sexta-feira, 22 de março de 2019

As férias de Keizer

Ao que parece a decisão de conceder férias ao plantel está a provocar a "habitual" indignação que é visível nas redes sociais. 

Ora trata-se de uma decisão do foro técnico, ele e a sua equipa técnica, mais do que ninguém, estão na posse da informação necessária para a tomar no sentido do que é, em teoria pelo menos, melhor para todos. Acresce que alguns dos titulares e potenciais titulares estão ausentes nas respectivas selecções. Daí que treinar com quem? 

Sem dúvida que há muitas deficiências para eliminar, comportamentos colectivos e individuais e colectivos a corrigir, outros a melhorar. Mas treinar com quem? Treinar muito não é necessariamente treinar bem. Aliás, não é por falta de treinar que a nossa equipa não joga melhor...

Muitas vezes com as melhores intenções, muitas outras nem por isso, nós, os adeptos, invadimos com as nossas opiniões, o espaço de quem toma decisões com base em critérios técnicos devidamente ponderados com opiniões emitidas de forma primária. Parece-me ser esse este o caso.

segunda-feira, 18 de março de 2019

É mais o que nos une do que o que nos separa?

Tal como agora com a direcção de Frederico Varandas, também no inicio do seu mandato Bruno de Carvalho teve problemas com "os nossos amigos" do FCP. Só que agora com consequências bem mais gravosas, com as agressões verbais e mesmo fisicas a dirigente, funcionário e respectivos acompanhantes em pleno Dragão Caixa. Tudo abençoado  e com a complacência do "papa" e dos seus "cardeais". 

Na altura, no ano de 2013, tudo acabou com o um corte de relações. Porém sem que nada o justificasse, porque não houve nenhum pedido de desculpas aos insultos dirigidos ao Presidente do Sporting, a 11 de Maio de 2017, o Sporting emitia um comunicado onde, entre outras coisas de dificil qualificação, se dizia no seu ponto 4:

Concluída esta reunião, verificámos que há caminho que pode e deve ser feito em conjunto, considerando que é muito mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa.
Tratou-se de um óbvio e conveniente varrer de lixo para debaixo do tapete. Mas, como quase sempre nestes casos, ele volta a aparecer e a cheirar ainda pior. Quem vacila no respeito por si próprio e sobretudo pela instituição que representa deixa a porta aberta a novos e mais penosos episódios. 

Espero por isso uma reacção institucional enérgica mas sobretudo eficaz, que signifique muito mais do que os habituais comunicados mais ou menos bélicos, mais ou menos folclóricos. O corte de relações não o é, é apenas fachada, uma vez que ao nível dos dirigentes e funcionários elas são inevitáveis. Actue-se onde dói mais, nomeadamente junto tutela e das instâncias federativas, exigindo a aplicação de penas exemplares - a interdição do recinto por exemplo - por falta de segurança registada com a conivência dos seus dirigentes. E que se aprenda definitivamente quem é o FCP e que alianças fazem-se com gente séria.

Por último uma nota que me parece fundamental. Os dirigentes do FCP mantêm-se mais ou menos os mesmos desde há muitos anos. Pinto da Costa é contemporâneo de João Rocha! Só assim se percebe que haja adeptos do Sporting que não saibam o que representou para o afastamento do Sporting dos centros de decisão e das decisões dos campeonatos ao longo das últimas décadas, desde os anos 80 até aos dias de hoje. 

Por isso me causa impressão, para não dizer mesmo repulsa, ver adeptos do Sporting a divulgar  as mensagens dos órgãos de informação portistas. Que se desenganem, porque o FCP é o mesmo dos Casos Guímaro, Calheiros e Apito Dourado Lda. e a única verdade desportiva que defende é a que acaba por levar os troféus, custe o que tiver que custar, ao seu museu. 

Há ainda outra ordem de razões que leva o FCP estar tão preocupado com o que diz e faz o Sporting: eles sabem que explorando as nossas divisões internas têm um clube mais fraco para lhes fazer frente. Foi assim que desde os anos 80, com a ineficácia, desleixo e incompetência nossa que se alterou o status quo. Pena é que, por interesses fáceis de descortinar, haja tantos Sportinguistas a ver o Porto Canal...

quinta-feira, 14 de março de 2019

Sócios do Sporting: onde estamos, para onde queremos ir

Miguel Cal publica hoje no Jornal Sporting um artigo com dados relevantes (e outros subliminares...) sobre o actual universo Sporting no que aos sócios diz respeito. A sua leitura é obrigatória para se perceber onde estamos, para onde queremos ir e, não menos importante, para de desfazerem alguns mitos e fake-news.





terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Sem bússula à procura do Petit Maritimo

Foi mais uma vez penosa a nossa passagem pelos Barreiros agora renovados. Nada a dizer do empenho dos jogadores mas muito a reflectir sobre a orientação que lhes foi dada para este jogo. A começar por uma saída a jogar condenada ao fracasso perante um Maritimo à La Petit: lentidão de processos e muita previsibilidade, precisamente o oposto que o jogo exigia. A isso ajudou também o facto de jogadores nucleares estarem claramente penalizados pelo jogo da passada quinta-feira. Muito em particular Bruno Fernandes que, à medida que o tempo avançava, ia perdendo discernimento e falhava passes atrás de passes. E Bruno Fernandes, sendo apenas um, tem sido claramente a "equipa". Quase tudo o que de bom é feito é-o graças a ele. 

Podemo-nos queixar da "habilidade" do  árbitro? Ou do anti-jogo dos insulares? Podemos, mas para tal se justificar e não soar a desculpa temos que fazer muito mais do que começar por desperdiçar os primeiros quarenta e cinco minutos. Ou os segundos sem acertar na baliza e sim no guarda-redes, fazendo dele um herói quando mais não foi do que um actor para passar o tempo, com a total complacência do árbitro. A verdade é que a qualidade das oportunidades criadas foi tão baixa que condenou à partida o respectivo sucesso.

Sabemos que no futebol português a palavra vergonha não existe. Se queremos lutar por alguma coisa contra as "equipas à La Petit", com quem sistematicamente perdemos pontos, não podemos usar desculpas ou alegar desconhecimento. O treinador do Marítimo mais uma vez consegue o que quer  (é quase inacreditável que nos tenha roubado oito pontos em nove jogos) e nós ficamos a lamentar como se não soubéssemos já ao que íamos.

Keizer precisa urgentemente de uma bússola para se orientar. O futebol português está longe de pedir as soluções que se oferecem no holandês. Se a bola não chega com qualidade à frente não adianta tirar médios por troca com avançados. É um facto que Wendel não estava a jogar, mas por o Phillipe para a molhada onde já estava Diaby perdido contribui apenas para acentuar a confusão e falta de discernimento que se acentuava à medida que o tempo decorria.




sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Tijolada final no La Cerâmica

Foi triste o adeus à Liga Europa. Triste porque foi mais uma oportunidade perdida para afirmar o nome do Sporting no futebol internacional, como todos desejamos. Triste porque sentimos que podíamos ter feito mais e também porque, mais uma vez, sentimos que fomos impedidos de fazer mais.

Há que o reconhecer sem qualquer subterfúgio: em ambos os jogos os nossos adversários foram-nos superiores, eles que também não são os coitadinhos que a sua classificação na La Liga levaria a supor. Na Liga Europa continuam sem perder. Se no primeiro jogo a nossa prestação foi confrangedora, ontem foi ligeiramente melhor, mas ainda assim muito longe do que temos que fazer a este nível. Ao contrário do que disse Keizer na antecipação ao jogo, a táctica é muito importante. É determinante até porque o jogo não se faz apenas da compleição fisica e da corrida, sendo óbvio que o apuro físico também é determinante. É a táctica ou a abordagem estratégica que permite a gestão dos movimentos, a colocação e gestão dos espaços e dos momentos, de forma a atenuar quer o carácter anárquico do jogo, dando aos jogadores condições para tomar as melhores decisões em função das circunstâncias.

Ora o que vimos ontem no La Cerâmica foi algo de muito semelhante, com ligeiras cambiantes, ao que já vimos na era Keizer: muita dificuldade a sair a jogar - o treinador espanhol antecipou bem que íamos sair a 3 e igualou numericamente a oposição - muita distância para os médios, sempre obrigados a receber de costas. Dessa forma praticamente não conseguimos criar condições para visar a baliza adversária. Com duas escassas excepções, ambas muito mais por obra e graça não do espírito santo mas da raça, pundonor e talento de Bruno Fernandes mas não por acções de carácter colectiva, como deveria ser. Os 24 anos (!) de Bruno Fernandes valem o seu peso em ouro e equivalem e superam os de muitos veteranos. 

Obviamente não podemos deixar de olhar para o resultado desta eliminatória sem esquecer os dois lances que acabam por marcar o nosso destino na competição. A expulsão de Jefferson é um misto de imprevidência do jogador e e mau juízo do árbitro. Jefferson não é um exemplo de inteligência, como sabemos, mas está a correr e em disputa física, pelo que não pode parar para pensar. O árbitro viu o que viu e revendo o lance várias vezes perde-se a convicção de mero acidente que o visionamento imediato do lance fornece. O jogador não pode ficar com a perna no ar ou no bolso. Agora se o árbitro acha que o Jefferson pisou o adversário, deveria puni-lo com vermelho directo, mas certamente a sua má consciência não terá deixado...

Há  ainda o lance de Dost que, em condições "normais", ter-nos-ia dado a qualificação. Mas o seu falhanço estrondoso veio na linha da exibição do nosso ponta-de-lança. É óbvio que atravessa um período já prolongado de má forma, mas é bom não esquecer que o holandês tem quase tantos jogos feitos como golos marcados. O seu jogo tem limitações evidentes mas também tem virtudes das quais temos beneficiado amplamente. Só a falta de memória poderá alterar estes factos. E, pelo que se vai vendo, os suspiros por Luiz Phelyppe estão longe de se justificar.

Não foi uma jornada feliz, tudo o que podia correr mal correu, mas também é verdade que fizemos muito pouco para correr melhor. E quando parecia que estávamos em condições de poder fazer um pouco mais, depois de igualarmos o resultado, os pratos da balança voltaram a inclinar...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Keizer faz prova de vida

Não podia ter expectativas mais baixas para o encontro que nos ia opor aos arsenalistas de Braga. O jogo com o Villareal havia-se encarregado de as esvaziar, tão amorfa que fora a exibição. Keizer porém resolveu preparar-nos uma surpresa mostrando uma faceta criativa que não parecia possuir. Mas talvez o mais surpreendido de todos tenha sido Abel, de tal forma que a nossa superioridade haveria de se manter pela generalidade do tempo de jogo. 

A verdade é que o jogo começou a ser ganho precisamente na quinta-feira, quando o treinador holandês resolveu fazer descansar grande parte dos titulares no jogo com os espanhóis. A estratégia é discutível, obviamente, mas a verdade é que, quanto mais não fosse pelo brio e pelo orgulho, o jogo de ontem era o mais importante. Mas o plano foi tão bem arquitectado e tão bem desempenhado pelos jogadores que pareceu termos de volta o Keizer Ball com uma variante até agora inédita, que alguns diziam que não era possível: estava pela frente um adversário poderoso. Ganhamos, com este vislumbre da sagacidade de Keizer, um novo fôlego para a esperança que já começava a definhar. 

Saliente-se que o acerto na escolha táctica contou com a indispensável atribuição de funções adequadas ao sucesso dos jogadores, oferecendo-lhes assim a possibilidade de mostrarem maior qualidade do que a que vínhamos observando. Essa é afinal a função do treinador e é o inverso do que se vinha sentindo e que me levou a escrever isto no último parágrafo do post anterior: "podemos discutir a qualidade individual de alguns jogadores mas até aí o trabalho de Keizer está a falhar: um bom treinador potencia a qualidade dos jogadores, mas a consequência directa das suas opções  tem resultado na exposição dos seus defeitos." Ontem até Gudejl e Diaby pareceram outros.

Os próximos jogos serão um observatório interessante para aferir que efeitos teve esta vitória tão categórica nos níveis de confiança da equipa e que reacções provocará nos adversários. Mas sem dúvida que a nota mais importante a reter foi a prova de vida que Keizer acabou por realizar. Se é verdade que ele ainda nos está a conhecer a nós - clube, cidade, país, competição - ficou no ar que também o vamos ter que o conhecer melhor.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Miserável!

Ao contrário do que provavelmente pensava a generalidade dos adeptos, em nenhum momento me passou pela cabeça que o Villareal era um adversário facilmente ao nosso alcance, só porque estão em último lugar na sua Liga. Não apenas porque não faltam jogadores de qualidade e experiência no seu plantel, mas também pelo diferente percurso que se regista na Liga Europa, onde continua sem perder. 

Bastaram por isso apenas três minutos e alguns segundos para ficar à vista de todos ao que vinham os de Vila-real, bem como a raiz dos nossos problemas: uma equipa que deixou de o ser, que perdeu as suas referências e que se viu despida das virtudes do agora tão distante período de encantamento com Keizer-Ball. Até prova do contrário, estivemos na presença de um meteorito que hoje não se vislumbra que possa voltar à vida, tão profundo que é o abismo onde se despenhou.

Tem a palavra agora Frederico Varandas. A aposta no técnico holandês foi uma jogada pessoal de elevado risco, totalmente desaconselhada no contexto em que o clube vive. Uma aposta no escuro do seu curriculum e de uma escola em perda, como aqui dissemos na altura. Mas pior do que um erro de avaliação é continuar a laborar num erro. Não decidir, não comunicar, não explicar é apenas aprofundar a sensação de nau à deriva. Varandas vai ter que decidir se corta a âncora que Keizer se tornou ou se se afunda com ele.

P.S.- podemos discutir a qualidade individual de alguns jogadores mas até aí o trabalho de Keizer está a falhar: um bom treinador potencia a qualidade dos jogadores, mas a consequência directa das suas opções  tem resultado na exposição dos seus defeitos.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Fomos à Feira e trouxemos apenas o essencial

Fomos à Vila da Feira buscar o essencial: os três pontos. O nível exibicional continuou sofrível, particularmente a primeira parte, onde estivemos a desorientação foi tão grande que não teríamos sido capazes de ver a torre de menagem, ainda que tivéssemos encostados a ela. Na segunda parte as coisas melhoraram um pouco, mas muito mais em esforço do que por evidente superioridade que se deveria registar pela diferença individual  à disposição dos treinadores. A excepção foi mais uma vez Bruno Fernandes, cuja classe merecia muito melhor companhia.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Também tu, Godinho?

No final do jogo de ontem eram várias as perguntas que me ocorriam havia uma que não me saía da cabeça: como é que o Sporting envolto em tantos problemas e à procura da sua identidade ainda desperta o interesse e a vontade em tantos de nos abater? A arbitragem do Godinho fez lembrar a do Malheiro em Setúbal. Entrada a condicionar imediatamente um central, falha na avaliação do lance de Bas Dost com o guarda-redes adversário e, tal como em Setúbal, um VAR mudo e quedo.

Mas talvez o mais sintomático da duplicidade de critérios tenha sido a condescendência perante o insulto de um puto talentoso mas ainda de cueiros. Há coisas que parece que ao invés de mudarem parece que se acentuam e será muita ingenuidade da parte dos órgãos sociais do Sporting pensar que não dizer nada ajudará a alguma coisa. Já sabemos que palavras leva-as o vento e que é preciso mais do que isso para alterar de forma significativa a divisão em duas meias luas que é o futebol português. Mas é cada vez mais claro que o famigerado sistema parece estar a aproveitar a porta aberta pelas declarações de Frederico Varandas no final da Taça da Liga. Depois de ontem e depois de Setúbal ficar calado aparenta consentimento ou desleixo.

Mas o resultado desfavorável tem pelo menos um "mérito" que o alcance de um empate poderia encobrir: o futebol que vem sendo praticado pelo Sporting é uma estrada para o abismo. Neste registo desengane-se que o resultado tangencial dá alguma esperança porque dificilmente viramos o resultado, até porque sofremos sempre um golo. A equipa está sempre mais perto de sofrer do que de marcar. Aliás, se grande parte do jogo de ontem tivesse jogado sem ponta-de-lança ninguém tinha notado. O conceito de jogada colectiva perdeu-se. A equipa está partida, os sectores muito longe uns dos outros e mesmo em cada um deles o distanciamento entre os seus elementos condenam à partida o êxito das respectivas acções. Se a qualidade individual é escassa, desta forma ela parece ainda mais evidente. 

O golão de Bruno Fernandes, que Keizer se encarregou de deixar tarefas de segundo plano, mitigou a realidade constrangedora mas a sequência de resultados não engana: cinco resultados seguidos sem ganhar, mesmo considerando que o empate em dois deles deu o primeiro troféu da época. Mas, neste registo, até parece que foi no século passado. É preciso serenidade? Sim. Mas também reacção. Os próximos três jogos (Feirense, Villareal e Braga) exigem uma resposta diferente do que tem sido dado até aqui.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Meterorito Keizer estatela-se contra Lage

Ser do Sporting é viver permanentemente numa montanha russa de emoções contraditórias. Tão depressa estamos a subir a montanha e, em posição privilegiada, a beneficiar de uma vista magnifica ( conquista da Taça da Liga, Campeãs Europeias de Corta-Mato) como de repente descemos a pique, já com o estômago colado à garganta, despenhando-nos a toda a velocidade (Setúbal, Derby). 

Mas a mais paradigmática das analogias é, neste momento, o próprio Keizer. O treinador que nos ressuscitou em sete jogos seguidos parece estar de pá de coveiro na mão a reabrir o buraco  de onde nos havia tirado. É certo que há jogadores sem nível para jogar no Sporting. Nem é preciso nomeá-los. Mas há alternativas a Gaspar. Se é para errar temos o Thierry Correia, que pode crescer. Gudjeli nunca será um "6" a menos que queiramos apanhar "6" outra vez num jogo qualquer. 

Mas pior que a escassez de recursos que o treinador tem à sua disposição e as escolhas que faz são a sua falta de uma ideia para o nosso futebol. Anarquia total, total incapacidade de agir ou reagir nas mais diversas situações que os momentos do jogo requerem. Um treinador completamente perdido no banco e, sem perceber o que está a suceder no campo, é totalmente incapaz modificar o curso dos acontecimentos. Imagem que acentuou numa conferência a roçar o patético, tal era o afastamento da realidade que demonstrou. Não tenho memória de um dérby tão desequilibrado e onde tenhamos dado uma imagem de total impotência como ontem! 

Não creio, com desgosto  mas com sinceridade, que haja uma segunda vida para Keizer. É cada vez um meteorito que passou por Alvalade de brilho tão intenso como fugaz. Poderá haver recuperação? É o meu desejo, mas que dificilmente teria a sorte de ver concretizado. O que quer dizer que se aproxima mais uma daquelas frentes frias e a possibilidade de o Sporting a convalescer voltar a recair é bem real. Vai ser preciso ainda mais coragem que a que foi necessária para concluir que Peseiro não servia.

Uma pequena nota já em modo de post scriptum que é de inteira justiça pelo que vi in loco, durante os 90 minutos: Bruno Fernandes. Fossem todos como ele!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

A Taça da Liga tinha um preço e estamos a pagá-lo

Há males que vêm por bem? Se este ditado fosse feito por Sportinguistas seria provavelmente ao contrário. Acabamos de conquistar a Taça da Liga para mergulharmos numa daquelas depressões cavadas de cortar os pulsos. Ou, se preferirem, de roer as unhas até ao... cotovelo. Tudo porque empatamos o jogo com o Setúbal, um dos candidatos à descida no campeonato ainda em curso.

Convenhamos que a exibição medonha é mesmo causadora de depressão. Entrada em tom de passeio, futebol aos repelões, toada que se manteve durante todo o jogo.  Dos princípios de jogo que nos deram alguma esperança inicialmente com a chegada de Keizer não se vê uma réstia. Dizer que as equipas se ajustaram e refizeram da surpresa inicial é redutor. 

Há várias razões para justificar este abandono, que vão desde o pouco tempo e excesso de lesões para consolidar o modelo e assim dar-lhe segurança. Mas, da mesma forma que houve dedo de Keizer há agora falta dele. E, apesar da fleuma que lhe é característica, nota-se no semblante aquele ar de astronauta perdido na imensidão do espaço, sem saber se deve descer, subir ou ir para a direita ou esquerda. E é esse o comportamento da equipa em campo nestes últimos jogos. 

Façamos um ponto de ordem aqui: eu nunca tive grandes veleidades relativamente à época em curso até Keizer chegar. Depois disso não desminto ter chegado a sonhar.  E com razão, pelo futebol apresentado. Agora estou naquele ponto em que ela(e) nos leva para o quarto e em vez de preliminares estamos a falar dos cortinados e tapetes... 

Analogias à parte, o que mais me preocupa nesta equipa é a ausência de correcção dos erros. E quem não aprende com os erros arrisca-se a cometê-los de novo. E foi isso que aconteceu ontem. Não foi apenas a entrada "à turista" que nos condenou a ver a baía de Cádis ao Petrovic desde o estuário do Sado. Por jogadas semelhantes passamos os palpos de aranha em Guimarães e só a grande exibição de Renan impediu um enxovalho maior. E ela vem sendo executada indiscriminadamente por vários outros: bola na referência atacante, que, não tendo marcação próxima, como devia, explora a bel-prazer o muito espaço disponível para quebrar os rins aos defesas e criar perigo. Só não vimos isto com o FCP porque então Marega tinha-se divertido à grande.

Mas a gestão do plantel também merece senão reparos pelo menos muitos pontos de interrogação. Muito em particular o desaparecimento de Miguel Luís, que dava critério no passe e qualidade a defender, pela forma inteligente que lia o jogo e ocupava os espaços. Tal como já havia deixado a ausência de Phillype em Tondela. E o que dizer da presença aparentemente tão obrigatória como inútil de Diaby? Mas estamos a falar de um treinador que aterrou há dois meses em Portugal, pegou numa equipa moribunda e descrente. A dois pontos do primeiro lugar e em segundo na tabela? Sim, mas porque os nossos adversários perdiam pontos inesperadamente, algo que deixou de acontecer.

É verdade que ontem fomos completamente gamados de forma tão descarada como nos havíamos habituado a ver nos idos de 80 e 90 do século passado. Há coisas que não mudam ou tardam muito a mudar. Por isso mesmo, se queremos ser mais felizes no futuro, não basta sermos mais organizados do que temos sido, temos que incorporar os "Malheiros & Cia"como obstáculos permanentes a ultrapassar. E nunca, nunca dar nenhuma vitória como óbvia ou adquirida.

Estamos a pagar o preço da conquista da Taça da Liga. No cansaço acumulado, na falta de tempo para treinar. Mas também pelo que foi dito por Frederico Varandas, quer em relação à arbitragem quer aos rivais. A desfaçatez com que o Malheiro chega ao jogo em Setúbal e inclina o campo é o preço que temos que pagar pela afronta. Frederico Varandas tem agora que saber desatar o nó górdio a que ficou preso pelas suas declarações em Braga. Sem receios, porque o que disse então estava certo tal como desmascarar a forma habilidosa de errar sempre para o mesmo lado de Malheiro também o é. Calar é consentir e isso é muito pior.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Taças para que vos quero!

A ínfima parte que me pertence nesta vitória na Taça da Liga dedico aos adeptos que acreditam que ganhar é sempre possível para o Sporting. Mais do que um resultado aqui ou ali, ganhar é nosso destino!

Dedico também aos  jogadores que lutaram sempre, mesmo quando tudo parecia já perdido e as forças escasseavam. Na alegria genuína com que festejaram disseram o quão importante para eles era esta vitória.

Dedico também aos que de forma desrespeitosa menosprezaram a força deste enorme clube ainda a levantar-se do pó e a sacudir as cinzas. Aos que diziam que podíamos ser goleados pelo Braga. Aos que, na véspera, pensavam que voltávamos a uma final para cumprir uma  formalidade e ser meros figurantes na festa do FCP.

Dedico também aos "desportistas" de pacotilha, que o são apenas na hora da vitória e rapidamente se transformam em grunhos na hora da derrota. Anões moralistas, que pregam aos outros virtudes que não possuem ou desconhecem. De todas as desgraças que nos têm sucedido espero que esta nunca nos aflija!

Foi "só" uma Taça da Liga, é certo. Podia até não ter sido. Mas fomos os mais fortes (ao contrário do que dizia o outro...) porque aguentámos, cerrámos os dentes na adversidade do resultado e das lesões e, na hora da verdade, falhámos menos. Já fomos melhores e perdemos muitas vezes. Desta vez fomos melhores porque ganhámos.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Keizer? Bola!

Não gosto de desculpas, mas também não gosto de reacções a quente que mais não fazem do que introduzir ainda mais irracionalidade onde ela já abunda. Interrompo assim um longo intervalo sem publicar, muito por força do desaire miserável de ontem.

Antes de mais não faz qualquer sentido as atitudes de terra queimada. Os maus resultados recentes têm exactamente os mesmos responsáveis que os bons resultados iniciais. A entrada de Keizer foi um doping moral que se esfumou por várias razões muito concretas: não temos plantel para fazer "um passeio no parque" como muitos pensavam que ia ser após as vitórias consecutivas.

Com o cansaço dos jogos acumulados vêm ao de cima as limitações individuais que abundam no nosso plantel - grande parte dos golos sofridos, que são muitos, têm vindo daí - e os jogos consecutivos não permitem a intervenção do treinador.

O Sporting para ser campeão ou para acalentar essa ideia tem de defender muito melhor e não pode sofrer um golo ou mais por jogo. É um problema de treino e organização sim, mas também resulta da baixa qualidade geral dos jogadores de meio-campo que poderiam desempenhar essas tarefas. Há muito "lixo" para varrer. (não gosto de me referir assim aos jogadores mas é o que é...).

Quanto à diferença que poderia significar ter visto chegar mais jogadores mais cedo neste defeso, é verdade. Mas também é verdade que se o tivéssemos conseguido eles praticamente não teriam treinado, logo a possibilidade de poderem ser utilizados com proveito era praticamente nula. Constatar isto é também admitir que chegar ao 2º lugar é neste momento e nestas circunstâncias uma miragem. Temos que competir não com um mas com dois adversários, que estão melhor que nós e mais equilibrados. O 2º lugar é de um deles, a menos que o Sporting consiga melhorar significativamente. 

Mas quer se queira ou não, Keizer está num processo de aprendizagem, precisa de perceber o campeonato português e por isso a chegada de Raul José e Quaresma podem ser muito importantes. É aqui que acho que há razões para esperar algo de muito melhor, tem havido uma procura por dotar o departamento de futebol de conhecimento e profissionalismo e abandonar as decisões tomadas de forma errática pela cabeça de um um dois. Há razões para crer que pode resultar, não decidam os sportinguistas fazer o habitual: deitar a criança fora junto com a água do banho. Mas essa é uma das nossas especialidades e não falta quem ansiasse por este momento...

Mas voltando ao que aconteceu ontem, é preciso a humildade para perceber as especificidades do nosso campeonato, onde há bons treinadores que, não dispondo de tão bons jogadores como os grandes, conseguem montar equipas que se lhes opõem, dão lutam e muitas vezes lhes ganham. Essa humildade parece que esteve ausente desde o momento da convocatória, no alinhamento da equipa, na postura desta em campo e finalmente numa péssima leitura do jogo.  E quando vejo um treinador abdicar das suas ideias e do processo que fez crescer a equipa partir para o chuveirinho, recorrendo aos centrais, quando deixa ficar em Lisboa pelo menos um avançado que estaria mais confortável para esse desempenho, fico à espera do pior.

Como diria o outro, ontem para Keizer foi bola! Bola!

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