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terça-feira, 5 de junho de 2018

De Jesus a Judas: como eu gostava de saber o que se passou nestes três anos

Completam-se hoje precisamente três anos sobre a chegada de Jorge Jesus ao Sporting. Estranha coincidência quando ele está hoje (segundo noticias de hoje) em viagem à procura de novo destino para dar à sua carreira. Nós por cá vamos-nos entretendo com algo que fazemos muito bem há alguns anos: a autodestruição. 

Não podia ser maior o contraste entre a esperança desse dia e o desalento de hoje. Na altura escrevi muita coisa sobre o assunto, como por exemplo isto [Que mudanças trará Jesus?] sobre o  que me parecia na altura talvez a melhor decisão de BdC para o futebol profissional. Infelizmente Jorge Jesus está já de malas aviadas e leva apenas a recordação de uma entrada fulgurante replicada na conquista da Supertaça, uma Taça da Liga e a amarga derrota, que certamente nunca esquecerá, vivida no Jamor, já em clima de total convulsão interna.

Como eu gostava de saber o que se passou nestes três anos para passagem de um dos melhores treinadores nacionais ficar assinalada por tão fraco pecúlio e tão amargo desfecho.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Jorge Jesus continua a ser o treinador que o Sporting precisa?

Vamos já na terceira época de Jorge Jesus no Sporting e, como é normal com um treinador carismático, mas que tem ainda por cumprir o principal desígnio que levou à sua contratação, o consenso à sua volta está ainda por alcançar. Os eventos que se seguiram ao jogo  de Madrid, com o presidente de um lado a suspender a quase totalidade do plantel e Jorge Jesus a conseguir impor – imagina-se in extremis… - uma última réstia de bom senso, trouxe a descoberto uma faceta que os seus detractores desconheciam ou julgavam inexistente: as preocupações do treinador não se ficam apenas pelo chorudo ordenado e por projectos com condições imbatíveis para superar a concorrência. Jorge Jesus não abdicou do seu papel de lider, revelando além disso um total compromisso com os interesses do clube que representa.

Se assim não fosse a Jesus bastaria recostar-se no seu cadeirão e aguardar calmamente pelo final da época de cada um dos poucos meses que ainda restavam para o final do campeonato para recolher o seu quinhão e escolher a próxima paragem. Certamente que não faltariam – nem faltarão - aliciantes projectos, sejam eles apenas de cariz financeiro, num qualquer destino exótico, ou que até clubes dos melhores campeonatos europeus olhem para ele com atenção e mesmo apetite. Sem se saber muito bem como tudo isto vai acabar sabe-se pelo menos que a discussão sobre o interesse da permanência do treinador foi mais uma vez relançada.

Estamos já muito longe do ano da sua estreia como treinador em Alvalade, indiscutivelmente o seu melhor período até agora. O impacto da sua chegada foi enorme pela espectacularidade do futebol apresentado, na retumbância das vitórias e especialmente da superioridade exibida ante os rivais FC Porto e sobretudo SL Benfica, a quem ganharia a Supertaça logo no dealbar da temporada. O titulo desse a ano haveria de ficar à distância de um ressalto na canela de Bryan Ruiz. Pelo menos será assim eternizado, sendo a explicação claramente redutora.

Não podia por isso ser mais contrastante a época seguinte. Quase se pode dizer que tudo começou também em Madrid. A exibição foi merecedora de nota elevada, mas o resultado foi apenas o anúncio de uma característica que tinha vindo para essa época: incapacidade de segurar bons resultados, permeabilidade defensiva estranha em equipas de Jesus. Isto num ano em que os meios colocados à disposição, somados à época anterior levaram a antever uma equipa temível. Na realidade essa característica nunca o foi para os adversários, mas apenas para os adeptos tantos foram os resultados negativos coleccionados.

Os anticorpos que Jesus tinha criado aquando da passagem pelo rival do outro lado da estrada começaram a fazer-se ouvir. O seu talento para construir plantéis passou a ser questionado, especialmente pela indiferença a que foi votada a “cantera” várias vezes preferida, em fúria despesista, por soluções que nunca o viriam a ser. Apostas em nomes sonantes mas de carreiras intermitentes ou sob o signo ocaso – dos quais André, Campbel e Markovic sejam os melhores exemplos – revelar-se-ia um erro e o contributo para a maior contestação ao trabalho do treinador.

A questão da formação não é de somenos. É uma das bandeiras que o clube ostenta e que os adeptos gostam de ver ulular orgulhosa e altaneira. Com uma agravante, Jesus encontrou em Alvalade aquela que se pensava ser mais uma geração de ouro made in Alcochete, mas sem produzir os resultados que certamente muitos esperavam. Iuri Medeiros, Carlos Mané, Wallyson, Matheus Pereira, Palhinha, Esgaio, Tobias Figueiredo e Francisco Geraldes, entre outros, não viram ainda os benefícios da passagem do treinador que tem no currículo a descoberta de inúmeros talentos e reinvenções de carreiras.

Mas esta moeda tem outra face nas vendas de João Mário e Rúben Semedo e na exponenciação do valor de Gélson Martins. Ainda assim parece pouco quando se olha para alguns dos jogadores mencionados acima e de quem se esperava poderem crescer sob o manto de Jesus. Mas foi também por ele e com ele que Bruno de Carvalho conseguiu fazer os seus trespasses mais volumosos. É que ainda que não tenha conseguido títulos é consensual que a chegada de Jorge Jesus a Alvalade ajudou diminuir distâncias para os principais rivais muito pela qualidade dos seus processos e como eles são eficazes na subida de competitividade do Sporting. Mas também pela mudança de mentalidades. Isso foi evidente no ano da sua chegada, pela primeira vez ao fim de muitos anos os Sportinguistas viram a sua equipa jogar sem medos, sendo até temido por FC Porto.

Infelizmente Jesus viria a ser vitima de si mesmo e da sua entrada triunfal, muito por causa de uma das suas maiores imperfeições: a comunicação. O entusiasmo e a rivalidade com a anterior entidade patronal contribuiriam para um discurso que teria o efeito de toque a reunir, acabando os seus mind games por ser não só inócuos como até mesmo o combustível de que o carro vermelho de Rui Vitória tanto precisava.

A época ainda curso parecia sobre rodas até ao estranho despiste no Estoril, quando o clube se distraiu com um par de assembleias gerais. Parecia já perdida após a derrota abúlica em Braga, para renascer exactamente quando parecia que tudo se ia desmoronar após a já falada derrota de Madrid. Está ainda por saber o significado e importância que a passagem, mesmo que episódica e breve, do treinador e presidente por campos opostos terá no futuro da sua relação. Ninguém duvida que Jorge Jesus marcou pontos junto de largos sectores de adeptos e associados verde e brancos. Também ninguém duvida que no nucleo duro e indefectível de apoiantes de Bruno de Carvalho serão muitos aqueles que não perdoarão o embaraço e o protagonismo do treinador.

Este episódio marcará a passagem de Jorge Jesus no Sporting. Infelizmente trará à discussão questões de pendor “politico”, afastando-a da objectividade com que se deveria ponderar o seu abandono ou continuidade. Tem ele o perfil ideal para ser treinador do Sporting? Mas é também nesse episódio que nasce um ponto muito importante em seu favor: foi ele o cimento que ajudou a manter de pé o que restava da época. O que teria acontecido se a seguir ao jogo de Madrid o Sporting se tivesse apresentado, como era desejo do seu presidente, com a sua equipa B? Ninguém sabe exactamente mas mesmo que vagamente se intui que a final da Taça de Portugal seria apenas uma miragem e o segundo lugar agora ao alcance numa perspectiva opitimismo não passaria de uma luta denodada para se manter no pódio.

Daí à conclusão inevitável vai um passo: a discussão sobre as qualidades de Jorge Jesus e a adequação do seu perfil é comprovadamente válida. Mas não pode ser isolada de outra, talvez ainda mais pertinente: o Sporting, como organização, reúne no seu seio as condições indispensáveis para interromper o ciclo vicioso que se arrasta sem títulos? No que a Jesus diz respeito estou certo que no dia em que ele se tenha que preocupar exclusivamente com o treino e com o plantel à sua disposição ele estará mais perto de cumprir o sonho de seu pai, o seu e o nosso: voltar a ser campeão.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Jorge Jesus, sim ou não?

O chocar de frente com a triste realidade de que mais uma vez o sonho do título vai ficar adiado trouxe de novo à actualidade o assunto da continuidade de Jorge Jesus. A realizar a sua terceira época consecutiva, o treinador ainda não cumpriu um dos desígnios primordiais que levaram à sua contratação: obter o titulo de campeão nacional, pondo assim fim a mais um longo jejum. Ninguém negará por certo que o objectivo final fosse mesmo o lançamento das bases para uma nova hegemonia no futebol nacional.

Nesta matéria é importante estabelecer desde logo uma importante premissa: seja ele quem for - e mesmo que se chame Jesus - um clube como o Sporting não se pode sentir refém do seu treinador. Seja pelos termos do contrato, seja pelos valores envolvidos, a razão da continuidade não pode nunca ser os números elevados que uma possível rescisão.

A única razão aceitável para tal tem que estar na assumpção da descrença do seu trabalho. Manter um treinador em cujo trabalho se deixou de confiar é o pior dos erros que se podem cometer na condução de um clube de futebol. E os custos desse erro tendem mesmo a ter implicações muito mais sérias e duradouras que uma choruda indemnização.

PONTOS A FAVOR...E CONTRA

Uma outra importante premissa é que as avaliações feitas em momentos de desilusão tendem a ser arrastadas para visões pessimistas, valorizando-se acima de tudo os lados mais negativos e esquecendo-se ou desvalorizando-se os progressos registados, mesmo que estes não tenham sido acompanhados de títulos.  Aqui a pergunta que se impõe é: o Sporting com Jorge Jesus ficou mais forte competitivamente, aproximando-se dos seus rivais? Parece que, mesmo contando com o total fracasso que a época 16/17 representou, que a resposta é afirmativa.

Mas há sempre um "mas". E aqui é importante registar a vertiginosa subida dos custos do plantel. Quem não gosta de Jorge Jesus tem aqui um argumento poderoso. A subida da competitividade leonina estaria explicada naturalmente pela melhor qualidade individual registada no plantel.

A explicação parece redutora, quanto mais não seja por esse estranho facto de aquela que deverá ser a melhor época até agora registada - e apenas na Liga, uma vez que a época não acabou - foi a época mais barata das três. Parece também que a aproximação dos custos era indispensável, pois a qualidade dos ovos está directamente relacionada com qualidade que se obtém nas omeletas. 

Onde parece haver argumento mais válido contra a "filosofia jorgejesuíta" é relativamente à forma como ele olha para uma daquelas que tem sido uma das mais-valias do clube, funcionando como uma das mais vistosas bandeiras e factor de sustentabilidade do clube: a formação. Ainda que considerando a versão mais pessimista - "o Sporting não teria ganho na mesma" - é claro que poderia ter gasto menos com mais ou menos resultados.

Há uma geração de valor muito razoável de jogadores que parece ter passado ao lado do radar do treinador, mas cujas escolhas alternativas pouco ou nada acrescentaram a não ser ao lado dos custos. Jogadores como por exemplo Iuri Medeiros, Palhinha, Francisco Geraldes, Matheus Pereira viram-se preteridos por jogadores sem qualquer valor acrescentado e, pelo menos até ver, têm a sua carreira num limbo.

A resposta dada por eles é directamente proporcional à aposta do treinador: pouco mais que zero. Muito diferente da insistência igualmente inútil em Petrovic, Markovic, Campbell e mais recentemente em Alan Ruiz, por exemplo. As excessivas rotação de jogadores e instabilidade dos plantéis sem que os objectivos procurados sejam facilmente percebidos são outros argumentos de peso contra o técnico.

Há no entanto que considerar que a balança pende ainda para Jorge Jesus. Gélson não é ainda um produto acabado mas é já um valor seguro, Podence viu a sua afirmação bem encaminhada interrompida por uma lesão. Rúben Semedo foi hiper-valorizado, como agora se percebe melhor. E aqui, nos valores das negociações dos passes, é indiscutível que a associação Sporting/Jorge Jesus tem sido proveitosa para o clube. Mérito dividido pela sageza negocial da SAD, mas também pela valorização de jogadores directamente ligada ao trabalho de Jorge Jesus.

É que, mesmo sem chegar aos títulos, a respectiva proposta de jogo é atractiva e desperta as atenções, como se tem visto nos elogios de adversários e imprensa sobretudo após os confrontos internacionais.
Mas não é apenas a percepção de Jorge Jesus relativamente ao potencial da formação que merece ser aprimorada. Até porque o lançamento de Rafael Leão demonstra que o técnico está atento, mesmo que Leão pareça o “último dos moicanos” a merecer a atenção nos próximos tempos… A cooperação SAD / Jorge Jesus parece, também, merecer uma clarificação e aprofundamento.

Depois da carta branca dada o ano passado ao técnico, com os desastrosos resultados que se conhecem, parece haver vontade em ter uma palavra a dizer também nas aquisições por parte da SAD (leia-se Bruno de Carvalho). Uma vontade legitima, uma vez que a responsabilidade ser-lhe-à mais tarde ou mais cedo pedida pelos associados. Mas que não terá bons resultados se não houver trabalho cooperativo entre as partes. A SAD não tem que satisfazer todos os caprichos do treinador mas tem que perceber que, no limite, a sua vontade esbarrará na palavra final do treinador.

REFORÇOS DE "OURO", EQUÍVOCOS DE LATÃO E MUITAS PONTAS SOLTAS

O que sucedeu esta época, particularmente no mercado de inverno, onde as assombrosas afirmações de Jorge Jesus sobre Lumor e a chegada directamente do Brasil para o exílio de Wendell parecem indicar que não era bem aquilo que o treinador esperava como reforços, é irrepetível.

Idem sobre Montero, nome que se repete em sentido contrário ao sucedido na primeira época e cujo erro de avaliação na troca com Barcos pode ser muito bem contabilizado como um factor que acabou por contribuir para a perda de fulgor na procura do titulo. Desencontros e erros de planeamento que deixam muitas pontas soltas, cujo preço acaba por ser pago inapelavelmente por todos os envolvidos.

Não parece contudo que a ligação entre o treinador e clube se tenha esgotado. Mais importante do que procurar atribuir culpas isoladamente a um dos lados, é determinante que se aprenda com os erros e que se reconheça a necessidade de aproximar o planeamento da perfeição. E a programação e planeamento do plantel esteve esta época longe de o ser.

Equívocos na construção do plantel são agora mais fáceis de perceber. O Sporting pode até ter o melhor plantel de sempre - seguramente é o mais caro... - mas ganhará na comparação com os seus rivais? Não nos parece. Nem na qualidade nem, sobretudo na quantidade de jogadores que representam não apenas número mas também oferecem soluções.

A saída de Adrien está ainda por colmatar e não será Battaglia a fazê-lo. É notória uma enorme diferença de valor entre alguns titulares e respectivos suplentes que, ao invés de multiplicarem as soluções fazem crescer os problemas. Veja-se o caso do lateral esquerdo, especialmente quando ainda estava Jonathan e factura que deixou. Mas onde a diferença é ainda mais notória é na frente de ataque. Como foi possível imaginar que o Sporting poderia fazer jus à ambição de leão com apenas Bas Dost como actor principal e Doumbia a figurante? E depois o que dizer de contratações que claramente se afiguravam equívocas como Matheus Oliveira?

ENTRE O RAZOÁVEL, O SONHO E O IMPOSSÍVEL

Não há como dizer de outra forma: face às expectativas e ao vultuoso investimento feito pelo clube e após um ano de estreia fulgurante a passagem de Jorge Jesus pelo Sporting tem-se saldado por um pouco mais, pouco menos que razoável. Perdeu-se a constância do primeiro ano mas mantém-se uma apatia em momentos que depois acabam por ser os momentos chave da época. Por exemplo os estranhos casos com o Tondela de épocas anteriores, o sucedido este ano com a paragem dos relógios no Estoril e os finais de jogos com o Real Madrid e Juventus, só para citar alguns dos exemplos mais paradigmáticos. Uma questão que dificilmente pode ser atribuída ao trabalho do treinador, pelo menos no que diz respeito à sua proposta de jogo, mas que pode remeter para o apronto físico ou mesmo para a gestão de esforço do plantel.

O que já não me parece razoável é medir a manutenção do treinador por metas irrealistas, como a obrigatoriedade de conquista este ano da Liga Europa. O Sporting tem que interromper o ciclo do sonho e passar com urgência para a concretização de metas alcançáveis. Juntar-lhe impossíveis só ajuda a criar equívocos. Isto não é o mesmo que dizer que não deve ter a ambição de chegar à final em Lyon, onde se disputará o derradeiro jogo da Liga Europa, mas não se deve distrair das suas obrigações internas para assumir as responsabilidades que em primeiro lugar cabem ao anfitrião Olympic e seu conterrâneo homónimo de Marselha. Isto se quisermos fazer de conta que não nos apercebemos da presença do Atlético de Madrid, Borússia de Dortmund e Arsenal.

O campeonato mudou, o fosso entre grandes e os outros aprofundou-se. As falhas de pormenor que antes podiam ser corrigidas são agora factores importantes de penalização porque do outro lado têm estado adversários implacáveis. Num primeiro ano muito bom o Sporting viu-se ultrapassado, apesar dos 86 pontos conquistados e este ano registar-se-á algo de muito semelhante. Pode até ocorrer que o terceiro classificado obtenha uma pontuação que lhe daria um campeonato em épocas anteriores. E mesmo sem ganhar o Sporting está mais próximo. A vez de Jorge Jesus e do Sporting há-de chegar, assim saibam ambos porfiar e esperar.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Em que direcção vamos, mister?

Do jogo de hoje talvez o menos preocupante seja o resultado que, como sabemos, não foi grande coisa. Pior foi a exibição triste pela incapacidade de criar lances de perigo real e a equipa completamente perdida, sem ideias, sem saber o que fazer à bola, ao ponto de nem se notar quando o adversário ficou reduzido a dez jogadores.

Só faltava mesmo Jorge Jesus vir dizer que "fizemos um bom jogo" e que "jogamos com uma equipa ao nosso nível". Sabendo que o adversário na melhor das hipóteses é uma equipa de Liga Europa isso é admitir que esse é o nosso lugar? Se é para estar a este nível para que precisamos de gastar tanto dinheiro?

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Valência 3 - Sporting 0: este sofrimento auto-infligido serviu para quê?

As suspeitas da existência de um erro de cálculo na marcação de dois jogos em 24h confirmaram-se. Bastou o primeiro quarto de hora para perceber que aos nossos jogadores foram fornecidas botas de chumbo e os do Valência tinham no seu lugar pequenos jactos, tal era a diferença de andamento. Perante isto que pedir aos jogadores? Talvez o pedido devesse ser o deles: que aquilo acabasse o mais depressa possível.

Por isso a pergunta justifica-se plenamente: serviu exactamente para quê este jogo com o Valência? Que ilações pôde tirar o treinador deste jogo, que é sobretudo para isso que se fazem os jogos de preparação? Como é óbvio o resultado é aqui do menos importante.

A menos que o objectivo fosse a instalação de instabilidade e o anti-clímax neste início de época, este jogo teve tudo de sofrimento auto-infligido de forma completamente inútil e desnecessária. Ainda por cima ante um adversário cheio de problemas e indefinições sobre a formação do seu plantel.

Para ajudar à festa a péssima gestão do tempo e oportunidade de Francisco Geraldes (Mas não só...). Tenho pena que seja tantas vezes o feitio retorcido de JJ a toldar-lhe o raciocínio e a interpor-se entre ele o sucesso. 

O do jogador acontecerá apesar disto, assim o talento tenha oportunidade real para se impor. Oxalá o Sporting saiba resguardar os seus direitos.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Jorge Jesus de saída?

O JN avança hoje que "Jorge Jesus poderá estar muito próximo de deixar o comando técnico do Sporting". Segundo aquele matutino, "o treinador tem em mãos uma proposta para ser treinador do PSG e está tentado a deixar os leões para rumar ao campeonato francês, onde irá encontrar uma verdadeira constelação de estrelas."

Uma noticia que, a concretizar-se, não me surpreenderia absolutamente nada, atendendo aos rumores e alguns indicadores, uns mais subliminares que outros, que vão circulando. Não acusando o factor surpresa não deixaria porém de sentir uma sensação de desperdício ao ver um técnico com a  qualidade de Jorge Jesus abandonar o clube apenas com um troféu - de segunda linha - conquistado. Aguardemos pois pelos desenvolvimentos, se os houver.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Casamentos & funerais

O casamento de Jesus
Só por elevada dose de ingenuidade ou wishful thinking se poderá pensar que a comunicação improvisada de Bruno de Carvalho não desferiu um profundo golpe na relação com Jorge Jesus. Grande parte das palavras do presidente eram-lhe directamente dirigidas e aquela menção ao "caudal ofensivo" é um punhal cravado no ego reconhecidamente inflamado do treinador. 

Mas, ao fim e ao cabo, a referida declaração é a confirmação das divergências que as "remexidas" no plantel no Natal já deixaram perspectivar. O facto de o presidente ter demorado quase uma semana a reencontrar-se com o Facebook para reafirmar que Jorge Jesus é a sua escolha, enquanto tudo à volta ardia, revela um critério e uma convicção no mínimo questionáveis.

Ingenuidade, isso sim, é pensar que a declaração não lançaria um sentimento de legitima preocupação no seio dos Sportinguistas. Ou que quem vive da divulgação de acontecimentos e factos ocorridos ou do mero aproveitamento daqueles não iria aproveitar a "borla". Qualificá-los a todos indiscriminadamente de "histéricos" é fazer a figura do cozinheiro que culpa os comensais de não gostarem da comida que ele mesmo cozinhou mal e de forma irresponsável. É que por norma, as declarações públicas revelando descontentamento numa relação não são um mero sinal de insatisfação. São uma facada na indispensável confiança que suportam as ligações, constituindo muitas vezes a primeira notificação de divórcio.

Mas voltemos às divergências. Estas, como é claro para todos, têm por base a definição de poderes  sobre as políticas de aquisições, dispensas e composição geral do plantel. Numa relação saudável entre pessoas responsáveis e profissionais competentes, ambos os intervenientes ultrapassariam as diferenças de visão sentados frente a frente, assumindo as responsabilidades de que foram investidos quando decidiram servir o Sporting.

Ao contrário do que possa parecer, a questão até seria de fácil resolução, se houvesse a preocupação primordial acima mencionada e  também alguma humildade de ambas as partes. Da parte de Jorge Jesus, para perceber que quando lhe foi dada carta branca para intervir o resultado foi medíocre e não teve em conta as especificidades do clube. Da parte de Bruno de Carvalho para perceber que falta em Alvalade conhecimento e profissionais altamente qualificados para satisfazer as ambições do clube.

Admitamos que ambos o reconhecem. Mas, ao que parece, o impasse surge na hora de operacionalizar as alterações. Jorge Jesus não encontra razões para confiar no que a SAD lhe disponibiliza como suporte para trabalhar. Se quanto aos jogadores da formação me parece um erro  já quanto ao suporte de conhecimento que encontra na SAD reconheço-lhe toda a razão. Sabe mais Jesus a dormir que todos os outros acordados. 

Por exemplo: espanta-me que critérios podem qualificar André Geraldes para director desportivo, nome que insistentemente vai saltando das rotativas, ao género de inquérito de opinião. De reconhecimento pela experiência e mérito no desempenho dessas funções, como deveria ser obrigatório observar, não é de certeza. Não excluo a possibilidade de estarmos a falar de alguém com bom desempenho nas actuais funções, mas não se eleva um carteiro à condição de gestor dos CTT só porque entrega bem as cartas e encomendas. 

Claro que o presidente também tem razão. Ele sabe que não pode arriscar um segundo ano de equívocos e que há um risco menor no recurso à prata da casa. E também tem de reconhecer que resta muito pouco de aproveitável das suas incursões no mercado e que delas não houve o expectável retorno desportivo, mesmo que tendo um custo menor. E também que colocar as fichas todas em JJ por titulo imediato e a qualquer preço é um passo maior que as pernas (e carteira...) que actualmente sustêm o clube.

A preocupação de ambos porém deveria estar no talento dos jogadores, não na sua origem, não desconhecendo que a actividade de recrutamento é altamente contingente e arriscada. Veja-se o perfil de Bas Dost: europeu, carreira sólida, internacional, de valor reconhecido, o momento oportuno e o respectivo retorno. E compare-se por exemplo como de Alan Ruiz, contratado por um valor muito próximo. 

A vontade será crucial para manter a ligação de Jorge Jesus ao clube. Que nada tem a ver com posts tardios e equívocos no Facebook. É preciso restaurar a confiança e essa acontece sobretudo com actos. E simultaneamente criar uma relação equilibrada, em que a maior experiência e conhecimento de Jorge Jesus sejam apoiados na retaguarda por departamentos do clube (scouting, jurídico- administrativo, etc) com profissionais de igual valia, numa situação que propicie o crescimento de ambas as partes. De outra forma a passagem de um dos melhores treinadores nacionais pelo clube constituirá mais uma oportunidade perdida.

A boda de Bruno de Carvalho
Não vou fazer qualquer comentário sobre a vida pessoal de Bruno de Carvalho, nomeadamente sobre o seu casamento. Mas sempre aproveito para lembrar que foi por tratar o clube como uma extensão de uma qualquer propriedade e por declarados sinais de acantonamento autista que se desfez o casamento com uma dinastia.

Relações Requentadas
O Sporting anunciou hoje o reatamento de relações com o FCP. As relações institucionais com outros clubes deveriam existir sempre e não serem geridas de forma conveniente, a favor de ventos cuja constância e direcção não se percebem. E com ponderação e memória. Declarar sobre o FCPorto de Pinto da Costa que são mais as razões que nos unem do que as que nos separam é insultuoso para todos de nós que ainda conservam a memória. João Rocha deve ter tido um valente sobressalto no seu túmulo.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Porquê tanto drama, tanto horror se a tragédia estava já consumada?

O Sporting é uma fonte quase inesgotável de surpresas, não é? Então não é que um jogo quase a feijões nos aproxima novamente do abismo, faltando ainda saber o quê e quem se sumirá por ele abaixo? É que é me é difícil perceber tanto drama e tanto horror por causa da derrota com o Belenenses.

Porque não perdíamos em casa com eles há mais de seis décadas?

Porque era Dia da Mãe?

Porque era dia de festa? 

Ah é, por tudo isso? Então vejamos:

É certo que não perdíamos em casa com o Belenenses há 62 anos, mas sejamos práticos. Algum dia tinha que acontecer e por isso quando mais depressa melhor. É que se acontecesse no próximo ano já não seriam 62 mas 63. Um bocado pior, não? E se tem que acontecer é preferível que aconteça quando o resultado tem uma importância menor. Seria incomensuravelmente pior se à triste quebra do record ficasse associado por exemplo afastamento do título, facto há muito consumado. Eu não me importaria de perder todos os anos com o Belenenses, ou mesmo com o Tondela, se fossemos campeões. E como eu todos os Sportinguistas, por certo.

O que me parece digno de preocupação é estarmos a jogar para coisa nenhuma há já muito tempo. Este ano e em muitos outros que compõem os já quase 16 anos sem ver o título. E este ano em particular, depois do investimento feito - que afinal já descobrimos que era apenas despesa... - não me lembro de ver reações equivalentes quando fomos paulatinamente entregando nas mãos de outros os nossos objectivos e ambições. 

Quem sabe se "abanássemos a barraca" com o vigor agora empregue, mesmo que em forma de posts (alguns nitidamente encomendados...) nas redes sociais quando perdemos com o Rio Ave por 3-0. Ou quando fomos empurrados quase com desdém da Europa pelos polacos. Talvez esta derrota - esta com o Belenenses e toda esta época, bem entendido - não tivesse acontecido. Mas as maviosas promessas do "ainda vamos lá", sucedâneo com provas dadas do "para o ano é que é" não nos deixavam ver o que era cada vez mais evidente.

O argumento de ser Dia da Mãe também não colhe. Se há alguém bem preparada para lidar com o desgosto são as mães sportinguistas. A minha não é, nem gosta de futebol, aversão que os dirigentes desportivos se têm empenhado em justificar com grande empenho. Mas nem preciso de lhe dizer nada quando o Sporting perde. Ainda hoje, com a idade que já tenho, é toda compreensão e carinho perante o meu semblante carregado e sorumbático e há poucas pessoas que entendam como ela como a minha dor é real.

"Ah, e tal, era dia de festa", que o clube tinha preparado especialmente. É um bocado estranho que um clube que acaba de torrar uma soma verdadeiramente aterradora de dinheiro e dele fique quase nada para o futuro, encontre razões para festa. Mesmo que seja sob o pretexto de a fazer por uma das mulheres mais importantes, senão a mais, da nossa vida. Cheira mais a comício-festa de desagravo do regime, para entreter os parolos, enquanto os rivais nos vão comendo na cabeça as papas e os bolos. 

"Ah, e coitados dos miúdos pequeninos, que até choraram." É cruel, sim senhor. Mas para o crescimento é importante também a dor e o revés. Muitos grandes Sportinguistas temperaram assim o seu amor pelo clube, quem sabe até o fortaleceu. Porque ser do Sporting é muito mais do que ganhar, por muito importante que seja. Ser do Sporting é TUDO! E tudo o resto seria na mesma, e os dias passariam aparentemente iguais, só que menos aquela qualquer coisa que se sente aqui no peito e não se pode explicar, apenas sentir.

E é preferível uma desilusão do que viver enganado. E a verdade crua e nua é que aquela que muitas vezes apelidamos de "maior potência desportiva nacional" o é em elevado grau de feitos e responsabilidade de muitas das gerações que nos precederam. Fosse por nós e não o seria, por tardamos muito em voltar encontrar o pé e o bem saber fazer. No fundo, em reencontrarmo-nos.

É no mínimo estranho que de adeptos devotos e fervorosos seja tão difícil extrair dirigentes competentes e sagazes. Porque no fundo é disso que inevitavelmente estamos a falar. Ou a evitar falar, como queiram. Um caso de estudo e de cuja resolução depende o retorno ao sucesso ou a permanência no eterno âmbar do "agora é que é" ou, numa versão pior, o anestésico que se  administra em doses certas e metódicas.

Por isso, se tragédia da época estava já consumada, porquê tanto horror? Só se for por antecipação dos dramas que agora já se advinham e que colocam o nosso clube num lugar que tão bem conhece: o da crise e convulsões permanentes, onde os únicos títulos que se podem ambicionar são as das capas dos jornais.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Tens o número do presidente e do JJ? É para um amigo...

Antes que o espectáculo dos recados do presidente para o treinador e deste para o presidente atinja proporções maiores, tenho um amigo que se propõe ceder a cada um deles o respectivo número para assim os voltar a por novamente em contacto. Isto de forma a pouparem-nos a este espetáculo deprimente de ver os mais altos responsáveis a trocarem entre si mensagens aos microfones das rádios e televisões.

Provavelmente não será fácil conseguir uma ligação à primeira. Estamos a falar dos telefones mais requisitados do país, como certamente serão os do presidente do Sporting e do treinador do nosso clube. Por isso recomenda-se alguma dose de paciência, talvez em igual grau ao que usamos para os cruzamentos do Schelotto pela linha de fundo ou para as paragens cerebrais do Marvin (às tantas corre em apneia e o cérebro não é convenientemente irrigado.) 

E se há coisa que temos é paciência. Senão veja-se: é mais provável ver os magrebinos todos a desembarcar ilegalmente no Humberto Delgado do que passar na alfândega um par de laterais de jeito para cada ala. Ah, e ainda estamos à espera de alguém que venha substituir o João Mário. Queres que vai ter que ser o próprio?

Mas paciência para o presidente ligar ao JJ ou, ao contrário, para o treinador ligar ao seu presidente porquê? A relação entre ambos está assim tão mal que já corremos o risco de nem sequer  atenderem as respectivas chamadas? Bom, não tenho dados que o confirmem, o meu receio para já é outro.

É que estamos a chegar ao final da época e o JJ pode estar ao telefone com o Costa Aguiar, a tentar saber como está a decorrer a travessia a nado do Atlântico Sul pelo Bruno Paulista. (Só pode né? Há tanto tempo sem clube nem noticias.) Ou a discutir pormenores linguísticos, por exemplo se o próximo contentor tem mais "ics", "ovs" ou "inhos". Se JJ estiver a ligar para Madrid para saber qual vai ser o próximo clube de "El Cholo" Simeone o sinal de interrompido ia durar muito.

Mas se a iniciativa for do JJ a perspectiva também não é de sucesso à primeira. Imaginem agora se o "mestre da tática" não apanha o presidente num intervalo entre uma entrevista ao Correio da Manhã, VIP ou Caras a falar da sua felicidade pessoal ou numa flash-interview a dar conta da nossa miséria colectiva? Já imaginaram a dificuldade que é mudar rapidamente de tom e semblante e o elevado risco que corre de trocar a pose? E se JJ liga no preciso momento em que o presidente dita um post ao director de comunicação sobre a constante intromissão dos média na sua vida pessoal? Estranho nunca se terem lembrado da possibilidade de os pneus do Vieira terem agora como fiel depositário o Pedro Guerra, algo que até se pode suspeitar à vista desarmada.

Mesmo que não consigam marcar uma reunião, pelo menos sempre conseguirão conversar e, dessa forma tentar resolver as respectivas diferenças de opinião do que deve ser o Sporting no(s) ano(s) que se seguem. Ok, talvez seja pedir muito e já não era mau conseguirem uma plataforma de entendimento para a próxima época.

A conversa até seria curta. JJ só precisava de dizer se está onde quer e confia na estrutura de Alvalade. Só quem nunca andou nos baixios de um estádio é que não percebe a importância que tem um treinador sentir que as bancadas não lhe caem em cima. Ou que não vai sair ninguém de trás de uma viga para lhe espetar uma faca nas costas.

BdC Só tem que dizer a JJ que continua a acreditar no trabalho dele e explicar-lhe que aquela indignação toda de ontem era uma tremenda indigestão causada por um tetra, peixe vermelho, não comestível, da familia "Characidae", que inclui também as piranhas e outras aves. JJ certamente que o compreenderá...

Mas se tal não for de todo possível então, como diz o nosso primeiro, "amigos como dantes" e cada um siga a sua vida. Mas aqui recomendava contas à moda do Porto: cada um paga o seu.

domingo, 7 de maio de 2017

Sporting 1 - Belenenses 3: Oh mãe, o Belenenses bateu-me

Não pude deixar de notar as palavras de Jorge Jesus no lançamento do jogo, quando invocou culpas de terceiros (meterem-nos pedras na estrada) para justificar o decepcionante percurso da equipa na época em curso. Esta é cada vez mais uma especialidade no Sporting: encontrar alguém que carregue as culpas, sem nunca olhar com rigor para as próprias falhas. Que sentido faz a referência à falta de experiência? Por causa das ausências de Alan Ruiz, Podence e Gélson Martins não se justifica, atendendo à reduzida experiência de qualquer um deles na nossa LIGA.

O mesmo fez hoje o presidente nos momentos que se seguiram ao jogo, tratando publicamente de matéria sensível (censura ao treinador), que em primeiro lugar deve ser tratada dentro de portas. Mesmo tendo razões mais do que justificadas para estar insatisfeito com Jorge Jesus e que, no limite, a intenção seja livrar-se do treinador (que há pouco aumentou, sem nada que o justificasse e que tem reiterado a ideia de ser um treinador para muito tempo). Ora  não deveria ser uma derrota em final de época a abalar essa convicção, quando a ideia de que Jesus é o treinador para o mandato já havia sido propagada quando o substancial da época estava já entregue. 

A ideia que o projecto é ele e não quem é também essencial na sua execução ("os adeptos estão crentes num projecto, mais do que em treinadores ou jogadores") deveria ser melhor explicada. Começando logo pelo essencial: o que é o projecto? Quais são as ideias base em que assenta?

Sejamos sérios: ninguém ignora que há quem ponha pedras no nosso caminho. Desde que me lembro que assim é e não parece que vá mudar tão cedo. Daí que, se queremos inverter este caminho, não nos reste outra alternativa senão prepararmo-nos melhor, sermos mais rigorosos que os outros, escolher melhor que os outros. Não parece que tenha sido isso que aconteceu este ano.

Ou então em alternativa podemos queixar-nos do calor, do frio, do relvado, dos árbitros (com muita razão, muitas vezes!) e então aí a melhor forma de resumir o que se passou hoje em Alvalade, dia da Mãe, é o titulo do post: "oh mãe, o Belenenses bateu-me".

segunda-feira, 27 de março de 2017

Jorge Jesus continua a ser o treinador que o Sporting precisa?

A surpreendente contratação de um técnico como Jorge Jesus por Bruno de Carvalho, com uma proposta de jogo reconhecidamente atraente e vencedora, obliterou qualquer discussão sobre a indispensável análise do perfil do treinador que se entende ser necessário para regressar à conquista de títulos.

Mas essa discussão é necessária. Podem técnicos (Jardim, Marco Silva, Jesus) de perfis, carreiras e propostas de jogo tão diferentes ser úteis à mesma causa? Pergunta que nos leva a outra também muito frequente: é o treinador que deve adaptar a sua ideia de jogo ao plantel disponível ou o contrário? E ainda outra igualmente importante: como se determina se um treinador tem o perfil adequado à filosofia, objectivos e necessidades de um clube?

A resposta a estas perguntas é importante num clube como o Sporting, mas não tanto no Real Madrid, Barcelona, Manchester ou Bayern, entre outros. Isto porque todos eles têm disponibilidade financeira para oferecer ao seu treinador os jogadores com o perfil adequado ao modelo que o treinador deseja implementar. Não é o caso do Sporting, pelo que a escolha do técnico tem que levar sempre em linha de conta o material humano que pode disponibilizar ao seu treinador.

Como tudo quase correu muito bem no primeiro ano, as respostas a estas questões não foram necessárias. O impacto da chegada de Jorge Jesus foi tal que só por um triz não se celebrou a conquista do campeonato. Aqui Jorge Jesus cumpriu com aquilo que se esperava dele como grande treinador: adaptou as suas ideias às características do plantel disponível, mantendo-se fiel aos seus princípios de jogo, conseguindo ainda oferecer aos seus jogadores o meio ideal para exponenciar as suas qualidades, valorizando-os.

Esta estadia de Jesus no céu a verde-e-branco durou muito pouco, provando que é relativamente fácil ter êxito fortuito no futebol, embora o emprego da palavra êxito até seja excessivo. Não o é no caso de Ranieri no Leicester, um caso de sucesso imediato, que passará a ser paradigmático. Mas o mais difícil ter êxito de forma duradoura e para tal é necessário mais do que um alinhamento favorável dos astros. A ideia que na corrida para o sucesso se podem queimar etapas pode ser muito atraente mas raras vezes paga dividendos.

O insucesso total da presente época deveria remeter a SAD a profunda reflexão, porque só percebendo as suas causas se poderá evitar a repetição de erros e equívocos. Reflexão sem dogmas e com elevada abertura de pensamento e humildade. E se há imensas questões por responder a principal é a que deveria ter sido colocada em primeiro lugar, quando se partiu para a contratação de Jorge Jesus:

Tem ele o perfil ideal para ser treinador do Sporting? E por outro lado também deve ser perguntado: tem o Sporting as condições para proporcionar o sucesso ao seu treinador na exacta forma que ele entende como condições indispensáveis para lá chegar? Não está em causa a qualidade do treinador, como certamente não estará a de Guardiola, cuja mudança para Manchester deu ainda mais força a este género de interrogações.

A redefinição por parte de Bruno de Carvalho, reafirmando a famigerada "aposta na formação" vem tornar a resposta à pergunta imperativa. O contexto que levou à contratação de Jorge Jesus - procura de títulos de forma imediata e com recurso "ilimitado" ao mercado, em nítido desfavor do recurso à prata da casa - parece ter-se alterado subitamente, tornando esta questão ainda mais actual. Mais ainda porque parecem evidentes que as consequências económico-financeiras e até psicológicas do falhanço desta época condicionarão fortemente as opções.

A próxima  época ajudará a perceber melhor como será possível o entendimento entre duas versões aparentemente conflituantes e, mais do que as declarações de circunstância, serão as decisões que serão tomadas que falarão mais alto sobre a forma como se fará o respectivo equilíbrio de forças.

Facilmente se entende que esta reconfiguração é um grande desafio para ambas as partes. E também uma excelente oportunidade para o clube e para Jorge Jesus. É que, apesar da retórica à volta da "aposta na formação" o que não tem faltado desde sempre e apesar do sucesso são medidas avulsas e mesmo contraditórias.

Quer Jorge Jesus quer o Sporting teriam muito a ganhar com uma visão integrada para a formação, com o técnico a ser importante na definição do modelo de jogo de forma transversal em todos os escalões, algo que há muito já devia estar em marcha. O primeiro passo para o treinador conhecer melhor um sector que poderia ter um papel ainda mais importante, com os jogadores a poderem  dar resposta mais precoce às elevadas exigências que o modelo do treinador costuma suscitar.

Isto claro, se quer técnico quer a actual direcção clube estiverem mais interessados em construir um legado do que apostar todas as fichas apenas no imediato.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Sporting 1 - Vitória Guimarães 1: Jesus já não caminha nem faz caminhar sobre as águas

Não há como disfarçar: a quase totalidade da palavra fracasso com que se qualificará a época em curso tem sido escrita pela mão de Jorge Jesus. Começou por desbaratar a oportunidade que lhe foi concedida na carta branca embrulhada em vários milhões de euros e agora, na versão económica, não encontra a fórmula de rentabilizar os jogadores que tem à disposição, de forma a devolver competitividade à equipa e preparar o futuro. 

Mais preocupante do que isso é verificar pelo discurso do nosso treinador, na conferência de imprensa, que hà um desfasamento entre o diagnóstico, que nos parece correcto, e a forma como procede na prática.  

Uma vez que alguém, melhor do que eu, explicou bem o que está a suceder neste momento, extraio uma parte substancial do post do Blessing, no Posse de Bola, cujo texto integral pode ser lido aqui [LINK].

"(...) o treinador mostra-se com dificuldade em responder à uma mudança abrupta de contexto. E não, não é dos resultados que se fala. Sabendo-se que com Jesus a equipa é orientada para o rendimento imediato, e percebendo-se que os títulos são quase utópicos, o Sporting parece preso na ideia de que lhe falta qualidade para cumprir com o que se predispôs no início da época. O caminho é hoje diferente, mas o treinador do Sporting não está disposto a abdicar da sua filosofia em prol do novo contexto onde está inserido. Parece não querer adaptar-se, e ter até algum receio de percorrer os novos caminhos. 

Isto é, os putos imberbes do Sporting (não tão imberbes assim por se terem mostrado capazes de triunfar na primeira liga) têm qualidade ou não? 

Qual é a opinião do treinador?

 E a do clube? Na minha opinião sim. 

Há muita qualidade ali, demasiada para não ser aproveitada. E o último obstáculo a ultrapassar é a exigência de jogar num grande. A exposição ao erro, e a mediatização de todos os momentos que são esmiuçados ao detalhe. No fundo, a pressão. 

Sabendo-se que os títulos estão longe do horizonte esta época, e que os miúdos podem dar um salto fundamental para o aumento da qualidade de jogo do Sporting ("sem gastos"), faz sentido continuar a escondê-los do jogo? 

Não fará mais sentido do que nunca não pensar nos resultados no imediato para garantir craques num futuro bem próximo? 

Serão Podence, Geraldes, Iuri, Matheus e até Gauld, merecedores de um futuro diferente pela diferença que poderão fazer no Sporting do futuro?

Na resposta a estas perguntas está condensada muito do que acontecerá na próxima época, cujos reflexos desta condicionarão fortemente, matéria que em breve será aqui objecto de análise.


domingo, 26 de fevereiro de 2017

Lourenço e Carlos Padrão (há coisas boas na Sporting TV)

Uma conversa e análise surpreendentemente boas por parte do antigo jogador do Sporting e de Carlos Padrão, lembrar-se-ão alguns, antigo guarda-redes do Sporting, FC Porto, Boavista, V. Setúbal ou Belenenses, entre muitos outros clubes.
Como não tive oportunidade para ver o jogo é impossível adiantar qualquer coisa que vá além dum olhar sobre o 0-2 final. Nas últimas 6 semanas, apesar de alguns resultados negativos, o Sporting parece ter consolidado o muito importante 3º lugar, classificação que poderia (deveria) ter-se visto questionada pelo SC Braga de Jorge Simão. Felizmente, os minhotos também falharam. As últimas 3 vitórias, desejamos, serenarão uma equipa que independentemente daquilo que o SC Braga faça, garantirá o apuramento para as pré-eliminatórias da LC na próxima época. Tratar-se-á de um consolo sóbrio mas fundamental no crescimento da equipa: precisamos de estar novamente na fase de grupos da LC.

Olhado o actual momento e classificação, temos salvo erro mais 11 jogos pela frente, não lutamos por qualquer objectivo que vá além do 3º lugar, teremos uma palavra decisiva na atribuição do título quando recebermos o Benfica, e ainda poderemos (apesar de tudo) terminar a época com 80 pontos. Se dos 11 jogos imaginarmos - como exemplo - 8 vitórias, teremos somado no final cerca de 72 ou 73 pontos, nº que apesar duma época infeliz superará novamente a maioria das classificações do Sporting pré-Jorge Jesus.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Humildade, lições e actos de contr(ad)ição

Quem está de fora do circulo restrito do futebol profissional do Sporting não está na posse de todos os dados para poder efectuar uma análise rigorosa e certeira nem sobre o momento nem sobre as dinâmicas que afectam as relações entre os diversos grupos (dirigentes, técnicos, jogadores) e os elementos que os compõem. 

Mas observando de fora é fácil constatar que por lá já se viveram melhores dias, sendo legitima - e sobretudo preocupante -  a dúvida sobre a existência de uma fractura entre os diversos grupos e/ou indivíduos. A observação do segundo jogo de Chaves, por força dos tristes acontecimentos nos balneários do jogo anterior, que mais uma vez projectaram o Sporting para as parangonas dos média pelos piores motivos, não nos deram razões para grande tranquilidade. Veremos os próximos capítulos para perceber melhor.

A apreensão não diminui nas promessas de rápida lipoaspiração dos excessos de gordura no plantel e ainda menos quando se fala na diminuição de poderes de Jorge Jesus na contratação de jogadores no futuro imediato. O emagrecimento do plantel é compulsivo, face às obrigações que ainda restam para o resto da época, não resultando por isso de uma verdadeira estratégia. E a promessa da transição do poder de contratar de um gabinete para outro também não o é. Estratégia seria haver total coordenação interna quer entre SAD e treinador e entre estes e os diversos departamentos, incluindo os ligados à formação. 

Uma grande dúvida porém se levanta: se os plenos poderes de Jorge Jesus dão para encher agora uma mini-van de desperdício (pelo menos sete...) os plenos poderes nos quatro anos de mandato da actual SAD talvez não chegue um autocarro. Até mais do que um, se alargarmos a análise às sucessivas intervenções pouco cirúrgicas até à equipa B e juniores. Tudo isto se explica de forma simples: a tão propalada estrutura resume-se praticamente a dois nomes: Jorge Jesus e Bruno de Carvalho. 

Para o bem do Sporting não tenho dúvidas que o futuro será melhor se conseguissem trabalhar de forma coordenada, apoiada numa rede de profissionais competentes e de saber feito, quer do ponto de vista académico, quer de experiência de vida. O que comummente se chama estrutura. Duvido que haja, crendo mesmo que se alguma vez tivemos se perdeu na espuma dos dias e das permanentes alterações. E para que tal acontecesse seria preciso uma dose muito generosa de humildade de ambas as partes, o que não se me afigura fácil de acontecer.  Pelo histórico de ambos, é mais provável que as as actuais baixas temperaturas cheguem primeiro aos infernos.

O recente acto de contrição faceboquiano do presidente é meramente estratégico por quem se sente acossado, sendo a contradição inicial um claro indicio disso mesmo. A retirada de poderes a Jorge Jesus significa um passo atrás, contradizendo a promessa de não o dar - "Não irei dar um passo atrás para apaziguar algumas almas". E é realizado com o óbvio propósito para apaziguar senão as almas pelo menos a contestação.

Mas representa a negação de algo ainda mais substancial: a existência de um verdadeiro projecto, pelo menos no que isso está relacionado com planificação e com linhas orientadoras bem definidas. Bastou um pouco mais de dinheiro primeiro e os maus resultados provacados pelo seu mau uso para se perceber.

Sabe-se ainda muito pouco sobre como Jesus está a viver este momento e como ficarão as relações com Bruno de Carvalho. Mas há dúvidas que não tenho:
- O Sporting está bem servido de treinador e esse treinador ser-nos-ia muito mais útil se tivesse por trás uma estrutura profissional e competente.

- O Sporting não pode estar refém dessa ligação. Não há insubstituíveis, basta olhar ao que sucedeu ao rival após a saída de Jesus, não precisando de um treinador consagrado para estar bem servido, demonstrando que a escolha de um treinador que se adeque às necessidades de um clube foge muito aos lugares comuns que se usam habitualmente.

- Foi o sentimento de superioridade gerado pela realidade que encontrou no Sporting que o atraiçoou, negligenciando a necessidade de o conhecer de forma abrangente e em profundidade. Certamente que se o tivesse feito não teria cometido alguns dos erros que agora o expõem. 

- Jesus não aceitará o que foi feito quer a Marco Silva quer a Leonardo Jardim.
Nem um nem outro parecem estar muito dispostos a serem confrontados com as suas próprias limitações e insuficiências ou a entender a necessidade de ouvir outras opiniões.  Ora, se não perceberem os erros cometidos, o mais provável é que eles, mais tarde ou mais cedo venham novamente a ocorrer.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Sporting sob o espectro da linha de água

Para o futebol profissional do Sporting o fim-de-semana passado dificilmente não podia ter sido mais longo e pelas piores razões. De tal forma que hoje, quando olhamos para as respectivas tabelas classificativas ambas as equipas se encontram debaixo do espectro da linha de água. Sim, leu bem “abaixo da linha de água”, porque é assim entendo a classificação da equipa principal do clube abaixo do último lugar do pódium: o terceiro lugar é e será sempre para nós o nosso “mínimo olímpico” que, infelizmente, em várias, demasiadas, ocasiões tem ficado por alcançar.

Ainda apenas relativamente à equipa A a decepção não podia ser maior pelo contraste entre as expectativas criadas no inicio da época e a prestação da equipa. Agora que se vai percebendo que aquilo que era apenas alguns indícios são agora já confirmações: o futebol do Sporting, ao contrário do que se esperava no segundo ano de Jesus, perdeu aquelas que eram as melhores qualidades que lhe reconhecemos no ano passado e tornou-se demasiado previsível e fácil de anular.

Ao contrário do que cheguei a pensar quando estes problemas se tornavam evidentes, não são as outras equipas que estão melhor preparadas para nos contrariar, pois jogar contra três linhas defensivas não é uma abordagem particularmente nova. O que é novo sob o comando de Jesus (mas já velho em outros infelizmente muitos anos) é não termos argumentos para as contrariar. E não é que equipa não tente mas depressa percebe, ao esbarrar nas primeiras duas linhas, a sua própria incapacidade de desmontar o adversário pelo meio, vendo-se obrigada a cruzar e cruzar e cruzar.

Ter disto com Jesus é tão decepcionante como comer um bife duro e umas batatas fritas rançosas num restaurante de um chef que ambiciona estrelas Michelin. O problema é que este não foi apenas um jogo mau, foi mais um jogo mau e quando se olha para o calendário não se consegue augurar nada de muito bom para chegar.

Como um mal nunca vem só, os resultados vão fazendo as suas primeiras vitimas. A mais óbvia para já estão na indispensável coesão que é necessária para superar momentos como os que se vivem. Um péssimo sinal que demonstra que o Sporting não mudou assim tanto como devia. Quantas vezes sem conta nos foi servido este prato?

Os nossos balneários continuam a ter paredes de vidro a deixar passar tudo. E a mesma falta de clarividência e assertividade nas relações entre SAD e os seus melhores activos, seja por excesso ou por defeito.  Quem acha  que confrontar profissionais no seu reduto em momentos de cansaço e desilusão extremas não é “cutucar a onça com vara curta” ainda está nos "anos 80". O mesmo para quem permitiu que tal acontecesse naquele local e naquele momento.Se a entrada do presidente se deu à revelia do treinador então o caso é ainda pior.

A ideia de que uma liderança se pode exercer com métodos ultrapassados, só porque são jogadores de futebol diz muito do quão desactualizados estamos e, de certa forma, ajudam a perceber os resultados. Por outro lado é ilusório pensar que passar culpas e alijar responsabilidades, oferecendo em sacrifício nomes para fogueira vai desviar as atenções. Apenas aumentará a chama na fogueira onde arde já em lume nada brando o nosso futebol. Ninguém duvide que, independentemente das decisões que venham a ser tomadas no futuro, a saída mais fácil do atoleiro em que nos encontramos é com TODOS a fazerem força para o mesmo lado.

Já a Equipa B está mesmo abaixo da linha de água literal. Não é propriamente novo e em parte é compreensível, atendendo às diferenças que separam as equipas deste campeonato. Por outro lado quem vê a equipa jogar continua a não perceber qual é a ideia de jogo pretendida. A única coisa verdadeiramente inteligível é que aquela fórmula não vai potenciar valor.  E este já é muito duvidoso que exista em muitos jogadores, pelo menos suficiente para significarem futuro com a nossa camisola. O que também não deve constituir surpresa para ninguém, com os constantes recursos ao mercado para uma escola que é conhecida mundialmente pela sua capacidade de formar.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A autópsia ao cadáver de Légia

Vão ser precisas mais horas de distância sobre o jogo de ontem para poder restabelecer-me de mais um desaire que "não podia" ter acontecido. Dizer não podia não é aqui desrespeitar a equipa que nos venceu porque foi mais competente do que nós ou muito menos o futebol e o desporto em geral. Mas já passou o tempo suficiente para pelo menos poder olhar para o jogo e discorrer sobre ele e em particular sobre o levou a este desfecho, tão amargo para nós.

Mantenho o raciocínio que presidiu ao post anterior: o jogo começou por ser perdido na cabeça de Jorge Jesus. Mais uma vez me parece que foi vitima da sua sobranceria, ao não dar o valor devido ao adversário. A surpresa que julgava ir causar acabou por redundar naquilo que se costuma dizer "ir buscar a lã e acabar tosquiado".

Jorge Jesus não mudou apenas o sistema de jogo que a equipa tem mais tempo de treino e jogo, mas mudou também jogadores das posições que habitualmente jogam. A defesa nunca se conseguiu articular entre si, sendo notório o desconforto do trio, incluindo o de Coates, que terá feito um dos piores jogos com a nossa camisola. As hesitações de Semedo e Oliveira também denunciaram esse desconforto. Mas os três acabaram por ser sobretudo vitimas da anarquia que reinou no sector que os precedia no terreno.

Com duas penadas infelizes JJ desarticulou toda a equipa: falo das posições escolhidas para Bruno César e Gélson. Não apenas perdemos toda a profundidade e imprevisibilidade que Gélson dá ao flanco direito, bem como a ligação com as assistências a Dost, como perdemos a inteligência na ocupação de espaços como a ligação entre sectores que Bruno César tem oferecido. As acções de William e Adrien tornaram-se quase inúteis perante as saídas rápidas dos polacos nas suas costas, aparecendo facilmente em frente ao derradeiro trio defensivo.

O conforto que retirou aos seus jogadores ofereceu-o aos adversários, ao conceder-lhes espaço e liberdade de acção quando esta devia ter-lhes sido condicionado  a que a nossa superioridade técnica actuasse como valência em nosso favor. Para se chegar à conclusão do erro cometido basta aliás o reconhecimento tácito de JJ, ao voltar à fórmula habitual, logo após o intervalo e a consequente melhoria registada, mas ainda assim insuficiente para repara o mal entretanto feito.

Infelizmente para o que aconteceu ontem já não há remédio. A ideia de que talvez até seja bom, porque a Liga Europa é uma maçada, tem jogos à quinta-feira, não dá muito dinheiro até é apelativa, se alguém conseguir explicar como é que sair com três míseros pontinhos, por uma porta das traseiras da competição, é mastigável e deglutível.

Ah, pois, temos as competições internas para nos afirmar como prioridade, é aqui que vamos escalar até ao topo do ranking da UEFA, o tal que nos permite "ter mais sorte" nos sorteios. Porque é nas competições internas que vamos conquistar os pontos que precisamos para continuar a aceder aos sorteios da Liga dos Campeões.

Ah, pois, é aqui, na tal "afirmação interna", que vamos encontrar o financiamento adequado e suficiente para sustentar o disparar dos custos da SAD, na busca de um nivelamento mais próximo dos orçamentos e consequente competitividade dos nossos rivais, de forma a interromper um ciclo "nem, nem" (nem dinheiro, nem títulos) que nos afastou dos da frente?

O discurso de JJ ontem no final é decepcionante. Porque não explicou as suas opções (o que se até se compreende, atendendo ao resultado) mas sobretudo porque já preparou a próxima desculpa, caso domingo volte a registar novo insucesso. Alguém tem que lhe explicar que de facto o futebol do Sporting não tem ganho assim tantas vezes como gostaríamos, mas foi precisamente para inverter esse rumo que o clube lhe dá a ele o que até agora nunca ninguém havia tido: dinheiro para gastar e autonomia para decidir. 

E, lendo e ouvindo o que se vai dizendo por aí, parece-me que JJ já cá está há mais tempo do que parece: tal como muitos adeptos, parece já se ter especializado em álibis e desculpas: é o tempo que ora passa devagar ou a correr, a bola que infelizmente é redonda, o frio que é gelado, sempre um bocadinho mais para  nós e contra nós do que para os outros.

E quando as desculpas se esgotam é a vez dos números de prestidigitação (sem esquecer as manobras evasivas com o rival, para entreter  a populaça), acenando com amanhãs luminosos, porque o futuro é já a seguir, é o campeonato . Sim, esse mesmo que entregamos de bandeja no ano passado e cujo segundo lugar ainda foi ampla e ruidosamente festejado, com direito a voltareta presidencial e o treinador premiado com chorudo aumento.

Por isso é que quando nos perguntamos porque nos acontecem tantas vezes estes "episódios Légia" talvez a resposta não seja assim tão difícil de encontrar. É que para ganhar mais vezes, ser campeão, é preciso mais do que 90% de concentração. É preciso querer ganhar mais do que apenas nos títulos de jornais e falar menos e só depois de ganhar. É preciso trabalhar mais mas sobretudo melhor.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Légia 1 - Sporting 0: Paragem Cerebral


Perdemos o jogo e fomos eliminados ainda antes de subir ao relvado. Tudo começou e acabou na cabeça de Jorge Jesus, o Cérebro. No que foi igualado por William, ao fazer-se expulsar num momento que todos eram poucos para tentar remediar o que já se adivinhava. O melhor é não me alongar mais, nestas horas de frustração e mágoa o melhor é respirar fundo várias vezes. 

PS: No final do jogo, no âmbito da iniciativa #Sporting160, juntamente com o @bancadeleao e o autor do programa, o @castrojr76, gravamos um podcast em que se analisam estes últimos dias, que nos levam de Varsóvia ao dérby e que pode ser ouvido neste [Link] de Varsóvia a Lisboa.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Os derrotados

Tive finalmente tempo, mas sobretudo vontade hercúlea, para me dispor ao masoquismo de ver o pretérito jogo contra o Nacional. O que se passou no relvado e o que ocorreu depois é o tema do post de hoje.

Falta de atitude?
A falta de atitude é uma queixa muito comum, particularmente entre os adeptos, mas radica na maior parte das vezes da ausência de conhecimento que permita entender de outra forma o que está a acontecer. Pelo menos pelo jogo da passada sexta-feira não me parece que faça sentido, até porque, e com o miserável estado do terreno, sem entrega as coisas ficariam bem piores.

Crise de confiança
É notória a crise de confiança, que explica a série de falhas técnicas absurdas para o nível obrigatório numa equipa com as responsabilidades de vestir a nossa camisola. E se,  como é óbvio, os jogadores menos dotados de talento ficam ainda mais expostos, até mesmo os melhores jogadores parecem outros, bem piores. O penalty de William é a imagem de um jogador a quem a bola magoa como chumbo e a camisola pesa como uma armadura. Só assim se explica a forma frouxa como o castigo foi cobrado. Esta é uma imagem transversal a toda a equipa, com pontuais excecpções. Uma imagem de uma equipa perdida de si mesma e das suas melhores ideias e qualidades e que não parece perceber o que lhe está a acontecer.

Crise de resultados
A equipa entrou no pior dos círculos viciosos: a crise de confiança agudiza-se com a crise de resultados, entrando-se rapidamente num vórtice do qual só se sai a muito custo. Para inverter o curso dos acontecimentos a equipa precisa de arrancar forças ao fundo das suas entranhas (passe o dramatismo) ou então um golpe de sorte que recoloque os níveis de confiança onde os erros por insegurança diminuam. Não gostava de incluir aqui as questões de arbitragem, embora seja incontornável reconhecer que decisões mais acertadas em Guimarães e agora na Madeira poderiam reduzir em muito o âmbito desta crise. Mas sabemos que, para ganhar, não podemos esperar outra coisa que não seja derrotar também estas "coincidências".

Como sair desta espiral?
Cada jogador responde de forma diferente aos estímulos mas não me parece que seja com esperas e ameaças que os jogadores vão começar a falhar menos. Da parte dos adeptos não há muito mais a fazer que não seja sofrer com a equipa e tentar também fazer das tripas coração para a ansiedade e desconfiança se transforme em convicção de que podemos reverter este momento.

É preciso maior acerto, mas também mais constância e convicção nas apostas por parte de Jorge Jesus. Tirar e por, baralhar e voltar a dar não incutem confiança nos jogadores e para o exterior transmite a ideia de que a racionalidade e frieza que estes momentos obrigam deram lugar ao casuísmo e aleatoriedade. É notório que faltam rotinas colectivas, que a falta de confiança ao executar ainda torna mais dramáticas e estas não acontecerão num permanente corropio de jogadores.

Da parte de quem deve liderar, o que no Sporting quer dizer da parte de Bruno de Carvalho, pede-se o que um líder deve ser nos piores momentos: um referencial de estabilidade, vigor, de perseverança e de presença física, dando a cara pela equipa e pelo treinador nos piores momentos. Algo que não se viu na Madeira, com Jesus e os jogadores a enfrentarem sozinhos os adeptos, o que se repetiu já em Lisboa. O fim do caminho ( the end of the trail, nome da escultura que serve de ilustração ao post) não pode ser este, a menos que as forças que devem ser de todos e exercidas para o mesmo lado passem a ser usadas no "salve-se quem puder". A derrota começa quando se instala a ideia que não se pode vencer.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Jesus e os milagres por fazer

No que a este inicio de época diz respeito, não me parece que haja razões para alarme, mas há já vários motivos para preocupações. Pelo menos três, se o foco estiver apenas nos resultados, como é normal entre os adeptos. E essas três, como é fácil de entender, têm nome: Rio Ave, o Guimarães e Borússia de Dortmund. 

Todos estes resultados têm em comum alguma dose de surpresa, por não ser expectável tanta fragilidade numa equipa que tinha construído de si própria precisamente a imagem oposta. A preocupação é natural por se perceber que ainda está por encontrar o equilíbrio da equipa e que, caso este não surja rapidamente, a possibilidade de ficar na estação a ver partir o(s) comboio(s) acabará por se colocar.

São já várias e abundantes as análises sobre as razões particulares das derrotas com o Rio Ave e Borússia  empate com o Guimarães. Tendo estes resultados acontecido num curto espaço de tempo, creio que se justifica percebê-los não de forma isolada, mas sim enquadrados por um contexto comum de problemas que se arrastam sem serem resolvidos.

A questão dos laterais tem sido profusamente analisada, pelo que não vale a pena repisar. O mesmo para a ausência de Adrien. O jogo com o Borússia trouxe agora à ribalta, pelas piores razões, os nomes de Elias e Markovic, estendendo-se as culpas e dúvidas sobre outros jogadores.  

Sobre Elias já aqui dei conta da impressão que, tal como William, foi mais vitima que réu. Markovic também o é claramente, seja das suas próprias características, como do facto de ter andado de mochila às costas nas últimas épocas, sem estabilidade e qualidade que lhe permitissem apurar e consolidar o talento que já demonstrou e nada ter feito que recomendasse estar em condições mínimas para assumir a titularidade.

Ora, mais do que olhar para este ou aquela questão de ordem individual, parece-me inevitável que as atenções se têm que centrar nas escolhas e no trabalho de Jorge Jesus. Não tanto nas razões porque não procurou melhores jogadores, algo que poderei fazer mais tarde, mas porque, tendo ao seu dispor vários jogadores, escolhe uns em detrimento de outros, os lugares onde os põe, forma e a frequência que o fazem, etc. Aí parece-me fácil apontar aquilo que me parecem erros ou pelo menos opções questionáveis ou que não têm dado resultado. 

Por exemplo:
- A individualização de erros dos laterais ou do peso da ausência de Adrien remetem-nos para uma questão mais estrutural, directamente relacionada com articulação da equipa como um todo e entre os diversos sectores. Afinal os laterais, sendo o que são, não pareciam tão maus na época passada e Adrien é apenas um naquilo que devia ser uma equipa. 

- Parece-me pois que é a falta de solidez anteriormente exibida que expõe à evidência as fragilidades dos jogadores que de si já não são bons e que, pelas mesmas razões, impede os melhores de jogaram ao seu melhor nível. Mais do que trocar este por aquele é urgente encontrar um modelo que reequilibre a equipa nos diversos momentos de jogo e isso ainda está por acontecer.

- A aposta de Jorge Jesus em Alan Ruiz para segundo avançado não se justificou e com isso perdeu-se a oportunidade de experimentar e consequentemente preparar outros jogadores. Markovic acabou por fazer poucos minutos, Campbel nem sequer foi testado e quase não jogou ainda, Castaignos parece não contar para o totobola.

- A forma aparentemente errática, sem continuidade, com que entram e saem jogadores também não parece ser o meio de proporcionar nem segurança nem as indispensáveis rotinas.
Jesus goza da fama de fazer milagres e por isso colocou muito alta a expectativa relativamente ao que poderia fazer relativamente ao crescimento de alguns jogadores. O que agora se lhe pede é "somente" que faça o milagre - leia-se "encontre outra vez a fórmula" - de tornar uns invisíveis para que outros, os melhores, possam novamente aparecer.  E pelo meio tem ainda outro milagre por realizar: fazer parecer aos nossos olhos que os muitos milhões gastos nos novos jogadores foram um bom negócio.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O que está a acontecer? Que culpas de Bruno de Carvalho, de Jesus e dos jogadores?

Não há tempo que passe que ajude a esquecer desaires a raiar o absurdo como os que presenciamos em Guimarães. O tempo ajuda apenas a atenuar a dor e fornecer o distanciamento adequado para reflectir sobre o sucedido. O post de hoje deixará aqui algumas dessas ideias.

Gostar de futebol e do Sorting, sempre!
Começo com um pequeno aparte: se não estivesse envolvido o nome do meu, nosso, Sporting, não faltariam os elogios ao futebol, dando como exemplo o jogo de Guimarães. Não será por desaires assim que deixarei de gostar do futebol. E também não será o facto de, infelizmente, parecer que estamos fadados para sermos protagonistas de surpresas como estas, vezes sem conta (e só este ano, com a época no seu dealbar já vamos em três, Madrid, Rio Ave, Guimarães) que deixarei de gostar do Sporting.

Mais do que me zangar com o futebol ou com o Sporting, estes episódios servem para nos lembrar que ainda não somos a grande equipa que precisamos ser para ser campeões. E só essa tomada de consciência nos permitirá crescer para aí chegarmos.

Sem desculpas ou álibis
Esse crescimento nunca chegará com os "nhénhénhés" habituais nas desculpas, desresponsabilizando jogadores e equipa técnica do sucedido, porque são sempre eles os intervenientes. Nem os erros de arbitragem, que os houve, podem ser invocados, pois estes sucederam para os dois lados e de igual gravidade, o que contraria a ideia do "serviço" habitualmente prestado. 

Uma vantagem de três golos mandadas às malvas em cerca de quinze minutos tem de ser bem compreendida e assimilada para que não se volte a repetir. Quem sabe se esse foco, ao invés de estar centrado na exibição e não no resultado, tivesse acontecido logo após o jogo de Madrid, em que também perdemos uma vantagem em escassos minutos, não poderíamos estar agora a falar de outras coisas. 

O que é que realmente está a acontecer? 
A pergunta é inevitável. Depois da forma como terminamos a época passada e tendo havido poucas mexidas na titularidade, a que acresceu uma significativa melhoria quantitativa e (espera-se...) qualitativa do plantel, como explicar o que está a suceder? O problema é não apenas o terceiro lugar para onde caímos (poderia ser psicologicamente pior se o Braga tem ganho...) mas também a enormidade de golos sofridos (9) registados até ao momento, que já vem da pré-época e que não parecem assim estar resolvidos. 

Há um fio condutor entre o que sucedeu em Guimarães, Vila do Conde e Madrid? E estaremos a não dar importância ao que sucedeu em jogos que acabamos por ganhar, mas onde alguns indícios preocupantes já estiveram presentes, como o jogo com o Légia e Estoril? Não posso responder com segurança a esta pergunta, mas é indiscutível que, tirando o jogo com o Légia e o Rio Ave, a equipa produziu futebol de bom nível, dando testemunho de continuar dentro dos princípios que o treinador defende e que tornaram a nossa equipa numa referência no ano passado.

Faz então sentido questionar a preparação física? Ou estamos sobretudo a sofrer de falta de confiança? Sem certezas, deixarei alguns destes temas para o capitulo Jorge Jesus mais abaixo, mas ainda assim parece-me estar por acontecer a integração dos jogadores que chegaram mais tarde, bem como alguma continuidade em algumas apostas, que parecem estar a suceder de forma errática e não sistemática.

A culpa de Bruno de Carvalho
De forma muito desajeitada, o presidente tentou chamar a si a culpa do sucedido até agora, sendo óbvia a tentativa de desviar as atenções dos jogadores e sobretudo do treinador. Ora, goste-se ou não dele, é indiscutível que fez tudo ao seu alcance para dar ao treinador o que este entendia o que precisava. Portanto, a menos que aquele lhe tenha pedido um par de laterais "em condições", ou que falte nas condições de treino, viagens, alojamento, pagamentos atempados, etc, etc, não há culpas que lhe possam ser atribuídas. 

Outra coisa seria se falássemos de responsabilidade e essa normalmente é avaliada nas prestações de contas em A.G.'s, ordinárias, extraordinárias e eleitorais, contas que só poderão feitas mais tarde. É por isso que me espanta e entristece que alguém que não tem oposição constituída e, a manter-se a actual conjuntura, se apresta a ser reeleito com facilidade, denotando um nível de aprovação elevado, se sinta acossado ao ponto de repetir um dos piores erros do tempo de alguns que o antecederam na cadeira. Refiro-me à evocação dos "ratos" feita em sede de última A.G. Ele que vinte e quatro horas antes havia dito que "Temos de ser tolerantes, não quero voltar a ver no Sporting o que vi nas primeiras e depois nas segundas eleições [a que concorri], um Sporting sem tolerância e que não deixa os sócios falar. Espero que estas eleições tenham elevação". 

Problemas de memória, que o estejam a impedir de se lembrar do que disse no dia anterior e de quanto era prolífico na opinião antes de chegar ao poder? Ou é o poder que lhe mudou a percepção sobre o direito à opinião? 

A culpa de Jesus
Aqui terei que usar da mesma linha de pensamento que usei no parágrafo anterior: uma coisa é culpa, outra é a responsabilidade. Centrando-me unicamente no jogo de Guimarães por agora (até porque o post já vai muito longo) creio que tem havido uma pontinha de injustiça relativamente ao seu papel na perda dos dois pontos - mas até parece que foram três, não foi? - em Guimarães. O papel de um treinador é sobretudo relevante em tudo o que acontece até à bola começar o rolar no relvado. Aí, e mesmo até nas substituições, cuja importância papel é frequentemente sobrevalorizada, é sobretudo o reino dos jogadores. São eles que jogam, são eles que têm nos pés a possibilidade de desenhar o destino do resultado.

E foram erros destes, que habitualmente não vemos em equipas de Jorge Jesus, que acabaram por definir os resultados, agravados por dois golos de rajada. Ao penalty meio infantilóide de William seguiu-se quase imediatamente um novo golo, colocando o empate ao alcance. Ambas as equipas sentiram essa possibilidade e a nossa não conseguiu reagir. Os posicionamentos de Schelotto e a falta de Marvin, na linha do penalty de William ditaram o resultado.  Pensar que um treinador a partir do banco podia alterar esta sequência de eventos ou pode fazer muito para alterar a postura de desconfiança de uma equipa em si mesma é crer excessivamente num poder que não tem.

Como é evidente não ter Adrien foi importante, sobretudo para necessidade de voltar a ter bola. Mas em Vila do Conde ele estava em campo e foi o que se sabe. Jesus optou por meter Bruno César - e  Ruiz e Gélson tinham já também estoirado há muito - que não pegou no jogo por uma razão muito clara: o Vitória apostava tudo no poderio físico de Marega e Soares, colocando directamente aí o jogo e explorando a profundidade, tornou irrelevante a presença do brasileiro.

Jesus poderia ter colocado Paulo Oliveira, embora me pareça que era alguém como Petrovic que deveria ser chamado. Ele que havia devolvido a estabilidade ao meio campo no jogo anterior, libertando William, e que lidaria melhor com o jogo físico do adversário, mas tinha ficado em Lisboa. É sobretudo aqui que a leitura de Jorge Jesus me parece merecer criticas, a que acrescentaria a excessiva e até agora penalizadora rotação de jogadores, em particular dos laterais. Havendo tempo, voltarei a este tema em proximo post.

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