domingo, 19 de maio de 2019

Jogo no Dragão: hora e meia de happy-hour para Filipe & Cia

O Sporting tinha já o seu lugar fixado na Liga para a visita ao Dragão mas a final da Taça de Portugal no próximo sábado fazia do jogo uma espécie de exame de aferição das respectivas forças. Se no que ao futebol jogado diz respeito não ficaram razões de especial preocupação, já o mesmo não se pode dizer quanto aos critérios empregues na aplicação das leis disciplinares. Tanto assim foi que a dado momento pareceu que a hora e meia de jogo era espécie de happy-hour para Filipe & Cia. Para ajudar juntou-se no final uma série de erros técnicos que ajudaram a inclinar ainda mais o campo, culminando com um golo do desempate em fora-de-jogo. Às tantas o VAR estava já a desligar a parafernália técnica e não viu a posição de Herrera... Uma premiere da final do próximo sábado?

Quanto ao jogo jogado, o Sporting ficou obviamente condicionado pela expulsão de Borja, que teve que acorrer ao disparate de Bruno Gaspar. A equipa conseguiu reorganizar-se do ponto de vista defensivo e só no final do jogo Renan - muito bem ontem - foi visto no Dragão. Do ponto de vista ofensivo o nosso jogo ficou curto. Porém, e para surpresa geral seríamos nós a inaugurar o marcador, numa jogada muito bem desenhada e finalizada com uma calma e eficiência olímpica de Luiz Philippe.Mais um golo, quem diria, não é?

Nos últimos dez minutos a equipa foi perdendo discernimento e recuando, acabando por sofrer dois golos que ditam a derrota. Algo injusto para a aplicação dos atletas e especialmente para as boas exibições de Mathieu, Gudelj, do já citado Renan e Acuña.

Sábado novo jogo, nova oportunidade. Que só o será realmente se o VAR não estiver distraído com as vistas do Jamor e o padre de serviço não levar um missal reescrito.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

O "negócio" Gelson

O que se perspectivava há pouco mais de um ano ser um bom negócio, com a venda de Gélson Martins, acabou por se esboroar a partir do momento que se opera a rescisão unilateral do contrato. Para todos os efeitos o jogador deixou de ser do Sporting e o melhor que o clube poderia fazer era ou contestar até ao fim em sede judicial o acto do jogador ou um tentar um acordo com o Atlético de Madrid.

Por influência do próprio jogador, à semelhança do que já tinha acontecido com Patrício e William, o acordo acabou por se fazer nos termos que hoje se conhecem. É apenas o negócio possível, motivado, entre muitas outras razões, pela pressão de tesouraria que os compromissos dos próximos meses - subsídios de férias, impostos, renovações, aquisições de novos jogadores, etc - em que as receitas escasseiam. Não menos importante será a necessidade de fecho de contas da SAD equilibrado em Julho.

Porque paga o Atlético de Madrid por um jogador aparentemente livre? Porque não quer arriscar num processo que ninguém tem a certeza de poder ganhar e assim evitar futuros problemas na FIFA. Eventualmente também porque tem já o jogador negociado com o Mónaco, pelos 30 milhões que se falam.

Porque é que pagamos tanto por Vietto (naquele que é o ponto mais frágil deste deste negócio). Porque o Atlético de Madrid também tem contas e adeptos a quem justificá~las. Como é que justificariam oferecer um jogador ou cedê-lo a baixo preço por quem pagaram 20 milhões. Acresce que estamos a falar de um jogador que, apesar das más escolhas de carreira feitas, mantém intactas as qualidades que o notabilizaram e o tornam num reforço promissor.

Só tempo poderá ajudar a esclarecer quem fez efectivamente um bom negócio para o respectivo clube. Mas há um ponto em comum: ambos se procuraram livrar de pendentes que os incomodavam.

Obviamente que este negócio é muito assim para o "poucochinho". Mas o muito já tinha sido jogado quando se deixaram criar as condições para o que esteve na raiz de tudo isto: a invasão de Alcochete, faz hoje precisamente um ano. Há quem o prefira esquecer e só isso torna possível a narrativa dos então responsáveis de que "demos sempre lucro". A contabilidade do que então se perdeu em activos demorará muito ainda a fazer.

Obviamente que o Sporting recuperará, mesmo que a custo, deste desfalque. Mas o pior dos activos ficou cá a germinar e continua a corroer por dentro o Sporting: estou a referir-me obviamente à radicalização do discurso, à ausência total de princípios que marca o discurso nas redes sociais.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

O regresso inesquecível à Glória europeia


Entre as imagens de festa acima e a de baixo estão separadas por 42 longos anos. Está assim passado o testemunho do legado deixado pela equipa maravilha de 1977. Quem diria que após o abandono da modalidade, e aquando do seu regresso em 2011 quase do zero - com o trabalho notável de Gilberto Borges - estaríamos hoje a viver este momento inesquecível!...


segunda-feira, 6 de maio de 2019

O dia dos regressos felizes ao Jamor

Dificilmente poderei esquecer a última vez que estive no Jamor a acompanhar o Sporting. O prenúncio de um vendaval que haveria de varrer o Sporting tinha ficado anunciado naquela final e para o perceber não era preciso saber ler os oráculos. Ontem foi por isso um dia de regressos felizes aquele espaço mítico do futebol português. Como será bom repetir este regresso no dia 25!...

E desta feita também houve vendaval. Mas no seu local próprio, que é o relvado e em tom de recital de uma orquestra que ainda não toca de olhos fechados mas tem já direito a alguns solistas. Começou por ser Raphinha em dois lances que definiram o desfecho do jogo. Phellype continuou a executar a partitura "cada jogo um golo" e desta vez enfeitado com uma assistência para o regresso feliz e com sorrisos de Bas Dost. 

Mas, pela enésima vez este ano, o destaque vai para aquele que tem sido simultâneamente solista e maestro desta equipa: Bruno Fernandes, claro. Os número falam por ele e por nós. Tudo o mais que se possa dizer é de menos ou repetitivo.

sábado, 4 de maio de 2019

Erick: um campeão europeu, um campeão da vida!

Erick é um dos recentes campeões europeus de futsal do Sporting. Além do grande jogador que é é também Sportinguista do coração desde sempre. Apesar da sua juventude tem uma história de vida que é um exemplo notável de abnegação, coragem e perseverança. O Erick Mendonça é um campeão de futsal mas, muito mais do que isso é um enorme campeão da vida.


quinta-feira, 2 de maio de 2019

Luiz Phellype,o homem dos golos baratos

Luiz Phellype chegou a Alvalade despertando mais interrogações que certezas. À época, o reinado de Bas Dost era de carácter absolutista, permitindo pouco mais do que sonhos a quem se perfilasse para lhe disputar o lugar. Só uma lesão que lhe provocasse um afastamento prolongado permitiria veleidades ao brasileiro acabado de chegar de Paços de Ferreira. Essa lesão está fatalmente está em curso para ponta de lança holandês, conferindo a oportunidade a Phellype.

O percurso deste brasileiro de Minas é já o de um globetrotter, apesar de ter apenas 25 anos. As suas viagens pelo mundo do futebol começaram ainda bem cedo, quando despertou a atenção dos belgas do Standard de Liege, onde disputou escasso número de jogos nos sub-19. Não tendo o clube belga exercido a opção que detinha, seria o Estoril a ir buscá-lo em 2013. Porém, o Paços de Ferreira tiraria muito mais partido da prospecção canarinha, uma vez que o clube da linha o deixou escapar entre os dedos de empréstimos consecutivos. Beira Mar, Feirense e até uma passagem por África, via Libolo de Angola estão no seu registo de viagens mais ou menos fugazes.

Seria na equipa da cidade que se autoapelida de Capital do Móvel que Luiz Phellype começaria a chamar a atenção. Apesar de apenas época e meia em Paços de Ferreira, os seus golos despertaram os olhares mais atentos. Dos 23 golos marcados nessa passagem, incluem-se os obtidos frente aos tradicionais rivais do seu actual clube, bem como ao Sp. de Braga. Talvez por isso mesmo apenas o clube da Invicta não apareceu no seu rol de pretendentes no pretérito mercado de inverno, onde o Sporting acabaria de ganhar a corrida.

Mas não foram muito auspiciosos os primeiros tempos em Alvalade. A sua chegada haveria de coincidir com os piores tempos de Keizer até eclodir a lesão de Bas Dost. Conheceria o seu ponto mais baixo no Bessa, ao falhar um golo cantado quase em cima da linha. Isto depois de coleccionar exibições muito apagadas, onde vieram ao de cima os seus pontos fracos. Certamente que a adaptação à nova cidade, clube, colegas e treinador pesaram. Mas mais pesada é por certo a camisola que agora veste para quem vem da divisão secundária e sem estatuto especial.

Um dos seus principais argumentos - o imponente porte físico de 1,88 m - é por vezes um dos seus principais problemas, especialmente se não controlar a tendência para o  sobrepeso. Associado aos baixos níveis de agressividade que frequentemente exibe, acrescido de uma mobilidade pouco generosa, parece estar alheado do jogo que o rodeia. É por aí também que o seu jogo pode crescer, se conseguir participar mais do que nos momentos finais das jogadas, nomeadamente nos apoios frontais, fundamentais para a progressão do jogo da equipa e da manutenção da posse da bola.

Passados os momentos da necessária adaptação Phillype tem sabido superar com distinção o tremendo desafio que se lhe colocou de forma inesperada: substituir o goleador mor da equipa das últimas 2 épocas. Aquilo que ele mais precisava está a ter: a oportunidade de jogar, de forma a poder comprovar o potencial de goleador que se lhe começa a reconhecer, especialmente quando se movimenta perto da baliza adversária. Acumulando os golos obtidos em Paços de Ferreira, são já 15 os golos obtidos na época em curso, sendo seis deles já de camisola do Sporting vestida. Precisamente o mesmo número de jogos que iniciou até agora como titular.

A aposta que muitos consideravam de risco parece agora estar a render. Se com o tempo revelar consistência, o Sporting consegue num bom golpe de mercado aquilo que é cada vez mais raro: golos baratos, se atendermos ao volume de dinheiro investido no ponta-de-lança versus golos conseguidos.

terça-feira, 30 de abril de 2019

De quem é o titulo de Campeão de Europa de Futsal?


Sabem de quem é que é o título de Campeão da Europa de Futsal, mais do que qualquer outro?

A quem é que os sportinguistas têm de agradecer, mais do que a ninguém?

Aos sócios do Sporting com as quotas em dia.

Sim, são os sócios do Sporting com as quotas em dia que financiam e pagam as modalidades, justamente através do pagamento das quotas.

São os sócios "cotas" com as quotas em dia, são os mais novos, sócios infantis e juvenis (cujas quotas, a maioria das vezes, são pagas pelos pais ou avós, esses tais "velhos" de que muitos se queixam), os sócios de qualquer categoria e escalão com quotas em dia.

Os que desistem, os que deixam de pagar quotas só porque sim - e não por atravessarem dificuldades financeiras, por exemplo - os que falam, falam, falam, mas nunca se fizeram sócios...

Esses são os que menos podem falar. Alegrem-se, festejem, como sportinguistas, vocês merecem, todos nós, sportinguistas, merecemos. Mas ninguém, mais do que os sócios com as quotas em dias, estão de parabéns.

O Rei da Selva in Facebook

Nota pessoal: obviamente que é também e dos jogadores, treinadores, seccionistas, equipa médica e todos os dirigentes que trabalharam para que tal fosse possível. Mas só os sócios com quotas em dia é que tornam estes sonhos realizáveis.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Lágrimas de ouro!

Nuno Dias: A forma como os jogadores interpretaram [o jogo] e como lutaram foi extraordinária e, acima de tudo, aqueles sentimentos que nós trouxemos para o Cazaquistão e hoje para o jogo foram absolutamente indispensáveis para este triunfo. Assim como todo o espírito de equipa, toda a união, garra e solidariedade, a confiança que hoje demonstrámos em todos os momentos de jogo e a forma como nos unimos quando estávamos em dificuldades, porque o Kairat é uma excelente equipa. Mas, acabámos por ser felizes e merecemos toda a felicidade pela qual estamos a passar e agora é usufruir."

Miguel Albuquerque: "É um objectivo cumprido, era algo que nos fugia há uma vida. Competimos durante 16 anos na UEFA Futsal Cup, nunca conseguimos conquistar a competição e na primeira edição da UEFA Futsal Champions League o Sporting CP escreve o seu nome na história. Acho que é justo para eles [jogadores], fizeram tudo… uma equipa que elimina o SL Benfica, o Inter FS e que vem ganhar a Almaty merece. Há coisas que às vezes parecem que estão escritas na história: foi aqui que perdemos a primeira e a segunda final e foi aqui que, à terceira tentativa, conquistámos a competição. Eu falei nisso muitas vezes, sempre que cá vínhamos, algum dia tinha de ‘cair’ para o nosso lado e esse dia foi hoje”

"Toda a gente merece isto, os Sportinguistas merecem este troféu, espero que todos o consigam festejar, é um troféu muito importante na história do Sporting CP. Espero que amanhã (segunda-feira) os Sportinguistas consigam dar uma resposta daquilo que é a força do Clube e do nosso eclectismo e consigam ir receber estes heróis ao aeroporto, eles merecem porque são fantásticos"
Frederico Varandas: Um título que era perseguido há mais de uma década e no primeiro ano em que a UEFA agarra nesta modalidade e lhe dá uma dignidade máxima, organizando a primeira Champions League de futsal, essa nos livros da história será do Sporting Clube de Portugal. É um orgulho tremendo, um orgulho neste grupo, nos jogadores, na equipa técnica, no técnico de equipamentos, no departamento médico. É um grupo muito forte e é uma prova para toda a gente porque à entrada para este torneio nós não éramos os favoritos, mas a história diz que os heróis nunca partem favoritos antes das batalhas e antes dos jogos, e estes senhores escreveram história, tornaram-se imortais na história do Sporting Clube de Portugal"



quarta-feira, 24 de abril de 2019

A entrevista a Rogério Alves, PMAG

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting deu ontem uma entrevista que reputo de importante, onde analisa o momento actual do clube. Momento esse que infelizmente continua marcado pelo ruído permanente de acentuado cariz negativo em torno de todo e qualquer acto dos órgãos sociais. 

Até anúncio antecipado da programação da pré-epoca é objecto de comentários de indisfarçável azedume. Não será demais lembrar que, no ano passado, por esta altura, com uma direcção eleita e a viver em lua de mel com os associados, estávamos a discutir alterações estatutárias completamente desnecessárias, que obrigaram os sócios a ir a duas (!) AG's... Daí que, por via desse tal azedume, algumas das reacções ao que foi dito por Rogério Alves seriam mais ou menos as mesmas, ainda que ele tivesse aproveitado a entrevista para despachar algum dos processos do seu escritório ou fizesse uma pole-dance. Até o facto de ter sido dada ao nosso canal foi contestado. Preferiam a CMTV? Adiante...

Da entrevista retiro algumas das frases que me parecem mais relevantes, a entrevista pode ser vista na totalidade no vídeo abaixo. Os sublinhados são meus em função da relevância das afirmações.

Soube primeiro da carta (de Ricciardi, Dias Ferreira e Fernando Tavares) pelos jornais.


Não se trata de uma auditoria forense, mas sim de gestão. Foi mau para o clube ser objeto de uma fuga de informação. É muito prejudicial para o Sporting e SAD. É evidente que não é bom verem espalhadas informações confidenciais. Obviamente que a Direção não queria. Foi algo traiçoeiro, é uma violação de estatutos, mas não sabemos quem foi. 

Não faz nenhum sentido imputar à Direção a fuga. Pode vir de vários lados. A Direção seria a última entidade interessada pois debilita o poder negocial. A divulgação foi feita e a nossa preocupação é minorar os estragos. Não podemos ficar a esfregar na ferida, a lamuriar, a culpar a Direção. Há quem tenha ficado feliz por esta Direção ter tido um problema

Era bom que no Sporting deixasse de haver ex-candidatos. Isto é, não podemos permanentemente andar a ocupar o espaço público do Sporting com advertências, avisos, ralhetes, criticas. Quando paralelamente se está a desenvolver uma atividade de robustecimento do clube, quando efetivamente os sportinguistas estão a voltar a ganhar o entusiasmo por aquilo que é a atividade para o qual o Sporting nasceu, a desportiva. Como sportinguistas não podemos permitir que o espaço público relativo ao Sporting, que é enorme, esteja permanentemente ocupado por más noticias.

Tenho o mesmo respeito por todos. Mas é preciso dizer a todos os sportinguistas algo que é óbvio: AG? Amnistia?*(ver nota abaixo). Pessoalmente não tenho nada contra a discussão de ideias, ideias novas. Já disse que quero rever os estatutos... Terei todo o gosto em discutir a amnistia, mas parece-me óbvio que os estatutos não a prevêem.

Se me perguntam em tese qual teria sido a melhor posição, eu entenderia que o Sporting deveria ter apresentado recurso da decisão de não-pronúncia (n.d.r Processo E-Toupeira). O Sporting entendeu que o argumentário que poderia ser utilizado para reverter a decisão do tribunal já estava totalmente listado pelo Ministério Público. Eu, em tese, sem análise detalhada, penso que me inclinaria pela opção contrária. Simbolicamente teria sido mais marcante

O que está a acontecer é algo que nos pode guiar a uma das melhores épocas dos últimos anos. Ganhámos a Taça da Liga e não tivemos uma final com uma equipa de segundo escalão. Jogámos com as melhores equipas do campeonato. Os sportinguistas estão entusiasmados porque a Taça é a Taça, permitir-nos-ia ganhar dois troféus na mesma época, seria excecional. Há um projeto que está a correr bem e os resultados estão à vista.

Se ganharmos a final da Taça, e sendo muito difícil ir além do terceiro lugar, uma época sem Champions traz prejuízos, mas vamos agora jogar contra o atual campeão nacional, que foi aos quartos da Champions e se continuarmos com este ritmo podemos ter a expectativa de para o ano as coisas correrem melhor e podermos lutar pelo título. Se ganharmos a Taça, a época será muito positiva. Espero que ninguém estrague a festa, o universo sportinguista está preparado para fazer essa festa 

*Nota: A invocação de um expediente que não está previsto nos estatutos é desprestigiante para quem a pede, mais ainda se tivermos em conta o facto de muitos dos subscritores serem ex-dirigentes  do clube, do grupo Stromp ou mesmo sócios de elevada antiguidade.

Talvez o objectivo tenha sido apenas dar uma prova de vida e manter vivo "o ambiente de divisionismo que reina em Alvalade" quando os próprios fazem questão de falar primeiro para os jornais. São os mesmos que se queixam simultaneamente de a auditoria não ter sido revelada em primeiro lugar aos sócios(!), num jeito de "olha para o que eu digo mas não olhes para o que eu faço".Como diria o outro, estão apresentados.


sábado, 20 de abril de 2019

A Via Sacra que é não ter Bruno Fernandes

Para o comum dos adeptos, como eu sou, assistir a um jogo como o que fizemos frente ao Nacional acaba por ser um verdadeiro suplicio. Ou, para fazer jus ao dia, uma autentica Via Sacra. Não porque o Sporting tenha feito um mau jogo - mas a exibição também não encheu o olho -  mas porque não traduziu o domínio quase absoluto do jogo em número de golos. Ora, qualquer Sportinguista mais ou menos experimentado sabe que a possibilidade de sofrer um dissabor em jogos de registo semelhante é enorme. Talvez não tenha sucedido porque o Nacional não possua na sua equipa nenhum jogador que tenha jogado por nós. Ou porque é uma das equipas cujo modelo de jogo revele mais fragilidades deste campeonato...

Foi o golo do Phelyppe, "armado em Bas Dost", que acabou por reflectir no resultado alguma justiça. Mas talvez uma das ilações a retirar deste jogo seja a importância que Bruno Fernandes tem pata nós. Esta viagem à Madeira registou uma das exibições menos fulgurante do nosso actual capitão e extraordinário jogador. Deu certamente para percebermos que a falta que fará se se confirmarem os rumores que cada vez, de forma cada vez mais insistente, vão surgindo nos meios de comunicação social. Oxalá não se confirme...

Deste jogo há ainda a retirar a ideia de que Gudlej, não sendo um "seis" está longe ser tão mau como tem sido pintado e a sua produção subiu de qualidade com a subida colectiva. Por seu lado Doumbia que é mais um "oito" do que um "seis" parece ter mais possibilidades de resultar bem a sua adaptação à posição mais recuada da linha média. Nota para mais um grande jogo de Acuña, que me fez perder a aposta de que, tendo sido amarelado aos sete minutos, não acabávamos o jogo com igualdade numérica. Mas, mais uma vez, talvez sem dar muito nas vistas, foi Mathieu o jogador mais esclarecidos. Uma espécie de pivot a partir do lado esquerdo da defesa. Muita qualidade a ler o jogo, seja nas tarefas defensivas, antecipando muitas vezes os lances, seja a criar jogo, recorrendo aos passes a rasgar linhas na defesa nacionalista.

Três pontos mais do que merecidos com o único pecado a registar-se na escassez do resultado perante tanto domínio.


quinta-feira, 18 de abril de 2019

O regresso do Ajax e que sucesso possível para o Sporting de Keizer

O percurso do Ajax na Champions League fez voltar os holofotes para a "velha escola do futebol total" que, desde meados da década de 70, se estabeleceu em Amesterdão. Ten Hag foi beber à origem mas, como é natural nas ideias vencedoras, ofereceu-lhe evolução e adaptação aos desafios da contemporaneidade. Há ali muito das ideias precursoras de Totaalvoetbal Rinus Michels, aprimoradas por Johan Cruijff e do tikitaka de Pep Guardiola, também ele um discípulo inovador e ex-aluno da cátedra holandesa.

É por isso inevitável que nos lembremos de Keizer, o nosso actual treinador, pelo seu percurso. É aí que as perguntas se impõem: 

Será ele capaz de implementar algo semelhante no Sporting? Talvez esta pergunta deva ser feita em primeiro lugar para dentro do clube. 

Até que ponto estamos preparados, como clube, para proporcionar as condições de sucesso a Keizer ou a outro qualquer treinador? 

Estamos preparados para ter a paciência necessária para fazer crescer os nossos miúdos, aguentando nesse percurso, os erros naturais do crescimento e as suas consequências?

Temos o nervo suficiente para, no estilo agora tão elogiado do Ajax, de jogar tão subido, ter a paciência de deixar os jogadores procurar as melhores associações para jogar pelo centro e sair da pressão adversária? 

Ou, como quase sempre, gostávamos imitar os resultados dos melhores exemplos (quem não se lembra da corrente Klop do tempo do Borússia?...) mas não temos a paciência para lhes imitar os métodos?

Isto sem falar da permanente autofagia que nos consome. Um clube que vive uma época conturbada, que passou por uma série de eventos desestruturantes (invasão da Academia+rescisões+destituição+eleições com 8(!) listas) e ainda assim tem  a possibilidade de vencer a segunda competição nacional, continua a ter demasiado ruído à sua volta e que, em grande parte é fomentado no seu interior. 

Não sei se o Keizer é o treinador que o Sporting precisa. Talvez a pergunta deva também ser feita pela inversa: terá o Sporting as condições necessárias para fazer de Keizer, ou outro qualquer  o seu lugar, um treinador campeão?

Dizem-me muitas vezes que para haja as condições internas necessárias para o sucesso (estabilidade, ausência de permanente ruído, convergência de objectivos e a tal tranquilidade de que falava Paulo Bento...) só acontecerão quando começarmos a ganhar.

Não deveria ser precisamente o contrário?

quarta-feira, 17 de abril de 2019

10 pontos sobre a auditoria

1- A divulgação integral da auditoria é um facto de difícil qualificação. Tudo o que se pretende com a execução de um processo destes - clarificação de procedimentos, identificação de falhas, avaliação da qualidade dos processos de gestão e governance, avaliação do real estado do clube nas suas diferentes vertentes - tende a perder-se no ruído criado em torno de aspectos que em tudo lhe são laterais. Por isso, ao invés de estarmos a falar dos resultados que se terão apurado, estamos à procura do wally ou dos wally's que terão estado na origem do furo.

2- Os principais suspeitos não são desta feita o mordomo, como nas boas novelas policiais, mas todos aqueles que puseram as mãos e os olhos no documento. À cabeça está por isso o CD, que o recebeu em mãos e que o poderia estar a utilizar como arma no processo de expulsão do presidente deposto. Não há, pelo menos até agora, qualquer indicio que comprove esta teoria. Mas foi o próprio CD que se colocou na linha de fogo ao fazer chegar a terceiros o relatório, nomeadamente à PJ, segundo o que foi noticiado. 

3- No mínimo este acto tem de ser tido como precipitado. Porque o Sporting, como instituição, tem um órgão fiscalizador, o CFD, a quem competiria avaliar em primeiro lugar os factos apurados pela auditoria. E se as autoridades policiais não consideram os factos suficientemente relevantes para abrir uma investigação? Mantendo o relatório na esfera do clube limitava o indecoroso streap tease do clube, para gáudio dos adversários e inimigos externos e internos e angustia de todos quantos sentem o clube como uma parte de si.

4- Mesmo partindo do principio que o CD tem fundadas razões para requerer a intervenção das autoridades policiais e judiciais, existia ainda a possibilidade de ter enviado apenas a matéria sob suspeita. Enviando todo o relatório expôs matérias cujo sigilo é sua obrigação zelar. Não sabendo que consequências tal terá no futuro, podia pelo menos ter-nos poupado a mais este momento de desassossego.

5- Na sequência da divulgação da auditoria foram várias as reacções. Da indignação e estupefacção generalizada por parte dos adeptos até ao comunicado da YoungNetwork e de Carlos Vieira. Sobre estas reacções algumas notas: 
  • Não tenho dados para contradizer o comunicado da empresa de comunicação que trabalhou com a anterior direcção. Mas o custo da sua presença e acção no Sporting é muito maior do que a que vem contabilizada em números nos relatórios, nomeadamente a sua intervenção por via directa e indirecta na vida associativa do clube.
  • Carlos Vieira tem razão quando invoca o lucro, mas os dados da auditoria lançam pelo menos sérias dúvidas sobre alguns actos de gestão, seja sobre a sua qualidade, seja pela transparência ou mesmo até necessidade. Ficou curta a reacção.
  • O comunicado do clube foi curto também. Disse muito pouco para a gravidade do sucedido e nada sobre a intenção de apurar como se chegou a tal.
  • Não se conhece para já qualquer reacção da empresa auditora perante algumas acusações que lhe foram feitas, nem sobre o que pensam sobre a fuga da informação. Fugas essas que começaram por escorrer desde muito cedo para a CMTV, ainda sobre a vigência do mandato da Comissão de Gestão, que foi quem encomendou o trabalho, lembre-se.
6- Um capitulo especial para a reacção dos adeptos. Na sua maioria sobretudo com acento tónico na fuga da informação por um lado e, por outro, a procura das habituais teorias de conspiração. Estas mais não visam do que o desvio das atenções e descredibilização de alguns dados no mínimo preocupantes sobre alguns actos de gestão que carecem de um cabal esclarecimento. Para alguns a capacidade de indignação parece ter-se esgotado em 2013...

7-  Ainda que possam não configurar ilícitos, chamam particular atenção e devem ser esclarecidos para lá de qualquer dúvida:
  • O negócio com o Batuque. O valor envolvido é claramente excessivo para o resultado que se poderia obter. Mas também pelo que representa aquele tipo de valores para o clube cabo-verdiano e na realidade económico-social em que se insere.
  • Os valores despendidos no scouting, (por quem e com quem?) bem como a falta de justificação de despesas no valor de 1 milhão de euros.
  • A circulação de dinheiro vivo em elevados montantes, completamente contrárias às boas regras.
  • Os negócios da China com empresas que se esfumaram depois de receber do clube verbas elevadas face ao seu histórico. A CHOW abre falência depois de receber 60 mil euros, quando a sua facturação média era de 1.300 euros. A PTCN extingue-se depois de receber 20 mil e nenhuma delas teria colaboradores registados à data. 
  • O acerto de contas com as claques, no valor superior a 1 milhão de euros. Aqui não é apenas o tempo em que foi feito, que pode ser questionado, mas sobretudo como e quando, por não haver documentação relacionada.
  • A relação com a firma de advogados MRA. Pelos elevados valores envolvidos e pela sua proximidade com um elemento da direcção entretanto deposta.
8- Fica evidente que o aumento dos orçamentos foi determinante para a maior competitividade das modalidades mas praticamente inútil no futebol. Perceber o porquê é determinante para o sucesso da modalidade mais representativa do clube.

9- Fica claro pela auditoria que houve uma indiscutível recuperação económica do clube, face ao que conhecíamos de anteriores direcções,  em particular das duas últimas.

10- Fica claro também que, com o passar do tempo, os órgãos sociais entretanto depostos, abandonaram as melhores práticas e os melhores princípios que tinham como bandeira eleitoral, como se tivessem sido tomados por um sentimento de intangibilidade.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Demonstração de carácter e maturidade

Quando o nosso "amigo" Soares (tem quase sempre maus) Dias (quando arbitra o Sporting decide expulsar) Renan Ribeiro, no lance que resulta de desentendimento deste com Mathieu quem não pensou que dificilmente traríamos os três pontos de Vila das Aves? Pois o que os jogadores da nossa equipa acabaram por demonstrar foi uma enorme humildade, carácter e maturidade para superar todas as contrariedades que se foram colocando pela frente. Um penalty desnecessário, pela facilidade com que foi permitido, incluído.

Obviamente que não pode deixar de ser dado amplo destaque ao feito individual de Bruno Fernandes. Não foi apenas mais um golo do capitão, desta feita foi também um golo de cabeça, a juntar ao naipe de recursos que vem exibindo em cada relvado que pisa.  Mas, ao invés de jogos anteriores, houve agora muito mais equipa que apenas Bruno Fernandes. Registo para mais um jogo de aplicação exemplar de Acuña e de precioso golo à ponta-de-lança de Phellype. E até Ristowski se encheu de brios em centro de régua e esquadro, contabilizando  Graças a isso quase nunca se notou a inferioridade numérica, o que terá contribuído para confundir até alguns comentadores televisivos... 

Quantas vezes situações como as vividas neste jogo foram o suficiente para desestabilizar a equipa e, dessa forma, atirá-la para jogos deprimentes e perca de pontos? Deste jogo na Vila das Aves fica então um excelente mote para o que falta do resto da época.

domingo, 14 de abril de 2019

Sporting Summit – Sporting sempre na vanguarda

Organizou o Sporting Clube de Portugal nas últimas quinta-feira, sexta-feira e sábado a Sporting Summit – Cimeira de Modalidades. Excelente iniciativa de conferencias sobre treino desportivo, e não só, que reuniu muitos preletores e varias plateias muito interessadas e participativas.

Foi uma importante demonstração do empenho do Sporting na formação dos técnicos e atletas, desde a iniciação até à alta competição, mas fundamentalmente na formação do ser humano, física, psicológica e socialmente.

Serviu para ouvir e interagir com inúmeros especialistas quer do treino desportivo quer da medicina, da psicologia e do dirigismo.

Deu para perceber a qualidade dos muitos técnicos ao serviço do Sporting que acompanham o atleta nas várias vertentes da sua preparação.

Realço o grande conhecimento e capacidade demonstrada pelos principais treinadores das nossas equipas de alta competição, que, entre outras oportunidades, se pode comprovar nos debates proporcionados pelas varias mesas redondas que se verificaram ao longo dos três dias de conferencias, e que a Sporting TV transmitiu em direto, e até já fez algumas repetições.

O Sporting sempre na vanguarda (das coisas boas) do desporto em Portugal.

Texto da autoria do 8
   

sexta-feira, 22 de março de 2019

As férias de Keizer

Ao que parece a decisão de conceder férias ao plantel está a provocar a "habitual" indignação que é visível nas redes sociais. 

Ora trata-se de uma decisão do foro técnico, ele e a sua equipa técnica, mais do que ninguém, estão na posse da informação necessária para a tomar no sentido do que é, em teoria pelo menos, melhor para todos. Acresce que alguns dos titulares e potenciais titulares estão ausentes nas respectivas selecções. Daí que treinar com quem? 

Sem dúvida que há muitas deficiências para eliminar, comportamentos colectivos e individuais e colectivos a corrigir, outros a melhorar. Mas treinar com quem? Treinar muito não é necessariamente treinar bem. Aliás, não é por falta de treinar que a nossa equipa não joga melhor...

Muitas vezes com as melhores intenções, muitas outras nem por isso, nós, os adeptos, invadimos com as nossas opiniões, o espaço de quem toma decisões com base em critérios técnicos devidamente ponderados com opiniões emitidas de forma primária. Parece-me ser esse este o caso.

segunda-feira, 18 de março de 2019

É mais o que nos une do que o que nos separa?

Tal como agora com a direcção de Frederico Varandas, também no inicio do seu mandato Bruno de Carvalho teve problemas com "os nossos amigos" do FCP. Só que agora com consequências bem mais gravosas, com as agressões verbais e mesmo fisicas a dirigente, funcionário e respectivos acompanhantes em pleno Dragão Caixa. Tudo abençoado  e com a complacência do "papa" e dos seus "cardeais". 

Na altura, no ano de 2013, tudo acabou com o um corte de relações. Porém sem que nada o justificasse, porque não houve nenhum pedido de desculpas aos insultos dirigidos ao Presidente do Sporting, a 11 de Maio de 2017, o Sporting emitia um comunicado onde, entre outras coisas de dificil qualificação, se dizia no seu ponto 4:

Concluída esta reunião, verificámos que há caminho que pode e deve ser feito em conjunto, considerando que é muito mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa.
Tratou-se de um óbvio e conveniente varrer de lixo para debaixo do tapete. Mas, como quase sempre nestes casos, ele volta a aparecer e a cheirar ainda pior. Quem vacila no respeito por si próprio e sobretudo pela instituição que representa deixa a porta aberta a novos e mais penosos episódios. 

Espero por isso uma reacção institucional enérgica mas sobretudo eficaz, que signifique muito mais do que os habituais comunicados mais ou menos bélicos, mais ou menos folclóricos. O corte de relações não o é, é apenas fachada, uma vez que ao nível dos dirigentes e funcionários elas são inevitáveis. Actue-se onde dói mais, nomeadamente junto tutela e das instâncias federativas, exigindo a aplicação de penas exemplares - a interdição do recinto por exemplo - por falta de segurança registada com a conivência dos seus dirigentes. E que se aprenda definitivamente quem é o FCP e que alianças fazem-se com gente séria.

Por último uma nota que me parece fundamental. Os dirigentes do FCP mantêm-se mais ou menos os mesmos desde há muitos anos. Pinto da Costa é contemporâneo de João Rocha! Só assim se percebe que haja adeptos do Sporting que não saibam o que representou para o afastamento do Sporting dos centros de decisão e das decisões dos campeonatos ao longo das últimas décadas, desde os anos 80 até aos dias de hoje. 

Por isso me causa impressão, para não dizer mesmo repulsa, ver adeptos do Sporting a divulgar  as mensagens dos órgãos de informação portistas. Que se desenganem, porque o FCP é o mesmo dos Casos Guímaro, Calheiros e Apito Dourado Lda. e a única verdade desportiva que defende é a que acaba por levar os troféus, custe o que tiver que custar, ao seu museu. 

Há ainda outra ordem de razões que leva o FCP estar tão preocupado com o que diz e faz o Sporting: eles sabem que explorando as nossas divisões internas têm um clube mais fraco para lhes fazer frente. Foi assim que desde os anos 80, com a ineficácia, desleixo e incompetência nossa que se alterou o status quo. Pena é que, por interesses fáceis de descortinar, haja tantos Sportinguistas a ver o Porto Canal...

quinta-feira, 14 de março de 2019

Sócios do Sporting: onde estamos, para onde queremos ir

Miguel Cal publica hoje no Jornal Sporting um artigo com dados relevantes (e outros subliminares...) sobre o actual universo Sporting no que aos sócios diz respeito. A sua leitura é obrigatória para se perceber onde estamos, para onde queremos ir e, não menos importante, para de desfazerem alguns mitos e fake-news.





terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Sem bússula à procura do Petit Maritimo

Foi mais uma vez penosa a nossa passagem pelos Barreiros agora renovados. Nada a dizer do empenho dos jogadores mas muito a reflectir sobre a orientação que lhes foi dada para este jogo. A começar por uma saída a jogar condenada ao fracasso perante um Maritimo à La Petit: lentidão de processos e muita previsibilidade, precisamente o oposto que o jogo exigia. A isso ajudou também o facto de jogadores nucleares estarem claramente penalizados pelo jogo da passada quinta-feira. Muito em particular Bruno Fernandes que, à medida que o tempo avançava, ia perdendo discernimento e falhava passes atrás de passes. E Bruno Fernandes, sendo apenas um, tem sido claramente a "equipa". Quase tudo o que de bom é feito é-o graças a ele. 

Podemo-nos queixar da "habilidade" do  árbitro? Ou do anti-jogo dos insulares? Podemos, mas para tal se justificar e não soar a desculpa temos que fazer muito mais do que começar por desperdiçar os primeiros quarenta e cinco minutos. Ou os segundos sem acertar na baliza e sim no guarda-redes, fazendo dele um herói quando mais não foi do que um actor para passar o tempo, com a total complacência do árbitro. A verdade é que a qualidade das oportunidades criadas foi tão baixa que condenou à partida o respectivo sucesso.

Sabemos que no futebol português a palavra vergonha não existe. Se queremos lutar por alguma coisa contra as "equipas à La Petit", com quem sistematicamente perdemos pontos, não podemos usar desculpas ou alegar desconhecimento. O treinador do Marítimo mais uma vez consegue o que quer  (é quase inacreditável que nos tenha roubado oito pontos em nove jogos) e nós ficamos a lamentar como se não soubéssemos já ao que íamos.

Keizer precisa urgentemente de uma bússola para se orientar. O futebol português está longe de pedir as soluções que se oferecem no holandês. Se a bola não chega com qualidade à frente não adianta tirar médios por troca com avançados. É um facto que Wendel não estava a jogar, mas por o Phillipe para a molhada onde já estava Diaby perdido contribui apenas para acentuar a confusão e falta de discernimento que se acentuava à medida que o tempo decorria.




sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Tijolada final no La Cerâmica

Foi triste o adeus à Liga Europa. Triste porque foi mais uma oportunidade perdida para afirmar o nome do Sporting no futebol internacional, como todos desejamos. Triste porque sentimos que podíamos ter feito mais e também porque, mais uma vez, sentimos que fomos impedidos de fazer mais.

Há que o reconhecer sem qualquer subterfúgio: em ambos os jogos os nossos adversários foram-nos superiores, eles que também não são os coitadinhos que a sua classificação na La Liga levaria a supor. Na Liga Europa continuam sem perder. Se no primeiro jogo a nossa prestação foi confrangedora, ontem foi ligeiramente melhor, mas ainda assim muito longe do que temos que fazer a este nível. Ao contrário do que disse Keizer na antecipação ao jogo, a táctica é muito importante. É determinante até porque o jogo não se faz apenas da compleição fisica e da corrida, sendo óbvio que o apuro físico também é determinante. É a táctica ou a abordagem estratégica que permite a gestão dos movimentos, a colocação e gestão dos espaços e dos momentos, de forma a atenuar quer o carácter anárquico do jogo, dando aos jogadores condições para tomar as melhores decisões em função das circunstâncias.

Ora o que vimos ontem no La Cerâmica foi algo de muito semelhante, com ligeiras cambiantes, ao que já vimos na era Keizer: muita dificuldade a sair a jogar - o treinador espanhol antecipou bem que íamos sair a 3 e igualou numericamente a oposição - muita distância para os médios, sempre obrigados a receber de costas. Dessa forma praticamente não conseguimos criar condições para visar a baliza adversária. Com duas escassas excepções, ambas muito mais por obra e graça não do espírito santo mas da raça, pundonor e talento de Bruno Fernandes mas não por acções de carácter colectiva, como deveria ser. Os 24 anos (!) de Bruno Fernandes valem o seu peso em ouro e equivalem e superam os de muitos veteranos. 

Obviamente não podemos deixar de olhar para o resultado desta eliminatória sem esquecer os dois lances que acabam por marcar o nosso destino na competição. A expulsão de Jefferson é um misto de imprevidência do jogador e e mau juízo do árbitro. Jefferson não é um exemplo de inteligência, como sabemos, mas está a correr e em disputa física, pelo que não pode parar para pensar. O árbitro viu o que viu e revendo o lance várias vezes perde-se a convicção de mero acidente que o visionamento imediato do lance fornece. O jogador não pode ficar com a perna no ar ou no bolso. Agora se o árbitro acha que o Jefferson pisou o adversário, deveria puni-lo com vermelho directo, mas certamente a sua má consciência não terá deixado...

Há  ainda o lance de Dost que, em condições "normais", ter-nos-ia dado a qualificação. Mas o seu falhanço estrondoso veio na linha da exibição do nosso ponta-de-lança. É óbvio que atravessa um período já prolongado de má forma, mas é bom não esquecer que o holandês tem quase tantos jogos feitos como golos marcados. O seu jogo tem limitações evidentes mas também tem virtudes das quais temos beneficiado amplamente. Só a falta de memória poderá alterar estes factos. E, pelo que se vai vendo, os suspiros por Luiz Phelyppe estão longe de se justificar.

Não foi uma jornada feliz, tudo o que podia correr mal correu, mas também é verdade que fizemos muito pouco para correr melhor. E quando parecia que estávamos em condições de poder fazer um pouco mais, depois de igualarmos o resultado, os pratos da balança voltaram a inclinar...

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