depois da apoteótica apresentação no Bernabéu. A 30 de junho de 2015, no último dia possível para apresentar a declaração, os consultores fiscais compilaram e emitiram o documento para as Finanças, a que a investigação da “Spiegel” e do EIC tiveram acesso. Aí se incluía o salário como empregado do Real Madrid (mais de 34 milhões de euros, que refletiam um bónus em cima do seu ordenado base anual); a casa em Madrid, as compras, algum dinheiro em contas bancárias e os carros, mas não os seus bens no estrangeiro: as casas em Portugal, as contas nos bancos SGKB - St. Galler Kantonalbank (Suíça), BPI (Portugal) e Banque Internationale (Luxemburgo). Também não se mencionava a sua conta no banco Mirabaud, em Genebra.

Os contabilistas de Ronaldo decidiram apresentar na declaração às autoridades fiscais espanholas o valor de €22,7 milhões: €11,5 milhões pelos direitos de imagem de 2009 a 2014 sem referências ao nome Tollin ou ao facto de Ronaldo ter recebido esse dinheiro via uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas; e €11,2 milhões pelos direitos de imagem de 2015 a 2020, pagamento a cargo de uma sociedade chamada Arnel, com morada na… Vanterpool Plaza, na Road Town da ilha de Tortola, nas BVI.

O mais importante seria que o nome da Tollin ou do seu administrador não aparecesse em lado algum. Depois do rocambolesco caso de evasão fiscal dos Messi, pai e filho, era fulcral que Ronaldo mantivesse a sua reputação intacta. A defesa dos interesses de Ronaldo estava a cargo da Senn Ferrero e do advogado português Carlos Osório de Castro, que trabalha com a Gestifute há alguns anos.



Prolongamento.

Aparentemente, correu bem. Num primeiro momento, a Agência Tributária não desmontou a estrutura offshore de Ronaldo e isso terá aliviado a entourage de Mendes, por continuar omissa a existência da Tollin, que entretanto foi extinta quando o contrato com Ronaldo terminou, a 31 de dezembro de 2014. A azáfama e o stress da recolha de documentos em contrarrelógio para entregar a declaração no último dia tinha valido a pena. Questionada pelo “El Mundo”, que pertence ao consórcio EIC com o qual o Expresso colabora nesta investigação, a Agência Tributária de Espanha não esclareceu se tinha voltado ao tema offshore no caso Ronaldo. O “El Mundo” apurou, todavia, que o processo do Imposto sobre o Rendimento de Não Residentes (IRNR) continua em aberto e incide sobre os períodos 2011, 2012 e 2013.

E agora os penáltis. 

Uma semana depois de a rede EIC ter enviado dezenas de perguntas a Jorge Mendes e a Ronaldo, no âmbito da presente investigação jornalística, sobre os direitos de imagem do jogador da Gestifute, a sua situação fiscal e o uso de sociedades offshore, a empresa de Mendes optara não responder. Eis senão quando esta quinta-feira é publicada uma notícia no jornal espanhol “El Confidencial” a contar metade da história citando fontes próximas de Ronaldo. Horas depois, a Gestifute emitiu um comunicado garantindo que “tanto Cristiano Ronaldo como José Mourinho estão em dia com as suas obrigações fiscais tanto em Espanha como no Reino Unido”. Era uma jogada preventiva de quem sabia da investigação jornalística prestes a ser publicada.

O comunicado da Gestifute nota que “nunca Cristiano Ronaldo como José Mourinho estiveram envolvidos em qualquer processo judicial relativo à prática de qualquer delito fiscal” (o que é verdade: houve inspeções da autoridade tributária espanhola, mas não se seguiu nenhum processo em tribunal). E a Gestifute acrescenta que “qualquer insinuação ou acusação dessa natureza relativa a Cristiano Ronaldo ou José Mourinho será denunciada e perseguida nos tribunais”.

Mas no que a esta história diz respeito, falta perceber como, quando e a quem é que Ronaldo vendeu logo em 2014 os seus direitos de imagem para 2015-20. Foi um “bom amigo”. Mas porquê?

O magrebe

A 20 de dezembro de 2014, o Real Madrid ganhou o Mundial de Clubes em Marraquexe ao bater o San Lorenzo da Argentina por 2-0. Para trás ficou uma vitória por 4-0 frente ao Cruz Azul do México nas meias-finais e uma competição em que a segurança e o vírus ébola foram temas dominantes - e, já agora, uma competição em que Ronaldo ficou a zero dentro do campo. Fora dele, Cristiano goleou.

Nesse mesmo dia 20 de dezembro, o avançado, segundo os documentos obtidos pela investigação da “Spiegel” e do consórcio EIC, emitiu duas faturas para duas companhias, uma no valor de €63,5 milhões, outra de €11,2 milhões. A primeira para a Adifore, a segunda para a Arnel, a empresa offshore referida na sua declaração de rendimentos de 2014. CR7 assinara contrato com ambas por período igual, mas com contornos diferentes: até 31 de dezembro de 2020, a Adifore iria gerir os direitos de imagem do resto do mundo e a Arnel os direitos de imagem relativos a Espanha; uma vez mais, o rácio era o mesmo (80/20). As comissões de 10% a 15% à MIM e à Polaris também ficaram asseguradas.

Tudo isto foi feito antes do fim do ano, mesmo a tempo de entrar no exercício de 2014. Não foi por acaso. Não faltava muito para terminar o acordo entre Ronaldo e a Tollin e, sobretudo, para acabar o período de transição da “Lei Beckham”. Lembra-se da data de 31 de dezembro de 2014? Pois bem, a partir do dia 1 de janeiro de 2015, todos os rendimentos de Ronaldo e dos outros “impatriados” passariam a ser taxados como os de qualquer outro espanhol com os mais elevados salários, até 48% e não a 24%, e isso incluiria o salário do Real Madrid e o bolo dos direitos de imagem, independentemente da origem dos mesmos. Mas ao vendê-los à Adifore e à Arnel antes do reveillon, Ronaldo só teria, à partida, de declarar os €11,2 milhões (e fê-lo) e tributar 24% desse valor - e poderia não declarar os €63,5 milhões.


Contas feitas, em 2014 Ronaldo declarou €22,7 milhões (€11,5 milhões relativos a 2009-2014 e €11,2 milhões pelo contrato para 2015-2020) dos €149,8 milhões que recebeu por contratos de publicidade. Fica resolvido o ‘como’, o ‘quando’ e o ‘porquê’ - fica a faltar o ‘a quem’

Última paragem: Singapura

A 29 de junho de 2015, Cristiano Ronaldo foi para uma conta das suas redes sociais dizer que tinha chegado a acordo com um “bom amigo” para vender os seus direitos de imagem. O texto parece saído de um manual de assessoria de imprensa: “Estou muito entusiasmado por anunciar o meu acordo com a Mint Media, propriedade de um bom amigo meu, o empresário Peter Lim de Singapura, para que esta adquira os meus direitos de imagem. Este é um passo muito estratégico para mim e para a minha equipa de agenciamento para levar a marca Cristiano Ronaldo para outro nível, especialmente na Ásia”


Na declaração de rendimentos de 2014 constavam os direitos de imagem explorados em Espanha. Mas não os do resto do mundo

Nos documentos a que a rede EIC teve acesso não há prova de que a Arnel e a Adifore sejam, de facto, de Peter Lim, e também não há documentos que sustentem que foi ele a pagar os €74 milhões de uma só vez a Cristiano Ronaldo. O que há são manifestações públicas de uma relação próxima entre o jogador, o empresário e o agente, sustentadas pelo post de Ronaldo de 29 de junho de 2015, curiosamente um dia antes de a sua declaração de rendimentos de 2014 ser submetida ao Estado espanhol pelos advogados da Senn Ferrero.

Com Ronaldo, o timing é tudo. Porque só um jogador com uma invulgar capacidade de estar no sítio certo e à hora certa consegue marcar 374 golos pelo Real Madrid, 118 pelo Manchester United, 68 por Portugal, 5 pelo Sporting, e ganhar três Ligas dos Campeões, dois mundiais de Clubes, um Europeu de seleções, uma supertaça europeia, três ligas inglesas e uma espanhola, entre outros troféus. E, acima de tudo, ser eleito o melhor jogador do planeta em três ocasiões diferentes – e provavelmente a quarta no final deste mês. O que ainda não se sabe é se Ronaldo terá conseguido explorar a relação espaço-tempo de uma forma tão eficaz no planeta fiscal.

Para especialistas em assuntos fiscais, como o hispano-alemão Rafael Villena, que passou anos a fio a examinar estas estruturas, a situação é clara: “Ronaldo devia ter declarado todo o dinheiro pago à Tollin em cada ano, a começar em 2009 e não apenas em 2014”, diz à “Spiegel”. Fontes consultadas pelo “El Mundo”, por outro lado, acreditam que Ronaldo poderá ter incorrido em três irregularidades. A primeira, não ter tributado as receitas provenientes de empresas que, teoricamente, não têm presença em Espanha, como as asiáticas Emirates, Americana Group ou Drive Dentsu. A segunda, ter decidido que apenas 20% dos pagamentos de empresas com atividades evidentes em Espanha (Real Madrid, Nike, Herbalife ou Samsung) seriam declaráveis. A terceira, não ter declarado os mais de €14 milhões que saíram diretamente para duas empresas irlandesas relacionadas com a Gestifute: a MIM e a Polaris Sports. E, a isto, somam-se os antecedentes com outros clientes de Jorge Mendes, como Fábio Coentrão, Pepe e Ricardo Carvalho, todos eles com estruturas offshore; e as multas aplicadas a Messi, Javier Mascherano, Xabi Alonso ou Adriano, outros futebolistas de perfil alto que jogam (ou jogaram) em Espanha.

*European Investigative Collaborations

80%

Os colaboradores de Cristiano Ronaldo e da Gestifute fizeram a seguinte divisão para os direitos de imagem do futebolista do Real Madrid: 80% para os proveitos gerados fora de Espanha, 20% para os proveitos gerados em Espanha, onde o português reside desde 2009.

O INÍCIO


A 6 de julho de 2009, Cristiano Ronaldo foi apresentado no Santiago Bernabéu perante 80 mil pessoas, ladeado por Eusébio, Di Stéfano e Florentino Pérez. Em dezembro de 2008, o jogador já assinara outro contrato, com uma empresa chamada Tollin, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Ficou acordado que a empresa seria a depositária dos direitos de imagem do futebolista e o futebolista seria o recetor de “todos os rentimentos recebidos pela sociedade”

Quem é Peter Lim? 

Segundo a “Forbes”, estima-se que Lim tenha uma fortuna a rondar os 2,4 mil milhões de dólares, que terá enriquecido um dia quando investiu na compra de uma empresa de óleo de palma que depois revendeu a um preço exorbitante. Além de ser um “bom amigo” de Cristiano Ronaldo, Peter Lim também é um grande amigo e parceiro de negócios de Jorge Mendes, o agente/gestor de carreira de Ronaldo. Porque foi através de Mendes que Lim se tornou dono do Valencia, clube da primeira liga espanhola que já foi treinado por Nuno Espírito Santo, o primeiro futebolista a ser representado pelo agente português, nos anos 1990. Além disso, há vários futebolistas no Valencia que fazem parte da carteira de clientes de Jorge Mendes, como Cancelo, Enzo Pérez ou Rodrigo.

O que é a “lei Beckham”


TAXAS A “Lei Beckham” foi criada pelo governo espanhol em 2004 e permitiu aos estrangeiros residentes em Espanha que auferiam salários elevados pagar impostos com uma taxa de 24%, bem mais baixa do que aquela aplicada aos espanhóis, que podia chegar aos 48%. Essa “Lei Beckham” seria revogada em 2010 mas Ronaldo, que chegou a Madrid em 2009, beneficiaria deste estatuto de “impatriado” até final de 2014.

149,8 Milhões, foi quanto Cristiano Ronaldo recebeu pela exploração dos seus 
direitos de imagem pelos períodos 2009-2014 e 2015-2020. Desse bolo total, declarou €22,7 milhões, relativos apenas às receitas provenientes de Espanha

A ligação entre Lim, Mendes e Cristiano Ronaldo

VENDA A 29 de junho de 2015, Cristiano Ronaldo disse que tinha vendido os seus direitos de imagem a um “bom amigo”. “Estou muito entusiasmado por anunciar o meu acordo com a Mint Media, propriedade de um bom amigo meu, o empresário Peter Lim de Singapura.” Lim também é amigo de Mendes e foi através dele que comprou o Valencia, clube da 1.ª liga espanhola.

12,5%“Não foram detetadas quaisquer irregularidades nas contas do clube”

Antonio Galeano, diretor-geral para os media do Real Madrid

12,5%     

O imposto sobre sociedades na Irlanda é de 12,5%. E foi justamente pela Irlanda, através das empresas MIM e Polaris, que passaram as receitas dos direitos de imagem de Cristiano Ronaldo. Uma parcela ficou como comissão para as duas empresas, taxada a 12,5%, e o resto seguiu para as Ilhas Virgens.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Fugas para a frente que Doyen e o rebanho leonino

Fugas para a frente que Doyen

A publicação do acórdão do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) a propósito do "caso Doyen/Sporting/Rojo" deixa claro que a estratégia de fuga em frente adoptada pela SAD era errada, tal como aqui foi afirmado várias vezes. 

Teria sido preferível e mais avisado, tal como também aqui afirmamos, procurar um acordo para aquele caso especifico e deixar extinguir os restantes ainda vigentes, caso o Sporting não quisesse negociar mais com aquela entidade, pondo fim a uma relação que legitimamente não queria prolongar.

Os prejuízos económicos, que podiam ser nulos numa perspectiva pessimista, serão contundentes: A SAD tem de acrescentar aos 4,5 milhões já pagos ao fundo mais 10,5 milhões. Tem de pagar 90% das custas do processo e custear os honorários dos advogados e ainda parte substancial dos ordenados de Nani (1,8 milhões de euros), que eram encargo do Manchester United. 

É importante realçar que, tendo que arcar com os honorários do nosso ex-jogador, o Sporting vê-se onerado por uma verba que também podia ter evitado pagar, transformando um excelente negócio num mero empréstimo por valores incomportáveis para a nossa realidade. Lembro que um dos principais argumentos contra os fundos eram uma forma de empurrar os clubes para os gastos excessivos.

Convenhamos que o acórdão não é de todo uma surpresa. Até um leigo percebeu logo no inicio deste caso que havia pouco ou nenhuma racionalidade na decisão da SAD e que esta foi tomada numa base populista e de fuga em frente. O que o acórdão agora acentua é que ou os advogados do Sporting foram incompetentes, o que deixa temer o pior para a sorte do recurso, ou a causa deveria ter sido entregue a S. Judas Tadeu, o padroeiro das causas perdidas. Alguém andou a contar histórias aos Sportinguista. 

O rebanho leonino
Discutiu-se ontem no Conselho Leonino a exoneração de um dos seus elementos, neste caso Rui Barreiro, sobre o pretexto de este não respeitar os regulamentos. Que eu me lembre é a primeira vez que tal sucede, embora não seja a primeira que membros daquele órgão expressam publicamente discordância ou desagrado relativamente à SAD ou assuntos relacionados com o clube. Parece-me estarmos na presença de mais um exercício de intolerância que a votação de um "pedido de demissão do próprio" estendeu até à tentativa de humilhação. 

Isso é tornado claro nas afirmações do presidente do C.L.: "fica completamente isolado, é como se não existisse". Isto vindo de quem tem como cargo a representação de todos os associados, independentemente das suas convicções. 

É lamentável que mais uma vez, e num registo idêntico ao que vimos no passado, os elementos daquele órgão se limitem a fazer "mééé", perdendo a oportunidade de prestigiar aquele órgão e justificar a sua existência, transformando-o num rebanho amestrado pela voz do pastor.

Duas notas finais não menos importantes sobre esta matéria:

- Seria interessante que, ao invés de uma declaração final aos jornalistas, fosse elaborado um comunicado que informasse a generalidade dos associados - que são a quem os órgãos sociais têm o dever de prestar contas - das matérias tratadas e do número de elementos presentes, bem como do número dos votantes.  Gastou-se toda a tinta a falar da vida dos rivais? É que seria interessante descobrir como se chegou à percentagem de 99% dos votos expressos na votação.

- Este tipo de comportamento unanimista é em todo semelhante ao que se assiste em outros clubes. Nós,  que tanto nos orgulhamos de apregoar a diferença, parece que nos queremos distinguir pela negativa. Estas são matérias cuja gestão do bem fazer depende não dos orçamentos mas apenas das convicções e dos valores de quem as administra.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

O caso Doyen: porquê fechar as portas dos Fundos?

O Sporting expõe por estes dias os seus argumentos no caso que a opõe à Doyen. Como é hoje sabido por todos, o conflito entre o clube e a referida empresa remonta à venda de Rojo ao Manchester United, envolvendo simultaneamente os direitos económicos sobre Labyad, que ainda se mantém como nosso jogador.

A estratégia poderia ter sido outra?
O caminho seguido pela administração neste caso, à semelhança de outros, foi de elevado risco. Vencendo, recolherá os louros de uma vitória muito importante para a sua estratégia. Sendo derrotada, terá que arcar com as consequências que se estenderão para lá das importantes repercussões económicas. Porque, como não é difícil de adivinhar, a derrota terá um significado importante na já de si sempre atribulada vida interna do clube.

Veremos se o risco assumido compensa. Mas afigura-se-me muito difícil de prevalecer o argumento de apenas devolver o dinheiro investido por um parceiro, ficando o clube com a totalidade dos lucros. Argumento já repetido no que parece ser o futuro caso Carrilo.

No meu entender, tendo em conta as consequências que uma decisão negativa pode representar para a recuperação económica da SAD, seria mais avisado deixar extinguir a validade e acção dos contratos deste género e, uma vez que a SAD os entende como perniciosos, deixar de recorrer a eles, o que me parece que tem sido seguido. Mas também é verdade que me falta o conhecimento total dos contratos, dos argumentos das partes e, mais importante que tudo o mais, competência jurídica para os apreciar. Estimo que a decisão se tenha estribado em sólidos argumentos dessa natureza e que tenha sido tomada após cuidada reflexão interna.

A árvore e a floresta 
Foi a partir deste conflito de interesses que o Sporting, através do seu presidente, encetou uma luta não apenas com a Doyen mas com toda a forma de partilha de direitos dos jogadores por entidades externas aos clubes, conhecida hoje pelo acrónimo TPO's (third party ownership).

É muito provável que as razões de desconfiança relativamente à Doyen sejam mais que justificadas. E que, por exemplo, o valor inflacionado que nos foi pedido pelo Abubakar, relativamente ao valor que o FCP acabou por pagar pelo mesmo jogador, seja apenas uma das pontas de um enorme iceberg, do qual conhecemos muito pouco do que fica abaixo da linha de água. 

A recente promoção feita pela empresa em Madrid foi o que se pode chamar de verdadeiro tiro pela culatra para os interesses dos próprios. A falta de abrangência dos convidados, o atabalhoamento e falta de argumentos capazes de contestar os que são geralmente apontados como os principais defeitos chegou a raiar o confrangedor. Parece-me contudo que se confundiu aqui apenas uma das árvores com toda a floresta.

A enxurrada proibitiva é apenas destrutiva, não regula.
Ora a Doyen é apenas uma das muitas operadoras no mercado. O Sporting lidou com algumas delas e o recente resgate de parte dos passes de alguns jogadores em condições favoráveis e sem conflito é a prova de que o relacionamento é possível como pode ser interessante para todas as partes. 

Mas quando se fala de TPO's esquece-se que não existe apenas a possibilidade do uso de entidades financeiras e fundos de investimento como parceiros de negócio. Há uma diversidade de outras possibilidades, algumas das quais são usadas por clubes cujas circunstâncias e contextos se assemelham em muito aos do nosso clube. 

Um bom exemplo disso são os clubes holandeses: embora o país produza mais riqueza que o nosso (o PIB deve situar-se num valor perto do quadruplo do nosso) as limitações impostas pela demografia (menos de 17 milhões) reduzem-lhe o mercado alvo, impedindo-os de competir com os mais ricos (alemães, espanhóis, ingleses e italianos).

Detendo uma forte imagem de grande capacidade de formação, os clubes holandeses, para contrariar a saída precoce dos seus talentos, tem usado uma ferramenta que julgo que o Sporting não deveria ter desdenhado. Por exemplo o Ajax, cujas possibilidades económico-financeiras os impede de oferecer salários superiores a um milhão de euros anuais, tem oferecido aos seus jogadores, nos momentos de negociação de novos contratos, um valor percentual dos seus passes. 

Ora isto não só permite, no momento de uma futura venda dos passes, uma compensação justa para os jogadores, como os co-responsabiliza pelo seu sucesso. Por isso não é de estranhar que um dos responsáveis do clube holandês se tenha referido recentemente à extinção generalizada dos TPO's, numa entrevista à Bloomberg, como devastadora para os interesses particulares do seu clube e generalizado aos dos clubes que vivem em circunstâncias semelhantes.

O exemplo acima é apenas um dos muitos que poderiam ser dados. E um dos vários de que o Sporting poderia socorrer-se como forte argumento negocial, particularmente com os jovens que querem tanto ganhar dinheiro - aspiração tão diabolizada como justa - como gostariam de poder continuar a evoluir tranquilamente no clube que escolheram para se formar.

O que UEFA e a FIFA tomaram foi uma não-decisão baseada no ruído de fundo
Sem grande convicção e enfermando da mesma escassez de conhecimento da realidade e de argumentos, ambas as organizações muniram-se de um machado legislativo para cortar o mal pela raíz, invocando quase sempre o mesmo argumento: a falta de transparência. Ora estas entidades estão longe de poder ser consideradas um modelo de virtudes neste âmbito e muitos outros. Por norma, abstêm-se do uso do seu poder regulador, sendo pouco pro-activos e mais reactivos e permeáveis à força da opinião pública. 

Por isso, estou em crer, que a atenção agora devotada aos TPO's, surge muito por causa do ruído de fundo construído à volta do caso Rojo, quando já de trás se ouviam muitos zunzuns. Mas como por enquanto não há barulho sobre os tão confidenciais mas duvidosos verdadeiros seguros de derrota que alguns clubes já deitam mão para se prevenirem das perdas por ausência da Liga dos Campeões, ambas as organizações assobiam para o lado.

O medo como argumento
Muito desta campanha foi fabricada sobre a irracionalidade que o medo e a ignorância provocam. No Sporting particular e algo justificadamente, depois de duas experiências que, tendo começado com o inefável e infeliz exemplo de Pongolle, se saldaram por resultados desastrosos. Exemplos não faltam, até ao nosso lado, de que era possível ter feito outro caminho. Ora este resultado não se deveu tanto pelo uso dos fundos em si, mas pelo total falhanço por parte da administração desportiva propriamente dita. Se bem que considere que a discussão sobre a quantidade e extensão do seu uso seja não só plausível como obrigatória. 

Olhando para os jogadores adquiridos com recursos aos fundos, não deixo de me perguntar o que seria se o Sporting tivesse conseguido juntar-lhes estabilidade e algum dos três últimos treinadores. Ou melhor, o que seria na próxima época o Sporting se JJ tivesse ao seu dispor os recursos que Domingos teve na sua primeira época. Nunca saberemos.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Godinho/Doyen - Inácio - Rui Vitória - Futsal, o habitual - As heranças de BdC

Godinho Lopes ao lado da Doyen
Quando li noticia onde se dava conta que Godinho Lopes seria testemunha da Doyen pensei tratar-se de especulação jornalística. Esta foi porém já foi confirmada pelo próprio. Assim, a incredulidade dá lugar à estupefação. Só por motivos de força maior - como defesa da honra, de direitos, ou semelhantes - concebo a ideia de um sócio estar do lado oposto ao do clube numa barra de tribunal, o que, manifestamente, não me parece ser o caso. 

Tratando-se de um ex-presidente o caso torna-se ainda mais grave e ainda mais difícil de compreender. Só posso ver aqui uma tentativa de ajuste de contas entre o próprio e o actual presidente, sem qualquer cuidado com os danos que esta atitude possa infligir ao clube que, como é razoável perceber, tem neste processo já uma posição frágil para defender os seus interesses. Inaceitável, inqualificável e embaraçoso, com a agravante de, nesta acção, aparecer ao lado de Pinto da Costa, Filipe Vieira e outros "grandes amigos" do Sporting.

Inácio director de Relações Internacionais
Uma das consequências da entrada de JJ é já conhecida: a descida da cadeira cadeira de Director Geral para Director de Relações Internacionais. Trata-se de um "fato" desenhado, cortado e cozido à sua medida, uma vez que não existia antes. Não esperava nem fazia sentido que Inácio, sendo o braço direito do presidente, deixasse de o ser por causa da chegada de um treinador, mesmo que ele seja JJ. 

Ora sabido que é que Inácio e JJ são, de há muito tempo, um dos muitos exemplos de treinadores "água e azeite", era avisado tudo fazer para que os caminhos de ambos não se cruzassem muitas vezes. Fica por saber qual o conteúdo funcional do cargo e se, tendo descido na hierarquia, mantém o mesmo vencimento. Muitas dúvidas sobre as aptidões e méritos que o próprio possui para o desempenho da função, quando o mercado de trabalho está inundado de profissionais com competências e curriculum sólidos. Não seria mais natural uma nomeação menos pomposa mas mais de acordo com as funções que exerce?

Rui Vitória treinador do SLB
Está finalmente confirmado e será apresentado hoje. Rui Vitória é treinador do SLB. Uma noticia que nos diz respeito de forma indirecta, pela importância que o cargo de treinador tem sempre na competitividade de um dos nossos rivais.

Rui Vitória tem a seu favor o facto de ser um homem da casa e uma carreira pautada pelo facto de praticamente sempre cumprir os objectivos propostos, muitas vezes em circunstâncias adversas ou pouco favoráveis. Quem viu jogar as suas equipas vê com dúvida que o seu modelo possa vir a significar o sucesso num clube com as responsabilidades como o que agora terá a cargo. Partilho das dúvidas mas recordo o exemplo do recente triplete do Barcelona, em que o sucesso é alcançado num registo bem diferente do que era habitual. Além disso já se percebeu que LFV está capaz de apostar as fichas todas na remodelação da equipa, para que os adeptos não lhe possam cobrar o fracasso  que a saída de JJ para o Sporting representou na sua estratégia. Ora um treinador com bons jogadores está sempre mais próximo de poder ter bons resultados. Essa é a medida do sucesso na profissão.

Foi-se o tri no futsal
Os jogos desta fase de apuramento de campeão em futsal acabaram por confirmar a superioridade evidenciada pelo SLB o longo do ano. Como o actual modelo da competição não premeia a regularidade, tinha ainda uma secreta esperança que, nestes jogos finais o Sporting conseguisse reencontrar-se com o que de bom já havia conseguido fazer. As mesmas dificuldades mantiveram-se. Jogadores longe do melhor que já mostraram ser capazes, incapacidade de Nuno Dias arquitectar uma estratégia que contrariasse a boa organização que Joel Rocha construiu. Apesar de tudo, seria a descarada dualidade de critérios na hora do desempate de grandes penalidades a acabar por decidir o jogo crucial de ontem. Ficamos por saber o que poderia acontecer se o resultado obrigasse à disputa da "negra". O que vimos ontem não foi colinho, foi mesmo de liteira acolchoada.

As heranças
Bruno de Carvalho indignou-se com actuação da equipa de arbitragem, o que foi bem visível ainda no pavilhão, após o jogo. Na sequência da final produziu um comunicado no Facebook, onde lembra vários episódios recentes em diversas modalidades em que fomos prejudicados por decisões de arbitragem. Aí chamou-me particular atenção a menção a "mais uma herança das últimas décadas de gestão no nosso Clube" como razão para a recorrência destes fenómenos.

Ninguém poderá negar essa evidência. O Sporting não tem qualquer força ou influência e, na dúvida, as decisões pendem a favor de que as tem. Acontece que não se vê, na estratégia que o clube tem adoptado, como é que esta situação poderá ser mudada nem sequer no médio prazo. O Sporting permanece isolado, não sendo crível que, dessa forma, possa mudar o que quer que seja.

Ora, sendo verdade que BdC recebeu em mãos alguns dossiers de dificil resolução, não é demais lembrar que se apresta para entrar no terceiro ano de mandato. Por exemplo, a relva em Alvalade permanece um problema por resolver que depende apenas de nós. Nestes e noutras matérias um dia a herança recebida não será mais do que uma desculpa.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Carlos Vieira admite patrocinio da Guiné Equatorial-Empréstimo Obrigacionista-Novo investidor-Naming-Doyen

Carlos Vieira dá hoje uma entrevista ao DN onde aborda vários temas que estão no topo da actualidade e da preocupação dos Sportinguistas, tais como:

- O patrocínio das camisolas
- O que vai ser feito com o dinheiro do empréstimo obrigacionista
- Novos investidores
- Naming do Estádio José Alvalade
- Processo Doyen
- Orçamento da SAD

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Porque o fim dos fundos é mau para o Sporting. (E para o futebol nacional também)

O que penso sobre os fundos e sobre os fundos no Sporting
Falar sobre fundos tornou-se quase tão corrente como falar da bola que bateu no poste, dos erros dos árbitros, dos golos, etc. Mas quando falamos de fundos estamos a falar do TPO (third party ownership), isto é, da partilha de passes de jogadores entre clubes, entidades financeiras, investidores, agentes, empresários e até mesmo dos próprios jogadores. O seu fim já anunciado provocará seguramente grandes mudanças no futebol em todo o mundo, particularmente na América do Sul e Europa.

Ao contrário do que parece ser a corrente de opinião no actual Sporting, não olho para os fundos e vejo o anti-cristo. Pelo menos nem mais nem menos do que vejo noutro qualquer instrumento ou parceiro financeiro de que o clube se possa socorrer. O problema, a haver, está em quem negoceia e a forma como defende os respectivos interesses. Este não se confinará apenas às negociações com fundos, mas com a generalidade de parceiros a quem o clube recorra para se financiar. Cabe a quem representa o clube nas negociações retirar as maiores vantagens, porque do outro lado da mesa não está o Pai Natal com um saco de prendas, mas apenas alguém que procura ganhar dinheiro. 

O que haverá de diferente aqui se do outro lado da mesa ao invés de representantes da Doyen ou QFIL estiver o chairman de um banco ou entidade de crédito similar?

Especificamente sobre o Sporting lamento que a discussão esteja a ser muitas vezes mistificada, outras vezes manipulada, no que muito contribuíram os maus resultados desportivos que ocorreram no momento em que o clube apostou mais declaradamente neste tipo de financiamento. Os resultados dos rivais provam o que todos sabemos acerca de qualquer negócio: meter dinheiro nos problemas pode vir a representar um problema maior se a aplicação deste não for bem gerido. Ao Sporting faltou sempre alguma coisa ou várias ao mesmo tempo: um bom treinador, estabilidade e saber a dirigir, qualidade do plantel. Quando tinha um faltava outro. Os resultados de SLB, e de forma mais sustentada do FCP, comprovam que poder chegar a melhores jogadores tem um carácter diferenciador.

Depois há fundos e fundos. O que agora sucedeu com a renegociação das percentagens detidas pelo fundo do ex-BES, o Sporting Stars Fund, é o resultado de uma circunstância muito especial - o fim do banco com quem se tinha originariamente negociado - e pelo facto de o próprio fundo ser sobretudo um parceiro do Sporting. Na prática, ao invés de deter acções, o fundo comparticipava no risco de aquisição de jogadores. Risco que, neste caso concreto, e ainda sem fazer as contas, deve ter sido pago sobretudo do lado do investidor. Não fossem estas circunstâncias especiais alguém em bom juízo aceitaria os pouco mais de 12 milhões só e apenas pelas percentagens detidas de passes de jogadores valorizados como William Carvalho e Adrien, por exemplo?

Haveria muito a discutir sobre os fundos no Sporting. Inclusive, por exemplo, se é boa politica disponibilizar percentagens de passes de jogadores ainda em formação. O que me parece é que o clube não deveria abdicar de uma ferramenta como esta, sem pelo menos ter uma alternativa que lhe permitisse estar mais perto dos seus concorrentes directos, sob pena de comprometer a respectiva competitividade.

Perceber a estratégia do Sporting
O Sporting fez deste tema bandeira da actual gestão. Mas já fez uma inflexão notória mas que aparentemente tem passado despercebida nos comentários sobre o tema: começou por pedir a regulamentação da actividade para agora, agitando fantasmas sobre o comprometimento da verdade desportiva, querer a sua extinção.

Várias vezes tenho tentado perceber esta cruzada lançada aos fundos e a conclusão é quase sempre a mesma: O Sporting pretende com o fim dos fundos diminuir a capacidade de investimento dos seus rivais, de forma a deixá-los, sem as respectivas verbas, mais próximos dos valores que consegue aportar ao seu futebol. Isso seria perfeito, mas quanto a mim tem dois grandes inconvenientes, para poder resultar em pleno: 

(i) As maiores receitas dos seus rivais continuarão a possibilitar, pelo menos na teoria de que jogadores mais caros são melhores, maior capacidade competitiva. Os dinheiros dos fundos servem apenas para partilhar o risco na aquisição dos passes dos atletas, as elevadas verbas necessárias para pagar os ordenados destes têm que ser encontradas nas receitas dos clubes. É possível que, com o fim dos fundos, diminuam também as receitas obtidas na realização de mais-valias. Essa diminuição será em grau suficiente para nivelar os 3 grandes?

(ii) O fim dos fundos acabará por ditar um afastamento dos 3 grandes portugueses dos melhores palcos e, consequentemente, das grandes receitas, a menos que se descubra uma forma de contornar a perda do dinheiro destas parcerias. Que impacto tal terá no ranking dos clubes na UEFA, que determina o acesso à Liga dos Campeões/Milhões? Pelo menos no futebol a ideia de ombrearmos com "os maiores da Europa" se já era cada vez mais quimérica passará a ser impossível.

E aqui, na capacidade de atracção de financiamento e investidores, o problema continuará a ser, em grande medida, maior do nosso lado. Hoje a visibilidade do Sporting é inferior à dos seus rivais e isso é notório ao nível das parcerias e patrocinadores. Inverter este cenário é ainda mais ciclópico quando se sabe o atraso de muitos anos que levamos no marketing, corporate e demais áreas comerciais e de promoção da marca. 

Os fundos não representam uma panaceia para todos os males, como sabemos de experiência própria, mas sem eles e sem alternativa, clubes como os 3 grandes portugueses, Atlético de Madrid, Valência, e outros remediados europeus terão que se contentar em serem os eternos figurantes no "el passillo" aos mais ricos.

Todas as estratégias comportam riscos. Sobre a actual partilho a desconfiança sobre estes instrumentos, mas não me auto-excluiria do seu uso sem uma alternativa e não estou muito optimista sobre os seus resultados práticos.

Sobre a generosidade e bondade da argumentação a propósito da transparência do dinheiro e respectiva posse parece-me que quem tem como patrocinadores a Tacho Easy ou a Herbalife se devia abster de grandes comentários. Como em geral sobre quase todo o dinheiro, acrescentaria. 

Sobre o efeito pernicioso dos fundos e relações nebulosas com agentes de jogadores diria mais ou menos o mesmo. Não faltam exemplos, passados e recentes, em que o clube, para fazer valer os seus interesses, atravessou a linha que a lei e a ética impõem.


Que perigo representam os fundos?
Dizer isto não é ignorar os perigos que representa a existência dos chamados fundos. O seu peso crescente no futebol mundial é evidente: 

- Mais de um milhar de jogadores na Europa são já pertença de entidades financeiras. 

- Grande parte destes jogadores pertencem a um reduzido número de entidades ou agentes. O risco de dependência e subjugação dos interesses dos clubes aos interesses de um trust de investidores é notório.

Mais do que a sua extinção, parece-me que a regulação desta actividade, como aliás de qualquer outra, se tornou imperativa. Mas isto não ilude que perigos semelhantes ou até mesmo mais lesivos da verdade desportiva já anteriormente se tornaram realidade no futebol, muito antes da chegada dos fundos. Não mais nem menos do que em todas as outras actividades onde existe grandes quantidades de dinheiro em circulação e em que o apelo do lucro fácil é permanente.


A posição da UEFA e da FIFA
Os organismos que tutelam o futebol internacional têm alergia aos temas fracturantes e sobretudo não gostam de muito barulho e escrutínio. A ideia de extinguir os fundos, ou melhor dizendo, a partilha da posse dos passes dos jogadores, é sobretudo preguiçosa. O futebol não ficará mais equilibrado nem mais transparente. Esta decisão deixa cada vez menos espaço aos clubes de matriz associativa, como é o nosso, deixando o caminho livre ao futebol de clubes com um dono ou accionistas. E o dinheiro encontrará sempre novos caminhos para continuar a crescer e se multiplicar.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Em modo de Doyen a quem doer

Sou um Sportinguista privilegiado
Ter trabalho nos dias que correm é um privilégio, mesmo quando o trabalho é muito. Tem sido o caso nos últimos dias. Assim, os acontecimentos que ditaram o afastamento por indisciplina de Rojo e Slimani chegaram-me não a frio e aos pinguinhos, como se de tortura chinesa se tratasse, mas já devidamente coados pelo tempo. Dessa forma a irritação, o desconforto e a perplexidade que habitualmente se instalam nestas ocasiões - que infelizmente se repetem anos após anos - foram consideravelmente atenuados. Neste sentido, considero-me um Sportinguista privilegiado.

Sou um Sportinguista crédulo

Se se derem ao trabalho de reler o post anterior notarão que o meu feeling era de que ambas as situações se acabariam por resolver, com maior ou menor atrito, resultante da diferença de interesses em confronto, a contento das partes. Os jogadores veriam reconhecidos os seus bons desempenhos ao serviço do clube, com a possibilidade de progredirem nas suas carreiras. O clube receberia o retorno adequado pela valorização que lhes proporcionou, assim como ainda veria os seus cofres fortalecidos para a necessidade de os substituir e de realizar mais valias. Assim seria se o bom senso tivesse prevalecido.

Não sou um Sportinguista implacável mas reconheço a importância da disciplina
A possibilidade de um profissional suspender, de forma unilateral, o exercício das suas funções, mesmo em casos litigiosos com a entidade patronal, não pode ser tolerada, facto que nem merece discussão. Não só pelas repercussões que a impunidade teria entre profissionais, mas também pela mensagem que se replicaria no clube em cascata. Entre esses, destaco em particular os que fazem das tripas coração - leia-se sacrifícios e escolhas difíceis para seguir o Sporting, pagar quotas, GB's etc. Já foi possível entretanto perceber que as faltas em que os jogadores terão incorrido serão de natureza diferente, o que se constata com despromoção de Slimani para a equipa B.

A importância da vontade
Há também que considerar o seguinte, até por uma questão de equidade: sendo verdade que os jogadores assinaram de livre vontade, é determinante que essa vontade se mantenha para que o essencial do seu compromisso se mantenha. De outra forma têm que compensar o clube da valorização que o clube lhes proporcionou, interessando pouco discutir se ela seria ou não possível ou até maior com outra entidade. E, a ser verdade as verbas de que se fala, essa situação seria possível de se verificar. Isto é muito diferente de pretender que os jogadores se aprestam a fugir pela porta dos fundos à socapa porque há quem lhes pague mais.

No fundo, no fundo, ninguém gosta dos fundos
Não conheço ninguém, para lá dos que deles beneficiam, que seja capaz de articular um discurso coerente descrevendo os fundos como um modelo de virtudes. Como qualquer outra fonte de financiamento ela tem vantagens e inconvenientes. Acresce contra os fundos a opacidade dos seus interesses e composição, bem como da origem e forma como dinheiro circula. Mas há também que não mistificar em demasia, sob pena de se perder a objectividade.

Os fundos são tão amigos dos clubes quando lhes proporcionam a possibilidade de ter ao seu serviço jogadores que, de outra forma lhes seria impossível, como são os bancos quando nos oferecem a possibilidade de adquirir uma casa que, sem os seus (em)préstimos ficaríamos por comprar. O mesmo exemplo poderia ser dado para carros, ou ate mesmo para a alavancagem de negócios empresariais. As relações podem ser as melhores, ou apenas convenientes, é uma relação de interesse. A simpatia pelos bancos e pelos banqueiros entre os comuns mortais é tão grande como pelos fundos e empresários entre os clubes.

Convém no entanto lembrar que quer uns (bancos e banqueiros) quer outros (fundos e empresários) mantêm relações de proximidade - leia-se de favores mútuos - com alguns dos seus clientes que por vezes constituem graves distorções da livre e sã concorrência. É muito difícil de não constatar que o Sporting, por inabilidade sua, ou por vontade deliberada sua ou de terceiros, nunca logrou obter grandes favores.

É igualmente fácil de constatar que os fundos foram um instrumento fundamental no êxito da estratégia desportiva de ambos os rivais, quando no Sporting aconteceu o inverso. Ao invés do discurso do coitadinho, talvez não fosse pior avaliar friamente as nossas responsabilidades.

A guerra santa não começou ontem 

Dizia acima que sou por norma crédulo, mas não sou ingénuo. A guerra contra os fundos, no caso concreto da Doyen, não começou "ontem" com Rojo, vem já do tempo em que a actual administração assumiu funções. Todos os jogadores que a Doyen e outros fundos representam (p.ex. Labyad, Elias, Rojo e Viola) significaram problemas para resolver, o que é um sinal claro da falta de entendimento entre as duas instituições. A de Rojo é apenas a última.

A ideia de que estamos a disputar uma guerra santa contra os poderes obscuros da finança, dos empresários e todos males que enfermam o futebol pode ser muito agregadora - nós contra o mal - mas não me convence na totalidade. Como em todas as guerras santas há os argumentos para justificar os danos colaterais e depois há a realidade pura e dura. E essa diz-nos que o Sporting, como qualquer outro clube, ou tem meios próprios para financiar a sua actividade ou tem de recorrer ao crédito directo ou em forma de parcerias.

Pretender que os fundos são o anticristo, ignorando o que são os bancos é distorcer a realidade. O Sporting hoje sugere à Doyen que revele a sua estrutura accionista, revelando uma preocupação que não teve quando aceitou renegociar a sua divida com o BES por exemplo. Ou quando aceitou a Holdimo como parceiro. Ou quando anunciou uma parceria para o Oriente, com os empresários que trouxeram Slimani, que agora a estas horas devem estar a fazer contas à vida se a transferência do jogador falhar. Não há almoços grátis é um facto, mas também não há notas limpas. Pode o Sporting assegurar que negoceia apenas com os bons? E quem são eles?

Comunicados escritos a G3
São duros ambos os comunicados emitidos pelas partes. Eles confirmam afinal o que há muito é público: as relações difíceis, provavelmente já impossíveis sem uma barra de tribunal a mediá-las. As acusações e insinuações da Doyen são graves: sugerem pelo menos quebra de sigilo, falta à verdade e favorecimento de empresários contra outros. O Sporting, sustentando a razão para rescisão com justa causa, a intromissão de representantes da Doyen na actividade reservada à SAD bem como o aliciamento e incitamento à indisciplina por parte do jogador. Ambos dariam pano para mangas, mas isto é o essencial.

Amigos da onça
Naturalmente que, quem não é da Doyen, mas também está no mesmo ramo, mas não tem a mesma capacidade de alavancagem e de chegar aos melhores clubes e jogadores (é claro que a Doyen e Jorge Mendes são próximos, to say the least) deita hoje foguetes e elogia o conflito do Sporting com a Doyen.

Eu duvido que a estratégia que interessa ao Sporting seja a de andar a "queimar sutiens" na praça pública, partindo para uma guerra de que não sabe sequer o valor jurídico dos seus argumentos e remete para o limbo a possibilidade de realização de mais-valias com o jogador. E o que vai fazer às verbas que já recebeu do fundo, está em condições de as devolver, como prevê a ética nestes casos? Não aparenta este acto uma fuga para a frente, sem grande sustentação?

Empreender esta luta é-nos conveniente? Duvido. Lembro que hoje todos os jogadores beneficiam da luta empreendida por Bosman, mas foi só o jogador belga que viu a sua carreira ir pelo cano para os outros hoje empocharem verbas pornográficas, como beneficiários de uma luta que se ganharam sem levantar um dedo.

Haver havia, agora é que já não há
Haveria outra forma de resolver a situação do Rojo (e até do Slimani)? Sem dúvida. Bruno de Carvalho tem toda a legitimidade de escolher os parceiros que quiser para o Sporting bem como rejeitar os que não deseja. Até porque os fundos, e quem os detém, terão em breve a a actividade limitada, ou até impossibilitada nos termos em que a exerce actualmente. Desfazer-se dos jogadores por eles representados procurando retirar o melhor do negócio para o clube era possível, com a possibilidade ainda de chamar a si os méritos das suas valorizações. Resulta claro na sua actuação que quis a qualquer custo impedir que a referida empresa retirasse qualquer dividendo. O futuro dirá se a estratégia foi a mais adequada.

O azar é muitas vezes incompetência
A frase não terá sido bem esta mas foi algo de semelhante que Bruno de Carvalho terá dito sobre o trabalho dos seus antecessores e com a qual estou plenamente de acordo. Talvez seja uma boa altura para a trazer de novo à liça. Das duas uma, o recente acumular de casos significa que, ou Sporting só forma e contrata malandros que são representados pela pior da escória que há no futebol, ou então há alguma coisa que não estamos a fazer bem.

Próóóóóóóóximoooooo!
Cédric, e todo e qualquer que esteja valorizado mercado e que, dessa forma, tenha argumentos para negociar. Fácil é fazer acordos com o Cissé. Eu preferia uma pré-época mais calma.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Dossier "os fundos no futebol": o que já se sabia, o que se suspeitava, o que nem sequer se imaginava

O Diário de Noticias publicou no passado fim-de-semana um extenso dossier sobre os fundos e as suas complicadas relações (do ponto de vista da transparência) com os três grandes clubes nacionais. Pela importância de que a matéria se reveste e para memória futura, partilho com os leitores os referido dossier.

Este artigo surge num importante momento de viragem uma vez que a FIFA, em reunião ocorrida recentemente, já proibiu o uso desta importante ferramenta por parte dos clubes, proibição que em breve se estenderá a toda a Europa, Portugal incluído. E é ainda mais importante porque todos falam dos fundos sem saberem muito bem do que estão a falar. Os fundos não são apenas ferramentas pouco transparentes, a sua importância foi crucial no reequilibro de forças, depois da entrada em vigor da "Lei Bosman" e do dinheiro do petróleo no futebol, desequilibrando os pratos da balança em favor dos países mais ricos. 

De fora destas entradas de capital têm estado os clubes alemães, cujas dimensões económica e demográfica, a par de uma verdadeira aposta na formação de jogadores tem permitido manter-se no topo do futebol mundial, quem a nível de clubes quer de selecções. 

I Parte: Quantos jogadores são detidos pelos fundos / De que fundos falamos / Alguns Nomes por trás dos fundos / Os receios de Platini / O estranho negócio Moutinho entre outros:

II Parte: A que fundos pertencem os jogadores dos 3 grandes / Quem lucrou o quê com as vendas de Rodrigo e André Gomes / Por quem estão repartidos os jogadores do Sporting, dos quais apenas um terço é detido na totalidade / O clube fantasma que "assombra" os negócios do Porto

III Parte: O que são os fundos / O vento invisivel que move o futebol europeu (opinião) / Benfica fecha fundo / O "negócio Roberto" na PJ / Os fundos deficitários / A Proibição dos fundos e o risco de perda de competividade no contexto do novo alinhamento ditado pela Lei Bosman e a entrada em cena dos sheiks / A opinião de Fernando Gomes, presidente da FPF

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