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terça-feira, 17 de junho de 2014

De regresso ao Sporting

A selecção está no topo da actualidade mas obviamente que para um Sportinguista o clube nunca é remetido para segundo plano. Por força de algumas limitações de tempo e outras de carácter pessoal ficaram por abordar alguns temas cuja referência me parece incontornável. Fica aqui o registo das principais, em modo semi-telegráfico, sem que isso signifique que alguns dos assuntos não venham a constituir um ou mais posts exclusivos, assim o interesse o justifique.

Tiro no porta-aviões da "cultura de exigência e rigor"
Cultura de exigência e rigor têm sido das qualidades mais referenciadas pelos actuais corpos sociais, especialmente pelo presidente Bruno de Carvalho nas muitas alocuções que tem feito sobre clube. O triste episódio do vídeo de promoção da SportingTV, amplamente referido entre os Sportinguistas, é um exemplo muito concreto do que é precisamente fazer o inverso. O que me chocou mais na peça não foi tanto a falta de qualidade geral, o que até pode ser desculpado pela escassez de meios. Chocante é o plágio de um trabalho sobejamente conhecido e o desleixo de ainda assim publicar o vídeo na página oficial do clube.

As recentes mudanças há pouco efectuadas no sector de comunicação do clube - o despedimento do que restava do corpo de redacção do jornal, a entrega à  empresa Youngnetwork e, quase em simultâneo, a nomeação de Bruno Roseiro como coordenador do novo projecto de média (que poucos dias antes(!) tinha lançado o livro de carácter autobiográfico sobre Bruno de Carvalho "O presidente sem medo" ) - levariam a supor que estes episódios com um "acentuado cheiro ao antigamente" não seriam de todo possíveis.

Esta peripécia é uma péssima saída de jogo que, pelo mau gosto revelado, deixa uma nódoa retinta, lançando dúvidas no ar sobre o que ainda nos possa estar reservado. É muito fácil agitar as águas nas redes sociais com soundbytes, muito diferente é promover a imagem de uma instituição centenária com as responsabilidades e o peso do Sporting.

Títulos em modalidades
Apesar da austeridade o Sporting continua a coleccionar títulos (judo, futsal) e, mesmo perdendo, a discutir até ao final a possibilidade de os ganhar, como aconteceu no andebol. Nesta modalidade há sobretudo que não esmorecer, porque há sinais evidentes de retoma de competitividade, face ao adormecimento à sombra da bananeira, que nos custou a perda de uma hegemonia que tanto nos orgulhava. No judo e futsal os ciclos vitoriosos falam pela qualidade do trabalho desenvolvido, não é possível ganhar tantas vezes por acaso. Notável que se aprofunde a nossa hegemonia nestas modalidades enquanto se aperta o cinto. 

Não fecho este titulo sem prestar homenagem a Deo e Divanei cujo exemplo foi muito além do mero profissionalismo. E também a João Pina, um campeão de judo e de sofrimento que encerra a carreira de titulo ao peito.

"Um dos dias mais felizes da minha vida!"
Foi assim, com esta frase de tão profundo significado, que Gilberto Borges qualificou o regresso do Hóquei em patins ao seio do Sporting, depois do abandono da modalidade e do trabalho de ressuscitação absolutamente notável cuja etapa mais difícil agora termina. Um justo reconhecimento para a equipa de Gilberto Borges, a alma, o coração e sabe-se lá que mais deste projecto. Uma medida justa e, creio, há muito desejada, pelo que merece todo o nosso reconhecimento. O hóquei nacional precisa de um Sporting forte, não apenas pelos pergaminhos do clube na modalidade, mas também como lufada de ar fresco, face aos que foram os últimos anos de guerrilha SLB/FCP.

Muita formação, zero títulos
Muito curiosa a postura habitual dos Sportinguistas relativamente à formação: pouco interessados em suportar as dores de parto e crescimento, quando os míúdos, muitas vezes de forma extemporânea, são chamados a assumir responsabilidades de quem chega com fama de craque, mas cujo proveito pouco mais se faz sentir do que nas suas contas bancárias. Porém, uma vez que se vive em escassez de resultados (vitórias) lá se iça a bandeira da formação para lembrar que as bases das selecções são de alicerces verde e brancos e outras tretas do género. 

A razão mais válida para se apostar em formação é fazer dela uma bandeira com títulos. De outra forma é pouco mais que mera cumulação de frustrações e desenganos. Esse é um desígnio possível não uma quimera. Mas a sua concretização requer muito mais do que os muitos ziguezagues estratégicos ao sabor de quem passa, quase sempre de forma fugaz, pela direcção técnica e institucional.

Pode parecer um contra-senso, mas onde a exigência de títulos menos se justifica é precisamente na formação, cuja principal missão deve estar obviamente centrada na missão de fornecer os melhores jogadores à equipa principal onde, aí sim, a orientação para vencer deve ser total.  

A provar o que acima se afirma está o historial da competição de júniores e juvenis. Entre as décadas de 70 e 90 (inclusive) o Sporting logrou apenas 4 títulos de campeão nacional de júniores, 5 de tendo, nesse período, formado dois jogadores considerados os melhores do mundo (Figo e Ronaldo) e um rol notável de grandes jogadores, cuja nomeação seria até penosa. Nos anos seguintes o Sporting passou a dominar as competições nacionais de formação, sem que isso alterasse o rácio de títulos no escalão sénior. Isto é, exactamente na mesma do que sucedeu quando ganhou poucas vezes.

Isto dito não invalida a avaliação de percurso sempre necessária, mesmo quando se ganha mais do que se perde. Perguntas como:

Que competências têm os treinadores das camadas jovens, quem as avalia, "que", "como" e "quem faz" a prospecção e selecção estão sempre na ordem do dia e cujas respostas poderão ajudar a explicar os resultados ou uma tendência. 

Após o segundo ano da B que balanço fazer? Quantos jogadores foram aproveitados ou podem vir a ser para a equipa B? 

É justificável o corropio de entrada e saída de jogadores como a que se assistiu este ano, com jogadores de percurso de referência no clube e selecções verem os seus lugares ocupados por jogadores de qualidade e até idades duvidosas?

Que evolução se pode assinalar nos jogadores, sobretudo nos que, tendo mais talento, mais se espera? O meio  que o Sporting lhes proporciona é o mais adequado ao seu triunfo ou o contrário?

Que significado e importância tem a  ausência de títulos combinada com o aparecimento de novos actores (os titulos de Guimarães e Braga), bem como a perda de número de jogadores nas selecções nacionais?

Estamos a falar de o fim de um ciclo ou de ocorrências esporádicas, sem exemplo?

Guerra da Guiné perdida
Ninguém terá esquecido o folhetim de Bruma, faz agora um ano. Muitos dos seus mais suculentos episódios estão ainda por revelar, pode ser até que nunca conheçam a luz do dia para a maior parte de nós. O que resulta de mais claro da guerra iniciada com Cátio Baldé é que o Sporting ganhou uma batalha com a venda de Bruma por valores quase impensáveis, mas que, de seguida acumulou 3 derrotas amargas com as saídas de 3 dos melhores e mais promissores jogadores que tinha na formação. Pior foi ter visto encerrado a exploração do filão da Guiné, que o empresário dominava quase em exclusivo e com relações privilegiadas com o Sporting. Os jogadores não perderam, porque permanecem intactas as possibilidades de progredirem nas carreiras. O empresário não deixou de fazer negócios nem coleccionar comissões. O que ganhou o Sporting?

terça-feira, 8 de abril de 2014

O negócio Elias como pretexto para falar do modelo de negócio para o Sporting

Devo dizer que me surpreendeu o desfecho do caso Elias. 

Surpreendeu-me o timing, porque não me parecia provável que o negócio se consumasse já com o mercado fechado. 

Surpreendeu-me o valor da transferência, pelo facto de se tratar de um jogador que completará meio ano sem competir e que tem quase 29 anos. 

A maior surpresa porém vem do facto de os ordenados passarem a ficar a cargo do Corinthians, precisamente pelo facto do clube brasileiro não poder contar com o jogador até Julho. 

Um excelente negócio para quem, como eu, entendia que o mal menor que representava vermo-nos livres do jogador apenas pelo valor poupado nos vencimentos já era bom.

Aproveito o encerrar deste caso para reflectir sobre o que poderá ser o modelo de negócio do Sporting, ficando para um post posterior análise mais pormenorizada sobre as relações com os diversos intervenientes no meio, nomeadamente os empresários, investidores, fundos e mesmo os jogadores.

Que modelo para o Sporting?
O segundo ano da actual actual administração ajudará a perceber melhor qual o modelo que adoptará para desenvolver o seu negócio no que diz respeito aos investimentos. O ano passado, por força das circunstâncias, deve ser considerado um ano zero. A falta do palco europeu não significou apenas ausência de receitas. Constituiu também seguramente um forte corrente contrária e dissuasora junto de alguns dos alvos definidos para o reforço do plantel, que se somava à incerteza do que seria o Sporting este ano, depois do "anno horribilis". Certamente que jogadores como Rafa teriam olhado para a proposta do Sporting com outros olhos se tivesse dons adivinhatórios. Atrevo-me mesmo a dizer que provavelmente Ghilas teria também ponderado de outra forma a decisão que tomou se soubesse tudo o que sabe hoje.

Mas não foram apenas os jogadores que temeram ligar-se ao Sporting. Conseguir parceiros de negócio que dividissem os riscos também não seria muito fácil e mesmo os empresários e clubes não teriam grande predisposição de negociar com um clube em profunda reestruturação. Isso mudará substancialmente no próximo ano, com maior acuidade se o Sporting conseguir o que todos tanto desejamos: o apuramento directo para a Liga dos Campeões. 

Salvo melhor opinião o Sporting necessita, para melhorar a sua competitividade face aos seus concorrentes directos, de encontrar forma de aumentar as receitas disponíveis, de forma a reinvesti-las na sua actividade principal e motor de toda a vitalidade do clube. Só dessa forma conseguirá manter os melhores jogadores que forma mais tempo e  disputar os jogadores que lhe interessam no mercado. 

Salvo também melhor opinião, pode fazê-lo de 2  formas: 

- Apenas com receitas próprias, geradas pela venda de jogadores, bilheteira, receitas de publicidade, televisão, etc, sem envolver capital alheio à SAD e clube.

- Recorrendo a investidor(es) e fundos

Ficando pelas receitas próprias, o que significaria também não partilhar os valores dos passes de jogadores, o Sporting contará apenas com as mais-valias que for capaz de gerar para refinanciar o seu negócio. Idealmente este é o meu preferido, e que se aproximaria da identidade de um clube formador. Muito próximo do que faz o Barcelona, que recorre ao mercado apenas para suprir o que os ciclos de formação não lhe proporcionam. 

Ao contrário do que se vai julgando e por vezes até afirmando, o Sporting nunca seguiu exactamente a mesma cartilha. Ao contrário do clube catalão, os jogadores que o Sporting forma têm sido, por força das vicissitudes, chamados a desempenhar responsabilidades mais cedo do que o desejável e até do exigível. A criação da equipa B foi uma excelente medida para suprir uma falha importante, mas é demasiado recente e, quanto a mim, requer ainda correcção de trajectórias para se poder considerar uma aposta ganha.

Quanto à segunda possibilidade, não me parece que o Sporting possa atrair no futuro próximo, e provavelmente nenhum clube português, um sheik árabe, seguindo o modelo inglês ou do PSG. Não vejo Bruno de Carvalho a partilhar o poder nem a última palavra e não acredito que haja quem invista sem dela dispor. Este é também o modelo que mais me desagradaria, detestaria ver o Sporting com dono.

Os fundos têm sido o principal parceiro de negócio dos nossos rivais e concorrentes directos. Graças a eles o FCPorto conseguiu encostar-se a uma classe média alta de clubes europeus chegando mesmo a dois títulos europeus. Uma boa prospecção de mercado tem encontrado disponibilidade financeira para concretizar negócios. O sucesso desportivo proporciona valorização. A respectiva realização de mais-valias ajuda a suprir a falta de receitas para aguentar planteis dispendiosos. O SLB não tem sido tão feliz mas é inegável que a sua competitividade subiu e que se aproximou do FCPorto.

Inegável é também que o mesmo tipo de operação não correu bem no Sporting. Creio que tal não se deveu propriamente ao modelo mas sim à gestão ou ausência dela. Com todas as desvantagens que acumula, o Sporting tem pelo menos uma vantagem por estar novamente na casa de partida: não precisa, não deve, cometer os mesmos erros. Os seus e os dos seus rivais, especialmente no que respeita à acumulação de passivo. 

Mesmo com todos os riscos que hoje sabemos, creio que o Sporting não se deve auto-limitar, impondo a si mesmo restrições que lhe tolham as perspectivas, considerando todas as possibilidades que o jogo do mercado lhe coloca à disposição. O contrário seria tão nefasto como, no relvado, a equipa do Sporting não saber/poder usar todas as ferramentas do jogo para chegar ao golo e consequentemente às vitórias. Seria o mesmo, mal comparado, que não poder/saber marcar um canto ou até mesmo concretizar um penalty.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

A revolução que o Sporting propõe

  

















O jornal "O Jogo" dá hoje destaque à proposta do Sporting Clube de Portugal de alteração de diversos regulamentos e procedimentos. Ela será hoje apresentada a um número estimado de metade dos clubes da primeira e segunda linha em Alvalade, depois de, na semana passada ter sucedido o  mesmo junto dos partidos que compõem a Assembleia da República e da FPF. Fica aqui para divulgação, análise e comentário, se assim o entenderem. 

Ainda sem ler o documento original e sem reflectir sobre as mudanças propostas - mérito, exequibilidade, p.ex - não posso deixar de olhar para estas propostas como uma proposta de revolução, tantas são as áreas onde se propõe intervir.



sábado, 24 de agosto de 2013

Bruma sem condições psicológicas e com razões para rescindir

Como é cada vez mais evidente a cada declaração do seu advogado, Bruma não tem "condições psicológicas" para acreditar na competência profissional e até na boa-fé de quem o representa e não lhe faltarão razões para rescindir a ligação até agora mantida. Falta saber se não terá também razões para o processar por perdas e danos infligidos pela estratégia seguida e que o conduziram a um perigoso impasse na sua carreira. O mesmo juízo deverá fazer sobretudo Cátio Baldé, seu tutor, que por isso tem obrigações acrescidas.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Bruma perde e agora terá de escolher se quer continuar a perder

Dizia no post anterior que Bruma já estava a perder por não poder estar a fazer a única coisa que gosta e sabe fazer, que é jogar futebol. Ao ser conhecida há instantes a decisão da CAP, favorável ao Sporting, que terá sido tomada por unanimidade, Bruma perde mais uma vez. Falta saber quantas mais vezes e por quanto mais tempo Bruma quer perder. Se a decisão anunciada hoje pelo seu advogado for a da fuga para frente, permanecendo em confronto com o clube, será por certo isso que o espera.

Se estivéssemos a falar de outro jogador, diria que talvez esta fosse a altura de o  jogador se questionar que interesses têm presidido às decisões que os seus representantes têm tomado: se os seus, jogador de futebol profissional, se quaisquer outros. Mas, tal como também disse anteriormente, não creio que Bruma risque aqui alguma linha e por isso restará ao Sporting ir até ao fim na luta pelos seus interesses. 

É isso que espero da parte de Bruno de Carvalho, que obtém aqui uma vitória preciosa. O que lhe recoloca, a ele, e por isso ao clube, numa posição de inegável vantagem negocial sem ter sequer de ter que tomar a iniciativa.

Para finalizar confesso a minha surpresa pela decisão tomada. Como várias vezes aqui dei conta, a desconfiança nas instituições que regem o futebol português é total. Quem sabe esta decisão justifique a ideia de que a esperança deverá ser a última a morrer. Talvez não valha mesmo tudo, como muitas vezes certas decisões parecem fazer crer.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Se o Jorge Mendes é melhor então que faça isto

Não sei onde foram buscar a ideia peregrina de que o Jorge Mendes possa vir a ser um parceiro mais confiável, ou até menos oneroso, para os cofres do Sporting. Se aquela impressão estiver correcta então o empresário que venda o Miguel Lopes com o Bojinov ou Gélson ao Bétis (por exemplo) em que o preço do primeiro seja 35% do valor total, para que nós possamos retribuir a graça a Pinto da Costa. Não foi ele afinal que esteve por trás da venda de Moutinho no pacote do James? Esta seria a forma como me parece que o Sporting deveria responder sempre, ao invés de queixumes e lamentos.

Mas isso não vai acontecer. Pelas relações privilegiadas que o empresário tem com o FCP. Mas ainda que não as tivesse não me parece que alguém naquela actividade estivesse na disposição de comprar uma guerra com um clube com o volume de negócios que aquele tem para privilegiar o Sporting.  Os empresários são do clube que lhes dá mais.

Não se trata de aprovar as regras tácitas em uso nas transferências dos jogadores que, a menos que sejamos empresários, qualquer individuo com uma réstia de bom-senso condena. Ou de defender que o clube não deve ter uma posição clara e intransigente nas negociações dos contratos, lutando pelos seus interesses e direitos. A minha dúvida  está na estratégia. 

Deve o Sporting fazer o papel de D. Quixote precisamente agora, quando tem necessidade de ter o maior número de canais abertos para escoar o elevado número de jogadores que tem sob contrato e quer dispensar?

Deve o Sporting abrir uma guerra com os empresários, em particular com alguém que agencia o elevado número de jogadores (27)?  (entre os quais 14 já com contrato profissional André Martins, Bruma, Ilori, Carrillo, Viola, Cédric, Wilson Eduardo, Nuno Reis, Mica Pinto, Gael Etock, João Gonçalves, Luka Stojanovic, Carlos Mané e Luís Cortez)

Quantos destes jogadores estarão na disposição de mudar de empresário só porque o clube não gosta do seu empresário?

Que custos terão no futuro uma vitória na batalha actual na renovação de Ilori ou Bruma, - negociando com outro empresário - no contexto de uma guerra onde temos poucos argumentos? 

Isto não falando num aspecto essencial: como pode o Sporting dizer aos jogadores que não respeita a escolha que fazem dos seus representantes, mas quer que estes escolham o Sporting para continuarem as suas carreiras?

segunda-feira, 10 de junho de 2013

12 milhões em comissões? Pena que não sejam 24!

O jornal "Abola" dá hoje destaque a 12 milhões de euros em comissões pagos a empresários no decurso de 2 anos de mandato da direcção anterior. Assim dito parece uma enormidade. Para se perceber o seu valor relativo olhe-se para o último relatório e contas de um dos clubes da concorrência, o FCP, relativos a 2012/13. Só pela intermediação de, e passo a citar o documento referido,

"(a) a encargos com serviços de intermediação no montante de 6.410.207 Euros relativos, entre outros: à aquisição do passe de Danilo (2.350.000 Euros), Lucho Gonzalez (640.000 Euros) e Alex Sandro (400.000 Euros), à renegociação do contrato de trabalho de Hulk (588.235 Euros) e à alienação do passe de Guarín (1.100.000 Euros);"

Só na renegociação do passe de Falcão o FCP pagou a 3 entidades diferentes 5.194.750 €.

Natland Financieringsmaatschappij B.V.  1.908.625
Orel B.V.                                                1.908.625
Gestifute                                                  1.377.500

O valor total da operação de renegociação do contrato de Falcão "significaram encargos com assinatura de contrato e serviços de intermediação nos montantes de 6.585.150 Euros relativos ao jogador Radamel Falcao". De fora destes valores estão encargos de intermediação com o prémio de assinatura de renovações de contratos e demais contratos de trabalho desportivo pago a jogadores.

Uma ressalva. Nos 12 milhões da noticia do jornal em causa só há uma questão que motivaria condenação: que alguém eleito ou funcionário do clube se locupletasse com verbas que eram do clube ou que beneficiasse com os negócios. 

O que estes números me dizem é que infelizmente, o Sporting não se consegue colar aos que fazem melhores negócios e por isso também lhe será difícil colar aos melhores resultados. Porque, excepções muito pontuais à parte, as grandes equipa fazem-se com os melhores jogadores. E esses custam mais dinheiro em ordenados e comissões. 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Aquisições e dispensas: entre dietas loucas e dietas saudáveis

A SAD do Sporting tem uma dura tarefa pela frente ao ter que enfrentar uma redução de cerca de 50% do seu orçamento. Um emagrecimento imprescindível para permanecer saudável. Para tal tem de cortar na massa salarial que "come" mensalmente mais do que há para comer. O critério a adoptar será decisivo para a sua competitividade. 

Se o critério dos cortes for meramente economicista - corta pelos salários mais altos tout court - o Sporting perderá dinheiro e qualidade técnica. É o caminho mais fácil, não é necessário uma visão estratégica ou conhecimento técnico. Para decisões deste  tipo qualquer um serve, desde que tenha conhecimentos básicos para lidar com uma folha de Excel.

Se o plano de cortes tiver algum sentido estratégico, quem tem que tomar decisões terá que alargar o leque dos parâmetros a avaliar, que necessariamente têm que passar por uma análise pontual, jogador por jogador, em função do seu valor de mercado, do seu potencial, margem de progressão, mais-valias expectáveis, etc, etc. Decisões deste tipo requerem muito mais do que o conhecimento das mais básicas operações aritméticas, envolvendo maior risco. A forma de os minimizar será alargar a participação nessa avaliação aos diversos departamentos, em particular os que envolvem conhecimentos técnicos especializados. Fazer esta avaliação depois de uma época como a que findou é ainda mais difícil, excepção feita a Patrício, ninguém jogou a um nível permanente aceitável.

O exemplo pode ser o caso de Labyad. A sua contratação provocou grande júbilo entre Sportinguistas, que foi ainda maior quando se soube que ganhámos a corrida ao rival de sempre, o SLB. Do que ninguém se lembrou é que todas as vitórias têm custos ou, se preferirem, não há almoços grátis. Dispensar ou negociar no imediato Labyad, jogador promissor, que está no radar de muitos clubes, não é o mesmo que dispensar Pranjic, Onyewu, Boulharouz. Já dizer que Labyad é caro e defender a continuidade de Bojinov nem merece comentários.

O Sporting pode decidir vender agora, o que dificilmente lhe trará retorno do que já investiu, ou pode apostar na valorização do jogador, retirando desde logo no imediato mais-valias desportivas. Dos acima citados o Sporting sabe de antemão que o mercado não dará nada pelos passes desses jogadores e as mais-valias desportivas são ainda mais duvidosas.

No fundo o Sporting está como muitas famílias carenciadas. Tem que tomar decisões difíceis. Sabe que só comprar arroz e feijão não terá grandes problemas com o orçamento disponível. Mas sabe, ou deverá saber, que isso, a médio-prazo é mau para a saúde. No longo prazo é insustentável.

Algumas considerações adicionais:

Sobre a guerra com Pina Zahavi, que agencia 27 jogadores do Sporting recordo que não gosto de empresários. Mas como gosto de ver o Sporting ganhar, não admito neste braço de ferro agora encetado com o empresário israelita outra coisa que não seja uma vitória, mesmo que isso equivalha a perder algumas batalhas. Só vale a pena iniciar uma guerra que sabes à partida poder vir a ganhar.

A forma como as informações sobre os vencimentos dos jogadores do clube circulam nos jornais é lamentável. O  jornal "A Bola" ainda não falhou uma "cacha". Qual é a origem das fontes?

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Lista para a UEFA, fuga de jogadores & agentes

 Lista de inscritos na Liga Europa
A divulgação da lista de inscritos para o playoff da Liga Europa não deveria constituir grande surpresa, mesmo considerando o facto de Onyewu estar ausente o lote. As ausências de Valentín Viola, Diego Rubio ou Cedric Soares são também notórias, embora Cedric possa ser inscrito na lista B, da formação do clube, que, segundo o regulamento da UEFA são "aqueles que, independentemente da nacionalidade, treinaram nesse clube ou de qualquer outro da mesma federação durante pelo menos três anos, entre os 15 e os 21 anos de idade. Até metade desses jogadores tem de ter sido formada pelo próprio clube, sendo os restantes desse clube ou de outros da mesma federação". A menos que me esteja a escapar outro ponto do regulamento, Viola e Rúbio não cumprem estes critérios. Fico a aguardar por esclarecimentos, que até podem surgir na caixa de comentários ao post, até porque falta um elemento aos 8 formados localmente, uma vez que a UEFA obriga que  "os clubes têm de incluir oito jogadores formados no clube em plantéis limitados a 25 atletas".

Lista de jogadores inscritos:
Guarda-redes: Rui Patrício, Marcelo e Vítor Golas

Defesas: Daniel Carriço, Xandão, Boulahrouz, Rojo, Insua.

Médios: Schaars, Izmailov, Capel, Labyad, Rinaudo, Adrien, Bruno Pereirinha, André Martins, Pranjic, Elias, Gelson Fernandes.

Avançados: Jeffren, Van Wolfswinkel, Wilson Eduardo, Carrillo.

Batis Candé assinou pelo SLB
Sabe quem é Batis Candé? Eu também não, mas nunca gostamos de tomar conhecimento de atletas que se mudem para o outro lado da estrada. No actual momento mais do que saber que A, B ou C vai para o rival é o que revela a atitude propriamente dita: há uma enorme vontade de LFV se vingar do 3-0: Labyad, Rojo, Viola. Não sei se estaria interessado em todos os jogadores - embora haja noticias que o confirmem - mas  contribuiu pelo menos para inflacionar as transacções, o que, atendendo aos últimos anos, não deixa de ser uma novidade e um aviso para a SAD. Isto quando há muito se fala à boca pequena na interferência nas negociações com Adrien e Patrício.

Agente de Arias critica Sá Pinto
Ainda não consegui perceber muito bem o que já muitos viram em Árias que eu ainda não descobri. É muito comum ouvir dizer que fez "bons jogos o ano passado" o que não consigo concordar e pelo que vi este ano nos 2 jogos da B que presenciei, a decisão de Sá Pinto em dar-lhe mais minutos de jogo e de formação na B só lhe poderão ser úteis, somando às suas potencialidades. O agente de Árias faz o papel dele mas não me comove.




segunda-feira, 4 de junho de 2012

Breve reflexão sobre comissões de jogadores e entrevista de Pedro Baltazar

Fala-se cada vez menos à boca pequena no elevado valor pago em comissões, (11 milhões) pelo Sporting nas transacções que realizou há cerca de um ano. Ora isto quer dizer que o tema acabará por ser abordado de forma menos subliminar, como acontece quase sempre em assuntos desta natureza. 

Como todos sabemos, o dinheiro não fala, o que se presta a que, sobre este tema, existam as mais diversas especulações e julgamentos.

Uma vez que o Sporting não concorre sozinho, e por isso está sujeito às leis e costumes do mercado, julgo que o que é importante perceber é se o Sporting paga comissões dentro dos valor praticados no mercado, em termos globais. Isto porque não me repugnaria que o possa fazer em valores superiores se, num caso em que enfrente concorrência (que não se circunscreve ao mercado nacional), tenha que superar a oferta superior.

Para perceber melhor do que estamos a falar podemos ter como valores de referência que o FCPorto esperava pagar na época 2010/11 (exemplo escolhido ao acaso, mas que serve de amostra), e cujos dados podem ser comparados com os nossos.

Há, sobre este assunto, duas questões que me parecem importantes e que se relacionam entre si:

- O Sporting, dentro dos limites que a confidencialidade que o negócio exige, deve procurar a maior transparência possível relativamente ao destino das verbas. 

- Quem comenta o assunto, como Sportinguista certamente interessado, deve fazê-lo observando o mesmo rigor que naturalmente exigiria a terceiros caso fosse um interveniente no processo, tendo em conta a importância dos valores como a honra e o carácter.

Sobre este tema, e no sentido mais lato sobre alguns assuntos candentes nas conversas entre Sportinguistas, recomendo a seguinte leitura: Fundos, parceiros, investidores e Sporting.

Entrevista de Pedro Baltazar ao DN

Pedro Baltazar deu uma entrevista ao DN na passada sexta-feira mas por falta de oportunidade só hoje consigo disponibilizar.


terça-feira, 18 de maio de 2010

Entrevistas

O dia de hoje fica marcado pela entrevista de Paulo Sérgio ao jornal do clube, e pela recarga de Izmailov que mais não é que um golo na nossa baliza. O processo despoletado com o já tristemente célebre episódio da pretensa recusa em jogar parece quase um download de um filme pirata com as legendas trocadas.  Parece ser hoje mais ou menos pacifico que Costinha entrou neste caso de chancas quando devia ter usado um fato Armani. Mas também seria muito ingénuo da minha parte imaginar que o facto de Paulo Barbosa ter dito ontem que o russo vai cumprir o contrato com o Sporting e este dar hoje esta entrevista é um acaso cósmico. Cómico não é de com certeza. Tragicómico? Veremos.

A entrevista de Paulo Sérgio é aqui publicada em honra dos nossos leitores que, estando no estrangeiro, não têm acesso ao Jornal do Clube, (alô Pedro, Bruno, TheLC, e Algoncalves). Aos que estão por cá, fica a ideia de que de vez em quanto não custa assim muito dar uma ajudinha. Quem sabe o aumento ligeiro de audiências não é o pretexto para dar um novo impulso à publicação. Não custa ser optimista…

PS: Mais logo continuaremos com a publicação do balanço da época ontem iniciada, que para nós é mais importante que a agenda mediática. Embora o passado não possa ser alterado quem sabe se a sua compreensão não evita a repitação da(s) história(s). Não custa ser optimista...


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