terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Estás satisfeito com o tamanho do teu contrato?


"O tamanho importa?" é uma discussão muito frequente sobre as mais diversas matérias e cedo se percebeu que, no que ao valor dos contratos televisivos dos três grandes diz respeito, ela seria recorrente. Agora que é já conhecido também o valor (515 milhões de euros) e o operador (NOS) há razões para perguntar: 

Estás satisfeito com o tamanho do teu contrato?


Numa leitura ainda que superficial parece-me que o Sporting trabalhou muito bem a comunicação do contrato, procurando que o bolo final fosse um valor significativo e que se equiparasse aos dos seus rivais. Será esse o valor a presidir à maior parte das discussões, há no entanto que perceber o que dá o Sporting em troca, e que é um negócio diferente dos seus congéneres em alguns aspectos:

- O Sporting vende por 446 milhões as transmissões e a publicidade do estádio por um período de 10 anos, os direitos da Sporting TV por 12, 5 anos e camisola para publicidade também por 12,5 anos e meio. Acrescenta ao negócio o valor de 69 milhões que são respeitantes à renegociação do contrato ainda em vigor, acrescidos da publicidade no estádio e até ao momento em que o novo contrato passa a vigorar (2018). 

- Por 457, 5 milhões o FCPorto vendeu as transmissões dos seus jogos por 10 anos, o Porto Canal por 12,5 anos e terá patrocinador nas camisolas por 7,5 anos. Isto é, por um valor superior aos nossos 446 milhões, vendeu menos por menos tempo.

- O SLBenfica tem um contrato diferente, uma vez que a sua extensão não está ainda definida (pode durar até 10 anos) o que obviamente interferirá no valor a receber. Acresce que a alienação dos direitos no canal comportam também a transmissão da Liga Inglesa e Italiana, cujo valor, sobretudo da primeira, é considerável.

Uma dúvida que pode assaltar quem lê o comunicado do Sporting poderá ser o porquê da negociação com a PPTV, já detentora dos direitos de transmissão. Isto é, porque paga mais pelos direitos de transmissão que já detinha até 2018? Porque certamente os 69 milhões referem-se à publicidade no estádio que não estava contemplado no contrato anterior e que agora foram incluídos no mesmo pacote.

Numa leitura fina destes números, e não a feita de forma depreciativa e muitas vezes parcial  do contrato do nosso novo patrocinador com o SLB, é muito provável que a conclusão se aproxime da ideia de que as operadoras se estão a aproveitar-se do estado de necessidade dos clubes, continuando estes, para resolver os problemas, a antecipar receitas, condicionando o futuro das gerações vindouras. Como se costuma dizer os casamentos mais duradouros são os que juntam os interesses dos nubentes e não tanto os que ocorrem por paixão.

Para sustentar o que é dito no parágrafo acima deixo à consideração o seguinte valor: pelos valores pagos no contrato anterior pela Olivedesportos (108 milhões/5 épocas dá o valor de 21,6 milhões/época) o Sporting conseguiria cerca de metade do valor do actual contrato e cedendo apenas o valor das transmissões televisivas: 259.200 €. Sobrariam 255,800 € que o Sporting cobraria por ceder as suas camisolas por 12,5 anos, a publicidade no estádio por 10 anos e ainda, embora menos significativo, o direitos da SportingTV. Talvez não seja assim tanto...

Quando a esmola é muito grande o pobre (neste caso os pobres, isto é, os clubes e em particular os seus adeptos) deve desconfiar. Ou, se preferirmos, deveriam interrogar-se se não lhe estão a oferecer um chouriço para ficar com o porco. Nunca saberemos se não se poderia ter ido mais longe se a negociação tivesse sido centralizada, como acontece nas ligas de referência.

Respondendo à pergunta acima, devo dizer que estes valores superaram as minhas expectativas pessoais e seguramente as de muita gente. É bom não esquecer a depreciação do valor da marca por força do trajecto dos últimos anos. Visto do actual ponto de observação, sem conseguir antecipar as  mudanças que entretanto poderão ocorrer, e face às circunstâncias, parece-me que os interesses do clube foram defendidos. Oxalá pudéssemos dizer sempre isto. 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A miopia é a doença que fica do campeonato dos contratos televisivos

Depois do SLBenfica é agora o FCPorto a anunciar um novo contrato de concessão de direitos televisivos, desta feita com a MEO. Os números são igualmente elevados, na linha do que o contrato efectuado entre encarnados e a NOS. 

As comparações serão inevitáveis porque a rivalidade assim o impõe. Contudo, uma vez que os dois clubes não negociaram exactamente os mesmos "produtos" e não se encontravam na mesma posição (o FCPorto, tal como o Sporting, ainda tem um contrato antigo a vigorar por mais duas temporadas) torna o resultado do confronto de valores mais difícil de percepcionar.

Quanto ao Sporting, vai-se dizendo nos "mentideros" que há negociações em curso. Falta saber se estar neste momento em último traduz uma vantagem negocial ou um prejuízo. Qualquer das possibilidades é real. Mais importante do que as especulações sobre os números parece-me evidente que:
- Ao ficar para último no que aos três grandes diz respeito o clube fica pressionado a igualar os números dos seus rivais.

- Ao não ser o primeiro a fechar contrato o risco de fazer o contrato abaixo dos valores conseguidos pelos rivais saiu diminuído. Valerão agora os argumentos que conseguir colocar na mesa das negociações. 

- Os valores a conseguir funcionarão inevitavelmente como uma importante medida de aferição da posição do Sporting no mercado, assim como da capacidade negocial dos seus dirigentes.

- Há um risco de as condições em que os rivais negociaram se alterarem de forma parcial ou até substancial. A esta distância do final do contrato ainda em vigor, e com a volatilidade do meio e da própria economia, não se consegue estimar o que será de facto mais vantajoso. Só o tempo o poderá esclarecer. 
Dentro do âmbito do último item assinalado, parece-me que o FCPorto poderá estar a correr um risco maior ao negociar no imediato, sendo contudo certo que o novo contrato lhe permite aceder a uma receita importante, resolvendo também um problema que se arrastava: a falta de uma receita importante que é a publicidade nas camisolas. O que se diz aqui sobre o FCPorto aplica-se igualmente a nós, uma vez que nos encontramos numa situação semelhante.

Fica por saber que consequências trazem estes contratos para o futebol português. É fácil de perceber no imediato que se acentuará o fosso já existente entre os três grandes e os demais. Embora aqueles se possam dar por satisfeitos e continuar de vistas curtas apenas a olhar para os respectivos umbigos, é claro que esta macrocefalia é, a prazo, tendente a reduzir a competitividade do nosso campeonato.  

Com menos meios, só por cinismo se poderá exigir aos demais clubes que nos confrontos com os grandes procurem jogar o jogo pelo jogo, sendo mais do que expectável e provavelmente compreensível que apenas se preocupem em ter autocarros mais sólidos. Falta saber se um campeonato de reduzida competitividade pode oferecer aos três grandes a possibilidade de crescer e evoluir. 

Parece-me haver aqui alguma miopia por parte dos dirigentes dos clubes e um rotundo e sonoro falhanço do papel da Liga de Clubes que põe em causa a sua própria utilidade.

E nós, os adeptos, eternos pagantes, que temos a ganhar com aquela que parece ser uma consequência inevitável da dispersão de jogos por diversos operadores? Muito pouco, ou até mesmo um grande nada que, ao fim e ao cabo, pode representar ter que pagar ainda mais para ver ainda menos. Isto porque é muito provável que a concorrência traga a sobreposição de jogos à mesma hora, como já se viu este ano com aparecimento das transmissões directas da BTv.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Muitas e Boas Festas, com mais humildade e menos basófia

Faltam apenas três jornadas para terminar a primeira volta e o Sporting está apenas a um ponto do líder, que neste momento é o FCPorto. Porém é a equipa que até agora liderou por mais tempo e na próxima jornada tem um encontro marcado com a oportunidade de recuperar o comando da Liga. Se no inicio da temporada me fosse perguntado poderia dizer que esta era uma situação que não desdenharia de todo se ela me fosse oferecida. Estaria longe de imaginar porém que a primeira derrota do campeonato e consequente perda de liderança ocorreria com o último classificado e, a par do Tondela pós-Paneira, a pior equipa da competição.

Ora dizer isto é afirmar que o Sporting está a fazer um bom campeonato, estando mesmo a superar não só as expectativas como muitas vezes a si próprio. Mas perder com o último é também uma boa oportunidade para colocar as coisas em perspectiva. É verdade que fomos punidos com alguma crueldade por circunstâncias que ocorrem com frequência no futebol. As mesmas que, em anteriores ocasiões nos favoreceram, quando a perda de pontos esperava apenas o apito do árbitro para o confirmar. 


Não há campeões em Dezembro mas podem-se começar a perder campeonatos em Dezembro. Se a inesperada derrota da passada jornada servir para fazer soar as campainhas, avisando que não há campeões sem humildade suficiente para reconhecerem as suas próprias debilidades e a exposição ao carácter profundamente aleatório do próprio jogo, talvez se encontre nela alguma utilidade. Ao contrário os últimos tempos o Sporting, em especial o discurso do presidente, tem-se assemelhado a de um corredor de fundo que a meio da maratona já corre de braços erguidos em sinal de vitória, sem que nada o justifique.

A afirmação documentada na imagem tem cerca de um mês ("Estamos em 1.º e quero desejar-lhes boa sorte e que vão olhando bem para nós porque não vamos sair do 1.º lugar") e colide com as feitas após o jogo, dando conta que o campeonato "é uma maratona! Manter os pés assentes na terra, trabalhar cada vez mais e manter o foco nos objectivos!"

Por sinal a comparação do campeonato com uma maratona já havia ocorrido na véspera do jogo com o União onde Bruno de Carvalho faria um renovado apelo à união interna. Precisamente o mesmo apelo que já havia em anteriores ocasiões, como por exemplo, na Gala Honoris, em Julho. Ora o Bruno de Carvalho que tão útil acha hoje a união interna é o mesmo que em 2012 achava estranho a insistência nesse apelo, quando afirmava que "mais importante do que fazer o apelo à união, é perceber que o Sporting existe e que o seu património mais valioso é sermos todos do Sporting". 

Não concordo com a afirmação totalmente, até porque não a percebo na plenitude. Mas estranho o apelo porque a união, seja lá o que isso for, é ditada essencialmente por quem lidera. Se não a consegue é a sua liderança que está questão. E, convenhamos, não se vislumbram nem fracturas graves ou ameaças à estabilidade do clube. Nem todos concordam com absolutamente tudo o que Bruno de Carvalho faz ou diz? Seja então bem-vindo à sociedade contemporânea, onde o pensamento e a opinião são livres. 

Se a pretensão é a unanimidade anda a procura de unicórnios, com a agravante de o fazer de trompetas tonitruantes . Se a unanimidade não existe, ela nunca sucederá com alguém que faz da controvérsia e da incoerência entre o discurso e acção o dia a dia, de que os exemplos acima são apenas o prefácio do seu historial. 

Ora são precisamente estas características, juntamente com uma permanente exposição apoiada num discurso que usa com frequência o auto-elogio, muito próximo da basófia que reconhecemos em muitos dos nossos rivais, que causam a rejeição a muitos Sportinguistas. Acresce que Bruno de Carvalho não parece procurar a união na sua acção mas apenas estar rodeado de quem concorda com ele, abdicando do mais elementar juízo critico. São bem conhecidas as suas reacções destemperadas às criticas. 

Para terminar volto ao principio: à necessidade de recentrar o discurso na multitude de dificuldades e adversidades que nos esperam todos os dias ao virar de cada jogo, de cada decisão administrativa. Isto não é compaginável com promessas de ficar no primeiro lugar até ao fim quando estão disputadas apenas treze jornadas do campeonato. É também uma severa falta de respeito imperdoável pelos adversários e que se opõe ao nosso historial e princípios fundacionais e que o futebol  se encarregou de punir com severidade. Entretanto os nossos adversários aproveitam com gáudio para nos ridicularizar.

O recurso à arrogância é ainda mais injustificado quando quer o nosso historial recente quer o maior poderio dos nossos adversários recomendarem alguma humildade. Apesar dos progressos evidentes na nossa prestação desportiva, com o regresso às vitórias em competições importantes, não recuperamos ainda o estatuto de favoritos. E na vertente financeira, apesar de serem altamente meritórios os exercícios positivos, está ainda muito longe de ser conseguida uma alteração estrutural que permita olhar para os anos vindouros com segurança. 

O recente adiar da resolução do problema das VMOC's veio demonstrá-lo bem como - talvez o mais importante - que as ferramentas e filosofia de gestão permanece iguais. A recente decisão do TAS sobre o "caso Rojo" (de que não tive ainda oportunidade de analisar), resultante de uma decisão controversa de sua responsabilidade, não sendo definitiva, significa que as dificuldades estão aí para durar. 

A somar a isto a sombra projectada pelo presidente na sua própria imagem na recente aventura nocturna na Madeira, com agravante de parecer ter ocorrido em representação do clube e com o fato oficial. Há diversos testemunhos e imagens que parecem confirmar que algo que não devia ter acontecido ocorreu. É consideravelmente difícil que a união se faça em torno de quem não se preocupa em cultivá-la pela acção e pelo exemplo.

Aproveito este post para desejar a todos os leitores uma Quadra Natalícia Feliz.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

domingo, 20 de dezembro de 2015

Ter ou não ter estofo de campeão, eis a questão

Não vale a pena perder muito tempo com o jogo com o União da Madeira, que ditou a primeira derrota no campeonato. Vários factores se conjugaram entre si para ela acontecer:

- Há jogos assim. Neste campeonato já ganhamos jogos com muito menos número de oportunidades criadas. A equipa pagou pela falta de eficácia. 

- Muita displicência na hora do remate aquando das oportunidades criadas, que até foram várias; Ao contrário do que viria a acontecer, parecia ser o entendimento dos jogadores que se não marcassem no momento marcavam depois. No futebol o depois pode nunca existir.

- A mesma displicência a defender na única oportunidade do adversário. Tudo muito devagar a reagir num lance que nem foi particularmente rápido.

- Com Ruiz a acusar desgaste evidente, não há jogadores capazes de criar desequilíbrios por iniciativa individual, quando os argumentos de ordem colectiva escasseiam, como foi o caso de hoje. Ainda assim não é seguramente tirando Ruiz para dar o lugar a Tanaka que se muda o destino de um jogo como o de hoje. Ou que se esconde Matheus até estar a perder.

Todas as derrotas são amargas. Esta é também dolorosa porque não só nos pode fazer perder a liderança da Liga, como obriga a mudar significativamente a estratégia para o próximo jogo que, como se sabe, é precisamente com o FCPorto. Com vantagem na classificação havia uma margem para gerir, agora torna-se imperiosa a necessidade de ganhar, para recuperar a liderança.

Jogos assim são comuns quando uma equipa vem de uma derrota onde se hipoteca um dos objectivos da época. Ou são meramente casuais, afinal é futebol. É em momentos como este que as equipas se revelam. Veremos então nos próximos jogos se esta equipa tem ou não o espírito  e a determinação de que se fazem os campeões. 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Pedro Proença e o Sporting: a reedição da história da rã e o escorpião?

A fábula da rã e do escorpião, cuja autoria é atribuída a Esopo, é o exemplo perfeito para abordar o ainda curto historial de Pedro Proença como presidente da Liga. Para quem não a conhece, vou resumi-la de forma abreviada, numa das suas versões, porque há várias:

Um escorpião, por força de um incêndio de enormes proporções, tem a sua existência ameaçada e vê, no  atravessamento de um rio para outra margem  a sua salvação. Mas, após rápida observação, e depois de constatar o afogamento de outros animais imprevidentes, verifica não o poder fazer por meios próprios. Estava prestes a abandonar a ideia, quando avista uma rã, a quem propõe que esta a ajudasse a salvar a sua vida, atravessando o rio no dorso do batráquio. 

Esta, conhecedora do carácter pérfido do artrópode, recusa liminarmente a associação, por recear que em qualquer momento aquele lhe injectasse o veneno letal que usava indiscriminadamente. Após juras de fidelidade e gratidão do escorpião, a rã assente em conceder-lhe uma oportunidade para refazer a reputação que o precedia. Já no meio da travessia o escorpião acaba por não resistir a ser quem sempre foi e ferra a pobre e incauta rã. Esta, atónita, pergunta ao escorpião:

- És louco, porque fazes isto? Vamos morrer os dois!
- Desculpa-me rã, mas não consegui evitar, está na minha natureza.
Como é sabido, Pedro Proença foi eleito para o cargo de presidente da Liga com o apoio do Sporting e com o empenho directo e pessoal do presidente Bruno de Carvalho, que incluiu também homenagem institucional. Na ocasião Bruno de Carvalho afiançava que Pedro Proença era "o candidato de um novo caminho", que representava a possibilidade da impreterível "mudança no futebol, novas ideias, alguém que trouxesse novos paradigmas e modernização".  

Acontece que o Sporting não era o único apoiante de Pedro Proença. Entre outros, partilhou o apoio com o FCPorto de Pinto de Costa. Ora as relações pessoais do actual presidente da Liga e Pinto da Costa confundem-se, entre pródigos e públicos elogios, com as relações institucionais, tendo o clube da Invicta homenageado várias vezes o antigo árbitro. E, mesmo sendo conhecidas as ligações afectivas do árbitro ao SLBenfica, o histórico regista em momentos determinantes de alguns campeonatos, decisões polémicas em favor dos azuis-e-brancos.

Com este histórico, o apoio do Sporting a Pedro Proença parecia um equívoco. Até porque, enquanto árbitro, sempre fez questão de exibir distanciamento, pelo menos... Das frases de apoio à candidatura em Julho, à discórdia agora em Dezembro distam apenas parcos seis meses, prefaciando um divórcio mais do que expectável. Este, a acontecer foi no entanto precedido de uma rápida dissensão entre as linhas orientadoras preconizadas pelo presidente do Sporting e o já presidente da Liga. Vejamos:

- Foi tema incontornável na campanha o desejo do Sporting que os árbitros deixassem de ser nomeados, passando a ser sorteados. Enquanto candidato Pedro Proença evitou o assunto, como quem tenta passar pelos pingos de uma chuva incómoda. Ele que sempre defendeu o sorteio sob o argumento de que "não há nenhuma liga evoluída" que use o sorteio.

-  Se a possibilidade de Pedro Proença intervir na matéria das nomeações/sorteio era remota, por ser da competência da F.P.F., havia muitas matérias em que poderia intervir directamente. A centralização dos direitos televisivos era uma delas. Não tendo feito nada de muito visível em prol da solução, acaba por elogiar o acordo conseguido por Luís Filipe Vieira. Este pode ser muito bom para o respectivo clube, mas estão muito longe de se vislumbrar benefícios evidentes para a generalidade do futebol português.

Mas talvez um maior equívoco de todos tenha sido a própria candidatura ao actual cargo e, por consequência, o apoio expresso dado pelo Sporting. Como presidente da Liga não faltariam candidatos que poderiam desempenhar o mesmo papel que Pedro Proença. A aridez do seu mandato só faz aumentar o leque de possibilidades. Mas a sua eleição acabou por obrigá-lo a saltar do cargo que desempenhava na Comissão de Arbitragem da UEFA, onde era residente e podia ser de facto útil ao futebol português, por incompatibilidade com o exercício do cargo de presidente da Liga.

Não creio que Pedro Proença fosse conhecedor dessa incompatibilidade. Ou mesmo Bruno de Carvalho, tendo em conta que o presença na UEFA era então visto por ele como mais um factor de recomendação. As consequências do afastamento do cargo europeu são agora mais evidentes, com os árbitros portugueses a terem que ver o Europeu na televisão, de pouco adiantando as exclamações de espanto e os lamentos. O mesmo se aplica aos erros grosseiros que afectam amiúde o percurso das equipas portuguesas nas provas da UEFA. As vantagens da sua presença na Liga é um longo caminho marítimo ainda por conhecer, onde certamente não faltam muitos adamastores por dobrar.

O Sporting acha-se agora prejudicado pelo facto de não poder inscrever nenhum jogador antes do dia 4 de Janeiro, ficando assim impedido de juntar algum dos jogadores entretanto adquiridos ao leque de opções de Jesus para o clássico como FCPorto, no dia dois de Janeiro. 

Era importante saber se o Sporting aprovou os regulamentos em vigor. Mas, antes de o sabermos, e olhando para os interesses dos clubes, alguém fica surpreendido que esta decisão prejudique sobretudo o Sporting? Isto porque, dos três grandes, é, pelo menos até ao momento, o que mais poderia beneficiar da inscrição de jogadores. Em particular de Bruno César, que é quem estaria mais apto para poder dar o contributo imediato à equipa.

Talvez seja excessivo considerar que Pedro Proença esteja a trair o apoio prestado por Bruno de Carvalho aquando da sua eleição. Talvez esteja apenas ser coerente com o seu trajecto, sempre muito próximo de Pinto da Costa. Mas Bruno de Carvalho pode-lhe sempre perguntar "porque fazes isto". Não deverá estranhar se a resposta for "desculpa lá, está na minha natureza". 

Afinal Pedro Proença cresceu e caminhou sempre ao lado do famigerado "sistema", de quem beneficiou e com quem se confundiu. Apesar da valorosa carreira e notoriedade internacional, não se lhe conhece qualquer frase ou atitude de oposição ou afrontamento. E, como sabemos, quem cala pelo menos consente. Fica sempre por saber se, nesse interim, também retira dividendos.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

SCBraga - Sporting: O que podia ser épico acabou em tragédia

Escrever sobre um jogo como o de ontem deveria ser considerado uma prática masoquista. Isto se atendermos apenas à consequência prática e imutável do resultado: a eliminação do Sporting, com toda a envolvente quase dramática, espelhada no percurso do marcador e nos demais eventos que a ela conduziram. 

Mas um jogo não pode ser apenas olhado pelo seu resultado final, e o de ontem em especial. Houvesse mais assim e seguramente que o aspecto desolador de uma plateia com 50% dos lugares vazios seria mais raro. Constatá-lo num jogo como o de ontem, em que os bilhetes tinham um preço razoável (cada vez mais raro...) é tão triste como imaginar a lindíssima Anna Netrebko e o Rolando Villazon a cantarem Puccini com S. Carlos a meia casa. Substituam-se estes nomes pelos que forem mais de seu agrado.

Não tenho que apelar ao melhor do meu desportivismo para dar os parabéns ao S.C. Braga pela excelente organização colectiva que o seu técnico tem vindo a construir. Foi o que lhe permitiu não apenas ter a atitude certa para o jogo como, o mais importante, os argumentos para nos levar de vencida. Atitude já quase todas as equipas do Braga têm tido, os argumentos é que já são outra conversa. 

Acontece que, gostando eu muito de futebol, gosto muito mais do Sporting e por isso é muito pouco, masoquista até, ficar pelo "fizemos um grande jogo". O sentimento que prevalece é que, tendo jogado ao mais alto nível e justificado no decurso dos 120 minutos de jogo - na prática, portanto - porque comandamos a Liga, não fomos tão competentes como deveríamos e poderíamos ter sido, sendo essa uma das explicações para a nossa eliminação.

Não gosto de me ficar pelo papel de "animador de festas", destinado aos, que jogando  muito bem, acabam por ficar pelo caminho. A minha costela - ou deveria dizer todo um esqueleto? - de adepto do Sporting não me permite ser um melhor adepto de futebol. 

O que podia ser épico tornou-se trágico. É esse o sentido da crónica do jogo, o que não deixa de ser uma contradição ao que foi dito acima. Este jogo contudo teve uma virtude de por em destaque o melhor e o pior do actual Sporting.

Do lado bom a força (já que regressamos ao futuro com a  Guerra das Estrelas) merece destaque o nosso poder ofensivo quando jogamos com equipas que não se ficam pela expectativa. Há algum talento (Ruiz, claro, mas não só) mas é o modelo de JJ que potencia as qualidades dos jogadores, extraindo deles o melhor que podem dar.

Do lado mau a forma como defendemos, sendo as nossas laterais cada vez mais evidentes calcanhares de aquiles. Mas não só. Todos os golos foram importantes mas quer o  primeiro, quer o último, eram perfeitamente evitáveis e foram determinantes. O primeiro pelo facto de nos ter impedido de chegar ao intervalo em vantagem e o quarto pelo que se sabe. Também a condição física de alguns jogadores, especialmente de Ewerton, que mais uma vez sai quando mais era preciso, quando o jogo ia para a sua decisão. Depois, o Karma. Se há jogadores com passado no Sporting em campo é quase certo que serão deles os golos. Assim foi.

Outra das explicações para a nossa derrota está em dois erros da equipa de arbitragem, que influenciaram o curso do resultado. A falta sobre o William é clara, no lance que precede o golo do Wilson Eduardo, que ainda por cima devia ter deixado Luís Carlos, um dos melhores do Braga, tomar banho mais cedo. Este o erro maior, atendendo a que quer árbitro quer auxiliar estavam a olhar para o lance. Já no golo de Slimani o erro é perfeitamente aceitável. O "pormaior" está no facto erros terem acontecido sempre em favor de uma equipa contra outra, com as consequências a fazerem-se sentir no resultado. 

Apetece perguntar (já me tinha ocorrido quando soube da nomeação) porque se nomeia um árbitro com um trajecto tão curto para um jogo desta dificuldade. A pergunta cai de madura quando se vê o que andam os consagrados a fazer por esses campos fora. Mas é bom que fique claro, não se pode desculpar a derrota apenas com os erros da arbitragem, quando acumulamos erros atrás de erros de jogadores nossos.

Termina assim a defesa do titulo tão árdua e saborosamente conquistamos no ano passado. Falta saber se este resultado será aproveitado pela equipa crescer em eficácia e controlo do jogo ou se acusa o toque de uma eliminação que poderia ter evitado.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O que dizer do Global Soccer Awards para a formação do SLB?

A Global Soccer Awards decidiu este ano atribuir o prémio de "Academia do Ano" ao nosso "estimado rival" SLBenfica. 

Não, não está enganado. Não foi ao Ajax de Amesterdão, que há anos domina o futebol holandês, com equipa formadas à base dos seus escalões de formação e com um longo historial a testemunhar o valor da sua Academia. 

Não, não foi ao Barcelona, que o ano passado levou mais um triplete para o seu sumptuoso museu, com uma equipa recheada de jogadores da sua formação, alguns deles conhecendo apenas a camisola azul-grená. 

Ah, e sim claro, o prémio não aterrou em Alvalade, apesar do aeroporto ali tão perto, num clube cujo histórico reporta um número invejável de "Bolas de Ouro" e várias gerações a servirem de base à Selecção Nacional, que nos últimos anos tem coleccionado os melhores resultados de sempre. 

Antes que pense que tenho mau perder tenho que dizer que dou os meus parabéns ao nosso  rival e considero que o prémio está muito bem entregue. Senão vejamos: não se conhecem anteriores prémios nesta categoria que aquela organização tenha atribuído, sendo por isso o prémio inteiramente merecido por uma formação que dá agora os primeiros frutos. Tão inédito que a referida organização não conseguiu ainda actualizar o seu sitio na Internet, onde não consta o prémio em causa

Ou seja é tão difícil como encontrar razões que justifiquem para esta distinção que não sejam as primeiras páginas de "A Bola" sobre o Renato Sanches ou os adjectivos superlativos do locutor da BTv sobre os jogadores da equipa B, que recentemente nos ganharam no Seixal por 1-0.

Não se infira pelo que é escrito acima que minimizo o trabalho que vem sendo executado na Academia do Seixal na formação. Os resultados falam por si, nos últimos anos começam a ser conhecidos os resultados de um vultuoso investimento que fará no próximo ano, a 22 de Setembro, dez anos. Este prémio é obviamente ainda prematuro e não será alheio certamente ao facto de a organização ser uma espécie de quintal das traseiras do agente Jorge Mendes. Basta ver a lista de vencedores, quase todos eles certamente na lista de speed-dial do bem sucedido agente.

É também mérito para a gestão de Luís Filipe Vieira, sobretudo no que ao lobying diz respeito. O mesmo mérito que é preciso reconhecer nos negócios com a NOS ou com a Emirates, precisamente do Dubai... Negá-lo é negar uma evidência, o que é tão patético como negar o potencial (veremos o que o futuro confirma...) de alguns dos jogadores que estão agora a aparecer, como o Renato Sanches, Gonçalo Guedes, Cancelo, Nélson Semedo ou dos já confirmados André Gomes ou Bernardo Silva.

Se atentarmos, está agora a suceder com o nosso rival o que aconteceu connosco, com o resultado do investimento feito na Academia em Alcochete em 2002. Foi ele que nos proporcionou a hegemonia na formação nos finais da primeira década deste século na formação, estendo-se até aos dias de hoje como o suporte da selecção nacional, no que à origem da formação diz respeito.

Essa hegemonia provavelmente está a desaparecer, por força do investimento que os rivais vêm realizando nas suas academias, assim como na prospecção. Ao invés, a formação do Sporting tem sofrido sucessivas revoluções e contra-revoluções pelo menos desde a presidência de Bettencourt até aos dias de hoje. A perda qualidade nos quadros técnicos e de colaboradores, bem como uma política de recrutamento de qualidade duvidosa e a diferença de meios vão ditando a sua lei. 

As consequências destas alterações no panorama da formação são uma realidade que obrigatoriamente temos que nos habituar a conviver. E, ao invés de nos provocar azedume, deveria ser o incentivo para nos obrigar a trabalhar ainda mais e ainda melhor. E obviamente a sermos mais exigentes e mais atentos ao que se faz em Alcochete.

Quanto ao prémio em si, poder-se-ia dizer, tentando minimizá-lo, que não tem a importância, prestigio ou reconhecimento de uma Bola de Ouro ou semelhantes. Não o vou fazer. Como Sportinguista aprendi a não minimizar os feitos alheios, porque querer fazer melhor que os melhores foi a letra de lei que nos fez grandes.

Depois, nos Globe Soccer Awards, o nome do Sporting continuará por muito tempo a ser incontornável e, calcule-se!, por via do seu melhor formando de sempre, Cristiano Ronaldo, vencedor por duas vezes de melhor jogador do ano. 

Que melhor referência poderia ser feita à Academia do Sporting?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Bayer Leverkusen: no passado foi assim, este ano como será?

O ano passado o Sporting encontrou-se por duas vezes com equipas alemãs e pelas duas vezes acabou por coleccionar resultados amargos para as suas pretensões. Amargos porque em ambas as ocasiões o Sporting poderia ter conseguido passar à fase seguinte, quer na fase de grupos da Liga do Campeões, onde encontrou o Schalke 04, quer mais tarde nos 32 avos de final da Liga Europa, com o Wolfsburgo. Não o conseguiu devido à acção inacreditável de uma equipa de arbitragem russa, e por culpa própria na eliminatória para a Liga Europa.

Agora encontramos o Bayer Leverkussen, com quem já temos algum passado. Nas épocas 1997/98 e e 2000/01, que se saldaram, os quatro jogos, em três derrotas e um empate. Pouco favorável, como é tónica com as equipas alemãs. Coincidência interessante é o facto de em 1997/98 Octávio ser então o treinador principal no inicio de época, como a foto de então documenta, e hoje ter assistido ao sorteio ao vivo.

Este ano, como será?


domingo, 13 de dezembro de 2015

Sporting-Moreirense: Cónegos de Moreira forçados a penitência

Muitas alterações ao último onze: João Pereira, Paulo Oliveira, Jefferson, William e João Mário deram o seu lugar a Esgaio, Ewerton, Jonathan, Aquilani, e Gélson. Certamente que haverá razões diferentes a justificar as mudanças, embora uma possa ser comum a todas elas: a gestão do esforço. Falaremos no final mais em particular sobre isto.

Primeiras indicações positivas, com o Sporting a perceber que tinha que executar rápido e com soluções variadas. Ora procurando a profundidade, de forma directa, com passes para Slimani, ou com variação rápida do local onde estava a bola. Aqui temos que incluir também a postura do Moreirense a pressionar a saída de jogo, procurando, e conseguindo algumas vezes, atrapalhar a construção.

O jogo decorria porém sem que o Sporting conseguisse criar grandes lances de real perigo, apesar do ascendente claro sobre o adversário. Estava o ponteiro dos minutos a descer rapidamente para a meia-hora de jogo quando surge o golo de Gélson. Por certo chegou a pedido dos que estranhavam que o laboratório  de Jorge Jesus ainda não tinha produzido nenhum produto eficaz. Ele aí está e esperamos que mais estejam a caminho. Repare-se que para o êxito do lance foi determinante o posicionamento de Esgaio, a bloquear a saída do jogador da barreira que mais hipóteses de êxito tinha para interferir  ou anular o movimento de Gélson.

Por falar em Jorge Jesus o segundo golo é um bom exemplo da qualidade do seu trabalho e porque o seu modelo é o que melhor corresponde, para um candidato ao título, às necessidades especificas do nosso campeonato. A execução colectiva é segura e perfeita.



Naldo procura Slimani, jogando longo e directo sobre a direita do ataque. O argelino arrasta consigo um dos centrais do Moreirense (Danielson) que fica perdido para o lance e serve Adrien, sobre a esquina da grande área. A Evaldo em contenção e Fati, que havia descido, acontecerá ao mesmo, após o passe de Adrien. Este, beneficiando do movimento de Teo a levar consigo Marcelo Oliveira, encontra Aquilani liberto, sem oposição, na zona central, fazendo um golo que é praticamente um penalty em movimento. O portador da bola tinha possibilidade de jogar a qualquer um dos postes (Teo ou Ruiz), embora a opção por Aquilani fosse a mais indicada, como sucedeu. Mas está criada a incerteza para quem defende e o Sporting coloca quatro jogadores dentro da área, três dos quais em posição de poder fazer golo.

Como é evidente a subida dos dois médios mais de contenção, essenciais para a obtenção do golo, comporta riscos. Uma perda de bola naquele momento com Adrien e Aquilani teria um potencial de perigo elevado numa transição rápidam embora se constate que esta, a ocorrer, dependendo sempre por onde a bola caísse, encontraria igual número de jogadores. Mas este risco, habitualmente assumido por Jesus, desconstrói a estrutura defensiva adversária. Trata-se de um exemplo apenas, mas é uma marca nas equipas de Jesus.

Houve tempo para tudo até para a rábula do penalty. Tudo acabou bem, mas podia não ter sido assim e Jesus acabou por arriscar sem necessidade. Slimani marcaria à segunda tentativa e é verdade que ninguém pode garantir que Adrien ou mesmo Teo marcasse. Mas as características de Slimani não o recomendam como marcador de penaltys. Acresce que toda a incerteza do "marco eu, marcas tu" é o procedimento menos indicado para um momento que deve ser de concentração total.

Para finalizar as opções de Jorge Jesus. No caso dos laterais, o mau jogo de ambos os escolhidos na quinta-feira, quer um quer outro (João Pereira e Jefferson) em péssimo momento de forma. Esgaio justificou plenamente a oportunidade e obriga Jesus a pensar duas vezes na hora de escolher o lateral-direito. O mesmo não se poderá dizer de Jonathan, a tardar muito em demonstrar crescimento. 

Oliveira tem estatuto de indiscutível e por isso Jesus deve preferi-lo mais fresco para o jogo com o Braga e a solução Naldo- Ewerton dá garantias.Deve estar aí a explicação para a sua ausência. Mas a cada jogo mais se desenha a ideia de que a dupla mais eficaz é Oliveira-Ewerton. 

William e João Mário parecem ter uma agenda social muito preenchida (o que foi desmentido por Jesus...) e, como se sabe, não se podem servir dois senhores em simultâneo. Deve estar aí a razão do descanso hoje. Gélson e Aquilani agradecem e ambos estiveram em bom nível. O italiano não é um médio de choque e luta mas oferece muita segurança e qualidade no passe, especialmente nos lançamentos longos, quase sempre precisos. Muita classe do italiano.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Liga Europa: pobres são já só as receitas

Atente-se à lista abaixo:

FCPorto, Manchester United, Liverpool, Valência, Galatasaray, Sevilha, Borussia de Dortmund, Marselha, Fiorentina, Anderlecht, Villareal, Nápoles, Olympiakos, Bayer Leverkusen. 

Podia ser a descrição do conteúdo de um "pote" para o sorteio de uma qualquer fase da Liga dos Campeões mas é afinal parte de uma extensa lista de clubes apurados para a fase a eliminar da Liga Europa, alguns dos quais (veremos mais adiante quais) poderão ser o futuro adversário do Sporting.

Com a descida de alguns tubarões da Liga dos Campeões a proporcionar o reencontro com clubes que já haviam estado nas primeiras fases de apuramento da competição principal, esta fase da Liga Europa é cada vez menos uma mini-Champions. Há já um par de épocas que o nível competitivo das fases finais é elevado, sendo apenas de todo pobre nos prémios pagos pela UEFA e na atenção que os média lhe dedicam. 

Agora que o apuramento foi conseguido, e com a lista de clubes que continuam na competição já disponível, é que é o momento de avaliar a real importância da presença para um clube como o Sporting. Ora a resposta para mim é clara e rápida: a nossa presença não é só necessária como imprescindível. E preferencialmente que ela se prolongue na competição o mais tempo possível. 

Para o justificar nunca é demais lembrar a responsabilidade de fazer do "Sporting um clube tão grande como os maiores da Europa". Neste momento tal pode não passar de uma imagem longínqua, atendendo ao desequilíbrio cada vez maior entre os clubes mais ricos (os dois gigantes espanhóis, os ingleses e Paris St. Germain e um  par de clubes alemães) e os outros, nos quais nos incluímos. Mas sem o sonho e a ambição a realidade actual não será transformada.

Depois há que ter em conta o contexto das competições nacionais. Ninguém negará que ganhar o campeonato é objectivo primordial, o objecto de desejo. Mas, embora reconhecendo a dificuldade que a conquista acarreta, grande parte dos jogos são muito pobres em emoção e espectáculo, reduzindo-se muitos deles a saber se e a que horas se desmontam aos "autocarros" adversários. A execepção está em meia-dúzia de jogos, em particular os clássicos e dérby's e uns quantos que se conseguem libertar de um guião repetitivo. Os adeptos dos clubes, e do Sporting em particular, apreciam sobremaneira os jogos e os ambientes efervescentes dos grandes jogos europeus.

Há que não esquecer também a importância que as competições internacionais de clubes têm para a economia dos clubes. Quer na valorização das receitas obtidas de forma directa, como a publicidade, as transmissões, a bilhética, etc, quer no potencial de valorização de outras indirectas, como a valorização dos passes dos jogadores. A visibilidade do campeonato português, embora hoje bem maior, é ainda muito reduzida, como frequentemente se pode constatar.

De não esquecer também é o valor que os jogadores atribuem aos jogos europeus. Não só pela legitima ambição de aceder a melhores contratos como pela não menos importante de jogar com os melhores da sua profissão. Quantas vezes não ganhamos (ou perdemos...) a corrida por um jogador a outro clube porque nós jogamos habitualmente nas competições europeias?

Para terminar fica a lista dos adversários possíveis, a sair de um grupo extenso. Destes registe-se a excepção dos portugueses e dos russos do Lokomotiv, por termos partilhado o grupo de qualificação.

FC Porto
Olympiakos
Bayer Leverkusen
Manchester United

Molde
Liverpool
FC Krasnodar
Nápoles
Rapid Viena
Sp. Braga
Lazio
Lokomotiv Moscovo
Basileia
Tottenham
Schalke 04
Athletic Bilbao

Se me fosse pedido para escolher um nome forte, que impreterivelmente nos teria que calhar em sorte a minha escolha recairia no Manchester United. Não que ache fácil eliminá-los, mas vejo-o como perfeitamente possível, desde que não sejam cometidos os erros de ontem.

Não queria de todo o Tottenham, porque está a jogar muito e muito bem orientada, os alemães pelo nosso habitual destino com eles, joguemos muito ou pouco, e o mesmo se aplicará aos italianos. Os espanhóis também me parecem indesejáveis, quanto mais não seja pelo poder tantas vezes diferenciador de Angel Vilar. E talvez o Krasnodar porque nunca é bom viajar muito no inverno. Ficariam o Olympiakos, o Molde, Rapid Viena e Basileia.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Sporting - Besiktas - As noticias da nossa morte (não) foram exageradas

Para quem precisava de ganhar o jogo para se qualificar entramos da pior forma no jogo. Ou melhor dito saímos do jogo tão rapidamente como entramos. Registando falhas consecutivas em posse que nos impediam de ligar o jogo. Não sendo capaz de ter bola a equipa foi perdendo confiança e daí a perder a cabeça foi um ápice. 

Jefferson esteve desastrado, sendo muitas vezes mais um jogador do Besiktas do que nosso, tão frequente eram os seus erros quer com bola quer a defender. William não esteve muito melhor, repetindo a gracinha de ficar limitado por um amarelo ainda dentro do primeiro quarto de hora e foi incapaz de ajudar atrás, quando os turcos apareciam nas suas costas. Mas não foram os únicos, os erros foram sobretudo colectivos. Mau posicionamento, pouca reacção à perda da bola deixava-nos à mercê dos turcos. Por muito pouco não marcaram, especialmente por Sahan. 

Quando a primeira parte termina já mostrávamos alguma tentativa, mesmo muito ténue e inconsistente, de reagir. Ficava uma certeza que, dentro do que eram os nossos interesses, dificilmente faríamos pior na metade seguinte do jogo.

Ao intervalo Jesus recorre ao banco, tirando Montero. É certo que o colombiano não esteve feliz, revelando a apatia que já lhe vimos em jogos anteriores, mas eram tantos os jogadores que mereciam ir tomar banho mais cedo que estar no lugar do treinador não era uma posição invejável. Por exemplo, de Ruiz só se via a camisola.

Ainda as alterações não tinham produzido efeito e Gèlson ainda procurava a melhor forma de ser útil, quando João Pereira resolve cometer um erro de principiante, deixando a equipa completamente descompensada. Daí até Quaresma servir Gomez e deixar-nos em maus lençóis foi um tiro. Que parecia ter-nos fulminado naquele instante. Face ao que estávamos a jogar, como era possível dar a volta ao resultado?

Estávamos já de funeral encomendado quando, num lance desbravado por Slimani, após assistência primorosa de Ruiz, chegamos ao empate. De forma um pouco expectável, atendendo que os turcos se deixaram apanhar em contrapé, quando o mais recomendado parecia ser esperar que o jogo chegasse ao fim, jogando com a nossa incapacidade de criar jogo.

Ainda não o sabíamos, mas estávamos no limiar de uma recuperação épica. Devíamos ter dado mais importância à expressão do Slimani, quando foi buscar a bola ao fundo da baliza. Recuperação que havia de ser selada por Ruiz e de seguida carimbada pelo regressado Teo. Vale a verdade que a nota artística deste jogo não foi elevada e ficamos a dever o êxito a uma eficácia invulgar, atendendo a que marcamos quase todas as oportunidades que críamos. 

Mas, talvez mais importante do que tudo, foi a vontade e o crer da equipa contra o que pareciam ser as nossas melhores possibilidades, face ao que estávamos a produzir. Talvez os turcos tenham pensado que estávamos mortos, na viagem de regresso terão tempo de perceber que menosprezar esta equipa é capaz de ser um erro fatal.  

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Liga Europa: ganhar o apuramento economizando

Vem aí o jogo decisivo da Liga Europa que ditará o futuro imediato do Sporting nas competições europeias. Tal como venho escrevendo aqui, continuo a pensar que o apuramento é possível e desejável e que tal não compromete as aspirações primordiais de voltar a ser campeão. Sendo essa a principal meta, obviamente que a gestão do esforço dos atletas continuará  a ditar que alguns sejam poupados em determinados momentos mas, desde que feita de forma equilibrada, o plantel do Sporting contém soluções que permitem manter a competitividade.

No caso concreto do jogo com o Besiktas, tendo em conta o compromisso imediatamente anterior (Marítimo) e posterior (Moreirense) para a Liga NOS, e que logo de seguida temos um "mata-mata" marcado com o Braga, que jogadores aparentam recomendar descanso?

- Ewerton está a contas com queixas numa anca e pode ser substituído por Naldo que, salvo uma ou outra distracção, tem cumprido.

- Jefferson veio de lesão, sendo por isso natural que o ritmo não seja ainda o ideal. Jonathan seria a opção mais popular. Tendo em conta o que tenho visto a ambos a minha aposta recairia em Esgaio, que, por exemplo, em Arouca substituiu com ganho o brasileiro.

- William, João Mário e Adrien são intocáveis neste momento e aparentam estar num bom momento, pelo que seriam de manter e a gestão de esforço seria um recurso a usar em função do resultado.

- Nas posições mais adiantadas do terreno foram titulares na Madeira Gélson, Ruiz e Montero. A minha primeira escolha para fazer descansar seria Ruiz, pelo esforço continuo a que tem sido sujeito. Porém JJ não só tem confiado de forma quase cega nele como ele a tem justificado inteiramente, sendo por isso natural que se mantenha. Assim não surpreenderia muito que fosse Matheus a fazer a rotação com Gélson. Caso a escolha para descanso recaísse em Ruiz, o regresso de Slimani permitiria manter Montero no apoio ao argelino, no lugar ocupado na Madeira pelo costa-riquenho.

Seja como for, a desejável vitória com o Besiktas, por mais respeito que a equipa turca mereça e considerando-a obviamente difícil, não deve ser considerada como uma façanha histórica pelo seu grau de dificuldade. O facto de os turcos também estarem a jogar o seu futuro na competição tem tudo para funcionar a nosso favor, assim o saibamos aproveitar.


Este grupo de trabalho, que nos tem sabido retribuir o apoio com muitas alegrias e pontos, tem agora neste jogo a possibilidade de reparar uma divida deixada em aberto pelo cataclismo de Skenderbeu. A qualificação para a fase seguinte, embora não apagasse o resultado da história, permitiria olhar para o jogo na Albânia como mero um acidente de percurso.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Ciclismo: queda aparatosa antes da partida

Há muito pouco a dizer sobre o lamentável epilogo da história do "regresso" do Sporting ao ciclismo. Basta ler a descrição da forma totalmente amadora como este assunto foi negociado, feita pelo próprio Vicente de Moura, para perceber que dificilmente o resultado poderia ter sido outro.

"Já tínhámos financiamento de vários sponsors, o suficiente para criar uma equipa. Negociámos com um senhor chamado Jorge Mendes, que nos apareceu com um projeto, que era ele a liderar o regresso ao ciclismo do Sporting, sendo ele o intermediário com sponsors, mas também com equipas que estão no mercado. Naturalmente, esse negócio foi-se fazendo e ele ia negociando até encontrar uma equipa de renome. Depois, na quarta-feira, não só aparece para assinar no Sporting, mas também vinha acompanhado por cinco pessoas, que ninguém conhecia, exceto o Nuno Ribeiro. Aí, temos o Sporting, os sponsors, o coordenador e uma equipa liderada pelo Nuno Ribeiro"

"Na quarta-feira houve essa conversa, o acordo foi estabelecido. E, como sou uma pessoa de boa fé, ligada à ética e ao fair play, e a todos esses elementos ligados ao desporto, mas que infelizmente cada vez obedece menos a eles... Tirámos algumas fotografias e o próprio Nuno Ribeiro deu uma entrevista à Sporting TV. E isto ficou por ali. No dia seguinte, o que era necessário era fazer um documento, uma carta, que transforma uma parceria a dois numa parceria a três. Um acordo que permitia permitiu que a equipa do Nuno Ribeiro que utilizasse os símbolos do Sporting. Reconhecemos, não conhecendo a empresa que forma... Pensámos, muito bem, amanhã tratámos com os nossos assessores jurídicos"
Fica pois bem claro que o Sporting partiu para o anúncio no seu jornal de um acordo que não estava ainda assinado, e que ainda por cima foi negociado com pessoas cujo conhecimento e idoneidade desconhecia praticamente em absoluto, com o resultado que agora se conhece. O FCPorto (poderia ter sido o SLBenfica, ou outro qualquer) limitou-se a aproveitar a publicitação enganosa de um acordo que não estava no papel para uma das suas habituais manobras de desestabilização. 

Devo dizer que não é a falta das camisolas do Sporting no ciclismo que me preocupa. Não é de agora, é já de há muito que a modalidade deixou de me merecer crédito, como aliás já em tempos aqui o tinha referido: "A propósito do regresso do ciclismo".  O que me incomoda é a forma totalmente amadora como o dossier foi gerido, contribuindo para que o nome do clube faça uma humilhante volta a Portugal nas parangonas dos jornais sem que uma equipa sua ter sequer chegado a sair para a estrada.

Infelizmente, ao invés de ter deixado cair o assunto, quer o comunicado do clube quer a comunicação do presidente deixam transparecer mau perder, o que colide com a versão de ter sido o próprio clube a impor a rotura do "acordo". Bastava uma curta declaração dando conta que o novo patrocinador do ciclismo e o FCPorto possuem o mesmo "ADN" e por isso a sua ligação faz todo o sentido.

Oxalá não tenhamos que pagar com língua de palmo as bocas de "falta de pedalada" dirigidas ao nosso principal adversário na Liga e com quem temos jogo marcado para breve...

domingo, 6 de dezembro de 2015

Garra e suor com inspiração confirmam estofo de campeão

Não era difícil de prever que a partida com o Marítimo seria complicada de resolver. Porque são quase sempre assim os jogos na Madeira e pelas circunstâncias em que ele ocorria para a equipa do Sporting. A estas dificuldades foram acrescentadas um relvado em péssimas condições, o que, somado a um dia de pouca inspiração colectiva, agravou significativamente as condições de jogo. O mérito da equipa esteve na forma como se entregou ao jogo, deixando quase literalmente a pele em campo.

A supremacia quase permanente do esforço sobre a classe foi interrompida uma vez numa jogada de grande execução colectiva, que conseguiu desposicionar as torres da muralha defensiva insular, arranjando assim espaço para Adrien poder executar um remate certeiro, o suficiente para garantir uma vitória preciosa.

Antes e depois do golo seria determinante a acção de Patrício. Defesas vistosas, um punhado delas de grande dificuldade, juntamente com acções sempre pontuadas por grande equilíbrio e concentração ajudariam a garantir a vitória.


Estes três pontos são conseguidos num terreno onde o FCPorto já havia sido travado e num momento em que estava em causa a defesa da liderança. Quantas vezes é nestas circunstâncias que as pernas tolhidas pela ansiedade e sob o peso da responsabilidade? Quantas vezes são estes os jogos que deixam à evidência a falta de arcaboiço para a ambição de ganhar? Ontem o Sporting, exibindo as mesmas dificuldades que já lhe havíamos visto em jogos anteriores, demonstrou mais uma vez que não se deve menosprezar a sua candidatura.

*Foto MaisFutebol

sábado, 5 de dezembro de 2015

O caminho Marítimo para o campeonato de Inverno

O Sporting tem na deslocação à Madeira mais um importante desafio à sua liderança. A partida nos Barreiros marca a etapa final que até o ao fim-de-semana de 10 de Janeiro encerrará a primeira volta do actual campeonato. Essa é a altura em que habitualmente se atribui o titulo de campeão de inverno.

Um titulo vazio de conteúdo e de pouca glória, pois não se ganha mais do que umas efémeras capas de jornal.Serve contudo como uma prova de aferição da força de uma candidatura e, provavelmente, pode constituir um importante impulsionador dos níveis de confiança de uma equipa.

A Madeira é não só um ponto de passagem obrigatório como de importância nada insular no desfecho desta etapa. Ainda antes de nos sentarmos à mesa por ocasião da consoada o Sporting repetirá a viagem até ao Funchal, para disputar mais três pontos com o U. Madeira, acentuando assim o carácter marítimo à jornada que levará até à metade do campeonato.

Durante este período serão também muito importantes e seguramente difíceis os dois embates com o SCBraga. Um ditará a continuidade de uma das equipas, na reedição da final da Taça de Portugal, cujo titulo o Sporting defende este ano. O outro constitui o ponto final neste capitulo, uma vez que é último jogo da primeira volta e terá por isso mesmo uma importância acrescida.

O jogo com U. Madeira será intermediado pela recepção ao Moreirense e é o último que o Sporting terá de jogar sem poder contar com o recurso a reforços. Este é um aspecto muito importante, tendo em conta que já se vão fazendo sentir alguma escassez de recursos à disposição Jorge Jesus. Até lá o treinador terá que inventar soluções ante as limitações.

É nesta configuração que o encontro com o Maritimo decorrerá. Slimani está castigado e Gutierrez a braços com uma pubalgia, que não só o limita no imediato como lança a dúvida sobre a sua disponibilidade no médio prazo. Bastas são as vezes que a resolução do problema passa pela marquesa do cirurgião. É claro que a frente do ataque terá no jogo com o Marítimo um teste de fogo, pela escassez de alternativas e pelo facto significativo estarem ausentes os dois jogadores em quem Jorge Jesus mais tem confiado para o lugar.

Falando ainda de constrangimentos, há que destacar Jefferson regressa agora de lesão. Tem entrado de forma intermitente, sendo também assim o tom das suas prestações, algo distantes do que já mostrou ser capaz. Pode-se dizer o mesmo de Mané, que não tem entrado muito no baralho na hora de Jesus jogar as cartas.

Há ainda factores psicológicos a merecer alguma atenção. Entre esses destacaria o facto de, quando começar o desafio nos Barreiros, o Sporting já será conhecedor do resultado dos seus rivais. Embora seja algo a que qualquer equipa com pretensões tenha que estar habituada, não deixa de ser um factor que acresce às dificuldades, especialmente quando a equipa está limitada.

Não menos importante é a chicotada psicológica em curso mas ainda não inteiramente definida no adversário. É mais ou menos claro que quem o dirige aposta todas as fichas neste jogo e parece pretender contagiar os jogadores com o mesmo espírito.

Que ninguém duvide que espera ao Sporting um jogo de elevada dificuldade. No caminho Marítimo para o campeonato de Inverno este jogo tem tudo para ser um cabo das tormentas antes de, como todos esperamos, seja acrescida a esperança de chegar no final da primeira volta à frente.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Nós e os negócios do S.L.B.

É ainda cedo para perceber todos os contornos do negócio ontem anunciado entre o operador NOS e o nosso eterno rival SLB. Assim, é ainda prematuro deliberar sobre que vantagens retirarão e prejuízos decorrerão para o nosso vizinho. Como não sou benfiquista essas são questões que não me afligem. Mas, sendo eu Sportinguista imutável e um adepto incondicional do futebol, interessam mais os efeitos colaterais que se farão sentir no futebol nacional e o que tal representa para o meu clube.

A consumação deste negócio constitui uma vitória indiscutível para a estratégia delineada pela actual gestão do SLB, com Luís Filipe Vieira à cabeça, mesmo que aqui chegar agora represente o difícil número de engolir a mesma espada que estes anos se andou a bramir contra a "infiel" Olivedesportos. Isto porque é muito provável que seja a SportTV o operador que ira disponibilizar os jogos do clube da Luz. Ainda assim sobra sempre uma saída pela porta dos fundos, podendo invocar-se o argumento do preço conseguido e que LFV continuou sem negociar com o "inimigo", ficando a cargo de cada um gostar ou rejeitar o prato que lhe é apresentado.

Parece-me claro que 40 milhões por época é um bom valor, 400 milhões é por isso ainda melhor.  Não o desdenharia para o Sporting, antes pelo contrário. O facto de o contrato ter a duração de uma década ou poder ser renovado unilateralmente por uma das partes é, aos dias de hoje, precipitado atribuir como má para o SLB. O passar do tempo e as constantes mudanças no audiovisual pode vir a demonstrar o inverso.

Para o futebol nacional este contrato representa uma derrota. Derrota para os clubes porque se estima que, à semelhança de exemplos que já abundam por essa Europa, a negociação conjunta poderia trazer mais vantagens para todos. Infelizmente falta liderança e visão no nosso futebol, capaz de aglutinar esforços contra a tendência egoísta e bacoca de pensar que se pode construir uma hegemonia à custa da miséria da concorrência. Nem Fernando Gomes nem o recém-chegado Pedro Proença conseguiram alterar esta miopia e não parece que tenham sequer tentado.

É também uma derrota para a transparência, especialmente para um futebol onde campeia a suspeição. É isso que representa a partilha de patrocínio entre a principal competição e um dos seus principais pretendentes. É, no entanto, uma emulação do triste exemplo dos principais órgãos tutelares, a UEFA e a FIFA.

É uma derrota para o modelo de televisão universal de um clube . Ao contrário da propaganda dos últimos anos, fica bem claro, se preciso fosse, que, mesmo para quem se ufana de ter a maior massa adepta, que os clubes não têm vocação para enfrentar com ganhos a concorrência no audiovisual, a menos que dispusessem da totalidade dos jogos, ou pelo menos os dos seus rivais. Ora isso sabemos que é uma quimera. Isto é ainda mais evidente quando a BTV dispunha já da totalidade dos jogos de duas das melhores ligas, a que se somavam os seus jogos em casa. Se fosse bom não o vendiam agora.

Pode vir a representar também uma perda para o verdadeiro adepto do futebol. Dos que, sendo apaixonados pelo seu clube, também o são do futebol. Havendo a possibilidade de os jogos serem "aspergidos" por diversos operadores, ao invés de poderem ser vistos numa única plataforma, perder-se-á a noção do valor geral e do valor relativo das equipas que competem entre si. Acresce que, comercialmente, esta será uma solução suicidária.

Por fim o que esta mudança representa para o Sporting. 

O acesso ao dinheiro é um factor desequilibrador entre concorrentes. Não é tudo, como se prova pelo comportamento das três equipas grandes no actual campeonato, mas é muito importante. Com o contrato ainda em vigor a durar ainda até 2017/18, há ainda tempo para tomar decisões. Falta saber se ele corre a nosso favor, ou se resultará num prejuízo não o poder negociar agora, quando aparecem vários players com apetite voraz para assim se puderem estabelecer com sucesso, conquistando mercado.

Julgo que será consensual estabelecer que este contrato induz pressão nos rivais do clube da Luz, nos quais nos incluímos. Deve ser também encarado como mais um grande desafio para a gestão do clube. Ela existe já quando nem nós nem o FCP conseguimos um patrocinador para as camisolas, abrindo um espaço vazio onde antes estavam 3 milhões de euros/ano. 

Acresce que, para lá dos valores líquidos alcançados, há que realçar a implantação global do novo patrocinador, que leva o nome do patrocinado a todo o lado, ao contrário do que tinha sido alcançado até agora por todos. E que se vem juntar à nossa falta de receitas conseguidas com os "naming right" da Academia de Alcochete, da diferença de prestigio ou mesmo falta de alguns sponsors, ou dificuldade de captação de investidores. Ignorar isto é negar uma evidência.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Oh, como é bom o colinho!

O azul da apneia
A nota exibicional do derby de ontem foi a roçar o fraquinho. O Sporting jogou mais vezes em esforço do quem em classe, em claro contraste com o que havia feito nos dois jogos anteriores, com o SLB e com os russos. Como compreender que uma equipa inferior nos cause mais dificuldades?

A resposta pode ser encontrada nos espaços disponíveis para jogar e nas dificuldades especificas do nosso campeonato. O Belenenses não tem problemas em jogar com os onze jogadores atrás da linha da bola, o que, assinale-se o SLB de Rui Vitória também se viu obrigado a fazer na recente eliminatória da Taça de Portugal. Mas, como é óbvio, nem ele nem o técnico do Lokomotiv se podem dar ao luxo de Sá Pinto, ao recuar de forma permanente toda a equipa, com o único objectivo de retirar os espaços para o nosso futebol respirar, ao ponto de ficarmos azul de tanta apneia.

Devemos também considerar o cansaço. O cansaço que é físico, fruto de dois jogos por semana, com viagens longas pelo meio. E que vem do stress competitivo, que se instala com o decorrer dos minutos com o resultado adverso. Isso é ainda mais notório quando o leque de opções se encontra reduzido, por lesões. E claro, pela ausência de Carrillo. Não há jogadores insubstituíveis, mas o facto é que aquele que era considerado o jogador mais desequilibrador do plantel no inicio da época está fora, não tendo ninguém ocupado o seu lugar em importância, e isso tem um preço.

Depois há o "paradoxo Slimani". A sua preponderância na equipa é clara nos golos que têm resultado em pontos e nas suas actuações plenas de esforço e entrega total. Mas a qualidade das soluções no último terço decaem de qualidade, sendo isso particularmente visível quando é necessário apelar à qualidade técnica para resolver problemas que o colectivo não consegue. 

Slimani, apesar dos enormes progressos, continua a exibir limitações técnicas e de compreensão do jogo que constrangem a qualidade  dass soluções no ataque. Antes que me queimem na fogueira, recorde-se como foi determinante a acção de Montero em Moscovo, a abrir espaços, a temporizar o passe até ao limite para isolar um colega, ou a oferecer-se para triangulações com Ruiz. Slimani não faz isto e, ou jogamos de forma diferente, como muitas vezes Jardim e Marco Silva se viram obrigados, ou temos que esperar por mais um milagre de Jesus.

Oh, como é bom o colinho!
Foi perfeito o final do jogo de ontem para os profissionais da conspiração. Quando já tudo indicava que o Sporting iria conceder mais um empate em casa, Tonel, que vestiu a camisola do Sporting durante cerca de sete anos,  acabaria por "oferecer" três pontos, por via de uma mão de todo desnecessária.

Oh, o escândalo! O Tonel é um vendido claro está, pouco importando se estava ou não a olhar para a bola quando esta lhe toca na mão. É também um sádico refinado porque esperou mais de noventa minutos para nos fazer o favor! Certamente estava combinado com o árbitro, sabendo que ele ia dar quatro minutos de desconto, e devidamente articulado com Slimani, para saltar com ele. Há peças de ballet, ensaiadas à exaustão, que não correm tão bem.

E o árbitro? O árbitro é um ladrão porque aponta um penalty quando um jogador joga a bola com a mão dentro da área! Ora isto vai ao arrepio do que está escrito na cartilha da arbitragem, onde certamente se lê que penalty's a favor do Sporting só em último recurso. E nos últimos minutos de jogo e que possam valer três pontos jamais, em circunstância alguma. 

É esse o colinho que nos têm dado, marcarem penalty's que dantes não marcavam. O colinho a que estávamos habituados era aquele que com uma mão nos afagava para comer tenrinhos, enquanto com a outra nos afastavam dos pontos o mais depressa possível. 

A passar o sinal amarelo muitas vezes
Quatro vitórias in extremis não acontecem por acaso, só por despeito é que não se reconhece o mérito. Mas o jogo de ontem não deixa de constituir um sinal de aviso. São muitas as vezes que andamos a queimar os sinais amarelos, um dia somos apanhados no vermelho.

Ontem, à semelhança do Bessa, jogamos muito pouco e, contrariamente ao que disse Jesus após o jogo, não foi por saber e por querer que chegamos ao golo. A mão de Tonel foi um momento fortuito que dificilmente se voltará a repetir. Estamos avisados.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Entrevista exclusiva de Bruno de Carvalho ao Record

Sintonia total com William e Slimani

RECORD - Em que ponto se encontra a renovação de William Carvalho? Há ou não dinheiro para deixar o jogador satisfeito?

BRUNO DE CARVALHO – Este dossiê não está atrasado. O Sporting tratou dos processos que eram importantes e urgentes e agora tem uma série de dossiês em mãos, perante os quais os jogadores estão calmos e serenos. É importante conciliarmos tudo isto: a serenidade da equipa, a concentração e o foco nos objetivos. Estes processos de renovação não podem contribuir para a instabilidade da equipa. Naqueles em que nós sentimos que isso estava a acontecer, sobretudo de uma forma emocional, tratámos de os resolver.

R - Está a falar, por exemplo, de Slimani, Jefferson ou Mané?

BdC – E até do próprio João [Mário]. Portanto, resolvemos tudo aquilo que emocionalmente poderia estar a afetar os jogadores. Agora… eu e o William estamos perfeitamente tranquilos perante esta situação. Podem escrever isto, porque o próprio William ficará muito feliz ao ler: eu e o William Carvalho estamos em total sintonia e descansados perante a situação contratual do jogador. Nada mais do que isto.

R - Trata-se de um jogador já falado para vários clubes ingleses... Apesar da lesão, o Sporting recebeu propostas por William Carvalho durante o defeso?

BdC – Nada.

R - Espera conseguir segurar William, pelo menos até ao final desta temporada, beneficiando do que ele pode sair valorizado do Euro’2016?

BdC –Garantidamente! Não sairá nenhum jogador essencial em janeiro. Está totalmente descartada a transferência de jogadores com os quais o Sporting conta em termos de plantel, em função do que são os seus objetivos.

R - Só aceita vender Slimani pelo valor da cláusula [30 milhões de euros], ou há acordo para o deixar sair no final da temporada?

BdC – Não, não, não, não e não. Isso era antigamente, quando se faziam esses acordos por debaixo da mesa. O Sporting não faz essas coisas esquisitas. Não há acordo com ninguém. O Slimani é jogador do Sporting, está satisfeito no clube, renovou contrato há pouco tempo e não há acordo para sair. Não faço a mínima ideia se sairá ou não no final da temporada. Sinceramente, não tenho grande vontade que ele saia no final da época. Slimani está muito satisfeito no Sporting e nós estamos muito satisfeitos com o rendimento dele. Janeiro, zero saídas. Quanto ao final da época… não olho para a saída do Slimani como algo a ser encarado. Mas é como tudo na vida. Até lá ainda falta muito tempo. Desta direção, os sportinguistas nunca vão ter aquelas cláusulas como a do Eric [Dier], que era uma cláusula de um valor, mas depois havia acordos paralelos. Com esta direção as coisas são muito claras e simples: ou tem ou não tem cláusula. O Slimani está muito bem, muito, muito feliz pela aposta que foi feita. Muito feliz por eu não ter cedido à vontade muito grande dele, de ser emprestado a meio da sua primeira época no Sporting. Estava frustrado e triste por não jogar. Tenho a certeza que ele se lembra perfeitamente desses momentos e é por isso que temos uma boa relação.

R - Foi fácil chegar a um entendimento com Slimani?

BdC – Foi, foi. Toda a gente sabe que houve aquela situação pontual entre nós. O Slimani aí percebeu perfeitamente como são as coisas e, desde então, tem sido um jogador muito importante para nós e tem tido um comportamento exemplar. Foi fácil e acho que o próprio Slimani reconhece que eu também fui muito importante no desenvolvimento da sua carreira, quando pessoalmente lhe neguei a saída naquela fase, explicando-lhe as coisas. Agora, quando vê aquilo que atingiu, ele olha para trás e reconhece que esta foi mesmo a melhor opção, e não era aquela que ele queria. Lembro-me das entrevistas sucessivas que o selecionador argelino na altura dava para que ele saísse do Sporting… O Slimani é um jogador satisfeito e daqueles que percebem que o presidente preocupa-se muito com o Sporting, mas também se preocupa com a realidade de cada jogador. Independentemente de ser duro nas negociações, estou sempre muito atento à visão de cada um dos dois lados. O Slimani está calmo e confiante, tal como está o William Carvalho.

R - Esgaio, Carlos Mané e Tanaka, por exemplo, são jogadores para emprestar, na reabertura do mercado, agora em janeiro?

BdC – Não está tomada nenhuma decisão por parte do treinador, relativamente aos jogadores que podem sair ou ser emprestados.

R - Quanto a entradas, tentou mesmo contratar Quaresma?

BdC – [pausa] Não sou sportinguista de há dois anos e meio para cá. Acompanho o Sporting há muito tempo. E quando andei a tirar o curso de treinador, já com o objetivo de um dia vir a ser presidente, acompanhei de perto a evolução do Rui [Patrício], do Adrien, desta miudagem toda. Do Cédric, dos Quaresmas e dos Cristianos. Não sou sportinguista de ontem. Pergunta se não gostaria de ver o Quaresma de regresso ao Sporting? Gostaria. Não o escondo. Mas também sei que ele está bem onde está, compreendo que o Besiktas tenha interesse em valorizar os seus jogadores e, portanto, o interesse do Sporting é sempre algo de relevante. O Quaresma é um jogador que me agrada, é da formação do Sporting, tem características muito interessantes e está, nesta altura, muito mais maduro.

R - E acha que pode trazer o Quaresma para o Sporting?

BdC – Tudo na vida é possível e eu já provei a mim e aos sportinguistas de que há poucos impossíveis... Quem sabe se um dia não se transforma numa realidade o que acabaram por ser os próprios dirigentes turcos a revelar. Por exemplo, ele vai regressar a Alvalade daqui a pouco tempo e vai perder!

R - Para ficar?

BdC – Se o Besiktas não quiser levá-lo de volta para a Turquia, eu fico de bom grado com ele. O Besiktas está à vontade [risos]. E não tenha dúvidas de que disse isso mesmo aos dirigentes do Besiktas. Não tenho medo de o admitir.

R - Disse ao Besiktas que queria contratar Quaresma?

BdC – Não foi bem isso. Disse que, no dia em que eles achassem que o Quaresma não era mais-valia para o Besiktas, que o mandassem para casa, pois eu ficaria muito feliz e contente em poder tê-lo na equipa do Sporting.

Scheloto é mais valia 

RECORD - O que vem Schelotto acrescentar ao plantel do Sporting?

BdC – Essas perguntas são mais interessantes quando feitas ao treinador. Os pequenos retoques que o Sporting tinha para fazer estavam identificados e foram tratados. Estamos muito contentes com o plantel. Basta ver os resultados magníficos que temos feito. Considerou-se que havia necessidade de proceder a algumas melhorias, de forma a ajudar este plantel a fazer ainda melhor. Foi o que fizemos.

R -  Vem para defesa-direito?

BdC – O Schelotto pode fazer todo o corredor. Agora, o Jorge Jesus é que vai decidir o que ele vai fazer. É visto como uma mais-valia para atingirmos os nossos objetivos.

Carrillo? Nesta altura tudo é possível 

RECORD - Ainda é possível chegar a um acordo com Carrillo?

BdC – O que posso dizer sobre o Carrillo é que ele continua a recuperar de uma lesão e que está com um processo disciplinar. Como sempre, no dia em que houver uma decisão taxativa, ou para a direita ou para a esquerda, direi. Até isso acontecer, tudo é possível...

R - Tal como Carrillo, André Martins e Marcelo Boeck estão em final de contrato. Pode explicar as diferenças entre estes casos?

BdC – Estamos todos a conversar, com muita calma, e a tentar chegar a conclusões. Estamos a analisar aquilo que será melhor para todos os envolvidos. Nem o Marcelo, nem o André Martins disseram que não queriam renovar os seus contratos.

R - Disse, numa grande entrevista a Record, que Carrillo não sairia a custo zero. Acredita que será capaz de cumprir esta promessa?

BdC – [pausa] Depende do que entender por custo zero. Não se esqueça do processo disciplinar que está a decorrer… Continuo a achar exatamente o mesmo. Agora, poderá ser é de uma maneira diferente. Continuo a achar que Carrillo não sairá a custo zero.

R - Zeegelaar já é do Sporting?

BdC – Não vou falar nada além daquilo que já foi anunciado…

R - Tem sido noticiado que o Sporting está atento ao mercado em busca de um central. Disse que os alvos estão "definidos e mais do que tratados". O central é uma prioridade?

BdC – Não...

R - Não há posições prioritárias?

BdC – Quando lhe disse taxativamente que não, disse-o de forma consciente. Isto, claro, a não ser que surja um negócio fantástico. Gostamos dos nossos centrais, mas não fechamos a porta a bons negócios. Há alvos identificados e tratados, mas não estamos compradores.

R - Já melhorou as condições salariais do Paulo Oliveira, ainda é cedo ou desnecessário?

BdC – Todos nós temos de ir dando passos se guros na vida. O Paulo é um excelente jogador. E isto não é segredo nenhum: foi opção minha, pois na altura não havia treinador. Não tenho a mínima dúvida de que se continuar a evoluir e a afirmar-se , possivelmente no próximo ano falarei com ele. Agora… calma.

R - Então também assume a contratação do Slavchev...?

BdC – Sem problema nenhum.

R - Arrepende-se dessa escolha?

BdC – Nada. A capacidade que o Sporting tinha para contratar não é igual à de agora. Atualmente, podemos fazer apostas mais certeiras. Temos a possibilidade de ir buscar jogadores que nos dão mais garantias, até pela idade e pelo currículo. Slavchev foi a escolha possível.

Bruno César foi "afinação" pedida por Jesus

R - Bruno César foi um pedido expresso de Jorge Jesus?

BdC – Claro que estas afinações têm sido a pedido do treinador. Isto para não fugir a nada. Por coincidência, o Bruno César era um jogador que tinha sido referido na primeira vez em que me candidatei à presidência. Trata-se de um elemento que Jorge Jesus conhece muito bem. É muito polivalente e o Jorge [Jesus] gosta desse género de jogadores. Mais uma vez, aquele pequeno retoque que foi considerado importante para este mercado de inverno...

Labyad? Para dançar é preciso haver vontade dos dois

R - Entende que vai conseguir resolver em janeiro os casos de Labyad e Viola?

BdC – Na vida tudo tem uma solução quando todos querem que isso aconteça. Tem de haver vontade dos dois de dançarem. Tudo se consegue, se houver vontade de ambos em caminhar no mesmo sentido. A Labyad e Viola, já lhes ficou claro que não contam para o projeto desportivo de Jorge Jesus e têm de tomar decisões para o futuro das suas carreiras. Os anos passam e têm de tomar decisões. Ponto final. Se estivesse na situação deles, de certeza absoluta que não estaria contente a jogar na 2.ª divisão do campeonato português. Ambos têm mercado, isto caso tenham vontade progredir nas carreiras.

Não gostamos de perder nem a feijões

R - A vitória em Moscovo deixa o Sporting numa boa posição para garantir o apuramento na Liga Europa. Contudo, nota-se alguma falta de "entusiasmo" de Jorge Jesus por esta competição...

BdC – A nossa concentração está nas competições portuguesas. Ponto. Mas nem eu nem o Jorge Jesus gostamos de perder, nem ao berlinde! É nessa perspetiva que ele fala em ‘mais problemas’. Há uma série de jogos, todos uns em cima dos outros. Quando o Jorge Jesus fala nisto, está a dizer que tem de ultrapassar um desafio. E é magnífico ver a forma como os encara e supera. Quando ouço aquele discurso, não fico preocupado, fico entusiasmado.

É ainda mais importante ser campeão esta época

RECORD - Não ganhar o título esta temporada seria um rude golpe na estratégia que delineou para o futuro do Sporting?

BdC – Já todos perceberam que o foco está na conquista do título desta temporada. Não vamos estar com rodeios nesse aspeto.

R - É mais importante para o Sporting ser campeão esta época do que no passado recente?

BdC – Para o Sporting é sempre importante ganhar o campeonato, mas este ano é ainda mais importante para cimentar todo o trabalho que temos feito. O Sporting não pode estar sem ganhar o título durante tanto tempo. É assim que se alimenta uma marca. É assim que se alimenta a história e a capacidade de crescimento de um clube. Esta época há três condicionantes especiais: o Sporting estava num caminho para criar condições para, de uma forma regular, vencer a Liga. Chegou a hora de apontarmos à meta do campeonato de uma forma mais efetiva. Em 2.º lugar, o treinador. Dá outra capacidade em termos de competência, de ‘know-how’ e até da própria fé e movimentação da esperança das pessoas. E, por último, o investimento que fizemos este ano no reforço da equipa. Fizemos uma aposta muito grande, porque não se consegue consolidar a estratégia de equilíbrio financeiro e organizativo, de fazermos valer as nossas ideias para o desporto, da luta pela verdade desportiva, se não conseguirmos mostrar grandeza através de títulos conquistados.

R - Se não ganhar o título, haverá retrocesso nesse caminho?

BdC – Se não ganharmos o título será, de facto, um objetivo muito grande não cumprido. Mas não haverá retrocesso. Foi como não termos entrado na Liga dos Campeões. A nível financeiro era muito importante, mas não é por isso que viramos as costas e que abandonamos os nossos objetivos. Não tenho dúvidas de que continuaremos o nosso crescimento. Há uma ou duas décadas que não ouvia dizer que o plantel do Sporting era o mais valioso. Temos orgulho nisso. O futebol que está a começar a surgir… Já em vários jogos notamos uma evolução tremenda daquilo que são as ideias do treinador e da própria forma como os jogadores interpretam essa ideia. Isso dá-nos esperança, mas temos de ter os pés assentes na terra. Estamos em 1.º lugar nesta altura, mas é mais importante estarmos em 1.º no fim. O Sporting não pode ganhar de dez em dez anos.

R - Foi uma questão muito debatida quando Jesus era treinador do Benfica: o mérito é exclusivo do treinador ou da estrutura?

BdC – O Jorge Jesus é um excelente treinador. Mas também não o precisava de dizer, pois é do domínio público a noção de que o Jorge é um treinador especial. Domina a ciência do futebol de uma forma quase ímpar. Desde que chegámos ao Sporting, temo-nos esforçado muito para criar alguma consistência naquilo que são todas as operações que se vão relacionando com o futebol. A estrutura não é mais do que isso: são pessoas, processos, filosofias, metodologias. É, sobretudo, conseguirmos olhar para um todo e que esse todo trabalhe em conjunto para um objetivo comum. O Jorge Jesus veio ajudar nisso com todo o seu ‘know-how’, veio ajudar a completar um processo que já estava em marcha. Ele, realmente, tem sido uma peça absolutamente fundamental naquilo que têm sido os resultados esta época.

R - Este balanço positivo no conjunto dos dérbis tem estado muito focado em Jorge Jesus. É redutor para um clube como o Sporting ou natural depois da transferência?

BdC – O Sporting não passa, de repente, de um estado quase depressivo, pré-falência e acomodação para um estado de equilíbrio, onde há novamente alegria e esperança. Isto tem tudo a ver com pessoas, com competências, com ‘know-how’, com graus de exigência, com filosofias. Jesus, a nível de treinador é tudo isto. O Jorge Jesus chegou como a cereja no topo do bolo. Veio trazer para dentro do futebol tudo aquilo que é o nosso raciocínio e tudo o que é o nosso caminho. A oportunidade para contratar Jesus – algo impossível há dois anos – acabou por calhar numa altura boa, porque o Sporting tem vindo a fazer um trabalho de contenção, reequilíbrio e organização muito grandes e o Jorge [Jesus] veio cimentar este crescimento. Não temos dúvida nenhuma de que há uma mão muito grande nesta transformação. Dou um exemplo claro: a forma como os jogadores encaram os grandes jogos é um sinal evidente de uma mudança grande de mentalidade.

R - Provocada por Jesus...

BdC – Sem dúvida! Os jogadores sentem-se com outra confiança, com outra força e mentalidade. É isso que ele nos traz. Quando trabalhamos com alguém que é um vencedor por natureza, isso traduz-se na forma como nos comportamos. O Jorge tem todo o mérito, pois conseguiu, em pouco tempo, colocar o Sporting a fazer aquilo que nós ambicionávamos: encarar os jogos com uma mentalidade vencedora. É justo tudo aquilo que se possa dizer do Jorge Jesus enquanto elemento importantíssimo para esta transformação no futebol do Sporting.

Jesus? Um dos grandes treinadores mundiais

R - Jesus traz a si a responsabilidade de ‘ressuscitar’ o Sporting. Houve três anos de BdC para trás e outros dois técnicos. O que ‘correu mal’?

BdC – São processos de evolução distintos. Quando começámos, era impossível termos o Jorge Jesus ou um plantel com esta dimensão. Basta ver a reação da comunicação social: este foi o primeiro ano em que não foi necessário dizer que o Sporting era candidato. Quando se falou em Jesus, disseram imediatamente que o Sporting estava na luta!

R - Jorge Jesus é melhor treinador do que Leonardo Jardim ou Marco Silva?

BdC – Estamos a falar de alguém que é um dos grandes treinadores mundiais da atualidade. Basta verificar o currículo fantástico que ele tem, inclusivamente em equipas de dimensão menor que a do Sporting ou do Benfica. Não me agrada nada fazer essas comparações. São fases diferentes, treinadores diferentes. Mas quanto ao Jorge Jesus... Conseguiu colocar o Benfica de novo na ribalta. Tem esse mérito e é esse o trabalho que esperamos que ele faça.

R - Nessa "simbiose" que já falou entre presidente e treinador, já houve divergências estratégicas?

BdC – ‘Divergências estratégicas’ é muito forte... Isso não! Conversamos muito, discutimos e temos as nossas visões. Muitas vezes, temos de conversar sobre elas. Mas isso não tem nada a ver com estratégia. O Sporting é um clube que quer ganhar, mas que quer chegar ao 1.º lugar com regras bem definidas. Estrategicamente nenhuma divergência, mas sempre a debatermos as nossas ideias.

Benfica queria Jesus fora de Portugal

R - Jorge Jesus é muitas vezes acusado de falar constantemente do Benfica. Isso incomoda-o ?

Bruno de Carvalho – É quase impossível isso não acontecer [pausa]. Isto é um assunto, de facto, mal digerido por parte do Benfica. É por demais evidente que havia uma estratégia delineada para a saída do Jorge Jesus de Portugal. Mas isso não aconteceu! O Benfica começou numa estratégia de ataque tremendo a alguém que é – e eles sabem isso – um ganhador, profissional, competente, um estratega e um elemento de grande valia.

R - O Benfica teme Jesus?

BdC – Eles sabem o que ele pode fazer no Sporting. Começou pelas ameaças de processo por ter visitado a Academia. Depois a história dos SMS. Tentaram transformar a saída como se fosse uma traição do Jesus à nação benfiquista, quando ele fez uma coisa perfeitamente normal: tomou uma decisão perante a vontade clara do Benfica em não continuar com ele. O tempo vai diluindo as coisas. Percebo perfeitamente que são seis anos. Percebo o que os dirigentes do Benfica estão a passar. Tem-se visto que Jesus, através da sua competência, consegue resultados. Espero que o Benfica se concentre nas suas necessidades e preocupações e cada vez menos em Jesus.

R - Está a contar com isso?

BdC – Vai ser inevitável andarmos a época toda a falar disto… Do outro lado há uma falha de perceção estratégica. É mais do que evidente que esta atuação de conflito é algo que é traduzido, quer por parte do Sporting quer por parte do Jorge Jesus, numa força adicional. Portanto, tudo isto tem servido de estímulo. Por isso, acho que os erros [do Benfica] vão sendo sucessivos. Se estivesse daquele lado – não estou, não quero estar e nunca quererei estar –, estava muito mais preocupado com o que devia fazer no grande processo de alteração que tenho pela frente. Disse-o quando cheguei ao Sporting. Os nossos rivais vão ter de passar por processos similares aos que já ultrapassámos. Tudo tem o seu ‘timing’. O facto de o Sporting ter sido o primeiro não foi questão de estratégia, mas sim de necessidade pura. O clube estava em pré-falência, tinha de mudar. Mas havia que aproveitar esse tremendo contratempo.

R - No final do dérbi da Taça, Jesus e Bruno de Carvalho deram um longo e aparentemente sentido abraço. O que se pode ler daquele momento?

BdC – Uma cumplicidade enorme. Estamos no início deste processo, mas sabemos claramente o que temos pela frente e a dificuldade dos objetivos a que nos propusemos. Une-nos uma grande amizade, sentimento que aumenta à medida que nos vamos conhecendo melhor. Conciliamos dois feitios e dois caráteres muito fortes e vincados.

R - Na Taça de Portugal, depois do Benfica, agora o Sp. Braga... O Sporting é favorito?

BdC – Em jogos a eliminar as coisas são sempre complicadas. Não posso dizer que não, pois considero sempre o Sporting favorito em tudo. Saiu o Sp. Braga. Com jogos de três em três dias, este não é o adversário ideal. Mas estamos confiantes e queremos passar.


Castigo a Naldo é justo, mas...

R - Que comentário lhe merece a forma como o processo a Naldo foi conduzido pelo Conselho de Disciplina da FPF?

BdC – Acho que o Naldo não devia ter reagido daquela forma e acho que o castigo de um jogo é justo. Ponto. Dizendo isto, tenho de realçar o seguinte: esta falta de definição do que é importante no futebol, do que pertence ou não ao jogo... Se for um jogador tem uma relevância, se for um treinador tem outra… Mesmo gostando do Lito Vidigal, acho engraçado que seja mais grave um ‘chega para lá’ de um indivíduo que está a exercer a sua profissão, do que um elemento estranho entrar dentro do jogo. Isto é inacreditável! Depois dizem-me: o futebol não pode mudar, porque perde a essência. O futebol tem de rever algumas das suas regras.

R - Mas neste caso do Naldo, depreendo que tenha ficado satisfeito com a decisão, correto?

BdC – Certo. Mas ninguém percebe como é que um treinador leva uma multa de 40 euros por ter invadido o terreno de jogo e um jogador que dá um ‘chega para lá’ em alguém que estava a mais, seja castigado. Se vir de forma isolada o lance, Naldo, um jogo, perfeito. Se vir o conjunto, tenho de achar aquilo que toda a gente acha: que é ridículo em termos de proporção.

Queixa contra Slimani é retaliação pelas três derrotas 

R - Depois do silêncio perante as críticas e acusações lançadas pelo Sporting, o Benfica só agora respondeu. Rui Vitória falou na ‘tática do barulho’; Rui Costa e João Gabriel seguiram-no. "Fazer barulho" ajuda a ganhar jogos?

BdC – Primeiro, é preciso fazermos uma distinção do que é o silêncio. Se estivermos a dizer que eu, a nível do Sporting, sou muito mais interventivo, disso não há dúvidas. Agora, se há coisa que o Benfica não tem feito é silêncio. Pode ser utilizando antigos dirigentes ou comentadores bem documentados. Pode ser através de comunicados, twitters ou facebooks… Pode ser através da situação criada à volta do Jesus ou das SMS; pode ser através das as acusações feitas nos programas pelos comentadores que estão alinhados com o clube. Cuidado com a situação de o Benfica não fazer barulho... Às vezes, não parecendo, faz-se muito mais barulho do que o Sporting.

R - Mas estava a referir-me a uma reação direta do Benfica…

BdC – Mas isto são tudo reações diretas! O que pode dizer é que, por uma questão de estratégia, as coisas são diferentes. A estratégia de Luís Filipe Vieira era entrar nos programas aos pontapés. Se calhar, houve aqui uma necessidade de colocar outras pessoas a falar em nome do Benfica. Mas isso é uma questão muito interna do Benfica. Independentemente da minha forma contundente de ser e de estar, ainda não entrei em nenhum programa aos pontapés; portanto, ainda não há a necessidade de eu desaparecer. Isto não é barulho, pois não foi o Sporting que fabricou uma caixa e meteu lá uma camisola e uns ‘vouchers’ com idas ao Museu do Benfica e a um restaurante. Quer outro exemplo? É de lamentar que as notas dos árbitros que arbitram o Sporting sejam as únicas que saem cá para fora...

R - Por que é que isso acontece?

BdC – Isso é que é barulho ensurdecedor. Isso é que é fazer barulho pela calada. Mostrei uma caixa e pedi para verificarem. Outra coisa é saírem as notas e sair sempre o porquê. Isto é manipular sem ter a coragem de dar a cara.

R - Mas acha que essa é uma estratégia do Benfica?

BdC – É uma estratégia clara de condicionamento.

R - Do Benfica?

BdC – Não sei se será do Benfica. Mas há aqui uma tentativa tremenda de condicionar a arbitragem. E o Sporting é o alvo. Há, de facto, uma tentativa de se jogar fora das quatro linhas.

R - Teme que este caso seja arquivado e que acabe por cair no esquecimento?

BdC – O futebol português continua a embirrar em jogar fora das quatro linhas. Se todos têm razões de queixa, venham assinar a proposta do Sporting. Vamos dar a cara pelo videoárbitro!

R - Por que é que existe tanta resistência ao videoárbitro?

BdC – Porque é mais fácil.

R - Jogar fora das quatro linhas?

BdC – Com certeza.

R - Mas porquê?

BdC – [pausa] Há dois caminhos para lhe poder responder a essa pergunta. Ou porque há malícia ou então é aquela história do escorpião e do elefante. Um elefante vai passar um rio e o escorpião pergunta-lhe se o pode levar com ele. O elefante responde: "Não te vou levar porque tu vais picar-me e assim morremos os dois". O escorpião responde: "Não! Não! Então eu sou maluco?". Chegaram a meio do rio e o escorpião picou o elefante. "Então, assim vamos morrer os dois!". E o escorpião responde: "É mais forte do que eu." Acho que no futebol português as coisas funcionam assim. Estamos a falar de pessoas que estão há muitos anos no futebol. Sempre se jogou muito fora das quatro linhas. Alterar isso é alterar uma lógica de procedimento. O que seria o futebol com o videoárbitro? O futebol continua a ser muito jogado fora das quatro linhas. Desde que cheguei que tenho denunciado isso.

R - E já que fala nesse jogo fora das quatro linhas, a pergunta é direta: Slimani agrediu Samaris?

BdC – Deixe-me dizer-lhe uma coisa: o Sporting apresentou uma série de queixas…

R - Por isso é que estava a falar-lhe do jogo fora das quatro linhas…

BdC – Mas lá está! Nós não somos hipócritas. Publicamos a nossa visão sobre os lances. Não criamos vídeos hipócritas e lançamos na internet. Você vê imagens de jogadores a darem estalos e socos na cara de jogadores do Sporting! Está a falar de uma jogada do Slimani com o Samaris... que é perfeitamente corriqueira.

R - Mas acredita que o Slimani pode ser suspenso?

BdC – Se aquilo dá para suspensão, então metade da equipa do Benfica era suspensa. A imagem que vemos do Slimani, vamos vê-la toda ou só um ‘frame’ específico? Aconteceu antes ou depois? Quando se vê uma imagem do Eliseu a dar um estalo a um jogador do Sporting, como é? Vemos essa imagem ou vamos ver tudo? Se nós entramos por aí... E lá está, mais uma vez foi o Benfica a fazer uma queixa…

R - Se o Benfica não tivesse feito a queixa, o Sporting também não teria apresentado as queixas contra cinco jogadores do Benfica?

BdC – Não queremos utilizar subterfúgios para arranjarmos formas de vencer jogos e campeonatos. Não há dúvida nenhuma que aquela queixa que o Benfica faz contra o Slimani é uma retaliação pelas três derrotas. Sei que é complicado de digerir… E também porque o Slimani é um jogador importante para o Sporting. Seria uma forma de condicionar. Se calhar, um novo caso Hulk, com as devidas separações. Tudo isto é tão ridículo, que volto a dizer: em vez de estarem com estas atitudes ridículas, convido os clubes a assinarem a proposta do videoárbitro do Sporting e a maior parte destas situações ficam resolvidas.

Artur Soares Dias? Tem de haver bom-senso

R - Como analisa a nomeação de Artur Soares Dias para o jogo com o Belenenses?

BdC – Fico espantado quando olho para as capas dos jornais que dizem "Bruno de Carvalho condiciona a arbitragem" e, de repente, vejo um árbitro a ser escolhido para o jogo do Sporting, um árbitro que já me expulsou esta época [no Bessa] e cujo processo ainda está no Conselho de Disciplina. Tem de haver bom senso. Não tenho a responsabilidade de defender terceiros. O que quero dizer com isto? Sou presidente do Sporting, não sou um árbitro. Sou tendencioso. O meu dever é defender o Sporting. Um árbitro não pode ser tendencioso. Tem de defender todos. Podem fazer-me os processos que quiserem enquanto presidente do Sporting, mas não me vão calar. Não vou deixar de dizer aquilo que acho serem coincidências a mais.

Não se ganham campeonatos no Natal

R - O Sporting lidera o campeonato e parece firme nesse papel. Conhecendo tão bem a equipa e o treinador, acha que está dado um grande passo para atingir o tão desejado título? Jesus disse que se chegasse ao Natal nos primeiros lugares... o Sporting era um candidato forte.

BdC – Mas ainda não chegámos ao Natal… Ainda faltam muitos jogos, daí essa preocupação.

R - Dezembro será, então, importante neste aspeto?

BdC – Independentemente de chegarmos ao Natal em 1.º ou não - e aí Jorge Jesus tem muito mais experiência do que eu - acho que o Sporting terá de ser muito forte, muito humilde e muito aguerrido durante a época toda. Claro que não sou daqueles que têm a teoria de o peso de estar na liderança é terrível. Nada disso. Estar à frente é ótimo. O Sporting terá de ser muito consistente até ao final do campeonato. Até maio, tem de haver concentração, vontade, humildade, crescimento, tudo de uma forma constante. Não se ganham campeonatos no Natal. O Sporting não quer ser campeão de inverno: quer ser campeão nacional. Não podemos dormir à sombra da bananeira por estarmos em 1.º lugar. Com dois ou três jogos menos conseguidos, podemos perder a liderança.

Caixa é assunto que queima

R - Não esperava uma intervenção mais ativa de Pedro Proença no assunto das caixas do Benfica?

BdC – Já tive a oportunidade de dizer ao Pedro Proença o que achava. Ele agora é presidente da Liga. Tem de se afastar das questões da arbitragem. Seja como for, não se pode afastar dos interesses dos clubes. Considero o que ele disse como uma frase infeliz, porque as caixas não são um ‘fait divers’. Tem de ter posição clara pela modernização do futebol português. Entendo que este é um assunto que ‘queima’, mas temos de ter a coragem de dizer que estes comportamentos não são corretos. E quando acontecem, devem ser punidos. Se, em Itália, a Juventus desceu de divisão, por que é que aqui isso não acontece?

R - Sentar-se no banco não faz de si um alvo demasiado acessível para quem o queira ‘castigar’? Se estivesse na tribuna, não estaria mais ‘blindado’?

BdC – Quando estou no banco, estou como delegado; não estou como presidente. A única coisa que aceito é que me castiguem enquanto delegado. Vejo um ‘vermelho’? Expulsam o delegado, mas jamais vão calar o presidente! Quero ver quem é a pessoa que me cala... Sou dirigente porque fui eleito. Tenho, por isso toda a liberdade para exercer este papel. Ponto. O que acontece? Mais uma vez, a tal falta de visão estratégica. A vontade de me tirarem dali é tão grande, que mais vontade tenho de lá ficar. Lá está outra vez a visão estúpida. Atacam o Jorge [Jesus] e ele fica com mais gás; atacam-me a mim, e eu fico com mais gás; querem tirar-me do banco e eu mais vontade tenho de lá ficar. Portanto… não há dúvida nenhuma de que ao fim de quase 3 anos as pessoas continuam a insistir nos mesmos erros. Já devo ter dezenas de processos. Vou continuar a denunciar o que tiver para denunciar, mesmo percebendo que as instâncias nada fazem. Já denunciei coisas com muita gravidade e os processos têm dado zero. O processo em que o presidente do Benfica me convida para fazer uma aliança e em que ganhava um, ganhava o outro [o campeonato]: zero. A contratação do Brahimi: nada. Mostrei a situação das caixas: toda a gente condena na surdina, mas vamos ver o que vai dar.

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